domingo, 6 de setembro de 2026

Fica um feedback . A se pensar na grande mídia .

 O capitalismo é um sistema econômico e social baseado no direito à propriedade privada, no lucro e na acumulação de capital.


A palavra capital vem do latim capitale e significa "cabeça", no qual faz alusão às cabeças de gado, ou seja, uma das medidas de riqueza nos tempos antigos.


Atualmente, capital está relacionado diretamente com o dinheiro ou crédito.


Também conhecido como economia de mercado, o capitalismo opera através das leis da livre iniciativa, da livre concorrência e das leis da oferta e da procura.


Ele surgiu no século XV, na passagem da Idade Média para a Idade Moderna, a partir da decadência do sistema feudal e do nascimento de uma nova classe social, a burguesia.


O sistema capitalista se consolidou a partir das revoluções burguesas ocorridas nos séculos 17 e 18 e, da Revolução Industrial, que instituiu um novo modo de produção

Capitalismo Comercial

O pré-capitalismo ou capitalismo comercial, chamado também de mercantilismo, vigorou dos séculos XV ao XVIII.

Nesta época, a Europa passa pela transição do feudalismo para o capitalismo. A terra deixa de estar associada diretamente ao poder e se torna um bem, podendo ser vendido como qualquer mercadoria.

Assim, o intuito principal do capitalismo comercial estava no acúmulo de capital através do comércio, da balança comercial favorável (vender mais do que consome) e da conquista de colônias.

Capitalismo Industrial

O Capitalismo Industrial ou Industrialismo surgiu com a Revolução Industrial no século XVIII, a partir da transformação do sistema de produção.

Nesse caso, houve a mudança no modo de fabricar produtos manufaturados. Antes, cada produto era feito de maneira artesanal, em pequenas quantidades. Nesse modo, a demanda era anterior à produção.

Com o surgimento do motor a vapor e de máquinas mais elaboradas, passa-se para grandes escalas de produção. A oferta dos produtos passa a ser anterior à demanda, cresce a necessidade de criar um mercado consumidor.

Desta maneira, o Capitalismo Industrial enfoca no desenvolvimento do sistema fabril de produção. Este vai necessitar mais mão de obra e desta maneira surge a classe operária.

Desta maneira, o Capitalismo Industrial enfoca no desenvolvimento do sistema fabril de produção. Este vai necessitar mais mão de obra e desta maneira surge a classe operária.

Capitalismo Financeiro ou Monopolista

Por fim, o capitalismo financeiro, iniciado no século 20 , consolidado com a Primeira Guerra Mundial, e dura até hoje.

Por fim, o capitalismo financeiro, iniciado no século XX, consolidado com a Primeira Guerra Mundial, vigora até os dias atuais.

O capitalismo financeiro  se encontra  nas leis dos bancos, das empresas e das grandes corporações por meio do monopólio industrial e financeiro.

A  terceira fase do capitalismo se consolida  como Capitalismo Monopolista Financeiro.Cabe dizer  que as indústrias e os comércios ainda lucram, porém, são controlados pelo poderio econômico dos bancos e demais instituições financeiras.

Pouquissimas  grandes empresas passaram a dominar o mercado, principalmente através de  cartéis.

A EXPLORAÇÃO DO TRABALHO NO MODO DE PRODUÇÃO CAPITALISTA 

Priscila de Morais Rufino1 

Universidade Federal de Alagoas 

priscilamoraispg@hotmail.com 

GT 7: TRABALHO, FLEXIBILIZAÇÃO E PRECARIZAÇÃO 

RESUMO 

Esse trabalho faz uma breve análise dos elementos centrais e geradores da exploração do 

trabalho no modo de produção capitalista, para isso, fez-se necessário recorrer ao 

desenvolvimento sócio-histórico desse modo de produção, buscando assim, identificar as 

causas da exploração em seu interior. Desse modo, partimos do processo de consolidação 

desse sistema, a fim de apreendermos suas relações de produção que repousam sobre 

contradições. 

PALAVRA- CHAVE: Trabalho, Exploração do Trabalho e Modo de Produção Capitalista. 

INTRODUÇÃO 

Este texto tem como objetivo tecer algumas considerações sobre a exploração do 

trabalho no modo de produção capitalista, fazendo um breve levantamento acerca de seu 

fundamento histórico e suas dimensões, articulando-as com os princípios da sociabilidade 

capitalista, sob o olhar da direção teórica marxiana.  

A realização desse estudo se deu através de pesquisa de caráter bibliográfica. A 

exposição do trabalho está estruturada em três seções. Para discussão inicial, referente ao 

processo de exploração no modo de produção capitalista, recorremos às obras de Marx 

1Mestranda em Serviço Social pela Universidade Federal de Alagoas. Integrante do Grupo de Pesquisa Sobre 

Reprodução Social – Universidade Federal de Alagoas. 

(1984), (1988) e (1996), Huberman (1986) e Braz e Netto (2006). Na segunda parte deste 

estudo, intitulada: trabalho e trabalho abstrato – uma distinção ontológica, utilizamos os 

escritos de Marx (1996) e Lessa (2011) e (2016). No terceiro item desse trabalho, tratamos 

acerca da produção capitalista, fundamentalmente, produção de mais-valia, fazendo uso, mais 

uma vez da obra de Marx (1996). 

1. O PROCESSO DE EXPLORAÇÃO NO MODO DE PRODUÇÃO CAPITALISTA  

Segundo Marx (1984), no final do século XV e nas primeiras décadas do século 

seguinte, tem início o processo que criou a base do modo de produção capitalista. “[...] Uma 

massa de proletários livre como pássaros foi lançada no mercado de trabalho pela dissolução 

dos séquitos feudais [...]” (MARX, 1984, p.264). Ainda nas palavras do autor: “A 

expropriação da base fundiária do produtor rural, do camponês, forma a base de todo 

processo” (MARX, 1984, p.263).  

Nessa perspectiva, evidencia-se a dominação do trabalhador pelo capital, quando este 

deixou de ser servo ou dependente de outra pessoa, tornando-se livre vendedor de sua força de 

trabalho, podendo assim, levar sua mercadoria (força de trabalho), a qualquer local que 

houvesse mercado disponível para vendê-la. “[...] esses recém-libertos só se tornam 

vendedores de si mesmos depois que todos os seus meios de produção e todas as garantias de 

sua existência, oferecidas pelas velhas instituições feudais, lhe foram roubadas [...]” (MARX, 

1984, p.262).  

Desse modo, evidencia-se que ao modo de produção capitalista é imprescindível à 

existência do trabalhador totalmente desprovido dos meios de vida essenciais para a sua 

reprodução, isto é, o trabalhador deve ser necessariamente proprietário apenas de si mesmo, 

de modo que para sobreviver este trabalhador se encontre na obrigação de vender sua força de 

trabalho por um determinado período de tempo em troca de um salário.   

A relação-capital pressupõe a separação entre os trabalhadores e a propriedade das 

condições da realização do trabalho. Tão logo a produção capitalista se apoie sobre seus 

próprios pés, não apenas conserva aquela separação, mas a reproduz em escala sempre 

crescente. Portanto, o processo que cria a relação-capital não pode ser outra coisa que o 

processo de separação de trabalhador da propriedade das condições de seu trabalho, um 

processo que transforma, por um lado, os meios de subsistência e de produção em capital, 

por outro, os produtores diretos em trabalhadores assalariados (MARX, 1984, p.262).  

Diante dessas condições, o processo de trabalho é submetido ao controle do capital. 

Na medida em que os trabalhadores do campo são expulsos da base fundiária, para sobreviver 

são obrigados a vender sua força de força de trabalho, tendo que se adequar as condições 

impostas na manufatura. No período da manufatura, o capital passa a introduzir na produção 

uma divisão do trabalho específica, ou seja, é introduzida a divisão capitalista no interior das 

unidades produtivas. De acordo com Braz e Netto (2006) essa divisão conduz à especialização 

das atividades, como também destrói os saberes de ofício que permitiam ao trabalhador o 

conhecimento técnico.  

Conforme Marx (1984) o período manufatureiro não leva reestruturação radical, isto é, 

na manufatura a utilização das máquinas não foi suficiente para transformar radicalmente as 

relações de produção. “[...] Somente a grande indústria fornece, com as máquinas mais 

sofisticadas, a base constante da agricultura capitalista, expropria radicalmente a imensa 

maioria do povo do campo e completa a separação entre a agricultura e a indústria rural 

doméstica [...]” (Idem, 1984, p. 284).  

No final do século XVIII, ocorre a intensificação do desenvolvimento das forças 

produtivas e a consolidação do capitalismo, enquanto modo de produção por meio do advento 

da Revolução Industrial. Assim, mediante a implementação de máquinas, ferramenta típica da 

grande indústria, o capital subordina (formal e realmente) o trabalho através do controle do 

processo de trabalho. Nesse contexto, o trabalhador torna-se apêndice das máquinas, 

aumentando assim, a sua desqualificação e o aprofundamento da divisão do trabalho.  

Desse modo, é importante salientar que com o desenvolvimento das forças produtivas, 

se reduz cada vez mais o tempo de trabalho necessário, e consequentemente amplia o tempo 

de trabalho excedente. “[...] Para prolongar o mais-trabalho reduz-se o trabalho necessário por 

meio de métodos pelos quais o equivalente do salário é produzido em menos tempo [...]” 

(MARX, 1984, p.106)  

Dessa forma, percebe-se que o trabalhador só pode criar tempo de trabalho necessário 

para sua subsistência à medida que produz tempo de trabalho excedente para o capital. 

Configura-se então, a tendência do capital, que é criar tempo disponível, e converter esse 

tempo disponível em mais trabalho, possibilitando o aumento da produtividade. É necessário 

ressaltar que esse aumento da produtividade não libera o trabalhador do trabalho, pelo 

contrário, amplia o trabalho excedente para o capital, o que significa que o desenvolvimento 

das forças produtivas implica no enriquecimento do capital e não dos indivíduos que 

trabalham.  

Nesse sentido, para Marx: “O ponto de partida do desenvolvimento que produziu tanto 

o trabalhador assalariado quanto o capitalista foi à servidão do trabalhador. A configuração 

consistiu numa mudança de forma dessa sujeição, na transformação da exploração feudal em 

capitalista [...]” (MARX, 1984, p.263). Com isso, é possível apreender que a sociedade 

capitalista, não aboliu as contradições de classe, pelo contrário, estabeleceu novas classes e 

novas condições de dominação e exploração. 

Com o advento das máquinas e do sistema fabril, segundo Huberman (1986), 

intensifica-se a divisão entre ricos e pobres. Desse modo, a minoria dos ricos se tornaram cada 

vez mais ricos, se apropriam tanto dos meios de produção, quanto da riqueza socialmente 

produzida, e os pobres, destituídos dos meios de produção, tornaram-se mais pobres, passando 

a viver em condições de pobreza generalizada.  

