domingo, 31 de maio de 2026

Bolsonarismo .

    O bolsonarismo é um fenômeno político de extrema-direita e populista, centrado na figura do ex-presidente Jair Bolsonaro, e que se mantém relevante mesmo após o fim de seu mandato. É considerado por analistas uma versão brasileira de uma onda internacional reacionária. O movimento é caracterizado pela combinação de diversos elementos, como conservadorismo social, militarismo e o uso intenso das mídias digitais. 

Características principais

Valores conservadores: A plataforma bolsonarista se baseia em valores tradicionais, com ênfase na defesa da família, da religião e da ordem moral.

Militarismo e ordem: Promove a militarização da segurança pública e do comportamento social, valorizando a disciplina e a autoridade militar.

Populismo: O discurso bolsonarista é antiestablishment e se dirige diretamente aos eleitores, criando uma conexão forte com sua base de apoio. A retórica costuma explorar a polarização e a crítica a supostos inimigos, como a "velha política" e o "comunismo".

Uso de mídias digitais: O movimento utiliza intensivamente as redes sociais e aplicativos de mensagens, como o WhatsApp, para mobilizar apoiadores, disseminar notícias e informações (muitas vezes falsas ou distorcidas), e contornar a mídia tradicional.

Nacionalismo e "cidadão de bem": O bolsonarismo se apropria de símbolos nacionais e constrói uma narrativa identitária em torno do "cidadão de bem" para se contrapor a grupos sociais considerados "fora do padrão", como a esquerda, movimentos antirracistas e a população LGBTQIAPN+.

Americanização da política: O movimento reproduz práticas e performances de grupos de extrema-direita internacionais, como o trumpismo nos Estados Unidos, utilizando estratégias de comunicação e narrativas compartilhadas. 

Após o fim do mandato de Bolsonaro e sua inelegibilidade, o movimento continua a se manifestar no cenário político brasileiro, mas enfrenta desafios: 

Enfraquecimento: Analistas indicam que a "onda bolsonarista" tem se enfraquecido, especialmente após condenações de Bolsonaro na Justiça. Há questionamento  sobre a capacidade do ex-presidente de manter a liderança de seu campo político.

Divisões internas: Reportagens recentes sugerem rachas dentro do bolsonarismo, com a ala mais radical questionando a liderança de Bolsonaro e figuras como o governador Tarcísio de Freitas sendo vistas como potenciais substitutos para a direita em 2026.

Apoio duradouro: Apesar das dificuldades, o bolsonarismo ainda mantém uma base de apoiadores significativa, que continua a se mobilizar em torno de suas pautas.

Cenário eleitoral: Embora seja considerado enfraquecido, o bolsonarismo continua a ser um fator relevante nas próximas eleições, com candidatos da direita buscando associar-se ou distanciar-se da figura do ex-presidente.

BRASIL CONTEMPORÂNEO

 Artigo convidado | Editor responsável: Marco Antonio Teixeira

 DOI: https://doi.org/10.12660/cgpc.v28.89859

 O BRASIL DE BOLSONARO: UMA DEMOCRACIA SOB 

ESTRESSE

 Bolsonaro’s Brazil: A democracy under stress

 El Brasil de Bolsonaro: Una democracia bajo estrés

 Cláudio Gonçalves Couto1 | claudio.couto@fgv.br | ORCID: 0000-0003-0153-1877

 1Fundação Getulio Vargas, Escola de Administração de Empresas de São Paulo, São Paulo, SP, Brasil

 RESUMO

 O ressentimento social manifesto nas Jornadas de Junho de 2013, resultante de expectativas frustradas de setores 

sociais ascendentes (que viram estancado seu progresso) e de camadas superiores na estratificação social (que 

perderam sua distinção), ensejou afetos antipolíticos. Estes, por sua vez, alimentaram o antipartidarismo e o 

sentimento antissistema, propícios ao sucesso eleitoral de outsiders e políticos marginais. Nesse contexto, tornaram-se 

prefeitos vários outsiders nas eleições municipais de 2016, e Jair Bolsonaro conquistou a Presidência em 2018. Seu 

governo-movimento caracterizou-se pelo populismo extremista de fundo religioso, excludente e antipluralista, que 

mobilizou apoios a um governo anormal e, por isso, incompreensível pela análise institucionalista convencional: 

em vez de tomar o quadro institucional como dado, atuou solapando-o. Isso gerou estresse no sistema, pois o 

ataque reiterado a outros poderes (especialmente o Judiciário) teve como resposta o hiperativismo institucional, 

gerador de uma armadilha populista, que minou a legitimidade de instituições instadas a atuar defensivamente.

 Palavras-chave: extremismo, populismo, governo Bolsonaro, instituições políticas, democracia. 

ABSTRACT

 The social resentment expressed in the June 2013 Journeys, resulting 

from frustrated expectations of ascending social sectors (who saw their 

progress stalled) and of higher layers in the social stratification (who 

lost their distinction), gave rise to anti-political affections. These, in 

turn, have fueled anti-party and anti-system sentiment conducive to the 

electoral success of outsiders and marginal politicians. In this context, 

several outsiders became mayors in the 2016 municipal elections, and 

Jair Bolsonaro won the presidency in 2018. His movement-government 

was characterized by extremist populism with a religious, exclusionary, 

and anti-pluralist background. This populism mobilized support for 

an abnormal government, which defies conventional institutionalist 

analysis as it undermines the existing framework instead of accepting 

it as given. This approach led to institutional stress, as the repeated 

attack on other branches of power (especially the Judiciary) triggered 

hyperactivity within the institutions, generating a populist trap that 

undermined the legitimacy of institutions.

 Keywords: extremism, populism, Bolsonaro government, political 

institutions, democracy.

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 RESUMEN

 El resentimiento social manifestado en las protestas de junio de 

2013, resultado de las expectativas frustradas de los sectores sociales 

ascendentes (que vieron frenado su progreso) y de las capas superiores 

de la estratificación social (que perdieron su distinción), dio lugar a 

afectos antipolíticos. Estos, a su vez, alimentaron el antipartidismo y 

el sentimiento antisistema, propicios al éxito electoral de outsiders y 

políticos marginales. En este contexto, varios outsiders se convirtieron 

en alcaldes en las elecciones municipales de 2016 y Jair Bolsonaro 

ganó la presidencia en 2018. Su movimiento de gobierno se caracterizó 

por un populismo extremista con trasfondo religioso, excluyente y 

antipluralista, que movilizó el apoyo a un gobierno anómalo y, por 

tanto, incomprensible para el análisis institucionalista convencional: 

en lugar de tomar el marco institucional como dado, actuó socavándolo. 

Esto generó tensión institucional, ya que el ataque reiterado a otros 

poderes (especialmente el Judicial) se encontró con un hiperactivismo 

institucional, que generó una trampa populista que minó la legitimidad 

de las instituciones exigidas a actuar defensivamente.

 Palabras clave: extremismo, populismo, gobierno Bolsonaro, 

instituciones políticas, democracia.

