O capitalismo é um sistema econômico e social baseado no direito à propriedade privada, no lucro e na acumulação de capital.
A palavra capital vem do latim capitale e significa "cabeça", no qual faz alusão às cabeças de gado, ou seja, uma das medidas de riqueza nos tempos antigos.
Atualmente, capital está relacionado diretamente com o dinheiro ou crédito.
Também conhecido como economia de mercado, o capitalismo opera através das leis da livre iniciativa, da livre concorrência e das leis da oferta e da procura.
Ele surgiu no século XV, na passagem da Idade Média para a Idade Moderna, a partir da decadência do sistema feudal e do nascimento de uma nova classe social, a burguesia.
O sistema capitalista se consolidou a partir das revoluções burguesas ocorridas nos séculos 17 e 18 e, da Revolução Industrial, que instituiu um novo modo de produção
Capitalismo Comercial
O pré-capitalismo ou capitalismo comercial, chamado também de mercantilismo, vigorou dos séculos XV ao XVIII.
Nesta época, a Europa passa pela transição do feudalismo para o capitalismo. A terra deixa de estar associada diretamente ao poder e se torna um bem, podendo ser vendido como qualquer mercadoria.
Assim, o intuito principal do capitalismo comercial estava no acúmulo de capital através do comércio, da balança comercial favorável (vender mais do que consome) e da conquista de colônias.
Capitalismo Industrial
O Capitalismo Industrial ou Industrialismo surgiu com a Revolução Industrial no século XVIII, a partir da transformação do sistema de produção.
Nesse caso, houve a mudança no modo de fabricar produtos manufaturados. Antes, cada produto era feito de maneira artesanal, em pequenas quantidades. Nesse modo, a demanda era anterior à produção.
Com o surgimento do motor a vapor e de máquinas mais elaboradas, passa-se para grandes escalas de produção. A oferta dos produtos passa a ser anterior à demanda, cresce a necessidade de criar um mercado consumidor.
Desta maneira, o Capitalismo Industrial enfoca no desenvolvimento do sistema fabril de produção. Este vai necessitar mais mão de obra e desta maneira surge a classe operária.
Desta maneira, o Capitalismo Industrial enfoca no desenvolvimento do sistema fabril de produção. Este vai necessitar mais mão de obra e desta maneira surge a classe operária.
Capitalismo Financeiro ou Monopolista
Por fim, o capitalismo financeiro, iniciado no século 20 , consolidado com a Primeira Guerra Mundial, e dura até hoje.
Por fim, o capitalismo financeiro, iniciado no século XX, consolidado com a Primeira Guerra Mundial, vigora até os dias atuais.
O capitalismo financeiro se encontra nas leis dos bancos, das empresas e das grandes corporações por meio do monopólio industrial e financeiro.
A terceira fase do capitalismo se consolida como Capitalismo Monopolista Financeiro.Cabe dizer que as indústrias e os comércios ainda lucram, porém, são controlados pelo poderio econômico dos bancos e demais instituições financeiras.
Pouquissimas grandes empresas passaram a dominar o mercado, principalmente através de cartéis.
A EXPLORAÇÃO DO TRABALHO NO MODO DE PRODUÇÃO CAPITALISTA
Priscila de Morais Rufino1
Universidade Federal de Alagoas
priscilamoraispg@hotmail.com
GT 7: TRABALHO, FLEXIBILIZAÇÃO E PRECARIZAÇÃO
RESUMO
Esse trabalho faz uma breve análise dos elementos centrais e geradores da exploração do
trabalho no modo de produção capitalista, para isso, fez-se necessário recorrer ao
desenvolvimento sócio-histórico desse modo de produção, buscando assim, identificar as
causas da exploração em seu interior. Desse modo, partimos do processo de consolidação
desse sistema, a fim de apreendermos suas relações de produção que repousam sobre
contradições.
PALAVRA- CHAVE: Trabalho, Exploração do Trabalho e Modo de Produção Capitalista.
INTRODUÇÃO
Este texto tem como objetivo tecer algumas considerações sobre a exploração do
trabalho no modo de produção capitalista, fazendo um breve levantamento acerca de seu
fundamento histórico e suas dimensões, articulando-as com os princípios da sociabilidade
capitalista, sob o olhar da direção teórica marxiana.
