O trumpismo é um movimento político, estilo de governança e conjunto de ideias nacional-populistas associado a [Donald Trump] e à sua base de apoio.Características PrincipaisPopulismo anti-elites: Divisão agressiva entre os interesses do "povo" e o "establishment" político e midiático.Nacionalismo e protecionismo: Defesa da soberania nacional estrita, com foco em políticas comerciais protecionistas (como guerra de tarifas) e forte controle de imigração.Rejeição ao multilateralismo: Crítica a acordos internacionais, oposição a organizações globais e priorização de negociações bilaterais diretas.Polarização profunda: Uso de uma retórica de confronto direto que alimenta divisões sociais e partidárias intensas.Origem e ImpactoO fenômeno ganhou força expressiva a partir da campanha presidencial de 2016 nos Estados Unidos. Mais do que uma simples plataforma partidária, o trumpismo reconfigurou o Partido Republicano norte-americano e serviu de referência para correntes políticas nacionalistas e conservadoras radicais em várias partes do mundo.
Trumpismo e Soft Power: Um estudo sobre a construção da imagem dos Estados
Unidos no governo de Donald Trump¹
LOPES, Ana Flávia²
RESUMO: O objetivo do artigo é compreender a importância do soft power para a condução
da política externa dos Estados Unidos. Para fazer isso, partimos de uma análise histórica da
política externa dos Estados Unidos no pós Guerra Fria para, depois, buscar compreender
como as decisões tomadas pelo atual presidente Donald Trump podem afetar a reputação do
país e a percepção e confiança que a comunidade internacional tem para com ele, através da
inexistência de soft power em sua administração. A hipótese deste trabalho é que o trumpismo
prejudica a imagem exterior dos Estados Unidos, com impacto na condução da política
externa deste país.
PALAVRAS CHAVES: Soft power. Estados Unidos. Política Externa. Donald Trump.
ABSTRACT: The purpose of the article is to comprehend the importance of soft power for
the conduction of the United States foreign policy. To do this we start from a historical
analysis of the United States foreign policy in the post-Cold War, for then to understand how
the decisions made by the current president Donald Trump can affect the country’s reputation
and the perception and confidence the international community has towards it, through the
inexistence of soft power in his administration. The hypothesis of this work is that trumpism
damages the external image of the country, impacting the conduction of foreign policy.
KEYWORDS: Soft power. United States. Foreign Policy. Donald Trump.
¹Trabalho de conclusão de Curso apresentado como pré-requisito para a obtenção do título de
Bacharel em Relações Internacionais pela Universidade Federal de Uberlândia, sob o orientador:
Prof. Dr. Filipe Almeida do Prado Mendonça.
²Graduanda do curso de Relações Internacionais pela Universidade Federal de Uberlândia
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1. INTRODUÇÃO
No ano de 1990, Joseph S. Nye Jr. publicou seu livro Bound to Lead, onde
argumentava que ao contrário do que se acreditavam os Estados Unidos não passavam por um
período de declínio, mas continuava sendo o país mais forte, no âmbito econômico, militar e
em um terceiro que o autor denominou de soft power. Para entender o termo, e como é
possível aplica-lo no contexto social e político que vemos no governo atual dos Estados
Unidos, é essencial a compreensão primeiramente do que é poder.
Se consultarmos Bobbio, Matteucci e Pasquino para encontrarmos a definição da
palavra há diversos significados para o substantivo citado, alguns dos quais sendo “A
capacidade ou a possibilidade de agir, de produzir efeitos” e se focarmos no poder social, este
se torna mais específico como “A capacidade geral de agir” até “A capacidade do homem em
determinar o comportamento do homem” (1998, p. 933). Então é possível inferir que, poder é
a habilidade de influenciar algo ou alguma coisa para conseguir o resultado desejado. Este
podendo ser alcançado tanto através da coerção quanto da cooptação, passando por
pagamentos, ameaças e cooperação. A escolha de que tipo de poder utilizar dependerá do
contexto em que o relacionamento entre as partes existir.
O poder também pode ser entendido, como tudo aquilo que um Estado possui, e que o
faz influente em seu meio, como sua localização, o tamanho de sua população, seus recursos
naturais, e a força militar e econômica. Assim, um país é poderoso quando possui meios,
quantitativos, para conseguir alcançar o que almeja. Essa definição é a mais usada, pois aos
olhos comuns, é mais fácil acreditar na força e poder de um país, quando se pode ver todos os
tanques e aparatos militares que este possui. Porém, esta visão pode se mostrar falha, como
foi o caso da Guerra do Vietnã, onde os Estados Unidos eram muito mais desenvolvidos
tecnologicamente e mesmo assim o país perdeu a guerra. Portanto, como é colocado por
Joseph S. Nye Jr. (2004, p. 4), “power resources cannot be judged without knowing the
context. Before you judge who is holding the high cards, you need to understand what game
you are playing [...]”.
Para Hans Morgenthau, influente autor do realismo clássico, o poder é o objetivo
principal daqueles que tomam as decisões das políticas internacionais. O poder político para
ele é uma relação psicológica entre aqueles que praticam e aqueles sobre quem é praticado, ou
mesmo os que fazem e os que obedecem, um relacionamento semelhante ao que o Estado tem
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sobre o povo. Ademais, o autor difere o poder político da força física, onde as ameaças
transcendem o hipotético e se transformam em exercício concreto. Essa divisão é necessária,
pois o poder político tem retorno por três motivos: a possibilidade de benefícios, o respeito à
autoridade e o medo de perdas. E estes são postos em prática através de ameaças, ordens e
autoridade de determinado órgão ou individuo (MORGENTHAU, 2003, p. 52). Porém
quando as ameaças se concretizam, o poder político se transforma em poder militar.
Além disso, Morgenthau faz quatro distinções entre: o poder e a influência, o poder e a
força, o poder utilizável e não utilizável e o poder legítimo e o ilegítimo. A relação entre um
conselheiro e o presidente de uma empresa é marcada pela influência. Isso porque, o
conselheiro pode tentar influenciar na tomada de decisões, mas a decisão final será do
presidente, aquele que possui o poder per se. A força e o poder devem ser distinguidos, como
já foi citado, quando a ameaça se concretiza em um ato de violência física. O poder utilizável
se distingue do não utilizável quando se toma as armas nucleares em consideração, pois
quando um país decide ameaçar com o uso do poder nuclear, a ameaça se torna a destruição
total. Isso porque se duas nações que possuem o mesmo nível de armamentos nucleares
ameaçarem atacar uma à outra, o resultado seria catastrófico para as duas. Assim as ameaças
se cancelarão. Já poder legítimo, ou aquele que é efetivado tanto legalmente como
moralmente, tem maior perspectiva de ser aceito pelo povo do que aquele que transgrede as
leis impostas.
Outro autor que se dispõe a analisar o termo é Raymond Aron, cientista político
francês, que define mais amplamente poder como “a capacidade de fazer, produzir ou
destruir” (ARON, 2002, p. 99). Apesar da complexidade de se mensurar o significado de
poder, o autor acredita que a habilidade de influenciar sobre o comportamento ou sentimento
de outras pessoas é a mais importante característica do termo, desse modo, poder para ele é
essencialmente uma expressão reservada às relações humanas e não aos meios utilizados para
se impor o que se deseja. O autor também faz a distinção entre o poder e a potência, o último
sendo os recursos concretos que foram prontamente mobilizados para a atuação da política.
Porém, Aron acredita que a definição absoluta e essencial de poder pode ser mais
prejudicial do que benéfica àqueles que lidam com a idealização de políticas. Isso porque, o
poder possui diversos significados dependendo do contexto que este está inserido, tanto
politicamente quanto geograficamente, e se tomada uma definição como absoluta, esta pode
não ser a ideal para determinada situação.
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Desse modo, quando se compreende o contexto em que está inserido, torna-se mais
fácil escolher o tipo de poder que irá ser empregado. Como entre o soft e o hard power. O
hard power, citado por Edward Lock (2010, p. 33), é a capacidade de um ator mudar a
opinião de outros através de ameaças ou incentivos, ou de como é chamado pelo autor “sticks
and carrots”. Isto inclui a violência física, no caso de um indivíduo, e as forças militares no
caso do Estado, o que por consequência assume que o Estado que conseguir alcançar
resultados positivos, possui maior riqueza investida em suas forças armadas, fazendo do poder
financeiro uma característica do incentivo ao hard power.
Já o soft power, é definido por Nye Jr. como “[...] the power of attraction, the
influence of example [...] Soft power is the ability to get what you want by attracting and
persuading others to adopt your goals” (2010, p. 1). Desse modo, não é necessário o uso da
violência, e o resultado acaba se tornando mais barato do que o uso dispendioso que pode se
tornar os incentivos do hard power. Para tanto, os países devem criar agendas que salientam
os seus princípios atrativos, como por exemplo, no caso dos Estados Unidos, sua devoção à
democracia e aos fundamentos liberais de mercado, os lucros do comércio, e ao consumismo.
Para muitos, estes preceitos são mais sedutores do que a ameaça ou incentivos monetários, e
por isso são centrais para a construção de políticas capazes de mobilizar e cativar outros, o
que a cada dia se torna mais importante, em um mundo multipolar com centenas de atores —
tanto estatais quanto não estatais, como instituições internacionais, ONGs, organizações
transnacionais e religiosas e até mesmo pessoas proeminentes —, onde os países que forem
capazes de criar uma network sólida serão aqueles que terão maior notabilidade internacional.
Porém o soft power não pode ser lido como mera influência. Muitos analistas
desconsideram o termo por o entenderem como sendo apenas o poder da cultura popular, os
produtos comerciais disseminados em massa e obras cinematográficas de grandes estúdios.
Mas para Joseph S. Nye Jr. estes são os recursos culturais capazes de contribuir para a criação
do soft power, e apesar de serem partes importantes não são o todo. O soft power é composto
de uma tríade: os valores do governo, a cultura e suas políticas governamentais, externa e
interna. (NYE JR., 2004, p. 11).
Em primeiro lugar, os valores que um país carrega possuem enormes potenciais para
criar soft power nacional. No caso dos Estados Unidos estes são a democracia, o
materialismo, o progresso, a igualdade e o individualismo. A busca por compartilhar seus
valores com o resto do mundo, após o atendado de 11 de setembro de 2001, levou diversas
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mídias de comunicação a denominarem a política de construção de Estados em países fracos
como o novo Destino Manifesto, sendo posto em prática pelo então presidente George W.
Bush. Isso porque, o objetivo desta política era fazer países como o Afeganistão se tornarem
sociedades abertas e livres, ou adotar as doutrinas preconizadas pelos Estados Unidos.
Em seguida, os valores culturais, uma das grandes razões de orgulho para os norte
americanos, são a mais popular forma de disseminar os pensamentos e opiniões de uma
sociedade para o resto do mundo. Dado que esta categoria engloba arte, cinema, literatura,
gastronomia, moda, educação e costumes. Desta forma a cultura alcança desde o mais rico até
o mais pobre. E os Estados Unidos se beneficiam da posição de país mais influente do
Ocidente. Isso porque a maior parte dos países compartilham os mesmos ideais e princípios
democráticos daquele, e todos querem um pouco da tecnologia de ponta e das novidades que
o país tem a oferecer. No entanto a cultura encontra um obstáculo quando tenta intervir em
países com convicções totalmente contrárias, como por exemplo, se o restaurante de fast-food,
McDonald’s, vendesse hambúrgueres bovinos aos hindus da Índia. Assim, precisa-se entender
o contexto social dos países para utilizar os recursos do soft power plenamente.
