quarta-feira, 29 de abril de 2026

Centrão .

 



       O Centrão é um agrupamento informal e pragmático de partidos políticos no Brasil, que geralmente não se vincula a ideologias de esquerda ou direita. O grupo atua de forma oportunista no Congresso Nacional, negociando apoio político em troca de cargos, emendas parlamentares e verbas, independentemente de quem esteja no poder. 

Origem e características

O termo surgiu durante a Assembleia Nacional Constituinte de 1987-1988, para designar um grupo de parlamentares que se opunha a propostas mais progressistas e atuava de forma a garantir seus próprios interesses.

Atualmente, não é um bloco unificado, mas uma coalizão de diversos partidos e parlamentares com interesses em comum.

É conhecido pela sua grande capacidade de articulação e por dominar o Congresso Nacional, tornando-se essencial para a governabilidade de qualquer presidente. 

Atuação recente

O Centrão tem se posicionado como um ator fundamental na política brasileira, com o governo Lula buscando negociar sua participação para garantir apoio no Congresso.

Em outubro de 2025, houve notícias sobre mudanças em cargos de influência do Centrão, indicando uma ofensiva do governo federal para rearranjar alianças após impasses na votação de medidas importantes.

Anteriormente, o grupo também se aproximou do ex-presidente Jair Bolsonaro, demonstrando sua flexibilidade em se aliar a diferentes governos   

De fato, o Centrão saiu vitorioso das eleições municipais de 2024, consolidando seu poder em grande parte do país. Analistas políticos apontam que os partidos de centro e centro-direita tiveram um desempenho notável, superando as agremiações de esquerda em número de prefeituras. 

Desempenho dos partidos do Centrão nas eleições de 2024:

PSD: O partido liderado por Gilberto Kassab foi o grande vencedor, elegendo o maior número de prefeitos em todo o país.

MDB: Mesmo ficando em segundo lugar no total de prefeitos eleitos, o MDB concentrou suas vitórias em cidades menores.

PP e União Brasil: Os dois partidos também apresentaram um desempenho forte, contribuindo para a expansão do Centrão no âmbito municipal.

PL e Republicanos: Além dos partidos mais tradicionais do Centrão, o PL e o Republicanos também cresceram significativamente, com o último se beneficiando da relevância crescente de pautas de costumes. 

Fatores para a vitória do Centrão:

Domínio municipal: O PSD, MDB, PP e União Brasil, juntos, elegeram mais da metade dos prefeitos do Brasil. A CNN Brasil estima que os partidos do Centrão administrarão 62% dos municípios e governarão para 74% dos brasileiros a partir de 2025.

Eleições locais vs. nacionais: As eleições municipais de 2024 reforçaram a tendência de que questões locais, como o desempenho da administração atual, têm maior peso para o eleitor do que a polarização política nacional. A análise do resultado eleitoral indica que o eleitorado busca soluções para questões do dia a dia, como saúde, educação e zeladoria.

Enfraquecimento da esquerda: Enquanto o Centrão e a direita se fortaleceram, partidos de esquerda, como o PT, tiveram um resultado considerado fraco em muitas cidades, gerando um sinal de alerta para as eleições de 2026.

Vitória contra bolsonaristas: No segundo turno, candidatos do Centrão foram vitoriosos contra candidatos bolsonaristas .

Confira no Nexo Jornal                 https://www.nexojornal.com.br/grafico/2024/10/07/eleicoes-2024-partido-com-mais-vereadores-eleitos

Confira no Nexo Jornal                https://www.nexojornal.com.br/grafico/2024/10/06/eleicoes-2024-partido-com-mais-prefeitos-eleitos

Confira o artigo do autorr   Rudson Pinheiro Soares1

o fator “ceNtrão”

 Rudson Pinheiro Soares1

 Crise nacional

 A aliança explícita firmada em 2021 entre o governo Bolsonaro e o bloco 

parlamentar de direita liderado por PL, PP e Republicanos teve como finalidade 

imediata blindar o ex-capitão de mais de 100 pedidos de impeachment e outros 

de aberturas de CPIs, mas deu grande protagonismo ao “Centrão”. Como o 

governo Lula lidará com esse problema ao longo do mandato? “Não será fácil 

governar sem correr o risco de vetos sistemáticos. A decantada habilidade de 

Lula será posta à prova”, comentou Cláudio Couto, docente da FGV

 Arthur Lira (PP-AL), presidente da Câmara dos Deputados: "Centrão" no comando do parlamento

 J. Batista/Câmara dos Deputados

A vitória de Arthur Lira (PP--AL) na disputa pela presi

dência da Câmara dos De

putados em fevereiro de 2021, com 

apoio do Palácio do Planalto, ato 

contínuo a nomeação da deputada 

Flávia Arruda (PL-DF) para minis

tra-chefe da Secretaria de Governo 

e, no início do segundo semestre, a 

posse do senador Ciro Nogueira (PP--PI) como titular da Casa Civil, mar

caram a ascensão e consolidação do 

“Centrão” na sala de comando do 

governo de Jair Bolsonaro. 

Eleito com o discurso de comba

ter a velha política, Bolsonaro não 

demorou a fazer o contrário. Mais 

do que buscar uma aliança com o 

Centrão, algo ocorrido em outras 

gestões, o presidente pôs o grupo 

no coração de seu governo. Oito de 

seus ministros filiaram-se a parti

dos do bloco e o próprio Bolsonaro 

ingressou no Partido Liberal (PL), 

controlado pelo ex-deputado Valde

mar da Costa Neto, eminência parda 

do agrupamento. 

“O Centrão apoiou sucessivos 

governos: FHC, Lula, Dilma, Temer 

e, agora, Bolsonaro. Mas hoje tem 

mais poder do que jamais teve. Indi

ca ministros e comanda o orçamen

to. O Bolsonaro é completamente 

dependente e servil ao Centrão”, 

explicou à Revista Adusp, em maio 

de 2022, o experiente Arlindo Chi

naglia (PT-SP), ex-presidente da Câ

mara dos Deputados (2007/2009) e 

em sua sétima legislatura consecu

tiva na casa.  

A maioria dos parlamentares 

do grupo, no entanto, já apoiava 

a agenda governista. A modalida

de Emendas do Relator, também 

conhecida como “Orçamento Se

creto” — instrumento pelo qual 

o relator do orçamento direcio

na, sem transparência, emendas a 

partir de acordos informais com 

parlamentares — não foi vetada 

por Bolsonaro, já constando 

desde 2020 na Lei de Diretrizes 

Orçamentárias (LDO) e tendo 

importante papel no controle dos 

votos do Centrão. 

Às vésperas e no dia da 

votação da PEC dos Precatórios, 

por exemplo, que ocorreu em 3 

de novembro de 2021, o governo 

liberou R$ 961,7 milhões em emen

das do Orçamento Secreto acorda

das com parlamentares do Centrão. 

A PEC, defendida por Bolsonaro, foi 

aprovada com 312 votos, quatro a 

mais que o necessário. Nas eleições 

de 2022, as verbas distribuídas por 

meio do Orçamento Secreto pavi

mentariam o crescimento da candi

datura de Bolsonaro, especialmente 

no segundo turno.

 Mas se já havia uma “simpatia” 

do bloco pela agenda governista, 

por que houve a ascensão do gru

po ao núcleo central do governo? 

A aliança formal que deu protago

nismo ao bloco informal ocorreu 

em momento de baixa popularida

de do presidente da República, ou 

seja para blindá-lo dos mais de 100 

pedidos de impeachment e dos de 

aberturas de comissões parlamen

tares de inquérito (CPIs), frutos de 

denúncias de corrupção e do desas

troso enfrentamento à pandemia de 

Covid-19.

 “O Centrão engoliu o Bolsonaro. 

Isso se deu não só por causa dos 

escândalos e do [movimento] ‘Fora 

Bolsonaro’, mas também por uma 

absoluta incapacidade política e 

administrativa do governo — é um 

time absolutamente incompeten

te. Então, em um dado momento o 

Bolsonaro quis e precisou compor 

formalmente com o Centrão”, ana

lisa Chinaglia. Quem pode abrir um 

processo de impeachment do pri

meiro mandatário é o presidente 

da Câmara dos Deputados, e Arthur 

Lira bloqueou todos os pedidos. Se

riam necessários ainda 342 votos a 

favor do afastamento, de um total 

de 513 deputados. Ou seja: o grupo 

funciona como ferrolho contra a 

queda do presidente. 

“Bolsonaro se protegeu do impe

achment e também da autorização 

da Câmara para que investigações 

pudessem torná-lo réu. Temer agiu 

assim, no caso JBS”, compara o cien

tista político Cláudio Couto, pro

fessor da Fundação Getúlio Vargas 

(FGV). “O Temer passou por uma 

absoluta dependência do Centrão, 

com grande quantidade de depu

tados-ministros em seu governo”, 

lembra Chinaglia.

 As três principais legendas do 

Centrão, PL, PP e Republicanos, 

controlaram juntas, com os minis

térios que exerciam, cerca de R$ 

150 bilhões do orçamento de 2022. 

Comandaram estatais e autarquias, 

como o Fundo Nacional de Desen

volvimento da Educação (FNDE), li

gado ao MEC e que tem orçamento 

de R$ 54 bilhões. Um traço impor

tante do bloco é a alta capilaridade 

partidária. Além dos três partidos 

do “núcleo duro”, o Centrão mar

ca presença no PTB, PSC, Patriotas, 

Progressistas, PSC, Avante e até em 

siglas que, oficialmente, estão na 

oposição, como SDD, MDB, União 

Brasil, PSDB e PSD.

 www.adusp.org.br

 72   Revista Adusp   dezembro 2022

O “Centrão” surge em 

1987, quando a direita 

se articula no Congresso 

para combater avanços 

políticos e sociais no texto 

da nova Constituição. Mas 

a sua atual configuração 

tem origem em 2015, 

quando Eduardo Cunha 

(PMDB-RJ), representante 

do baixo clero, elege-se 

presidente da Câmara dos 

Deputados

 O termo “Centrão” surgiu em 1987 

para designar um grupo de parlamen

tares conservadores e fisiológicos que 

se opunham a  mudanças mais estrutu

rais defendidas por forças progressistas, 

nas discussões e votações da nova Cons

tituição Federal, aprovada em 1988. 

Abastecidos por benesses do governo 

Sarney, conseguiram impedir avanços 

civilizatórios importantes, como a de

mocratização dos meios de comunica

ção. “Sua finalidade era bloquear ini

ciativas percebidas como progressistas. 

E o Centrão foi muito bem-sucedido 

nisso. Como se tratava de um Congres

so Constituinte [ao contrário do que 

muita gente pensa, não houve uma as

sembleia nacional constituinte], esse 

grupo também atuou como base de sus

tentação do governo Sarney. Tornou--se célebre a frase do principal líder do 

Centrão à época, o deputado Roberto 

Cardoso Alves (PTB-SP): ‘É dando que se 

recebe’”, recorda Couto.

 O perfil médio dos integrantes da 

base do Centrão é de um político do 

chamado “baixo clero”, parlamen

quando ocorrerem divergências entre 

ministérios sobre atos normativos. “O 

Centrão sempre teve poder em todos 

os governos, mas no governo Bolsona

ro se tornou extremamente poderoso, 

tanto no Palácio do Planalto quanto no 

Congresso”, pontua a jovem deputada 

federal Talíria Petrone (PSOL-RJ).

 tar pouco importante e mais atento 

a questões que garantam sua sobre

vivência política (e até financeira) do 

que interessado nos grandes temas 

nacionais.  Daí o habitat natural do blo

co ser a Câmara dos Deputados e não o 

Senado Federal, uma vez que, normal

mente, senadores costumam ter maior 

prestígio e visibilidade política. O pró

prio Ciro Nogueira, hoje senador li

cenciado, iniciou sua liderança quanto 

atuava no “baixo clero”: foi deputado 

federal de 1995 a 2010, quando se ele

geu para o Senado pela primeira vez.

 O grupo ocupa historicamente 

cerca de 200 cadeiras na Câmara, o 

que faz com que qualquer governo 

precise negociar com estes parlamen

tares, se quiser aprovar pautas na ca

sa. É um bloco sem o menor interesse 

em ser oposição, seja a qual governo 

for. Apoiou todos os presidentes des

de a redemocratização do país.

 A atual configuração do Centrão 

tem origem em 2015, momento em 

que a expressão voltou à tona, quan

do o então deputado Eduardo Cunha 

(PMDB-RJ), legitimo representante do 

“baixo clero”, venceu a eleição para a 

Presidência da Câmara. Cunha arregi

mentou uma base de apoio denomi

nada “Blocão”, passando em seguida a 

ser chamada de Centrão e que teve pa

pel central no golpe parlamentar, mi

diático e judicial que derrubou a presi

denta Dilma Rousseff (PT) em 2016.

 No governo Bolsonaro, porém, as

sumiu um protagonismo nunca visto. 

No início de 2022, decreto presidencial 

deu poderes a Ciro Nogueira para de

cidir sobre o Orçamento da União. Tal 

autoridade era exclusiva de Paulo Gue

des, da Economia. Em fevereiro, outro 

decreto de Bolsonaro deu ao minis

tro-chefe da Casa Civil a palavra final 

“Noutros governos os ‘partidos 

de adesão’, como prefiro denominar 

o Centrão, apoiavam agendas subs

tantivas que o Executivo propunha. 

O governo Bolsonaro não tem pro

priamente uma agenda de políticas 

públicas e se ocupa mais em destruir 

as longamente construídas. Com isso, 

quem define a agenda é o próprio 

Congresso. Ou seja: antes o Centrão 

servia aos governos, ainda que re

compensado por isso; agora o Centrão 

se serve do governo, sendo seu com

promisso basicamente o de proteger 

politicamente o presidente”, refle

te Cláudio Couto, que falou à Revista 

Adusp antes da eleição de 2022.