A realização desse estudo se deu através de pesquisa de caráter bibliográfica. A
exposição do trabalho está estruturada em três seções. Para discussão inicial, referente ao
processo de exploração no modo de produção capitalista, recorremos às obras de Marx
1Mestranda em Serviço Social pela Universidade Federal de Alagoas. Integrante do Grupo de Pesquisa Sobre
Reprodução Social – Universidade Federal de Alagoas.
(1984), (1988) e (1996), Huberman (1986) e Braz e Netto (2006). Na segunda parte deste
estudo, intitulada: trabalho e trabalho abstrato – uma distinção ontológica, utilizamos os
escritos de Marx (1996) e Lessa (2011) e (2016). No terceiro item desse trabalho, tratamos
acerca da produção capitalista, fundamentalmente, produção de mais-valia, fazendo uso, mais
uma vez da obra de Marx (1996).
1. O PROCESSO DE EXPLORAÇÃO NO MODO DE PRODUÇÃO CAPITALISTA
Segundo Marx (1984), no final do século XV e nas primeiras décadas do século
seguinte, tem início o processo que criou a base do modo de produção capitalista. “[...] Uma
massa de proletários livre como pássaros foi lançada no mercado de trabalho pela dissolução
dos séquitos feudais [...]” (MARX, 1984, p.264). Ainda nas palavras do autor: “A
expropriação da base fundiária do produtor rural, do camponês, forma a base de todo
processo” (MARX, 1984, p.263).
Nessa perspectiva, evidencia-se a dominação do trabalhador pelo capital, quando este
deixou de ser servo ou dependente de outra pessoa, tornando-se livre vendedor de sua força de
trabalho, podendo assim, levar sua mercadoria (força de trabalho), a qualquer local que
houvesse mercado disponível para vendê-la. “[...] esses recém-libertos só se tornam
vendedores de si mesmos depois que todos os seus meios de produção e todas as garantias de
sua existência, oferecidas pelas velhas instituições feudais, lhe foram roubadas [...]” (MARX,
1984, p.262).
Desse modo, evidencia-se que ao modo de produção capitalista é imprescindível à
existência do trabalhador totalmente desprovido dos meios de vida essenciais para a sua
reprodução, isto é, o trabalhador deve ser necessariamente proprietário apenas de si mesmo,
de modo que para sobreviver este trabalhador se encontre na obrigação de vender sua força de
trabalho por um determinado período de tempo em troca de um salário.
A relação-capital pressupõe a separação entre os trabalhadores e a propriedade das
condições da realização do trabalho. Tão logo a produção capitalista se apoie sobre seus
próprios pés, não apenas conserva aquela separação, mas a reproduz em escala sempre
crescente. Portanto, o processo que cria a relação-capital não pode ser outra coisa que o
processo de separação de trabalhador da propriedade das condições de seu trabalho, um
processo que transforma, por um lado, os meios de subsistência e de produção em capital,
por outro, os produtores diretos em trabalhadores assalariados (MARX, 1984, p.262).
Diante dessas condições, o processo de trabalho é submetido ao controle do capital.
Na medida em que os trabalhadores do campo são expulsos da base fundiária, para sobreviver
são obrigados a vender sua força de força de trabalho, tendo que se adequar as condições
impostas na manufatura. No período da manufatura, o capital passa a introduzir na produção
uma divisão do trabalho específica, ou seja, é introduzida a divisão capitalista no interior das
unidades produtivas. De acordo com Braz e Netto (2006) essa divisão conduz à especialização
das atividades, como também destrói os saberes de ofício que permitiam ao trabalhador o
conhecimento técnico.
Conforme Marx (1984) o período manufatureiro não leva reestruturação radical, isto é,
na manufatura a utilização das máquinas não foi suficiente para transformar radicalmente as
relações de produção. “[...] Somente a grande indústria fornece, com as máquinas mais
sofisticadas, a base constante da agricultura capitalista, expropria radicalmente a imensa
maioria do povo do campo e completa a separação entre a agricultura e a indústria rural
doméstica [...]” (Idem, 1984, p. 284).
