terça-feira, 6 de outubro de 2026

Partidos Fisiológicos . E então ?

   Em política, "partido fisiológico" refere-se a um partido que prioriza a obtenção de benefícios pessoais e de grupo, como cargos, recursos e influência, em detrimento de princípios ideológicos ou programáticos. Em vez de defender um conjunto de ideias e valores, um partido fisiológico busca o poder e a manutenção do status quo, adaptando-se e apoiando qualquer governo ou força política que possa lhe garantir vantagens. 

Busca o acesso a recursos públicos, cargos e influência para seus membros e aliados, em vez de seguir uma ideologia ou programa político definido.

Muda de posição e apoia diferentes governos e forças políticas conforme a conveniência, sem se preocupar com a coerência ideológica.

Estabelece relações de troca com eleitores, grupos de interesse e outros políticos, oferecendo benefícios em troca de apoio político.

O fisiologismo, por vezes, está ligado a práticas corruptas, como o desvio de recursos públicos para fins privados e o favorecimento de aliados.

O termo "fisiológico" no contexto político se refere à ideia de que o partido age como um organismo que busca apenas sobreviver e se reproduzir, sem se preocupar com o bem comum ou com a ideologia. 

Em política, um "partido orgânico" refere-se a um partido que é estruturado como um organismo vivo, com membros interconectados e uma visão clara e unificada. Ele se diferencia de partidos com estruturas fragmentadas ou controlados por interesses individuais, buscando atuar de forma integrada e coesa na formulação e implementação de políticas públicas. 

Um partido orgânico possui uma estrutura interna que promove a colaboração e a comunicação entre seus membros, permitindo que suas ações sejam coordenadas e direcionadas para um objetivo comum.Os membros compartilham uma visão ideológica e um conjunto de princípios que orientam suas decisões e ações políticas.

Busca a participação ativa de seus membros na formulação e que garanta a ligação do partido as putas sociais. Diferentemente de partidos onde decisões são tomadas em troca de favores pessoais, um partido orgânico prioriza a sua ligação as causas sociais. 

Em vez de um partido onde os membros agem de forma isolada ou seguem seus próprios interesses, um partido orgânico busca uma atuação coordenada, onde as ações de cada membro contribuem para o alcance dos objetivos do partido como um todo. 

O conceito de "partido orgânico" enfatiza a importância da unidade, da colaboração e da visão compartilhada para o funcionamento eficaz de um partido político, buscando atuar de forma integrada e responsável em prol do bem comum.  Segundo o Sociólogo, Mestre e Doutor Cesar Portantiolo Maia. No Quarto Periodo da Habilitação em Jornalismo na Comunicação Social. Pelas Faculdades Integradas Alcântara Machado (FIAAM FAAM).

A maquina partidária é a capacidade de influencia geopolítica, financeira e política, que um partido possui, não somente em termos de defender seu território político, como também aumentar sua influencia geopolítica, financeira e hierárquica dentro e fora de seu espectro político.

Na área  geopolítica, uma maquina partidária, as políticas territoriais na relação de poder e influencia dentro de seu espectro político, aonde se visa manter seu poder e influencia política dentro de um determinado seguimento. Uma maquina partidária, envolve no seu sentido geopolítico, o gerenciamento e expansão de poder e influencia de um determinado partido em um determinado espectro político.

Na área  hierárquica, uma maquina partidária é uma esfera de poder aonde um determinado partido administra e mantem sua hierarquia e influencia , em conjunto de expansão territorial, na administração governamental , aonde este partido se torna  a maior agremiação política dentro de um determinado espectro político.

No âmbito financeiro, uma maquina partidária, garante á um determinando partido, se sobrepor pelo poder econômico. Mantendo sua influencia geopolítica e hierárquica, uma maquina partidária, representa a concepção total na sua "natureza política", em uma clara manifestação da hierarquia econômica, política e territorial de um determinando partido, dentro e fora de seu espectro político. 

Uma maquina partidária, garante a "natureza política" de um determinado partido, no seu total e absoluto poder e influencia expansionista por meio do seu poder econômico, que se traduz na "natureza política", dentro e fora do seu espectro político, em uma influencia geopolítica, hierárquica e financeira, pelo "natureza política" do poder econômico que uma maquina partidária proporciona á um determinado partido político.

Uma maquina partidária, garante á um determinado político, a plena capacidade de estrutura e poder político, para se adaptar organicamente a qualquer mudança em uma sociedade.

Um partido fisiológico é um partido politico que toma as suas decisões politicas em troca de favores favorecimentos e outros benefícios a interesses privados, em detrimento do bem comum. Os partidos políticos fisiologistas apoiam qualquer governo — independentemente da coerência entre as ideologias ou planos programáticos — apenas para conseguir concessões deste em negociações delicadas.

Um partido orgânico, é um partido politico que mantem uma liderança hegemônica em um determinado campo social. Um partido orgânico atua como porta voz dos seus respectivos liderados no parlamento politico 

O partido orgânico provem de uma determinada classe social e mantém sua liderança sobre tal classe O partido orgânico se mantém vinculado a sua classe social, atuando em defesa do seu campo social.

O  "Centrão" na política brasileira refere-se a um grupo informal de parlamentares de diversos partidos, especialmente da Câmara dos Deputados, que se caracterizam por serem governistas e fisiológicos, ou seja, apoiam o governo em exercício e buscam vantagens políticas e financeiras. Historicamente, o Centrão surgiu durante a Assembleia Constituinte de 1987, como uma forma de aglutinar forças políticas para defender interesses específicos, e tem se mantido atuante em diferentes governos, buscando apoio para suas agendas. 

Governista .

O Centrão apoia o governo em exercício, independentemente de sua orientação ideológica (direita ou esquerda). 

Fisiológico:

Há uma busca por vantagens e benefícios para os membros do grupo, como cargos e recursos financeiros, através do apoio ao governo. 

Suprapartidário:

O Centrão é composto por parlamentares de diversos partidos, o que lhe confere maior força e capacidade de articulação. 

Poder de veto:

Devido à sua composição e capacidade de articulação, o Centrão pode vetar projetos e avanços democráticos, especialmente aqueles que buscam reduzir desigualdades e privilégios. 

Origem e evolução:

O termo "Centrão" surgiu durante a Assembleia Constituinte de 1987, quando parlamentares de centro e direita se uniram para influenciar a elaboração da Constituição. 

A partir de então, o grupo se manteve atuante em diferentes governos, buscando apoio para suas agendas e interesses. 

O Centrão tem sido criticado por sua falta de compromisso ideológico e por suas práticas fisiológicas, que podem comprometer a qualidade da democracia e a eficiência da gestão pública. 

Impacto na política brasileira:

O Centrão tem um papel importante na política brasileira, influenciando a formação de maiorias no Congresso e a aprovação e também pode gerar instabilidade e desequilíbrio, devido à busca por interesses próprios. etos de lei. 

O Centrão é um exemplo de como a política brasileira pode ser marcada pela  busca de poder e influencia dos cia, muitas vezes em interesses da sociedade. 

A criação de "super-federações" pelo Centrão é uma manobra estratégica vital para contrabalançar a disputa  entre o PT e o PL, que possuem as maiores bancadas e bases fiéis a direita e esquerda 

A necessidade dessas uniões (como as discutidas entre União Brasil, PP e Republicanos) baseia-se em três pilares principais para as eleições de 2026:

Para 2026, as regras da cláusula de desempenho tornam-se ainda mais rigorosas. Partidos que não atingirem o percentual mínimo de votos ou elegerem um número específico de deputados perdem o acesso ao Fundo Partidário e ao tempo de propaganda em rádio e TV. A federação permite que siglas médias e pequenas somem votos para garantir sobrevivencia política 

Sem um eleitorado cativo a força do Centrão se baseia no tamanho da sua bancada. 

O tamanho do bloco define a partilha do Fundo Eleitoral e o acesso a cargos e comissões no Congresso.

Ao se unirem em grandes blocos, esses partidos buscam se tornar "indispensáveis" para qualquer presidente eleito, independentemente de  um nome da direita, ou da esquerda aumentando seu poder 

Em 2026, o cenário de polarização  dificulta a sobrevivência de partidos de centro ,que não são partidos orgânicos As super-federações tentam criar um "terceiro polo" que, mesmo sem uma ideologia clara para o eleitor, possui a máquina partidária e capilaridade regional (prefeituras e governos) necessária para serem fortes no parlamento. 