 FGV EAESP | CGPC | VoL. 28 | 2023 | e89859 | ISSN 2236-5710

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 Cláudio Gonçalves Couto

 INTRODUÇÃO

 Finalizo este ensaio no último dia de junho de 2023, momento em que o ex-presidente Jair 

Bolsonaro se tornou inelegível por oito anos, por decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) 

em Ação de Investigação Judicial e Eleitoral (AIJE) movida pelo Partido Democrático Traba

lhista (PDT). As razões para a cassação de seus direitos políticos foram desvio de finalidade e 

abuso de poder político, tipificados numa reunião do então presidente com embaixadores e 

outros representantes diplomáticos estrangeiros na residência oficial da Presidência, o Palácio 

da Alvorada. Na ocasião, Bolsonaro atacou o sistema de justiça, em particular a justiça eleito

ral, e – com base em informações sabidamente falsas – levantou suspeitas infundadas sobre o 

processo eletrônico de votação no Brasil, com vistas a deslegitimá-lo e, assim, criar pretextos 

para eventualmente contestar seus resultados.

 Não se tratou de um episódio isolado ou raro; antes disso, foi apenas mais um numa série 

de eventos em que Jair Bolsonaro investiu contra as instituições do Estado Democrático de 

Direito durante seu mandato presidencial. Seu governo nunca foi o de um típico chefe de 

governo do presidencialismo de coalizão brasileiro desde o início da redemocratização em 

1985. Até 2018, houve governos melhores ou piores, mais bem-sucedidos ou fracassados, de 

presidentes populares ou impopulares, chefiados por políticos habilidosos ou desastrados; 

o que ainda não existira é um governo marcado pelo signo da anormalidade, transformada 

em regra. Em se tratando do governo Bolsonaro, sequer é o caso de se falar em crise, já que 

esta supõe descaminho em relação a uma rota; neste caso o descaminho foi estatuído como 

a própria rota.

 Neste ensaio, dividido em quatro seções, além desta introdução, traçarei um apanhado do 

significado dos quatro anos do mandato de Jair Bolsonaro à frente do País. Na primeira seção, 

apontarei os precedentes que tornaram possível à extrema-direita chegar à Presidência da Repú

blica. Na segunda, tratarei do perfil da liderança e dos fundamentos ideológicos do movimento 

político que impulsionou a vitória eleitoral e definiu o modus operandi do governo. Na terceira, 

procurarei definir que governo foi esse, lançando mão do que concebi como um “governo-mo

vimento” (Couto, 2021a). Na quarta, seção de conclusão, apontarei as consequências de um 

governo como esse para a institucionalidade democrática, no que concerne tanto à sua opera

ção como à sua capacidade de resistir às investidas que procuram destruí-la.

 OS PRECEDENTES: O RESSENTIMENTO E OS ABALOS DE 2013

 Entre 2001 e 2014, o Brasil experimentou uma acentuada queda da desigualdade econômica, 

que se fez acompanhar também de um forte declínio da pobreza. As Figuras 1 e 2 ilustram esses 

dados com clareza. Nota-se que a redução mais acentuada de ambas se deu a partir dos anos 

de 2002 e 2003, quando se deram a eleição e o início do primeiro governo Lula. Essas mudan

ças produziram uma transformação estrutural das mais significativas na sociedade brasileira. 

Um grande contingente de pessoas até então excluídas do acesso a itens básicos de consumo e 

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 lazer passou a tê-lo, adentrando assim um âmbito social antes restrito a parcelas amplamente 

minoritárias da população. Nos termos de Arretche (2018), incluíam-se os outsiders da socie

dade brasileira.

 Tal inclusão não se deu sem que houvesse reações. Foi negativa a percepção de parce

las significativas dos setores mais bem aquinhoados da população brasileira, que não só viram 

tornar-se mais custosos certos bens e serviços que os distinguiam dos demais (como o serviço 

das empregadas domésticas), como ainda puderam perceber que seus espaços antes exclusivos 

passavam a ser ocupados também por segmentos antes ausentes – o que alguns chamaram de 

“efeito aeroporto”, com o acesso dos mais pobres às viagens aéreas, antes restritas às parcelas 

mais ricas da população (Pinto, 2014). Isso se refletiu na percepção negativa de contingentes 

significativos acerca dos governos petistas e seu partido (Aquino, 2020; Couto, 2013).

 Figura 1. Desigualdade de renda no Brasil

 Fonte: IPEADATA/IBGE.

 Tal mudança produziu uma perda de distinção social que abriu caminho para o avanço 

de um discurso populista voltado não exatamente aos eternos perdedores, mas aos novos, àque

les que viram fragilizar-se sua condição historicamente privilegiada e diferenciadora, definidora 

secular material e simbólica das bases desiguais da sociedade brasileira.

 Nos países ricos, o discurso populista da extrema-direita atingiu os perdedores de uma eco

nomia industrial cuja base de emprego se transformava, destruindo postos de trabalho antes 

seguros (como no rust belt americano, que, em vez de dar a vitória ao Partido Democrata, como 

de costume, ajudou a eleger Donald Trump em 2016); já no Brasil, foram os segmentos mais 

afluentes aqueles a se ressentir de sua perda, menos por terem decaído e mais porque os de 

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 baixo, ascendendo, deles se aproximaram. Assim, criou-se campo fértil para um curioso popu

lismo, vigoroso entre os de cima. Só que não apenas para eles.

 Entre os setores emergentes e a população de mais baixa renda, principais beneficiários 

da redistribuição de riqueza e das políticas sociais, ainda permaneciam questões não resolvidas. 

A primeira se dava fora das questões meramente econômicas, nas pautas moral e de costumes. 

Os governos petistas eram associados não apenas às políticas econômicas e sociais, mas também 

a uma pauta de costumes em dissonância com as perspectivas mais conservadoras de grande 

parte dos brasileiros das classes mais baixas, em especial aqueles de fé evangélica, particular

mente refratários à agenda identitária de esquerda e de direitos de gênero. Produzia-se entre 

esses brasileiros um terreno fértil para a disseminação de um ideário não apenas conservador, 

mas reacionário (Gracino et al., 2021).

 Figura 2. Pobreza no Brasil

 Taxa de Pobreza (1985-2014)

 Fonte: IPEADATA/IBGE.

 Ainda no âmbito moral, o antipetismo foi alimentado por anos a fio em decorrência de 

seguidos escândalos de corrupção que afetaram os governos do partido. Ainda durante os anos 

de Lula, o chamado “mensalão”. Depois de findos seus dois mandatos, já com sua sucessora, 

Dilma Rousseff, o chamado “petrolão”, deflagrado com as revelações e o estardalhaço midiá

tico da Operação Lava Jato. Assim, se, para os mais afeitos ao conservadorismo religioso, o PT 

passou a ser associado à devassidão dos comportamentos da vida privada, aos mais chegados ao 

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 conservadorismo social, a pecha da corrupção petista operou como um pretexto bem mais con

veniente do que a crítica às políticas de redução das desigualdades de classe. Não era mais o 

caso de atacar o Bolsa Família, o alto custo das empregadas domésticas ou a presença de “gente 

diferenciada” em shoppings de luxo, hotéis e aeroportos (Psicóloga nega ter dito que Metrô 

atrai “mendigos, gente diferenciada”, 2011). Bastava apontar o dedo para a corrupção petista 

(supostamente a maior de todas) e, com isso, rechaçar o partido e seus governos de consciên

cia limpa. Afinal, quem não seria contra a corrupção?