[...] A acumulação da riqueza num polo é, portanto, ao mesmo tempo, a acumulação da 

miséria, tormento de trabalho, escravidão, ignorância, brutalização e degradação moral no 

polo oposto, isto é, do lado da classe que produz seu próprio produto como capital. 

(MARX, 1988, p.201).  

Ainda conforme Marx (1988), a condenação de uma parte da classe trabalhadora ao 

ócio forçado, devido ao sobretrabalho de outra parte, consiste em uma das maneiras de 

enriquecer o capitalista, e, consequentemente, provocar a intensificação do exército industrial 

de reserva.  

Quanto maiores a riqueza social, o capital em funcionamento, o volume e a energia do seu 

crescimento, portanto também a grandeza absoluta do proletariado e a força produtiva de 

seu trabalho, tanto maior o exército industrial de reserva. A força de trabalho disponível é 

desenvolvida pelas mesmas causas que a força expansiva do capital. A grandeza 

proporcional do exército industrial de reserva cresce, portanto, com as potências da riqueza. 

E quanto maior, finalmente, a camada lazarenta da classe trabalhadora e o exército 

industrial de reserva, tanto maior o pauperismo oficial.   (MARX, 1988, p.200).  

O exército industrial de reserva é resultante e condição indispensável do processo de 

acumulação capitalista, ao mesmo tempo em que se produz a riqueza material, em mesma 

medida se produz a pobreza e consequentemente o exército industrial de reserva e vice versa. 

A existência desse exército é uma especificidade do modo de produção capitalista, surge no 

processo produtivo de suas bases materiais. É necessário frisar que o desemprego não é 

gestado pelo desenvolvimento das forças produtivas em si, mas sob o desenvolvimento das 

forças produtivas comandadas pela produção capitalista. 

A existência do exército industrial de reserva, como consequência do processo 

produtivo, cumpre determinadas funções; permite ao capitalista ter controle sobre os 

trabalhadores, por meio de sua fonte de subsistência, o salário. Desse modo, esse exército se 

constitui enquanto um poderoso instrumento de exploração da força de trabalho; essa 

população sobrante oferece ao capitalista um volume de força de trabalho que pode ser 

mobilizada a qualquer momento, ou seja, está à disposição das necessidades da acumulação. 

Desse modo, se o exercito industrial de reerva é resultante do modo de produção capitalista, 

torna-se indispensável à continuidade do mesmo. 

2. TRABALHO E TRABALHO ABSTRATO: UMA DISTINÇÃO ONTOLÓGICA  

Há uma diferença ontológica, ou seja, inconciliável entre as funções sociais do 

trabalho e do trabalho abstrato. Segundo Lessa (2016), o primeiro se expressa enquanto 

categoria fundante do mundo dos homens, condição necessária e eterna que antecede e supera 

o capital. Em Marx, o trabalho é:  

Um processo entre o homem e a Natureza, um processo em que o homem, por sua própria 

ação, media, regula e controla seu metabolismo com a Natureza. Ele mesmo se defronta 

com a matéria natural como uma força natural. Ele põe em movimento as forças naturais 

pertencentes a sua corporalidade, braços e pernas, cabeça e mão a fim de apropriar-se da 

matéria natural numa forma útil para sua própria vida. Ao atuar, por meio desse 

movimento, sobre a Natureza externa a ele e ao modificá-la, ele modifica, ao mesmo 

tempo, sua própria natureza. (MARX, 1996, p. 297). 

Dessa forma, Marx descreve o trabalho como pertencente exclusivamente ao homem. 

O trabalho abstrato, por sua vez, produtor de mais-valia, surge a partir do capital para atender 

a suas necessidades sociometabólicas de produção, acumulação e centralização. O trabalho 

abstrato, “corresponde à submissão dos homens ao mercado capitalista, forma social que nos 

transforma a todos em “coisas” (reificação) e articula nossas vidas pelo fetichismo da 

mercadoria.” (LESSA, 2016, p. 30).  

Segundo Lessa (2016), há uma clara distinção entre trabalho abstrato e trabalho: 

O trabalho abstrato é redução da capacidade produtiva humana a uma mercadoria, a força 

de trabalho, cujo preço é o salário. Todas as atividades humanas assalariadas são trabalho 

abstrato. O trabalho enquanto categoria fundante é o complexo que cumpre a função social 

de realizar o intercabio material do homem com a natureza, é o conjunto das relações 

sociais encarregado da reprodução da base material da sociedade. (LESSA, 2016, p. 32).  

Não é possível uma sociedade sem uma continua transformação da sociedade, logo, 

não é possível uma sociedade sem trabalho. No entanto como nos mostra a processualidade 

histórica, bem como a humanidade superou a sociedade primitiva e transitou pelas sociedades 

de classes, nas quais fundou-se o trabalho abstrato, por caminhos que só a causalidade 

histórica e os próprios homens podem estabelecer, por meio da síntese de suas ações 

individuais, o trabalho abstrato pode ser superado. “A superação do trabalho abstrato é uma 

possibilidade histórica, enquanto a superação do intercâmbio material com a natureza, a mais 

absoluta impossibilidade ontológica.” (LESSA, 2016, p. 35).  

Reduzir ou comparar o trabalho ao trabalho abstrato é um equivoco que segundo Lessa 

(2016), conduz a dois campos de possibilidades. 

Ou se converte a uma recaída a uma concepção idealista, que cancela o papel central da 

objetivação no desenvolvimento histórico dos homens, passando do campo marxiano para o 

hegelianismo ou o kantismo; ou então termina em uma concepção irracionalista que recusa 

a pergunta pelo fundamento último da existência social. Em qualquer dos casos, está 

sepultada a possibilidade da critica radical, revolucionária, do mundo em que vivemos. 

(LESSA, 2016, p. 34).  

Desse modo, haveria uma impossibilidade de critica objetivamente radical do mundo 

em que vivemos. 

No que se refere à distinção entre trabalho e trabalho abstrato, existem duas categorias 

no interior do trabalho abstrato: trabalho produtivo e improdutivo (de mais-valia), que se 

diferenciam pela função social indispensável que exercem na reprodução ampliada do capital. 

Ainda no interior dessas categorias, segundo Lessa (2016), há uma importante distinção 

ontológica entre elas “a primeira gera mais-valia e a segunda não o faz.” (LESSA, 2016, p. 

35).  

É importante frisar que na sociedade contemporânea, o trabalho abstrato e suas 

particularidades como o trabalho produtivo e improdutivo, podem na imediaticidade cotidiana 

(singular), coincidir de forma equivocada com o trabalho, enquanto intercâmbio material com 

a natureza. Para Lessa (216), isso ocorre devido a penetração do capital em praticamente 

todos os momentos da reprodução social, porém não há uma identidade concreta. Para o 

autor: 

[...] nem todo trabalho abstrato produtivo realiza o “intercâmbio material com a natureza”, 

sendo por isso indevida qualquer aproximação excessiva ou mesmo a identificação entre o 

trabalho produtivo e o trabalho enquanto categoria fundante do mundo dos homens. 

(LESSA, 2016, p. 35).  

Segundo Lessa (2011), a relação trabalho e trabalho abstrato diz respeito a essência do 

modo de produção capitalista, enquanto processo histórico do desenvolvimento da 

humanidade. Essa relação confirma de modo historicamente inédito, o trabalho enquanto 

categoria fundante, ainda que disfarçado pela alienação do trabalho abstrato, tenha sua função 

social usurpada pelo capital. “sem o trabalho proletário, nenhuma riqueza burguesa seria 

possível.” (LESSA, 2011, p. 195).  

3. A PRODUÇÃO CAPITALISTA: PRODUÇÃO DE MAIS-VALIA 

Em determinado momento do processo produtivo, os meios de produção não criam 

novos valores, apenas transferem o seu valor à mercadoria que está sendo produzida “o valor 

dos meios de produção conserva-se, portanto, pela sua transferência ao produto. Essa 

transferência ocorre durante a transformação dos meios de produção em produto, no processo 

de trabalho.” (MARX, 1996, p.316). 

Na sequência do processo produtivo, o capitalista compra outra mercadoria a ser 

empregada nesse processo, mercadoria esta, sem a qual os meios de produção seriam inúteis: 

a força de trabalho, que se estabelece enquanto mercadoria especial, por possuir a potência de 

criar mais valor no processo produtivo “[...] o trabalho, em uma condição, tem de gerar valor 

e em outra condição deve conservar ou transferir valor”. (MARX, 1996, p.317). 

Para o capitalista a força de trabalho é comprada com base nos mesmos critérios que 

as demais mercadorias, qual seja, a determinação do tempo de trabalho socialmente 

necessário para produzi - lá. Porém, é necessário salientar que o valor dos meios de produção 

enquanto mercadorias não variam no processo produtivo, o que ocorre com a força de 

trabalho. “O valor da força de trabalho e sua valorização no processo de trabalho são, 

portanto, duas grandezas distintas.” (MARX, 1996, p.311). 

No processo descrito a cima, o capitalista compra a força de trabalho pelo seu valor, 

mediante o pagamento de um salário que corresponde ao valor de sua reprodução. Ao realizar 

o ato formal de compra da força de trabalho, o capitalista tem o direito de dispor de seu valor 

de uso, inclusive de sua capacidade de criar valor. A força de trabalho ao ser utilizada produz 

mais valor que o necessário para reproduzir-se, esta gera um valor superior ao que custa. O 

capitalista compra a força de trabalho pelo valor de troca e se apropria do seu valor de uso, ou 

seja, o valor excedente criado pela força de trabalho em sua utilização. O capitalista, “quer 

produzir não só um valor de uso, mas uma mercadoria, não só valor de uso, mas valor e não 

só valor, mas também mais-valia.” (MARX, 1996, p.305).  Nesse sentido, para Marx: “A 

produção capitalista não é apenas produção de mercadoria, é essencialmente produção de 

mais-valia. O trabalhador produz não para si, mas para o capital.” (MARX, 1996, p.138). 

O que importa ao capitalista é o tempo de trabalho excedente, pois é nessa parte da 

jornada de trabalho que se produz o mais valor que o mesmo irá se apropriar. Sendo este o fim 

ultimo do capitalista, um modo de ampliar a produção do excedente é ampliando a jornada de 

trabalho, sem alterar o salário do trabalhador. Esse modo de ampliar a produção do excedente, 

a ser apropriado pelo capitalista se constitui como produção de mais valia absoluta. Outro 

modo de se ampliar a extração da mais-valia acontece por meio da redução do tempo de 

trabalho necessário e a intensificação do processo de trabalho, com essa alternativa, tem- se a 

mais-vaia relativa. 

“O prolongamento da jornada de trabalho além do ponto em que o trabalhador teria 

produzido apenas um equivalente pelo valor de sua força de trabalho, e a apropriação desse 

mais-trabalho pelo capital – isso é a produção de mais valia absoluta Ela constitui a base 

geral do sistema capitalista e o ponto de partida para a produção da mais-valia relativa. 