Centrão: passado, presente e futuro 

Por Antônio Augusto de Queiroz (*) 

A ideia de escrever sobre a trajetória do Centrão, que nasceu em 

oposição às propostas de parlamentares que depois iriam constituir o 

núcleo duro do PSDB, veio a propósito da adesão desse grupamento 

suprapartidário e de perfil conservador/liberal/fisiológico à candidatura do 

tucano Geraldo Alckmin, uma ironia do destino. O texto está dividido em 

três tópicos: um sobre o passado, que conta como surgiu e atuava o Centrão 

na Constituinte e no governo Sarney. O segundo historiando o 

comportamento do Centrão nos governos, especialmente de FHC e do PT. 

E o terceiro tenta antecipar as condicionantes do Centrão na próxima 

legislatura, independentemente de quem seja o presidente eleito. 

Surgimento e passado do Centrão 

O Centrão nasceu na Constituinte por motivações ideológicas e teve 

como mentor intelectual o então senador do PDS de Mato Grosso, Roberto 

Campos, mas as condições para sua constituição ou organização se deram 

pela resistência dos conservadores ao rumo que estava tomando o arranjo 

político que resultou na Nova República, com a aliança entre PMDB e 

parcela dissidente do PDS (organizados na Frente Liberal, que deu origem, 

em 1985, ao PFL) para eleger Tancredo Neves no Colégio Eleitoral. 

Na Nova República, durante o período Constituinte, logo ficou 

evidente para os conservadores1 que um núcleo pensante e de centro

esquerda do PMDB – que depois veio a criar o PSDB – iria a liderar o 

processo de elaboração da nova Constituição, tanto na definição das regras 

decisórias quanto na indicação dos relatores das duas primeiras fases de 

discussão da Carta Magna. E outra parcela do partido, de centro, assumiria 

a relatoria-geral, a presidência e a vice-presidência da Constituinte, como 

de fato aconteceu. 

A responsabilidade pela definição do processo de elaboração e das 

regras decisórias da Constituinte foi do então senador Fernando Henrique 

Cardoso, que relatou o projeto de resolução que resultou no regimento 

1Distribuídos em vários partidos: PMDB, PFL,PDS, PTB, PL e PDC. 

interno, a principal motivação da rebelião que levou à criação do Centrão. 

No regimento, FHC ignorou o projeto prévio de Constituição, que Sarney 

havia solicitado a uma comissão de juristas, e começou do zero, propondo 

uma metodologia de elaboração da Constituição em diversas fases, 

iniciando por 24 subcomissões, cujo trabalho seria articulado em oito 

comissões, cada uma correspondente a um capítulo da futura Constituição, 

passando por uma comissão de sistematização até a decisão final do 

plenário. 

A designação dos relatores das subcomissões e das comissões 

temáticas, por sua vez, coube ao então líder do PMDB na Constituinte, o 

senador Mário Covas, que indicou parlamentares com visão social e 

progressista para as relatorias, tanto para as subcomissões quanto para as 

comissões temáticas, embora os relatores destas últimas fossem mais 

moderados. 

Já para a presidência e a relatoria-geral foram eleitos, 

respectivamente, os deputados Ulysses Guimaraes (PMDB/SP) e Bernardo 

Cabral (PMDB/AM), ambos de perfil de centro. Como vice-presidente ficou 

o então presidente do Senado, senador Mauro Benevides (PMDB/CE), 

também de centro. 

O debate nas subcomissões e comissões foram intensos e revelaram 

as disputas entre progressistas e conservadores. Nesse embate, como as 

relatorias estavam em mãos de parlamentares progressistas, estes levavam 

vantagem e foram poucos os casos em que os conservadores derrotaram 

ou modificaram os relatórios, o que foi criando ambiente para a união dos 

conservadores nas fases finais: comissão de sistematização e plenário. 

Contrariados com os textos saídos das comissões e organizados pelo 

relator da comissão de sistematização, os conservadores resolveram se 

organizar no Centrão para modificar o regimento interno com o objetivo de 

mudar substancialmente a proposta constitucional. O regimento vedava a 

apresentação de emendas abrangentes, envolvendo mais de um 

dispositivo. 

O primeiro ato desse grupamento informal foi um manifesto, lido em 

plenário pelo deputado Daso Coimbra (PMDB/RJ), defendendo mudança no 

regimento interno. O segundo foi um abaixo assinado pela mudança 

regimental subscrito por 319 constituintes.  

Ainda que sem um caráter orgânico, era possível identificar os porta

vozes e ‘quatro interesses que se organizaram em torno do Centrão e seus 

principais interlocutores: o primeiro interesse era liberal, representado por 

Luís Eduardo Magalhães (PFL/BA), Expedito Machado (PMDB/CE) e Luis 

Roberto Ponte (PMDB/RS); o segundo era conservador em relação aos 

valores, liderado pelo evangélico Daso Coimbra (PDMB/RJ), por Amaral 

Neto (PDS/RJ) e Bonifácio de Andrada (PDS/MG); o terceiro era ruralista, 

representado por Roberto Cardoso Alves (PMDB/SP) e Ricardo Fiúza 

(PFL/PE); e o quarto interesse era  governista, representado por José 

Lourenço (PFL/BA), Carlos Santana (PMDB/BA) e Gastone Righi (PTB/SP).   

Entre os temas que os liberais gostariam de rever estavam 

basicamente os direitos trabalhistas, os monopólios das estatais na 

exploração de atividade econômica em setores estratégicos da economia e 

o conceito de empresa brasileira de capital nacional. No caso dos ruralistas, 

o objetivo era evitar a reforma agrária, mexer nos direitos indígenas e 

eliminar os avanços previstos no capítulo do meio ambiente. Os 

conservadores queriam modificar o título dos direitos e garantias 

individuais e o Capítulo da Comunicação Social, considerados muito 

permissivos e até nocivos à preservação dos valores das famílias. E para os 

governistas, além do Capítulo da seguridade social, que aumentava muito 

as despesas governamentais, o foco central era o retorno do 

presidencialismo, como sistema de governo, além de evitar a redução de 

seis para quatro anos do mandato do então presidente Sarney. 

Frente a um pedido subscrito por mais de 300 constituintes, que 

representava a maioria absoluta do colegiado, o presidente da Constituinte, 

Ulysses Guimarães, não teve outra alternativa a não ser acatá-lo, 

designando o vice-presidente da Constituinte, senador Mauro Benevides, 

para elaborar a mudança do regimento, que trouxe como principais 

novidades a emenda aglutinava e o DVS, até hoje praticados no Congresso. 

O Destaque para Votação em Separado (DVS) permitia, via abaixo 

assinado, excluir artigos e até capítulos da Constituição da votação global 

do texto base para que fossem submetidos a uma votação específica, 

ficando fora da Constituição o texto destacado se não alcançasse a maioria 

absoluta dos votos, o que seria impossível sem o apoio do Centrão. A 

emenda aglutinativa, por sua vez, permitia a junção de várias emendas, 

desde que subscritas por líderes, para formar um novo texto, e muitas 

foram feitas apenas com o propósito de prejudicar emendas contrárias ao 

interesse do Centrão, já que as emendas que fossem objeto de fusão ou 

aglutinação seriam consideradas prejudicadas e não poderiam ser 

destacadas para votação. 

Vencida a batalha da mudança regimental, o Centrão percebeu que 

não teria condições de elaborar todas as emendas ao texto constitucional 

dentro do prazo fixado e, diante da impossibilidade de sua ampliação, 

cometeu seu primeiro pecado, fraudando o protocolo para a entrega das 

emendas. A pedido de Ricardo Fiuza e de Bonifácio de Andrada, o então 

secretário-geral da Mesa, Paulo Afonso, orientou a funcionária da Comissão 

de Constituição e Justiça, que recebia as emendas, que saltasse, 

alternadamente, a numeração das emendas recebidas, para que os espaços 

vazios pudessem ser preenchidos com as emendas do Centrão no dia 

seguinte, conforme relato do próprio Paulo Afonso2. 