 Ademais, a perda de dinamismo da economia durante os anos de Dilma Rousseff também 

foi um fator crucial para a debacle petista, aguçando a insatisfação popular e motivando a ida 

massiva às ruas a partir de junho de 2013. Comandados por jovens de esquerda do Movimento 

Passe Livre (MPL), protestos contra o custo dos transportes rapidamente deram espaço a mani

festações multitudinárias sem foco definido, em que se protestava basicamente contra tudo, 

da corrupção à qualidade dos serviços públicos e à realização da Copa do Mundo no Brasil, 

bem como contra o sistema político estabelecido – com especial atenção aos partidos políticos. 

Repetiam-se situações em que, diante da aparição de militantes partidários nas marchas, por

tando suas bandeiras e emblemas, populares bradavam: “Sem partido!” e “Abaixa a bandeira!” 

(Pacheco, 2022).

 Notável naquele movimento foi a presença de grandes faixas amarelas em que se pro

clamava: “Meu partido é meu país” (Machado, 2023). Em pouco tempo, elas deram lugar a 

camisetas, igualmente amarelas, com a consigna levemente alterada: “Meu partido é o Brasil”. 

Essa indumentária celebrizou-se ao ser envergada em aparições públicas por Jair Bolsonaro 

e seus filhos. O rechaço aos partidos políticos, seja por brados, seja por letreiros, deslindava o 

animus daquelas jornadas: contra o sistema político e suas instituições, como se uma nação 

mobilizada espontaneamente se bastasse a si mesma e fosse mais autêntica, dispensando estru

turas organizacionais hierárquicas e oligarquizadas como soem ser as representativas, partidárias 

e sindicais. Esse paradoxal ativismo político antipolítico (Avritzer, 2020) de negação da política 

profissional e seu principal instrumento (os partidos), bem como das mediações institucionais 

da democracia liberal, abria espaço para o avanço do populismo. Associado ao antipetismo e 

marcado pelo conservadorismo (senão reacionarismo), esse ativismo oferecia terreno fértil para 

o populismo de extrema-direita.

 Uma primeira amostra desse espírito do tempo deu-se nas eleições municipais de 2016, 

mesmo ano do impeachment de Dilma Rousseff e da eleição, nos EUA, de Donald Trump. 

Além da retumbante derrota do PT e da esquerda como um todo (à exceção do PC do B, 

com bom desempenho no Maranhão do então governador Flávio Dino), surgiram outsiders 

que se apresentavam como não políticos. Na cidade de São Paulo, o empresário promoter de 

eventos João Dória Junior elegeu-se já no primeiro turno sob o lema “não sou político, sou 

gestor” (Dória, 2016). Em Belo Horizonte, o também empresário e dirigente de futebol Ale

xandre Kalil usou slogan de sentido similar: “Chega de político, é hora de Kalil” (Mendonça, 

2016). Se reais outsiders tinham campo para avançar eleitoralmente num ambiente hostil 

aos políticos tradicionais do establishment, por que não pretensos outsiders que fossem ainda 

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 mais capazes de encampar um discurso antissistema? Ia-se desenhando um cenário bastante 

favorável às pretensões eleitorais do antes improvável candidato presidencial Jair Bolsonaro.

 A LIDERANÇA ANTISSISTEMA E O POPULISMO RELIGIOSO DE JAIR 

BOLSONARO

 A categoria de outsider é inadequada para definir o tipo de político que era o então deputado 

Jair Bolsonaro. Afinal, tratava-se de um longevo parlamentar de oito mandatos consecutivos (um, 

parcial, como vereador e sete como deputado) e com todos os seus três filhos adultos também 

seguindo a carreira política como parlamentares nos níveis municipal, estadual e federal, confi

gurando um bem-sucedido empreendimento político familiar. O mais jovem dos três, Eduardo, 

para evitar concorrer com o pai em seu reduto, o Rio de Janeiro, mudou o domicílio eleitoral 

para São Paulo, elegendo-se deputado federal em 2014. O mais velho, Flávio, estava já em seu 

quarto mandato seguido como deputado estadual no Rio de Janeiro e concorreria ao senado 

em 2018, após ter sido derrotado como candidato a prefeito do Rio em 2016. E o filho do meio, 

Carlos, já era vereador no Rio de Janeiro por cinco mandatos consecutivos.

 Porém, se outsider não define adequadamente Bolsonaro, ele pode ser mais bem des

crito como um político marginal. Ao longo de seus sete mandatos na Câmara dos Deputados, 

jamais teve posição institucional de destaque, notabilizando-se antes por seu comportamento 

extravagante, suas declarações ultrajantes e sua presença constante na mídia, em especial a 

de entretenimento, que o tratava como uma atração de circo de horrores. Sua marginalidade 

institucional fica clara quando se considera que, durante esse extenso período de atividade 

parlamentar, Bolsonaro jamais teve um lugar na mesa diretora da Casa, nunca presidiu uma 

comissão permanente, nenhuma vez liderou a bancada de seu partido nem relatou projetos 

de lei importantes. Embora sempre integrando partidos de adesão, nunca atuou disciplinada

mente como um apoiador dos governos integrados por seus partidos; antes, operava como uma 

espécie de maverick, seguindo sua própria agenda, voltada à defesa dos interesses corporativos 

de policiais e militares e a bradar bazófias extremistas de direita.

 Uma coisa não se pode negar, contudo. Jair Bolsonaro de fato era (e é) um político antis

sistema. Entenda-se com isso sua explícita aversão ao próprio regime democrático e ao Estado 

de Direito, verbalizada inúmeras vezes na apologia à ditadura militar, ao golpismo, à tortura, 

à violência policial, à eliminação física de adversários, à intolerância, ao antipluralismo e ao 

desrespeito às leis. Foi esse seu destemor em afrontar a civilidade democrática (ou seja, o “sis

tema”) que levou seus seguidores mais apaixonados a o alcunharem como “mito”.

 Num cenário de rechaço amplamente disseminado à atividade política profissional, aos 

partidos, às instituições representativas e à esquerda, o discurso ultrarradical contra todos esses 

“inimigos” tinha potencial para prosperar eleitoralmente – como de fato ocorreu. Isso, a despeito 

de Bolsonaro ser ele mesmo um político profissional de longa trajetória parlamentar e líder 

do vasto empreendimento político familiar acima referido. Suas marginalidade institucional e 

extremismo ideológico lhe conferiram a aparência de outsider, mesmo sem propriamente o ser. 

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 Durante sua campanha, e já no governo, ganhou corpo um discurso populista de forte 

coloração religiosa. Os dois principais bordões de campanha, repetidos à exaustão, continham 

elementos religiosos. Um dizia: “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”; o outro era uma 

passagem bíblica: “E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”, retirada do Evangelho 

de São João (8:32). Além de acenar ao eleitorado mais fortemente devoto, especialmente o 

evangélico, que optou massivamente por Bolsonaro nas urnas, associava-se também a naciona

lidade à religiosidade. Tal associação é um elemento forte do discurso bolsonarista.

