quinta-feira, 10 de setembro de 2026

Bolsonarismo.

     O bolsonarismo é um fenômeno político de extrema-direita e populista, centrado na figura do ex-presidente Jair Bolsonaro, e que se mantém relevante mesmo após o fim de seu mandato. É considerado por analistas uma versão brasileira de uma onda internacional reacionária. O movimento é caracterizado pela combinação de diversos elementos, como conservadorismo social, militarismo e o uso intenso das mídias digitais. 

Características principais

Valores conservadores: A plataforma bolsonarista se baseia em valores tradicionais, com ênfase na defesa da família, da religião e da ordem moral.

Militarismo e ordem: Promove a militarização da segurança pública e do comportamento social, valorizando a disciplina e a autoridade militar.

Populismo: O discurso bolsonarista é antiestablishment e se dirige diretamente aos eleitores, criando uma conexão forte com sua base de apoio. A retórica costuma explorar a polarização e a crítica a supostos inimigos, como a "velha política" e o "comunismo".

Uso de mídias digitais: O movimento utiliza intensivamente as redes sociais e aplicativos de mensagens, como o WhatsApp, para mobilizar apoiadores, disseminar notícias e informações (muitas vezes falsas ou distorcidas), e contornar a mídia tradicional.

Nacionalismo e "cidadão de bem": O bolsonarismo se apropria de símbolos nacionais e constrói uma narrativa identitária em torno do "cidadão de bem" para se contrapor a grupos sociais considerados "fora do padrão", como a esquerda, movimentos antirracistas e a população LGBTQIAPN+.

Americanização da política: O movimento reproduz práticas e performances de grupos de extrema-direita internacionais, como o trumpismo nos Estados Unidos, utilizando estratégias de comunicação e narrativas compartilhadas. 

Após o fim do mandato de Bolsonaro e sua inelegibilidade, o movimento continua a se manifestar no cenário político brasileiro, mas enfrenta desafios: 

Enfraquecimento: Analistas indicam que a "onda bolsonarista" tem se enfraquecido, especialmente após condenações de Bolsonaro na Justiça. Há questionamento  sobre a capacidade do ex-presidente de manter a liderança de seu campo político.

Divisões internas: Reportagens recentes sugerem rachas dentro do bolsonarismo, com a ala mais radical questionando a liderança de Bolsonaro e figuras como o governador Tarcísio de Freitas sendo vistas como potenciais substitutos para a direita em 2026.

Apoio duradouro: Apesar das dificuldades, o bolsonarismo ainda mantém uma base de apoiadores significativa, que continua a se mobilizar em torno de suas pautas.

Cenário eleitoral: Embora seja considerado enfraquecido, o bolsonarismo continua a ser um fator relevante nas próximas eleições, com candidatos da direita buscando associar-se ou distanciar-se da figura do ex-presidente.

[Artigos Originais]

O Que É o Bolsonarismo? Muito 

Além da Abordagem Sociológica

João Feres Júnior1

1Professor titular de Ciência Política do Instituto de Estudos Sociais e Políticos (IESP-UERJ). Rio de Janeiro, RJ. Brasil.

       E-mail: jferes@iesp.uerj.br           Orcid: https://orcid.org/0000-0002-5830-0458

Carolina Almeida de Paula2

2Doutora em Ciência Política pelo Instituto de Estudos Sociais e Políticos (IESP-UERJ). Rio de Janeiro, RJ. Brasil.

       E-mail: carolina.almeidapaula@gmail.com           Orcid: https://orcid.org/0000-0001-9559-6799

DOI: https://doi.org/10.1590/dados.2025.68.4.401

Disponibilidade de Dados – Todo o conjunto de dados que dá suporte aos resultados deste 

estudo foi publicado no próprio artigo.

, Rio de Janeiro  Vol.68  N.4  Ano 2025: e20250132

1 / 46      

O Que É o Bolsonarismo? Muito Além da Abordagem Sociológica

Resumo

O Que É o Bolsonarismo? Muito Além da Abordagem Sociológica

O artigo parte de uma crítica às contribuições da abordagem sociológica, que 

concebem o bolsonarismo como produto de novas subjetividades conservadoras 

ou mesmo como um movimento social. A partir da análise dos resultados de 

uma pesquisa qualitativa nacional com bolsonaristas renitentes e arrependidos, 

exploramos vários aspectos de sua adesão a temas como corrupção, segurança 

pública, família, gênero e valores tradicionais, além da formação de suas pre

ferências políticas e hábitos de consumo de informação. Argumentamos que é 

necessário ir além da constatação das adesões substantivas dos bolsonaristas a 

valores, e olhar para a maneira como obtêm informação. A hipótese principal é 

que o nexo maior do bolsonarismo é sua esfera comunicacional, que permite aos 

aderentes fácil acesso a versões alternativas de fatos e narrativas. Concluímos o 

texto refletindo sobre as limitações das teses sociológicas para o entendimento 

do bolsonarismo e apontando para deficiências metodológicas dos trabalhos 

qualitativos desse campo.

Palavras-chave: bolsonarismo; Brasil; movimentos sociais; pesquisa qualitativa; 

consumo de mídia

Abstract

What is Bolsonarism? Far Beyond the Sociological Approach

The article begins with a critique of the contributions of the sociological approach, 

which conceives Bolsonarism as a product of new conservative subjectivities 

or even as a social movement. Based on the analysis of the results of a national 

qualitative survey with staunch and repentant Bolsonaristas, we explore various 

aspects of their adherence to issues such as corruption, public security, family, 

gender, and traditional values, as well as the formation of their political prefe

rences and information consumption habits. We argue that it is necessary to go 

beyond the observation of Bolsonaristas’ substantive adherence to values and 

look at how they obtain information. The main hypothesis is that the strongest 

link in Bolsonarism is its communication sphere, which allows supporters easy 

access to alternative versions of facts and narratives. We conclude by reflecting 

on the limitations of sociological theories in understanding Bolsonarism and 

highlighting methodological shortcomings in qualitative research in this field.

Keywords: Bolsonarism; Brazil; social movements; qualitative research; media 

consumption

, Rio de Janeiro  Vol.68  N.4  Ano 2025: e20250132

2 / 46      

João Feres Júnior e Carolina Almeida de Paula

Résumé

Qu’est-ce que le Bolsonarisme ? Bien Au-delà  

de l’Approche Sociologique

L’article part d’une critique des contributions de l’approche sociologique, qui conçoi

vent le bolsonarisme comme produit de nouvelles subjectivités conservatrices ou 

même comme un mouvement social. À partir de l’analyse des résultats d’une recher

che qualitative nationale menée auprès de bolsonaristes récalcitrants et repentis, 

nous explorons divers aspects de leur adhésion à des sujets tels que la corruption, la 

sécurité publique, la famille, le genre et les valeurs traditionnelles, en plus de la for

mation de leurs préférences politiques et habitudes de consommation d’information. 

Nous soutenons qu’il est nécessaire d’aller au-delà de la constatation des adhésions 

substantielles des bolsonaristes aux valeurs, et de regarder la façon dont ils obtien

nent l’information. L’hypothèse principale est que le plus grand lien du bolsonarisme 

est sa sphère communicationnelle, qui permet aux adhérents un accès facile à des 

versions alternatives de faits et de récits. Nous concluons le texte en réfléchissant sur 

les limitations des thèses sociologiques pour la compréhension du bolsonarisme et 

en pointant sur les lacunes méthodologiques des travaux qualitatifs de ce domaine.

Mots-clés : bolsonarisme ; Brésil ; mouvements sociaux ; recherche qualitative ; 

consommation des médias

Resumen

¿Qué es el Bolsonarismo? Mucho más Allá del Enfoque Sociológico

El artículo parte de una crítica a las contribuciones del enfoque sociológico, que 

conciben el bolsonarismo como producto de nuevas subjetividades conservadoras 

o incluso como un movimiento social. A partir del análisis de los resultados de 

una investigación cualitativa nacional con bolsonaristas renuentes y arrepentidos, 

exploramos varios aspectos de su adhesión a temas como la corrupción, la seguridad 

pública, la familia, el género y los valores tradicionales, además de la formación de 

sus preferencias políticas y hábitos de consumo de información. Argumentamos 

que es necesario ir más allá de la constatación de la adhesión sustantiva de los 

bolsonaristas a ciertos valores y fijarse en la forma en que obtienen la informa

ción. La hipótesis principal es que el nexo más importante del bolsonarismo es su 

esfera comunicativa, que permite a sus seguidores acceder fácilmente a versiones 

alternativas de los hechos y narrativas. Concluimos el texto reflexionando sobre las 

limitaciones de las tesis sociológicas para comprender el bolsonarismo y señalando 

las deficiencias metodológicas de los trabajos cualitativos en este campo.

Palabras clave: bolsonarismo; Brasil; movimientos sociales; investigación cua

litativa; consumo de medios de comunicación

, Rio de Janeiro  Vol.68  N.4  Ano 2025: e20250132

3 / 46      

O Que É o Bolsonarismo? Muito Além da Abordagem Sociológica

Introdução

A recente ascensão de políticos e partidos de extrema-direita mundo 

afora se refletiu rapidamente na produção acadêmica, particularmente 

a da ciência política, que já vinha há alguns anos estudando processos 

de retrocesso democrático (Bermeo, 2016; Greskovits, 2015; Mainwa

ring, Pérez-Liñán, 2014). O Brasil passou a figurar na lista de casos de 

estudo após a crise política que se instaurou a partir de junho de 2013 

e se intensificou com o impeachment de Dilma Rousseff em 2016 e a 

vitória de Jair Bolsonaro na eleição presidencial de 2018. Referências 

bibliográficas a Bolsonaro e ao bolsonarismo têm experimentado um 

crescimento forte a partir do final da década passada. Uma pesquisa 

rápida que conduzimos pela ferramenta Google Books Ngram Viewer 

revela crescimento praticamente constante da ordem de quase 30% ao 

ano de instâncias de emprego da palavra “Bolsonaro” – e suas possíveis 

derivações – em livros, a partir de 2016.1

A fim de mapear a literatura acadêmica sobre o tema, fizemos uma 

pesquisa bibliográfica com o auxílio do programa Publish or Perish na 

base do Google Acadêmico.2 Uma vez obtidos os resultados, seleciona

mos os 50 textos com maior fator de impacto (índice h) e que tratavam 

da compreensão do bolsonarismo – descartando falso-positivos. Em 

seguida, classificamos os textos selecionados de acordo com a maneira 

como definem o bolsonarismo. Infelizmente, tal questão de ordem onto

lógica não é discutida explicitamente pela maior parte dos trabalhos 

sobre o tema. Ainda assim, o critério se mostrou bastante produtivo 

no trabalho de classificação dos textos, pois, entre outras coisas, ele 

nos permite discutir a natureza do fenômeno ao qual nomeamos “bol

sonarismo”. Após uma leitura rápida dos 50 textos com maior fator de 

impacto, encontramos três abordagens principais, distintas entre si 

pela maneira como concebem o fenômeno do bolsonarismo: discursiva, 

sociológica e de opinião pública.

A abordagem discursiva toma o bolsonarismo como um fenômeno 

cujo nexo deve ser buscado no âmbito da linguagem, ou seja, ela o 

concebe como uma combinação de discursos (Nunes, 2021; Baptista, 

Hauber, Orlandini, 2022; Lynch, Cassimiro, 2022). A tarefa do ana

lista, então, estaria em identificar os componentes discursivos do 

bolsonarismo (autoritário, militarista, misógino, necropolítico etc.) 

e suas imbricações. Do ponto de vista metodológico, ela é fortemente 

dominada pelo ensaísmo, ou seja, por um estilo de prosa acadêmica 

, Rio de Janeiro  Vol.68  N.4  Ano 2025: e20250132

4 / 46      

João Feres Júnior e Carolina Almeida de Paula

que não lança mão do exame sistemático de dados empíricos. Ade

mais, essa abordagem privilegia a emissão do discurso por parte de 

Bolsonaro e seus seguidores, e não a recepção por parte de apoiadores 

e do eleitorado.

A abordagem de opinião pública concebe o bolsonarismo como fenô

meno de formação de preferências, processo estudado também sob o 

rótulo epistêmico do “comportamento político”. Em grande medida, 

está preocupada em capturar o aspecto eleitoral do bolsonarismo, isto 

é, as interações entre o voto em Bolsonaro e posições socioeconômicas, 

e preferências por valores e políticas públicas dos cidadãos (Rennó, 

2020; Amaral, 2020; Almeida, Guarnieri, 2020). É uma abordagem que 

lança mão de métodos estatísticos para a análise sistemática de dados 

empíricos e é focada quase que exclusivamente na recepção, ou seja, na 

formação de opiniões, comportamentos e preferências do eleitorado, 

e não na oferta de discursos por parte de líderes políticos.

A terceira abordagem identificada em nossa análise trata o bolsona

rismo como um fenômeno sociológico, daí seu nome. Escolhemos tal 

abordagem como principal interlocutora neste artigo por algumas 

razões. Primeiramente, ela partilha com o presente estudo a opção 

pela adoção de métodos qualitativos. A técnica adotada aqui, grupos 

focais on-line síncronos, nos permite obter informações sobre a ope

ração do bolsonarismo que colocam em questão aspectos importantes 

da abordagem sociológica. Pretendemos mostrar que parte das defi

ciências substantivas identificadas nessa literatura advém de proble

mas metodológicos. Segundo, porque, assim como a abordagem de 

opinião pública, a abordagem sociológica também foca na recepção 

do bolsonarismo, avaliando a formação de opiniões e preferências 

por parte dos cidadãos comuns. Cremos ser o estudo do processo de 

recepção mais produtivo para o entendimento do sucesso eleitoral 

do bolsonarismo.

O texto que segue está dividido nas seguintes seções: revisão das 

principais contribuições à literatura do bolsonarismo como fenômeno 

sociológico, que termina com a identificação de suas deficiências; 

apresentação da metodologia do presente estudo; apresentação dos 

principais resultados da pesquisa nacional qualitativa; discussão dos 

resultados à luz da literatura; e uma conclusão que retoma as deficiên

cias apontadas, agora discutidas a partir dos resultados substantivos 

de nossa pesquisa.

, Rio de Janeiro  Vol.68  N.4  Ano 2025: e20250132

5 / 46      

O Que É o Bolsonarismo? Muito Além da Abordagem Sociológica

Abordagem Sociológica

Os trabalhos que adotam essa abordagem tomam o bolsonarismo como um 

fenômeno sociológico, frequentemente como um movimento social. Por 

exemplo, o artigo de Gabriel Feltran (2020) carrega a palavra já em seu sub

título: “A Totalitarian Movement in Contemporary Brazil”. Segundo o autor:

O movimento de massa que fez Bolsonaro é impulsionado pela promessa 

redentora de resolver os conflitos sociais do Brasil e acabar com suas 

diferenças sociais... O movimento não é, como às vezes se pensa, um de 

elites contra os pobres. Dentro do mundo urbano popular, há muitos bol

sonaristas, entre os quais o caráter totalitário do movimento é claramente 

compreendido. (Feltran, 2020:95-6)3

Feltran parece se mover contra um argumento-espantalho de que o bolso

narismo seria uma trama de elites, e tenta provar que, pelo contrário, se 

trata de um movimento de massas. Mas nunca ficamos sabendo ao certo 

como essa teoria do bolsonarismo de elite é articulada, e nem quem a 

articula, pois o artigo não contém diálogo com a literatura sobre o tema. 

Ele também carece de referências empíricas sistemáticas, permanecendo 

o tempo todo no plano do ensaísmo. O autor declara, no início do texto, 

que observou o crescimento do movimento bolsonarista em 2013, quando 

fez trabalho de campo etnográfico na periferia da cidade de São Paulo 

(Feltran, 2020:95), mas nenhum outro dado empírico é de fato analisado.

Classificamos também sob o guarda-chuva da abordagem sociológica 

trabalhos que flertam com a psicologia social, como a contribuição de 

Rosana Pinheiro-Machado, que enxerga o bolsonarismo como produto de 

uma nova subjetividade conservadora no Brasil, vinda à tona devido às 

crises políticas e econômicas que têm assolado o país nos últimos anos, 

bem como ao crescimento das redes sociais e à disseminação de notícias 

falsas (Pinheiro-Machado, Scalco, 2020). A metodologia adotada é uma 

“etnografia longitudinal” para entender o surgimento dessa subjetividade 

conservadora no Brasil, mas, de fato, são estudados os apoiadores de 

Bolsonaro no Morro da Cruz, uma região de baixa renda localizada na 

periferia de Porto Alegre.

Outra contribuição que fica sob o guarda-chuva da abordagem sociológica 

é a de Isabela Oliveira Kalil (2018), que trata o bolsonarismo como uma 

coleção de identidades sociais. Em sua pesquisa, Kalil enumera 16 tipos 

de apoiadores, eleitores e potenciais eleitores de Bolsonaro, com base em 

, Rio de Janeiro  Vol.68  N.4  Ano 2025: e20250132

6 / 46      

João Feres Júnior e Carolina Almeida de Paula

marcadores de classe social, raça/etnia, identidade de gênero, religião, 

formas de engajamento e crenças. A autora hierarquiza diferentes fatores 

que motivam o voto em Bolsonaro, associando vários deles a sentimen

tos de medo e repulsa, que seriam oportunisticamente mobilizados pelo 

discurso bolsonarista. Segundo relata Kalil (2018:5), a coleta de dados foi 

realizada em protestos, manifestações e atos políticos ocorridos em São 

Paulo entre 2013 e 2018, com ênfase em eventos como o acampamento da 

FIESP, em 2016, e o evento contra Judith Butler, em 2017. Ou seja, como nas 

outras contribuições examinadas acima, a base empírica é de baixíssima 

representatividade e a amostragem é carente de qualquer sistematicidade.