No final do século XVIII, ocorre a intensificação do desenvolvimento das forças
produtivas e a consolidação do capitalismo, enquanto modo de produção por meio do advento
da Revolução Industrial. Assim, mediante a implementação de máquinas, ferramenta típica da
grande indústria, o capital subordina (formal e realmente) o trabalho através do controle do
processo de trabalho. Nesse contexto, o trabalhador torna-se apêndice das máquinas,
aumentando assim, a sua desqualificação e o aprofundamento da divisão do trabalho.
Desse modo, é importante salientar que com o desenvolvimento das forças produtivas,
se reduz cada vez mais o tempo de trabalho necessário, e consequentemente amplia o tempo
de trabalho excedente. “[...] Para prolongar o mais-trabalho reduz-se o trabalho necessário por
meio de métodos pelos quais o equivalente do salário é produzido em menos tempo [...]”
(MARX, 1984, p.106)
Dessa forma, percebe-se que o trabalhador só pode criar tempo de trabalho necessário
para sua subsistência à medida que produz tempo de trabalho excedente para o capital.
Configura-se então, a tendência do capital, que é criar tempo disponível, e converter esse
tempo disponível em mais trabalho, possibilitando o aumento da produtividade. É necessário
ressaltar que esse aumento da produtividade não libera o trabalhador do trabalho, pelo
contrário, amplia o trabalho excedente para o capital, o que significa que o desenvolvimento
das forças produtivas implica no enriquecimento do capital e não dos indivíduos que
trabalham.
Nesse sentido, para Marx: “O ponto de partida do desenvolvimento que produziu tanto
o trabalhador assalariado quanto o capitalista foi à servidão do trabalhador. A configuração
consistiu numa mudança de forma dessa sujeição, na transformação da exploração feudal em
capitalista [...]” (MARX, 1984, p.263). Com isso, é possível apreender que a sociedade
capitalista, não aboliu as contradições de classe, pelo contrário, estabeleceu novas classes e
novas condições de dominação e exploração.
Com o advento das máquinas e do sistema fabril, segundo Huberman (1986),
intensifica-se a divisão entre ricos e pobres. Desse modo, a minoria dos ricos se tornaram cada
vez mais ricos, se apropriam tanto dos meios de produção, quanto da riqueza socialmente
produzida, e os pobres, destituídos dos meios de produção, tornaram-se mais pobres, passando
a viver em condições de pobreza generalizada.
[...] A acumulação da riqueza num polo é, portanto, ao mesmo tempo, a acumulação da
miséria, tormento de trabalho, escravidão, ignorância, brutalização e degradação moral no
polo oposto, isto é, do lado da classe que produz seu próprio produto como capital.
(MARX, 1988, p.201).
Ainda conforme Marx (1988), a condenação de uma parte da classe trabalhadora ao
ócio forçado, devido ao sobretrabalho de outra parte, consiste em uma das maneiras de
enriquecer o capitalista, e, consequentemente, provocar a intensificação do exército industrial
de reserva.
Quanto maiores a riqueza social, o capital em funcionamento, o volume e a energia do seu
crescimento, portanto também a grandeza absoluta do proletariado e a força produtiva de
seu trabalho, tanto maior o exército industrial de reserva. A força de trabalho disponível é
desenvolvida pelas mesmas causas que a força expansiva do capital. A grandeza
proporcional do exército industrial de reserva cresce, portanto, com as potências da riqueza.
E quanto maior, finalmente, a camada lazarenta da classe trabalhadora e o exército
industrial de reserva, tanto maior o pauperismo oficial. (MARX, 1988, p.200).
O exército industrial de reserva é resultante e condição indispensável do processo de
acumulação capitalista, ao mesmo tempo em que se produz a riqueza material, em mesma
medida se produz a pobreza e consequentemente o exército industrial de reserva e vice versa.
A existência desse exército é uma especificidade do modo de produção capitalista, surge no
processo produtivo de suas bases materiais. É necessário frisar que o desemprego não é
gestado pelo desenvolvimento das forças produtivas em si, mas sob o desenvolvimento das
forças produtivas comandadas pela produção capitalista.