 “O Centrão é mais 

complexo do que parece. 

Acabei centralizando as 

articulações para derrotar 

o voto impresso. E, nesta 

condição, conversei com 

líderes do Centrão. Eles 

não tinham dúvida de 

que Bolsonaro estava 

procurando confusão, e 

o Centrão não embarca 

nisso”, avalia Arlindo 

Chinaglia (PT-SP), 

ex-presidente da Câmara 

dos Deputados

 Revista Adusp   dezembro 2022   73

 www.adusp.org.br

Por causa desta dependência do 

“baixo clero”, que remete ainda a 

outras questões, como a estrutura 

partidária e eleitoral brasileira, o 

cientista político Sérgio Abranches 

cunhou o termo “presidencialismo 

de coalizão” para se referir ao siste

ma político de nosso país. Não por 

acaso, Arthur Lira, em junho de 2021, 

publicou na Folha de S. Paulo o artigo 

intitulado “O Centrão é uma força 

moderadora”, no qual alega que o 

bloco tem papel fundamental na go

vernabilidade e no funcionamento 

da máquina pública.

 Há sentido no raciocínio. Apesar 

de governista, o Centrão não endos

sou arroubos golpistas de Bolsonaro, 

como no caso da votação que tentou 

aprovar a impressão do voto eletrô

nico. Não querem qualquer ameaça a 

um sistema no qual sabem jogar o jo

go, visto que as possibilidades de um 

novo terreno político lhes são desco

nhecidas. “Os partidos de adesão não 

têm compromisso necessário com o 

que só interessa ao presidente [Bol

sonaro]. Estão preocupados com suas 

próprias reeleições, logo, não têm 

por que criar problemas num âmbito 

em que as coisas estão funcionando”, 

frisa Couto. “Os membros do Centrão 

não gostariam de se indispor com o 

TSE e tribunais superiores, apenas 

por causa do presidente”, observa 

Talíria Petrone.

 “O Centrão é mais complexo do 

que parece. Por circunstância, acabei 

centralizando as articulações para der

rotar o voto impresso. E, nesta condi

ção, conversei com líderes do Centrão. 

Eles não tinham nenhuma dúvida de 

que o Bolsonaro estava procurando 

confusão e o Centrão não embarca nis

so. Não é deslealdade, é posicionamen

to. As benesses do governo não levam 

o Centrão a abrir mão, totalmente, do 

que defende. O pessoal vai até o limite, 

mas não pula na cova junto com o Bol

sonaro, não”, avalia Chinaglia.

 O perfil fisiológico do Centrão 

não faz do bloco um grupo “sem ide

ologia”, como muitos pensam. São 

políticos conservadores. Se bem re

compensados, apoiam governos de 

esquerda, mas desde que as pautas 

postas em votação pelo executivo 

não apontem para mudanças estru

turais de cunho progressista. Não 

vão ajudar a democratizar estruturas 

que possam lhes tirar privilégios de 

classe. “O Centrão tem uma agenda 

econômica liberal que os faz ter al

guma identidade ideológica”, afirma 

a parlamentar do PSOL. 

“A própria origem do grupo, co

mo uma reação conservadora na 

Constituinte, mostra que há um limi

te. Trata-se de uma direita tremen

damente pragmática e, portanto, fle

xível, mas ainda assim, uma direita. 

Tem o nome de Centrão porque à 

época pegava mal se autodenominar 

de direita”, explica Couto.

 Como se dará a relação entre Luis 

Inácio Lula da Silva, a partir de sua 

posse em 1º de janeiro de 2023, e o 

Centrão? “Um presidente que procu

re liderar sua base parlamentar ten

de a equilibrar mais o jogo ou, quem 

sabe, entrar num conflito. Lula terá 

dificuldades bem maiores do que te

ve em seu primeiro mandato na rela

ção com o Congresso, por causa des

se empoderamento dos partidos de 

adesão”, pensava o professor da FGV, 

examinando o que, àquela altura, 

ainda era apenas uma hipótese. “Não 

será fácil governar sem incorrer em 

altos custos políticos e sem correr 

o risco de sofrer vetos sistemáticos. 

Toda a decantada habilidade de Lulserá posta à prova”, concluiu.   O  artigo do autor   Rudson Pinheiro Soares1


Partido fisiológico e partido orgânico representam conceitos opostos na ciência política,  gerenciando-se pela motivação e estrutura. O termo fisiológico é frequentemente usado para criticar partidos que priorizam interesses particulares e cargos em vez de ideologia, enquanto o partido orgânico atua de forma autônoma e ideologicamente consistente. 

Partido fisiológico

Um partido fisiológico é caracterizado pela prevalência de interesses individuais ou de grupos em detrimento de uma plataforma programática ou ideológica sólida. No Brasil, esse fenômeno está associado à busca por cargos, verbas e benefícios em troca de apoio político, especialmente em sistemas como o presidencialismo de coalizão. 

Características:

Negociação por cargos: A base de apoio é construída pela distribuição de postos no governo, em vez de uma aliança ideológica.

Foco no interesse individual: Políticos se filiam e migram entre partidos com base em oportunidades de poder ou benefícios pessoais, e não por alinhamento de ideias.

Fragilidade ideológica: A falta de um programa claro torna esses partidos suscetíveis a alianças oportunistas e trocas de favores.

Subordinação a interesses: As ações políticas visam a satisfazer interesses privados, mesmo que prejudiquem o bem-estar coletivo. 

Partido orgânico

O partido orgânico, por sua vez, é uma organização com forte identidade e autonomia, cujas ações são guiadas por um programa e uma ideologia bem definidos. Seu nome remete à ideia de um corpo, onde todas as partes estão coesas e alinhadas a um propósito comum. 

Características:

Coerência ideológica: As decisões são tomadas com base em uma visão de mundo consistente e em uma plataforma programática clara.

Autonomia: O partido não se subordina facilmente a outros poderes, mantendo independência em relação a filiados e ao ambiente político.

Estrutura sólida: Possui mecanismos internos que garantem a unidade e a institucionalização da organização, com menos dependência de líderes individuais.

Propósito coletivo: Atua em defesa de interesses coletivos e de sua base, em vez de focar na satisfação de objetivos privados de seus membros. Segundo o Sociólogo, Mestre e Doutor César Pornatiolo Maia, no Quarto Período da Habilitação em Jornalismo na Comunicação Social, pelas Faculdades Integradas Alcântara Machado (FIAAM FAAM).

          O "Centrão", um bloco informal de partidos conhecidos pelo pragmatismo e apoio a diferentes governos em troca de cargos e verbas, tem seu histórico marcado por diversos escândalos de corrupção ao longo das décadas. Abaixo estão os principais casos e esquemas envolvendo partidos e lideranças desse grupo:1. Operação Lava Jato Este foi o maior escândalo com participação direta de partidos do Centrão. O Progressistas (PP) foi apontado pelo Ministério Público Federal como a legenda que mais desviou recursos da Petrobras entre 2006 e 2014, somando aproximadamente R$ 357,9 milhões em propinas. Diversos líderes, como o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e o ex-deputado Eduardo Cunha (MDB-RJ), foram alvos de inquéritos por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. 2. Orçamento Secreto (Emendas de Relator - RP9) Inaugurado em 2020 sob a gestão de Arthur Lira (PP-AL) na Câmara, o esquema consistia na distribuição bilionária de verbas públicas a parlamentares de forma pouco transparente para garantir apoio ao governo federal. Investigações: Foram identificadas suspeitas de superfaturamento na compra de tratores (o chamado "Tratoraço") e fraudes no sistema de saúde de prefeituras que recebiam essas verbas.Decisão Judicial: O Supremo Tribunal Federal (STF) acabou declarando o modelo inconstitucional devido à falta de publicidade dos gastos. 3. Escândalo do MensalãoO esquema de compra de votos no Congresso durante o primeiro governo Lula envolveu pesadamente legendas que hoje compõem o núcleo do Centrão. O PP foi o partido com o maior número de parlamentares denunciados e condenados no caso. Líderes como Valdemar Costa Neto (hoje presidente do PL) foram presos por envolvimento no recebimento de verbas ilícitas. 4. Controle de Órgãos Federais e AutarquiasHistoricamente, o Centrão negocia o comando de órgãos com orçamentos vultosos, o que frequentemente resulta em investigações de irregularidades:Dnocs (Departamento Nacional de Obras Contra as Secas): Considerado um dos órgãos mais suscetíveis a fraudes e corrupção pela Controladoria-Geral da União (CGU), é tradicionalmente comandado por indicados do bloco.Codevasf: Outra autarquia alvo de denúncias de superfaturamento em obras de pavimentação financiadas por emendas parlamentares controladas pelo grupo. 5. Investigação sobre Kits de RobóticaEm 2023, a Polícia Federal realizou operações para investigar desvios em contratos de kits de robótica em Alagoas, financiados com recursos do MEC através de emendas. A investigação atingiu aliados próximos de Arthur Lira, embora o parlamentar negue envolvimento direto em irregularidades. Partido Principal Casos Recentes / HistóricosProgressistas (PP)Lava Jato, Mensalão, Orçamento Secreto, Kits de Robótica.PL (antigo PR)Mensalão, Lava Jato, Orçamento Secreto.RepublicanosInvestigado por nomeações técnicas e influência em ministérios.MDB / PSDLava Jato (ala do Congresso) e desvios em ministérios específicos. Confira a notícia na Folha de São Paulo. https://www1.folha.uol.com.br/poder/2026/04/pf-investiga-entrada-de-malas-em-voo-com-hugo-motta-e-ciro-nogueira-em-aviao-de-empresario-de-bets.shtml

        .E assim caminha a humanidade

Imagem ; Site Gazeta do Povo. .




 

 


 .  


                          .



 

terça-feira, 28 de abril de 2026

Polarização .

 


 A polarização política é a divisão da sociedade ou do sistema político em dois campos ideológicos ou partidários opostos e antagônicos, com pouca ou nenhuma sobreposição ou diálogo entre eles. Esse fenômeno é marcado por uma intensa rivalidade e, muitas vezes, pela transformação de adversários políticos em inimigos. 

Características Principais

Divisão em Polos: A sociedade se divide em dois grupos com visões de mundo distintas e fechadas, como a dicotomia esquerda versus direita no Brasil atual.

Falta de Diálogo: Há uma relutância em ouvir ou considerar perspectivas opostas, o que prejudica o debate público e a busca por soluções consensuais.

Identidade e Emoção: A afiliação política torna-se parte da identidade pessoal, levando a um engajamento emocional intenso (amor pelo próprio grupo, ódio/repulsa pelo oposto). A opinião sobre um fato pode depender mais de quem o diz do que do seu conteúdo lógico. 

Causas

Tendências Humanas: A formação de grupos para autopreservação é uma tendência histórica, onde a lealdade ao grupo se sobrepõe à análise crítica individual.

Redes Sociais: Os algoritmos das redes sociais criam "bolhas" e reforçam visões preexistentes, facilitando a radicalização das posições e a disseminação de desinformaçã

Confira o artigo do autor André Bello3  

Polarização política dinâmica: evidências do Brasil12 

André Bello3  

Este artigo analisa a natureza da polarização política no Brasil com a aplicação de 

múltiplas técnicas para aumentar a robustez dos resultados. Um índice de 

polarização política para o período entre 1989 e 2019 foi construído com base em 

técnicas estatísticas para análises de dados em nível macro e usando perguntas 

sobre o sentimento partidário positivo e negativo em relação ao Partido dos 

Trabalhadores (PT). Os resultados mostram que existe uma polarização política 

afetiva e dinâmica, estruturada por períodos de mais convergência e de mais 

divergência. Os sentimentos de petismo e antipetismo produzem polarização 

política, de maneira que o antagonismo entre os dois grupos é crescente ao longo 

do tempo. Este artigo inaugura um debate sobre a polarização política dinâmica na 

América Latina dentro da perspectiva da macropolítica.  

Palavras-chave: macropolítica; polarização política; petismo; antipetismo; PT 

Introdução 

O conceito de polarização política sugere dinamismo e mudanças temporais, no 

entanto, os estudos raramente mostram a polarização política dinâmica ao longo do tempo 

(Ura; Ellis, 2012). A maioria das análises é realizada com dados em nível micro com base 

na identificação partidária, nas posições ideológicas e nos aspectos afetivos dos eleitores 

(Abramowitz; Saunders, 2008; Fiorina; Abrams, 2008; Iyengar; Westwood, 2015). Além 

disso, a literatura foca principalmente no partidarismo positivo, embora o partidarismo 

negativo tenha começado a receber atenção dos especialistas nos últimos anos (Mayer, 

2017; Paiva et al., 2016; Samuels; Zucco, 2018). Usando dados macro – agregação da 

opinião pública dos indivíduos –, este artigo investiga a natureza da polarização política no 

Brasil, explorando os sentimentos partidários positivos e negativos ao longo do tempo, e 

1Este artigo foi apresentado no 44° Encontro Anual da Anpocs e publicado como “conference paper” no 

Research Gate. Disponível em: 

<https://www.researchgate.net/publication/358027803_The_Macro_Political_Polarization_Evidences_from

 _Brazil>. Acesso em: 9 fev. 2023.  

2O banco de dados usado neste artigo foi organizado a partir de informações disponibilizadas pelo Cesop, 

órgão ao qual eu gostaria de agradecer pela ajuda e compromisso com a pesquisa científica. Ele está 

disponível no site do Cesop, na seção “Revista Opinião Pública”, na página deste artigo: 

<https://www.cesop.unicamp.br/por/opiniao_publica>. 

3 LAPCIPP – Laboratório de Pesquisa sobre Comportamento Político, Instituições e Políticas Públicas, 

vinculado ao Instituto de Ciência Política da Universidade de Brasília (UNB). Brasília (DF), Brasil. E-mail: 

<andrebellosa@gmail.com>. 