Entre os autores da abordagem sociológica que tratam o bolsonarismo 

como um movimento social, destacam-se Camilla Rocha, Esther Solano 

e Jonas Medeiros, por terem publicado muitos artigos e um livro sobre o 

assunto (Rocha, Solano, Medeiros, 2021). Sua contribuição é, assim nos 

parece, a mais laboriosa e teoricamente sofisticada produzida até agora 

dentro do subgênero da abordagem sociológica, e por isso merece especial 

atenção. Segundo Rocha et alii, o processo de redemocratização, tendo 

como marco a Constituição de 1988, levou à formação, no Brasil, de uma 

esfera pública pós-burguesa, termo emprestado de Nancy Fraser (1997), 

que é caracterizada pela expansão do sistema de direitos e da inclusão 

social de grupos marginalizados produzida pelo ativismo dos movimen

tos sociais. Essa expansão, na narrativa dos autores, também serviu de 

gatilho para o cultural backlash da direita. O bolsonarismo seria, então, 

um movimento de reação a essa esfera pública pós-burguesa, capaz de 

integrar demandas dos grupos subalternos (p. 144). Mais especificamente, 

o bolsonarismo é caracterizado como um movimento de contrapublici

dade dominante que, utilizando-se das redes sociais e da internet, visou 

a desmantelar a esfera pública pós-burguesa no Brasil e estabelecer uma 

nova autocracia burguesa inspirada pela ditadura militar (p. 160).

A contrapublicidade como tática de movimentos sociais teria irrompido 

no espaço público a partir do ciclo de protestos iniciado em junho de 2013, 

colocando em xeque o sistema político representativo. Bolsonaro e a nova 

direita, em meio à qual ganhou centralidade a figura de Olavo de Carva

lho, aproveitaram-se dessa janela de oportunidade para tentar atender ao 

descontentamento popular amplificado pelo ciclo de protestos. Fazendo 

uso de uma estratégia de apresentação pessoal histriônica e disruptiva, 

Bolsonaro aproveitou-se desse estado de coisas para vencer as eleições de 

2018. Uma vez no poder, o núcleo central do bolsonarismo continuou a 

usar a contrapublicidade como uma estratégia radical contra-hegemônica.

, Rio de Janeiro  Vol.68  N.4  Ano 2025: e20250132

7 / 46      

O Que É o Bolsonarismo? Muito Além da Abordagem Sociológica

Na abordagem sociológica de Rocha et alii, o bolsonarismo é também 

explicado como um movimento social a partir de um arcabouço fornecido 

pela teoria deliberativa, mais especificamente, pela teoria da ação comu

nicativa reformulada para aplicação à esfera pública pós-burguesa. Mas a 

explicação para por aqui, pois não ficamos sabendo como se organiza de 

fato esse “movimento social”, a não ser que por meio das redes sociais, em 

grupos nos quais abunda o discurso disruptivo, o que é uma descrição bas

tante genérica. Na verdade, não se vê um esforço dos autores de explorar 

os diferentes aspectos do movimento bolsonarista, particularmente no 

que toca à mobilização de recursos (Edwards, McCarthy, 1996; McCarthy, 

Zald, 1977) e ao processo político (McAdam, 1996; Tarrow, 1994). Ademais, 

a política institucional em si, inclusive em seu aspecto eleitoral, é tratada 

como um epifenômeno de fatores sociais mais profundos.

Assim, não há uma explicação clara de como esse “movimento social” pro

duziu o fenômeno de opinião que permitiu a Bolsonaro vencer em 2018 e 

quase repetir o feito em 2022. Ou, melhor dizendo: poderia esse fenômeno 

de opinião, que mobilizou mais de 50 milhões de eleitores em duas eleições 

presidenciais seguidas, ser explicado como um movimento social?

As opções metodológicas do trabalho de Rocha, Medeiros e Solano são dig

nas de nota. Na maioria dos capítulos, a análise é baseada em informações 

provenientes de outros trabalhos dos autores e em fontes de terceiros. No 

capítulo 4, contudo, há um esforço de se apresentar a metodologia de pes

quisa produzida pelos próprios autores, antes da discussão dos resultados. 

Trata-se de entrevistas com sete moradores de São Paulo, escolhidos para 

representar uma variedade de situações econômicas, profissões, idades 

e gêneros, e conversas colhidas ao longo de atividades com grupos de 

alunos de uma escola pública do 1º e 3º anos do ensino médio situada em 

São Miguel Paulista, um bairro carente na periferia de São Paulo. Ainda 

segundo o relato dos autores, participaram da pesquisa 40 estudantes do 

último ano e 20 do primeiro ano. Por fim, adicionam a informação de 

que boa parte desses alunos podem ser considerados eleitores fiéis de 

Bolsonaro, dado um pouco exótico, pois muitos estudantes do 1º ano do 

ensino médio sequer teriam idade suficiente para tirar o título de eleitor. 

Seguindo a tradição dos trabalhos da abordagem sociológica ao estudo 

do bolsonarismo, a preocupação com metodologia é aqui bastante tênue.

Em outros trabalhos sobre o tema do bolsonarismo, as autoras empregam 

a metodologia do “minigrupo focal etnográfico”, cada um formado por três 

pessoas que se conhecem previamente e “têm uma composição homogênea 

, Rio de Janeiro  Vol.68  N.4  Ano 2025: e20250132

8 / 46      

João Feres Júnior e Carolina Almeida de Paula

em termos de faixa etária, renda, sexo ou outras características” (Solano, 

2021; Rocha, Solano, 2019). Segundo sua interpretação, essa conformação 

aumentaria a empatia entre o entrevistador e os entrevistados. Novamente, 

aqui nos deparamos com uma falta de preocupação com a representativi

dade amostral e com os detalhes metodológicos da pesquisa. Ora, o fato 

de serem somente três pessoas e elas se conhecerem reduz drasticamente 

a representatividade da amostra. Nesses trabalhos, diferentes recortes 

populacionais são estudados, sempre bastante restritos: uma das pesquisas 

utiliza dados de minigrupos realizados em um número reduzido de cida

des – Porto Alegre, São Paulo e Rio de Janeiro (Solano, 2021); na outra, as 

autoras focam somente nas pessoas de rendimento médio (Rocha, Solano, 

2019). Ou seja, a combinação de grupos de três com restrições nos recortes 

demográficos prejudica muito a representatividade da amostra.

Em suma, os trabalhos analisados acima mostram a tendência de os auto

res da abordagem sociológica reduzirem o bolsonarismo a um movimento 

social ou mesmo a um conjunto de identidades. Não haveria problema 

nessa redução se ela fosse tomada somente como hipótese a ser testada 

pela análise de dados. O problema surge quando verificamos que as meto

dologias adotadas para dar conta da tarefa de confirmar essa hipótese 

sobre a natureza do fenômeno carecem de sistematicidade, pois traba

lham com amostras de exígua representatividade, que geram dados tra

tados de maneira anedótica, quando não puramente ensaística.

A hipótese que guia o presente trabalho é que a melhor explicação para a 

formação de preferências em favor de Bolsonaro não é a atuação de um 

suposto movimento social bolsonarista – nunca exaustivamente descrito 

pela literatura –, mas a estrutura comunicativa montada em torno de sua 

figura, que permite a seus seguidores habitarem uma esfera comunicacio

nal própria, na qual circulam as narrativas e versões de fatos bolsonaristas. 

A maneira como diferentes pessoas adentram essa esfera comunicativa 

varia, pois ela parece ser bastante heterogênea e descentralizada, mas o 

contato cotidiano com essa esfera comunicacional parece ser uma marca 

comum dos integrantes do bolsonarismo, como iremos demonstrar.

A Pesquisa

Organizamos uma pesquisa qualitativa de escopo nacional cujo objetivo 

principal foi produzir conhecimento substancial e preciso acerca do bol

sonarismo, tomando-o prima facie como um fenômeno de opinião pública. 

Em outras palavras, suspendemos as premissas fundamentais da aborda

, Rio de Janeiro  Vol.68  N.4  Ano 2025: e20250132

9 / 46      

O Que É o Bolsonarismo? Muito Além da Abordagem Sociológica

gem sociológica, que o consideram como um movimento social ou um 

conjunto de novas subjetividades, e das abordagens que o tomam como 

discurso. Do ponto de vista teórico e metodológico, isso nos parece ser 

um passo prudente. Ora, o dado mais imediatamente disponível quando 

escutamos um participante de pesquisa, seja utilizando a metodologia de 

entrevistas em profundidade ou a de grupos focais, são suas falas, que, 

por seu turno, expressam opiniões sobre o mundo, ou, mais especifica

mente, sobre os assuntos que lhe são apresentados. Se todas essas falas, 

uma vez coletadas, codificadas e interpretadas, conseguem sustentar 

uma concepção do bolsonarismo como movimento social, discurso etc., 

isso é algo que só podemos concluir ex post, e não assumir ex ante, como 

premissa ontológica que estrutura a pesquisa.

O desenho de nossa pesquisa se beneficiou da análise de dados quantita

tivos sobre o bolsonarismo, produzidos por pesquisas de opinião frequen

temente publicadas em jornais e na internet, e dos trabalhos acadêmicos 

da área dos estudos do comportamento político (Amaral, 2020; Rennó, 

2020; Russo, Pimentel Junior, Avelino, 2022).

No momento em que fomos a campo, maio de 2021, a série de pesquisas 

quantitativas (surveys), feitas por institutos como DataFolha, IPESPE e 

Quaest, mostrava uma certa movimentação dos grupos demográficos que 

apoiavam Bolsonaro, em relação à eleição de 2018. O Brasil enfrentava o 

segundo ano da pandemia de COVID-19, sob o governo de Bolsonaro, e o 

clima político era bastante conflituoso. A CPI da COVID fora instalada pelo 

Senado Federal para investigar as ações e omissões do governo durante 

a pandemia, especialmente as relacionadas à compra de vacinas e ao 

colapso do sistema de saúde em Manaus. O Ministro da Saúde, o gene

ral Eduardo Pazuello, alvo de muitas acusações de negligência e má-fé 

no trato da pandemia, foi substituído por Marcelo Queiroga. As tensões 

entre o presidente e governadores e prefeitos sobre medidas de restrição 

e lockdown para conter a pandemia continuavam altas. Enquanto isso, a 

vacinação estava atrasada e envolta em polêmicas relativas à compra de 

vacinas, incluindo denúncias sobre a Covaxin. De quebra, tínhamos um 

elevado grau de tensão entre o Executivo e o STF, causado pelas frequentes 

bravatas do presidente contra as decisões da Corte.

Bolsonaro parecia ter perdido um pouco do apoio entre os brasileiros 

mais escolarizados e de maior renda, mas ganhado apoio entre os setores 

de menor escolarização e renda da nossa população; perdido apoio na 

região Sudeste, região fundamental para sua vitória eleitoral em 2018, mas 

, Rio de Janeiro  Vol.68  N.4  Ano 2025: e20250132

10 / 46      

João Feres Júnior e Carolina Almeida de Paula

ganhado outras regiões do Brasil. Algumas dessas tendências viriam a se 

confirmar no resultado do pleito de 2022, particularmente a perda de apoio 

relativo nos grandes estados do Sudeste. Ao mesmo tempo, os relatórios 

dessas pesquisas também mostravam que o ex-capitão conseguia manter 

forte apoio do eleitorado evangélico. De qualquer maneira, a despeito des

sas movimentações, o dado mais relevante revelado pelas pesquisas era a 

impressionante manutenção, por parte de Bolsonaro, de um público de 

apoiadores numericamente expressivo, mesmo em um cenário adverso 

que combinava forte crise econômica, os efeitos da pandemia da Covid-19 – com os quais sua administração lidava com extrema incompetência – e 

denúncias de corrupção envolvendo seus familiares e aliados no governo. 

Um apanhado de 45 pesquisas de aprovação do governo Bolsonaro, feitas 

ao longo de seu mandato pelos institutos Datafolha, PoderData, CNT/MDA e 

CNI/Ibope, mostra que no período em que a pesquisa foi feita, maio de 2021, 

sua taxa de aprovação média, desde o começo do mandado, era de 31%.4

É de conhecimento público, além de ser ratificado pela literatura aca

dêmica, que o debate sobre valores é um elemento fundamental da pro

paganda/comunicação de Jair Bolsonaro, seja como candidato em 2018, 

ou presidente, a partir de 2019. Assim, reservamos parte da pesquisa à 

exploração da adesão dos respondentes a valores e posturas adotadas pelo 

então presidente. É verdade que algumas pesquisas quantitativas eventual

mente incluem perguntas sobre valores e políticas públicas. Contudo, sua 

metodologia baseada em questionários rígidos não permite o exame de 

assuntos complexos de maneira conjunta e integrada, particularmente no 

que diz respeito a seus aspectos narrativos, algo que a pesquisa qualitativa 

está mais bem equipada para fazer.

Os tópicos selecionados para a pesquisa foram valores tradicionais, segu

rança, corrupção, militares no governo e na política, e pandemia. A adesão 

a valores tradicionais foi testada pela indução de discussões sobre as ques

tões de gênero e da família. O tema da segurança foi abordado por meio de 

discussões acerca da posse e do porte de armas e sua regulação. Utilizamos 

os exemplos concretos da Operação Lava Jato e das “rachadinhas” atribuídas 

a Flávio Bolsonaro para iniciar a discussão sobre corrupção. O tópico dos 

militares no governo foi discutido diretamente, dando particular atenção à 

imagem que os respondentes têm dessa categoria do funcionalismo público, 

além de suas percepções acerca da Ditadura Militar. Já o tema da pande

mia serviu para que pudéssemos explorar a força da desinformação e do 

negacionismo entre os eleitores de Bolsonaro, dando especial atenção à 

vacinação, tópico muito quente no período em que a pesquisa foi realizada.

, Rio de Janeiro  Vol.68  N.4  Ano 2025: e20250132

11 / 46      

O Que É o Bolsonarismo? Muito Além da Abordagem Sociológica

Metodologia

A técnica dos grupos focais nos pareceu ideal por suprir uma lacuna na 

literatura, pois ou temos trabalhos que empregam técnicas qualitativas 

de N muito pequeno – como as contribuições da abordagem sociológica, 

quase todas adeptas da técnica da etnografia e de entrevistas com um 

número bastante limitado de pessoas –, ou análises quantitativas de N 

muito grande. Como veremos abaixo, nossa pesquisa incluiu um número 

significativo de participantes (≅ 240), recrutados de maneira estruturada a 

fim de cobrir uma grande parte do território nacional, aumentando assim 

a representatividade da amostra. Esse “meio do caminho” em termos 

amostrais possibilita a combinação da vantagem do aprofundamento de 

temas, tipicamente produzido por metodologias qualitativas, com uma 

representatividade amostral maior, possibilitada pelo número generoso 

de grupos focais (Boydell et al., 2014:24). Conduzimos os grupos focais 

por meio on-line, utilizando o programa Google Meet.

Para a determinação dos perfis demográficos dos grupos, partimos das 

tradicionais variáveis socioeconômicas dos estudos de opinião pública, 

a saber: sexo, renda, escolaridade, idade e local de residência (região). 

Baseados nos dados das sondagens quantitativas acerca do apoio a Bol

sonaro, adotamos também o filtro de designação religiosa “evangélico/

não evangélico” para o recrutamento de entrevistados.

Como o objetivo maior era o estudo do bolsonarismo, escolhemos como 

primeira variável-filtro o voto em Bolsonaro no segundo turno da eleição 

de 2018. Em seguida, aplicamos a segunda variável-filtro, o arrependi

mento do voto, a fim de capturar as razões por trás desse arrependimento 

e as diferenças específicas entre aqueles que ainda o apoiavam e os que 

desistiram da escolha feita no pleito. Ou seja, produzimos algo análogo a 

uma variável dependente binária em um modelo estatístico quantitativo.

Fizemos ainda uma segmentação dos grupos utilizando as variáveis classe 

(níveis de renda), escolaridade, idade e religião, além de região de moradia – essas seriam, por analogia, as variáveis independentes. Outra variável, 

a distribuição geográfica dos grupos, cobriu as cinco regiões do país. O 

recrutamento de participantes ocorreu nas seguintes capitais: São Paulo, 

Rio de Janeiro, Curitiba, Goiânia, Belém e Recife. O critério utilizado para 

a escolha das capitais estaduais foi o fato de serem as mais populosas em 

suas respectivas regiões. A região Sudeste foi a única agraciada com duas 

capitais estaduais, por se tratar das cidades mais importantes do país em 

, Rio de Janeiro  Vol.68  N.4  Ano 2025: e20250132

12 / 46      

João Feres Júnior e Carolina Almeida de Paula

termos populacionais, econômicos e de poder simbólico. A escolha das 

capitais tem o sentido geral de aumentar a representatividade da amostra, 

pois a centralidade dessas aglomerações humanas, mesmo quando se trata 

de uma capital regional, permite que projetem sua influência cultural 

sobre o restante da população, inclusive por concentrarem os meios de 

comunicação mais poderosos. Esse dado é relevante para uma pesquisa 

que investiga valores culturais, posições políticas e hábitos.

Os grupos focais on-line ganharam enorme popularidade durante a 

pandemia, pois mostraram ser uma solução viável para a continuidade 

da atividade de pesquisa científica e de mercado em um contexto de 

isolamento social. Há um crescente debate acadêmico acerca das vanta

gens e desvantagens que essa técnica tem em relação aos grupos focais 

tradicionais, os presenciais (Forrestal, D’Angelo, Vogel, 2015; Menary 

et al., 2021; Richard et al., 2021). De qualquer maneira, como veremos 

abaixo, as conversas desenvolvidas nas sessões on-line geraram material 

riquíssimo para a análise, de maneira similar ao que seria gerado em 

sessões presenciais.

No total, foram realizados 24 grupos focais on-line, com duração média 

de 1h15 cada, entre os dias 14 e 29 de maio de 2021.5 Contamos com 

uma média de 8 a 9 participantes por grupo. O desenho final dos gru

pos foi o seguinte:

Tabela 1

Perfil sociodemográfico e eleitoral dos grupos focais (maio/2021).