A existência do exército industrial de reserva, como consequência do processo
produtivo, cumpre determinadas funções; permite ao capitalista ter controle sobre os
trabalhadores, por meio de sua fonte de subsistência, o salário. Desse modo, esse exército se
constitui enquanto um poderoso instrumento de exploração da força de trabalho; essa
população sobrante oferece ao capitalista um volume de força de trabalho que pode ser
mobilizada a qualquer momento, ou seja, está à disposição das necessidades da acumulação.
Desse modo, se o exercito industrial de reerva é resultante do modo de produção capitalista,
torna-se indispensável à continuidade do mesmo.
2. TRABALHO E TRABALHO ABSTRATO: UMA DISTINÇÃO ONTOLÓGICA
Há uma diferença ontológica, ou seja, inconciliável entre as funções sociais do
trabalho e do trabalho abstrato. Segundo Lessa (2016), o primeiro se expressa enquanto
categoria fundante do mundo dos homens, condição necessária e eterna que antecede e supera
o capital. Em Marx, o trabalho é:
Um processo entre o homem e a Natureza, um processo em que o homem, por sua própria
ação, media, regula e controla seu metabolismo com a Natureza. Ele mesmo se defronta
com a matéria natural como uma força natural. Ele põe em movimento as forças naturais
pertencentes a sua corporalidade, braços e pernas, cabeça e mão a fim de apropriar-se da
matéria natural numa forma útil para sua própria vida. Ao atuar, por meio desse
movimento, sobre a Natureza externa a ele e ao modificá-la, ele modifica, ao mesmo
tempo, sua própria natureza. (MARX, 1996, p. 297).
Dessa forma, Marx descreve o trabalho como pertencente exclusivamente ao homem.
O trabalho abstrato, por sua vez, produtor de mais-valia, surge a partir do capital para atender
a suas necessidades sociometabólicas de produção, acumulação e centralização. O trabalho
abstrato, “corresponde à submissão dos homens ao mercado capitalista, forma social que nos
transforma a todos em “coisas” (reificação) e articula nossas vidas pelo fetichismo da
mercadoria.” (LESSA, 2016, p. 30).
Segundo Lessa (2016), há uma clara distinção entre trabalho abstrato e trabalho:
O trabalho abstrato é redução da capacidade produtiva humana a uma mercadoria, a força
de trabalho, cujo preço é o salário. Todas as atividades humanas assalariadas são trabalho
abstrato. O trabalho enquanto categoria fundante é o complexo que cumpre a função social
de realizar o intercabio material do homem com a natureza, é o conjunto das relações
sociais encarregado da reprodução da base material da sociedade. (LESSA, 2016, p. 32).
Não é possível uma sociedade sem uma continua transformação da sociedade, logo,
não é possível uma sociedade sem trabalho. No entanto como nos mostra a processualidade
histórica, bem como a humanidade superou a sociedade primitiva e transitou pelas sociedades
de classes, nas quais fundou-se o trabalho abstrato, por caminhos que só a causalidade
histórica e os próprios homens podem estabelecer, por meio da síntese de suas ações
individuais, o trabalho abstrato pode ser superado. “A superação do trabalho abstrato é uma
possibilidade histórica, enquanto a superação do intercâmbio material com a natureza, a mais
absoluta impossibilidade ontológica.” (LESSA, 2016, p. 35).
Reduzir ou comparar o trabalho ao trabalho abstrato é um equivoco que segundo Lessa
(2016), conduz a dois campos de possibilidades.
Ou se converte a uma recaída a uma concepção idealista, que cancela o papel central da
objetivação no desenvolvimento histórico dos homens, passando do campo marxiano para o
hegelianismo ou o kantismo; ou então termina em uma concepção irracionalista que recusa
a pergunta pelo fundamento último da existência social. Em qualquer dos casos, está
sepultada a possibilidade da critica radical, revolucionária, do mundo em que vivemos.
(LESSA, 2016, p. 34).
Desse modo, haveria uma impossibilidade de critica objetivamente radical do mundo
em que vivemos.
