quinta-feira, 3 de setembro de 2026

Trumpismo .

 O trumpismo é um movimento político, estilo de governança e conjunto de ideias nacional-populistas associado a [Donald Trump] e à sua base de apoio.Características PrincipaisPopulismo anti-elites: Divisão agressiva entre os interesses do "povo" e o "establishment" político e midiático.Nacionalismo e protecionismo: Defesa da soberania nacional estrita, com foco em políticas comerciais protecionistas (como guerra de tarifas) e forte controle de imigração.Rejeição ao multilateralismo: Crítica a acordos internacionais, oposição a organizações globais e priorização de negociações bilaterais diretas.Polarização profunda: Uso de uma retórica de confronto direto que alimenta divisões sociais e partidárias intensas.Origem e ImpactoO fenômeno ganhou força expressiva a partir da campanha presidencial de 2016 nos Estados Unidos. Mais do que uma simples plataforma partidária, o trumpismo reconfigurou o Partido Republicano norte-americano e serviu de referência para correntes políticas nacionalistas e conservadoras radicais em várias partes do mundo.

Trumpismo e Soft Power: Um estudo sobre a construção da imagem dos Estados 

Unidos no governo de Donald Trump¹ 

LOPES, Ana Flávia² 

RESUMO: O objetivo do artigo é compreender a importância do soft power para a condução 

da política externa dos Estados Unidos. Para fazer isso, partimos de uma análise histórica da 

política externa dos Estados Unidos no pós Guerra Fria para, depois, buscar compreender 

como as decisões tomadas pelo atual presidente Donald Trump podem afetar a reputação do 

país e a percepção e confiança que a comunidade internacional tem para com ele, através da 

inexistência de soft power em sua administração. A hipótese deste trabalho é que o trumpismo 

prejudica a imagem exterior dos Estados Unidos, com impacto na condução da política 

externa deste país.   

PALAVRAS CHAVES: Soft power. Estados Unidos. Política Externa. Donald Trump.  

ABSTRACT: The purpose of the article is to comprehend the importance of soft power for 

the conduction of the United States foreign policy. To do this we start from a historical 

analysis of the United States foreign policy in the post-Cold War, for then to understand how 

the decisions made by the current president Donald Trump can affect the country’s reputation 

and the perception and confidence the international community has towards it, through the 

inexistence of soft power in his administration. The hypothesis of this work is that trumpism 

damages the external image of the country, impacting the conduction of foreign policy.  

KEYWORDS: Soft power. United States. Foreign Policy. Donald Trump.  

¹Trabalho de conclusão de Curso apresentado como pré-requisito para a obtenção do título de 

Bacharel em Relações Internacionais pela Universidade Federal de Uberlândia, sob o orientador: 

Prof. Dr. Filipe Almeida do Prado Mendonça. 

²Graduanda do curso de Relações Internacionais pela Universidade Federal de Uberlândia 

1. INTRODUÇÃO 

No ano de 1990, Joseph S. Nye Jr. publicou seu livro Bound to Lead, onde 

argumentava que ao contrário do que se acreditavam os Estados Unidos não passavam por um 

período de declínio, mas continuava sendo o país mais forte, no âmbito econômico, militar e 

em um terceiro que o autor denominou de soft power. Para entender o termo, e como é 

possível aplica-lo no contexto social e político que vemos no governo atual dos Estados 

Unidos, é essencial a compreensão primeiramente do que é poder.  

Se consultarmos Bobbio, Matteucci e Pasquino para encontrarmos a definição da 

palavra há diversos significados para o substantivo citado, alguns dos quais sendo “A 

capacidade ou a possibilidade de agir, de produzir efeitos” e se focarmos no poder social, este 

se torna mais específico como “A capacidade geral de agir” até “A capacidade do homem em 

determinar o comportamento do homem” (1998, p. 933). Então é possível inferir que, poder é 

a habilidade de influenciar algo ou alguma coisa para conseguir o resultado desejado. Este 

podendo ser alcançado tanto através da coerção quanto da cooptação, passando por 

pagamentos, ameaças e cooperação. A escolha de que tipo de poder utilizar dependerá do 

contexto em que o relacionamento entre as partes existir. 

O poder também pode ser entendido, como tudo aquilo que um Estado possui, e que o 

faz influente em seu meio, como sua localização, o tamanho de sua população, seus recursos 

naturais, e a força militar e econômica. Assim, um país é poderoso quando possui meios, 

quantitativos, para conseguir alcançar o que almeja. Essa definição é a mais usada, pois aos 

olhos comuns, é mais fácil acreditar na força e poder de um país, quando se pode ver todos os 

tanques e aparatos militares que este possui. Porém, esta visão pode se mostrar falha, como 

foi o caso da Guerra do Vietnã, onde os Estados Unidos eram muito mais desenvolvidos 

tecnologicamente e mesmo assim o país perdeu a guerra. Portanto, como é colocado por 

Joseph S. Nye Jr. (2004, p. 4), “power resources cannot be judged without knowing the 

context. Before you judge who is holding the high cards, you need to understand what game 

you are playing [...]”.  