Outro exemplo de como a cultura pode ser benéfica quando se trata de construir laços
com outros países são os intercâmbios, acadêmicos, religiosos, empresariais e culturais. Em
uma pesquisa levantada pelo Institute of International Education (IIE), no ano de 2015/2016,
1, 043, 839 estudantes estrangeiros cursavam em algum tipo de instituição de ensino superior
nos Estados Unidos. Os maiores expoentes de alunos sendo China, Índia e Arábia Saudita.
Isto representa mais de um milhão de estudantes que voltarão aos seus países e irão
compartilhar suas experiências com seus colegas e familiares, criando uma propaganda de
referência realista do país que visitaram, e não corroborando com as representações muitas
vezes caricatas disseminadas pelos governos locais.
E por último, as políticas governamentais impactam amplamente em como a sociedade
internacional enxerga os Estados Unidos, e podem ter efeitos de longo e curto prazos. As
decisões que este governo toma podem afetar diretamente outros países, como por exemplo,
quando envolve um tratado internacional. Quando a administração de Trump resolveu se
retirar do Acordo de Paris, houve uma grande comoção internacional, e mesmo nacional, onde
políticos do mundo inteiro fizeram declarações contra a decisão do presidente norte
americano. A saída do país significou um enfraquecimento no acordo, pois os Estados Unidos
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atuavam em uma posição de liderança além de ser um grande contribuinte para às emissões de
gás carbônico na atmosfera.
Houve também à decisão de suspender o Deferred Action for Childhood Arrivals, ou
DACA, que era uma opção para imigrantes que chegaram ao país antes de completarem 16
anos. A suspenção, como será abordada mais profundamente na terceira parte deste artigo,
levou a grandes demonstrações de desagrado, tanto em mídias sociais, quanto em forma de
protestos nas ruas. Estes atos foram alguns dos vários golpes sofridos pelo governo Trump em
relação ao seu soft power.
As consequências de tantas escolhas equivocadas do governo Trump são amplamente
divulgadas nas mídias e em redes sociais, e instantaneamente analisadas com escrutínio, pois
na era da informação em que vivemos o que acontece hoje se torna viral na mesma hora. E
isto se intensifica por causa da constante presença e interação que o presidente tem nestas
redes, sempre deixando claro sua posição nos acontecimentos diários, mesmo que estas sejam
controversas, dando muitas oportunidades para quem deseja critica-lo assim fazê-lo.
Há ainda a combinação entre hard power e soft power que resulta no smart power, que
nada mais é que a junção do poder de coerção e força ao poder da atração e persuasão. O
exemplo mais conhecido de uso do smart power foi pelos Estados Unidos durante a Guerra
Fria, visto que ao mesmo tempo em que Estados Unidos e União Soviética estavam em
conflitos indiretos, construindo armas e fazendo ameaças bélicas, o governo norte-americano
promovia programas de intercâmbio às elites soviéticas para que quando estes voltassem para
casa, disseminassem os ideais liberais que presenciaram nos Estados Unidos (LAYNE, 2010,
p. 55).
Além disso, é importante apresentar o argumento de Geraldo Zahran sobre como é
possível traçar um paralelo entre a teoria de Nye, sobre a aparente permanência dos Estados
Unidos como o país mais forte do sistema internacional, e o conceito de hegemonia
desenvolvido por Gramsci. Isso porque, assim como Nye, Gramsci acredita que a hegemonia
de um grupo, ou mesmo de um Estado, funciona através de um agrupamento de princípios —
os de Nye sendo: a liderança tecnológica, extenso desenvolvimento econômico e militar, soft
power e o eixo das comunicações transnacionais (NYE, 2002, p. 13) — assegurando a sua
posição influente, ao mesmo tempo em que contempla o bem-estar daqueles que não exercem
o poder.
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Gramsci desenvolveu seu conceito de hegemonia, pois ele questionava a aceitação
daqueles desprivilegiados de poder ao sistema capitalista que os exploravam em uma
sociedade democrática. Para o autor, era esperada uma revolta contra a conjuntura para mudar
a estrutura que os reprimiam, mas como foi visto por Gramsci no início do século vinte, não
era bem isso que acontecia. Isso porque, com a formação de um Estado hegemônico, cria-se
uma ideologia coletiva de que para alcançar determinado objetivo econômico, político ou
social, é necessário se unificarem como sociedade. Aqueles que protagonizam a ordem
acabam se tornando os líderes hegemônicos da comunidade, e desse modo legitima-se o poder
deste.
A hegemonia do grupo então se espalha para todas as esferas da sociedade, difundindo
ideias de resignação e aceitação. Isso sem necessariamente o uso da força, pois as ideias são
repetidas e disseminadas através da cultura, mídias e a imprensa. Assim como Nye apresenta,
quando reforça a importância do desenvolvimento do soft power de um Estado para divulgar
seus princípios para o resto do mundo.
Com a globalização e a tecnologia avançando gradualmente, dando mais mobilidade e
interação às pessoas, o mundo se torna cada vez menor, no sentido de que uma pessoa
consegue fazer seu ponto de vista ser compartilhado em qualquer lugar do globo. Isso tem
uma reação no soft power, pois dá o poder da palavra para qualquer pessoa que tenha algo
para falar, e muitas vezes o governo não tem como controlar se isso beneficiará ou prejudicará
a sua imagem. O que será desenvolvido nas próximas partes do presente trabalho é
exatamente isso: Uma análise da política externa dos Estados Unidos no pós Guerra Fria e
como as ações do atual presidente, Donald Trump, tem minado o soft power do país.
2. A POLÍTICA EXTERNA NO PÓS-GUERRA FRIA
Após o fim da Guerra Fria viu-se necessário o redirecionamento da política externa
dos Estados Unidos. Isso se deu, pois ao término da Segunda Guerra Mundial até os últimos
anos da década de 1980, seu principal foco foi à contenção do poder e da influência da União
Soviética. No segundo mandato de Ronald Reagan e com a entrada de Mikhail Gorbachev no
governo soviético, houve o triunfo de ideias novas e revolucionárias que substituíram as
práticas institucionais que estavam enraizadas na URSS desde o fim da Segunda Guerra
(HERRMANN, LEBOW, 2004, p. 09). Desse modo, os anos 1990 trouxeram um novo
presidente à frente do governo norte-americano, George H. W. Bush, e com ele a implantação
de uma política externa condizente com o contexto vigente.
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Apesar de considerar a União Soviética com uma nova abordagem, o novo presidente
não deixou de encarar este país como um poderoso adversário com grande capacidade militar
e que, de modo geral, ainda mantinha conflitos de interesses entre eles. Assim, ele encarrega o
seu time de segurança nacional para determinar os objetivos políticos e estabelecer quais
políticas, de curto e longo prazo, seriam mais eficazes para lidar com Moscou. Condoleezza
Rice, então diretora dos Assuntos Soviéticos e do Leste Europeu do Conselho de Segurança
Nacional, alegou que a decisão mais acertada para o momento era um movimento mais
ousado por parte dos Estados Unidos, indo além da contenção do problema e acelerando o
cisma entra a Europa Oriental e as ideias do bloco soviético, trazendo Gorbachev mais para o
oeste. Durante um discurso, em Maio de 1989, o presidente Bush declara que “[...] as armas
são um sintoma, e não a fonte da tensão (da Guerra Fria). A verdadeira fonte de tensão é a
divisão imposta e não natural da Europa” (BUSH, 1989). Além disso, também é a primeira
vez que Bush endossa a glasnost e a perestroika (a abertura política e a reestruturação
comercial).
Estampados na capa do The New York Times de 04 de dezembro de 1989 estavam os
sorridentes Presidentes Bush e Gorbachev sob a manchete de que “Bush e Gorbachev
proclamam uma nova era para os laços entre Estados Unidos-União Soviética; Concordam
nos objetivos de armas e comércio” (ROSENTHAL, 1989, p.01), após a conferência em
Malta onde, segundo Gorbachev, ele e o presidente norte americano acreditavam que as
características da guerra fria deveriam ser abandonadas, e em seu lugar construir uma nova
relação entre os países com o interesse de reestabelecer a Europa e acabar com os confrontos
militares que existiam ali.
Durante os próximos meses as negociações continuaram, focando principalmente na
reunificação da Alemanha, até que em maio de 1990 em uma cúpula na cidade de
Washington, Gorbachev reconheceu que apenas os alemães poderiam determinar seu futuro.
Assim, os quatro países que ainda ocupavam os territórios alemães, União Soviética, Estados
Unidos, França e Reino Unido, renunciaram seus direitos na Alemanha e em Berlim. A então
reunificada Alemanha declarou que a antiga Alemanha oriental e Berlim se tornariam uma
zona permanente livre de armas nucleares. Apesar do apoio norte americano, a perestroika
não foi o suficiente para salvar o sistema soviético. Com a economia ainda abalada e os gastos
do governo aumentando progressivamente, a produção do país entrou em declínio o que levou
à inflação. Em junho de 1991 Boris Yeltsin competindo com o candidato de Gorbachev,
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ganhou as eleições e veio a ser o primeiro presidente do que se tornou a República Soviética
da Rússia, e mais afrente, em dezembro do mesmo ano, após se reunir com os líderes da
Ucrânia e de Belarus, decidiram dissolver a União Soviética e criar estados independentes.
Todo o acordo foi reconhecido por Bush. (TUDDA, 2015, p.179).
A primeira crise internacional pós Guerra Fria que o presidente Bush enfrentou foi a
Guerra do Golfo. Desde o seu início Bush acreditava que era papel dos Estados Unidos tomar
a liderança internacional. Em um discurso proferido, em setembro de 1990, antes de uma
sessão conjunta do congresso, o presidente delimitou claramente que o objetivo do governo
norte americano na Guerra do Golfo era que as tropas iraquianas se retirassem completamente
e imediatamente do Kuwait, sem nenhuma condição feita. O governo legítimo do Kuwait
deveria ser restaurado e a segurança e estabilidade do golfo assegurada. Porém , segundo
Bush, ao contrário do que Saddam Hussein acreditava esta não era uma guerra dos Estados
Unidos contra o Iraque, e sim do Iraque contra todo o mundo. Isto porque Bush enxergava
esta crise como uma oportunidade para que a cooperação internacional se concretizasse. No
discurso anteriormente citado, o presidente define esta era como “a New World Order”, ou
uma nova ordem mundial, onde “[...] as nações do mundo, oeste e leste, norte e sul, possam
prosperar e viver em harmonia.” (ESTADOS UNIDOS, 1990).