No que se refere à distinção entre trabalho e trabalho abstrato, existem duas categorias
no interior do trabalho abstrato: trabalho produtivo e improdutivo (de mais-valia), que se
diferenciam pela função social indispensável que exercem na reprodução ampliada do capital.
Ainda no interior dessas categorias, segundo Lessa (2016), há uma importante distinção
ontológica entre elas “a primeira gera mais-valia e a segunda não o faz.” (LESSA, 2016, p.
35).
É importante frisar que na sociedade contemporânea, o trabalho abstrato e suas
particularidades como o trabalho produtivo e improdutivo, podem na imediaticidade cotidiana
(singular), coincidir de forma equivocada com o trabalho, enquanto intercâmbio material com
a natureza. Para Lessa (216), isso ocorre devido a penetração do capital em praticamente
todos os momentos da reprodução social, porém não há uma identidade concreta. Para o
autor:
[...] nem todo trabalho abstrato produtivo realiza o “intercâmbio material com a natureza”,
sendo por isso indevida qualquer aproximação excessiva ou mesmo a identificação entre o
trabalho produtivo e o trabalho enquanto categoria fundante do mundo dos homens.
(LESSA, 2016, p. 35).
Segundo Lessa (2011), a relação trabalho e trabalho abstrato diz respeito a essência do
modo de produção capitalista, enquanto processo histórico do desenvolvimento da
humanidade. Essa relação confirma de modo historicamente inédito, o trabalho enquanto
categoria fundante, ainda que disfarçado pela alienação do trabalho abstrato, tenha sua função
social usurpada pelo capital. “sem o trabalho proletário, nenhuma riqueza burguesa seria
possível.” (LESSA, 2011, p. 195).
3. A PRODUÇÃO CAPITALISTA: PRODUÇÃO DE MAIS-VALIA
Em determinado momento do processo produtivo, os meios de produção não criam
novos valores, apenas transferem o seu valor à mercadoria que está sendo produzida “o valor
dos meios de produção conserva-se, portanto, pela sua transferência ao produto. Essa
transferência ocorre durante a transformação dos meios de produção em produto, no processo
de trabalho.” (MARX, 1996, p.316).
Na sequência do processo produtivo, o capitalista compra outra mercadoria a ser
empregada nesse processo, mercadoria esta, sem a qual os meios de produção seriam inúteis:
a força de trabalho, que se estabelece enquanto mercadoria especial, por possuir a potência de
criar mais valor no processo produtivo “[...] o trabalho, em uma condição, tem de gerar valor
e em outra condição deve conservar ou transferir valor”. (MARX, 1996, p.317).
Para o capitalista a força de trabalho é comprada com base nos mesmos critérios que
as demais mercadorias, qual seja, a determinação do tempo de trabalho socialmente
necessário para produzi - lá. Porém, é necessário salientar que o valor dos meios de produção
enquanto mercadorias não variam no processo produtivo, o que ocorre com a força de
trabalho. “O valor da força de trabalho e sua valorização no processo de trabalho são,
portanto, duas grandezas distintas.” (MARX, 1996, p.311).
No processo descrito a cima, o capitalista compra a força de trabalho pelo seu valor,
mediante o pagamento de um salário que corresponde ao valor de sua reprodução. Ao realizar
o ato formal de compra da força de trabalho, o capitalista tem o direito de dispor de seu valor
de uso, inclusive de sua capacidade de criar valor. A força de trabalho ao ser utilizada produz
mais valor que o necessário para reproduzir-se, esta gera um valor superior ao que custa. O
capitalista compra a força de trabalho pelo valor de troca e se apropria do seu valor de uso, ou
seja, o valor excedente criado pela força de trabalho em sua utilização. O capitalista, “quer
produzir não só um valor de uso, mas uma mercadoria, não só valor de uso, mas valor e não
só valor, mas também mais-valia.” (MARX, 1996, p.305). Nesse sentido, para Marx: “A
produção capitalista não é apenas produção de mercadoria, é essencialmente produção de
mais-valia. O trabalhador produz não para si, mas para o capital.” (MARX, 1996, p.138).