OPINIÃO PÚBLICA, Campinas, vol. 29, nº 1, p. 42-68, jan.-abr., 2023 

43  

ANDRÉ BELLO 

também, a aplicação de múltiplas técnicas para aferir o grau de polarização política, de 

maneira que os resultados ganham força e aumentam a validade empírica.  

Assim, a pesquisa apresentada neste artigo tem dois enfoques: polarização política 

dinâmica e múltiplas técnicas para aferir o grau de polarização política. A primeira 

abordagem integra os conceitos de polarização política e partidarismo macro (Mackuen; 

Erikson; Stimson, 1989). Essa combinação permite observar as simetrias e assimetrias da 

polarização política, bem como as mudanças e o dinamismo da polarização política 

(Erikson; Mackuen; Stimson, 2002). Usando a técnica do dyad ratios, um índice de 

polarização política foi construído para o período entre 1989 e 2019 por meio de múltiplas 

perguntas sobre os sentimentos partidários positivos e negativos em relação ao Partido 

dos Trabalhadores (PT). As perguntas foram extraídas de sete diferentes institutos de 

pesquisas, totalizando mais de 1.5 milhões de entrevistados. Este artigo é o primeiro da 

América Latina a discutir a polarização política dentro da perspectiva da agenda da 

macropolítica.  

A segunda abordagem diz respeito às medidas para aferir o grau de polarização 

política. Em termos estatísticos, a maioria dos estudos usa a diferença de médias para 

determinar o distanciamento entre dois grupos, porém, essa é uma maneira limitada, 

sendo necessário investigar a distribuição das opiniões como um todo, e não somente as 

médias dos grupos (Levendusky; Pope, 2011; Lee, 2012; McCarty, 2019). Assim, aplicam

se quatro técnicas diferentes para analisar o grau de polarização: dispersão, associação, 

densidade relativa e sobreposição. O objetivo é explorar as várias dimensões da 

polarização política e comparar os diferentes métodos para validar o conceito, visto que 

“lack a comprehensive methodological assessment and comparison of different polarization 

measures” (Bauer, 2019, p. 19).  

Cabe ainda destacar que essa investigação ocorre em um sistema eleitoral 

proporcional com amplas coalizações partidárias e com partidarismo positivo e negativo 

concentrado no PT. Esse ambiente da representação proporcional é mais plural e 

consensual (Lijphart, 2008) e, assim, produz, pelo menos em tese, baixa polarização 

política. A maior parte da literatura sobre polarização política está concentrada nos Estados 

Unidos, cujo sistema político é diferente do Brasil. Contudo, validar o conceito de 

polarização política em outros contextos institucionais é importante para a literatura, 

conforme recomendam Gidron, Adams e Horne (2019) e Iyengar et al. (2019). 

Os resultados mostraram que existe polarização política no Brasil e que essa 

polarização é dinâmica, organizada por períodos de mais convergência ou de mais 

divergência. Além disso, a natureza da polarização é diferente em relação aos Estados 

Unidos, cuja divisão é baseada em dois partidos políticos. O PT é o pêndulo dessa 

polaridade por gerar dois grupos antagônicos que derivam dos sentimentos partidários 

positivos e negativos: petismo e antipetismo. Com maior ou menor força, esse resultado 

é apontado pelas quatro medidas de polarização aplicadas neste artigo, o que gera mais 

robustez aos achados. Ao passo que o petismo é mais estável, as mudanças do antipetismo 

OPINIÃO PÚBLICA, Campinas, vol. 29, nº 1, p. 42-68, jan.-abr., 2023 

44  

POLARIZAÇÃO POLÍTICA DINÂMICA: EVIDÊNCIAS DO BRASIL 

são constantes e ascendentes, presumindo uma assimetria na polarização política pelo lado 

do antipetismo.  

Além dessa parte introdutória, o artigo apresenta a seção da fundamentação 

teórica que está dividida em três partes: polarização política dinâmica, contexto 

institucional e partidário no Brasil e as técnicas para mensurar a polarização política. Essas 

três subseções debatem as abordagens teóricas deste artigo. A terceira seção apresenta 

as hipóteses e a quarta seção mostra o banco de dados e a operacionalização das técnicas. 

Os resultados estão na quinta seção e, por fim, na sexta seção, realiza-se uma discussão 

final com os apontamentos para uma agenda futura acerca da polarização política.  

Polarização política dinâmica 

A polarização política estruturada nos Estados Unidos tem o mesmo padrão em 

novas democracias? Como é a polarização política em um contexto político de 

representação proporcional e multipartidário, porém, com um único partido forte em 

termos de identificação partidária? Os sentimentos partidários positivos e negativos são 

dinâmicos? As respostas para essas perguntas exigem conectar os modelos micro e macro 

do partidarismo através da agregação das preferências partidárias positivas e negativas. 

Nesse sentido, a análise incorpora a ideia de que as mudanças partidárias ocorrem ao 

longo do tempo de forma lenta e suave, mas são duradouras e acumulativas. Esse modelo, 

portanto, assume o dinamismo da polarização política (Mackuen; Erikson; Stimson, 1989; 

Erikson; Mackuen; Stimson, 1998; 2002; Jackson; Kollman, 2011). 

No nível micro da polarização política, existe um intenso e não consensual debate 

sobre o grau de polarização política. Um grupo de especialistas afirma que o eleitor 

permanece moderado, mesmo com o alinhamento entre a identificação partidária e as 

posições ideológicas. A população está alinhada politicamente, mas não está 

necessariamente polarizada (Fiorina; Levendusky, 2006; Fiorina; Abrams 2008; Fiorina; 

Abrams; Pope, 2005; 2008). Por outro lado, outro grupo de estudiosos afirma que os 

indivíduos estão cada vez mais separados em função da associação da identificação 

partidária com as preferências ideológicas e políticas (Abramowitz; Saunders, 2005; 2008). 

O alinhamento político é a engrenagem da polarização política (Abramowitz; Jacobson, 

2006). Essas duas correntes teóricas tratam somente do partidarismo positivo, sendo que 

as opiniões sobre os partidos políticos são cada vez mais negativas (Abrawowitz; Webster, 

2018). Como medidas centrais desses estudos estão a identificação partidária e ideológica 

em nível micro com dados a cada dois ou quatro anos (Caughey; Dunham; Warshaw, 

2016). Esse desenho metodológico limita as análises temporais da polarização política.  

A terceira abordagem inclui elementos da psicologia, como preconceito, ativismo e 

emoção, para superar o impasse em torno da polarização política. Os especialistas 

chegaram à conclusão de que a polarização é mais afetiva do que ideológica (Mason, 2013, 

2018; Iyengar; Sood; Lelkes, 2012; Iyengar; Westwood, 2015). No entanto, a literatura 

OPINIÃO PÚBLICA, Campinas, vol. 29, nº 1, p. 42-68, jan.-abr., 2023 

45  

ANDRÉ BELLO 

sobre a polarização afetiva ainda não explorou análises feitas pelo modelo da polarização 

política macro. Como consequência, essas análises são suscetíveis à instabilidade das 

respostas dos indivíduos e não capturam a evolução ano a ano da polarização política. Há 

ainda outras limitações em relação às medidas empregadas pela agenda da polarização 

afetiva. Primeiro, as pessoas tendem a exagerar ou subjugar os sentimentos sobre o 

partido de oposição (Iyengar et al., 2019). Segundo, os respondentes pensam muito mais 

na elite política do que nos eleitores quando avaliam os outros partidos políticos 

(Druckman; Levendusky, 2019). Em conjunto, esses estudos não capturam toda a história 

da polarização nos Estados Unidos, tampouco em outros contextos institucionais, como o 

da América Latina.  

Os trabalhos de nível macro superam esses problemas, porém ainda são raros na 

agenda da polarização política. Usando modelos dinâmicos em nível de grupo hierárquico 

ou da Teoria da Resposta ao Item, Caughey; Dunham; Warshaw (2016) e Hill e 

Tausanovitch (2015) asseguram que o alinhamento partidário e ideológico não produziu 

polarização política. Em contrapartida, Ura e Ellis (2012) defendem que existe uma 

polarização política partidária e dinâmica ao longo dos últimos 40 anos, determinada 

principalmente pelas repostas mais fortes dos Republicanos sobre os gastos sociais. 

Metodologicamente, esses trabalhos construíram um indicador de polarização política 

através da soma de múltiplas perguntas sobre identificação partidária. Sendo assim, os 

erros de mensuração e vieses nas respostas foram cancelados (Ansolabehere; Rodden; 

Snyder Jr., 2008; Druckman; Leeper, 2012).  

As análises sobre a polarização política dinâmica resultam dos avanços e limitações 

das três correntes teóricas da polarização vistas até aqui. Através de dados do partidarismo 

positivo e negativo em nível macro, cuja estrutura metodológica permite observar as 

mudanças da polarização política ao longo do tempo, pode-se analisar a polarização política 

dinâmica. A novidade aqui é que esse dinamismo da polarização política macro é 

examinado em uma estrutura institucional de um partido dominante em meio a um sistema 

multipartidário, de muita volatilidade eleitoral e coalizações partidárias não ideológicas. A 

polarização política ainda não foi testada dentro desse enquadramento.  

Múltiplas técnicas para medir a polarização política 

A polarização política apresenta várias dimensões, no entanto, a maioria dos 

estudiosos emprega a mesma estratégia empírica: o teste da diferença de média entre 

dois grupos (Fiorina; Abrams; Pope, 2005; Abramowitz; Jacobson, 2006; Mason, 2018). 

Essa técnica é válida para aferir a dispersão ou associação dos grupos, mas não é capaz 

de capturar as mudanças de toda a distribuição das preferências dos indivíduos 

(Levendusky; Pope, 2011; Lee, 2012). Em outros termos, uma parcela da população pode 

mudar as atitudes e preferências em um alinhamento partidário e ideológico enquanto a 

população como um todo permanece inalterada. Nesse sentido, a técnica da diferença das 

OPINIÃO PÚBLICA, Campinas, vol. 29, nº 1, p. 42-68, jan.-abr., 2023 

46  

POLARIZAÇÃO POLÍTICA DINÂMICA: EVIDÊNCIAS DO BRASIL 

médias restringe uma análise mais global, por isso é importante ir além das médias para 

investigar as várias dimensões da polarização política.  

Para definir um cenário de polarização política, os grupos movimentam-se do 

centro às extremidades em um processo centrífugo e os moderados diminuem 

gradualmente. Nesse sentido, a polarização política se caracteriza pela transformação da 

forma distributiva unimodal para a forma bimodal. DiMaggio; Evans e Bryson (1996) 

exploraram as várias dimensões da polarização, sendo que os autores testaram a 

bimodalidade pelo teste de kurtosa. Como mostrou Mouw e Sobel (2001), o teste de 

kurtosa não é uma medida estatisticamente confiável para aferir as mudanças da 

distribuição das preferências. Por isso, outros estudiosos apontaram estratégias adicionais 

para complementar a análise acerca da polarização.  

Levendusky e Pope (2011) indicam a medida de sobreposição para avaliar as 

mudanças da distribuição da polarização. Essa medida é capaz de investigar se o grupo 

inteiro ou apenas uma parcela do grupo – os ativistas políticos, por exemplo – está 

polarizado. O critério de sobreposição mostra visualmente o movimento dos grupos ao 

longo do tempo e se o centro desapareceu. Além disso, calcula o coeficiente de 

sobreposição para ver a área comum entre os dois grupos. Quanto maior a área comum, 

menor é o grau de polarização. Analisando a distribuição dos estados norte-americanos, 

Levensdusky e Pope (2011) mostram que existe muita sobreposição entre os estados sobre 

assuntos relativos à área da economia e social. Portanto, a visão pela qual os estados são 

polarizados entre vermelhos e azuis está equivocada para esses autores.  

Por sua vez, Lee (2012) propõe a medida de densidade relativa para capturar as 

mudanças temporais e de assimetria dos grupos. A medida de densidade relativa usa 

gráficos e faz inferências estatísticas com base na movimentação das preferências do 

centro às extremidades, identificadas pelo movimento das caudas superior e inferior. 

Quanto maior os valores estatísticos das caudas, maior o nível de polarização, pois 

entende-se que o centro está diminuindo. Nesse caso, o formato da distribuição será de 

um U, um sino invertido. Além disso, a medida de densidade relativa mostra a direção das 

mudanças, isto é, se a distribuição é maior para a cauda superior, inferior ou se as 

mudanças são simétricas. Desse modo, é possível investigar o grupo que estimula mais 

fortemente a polarização política.  

Os resultados encontrados por Lee (2012) revelam que a distribuição das 

preferências ideológicas está em um processo ativo desde a década de 1990 para o papel 

ou tamanho do governo, produzindo polarização política. Por outro lado, a distribuição 

ideológica não está polarizada para a dimensão cultural. Ou seja, o centro não desapareceu 

e não houve movimento às extremidades para os assuntos relativos a aborto, direitos das 

mulheres e direitos dos homossexuais.  

Incluir outros métodos, para além da média, técnica amplamente útil, mas 

limitada, reforça e amplia o conceito da polarização política. As medidas de sobreposição 

e de densidade relativa analisam outras características da polarização, fenômeno de 

OPINIÃO PÚBLICA, Campinas, vol. 29, nº 1, p. 42-68, jan.-abr., 2023 

47  

ANDRÉ BELLO 

múltiplas dimensões. Bauer (2019) defende a diversidade de técnicas nas análises sobre o 

conceito de polarização.  

O caso brasileiro: partidarismo positivo e negativo 

A literatura americana sobre a polarização política não pode ser transplantada 

diretamente para alguns países em razão das singularidades institucionais e regras 

eleitorais. Em comparação com as democracias mais avançadas, os partidos políticos na 

América Latina são menos estáveis e importam menos para as campanhas eleitorais 

(Baker; Dorr, 2019). O caso brasileiro é emblemático nesse sentido.    