Com esta a jornada de trabalho está desde o principio dividida em duas partes: trabalho 

necessário e mais-trabalho. Para prolongar o mais trabalho reduz-se o trabalho necessário 

por meio de métodos pelos quais o equivalente do salário é produzido em menos tempo. A 

produção da mais-valia absoluta gira em torno da duração da jornada de trabalho; a 

produção da mais-valia relativa revoluciona de alto a baixo os processos técnicos do 

trabalho e os agrupamentos sociais.” (MARX, 1996, p.138). 

Essas duas formas de extração da mais-valia, não se excluem, ou seja, não há duas 

mais-valias diferentes, mas duas formas de apropriação do valor excedente produzido pelo 

trabalhador e usurpado pelo capitalista. Em ambas as formas o que está em evidência é a 

exploração da força de trabalho 

CONCLUSÕES 

O processo histórico nos mostra que o capitalismo funda suas bases no interior da 

sociedade feudal entre os séculos XIV e XV, mas é a partir do século XVI que tem início o 

que Marx chamou de era capitalista: “ ainda que os primeiros indícios da produção capitalista 

apresentem-se já, esporadicamente, em algumas cidades do Mediterrâneo durante os séculos 

XIV e XV, a era capitalista só data, em realidade, do século VXI.” (MAZZEO apud MARX, 

1998, p. 5 e 6).  

Em um primeiro momento de sua dominação pelos capitalistas, os trabalhadores 

executavam as suas operações sob a forma de cooperação e as técnicas produtivas eram 

controladas pelos mesmos, que ainda detinham o saber sobre seus ofícios. Nesse processo, os 

capitalistas detinham o controle formal sobre os trabalhadores o que Marx chama de 

subsunção formal do trabalho ao capital.  

Na segunda metade do século XVIII, o que alguns autores chamam de primeira 

revolução industrial, a manufatura entra em cena no processo histórico de dominação e 

exploração do capital contra o trabalho. Nesse sentido não se trata mais de reunir 

trabalhadores em determinados espaços físicos e fiscalizar o processo de trabalho, mas de 

especializar e dividir as suas atividades, desfazendo os saberes que este detinha sobre seu 

oficio. A divisão do trabalho veio para propiciar um enorme aumento da produtividade do 

trabalho, a subsunção real do trabalho ao capital. É nesse contexto que se instaura a grande 

indústria, a produção especificamente capitalista, na qual o capital subordina por inteiro o 

trabalho a suas necessidades.  

Desse modo, com a subsunção real do trabalho ao capital, este ultimo, encontra as 

melhores condições para incrementar a produção do excedente, a extração da mais-valia, 

advinda da exploração de uma classe sobre a outra, contradição fundante do modo de 

produção capitalista: a produção social da riqueza e sua apropriação individual.  

REFERÊNCIAS 

BRAZ, Marcelo; NETTO, José Paulo. Economia Política: uma introdução crítica. São 

Paulo: Cortez, 2006. 

HUBERMAN, Leo. História da Riqueza do Homem. 21ª Ed. Rio de Janeiro: LTC, 1986. 

LESSA, Sérgio. Mundo dos Homens: Trabalho na Ontologia de Lukács. 3ª Ed. Maceió: 

Coletivo Veredas, 2016. 

____________. Trabalho e Proletariado no Capitalismo Contemporâneo. 2ª Ed. São 

Paulo: Cortez, 2011. 

MAZZEO, Antônio Carlos. Burguesia e Capitalismo no Brasil. São Paulo: Ática, 1988.  

MARX, Karl. O Capital: Crítica da Economia Política. Volume I, Tomo 2. São Paulo: 

Abril Cultural, 1984.  

__________. O Capital: Crítica da Economia Política. Volume II, Tomo 2. 3ª.ed. São 

Paulo: Nova Cultural, 1988. 

__________. O Capital: Crítica da Economia Política. Volume I, Tomo 2. São Paulo: Nova 

Cultural, 1996. O artigo da autora Priscila de Morais Rufino.

A história política da Venezuela é marcada pela transição de uma das democracias mais estáveis da América Latina para uma profunda crise institucional e econômica sob regimes personalistas.


 


1. Independência e Século 19.


A Venezuela declarou independência da Espanha em 1811, consolidando-se como Estado soberano em 1830, após a dissolução da Grã-Colômbia de Simón Bolívar. O século 19 


foi dominado pelo exercício do poder por líderes carismáticos e autoritários  tendo  guerras civis e governos militares.


 


A descoberta de grandes reservas de petróleo em 1922 transformou o país, vinculando sua estabilidade política ao mercado global 


: Após a queda da ditadura de Marcos Pérez Jiménez, os principais partidos assinaram um acordo de governabilidade democrática que durou 40 anos.




Nos anos 80 e 90, a queda nos preços do petróleo e a corrupção geraram crises sociais, culminando com  tentativas de golpe, incluindo a liderada por Hugo Chávez em 1992. 



Hugo Chávez foi eleito em 1998 com a promessa de uma "Revolução Bolivariana". 


Uma nova Constituição em 1999 ampliou os poderes presidenciais



Chávez nacionalizou setores estratégicos, como o petróleo (PDVSA), e usou a bonança das commodities para programas sociais, minando  instituições democráticas.  Chávez faleceu em março de 2013, designando Nicolás Maduro como seu sucessor. 


Sob Nicolás Maduro, a Venezuela entrou em um colapso econômico sem precedentes, caracterizado por hiperinflação e emigração em massa. 


O regime intensificou a repressão à oposição e o controle militar.


O populismo é uma estratégia política que divide a sociedade entre o "povo virtuoso" e uma "elite corrupta"


. Em 2026, essa distinção continua sendo central no debate global e brasileiro, diferenciando-se pela definição de quem é esse "povo" e quem é o seu inimigo. 


Populismo de Esquerda


Definição do "Povo": Foca na classe trabalhadora, nos marginalizados e nos explorados pelo sistema capitalista.




Inimigo Eleito: A elite econômica, o sistema financeiro, as grandes corporações e a desigualdade.




Objetivo: Redirecionar o poder econômico e promover a justiça social através da intervenção estatal e políticas distributivas.




Cenário em 2026: No Brasil, o O Partido dos Trabalhadores  continua sendo a principal referência, com o governo buscando resgatar a popularidade através de agendas sociais focadas nas classes populares  para a disputa eleitoral em 2026.



Populismo de Direita


Definição do "Povo": Baseia-se em uma identidade cultural, nacional ou religiosa (frequentemente definida como a "maioria silenciosa").




Inimigo Eleito: Elites intelectuais e "cosmopolitas", o "sistema" (establishment) político, instituições como o Judiciário e, por vezes, minorias ou imigrantes.




Objetivo: Restaurar valores tradicionais e a ordem social, muitas vezes com um discurso antissistema e agenda de liberalismo econômico.




Cenário em 2026: A direita brasileira, liderada por figuras associadas ao Partido Liberal (PL), enfrenta o desafio de se reorganizar em meio a divisões internas, buscando uma candidatura competitiva que mantenha a base populista e conservadora forte para as eleições gerais de 2026.


O posicionamento da "grande imprensa" (veículos de massa como Folha de S.Paulo, O Estado de S. Paulo e O Globo) pode ser  classificado como liberal-conservador ou de centro-direita em análises acadêmicas. Embora esses veículos se apresentem como neutros ou "ao centro", sua atuação histórica e editorial revela nuances específicas: 


Identidade Liberal-Econômica: A grande imprensa costuma defender pautas econômicas liberais, como o livre mercado, a austeridade fiscal e reformas estruturais. Esse viés foi central na promoção de agendas neoliberais no Brasil desde a década de 1980.


Conservadorismo Institucional: Em termos sociais e políticos, tende a um posicionamento conservador no sentido de preservação das instituições e da ordem social vigente, muitas vezes opondo-se a movimentos populares ou de esquerda que buscam mudanças estruturais profundas.

O posicionamento da "grande imprensa" (veículos de massa como Folha de S.Paulo, O Estado de S. Paulo e O Globo) pode ser  classificado como liberal-conservador ou de centro-direita em análises acadêmicas. Embora esses veículos se apresentem como neutros ou "ao centro", sua atuação histórica e editorial revela nuances específicas: 


Identidade Liberal-Econômica: A grande imprensa costuma defender pautas econômicas liberais, como o livre mercado, a austeridade fiscal e reformas estruturais. Esse viés foi central na promoção de agendas neoliberais no Brasil desde a década de 1980


Conservadorismo Institucional: Em termos sociais e políticos, tende a um posicionamento conservador no sentido de preservação das instituições e da ordem social vigente, muitas vezes opondo-se a movimentos populares ou de esquerda que buscam mudanças estruturais profundas.

Papel de Mediação: Ao se posicionar "ao centro", esses veículos buscam exercer um papel de moderadores do debate público, contrastando com a polarização das redes sociais e com mídias abertamente partidárias.

Histórico Político: Pesquisas indicam que, em momentos de crise ou transição (como o golpe de 1964 ou o governo Collor), a grande imprensa atuou mais como colaboradora de agendas específicas do que como uma força puramente opositora ou neutra. 


O centro" da grande imprensa brasileira é geralmente definido por uma defesa do Estado Democrático de Direito combinada com uma forte inclinação ao liberalismo econômico

A diferença fundamental entre as ditaduras de direita e esquerda reside na base ideológica e nos objetivos econômicos e sociais, embora ambas compartilhem a característica de centralização total do poder e supressão de liberdades individuais. 


Ditaduras de Direita


Geralmente surgem sob o pretexto de preservar a "ordem tradicional", combater o comunismo ou estabilizar a economia através do livre mercado ou do nacionalismo. 


Economia: Frequentemente apoiam a propriedade privada e o capitalismo, embora o Estado possa intervir pesadamente para favorecer certos setores.




Foco Social: Conservadorismo, nacionalismo e, em alguns casos, manutenção de hierarquias sociais existentes.




Exemplos Históricos:


Ditadura Militar no Brasil (1964-1985).




Regime de Augusto Pinochet no Chile.




Alemanha Nazista (extrema-direita nacional-socialista).




Espanha Franquista e Itália Fascista. 



Ditaduras de Esquerda


Baseiam-se na ideologia marxista-leninista ou em variantes do socialismo, buscando a reestruturação radical da sociedade e a eliminação das classes sociais. 


Economia: O Estado geralmente assume o controle dos meios de produção, promove a coletivização de terras e estatiza grandes empresas.

Foco Social: Igualitarismo teórico, progresso revolucionário e a submissão do indivíduo aos interesses do coletivo ou do partido único.


Exemplos Históricos e Atuais:


União Soviética (sob o domínio do PCUS).


Regime da Coreia do Norte (dinastia Kim)



Cuba (desde a Revolução de 1959).


Venezuela (sob o regime chavista/madurist


Semelhanças Operacionais


Independentemente do espectro político, regimes ditatoriais costumam apresentar:


Partido Único ou Hegemônico: Eliminação ou controle severo da oposição política


Censura: Controle da imprensa e da liberdade de expressão.

Repressão: Uso de forças policiais e militares para silenciar dissidentes.


Culto à Personalidade: Exaltação extrema da figura do líder. 