Para tanto, Bush aponta que o congresso deve decretar um programa de defesa que
reflita as crescentes responsabilidades do país em lidar com os riscos constantes de atores
ilegais e conflitos regionais. Assim, Bush e seus conselheiros vão atrás dos países membros
das Nações Unidas em busca de apoio para uma abordagem mais ofensiva em face à invasão
do Kuwait. Daqueles presentes na reunião, doze votaram a favor, Cuba e Iêmen se opuseram e
a China se absteve. A resolução estabelecia que o Iraque tinha dois meses para retirar suas
tropas dos territórios kuaitianos, e se não o fizessem, os membros da ONU estavam
autorizados a usar qualquer meio necessário para restaurar a segurança na região. Porém essa
decisão não foi recebida com bons olhos pela população e o congresso americano, que
acreditavam que o envio de novas tropas para a área de risco não era a solução, e sim o
reforço das sanções econômicas sobre o Iraque. Somente às vésperas da data final
estabelecida para a ação conjunta entre os Estados Unidos e ONU contra o Iraque, que o
congresso daquele país cedeu seu apoio à decisão, concordando que todas as opções
diplomáticas haviam sido esgotadas (HESS, 2001, p.191).
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Desse modo, no dia 16 de janeiro de 1991, o presidente Bush autoriza o início da
Operação Desert Storm. Mesmo após haver o consenso, entre povo e governo, de que o
combate era a única solução vitoriosa, não se extinguia o temor de novos desastres como a
Guerra da Coreia, na década de 1950, e a Guerra do Vietnã. Contudo os temores não foram o
suficiente para que cedessem. A primeira fase da guerra foi concebida para ser uma série de
bombardeios, tendo como objetivo incapacitar o comando iraquiano, destruindo seus
suprimentos e as linhas de comunicação. Em seguida iniciar-se-ia o conflito terrestre. A
primeira parte do plano foi tão bem sucedida que segundo a opinião pública, não seria
necessário o ataque terrestre. Mas esta convicção se provou infundada. Como retaliação ao
ataque, Saddam Hussein enviou mísseis a Israel, causando danos consideráveis, para servir de
chamariz, esperando que o estado respondesse com uma represália, tirando a atenção de seus
outros assaltos. Porém Israel não atacou, satisfazendo as súplicas de Bush.
Com os contínuos ataques e execuções de jovens kuwaitianos, o presidente norte
americano determinou, e foi apoiado pelo Conselho de Segurança da ONU, que Saddam
Hussein dispunha de 24 horas para retirar suas tropas e ordenar o cessar fogo. Como Hussein
não acatou as ordens, o ataque terrestre se iniciou em 23 de fevereiro, resultando em uma
vitória rápida e expressiva para os EUA e a aliança da ONU. Já em 27 de fevereiro com todas
as tropas fora do território do Kuwait, Saddam admitiu sua derrota, e aceitou as resoluções
delimitadas pela ONU. (HESS, 2001, p.228). Com esta vitória, os números de aceitação do
presidente Bush estavam a 89%. Mas a comemoração da conquista foi antecipada. Com o
passar dos meses, a população norte americana chegou à conclusão de que com a permanência
de Hussein no governo iraquiano, a batalha havia sido ganha, mas a guerra não havia
terminado.
Na disputa presidencial do ano seguinte, Bill Clinton sobressaiu o então presidente
Bush, que buscava a reeleição, se tornando o 42º presidente dos Estados Unidos. De acordo
com John Dumbrell, em seu livro Cliton’s Foreign Policy: Between the Bushes (2009, p.25),
o novo presidente buscava a permeação entre as políticas domésticas e externas. Isto porque,
para Clinton, a campanha de Bush negligenciou as questões domésticas do país. Desse modo,
a sua política foi pautada em um comprometimento geoeconômico e um reconhecimento aos
seus limites, no que dizia respeito à delimitação do engajamento diplomático e militar dos
EUA no resto do mundo. A condição da participação norte americana se centralizava nas
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consequências domésticas de conflitos regionais, obrigações com alianças internacionais e
consideráveis interesses econômicos.
No início de seu governo, os assessores do presidente buscavam um novo guia para a
política externa, encarando um sistema internacional sem ameaça aparente, pós Guerra Fria, e
sem dar continuação ao New World Order do presidente anterior. Sugerido por Tony Lake,
assessor de segurança internacional do governo Clinton, o termo “ampliação democrática” se
tornou o propósito central da política externa. Ele tinha como objetivo o posicionamento dos
Estados Unidos como líder da globalização econômica, expandindo o livre comércio e a
promoção da democracia, baseando-se na ideia de paz democrática derivada de Kant de que
nações democráticas não fazem guerra entre si. Lake definiu que a política iria “combine our
broad goals of fostering democracy and markets with our more traditional geopolitical
interests” (DUMBRELL, 2009, p.42).
Um ponto em que ambos Clinton e Bush concordavam era como lidar com a ameaça
apresentada pelo Iraque. O que se mostrou importante, pois a uma semana de Clinton tomar
posse, houveram ataques aéreos coordenados entre americanos, britânicos e franceses contra
os iraquianos. Foram enviadas mais tropas norte americanas tanto para a região do Golfo
persa quanto para o próprio Kuwait quando o exército iraquiano se posicionou na fronteira
kuaitiana. Além das tropas, em junho de 1993, o presidente ordenou um ataque aéreo com o
serviço de inteligência iraquiano como alvo, como retaliação a um plano de assassinar o
antigo presidente, George Bush, durante sua visita ao Kuwait em abril do mesmo ano. Dos 23
mísseis Tomahawk que foram lançados, 16 atingiram o alvo, 3 atingiram uma área
residencial, e quatro desapareceram.
Outro polo que apresentava hostilidades na política internacional, e careciam da
mediação que os Estados Unidos ofereciam, era entre Israel e os palestinos, um conflito que
parecia ter um fim promissor, pois a Noruega atuava como catalisador, criando a Declaração
dos Princípios de Paz no Oriente Médio, que simbolizava um acordo entre a Organização para
a Libertação da Palestina (OLP) e Tel Aviv, onde ambos reconheciam que a paz oferecia
maior garantia de segurança. Além disso, o acordo assinado em setembro de 1993 na Casa
Branca, determinava a saída de Israel dos territórios ocupados, a OLP reconheceria Israel
como um estado legítimo e em retorno Israel reconheceria a OLP como sendo o representante
legítimo do povo palestino. Nos quatro anos seguintes os acordos foram se mostrando
infrutíferos e provando que talvez o melhor jeito dos Estados Unidos lidar com a questão da
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paz no Oriente Médio seria não se envolver, o que se alinhava com as políticas iniciais do
governo Clinton na limitação dos engajamentos em conflitos internacionais (DUMBRELL,
2009, p.148).
Colocando em prática o que representava o foco de sua política externa, a liderança da
globalização econômica, Clinton deu continuação às discussões que já vinham sendo
debatidas para a criação de um acordo comercial entre Estados Unidos e México. O acordo
apresentava incertezas por parte dos norte americanos por receio de perderem seus empregos
para a mão de obra mais barata que os mexicanos representavam. Porém não foi o suficiente
para romper as conversações, pois em 1993 EUA, Canadá e México concluíram a negociação
e criaram uma zona de livre comércio, o NAFTA, ou Tratado Norte-Americano de Livre
Comércio. De acordo com Dumbrell, o novo acordo delimitava o espaço de 15 anos para
eliminar as tarifas e os obstáculos sobre os investimentos estrangeiros diretos (2009, p. 51).
Para vender a ideia de um livre mercado, Clinton atrelou-o à ideia de globalização, que
já era um tema amplamente discutido nos anos 90, com o avanço tecnológico e a revolução da
informática. Segundo Clinton o mundo estava mais conectado do que nunca, o comércio não
era mais apenas regionalizado e sim global, assim como serviços e informações. Para o
presidente, as mudanças sentidas nesta década eram comparáveis com as daquela da
Revolução Industrial (EDWARDS, 2008, p.101). A escolha de criar um grupo democrático de
livre comércio norte americano incluindo o México, serviria de exemplo para outros países
latino americanos que buscariam seguir o mesmo caminho, além de representar um grande
mercado para os produtos do primeiro.
Análogo ao novo direcionamento econômico, o modo como a participação militar
norte americana em conflitos internacionais se daria sob o governo Clinton também tomou
uma nova forma, ou pelo menos uma nova denominação: o humanitarismo assertivo. Um
exemplo é a operação Restore Hope, na Somália, que vivia uma guerra civil que assolava seu
território onde era aterrorizada por milícias e pela fome, e foi iniciada em dezembro de 1992 e
continuada sob o governo de Bill Clinton. Inicialmente a operação tinha como objetivo central
uma missão humanitária, apenas protegendo àqueles que buscavam entregar ajuda
internacional no país africano. O apoio era a principio concentrado no espaço aéreo, ou seja,
os alimentos eram enviados pelas aeronaves e lançados a baixa altitude em áreas de extrema
precariedade. No entanto, os alimentos não chegavam às mãos dos civis, sendo interceptados
por membros das milícias. Desse modo, o governo dos Estados Unidos percebeu que o único
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modo de intervir seria por meio terrestre, especialmente com o uso de seu poder de fogo
(KALTZ, 1993, p.04).
Assim, juntamente com as Nações Unidas, a operação para prevenir que as milícias e
os grupos armados barrassem a distribuição de ajuda e alimentos para os somalis se iniciou,
com tropas supervisionando a entrega destes suprimentos, tendo certeza que a ajuda chegaria
para aqueles que mais precisavam. De inicio, este era o objetivo central. Mas em março de
1993, a administração Clinton apoiou no Conselho de Segurança da ONU uma resolução que
afirmava o prosseguimento da operação humanitária, contudo, expandindo para o auxílio na
criação de um governo e instituições democráticas no território, buscando estabelecer a
ordem. Assim, aquele objetivo inicial de Clinton em sua política externa de limitar sua
participação internacional, mostrou-se mais uma vez infundado, tomando agora uma
abordagem de nation-building.
A operação foi denominada de UNOSOM. Sete meses depois da decisão no conselho
da ONU, apoiadores do líder militar somali Mohammed Farah Aidid emboscaram soldados
americanos, matando 18. Depois do ataque, o congresso norte americano pressiona pela
retirada das tropas, que foi finalizada em março de 1994, muito influenciados pelo CNN
effect. Esse efeito, nomeado pelo trabalho que a rede CNN fez durante a Guerra do Golfo, e a
decorrência dele, instigou a população e o congresso norte americano tanto para a entrada no
conflito somali, quanto na reivindicação para a saída dele. De acordo com Steven Livingston,
em seu artigo de pesquisa Clarifying the CNN effect, este pode ser definido como o impacto
que a então nova mídia de tempo real tinha sob a construção da diplomacia e da política
externa (1997, p.01). E além de, certo modo, manipular a reação dos espectadores, esse tipo
de mídia em tempo real também tirou a possibilidade dos decisions makers debaterem
profundamente, pois a reação era esperada com a mesma urgência que as novas notícias
surgiam.