Na fase de transição à democracia, em 1989, quando os partidos políticos estavam 

renascendo, Fernando Collor tornou-se presidente como candidato outsider e por um 

pequeno partido político, criado na véspera da campanha. O presidente do Brasil entra 

2019 e 2022, Jair Bolsonaro, trocou oito vezes de partido político antes de se filiar ao PSL, 

um pequeno partido pelo qual ganhou a eleição presidencial de 2018 contra o PT, que 

estava no poder desde 2003. Bolsonaro se apresentou aos eleitores na eleição de 2018 

como um candidato outsider, fortalecido pelas graves denúncias de corrupção contra os 

partidos políticos e por uma crise econômica que abalou a confiança dos indivíduos. 

Atualmente, o Bolsonaro está no Partido Liberal (PL) por onde concorreu à reeleição em 

2022.  

Esse quadro institucional sugere que a identificação partidária no Brasil é 

extremamente fraca, predominando eleitores indiferentes aos partidos políticos (Kinzo, 

2005; Baker et al., 2006; Paiva; Braga; Pimentel Jr., 2007). A fraca identificação partidária 

é uma característica das novas democracias por onde prevalecem candidatos sem laços 

ideológicos, alta fragmentação partidária e volatilidade eleitoral. Nesse contexto, a 

hipótese de polarização partidária não cabe para o Brasil; no entanto, a literatura foi 

atualizada recentemente.  

Com diferentes abordagens teóricas e metodológicas, a literatura assumiu o 

partidarismo ancorado na competição eleitoral entre o PT e o PSDB, em um cenário de 

bipolaridade similar ao dos Estados Unidos (Limongi; Cortez, 2010). As disputas eleitorais 

entre o PT e o PSDB de 2002 a 2014 favoreceram em certa medida essa interpretação com 

o argumento da conexão do voto com os partidos políticos e, inclusive, com o aumento 

das chances de os eleitores votarem corretamente (Braga; Pimentel, 2011; Carreirão, 

2008; Bello, 2016). Contudo, Rennó e Ames (2014) colocaram em xeque o postulado da 

bipolaridade ao mostrar que a vinculação do voto se deu pelo PT exclusivamente. Os votos 

do PSDB se distribuíram em todos os demais candidatos durante a eleição de 2010, isto é, 

os partidários do PSDB não tiveram vínculos duradouros com o partido.  

Como visto, o sistema político brasileiro não apresenta um partidarismo fraco, mas 

é quase totalmente preenchido pelo PT, único partido programático e formado dos 

movimentos sociais, dando origem ao petismo (Samuels, 2006; Singer, 2012). Esta é uma 

OPINIÃO PÚBLICA, Campinas, vol. 29, nº 1, p. 42-68, jan.-abr., 2023 

48  

POLARIZAÇÃO POLÍTICA DINÂMICA: EVIDÊNCIAS DO BRASIL 

outra vertente da literatura, cujos resultados revelam que o petismo é mais estável do que 

qualquer outro sentimento partidário e sofre do efeito bounded partisanship – 

simpatizantes do PT tornam-se independentes devido aos eventos de curto prazo, como 

escândalos de corrupção. No entanto, raramente passam a apoiar outros partidos políticos 

(Baker et al., 2016; Baker; Dorr, 2019).  

Adiciona-se a essa linha de raciocínio, a noção da rejeição partidária ao PT, 

destacando que o partido produz sentimentos positivos e negativos e contribui com a 

polarização política (Samuels; Zucco, 2018; Bello, 2019). Aproximadamente 40% dos 

eleitores entre 2002 e 2013 eram petistas ou antipetistas, isto é, o PT sozinho aglutinava 

quase a metade do eleitorado brasileiro (Samuels; Zucco, 2018). O antipetismo cresceu 

principalmente em função das crises econômicas e das avaliações negativas do governo 

do PT (Paiva; Krause; Lameirão, 2016). Além disso, existe uma forte associação entre a 

identificação partidária negativa e as atitudes eleitorais. Aproximadamente 66% e 82% 

dos eleitores antipetistas votaram nos candidatos do PSDB nas eleições de 2002 e 2010, 

respectivamente (Carreirão, 2007; Ribeiro; Carreirão; Borba, 2011). Na eleição de 2014, 

o antipetismo aumentou em 18% a probabilidade do voto no candidato do PSDB (Ribeiro; 

Carreirão; Borba, 2016). Analistas e políticos avaliam que os eleitores que votaram no 

PSDB em eleições anteriores migraram para Bolsonaro em 2018, levados pelas chances de 

derrotar o PT e pelos escândalos de corrupção da operação Lava Jato (Rennó, 2020). 

Por sua vez, os estudos sobre polarização política no Brasil reproduzem a ideia da 

dinâmica eleitoral entre o PT e o PSDB com ênfase na divisão de renda e regional, mesmo 

sem evidências diretas sobre a polarização. O PT alinhou-se eleitoralmente com o 

Nordeste, região mais pobre do país, e perdeu apoio no Sul e Sudeste, regiões mais ricas, 

que passaram a ser domínio do PSDB. De um lado, os Vermelhos (PT) e de outro lado os 

Azuis (PSDB), argumenta Nicolau (2014). Nessa esteira, o voto dos mais pobres migrou 

para o PT em 2006 em virtude dos programas de transferência de renda ao passo que os 

eleitores mais ricos passaram a votar no PSDB (Singer, 2012; ver também Samuels, 2008; 

Rennó; Cabello, 2010). Esses padrões eleitorais configuram, na perspectiva de Reis 

(2014), uma crescente polarização partidária que chegou ao ápice em 2014, uma vez que 

o PT venceu a eleição por uma pequena margem de votos. Com um estudo empírico mais 

robusto e usando dados das eleições de 2002 a 2014, Borges e Vidigal (2018) não 

encontraram diferença entre os eleitores do PT e do PSDB para o posicionamento ideológico 

e temas políticos sobre economia.  

Em resumo, as evidências de que existe polarização política no Brasil são fracas e 

um dos problemas consiste na falsa dicotomia entre PT e PSDB, que supostamente divide 

o sistema político brasileiro. O fraco desempenho do PSDB, e de outros partidos mais 

tradicionais, na eleição de 2018 demonstra a fraca relação entre eleitores e partidos 

políticos. Ao mesmo tempo, a eleição presidencial de 2018 reforçou a relevância do 

sentimento negativo ao PT. O antipetismo abandonou o PSDB e apoiou o crescimento de 

Bolsonaro em 2018. Assim, a polarização política é fundamentada no petismo e 

OPINIÃO PÚBLICA, Campinas, vol. 29, nº 1, p. 42-68, jan.-abr., 2023 

49  

ANDRÉ BELLO 

antipetismo, e não entre dois partidos políticos como é fartamente explorada nos Estados 

Unidos. Como o contexto institucional mudou, a natureza da polarização foi alterada.  

Essa ideia é reforçada pela fraca identificação ideológica dos brasileiros (Oliveira; 

Turgeon, 2015). Apesar de a ideologia aumentar à medida que o nível da escolaridade 

cresce, o brasileiro não tem cognições precisas sobre o significado da esquerda e direita e 

a associação entre voto e identificação ideológica não é forte (Carreirão, 2002; Ames; 

Smith, 2010). Não há motivos para acreditar em uma polarização política bipartidária ou 

ideológica no país. 

Nesse sentido, postula-se que existe polarização política no Brasil, sendo o PT o 

pêndulo para aumentar ou diminuir a polarização ao longo do tempo. A polarização política 

no Brasil tem uma estrutura psicológica, baseada nos sentimentos positivos e negativos 

em relação ao PT. Essa hipótese apoia-se conceitualmente na ideia da identidade social e 

aproxima-se da teoria da polarização política afetiva (Mason, 2018). Indivíduos 

demonstram pertencimento a um grupo e atitudes positivas em relação às pessoas 

classificadas no mesmo grupo social. Ao mesmo tempo, indivíduos avaliam negativamente 

pessoas que são classificadas como pertencendo a um outro grupo social (Tajfel et al., 

1979). A identidade social define a visão de mundo do indivíduo. No caso da política, esse 

comportamento promove identidade positiva com o partido pelo qual o indivíduo se 

identifica socialmente e provoca rejeição ao principal partido oponente (Mason, 2018). No 

caso brasileiro, o antipetismo é o principal adversário do PT, isto é, o petismo produziu, ao 

longo da história política, o antipetismo (Samuels; Zucco, 2018; Bello, 2019).  

Hipóteses 

De acordo com esse escopo teórico, espera-se responder a natureza da polarização 

política no Brasil. Se existe de fato polarização política, qual é o nível e a direção? É 

assimétrica ou simétrica? Nos últimos anos, sobretudo depois da eleição de 2014, a 

sensação de que o sentimento do antipetismo cresceu é bastante forte. Nesse sentido, 

postula-se que a polarização política no Brasil existe, é dinâmica e assimétrica com o viés 

para o antipetismo, apesar das condições institucionais favoráveis para diluir os conflitos 

políticos. Esta é a primeira hipótese deste artigo.  

Se a polarização política for dinâmica, conforme sugerido aqui, as mudanças do 

petismo e antipetismo ocorrem por ciclos temporais. Assim sendo, cabe aqui identificar os 

períodos em que a polarização é mais forte ou mais fraca. O primeiro ciclo abrange a 

primeira eleição presidencial após o regime militar até o ano em que o PT venceu as 

eleições pela primeira vez (1989-2002). O segundo ciclo se estende do primeiro mandato 

do Lula até a reeleição de Dilma (2003-2014). Os últimos anos desse período marcaram a 

história político do país com as manifestações de junho de 2013, o início da operação Lava 

Jato e a eleição presidencial mais acirrada de todos os tempos. O terceiro, e último ciclo 

temporal, abrange do primeiro ano do segundo governo Dilma até o primeiro ano do 

OPINIÃO PÚBLICA, Campinas, vol. 29, nº 1, p. 42-68, jan.-abr., 2023 

50  

POLARIZAÇÃO POLÍTICA DINÂMICA: EVIDÊNCIAS DO BRASIL 

governo Bolsonaro (2015-2019). Apesar de um período relativamente curto, esse 

momento foi bastante intenso: denúncias de corrupção contra o PT, processo de 

impeachment de Dilma Rousseff, crises econômicas internacionais e nacionais, idas e 

vindas da inflação e do desemprego e, além disso, a vitória inesperada da extrema-direita 

no Brasil. Diante desse quadro, postula-se a hipótese de que a polarização política no Brasil 

é assimétrica pelo lado do antipetismo, cujo crescimento foi vertiginoso durante o mandato 

da presidenta Dilma.  

Dados e método 

Este artigo reúne um banco de dados original formado por perguntas4 extraídas de 

várias pesquisas: World Values Survey,  Latin American Public Opinion Project (Lapop), 

The Brazilian Electoral Panel Studies (BEPS), Datafolha, Estudo Eleitoral Brasileiro (Eseb), 

Fundação Perseu Abramo (FPA) e Ibope. No total, foram utilizadas 6 perguntas únicas para 

o petismo e 5 perguntas únicas para o antipetismo, administradas 24 vezes cada uma, 

gerando mais de 120 observações. A partir desses dados, as medidas de petismo e 

antipetismo foram construídas para o período de 1989 a 2019, capturando quase todo o 

período da redemocratização do Brasil.  

A análise dinâmica da polarização política exige realizar a agregação das respostas 

sobre as preferências partidárias positivas e negativas. Para isso, aplicou-se a técnica dyad 

ratios por conseguir construir um indicador único derivado de múltiplas perguntas sobre o 

mesmo item. A vantagem dessa técnica é que os resultados gerados são dinâmicos e os 

vieses de mensuração são reduzidos, eliminando os efeitos dos erros randômicos 

(Ansolabehere; Rodden; Snyder Jr., 2008; Druckman; Leeper, 2012). As respostas dos 

respondentes são menos ambivalentes e mais estáveis no tempo (Page; Shapiro, 1992).  

Desse modo, espera-se observar o dinamismo da polarização política por ciclos temporais 

de mais convergência ou mais divergência e eliminar as subjetividades das respostas dos 

entrevistados.  

Na prática, o dyad ratios aplica a agregação das respostas dos indivíduos das 

múltiplas perguntas e encontra um valor para cada ano da série. Para os anos em que não 

existem informações, o algoritmo imputa valores faltantes, de tal modo que o dyad ratios 

é especialmente útil para o índice do antipetismo porque as perguntas são mais raras. Os 

valores encontrados são suavizados ao longo do tempo através de uma covariação das 

respostas que leva em consideração o número total de respondentes de cada pesquisa e a 

quantidade de vezes em que o item está disponível para o ano determinado.  

O petismo5 e o antipetismo6 são as proporções de todos os cidadãos que 

declararam ter, respectivamente, identificação partidária positiva e negativa em relação 

4As perguntas usadas na pesquisa estão disponíveis no Anexo I. 

5A fórmula do petismo é: Petismo = 100 x {Preferência PT / (Preferência PT + Outros Partidos)}. 

6A fórmula do antipetismo é: Antipetismo =100 x Anti-PT/(Anti-PT + Anti-Outros Partidos)}. 

OPINIÃO PÚBLICA, Campinas, vol. 29, nº 1, p. 42-68, jan.-abr., 2023 

51  

ANDRÉ BELLO 

ao PT. Dado o sistema político multipartidário do Brasil, todos os respondentes que 

declararam simpatizar ou se identificar com o PT foram codificados como 1 e os demais 

respondentes foram codificados como 0. Pelo lado do antipetismo, todos os respondentes 

que declararam não gostar ou que nunca votariam no PT foram codificados como 1 e os 

demais respondentes como 0. Para efeito de comparação entre petismo e antipetismo ao 

longo do tempo, a análise limitou-se a registrar somente os indivíduos entrevistados pelo 

mesmo instituto de pesquisa e para o mesmo ano7. Os que não souberam ou não quiseram 

se posicionar foram excluídos da fórmula, mas usados para efeito do cálculo final do 

tamanho da amostra (N)8.  