Ditaduras de Esuqerda. Nascem do descontentamento dos (as) trabalhadores (as) com o sistema capitalista. Especialmente em capitalismo de exploração. Como no Brasil e na América do Sul.

Fica o feedback.

Confira a noticia no Jornal O Globo            .https://oglobo.globo.com/google/amp/blogs/ancelmo-gois/post/2026/09/reducao-da-escala-6x1-mais-de-60percent-dos-trabalhadores-relatam-que-jornada-comprometeu-a-vida-de-forma-geral.ghtml

E assim caminha a humanidade.

Imagem do Jornal O Globo. 




 


sexta-feira, 4 de setembro de 2026

A real polarização .

  A polarização política é a divisão da sociedade ou do sistema político em dois campos ideológicos ou partidários opostos e antagônicos, com pouca ou nenhuma sobreposição ou diálogo entre eles. Esse fenômeno é marcado por uma intensa rivalidade e, muitas vezes, pela transformação de adversários políticos em inimigos. 

Características Principais

Divisão em Polos: A sociedade se divide em dois grupos com visões de mundo distintas e fechadas, como a dicotomia esquerda versus direita no Brasil atual.

Falta de Diálogo: Há uma relutância em ouvir ou considerar perspectivas opostas, o que prejudica o debate público e a busca por soluções consensuais.

Identidade e Emoção: A afiliação política torna-se parte da identidade pessoal, levando a um engajamento emocional intenso (amor pelo próprio grupo, ódio/repulsa pelo oposto). A opinião sobre um fato pode depender mais de quem o diz do que do seu conteúdo lógico. 

Causas

Tendências Humanas: A formação de grupos para autopreservação é uma tendência histórica, onde a lealdade ao grupo se sobrepõe à análise crítica individual.

Redes Sociais: Os algoritmos das redes sociais criam "bolhas" e reforçam visões preexistentes, facilitando a radicalização das posições e a disseminação de desinformaçã

Onde está a Polarização Política no Brasil?

Danilo Medeiros

Resumo

A política brasileira contemporânea é frequentemente definida por 

acadêmicos, jornalistas, comentaristas e público geral como “polariza

d a”. A associação com algum tipo de crise e disfuncionalidade é clara 

e também está presente na descrição de outras democracias. Mas do 

que exatamente se trata a polarização política? Está acontecendo ape

nas com o eleitorado ou também com partidos e parlamentares? Como 

esse fenômeno se desenvolveu no Brasil e em outros países? Este ensaio 

visa justamente oferecer respostas a essas perguntas e contribuir para a 

discussão sobre a interação entre as preferências e os interesses de repre

sentantes e representados. Para tanto, traço um panorama da literatura 

e trago dados do caso brasileiro. Por fim, discorro sobre os possíveis im

pactos da polarização para as eleições de 2022 e o futuro da democracia. 

Abstract

Contemporary Brazilian politics is often defined by academics, jour

nalists, commentators and the general public as “polarized”. The associ

ation with some kind of crisis and dysfunctionality is clear and is also 

present in the description of other democracies. But what exactly is po

litical polarization about? Is it happening only with the electorate or also 

with parties and parliamentarians? How did this phenomenon develop 

in Brazil and in other countries? This essay aims precisely to offer an

32

Onde está a Polarização Política no Brasil?

swers to these questions and contribute to the discussion about the inter

action between the preferences and interests of representatives and those 

represented. To this end, I outline an overview of the literature and pres

ent data from the Brazilian case. Finally, I discuss the possible impacts of 

polarization for the 2022 elections and the future of democracy. 

Introdução

A crescente polarização política em diversos países tem sido aponta

da como uma das causas das crises democráticas por todo o mun

do (LEVITSKY, 2018; LEVITSKY & ZIBLATT, 2018; SVOLIK, 2019). Por que a 

polarização está em crescimento em contextos democráticos? Por que 

ela leva a maior risco de crises políticas e, no limite, a rupturas? Em 

outras palavras, quais são as causas e consequências da polarização po

lítica? Ainda que não pretenda exaurir as inúmeras respostas que vêm 

sendo amplamente oferecidas e debatidas na literatura internacional, 

este ensaio tece um panorama da literatura sobre polarização política, 

em seguida apresenta dados sobre o Brasil e, por fim, discorre sobre seus 

possíveis impactos para as eleições de 2022 e o futuro da democracia.

Polarização é uma palavra usada costumeiramente no debate públi

co para descrever uma situação política onde há um conflito disfuncio

nal (McCARTY, 2019, p. 19). Uma expressão frequentemente utilizada por 

acadêmicos, jornalistas, comentaristas e público geral para definir a po

lítica brasileira contemporânea é “polarizada”. Mas ao que estamos nos 

referindo quando falamos de polarização política? O dicionário Houaiss 

define polarização como “atração à volta de, ou em direção a um ou mais 

polos, pontos, temas, opiniões etc.; fig. centralização de pensamentos ou 

energias ou esforços em torno de um ou mais pontos (p. ex., de atenções); 

fig. contraposição, oposição antinômica ou antitética; concentração em 

extremos opostos (de grupos, interesses, atenções, atividades, influências 

etc. antes alinhados entre si); fig. divisão em antípodas”. Polarização po

lítica é nada mais do que essa definição aplicada à política, isto é, a exis

tência de dois sistemas de crenças dominantes e contraditórias.

33

Cadernos Adenauer XXIII (2022) nº1

Para que possamos dizer que há um processo de polarização em 

curso, é preciso que haja dois blocos com ideologias ou preferências so

bre políticas claramente distintas e que esses blocos estejam continua

mente se distanciando (em direção às extremidades de uma linha ideo

lógica imaginária). Os Estados Unidos, por exemplo, foram marcados 

pelo distanciamento entre liberais e conservadores – e por partidos que 

representavam cada um desses polos – por décadas, mas só quando as 

visões de mundo e as preferências políticas de ambos os blocos se dis

tanciaram da moderação – ou do centro – é que se passou a dizer que a 

política americana era polarizada ou estava em processo de polarização 

(McCARTY et al., 2006; POOLE & ROSENTHAL, 1997). Já em alguns países 

da Europa, argumenta-se que atualmente há um processo de “despola

rização”, uma vez que, com a chegada da nova (extrema-) direita, as de

mais forças políticas passaram a advogar propostas e posições políticas 

mais moderadas (ADAMS et al., 2012; FENZL, 2018; HAN, 2015).

O primeiro ponto a se destacar é a diferença entre polarização das 

massas e polarização da elite política. A primeira diz respeito a visões 

contrastantes entre eleitores ou simplesmente cidadãos. Já a segunda 

dá conta das divisões entre aqueles que ocupam cargos eletivos e/ou 

ocupam a militância e as estruturas partidárias. Não há nada que obri

gue os dois tipos de polarização a coexistirem ou a se influenciarem 

mutuamente. Eleitores podem estar amplamente divididos enquanto a 

elite política está concentrada em uma posição moderada, ou vice-versa. 

Quando incluímos a variável tempo, cada tipo de polarização pode ter 

sua própria trajetória e a relação entre as duas vai variar a depender do 

recorte espacial que traçamos – por exemplo, em um país a polarização 

da elite pode vir antes (e até causar) da polarização das massas, enquan

to em outro país a situação pode ser inversa.

Na sequência deste artigo, de caráter descritivo, explorarei a relação 

entre polarização das massas e da elite política no Brasil. Aponto como 

a literatura tem chamado atenção de um lado para o processo de pola

rização das eleições presidenciais entre PT e PSDB (e as alianças que os 

mesmos formam e mantém) até 2018 e, de outro lado, da convergência 

34

Onde está a Polarização Política no Brasil?

ao centro desses partidos/blocos do ponto de vista da ideologia dos seus 

apoiadores e da percepção da elite política. Contraponho essa interpre

tação ao sentimento generalizado de polarização que tomou conta do 

país (e das democracias ocidentais) e ofereço uma análise do processo 

de polarização que ocorre no Poder Legislativo.

Polarização Política das Massas

Sabemos que nos Estados Unidos, onde estudos sobre polarização 

política abundam, a elite política está há quatro décadas acirrando 

suas divisões em dois blocos que se afastam continuamente do centro do 

espectro ideológico (BARBER & MCCARTY, 2013; GARAND, 2010; McCARTY 

et al., 2006; POOLE & ROSENTHAL, 1997). Nesse mesmo país, no entan

to, não há o mesmo consenso sobre o fenômeno no nível das massas 

(ABRAMOWITZ & SAUNDERS, 2008; FIORINA et al., 2005, 2008; LEVENDUSKY 

& POPE, 2011). O eleitorado americano é caracterizado como geralmente 

moderado, tendo sua guinada em direção aos extremos do eixo liberal

conservador ocorrido em período mais recente e, muitas vezes, restrita 

a alguns tópicos ou políticas públicas específicas. Ainda há incertezas 

sobre se decisões e posições da elite partidária influenciaram e ainda 

influenciam a polarização do eleitorado americano.

As eleições presidenciais no Brasil entre 1994 e 2014 apontam 

para uma disputa entre dois partidos – ou duas alianças, se conside

rarmos que esses partidos eram apoiados por outras legendas que, in

clusive, coordenavam estratégias nos estados – a saber, o Partido dos 

Trabalhadores (PT) e o Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) 

(BRAGA & PIMENTEL JÚNIOR, 2011; LIMONGI & CORTEZ, 2010; LIMONGI & 

VASSELAI, 2018; MELO & CÂMARA, 2012; RIBEIRO et al., 2016). Mas seria essa 

“polarização” da competição eleitoral – termo utilizado comumente no 

debate político pré-2018 – um indicativo da polarização do eleitorado 

brasileiro? De um lado, eleitores só podem votar nas candidaturas que 

lhes são apresentadas pelos partidos. Como concluem Limongi e Cortez 

(2010, p. 36), “[a] coordenação das estratégias partidárias tem levado a 

35

Cadernos Adenauer XXIII (2022) nº1

uma significativa restrição das opções efetivamente disponíveis nas dis

putas presidenciais e pelos governos estaduais”. De outro lado, eleitores 

ainda assim fazem escolhas dadas as opções que lhes são oferecidas. E as 

escolhas nas eleições majoritárias no Brasil antes da eleição de 2018 se 

concentravam nos polos coordenados por PT e PSDB.

Análises que tomam como base o Estudo Eleitoral Brasileiro (ESEB), 

composto por surveys realizados após cada eleição federal no Brasil, 

apontam para o fato de que as preferências dos eleitores das duas prin

cipais alianças eleitorais no Brasil são heterogêneas internamente e não 

permitem distinções claras entre os blocos. Mais do que isso, a tendên

cia é de convergência das posições ideológicas com o decorrer dos plei

tos (Borges & Vidigal, 2018). Isso não se dá apenas do ponto de vista 

das percepções e opiniões dos eleitores, mas pesquisas com a própria 

elite política indicam que os grandes partidos brasileiros se movem em 

direção ao centro e passam a se diferenciar cada vez menos (LUCAS & 

SAMUELS, 2011; T. POWER & ZUCCO JR., 2009).