Sexo

Região/cidade

Escolaridade Classe Idade Religião

Arrepen

dimento 

do voto

1 Misto Sudeste (Rio de Janeiro)

superior

A/B

> 25 

anos

qualquer 

religião

sim

2 Misto Sudeste (Rio de Janeiro) fundamental/

médio

C/D

> 25 

anos

qualquer 

religião

não

3 Misto Sudeste (Rio de Janeiro) fundamental/

médio

C/D

> 25 

anos

qualquer 

religião

sim

4 Misto Sudeste (Rio de Janeiro) fundamental/

médio

C/D

< 25 

anos evangélica

não

5 Misto

Nordeste (Recife)

fundamental/

médio

C/D

> 25 

anos evangélica

não

6 Misto

Nordeste (Recife)

fundamental/

médio

C/D

< 25 

anos

qualquer 

religião

sim

, Rio de Janeiro  Vol.68  N.4  Ano 2025: e20250132

13 / 46      

14 / 46      , Rio de Janeiro  Vol.68  N.4  Ano 2025: e20250132

O Que É o Bolsonarismo? Muito Além da Abordagem Sociológica

Tabela 1

Perfil sociodemográfico e eleitoral dos grupos focais (maio/2021).

Sexo Região/cidade Escolaridade Classe Idade Religião

Arrepen

dimento 

do voto

7 Misto Nordeste (Recife) fundamental/

médio C/D > 25 

anos

qualquer 

religião não

8 Misto Nordeste (Recife) superior A/B > 25 

anos

qualquer 

religião sim

9 Misto Sudeste (São Paulo) fundamental/

médio C/D > 25 

anos evangélica não

10Misto Sudeste (São Paulo) fundamental/

médio C/D > 25 

anos

qualquer 

religião não

11Misto Sudeste (São Paulo) fundamental/

médio C/D < 25 

anos

qualquer 

religião não

12Misto Sudeste (São Paulo) superior A/B > 25 

anos

qualquer 

religião sim

13Misto Sul (Curitiba) fundamental/

médio C/D > 25 

anos evangélica não

14Misto Sul (Curitiba) fundamental/

médio C/D < 25 

anos

qualquer 

religião não

15Misto Sul (Curitiba) fundamental/

médio C/D > 25 

anos

qualquer 

religião não

16Misto Sul (Curitiba) superior A/B > 25 

anos

qualquer 

religião sim

17Misto Centro Oeste (Goiânia) fundamental/

médio C/D < 25 

anos

qualquer 

religião não

18Misto Centro Oeste (Goiânia) superior A/B > 25 

anos

qualquer 

religião sim

19Misto Norte (Belém) fundamental/

médio C/D > 25 

anos evangélica não

20Misto Norte (Belém) superior A/B > 25 

anos

qualquer 

religião sim

21Misto Norte (Belém) fundamental/

médio C/D > 25 

anos

qualquer 

religião não

22Misto Norte (Belém) fundamental/

médio C/D < 25 

anos

qualquer 

religião não

23Misto Centro Oeste (Goiânia) fundamental/

médio C/D > 25 

anos evangélica não

24Misto Centro Oeste (Goiânia) fundamental/

médio C/D > 25 

anos

qualquer 

religião não

Fonte: Elaboração própria

João Feres Júnior e Carolina Almeida de Paula

O recrutamento dos participantes foi feito por meio de profissionais do 

ramo, que operam nas diferentes praças onde executamos a pesquisa. 

Os participantes foram devidamente informados acerca dos autores da 

pesquisa, seu conteúdo e propósitos, e assinaram um termo de anuência. 

Foram também informados de que os resultados da pesquisa, incluindo 

suas falas, só poderiam ser publicados ou divulgados de modo que os 

falantes não pudessem ser identificados, ou seja, de forma anônima.

O roteiro foi assim estruturado: após uma breve introdução de apresenta

ção da pesquisa aos participantes e de apresentação de cada participante, 

fizemos um aquecimento, discutindo a vida cotidiana e seus problemas e 

logo entramos no bloco do roteiro que tratou da adesão a valores e políticas 

públicas, que foi estruturado de modo a começar cada discussão com um 

vídeo mostrado aos participantes. Os temas foram: família, gênero e valores 

tradicionais; segurança pública e armas; corrupção e Lava Jato; relação entre 

militares, democracia e administração pública; e pandemia, ciência e desin

formação.6 Todos os vídeos traziam Bolsonaro falando, em entrevistas ou 

discursos públicos, sobre os respectivos temas selecionados para a pesquisa.

Em seguida, discutimos as percepções sobre a política, as razões do voto 

para presidente em 2018 e as perspectivas para o voto na eleição vindoura, 

de 2022. Por fim, conversamos sobre os hábitos de acesso à informação 

política utilizados pelos respondentes no seu dia a dia.

Resultados

Nesta seção, analisamos os principais resultados da pesquisa, pontuan

do-os com as falas dos participantes, devidamente anonimizadas.

Percepções sobre a Vida Atual e o  

Contexto da Pandemia

Em todas as cidades da pesquisa, foi generalizado o sentimento de piora da 

situação financeira, causada pela pandemia, seja dos participantes ou de 

seus familiares e amigos. Foram recorrentes as menções ao aumento do 

preço dos alimentos essenciais (arroz, carne, óleo) e também dos combustí

veis. Alguns apoiadores de Bolsonaro, em particular aqueles “não arrepen

didos do voto”, “evangélicos” e “acima de 25 anos”, relataram perceber uma 

retomada econômica, ainda que de modo tímido. As exceções ocorreram 

entre profissionais das áreas da saúde e tecnologia, como enfermeiros e 

técnicos em informática, para os quais a pandemia favoreceu a manutenção 

do emprego ou até mesmo a conquista de um novo posto.

, Rio de Janeiro  Vol.68  N.4  Ano 2025: e20250132

15 / 46      

O Que É o Bolsonarismo? Muito Além da Abordagem Sociológica

No que tange aos responsáveis pela situação de piora na economia e renda, 

a diferença entre os arrependidos do voto em Bolsonaro e os demais foi 

pronunciada. Os “arrependidos” creditam a Bolsonaro a irresponsabili

dade na condução da crise sanitária e a incapacidade de gerir a econo

mia. Já os apoiadores mais enfáticos fazem uma defesa intransigente do 

presidente. No seu modo de ver, os problemas econômicos são causados 

pela pandemia, que, por seu turno, é uma fatalidade. Em geral, citam os 

governadores e prefeitos como os principais responsáveis e, na sequência, 

culpam também empresários e comerciantes “gananciosos”. Por outro 

lado, Bolsonaro não pouparia esforços para combater a doença, tentando, 

ao mesmo tempo, salvar a economia. E isso enquanto é atacado pelos 

demais políticos e pela mídia.

Aparece no discurso dos apoiadores mais radicais, em diversas cidades, a 

atribuição da crise econômica à “política do fique em casa”. Na visão des

ses participantes, ocorreram fechamentos desnecessários em momentos 

em que a pandemia não estaria grave.

A distribuição de percepções sobre o estado da economia deixa antever 

forte efeito da posição política dos participantes (apoiador renitente ou 

arrependido). Ou seja, enquanto os arrependidos identificavam Bolsonaro 

como um dos principais responsáveis pela crise econômica, seus apoiado

res usam um conjunto de argumentos de deflexão: a culpa é dos prefeitos e 

governadores, da “política do fica em casa”, da fatalidade da pandemia etc.

Orientação a Valores e Políticas Públicas

Parte central do roteiro dos grupos diz respeito à adesão a valores e a 

políticas públicas. Ainda que não de maneira sistemática, procuramos 

cobrir os temas mais candentes do momento e/ou mais salientes da ima

gem pública do bolsonarismo.

Família, Gênero e Valores Tradicionais

É um consenso da literatura que o apego aos valores da família tradicio

nal é elemento central no discurso de Bolsonaro (Albernaz, 2019; Lynch, 

Cassimiro, 2022; Lacerda, 2022b; Nunes, 2021). Assim, o primeiro vídeo 

mostrado aos participantes é uma reportagem da TV Record que traz o 

então presidente discursando na Marcha para Jesus, pela Família e pelo 

Brasil, em 10 de agosto de 2019. Ele diz:

, Rio de Janeiro  Vol.68  N.4  Ano 2025: e20250132

16 / 46      

João Feres Júnior e Carolina Almeida de Paula

Se querem que eu acolha [os direitos da população LGBT], apresentem uma 

emenda à Constituição e modifiquem o artigo 226, porque lá está escrito 

que família é homem e mulher. E mesmo mudando isso, como não dá pra 

emendar a Bíblia, eu vou continuar acreditando na família tradicional.

O vídeo então corta para outra parte do discurso, no qual declara:

O presidente que acredita e valoriza a família vai respeitar a inocência 

das crianças em sala de aula. Não existe essa conversinha de ideologia de 

gênero. Isso é coisa do capeta!

No segmento de bolsonaristas que não se arrependeram do voto, a intensi

dade da defesa da “família tradicional” (composta por homem e mulher), 

conforme as palavras de Bolsonaro no vídeo, caminha em paralelo ao 

vínculo religioso dos participantes. A menção à Bíblia, que orientaria a 

união entre homens e mulheres, faz parte dos argumentos centrais dos 

participantes evangélicos. Para os mais moderados, mesmo quando con

cordam com Bolsonaro, acrescentam que o presidente deveria abordar o 

tópico de um modo mais leve, pois seu jeito soa agressivo e desrespeitoso. 

Radicalmente distinta é a avaliação do segmento que está arrependido 

do voto, com ligeira exceção para os grupos de Curitiba. Avaliam que tal 

concepção de família é equivocada e não condiz com a postura de um 

presidente. Afirmam que a família encontra sua unidade no amor e não 

em combinação de gêneros específica de seus membros. Ademais, pon

tuam que a família tradicional, não raro, é palco de todo tipo de violência.

Eu acho muito bonito ele combater essas coisas. Ele não aceita, por isso 

que a oposição faz de tudo pra tirar ele. Para mim também casamento tem 

que ser entre homem e mulher. É assim que a palavra ensina. (Belém, +25 

anos, C/D, evangélico, não arrependido do voto)

O conceito de família está em constante mudança. Nem sempre a família 

é formada por pai e mãe. Família é onde tem amor. Ao afirmar isso você 

está deslegitimando os outros tipos de família. Não é legal dizer isso. (Rio 

de Janeiro, +25 anos, C/D, qualquer religião, arrependido do voto)

O povo brasileiro não está acostumado com o presidente falar do jeito 

que ele fala. A mídia então pega no pé. É claro que ele exagera, às vezes 

ultrapassa o que deve dizer, e a mídia acaba aproveitando para cair em 

cima dele. (Rio de Janeiro, +25 anos, C/D, qualquer religião, não arrepen

dido do voto)

, Rio de Janeiro  Vol.68  N.4  Ano 2025: e20250132

17 / 46      

O Que É o Bolsonarismo? Muito Além da Abordagem Sociológica

O vídeo trouxe também a discussão sobre a “ideologia de gênero”. O tema 

provocou maior unanimidade que o anterior. Quando a expressão foi 

introduzida, o apoio a Bolsonaro ganhou força. Foi generalizado o enten

dimento de que durante os governos do PT a educação pública era orien

tada para “ensinar sexo” às crianças e naturalizar a homossexualidade. 

As raras exceções apareceram no segmento arrependido, entre pessoas 

que reconhecem ser a educação sexual diferente de “ensinar sexo” nas 

escolas. Contudo, a maioria dos participantes não possui essa noção, 

afirmando que caberia à família, e não à escola, conversar com a criança 

e orientá-la dentro do que considera correto.

Vários participantes disseram haver hoje uma “modinha” de estimu

lar crianças e adolescentes a experimentarem contatos amorosos com 

pessoas do mesmo sexo. Atribuem tudo isso ao nebuloso conceito de 

“ideologia de gênero”, algo que repelem veementemente, pois a tomam 

como uma ameaça à família. A cartilha de educação sexual supostamente 

adotada pelo MEC e o “kit gay” foram citados mais de uma vez por bolso

naristas aguerridos como fatos incontestes.

Eles querem enfiar goela abaixo. O pessoal que está na frente da ideologia 

de gênero, que quer essas leis nessa coisa toda, eles querem que a gente 

aceite de qualquer maneira, eu não acho decente isso. (Recife, +25 anos, 

C/D, evangélica, não arrependido do voto)

Eu concordo no caso das crianças, tem que saber como falar viu? Tudo 

tem um tempo, um tempo certo, como aquela cartilha das crianças que 

foi tão falada. (São Paulo, +25 anos, C/D, qualquer religião, não arrepen

dido do voto)

Como vimos, muitas pessoas que votaram em Bolsonaro em 2018 não 

aderem ao discurso ultraconservador de defesa dos valores tradicionais 

da família. Na verdade, ele não foi consensual nem entre os apoiadores 

renitentes de Bolsonaro. Por outro lado, é digno de nota o sucesso da dis

persão de notícias falsas, como o “kit gay” e o ensino de sexo nas escolas, 

e de ataques ao espantalho da “ideologia de gênero”.

Segurança Pública e Armas

Outro tópico recorrente no campo bolsonarista é o da segurança pública 

e das armas (Solano, 2018; Pinheiro-Machado, Scalco, 2018; Kalil, 2018). 

O vídeo sobre o tema, retirado da internet desde sua publicação, traz 

, Rio de Janeiro  Vol.68  N.4  Ano 2025: e20250132

18 / 46      

João Feres Júnior e Carolina Almeida de Paula

Bolsonaro declarando: “irresponsável o governo que desarma o cidadão 

de bem e deixa a vagabundagem muito bem armada”. Acrescenta que 

deseja dar direito de “legítima defesa” à população, mas com critério 

para posse e porte de arma de fogo.

Não houve consenso sobre o tema mesmo no segmento que ainda 

apoiava Bolsonaro. Para quem defende a medida, os principais argu

mentos utilizados foram a falta de policiamento em alguns bairros (a 

polícia demora para chegar ou sequer comparece), a defesa da família 

e da propriedade privada em caso de roubo ou assalto, ou mesmo o 

direito da posse de arma, pois “os bandidos já têm”. Quem não concorda 

com a medida, no segmento de apoiadores, acreditava que “violência 

gera mais violência”.

Já no segmento de arrependidos emergiu o argumento de que a segu

rança é um dever do Estado e não uma tarefa individual, de cada 

cidadão. Vale destacar que os participantes oriundos de famílias com 

militares e policiais tenderam a ser favoráveis à medida, inclusive as 

mulheres. Quando estimulados pela moderação dos grupos a conside

rarem um potencial acidente doméstico com armas, avaliaram se tratar 

de uma ameaça contornável, pois os pais podem ensinar e orientar os 

filhos a lidarem com elas, além de guardá-las em lugar seguro.

Uma parte que o presidente falou eu concordo, uma parte não. Hoje em 

dia, se você tem uma arma, não é só Deus para lhe guardar. Porque o 

bandido é astuto. Ele não tem medo de nada. Um cidadão de bem, mesmo 

sendo treinado, sendo capacitado, ele não tem a habilidade que o bandido 

tem. (Belém, +25 anos, C/D, evangélico, não arrependido do voto)

Eu sou super a favor do armamento, é como vi num vídeo sobre violência 

doméstica, se a mulher tiver um armamento, vai poder se defender dos 

caras que são violentos. Eu compraria da cor rosa. Acho que essa coisa de 

acidente não tem nada a ver. Tem arma branca, a faca. A pessoa quando 

quer fazer, pega um pedaço de pau, uma faca... As pessoas gostam de 

sempre criticar o presidente. (Rio de Janeiro, até 25 anos, C/D, qualquer 

religião, não arrependido do voto)

Outra fala muito recorrente entre aqueles que defendem as armas é que 

isso não se dará de maneira fácil, pois os pleiteantes terão que passar por 

exames psicológicos, testes e por averiguação conduzida pelo Exército. 

Assim, só pessoas responsáveis terão permissão. Muitos também fazem 

, Rio de Janeiro  Vol.68  N.4  Ano 2025: e20250132

19 / 46      

O Que É o Bolsonarismo? Muito Além da Abordagem Sociológica

um paralelo entre o processo de obtenção da Carteira Nacional de Habi

litação (CNH) e aquele que seria implantado para a concessão de posse e 

porte de armas de fogo. Em ambos os casos repetem a fala de Bolsonaro.

Os participantes que são favoráveis à disseminação do porte e da posse 

aderem à máxima de que quem mata é a pessoa e não a arma. Para eles, 

armas brancas, como facas, já estariam à disposição de “quem quer fazer 

coisa ruim”. Outros defensores acrescentam que a liberação do acesso às 

armas deveria ser acompanhada pelo endurecimento do código penal, a 

fim de limitar o abuso eventual pelo medo da punição mais severa.

Eu acho que o bandido pensaria duas vezes antes de entrar na nossa casa. 

Eu concordo com o Bolsonaro. Tem que ter um treinamento. Tem que 

instruir antes. É como tirar habilitação, a pessoa passa por um psicólogo. 

(Goiânia, +25 anos, C/D, evangélica, não arrependido do voto)

Sou a favor de liberar, mas acho que o Brasil ainda não está nesse patamar de 

educação. A gente não tem todo esse desenvolvimento de um país que teria 

essa cultura de utilizar da maneira correta. A gente tem muita coisa para tratar – a violência, a pobreza, a miséria –, do que ficar liberando arma para piorar 

todo o país. (Curitiba, + 25 anos, A/B, qualquer religião, arrependido do voto)

Ainda mais claramente que os valores tradicionais, o tema da segurança 

pública e das armas dividiu os participantes entre apoiadores renitentes 

e arrependidos, o que indica ser esse tema importante na formação de 

preferências por Bolsonaro.

Corrupção e Lava Jato

Esse tema é central para a presente investigação, como veremos à frente, 

e também foi bastante explorado pela literatura sobre Bolsonaro (Rennó, 

2022; Albernaz, 2019; Ricci, Izumi, Moreira, 2021). O vídeo sobre corrup

ção tem a Operação Lava Jato como tópico principal. Ele traz Bolsonaro, 

na função de presidente da República, discursando em um ato de apoio 

à aviação civil, no dia 10 de outubro de 2020, ao lado de Luciano Hang. 