Um tópico que se mostraria de extrema importância na década seguinte, e que pode ser
destacado como um relevante ponto na agenda política de Bill Clinton são as ameaças
terroristas, tanto domésticas, quanto internacionais. A primeira em 1993, logo no início de seu
mandato, uma explosão no World Trade Center, o centro comercial de Nova Iorque, matando
seis pessoas e ferindo mais de mil. O maior choque foi a percepção da desconstrução da ideia
de que os terroristas não seriam capazes de organizar tal ato dentro do território norte
americano. Apesar de o presidente assegurar que estava sendo feito todo o possível para
14
manter os americanos seguros em seu país, um pouco mais de dois anos após o primeiro
ataque, houve a explosão de uma bomba na frente de um prédio federal na cidade de
Oklahoma, matando 168 pessoas. E diferente do primeiro ataque, que foi conduzido por
estrangeiros seguidores do fundamentalismo islâmico, o segundo ataque foi comandado por
um norte americano que buscava vingança pelas políticas que o governo havia tomado em
países estrangeiros como o Iraque, Vietnã e Líbia.
Para o presidente Clinton, estes ataques estavam atrelados à nova era da informação e
como certas pessoas estavam usando da facilidade da propagação de opiniões para influenciar
outras. Muitos tomaram o discurso de Clinton dias após o ataque em Oklahoma como uma
ofensa à liberdade de expressão, pelo ênfase que esse deu à responsabilidade daquilo dito em
público. Para mostrar que uma decisão havia sido tomada no que diz respeito às ameaças
terroristas, é criada uma nova jurisdição federal para lidar com assuntos como o
financiamento terrorista (DUMBRELL, 2009, p.136).
Para concorrer ao seu segundo mandato, Clinton apostou em posições centristas
naqueles assuntos considerados mais importantes aos republicanos, o equilíbrio no orçamento
fiscal, segurança, imigração e impostos, e a fórmula adotada funcionou, sendo reeleito em
1996. Em sua política externa o foco era a concepção de uma Europa pacífica e não dividida,
a conquista de uma ordem de cooperação na Ásia Pacífico, a criação de meios multilaterais
para o combate às ameaças transnacionais de segurança e a construção de uma estrutura de
comércio para o século XXI. (DUMBRELL, 2009, p.21)
Um novo termo denominando o papel dos Estados Unidos na segunda metade dos
anos 1990 era a de “Estado indispensável”, termo que foi de certo modo atribuído à nova
secretária de Estado Madeleine Albright. Em sua autobiografia de 2013, Madam Secretary,
Madeleine esclarece que apesar dos Estados Unidos terem muito em comum com muitos
países, ele era único em poder e influência, e por isso deveria exercer o papel de guia e
mediador internacional (p.553). E oportunidades não faltaram para o país demonstrar esse seu
papel autodeterminado.
Um exemplo foi o crash financeiro da Ásia que iniciou na Tailândia em 1997 e se
espalhou para outras economias do leste asiático. No inicio, a resposta norte americana foi
através do Fundo Monetário Internacional (FMI), enviando auxílio em partes. Já em junho de
1998, o Tesouro dos EUA investiu dois bilhões de dólares em nome do iene japonês,
15
recebendo uma vasta repercussão negativa do congresso e do povo, e tendo como apoio
grandes companhias do país. Por fim, o chamado bailout dos Estados Unidos em território
asiático totalizou mais de 22 bilhões de dólares.
Seguindo a expansão da participação financeira em outras economias, e o crescimento
do Conselho Econômico Nacional (CEN), que buscava levar em consideração políticas
econômicas em todas as decisões presidenciais, outra prioridade era vista nos “dez grandes
mercados emergentes”, que incluíam China, Índia, Brasil, Indonésia, México, Turquia, Coreia
do Sul, África do Sul, Polônia e Argentina, e na ampliação do envolvimento norte americano
nestas (DUMBRELL, 1997, p.182). Segundo Robert Reich, então secretário do trabalho no
governo Clinton, a administração deste foi a mais favorável aos negócios até então na história
americana. Isto porque, durante seu mandato, em torno de 500 acordos bilaterais ou regionais
foram construídos em relação ao livre comércio e à comercialização de produtos norte
americanos específicos.
Além da intervenção econômica, o então presidente buscava continuar com a expansão
da democracia, pois para ele esse era o caminho para um país mais aberto e disposto a
construir acordos comerciais e políticos. Assim, em um discurso, sobre sua política externa,
em 1999 na cidade de São Francisco, Clinton apontou como um desafio para o novo século,
guiar antigas inimizades, a Rússia e a China, para o sistema internacional como países abertos
e estáveis. A seu ver, o modo como estes se desenvolvessem na década seguinte, significaria
um grande impacto em todo o mundo, o que se mostrou verdadeiro com a ascensão da China
como a segunda maior economia global.
Porém o clima no âmbito doméstico começou a ser afetado por uma série de acusações
contra o presidente a cerca de alegados episódios de assédio sexual e mau comportamento que
o acompanhavam desde antes de ser eleito ao primeiro mandato. Em 1997, Paula Jones, uma
das acusadoras contra Bill Clinton, consegue na Suprema Corte continuar com o processo
contra o presidente, mesmo este ainda exercendo o cargo. Durante a construção da ação legal
o caso de Monica Lewinsky com Clinton vem à tona e é adicionado à bola de neve, que acaba
se tornando o foco da política norte americana até o fim de 1998, com o presidente
confessando o relacionamento com a ex-estagiária. Como Clinton no começo das
investigações havia negado qualquer envolvimento com Lewinsky, Kenneth Starr que servia
como promotor do caso entendeu que existia base para um processo de impeachment contra o
então presidente, pelo crime de perjúrio sob juramento e obstrução da justiça ao lidar com
16
possíveis testemunhas. O julgamento então foi para o Senado, e lá, Clinton foi absolvido das
acusações que segundo os senadores eram de mau-gosto e envolvia assuntos privados do
presidente. Assim, Clinton continuou no cargo restando-o ainda dois anos para cumprir em
seu mandato (RILEY, 2018).
O seu próximo contratempo viria a ser os ataques das forças iugoslavas nos Balcãs,
mais especificadamente no território do Kosovo. Para o Congresso, o presidente deveria
tomar a iniciativa de participar de mais um conflito para o bem da população kosovar. A
intenção era de que a interferência da OTAN, liderada pelos Estados Unidos, no conflito iria
deter os crimes contra a humanidade cometidos ali pelo Estado, dentro de sua própria
fronteira (ROBERTS, 1999, p.102). O conflito foi denominado com a primeira guerra
humanitária, pois tinha como objetivo o impedimento antecipado da morte e expulsão de
sérvios do que era ainda uma província da Sérvia. O que se mostrava incoerente, pois estava
sendo usados princípios dos direitos humanos como base para iniciar uma guerra.
As forças aéreas depreendidas duraram 78 dias, e apesar de muitos desacreditarem que
apenas ataques aéreos seriam o suficiente para a Sérvia aceitar a assinatura de um acordo, em
junho de 1999 o mesmo acontece. As condições estipuladas foram as da saída integral do
exército sérvio de Kosovo, sendo substituído por uma força da OTAN, e o apoio da ONU com
tropas de peacekeeping e assumindo o controle da administração do território (DUMBRELL,
2009, p. 96-97).
Assim finaliza o segundo mandato de Bill Clinton, incompleto no que diz respeito às
suas propostas de superar a política de poder do pós Guerra Fria, o unilateralismo e a
remilitarização. Porém construiu fortes relações políticas e principalmente econômicas com
países emergentes. Mas como sempre, muitos não estão satisfeitos e colocam no próximo
candidato a responsabilidade de continuar o serviço e melhora-lo. Assim foi para Henry
Kissinger, antigo secretário de Estado, que pronunciou que a política externa de Clinton foi “a
series of seemingly unrelated decisions in response to specific crises” (THE ECONOMIST,
2000).
O republicano George W. Bush sucede Bill Clinton, vencendo o antigo vice-presidente
democrata Al Gore, em uma eleição controversa envolvendo as novas cédulas de votação e a
recontagem de votos do estado da Flórida. Estes impasses se mostrariam um prenúncio do
governo atribulado de Bush. A política externa de Bush era guiada pelos preceitos
17
neoconservadores que presavam o nacionalismo assertivo, o militarismo e o universalismo
imperial que doutrinava a democratização e uma hegemonia benevolente (PELEG, 2018,
p.68). Bush pôde colocar em prática estes seus princípios logo no primeiro ano de seu
mandato, respondendo aos ataques, que abalariam os Estados Unidos e o mundo, de 11 de
setembro de 2001.
Em fevereiro do mesmo ano, aeronaves norte americanas e britânicas bombardearam
alvos ao sul do Iraque que realizavam operações aéreas, com uma alta frequência e cada vez
com maior sofisticação. O ataque foi denominado de legítima defesa e foi reforçada a
execução da zona de exclusão aérea que já existia no local. Estes ataques foram somados a já
longa lista de conflitos entre iraquianos e os Estados Unidos (NEWBOLD; QUIGLEY, 2001).
Além da ameaça no Oriente Médio que o Iraque representava, os Estados Unidos
lidava com o desdobramento de suas relações com a China. Em abril, uma aeronave espiã
norte americana foi abatida por um jato chinês, enquanto sobrevoava a região do mar do Sul
da China, forçando o pouso em solo chinês. O incidente abala ainda mais a relação
diplomática entre os dois países, pois os Estados Unidos exige o retorno do avião e sua
tripulação. A situação deteriora quando, em uma entrevista ao programa Good Morning
America da rede americana ABC, Bush deixa claro que faria “whatever it took to help Taiwan
defend herself”, caso a China atacasse o território taiwanês. Essa franqueza foi sem
precedentes, pois nas declarações presidenciais a oposição à China foi sempre feita
implicitamente.
George Bush também não perdeu tempo ao por em prática sua visão mais
unilateralista quando se tratando dos acordos internacionais que, no ultimo mandato, Clinton
buscou consolidar e fortificar. Já no terceiro mês de sua posse, o presidente abandona a
ratificação do Protocolo de Quioto, que buscava limitar as emissões industriais de gases
tóxicos para reduzir o aquecimento global. Além desse acordo, Bush desliga-se do pacto para
controlar o tráfico de armas de pequeno porte, o novo protocolo da Convenção de Armas
Biológicas, o tratado de interdição dos ensaios nucleares e o tratado que estabelece a Corte
Penal Internacional. Essa série de desligamentos foi nomeada de “Só diga não” (“Just say
no”) (DAALDER; LINDSAY, 2003, p.112).
Mas o maior teste do governo Bush ainda estava por vir. No dia 11 de setembro de
2001 um avião comercial se choca contra a torre norte do World Trade Center, localizado no
18
distrito financeiro de Nova Iorque. A princípio tinha sido suposto que se tratava de um
acidente. Menos de vinte minutos depois outro avião comercial se choca com a torre sul. E
mais trinta e cinco minutos mais tarde um terceiro avião colide com o Pentágono em
Washington DC. George Bush, que estava visitando uma escola primária na Flórida, é
informado dos ataques e faz a declaração de que o terrorismo contra a nação não iria ser
tolerado. Assim, o presidente é evacuado para a base da Força Aérea localizada na Louisiana,
pelo risco que Washington estava correndo, e coloca todas as forças americanas ao redor do
mundo em alerta máximo, prometendo caçar os responsáveis pelos ataques (ATKINS, 2008,
p.352-358). No total, quase três mil pessoas perderam suas vidas nos atentados de 11 de
setembro.