Samuels e Zucco (2018), por exemplo, concluem que petistas e an

tipetistas – dois blocos que, junto dos não-partidários, organizariam as 

preferências do eleitorado brasileiro – não são tão distinguíveis ideo

logicamente como esperaria o senso comum. Como explicar isso? Em 

concordância com parte considerável da literatura especializada, Borges 

e Vidigal (2018, p. 79–80)procura-se contribuir para a literatura colo

cando em questionamento diagnósticos recentes com respeito à pola

rização do sistema partidário presidencial. De acordo com a hipótese 

da polarização, a competição eleitoral entre PT e PSDB levou a uma cres

cente divisão do eleitorado em dois blocos claramente diferenciados e 

polarizados. Argumentamos que esta hipótese se apoia em bases teóri

cas e empíricas frágeis. Não obstante a crescente importância dos sen

timentos partidários na determinação do comportamento dos eleitores 

no pleito presidencial, os resultados das análises descritivas e modelos 

estatísticos multivariados com base nos surveys do Estudo Eleitoral 

Brasileiro (Eseb destacam que “a predominância do PT e do PSDB na 

arena presidencial resulta provavelmente menos do enraizamento des

36

Onde está a Polarização Política no Brasil?

ses partidos no eleitorado e mais da capacidade dessas organizações de 

coordenar de forma eficiente alianças nacionais e subnacionais”.

Temos as seguintes evidências: (1) os eleitores brasileiros se dividiam 

(até 2018) claramente em blocos de apoio eleitoral – seja entre eleitores de 

PT e PSDB, seja entre petistas, antipetistas e não-partidários; (2) os parti

dos e as alianças convergem em direção ao eleitor mediano; (3) os blocos 

não são tão distintos quanto se imaginava, isto é, não há uma polarização 

ideológica clara no eleitorado brasileiro. Mesmo assim, é impossível pas

sar um dia no Brasil sem ler ou ouvir nos jornais, nos podcasts políticos, 

nos canais de notícias, no ponto de ônibus, no almoço com a família ou 

no trabalho, que o problema do Brasil é a polarização. E, de fato, vivemos 

em um tempo em que visões de mundo conflitam nas grandes arenas e 

na vida cotidiana, de forma muitas vezes visceral. Mas não só. O impea

chment da Presidente Dilma Rousseff, as eleições de 2018 e os atos anti e 

pró-governo Bolsonaro sugerem que há uma divisão clara na sociedade 

brasileira, uma – por que não? – polarização que pode ter consequências 

eleitorais e políticas profundas. Isso não implica um sistema de crenças 

completamente diferente entre cada bloco de eleitores, mas significa que 

em alguma dimensão os eleitores se dividem e se diferenciam.

Onde estará, então, essa polarização? Samuels e Zucco (2014) já de

monstraram que as atitudes e opiniões políticas de partidários de PT e 

PSDB são influenciadas justamente por suas afiliações. Ou seja, a identi

ficação partidária afeta o comportamento político e as preferências dos 

eleitores brasileiros. Seriam, então, os próprios partidos e a elite política 

os definidores da polarização?

Polarização da Elite Política

Estudos sobre política americana têm dado grande ênfase para o papel 

exercido pelos próprios partidos e suas lideranças no processo de po

larização do sistema, tanto alterando regras do jogo na direção da maior 

diferenciação dos partidos e garantindo que os legisladores sigam a linha 

definida pelas lideranças, quanto fomentando políticas e agendas divisi

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Cadernos Adenauer XXIII (2022) nº1

vas (BARBER & McCARTY, 2013; McCARTY, 2019), por exemplo, argumentam 

que, quando desigualdades econômicas estão em evidência e crescimen

to, partidos de direita tendem a enfatizar questões morais e de valores, 

enquanto partidos de esquerda tendem a trazer para os eleitores ques

tões econômicas. Polarização, então, não será o resultado automático, mas 

pode ser a consequência de um processo de interação paulatina entre par

tidos e eleitores em que as ações de um dos lados podem pesar mais.

A ciência política brasileira ainda não desbravou essa relação. 

Sabemos que o eleitorado flutuou entre dois polos até 2018 nas eleições 

que organizam o sistema político e a competição eleitoral no Brasil, mas 

sabemos também que esse equilíbrio foi quebrado. Os eleitores, apesar 

disso, pouco se diferenciavam ideologicamente, mas a impressão é que 

de 2014 em diante há uma transformação em curso. Mas e a elite políti

ca, como se comportou nesse período?

Uma forma de responder a essa pergunta é analisar a posição dos 

Deputados Federais desde a promulgação da Constituição Federal de 

1988 (mais precisamente a partir de 1989, a metade da 48ª Legislatura) 

levando em consideração as votações nominais no plenário da Câmara. 

Para tanto, estimo os pontos ideais dos legisladores utilizando um mo

delo dinâmico de teoria de resposta ao item (IMAI et al., 2016). Pontos 

ideais estimados a partir de votações nominais refletem as preferências 

sobre políticas públicas reveladas por atores políticos. No entanto, nada 

garante que, de fato, essas preferências sejam sinceras ou representem a 

ideologia dos indivíduos. Os partidos, por exemplo, podem ser capazes 

de garantir que sua bancada sempre vote de acordo com a linha parti

dária, mesmo quando o parlamentar possui uma preferência diferente. 

Da mesma forma, disciplina partidária nem sempre significa que o líder 

partidário coage os membros daquela sigla, mas pode significar que toda 

a bancada é ideologicamente homogênea (CAREY, 2009; KREHBIEL, 1993).

Quem define o significado da dimensão extraída com a estimação 

dos pontos ideais é o pesquisador (POOLE, 2005). Estudos sobre o caso 

brasileiro mostram que os pontos ideais para Deputados e Senadores 

refletem de alguma maneira posições ideológicas, mas a divisão entre 

38

Onde está a Polarização Política no Brasil?

governo e oposição é que define o comportamento legislativo (FREITAS 

et al., 2020; IZUMI, 2016; LEONI, 2002; ZUCCO Jr., 2009; ZUCCO JR. & 

LAUDERDALE, 2011). No presente artigo a preocupação é apresentar evi

dências de extremismo e polarização dos parlamentares e isto pode 

refletir também as disputas que marcam o presidencialismo de coali

zão brasileiro, sobretudo a divisão entre governo e oposição. A Figura 

1 apresenta a distribuição das posições estimadas para os Deputados 

Federais em mais de 30 anos de democracia no Brasil. Importante no

tar que a esquerda passa por um processo de concentração e depois de 

desconcentração, ocupando uma larga faixa entre a extrema esquerda e 

o centro. Mas é apenas na última legislatura, a que coincide com o go

verno Bolsonaro, que há o surgimento de algo que indica a formação 

(ainda inicial) de dois polos. O centro do espectro é esvaziado e os legis

ladores se aglutinam em blocos de esquerda e direita.

O que explica essa mudança? Note-se que no governo Bolsonaro, 

a divisão entre esquerda e direita apenas avançou na direção da pola

rização, mas o processo de polarização legislativa está em voga desde a 

legislatura seguinte àquela eleita ainda antes da Assembleia Nacional 

Constituinte, quando os parlamentares começam a longa marcha em 

direção aos extremos do continuum ideológico. Aqui há um contraste 

claro com a conclusão de Zucco (2011) de que na verdade os partidos 

políticos reduziram suas distâncias ideológicas pelo menos na Câmara 

dos Deputados. Cabe ressaltar que o trabalho de Zucco é baseado num 

survey realizado com parlamentares e estes classificam ideologicamente 

seus partidos e os demais. Vale frisar também que Zucco analisou os par

tidos de forma agregada, e a Figura 1 a seguir está desagregada. Vejamos, 

então, como se dá a evolução da posição dos partidos ao longo do tempo. 

A Figura 2 apresenta os mesmos dados, mas agora agregando os parla

mentares por partido.1

Devido ao número elevado de partidos que já ocuparam assentos na Câmara dos 

Deputados, apenas dez partidos foram arbitrariamente selecionados. Incluir mais 

partidos dificultaria a apresentação visual dos dados. O critério adotado foi tama

nho das bancadas ao longo do tempo e relevância para a análise.

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Cadernos Adenauer XXIII (2022) nº1

FIGURA 1. Distribuição dos Pontos Ideais dos Deputados Federais  

por Legislatura

Estimação baseada em votações nominais de janeiro de 1989 a julho de 2021. Linha tracejada 

indica a posição mediana.

Fonte: Banco de Dados Legislativos do CEBRAP – https://bancodedadoslegislativos.com.br/

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Onde está a Polarização Política no Brasil?

A Câmara dos Deputados sempre pendeu à direita do espectro 

ideológico. O legislador mediano, representado pela linha tracejada, 

se desloca para a direita ao longo do tempo. Mas a novidade não está 

no caráter majoritariamente conservador do Legislativo brasileiro, e 

sim na drástica redução de parlamentares cujas preferências revela

das ocupam o centro do espectro. Em outras palavras, há uma cla

ra mudança no comportamento geral dos parlamentares ao longo de 

mais de 30 anos Como destacado anteriormente, o comportamento 

legislativo no Brasil sempre foi explicado pela divisão entre governo e 

oposição. É este conflito que organiza as preferências no plenário das 

casas do Congresso Nacional e o processo decisório de forma geral. 

Existe uma alta correlação entre o apoio dado pelos parlamentares ao 

governo e seus pontos ideais. Trata-se de parte da operação do presi

dencialismo de coalizão.

A Figura 2 oferece evidências que sustentam esse diagnóstico. 

Partidos que estão no mesmo bloco (coalizão de governo ou oposição) 

tendem a estar próximos no espectro. O PDS-PP2 e o PL-PR, por exem

plo, flutuam de acordo com seus status em relação ao governo, sempre 

se aproximando dos demais partidos da coalizão quando ocupam al

guma pasta ministerial. Isso fica muito evidente no primeiro manda

to da Presidenta Dilma Rousseff (que praticamente coincide com a 54ª 

Legislatura) 3, quando os dois partidos se movem para a esquerda, ado

tando posições muito próximas ao partido formador da coalizão (PT). A 

“mudança de lado” do PT quando assume a presidência (em 2002, a 52ª 

legislatura) salienta a inclinação da dimensão estimada revelar as divi

sões entre governo e oposição. Nos governos do PT, temos praticamente 

um espelhamento do gráfico.

Partidos que se fundiram ou mudaram de nome são referidos indicando seu 

tronco principal e as nomenclaturas iniciais e finais (até julho de 2021).

Os mandatos presidenciais têm início em primeiro de janeiro, enquanto as legis

laturas iniciam em primeiro de fevereiro do mesmo ano. Ambos duram quatro 

anos.

41

Cadernos Adenauer XXIII (2022) nº1

FIGURA 2. Médias dos Pontos Ideais na Câmara dos Deputados  

por Partido e Legislatura

Estimativa baseada em votações nominais de janeiro de 1989 a julho de 2021. Pontos indicam a 

média do partido na legislatura.