Nas palavras de Bolsonaro:

É uma satisfação que eu tenho, dizer para essa imprensa maravilhosa 

nossa, que eu não quero acabar com a Lava Jato. Eu acabei com a Lava 

Jato. Porque não tem mais corrupção no governo... [palmas esparsas da 

plateia]. Eu sei que isso não é virtude, é obrigação.

, Rio de Janeiro  Vol.68  N.4  Ano 2025: e20250132

20 / 46      

João Feres Júnior e Carolina Almeida de Paula

A fala de Bolsonaro foi avaliada por muitos participantes como exagerada, 

mesmo entre seus mais fiéis apoiadores. Esse segmento acredita que o 

presidente de fato acabou com a corrupção na Presidência da República, 

mas não no seu governo como um todo, pois a corrupção é endêmica à 

política. Já os arrependidos avaliam o vídeo de modo extremamente nega

tivo, como uma farsa. Nesse segmento, o caso da “rachadinha” envolvendo 

Flávio Bolsonaro surgiu espontaneamente.

Quando estimulados a falar da “rachadinha”, os apoiadores mais reni

tentes disseram que Bolsonaro não teria culpa alguma pelos atos do seu 

filho e, portanto, não pode ser considerado corrupto. Contudo, para ser 

coerente, ele teria que apoiar as investigações de modo isento. Muitos 

têm certeza da total honestidade do presidente e de seu empenho na luta 

contra a corrupção.

Dizer que terminou a corrupção no Brasil não é verdade, mas melhorou 

bastante. A gente tem uma cultura, isso está no jeitinho brasileiro. A gente 

precisa modificar esse jeitinho brasileiro de ser. (Recife, +25 anos, C/D, 

evangélica, não arrependido do voto)

[rachadinha] acontece não só no Rio de Janeiro, acontece em todo o Bra

sil, em todas as assembleias legislativas. A maioria dos deputados, 99% 

fazem isso. Isso sempre vai acontecer. Está tendo muita evidência com isso 

porque ele é filho do Bolsonaro. Se Bolsonaro tivesse alguma coisa muito 

suja pessoal, já teriam descoberto. Como não conseguem achar alguma 

coisa, começam a fuçar a família toda. (Belém, +25 anos, C/D, evangélico, 

não arrependido do voto)

O Bolsonaro sim é um homem íntegro, ele é honestíssimo. Antes de ser 

presidente, ele já era honesto. E agora ele é mais honesto ainda. (Goiânia, 

+25 anos, C/D, qualquer religião, não arrependido do voto)

É engraçado ele dizer isso, porque acabar com a corrupção é impossível 

mesmo nos países mais avançados. (Rio de Janeiro, +25 anos, C/D, qualquer 

religião, arrependido do voto)

A maioria dos participantes acredita que a Lava Jato não deveria parar, 

pois ela funcionaria como um instrumento de controle da corrupção dos 

políticos. Com o fim da Lava Jato, prosperaria o sentimento de impuni

dade no mundo da política. Muitos participantes bolsonaristas convictos 

criticam o STF por ter interrompido os trabalhos da operação, assim como 

por anular as condenações de Lula. Já aqueles mais críticos ao capitão 

, Rio de Janeiro  Vol.68  N.4  Ano 2025: e20250132

21 / 46      

O Que É o Bolsonarismo? Muito Além da Abordagem Sociológica

aposentado afirmam que não foi ele quem acabou com a operação, e que 

novamente ele estaria mentindo. Ao mesmo tempo, manifestam ter uma 

imagem bastante positiva da Lava Jato.

A maioria dos apoiadores de Bolsonaro acredita que seu filho Flávio, de fato, 

está implicado no caso das “rachadinhas”, mas que haveria repercussão 

excessiva devido ao empenho da Rede Globo em prejudicar o presidente.

Nessa questão de fiscalização dos políticos deveria ter continuado uma 

Lava Jato, mas que acontecesse de uma forma mais ampla. (Curitiba, até 

25 anos, C/D, qualquer religião, não arrependido do voto)

Dois anos de pandemia e já tem CPI. O Moro conseguiu, a Lava jato deu 

toda aquela credibilidade. Aí vem o Bolsonaro. Mais esperança para o povo 

brasileiro. Aí vem o Bolsonaro, esperança 100%. Mas eu me senti num 

castelo de areia. A esperança e credibilidade, foi jogada água em cima. 

(Curitiba, +25 anos, A/B, qualquer religião, arrependido do voto)

Não existe negócio de que roubou, mas fez. Eu acho que cada um é res

ponsável por suas atitudes. Caso ele venha a fazer isso, tem que responder 

pelos atos dele. A única coisa que eu não acho justo é meu filho quebrar 

um copo e eu ser culpado. O exemplo do pai que tem, está por aí há um 

bom tempo, e nunca se sujou com nada. Ele deveria seguir o espelho do 

pai dele. Se cometer um erro tem que pagar, como o pai dele diz. (Belém, 

+25 anos, C/D, evangélico, não arrependido do voto)

O tema da corrupção mobilizou os respondentes de maneira diferente dos 

anteriores. Praticamente todos se mostraram sensíveis a ele, mas muitos 

desaprovaram a afirmação bombástica de Bolsonaro, em geral porque 

veem a política como atividade irremediavelmente envolta em corrupção. 

As referências à Lava Jato, quase sempre positivas, demonstram o efeito 

duradouro dessa Operação sobre a opinião pública brasileira, particular

mente no que toca a associação da política com corrupção.

Militares, Democracia e Administração Pública

Devido a questões políticas e mesmo biográficas, o tema dos militares é 

indissociável da figura de Bolsonaro (Lacerda, 2022a; Lynch, Cassimiro, 

2022; Avritzer, Rennó, 2021). Na pesquisa, aproveitamos para explorá-lo 

em conexão à legitimidade de golpes de Estado e à sua participação na 

administração pública. Começamos por mostrar um vídeo de Bolsonaro, 

, Rio de Janeiro  Vol.68  N.4  Ano 2025: e20250132

22 / 46      

João Feres Júnior e Carolina Almeida de Paula

já presidente, falando para seu “cercadinho”. Ele começa acusando um 

agente indeterminado de querer levar o Brasil para o socialismo usando 

a estratégia de “sucatear as forças armadas nos últimos vinte anos”. A 

razão dessa estratégia de sucateamento, segundo ele, é porque “nós, mili

tares, somos o último obstáculo contra o socialismo”. O então presidente 

emenda: “quem decide se um povo vai virar uma democracia ou uma 

ditadura são suas Forças Armadas”. Bolsonaro ainda profere uma ameaça 

dizendo que ainda há liberdade no Brasil, mas “se nós não reconhecer

mos o valor dos homens e mulheres que estão lá, tudo pode mudar”. E 

termina com a tirada “imagina o Haddad no meu lugar”, que provoca risos 

na audiência do “cercadinho”.

A discussão nos grupos se encaminhou para temas como a ocupação de 

cargos por militares, no atual governo, e as percepções sobre um potencial 

retorno da ditadura militar. É preciso destacar que o apoio ao retorno da 

ditadura foi bastante minoritário, mesmo entre os grupos de apoiadores 

mais fiéis ao presidente. As falas carregadas de entusiasmo acerca da pers

pectiva da mudança de regime foram limitadas a poucos participantes, 

geralmente homens mais velhos e de posicionamento bastante radical 

em todos os temas. Contudo, vários bolsonaristas renitentes avaliavam 

a ditadura de modo saudosista, pois acreditam ter sido uma época de 

segurança e sem corrupção, que foi ruim apenas para “gente da esquerda”. 

Há também uma visão de que o regime militar não teria sido de fato uma 

ditadura, pois ditaduras “são como a Venezuela ou Cuba”.

Ainda que não tenha sido tema de vídeo, o STF surgiu espontaneamente 

na fala de alguns entrevistados neste momento. Em sua visão, Bolsonaro 

seria perseguido pela Corte e estaria com dificuldades para promover seu 

projeto político. Desse modo, a aproximação com os militares seria uma 

estratégia para equilibrar o jogo.

[A ditadura é] inviável para o Brasil nos dias de hoje. Se ele fizesse isso 

seria uma grande repercussão mundial, só quem iria perder era o Brasil. 

Tem muita coisa que ele fala que é só pra agradar quem votou nele. Ele 

falou que não ia comprar vacina da China. Esse é o grande mal dele. Se 

tornou presidente, mas continua governando somente para o público 

dele, infelizmente é isso. (Belém, +25 anos, A/B, qualquer religião, arre

pendido do voto)

Para mim, voltar ditadura é regredir depois que a gente alcançou a demo

cracia. O problema do militarismo é que o Bolsonaro põe no meio da saúde 

, Rio de Janeiro  Vol.68  N.4  Ano 2025: e20250132

23 / 46      

O Que É o Bolsonarismo? Muito Além da Abordagem Sociológica

quem não é médico. O regime militar deveria ser adaptado para estar na 

parte administrativa. Ele pode ser readaptado. Dentro do quartel funciona. 

Mas na administração da saúde não. (Curitiba, até 25 anos, C/D, qualquer 

religião, não arrependido do voto)

Eu vivi na época do governo militar. Não se ouvia falar de assalto; você 

saía na rua e andava na hora que queria; os muros não tinham portão. O 

cidadão vive hoje atrás das grades e o bandido está solto na rua. Não sou 

a favor da ditadura, fazer uma coisa muito feroz, mas que seja uma coisa 

leve e que ponha ordem no galinheiro. (São Paulo, +25 anos, C/D, qualquer 

religião, não arrependido do voto)

Pelo que eu pesquisei de história, nós nunca tivemos ditadura. Nós tivemos 

governos militares. Ditadura a gente vê na Venezuela, viu na sucessão 

do Maduro com Hugo Chávez, o Evo Morales por exemplo no Peru [sic]. 

Isso se enxerga como ditadura. A pessoa vai falar alguma coisa e morre. 

Liberdade de expressão funciona para a esquerda pra atacar o Bolsonaro; 

mas se você critica alguém, você é chamado de fascista e de homofóbico. 

Nós já estamos numa ditadura. Só umas migalhas servem para dizer que a 

gente vive uma democracia... A ditadura que a Globo fala não existe. (São 

Paulo, +25 anos, C/D, qualquer religião, não arrependido do voto)

Se a volta da ditadura militar é rejeitada pela maioria, o mesmo não pode 

ser dito da ocupação de cargos do poder Executivo pelos militares. O 

grosso dos apoiadores de Bolsonaro tem uma visão bastante idealizada 

dos militares, como pessoas de valores firmes, disciplinadas e obedientes 

à hierarquia, fator que muitos enxergam como extremamente positivo 

em um país em que tudo vira “bagunça”. A ideia de que os militares são 

menos corruptos quando comparados aos políticos também emerge nas 

narrativas dos participantes.

Alguns apoiadores, particularmente nos grupos de São Paulo, relataram 

aumento da sensação de segurança desde que Bolsonaro foi eleito. Isso 

seria um reflexo, na concepção dos entrevistados, de sua proximidade 

com a corporação policial.

Em grupos de eleitores arrependidos do voto, foram feitas críticas à falta 

de experiência e treinamento dos militares para exercerem alguns cargos 

técnicos. Houve diversas menções, inclusive no segmento de apoiadores, à 

incompetência do general Pazzuello na condução do ministério da Saúde, 

como exemplo disso.

, Rio de Janeiro  Vol.68  N.4  Ano 2025: e20250132

24 / 46      

João Feres Júnior e Carolina Almeida de Paula

Eu sou de família militar. Inclusive, já fui militar. Eu não sei se é impressão, 

mas depois que o Bolsonaro ganhou, eu sinto que – em São Paulo particu

larmente – eu sinto que nossa cidade está mais segura. Eu não sei vocês, 

mas eu não moro numa região nobre. Eu acho que está bem mais seguro. 

Não sei se é um apoio político dele... Está apoiando bastante os militares e 

a polícia, e isso acaba desencadeando um combate maior à criminalidade 

(São Paulo, +25 anos, C/D, qualquer religião, não arrependido do voto)

Colocar militares em outros tipos de funções que não são de segurança 

eu acho incorreto. Você é militar, serviu o exército, tem entendimento de 

segurança, eu não acho correto colocar na área de saúde. Em relação à dita

dura, eu acho que o Brasil não consegue viver uma ditadura novamente. 

(Goiânia, até 25 anos, C/D, qualquer religião, não arrependido do voto)

O apoio a um golpe militar não foi forte, mesmo entre os apoiadores 

renitentes. É claro que naquele momento não havia ainda a campanha 

sistemática contra as urnas eletrônicas, movida pelos bolsonaristas no 

contexto da eleição de 2022. Por outro lado, é notável a imagem posi

tiva que os militares gozam entre muitos respondentes, em sua maioria 

apoiadores renitentes.

Pandemia, Ciência e Desinformação

O quinto e último vídeo tratou de um assunto muito importante naquele 

contexto, a pandemia da Covid-19, mas ao mesmo tempo explorou ques

tões ligadas à legitimidade do conhecimento científico e à desinformação 

(Rennó, 2022; Rocha, Medeiros, 2022; Cesarino, 2021; Cesarino, 2022; 

Rocha, Solano, 2019). Bolsonaro abre o vídeo argumentando que não 

se deve correr para comprar vacina, pois não há comprovação de sua 

eficácia. Em seguida, diz que a vacina que foi criada mais rapidamente 

demorou quatro anos e que, portanto, não sabe “por que correr em cima 

dessa”. Então, emenda que seria mais fácil investir na cura do que na 

vacina, proclamando: “eu, por exemplo, sou um testemunho [sic], eu 

tomei hidróxido de cloroquina, outros tomaram ivermectina, outros 

Anitta, e deu certo. E pelo que tudo indica, todo mundo que tratou pre

cocemente com essas três alternativas aí, foi curado”.

Os participantes se envolveram em duas discussões principais: a necessidade 

e urgência da vacina, e o uso de tratamento precoce com medicamentos sem 

comprovação científica. A maioria declarou pretender se vacinar, e avaliou 

que esse é o caminho adequado. Contudo, os apoiadores mais fiéis, particu

, Rio de Janeiro  Vol.68  N.4  Ano 2025: e20250132

25 / 46      

O Que É o Bolsonarismo? Muito Além da Abordagem Sociológica

larmente aqueles de orientação religiosa evangélica, disseram que a demora 

na compra da vacina foi produto da cautela do presidente: um “cuidado” de 

Bolsonaro para não colocar em risco a saúde da população. Já os arrependidos 

do voto demonstraram forte indignação pelo atraso da vacinação.

Emergiram dúvidas sobre a eficácia da vacina. Para alguns participantes, 

a China é culpada pelo vírus e, por isso, o desenvolvimento de uma vacina 

pelos chineses seria motivo de desconfiança. Haveria interesse comercial 

na venda das vacinas por parte daquele país e de outras indústrias far

macêuticas, o que denota má fé. A ANVISA foi também citada por não ter 

autorizado a vacina com antecedência, tirando assim a responsabilidade 

do presidente pela falta de interesse na compra antecipada.

Foi falado que o Brasil está demorando muito para dar a vacina, pela mídia 

dando pancada no governo. Mas a vacina não se faz do dia para o outro. É 

muito estudo, muita pesquisa. O governo teve a sua preocupação. O Brasil 

é o quarto país do mundo que tem o povo mais vacinado. Estamos acima de 

países ricos da Europa. Tem muita gente que já foi vacinada aqui. Se essa 

vacina vai funcionar ou não, eu não sei. A China lançou o vírus e agora ela 

está lucrando com isso. A China está no topo da economia mundial. (Rio 

de Janeiro, até 25 anos, C/D, qualquer religião, não arrependido do voto)

Eu acho que ele foi omisso nessa situação. A gente está vendo uma situação 

que não dá para esperar quatro anos, como ele disse pra gente. Tem que 

meter o pé pelas mãos, tentar de todas as formas. Ele não perdeu parente, 

mas muita gente perdeu. Tem muita gente morrendo. É uma coisa que 

deixar que daqui a quatro anos a gente resolve, não dá. (São Paulo, +25 

anos, C/D, qualquer religião, não arrependido do voto)

Quanto ao uso de tratamento precoce, não houve consenso. Porém, uma 

parcela significativa dos entrevistados concordou com Bolsonaro acerca 

de sua eficácia. Muitos declaram ter, eles mesmos, tomado os medica

mentos recomendados pelo presidente. Outros participantes disseram ter 

testemunhado amigos e familiares serem curados pelos medicamentos. 

O tratamento precoce serviria de reforço à imunidade, que pode ou não 

funcionar, sem maiores danos, tal como o uso de uma vitamina.

Na visão de muitos participantes, diante das incertezas sobre tudo que cir

cunda a Covid-19, o tratamento precoce é uma alternativa que funcionaria 

para algumas pessoas. Portanto, valeria a pena arriscar. Mesmo quando 

foram estimulados pela afirmação da mediadora de que estudos científicos 

, Rio de Janeiro  Vol.68  N.4  Ano 2025: e20250132

26 / 46      

João Feres Júnior e Carolina Almeida de Paula

negam a eficácia dos medicamentos, os participantes utilizaram o argu

mento de que alguns médicos dizem o oposto. Ou seja, utilizaram a suposta 

autoridade dos médicos sobre a ciência para questionar a legitimidade do 

saber científico, adotando um raciocínio do tipo: não há consenso entre os 

médicos, logo, esses estudos científicos podem ser questionados.

Houve comparações do tratamento precoce com práticas como a homeo

patia e outras medidas terapêuticas populares. Segundo esse raciocínio, 

mesmo não havendo comprovação científica da eficácia do tratamento, 

muitas pessoas são de fato curadas por ele. Os mais radicais declararam 

existir interesse da indústria farmacêutica de vender vacinas, já que os 

medicamentos são muito mais baratos e dariam pouco lucro.