Nas semanas seguintes, o presidente Bush se mostra presente, visitando os locais dos
atentados, e conversando com aqueles que haviam sido afetados. No dia 20 de setembro,
durante uma sessão conjunta do Congresso, o presidente responsabiliza Osama bin Laden e a
Al-Qaeda pelos atos terroristas, e apresenta os planos do governo para derrotar o terrorismo e
seus perpetradores, chamando todas as nações do mundo para lutar ao seu lado na guerra ao
terror.
Como resposta ao pronunciamento de Bush, o regime afegão deixa claro que não iria
entregar a liderança da Al-Qaeda. A reação do governo norte-americano, juntamente com
aliados britânicos é o bombardeamento, e mais adiante, a invasão do Afeganistão para dar
apoio às forças militares anti-Talibã da Aliança do Norte. Essa força conjunta foi denominada
de Operação da Liberdade Duradoura (Operation Enduring Freedom), e conseguiu
inicialmente remover o Talibã do poder e abalar a Al-Qaeda. Porém, as forças insurgentes do
país continuaram a se rebelarem, com o apoio da corrupção que crescia dentro das forças
armadas e policiais do Estado afegão (NHHC, 2017).
No discurso proferido antes de uma sessão conjunta do congresso, em janeiro de 2002,
George W. Bush se pronuncia acerca dos ataques no Afeganistão, e afirma que a guerra contra
o terror está apenas começando. Além das tropas no território afegão, havia ainda forças
americanas espalhadas pelo mundo, nas Filipinas, na Bósnia e na Somália, lutando contra os
contingentes terroristas. E, além disso, o presidente define como objetivo a prevenção do
desenvolvimento de armas de destruição em massa, que Estados como a Coreia do Norte, o
Irã e o Iraque buscavam desenvolver, e que por isso recebem a denominação de “eixos do
mal” (GREENSTEIN, 2003, p. 12).
19
Além das medidas tomadas no âmbito da política externa, Bush não deixa a política
doméstica para trás quando se trata do combate ao terrorismo. Para isso é criado o Ato
Patriota, que nominalmente tinha como objetivo “preservar a vida e a liberdade”. O Ato
passou tanto pelo senado quanto pelo congresso com uma ampla margem de aceitação,
recebendo o apoio de membros do governo das mais variadas doutrinas políticas. Em tese a
lei permitia entre muitos pontos, como são citados no livro de 2006 “Hegemony or Empire?”,
o aumento da autoridade do governo para coordenar investigações e monitoramento dos
cidadãos norte-americanos, além de acessar documentos pessoais, deter acusados de
conspirações terroristas sem notificação anterior, deportação de imigrantes sem audiências
apropriadas, e a expansão da definição do próprio termo terrorismo, para incluir protestos e
desobediência civil (DAVID; GRONDIN, p. 56).
O governo norte-americano, que por muitos anos deu preferência à dissuasão quando
tratava de Estados inimigos muda sua abordagem no pós 11/09, pois aguardar a comprovação
da existência de perigo iminente poderia significar outro atentado inimaginável. Assim as
políticas preventivas foram iniciadas. A mais importante delas, e muito controversa, foi à
invasão ao Iraque, que representava uma ameaça, pois era denominado não apenas um
patrocinador do terrorismo, com a suspeita de ter participado do ataque terrorista em 2001,
mas também buscava ativamente armas de destruição em massa, além do histórico que o país
já tinha na participação da Guerra do Golfo. O presidente Bush declarou que Saddam
Hussein, então presidente do Iraque, deveria permitir a entrada de inspetores no território
iraquiano para mostrar se havia ou não produção de armas de destruição em massa.
Buscando apoio para iniciar uma ação mais concreta contra o Iraque, Bush faz um
discurso televisionado, em outubro de 2002, na cidade de Cincinnati, direcionado a todos os
norte-americanos, delimitando as ameaças que aquele país e seu presidente representavam
para a liberdade dos Estados Unidos. No discurso o então presidente identifica e rastreia na
história daquele país, outras ocasiões de agressão, e relembra que uma das condições para o
fim da Guerra do Golfo Persa era a eliminação e finalização de toda produção de armas de
destruição em massa e o fim do apoio a grupos terroristas. Citando um inspetor de armas da
ONU, Bush deixa claro sua posição em relação à Hussein como o problema fundamental
daquele país sendo a própria natureza de seu regime e de seu líder, um ditador homicida
(ESTADOS UNIDOS, 2002).
20
Além de buscar apoio civil, Bush também apela ao Conselho de Segurança da ONU,
onde indica claramente sua intenção de por em prática ações militares contra o Iraque, para
que esse acatasse enfim as resoluções impostas pela ONU. Se não houvesse apoio dos outros
membros da organização, o presidente deixa claro que iria em frente com sua decisão sozinho.
Apesar de encontrar reservas no uso de força militar por parte de membros permanentes como
a França e Rússia, ambos concordam com a retomada das inspeções no território iraquiano, e
reconhecem que houve violações às resoluções anteriores do Conselho de Segurança.
Em outubro do mesmo ano é aprovado no Senado e na Câmara a resolução
autorizando o uso de força contra o Iraque uma vez que todas as opções diplomáticas haviam
sido exauridas, com o fim de desarmar o regime das armas de destruição em massa. Porém,
dando então continuação às inspeções, não foram encontradas evidências de que no território
iraquiano havia estas armas ou algum tipo de projeto em andamento para a construção destas.
Como Ritchie e Rodgers esclarecem em seu livro de 2007, The Political Road to War with
Iraq, “Iraq had to prove that it did not have WMD or WMD programmes and no amount of
inspections would be enough to convince the administration that Iraq did not have WMD”
(p.108).
Depois de meses debatendo sobre a abordagem apropriada, em março de 2003, o
presidente Bush faz um ultimato, dando ao líder iraquiano e seus filhos quarenta e oito horas
para deixar o país, ou dar-se-ia início à intervenção militar. Como estes escolheram não
cumprir àquela ordem, foi então , no dia 19 de março, iniciada a Guerra ao Iraque. Entrando
na guerra com a expectativa de que o combate seria rápido e seus inimigos fracos, o exército
norte-americano e seus aliados tiveram suas perspectivas subvertidas quando se viram
comprometidos não apenas pela força iraquiana, que não se integrava apenas do exército
como também de grupos guerrilheiros, mas ainda de fenômenos da natureza, como
tempestades de areia.
Enquanto a guerra se desdobrava no Oriente Médio, milhões de pessoas marchavam
demonstrando seu descontentamento com a decisão de Bush de ir em frente com o ataque, não
apenas nos Estados Unidos, mas ao redor do mundo. Os principais pontos de insatisfação
eram a rapidez em que se foi decidido pelo início da guerra e o interesse oculto norte
americano à invasão do território iraquiano com o intuito de se apossar dos extensos campos
de petróleo locais. Apesar dos protestos ficarem marcados na história como um dos maiores
de todos os tempos, o índice de aprovação do presidente Bush não sofreu oscilações
21
significativas durante a guerra, de acordo com os dados oferecidos pelo site de análise Gallup,
passando de 71% no inicio, para 69% no mês de maio, quando Bush declara que as principais
operações de combate foram finalizadas.
Apesar de atingir o propósito de derrubar o regime de Saddam Hussein do Iraque, a
ameaça não podia ser considerada finalizada pois o ditador havia sobrevivido aos ataques, e
passou a se esconder. Enquanto Hussein estivesse vivo, havia a iminente possibilidade do seu
retorno ao poder. Assim, novos ataques foram lançados em locais em que a inteligência
americana acreditava que Hussein e seus aliados estavam. Em julho de 2003 foi noticiada a
morte dos filhos do ditador por forças americanas, mas o seu paradeiro continuava sendo um
mistério.
No âmbito doméstico, o governo de Bush lidava com o escândalo, no ano de eleições,
que espalhou pela mídia quando, no início de 2004, veio à tona histórias que afirmavam que
prisioneiros de Abu Ghraib, prisão no território iraquiano, estavam sendo abusados, torturados
e humilhados pelos guardas norte americanos, que faziam parte do exército. Como agravante
da situação, surgiram fotos e vídeos que os próprios suspeitos registraram. Quando ficou claro
que uma rede de televisão estava em posse destas provas, o pentágono entrou em contato para
convencê-los a não publicar a história com medo de que inflamasse ainda mais os ânimos no
Iraque. Além disso, havia ainda a preocupação com a segurança dos reféns norte americanos
mantidos em cativeiro pelos terroristas. Porém em abril do mesmo ano a história foi
publicada, recebendo uma grande onda de desaprovação, tanto externa quanto internamente.
Na mídia internacional, principalmente árabe, houve extensas críticas direcionadas ao exército
estadunidense, ponderando que o escândalo poderia aumentar as tensões na região (DADGE,
2006, p. 84 e seg.).
Em outubro daquele ano, o canal televisivo Al-Jazeera transmite uma filmagem de
Osama bin Laden onde ele se direciona para toda a população norte-americana, os
aconselhando em como prevenir outro ataque como àquele de 11 de setembro de 2001. De
acordo com seu discurso, a decisão de seguir em frente com o ataque se deu pela “opressão e
tirania” que se resultou da aliança entre Estados Unidos e Israel contra a Palestina e Líbano.
Além disso, ele ainda aponta que Bush deu prioridade ao interesse privado das grandes
corporações aos interesses do povo, quando decidiu pela invasão ao Iraque, isso porque sua
ambição era “o ouro negro, como bin Laden o chama. Bush se mantém firme com sua posição
de que a Guerra no Iraque era central para a guerra ao terror havendo um grande sismo entre
22
as opiniões republicanas e democratas sobre o assunto. Com isso, a eleição daquele ano foi a
mais dividida entre os partidos, com Bush entrando no seu segundo turno com aprovação
democrata caindo cada vez mais (EDWARDS III; KING, 2007, p.282).
Uma das mudanças que o segundo termo de Bush trouxe foi um novo secretário de
estado, que até então tinha sido exercido por Colin Powell, e agora seria de Condoleezza Rice.
Sob a gestão de Rice a administração se tornou mais diplomática, e uma das primeiras ações
do governo neste novo mandato foi uma viagem diplomática à Europa para apaziguar relações
com a Rússia, Alemanha e França após a Guerra no Iraque. Outro objetivo de Rice era o
fortalecimento das relações com a Índia, concordando em desenvolver vínculos comerciais no
mercado de tecnologia nuclear civil. Mas esta aproximação tinha razões além do comércio,
porque uma Índia desenvolvida representaria um contrapeso para a China.
Outra política voltada para o continente asiático foi à aprovação de uma declaração
conjunta entre os membros do Grupo dos Seis, que além dos Estados Unidos, incluíam a
Coreia do Sul, Coreia do Norte, China, Japão e Rússia. Essa declaração deu oportunidade para
que os membros pudessem negociar sobre desnuclearização, garantias de segurança, e acima
de tudo, uma cooperação que buscava a paz duradoura no nordeste asiático (VAN DER
PUTTEN, 2008, p.45). Bush também se reuniu com o primeiro ministro do Vietnã, com quem
buscava desenvolver além de uma relação comercial, mas também enfatizar o tratamento que
aquele país dá aos direitos humanos e às minorias étnicas e religiosas. O presidente reforçou a
ideia de que para o vínculo norte-americano e vietnamita se desenvolver, é preciso o
comprometimento com a liberdade e a democracia.