O que importa ao capitalista é o tempo de trabalho excedente, pois é nessa parte da
jornada de trabalho que se produz o mais valor que o mesmo irá se apropriar. Sendo este o fim
ultimo do capitalista, um modo de ampliar a produção do excedente é ampliando a jornada de
trabalho, sem alterar o salário do trabalhador. Esse modo de ampliar a produção do excedente,
a ser apropriado pelo capitalista se constitui como produção de mais valia absoluta. Outro
modo de se ampliar a extração da mais-valia acontece por meio da redução do tempo de
trabalho necessário e a intensificação do processo de trabalho, com essa alternativa, tem- se a
mais-vaia relativa.
“O prolongamento da jornada de trabalho além do ponto em que o trabalhador teria
produzido apenas um equivalente pelo valor de sua força de trabalho, e a apropriação desse
mais-trabalho pelo capital – isso é a produção de mais valia absoluta Ela constitui a base
geral do sistema capitalista e o ponto de partida para a produção da mais-valia relativa.
Com esta a jornada de trabalho está desde o principio dividida em duas partes: trabalho
necessário e mais-trabalho. Para prolongar o mais trabalho reduz-se o trabalho necessário
por meio de métodos pelos quais o equivalente do salário é produzido em menos tempo. A
produção da mais-valia absoluta gira em torno da duração da jornada de trabalho; a
produção da mais-valia relativa revoluciona de alto a baixo os processos técnicos do
trabalho e os agrupamentos sociais.” (MARX, 1996, p.138).
Essas duas formas de extração da mais-valia, não se excluem, ou seja, não há duas
mais-valias diferentes, mas duas formas de apropriação do valor excedente produzido pelo
trabalhador e usurpado pelo capitalista. Em ambas as formas o que está em evidência é a
exploração da força de trabalho
CONCLUSÕES
O processo histórico nos mostra que o capitalismo funda suas bases no interior da
sociedade feudal entre os séculos XIV e XV, mas é a partir do século XVI que tem início o
que Marx chamou de era capitalista: “ ainda que os primeiros indícios da produção capitalista
apresentem-se já, esporadicamente, em algumas cidades do Mediterrâneo durante os séculos
XIV e XV, a era capitalista só data, em realidade, do século VXI.” (MAZZEO apud MARX,
1998, p. 5 e 6).
Em um primeiro momento de sua dominação pelos capitalistas, os trabalhadores
executavam as suas operações sob a forma de cooperação e as técnicas produtivas eram
controladas pelos mesmos, que ainda detinham o saber sobre seus ofícios. Nesse processo, os
capitalistas detinham o controle formal sobre os trabalhadores o que Marx chama de
subsunção formal do trabalho ao capital.
Na segunda metade do século XVIII, o que alguns autores chamam de primeira
revolução industrial, a manufatura entra em cena no processo histórico de dominação e
exploração do capital contra o trabalho. Nesse sentido não se trata mais de reunir
trabalhadores em determinados espaços físicos e fiscalizar o processo de trabalho, mas de
especializar e dividir as suas atividades, desfazendo os saberes que este detinha sobre seu
oficio. A divisão do trabalho veio para propiciar um enorme aumento da produtividade do
trabalho, a subsunção real do trabalho ao capital. É nesse contexto que se instaura a grande
indústria, a produção especificamente capitalista, na qual o capital subordina por inteiro o
trabalho a suas necessidades.
Desse modo, com a subsunção real do trabalho ao capital, este ultimo, encontra as
melhores condições para incrementar a produção do excedente, a extração da mais-valia,
advinda da exploração de uma classe sobre a outra, contradição fundante do modo de
produção capitalista: a produção social da riqueza e sua apropriação individual.
REFERÊNCIAS
BRAZ, Marcelo; NETTO, José Paulo. Economia Política: uma introdução crítica. São
Paulo: Cortez, 2006.
HUBERMAN, Leo. História da Riqueza do Homem. 21ª Ed. Rio de Janeiro: LTC, 1986.
LESSA, Sérgio. Mundo dos Homens: Trabalho na Ontologia de Lukács. 3ª Ed. Maceió:
Coletivo Veredas, 2016.
____________. Trabalho e Proletariado no Capitalismo Contemporâneo. 2ª Ed. São
Paulo: Cortez, 2011.