Com a mudança regimental, que passou a dar preferência aos textos 

(emendas e substitutivos) do Centrão – e considerando o caráter 

excessivamente liberal, do ponto de vista econômico, atrasado, de ponto 

de vista social e da reforma agrária, e conservador, do ponto de vista dos 

valores –   impõe-se a necessidade de negociação mais amplas, que foi 

quando consolidou-se a ideia do colégio de líderes, instância encarregada 

de buscar o consenso entre as diversas forças políticas em tornos dos temas 

a serem votados, sob pena de impasse. É nesse momento que surge o MUP

Movimento Unidade Progressista, o embrião do PSDB. 

Passado – a relação do centro com os diversos governos 

A estratégia do Centrão – na relação com o governo Sarney – teve 

êxito parcial, especialmente em relação à questão agrária, à duração do 

mandato de Sarney, que ficou em cinco anos e não em quatro anos como 

queriam os futuros tucanos, e também em relação ao sistema de governo, 

tendo conseguido derrotar o parlamentarismo e manter o 

presidencialismo. 

A contrapartida do apoio ao governo Sarney foi generosa e 

individual, sob a forma de perdão de dívida junto a instituições oficiais, de 

liberação de recursos do orçamento para as bases eleitorais dos 

constituintes, e principalmente mediante a concessão aos aliados – ou a 

2Paulo Afonso Martins: O Congresso em meio século. Coleção memória do servidor, pag. 173 

alguém indicado por eles, inclusive parentes – de canais de rádio e de 

televisão. 

               Os três principais operadores no governo para pagar a fatura do 

Centrão foram o então ministro das Comunicações, Antônio Carlos 

Magalhães, o ministro da Habitação, Prisco Viana, e o ministro da Indústria 

e Comércio, deputado Roberto Cardoso Alves, o Robertão, que ficou 

conhecido por colocar em prática e assumir publicamente a célebre frase 

da oração de São Francisco de Assis “é dando que se recebe”. 

                No governo Collor, apesar da presença dos integrantes do Centrão 

na base e nos postos-chave na área social, o ambiente foi muito 

tumultuado. Em primeiro lugar porque governou um ano com o Congresso 

que dava sustentação ao governo Sarney, que foi muito atacado em sua 

campanha. E segundo pela postura messiânica do governo, que 

rapidamente foi perdendo legitimidade perante os principais atores 

políticos do País, inclusive no setor empresarial. Em terceiro pela rejeição 

popular ao confisco da poupança e à prática de corrupção por aliados do 

presidente, que levaram ao processo de impeachment.   

Apesar do curto e tumultuado período do governo Collor, o Centrão 

teve uma colheita generosa, especialmente no período do processo de 

impeachment. O principal operador do governo Collor para atender aos 

pleitos do Centrão era o ministro da Ação Social, Ricardo Fiuza, que assumiu 

a pasta em janeiro de 1992, no momento mais crítico do governo. 

                Durante o governo Itamar, embora fizesse parte do governo e de 

sua base de apoio, o Centrão tinha como prioridade a revisão constitucional 

e estava preocupado com a defesa de alguns de seus membros então sob 

investigação na CPI dos Anões do Orçamento. A revisão se inviabilizou, de 

um lado, pelas disputas internas entre PMDB e PFL pela relatoria, e, de 

outro, pelo desinteresse do presidente da República na revisão, pelo 

funcionamento e repercussão da CPI dos Anões do Orçamento e pela 

contundente oposição da esquerda. 

                Existe uma tradição no Congresso Nacional, segundo a qual 

sempre que Câmara e Senado se reúnem conjuntamente, a sessão tem a 

presidência de uma casa e a relatoria é da outra, e quando o presidente é 

do maior partido, a relatoria cabe ao segundo maior partido ou vice-versa. 

A disputa pela relatoria da revisão constitucional se deu porque o 

PMDB, que já tinha a presidência do Congresso Revisional, na pessoa do 

presidente do Senado, senador Humberto Lucena (PMDB/PB), também 

reivindicava a relatoria para um deputado do partido, sob o fundamento de 

que o presidente da revisão não estava vinculado a partido, já que 

constitucionalmente a Presidência da Revisão era do presidente do Senado, 

independentemente de que partido fosse. Já o PFL, sob o fundamento de 

que um senador do PMDB presidia a revisão, reivindicava o posto de relator 

para o deputado Luís Eduardo Magalhães, com o objetivo de promover as 

mudanças defendidas pelo Centrão. No final ganhou a disputa o PMDB, que 

designou o então deputado Nelson Jobim, que produziu 81 pareceres 

incorporando todas as propostas do Centrão. 

Nos governos FHC, o apoio do Centrão foi determinante na 

aprovação das reformas da ordem econômica, considerando que propostas 

idênticas já tinham sido subscritas pelo Centrão para a fracassada revisão 

Constitucional e incorporadas nos pareceres do então relator, Nelson 

Jobim. 

A fatura do Centrão nos governos FHC foi cobrada em quatro 

votações relevantes: a PEC da reeleição, a PEC da reforma administrativa, a 

PEC da reforma da Previdência, que foram concluídas; e também no PL da 

flexibilização da CLT, que não chegou a ser concluída, tendo sido retirada 

do Senado pelo presidente Lula. 

A melhor colheita nesse período, sem dúvida nenhuma, foi na 

votação da reeleição, na qual os membros do Centrão ganharam 

triplamente: do governo federal, dos governos estaduais e dos prefeitos, 

todos interessados em dois mandatos consecutivos. 

Tal como nos governos anteriores, o Centrão também assumiu 

postos-chave no governo FHC, especialmente nas áreas social e de 

infraestrutura. Entretanto, FHC, diferentemente do governo Sarney, não 

fazia concessões individuais, exceto na votação da emenda da reeleição, no 

qual consta que aliados receberam financiamentos individualmente. 

O método preferido de FHC para fazer concessões era o coletivo e 

sempre mediante medida provisória ou projeto de lei, para retirar do 

governo dele a acusação de fisiologismo, além de dividir responsabilidades 

com o Congresso. Foi nesse período que cresceram no Congresso as 

chamadas bancadas informais, porque elas se organizavam para receber os 

favores do governo, que eram dados por segmento: o financeiro, o ruralista, 

etc. 

Os três recursos de poder para manter a base unida, de Sarney a 

FHC, sempre foram: cargos, recursos de orçamento (por emenda ou 

convênio) e negociação do conteúdo da política pública. 

Nos governos do PT, com exceção do PFL, o Centrão manteve-se 

unido e apoiando o governo, embora cobrando caro por esse apoio, 

inclusive no período que antecedeu à adesão do PMDB ao governo. As 

concessões, até as negociações para ingresso do PMDB do governo, eram 

duas das três modalidades praticadas nos governos anteriores: cargos e 

recursos do orçamento. 

Quando o PMDB veio para a base do governo Lula, sem o qual o 

governo não teria votos suficientes para aprovar as reformas tributária e da 

Previdência, os partidos do Centrão tiveram que ceder alguns ministérios 

para o novo aliado, já que o PT não estava disposto a abrir mão de 

ministérios3. A fatura para isto, entretanto, foi alta. Além de exigir 

compensações pecuniárias do PT, passou a cobrar do governo cargos em 

estatais com capacidade de arrecadar – como Petrobras e Eletrobras, etc – 

dando origem, respectivamente, ao mensalão e ao petrolão. 

Durante os governos do PT houve dois momentos bem distintos: o 

governo Lula e o governo Dilma. No governo Lula, exceto no período de 

namoro do governo com o PMDB, a relação política era boa.  No governo 

Dilma, embora o Centrão continuasse ocupando postos-chave no governo, 

a relação política nunca foi boa. 

O Centrão, entretanto, nunca confiou muito no PT, especialmente no 

governo Dilma, tanto que aprovaram a Emenda Constitucional 86/2015, 

para tornar impositivo o pagamento das emendas parlamentares, temendo 

que a presidente pudesse priorizar somente a liberação de emendas da 

esquerda. Para tanto utilizaram uma PEC apresentada em 2006 pelo 

senador Antônio Carlos Magalhães (PFL/BA). 

No governo Dilma, o Centrão nunca teve grandes colheitas, como 

ocorreu nos governos Collor, FHC e Lula. A relação sempre foi conflituosa, 

tanto que escalaram seu principal líder, Eduardo Cunha, para concorrer à 

3Ainda assim, em 2004, o PT teve que abrir mão do Ministério da Previdência e, em 2005, do Ministério 

da Saúde para o PMDB, e Ricardo Berzoini deu lugar a Amir Lando e Humberto Costa a Saraiva Felipe. 