Sou totalmente a favor da ciência. Sou a favor do tratamento precoce e a 

favor do antídoto. Quanto mais coisas a gente fizer contra essa doença, acho 

melhor. (Recife, +25 anos, C/D, qualquer religião, não arrependido do voto)

Por ser cristão, acredito no que o Bolsonaro falou: tem que tratar de várias 

formas, tanto com vacina como com medicação. Eu tratei com cloroquina 

e tratei com ivermectina. Não tratei com azitromicina. Porque na segunda 

vez que eu peguei foi mais elevado. Então entrei com antibiótico mais 

forte. De patamar mais alto. Com as medicações que o presidente falou 

aí, eu fui ficando cada vez melhor. Eu tenho certeza. (Goiânia, +25 anos, 

C/D, evangélica, não arrependido do voto)

Eu tive covid ano passado e fiz tratamento com ivermectina e azitromicina, 

comigo funcionou, ponto. Eu sou favorável à vacina, mas acho que nin

guém é obrigado a tomar vacina. Toma quem quer. Eu tomaria. Quando 

chegar a minha vez eu vou tomar. (Recife, +25 anos, C/D, evangélica, não 

arrependido do voto)

O tema mostrou forte interação com o apoio renitente a Bolsonaro. A 

maior parte dos participantes arrependidos rejeitaram a postura do presi

dente e as narrativas por ele propaladas acerca da vacina e do tratamento 

precoce, ao passo que os apoiadores renitentes se mostraram altamente 

permeáveis a elas, reproduzindo-as com frequência em suas falas. Nesse 

tópico notamos claramente a operação da máquina de comunicação bol

sonarista, pois tais versões dos fatos, diferentemente da adesão a valores 

tradicionais ou ao militarismo, são muito recentes; foram produzidas 

durante o período da pandemia, e não foram disseminadas por grande 

parte da imprensa tradicional.

, Rio de Janeiro  Vol.68  N.4  Ano 2025: e20250132

27 / 46      

O Que É o Bolsonarismo? Muito Além da Abordagem Sociológica

O Voto em 2018 e 2022

Após a discussão sobre valores e políticas públicas, enveredamos para 

o tema eleitoral, perguntando aos participantes quais suas motivações 

para terem votado em Bolsonaro em 2018, e quais suas expectativas para 

a eleição de 2022. Como a pesquisa foi feita no primeiro semestre de 2021, 

as pessoas encontravam-se naquele momento praticamente equidistantes 

dos dois eventos e não sofriam o efeito direto de campanhas, que sempre 

induzem à maior politização.

A literatura que toma o bolsonarismo como um fenômeno de opinião 

pública faz uso da análise estatística de microdados de surveys, buscando 

testar a interação da preferência eleitoral por Bolsonaro com variáveis 

socioeconômicas e de adesão a valores e políticas públicas (Rennó, 2020; 

Amaral, 2020; Russo, Pimentel Junior, Avelino, 2022). Nosso objetivo nesta 

seção, contudo, não foi testar diretamente essas variáveis propriamente – atividade que já realizamos nas seções anteriores –, mas focar mais 

especificamente no aspecto informacional da adesão a Bolsonaro, tópico 

raramente estudado pela literatura especializada. Já a abordagem socio

lógica, como vimos, não demonstra interesse pelo fenômeno eleitoral, 

tratando-o como uma mera consequência da dinâmica social que acre

ditam animar o bolsonarismo.

A quase totalidade dos participantes da pesquisa, em todas as cidades, 

declarou não conhecer Bolsonaro antes da campanha de 2018. A maioria 

expressiva dos entrevistados, sejam eles apoiadores ou arrependidos, foi 

motivada pelo desejo de ruptura com a classe política tradicional, vista 

como corrupta e autointeressada, sentimento que muitas vezes se traduziu 

em explícita rejeição ao PT e a Lula. Dentre o segmento de arrependi

dos da classe A/B, foi identificado com maior força esse sentimento de 

repulsa à representação política. Já os apoiadores evangélicos, em sua 

maioria, declararam adesão ao atual presidente pela defesa de valores 

conservadores – especialmente os da “família tradicional” – conforme já 

comentamos acima, mas isso veio muitas vezes casado com a percepção 

de corrupção disseminada da política.

Eu nunca nem tinha ouvido falar do Bolsonaro. Foi na campanha para 

presidente mesmo que eu acompanhei. E achei assim que ele tinha uma 

capacidade para governar o país. Não tenho político de estimação. Gostei 

das propostas dele de apoio à família tradicional. E as propostas para a 

economia também. Acho que melhorou bastante o governo federal. Acho 

, Rio de Janeiro  Vol.68  N.4  Ano 2025: e20250132

28 / 46      

João Feres Júnior e Carolina Almeida de Paula

que melhorou bastante. Estou satisfeita. (Curitiba, +25 anos, C/D, evangé

lica, não arrependido do voto)

Em 2018 todo mundo votou no Bolsonaro para tirar o PT. Pelo que eu estou 

vendo aqui todo mundo ou pelo menos uma grande parcela da população 

vai votar no PT para tirar o Bolsonaro. Não tem uma terceira via. (Rio de 

Janeiro, +25 anos, A/B, qualquer religião, arrependido do voto)

Eu já o conhecia de alguns anos, eu e o meu irmão acompanhávamos ele e 

seus projetos de castração química, coisa do tipo. Eu votei nele. Acreditei e 

acredito que ele consegue colocar o país nos eixos, abrir mais a economia, 

nos libertar desse buraco em que a gente acabou caindo, que os governos 

anteriores acabaram deixando. Eu votaria novamente sim no Bolsonaro. 

(São Paulo, até 25 anos, C/D, qualquer religião, não arrependido do voto)

No tocante ao pleito de 2022, os arrependidos manifestaram alto grau de 

rejeição a Bolsonaro, rejeição essa misturada a sentimentos de traição 

e decepção. Diversos entrevistados afirmam que se tratava do “maior 

arrependimento da vida”. Uma pequena parcela desses eleitores disse 

esperar por uma terceira via em 2022, pois também não desejavam votar 

em Lula (ou no PT). Contudo, uma expressiva maioria de arrependidos 

defendeu de modo convicto o voto no ex-presidente petista (especialmente 

no 2º turno). Chama a atenção o fato de que tais eleitores narraram as 

conquistas do governo Lula de modo nostálgico. Já os apoiadores mode

rados afirmam que seguem votando em Bolsonaro se a situação continuar 

como está, enquanto os mais fiéis – geralmente evangélicos – declararam 

que não mudariam o voto em nenhuma circunstância.

Para quem mantém o apoio, o comportamento grosseiro e disruptivo de 

Bolsonaro é percebido de modo positivo, pois expressaria “sinceridade” e 

“apelo popular”. Os que se arrependeram do voto tinham expectativa que 

essas características, já vistas com alguma desconfiança em 2018, fossem 

amenizadas devido à seriedade que o cargo exige. Contudo, constataram 

que isso não havia ocorrido. A percepção de que Bolsonaro “não age como 

presidente” era disseminada, mesmo entre apoiadores renitentes.

Eu acho que a gente só dá valor àquilo que a gente perde. Acredito que 

Bolsonaro foi eleito justamente pelo discurso dele de mudança. Eu obvia

mente votaria no Lula. É só a gente olhar a quantidade de pessoas que 

faziam faculdade, não tinha faculdade fechando, ao contrário. Agora, 9 

hospitais fechando. O dólar era alto, mas era muito mais baixo do que 

agora. (São Paulo, + 25 anos, A/B, qualquer religião, arrependido do voto)

, Rio de Janeiro  Vol.68  N.4  Ano 2025: e20250132

29 / 46      

O Que É o Bolsonarismo? Muito Além da Abordagem Sociológica

Não queria que entrasse o PT. Teve os escândalos enormes de corrupção 

na época do PT. Foi isso que me motivou a voltar em Bolsonaro no segundo 

turno, mas eu tinha muito medo de que o governo dele ia ser muito radi

cal. Está sendo. Além das muitas bobagens que ele faz e fala, tem muita 

coisa que a gente não via. O que o governo faz, o que os ministros estão 

fazendo. O governo do PT não foi de todo mal. Na época, a gente tinha 

muito emprego, não tinha gente desempregada... Mas aí o campo da cor

rupção piorou de vez. Hoje, se fosse pra escolher entre Bolsonaro e Lula, 

talvez até eu cederia de novo por Lula. Pois roubar os dois roubam. Mas 

pelo menos a gente estava mais estável no governo do PT... Tomara que 

tenha uma terceira opção, para fugir desses dois. (Curitiba, +25 anos, A/B, 

qualquer religião, arrependido do voto)

Os resultados desta seção mostram claramente que Bolsonaro foi esco

lhido pelo seu eleitorado por emplacar o papel de outsider da política, 

que no momento era fortemente associada à corrupção. E essa escolha 

foi feita durante o período da campanha, pois o político até então era 

praticamente desconhecido da população.

Mapeamento dos Hábitos de Informação

Finalmente chegamos à seção da pesquisa sobre os hábitos de consumo 

de informação dos participantes. Como já comentamos acima, a literatura 

acadêmica, inclusive a abordagem sociológica, coloca muita ênfase na 

associação entre o fenômeno do bolsonarismo e a ascensão e dissemi

nação das redes sociais (Cesarino, 2019; Cesarino, 2021; Rocha, Solano, 

Medeiros, 2021).

Logo de cara tivemos uma surpresa com os dados. Muitos participantes 

dos grupos focais revelaram-se consumidores do jornalismo da televisão 

aberta. Parece haver um claro fator etário nessa preferência, pois o hábito 

de obter informação política de telejornais é diretamente proporcional à 

idade do participante: quanto mais jovem, menos consome mídia tradi

cional – entendida aqui como jornais e revistas impressos e telejornais. 

Mesmo entre esses eleitores mais jovens, contudo, é grande o número dos 

que preferem se informar nos portais de jornalismo da grande imprensa 

na internet (G1, UOL e feed de notícias do Google), além das redes sociais.

Um padrão marcante nas conversas foi o dos participantes que empresta

vam apoio mais intenso a Bolsonaro mostrarem-se altamente refratários 

à Rede Globo. Avaliavam que a emissora persegue Bolsonaro e distorce 

, Rio de Janeiro  Vol.68  N.4  Ano 2025: e20250132

30 / 46      

João Feres Júnior e Carolina Almeida de Paula

fatos para causar-lhe dano reputacional. O Jornal Nacional foi chamado 

por alguns de “Jornal Covid”, pois, segundo essa visão, dedicava grande 

parte de sua programação a noticiar as calamidades da pandemia, no 

claro intuito de atingir o presidente. Esse segmento preferia acompa

nhar o jornalismo da Record e do SBT. A CNN também foi citada entre 

as preferências desse eleitorado – alguns acompanham o conteúdo do 

canal via YouTube.

Os participantes fiéis a Bolsonaro, mesmo aqueles que preferiam acom

panhar as notícias da política via televisão e internet, tratavam os canais 

próprios de comunicação direta do ex-presidente e de seus filhos e esposa 

como “canais oficiais”. Falas sobre o uso desses canais como instrumentos 

de verificação de notícias foram recorrentes. É nesses canais que tais 

participantes disseram buscar as versões verdadeiras de narrativas e fatos.

Se, por um lado, os bolsonaristas convictos rejeitavam fortemente a Globo, 

por outro, vários entrevistados arrependidos declararam consumir o jor

nalismo da emissora, ainda que não deixem de considerá-la tendenciosa.

Eu gostava muito da Globo, mas a Globo só fala mal do Bolsonaro. Agora eu 

não quero mais assistir. Quando chega a hora do jornal, eu desligo ou vou 

fazer outra coisa. Eu procuro não assistir mais o Jornal Nacional. O Jornal 

Nacional só fala mal do Bolsonaro. Eu sigo o Bolsonaro e a esposa dele no 

Instagram. (Goiânia, +25 anos, C/D, evangélica, não arrependido do voto)

[...] porque a Globo hoje em dia bota as coisas de ponta-cabeça. Quem não 

conhece, termina acreditando. Tem aquela turma do PT que fala: “Olha aí 

a Globo falando!” Você já viu o Globo falar? (Recife, +25 anos, C/D, evan

gélica, não arrependido do voto)

Hoje em dia, para assistir televisão é muito complicado porque têm muitas 

formas de ocupar seu tempo; cada emissora tem seu ponto de vista e quer 

defender o seu lado. Antes, Lula era o rei; depois Lula virou ruim. Apoia

ram o Bolsonaro no início, por conta de Lula, mas como foi cortada uma 

“mamatinha” da Globo, hoje Bolsonaro virou o ruim da história. Já em outras 

emissoras, as quais Bolsonaro está ajudando, ele já é bom lá. Então depende 

muito do meio de comunicação que você procura. Eu sigo Bolsonaro e os 

filhos dele. (Recife, +25 anos, C/D, evangélica, não arrependido do voto)

O hábito de seguir influenciadores nas redes sociais não apareceu fre

quentemente, mesmo entre os críticos ao chamado “jornalismo tenden

cioso da Globo”. Dos perfis digitais citados como preferidos por alguns 

, Rio de Janeiro  Vol.68  N.4  Ano 2025: e20250132

31 / 46      

O Que É o Bolsonarismo? Muito Além da Abordagem Sociológica

participantes tivemos Jovem Pan, Alexandre Garcia, Caio Copolla, Gabriel 

Monteiro, Arthur do Val, Nando Moura e MBL (com ressalvas). Os arrepen

didos de classe A/B foram os únicos a citar o consumo de podcasts, ainda 

que de maneira residual. Foram identificados os podcasts de Leandro 

Karnal, Globo News, Gabriela Prioli e Renata Lo Prete. O rádio foi pouco 

lembrado, mas os que utilizavam essa mídia declararam ouvir a Jovem 

Pan e A Voz do Brasil.

No geral, é possível perceber que as páginas e perfis de jornais nas redes 

sociais (especialmente no Instagram) servem de atalho para a obtenção de 

informações. O Facebook aparece pouco nas citações dos entrevistados, 

assim como o Twitter. A sugestão de vídeos no YouTube é consumida por 

alguns participantes, mas poucos declararam “assinar” canais específicos.

Eu sigo alguns políticos das redes sociais, como o capitão Assunção e o 

Eduardo Bolsonaro. Jornal Nacional não vejo muito. Eu prefiro ver o Fan

tástico no domingo. No YouTube não vejo nada. (Goiânia, até 25 anos, C/D, 

qualquer religião, não arrependido do voto)

Eu acompanho pela Globo e pela Record, mas onde eu me informo mesmo é 

pelo canal do Bolsonaro, onde eu me informo do que está acontecendo e do 

que ele fez. (São Paulo, +25 anos, C/D, evangélica, não arrependido do voto)

Eu gosto bastante da Rede Massa, do SBT,... Não gosto de assistir à Globo 

mais,... Não assisto. Eu não sigo nenhum político, nenhum influenciador, 

assim, na internet, (Curitiba, +25 anos, C/D, evangélica, não arrependido 

do voto)

Em suma, os padrões de consumo de informação estão muito distantes 

da imagem pintada pela literatura que muitas vezes reduz a comunicação 

bolsonarista às redes sociais. A mídia tradicional é ainda muito impor

tante, seja quando é consumida diretamente, como nos telejornais da 

Record, SBT, Globo, CNN etc., ou quando é acessada via portais noticiosos 

na internet ou perfis desses meios nas redes sociais.

Discussão dos Resultados

Os testemunhos acerca da imagem que os apoiadores têm de Bolsonaro 

ilustram claramente aquilo que Max Weber denominou “carisma”, ou seja, 

o poder obtido por meio da percepção da excepcionalidade do caráter do 

líder por parte de seus seguidores (Weber, 1978). Supreendentemente tal 

, Rio de Janeiro  Vol.68  N.4  Ano 2025: e20250132

32 / 46      

João Feres Júnior e Carolina Almeida de Paula

detalhe passou praticamente desapercebido da abordagem sociológica. 

Só encontramos uma referência ao conceito, de passagem, em uma nota 

de rodapé (Cesarino, 2021). Por outro lado, os trabalhos da abordagem 

discursiva aplicam o conceito mais frequentemente (Lynch, Cassimiro, 

2022; Barbosa de Almeida, 2022; Ricci, Izumi, Moreira, 2021). Contudo, 

como focam sua análise somente no conteúdo emitido, ou seja, nas falas 

do personagem político, esses autores não têm meios para confirmar a 

realização do carisma, coisa que pudemos fazer a partir dos resultados 

da presente pesquisa.

Como mostram as falas dos apoiadores renitentes, a percepção da excep

cionalidade de Bolsonaro lhe confere uma cobertura de “teflon”: nada de 

negativo gruda em sua figura. É recorrente o discurso de que as forças 

políticas não deixam Bolsonaro trabalhar, por isso que as coisas não vão 

tão bem em seu governo quanto deveriam. Muitos apoiadores disseram 

que a culpa pela crise econômica e mesmo pela falta de vacinas é dos 

governadores e prefeitos, e não de Bolsonaro, reproduzindo um argu

mento que ele fez publicamente reiteradas vezes.

Foi comum a afirmação peremptória da honestidade de Bolsonaro, ainda 

que conjugada à percepção de que as pessoas em volta dele necessaria

mente não o sejam. Isto é, para os apoiadores que confiavam plenamente 

na integridade de Bolsonaro, a política continua corrupta, enquanto Bol

sonaro preservava sua essência antipolítica, depois de dois anos e meio 

no cargo de presidente da República. Mesmo quando o caso das “rachadi

nhas” que envolveu Flávio Bolsonaro foi citado, os apoiadores renitentes 

raramente tentaram defender o filho, optando por contra-argumentar que 

o pai não tem nada a ver com o caso. Empregaram até um bordão para 

isso: “são CPFs diferentes”.

Os participantes evangélicos frequentemente manifestaram uma identi

dade, como evangélicos ou cristãos, apartada do resto da sociedade. Essa 

separação é articulada em termos morais, pois entendem que sua forte 

adesão a valores supostamente cristãos oriente suas práticas no mundo 

e os diferenciem dos não evangélicos. Vários utilizaram explicitamente a 

identidade religiosa como argumento para justificar suas posições: “como 

sou cristão, penso assim, ou ajo dessa maneira”. Os evangélicos também 

usaram frequentemente a expressão “homem de bem”, dividindo a popu

lação em duas categorias. A categoria complementar é quase sempre 

o bandido, mas pode também ser o esquerdista, o petista, aquele que 

despreza os valores da família, ou mesmo o corrupto.