Análises das medidas e resultados 

Dispersão e associação 

Os resultados apresentados seguem uma estrutura lógica. Primeiro, mostra-se o 

gráfico da evolução do petismo e do antipetismo ao longo do tempo que deriva do método 

dyad ratios. O segundo passo é apresentar os resultados das medidas de dispersão e 

associação, as quais são mais tradicionais e amplamente aplicadas em estudos sobre 

polarização política. Depois disso, apresentam-se os resultados das medidas de densidade 

relativa e sobreposição. Por último, discutem-se as mudanças da polarização política por 

ciclos temporais através dos gráficos, índice de polarização e o coeficiente de sobreposição. 

O objetivo é encontrar os períodos nos quais a polarização política é mais latente e mais 

vibrante.  

O Gráfico 1 mostra a evolução do petismo e antipetismo de 1989 a 2019. A despeito 

da distância entre o petismo e o antipetismo, as curvas simulam ligeiros movimentos 

paralelos até 2010, aparentemente com o antipetismo reagindo ao crescimento do 

petismo. Esse paralelismo é mais evidente de 1989 a 1997 e, de fato, a correlação entre 

as curvas do petismo e do antipetismo é estatisticamente significativa durante esse período 

(r=0,98, p <0,05). A dissimilaridade dos movimentos entre o petismo e antipetismo torna

se mais evidente a partir de 2011 e, já em 2014, claramente a direção dos movimentos 

segue para lados opostos. É quando acontece a guinada do antipetismo e o declínio do 

petismo, trajetórias que persistem até 2019 e que, visualmente, demonstram a maior 

polarização entre o petismo e o antipetismo. Considerando toda a série temporal, a média 

do petismo foi de 44% e o desvio padrão foi de 14,5%, enquanto a média do antipetismo 

foi de 33% e o desvio padrão foi de 16%.  

O crescimento do petismo explodiu em 2002, o ano em que o PT venceu a primeira 

eleição presidencial. Durante os mandatos de Lula (2003-2010), o petismo recuou e 

7Os resultados do dyad ratios (Mcalc) para o petismo e antipetismo estão disponíveis no Anexo II. 

8O Anexo III faz uma discussão sobre os entrevistados que não responderam ou não quiseram responder à 

pergunta sobre identificação partidária.  

OPINIÃO PÚBLICA, Campinas, vol. 29, nº 1, p. 42-68, jan.-abr., 2023 

52  

POLARIZAÇÃO POLÍTICA DINÂMICA: EVIDÊNCIAS DO BRASIL 

avançou, provavelmente em virtude dos escândalos de corrupção e da introdução de uma 

política econômica mais à direita, provocando o desalinhamento partidário dos 

simpatizantes históricos do PT (Carreirão, 2008; Samuels, 2008). Após a estabilidade 

durante o primeiro mandato de Dilma (2011-2014), o petismo sofreu uma nova queda a 

partir de 2015, chegando ao índice de 34% das preferências partidárias positivas em 2019. 

O antipetismo, por outro lado, começou a despontar no cenário político brasileiro 

de forma consistente a partir de 2011. Um ano antes, a candidata do PT, Dilma Rousseff, 

se tornou a primeira presidenta mulher eleita do Brasil. A eleição presidencial de 2010 

evidenciou a mobilização dos evangélicos contra o PT, o fortalecimento da agenda de 

costumes e o crescimento eleitoral de Marina Silva, candidata evangélica pelo Partido 

Verde (PV), que representava a terceira via eleitoral naquela ocasião (Ames, 2018). O 

antipetismo cresceu nos anos subsequentes, sobretudo depois da eleição presidencial de 

2014, alcançando o percentual de 70% das preferências partidárias negativas em 2019. 

Esse período assinalou também a inclusão dos mais pobres em alguns espaços até então 

inatingíveis para essas pessoas, como: acesso à universidade pública e privada, aos 

aeroportos para viagens de família e aos shopping centers. O antipetismo pode ter crescido 

um provável ressentimento social e racial provocado por esses fatores. 

Gráfico 1 

Evolução do petismo e antipetismo de 1989 a 2019 (%) 

Fonte: Elaboração própria com base nos dados organizados do Cesop. 

O Gráfico 2, por sua vez, mostra a dispersão dos grupos em análise, ou seja, 

apresenta a diferença da média entre petismo e antipetismo. Essa medida de dispersão 

calcula a variância que mostra o quão distante os grupos (as médias) estão do valor 

OPINIÃO PÚBLICA, Campinas, vol. 29, nº 1, p. 42-68, jan.-abr., 2023 

53  

ANDRÉ BELLO 

central. Quanto maior a variância, mais distantes o petismo e o antipetismo estão da 

média. Em termos práticos, a diferença entre o petismo e antipetismo produz um indicador 

de polarização política (IPP), cuja escala varia de -100 a 100. Os valores negativos 

denotam que o antipetismo é maior do que o petismo, sugerindo que a polarização política 

é assimétrica em favor do antipetismo. Os valores positivos mostram que o petismo 

estimula a polarização. Os valores próximos de 0 indicam que a dispersão é nula e, 

portanto, não existe polarização política.  

Conforme o Gráfico 2, os anos de 1999 e 2019 registraram o maior nível de 

polarização política em vista da medida de dispersão. A diferença do petismo em relação 

ao antipetismo foi de 41% em 1999. Já em 2019, a dispersão foi de 36% a favor do 

antipetismo. Considerando que a linha vermelha significa a dispersão nula, observa-se que 

o índice de polarização política flutuou abaixo de 10% de 1989 a 1997, indicando uma 

pequena diferença entre o petismo e o antipetismo. Depois de 1998, o petismo se descolou 

do antipetismo e a dispersão aumentou entre os dois grupos, induzida sempre pelo 

crescimento do petismo. A curva do índice de polarização política inverteu-se em 2011, já 

demonstrando o aumento do antipetismo diante do petismo, e se tornou negativa em 

termos absolutos em 2015. Essa fase coincide com a conjuntura política negativa para o 

PT, marcada por denúncias de corrupção, relação desgastada com o Legislativo e crise 

econômica. O antipetismo superou o petismo entre 2015 e 2019, mostrando quão forte é 

a força da preferência partidária negativa na política para esse ciclo e, consequentemente, 

na indução da polarização política.  

Gráfico 2 

Índice de polarização política entre o petismo e o antipetismo, de 1989 a 2019 

Fonte: Elaboração própria com base nos dados organizados do Cesop. 

OPINIÃO PÚBLICA, Campinas, vol. 29, nº 1, p. 42-68, jan.-abr., 2023 

54  

POLARIZAÇÃO POLÍTICA DINÂMICA: EVIDÊNCIAS DO BRASIL 

A medida de dispersão mostra uma significativa variância entre as médias do 

petismo e do antipetismo, principalmente de 1998 a 2019, de modo que se pode afirmar 

que a polarização política é um fenômeno concreto no contexto político do Brasil. Por essa 

medida, a polarização política é simultaneamente assimétrica em função do petismo e do 

antipetismo, dependendo do período em análise.  

A segunda medida para mensurar o grau de polarização política é o teste de 

Cronbach’s alpha, usado para calcular a associação entre os grupos. Nesse caso, a medida 

informa quão próximas ou distantes as médias do petismo e do antipetismo estão uma da 

outra. Sendo a polarização política um pressuposto da baixa associação entre os dois 

grupos, valores próximos de 0 indicam que existe polarização política em uma escala que 

varia de 0 a 1. O teste de Cronbach’s alpha disponibiliza também os valores de correlação 

média que simula a correlação de Pearson, demostrando a homogeneidade ou 

heterogeneidade entre os grupos. A baixa correlação significa heterogeneidade e, portanto, 

a existência de polarização política.  

O resultado mostrou o coeficiente alpha de 0,51 e a correlação de 0,34 para toda 

a série temporal entre petismo e antipetismo. Somente coeficientes maiores do que 0,70 

são considerados como indicativos de robustez de associação entre dois ou mais grupos. 

Sendo assim, o alpha de Cronbach confirma as baixas associação e correlação entre os 

dois grupos, de maneira que as mudanças ao longo do tempo são heterogêneas. A medida 

de associação ratifica, portanto, a polarização política entre o petismo e antipetismo.  

Densidade relativa e sobreposição 

Em relação às mudanças distribucionais, aplica-se o gráfico de densidade relativa 

e o índice de polarização que compõem a medida de densidade relativa. No Gráfico 3, o 

eixo x representa a distribuição do grupo de referência e o eixo y significa o aumento da 

densidade relativa em relação à distribuição da linha de base. Desse modo, o gráfico 

mostra o aumento ou a diminuição da distribuição do grupo de comparação (antipetismo) 

em paralelo ao grupo de referência (petismo). O objetivo é verificar o grau da distribuição 

como um todo. A polarização política visualmente é determinada pela distribuição bimodal 

perfeita: a curva encontra-se no formato de U, ou seja, o centro está subrrepresentado 

(g(r) <1) e as caudas estão sobrerrepresentadas (g(r) >1). Quando a densidade relativa 

é igual a 1, não há divisão entre os dois grupos e, portanto, não existe polarização política. 

As mudanças distribucionais são simétricas quando a densidade relativa das caudas é 

maior do que 1, perfazendo um movimento paralelo das caudas. A polarização é 

assimétrica quando uma cauda cresce desproporcionalmente mais do que a outra cauda.  

O índice de polarização é outra abordagem da medida de densidade relativa, que 

produz coeficientes para a polarização mediana relativa (MRP), decomposto pelos índices 

de polarização relativa inferior (LRP) e polarização relativa superior (URP). Esse indicador 

estatístico de polarização calcula o valor da mediana entre o grupo de comparação 

OPINIÃO PÚBLICA, Campinas, vol. 29, nº 1, p. 42-68, jan.-abr., 2023 

55  

ANDRÉ BELLO 

(antipetismo) e o grupo de referência (petismo). Considerando que o índice de polarização 

varia de -1 a +1, valores positivos da MRP denotam polarização política, pois é o indicativo 

de que o centro caminhou às extremidades. Os valores negativos explicam a convergência 

das distribuições ao centro. O índice de polarização também calcula estaticamente as 

mudanças distribucionais das caudas superior e inferior, estimando a assimetria ou a 

simetria da polarização política. Quando as duas caudas crescem proporcionalmente, ou 

seja, os coeficientes são positivos em grandezas similares, afirma-se que a polarização 

política é simétrica. Por outro lado, a polarização é assimétrica quando o coeficiente de 

uma cauda é bem superior ao valor da outra cauda (Handcock; Morris; Bernhardt, 1997; 

Lee, 2012). Tomando em conjunto as duas abordagens da medida de densidade relativa, 

uma importante vantagem dessa medida é mostrar visualmente e estatisticamente as 

mudanças da distribuição e a decomposição da polarização política.  

O Gráfico 3 mostra que a densidade relativa entre o petismo e o antipetismo 

apresenta o formato de um U quase perfeito, demonstrando a tendência de uma 

distribuição bimodal. A linha de densidade do centro está subrrepresentada, abaixo da 

linha horizontal vermelha (g(r)<1), enquanto as linhas de densidade das caudas estão 

sobrerrepresentadas, acima da linha horizontal vermelha ou inclinada para cima (g(r)>1). 

Em termos práticos, a medida de densidade relativa mostra que o centro está 

desaparecendo e as densidades das caudas estão crescendo de forma assimétrica. Assim, 

a polarização política distribucional está claramente posta de 1989 a 2019.  

Gráfico 3 

Densidade relativa entre o petismo e antipetismo 

Fonte: Elaboração própria com base nos dados organizados do Cesop. 

OPINIÃO PÚBLICA, Campinas, vol. 29, nº 1, p. 42-68, jan.-abr., 2023 

56  

POLARIZAÇÃO POLÍTICA DINÂMICA: EVIDÊNCIAS DO BRASIL 

Esse padrão distributivo entre petismo e antipetismo foi reproduzido pelo índice de 

polarização política. De acordo com a Tabela 1, a polarização política entre petismo e 

antipetismo é notada, principalmente na cauda superior da distribuição. O índice da 

mediana relativa de polarização foi de 23% com um intervalo de confiança de 95%, o que 

significa que o centro caminhou às extremidades de forma segura. Na composição9 da 

mediana relativa, a distribuição da cauda superior (37%) se mostrou maior do que o efeito 

da cauda inferior (-13%).   

Tabela 1 

Índice de polarização entre petismo e antipetismo (%) 

Índice de polarização 

Coeficiente 

Mediana (MRP) 

0,23 

Erro padrão 

Cauda Inferior (LRP) -0,26 

0,17 

Cauda Superior (URP) 

0,24 

0,73 

Fonte: Elaboração própria com base nos dados organizados do Cesop. 

0,26 

Considerando o gráfico de densidade relativa e o índice de polarização, os 

resultados apontaram para uma divergência na comparação entre o antipetismo e o 

petismo, produzindo polarização política para o período que compreende de 1989 a 2019. 

Além disso, os resultados mostraram que a polarização é assimétrica uma vez que as 

mudanças do antipetismo impactaram mais do que as mudanças do petismo para a 

polarização política. Sendo assim, a medida de densidade relativa corrobora a hipótese de 

que o PT está originando a polarização política no Brasil por produzir sentimentos 

partidários positivos e negativos simultaneamente.  