Fonte: Banco de Dados Legislativos do CEBRAP – https://bancodedadoslegislativos.com.br/

Estar na coalizão de governo, assim, tem efeitos imediatos sobre 

o comportamento partidário na Câmara dos Deputados. O PSDB, por 

exemplo, passa a se distanciar mais claramente do bloco de esquerda 

assim que encabeça a coalizão de governo no primeiro mandato do 

Presidente Fernando Henrique Cardoso (50ª Legislatura). O PMDB-MDB 

42

Onde está a Polarização Política no Brasil?

tende a permanecer centralizado, mas próximo da posição do parti

do do presidente quando se junta à coalizão. No primeiro mandato de 

Dilma o PMDB se desloca para a esquerda, expressando uma preferência 

média praticamente idêntica àquela revelada pelo PT. Já na legislatura 

seguinte, marcada pelo impeachment da Presidenta, move-se para a di

reita, rachando drasticamente com o PT, o que não é surpreendente, já 

que Michel Temer, então vice-presidente e uma das lideranças do PMDB, 

tem papel decisivo no afastamento da Presidenta e depois leva adiante 

uma agenda de políticas muito distinta daquela capitaneada pelo gover

no de Dilma.

Vale notar que PSDB e PFL-DEM permanecem destacados na oposi

ção nas legislaturas em que o Partido dos Trabalhadores ocupou inte

gralmente a Presidência da República (52ª, 53ª e 54ª legislaturas). Na 

legislatura em que houve o impeachment da Presidenta Dilma, os dois 

partidos destoam do PT, mas dão uma guinada em direção ao centro e 

se reaproximam do PMDB-MDB, partido de Michel Temer, cujo governo 

apoiaram ainda que sem formalmente se juntarem à coalizão.4

O PT se mantém na centro-esquerda desde a promulgação da 

Constituição Federal de 1988 até ocupar a presidência, movendo-se no

vamente em direção ao outro lado apenas na 55ª legislatura (marcada 

pelo impeachment) e destacando-se na esquerda junto com o PSOL na 

atual 56ª legislatura. Interessante notar como outros partidos aproxi

mam-se e distanciam-se do PT. Em alguns momentos o PT é a oposi

ção mais forte e quase isolada entre os grandes partidos na Câmara dos 

Deputados (vide a 50ª legislatura, primeiro mandato de FHC), enquanto 

em outras legislaturas o partido está acompanhado de outras legendas 

comumente associadas à centro-esquerda (como PSB e PDT).

Utilizo o critério adotado por Figueiredo (2007), que postula que um partido é 

considerado parte da coalizão de governo quando pelo menos uma parta minis

terial é ocupada por um membro do partido e o partido publicamente revela que 

aquela indicação é sustentada pelo partido. Há exemplos de ministros cujos par

tidos não reconheceram pertencimento à coalizão e alegaram que se tratava de 

decisão pessoal daqueles.

43

Cadernos Adenauer XXIII (2022) nº1

Vale frisar também a relação entre PT e PSOL, partido formado por 

ex-integrantes do PT que se recusaram a apoiar algumas medidas con

sideradas neoliberais encampadas pelo governo Lula. O PSOL surge 

como oposição à esquerda ao governo do PT, mas na Figura 2 o partido 

inicialmente aparece próximo de opositores de direita. Por quê? Nas 

votações nominais os parlamentares têm poucas opções: votam “sim”, 

votam “não”, abstém-se, ausentam-se ou obstruem a votação. No agre

gado, então, quem deseja opor-se ao governo terá que votar contra a 

indicação do governo. Nesse caso há uma grande chance de que dois 

parlamentares (ou partidos) votem da mesma forma (em oposição ao 

governo) mas por motivos diferentes – por exemplo, em uma votação 

sobre o novo valor do salário-mínimo sugerido pelo governo, um par

lamentar de oposição pode votar contra pois acha o novo valor muito 

baixo e outro votar contra pois acha muito alto ou entende que salário

mínimo não deveria ser definido pelo Estado, e consequentemente am

bos aparecem em posições similares no gráfico acima em determinadas 

legislaturas.

O PSOL, entretanto, distancia-se dos opositores do PT na legislatura 

em que Dilma é removida da Presidência da República, posicionando-se 

à esquerda tanto de PFL-DEM, PSDB e PMDB quanto do próprio PT. Trata

se de um indício de que o partido fez oposição tanto à agenda política 

de Dilma quanto de Temer naquela legislatura. PT e PSOL agora fazem a 

oposição mais contundente ao governo Bolsonaro ainda com o último 

à esquerda do primeiro, como evidencia a Figura 2 (cf. 56ª legislatura).

O governo Bolsonaro é um caso aparte por ter rompido com a ló

gica de construção de coalizões de governo, pela sua incapacidade de 

apresentar uma agenda de políticas públicas e barganhar por elas e por 

sua disposição antidemocrática. O Presidente se manteve sem partido 

e sem formar uma coalizão de governo por praticamente a maior par

te do mandato. Seu partido na eleição e no início do mandato, o PSL 

(atualmente União Brasil após fusão com o PFL-DEM), teve raríssimos 

Deputados Federais até a eleição de 2018, quando então fez uma banca

da com mais de 50 integrantes. Essa nova bancada, alavancada pela onda 

44

Onde está a Polarização Política no Brasil?

bolsonarista de 2018, mostrou-se inicialmente alinhada ao Presidente. 

Com o decorrer do mandato, muitos membros do PSL romperam com 

Bolsonaro e o próprio Presidente da República deixou o partido – a ala 

que seguiu apoiando-o trocou de legenda somente com a abertura da 

janela de migração partidária em março de 2022. Mas os pontos ideais 

estimados mostram como o partido adotou posições à direita do es

pectro, representando um novo paradigma para partidos do presiden

te: buscar os extremos. O novo partido do Presidente Bolsonaro, PL-PR, 

tem manifestado posições políticas nas votações nominais quase idênti

cas à da bancada do PSL na câmara baixa do Congresso Nacional.

Um bloco considerável de partidos médios também se deslo

cou para a direita durante o governo Bolsonaro. O apoio de legendas 

como PSDB e DEM às reformas constitucionais realizadas no período 

pré-pandemia do governo Bolsonaro parece explicar essa movimenta

ção. Esses partidos tiveram papel essencial na formatação, condução e 

aprovação de tais medidas – destaca-se ainda a participação essencial 

do então Presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (PFL

DEM). Importante destacar a atuação dos demais partidos e do Poder 

Legislativo durante o governo Bolsonaro, já que este nunca apresentou 

uma agenda legislativa clara e nem fez esforços para aprovar aquilo 

que enviou para o Congresso Nacional (LIMONGI et al., 2022). Coube 

ao Poder Legislativo encabeçar uma série de medidas para lidar com 

a pandemia do novo coronavírus que ocupou grande parte da agenda 

política (e, logo, das votações nominais aqui analisadas) durante o go

verno Bolsonaro.

Fica evidente que há três blocos entre os grandes partidos na Câmara 

dos Deputados durante o governo Bolsonaro: um de oposição ferrenha 

(PT e PSOL), um de oposição moderada (PDT e PSB) e um próximo às 

posições governistas. Dentro deste último, há um apoio mais irrestrito 

ao governo de parte dos partidos – o que pode estar relacionado com 

a diferença entre a atuação desses partidos no período pré-pandemia 

(maior aproximação) e durante a pandemia (maior distanciamento e 

busca por diferenciação).

45

Cadernos Adenauer XXIII (2022) nº1

Analisando em conjunto as Figuras 1 e 2, ainda é possível afirmar 

que, como muitas vezes foi dito no debate público, as duas últimas le

gislaturas são mais conservadoras que as demais. Mesmo com os pontos 

ideais dos parlamentares revelando uma dimensão governo-oposição, 

a posição mediana da Câmara se deslocou em direção à direita e sa

bemos que, desde Temer, a agenda de políticas públicas do governo se 

deslocou para a direita, distanciando-se das diferentes plataformas (de 

centro-direita e centro-esquerda) que levaram à redução da desigual

dade social em governos anteriores. No governo Bolsonaro, esse deslo

camento fica mais evidente e ainda encontramos o surgimento de fato 

de dois polos no interior do Legislativo. Isso significa também que há 

mais posições representadas na Câmara dos Deputados, à esquerda e 

à direita. Exemplos disso são o crescimento da bancada do PSOL – em 

parte produzido pela defesa de pautas sociais e identitárias que antes 

encontravam apoio secundário mesmo nos partidos de esquerda mais 

tradicionais – e a entrada do NOVO com uma bancada inicial significati

va – em parte alavancada pelo sentimento anti-establishment e por uma 

agenda neoliberal em que questões econômicas ganham maior peso do 

que questões morais-valorativas.

Causas e Consequências da Polarização Política no Brasil

Dado esse cenário, fica a pergunta: qual a relação entre polarização 

no eleitorado e nos partidos (no Legislativo)? Os estudos sobre 

comportamento político dos eleitores têm destacado que as preferên

cias políticas de eleitores dos dois partidos que antes polarizavam as 

eleições majoritárias (PT e PSB) pouco destoam em termos ideológicos, 

sobretudo aqueles que não têm vínculos afetivos fortes. Os legisladores 

e seus partidos parecem, assim, ter poucas motivações para buscar os 

extremos do espectro ideológico. No entanto, isso é exatamente o que 

tem acontecido.

Na primeira etapa dessa movimentação, os parlamentares que ado

tavam posições de extrema moderação se deslocaram para a centro-es

46

Onde está a Polarização Política no Brasil?

querda ou para a centro-direita, num movimento que parece uma busca 

por diferenciação, quando o tema da transição democrática vai ficando 

para trás e alianças são formadas com agendas diferentes a partir do ob

jetivo de conquistar o cargo mais almejado do país, o de Presidente da 

República. Partidos médios flutuam ao redor do centro, ora pendendo 

para um lado, ora para outro, de acordo com o apoio que oferecem ou 

não à coalizão de governo. Na segunda etapa do processo de polarização, 

houve a consolidação de blocos mais distantes do centro, que se fixam 

nessas posições e cujas estratégias políticas sustentam essa separação.

Tomemos como exemplo a decisão de Aécio Neves e de seu par

tido (PSDB) de levarem a cabo a contestação do resultado eleitoral de 

2014. Trata-se de uma posição de ruptura que ainda visa marcar um 

distanciamento absoluto do seu principal concorrente, o PT de Dilma 

Rousseff. É preciso levar em conta ainda que as eleições presidenciais 

organizam o sistema como um todo, influenciando as decisões das lide

ranças partidárias e definindo coligações e alianças nos níveis estaduais. 

Mas não apenas. As disputas presidenciais podem influenciar também a 

eleição proporcional, como parece ter sido o caso em 2018.