, Rio de Janeiro  Vol.68  N.4  Ano 2025: e20250132

33 / 46      

O Que É o Bolsonarismo? Muito Além da Abordagem Sociológica

Os apoiadores evangélicos fazem repetidas referências a Deus em suas 

falas, mostrando uma concepção fortemente teísta do mundo. Para além 

da obviedade de expressar forte religiosidade, tais falas denotam pro

pensão alta de receber informações e opiniões daqueles que propagam 

a palavra de Deus, ou seja, líderes religiosos e outros evangélicos.

O insulamento moral dos evangélicos corre de mãos dadas com o que 

podemos chamar de seu insulamento comunicacional. A metáfora não 

é perfeita neste caso, pois a abundância comunicacional do mundo atual 

não permite que um grupo fique totalmente ilhado. Contudo, há uma forte 

afinidade eletiva dos evangélicos por meios de comunicação e comuni

cadores evangélicos que apoiam Bolsonaro. A forte rejeição à Globo e a 

preferência pelos canais Record e SBT, já notadas em outros trabalhos 

(Rocha, Solano, 2019), são sinais claros disso. A participação em grupos 

do WhatsApp e Telegram formados por pessoas de pensamentos afins, 

ou mesmo por membros de uma mesma igreja, também foi relatada com 

alguma frequência pelos participantes evangélicos.

As páginas das redes sociais da família Bolsonaro e de alguns de seus 

apoiadores foram citadas também como fontes por vários integrantes 

evangélicos. Alguns disseram acompanhá-las periodicamente; outros 

declararam usá-las com o intuito de checar versões, ou seja, sempre que 

recebem uma notícia da qual desconfiam da veracidade, vão às páginas 

bolsonaristas para se informar sobre a versão “real” dos fatos.

A maior parte dos hábitos de consumo de informações dos evangélicos 

é partilhada pelos apoiadores renitentes não evangélicos. Ou seja, o bol

sonarismo se alimenta de um cenário comunicacional complexo e em 

crescente fragmentação, para o qual os evangélicos contribuem, mas 

não são o único grupo.

Praticamente todos os jovens participantes, de idade menor que 25 anos, 

não utilizam o telejornalismo como fonte de informação política. A maio

ria declara sequer assistir à TV. E muitos participantes maiores de 25 

anos disseram que voltam tarde para casa do trabalho e não têm tempo 

ou disposição para assistir à TV.

Entre os que veem TV, é comum a manifestação de repúdio e desconfiança 

em relação à Rede Globo, também entre os apoiadores renitentes não 

evangélicos, que não raro descrevem a emissora como petista. Somente 

uma pessoa arrependida declarou que a Globo perseguia também o PT e 

, Rio de Janeiro  Vol.68  N.4  Ano 2025: e20250132

34 / 46      

João Feres Júnior e Carolina Almeida de Paula

Lula, e agora se voltou contra Bolsonaro. Assim como os evangélicos, os 

outros renitentes que consomem notícias na TV tendem a optar pela Rede 

Record e, em segundo lugar, pelo SBT. A CNN foi muito mais citada que 

a GloboNews como fonte de informação entre os participantes em geral.

Nossa hipótese de constituição de uma esfera comunicacional bolsonarista 

por meio da ruptura da esfera comunicacional tradicional é, em parte, 

baseada na observação reiterada de que os meios de comunicação são 

percebidos como politizados, ou seja, como instrumentos de fazer política 

utilizados por suas empresas proprietárias. As evidências vão além de ade

sões e rejeições fortes a determinados meios. Há também uma percepção 

generalizada de politização da comunicação, manifesta pelo bordão “a 

imprensa tem lado”, pronunciado muitas vezes pelos entrevistados.

Vários participantes disseram que, depois de verem as notícias na mídia 

tradicional – que eles entendem como sendo os telejornais ou os portais 

noticiosos das grandes empresas de mídia –, vão atrás de outras fontes 

para checar sua veracidade. Há duas variantes atitudinais aqui, os bolso

naristas mais convictos recorrem diretamente às páginas do presidente e 

de seus fiéis influenciadores nas redes sociais. Mas há aqueles que decla

raram buscar por versões dos fatos em diferentes canais, pois nenhum é 

inteiramente confiável. O raciocínio é: se “a imprensa tem lado”, não se 

pode confiar inteiramente em nenhum canal de comunicação.

Esse aumento da percepção de politização dos meios, ou seja, de que eles 

têm lado, mina sua legitimidade como fontes fidedignas de informação – legitimidade essa que era altíssima antes do advento das redes sociais 

(SECOM, 2014) – e gera um ambiente de pós-verdade, no qual convivem a 

adesão explícita dos consumidores de informação aos meios ideologica

mente mais alinhados a suas próprias convicções – um tipo de paralelismo 

político 2.0 (Artero, 2015; Mancini, 2015) – e um alto grau de ceticismo e 

desconfiança em relação a todos os outros meios. A esse processo chama

mos de “ruptura da esfera comunicacional tradicional”. Tal ruptura não 

ocorreu no passado, durante os governos petistas, por mais que no Brasil 

a grande imprensa tenha consistentemente se comportado de modo politi

zado, buscando influenciar resultados eleitorais por meio do enviesamento 

da cobertura contra o PT (Azevedo, 2017; Feres Júnior, 2020; Miguel, 1999).

Em outras palavras, a pesquisa mostra que o bolsonarismo foi exitoso 

em romper com o status quo anterior da comunicação política em nosso 

país, cooptando parte dos meios tradicionais (Record, SBT, Jovem Pan, 

, Rio de Janeiro  Vol.68  N.4  Ano 2025: e20250132

35 / 46      

O Que É o Bolsonarismo? Muito Além da Abordagem Sociológica

CNN e uma miríade de mídias regionais e locais Brasil afora), trazendo 

para perto de si as estruturas de comunicação evangélicas e, ao mesmo 

tempo, articulando uma rede forte de apoiadores nas plataformas sociais. 

Se por um lado o bolsonarismo não teria feito isso se não fosse a ascen

são das redes sociais, por outro, é bastante ingênuo concluir que ele é 

basicamente um fenômeno comunicacional das redes sociais, como o 

faz boa parte da literatura acadêmica.

Nossos resultados não confirmam a tese de que as redes sociais têm um 

papel central na informação dos eleitores de Bolsonaro em 2018. Mui

tos bolsonaristas ainda usam os meios tradicionais como fonte de infor

mação, e mesmo os usuários que privilegiam a internet reportam usar 

intensamente portais noticiosos da imprensa tradicional. Pouquíssimos 

participantes relataram seguir influencers. Facebook, YouTube e Twitter 

não foram muito citados como fontes de informação, mesmo quando a 

pergunta foi colocada explicitamente.

A ruptura da esfera comunicacional tradicional gera um clima de pós--verdade e negacionismo. No tema da Covid 19, particularmente no que 

toca o tratamento precoce e as vacinas, esse estado de coisas se revelou 

com força. Foi comum a percepção de que não há de fato fontes confiá

veis de informações para além do conflito de versões. Muitos declaram 

simplesmente não saberem o que dizer sobre esses assuntos polêmicos; 

já outros apoiadores renitentes, ao constatar que a politização da infor

mação é bastante alta, tomam partido nessa disputa aderindo às versões 

fornecidas pelos meios bolsonaristas de comunicação.

Notícias falsas são abundantes entre os apoiadores renitentes de Bolso

naro: alguns afirmam haver provas de que a cloroquina e a ivermectina 

curam o vírus, que as vacinas não são eficazes, que o vírus é uma estra

tégia da China para dominar o mundo e ganhar muito dinheiro etc. Mas 

há também evidências de que a aposta na desinformação por parte do 

bolsonarismo é bem anterior ao advento da pandemia da Covid 19 e toda 

a discussão em torno das vacinas e dos tratamentos curativos. A imensa 

maioria dos apoiadores manifestou crença de que os governos do PT de 

fato distribuíam o “kit gay” nas escolas públicas.

A percepção da economia também foi influenciada pelo clima geral de 

disseminação de notícias falsas e guerra de versões. Vários apoiadores 

renitentes disseram que a economia estava melhorando, mostrando-se 

otimistas perante o estado de coisas em meados de 2021. Avaliavam que 

, Rio de Janeiro  Vol.68  N.4  Ano 2025: e20250132

36 / 46      

João Feres Júnior e Carolina Almeida de Paula

2021 estava muito melhor que 2020, como se os piores efeitos da pandemia 

já tivessem passado. Tal percepção contrasta com os dados da economia 

no primeiro semestre de 2021, quando a pesquisa foi feita, pois tanto o PIB 

quanto a taxa de desemprego, por exemplo, encontravam-se estagnados, 

depois de uma série de flutuações nos trimestres anteriores.7

Conclusão

Os resultados gerados pela pesquisa permitem que ponhamos algumas 

teses e percepções comuns sobre o bolsonarismo sob escrutínio. Pri

meiramente, tratemos da tese mais saliente na literatura que toma o 

bolsonarismo como fenômeno sociológico, a de que ele deve ser melhor 

entendido como um movimento social (Feltran, 2020; Pinheiro-Ma

chado, Scalco, 2020; Rocha, Solano, Medeiros, 2021). Seu problema 

central é que ela não identifica a mediação entre o bolsonarismo como 

movimento social e o bolsonarismo como fenômeno de opinião, tra

tando as duas coisas de maneira indistinta. Ademais, falta uma aná

lise empiricamente orientada que dê conta de como esse movimento 

social se estrutura, quais são suas hierarquias, recursos institucionais, 

critérios de membresia etc., e, o mais importante, como ele produz 

o fenômeno de opinião. Os autores não se preocuparam sequer em 

analisar o funcionamento concreto desses contrapúblicos do ponto de 

vista comunicacional, deixando os seus leitores à deriva em um vasto 

oceano de conjecturas.

Nossa pesquisa mostrou claramente que nem todos os eleitores de Bol

sonaro, e mesmo seus mais ardentes simpatizantes, são ativos partici

pantes de redes sociais, militantes virtuais, produtores ou dissemina

dores de conteúdo. Apenas uma parcela dos participantes da pesquisa – quase todos eles jovens – declarou dedicar-se mais intensamente a 

consumir informação de canais virtuais. Mesmo assim, esse hábito 

sequer foi majoritário entre os jovens. No terreno das conjecturas, é 

possível que esse padrão de alta mobilização da base, muitas vezes 

sugerida pela concepção do bolsonarismo qua movimento social, seja 

específico de certos recortes de classes sociais. Como todos os partici

pantes bolsonaristas não arrependidos eram das classes C e D, nossa 

amostra pode ter sub-representado tal comportamento. Mas o ônus 

de mostrar a existência dessa interação entre classe e ativismo é da 

literatura que defende a tese do bolsonarismo como movimento social, 

não nosso, e até agora não há sinal de que seus autores tenham feito 

isso de maneira satisfatória.

, Rio de Janeiro  Vol.68  N.4  Ano 2025: e20250132

37 / 46      

O Que É o Bolsonarismo? Muito Além da Abordagem Sociológica

A questão de como esse suposto movimento social gerou o fenômeno 

de opinião, na verdade, contém uma forte assimetria, pois um de seus 

polos, o fenômeno de opinião, está muito bem documentado por meio de 

surveys e resultados eleitorais concretos – é inegável que uma proporção 

substancial do eleitorado brasileiro preferiu Bolsonaro no primeiro turno 

e uma proporção ainda maior no segundo turno dos pleitos presidenciais 

nos quais concorreu: 46% e 55% em 2018, e 43% e 49% em 2022, respecti

vamente. Enquanto isso, o outro polo, o movimento social, é na verdade 

uma abstração parcamente definida e estudada.

A tese de que modos de comunicação disruptiva imperam nos contra

públicos bolsonaristas também não foi confirmada por nossa pesquisa. 

Pelo contrário, eleitores de Bolsonaro arrependidos e não arrependidos 

são capazes de dar razões para suas preferências, baseados nas infor

mações que obtêm e em suas adesões a valores. Não houve sequer um 

episódio de performance disruptiva durante as discussões conduzidas 

em 24 grupos focais, espalhados por todas as regiões do país. Talvez seja 

mais importante ainda frisar que mesmo a adesão declarada a influen

ciadores bolsonaristas que empregam técnicas disruptivas de comuni

cação foi fraca.

Há, de fato, uma percepção generalizada de que o próprio Bolsonaro se 

comunica de maneira grosseira e disruptiva. Contudo, seus seguidores 

menos inflamados rejeitam tal característica como uma incapacidade de 

se portar propriamente como presidente da República, juntamente com 

os eleitores arrependidos. E mesmo entre seus adeptos mais renitentes 

há quem rejeite esse estilo comunicativo, como impróprio para um pre

sidente. Em suma, é inegável que Bolsonaro e alguns de seus seguidores 

utilizam um estilo comunicativo disruptivo, mas tal elemento está longe 

de explicar seu sucesso de público e de voto.

O dado mais consistente é a adesão – quase sempre seletiva – dos bolso

naristas a valores, versões de fatos e narrativas afinados com a agenda de 

Bolsonaro: defesa da família tradicional e da heteronormatividade; apoio 

relativo aos militares; apoio ao porte e posse de armas de fogo; crença em 

notícias falsas acerca da pandemia, das vacinas e dos tratamentos supos

tamente curativos; crença de que Bolsonaro mantem-se incorruptível, 

a despeito de evidências abundantes em contrário. Ou seja, nos parece 

evidente que há um fluxo informacional importante aqui: essas pessoas 

estão sendo continuamente alimentadas com esses fatos e narrativas. 

Mas como isso se dá? Por quais caminhos isso acontece?

, Rio de Janeiro  Vol.68  N.4  Ano 2025: e20250132

38 / 46      

João Feres Júnior e Carolina Almeida de Paula

Ora, o módulo da pesquisa sobre hábitos de consumo de informação visou 

exatamente a explorar essa questão da mediação. A participação ativa 

em contrapúblicos estruturados nas redes sociais não apareceu como 

fator preponderante nas respostas dos entrevistados, mas outros meios se 

mostraram relevantes. Primeiramente, temos o consumo de informação 

provida por telejornais. Uma parte substancial das pessoas mais velhas 

(acima de 25 anos) obtém suas informações preferencialmente desses 

meios, que são, como mostram surveys de opinião recentes, ainda a forma 

preferencial de os cidadãos brasileiros obterem informação política.8

Em segundo lugar, temos as preferências seletivas pelos canais de infor

mação da TV aberta. A Rede Globo aparece como grande referência e, ao 

mesmo tempo, divisor de águas: bolsonaristas convictos a rejeitam com 

força, enquanto a maior parte dos arrependidos declaram ainda assistir à 

emissora. Os muitos consumidores de notícias da TV que rejeitam a Globo 

declaram preferir os canais Record e SBT, quando não CNN e Jovem Pan.

Essa correlação positiva entre rejeição à Globo e adesão a Bolsonaro 

coloca uma dúvida de natureza causal: o que vem primeiro? Os resul

tados de nossa pesquisa sugerem que o segundo elemento, a adesão a 

Bolsonaro, é de fato a principal causa da rejeição à Globo. Isso porque 

muitos apoiadores renitentes declararam o hábito de assistir ao noticiá

rio da Globo no passado e terem deixado de fazê-lo porque a emissora 

passou a perseguir o ex-capitão e a focar somente nos aspectos negativos 

da pandemia, com o fito de atacá-lo.

Em terceiro lugar, no nexo comunicativo que explica o bolsonarismo, 

temos os hábitos de consumo de informação dos evangélicos. Podería

mos até arriscar chamá-los de um contrapúblico, mas não nos parece 

haver ganhos analíticos nessa escolha, pois esse público não é nichado 

nas redes sociais e tampouco parece adotar preponderantemente estilos 

disruptivos de comunicação. A característica mais saliente dos hábitos 

de consumo de informação dos evangélicos bolsonaristas é a homofilia: 

declaram participar de discussões políticas em grupos de WhatsApp com 

outros membros da igreja, família ou outros “cristãos”. Alguns dizem 

ouvir as opiniões políticas dos pastores, outros são frequentadores de 

canais de figuras de destaque do bolsonarismo nas redes sociais e, por 

fim, consistentemente preferem a Record e o SBT à Globo. Aqui nos parece 

haver um paralelo entre o insulamento moral explicitado em suas falas e 

um insulamento comunicacional, reconstruído a partir das várias pistas 

fornecidas durante os debates nos grupos focais.

, Rio de Janeiro  Vol.68  N.4  Ano 2025: e20250132

39 / 46      

O Que É o Bolsonarismo? Muito Além da Abordagem Sociológica

Na verdade, a ilha dos evangélicos bolsonaristas está localizada dentro 

daquilo que chamamos esfera comunicacional bolsonarista, que é mais 

extensa. E seu relativo insulamento comunicacional parece se reproduzir 

em maior escala nessa esfera, que, a despeito de ser mais diversa, partilha 

da forte preferência por meios alinhados ao bolsonarismo, com a Rede 

Globo sendo o elemento contrapositivo mais importante.

Do ponto de vista substantivo, nossa pesquisa indica que definir o bolso

narismo como uma nova subjetividade conservadora (Pinheiro-Machado, 

Scalco, 2020) é por demais reducionista. Vários participantes apoiadores 

renitentes não concordavam com as posições conservadoras de Bolso

naro em relação aos valores da família tradicional e, particularmente, 

com sua homofobia mal disfarçada. Pesquisas de opinião mostram que a 

maioria dos bolsonaristas é favorável ao Bolsa Família e mesmo às cotas, 

e contrários às privatizações – ou seja, não são conservadores no campo 

da economia. É fato que os eleitores de Bolsonaro são em média mais 

conservadores que os de Lula, mas isso não pode ser tomado como um 

sinal inequívoco de novas subjetividades, e, o que é mais importante, isso 

não significa que a identificação de diferentes subjetividades dê conta de 

explicar o bolsonarismo.