 O populismo bolsonarista traz uma concepção excludente de povo. Coloca fora dele os não 

cristãos, sejam os declaradamente desprovidos da fé, sejam aqueles passíveis de serem enqua

drados nesse papel por seu comportamento ou suas ideias. Na medida em que o Brasil seria 

um “país cristão” e, portanto, os valores cristãos deveriam prevalecer sobre os demais (segundo 

a percepção restritiva de cristianismo adotada pelo bolsonarismo, a mais conservadora, senão 

reacionária), os que não se enquadrarem nisso deveriam ser excluídos da condição de povo e 

se submeter ao jugo da maioria. Ou seja, no discurso bolsonarista, a inclusão na nação exige o 

pertencimento a uma fé religiosa.

 Há, portanto, uma noção de povo excludente e de base essencialmente religiosa. Se 

noutros contextos, como na Europa e nos EUA, o populismo exclui um grupo religioso 

em particular (os muçulmanos), no Brasil de Bolsonaro a exclusão é mais genérica: os não 

cristãos segundo os critérios adotados pelo próprio bolsonarismo. Até por isso, há uma pos

sibilidade de conversão e, consequentemente, de inclusão na condição de povo: os que 

“aceitarem Jesus” e se comportarem segundo os princípios de tal aceitação: conservadores, 

intolerantes, crentes.

 Essa perspectiva ficou clara em diversas declarações dadas por Jair Bolsonaro, tanto durante 

a campanha eleitoral como já na vigência de seu governo. Num ato de campanha na Paraíba, 

em fevereiro de 2017, disse ele: “Deus acima de tudo. Não tem essa historinha de Estado laico 

não. O Estado é cristão e a minoria que for contra que se mude. As minorias têm que se curvar 

para as maiorias” (Agence France-Presse, 2018). Já no cargo de presidente, Bolsonaro diferen

ciou o Estado do governo, atenuando o discurso, mas manteve a profissão de fé: “O Estado é 

laico. Respeitamos a todos. Mas nosso governo é CRISTÃO” (“O Estado é laico, mas nosso 

governo é cristão”, diz Bolsonaro no Twitter, 2020). Porém, na campanha presidencial de 2022, 

o presidente-candidato voltou ao discurso radical de sujeição dos dissidentes: “Meu Deus do 

céu. Para onde nós iremos cedendo às minorias? As leis existem, no meu entender, para prote

ger as maiorias. As minorias têm que se adequar” (Behnke, 2022). 

Esse povo excludente do discurso populista bolsonarista não é uma peculiaridade sua. Ele 

está presente nos discursos populistas mundo afora. Mesmo nos casos europeus e americano, 

em que se estigmatizam os muçulmanos, afirma-se que a identidade cristã (europeia, ameri

cana) estaria sob ameaça islâmica. Nesses casos o muçulmano é também associado ao imigrante, 

cujo afluxo massivo ameaçaria desfigurar a própria cultura local.

 No caso brasileiro, a imigração não tem peso relevante, e o “inimigo” é interno, com

pondo-se dos não cristãos que integram a população (mas não o povo) e as elites corrompidas 

(embora o bolsonarismo jamais as defina exatamente como “elites”). Esses inimigos podem 

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 ser artistas, intelectuais, comunistas ou homossexuais, enfim, todo tipo de desajustados que 

cotidianamente desrespeitariam os valores majoritários e, assim, deveriam ser eliminados ou 

subjugados. Não há pluralismo num povo assim concebido. Nas palavras de Bolsonaro: “As 

minorias se adequam ou simplesmente desaparecem” (Abrucio et al., 2020).

 Que governo foi esse?

 O governo Bolsonaro não foi um governo normal. Por isso, para entendê-lo, não é possível uti

lizar os mesmos parâmetros usados para analisar governos em tempos normais da política. Nas 

conjunturas fluídas das transições de regime, a estrutura institucional ainda não está bem esta

belecida e, consequentemente, a análise institucional é precária (Couto, 1998). Algo similar 

ocorre nas crises políticas profundas, quando a estrutura política se fluidifica (Dobry, 2015). 

Quando há um governo extremista, que atua reiteradamente para erodir as instituições e, com 

elas, a própria democracia, a estrutura constitucional é continuamente desafiada e abalada. 

Perdem efetividade analítica os critérios normalmente usados para entender como as institui

ções operam e como as políticas públicas são formuladas, implementadas e avaliadas (inclusive 

pelo eleitorado), pois o governo não atua em conformidade com os parâmetros institucionais 

dados, mas busca subvertê-los.

 O ataque constante à institucionalidade democrática pelo Executivo obriga os demais 

atores institucionais a agir de maneira defensiva e com maior intensidade do que em tempos 

normais. Noutras palavras, no contexto de um governo extremista, as instituições operam sob 

estresse, sendo desafiadas no seu limite e obrigando seus dirigentes a assumir condutas mais 

radicais do que as que seriam adotadas sob condições usuais de operação. O abuso sistemático 

por parte do Executivo faz com que condutas que seriam prontamente percebidas como abusi

vas por parte dos outros poderes se tornem não apenas normais, mas talvez indispensáveis. Por 

isso, todo o sistema político democrático passa a funcionar de modo excepcional – seja por ini

ciativa de seus agressores, seja de seus defensores.

 É por isso que tanto se questiona se as instituições estão ou não funcionando na vigência 

de um governo com tais características. Trata-se de um problema mal posto: não é tanto o caso 

de as instituições estarem ou não funcionando, mas sob que condições tal funcionamento se 

dá. Tal qual um organismo vivo acometido por uma doença, que passa a operar sob estresse e 

produz reações orgânicas diferentes das usuais, a estrutura institucional também passa a fun

cionar fora do compasso regular, com alguns órgãos precisando compensar a insuficiência ou 

a disfuncionalidade de outros. Ao se observar a interação do Executivo bolsonarista com os 

demais poderes (em especial o Poder Judiciário) e com os governos subnacionais (Abrucio et 

al., 2020), tem-se uma demonstração de como tal fenômeno se dá.

 As reiteradas transgressões dos limites constitucionais, a tentativa de invadir competências 

alheias, a abdicação do papel coordenador da presidência em sua relação com o Congresso, as 

omissões repetidas quanto a atribuições governamentais, o assédio institucional e o desmantela

mento da burocracia pública (Cardoso et al., 2022) vão tornando caóticas as relações políticas. 

Tais violações fazem com que o sistema de justiça seja chamado a agir numa frequência e 

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 numa intensidade extraordinárias. Caso não o fizesse, permitiria que se dessem as condições 

para uma concentração de poder excessiva nas mãos do Executivo, que por si mesma já seria 

uma nova disfunção, bastante danosa ao funcionamento da democracia, senão capaz de a des

truir definitivamente. Porém, ao atuar como essa força de contenção, os atores judiciais caem 

numa armadilha circular: precisam agir mais porque mais provocados; ao agir mais, são acu

sados de invadir competências alheias; isso os leva a terem de se defender, o que suscita novas 

acusações de excessos judiciais e de parcialidade, numa espiral de radicalização.