MAZZEO, Antônio Carlos. Burguesia e Capitalismo no Brasil. São Paulo: Ática, 1988.
MARX, Karl. O Capital: Crítica da Economia Política. Volume I, Tomo 2. São Paulo:
Abril Cultural, 1984.
__________. O Capital: Crítica da Economia Política. Volume II, Tomo 2. 3ª.ed. São
Paulo: Nova Cultural, 1988.
__________. O Capital: Crítica da Economia Política. Volume I, Tomo 2. São Paulo: Nova
Cultural, 1996. O artigo da autora Priscila de Morais Rufino.
A história política da Venezuela é marcada pela transição de uma das democracias mais estáveis da América Latina para uma profunda crise institucional e econômica sob regimes personalistas.
1. Independência e Século 19.
A Venezuela declarou independência da Espanha em 1811, consolidando-se como Estado soberano em 1830, após a dissolução da Grã-Colômbia de Simón Bolívar. O século 19
foi dominado pelo exercício do poder por líderes carismáticos e autoritários tendo guerras civis e governos militares.
A descoberta de grandes reservas de petróleo em 1922 transformou o país, vinculando sua estabilidade política ao mercado global
: Após a queda da ditadura de Marcos Pérez Jiménez, os principais partidos assinaram um acordo de governabilidade democrática que durou 40 anos.
Nos anos 80 e 90, a queda nos preços do petróleo e a corrupção geraram crises sociais, culminando com tentativas de golpe, incluindo a liderada por Hugo Chávez em 1992.
Hugo Chávez foi eleito em 1998 com a promessa de uma "Revolução Bolivariana".
Uma nova Constituição em 1999 ampliou os poderes presidenciais
Chávez nacionalizou setores estratégicos, como o petróleo (PDVSA), e usou a bonança das commodities para programas sociais, minando instituições democráticas. Chávez faleceu em março de 2013, designando Nicolás Maduro como seu sucessor.
Sob Nicolás Maduro, a Venezuela entrou em um colapso econômico sem precedentes, caracterizado por hiperinflação e emigração em massa.
O regime intensificou a repressão à oposição e o controle militar.
O populismo é uma estratégia política que divide a sociedade entre o "povo virtuoso" e uma "elite corrupta"
. Em 2026, essa distinção continua sendo central no debate global e brasileiro, diferenciando-se pela definição de quem é esse "povo" e quem é o seu inimigo.
Populismo de Esquerda
Definição do "Povo": Foca na classe trabalhadora, nos marginalizados e nos explorados pelo sistema capitalista.
Inimigo Eleito: A elite econômica, o sistema financeiro, as grandes corporações e a desigualdade.
Objetivo: Redirecionar o poder econômico e promover a justiça social através da intervenção estatal e políticas distributivas.
Cenário em 2026: No Brasil, o O Partido dos Trabalhadores continua sendo a principal referência, com o governo buscando resgatar a popularidade através de agendas sociais focadas nas classes populares para a disputa eleitoral em 2026.
Populismo de Direita
Definição do "Povo": Baseia-se em uma identidade cultural, nacional ou religiosa (frequentemente definida como a "maioria silenciosa").
Inimigo Eleito: Elites intelectuais e "cosmopolitas", o "sistema" (establishment) político, instituições como o Judiciário e, por vezes, minorias ou imigrantes.
Objetivo: Restaurar valores tradicionais e a ordem social, muitas vezes com um discurso antissistema e agenda de liberalismo econômico.
Cenário em 2026: A direita brasileira, liderada por figuras associadas ao Partido Liberal (PL), enfrenta o desafio de se reorganizar em meio a divisões internas, buscando uma candidatura competitiva que mantenha a base populista e conservadora forte para as eleições gerais de 2026.
O posicionamento da "grande imprensa" (veículos de massa como Folha de S.Paulo, O Estado de S. Paulo e O Globo) pode ser classificado como liberal-conservador ou de centro-direita em análises acadêmicas. Embora esses veículos se apresentem como neutros ou "ao centro", sua atuação histórica e editorial revela nuances específicas:
Identidade Liberal-Econômica: A grande imprensa costuma defender pautas econômicas liberais, como o livre mercado, a austeridade fiscal e reformas estruturais. Esse viés foi central na promoção de agendas neoliberais no Brasil desde a década de 1980.