Presidência da Câmara. Nesse posto estratégico, o Centrão teria meios de 

pressionar o governo a atender seus pleitos, sob pena de oposição 

ostensiva do presidente da Casa. 

Eduardo Cunha foi eleito presidente da Câmara e, mesmo assim, a 

relação não melhorou. O desfecho final da guerra entre Cunha e Dilma foi 

precipitada pela recusa do PT em votar a favor de Cunha no Conselho de 

Ética. O presidente da Câmara, em represália à negação do PT de votar a 

favor do arquivamento de um processo que tramitava contra ele no 

Conselho de Ética da Câmara, abriu o processo de impeachment da 

presidente Dilma.   

Presente 

Com a cassação de Eduardo Cunha houve uma cisão no grupo a 

ponto de não terem conseguido eleger o seu candidato à sucessão, o 

deputado Rogério Rosso (PSD/DF). O eleito para o mandato tampão foi o 

deputado Rodrigo Maia (DEM/RJ), inclusive com votos dos partidos de 

esquerda no segundo turno, porque queriam derrotar o Centrão. 

O Centrão escalou novas lideranças, como o deputado Artur Lira 

(PP/AL), e logo se rearticulou, inclusive atraindo o apoio do presidente da 

Câmara, Rodrigo Maia, que precisava do grupo para renovar seu mandato, 

já que a esquerda, com exceção de parcela do PCdoB, não estava disposta 

a reeleger um liberal para a Presidência da Casa, como fizeram no segundo 

turno da eleição para o mandato tampão de Maia. 

Desde sua criação na Constituinte, nunca o Centrão tinha sido tão 

prestigiado quanto no governo de Michel Temer. Em primeiro lugar, em 

agradecimento aos votos pelo impeachment da ex-presidente Dilma. Em 

segundo pela rejeição de duas denúncias contra o presidente. E terceiro, 

pelo voto em favor de reformas impopulares, como o congelamento do 

gasto público, a reforma trabalhista e a privatização de estatais, inclusive a 

abertura do pré-sal ao capital estrangeiro. 

Mesmo num ambiente de crise fiscal aguda, a colheita do Centrão foi 

generosa, especialmente sob a forma de perdão de dívidas, de renúncias e 

anistias fiscais. A bancada ruralista, poucas vezes, teve tantos benefícios 

quanto no atual governo. 

Futuro 

O Centrão marcha para a próxima legislatura profundamente viciado 

em favores governamentais e já fez aliança com o candidato do PSDB à 

Presidência em troca de cargos no próximo mandato, inclusive a 

presidência da Câmara. 

Antes do resultado da eleição, já é possível antecipar que o Centrão 

estará na base de apoio do próximo presidente, mesmo que o eleito não 

seja Geraldo Alckmin. 

Entretanto, mudanças de paradigma de natureza econômico-fiscal, 

de um lado, e, de natureza ético-moral, de outro, não deixarão muita 

margem para concessões generosas ao Centrão na próxima gestão 

presidencial. 

A primeira mudança de paradigma – de natureza econômico/fiscal – 

se expressa, na dimensão econômico-liberal, pela recusa do mercado a 

qualquer tipo de intervenção governamental em seus negócios, inclusive 

via regulação, e na dimensão fiscal, pela rejeição à ampliação do gasto 

público, que não seja sustentável. 

O próximo governo, seja de que matiz ideológica for, não poderá ser 

perdulário fiscalmente, até pela inexistência de margem para tanto, 

devendo fazer o que é necessário, inclusive fortes ajustes com corte de 

gastos, e não o que lhe seja conveniente politicamente. 

Mudanças recentes na legislação, como a Lei das Estatais e a extinção 

de um grande número de cargos em comissão de livre provimento, 

substituídos por funções comissionadas privativas de servidores de 

carreira, tornam um pouco mais difícil a barganha por cargos públicos no 

Executivo e nas empresas estatais, embora não as impossibilitem 

totalmente. 

A segunda mudança de paradigma – de natureza ético-moral – se 

expressa, de um lado pela intolerância da sociedade a qualquer desvio de 

conduta na relação dos agentes públicos com o setor privado, e, de outro, 

pela ação dos órgãos de fiscalização e controle, que dispõem de leis4 e 

amplos meios para identificar rapidamente a prática de corrupção e crimes 

4 Leis: de acesso à informação, de transparência, atualização da lei de lavagem de dinheiro, de 

responsabilização da pessoa jurídica, de combate ao crime organizado e deleção premiada, de votação 

aberta na cassação de mandatos, etc. 

como formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, advocacia 

administrativa, tráfico de influência, dentre outros. 

A tendência para a próxima legislatura, pela mudança de paradigma, 

é que o Centrão não encontre um ambiente dócil para continuar recebendo 

benefícios governamentais em troca de votos. É muito provável que se 

frustrem ou se tentarem continuar suas práticas anteriores sejam contidos: 

ou pela falta de recursos ou pela responsabilização por prática de desvios 

éticos-morais. E ainda poderão ser forçados a promover uma ampla 

reforma política, inclusive com o fim do voto obrigatório e a permissão da 

candidatura avulsa, sob pena de completa desmoralização da 

representação parlamentar. 

No entanto, a continuar a dependência do Executivo de negociar 

pontualmente e a cada votação a adesão de políticos sem qualquer 

compromisso programático às suas propostas, tende a ser preservada a 

força intrínseca de uma coalização de centro direita, orientada pelo “toma 

lá-dá cá” que tem caracterizado o Centrão em toda a sua existência. 

(*) 

jornalista, consultor, analista político e diretor de 

Documentação do Diap. Acompanha o Congresso há mais de 30 anos. O artigo do autor Por Antônio Augusto de Queiroz (*) 

Os partidos fisiológicos . Se tornaram maquinas  fortes por emendas impositivas .                        .Confira na CNN Brasil https://www.cnnbrasil.com.br/eleicoes/bancada-partidos-camara/. Confira no Portal G1 da Rede Globo .https://g1.globo.com/google/amp/politica/eleicoes/2026/noticia/2026/10/04/bancada-senado-eleicoes-2026.ght


O Centrão e os partidos fisiológicos encolheram . Terão que sobreviver no parlamento com super federações. E então ? Como ficam ? .

E assim caminha a humanidade.

Imagem do Portal R7




Uma questão futura.

 O bolsonarismo é um movimento político e social de direita e extrema-direita no Brasil, estruturado em torno da figura do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Principais Pilares Ideológicos

O movimento combina elementos conservadores, liberais na economia e discursos de teor nacionalista:

 Conservadorismo de Costumes: Defesa da família tradicional, pautas de cunho religioso (cristão) e oposição ativa a temas como o aborto, a legalização de drogas e a chamada "ideologia de gênero".

 Segurança Pública e Armamento: Discurso rigoroso de combate à criminalidade ("bandido bom é bandido morto"), apoio às forças policiais e flexibilização das leis para posse e porte de armas de fogo para civis.

Anticomunismo e Antipetismo: Rejeição veemente a partidos e ideologias de esquerda, em especial ao Partido dos Trabalhadores (PT), frequentemente associando adversários políticos ao comunismo ou ao socialismo.

Patriotismo e Nacionalismo: Uso intensivo de símbolos nacionais, como a bandeira do Brasil e as cores verde e amarela, sob o lema "Brasil acima de tudo, Deus acima de todos".

 Liberalismo Econômico: Defesa de privatizações, desregulamentação do mercado, redução do tamanho do Estado e desburocratização, embora com episódios pontuais de intervencionismo.

Evolução e Impacto Político

Surgido com força expressiva na campanha presidencial de 2018, o bolsonarismo consolidou uma base eleitoral altamente engajada e resiliente. Mesmo após o término do mandato presidencial de Bolsonaro em 2022, o movimento manteve forte representação no Congresso Nacional, em governos estaduais e em assembleias legislativas, demonstrando que a sua influência política e cultural transcende o período de Jair Bolsonaro na presidência.

A direita liberal foca na economia de mercado e na liberdade individual, enquanto a direita conservadora prioriza a preservação de valores tradicionais, da moral e da ordem social.