O PSDB também foi fiador do impeachment de Dilma e do governo 

Temer. Uma estratégia que, levando em consideração o enxugamento 

da sua bancada na atual legislatura e o pífio desempenho de seu candi

dato Geraldo Alckmin nas eleições presidenciais de 2018, se revelou um 

fracasso no curto prazo. O PSDB apostou no antipetismo e, com isso, na 

polarização da disputa. O cálculo foi mal feito, e o resultado, desastroso 

para o próprio partido. Mas isso parece ter servido para, pelo menos, 

alimentar o sentimento anti-PT e a sensação de polarização, ainda que 

o eleitor tenha abandonado o PSDB em favor de outras candidaturas à 

direita do partido.

Parece haver, portanto, uma retroalimentação ou ciclo vicioso que 

encadeia a polarização das massas e da elite política. Legisladores e par

tidos políticos descongestionaram aos poucos o centro do espectro e as 

próprias dinâmicas do presidencialismo de coalizão e das eleições pre

sidenciais levaram à formação de dois blocos que se opõem mais uns 

47

Cadernos Adenauer XXIII (2022) nº1

tantos partidos que flutuam de um lado a outro. Isso implica não apenas 

em um determinado tipo de comportamento legislativo, mas também 

em estratégias da elite política de atiçar a polarização do eleitorado, seja 

enfatizando determinados valores ou jogando com as transformações 

sociais pelas quais o país passou. O eleitor responde a partir das op

ções que tem: um cenário ainda desorganizado pelas forças políticas, 

mas com mensagens que o empurrava em direções opostas – e aqui vale 

lembrar que a Lava Jato sacudiu o sistema político, inviabilizando várias 

opções. O voto resultou em um Congresso formado por menos políti

cos moderados, muitos conservadores e uma nova ala mais à esquerda 

em diversas pautas.5

Existem outros fatores pressionando o sistema em direção à polari

zação. A literatura internacional tem destacado o efeito do crescimento 

da desigualdade econômica nos países ricos (KENWORTHY & PONTUSSON, 

2005; McCARTY et al., 2006; PONTUSSON & RUEDA, 2008; POOLE & 

ROSENTHAL, 1997). Polarização partidária e desigualdade de renda estão 

positivamente correlacionados sobretudo nos EUA. O argumento bási

co, ancorado no trabalho canônico de Meltzer e Richard (1981), é que o 

aumento da desigualdade faz com que eleitores de baixa e alta renda de

mandem políticas de taxação e redistribuição cada vez mais diferentes, 

o que, de um lado, promoverá a seleção de políticos menos moderados 

(pois precisam endossar uma das pontas) e, de outro lado, levará a uma 

agenda de políticas públicas menos moderadas e, logo, um comporta

mento geral mais extremista de ambas as partes. Em alguns casos, no 

entanto, a percepção da polarização pode ser o efeito da alteração de 

comportamento de apenas um dos blocos que migram em direção ao 

extremo do continuum.

No Brasil, a desigualdade de renda segue trajetória oposta àquela 

vista nos países ricos, isto é, de redução. Polarização partidária, como vi

Precisamos ainda de mais pesquisas para saber se em 2018, então, os eleitores se 

dividiram em blocos mais homogêneos ideologicamente e com maior divergên

cia de posições inter-blocos.

48

Onde está a Polarização Política no Brasil?

mos, não vem reduzindo. Mas isso não significa que os dois fenômenos 

não estejam relacionados. A queda nos níveis de desigualdade também 

promove choques de outra magnitude, como por exemplo compartilha

mento de espaços antes exclusivos e, sobretudo, questionamentos quan

to às estruturas de poder e às hierarquias sociais. Conflito é um resul

tado possível desses choques, o que pode contribuir para acirramentos 

políticos diversos, como polarização.

Além disso, o contingente de eleitores não-dependentes aumenta. 

Isto é, redução da desigualdade associada a outras transformações so

cioeconômicas tende a permitir que eleitores antes dependentes social e 

economicamente de empregadores e proprietários de terra, cujos votos 

podem ser mais facilmente controlados dado o poder de influência que 

esses agentes têm sobre aqueles eleitores, agora possam participar mais 

livremente do processo eleitoral. Assim, um resultado possível é que a 

redução da desigualdade de renda também promova interesses contra

ditórios, o que pode levar ao atendimento dessas demandas por parte 

dos representantes e mesmo à substituição de moderados por extremis

tas. Essa substituição, inclusive, foi diagnosticada nos EUA por Thomsen 

(2017), que também destacou que potenciais candidatos moderados 

deixam de concorrer (ou são eliminados nas primárias) por entenderem 

a ausência de um ambiente capaz de ajudá-los a promover suas agendas 

(moderadas) de políticas públicas.

Destaca-se ainda que essa é a visão geral, isto é, agregada, do fenô

meno. No nível individual, legisladores brasileiros cujos eleitores estão 

concentrados em regiões com menor nível de desigualdade de renda 

têm maior probabilidade de revelarem posições moderadas no plená

rio da Câmara, mas isso dependerá da agenda do governo que é leva

da a cabo no Legislativo e o status do Deputado em relação à coalizão 

(MEDEIROS, 2019).

A desigualdade de renda afeta tanto eleitores quanto a elite po

lítica e é capaz de promover um ciclo de transformações sociais, que 

também pode originar transformações políticas. Há de se levar em 

consideração os choques nos sistemas partidários de diversos países 

49

Cadernos Adenauer XXIII (2022) nº1

ricos após a crise de 2008. Novos partidos antissistêmicos surgiram, 

além de novas forças à esquerda e à direita. Na Espanha e em outras 

democracias europeias, por exemplo, os partidos tradicionais reduzi

ram suas bancadas, mas conseguiram se manter no poder. Os custos 

de formar e manter uma coalizão subiram com o aumento da frag

mentação partidária e a entrada de representantes de novas agendas. 

Mas também houve um efeito de despolarização a partir do momento 

em que as forças mais próximas ao centro buscam barrar a entrada e 

o crescimento da extrema-direita e, para tanto, adotam posições mais 

moderadas. Tendo esses fenômenos em vista, quais caminhos o Brasil 

poderá tomar?

Conclusão: o que esperar das eleições de 2022?

O processo de polarização no Brasil ainda é relativamente novo, em 

comparação com a emergência desse fenômeno em outros países, 

portanto é difícil prever os caminhos possíveis. Mas as mudanças na 

distribuição das posições políticas no interior do Legislativo têm um 

fator que pode ser visto como positivo: eleitores agora têm a capacidade 

de diferenciar mais claramente entre seus diversos representantes. Essa é 

uma preocupação central para a ciência política, que coloca grande peso 

na capacidade de os eleitores distinguirem os partidos de um dado sis

tema. Pautas e posições diversas e que antes eram silenciadas no Poder 

Legislativo agora contam com representantes eleitos que se fazem ou

vir. Partidos não se distinguem apenas em seus manifestos, campanhas 

e promessas, mas também nas posições que assumem e expressam na 

Câmara dos Deputados – e também no Senado Federal (cf. IZUMI & 

MEDEIROS, 2021). Se antes as principais opções eram no geral modera

das, o eleitor teria dificuldade de discernir um legislador do outro, um 

partido do outro. Com o aumento do nível de extremismo, o enxuga

mento do centro e a polarização legislativa e partidária de forma geral, o 

eleitor poderia mais facilmente identificar aquilo que o representa. Isto, 

obviamente, ainda carece de melhor investigação.

50

Onde está a Polarização Política no Brasil?

Entramos, então, num ciclo em que eleitores preferirão candidatos 

menos moderados e os políticos adotarão agendas mais extremistas? No 

curto prazo a resposta vai depender sobretudo das estratégias adota

das pela elite política e das opções que serão apresentadas aos eleitores. 

Quem entende que ganha com a polarização provavelmente continuará 

jogando nos extremos. Quem entende que a moderação trará dividen

dos políticos e eleitorais fará o oposto. Há a possibilidade de moderados 

se retirarem do pleito por não acreditarem ter chances, já que há custos 

de entrar na disputa, ou ainda por entenderem que não conseguirão 

levar adiante suas pautas em um sistema polarizado. A consequência 

seria a manutenção ou o crescimento da polarização. Sobre esse assunto 

há muitas incertezas ainda e os atores políticos seguem calculando para 

tomarem suas decisões. Por enquanto (abril de 2022), o eleitor acompa

nha e espera.

A polarização não coloca em questão apenas o resultado eleitoral 

e a formação do próximo Congresso, mas também os rumos da demo

cracia. Svolik (2019) demonstrou que, quando há crescente polarização, 

eleitores podem abrir mão de seus princípios democráticos em favor 

de interesses estritamente partidários. Isso não significa que polariza

ção leva automaticamente à ruptura democrática, afinal são necessários 

agentes políticos que mobilizem seus eleitores para deliberadamente 

atingir esse objetivo. Ao mesmo tempo, a maior parte das mais recen

tes crises e quedas da democracia tem sido promovidas justamente por 

atores político que ocupam cargos. O Presidente Bolsonaro e seus asse

clas têm sinalizado constantemente sua descrença em relação às insti

tuições democráticas e ao processo eleitoral brasileiros. Além disso, ele 

segue prometendo questionar o resultado eleitoral, assim como Donald 

Trump fez em 2020 nos EUA. Trump apostou que a polarização nos EUA 

o ajudaria nessa empreitada, mas ela não foi suficiente – em parte por

que nem todos os membros e eleitores do partido Republicano embar

caram nesse golpe. 

Por fim, há uma diferença clara entre eleitores/legisladores/partidos 

não-moderados, de um lado, e antidemocráticos, de outro: só os últi

51

Cadernos Adenauer XXIII (2022) nº1

mos pretendem aproveitar-se da polarização para alijar seus opositores 

do processo político. O Brasil de 2018 mostrou que há uma minoria 

disposta a seguir esse caminho, mas há um grande contingente de ato

res políticos e eleitores que fechou os olhos a essas intenções em prol de 

alcançar diversos objetivos políticos. O Brasil de 2022 talvez esteja mais 

escaldado depois de ver que essa estratégia pode ter consequências ne

fastas, vide o fracasso do governo Bolsonaro em reduzir os impactos sa

nitários e socioeconômicos da pandemia. De toda forma, garantir que a 

polarização se mantenha apenas no campo das ideias e das preferências 

sobre políticas públicas deve ser a nossa preocupação imediata.

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Danilo Medeiros é Doutor em Ciência Política pela Universidade da Virgínia. Atual

mente é Pesquisador de Pós-Doutorado do Centro Brasileiro de Análise e Planejamen

to (CEBRAP) e Pesquisador Colaborador do Centro de Estudos de Opinião Pública 

(CESOP) da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), e Professor Convida

do na Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (EESP-FGV). O artigo do autor Danilo Medeiros

A política e o poder são conceitos indissociáveis, pois a política funciona como o espaço de negociação, regras e disputas onde o poder é buscado, organizado e exercido. Enquanto o poder representa a capacidade de influenciar ou determinar o comportamento de indivíduos e grupos, a política é a ferramenta coletiva e institucional para gerenciar esse impacto na sociedade.