Conservadorismo Institucional: Em termos sociais e políticos, tende a um posicionamento conservador no sentido de preservação das instituições e da ordem social vigente, muitas vezes opondo-se a movimentos populares ou de esquerda que buscam mudanças estruturais profundas.
O posicionamento da "grande imprensa" (veículos de massa como Folha de S.Paulo, O Estado de S. Paulo e O Globo) pode ser classificado como liberal-conservador ou de centro-direita em análises acadêmicas. Embora esses veículos se apresentem como neutros ou "ao centro", sua atuação histórica e editorial revela nuances específicas:
Identidade Liberal-Econômica: A grande imprensa costuma defender pautas econômicas liberais, como o livre mercado, a austeridade fiscal e reformas estruturais. Esse viés foi central na promoção de agendas neoliberais no Brasil desde a década de 1980
Conservadorismo Institucional: Em termos sociais e políticos, tende a um posicionamento conservador no sentido de preservação das instituições e da ordem social vigente, muitas vezes opondo-se a movimentos populares ou de esquerda que buscam mudanças estruturais profundas.
Papel de Mediação: Ao se posicionar "ao centro", esses veículos buscam exercer um papel de moderadores do debate público, contrastando com a polarização das redes sociais e com mídias abertamente partidárias.
Histórico Político: Pesquisas indicam que, em momentos de crise ou transição (como o golpe de 1964 ou o governo Collor), a grande imprensa atuou mais como colaboradora de agendas específicas do que como uma força puramente opositora ou neutra.
O centro" da grande imprensa brasileira é geralmente definido por uma defesa do Estado Democrático de Direito combinada com uma forte inclinação ao liberalismo econômico
A diferença fundamental entre as ditaduras de direita e esquerda reside na base ideológica e nos objetivos econômicos e sociais, embora ambas compartilhem a característica de centralização total do poder e supressão de liberdades individuais.
Ditaduras de Direita
Geralmente surgem sob o pretexto de preservar a "ordem tradicional", combater o comunismo ou estabilizar a economia através do livre mercado ou do nacionalismo.
Economia: Frequentemente apoiam a propriedade privada e o capitalismo, embora o Estado possa intervir pesadamente para favorecer certos setores.
Foco Social: Conservadorismo, nacionalismo e, em alguns casos, manutenção de hierarquias sociais existentes.
Exemplos Históricos:
Ditadura Militar no Brasil (1964-1985).
Regime de Augusto Pinochet no Chile.
Alemanha Nazista (extrema-direita nacional-socialista).
Espanha Franquista e Itália Fascista.
Ditaduras de Esquerda
Baseiam-se na ideologia marxista-leninista ou em variantes do socialismo, buscando a reestruturação radical da sociedade e a eliminação das classes sociais.
Economia: O Estado geralmente assume o controle dos meios de produção, promove a coletivização de terras e estatiza grandes empresas.
Foco Social: Igualitarismo teórico, progresso revolucionário e a submissão do indivíduo aos interesses do coletivo ou do partido único.
Exemplos Históricos e Atuais:
União Soviética (sob o domínio do PCUS).
Regime da Coreia do Norte (dinastia Kim)
Cuba (desde a Revolução de 1959).
Venezuela (sob o regime chavista/madurist
Semelhanças Operacionais
Independentemente do espectro político, regimes ditatoriais costumam apresentar:
Partido Único ou Hegemônico: Eliminação ou controle severo da oposição política
Censura: Controle da imprensa e da liberdade de expressão.
Repressão: Uso de forças policiais e militares para silenciar dissidentes.
Culto à Personalidade: Exaltação extrema da figura do líder.
Ditaduras de Esuqerda. Nascem do descontentamento dos (as) trabalhadores (as) com o sistema capitalista. Especialmente em capitalismo de exploração. Como no Brasil e na América do Sul.
Fica o feedback.
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E assim caminha a humanidade.
Imagem do Jornal O Globo.
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