Embora compartilhem espaço no espectro político à direita, elas possuem origens e prioridades distintas que geram debates frequentes.

Direita Liberal

A direita liberal fundamenta-se nos princípios do liberalismo clássico e concentra-se nas liberdades econômicas e individuais.

• Economia de mercado: Defende o livre mercado, a livre iniciativa, a redução de impostos, as privatizações e um Estado menor com pouca intervenção na economia.

• Liberdades individuais: Costuma apoiar a autonomia do indivíduo e pode adotar uma postura mais tolerante ou neutra em relação a costumes e comportamentos sociais.

• Foco central: A eficiência econômica, o mérito individual e a garantia de contratos e da propriedade privada.

Direita Conservadora

A direita conservadora baseia-se na valorização da história, das instituições tradicionais e da continuidade cultural.

 Valores e costumes: Enfatiza a preservação da família tradicional, da religião e de normas morais consolidadas ao longo do tempo.

 Ordem e hierarquia: Vê a tradição e a autoridade estabelecida como pilares essenciais para manter a estabilidade da sociedade e evitar rupturas abruptas.

 Visão econômica: Embora frequentemente apoie o livre mercado para garantir prosperidade, o foco principal não é a economia em si, mas a preservação da ordem social e cultural.

Pontos de Convergência e Convergência Prática

Na prática política contemporânea, essas duas correntes frequentemente se unem.

 Conservadorismo liberal: Representado por figuras históricas como Margaret Thatcher e Ronald Reagan, este modelo une o rigor fiscal e o livre mercado à defesa de valores tradicionais de ordem e segurança.

 Alianças eleitorais: Partidos e eleitores de direita costumam transitar entre essas duas visões para contrapor pautas da esquerda, combinando o apoio a reformas econômicas liberais com a defesa de pautas morais conservadora.

Conservadorismo e extrema-direita  

na Europa e no Brasil*

Conservatism and far-right forces in Europe and Brazil

Michael Löwy

Diretor de Pesquisas emérito do Centre National de la Recherche Scientifique (CNRS)/Paris.

michael.lowy1@gmail.com

Resumo: Temos assistido, na Europa dos últimos 

anos, a um espetacular ascenso político e eleitoral 

de forças de extrema-direita, racistas, xenófobas, 

fascistas ou semifascistas. Um fenômeno que não 

pode ser unicamente explicado pela crise econô

mica, já que em dois dos países mais atingidos por 

ela, Portugal e Espanha, a extrema-direita é pouco 

presente no cenário político, enquanto tem um 

papel muito significativo em países que pouco 

sofreram com essa crise (Suíça, Áustria). No 

Brasil não temos partidos racistas, a extrema-di

reita se manifesta no chamado a um golpe militar.

Palavras-chave: Extrema-direita. Fascismo. Ra

cismo. Golpismo.

A extrema-direita na Europa

Abstract: Lately in Europe, we have seen a 

spectacular political and electoral increase of the 

far-right forces, which are racist, xenophobic, 

fascist or semi-fascist. Such a phenomenon cannot 

be explained solely by the economic crisis, since 

in two of the most affected countries — Portugal 

and Spain — the far-right force´s presence is little 

in the political scene, while it has a very significant 

role in countries which did not suffer a lot because 

of such a crisis (Switzerland, Austria). In Brazil 

we do not have racist parties, the far-right force 

manifests itself in the calling of a military coup.

Keywords: Far-right. Fascism. Racism. Coup.

As eleições europeias na França confirmaram uma tendência que, há 

alguns anos, já estava aparente: o crescimento do apoio à Frente 

Nacional. Essa evolução não é especificamente francesa: por qua

se todo o continente europeu vemos o espetacular levante da extrema- direita. 

* Tradução de Deni Alfaro Rubbo e Marcelo Netto Rodrigues.

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Serv. Soc. Soc., São Paulo, n. 124, p. 652-664, out./dez. 2015

http://dx.doi.org/10.1590/0101-6628.044

O fenômeno não encontra precedentes desde os anos 1930. Em muitos 

países, a direita xenófoba já havia obtido entre 10% e 20% dos votos duran

te a última década; em 2014, em três países (Reino Unido, Dinamarca, 

França) alcançaram de 25% a 30%. Além disso, sua influência é maior do 

que o seu próprio eleitorado: suas ideias contaminam também a direita 

“clássica” e até parte da esquerda social neoliberal. O caso francês é o mais 

sério deles, com o avanço da Frente Nacional excedendo até mesmo as 

previsões mais pessimistas. Como escreveu em um editorial recente o site 

Mediapart, “são cinco minutos para meia-noite”.

Pode essa situação ser comparada à Europa dos anos 1930? Sim e não. 

É a primeira vez, desde os anos 1930, que a extrema-direita alcança tal in

fluência na política europeia. Mas a história nunca se repete. Há muitas di

ferenças entre as conjunturas do passado e as do presente. A mais óbvia é 

que, depois de 1933, dois dos mais importantes países da Europa, Itália e 

Alemanha, tiveram regimes fascistas totalitários. Afortunadamente, nada 

comparável existe hoje! Uma outra diferença importante é que os interesses 

da burguesia hoje são esmagadoramente favoráveis à globalização capita

lista neoliberal e hostis ao nacionalismo econômico — um conteúdo básico 

de qualquer projeto fascista ou semifascista. Por outro lado, a esquerda 

antifascista, tanto em sua versão mais radical — marxistas e anarquistas 

— quanto em sua forma mais moderada, parlamentar, da Frente Popular, era 

muito mais forte nos anos 1930 do que hoje. Outra diferença é que, parado

xalmente, ao contrário da época atual, a maioria dos movimentos fascistas 

dos anos 1930, com a notável exceção da Alemanha (e, em uma escala 

muito menor, França), não era abertamente racista. Isso se aplica, ao menos 

até antes de 1938, aos movimentos liderados por Mussolini, Franco e Sala

zar na Itália, Espanha e Portugal.

A atual extrema-direita europeia é muito diversa, uma variedade que vai 

de partidos abertamente neonazistas, como o Aurora Dourada na Grécia, a 

forças burguesas perfeitamente bem integradas ao jogo político institucional, 

como o suíço UDC. O que eles têm em comum é o seu nacionalismo chauvi

nista — e, portanto, oposição à globalização “cosmopolita” e a qualquer 

forma de unidade europeia —, xenofobia, racismo, ódio a imigrantes e ciganos 

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(o povo mais antigo do continente), islamofobia e anticomunismo. Além 

disso, em sua maioria, se não em sua totalidade, são favoráveis a medidas 

autoritárias contra a “insegurança” (usualmente associada a imigrantes) por 

meio do aumento da repressão policial, penas de prisão e pela reintrodução 

da pena de morte. A orientação reacionária nacionalista, na maioria das vezes, 

é “complementada” com uma retórica “social”, em apoio às pessoas simples 

e à classe trabalhadora (branca) nacional. Em outras questões — por exemplo, 

neoliberalismo, democracia parlamentar, antissemitismo, homofobia, miso

ginia ou secularismo — esses movimentos são mais divididos.

Muitos “especialistas” e comentaristas de mídia anunciam que fascismo 

e antifascismo são fenômenos pertencentes ao passado. Acreditamos que a 

realidade é um tanto mais complexa. É óbvio que hoje não vemos partidos 

fascistas de massa comparáveis ao NSDAP na Alemanha dos anos 1930, 

mas já naquele período o fascismo não se limitava apenas a esse modelo: o 

franquismo espanhol e o salazarismo português eram muito diferentes dos 

modelos italiano e alemão. Até mesmo partidos que tentaram imitar o exem

plo alemão, como o Partido Popular Francês (PPF) fundado por Jacques 

Doriot em 1936 — uma organização claramente fascista que viria a se tornar 

uma das principais forças colaboracionistas durante o regime de Vichy —, 

dificilmente podem ser comparados ao NSDAP alemão. Seria, portanto, um 

erro alegar que não existem partidos fascistas atualmente na Europa, por não 

termos nada equivalente aos nacional-socialistas dos anos 1930.

Uma tentativa de tipologia da extrema-direita europeia atual teria de 

distinguir pelo menos três tipos diferentes:

I. Partidos de caráter diretamente fascista e/ou neonazista: por exemplo, 

o Aurora Dourada, da Grécia; o Jobbik, da Hungria; o Setor Direito, da 

Ucrânia; o Partido Nacional Democrata, na Alemanha; e várias outras forças 

menores e menos influentes. Aqui também se incluiria a recente criação 

atípica francesa “nacional-socialista” e antissemita Reconciliação Nacional 

(Alain Soral).