Crítica similar deve ser feita aos trabalhos que tratam o bolsonarismo 

como uma coleção de identidades sociais (Kalil, 2018), ainda mais se a 

metodologia adotada não permite que seja avaliado o peso relativo de 

cada uma dessas identidades. Mesmo em pesquisas de natureza quali

tativa é importante atentar para a intensidade das preferências, ainda 

que não possamos conferir significância estatística a elas. A questão não 

respondida é a mesma que afeta a tese da nova subjetividade: como foi 

operada a produção dessas identidades? Não é suficiente argumentar 

que a campanha de Bolsonaro apelou para “sentimentos de ansiedade de 

classe, meritocracia e punitivismo entre os homens de baixa renda”. É 

preciso tentar explicar como essas narrativas chegaram a essas pessoas, 

ou seja, deslindar o aspecto comunicacional do processo.

É importante notar o fato de que todos os trabalhos examinados aqui 

adotam métodos qualitativos. Contudo, isso não é necessariamente um 

produto da abordagem sociológica per se. Podemos conceber, ainda que 

no plano da conjectura, desenhos de pesquisa que empreguem técni

cas quantitativas dentro de uma abordagem sociológica do fenômeno 

do bolsonarismo. Na verdade, os trabalhos que tratam o bolsonarismo 

como fenômeno de opinião, geralmente classificados na área de com

, Rio de Janeiro  Vol.68  N.4  Ano 2025: e20250132

40 / 46      

João Feres Júnior e Carolina Almeida de Paula

portamento político, quase sempre chamam a atenção para a relevância 

de variáveis demográficas, e não somente politológicas, na descrição 

e análise do bolsonarismo (Amaral, 2020; Nicolau, 2020; Rennó, 2020).

O problema de ordem metodológica detectado por nós na abordagem 

sociológica ao estudo do bolsonarismo não é o fato de seus trabalhos terem 

predileção por metodologias qualitativas, mas sim a pouca importância 

que dão ao aspecto metodológico do trabalho em si. Os procedimentos 

de pesquisa são descritos de maneira muito ligeira, sem detalhes acerca 

dos parâmetros que balizaram o recrutamento, os roteiros das entrevistas 

ou mesmo as observações etnográficas. Em meio a essa despreocupação 

metodológica se sobressai a falta de empenho em desenhar pesquisas cuja 

amostra seja representativa da população brasileira. A periferia da cidade 

de São Paulo (Feltran, 2020), o Morro da Cruz na periferia de Porto Alegre 

(Pinheiro-Machado, Scalco, 2020), manifestações ocorridas em São Paulo 

(Kalil, 2018), uma escola pública de ensino médio de São Miguel Paulista 

(Rocha, Solano, Medeiros, 2021), esses são todos lugares válidos pare se 

fazer pesquisa, mas estão muito longe de representar minimamente a 

população brasileira. O excesso de localidades paulistas só se explica por 

uma razão não científica – a localização institucional dos pesquisadores – que, na realidade, parece interferir na representatividade da amostra.

Retomando o debate conceitual, parece-nos ingênuo assumir que há uma, 

e somente uma, definição correta de bolsonarismo. A ideia pragmatista 

de que a questão ontológica é mais bem respondida pela perspectiva 

epistêmica nos parece bastante verdadeira e produtiva (Rorty, 1979)9. As 

concepções do bolsonarismo como um emaranhado de discursos, como 

um conjunto de subjetividades ou identidades ou como movimento social 

não são necessariamente falsas, mas elas são muito mal equipadas para 

explicar o sucesso político e eleitoral de Bolsonaro e políticos aliados, pelas 

razões teóricas e metodológicas discutidas aqui. A hipótese da existência 

de esfera comunicacional bolsonarista – surgida a partir da ruptura da 

esfera comunicacional tradicional – como espinha dorsal daquilo que 

denominamos “bolsonarismo” foi fartamente confirmada em nossa pes

quisa. Tal esfera comunicacional fornece o nexo que liga adesões a valores 

e narrativas a identidades sociais, e sustenta o excepcionalismo tão caro 

à figura carismática de Bolsonaro. Por fim, aprendemos também que tal 

esfera comunicacional bolsonarista não se reduz aos influenciadores da 

extrema-direita ou mesmo às redes sociais. Sua infraestrutura é com

posta, em parte, por perfis de redes sociais, por grupos de discussão de 

serviços de mensageria, mas também por portais noticiosos de mídias 

, Rio de Janeiro  Vol.68  N.4  Ano 2025: e20250132

41 / 46      

O Que É o Bolsonarismo? Muito Além da Abordagem Sociológica

tradicionais na internet e pelo consumo direito de informação política 

via mídias tradicionais, mormente os canais de televisão Record, SBT e 

CNN-Brasil. Mas esse é um tópico para ser detalhado em estudos futuros.

(Recebido para publicação em 01 de novembro de 2024)

(Reapresentado em 18 de janeiro de 2025)

(Aprovado para publicação em 19 de março de 2025)

Notas

1. Utilizamos a string “Bolsonaro_INF”, que permite capturar a palavra Bolsonaro e seus possíveis 

derivados, como bolsonarista e bolsonarismo. Busca realizada em 16 de janeiro de 2025. A base 

de busca são todos os livros da coleção do Google, ou seja, não somente livros acadêmicos. O 

resultado da busca foi uma reta com crescimento constante, ano a ano, de aproximadamente 

30%. É razoável supor, contudo, que o crescimento da literatura acadêmica seja pelo menos 

igual ou ainda maior do que essa taxa anual.

2. 

A pesquisa, realizada no dia 16 de janeiro de 2025, utilizou a string de busca “bolsonaro OR bolsonaris

mo OR bolsonarism” no campo de busca de palavras-chave (keywords) do Google Scholar no Publish 

or Perish, e foi limitada a 1.000 resultados de busca, que é o máximo permitido pela ferramenta.

3. Tradução nossa, do original em inglês.

4. Ver https://www.poder360.com.br/governo/leia-o-historico-da-avaliacao-de-bolsonaro--desde-a-posse/.

5. Essa pesquisa foi financiada pelo Instituto para Reforma das Relações entre Estado e Empresa 

(IREE), e seus resultados preliminares publicados na forma de relatório na página da entidade: 

https://iree.org.br/iree-e-lemep-uerj-divulgam-pesquisa-sobre-perfil-do-bolsonarismo-no-brasil/.

6. Para o tema “família, gênero e valores tradicionais” mostramos o vídeo acessível no link 

https://www.youtube.com/watch?v=HSXjgsicVIQ.

Para o tema “segurança pública e armas” mostramos o vídeo acessível no link https://youtu.

be/fZrTDtlqJPA.

Para o tema “corrupção e Lava Jato” mostramos o vídeo acessível no link https://www.youtube.

com/watch?v=78lz6wnDdkM.

Para o tema “relação entre militares, democracia e administração pública” mostramos o vídeo 

acessível no link https://www.youtube.com/watch?v=qbWOV2UCz48.

Para o tema “pandemia, ciência e desinformação” mostramos o vídeo acessível no link https://

www.dropbox.com/s/xp7z5gkeix7hduy/5.%20Pandemia.mp4?dl=0.

7. Ver http://www.ipeadata.gov.br/ExibeSerie.aspx?serid=1136471525.

8. Ver https://nossomeio.com.br/mais-de-60-dos-brasileiros-dizem-consumir-noticias-pela-tv--segundo-yougov/.

9. “We should give up the notion that philosophy can find a set of terms which are naturally 

privileged, which define the ‘essence’ of a human being, or the ‘true nature’ of anything else. 

[...] We are no closer to discovering what we are ‘really’ made of, or what we ‘really’ are, than 

we were when the Greeks talked about being made of fire, air, earth, and water. We should 

not seek a single, privileged vocabulary for describing ourselves, but rather see ourselves as 

describable in many ways, depending on the purposes of the description.” (p. 360)

, Rio de Janeiro  Vol.68  N.4  Ano 2025: e20250132

42 / 46      

João Feres Júnior e Carolina Almeida de Paula

Referências

Albernaz, Vinicius. (2019), “Análise das Características do Discurso Populista de Jair Bolsonaro 

nas Eleições Brasileiras de 2018”. Political Observer / Revista Portuguesa de Ciência, n. 12, 

pp. 131-146. doi: https://doi.org/10.33167/2184-2078.RPCP2019.12/pp.131-146.  Disponível 

em: http://www.rpcp.pt/index.php/rpcp/article/view/64.

Almeida, Maria Hermínia Tavares de; Guarnieri, Fernando Henrique. (2020), “The Unlikely President: 

the Populist Captain and His Voters”. Revista Euro Latinoamericana de Análisis Social y Político 

(RELASP), ano 1, v. 1, n. 1, pp. 139-159. doi: https://doi.org/10.35305/rr.v1i1.42. Disponível em: 

https://ojs.unsj.edu.ar/index.php/relasp/article/view/510.

Amaral, Oswaldo E. do. (2020), “The Victory of Jair Bolsonaro According to the Brazilian Elec

toral Study of 2018”. Brazilian Political Science Review, v. 14, n. 1, pp. 1-13. doi: https://doi.

org/10.1590/1981-3821202000010004. Disponível em: https://www.scielo.br/j/bpsr/a/Lqxm

Cxx8pX3W448MX6dRcWP/?format=pdf&lang=en.

Artero, Juan. (2015), “Political Parallelism and Media Coalitions in Western Europe”. Reuters 

Institute for the Study of Journalism, University of Oxford, pp. 1-18. Disponível em: https://

reutersinstitute.politics.ox.ac.uk/our-research/political-parallelism-and-media-coalitions--western-europe.

Avritzer, Leonardo; Rennó, Lucio. (2021), “The Pandemic and the Crisis of Democracy in 

Brazil”. Journal of Politics in Latin America, v. 13, n. 3, pp. 442-457. doi: https://doi.

org/10.1177/1866802x211022362. Disponível em: https://journals.sagepub.com/doi/

full/10.1177/1866802X211022362.

Azevedo, Fernando Antônio. (2017), A Grande Imprensa e o PT (1989-2014). São Carlos, Editora UFSCar.

Baptista, Érica Anita; Hauber, Gabriela; Orlandini, Maiara. (2022), “Despolitização e Populismo: as 

Estratégias Discursivas de Trump e Bolsonaro”. Media & Jornalismo, v. 22, n. 40, pp. 105-119. 

doi: https://doi.org/10.14195/2183-5462_40_5. Disponível em: https://impactum-journals.

uc.pt/mj/article/view/10279.

Barbosa de Almeida, Thais. (2022), “Estratégias de Visibilidade Populista nos Media On-line: um 

Estudo Sobre as Declarações Polêmicas de Jair Bolsonaro na Campanha Presidencial de 2018”. 

Media & Jornalismo, v. 22, n. 40, pp. 283-299. doi: https://doi.org/10.14195/2183-5462_40_14.  

Disponível em: https://impactum-journals.uc.pt/mj/article/view/10188.

Bermeo, Nancy. (2016), “On Democratic Backsliding”. Journal of Democracy, v. 27, n. 1, pp. 5-19. 

Disponível em: https://www.journalofdemocracy.org/articles/on-democratic-backsliding/.

Boydell, Nicola; Fergie, Gillian; McDaid, Lisa; Hilton, Shona. (2014), “Avoiding Pitfalls and Re

alising Opportunities: Reflecting on Issues of Sampling and Recruitment for Online Focus 

Groups”. International Journal of Qualitative Methods, v. 13, n. 1, pp. 206-223. doi: https://

doi.org/10.1177/160940691401300109. Disponível em: https://www.researchgate.net/pub

lication/312148727_Avoiding_Pitfalls_and_Realising_Opportunities_Reflecting_on_Issues_

of_Sampling_and_Recruitment_for_Online_Focus_Groups.

Cesarino, Letícia. (2019), “Identidade e Representação no Bolsonarismo. Corpo Digital do 

Rei, Bivalência Conservadorismo-Neoliberalismo e Pessoa Fractal”. Revista de Antropo

logia, v. 62, n. 3, pp. 530-557. doi: https://doi.org/10.11606/2179-0892.ra.2019.165232. 

Disponível em: https://revistas.usp.br/ra/article/view/165232.

, Rio de Janeiro  Vol.68  N.4  Ano 2025: e20250132

43 / 46      

O Que É o Bolsonarismo? Muito Além da Abordagem Sociológica

_______. (2021), “As Ideias Voltaram ao Lugar? Temporalidades Não Lineares no Neoliberalismo 

Autoritário Brasileiro e Sua Infraestrutura Digital”. Caderno CRH, v. 34, pp. 1-18. doi: https://

doi.org/10.9771/ccrh.v34i0.44377. Disponível em: https://periodicos.ufba.br/index.php/crh/

article/view/44377.

_______. (2022), “Bolsonarismo sem Bolsonaro? Públicos Antiestruturais na Nova Fronteira Ci

bernética”. Revista do Instituto de Estudos Brasileiros, v. 1, n. 82, p. 162-188. doi: https://doi.

org/10.11606/issn.2316-901X.v1i82p162-188. Disponível em: https://www.revistas.usp.br/

rieb/article/view/201360.

Edwards, Bob; McCarthy, John D. (1996), “Resources and Social Movement Mobilization”, in: Jenkins, 

J. Craig; Klandermans, Bert (org.), The Politics of Social Protest: Comparative Perspectives on 

States and Social Movements. 2nd ed. Minneapolis, University of Minnesota Press, pp. 116-133.

Feltran, Gabriel. (2020), “Centripetal Force: a Totalitarian Movement in Contemporary Brazil”. Sound

ings: a Journal of Politics and Culture, v. 2020, n. 75, pp. 95-110. doi: 10.3898/SOUN.75.06.2020. 

Disponível em: https://journals.lwbooks.co.uk/soundings/vol-2020-issue-75/abstract-7653/.

Feres Júnior, João. (2020), Cerco Midiático: o Lugar da Esquerda na Esfera “Publicada”. Democracia 

e Direitos Humanos. São Paulo, Friedrich Ebert Stiftung. Disponível em: https://brasil.fes.de/

detalhe/cerco-midiatico-o-lugar-da-esquerda-na-esfera-publicada.html.

Forrestal, Sarah G.; D’Angelo, Angela Valdovinos; Vogel, Lisa Klein. (2015), “Considerations for and 

Lessons Learned from Online, Synchronous Focus Groups”. Survey Practice, v. 8, n. 3, pp. 1-9. 

doi: https://doi.org/10.29115/SP-2015-0015. Disponível em: https://www.surveypractice.org/

article/2844-considerations-for-and-lessons-learned-from-online-synchronous-focus-groups.

Fraser, Nancy. (1997), Justice Interruptus : Critical Reflections on the “Postsocialist” Condition. New 

York, Routledge.

Greskovits, Béla. (2015), “The Hollowing and Backsliding of Democracy in East Central Europe”. 

Global Policy, v. 6, n. S1, pp. 28-37. doi: https://doi.org/10.1111/1758-5899.12225. Disponível 

em: https://onlinelibrary.wiley.com/doi/abs/10.1111/1758-5899.12225.

Kalil, Isabela Oliveira. (2018), “Quem São e no Que Acreditam os Eleitores de Bolsonaro”. Núcleo 

de Etnografia Urbana e Audiovisual (NEU) da Fundação Escola de Sociologia e Política de 

São Paulo. Disponível em: https://www.cartacapital.com.br/wp-content/uploads/2020/03/

Relat%C3%B3rio-para-Site-FESPSP.pdf.

Lacerda, Marina. (2022a), “Contra o Comunismo Demoníaco: o Apoio Evangélico ao Regime Militar 

Brasileiro e Seu Paralelo com o Endosso da Direita Cristã ao Governo Bolsonaro”. Religião & 

Sociedade, v. 42, n. 1, pp. 153-176. doi: https://doi.org/10.1590/0100-85872021v42n1cap07. 

Disponível em: https://www.scielo.br/j/rs/a/Yvgm4T74KWZHN4vYttLrxVB/.

_______. (2022b), “Paleoconservadorismo de Bolsonaro: o Pesadelo Brasileiro”. in Singer, 

André; Araujo, Cicero; Rugitsky, Fernando (org.), O Brasil no Inferno Global: Capitalis

mo e Democracia Fora dos Trilhos. São Paulo, FFLCH/USP, pp. 321-375. doi: https://doi.

org/10.11606/9788575064085. Portal de Livros Abertos da USP. Disponível em: https://www.

livrosabertos.abcd.usp.br/portaldelivrosUSP/catalog/book/825.

Lynch, Christian Edward Cyril; Cassimiro, Paulo Henrique Paschoeto. (2022), O Populismo Reacio

nário: Ascensão e Legado do Bolsonarismo. São Paulo, Contracorrente.

, Rio de Janeiro  Vol.68  N.4  Ano 2025: e20250132

44 / 46      

João Feres Júnior e Carolina Almeida de Paula

Mainwaring, Scott; Pérez-Liñán, Aníbal. (2014), Democracies and Dictatorships in Latin Ameri

ca: Emergence, Survival, and Fall. New York: Cambridge University Press. doi: https://doi.

org/10.1017/CBO9781139047845. Disponível em: https://www.cambridge.org/core/books/

democracies-and-dictatorships-in-latin-america/9CC511C619C452594287644A905994A1.

Mancini, Paolo. (2015), “Parallelism, Political”, in Mazzoleni, Gianpietro (org.), The International 

Encyclopedia of Political Communication. 3 vols. Hoboken, NJ, USA, John Wiley & Sons. doi: 

https://doi.org/10.1002/9781118541555.wbiepc068. Disponível em: https://onlinelibrary.wiley.

com/doi/abs/10.1002/9781118541555.wbiepc068.

McAdam, Doug. (1996), “Conceptual Origins, Current Problems, Future Directions”, in: McAdam, 

Doug; McCarthy, John D.; Zald, Mayer N. (org.), Comparative Perspectives on Social Movements: 

Political Opportunities, Mobilizing Structures, and Cultural Framings. Cambridge, Cambridge 

University Press, pp. 23-40.