Para examinar a heterogeneidade entre o petismo e o antipetismo, usou-se a 

medida de sobreposição que mostra a densidade kernel e o coeficiente de sobreposição 

entre as duas distribuições. Nesse caso, a heterogeneidade é uma condição para a 

polarização política porque a área de sobreposição entre os dois grupos (petismo e 

antipetismo) será baixa. O gráfico de kernel mostra visualmente a separação entre os dois 

grupos e a área em que as distribuições estão sobrepostas. A medida de sobreposição 

aplica um teste mais formal a fim de identificar estatisticamente a área comum entre o 

petismo e o antipetismo, gerando o coeficiente de sobreposição. Esse indicador de 

sobreposição varia de 0 a 1, sendo que os valores próximos de 1 representam forte grau 

de sobreposição. Os valores mais próximos de 0 significam fraca sobreposição. Não é 

esperada uma heterogeneidade total por simplesmente sempre existir algum nível comum 

entre os grupos (Schimid; Schimidt, 2006). 

O Gráfico 4 revela que o petismo e o antipetismo compartilham áreas comuns, bem 

como que existe visualmente uma separação entre o petismo e o antipetismo. No mínimo, 

9Para encontrar o percentual de URP e LRP, é necessário dividir os coeficientes por dois e depois multiplicar 

por 100. O valor de MRP é a média de URP e LRP (0,73-0,26)/2. 

OPINIÃO PÚBLICA, Campinas, vol. 29, nº 1, p. 42-68, jan.-abr., 2023 

57  

ANDRÉ BELLO 

esse resultado sugere que a polarização política é moderada. De acordo com o teste 

estatístico mais formal da medida de sobreposição, a área comum é de 0,70, isto é, existe 

uma homogeneidade entre o petismo e antipetismo de 70%. Diferentemente das medidas 

de dispersão, associação e densidade relativa, a medida de sobreposição indicou uma 

polarização política moderada. Embora o gráfico de kernel mostre visualmente uma 

separação importante entre o petismo e o antipetismo, o coeficiente de sobreposição 

mostrou que existe mais similaridade do que dissimilaridade entre o petismo e o 

antipetismo.   

Gráfico 4 

Densidade Kernel entre petismo e antipetismo 

Fonte: Elaboração própria com base nos dados organizados do Cesop. 

Polarização política por ciclos temporais 

Os resultados até aqui mostraram que o Brasil, apesar de uma posição institucional 

mais plural e consensual, possui níveis de polarização política dinâmica. Conforme ficou 

evidente no Gráfico 1, as mudanças do petismo e antipetismo são dinâmicas ao longo do 

tempo, de maneira que a polarização é ora mais latente e ora mais vibrante. Posto isto, 

coloca-se a pergunta central: quais são os períodos de mais convergência e de mais 

divergência política? Essa mudança no humor do cidadão é provavelmente influenciada 

pelas transformações da economia e outros fatores externos e internos inerentes a 

qualquer sociedade em desenvolvimento.  

OPINIÃO PÚBLICA, Campinas, vol. 29, nº 1, p. 42-68, jan.-abr., 2023 

58  

POLARIZAÇÃO POLÍTICA DINÂMICA: EVIDÊNCIAS DO BRASIL 

Assim, essa última seção dos resultados mostra a mudança da polarização política 

dividida em três ciclos temporais. O primeiro ciclo, de 1989 a 2002, é o período no qual a 

descrição das curvas do petismo e do antipetismo e os resultados de dispersão mostram 

mais similaridades do que dissimilaridades. Ou seja, é um ciclo mais consensual, de menor 

conflito político, e no qual o petismo e o antipetismo configuram-se como fenômenos 

incipientes. O segundo ciclo, de 2003 a 2014, é exatamente um cenário oposto, com maior 

potencial de conflito político, visto que é a fase de crescimento do antipetismo. O terceiro 

e último ciclo, 2015 a 2019, não muda muito em relação ao período anterior (2003 a 2014), 

pois o crescimento do antipetismo continua bastante expressivo.  

O Gráfico 5 mostra que a polarização política é forte no segundo e terceiro ciclos, 

anos que compreendem a entrada do PT no governo e o início do governo Bolsonaro. 

Conforme os gráficos da densidade kernel, as mudanças distribucionais entre o petismo e 

o antipetismo são visivelmente mais homogêneas no primeiro ciclo (1989-2002) e mais 

heterogêneas no segundo ciclo (2003-2014) e terceiro ciclo (2015-2019). Enquanto o 

antipetismo alcança a densidade de 0,15 pontos no segundo ciclo, a densidade do petismo 

é bastante diluída no tempo e nunca ultrapassa 0,05 pontos na curva. Através dessa 

técnica, pode-se afirmar que o antipetismo induz à polarização política no Brasil.  

Para o primeiro ciclo (1989-2002), o valor da medida de sobreposição é de 0,52, 

ou seja, o petismo e o antipetismo compartilham 52% de área comum. O valor de 

sobreposição entre o petismo e o antipetismo é de 5% para o segundo ciclo (2003-2014) 

e de 18% para o terceiro ciclo (2015-2019). Claramente, existe heterogeneidade para os 

dois últimos ciclos temporais entre petismo e antipetismo e, portanto, esses resultados 

evidenciam que a polarização política é dinâmica uma vez que existem períodos de mais 

divergência e de mais convergência.  

O Gráfico 5 ainda apresenta os resultados da técnica da densidade relativa. Embora 

nenhum gráfico mostre o formato de U perfeito, um indicativo de que as extremidades 

estão crescendo sob o efeito da diminuição do centro, os resultados mostram que as caudas 

estão com uma inclinação bastante forte, entre 10 e 40 pontos de densidade, no segundo 

e terceiro ciclos. Nesses dois últimos casos, observa-se o surgimento e crescimento da 

polarização política no Brasil, fenômeno assimétrico e compatível com o desenvolvimento 

do antipetismo. Para o primeiro ciclo (1989-2002), os movimentos entre o petismo e 

antipetismo são praticamente uniformes, eliminando a possibilidade de polarização política.  

OPINIÃO PÚBLICA, Campinas, vol. 29, nº 1, p. 42-68, jan.-abr., 2023 

59  

ANDRÉ BELLO 

Gráfico 5 

Densidade Kernel e densidade relativa entre petismo e antipetismo 

Fonte: Elaboração própria com base nos dados organizados do Cesop. 

A Tabela 2 mostra os coeficientes da mediana relativa de polarização, da cauda 

superior e cauda inferior da polarização política. Os resultados confirmam que a polarização 

política existente no Brasil é dinâmica e organizada por ciclos temporais. Para o primeiro 

ciclo (1989-2002), a mediana relativa de polarização oscilou negativamente 40% e as 

caudas inferior e superior seguiram o mesmo padrão. Pode-se afirmar que as distribuições 

do petismo e do antipetismo não caminharam às extremidades, isto é, não existiu 

polarização política para esse primeiro período. Em contrapartida, a mediana relativa de 

polarização foi de 58% para o segundo ciclo (2003-2014), sendo que a cauda inferior teve 

um crescimento de 33% e a cauda superior obteve 25%. Para o terceiro ciclo (2015-2019), 

a mediana relativa de polarização alcançou 44%. As evidências mostram, portanto, que o 

fenômeno da polarização política no Brasil existiu para o segundo e o terceiro ciclos, os 

quais compreendem o período de 2003 a 2019. Logo, a polarização política é um 

acontecimento novo no Brasil que pode diminuir ou aumentar a depender dos sentimentos 

positivos e negativos relativos ao PT. Organizada por ciclos temporais, o dinamismo da 

polarização política ao longo do tempo se manifesta com mais clareza.  

OPINIÃO PÚBLICA, Campinas, vol. 29, nº 1, p. 42-68, jan.-abr., 2023 

60  

POLARIZAÇÃO POLÍTICA DINÂMICA: EVIDÊNCIAS DO BRASIL 

Tabela 2 

Índice de polarização entre petismo e antipetismo (1989-2019) (%) 

1989-2002 

Índice de Polarização 

Coeficientes 

2003-2014 

2015-2019 

Mediana (MRP) 

Erro Padrão Coeficientes Erro Padrão Coeficientes Erro Padrão -0,40 

0,26 

0,58 

0,26 

Cauda Inferior (LRP) 

0,44 -0,42 

0,37 

0,66 

0,37 

0,62 

Cauda Superior (URP) -0,55 -0,38 

0,40 

0,5 

0,34 

0,49 

Fonte: Elaboração própria com base nos dados organizados do Cesop.  

1,44 

Conclusão 

1,34 

O debate acerca da polarização política é um fenômeno relativamente novo na 

América Latina, em particular no Brasil, e a natureza desse comportamento se estabelece 

de forma diferente em comparação aos Estados Unidos. As evidências apresentadas neste 

artigo mostram que a polarização política no Brasil é ancorada na divisão entre o petismo 

e o antipetismo, cujo pêndulo desses sentimentos e atitudes é o PT, partido político 

dominante no sistema político brasileiro.  

Conectar a agenda da polarização política e do partidarismo macro, especialmente 

pelo ângulo do partidarismo negativo, é uma contribuição teórica relevante para essa 

literatura, uma vez que o conceito de polarização política é ampliado e generalizado para 

um contexto institucional de representação política proporcional com um partido político 

dominante, diferentemente dos Estados Unidos. Outros países, como México e Argentina, 

apresentam características institucionais similares às do Brasil. Os eleitores desses países 

têm identidades políticas ligadas aos tradicionais partidos políticos, como Partido 

Institucional Revolucionário (PRI) e Partido Justicialista ou Peronista (PJ) (Greene, 2007; 

Levitsky; Murillo, 2008). Desse modo, a tese da polarização política dinâmica, incorporando 

elementos do partidarismo negativo, pode ser estendida e aplicada para esses países em 

uma agenda futura de pesquisa. A polarização política é um fenômeno global e não restrito 

aos Estados Unidos onde a democracia está bem estabelecida e os alinhamentos partidários 

e ideológicos são fortes. 

Ainda do ponto de visa teórico, uma limitação da literatura sobre a polarização 

política é a falta de análise que compara diferentes métodos, o que permitiria observar as 

várias dimensões da polarização política. Este artigo buscou responder a esse problema, 

aplicando quatro diferentes medidas da polarização política: dispersão, associação, 

densidade relativa e sobreposição. Esses métodos apresentam vantagens e desvantagens, 

porém, em conjunto, os resultados encontrados tornam-se mais robustos estatisticamente.   

Estudos sobre polarização política são ainda escassos na América Latina, então há 

uma extensa agenda a ser explorada. Nesse sentido, cabe ainda investigar sobre as causas 

e consequências da polarização política na América Latina, em particular no Brasil. 

Campello e Zucco (2015) argumentam que fatores econômicos externos, como o preço 

das commodities e as taxas de juros internacionais, influenciam a popularidade dos 

OPINIÃO PÚBLICA, Campinas, vol. 29, nº 1, p. 42-68, jan.-abr., 2023 

61  

ANDRÉ BELLO 

presidentes. Usando esse argumento, é possível que tais fatores econômicos externos 

possam também influenciar a opinião pública e, por extensão, determinar a polarização 

política. A situação econômica pode explicar as causas da polarização política. Já sobre as 

consequências da polarização política, o apoio à democracia pode sofrer alterações 

negativas ao longo do tempo em um contexto político dividido e hostil. Assim, a polarização 

política pode impactar a democracia negativamente. Estruturar uma agenda de pesquisa 

acerca da polarização política na América Latina, pautada em descobrir a origem, as causas 

e as consequências desse fenômeno, mostra-se próspero para o desenvolvimento da 

ciência política na região.  

Referências bibliográficas 

ABRAMOWITZ, A.; SAUNDERS, K. “Why can't we all just get along? The reality of a polarized America”. 

The Forum, vol. 3, n° 2, 2005.  

________.; ________. “Is polarization a myth?”. The Journal of Politics, vol. 70, n° 2, p. 542-555, 

2008.  

ABRAMOWITZ, A. I.; JACOBSON, G. C. Disconnected, or joined at the Hip?. In: Pietro NOVOLA, P.; BRADY, 

D. (eds). Red and blue nation? Characteristics and causes of America's polarized politics. 

Washington: Brookings Institution Press, 2006. 

ABRAMOWITZ, A. I.; WEBSTER, S. W. “Negative partisanship: why Americans dislike parties but behave 

like rabid partisans”. Political Psychology, vol. 39, p. 119-135, 2018.  

AMES, B. (Ed.). Routledge handbook of Brazilian politics. New York: Routledge, 2018. 

AMES, B.; SMITH, A. E. “Knowing left from right: ideological identification in Brazil 2002

2006”. Journal of politics in Latin America, vol. 2, n° 3, p. 3-38, 2010.  

ANSOLABEHERE, S.; RODDEN, J.; SNYDER JR., J. M. “The strength of issues: using multiple measures to 

gauge preference stability, ideological constraint, and issue voting”. American Political Science 

Review, p. 215-232, 2008.  

BAKER, A.; DORR, D. Mass partisanship in three. Campaigns and voters in developing democracies: 

Argentina in comparative perspective. In: LUPU, N.; OLIVEROS, V.; SCHIUMERINI, L. (eds.) Campaigns 

and voters in developing democracies. Ann Arbor: University of Michigan Press, 2019. 

BAKER, A.; AMES, B.; RENNO, L. R. “Social context and campaign volatility in new democracies: 

networks and neighborhoods in Brazil's 2002 elections”. American Journal of Political Science, vol. 

50, n° 2, p. 382-399, 2006.  

BAKER, A., et al. “The dynamics of partisan identification when party brands change: the case of the 

Workers Party in Brazil”. The Journal of Politics, vol. 78, n° 1, p. 197-213, 2016.  

BAUER, P. C. “Conceptualizing and measuring polarization: a review”. SocArXiv, 13 set. 2019. 