É também no governo Bush que se inicia a reforma do sistema de imigração e no
controle de fronteiras, principalmente àquela com o México. Em 2006 Bush assina um ato
para a construção de mais de 1.000 quilômetros adicionais de barreira na fronteira entre os
dois países, além de aumentar veículos de patrulha e agentes patrulheiros. Apesar de
endurecer as leis, Bush era contra um programa de deportação em massa, e acreditava que um
projeto de trabalho temporário satisfaria a necessidade da economia norte-americana e
diminuiria as taxas de imigração ilegal.
As eleições de 2008 trariam aos eleitores norte-americanos a promessa de mudança.
Isso porque Barack Obama, que concorria pelo partido democrata, representava um poder que
há muito não se via no governo. Era jovem, carismático, moderno, e conseguiu criar um canal
23
de comunicação direto com seus eleitores através das redes sociais. Além disso, foi o primeiro
presidente negro dos Estados Unidos. Em sua autobiografia Madeleine Albright descreve que
a sensação no dia em que Obama tomou posse era de promessa, oportunidade e esperança.
Para muitos significava uma oportunidade para restaurar a reputação do país que estava muito
além de desgastada, e esperança de que, apesar de sua vitória não apagar os fantasmas da
segregação racial do passado, o futuro poderia trazer mudanças positivas (2013, p.561).
Ao contrário da antiga administração, Obama daria mais ênfase na diplomacia e na
cooperação com seus aliados, onde Bush fazia uso excessivo do poder militar. Em seus
discursos, Obama deixava claro que construiria suas políticas com base no diálogo e na troca
de ideias, ouvindo a opinião de outros. Isso se mostrou verdadeiro quando participou da
primeira discussão online da Casa Branca onde o publico podia enviar perguntas sobre seu
governo e o presidente respondia em uma transmissão ao vivo. Essa estratégia buscava maior
transparência na tomada de decisões e ainda dava a Obama uma imagem mais acessível,
ganhando apoio público,
Seguindo a estratégia da construção do diálogo e do uso do soft power para legitimar a
posição dos Estados Unidos, Obama discursa na universidade do Cairo sobre a proposta de
um novo começo para seu país e muçulmanos ao redor do mundo, reconhecendo que o
passado conflituoso e pontuado de guerras colonialistas e religiosas existiu e não vai ser
mudado da noite para o dia, mas que com respeito e tolerância, os países possam colaborar e
alcançar a justiça e a prosperidade. Obama também pontuou a controversa decisão de iniciar a
Guerra no Iraque, apesar de acreditar que o país proverá sem a presença tirânica de Saddam
Hussein, onde, para ele, o uso da diplomacia e do consenso internacional deveria ter sido
usado para resolver os problemas no âmbito internacional (ESTADOS UNIDOS, 2009).
Obama também ressaltou o conflito entre Israel e Palestina, dois povos com
legitimidade para com um território, que por muitos anos não conseguem chegar a um acordo
para a resolução do impasse. Para o presidente a única solução seria que as duas partes
concordassem na criação de dois Estados separados, onde ambos palestinos e judeus
pudessem viver em paz e segurança. Como consequência da sua participação na resolução de
conflitos internacionais, talvez no que seria uma das maiores representações físicas do soft
power que Barack Obama encarnava, foi a sua premiação pelo Nobel da Paz, estando a menos
de um ano no cargo. Em outubro de 2009, o comitê do Nobel da paz viu nos esforços do
presidente para o fortalecimento da diplomacia e cooperação internacional e na importância
24
que este dava para um mundo sem armas nucleares e conflitos bélicos, o representante do
prêmio naquele ano.
Os esforços para a redução dos armamentos nucleares deram sequência com a sanção
do tratado sobre Medidas para a Redução e Limitação Adicionais de Armas Estratégicas
Ofensivas (New Start), entre Estados Unidos e Rússia. Ambos concordaram com a redução da
reserva de armamentos e definiram limites que poderiam ser inspecionados, mantendo a
transparência do monitoramento.
Outro importante marco na administração de Obama contra o terrorismo foi a
reinterpretação deste. Desde suas campanhas alguns de seus principais pontos eram o
encerramento das atividades da prisão de Guantánamo, o fim da tortura e a suspensão do uso
do termo “guerra ao terror” ao se referir às ações contra o terrorismo. Agora, para evitar
englobar todas as atividades e grupos terroristas sob uma mesma égide, usar-se-ia o termo
“operações de contingência no exterior”. Apesar do termo não ter sido aderido, os esforços
continuaram, e em maio de 2011, em um discurso direcionado para toda a nação, Barack
Obama anuncia a morte de Osama bin Laden, líder da Al Qaeda, como resultado de uma
operação conduzida pelos oficiais norte-americanos no Paquistão (DAVIS, 2011, p.170).
Como continuação nos esforços estrangeiros para a finalização dos conflitos internacionais,
Obama ainda cumpre com a promessa de retirar os últimos contingentes militares do território
iraquiano, colocando um fim a guerra que durou mais de oito anos.
Com o fim de seu primeiro mandato em 2012, Obama encerrava o ano com 53% de
aprovação, de acordo com dados fornecidos pelo Gallup, avançando para o seu segundo
mandato após ganhar as eleições contra o candidato republicano Mitt Romney. Logo no
primeiro mês de sua reeleição Obama apresenta uma reforma de quatro partes para a
imigração: o fortalecimento das fronteiras; a repreensão às empresas que usam força de
trabalho imigrante ilegal; resposta judicial àqueles imigrantes ilegais presentes no território
norte-americano, os responsabilizando ao pagamento de impostos e de multas e passar por
verificações de antecedentes; e a simplificação do sistema imigratório para famílias e
trabalhadores (ESTADOS UNIDOS, 2013).
De acordo com Julian E. Zelizer, em seu livro de 2018, The Presidency of Barack
Obama: A First Historical Assessment, durante a administração de Obama, mais de 2.5
milhões de imigrantes ilegais foram removidos do território norte-americano. Mas foi também
25
no seu governo, e com o uso de sua ordem executiva, que o DACA, lei que possibilitava aos
imigrantes de até 31 anos que estavam no país por pelo menos cinco anos, e que chegaram
com pelo menos 16 anos, permanecerem nos Estados Unidos sem perigo de deportação,
renovando sua documentação a cada dois anos (p.143 e seg.).
Além da imigração, outro tópico controverso que Obama lidou foi com o plano
climático. Para os Estados Unidos, um país vigorosamente capitalista, aceitar que é necessária
a diminuição da emissão de gás carbono, era necessário um presidente com fortes convicções
e grande força de vontade. E foi no seu segundo termo que Obama decidiu que era hora de
enfrentar o problema. Em seu plano, o presidente enfatiza a necessidade de diminuir as
emissões de carbono, para isso, um subsídio para a criação e desenvolvimento de novas
plantas de energia renováveis, e também a preparação para as mudanças climáticas que já
estão sendo sentidas e ainda a maior participação nas discussões internacionais para a
cooperação nas alterações climáticas globais.
É neste mesmo passo que Obama participa do Acordo de Paris, dando continuação aos
seus esforços em posicionar os Estados Unidos como um país cooperativo e multilateral.
Além disso, o presidente assume que o país tem uma grande responsabilidade para com as
emissões de carbono, por ser um grande produtor industrial e agropecuário, onde ele e a China
contabilizavam 38% das emissões globais. Ambos os países, e mais 193 aceitaram participar
do acordo (ZELIZER, 2018, p.66).
Um dos momentos em que a abordagem pela diplomacia foi considerada falha foi para
lidar com a Crise na Crimeia. Para Obama, uma nova Guerra Fria não era viável para a
resolução dos conflitos. O perigo nas ameaças de ataques nucleares eram grandes demais para
correr o risco, respondendo assim apenas com sanções financeiras. Enquanto isso Vladimir
Putin, presidente da Rússia, desenvolvia um crescente apoio para o candidato a tomar a vaga
de Obama nas próximas eleições: Donald Trump.
3. O SOFT POWER NO PRIMEIRO ANO DO MANDATO DE DONALD
TRUMP (2017-)
As eleições presidenciais norte-americanas de 2016 estiveram no centro das atenções
não apenas no foco político, mas em todos os âmbitos, desde econômico até cultural. A
competição estava acirrada entre a candidata democrata Hillary Clinton, primeira mulher
nomeada por um grande partido, e o candidato republicano Donald Trump, que por muito
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tempo não foi levado a sério por não ter um histórico militar ou político, e também pelo o que
a sua figura pública representava. Muitas controvérsias surgiram durante a campanha,
principalmente pelo fato de que Trump era um usuário assíduo das redes sociais, em
específico o Twitter, plataforma onde em 280 caracteres, o candidato não media suas
opiniões, e falava sem filtro sobre sua adversária e qualquer outro tema em que se sentia
intitulado.
Quando em novembro daquele ano Donald Trump venceu as eleições, foi com uma
onda de incredulidade que a notícia foi recebida. Incredulidade e incertezas, porque após sua
vitória, veio à tona um escândalo que colocou sua posição em cheque. Isso porque a Rússia
foi acusada de interferir na eleição presidencial, ajudando na campanha de Trump, cometendo
fraudes no Facebook e Twitter e vazando documentos do partido democrata. Tudo isso
sorrateiramente. Trump apesar de ser eleito pelo colégio eleitoral perdeu no voto popular,
deixando clara a opinião da maioria dos eleitores.
Em seu discurso inaugural, Trump reforça a ideia que ele já vinha demonstrando
durante sua campanha com o slogan “Make America Great Again” (torne a América boa
novamente), de que a sua administração será “America First” (América em primeiro lugar),
dando voz àqueles que classificavam o candidato como populista e nacionalista de direita.
Além disso, Trump ainda enfatiza a necessidade de priorizar o processo industrial e comercial
do país, produzir em solo americano, com força de trabalho americana e no final,
comercializar os produtos no próprio território norte-americano (ESTADOS UNIDOS, 2017).
Tudo isso foi de encontro com os pontos que Donald Trump deixava claro em seus
discursos, entrevistas e comícios: que ele protegeria com toda força as fronteiras dos Estados
Unidos, tendo como ponto central a controversa construção de um muro na fronteira dos
Estados Unidos com o México. Porém não seria apenas a fronteira terrestre que receberia
mais atenção da segurança nacional, mas também os processos de imigração sofreram duras
sanções logo no início de seu mandato. A suspensão da emissão de vistos para imigrantes
oriundos de países do Oriente Médio e até mesmo a proibição da entrada destes no território
norte americano foi determinada em uma ordem executiva sob o nome de “Protegendo a
nação de terroristas estrangeiros a entrar nos Estados Unidos”. O Irã, Líbia, Somalia, Síria,
Iêmen, Venezuela e Coreia do Norte foram os países mais afetados pelo banimento. Além da
emissão de vistos, o programa de admissão de refugiados também foi suspenso (ESTADOS
UNIDOS, 2017).