McCarthy, John D.; Zald, Mayer N. (1977), “Resource Mobilization and Social Movements: a Partial 

Theory”. American Journal of Sociology, v. 82, n. 6, pp. 1212-1241.

Menary, Jonathan; Stetkiewicz, S.; Nair, A.; Jorasch, P.; Nanda, A. K.; Guichaoua, A.; Rufino, M.; 

Fischer, A. R. H.; Davies, J. A. C. (2021), “Going Virtual: Adapting In-Person Interactive Focus 

Groups to the Online Environment [version 2; peer review: 2 approved]”. Emerald Open Re

search, v. 3, n. 6, pp. 1-14. doi: https://doi.org/10.35241/emeraldopenres.14163.2. Disponível 

em: https://www.emerald.com/insight/content/doi/10.1108/eor-06-2023-0008/full/html.

Miguel, Luis Felipe. (1999), “Mídia e Manipulação Política no Brasil: a Rede Globo e as Eleições 

Presidenciais de 1989 a 1998”. Comunicação & Política, VI (2-3), pp. 119-138.

Nicolau, Jairo Marconi. (2020), O Brasil Dobrou à Direita : uma Radiografia da Eleição de Bolsonaro 

em 2018. Rio de Janeiro, Zahar.

Nunes, Rodrigo. (2021), “Of What Is Bolsonaro the Name?” Dossier: Grammars of Bolsonarismo. 

Radical Philosophy, 2.09, pp. 3-14. Disponível em: https://www.radicalphilosophy.com/article/

of-what-is-bolsonaro-the-name.

Pinheiro-Machado, Rosana; Scalco, Lucia Mury. (2018), “Da Esperança ao Ódio: Juventude, Política e 

Pobreza do Lulismo ao Bolsonarismo”. Cadernos IHU Ideas, ano 16, n. 278, v. 16, pp. 1-13. Disponí

vel em: https://www.ihu.unisinos.br/images/stories/cadernos/ideias/278cadernosihuideias.pdf.

_______.; _______. (2020), “From Hope to Hate: The Rise of Conservative Subjectivity in Brazil”. 

HAU: Journal of Ethnographic Theory, v. 10, n. 1, pp. 21-31.

Rennó, Lucio R. (2020), “The Bolsonaro Voter: Issue Positions and Vote Choice in the 2018 Bra

zilian Presidential Elections”. Latin American Politics and Society, v. 62, n. 4, pp. 1-23. doi: 

https://doi.org/10.1017/lap.2020.13. Disponível em: https://www.researchgate.net/publica

tion/342978868_The_Bolsonaro_Voter_Issue_Positions_and_Vote_Choice_in_the_2018_Bra

zilian_Presidential_Elections.

_______. (2022), “Bolsonarismo e as Eleições de 2022”. Estudos Avançados, v. 36, n. 106, pp. 147

163. doi: https://doi.org/10.1590/s0103-4014.2022.36106.009. Disponível em: https://www.

scielo.br/j/ea/a/7ydPPygGTwLsR5xSN3RZ5HP/.

Ricci, Paolo; Izumi, Mauricio; Moreira, Davi. (2021), “O Populismo no Brasil (1985-2019): um Velho 

Conceito a Partir de uma Nova Abordagem”. Revista Brasileira de Ciências Sociais, v. 36, n. 107, 

, Rio de Janeiro  Vol.68  N.4  Ano 2025: e20250132

45 / 46      

O Que É o Bolsonarismo? Muito Além da Abordagem Sociológica

pp. 1-22. doi: https://doi.org/10.1590/3610707/2021. Disponível em: https://www.scielo.br/j/

rbcsoc/a/nHwmRRJRkWCv7XJVRc3nWsj/.

Richard, Brendan; Sivo, Stephen A.; Orlowski, Marissa; Ford, Robert C.; Murphy, Jamie; Boote, 

David N.; Witta, Eleanor L. (2021), “Qualitative Research via Focus Groups: Will Going Online 

Affect the Diversity of Your Findings?” Cornell Hospitality Quarterly, v. 62, n. 1, pp. 32-45. doi: 

https://doi.org/10.1177/1938965520967769. Disponível em: https://www.researchgate.net/

publication/344160815_Qualitative_Research_via_Focus_Groups_Will_Going_Online_Affect_

the_Diversity_of_Your_Findings.

Rocha, Camila; Solano, Esther. (2019), “O Conservadorismo e as Questões Sociais”. Fundação 

Tide Setubal. Disponível em: https://sinapse.gife.org.br/download/o-conservadorismo-e--as-questoes-sociais.

_______; _______; Medeiros, Jonas. (2021), The Bolsonaro Paradox: the Public Sphere and Right

Wing Counterpublicity in Contemporary Brazil. Cham, Swiss, Springer Nature. doi: https://doi.

org/10.1007/978-3-030-79653-2. Disponível em: https://link.springer.com/book/10.1007/978

3-030-79653-2.

_______; Medeiros, Jonas. (2022), “2022: o Pacto de 1988 sob a Espada de Dâmocles”. Estudos 

Avançados, v. 36, n. 105, pp. 65-84. doi: https://doi.org/10.1590/s0103-4014.2022.36105.005. 

Disponível em: https://www.revistas.usp.br/eav/article/view/198288.

Rorty, Richard. (1979), Philosophy and the Mirror of Nature. Princeton, NJ, Princeton University 

Press. Disponível em: https://sites.pitt.edu/~rbrandom/Courses/Antirepresentationalism%20

(2020)/Texts/Rorty%20PMN.pdf.

Russo, Guilherme Azzi, Pimentel Junior, Jairo; Avelino, George. (2022), “O Crescimento da Direita 

e o Voto em Bolsonaro: Causalidade Reversa?” Opinião Pública, v. 28, n. 3, pp. 594-614. doi: 

https://doi.org/10.1590/1807-01912022283594. Disponível em: https://www.cesop.unicamp.

br/por/opiniao_publica/artigo/745.

SECOM. (2014), Pesquisa Brasileira de Mídia 2015 : Hábitos de Consumo de Mídia pela População 

Brasileira. Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República. Brasília, Secom. 

Disponível em: https://www.gov.br/secom/pt-br/search?origem=form&SearchableText=Pes

quisa%20Brasileira%20de%20M%C3%ADdia%202015.

Solano, Esther. (2018), “Crise da Democracia e Extremismos de Direita”. Friedrich Ebert Stiftung, 

n. 42, pp. 1-29. Disponível em: https://library.fes.de/pdf-files/bueros/brasilien/14508.pdf.

_______. (2021), “A Evolução do Bolsonarismo: Análise Qualitativa da Percepção Deste Eleitorado 

em 2019 e 2020”. Journal of Democracy em Português, v. 10, n. 1, pp. 50-81. Disponível em: 

https://plataformademocratica.org/arquivos/mai-21/03_A_evolucao_do_bolsonarismo.pdf.

Tarrow, Sidney. (1994), Power in Movement: Social Movements, Collective Action and Politics. Cam

bridge, Cambridge University Press.

Weber, Max. (1978), Economy and Society: an Outline of Interpretive Sociology. 2 vols. (org. Guenther 

Roth; Claus Wittich). Berkeley, University of California Press. Disponível em: https://archive.

org/details/MaxWeberEconomyAndSociety/page/n3/mode/2up. O artigo dos autores João Feres Júnior1

1Professor titular de Ciência Política do Instituto de Estudos Sociais e Políticos (IESP-UERJ). Rio de Janeiro, RJ. Brasil.

       E-mail: jferes@iesp.uerj.br           Orcid: https://orcid.org/0000-0002-5830-0458 e Carolina Almeida de Paula2

2Doutora em Ciência Política pelo Instituto de Estudos Sociais e Políticos (IESP-UERJ). Rio de Janeiro, RJ. Brasil.

       E-mail: carolina.almeidapaula@gmail.com           Orcid: https://orcid.org/0000-0001-9559-6799.  


 centrismo é um posicionamento político que se situa entre a esquerda e a direita no espectro político. Sua principal característica é a defesa de uma postura moderada e equilibrada, buscando conciliar ideias de diferentes ideologias para encontrar soluções práticas. 

Aqui estão os pontos fundamentais para entender o centrismo:

Conciliação de Valores: Centristas buscam equilibrar a justiça social e a igualdade (frequentemente pautas de esquerda) com a liberdade individual e o crescimento econômico pró-mercado (pautas de direita).

Pragmatismo: O foco tende a ser em resultados práticos e evidências, evitando o que consideram "extremismos" ou "pureza ideológica".

Moderação: Defende-se a manutenção da ordem democrática e a realização de reformas graduais, em oposição a mudanças revolucionárias ou reacionárias bruscas.

Variações:

Centro-esquerda: Inclina-se levemente à esquerda, com maior foco em bem-estar social e intervenção estatal moderada.

Centro-direita: Inclina-se à direita, priorizando o livre mercado e o conservadorismo liberal.

Centrismo Radical: Defende mudanças significativas no sistema, mas de forma pragmática e não ideológica. 

No contexto brasileiro, é comum a confusão entre o centrismo ideológico e o "Centrão". Enquanto o centrismo é uma filosofia de moderação, o "Centrão" refere-se a um bloco de partidos que se caracteriza mais pelo apoio ao governo vigente em troca de cargos e verbas do que por uma ideologia definida.                 Esses termos definem o espectro político com base em como diferentes grupos acreditam que a sociedade e a economia devem ser organizadas. 

Esquerda: Prioriza a igualdade social e a justiça coletiva. Geralmente defende uma maior intervenção do Estado na economia para garantir serviços públicos (como saúde e educação) e reduzir a desigualdade.

Direita: Foca na liberdade individual, no livre mercado e na preservação de valores tradicionais. Tende a defender um Estado menor, com menos impostos e menos interferência na economia, acreditando que a competição gera crescimento.

Centro: Busca um equilíbrio entre as duas visões. O centro politico ,tenta conciliar a eficiência do mercado com políticas de bem-estar social, adotando posturas moderadas e pragmáticas

Os termos direita, esquerda e centro são as principais referências no espectro político para classificar ideologias, partidos e governos. A divisão surgiu na França, em 1789, onde os defensores do rei sentavam-se à direita e os revolucionários à esquerda. Abaixo estão as características e diferenças fundamentais de cada um:

1. Esquerda

A esquerda foca na igualdade social e no bem-estar coletivo. Para atingir esses objetivos, defende a forte intervenção do Estado na economia e a implementação de políticas públicas de redistribuição de renda e proteção social.

Valores: Justiça social, direitos humanos, igualdade de oportunidades, pautas progressistas e ambientalismo.


Posição sobre o Estado: Ativo e regulador, responsável por corrigir desigualdades geradas pelo mercado.


Espectro: Socialismo, Social-Democracia, Trabalhismo, Comunismo.


2. Direita

A direita prioriza a liberdade individual, a meritocracia e a livre iniciativa. Defende que o mercado deve se autorregular com pouca interferência do governo, valoriza a tradição e a propriedade privada.

Valores: Liberdade econômica, patriotismo, conservadorismo nos costumes, livre mercado e eficiência.


Posição sobre o Estado: Mínimo ou restrito, atuando apenas em áreas essenciais como defesa, segurança e justiça.


Espectro: Liberalismo, Neoliberalismo, Conservadorismo e Libertarismo.


3. Centro

O centro atua como uma ponte ou interseção entre a direita e a esquerda. Quem se identifica com o centro costuma ser moderado, buscando conciliar o crescimento econômico e o livre mercado (pauta de direita) com programas de bem-estar social e justiça (pauta de esquerda).

Valores: Diálogo, equilíbrio, pragmatismo, reformas graduais e direitos civis.


Posição sobre o Estado: Um regulador inteligente, que atua onde a iniciativa privada não consegue suprir as necessidades da população.


Espectro: Social-Liberalismo, Democracia Cristã e a chamada "Terceira Via".

O populismo é uma estratégia política que divide a sociedade entre o "povo virtuoso" e uma "elite corrupta"

. Em 2026, essa distinção continua sendo central no debate global e brasileiro, diferenciando-se pela definição de quem é esse "povo" e quem é o seu inimigo. 

Populismo de Esquerda

Definição do "Povo": Foca na classe trabalhadora, nos marginalizados e nos explorados pelo sistema capitalista.


Inimigo Eleito: A elite econômica, o sistema financeiro, as grandes corporações e a desigualdade.


Objetivo: Redirecionar o poder econômico e promover a justiça social através da intervenção estatal e políticas distributivas.


Cenário em 2026: No Brasil, o O Partido dos Trabalhadores  continua sendo a principal referência, com o governo buscando resgatar a popularidade através de agendas sociais focadas nas classes populares  para a disputa eleitoral em 2026.


Populismo de Direita

Definição do "Povo": Baseia-se em uma identidade cultural, nacional ou religiosa (frequentemente definida como a "maioria silenciosa").


Inimigo Eleito: Elites intelectuais e "cosmopolitas", o "sistema" (establishment) político, instituições como o Judiciário e, por vezes, minorias ou imigrantes.


Objetivo: Restaurar valores tradicionais e a ordem social, muitas vezes com um discurso antissistema e agenda de liberalismo econômico.


Cenário em 2026: A direita brasileira, liderada por figuras associadas ao Partido Liberal (PL), enfrenta o desafio de se reorganizar em meio a divisões internas, buscando uma candidatura competitiva que mantenha a base populista e conservadora forte para as eleições gerais de 2026.

Confira no Nexo Jornal .https://www.nexojornal.com.br/grafico/2024/10/06/eleicoes-2024-partido-com-mais-prefeitos-eleitos. Confira no Nexo Jornal .https://www.nexojornal.com.br/grafico/2024/10/07/eleicoes-2024-partido-com-mais-vereadores-eleitos.    Os principais casos de corrupção e investigações criminais envolvendo o Partido Liberal (PL) e o governo de Jair Bolsonaro abrangem esquemas de desvios de recursos públicos, fraudes e uso indevido de órgãos do Estado.

1. Escândalos de Corrupção no Governo Bolsonaro

Bolsolão do MEC: Investigou a atuação de um "gabinete paralelo" comandado por pastores evangélicos no Ministério da Educação. O esquema envolvia a cobrança de propinas (inclusive em barras de ouro) para a liberação de verbas do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). O ex-ministro Milton Ribeiro chegou a ser preso pela Polícia Federal.


Caso das Joias Sauditas: Apura o desvio e a tentativa de venda ilegal de presentes de alto valor recebidos de autoridades estrangeiras. A Polícia Federal indiciou o ex-presidente Jair Bolsonaro por crimes como associação criminosa e peculato.


Abin Paralela: Investigação sobre o monitoramento ilegal de opositores, jornalistas e ministros do STF pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin). O órgão teria sido aparelhado para blindar aliados e familiares, gerando desdobramentos contra o deputado federal e ex-diretor da agência Alexandre Ramagem (PL).


Superfaturamento na Pandemia (Covaxin): A CPI da Covid apontou irregularidades e indícios de corrupção na negociação da vacina indiana Covaxin pelo Ministério da Saúde, envolvendo pressões internas para acelerar pagamentos a intermediárias.


2. Casos de Corrupção Envolvendo o PL (Partido Liberal)

O PL, partido ao qual Jair Bolsonaro se filiou no final de 2021 e que abriga sua base aliada, concentra diversas lideranças e parlamentares sob a mira da Justiça:

Condenação por Desvio de "Emendas Pix": Em março de 2026, a Primeira Turma do STF condenou por unanimidade os deputados federais Josimar Maranhãozinho (PL-MA) e Pastor Gil (PL-MA), além do suplente Bosco Costa (PL-SE), por corrupção passiva e organização criminosa. Eles foram acusados de cobrar propina de R$ 1,6 milhão para destravar recursos de emendas parlamentares destinadas ao SUS no Maranhão.


Histórico da Executiva Nacional: O presidente do partido, Valdemar Costa Neto, possui condenação histórica no escândalo do Mensalão e voltou a ser alvo de investigações da Polícia Federal por suspeita de participação na trama golpista de 2022. Além dele, levantamentos apontam que cerca de um terço da bancada de deputados federais do PL responde a ações penais ou inquéritos judiciais.


3. Esquemas de "Rachadinha" e Fraudes Familiares

Gabinete de Flávio Bolsonaro: O senador Flávio Bolsonaro (PL) foi investigado pelo Ministério Público pelo esquema de "rachadinha" (desvio de salários de assessores) na época em que era deputado estadual no Rio de Janeiro (caso Fabrício Queiroz). Os recursos teriam sido lavados por meio de uma franquia de chocolates e transações imobiliárias.


Fraude nos Cartões de Vacina: Investigação que apontou a inserção de dados falsos de vacinação contra a Covid-19 no sistema do Ministério da Saúde para beneficiar Jair Bolsonaro, sua filha e assessores próximos, resultando em indiciamento por associação criminosa.

A base eleitoral é a região geográfica, o grupo social ou o segmento da população onde um candidato ou partido político centraliza suas forças e obtém a maioria dos seus votos.

O que define uma base eleitoral

Geografia: Cidades, bairros, estados ou distritos específicos onde o político possui forte influência ou histórico de atuação.


Demografia: Grupos segmentados por idade, gênero, faixa de renda, nível de escolaridade ou profissão.


Ideologia: Eleitores que se identificam diretamente com pautas específicas, como causas ambientais, religiosas, econômicas ou de segurança.


Importância estratégica

Fidelidade: Garante um volume mínimo de votos necessários para iniciar uma campanha com chances reais de eleição.


Prestação de Contas: Direciona as emendas parlamentares e projetos de lei para atender às demandas diretas dessa população.


Termômetro Político: Serve como indicador de aprovação do mandato por meio de pesquisas de opinião focadas nesses grupos.

Ao que vimos no Nexo Jornal ,o Bolsonarismo mantém e manterá sua base eleitoral . Mas ao que se vê no Portal G1 da Rede Globo  . Não passa de um regime populista e corrupto .                Confira a notícia no Portal G1 da Rede Globo.       https://g1.globo.com/politica/blog/andreia-sadi/post/2026/09/10/pf-operacao-dark-horse.ghtmli

E assim caminha a humanidade. 

Imagem do Site Congresso em Foco.