 O governo-movimento

 Esse modus operandi do bolsonarismo no governo ocorre porque não se trata de um governo 

especialmente ocupado com a produção de políticas públicas – noutra faceta, talvez a princi

pal, de sua anormalidade. Em vez disso, o governo se ocupa de mobilizar constantemente a sua 

base militante e ativar seus apoiadores, instrumentalmente fundamentais em sua estratégia de 

ataque continuado aos outros poderes. A esse fenômeno me refiro como governo-movimento 

(Couto, 2021b).

 A característica de governo-movimento da gestão de Bolsonaro está relacionada exata

mente ao aspecto não mediado nem institucionalizado do populismo, nos termos postos pela 

perspectiva político-estratégica de populismo (Weyland, 2017, 2021a, 2021b). Em vez de atuar 

por intermédio das instituições e adaptando-se a elas, o governo populista procura sobrepor-se 

às instituições, minando-as e submetendo-as a suas próprias conveniências.

 Por isso mesmo, o bolsonarismo não só prescinde de partidos, mas opera mais efetiva

mente sem as limitações institucionais que a dinâmica partidária impõe. O movimentismo 

bolsonarista serve como lógica operativa não só da atuação no Executivo, mas também no 

Legislativo. Em sua trajetória de político marginal, Bolsonaro operou embrionariamente 

como esse líder de movimento, embora sua marginalidade e seu individualismo, durante 

três décadas, não lhe tenham possibilitado atuar como líder de qualquer movimento efe

tivo. Isso só se tornou possível a partir da crise institucional deflagrada nas jornadas de 

junho de 2013, quando começa a colapsar a base sobre a qual se assentou a democracia 

da Nova República.

 O ápice desse governo-movimento deu-se já após terminado o mandato presidencial, o que 

não é inesperado em se tratando de um governo com tais características. Na Intentona do 8 de 

Janeiro, militantes bolsonaristas, instados pelos reiterados ataques de seu líder à institucionali

dade democrática, investiram furiosamente contra as sedes dos três poderes em Brasília, após 

dois meses acampados à frente de quartéis, clamando por um golpe militar. Esse golpe não se 

daria apenas contra o vitorioso nas urnas, Lula, mas contra toda a estrutura institucional – em 

especial o Poder Judiciário. Não à toa, além da intenção de derrubar o candidato presidencial 

vitorioso e já empossado, o bolsonarismo também exigia que as Forças Armadas interviessem 

no Supremo Tribunal Federal (STF) e no TSE, removendo os magistrados percebidos como 

antagonistas do líder.

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 EXTREMISMO NO GOVERNO: INSTITUIÇÕES DEMOCRÁTICAS SOB 

ESTRESSE

 A análise usual da operação de instituições políticas poliárquicas tende a assumir como dado 

que os atores políticos relevantes atuem sem ter como objetivo o solapamento das próprias insti

tuições. Ou seja, as disputas dão-se dentro dos marcos constitucionais definidos, respeitando-se 

direitos fundamentais dos diversos atores e respeitando – minimamente que seja – as regras do 

jogo competitivo. Mesmo comportamentos contrários à legalidade (como a corrupção) não têm 

como objetivo suprimir a institucionalidade democrática, respeitando os limites da preserva

ção do regime. Noutros termos, nas poliarquias é de se esperar, por parte dos atores-chave, uma 

autocontenção que permita a preservação do jogo competitivo democrático.

 Uma situação limítrofe de atuação dentro dessa lógica de preservação da poliarquia é o 

“jogo duro constitucional” (constitutional hard-ball) ou, nos termos de Glezer (2020), “catimba 

constitucional” (Balkin, 2008; Tushnet, 2004). Nela, atores políticos, mais do que simplesmente 

transgredir as regras – seja literalmente, seja no espírito da lei –, atuam de modo a violar direitos 

políticos e civis de adversários, mas ainda sem ter como objetivo o solapamento da democra

cia em seu conjunto. Isto é, a violação das normas do Estado Democrático de Direito dá-se de 

maneira localizada e não sistêmica.

 Tal limite é ultrapassado, contudo, por quem busca deliberadamente uma ruptura do 

regime, seja estabelecendo uma autocracia plena, seja instituindo o que se tem denominado 

“democracias iliberais”. É esse o caso de populistas extremistas como Jair Bolsonaro.

 Como outros líderes nacionais de perfil similar no período recente, Bolsonaro não atuou 

declaradamente para romper a estrutura institucional democrática, o que poderia fazer por 

meio de um autogolpe ou da decretação de um Estado de Sítio ou de Emergência que esca

lasse mais rapidamente rumo à implantação de uma autocracia plena ou um regime iliberal. 

Em vez disso, agiu de modo a estressar continuamente a estrutura de freios e contrapesos, des

gastando outros atores institucionais, convertendo-os em inimigos políticos e produzindo um 

processo continuado de deslegitimação. Assim, tornou cada vez mais alto o custo de lhe impor 

freios e impedir ações suas voltadas ao desrespeito da institucionalidade democrática – mesmo 

quando perpetradas em nome de uma suposta defesa da ordem constitucional, ou, na peculiar 

linguagem política bolsonaresca, dentro das “quatro linhas da Constituição”.

 Entre 2019 e 2022, o estressamento da institucionalidade do Estado de Direito a fragilizou 

e gerou riscos sérios de desdemocratização no Brasil. A ruptura da democracia propriamente 

dita não ocorreu porque houve muita resistência institucional e social às investidas do então 

presidente, em especial por parte do Poder Judiciário, de governos subnacionais, de setores da 

imprensa e de organizações da sociedade civil.

 A Intentona do 8 de Janeiro foi apenas o ponto culminante e mais dramático desse pro

cesso de ataque à democracia, um ato desesperado de tentar obter numa última tentativa 

aquilo que não se logrou conquistar nos quatro anos anteriores. O fracasso dessa tentativa de 

golpe foi também resultado dessa continuada resistência, apesar do que as evidências pare

cem revelar como tentativas de sabotagem promovidas pelas próprias forças de segurança. 

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 Cláudio Gonçalves Couto

 E, assim como o golpismo bolsonarista se estendeu para além do final de seu mandato pre

sidencial, as medidas de resistência a ele também precisarão seguir ativas. A declaração da 

inelegibilidade de Jair Bolsonaro em 30 de junho foi apenas mais um passo nesse processo. 

Não poderá ser o último.

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 CONFLITOS DE INTERESSE

 O autor não tem conflitos de interesse a declarar.

 CONTRIBUIÇÃO DO AUTOR

 Cláudio Gonçalves CoJornal Estado de São Paulo.