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Esta decisão teve enormes repercussões dentro do território norte americano, milhares
de pessoas protestaram nos aeroportos onde imigrantes eram detidos diariamente, sem poder
entrar no país. Para muitos o banimento ia contra a ideia de que os Estados Unidos é um país
com um passado que foi construído por imigrantes. O principio de liberdade e democracia que
o país prega como incontestável estava sendo testado, e representava apenas o primeiro de
muitos danos que o soft power americano iria sofrer ainda nesta administração.
Outra demonstração contrária ao governo Trump, logo após a sua tomada de posse foi
a Marcha das Mulheres, que representava uma miríade de questões progressistas, de aborto
legal, direitos de votos, assistência médica para todos, igualdade racial e de gênero até a
proteção ao meio ambiente. Para os protestantes, Trump encarna tudo aquilo que eles lutam
para mudar, um misógino intolerante. A desaprovação aumentou após vir à tona uma
gravação em que Trump faz comentários contra as mulheres, e diversas acusações de
mulheres de conduta sexual imprópria contra ele.
Ainda em junho de seu primeiro ano no governo, Trump anuncia que os Estados
Unidos iria se retirar do Acordo de Paris, tratado que está no âmbito da ONU e visa diminuir
as emissões dos gases estufa. Para o presidente, o tratado afetava a economia e a soberania
norte-americana, impondo padrões impossíveis de serem alcançados pelas indústrias e
trabalhadores do país. As reações foram todas contrárias à decisão do presidente. Os outros
países membros do tratado negaram a possibilidade de renegociação das emissões. Grandes
empresários do país também deixaram claro que apesar do governo não fazer mais parte do
tratado, suas empresas continuariam a diminuir as emissões de gases poluentes de forma
privada (SHEAR,2017).
Com o clima doméstico ficando cada vez mais incerto, os grupos ultranacionalistas
ganharam mais adeptos e se tornaram mais pros a cometer atrocidades nas ruas em passeatas
e protestos pelo país. Para esses grupos, o governo Trump acabava sendo um exemplo a ser
seguido, encontrando um maior espaço para certificar suas crenças e atos, usando como
justificativa o patriotismo e o amor nacionalista pelo seu país. Os imigrantes, negros,
homossexuais, feministas, são seus inimigos, e inimigos da liberdade de seu país. Trump, ao
invés de repudiar o comportamento e os crimes muitas vezes cometidos nessas passeatas,
defendia os nacionalistas dizendo incluir “boas pessoas”. Enquanto isso, imigrantes ilegais
eram deportados às centenas em ataques surpresas através do país.
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Porém não apenas imigrantes ilegais. Donald Trump revogou a validade do programa
DACA (Deferred Action for Childhood Arrivals), programa este que permitia que crianças
imigrantes que chegaram ao país ilegais fossem protegidas da deportação quando adolescentes
e jovens adultos. O programa que havia sido criado sob a administração de Barack Obama foi
abolido por aumentar a insurgência de crianças desacompanhadas na fronteira sul do país e
pela ameaça que estes imigrantes se tornariam quando entrassem no mercado de trabalho,
teoricamente tomando vagas de trabalho que iriam para nativo americanos. Ou esta foi a
justificativa usada pelo governo ao acabar com o DACA. Como o programa requere que os
imigrantes renovem seu pedido de permanência no país a cada dois anos, o futuro de milhares
de jovens é incerto.
Muitas manifestações contra as ações do presidente Trump foram noticiadas na mídia,
o soft power do presidente a este ponto já estava inexistente. A aprovação do presidente no
fim do seu primeiro ano de mandato estava em 39% de acordo com dados fornecidos pelo
Gallup. O que ficou claro foi que todos aqueles com visibilidade e com uma plataforma em
que pudesse expor sua opinião contra os rumos em que o presidente estava levando seu país
assim o fizeram. Atores durante as premiações da televisão e do cinema citaram o banimento
aos imigrantes de países árabes, a criação do muro na fronteira com o México, e na
importância da tolerância e empatia. Os atletas da NFL (Liga Nacional de Futebol
Americano), e mais tarde atletas de outros esportes, começaram a se ajoelhar durante o hino
nacional como forma de protesto ao uso indiscriminado de violência contra negros por
policiais e a opressão às pessoas de cor.
Em novembro de 2017, Trump parte para uma viagem em que visita cinco países
asiáticos com o objetivo de fortalecer as cooperações diplomáticas e econômicas. O interesse
principal era consolidar as relações com aqueles países para juntos, resolver a
desnuclearização da Coreia do Norte, e ainda promover uma abertura na região Indo-Pacífica
e avançar nas trocas comerciais. Com a sua popularidade em crescente declínio, o resultado
da viagem era um tanto quanto incerto, pois a influência norte-americana na Ásia aparentava
certa decadência. O presidente deixou a Parceria Transpacífica de lado, priorizando acordos
comerciais bilaterais, o que não afetou o andamento dos acordos multilaterais desenvolvidos
pelos países daquela parceria.
O último momento chave do primeiro ano do mandato de Donald Trump foi o
reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel, planejando a transferência da embaixada
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norte-americana de Tel Aviv para a cidade santa. A mudança vem depois de décadas
rejeitando o reconhecimento por causa dos incessantes conflitos entre Israel e palestinos. Para
Trump, a oficialização do reconhecimento representaria um passo mais próximo da paz. O
que acabou não sendo a realidade. A reação dos Estados e organizações internacionais foi de
críticas e repreensões, com receio de uma escalada de tensões na região, e que para muitos o
único resultado satisfatório seria com uma solução de dois Estados, com Jerusalém sendo uma
capital compartilhada entre ambos.
Assim os Estados Unidos entra em 2018 sob um governante imprudente, com a
reputação do país refletindo à de seu presidente. O país não mais representa os valores
ocidentais e o símbolo de estabilidade e liderança, que por tantos anos fez parte de sua
trajetória. O clima internacional é imprevisível e de incertezas, não existindo mais espaço para
discussões multilaterais. O soft power estaria danificado ao ponto de não haver mais retorno?
4. CONSIDERAÇÕES FINAIS
O soft power dos Estados Unidos mesmo quando não exposto com letras garrafais para
o mundo, esteve de certo modo sempre presente impregnado nas políticas dos governantes
analisados no presente trabalho. Isso se dá em parte pelo poder global que o país exerce no
âmbito internacional, oriundo de anos e anos trabalhando para estar sempre à frente das
negociações, dos pactos, das tomadas de decisões. O próprio país emana uma aura de
dominância e progresso.
Desse modo, analisar as escolhas dos chefes de governo e julgar se foram as mais
apropriadas para o clima político fica mais fácil quando as consequências para aquelas
decisões já foram finalizadas. Isto é, examinar uma administração contemporânea e concluir
que as tomadas de decisões atuais são erradas, sem saber o seu desfecho é deficitário.
Porém o governo de Donald Trump vai além do pré-julgamento. Mesmo se suas
decisões políticas levar o país ao seu melhor desenvolvimento já visto, o que ficará gravado
na memória, não apenas de seus eleitores, mas do mundo inteiro, é seu comportamento
impulsivo, combativo e destrutivo. A falta de diplomacia e cooperação multilateral
internacional deixa os Estados Unidos cada vez mais solitário. Fechar literalmente suas
fronteiras para a diferença prejudicará a condição de heterogeneidade que o país sempre
representou.
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A identidade do país está ameaçada quando aqueles que fazem parte dele, não mais se
reconhecem em seus líderes. Já foram muitas as demonstrações de repúdio e indignação
contra Donald Trump, e seus índices de aceitação confirmam isso. A reputação dos Estados
Unidos começa a se atrelar àquela de seu representante, e a minoria ultranacionalista presente
no país encontra justificativas para seus atos abomináveis.
O que a analise das administrações dos presidentes do pós Guerra Fria pode mostrar é
que mesmo enfrentando diversas guerras, conflitos, escândalos no âmbito doméstico,
atentados, crises econômicas, nestas mais de duas décadas, o país conseguiu sempre dar a
volta por cima e se reinventar. Assim foi com a entrada de Obama no poder, e, não como
desejável, assim foi com a entrada de Trump. Desse modo, a situação atual pode parecer
irreparável, e os danos sofridos irremediáveis, mas com o certo candidato nas próximas
eleições, os Estados Unidos podem voltar a tomar o lugar de líder democrático, liberal e
diplomático que exerceu por tantos anos na conjuntura mundial.
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O populismo é uma estratégia política que divide a sociedade entre o "povo virtuoso" e uma "elite corrupta"
. Em 2026, essa distinção continua sendo central no debate global e brasileiro, diferenciando-se pela definição de quem é esse "povo" e quem é o seu inimigo.
Populismo de Esquerda
Definição do "Povo": Foca na classe trabalhadora, nos marginalizados e nos explorados pelo sistema capitalista.
Inimigo Eleito: A elite econômica, o sistema financeiro, as grandes corporações e a desigualdade.
Objetivo: Redirecionar o poder econômico e promover a justiça social através da intervenção estatal e políticas distributivas.
Cenário em 2026: No Brasil, o O Partido dos Trabalhadores continua sendo a principal referência, com o governo buscando resgatar a popularidade através de agendas sociais focadas nas classes populares para a disputa eleitoral em 2026.
Populismo de Direita
Definição do "Povo": Baseia-se em uma identidade cultural, nacional ou religiosa (frequentemente definida como a "maioria silenciosa").
Inimigo Eleito: Elites intelectuais e "cosmopolitas", o "sistema" (establishment) político, instituições como o Judiciário e, por vezes, minorias ou imigrantes.
Objetivo: Restaurar valores tradicionais e a ordem social, muitas vezes com um discurso antissistema e agenda de liberalismo econômico.
A maquina partidária é a capacidade de influencia geopolítica, financeira e política, que um partido possui, não somente em termos de defender seu território político, como também aumentar sua influencia geopolítica, financeira e hierárquica dentro e fora de seu espectro político.
Na área geopolítica, uma maquina partidária, as políticas territoriais na relação de poder e influencia dentro de seu espectro político, aonde se visa manter seu poder e influencia política dentro de um determinado seguimento. Uma maquina partidária, envolve no seu sentido geopolítico, o gerenciamento e expansão de poder e influencia de um determinado partido em um determinado espectro político.
Na área hierárquica, uma maquina partidária é uma esfera de poder aonde um determinado partido administra e mantem sua hierarquia e influencia , em conjunto de expansão territorial, na administração governamental , aonde este partido se torna a maior agremiação política dentro de um determinado espectro político.
Uma maquina partidária, na sua área hierárquica, garante a influencia absoluta de um determinado partido dentro do seu espectro político. Com uma maquina partidária, na sua área hierárquica, garante a influencia expansionista de um determinado partido, além das bases do seu espectro político.
No âmbito financeiro, uma maquina partidária, garante á um determinando partido, se sobrepor pelo poder econômico. Mantendo sua influencia geopolítica e hierárquica, uma maquina partidária, representa a concepção total na sua "natureza política", em uma clara manifestação da hierarquia econômica, política e territorial de um determinando partido, dentro e fora de seu espectro político.