II. Partidos semifascistas, isto é, com raízes e fortes componentes fas

cistas, mas que não podem ser identificados com o padrão fascista clássico. 

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É o caso, em diferentes formas, da Frente Nacional, da França; do FPÖ, da 

Áustria; e do Vlaams Belang, da Bélgica, entre outros. Seus líderes funda

dores tinham ligações estreitas com o fascismo histórico e com as forças que 

colaboraram com o Terceiro Reich, e vários de seus quadros não escondem 

a nostalgia pelo passado fascista. Mas suas lideranças atuais tentam “mo

dernizá-los”, apresentando uma imagem mais “respeitável”, por exemplo, 

substituindo antissemitismo por islamofobia. Por razões que explicaremos 

adiante, consideramos o conceito de “populismo” como totalmente inade

quado para caracterizar esses partidos.

III. Partidos de extrema-direita que não possuem origens fascistas mas 

compartilham do seu racismo, xenofobia, retórica anti-imigrante e islamo

fobia. Exemplos são a italiana Lega Nord, o suíço UDC (União Democrá

tica do Centro), o britânico Ukip (Partido de Independência do Reino Unido), 

o holandês Partido da Liberdade, o norueguês Partido Progressista, o Parti

do dos Verdadeiros Finlandeses (True Finns) e o Partido do Povo Dinamar

quês. Os Democratas Suecos são um caso intermediário, com origens cla

ramente fascistas (e neonazistas), mas que têm feito grandes esforços, desde 

os anos 1990, para apresentar uma imagem mais “moderada”.

Como em todas as tipologias, a realidade é mais complexa, e algumas 

dessas formações políticas parecem tomar parte de vários tipos diferentes. 

É preciso também levar em conta que isso não é uma estrutura estática, mas 

sim em constante movimento. Alguns desses partidos parecem mover de um 

tipo a outro. No momento, há somente um exemplo na Europa de um parti

do fascista tornando-se um partido de direita “normal”: o italiano Aliança 

Nacional, de [Gianfranco] Fini. Não se pode excluir a possibilidade que 

outros partidos similares sigam esse caminho, mas, por ora, não existem 

sinais de tal desenvolvimento.

Embora as ideologias dos partidos de extrema-direita possuam muitas 

similaridades, sua prática política não é homogênea. Enquanto alguns, como 

o francês FN, pretendem ser “antissistêmicos” e permanecem, por ora, fora 

das instituições de poder, outros, como o Partido da Liberdade da Áustria e 

o italiano Lega Nord têm, em anos recentes, participado de governos; os 

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partidos dinamarquês e holandês apoiaram seus governos sem se unir a eles, 

enquanto o suíço UDC e o norueguês Partido Progressista no momento fazem 

parte de coalizões governamentais.

A extrema-direita na Europa Oriental — as antigas “Democracias Po

pulares” — como o partido húngaro Jobbik, o Partido da Grande Romênia 

e o Atak, da Bulgária, assim como partidos similares nas Repúblicas Balcâ

nicas, Ucrânia, ex-Iugoslávia etc., têm algumas características comuns que 

são, em certa medida, distintas dos seus equivalentes no Ocidente: a) o bode 

expiatório é menos o imigrante estrangeiro do que as minorias nacionais 

tradicionais: judeus e ciganos; b) diretamente conectado a esses partidos ou 

tolerado por eles, gangues racistas violentas atacam, e algumas vezes matam, 

o povo Roma [cigano]; c) raivosamente anticomunistas, eles se consideram 

herdeiros dos movimentos nacionalista e/ou fascista dos anos 1930, que 

frequentemente colaboraram com o Terceiro Reich. O fracasso desastroso 

da assim chamada “transição” (para o capitalismo), sob a liderança de par

tidos liberais e/ou social-democratas, criaram condições favoráveis para o 

surgimento de tendências de extrema-direita.1

Qualquer que seja a sua transformação e “modernização”, a extrema--direita ainda representa uma ameça real à democracia. Um dos argumentos 

usados para mostrar que ela mudou e não tem muito mais a ver com o fas

cismo é a aceitação da democracia parlamentar e da via eleitoral para chegar 

ao poder. Bom, podemos lembrar que certo Adolf Hitler chegou a chanceler 

alemão por voto legal no Reichstag e que o marechal Pétain foi eleito chefe 

de Estado pelo Parlamento francês. Se a Frente Nacional chegasse ao poder 

por meios eleitorais — uma hipótese que tristemente não pode mais ser 

descartada —, o que sobraria de democracia na França?

Como explicar esse sucesso crescente da extrema-direita? O primeiro 

elemento de explicação é o processo de globalização capitalista neoliberal 

— também um poderoso processo de homogeneização cultural forçada — 

que produz e reproduz, em escala europeia e planetária, os identity panics 

1. Ver Dominique Vidal, Le ventre est encore fecond. Les nouvelles extrêmes droites européennes. 

Paris: Libertalia, 2012. p. 129-148.

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[pânicos de identidade], a obsessiva procura por fontes e raízes que leva a 

formas chauvinistas de religião, formas religiosas de nacionalismo, além de 

alimentar conflitos étnicos e confessionais.2

Diretamente relacionado a esse processo de hegemonia mundial neo

liberal do capital financeiro há um outro fator importante: a crise econômi

ca que tem despedaçado a Europa desde 2008. Exceto na Grécia e na Espa

nha, essa crise tem em quase todos os lugares favorecido muito mais a 

extrema-direita do que a esquerda radical — diferente da situação europeia 

dos anos 1930, quando em muitos países a esquerda antifascista cresceu 

paralelamente ao fascismo. A extrema-direita atual tem, sem dúvida, se 

beneficiado da crise, particularmente na França. Mas isso não explica tudo: 

na Espanha e em Portugal, dois dos países mais atingidos duramente pela 

crise, a extrema-direita permanece apenas marginal. E na Grécia, apesar de 

a Aurora Dourada ter desfrutado de um crescimento exponencial, ela possui 

muito menos influência do que o Syriza, a coalizão da esquerda radical. Na 

Suíça e na Áustria, dois países em grande parte poupados pela crise, a ex

trema-direita racista muitas vezes fica acima de 20% de apoio. Portanto, 

devemos evitar as explicações exclusivamente economicistas muitas vezes 

apresentadas pela esquerda.

Fatores históricos têm, sem dúvida, jogado algum papel: uma longa 

tradição antissemita espalhada em certos países; a persistência daquelas 

correntes que colaboraram durante a Segunda Guerra Mundial; e a cultura 

colonial que impregna atitudes e comportamentos mesmo muito tempo 

depois da descolonização — não só nos antigos impérios, mas em quase 

todos os países europeus. Todos esses fatores estão muito presentes na  França 

e contribuem para explicar a força do partido de Le Pen, mas são menos 

relevantes em países sem um passado colonial ou fascista, como a Suíça.

A conjuntura internacional, particularmente no Oriente Médio, também 

favorece esse cenário. As agressivas políticas coloniais e expansivas do 

governo israelense nutrem antissemitismo (particularmente entre os jovens 

2. Daniel Bensaïd, Fragments mécréants. Mythes identitaires et République imaginaire. Paris: Lignes, 

2005, passim.

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muçulmanos) mal disfarçado como “antissionismo”, ao passo que o terror 

do Estado islâmico (Daesh) e de outros jihadistas assassinos alimenta a is

lamofobia, pretensamente em nome do “secularismo”. É lógico que não é 

por causa de Netanyahu ou Bin Laden que o racismo e a xenofobia se de

senvolveram na Europa, mas os eventos negativos no Oriente Médio são 

habilmente manipulados pela extrema-direita para promover sua agenda, 

com considerável sucesso. O mesmo se aplica, logicamente, aos ataques 

terroristas na Europa — como os assassinatos recentes dos editores do 

jornal satírico Charlie Hebdo — que são usados como munição pela  direita 

racista para empreender a sua “guerra de civilização” contra os cidadãos 

muçulmanos europeus.