E assim caminha a humanidade.

uto: Conceituação, curador

ia de dados, Redação – rascunho original; 

Redação – revisão e edição O artigo do autora  Marco Antônio Teixeira

             O então Jair Bolsonaro aprovou apenas dois projetos de lei durante os seus 27 anos de atuação como deputado federal no Congresso Nacional. Entre 1991 e 2018, ele exerceu sete mandatos consecutivos na Câmara dos Deputados e apresentou cerca de 170 propostas, mas a grande maioria não avançou para virar lei. Os projetos aprovadosAs duas únicas propostas de sua autoria que foram sancionadas foram:Prorrogação de benefícios fiscais: Uma proposta aprovada em 2002 que estendeu os incentivos fiscais da Lei de Informática para bens do setor de tecnologia industrial.Isenção de IPI para bens de informática: Um projeto de lei que garantiu a isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para equipamentos de informática e automação.Justificativas e contexto parlamentarA baixa taxa de aprovação de propostas é um fato documentado em sua trajetória política, e o próprio ex-parlamentar comentou sobre o assunto enquanto exercia o cargo: Foco na oposição: Bolsonaro justificava o número afirmando que sua principal função no Congresso era atuar no bloqueio de pautas da esquerda, declarando que mais importante que aprovar um projeto e evitar que um péssimo seja aprovado  Isolamento político: Ele também argumentava que sofria discriminação ideológica por ser um deputado de direita, o que reduzia o apoio dos colegas e dificultava a tramitação de suas matérias. Pautas corporativas: A maior parte de suas iniciativas era voltada para os interesses de militares e forças de segurança, sua base eleitoral histórica, deixando áreas como saúde e educação com poucas propostas apresentadas.O centrismo é um posicionamento político que se situa entre a esquerda e a direita no espectro político. Sua principal característica é a defesa de uma postura moderada e equilibrada, buscando conciliar ideias de diferentes ideologias para encontrar soluções práticas. Aqui estão os pontos fundamentais para entender o centrismo:Conciliação de Valores: Centristas buscam equilibrar a justiça social e a igualdade (frequentemente pautas de esquerda) com a liberdade individual e o crescimento econômico pró-mercado (pautas de direita).Pragmatismo: O foco tende a ser em resultados práticos e evidências, evitando o que consideram "extremismos" ou "pureza ideológica".Moderação: Defende-se a manutenção da ordem democrática e a realização de reformas graduais, em oposição a mudanças revolucionárias ou reacionárias bruscas.Variações:Centro-esquerda: Inclina-se levemente à esquerda, com maior foco em bem-estar social e intervenção estatal moderada.Centro-direita: Inclina-se à direita, priorizando o livre mercado e o conservadorismo liberal.Centrismo Radical: Defende mudanças significativas no sistema, mas de forma pragmática e não ideológica. No contexto brasileiro, é comum a confusão entre o centrismo ideológico e o "Centrão". Enquanto o centrismo é uma filosofia de moderação, o "Centrão" refere-se a um bloco de partidos que se caracteriza mais pelo apoio ao governo vigente em troca de cargos e verbas do que por uma ideologia definida.                 Esses termos definem o espectro político com base em como diferentes grupos acreditam que a sociedade e a economia devem ser organizadas. Esquerda: Prioriza a igualdade social e a justiça coletiva. Geralmente defende uma maior intervenção do Estado na economia para garantir serviços públicos (como saúde e educação) e reduzir a desigualdade.Direita: Foca na liberdade individual, no livre mercado e na preservação de valores tradicionais. Tende a defender um Estado menor, com menos impostos e menos interferência na economia, acreditando que a competição gera crescimento.Centro: Busca um equilíbrio entre as duas visões. O centro politico ,tenta conciliar a eficiência do mercado com políticas de bem-estar social, adotando posturas moderadas e pragmáticasA familia Bolsonaro não tem utilidade na administração pública . Visando apenas seus próprios interesses . A moderação de Flávio Bolsonaro . Não passa de uma farsa  .Não existe bolsonarismo moderado . Mesmo que boa parte da imprensa corporativa tente vender isso em relação a Flávio Bolsonaro  .Confira a reportagem no UOL .https://noticias.uol.com.br/colunas/tiago-mali/2026/05/31/flavio-bolsonaro-teve-2-projetos-aprovados-no-senado-em-7-anos-de-mandato.htm.





                           .

E assim caminha a humanidade.

Imagem ; UOL 








 


sábado, 30 de maio de 2026

União Europeia .

 

A União Europeia (UE) foi oficialmente criada em 1992 com a assinatura do Tratado de Maastricht, mas a sua origem remonta ao final da Segunda Guerra Mundial, motivada pelo desejo de garantir a paz duradoura e a reconstrução econômica do continente devastado. 

As Origens e os Primeiros Passos (1944–1951)

Benelux (1944): Acordo aduaneiro pioneiro entre Bélgica, Luxemburgo e Países Baixos.


Declaração Schuman (1950): Proposta francesa de integração para gerenciar indústrias estratégicas de guerra.


CECA (1951): Criação da Comunidade Europeia do Carvão e do Aço pelos seis países fundadores.


Países Fundadores: Alemanha Ocidental, França, Itália, Bélgica, Países Baixos e Luxemburgo.


A Expansão Econômica (1957–1986)

Tratado de Roma (1957): Institui a Comunidade Económica Europeia (CEE) e cria o mercado comum.


Primeiros Alargamentos: Entrada do Reino Unido, Irlanda e Dinamarca na década de 1970.


Democratização do Sul: Adesão da Grécia (1981), seguida por Portugal e Espanha (1986).


Espaço Schengen (1985): Acordo que preparou a abolição dos controlos fronteiriços internos. 


O Nascimento da União Europeia e a Moeda Única (1992–2004) 

Tratado de Maastricht (1992): Transforma a CEE em União Europeia, englobando cidadania e política externa comum.


O Euro (1999/2002): Introdução da moeda única nos mercados financeiros e posterior circulação de notas e moedas.


Tratado de Nice (2001): Reformulação institucional para preparar a maior expansão da história do bloco. 


O Grande Alargamento e Desafios Modernos (2004–Presente)

Expansão para Leste (2004): Entrada de 10 novos países, a maioria ex-membros do bloco soviético.


Tratado de Lisboa (2007): Modernizou as regras operacionais e conferiu maior poder ao Parlamento Europeu.


O Brexit (2020): Saída oficial do Reino Unido da União Europeia, marcando a primeira redução de membros.


Composição Atual: O bloco conta hoje com 27 Estados-Membros e um mercado único consolidado. 


O funcionamento das instituições europeias baseia-se num "triângulo institucional" que detém o poder legislativo e executivo, complementado por órgãos políticos, jurídicos e financeiros. A dinâmica central baseia-se no princípio de que a Comissão Europeia propõe leis, enquanto o Parlamento Europeu e o Conselho da União Europeia as debatem, alteram e aprovam.

O papel de cada uma das sete principais instituições oficiais da União Europeia funciona de forma estruturada:

O Triângulo Legislativo e Executivo

Comissão Europeia: Órgão executivo independente que representa os interesses da União como um todo. Detém o monopólio da iniciativa legislativa, ou define os projetos de lei e garante a correta aplicação dos tratados e dos fundos comunitários. 


Parlamento Europeu: Órgão eleito por sufrágio direto a cada cinco anos pelos cidadãos da UE. Partilha o poder legislativo e orçamental com o Conselho da União Europeia e exerce a fiscalização política sobre as restantes instituições. 


Conselho da União Europeia: Também chamado de Conselho de Ministros, reúne os ministros de cada país membro conforme a pasta em debate (ex: finanças, ambiente). Partilha a aprovação final das leis e do orçamento com o Parlamento. 