Uma maquina partidária, garante a "natureza política" de um determinado partido, no seu total e absoluto poder e influencia expansionista por meio do seu poder econômico, que se traduz na "natureza política", dentro e fora do seu espectro político, em uma influencia geopolítica, hierárquica e financeira, pelo "natureza política" do poder econômico que uma maquina partidária proporciona á um determinado partido político.
Uma maquina partidária, garante á um determinado político, a plena capacidade de estrutura e poder político, para se adaptar organicamente a qualquer mudança em uma sociedade.
Câmara dos Deputados é a câmara baixa do Congresso Nacional do Brasil e, ao lado do Senado Federal, faz parte do Poder Legislativo da União em âmbito federal. A Câmara está localizada na praça dos Três Poderes, na capital federal, e é composta pela Mesa da Câmara dos Deputados do Brasil, pelo Colégio de Líderes e pelas Comissões, que podem ser permanentes, temporárias, especiais ou de inquérito.
O Senado Federal é a câmara alta do Congresso Nacional do Brasil e, ao lado da Câmara dos Deputados, faz parte do Poder Legislativo da União. A atual legislatura é a 57.ª.
O Congresso Nacional e as suas Casas terão comissões permanentes e temporárias constituídas na forma e com as atribuições previstas no respectivo regimento ou no ato de que resultar sua criação.
As comissões parlamentares de inquérito que terão poderes de investigação próprios das autoridades judiciais, além de outros previstos nos regimentos das suas respectivas casas, serão criados pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal, em conjunto ou separadamente, mediante requerimento de um terço dos seus membros, para a apuração de fato determinado e por prazo certo, sendo suas conclusões, se for o caso, encaminhadas ao Ministério Público, para que promova a responsabilidade civíl e criminal dos infratores.
Durante o recesso, haverá uma comissão reprentativa no Congresso Nacional, eleita por suas casas na ultima sessão ordinária do período legislativo em atribuições definidas no regimento comum cuja composição, reproduzirá quanto possível, a proporcionalidade da representação partidária. De acordo com os dados do meu livro sobre a Constituição Federal do Brasil de 1988, do autor Guilherme Pena de Moraes.
Os partidos de centro são aqueles que conciliam visões de igualdade, uma bandeira mais à esquerda, com preocupações como liberdade individual. O centro procura conciliar visões pró-mercado e crescimento econômico com justiça social.
Importante é não confundir os partidos de centro com oportunismo. Ou com partidos que ficam em cima do muro Ou com o centrão que existe no Brasil.
A direita se recusa a discutir questões de gênero A direita é contra as cotas sociais na universidades A direita é mais defensora da produção em alta escala do que da proteção ambiental. O centro procura sintetizar as questões. O centro acredita em desenvolvimento econômico equilibrado com proteção ambiental.
A direita defende o papel do Estado Mínimo Sendo o Estado limitado á ordem pública. Dando preferencia para o mercado na coordenação da vida social.
A Direita. Principalmente a Direita Liberal. Defende uma educação técnica, com foco em profissões que sejam muito uteis a economia do país. A Direita defende a educação privada. Com distribuição de vouchers pelo Estado, para viabilizar o financiamento da educação das pessoas de baixa renda por meios da iniciativa privada.
A Direita defende o crescimento econômico sem que haja qualquer interferência do Estado na economia. A Direita acredita que o mercado deve funcionar livremente. Sem que haja intervenção do Estado.
A Direita foca na questão da inflação. A Direita acredita que as empresas devem atuar com pouca flexibilização Podem ter sua proteção com pouca legislação ambiental e com flexibilização das leis trabalhistas.
A Direita defende total corte de gastos públicos. Mas tende a ser mais simpática com gastos com a defesa e o setor militar.
Na Saúde. A Direita aceita o papel do Estado. Mas sendo voltado para o investimento privado na saúde.
A Esquerda prega a igualdade social, a distribuição re renda igualitária e a justiça social. A Esquerda acredita que é papel do Estado atuar no combate as desigualdades.
A esquerda foca em educação emancipatória contextualizando o ambiente que os alunos vivem A Esquerda acredita que a educação deve ser voltada para a cidadania e os valores humanos . A esquerda também defende o investimento na educação pública.
Com foco na questão social, a esquerda prega a regulação do sistema financeiro e uma intervenção maior do estado na economia . A esquerda tende a se preocupar mais com o desemprego.
Uma esquerda mais moderna. Tem foco no empreendedorismo. No Uruguai, governos de esquerda souberam aprimorar a facilidade para fazer negócios.
A esquerda aceita eventuais déficits fiscais. Para que se possa investir em saúde, moradia , educação e política sociais. Modelos como SUS.
O centrismo na política, dentro do conceito da existência de uma esquerda e direita, é a posição de quem se encontra no centro do espectro ideológico. Para alguns, há apenas duas posições políticas: a de esquerda e a de direita. Porém, além dessa dicotomia há a visão centrista, que é utilizada pelos moderados. Vertentes do liberalismo se encaixam no centro uma vez que defendem pontos de vista considerados de esquerda por quem é da direita tradicional e por defenderem pontos de vistas considerados de direita pela esquerda tradicional.
Um partido político ou indivíduo ideologicamente centrista não defende nem capitalismo nem socialismo absolutos, mas vê a necessidade de conciliar capitalismo com atenção a carências sociais numa democracia, podendo ser mais culturalmente liberal. Na visão da política de centro, não deve haver extremismos ou intransigências na sociedade. Os seus principais valores são: oposição ao radicalismo sustentado pelo equilíbrio que cria a tolerância que defende a coexistência pacífica. Entretanto, há partidos e políticos que se descrevem ou são descritos como "centristas" por serem sincréticos ou, de fato, fisiologistas.
O conservadorismo é uma corrente de pensamento que visa promover a manutenção dos valores, práticas e a manutenção das instituições e dos valores tradicionais da sociedade.
O conservadorismo, na sua O conservadorismo é uma corrente de pensamento que visa promover a manutenção dos valores, práticas e a manutenção das instituições e dos valores tradicionais da sociedade.
O conservadorismo, na sua essencia, valoriza as tradições, a hierarquia, a autoridade e os direitos de propriedade privada. O conservadorismo, tem como foco, a continuidade, se opondo as políticas progressistas e revolucionárias.
Um conservador, na sua essencia, defende a manutenção do status quo, ou o retorno aos valores de uma época passada. O conservadorismo político, é algo relacionado com as políticas de direita, na defesa da propriedade privada, da acumulação de capital, da riqueza pessoal e do individualismo.
O conservadorismo político, visa impedir que qualquer mudança aconteça em uma sociedade. O conservadorismo político, é algo que visa impedir quaisquer mudanças de caráter revolucionário, que venham ter repercussões institucionais profundas e imediatas, tanto no país, quanto na sociedade como um todo.
Em relação as mudanças sociais, o conservadorismo político, é algo que entende que as mudanças sociais precisam acontecer á partir das instituições tradicionais e nunca contras elas.
O conservadorismo político, é algo que interpreta que a tradição, a escola, a família e a religião, devem ser as bases da sociedade em qualquer país no mundo.
O conservadorismo político, é algo que interpreta que as mudanças sociais, somente devem ser acontecer de maneira gradual e moderada, sem afetar a manutenção dos valores da civilização, como a família, a escola e a religião.
O conservadorismo tradicional, é a uma corrente a direita que defende as manutenções da autoridade, da ordem, das tradições em uma sociedade.
O conservadorismo enaltece a hierarquia como o seu pensamento no campo social . Já no campo da economia, o conservadorismo defende como os valores sócio econômicos, as seguintes vertentes:
01 ) O conservadorismo econômico que favorece os interesses dos donos do capital privado no Estado.
02) O conservadorismo econômico voltado totalmente ao controle de gastos, em nome de uma austeridade econômica.
03) O conservadorismo econômico defende uma hierarquia social baseada em uma sociedade de classes. Sendo assim. O conservadorismo econômico, tem uma total resistência contra quaisquer programas sociais.
O conservadorismo também defende uma não separação entre a religião e o estado. O conservadorismo tradicional, defende uma hierarquia social, com uma sociedade em que se baseie as questões de raça, cor, gênero, etnia, etc...
O conservadorismo defende que os direitos humanos não são prioritário a em uma sociedade Como uma forma de manter instituições consideradas sagradas e tradicionais. Tais como religião, família e escola, por exemplo.
Progressismo refere-se a um conjunto de doutrinas filosóficas, sociais e econômicas baseado na ideia de que o progresso, entendido como avanço científico, tecnológico, econômico e comunitário, é vital para o aperfeiçoamento da condição humana. Essa ideia de progresso integra o ideário iluminista e tem, como corolário, a crença de que as sociedades podem passar da barbárie à civilização, mediante o fortalecimento das bases do conhecimento empírico. O progressismo está ligado à ideia de "progresso infinito" mediante transformações da sociedade, da economia e da política. A ideia de progresso, por sua vez, é frequentemente relacionada com o evolucionismo e o positivismo.
O progressismo é a doutrina segundo a qual certas medidas econômicas e sociais – impulsionadas sobretudo pela ciência e tecnologia – são imprescindíveis para a melhoria da condição humana. Também está relacionado à ruptura de padrões sociais tradicionais, que por sua vez promoveriam valores como liberdade e igualdade.
Desde seu surgimento, o progressismo já se alterou muitas vezes e adotou diversas bandeiras, dentre as quais , os direitos trabalhistas, programas sociais, entre outros. Nesse contexto, o progressismo se adaptou bem ao pensamento social democrata e até hoje ambos se encontram fortemente associados.
O Progressismo é marcado por lutas sociais em prol de minorias ou grupos historicamente marginalizados pela sociedade, como, por exemplo, o movimento negro, o feminismo, os direitos dos povos originários e movimentos relacionados a orienO progressismo é uma corrente de pensamento de espectros filosóficos, sociais e econômicos, que se baseia no pensamento de que o progresso é algo absolutamente vital para a condição humana.
O progressismo é um espectro político, que entende os avanços científicos, tecnológicos e sociais, como algo indispensável ao pleno avanço e progresso em uma sociedade moderna e contemporânea.
O progressismo é um espectro político que defende que uma sociedade caminha para os plenos avanços, estando em constante evolução nos campos econômico, acadêmico, tecnológico, social e cientifico.
O progressismo, é um espectro político, que defende que o pleno conhecimento cientifico e acadêmico, são as fontes de progresso e aperfeiçoamento de uma todas as civilizações do mundo.
O progressismo, é um espectro político, que defende o pleno aperfeiçoamento intelectual, social, moral e cientifico, político e social, como a base fundamental para o progresso e avanço dentro de uma sociedade em todas as civilizações do mundo.
A progressismo defende que a sociedade deve ter um pleno avanço, nos campo social, acadêmico, intelectual, político, tecnológico e cientifico, com uma forma da sociedade moderna ter um progresso que possa impulsionar os avanços tão necessário a todas as sociedades modernas no mundo. Segundo o Sociólogo, Mestre e Doutor César Portantiolo Maia. No quarto período da Habilitação em Jornalismo na Comunicação Social. Pelas Faculdades Integradas Alcântara Machado (FIAAM FAAM)