A esquerda como um todo, com apenas algumas exceções, tem severa

mente subestimado esse perigo. Não viu a “onda marrom” vindo e, portanto, 

não viu a necessidade de tomar a iniciativa de uma mobilização antifascista. 

Para algumas correntes da esquerda que veem a extrema-direita como nada 

mais do que um efeito colateral da crise e do desemprego, são essas as causas 

que devem ser atacadas, e não o fenômeno fascista propriamente dito. Tal 

raciocínio tipicamente economicista desarmou a esquerda diante da ofensiva 

ideológica racista, xenofóbica e nacionalista da extrema-direita.

Nenhum grupo social é imune à praga marrom. As ideias da extrema--direita, em particular o racismo, contaminaram uma parte significativa não 

só da pequena burguesia e dos desempregados, mas também da classe tra

balhadora e da juventude. Isto é particularmente notável no caso francês. 

Essas ideias não têm relação nenhuma com a realidade da imigração: o voto 

para a Frente Nacional, por exemplo, foi particularmente alto em certas 

áreas rurais que nunca viram um único imigrante. E os imigrantes ciganos 

[Roma], recentemente objeto de uma campanha racista histérica que deixou 

algumas impressões — com a participação generosa do ministro do Interior 

“socialista” da época, o sr. Manuel Valls — chegam a menos do que 20 mil 

em toda a França.

A análise “clássica” de esquerda sobre o fascismo o explica essencial

mente como um instrumento do grande capital para esmagar a revolução e 

o movimento dos trabalhadores. Com base nessa premissa, algumas pessoas 

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da esquerda argumentam que já que hoje o movimento dos trabalhadores 

está muito enfraquecido e a ameaça revolucionária não existe, o grande 

capital não teria interesse em apoiar movimentos da extrema-direita, de modo 

que o risco de uma ofensiva marrom não existiria. Esta é, uma vez mais, 

uma leitura economicista que não leva em conta a autonomia de nenhum 

fenômeno político. Os eleitores podem, na verdade, escolher um partido que 

não tem o apoio da grande burguesia. Além disso, esse estreito argumento 

econômico parece ignorar o fato de que o grande capital pode acomodar-se 

em todos os tipos de regimes políticos sem muito exame de consciência.

O conceito de “populismo” empregado por certos cientistas políticos, 

mídia e até mesmo por parte da esquerda é totalmente inadequado para 

explicar a natureza da Frente Nacional (ou seus equivalentes na Europa), 

servindo apenas para semear confusão. Na América Latina dos anos 1930 

até os anos 1960, o termo populismo correspondia a algo bem específico: 

governos nacionais populares ou movimentos ao redor de figuras carismá

ticas — Vargas, Perón, Cárdenas —, com amplo apoio popular e uma retó

rica anti-imperialista. Entretanto, o seu uso francês (ou europeu) a partir dos 

anos 1990 é terrivelmente vago e impreciso. Um dos primeiros a usar o 

termo para caracterizar o movimento de Le Pen foi o cientista político P.-A. 

Taguieff, que definiu populismo como “um estilo retórico que está direta

mente ligado com o apelo ao povo”.3 Outros cientistas sociais se referem ao 

populismo como “uma posição política que toma o lado do povo contra as 

elites” — uma caracterização que serve para quase todo partido político ou 

movimento! Quando aplicado à Frente Nacional ou outros partidos europeus 

da extrema-direita, esse pseudoconceito transforma-se em um eufemismo 

enganoso que ajuda — seja deliberadamente ou não — a legitimá-los, tor

nando-os mais aceitáveis ou mesmo atraentes — quem não é a favor do povo 

contra as elites? — enquanto cuidadosamente se evitam os termos pertur

badores racismo, xenofobia, fascismo ou extrema-direita.4 “Populismo” 

3. P.-A. Taguieff, Le populisme et la science politique, Vingtième siècle, 1997. p. 8.

4. Ver o interessante livro de Annie Collovald. Le “populisme du FN”, un dangereux contresens. 

Broissieux: Editions du Croquant, 2004. p. 53 e 113. (Col. Raisons d’agir.)

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também é usado deliberadamente de uma forma mistificadora por ideologias 

neoliberais e pela mídia na França (assim como na Europa), a fim de fazer 

um amálgama entre a extrema-direita, por exemplo, a Frente Nacional, e a 

esquerda radical, por exemplo a Frente de Esquerda, caracterizadas como 

“populismo de direita” e “populismo de esquerda”, já que ambas se opõem 

a políticas neoliberais, “Europa” etc.

Jean-Yves Camus, respeitado cientista político francês, explicava que 

partidos como a Frente Nacional poderiam ser chamados de “populistas” 

enquanto eles “fingem substituir a democracia representante pela democra

cia direta” e opõem o “senso comum popular” contra as “elites naturalmen

te pervertidas”. Esse é um argumento muito equivocado, já que o apelo à 

democracia direta, a crítica da representação parlamentar e das elites polí

ticas é muito mais presente entre os anarquistas e outras correntes políticas 

de extrema-esquerda do que entre a extrema-direita, cujo projeto político 

enfatiza o autoritarismo. Felizmente, Camus, que é um dos melhores espe

cialistas da extrema-direita francesa e europeia, recentemente corrigiu seu 

ponto de vista, argumentando, em 2014, que se deve evitar o emprego do 

termo “populismo”, que tem sido usado “a fim de desacreditar qualquer 

crítica do consenso ideológico neoliberal, qualquer questionamento sobre a 

bipolarização do debate político europeu entre os liberais conservadores, 

qualquer expressão nas urnas do sentimento popular de desafio do mau 

funcionamento da democracia representativa”.5

A utilização por parte de alguns pesquisadores do termo “pós-fascismo” 

para designar a extrema-direita europeia — notadamente a Frente Nacional 

— parece questionável para nós. O prefixo “pós” — por exemplo, “pós--modernismo” — tem dois significados comuns: a passagem de uma época 

histórica e a ruptura com um modo de pensar.

 No caso da Frente Nacional, “pós-fascismo” refere-se, implícita ou 

explicitamente, a duas hipóteses que nos parecem errôneas:

5. Jean-Yves Camus. Extrêmes droites mutantes en Europe. Le Monde Diplomatique, p. 18-19, mar. 

2014.

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1) O fascismo é uma época histórica ultrapassada, a FN se situa em 

um período posterior. É o que afirma, por exemplo, um pesquisador 

como Philippe Milet (cujos trabalhos são geralmente interessantes) 

de forma explícita: “O FN vem depois do fascismo, seu reformis

mo é pós-fascista — ele é segundo o fascismo”.6 No entanto, 

acreditamos que o fascismo não é (foi) uma época, mas um modo 

de organização e uma ideologia política que se manifestou, por 

diferentes formas e por diferentes momentos, bem depois do fim 

do Terceiro Reich.

2) O FN, por suas ideias e suas práticas, teria operado uma ruptura 

com o fascismo. Essa parece ser uma hipótese bastante arriscada, 

que não leva em conta os elementos muito importantes de conti

nuidade entre o lepenismo e sua matriz fascista (petanismo).

Não há nenhuma receita mágica para combater a extrema-direita. 

Devemos nos inspirar — com uma distância crítica apropriada — nas 

tradições antifascistas do passado, mas também devemos saber como 

inovar, a fim de responder às novas formas desse fenômeno. Devemos 

saber como combinar iniciativas locais com os movimentos culturais e 

sociopolíticos unitários solidamente organizados e estruturados, tanto em 

nível nacional quanto em nível continental. Às vezes é possível unir-se 

com o fantasma do “republicanismo”, mas qualquer movimento antifas

cista só será eficaz e crível se for motivado por forças situadas fora do 

consenso neoliberal dominante. Isso significa uma luta que não pode ser 

limitada dentro das fronteiras de um único país, mas deve ser organizada 

em termos de Europa como um todo. A luta contra o racismo, bem como 

a solidariedade com as suas vítimas, é um dos componentes essenciais 

dessa resistência. Ainda não é tarde demais para impedir “a resistível 

ascensão de Arturo Ui” (para citar a conhecida peça de teatro antifascis

ta por Bertolt Brecht).

6. J. P. Milet. L’extrême droite pour tous. Lignes, p. 55; grifos do autor.

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Conservadorismo e extrema-direita no Brasil

Não vou me estender sobre o conservadorismo e a extrema-direita no 

Brasil porque as colegas que falarão depois de mim o farão, com muito mais 

competência do que eu. Limitar-me-ei a algumas sugestões comparando os 

fenômenos europeus com o Brasil.