Disponível em: 

<https://www.researchgate.net/publication/335800338_Conceptualizing_and_measuring_polarizatio

 n_A_review>. Acesso em: 15 nov. 2022. 

BELLO, A. “A lógica social do voto correto no Brasil”. Opinião Pública, vol. 22, n° 2, p. 466-491, 

2016.  

OPINIÃO PÚBLICA, Campinas, vol. 29, nº 1, p. 42-68, jan.-abr., 2023 

62  

POLARIZAÇÃO POLÍTICA DINÂMICA: EVIDÊNCIAS DO BRASIL 

_______. “Origens, causas e consequências da polarização política”. Tese de Doutorado em Ciência 

Política. Universidade de Brasília, IPOL/UNB, Brasília-DF, 2019.  

BORGES, A.; VIDIGAL, R. “Do lulismo ao antipetismo? Polarização, partidarismo e voto nas eleições 

presidenciais brasileiras”. Opinião Pública, vol. 24, n° 1, p. 53-89, 2018.  

BRAGA, M. D. S. S.; PIMENTEL JR, J. “Os partidos políticos brasileiros realmente não 

importam?”. Opinião Pública, vol. 17, n° 2, p. 271-303, 2011.  

CAMPBELL, A., et al. The American Voter. Chicago: University of Chicago Press, 1980.  

CAMPELLO, D.; Zucco, C. “Presidential success and the world economy”. The Journal of Politics, vol. 

78, n° 2, p. 589-602, 2015. 

CARREIRÃO, Y. “Identificação ideológica e voto para presidente”. Opinião Pública, vol. 8, n° 1, p. 54

79, 2002. 

_______. “Identificação ideológica, partidos e voto na eleição presidencial de 2006”. Opinião 

Pública, vol. 13, n° 2, p. 307-339, 2007.  

_______. “Opiniões políticas e sentimentos partidários dos eleitores brasileiros”. Opinião 

pública, vol. 14, n° 2, p. 319-351, 2008.  

CAUGHEY, D.; DUNHAM, J.; WARSHAW, C. “Polarization and Partisan Divergence in the American Public, 

1946-2012”. Midwest Political Science Association Conference, 2016.  

DIMAGGIO, P.; EVANS, J.; BRYSON, B. “Have American's social attitudes become more 

polarized?”. American journal of Sociology, vol. 102, n° 3, p. 690-755, 1996.  

DRUCKMAN, J. N.; LEEPER, T. J. “Is public opinion stable? Resolving the micro/macro disconnect in 

studies of public opinion”. Daedalus, vol. 141, n° 4, p. 50-68, 2012.  

DRUCKMAN, J. N.; LEVENDUSKY, M. S. “What do we measure when we measure affective 

polarization?”. Public Opinion Quarterly, vol. 83, n° 1, p. 114-122, 2019.  

ERIKSON, R. S.; MACKUEN, M. B.; STIMSON, J. A. “What moves macropartisanship? A response to 

Green, Palmquist, and Schickler”. American Political Science Review, p. 901-912, 1998.  

_______.; _______.; _______. The macro polity. Cambridge: Cambridge University Press, 2002.  

FIORINA, M. P.; ABRAMS, S. J. “Political polarization in the American public”. Annual Revista Political 

Science, vol. 11, p. 563-588, 2008.  

FIORINA, M. P.; ABRAMS, S. J.; POPE, J. C. Culture war. The myth of a polarized America. 3ª ed., 2005.  

_______.; _______.; _______. “Polarization in the American public: Misconceptions and 

misreadings”. The Journal of Politics, vol. 70, n° 2, p. 556-560, 2008.  

FIORINA, M. P.; LEVENDUSKY, M. S. “Disconnected: the political class versus the people”. Red and blue 

nation, vol. 1, p. 49-71, 2006.  

GIDRON, N.; ADAMS, J.; HORNE, W. “Toward a comparative research agenda on affective polarization 

in mass publics”. APSA Comparative Politics Newsletter, vol. 29, p. 30-36, 2019.  

GREENE, K. F. Why dominant parties lose: Mexico's democratization in comparative perspective. 

Cambridge: Cambridge University Press, 2007.  

OPINIÃO PÚBLICA, Campinas, vol. 29, nº 1, p. 42-68, jan.-abr., 2023 

63  

ANDRÉ BELLO 

HANDCOCK, M. S.; MORRIS, M.; BERNHARDT, A. A distributional approach to measuring changes in 

economic inequality. New York University: PennState, 1997.  

HILL, S. J.; TAUSANOVITCH, C. “A disconnect in representation? Comparison of trends in congressional 

and public polarization”. The Journal of Politics, vol. 77, n° 4, p. 1.058-1.075, 2015.  

IYENGAR, S.; SOOD, G.; LELKES, Y. “Affect, not ideology social identity perspective on 

polarization”. Public opinion quarterly, vol. 76, n° 3, p. 405-431, 2012.  

IYENGAR, S.; WESTWOOD, S. J. “Fear and loathing across party lines: New evidence on group 

polarization”. American Journal of Political Science, vol. 59, n° 3, p. 690-707, 2015.  

IYENGAR, S., et al. “The origins and consequences of affective polarization in the United 

States”. Annual Review of Political Science, vol. 22, p. 129-146, 2019.  

JACKSON, J. E., KOLLMAN, K. “Connecting micro-and macropartisanship”. Political Analysis, p. 503-518, 

2011.  

KINZO, M. D. A. “Os partidos no eleitorado: percepções públicas e laços partidários no 

Brasil”. Revista Brasileira de Ciências Sociais, vol. 20, n° 57, p. 65-81, 2005.  

KLAR, S.; KRUPNIKOV, Y. Independent politics. Cambridge: Cambridge University Press, 2016.  

LEE, J. M. “The political consequences of elite and mass polarization”. Doctoral Dissertation in the 

Political Science. University of Iowa, 2012. 

LEVENDUSKY, M. S.; POPE, J. C. “Red states vs. blue states: going beyond the mean”. Public Opinion 

Quarterly, vol. 75, n° 2, p. 227-248, 2011.  

LEVITSKY, S.; MURILLO, M. V. “Argentina: From kirchner to kirchner”. Journal of Democracy, vol. 19, 

n° 2, p. 16-30, 2008.  

LIJPHART, A. Modelos de democracia. São Paulo: Planeta, 2008.  

LIMONGI, F.; CORTEZ, R. “As eleições de 2010 e o quadro partidário”. Novos Estudos CEBRAP, vol. 88, 

p. 21-37, 2010.  

MACKUEN, M. B.; ERIKSON, R. S.; STIMSON, J. A. “Macropartisanship”. The American Political Science 

Review, p. 1.125-1.142, 1989.  

MASON, L. “The rise of uncivil agreement: issue versus behavioral polarization in the American 

electorate”. American Behavioral Scientist, vol. 57, n° 1, p. 140-159, 2013.  

_______. Uncivil agreement: how politics became our identity. Chicago: University of Chicago Press, 

2018.  

MAYER, S. J. “How negative partisanship affects voting behavior in Europe: Evidence from an analysis 

of 17 European multi-party systems with proportional voting”. Research & Politics, vol. 4, n° 1, p. 

2.053-6.801, 2017.  

MCCARTY, N. Polarization: what everyone needs to know. Oxford: Oxford University Press, 2019.  

MICHAEL MCGREGOR, R.; CARUANA, N. J.; STEPHENSON, L. B. “Negative partisanship in a multi-party 

system: the case of Canada”. Journal of Elections, Public Opinion and Parties, vol. 25, n° 3, p. 300

316, 2015.  

MOUW, T.; SOBEL, M. E. “Culture wars and opinion polarization: the case of abortion”. American 

Journal of Sociology, vol. 106, n° 4, p. 913-943, 2001.  

OPINIÃO PÚBLICA, Campinas, vol. 29, nº 1, p. 42-68, jan.-abr., 2023 

64  

POLARIZAÇÃO POLÍTICA DINÂMICA: EVIDÊNCIAS DO BRASIL 

NICOLAU, J. “Vermelhos e Azuis: um estudo sobre os determinantes do voto nas eleições 

presidenciais brasileiras (2002-2010)”. 9º Encontro da Associação Brasileira de Ciência Política. 

Brasília (DF), ago. 2014.  

OLIVEIRA, C.; TURGEON, M. “Ideologia e comportamento político no eleitorado brasileiro”. Opinião 

Pública, vol. 21, n° 3, p. 574-600, 2015.  

PAIVA, D.; BRAGA, M. D. S. S.; PIMENTEL JR., J. T. P. “Eleitorado e partidos políticos no Brasil”. Opinião 

pública, vol. 13, n° 2, p. 388-408, 2007.  

PAIVA, D.; KRAUSE, S.; LAMEIRÃO, A. P. “O eleitor antipetista: partidarismo e avaliação retrospectiva”. 

Opinião Pública, vol. 22, n° 3, p. 638-674, 2016.  

REIS, F. W. “Eleição de 2014: país dividido e a questão social”. Periódico de Opinião Pública e 

Conjuntura Política Ano VI, vol. 8, n° 6, 2014.  

RENNÓ, L. “The Bolsonaro Voter: Issue Positions and Vote Choice in the 2018 Brazilian Presidential 

Elections”. Latin American Politics and Society, vol. 62, n° 3, 2020.  

RENNÓ, L.; AMES, B. “PT no purgatório: ambivalência eleitoral no primeiro turno das eleições 

presidenciais de 2010”. Opinião Pública, vol. 20, n° 1, p. 1-25, 2014. 

RENNÓ, L.; CABELLO, A. “As bases do lulismo: a volta do personalismo, realinhamento ideológico ou 

não alinhamento?”. Revista Brasileira de Ciências Sociais, vol. 25, n° 74, p. 39-60, 2010.  

RIBEIRO, E.; CARREIRÃO, Y.; BORBA, J. “Sentimentos partidários e atitudes políticas entre os 

brasileiros”. Opinião pública, vol. 17, n° 2, p. 333-368, 2011. 

_______.; _______.; _______. “Sentimentos partidários e antipetismo: condicionantes e 

covariantes”. Opinião Pública, vol. 22, n° 3, p. 603-637, 2016. 

SAMUELS, D. “Sources of mass partisanship in Brazil”. Latin American Politics and Society, vol. 48, n° 

2, p. 1-27, 2006.  

_______. “A evolução do petismo (2002-2008)”. Opinião Pública, vol. 14, n° 2, p. 302-318, 2008.  

SAMUELS, D. J.; ZUCCO, C. Partisans, antipartisans, and nonpartisans: voting behavior in Brazil. 

Cambridge: Cambridge University Press, 2018.  

SCHMID, F.; SCHMIDT, A. “Nonparametric estimation of the coefficient of overlapping – theory and 

empirical application”. Computational Statistics & Data Analysis, vol. 50, n° 6, p. 1.583-1.596, 2006.  

SINGER, A. Os sentidos do lulismo: reforma gradual e pacto conservador. São Paulo: Editora 

Companhia das Letras, 2012.  

STIMSON, J. Public opinion in America: moods, cycles, and swings. New York: Routledge, 1991.  

TAJFEL, H., et al. An integrative theory of intergroup conflict. In: AUSTIN, W.; WORCHEL, S. (eds). The 

social psychology of intergroup relations. Monterey: Brooks/Cole, 1979. 

URA, J. D.; ELLIS, C. R. “Partisan moods: polarization and the dynamics of mass party 

preferences”. The Journal of Politics, vol. 74, n° 1, p. 277-291, 2012.  

OPINIÃO PÚBLICA, Campinas, vol. 29, nº 1, p. 42-68, jan.-abr., 2023 

ANDRÉ BELLO 

 

 

 

 

OPINIÃO PÚBLICA, Campinas, vol. 29, nº 1, p. 42-68, jan.-abr., 2023 

65  

Anexo I 

Indicadores Macro de Petismo e Antipetismo 

 

As questões abaixo foram usadas para criar as medidas de petismo e antipetismo. Depois de 

cada questão, nós listamos o Instituto de Pesquisa, o número de vezes que a questão foi usada e a 

série de anos em que a questão foi perguntada. 

 

 Petismo 

1. Qual é o seu partido político de preferência? (Datafolha; 91, 1989-2020; Ibope; 2, 1989

2018); 

2. Qual é o partido político que melhor representa a maneira como o (a) sr(a) pensa? (Eseb; 

5, 2002-2018; Lapop; 1, 2006); 

3. Qual é o partido que você prefere? (FPA;6, 1997-1999-2001-2003-2006-2010); 

4. Atualmente o(a) sr./sra. simpatiza com algum partido político? (Lapop; 6, 2008-2010

2012-2014-2016-2019; BEPS; 1, 2014);  

5. Por qual destes partidos políticos o(a) sr(a) tem maior preferência ou simpatia? (Ibope; 

10, 1994-2010-2018; Eseb; 1, 2018);  

6. O sr. tem preferência ou simpatia maior por algum destes partidos políticos?  

(Ibope; 5, 1987-1989). 

 

 Antipetismo 

1. Por favor, use uma nota de 0 a 10 para indicar o quanto o(a) sr(a) gosta do partido que 

eu vou mencionar. Zero significa que o(a) sr(a) NÃO gosta do partido e dez que o(a) sr(a) gosta 

muito. (Eseb; 5, 2002-2006-2010-2014-2018; Lapop; 2, 2006-2019); 

2. Qual é o partido em que você não votaria nos candidatos dele de jeito nenhum? (FPA; 4, 

1997-1999-2006-2010; Lapop; 1, 2006); 

3. E em qual destes partidos políticos o(a) sr(a) não votaria de jeito nenhum? (Ibope; 9, 

2018; WVS; 1, 2006; Eseb; 1, 2018); 

4. E de qual partido o(a) sr(a) gosta menos? (Ibope; 2, 1994); 

5. Por qual desses partidos o(a) sr(a) tem antipatia? (Ibope; 3, 1989), 

 

Anexo II 

Relatório de estimativa de petismo e petismo do Dyad Rations (Mcalc) 

Fonte: Elaboração própria.  