Os termos direita, esquerda e centro são as principais referências no espectro político para classificar ideologias, partidos e governos. A divisão surgiu na França, em 1789, onde os defensores do rei sentavam-se à direita e os revolucionários à esquerda. Abaixo estão as características e diferenças fundamentais de cada um:

1. Esquerda

A esquerda foca na igualdade social e no bem-estar coletivo. Para atingir esses objetivos, defende a forte intervenção do Estado na economia e a implementação de políticas públicas de redistribuição de renda e proteção social.

Valores: Justiça social, direitos humanos, igualdade de oportunidades, pautas progressistas e ambientalismo.


Posição sobre o Estado: Ativo e regulador, responsável por corrigir desigualdades geradas pelo mercado.


Espectro: Socialismo, Social-Democracia, Trabalhismo, Comunismo.


2. Direita

A direita prioriza a liberdade individual, a meritocracia e a livre iniciativa. Defende que o mercado deve se autorregular com pouca interferência do governo, valoriza a tradição e a propriedade privada.

Valores: Liberdade econômica, patriotismo, conservadorismo nos costumes, livre mercado e eficiência.


Posição sobre o Estado: Mínimo ou restrito, atuando apenas em áreas essenciais como defesa, segurança e justiça.


Espectro: Liberalismo, Neoliberalismo, Conservadorismo e Libertarismo.


3. Centro

O centro atua como uma ponte ou interseção entre a direita e a esquerda. Quem se identifica com o centro costuma ser moderado, buscando conciliar o crescimento econômico e o livre mercado (pauta de direita) com programas de bem-estar social e justiça (pauta de esquerda).

Valores: Diálogo, equilíbrio, pragmatismo, reformas graduais e direitos civis.


Posição sobre o Estado: Um regulador inteligente, que atua onde a iniciativa privada não consegue suprir as necessidades da população.


Espectro: Social-Liberalismo, Democracia Cristã e a chamada "Terceira Via

Conservadorismo, progressismo e liberalismo são as três principais correntes de pensamento político e social que moldam o debate público contemporâneo. Cada uma delas possui uma visão distinta sobre a natureza humana, o papel do Estado, a economia e a evolução das tradições sociais.

Resumo das Diferenças

Vertente PolíticaFoco PrincipalPapel do EstadoVisão sobre Mudanças SociaisConservadorismoPreservação institucional e ordem moralLimitado, mas forte na segurança e ordemGraduais, orgânicas e baseadas na prudênciaProgressismoJustiça social, igualdade e reformaAtivo na redução de desigualdadesRápidas, necessárias e guiadas pelo avanço éticoLiberalismoLiberdade individual e direitos civisMínimo na economia; protetor de direitos fundamentaisNaturais, impulsionadas pelo indivíduo e pelo mercado

Conservadorismo

O conservadorismo defende a preservação das instituições tradicionais, como a família, a igreja e a comunidade, como pilares de estabilidade social.

Tradição e Prudência: Rejeita rupturas revolucionárias abruptas, preferindo reformas lentas e testadas pelo tempo.


Ceticismo da Razão Pura: Questiona projetos utópicos de engenharia social que tentam refazer a sociedade do zero.


Ordem Moral: Defende a existência de uma ordem ética duradoura e costumes estabelecidos.


Progressismo

O progressismo foca na transformação social e na promoção da igualdade por meio de reformas políticas e econômicas.

Mudança Social: Vê a história como um caminho de avanço contínuo em direção aos direitos humanos e justiça.


Intervenção Estatal: Defende que o Estado deve atuar ativamente para mitigar desigualdades e proteger minorias.


Quebra de Paradigmas: Questiona tradições antigas que possam perpetuar opressões ou privilégios históricos.


Liberalismo

O liberalismo coloca a liberdade individual como o valor supremo e o direito inalienável de cada cidadão.

Direitos Individuais: Prioriza a defesa da vida, da propriedade privada e da liberdade de expressão.


Livre Mercado: Advoga pela livre concorrência econômica e menor interferência estatal na produção.


Estado de Direito: Exige leis universais claras que limitem o poder governamental para evitar a tirania.


Interseções e Fusões

Estas correntes não são caixas isoladas e frequentemente se misturam na prática política atual:

Conservadorismo Liberal: Alinha a defesa do livre mercado econômico com a preservação dos valores morais tradicionais nos costumes.


Social-Liberalismo: Combina as liberdades individuais e de mercado com políticas de assistência e inclusão social.


Progressismo Cultural: Foca na liberdade de estilos de vida, direitos civis identitários e autonomia das escolhas pessoais. Segundo o Sociólogo , Mestre e Doutor Cesar Portantiolo Maia , no Quarto Período da Habilitação em Jornalismo na Comunicação Social , pelas Faculdades Integradas Alcântara Machado (FIAAM FAAM).

Eleitores independentes são cidadãos que não se identificam com nenhum partido político tradicional e preferem decidir seu voto com base em candidatos, propostas ou no cenário econômico do momento. Eles atuam como um fiel da balança em eleições majoritárias, pois flutuam entre a esquerda, o centro e a direita dependendo do contexto. 

Abaixo, veja em detalhes como esse grupo se define e como ele se movimenta no cenário eleitoral.

O que são Eleitores Independentes

Sem filiação: Não possuem registro ou simpatia fixa por partidos políticos.


Foco no candidato: Avaliam a biografia, a rejeição e o carisma da liderança e não a legenda.


Pragmatismo: Priorizam soluções práticas para problemas cotidianos, como economia, segurança e saúde.


Desilusão: Frequentemente demonstram insatisfação generalizada com a polarização e a classe política tradicional.


Como Eles se Movimentam

O comportamento desse eleitorado é altamente dinâmico e estratégico, seguindo padrões específicos: 

Voto de protesto: Migram rapidamente para candidatos "outsiders" ou de terceira via quando rejeitam o governo atual.


Decisão tardia: Costumam definir o voto nos últimos dias da campanha ou até mesmo na urna eletrônica.


Voto útil: Tendem a abandonar candidatos sem chances reais para evitar que o político que mais rejeitam vença.


Pêndulo econômico: Apoiam a continuidade se a economia vai bem, mas votam massivamente pela mudança em tempos de crise.


Influência do debate: Modificam sua intenção de voto com base no desempenho dos candidatos em debates na TV e em campanhas de redes sociais.


Impacto nas Eleições

Como o eleitorado fiel de cada partido costuma ser estável, as campanhas eleitorais modernas — como as analisadas por cientistas políticos no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ou em estudos da Fundação Getulio Vargas (FGV) — focam quase toda a sua energia e recursos para conquistar o voto dos independentes, pois são eles que definem quem vence a eleição 

Base Orgânica do PT (Partido dos Trabalhadores)

A base orgânica do PT possui um caráter histórico, institucionalizado e setorial, intimamente ligado aos movimentos sociais e à esquerda brasileira desde a década de 1980. Suas principais frentes de organização interna e externa incluem:

Movimento Sindical: Historicamente vinculado à Central Única dos Trabalhadores (CUT) e a grandes sindicatos (como os metalúrgicos e professores), que fornecem quadros políticos e forte capacidade de mobilização de massa.

Movimentos Sociais e Populares: Forte ligação com movimentos de luta por terra e moradia, notadamente o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), além de associações de bairro e periferias.

Movimentos Identitários e Setoriais: Organizações internas estruturadas que debatem e militam por pautas específicas, como os movimentos negro, LGBTQIA+, feminista e de juventude.

Comunidades de Base e Setores Progressistas: Histórica relação com a Teologia da Libertação e com as Comunidades Eclesiais de Base (CEB

s) da Igreja Católica, embora esse espaço venha sofrendo transformações nas últimas décadas.

Núcleos de Base: O partido se organiza internamente por meio de pequenos agrupamentos de filiados organizados por local de moradia, estudo ou trabalho, que debatem as deliberações e rumos da legenda.


Base Orgânica do PL (Partido Liberal)

O PL, originalmente uma legenda do chamado "Centrão" focada no pragmatismo fisiológico, converteu-se em um partido de massas da direita a partir da filiação de Jair Bolsonaro. Sua base orgânica atual é fortemente impulsionada pelo bolsonarismo e por setores conservadores, estruturando-se em torno de:

Setores Religiosos Conservadores: Forte penetração e aliança com lideranças e fiéis das igrejas evangélicas neopentecostais, atuando de forma expressiva através da bancada religiosa.

Policialismo e Militarismo: Forte representação e apoio de membros das forças de segurança, como policiais militares, civis, federais e membros das Forças Armadas, refletindo em candidaturas de forte apelo popular voltadas à segurança pública.

Agronegócio: Apoio financeiro, político e eleitoral de produtores rurais e grandes associações do setor agropecuário, que se identificam com o discurso de direito à propriedade e flexibilização de leis ambientais e de armamento.

Empresariado de Médio e Pequeno Porte: Setores do comércio e serviços alinhados às pautas do liberalismo econômico, desregulamentação do mercado e redução de impostos.

Militância Digital e Redes Sociais: Diferente da estrutura de núcleos físicos do PT, a base do PL se mobiliza e se organiza de forma orgânica em ecossistemas digitais altamente eficientes (grupos de mensagens e redes sociais), o que confere ao partido uma rápida capacidade de reação e engajamento político.

Confira meu artigo .Link: https://diariodeumjoranlista.blogspot.com/2022/04/social-democracia-x-extrema-direita.html

A principal diferença entre a direita e a extrema direita reside na aceitação do pluralismo democrático e na intensidade de certas pautas ideológicas. Enquanto a direita tradicional atua dentro das instituições vigentes, a extrema direita frequentemente adota posturas antissistema ou de exclusão de minorias

Direita Convencional

A direita moderada ou liberal-conservadora foca na manutenção da ordem social e na liberdade econômica, respeitando as regras democráticas. 

Economia: Defesa do livre mercado, privatizações e redução do papel do Estado.


Sociedade: Fomento a valores tradicionais e à hierarquia social, mas convivendo com a diversidade política.


Política: Atuação por meio de partidos tradicionais e respeito às instituições democráticas. 


A extrema direita radicaliza os princípios da direita e pode apresentar traços autoritários. 

Nacionalismo Radical: Defesa de uma identidade nacional "pura", muitas vezes com viés chauvinista ou xenófobo.


Antissistema: Críticas severas às instituições democráticas e ao pluralismo, frequentemente promovendo lideranças fortes que se colocam como "outsiders".


Rejeição de Minorias: Discursos que marginalizam grupos específicos (imigrantes, minorias religiosas ou raciais) sob a justificativa de preservar a cultura nacional.


Exemplos Históricos e Atuais: Inclui desde o fascismo histórico até movimentos contemporâneos que adotam táticas de polarização extrema e contestação da legitimidade de adversários. 

As bases  orgânicas estão consolidadas. Mas conforme meu artigo . A real polarização se dá entre Social Democracia e Extrema Direita. Uma vez que a velha Direita foi engolida pelo bolsonarismo . . 

Resta saber como serão os eleitores independentes. Os que decidem disputas polarizadas.


E assim caminha a humanidade.

Imagem da Folha de São Paulo.