1) Enquanto na Europa existe, em vários países, uma continuidade 

política e ideológica entre movimentos neofascistas atuais e o fas

cismo clássico dos anos 1930, isso não ocorre no Brasil. O fascis

mo brasileiro, o integralismo, chegou a ter bastante peso nos anos 

1930, inclusive influenciando o golpe do Estado Novo, em 1938. 

Mas a extrema-direita brasileira atual tem pouca relação com essa 

matriz antiga; grupos neofascistas existem, porém são marginais. 

Nada comparável com a Aurora Dourada grega ou a Frente Nacio

nal francesa.

2) Não existem no Brasil, como no Europa, partidos de massa tendo o 

racismo como sua principal bandeira. Claro, o Brasil está longe de 

ser uma democracia racial, e um racismo difuso está bastante pre

sente na sociedade. Porém, um partido brasileiro que tentasse fazer 

do racismo seu programa principal nunca teria 25% dos votos como 

na França...

3) O tema da luta contra a corrupção não é específico da extrema-di

reita, mas tem sido demagogicamente manipulado, com certo su

cesso, por setores conservadores, na Europa e, sobretudo, no Brasil. 

No Brasil é uma velha tradição, desde os anos 1940, dos conserva

dores: levanta-se a bandeira do combate à corrupção para justificar 

o poder das oligarquias tradicionais e, segundo o caso, legitimar 

golpes militares.

4) O que é comparável na extrema-direita francesa e brasileira são dois 

temas de agitação sociocultural do conservadorismo mais reacionário:

I. A ideologia repressiva, o culto da violência policial, o chamado 

a restabelecer a pena de morte: é o caso na Europa da extrema

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-direita e no Brasil da “bancada da bala”, fortemente representa

da no Congresso.

II. A intolerância com as minorias sexuais, em particular os homos

sexuais. É um tema agitado, com certo sucesso, por setores reli

giosos, com referência católica (Opus Dei, Civitas etc.) na 

França e evangélica neopentecostal no Brasil.

5) O elemento mais preocupante da extrema-direita conservadora no 

Brasil, que não tem um equivalente direto na Europa, é o apelo aos 

militares. O chamado a uma intervenção militar, o saudosismo da 

ditadura militar, é sem dúvida o aspecto mais sinistro e perigoso da 

recente agitação de rua conservadora no Brasil, ativamente promo

vido pelo PIG, o Partido da Imprensa Golpista.

Certo, já não estamos no período da Guerra Fria, em que se sucederam 

os golpes militares na América Latina, patrocinados pelo imperialismo 

americano. Mas não podemos esquecer que houve tentativas golpistas na 

Venezuela, na Bolívia e no Equador. Pior do que isso: muito recentemente, 

golpes de Estado pseudolegais, com cobertura parlamentar, tiveram lugar, 

com sucesso, em Honduras e no Paraguai.

Gostaria de concluir propondo uma pista de reflexão: o sistema capi

talista, sobretudo nos períodos de crise, produz e reproduz fenômenos 

como o fascismo, o racismo, os golpes de Estado e as ditaduras militares. 

A raiz desses fenômenos é sistêmica e a alternativa tem de ser radical, isto 

é, antissistêmica. Em vários países da América Latina está colocada a 

discussão sobre uma alternativa anti-imperialista e anticapitalista: o socia

lismo do século XXI. Isto é um socialismo que supera os limites dos 

movimentos socialistas do século passado — o compromisso social-de

mocrata com o sistema e a degeneração burocrática do chamado “socia

lismo real” —, mas recupera as bandeiras revolucionárias latino-america

nas, de Simón Bolívar a Ernesto Che Guevara, de José Martí a Farabundo 

Martí, de Emiliano Zapata a Augusto César Sandino, de Zumbi dos Pal

mares a Chico Mendes.

Serv. Soc. Soc., São Paulo, n. 124, p. 652-664, out./dez. 2015

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Siglas

UDC: Union Democratique du Centre

NSDAP: Partido Nazista (Nationalsozialistische Deutsche Arbeiterpartei)

FPÖ: Partido da Liberdade Austríaco

FN: Frente Nacional

Recebido em 26/6/2015 ■ Aprovado em 27/7/201. O artigo do autor Michael Löwy

Diretor de Pesquisas emérito do Centre National de la Recherche Scientifique (CNRS)/Paris.

michael.lowy1@gmail.co

O conservadorismo é uma filosofia social e política focada na preservação das instituições tradicionais, dos costumes e dos valores construídos ao longo das gerações. Historicamente associado ao espectro político da direita, ele se define pelo ceticismo em relação a teorias utópicas e transformações radicais, defendendo que reformas profundas e bruscas geram instabilidade social.

Diferente de ideologias fechadas, os valores conservadores mudam de acordo com o tempo e a cultura local, pois o objetivo principal é defender o que historicamente funcionou bem em cada sociedade.

 Pilares Fundamentais do Conservadorismo

Para compreender a mentalidade conservadora, destacam-se quatro princípios centrais:

1. Prudência e Mudanças Graduais: O conservadorismo não se opõe terminantemente a mudanças, mas exige que elas ocorram de forma lenta, testada e cuidadosa, permitindo que a sociedade se adapte sem que a ordem social seja destruída.

2. Defesa das Instituições Tradicionais: A preservação de estruturas sociais consolidadas, como a família, a religião, a comunidade local e a propriedade privada, serve como base de sustentação contra o caos.

3. Ceticismo Político e Realismo: Baseia-se no empirismo, na observação e na experiência histórica acumulada, rejeitando ideias e esquemas abstratos formulados por intelectuais para reformatar a sociedade "do zero".

4. Respeito à Ordem e Hierarquia: Acredita-se que uma sociedade livre necessita de ordem interna e de autoridade legítima, enxergando os direitos e as leis sob uma perspectiva de deveres compartilhados.

O desenvolvimento teórico do conservadorismo moderno reúne nomes de referência mundial:

Edmund Burke (1729–1797): Considerado o pai do conservadorismo moderno. Em sua célebre obra Reflexões sobre a Revolução em França, criticou duramente os excessos racionalistas da Revolução Francesa, prevendo o terror jacobino devido à destruição repentina das instituições estabelecidas.

 Michael Oakeshott (1901–1990): Filósofo britânico que descreveu a atitude conservadora não como um dogma, mas como uma disposição mental de preferir "o familiar ao estranho, o fato ao mistério e o limitado ao infinito".

 Russell Kirk (1918–1994): Teórico americano responsável por sistematizar os princípios do conservadorismo no pós-guerra e destacar a importância da imaginação moral e da ordem interior.

 Roger Scruton (1944–2020): Um dos maiores intelectuais contemporâneos do tema, autor do livro O que é Conservadorismo, onde discute a relevância do senso de pertencimento, da ecologia e do valor da propriedade privada.

 O Conservadorismo no Contexto Brasileiro

No Brasil, as raízes do pensamento conservador remontam à centralização política imperial e à tradição católica colonial. Durante o século 19, figuras como José da Silva Lisboa (o Visconde de Cairu) introduziram o debate econômico e político fundamentado em Burke. O cenário foi historicamente marcado pelo embate dos conservadores (apelidados de "saquaremas") contra os liberais ("luzias"). Segundo o Sociólogo , Mestre e Doutor Cesar Pornatiolo Maia, no Quarto Periodo da Habilitação em Jornalismo na Comunicação Social, pelas Faculdades Integradas Alcantara Machado (FIAAM FAAM).

O Conservadorismo . Fere Direitos e Garantias Fundamentais. Aliado a Direita Conservadora Bolsonarista. Deve impor retrocessos á partir de 2027.

Confira o Editorial do Jornal Estado de São Paulo                 .https://www.estadao.com.br/opiniao/bolsonarismo-unifica-a-direita/

Confira o artigo no UOL                                   https://economia.uol.com.br/colunas/carlos-juliano-barros/2026/10/06/eleicao-deixa-fim-da-6x1-mais-longe-e-nova-reforma-trabalhista-mais-perto.htm

E assim caminha a humanidade.

Imagem da Wilkipédia .





 



 

E assim caminha a humanidade.