Orientação Política e Controle

Conselho Europeu: Reunião de cúpula que junta os Chefes de Estado ou de Governo de todos os países membros. A sua função é estritamente política: define as orientações, prioridades gerais e a agenda estratégica da UE, mas não adota legislação. 


Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE): Garante que o direito comunitário é interpretado e aplicado da mesma forma em todos os Estados-membros. Garante o cumprimento da legalidade por parte dos governos e das instituições da União. 


Instituições Financeiras e de Auditoria

Banco Central Europeu (BCE): Gere o euro, mantém a estabilidade dos preços através da política monetária e supervisiona o sistema bancário dentro da Zona Euro. 


Tribunal de Contas Europeu: Controla a arrecadação e a correta utilização dos dinheiros públicos da União Europeia, auditando as contas de qualquer pessoa ou organização que faça a gestão de fundos comunitários


O processo legislativo ordinário é o procedimento padrão utilizado para aprovar a grande maioria das leis da União Europeia (cerca de 85% das áreas políticas), baseando-se no princípio da codecisão. Nele, o Parlamento Europeu (que representa os cidadãos) e o Conselho da União Europeia (que representa os governos dos Estados-membros) possuem o mesmo peso e devem aprovar conjuntamente o texto legal proposto pela Comissão Europeia

O Fluxo do Processo Legislativo

O processo pode envolver até três leituras caso as instituições não cheguem a um acordo imediato: 

Regras de Votação na UE

A aprovação de uma lei depende de votações separadas em cada uma das instituições colegisladoras: 

1. No Parlamento Europeu

A regra geral exige a maioria simples (maioria dos votos expressos). Contudo, em fases mais avançadas (como na segunda leitura), exige-se a maioria absoluta de todos os eurodeputados eleitos para aprovar ou rejeitar alterações. 

2. No Conselho da União Europeia

O Conselho adota o sistema padrão de Maioria Qualificada, conhecido como a regra da "dupla maioria". Uma proposta da Comissão só é aprovada se cumprir simultaneamente dois requisitos: 

55% dos Estados-membros votarem a favor (o que representa pelo menos 15 dos 27 países atuais).


Os países que votaram a favor representarem, no mínimo, 65% da população total da União Europeia. 


Para evitar abusos ou aprovações forçadas por países populosos, existe a minoria de bloqueio. Um grupo de países pode vetar a decisão se for composto por, pelo menos, 4 membros do Conselho que somem mais de 35% da população da UE. 

Confira abaixo . O artigo do Portal do Conselho da União Europeia


O processo legislativo ordinário

A maioria dos atos legislativos da UE é adotada conjuntamente pelo Conselho da União Europeia e pelo Parlamento Europeu. É o chamado processo legislativo ordinári


Em que consiste o processo legislativo ordinário?

O processo legislativo ordinário é o processo mais comummente utilizado para adotar legislação a nível da UE e aplica-se à vasta maioria dos domínios de atuação da UE.

O Conselho da UE e o Parlamento Europeu negoceiam e adotam conjuntamente a legislação da UE. São, portanto, colegisladores.

Como é que as propostas passam a ser legislação da UE?

cerca de

95 %

da legislação da UE

é adotada no âmbito do processo legislativo ordinário

O processo legislativo ordinário passo a passo

1

Proposta

A Comissão Europeia propõe um novo ato legislativo da UE ao Conselho e ao Parlamento.


2

Análise (leitura)

O Conselho e o Parlamento analisam a proposta e podem alterá-la. A essa análise chama-se leitura. O processo pode envolver até três leituras.


3

Adoção

O ato legislativo é adotado se o Conselho e o Parlamento chegarem a acordo sobre o mesmo texto em qualquer uma das leituras. Se não existir acordo, a legislação não é adotada.


Mais de 85 % dos atos legislativos no âmbito do processo legislativo ordinário são adotados no final da primeira leitura ou no início da segunda.

Proposta legislativa

Cabe à Comissão Europeia propor novos atos legislativos da UE. É o chamado direito de iniciativa. Os trabalhos que desenvolve são norteados pelas prioridades políticas acordadas pelo Conselho Europeu e definidas no programa de trabalho da Comissão.

A Comissão Europeia envia a sua proposta legislativa ao Conselho e ao Parlamento Europeu.

Simultaneamente, encaminha-a para os parlamentos nacionais para análise. Em determinados casos, a proposta é ainda enviada para outras instituições e organismos da UE, tais como o Comité Económico e Social Europeu e o Comité das Regiões, para que estes deem o seu parecer.

O Conselho pode apresentar propostas legislativas?

Embora seja a Comissão a elaborar habitualmente as propostas legislativas por iniciativa própria, o Conselho, o Parlamento ou os cidadãos da UE (por meio de uma iniciativa de cidadania europeia) também podem solicitar à Comissão que apresente uma proposta legislativa. A Comissão decide então se deve ou não agir e, em qualquer caso, terá de justificar a sua decisão.

Existem apenas algumas exceções ao direito de iniciativa da Comissão. Por exemplo, em determinados domínios de cooperação judiciária, os Estados-Membros da UE podem apresentar uma proposta legislativa se esta for apoiada por, pelo menos, um quarto de todos os Estados-Membros.

Análise da proposta

Após terem recebido a proposta, o Conselho e o Parlamento analisam-na em pormenor.

No Conselho, participam duas instâncias preparatórias em cada leitura:

Um grupo de trabalho, composto por peritos nacionais, debate os aspetos técnicos da proposta


O Coreper (o Comité de Representantes Permanentes, composto por embaixadores dos Estados-Membros junto da UE) analisa questões mais sensíveis ou políticas


Por intermédio das instâncias preparatórias, o Conselho procura definir uma posição comum sobre a proposta, acordada entre todos os Estados-Membros.

O Parlamento Europeu prepara a sua posição através de debates nas comissões competentes.

Primeira leitura

O Parlamento Europeu adota a sua posição em primeira leitura, aceitando ou alterando a proposta.

O Conselho examina a posição do Parlamento e pode:

aprová-la, e o ato é adotado


propor alterações, reenviando então o texto alterado ao Parlamento para segunda leitura


Prazo: a primeira leitura não tem prazo.

O Conselho pode ainda adotar uma orientação geral em que assuma uma posição política, o que permite ao Parlamento acompanhar a evolução dos debates no Conselho e poderá contribuir para o avanço das negociações. Habitualmente, esse passo tem lugar antes de o Parlamento Europeu adotar a sua posição em primeira leitura. A orientação geral não se substitui, contudo, à posição formal do Conselho em primeira leitura.

Os documentos com as orientações gerais, quando tornados públicos, ficam disponíveis para consulta no registo de documentos oficiais do Conselho.


Segunda leitura

Se não se chegar a acordo em primeira leitura, tanto o Parlamento como o Conselho continuam a analisar reciprocamente as respetivas posições.

Em primeiro lugar, o Parlamento examina a posição do Conselho em primeira leitura e pode:

aprová-la ­– o ato é adotado


rejeitá-la – o ato não é adotado e o processo termina


propor alterações – o texto alterado é reenviado ao Conselho


O Conselho examina as alterações do Parlamento e pode:

aprovar todas as alterações – o ato é adotado


não aprovar todas as alterações – é convocado um Comité de Conciliação


Prazo: três meses para cada instituição, passível de prorrogação por um mês.