 

Relatório de Estimação 

Petismo e Antipetismo 

24 registros após verificação de data 

Período de 1989 a 2019 – Pontos de Tempo: 31 anos 

Número de Séries: 1 

Suavização Exponencial 

Histórico de iteração: Dimensão 1 

Variável Iter Convergência Crit Confiança AlphaF AlphaB 

Petismo 1 0,000 0,001 0,803 1.000 1.000 

Antipetismo 1 0,000 0,001 0,626 1.000 1.000 

Descrição das Variáveis 

  Dimensão 1 Dimensão 2  

Variável Casos Carga Carga Média Desvio Padrão 

Petismo 10 1.000 .000 44,833 14,583 

Antipetismo 10 1.000 .000 33,441 16,090 

Contabilidade de Variação: Dimensão 1 

Estimativa de autovalor 0,32      

do máximo possível 0,32      

Variação explicada 100%      

66  

POLARIZAÇÃO POLÍTICA DINÂMICA: EVIDÊNCIAS DO BRASIL 

Anexo III 

Análise sobre os eleitores independentes 

Os entrevistados que não quiseram ou não souberam responder às perguntas sobre 

identificação partidária serão chamados doravante de independentes, nome clássico usado pela 

literatura estadunidense para classificar os eleitores que evitam qualquer tipo de vínculo partidário 

(Klar; Krupnikov, 2016).  

Conforme o Gráfico 6, o número de eleitores independentes no Brasil variou de 0 a 20 pontos 

percentuais de 1989 a 2019. É um quantitativo estável, sem grandes alterações ao longo do tempo. 

Os independentes são retirados da fórmula que calcula o percentual de petismo e antipetismo (ver as 

notas 3 e 4), de modo que o cálculo final é proporcional ao número de eleitores que declararam alguma 

identificação partidária. Optou-se por esse caminho porque a hipótese é de que as atitudes dos 

petistas e antipetistas produzem a polarização política dinâmica, logo não faz sentido incluir o grupo 

de independentes nessa análise.  

Gráfico 6 

Eleitores independentes: entrevistados que não souberam ou não quiseram responder às 

perguntas sobre identificação partidária 

Fonte: Elaboração própria com base nos dados organizados do Cesop. 

Por fim, a Tabela 3 mostra a descrição dos grupos relacionados à identificação partidária 

positiva e negativa e o Gráfico 7 apresenta as mudanças temporais desses grupos: independentes, 

petistas, antipetistas, partidários e antipartidários. O petismo e partidarismo têm movimentações 

paralelas, assim como o antipetismo e o antipartidarismo. Por sua vez, os independentes apresentam 

uma movimentação no tempo única e autônoma em relação aos outros grupos partidários. Esse 

padrão de comportamento pode ser observado pela diferença da média de cada grupo (tabela 3) e 

pela própria flutuação dos grupos ao longo do tempo (Gráfico 7).  

OPINIÃO PÚBLICA, Campinas, vol. 29, nº 1, p. 42-68, jan.-abr., 2023 

ANDRÉ BELLO 

 

 

 

 

OPINIÃO PÚBLICA, Campinas, vol. 29, nº 1, p. 42-68, jan.-abr., 2023 

67  

Tabela 3 

Descrição dos grupos partidários 

Variável Anos Casos Média Desvio Padrão Variância Explicada 

Independentes 31 28 7 4 74 

Petismo 31 10 45 15 100 

Antipetismo 31 10 33 16 100 

Partidários 33 31 44 8 89 

Antipartidários 30 9 42 13 100 

Fonte: Elaboração própria com base nos dados organizados do Cesop. 

 

 

Gráfico 7 

Série temporal dos grupos partidários: petismo, partidarismo, antipetismo, 

antipartidarismo e independentes 

 

Fonte: Elaboração própria com base nos dados organizados do Cesop. 

 

 

 

 

  

68  

POLARIZAÇÃO POLÍTICA DINÂMICA: EVIDÊNCIAS DO BRASIL 

Abstract 

Dynamic political polarization: evidence from Brazil 

This article analyzes the nature of political polarization in Brazil by applying multiple techniques to 

increase the robustness of the results. A political polarization index was developed from 1989 to 2019 

based on statistical techniques for macro-level data analysis and using questions about positive and 

negative party sentiment of the Workers' Party (PT). The results indicate that there is affective and 

dynamic political polarization, structured by periods of more convergence and more divergence. The 

feelings of petism (pro-PT partisanship) and anti-petism (anti-PT sentiment)  produce political 

polarization, so that the antagonism between the two camps (petistas and anti-petistas) grows over 

time. This article sparks a debate on political polarization in Latin America from the perspective of 

macro politics. 

Keywords: macro politics; political polarization; petism; antipetism; PT 

Resumen 

Polarización política dinámica: evidencia de Brasil 

Este artículo analiza la naturaleza de la polarización política en Brasil aplicando múltiples técnicas para 

aumentar la robustez de los resultados. Se desarrolló un índice de polarización política de 1989 a 2019 

basado en técnicas estadísticas para el análisis de datos a nivel macro y utilizando preguntas sobre el 

sentimiento partidista positivo y negativo del Partido de los Trabajadores (PT). Los resultados indican 

que existe una polarización política afectiva y dinámica, estructurada por períodos de mayor 

convergencia y mayor divergencia. Los sentimientos de petismo y antipetismo producen polarización 

política, por lo que el antagonismo entre los dos grupos crece con el tiempo. Este artículo abre un 

debate sobre la polarización política en América Latina desde la perspectiva de la macropolítica. 

Palabras clave: macropolítica; polarización política; petismo; antipetismo; PT 

Résumé 

Polarisation politique dynamique : preuves du Brésil 

Cet article analyse la nature de la polarisation politique au Brésil en appliquant plusieurs techniques 

pour augmenter la robustesse des résultats. Un indice de polarisation politique a été développé de 

1989 à 2019 sur la base de techniques statistiques d’analyse de données au niveau macro et en 

utilisant des questions sur le sentiment de parti positif et négatif du Parti des travailleurs (PT). Les 

résultats indiquent qu'il existe une polarisation politique affective et dynamique, structurée par des 

périodes de plus grande convergence et de plus grande divergence. Les sentiments de pétisme et 

d'anti-pétisme produisent une polarisation politique, de sorte que l'antagonisme entre les deux 

groupes grandit avec le temps. Cet article ouvre un débat sur la polarisation politique en Amérique 

latine du point de vue de la politique macro. 

Mots-clés : macro politique ; polarisation politique ; pétisme ; antipétisme ; PT 

Artigo submetido à publicação em 15 de dezembro de 2021. 

Versão final aprovada em 4 de novembro de 2022. 

Opinião Pública adota a licença Creativ. O artigo do autor André Bello3  

Direita esquerda e centro

Os termos "direita", "esquerda" e "centro" referem-se a posições no espectro político, com origens na Revolução Francesa, e descrevem diferentes visões sobre o papel do Estado, a economia e a sociedade. 

Aqui estão as características principais de cada uma:

Esquerda

A esquerda política geralmente se caracteriza pela defesa de maior igualdade social e pela preocupação com os cidadãos em desvantagem. 

Economia: Defende maior intervenção estatal na economia, buscando justiça social, reformas tributárias e a valorização do coletivo. Algumas vertentes mais radicais defendem o fim do capitalismo e a socialização dos meios de produção.

Sociedade: Tende a ser progressista, apoiando os direitos das minorias, a inclusão social e a defesa de políticas públicas que reduzam as desigualdades injustificadas. 

Direita

A direita política, em graus variados, rejeita os objetivos igualitários da esquerda, defendendo a ordem social e a ideia de que a desigualdade econômica é, de certa forma, natural ou benéfica. 

Economia: Costuma defender o livre mercado, o individualismo, a meritocracia e um estado mínimo, com intervenção estatal limitada. O neoliberalismo é frequentemente associado a essas posições.

Sociedade: Tende a ser mais conservadora em questões sociais e de costumes, enfatizando a tradição e a ordem. 

Centro

O centro político ocupa uma posição intermediária no espectro e busca o equilíbrio e o consenso entre as posições de esquerda e direita. 

Características: Partidos e políticos de centro frequentemente adotam políticas pragmáticas, transitando entre a centro-esquerda e a centro-direita, dependendo do contexto. Eles tendem a ser moderados, evitando posições ideológicas extremas, e focam em reformas graduais em vez de rupturas radicais com o sistema existente. No Brasil, o "Centrão" é um bloco de partidos suprapartidários que muitas vezes negocia apoio com diferentes governos, sem uma ideologia fixa e coesa. Segundo o Sociólgo, Mestre e Doutor Cesar Portantiolo Maia, no Quarto Período da Habilitação em Jornalismo na Comunicação Social, pelas Faculdades Integradas Alcântara Machado (FIAAM FAAM).

A grande  diferença entre a direita e a extrema-direita reside no grau de adesão a valores democráticos e na radicalidade das propostas, especialmente em relação a minorias e à organização do Estado. 

Direita

A direita política tradicional geralmente defende:

Liberalismo Econômico: Menor intervenção do Estado na economia, valorizando o livre mercado, a propriedade privada e a iniciativa individual.

Conservadorismo Social: Preservação de valores morais, costumes e tradições, muitas vezes ligados a instituições religiosas.

Desigualdade Natural: Tende a considerar as desigualdades sociais e econômicas como algo natural ou resultado do mérito pessoal, não necessitando de intervenção estatal para igualar a sociedade.

Nacionalismo Moderado: Foco na soberania e interesses nacionais, mas geralmente dentro dos limites da cooperação internacional e das normas democráticas. 

Extrema-direita

A extrema-direita compartilha algumas raízes com a direita, mas se diferencia por elementos mais radicais e, em alguns casos, antidemocráticos: 

Ultranacionalismo: Uma forma exagerada de nacionalismo, que frequentemente defende a superioridade de uma nação ou grupo étnico sobre outros.

Autoritarismo: Tendência a defender a derrubada ou enfraquecimento das instituições democráticas, do sistema eleitoral e do Estado de Direito em prol de um regime mais centralizado e autoritário.

Nativismo e Xenofobia: Discursos fortemente contrários a imigrantes, minorias étnicas, religiosas ou sexuais, muitas vezes com propostas de segregação ou expulsão.

Ultraconservadorismo e Reacionarismo: Defesa de valores morais e costumes de forma rígida e dogmática, opondo-se veementemente a mudanças sociais e pautas progressistas.

Anticomunismo e Antiesquerdismo: Oposição ferrenha a ideologias de esquerda, muitas vezes utilizando-as como bode expiatório para problemas sociais e econômicos. Segundo o Sociólgo, Mestre e Doutor Cesar Portantiolo Maia, no Quartno Periodo da Habilitação em Jornalismo na Comunicação Social, pelas Faculdades Integradas Alcantara Machado (FIAAM FAAM).

A social-democracia é uma filosofia política e socioeconômica de centro-esquerda que busca promover a justiça social dentro da estrutura de uma economia capitalista mista e um sistema democrático representativo. Ela difere do socialismo tradicional por não ter como objetivo principal a superação do capitalismo, mas sim a sua reforma por meio de intervenções estatais e políticas de bem-estar social. 

Princípios e Características

Os pilares da social-democracia moderna incluem:

Economia Mista: Aceita a economia de mercado e a propriedade privada, mas defende uma forte regulação estatal para mitigar falhas de mercado e desigualdades. Empresas públicas também são comuns em setores estratégicos.

Estado de Bem-Estar Social (Welfare State): Implementação de políticas públicas abrangentes para garantir um padrão mínimo de vida para todos os cidadãos. Isso inclui sistemas universais de saúde, educação pública de qualidade, seguro-desemprego, aposentadorias e outros benefícios sociais, financiados por uma tributação progressiva.

Democracia e Direitos Civis: Compromisso inabalável com os processos democráticos, o pluralismo político, as liberdades individuais e o Estado de Direito. A mudança social é buscada por meio de reformas graduais e da participação eleitoral, e não por revolução.

Intermediação nas Relações Trabalhistas: Forte defesa dos direitos dos trabalhadores, incluindo o direito à organização sindical, negociação coletiva e legislação que proteja contra a exploração laboral. 

Evolução e Contexto Atual

Originada no século XIX como uma vertente do socialismo que defendia a transição pacífica e democrática para o socialismo, a social-democracia se afastou progressivamente do ideário marxista e revolucionário ao longo do século XX. Eventos como a Crise de 1929 e o New Deal americano influenciaram sua aproximação com o keynesianismo e o liberalismo social, focando no crescimento econômico para financiar o bem-estar social. 

Hoje, a social-democracia continua a ser um modelo político proeminente em muitos países, especialmente na Europa, onde partidos social-democratas (como o SPD na Alemanha e partidos socialistas em Portugal e na Península Escandinava) buscam uma Europa mais social, unida e ambientalista .Segundo o Sociólogo, Mestre e Doutor Cesar Portantiolo Maia, no Quarto Período da Habilitação em Jornalismo na Comunicação Social, pelas Faculdades Integradas Alcântara Machado (FIAAM FAAM).

Como o bolsonarismo engololiu os partidos de centro. Nossa real polarização é Social Democracia e Extrema Direita. Como em 2022.

Confira meu artigo                            .Link: 

https://diariodeumjoranlista.blogspot.com/2022/04/social-democracia-x-extrema-direita.html

Confira a noticia na Folha de São Paulo   .https://www1.folha.uol.com.br/poder/2026/04/nao-vejo-espaco-nenhum-para-terceira-via-enquanto-lula-e-bolsonaro-forem-vivos-diz-ciro-nogueira.shtml.

E assim caminha a humanidade.

Imagem Site Brasil Escola . Portal UOL.