Negociação de compromissos através de trílogos

Em qualquer fase do processo, o Conselho e o Parlamento podem realizar reuniões informais, conhecidas como trílogos, a fim de tentar aproximar as suas posições.

As reuniões dos trílogos contam com a participação de representantes do Conselho, do Parlamento e da Comissão. Podem tratar-se de todo o tipo de reuniões, desde debates técnicos entre peritos a negociações políticas entre embaixadores ou ministros e deputados ao Parlamento Europeu. No que respeita ao Conselho, os representantes do país que exerce a Presidência rotativa do Conselho dirigem as negociações.

Qualquer acordo informal alcançado no âmbito de um trílogo terá de ser formalmente aprovado por cada uma das instituições.

Evolução do processo

A adoção conjunta de legislação da UE pelo Conselho e pelo Parlamento foi instituída pelo Tratado de Maastricht (1993) sob a designação de processo de codecisão. Inicialmente, aplicava-se apenas a um número limitado de domínios, como o mercado único, a imigração, a política social e o ambiente.

Posteriormente, o seu âmbito de aplicação foi alargado:

pelo Tratado de Amesterdão (1999) e pelo Tratado de Nice (2003), que fizeram com que passasse a abranger outros domínios de atuação


pelo Tratado de Lisboa (2009), que o consagrou como o principal processo de decisão para a maior parte da legislação da UE, passando a designar-se processo legislativo ordinário


Base jurídica

O processo legislativo ordinário encontra-se definido dos artigos 289.º e 294.º do Tratado sobre o Funcionamento da União Europeia


quase

5 000

atos legislativos da UE

foram adotados no âmbito do processo legislativo ordinário entre 1994 e 2025


Última revisão: 27 de fevereiro de 2026
O artigo no Portal do Conselho da União Europeia
                

Confira abaixo o outro artigo no Portal de Conselho da União Europeia .
Maioria qualificada

A votação por maioria qualificada, com base na regra da «dupla maioria», é o principal método utilizado pelo Conselho da União Europeia para adotar legislação da UE.


O método de votação mais utilizado no Conselho

A votação por maioria qualificada é o método mais frequentemente utilizado no Conselho e é desta forma que cerca de 80 % do total da legislação da UE é adotada.

Tal deve-se ao facto de a maioria qualificada ser o método que se aplica quando o Conselho toma decisões no âmbito do processo legislativo ordinário – o processo de decisão privilegiado para a adoção de legislação da UE.

Quando se alcança uma maioria qualificada no Conselho, um ato legislativo da UE é adotado.

Quando é alcançada a maioria qualificada?

A maioria qualificada é alcançada se estiverem reunidas simultaneamente duas condições:

pelo menos 55 % dos Estados-Membros votam a favor (15 dos 27)


esses Estados-Membros representam pelo menos 65 % do total da população da UE


Este processo é também conhecido por regra da «dupla maioria».

55 %

dos Estados-Membros da UE

65 %

da população da UE

Minoria de bloqueio

A minoria de bloqueio deve incluir pelo menos quatro Estados-Membros. Se o número de países que votam contra for inferior a quatro, considera-se alcançada a maioria qualificada.

Por exemplo, se todos os Estados-Membros, com exceção de três, votarem a favor da adoção de um ato legislativo, considera-se alcançada a maioria qualificada, mesmo que os 24 Estados-Membros que votaram a favor representem menos de 65 % do total da população da UE.

Por outras palavras, quando menos de quatro membros do Conselho votam contra, o critério da percentagem da população torna-se irrelevante para determinar a maioria qualificada.

Abstenção

Na votação por maioria qualificada, a abstenção conta como voto contra e, por conseguinte, contribui para a minoria (de bloqueio).

A abstenção não é equiparada à não participação na votação. Qualquer membro pode abster-se em qualquer momento.

Maioria qualificada reforçada

O sistema de maioria qualificada reforçada aplica-se quando o Conselho vota uma proposta que não é apresentada pela Comissão Europeia nem pelo alto representante da União Europeia.

A maioria qualificada reforçada é alcançada se estiverem reunidas simultaneamente duas condições:

pelo menos 72 % dos Estados-Membros votam a favor (pelo menos, 20 dos 27)


os Estados-Membros que apoiam a proposta representam, pelo menos, 65 % da população da UE


Casos especiais

Nos casos em que nem todos os Estados-Membros participam na votação, por exemplo devido a uma opção de não participação em determinados domínios de ação (tal como o euro ou Schengen), aplicam-se regras de votação específicas.Essas regras dependem da natureza da proposta.

Se a proposta for apresentada pela Comissão ou pelo alto representante, é alcançada uma decisão por maioria qualificada se votarem a favor 55 % dos Estados-Membros participantes, que representem, no mínimo, 65 % da população dos Estados-Membros participantes. Neste caso, uma minoria de bloqueio tem de incluir, pelo menos, o número mínimo de Estados-Membros que representem mais de 35 % da população da UE, mais um outro Estado-Membro.

Se a proposta não for apresentada pela Comissão nem pelo alto representante, é adotada uma decisão por maioria qualificada reforçada se votarem a favor 72 % dos Estados-Membros participantes, que representem, no mínimo, 65 % da população dos Estados-Membros participantes.

Calculadora de votos

A calculadora de votos ajuda a perceber se o Conselho conseguirá alcançar um dos três limiares de votação necessários para adotar um ato legislativo.


O papel do Conselho no processo de decisão da UE

Última revisão: 23 de fevereiro de 2026


Sobre este sítio

Este é o sítio Web oficial do Conselho da UE e do Conselho Europeu. É gerido pelo Secretariado-Geral do Conselho, responsável por prestar assistência ao Conselho Europeu e ao Conselho da UE. O artigo no Portal de Conselho da União Europeia .

A resistência da União Europeia (UE) à entrada de novos membros vai além de manter riqueza e poder, envolvendo complexas barreiras institucionais, econômicas e jurídicas.

Desafios de Governança

Poder de veto: Decisões cruciais exigem unanimidade entre os Estados-membros.


Paralisia política: Mais países aumentam o risco de bloqueios institucionais.


Reforma interna: A UE precisa reformar suas próprias regras antes de expandir. 


Impacto Econômico e Orçamentário

Fundos de coesão: Candidatos atuais possuem PIB per capita muito baixo.


Redistribuição de recursos: Membros atuais virariam contribuintes líquidos em vez de beneficiários.


Políticas agrícolas: O orçamento da Política Agrícola Comum (PAC) seria pressionado.


Critérios de Copenhague

Estabilidade democrática: Exigência de instituições sólidas e Estado de Direito.


Economia de mercado: Necessidade de aguentar a pressão competitiva interna da UE.


Alinhamento legal: Obrigação de adotar milhares de páginas de leis europeias.

Confira a notícia no Portal G1 da Rede Globo .
https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/05/30/a-uniao-europeia-esta-preparada-para-receber-novos-paises-membros.ghtml. E assim caminha a humanidade  Imagem do Portal G1 da Rede Globo .