Para Hans Morgenthau, influente autor do realismo clássico, o poder é o objetivo 

principal daqueles que tomam as decisões das políticas internacionais. O poder político para 

ele é uma relação psicológica entre aqueles que praticam e aqueles sobre quem é praticado, ou 

mesmo os que fazem e os que obedecem, um relacionamento semelhante ao que o Estado tem 

sobre o povo. Ademais, o autor difere o poder político da força física, onde as ameaças 

transcendem o hipotético e se transformam em exercício concreto. Essa divisão é necessária, 

pois o poder político tem retorno por três motivos: a possibilidade de benefícios, o respeito à 

autoridade e o medo de perdas. E estes são postos em prática através de ameaças, ordens e 

autoridade de determinado órgão ou individuo (MORGENTHAU, 2003, p. 52). Porém 

quando as ameaças se concretizam, o poder político se transforma em poder militar.  

Além disso, Morgenthau faz quatro distinções entre: o poder e a influência, o poder e a 

força, o poder utilizável e não utilizável e o poder legítimo e o ilegítimo. A relação entre um 

conselheiro e o presidente de uma empresa é marcada pela influência. Isso porque, o 

conselheiro pode tentar influenciar na tomada de decisões, mas a decisão final será do 

presidente, aquele que possui o poder per se. A força e o poder devem ser distinguidos, como 

já foi citado, quando a ameaça se concretiza em um ato de violência física. O poder utilizável 

se distingue do não utilizável quando se toma as armas nucleares em consideração, pois 

quando um país decide ameaçar com o uso do poder nuclear, a ameaça se torna a destruição 

total. Isso porque se duas nações que possuem o mesmo nível de armamentos nucleares 

ameaçarem atacar uma à outra, o resultado seria catastrófico para as duas. Assim as ameaças 

se cancelarão. Já poder legítimo, ou aquele que é efetivado tanto legalmente como 

moralmente, tem maior perspectiva de ser aceito pelo povo do que aquele que transgrede as 

leis impostas. 

Outro autor que se dispõe a analisar o termo é Raymond Aron, cientista político 

francês, que define mais amplamente poder como “a capacidade de fazer, produzir ou 

destruir” (ARON, 2002, p. 99). Apesar da complexidade de se mensurar o significado de 

poder, o autor acredita que a habilidade de influenciar sobre o comportamento ou sentimento 

de outras pessoas é a mais importante característica do termo, desse modo, poder para ele é 

essencialmente uma expressão reservada às relações humanas e não aos meios utilizados para 

se impor o que se deseja. O autor também faz a distinção entre o poder e a potência, o último 

sendo os recursos concretos que foram prontamente mobilizados para a atuação da política.  

Porém, Aron acredita que a definição absoluta e essencial de poder pode ser mais 

prejudicial do que benéfica àqueles que lidam com a idealização de políticas. Isso porque, o 

poder possui diversos significados dependendo do contexto que este está inserido, tanto 

politicamente quanto geograficamente, e se tomada uma definição como absoluta, esta pode 

não ser a ideal para determinada situação. 

Desse modo, quando se compreende o contexto em que está inserido, torna-se mais 

fácil escolher o tipo de poder que irá ser empregado. Como entre o soft e o hard power. O 

hard power, citado por Edward Lock (2010, p. 33), é a capacidade de um ator mudar a 

opinião de outros através de ameaças ou incentivos, ou de como é chamado pelo autor “sticks 

and carrots”. Isto inclui a violência física, no caso de um indivíduo, e as forças militares no 

caso do Estado, o que por consequência assume que o Estado que conseguir alcançar 

resultados positivos, possui maior riqueza investida em suas forças armadas, fazendo do poder 

financeiro uma característica do incentivo ao hard power.   

Já o soft power, é definido por Nye Jr. como “[...] the power of attraction, the 

influence of example [...] Soft power is the ability to get what you want by attracting and 

persuading others to adopt your goals” (2010, p. 1). Desse modo, não é necessário o uso da 

violência, e o resultado acaba se tornando mais barato do que o uso dispendioso que pode se 

tornar os incentivos do hard power. Para tanto, os países devem criar agendas que salientam 

os seus princípios atrativos, como por exemplo, no caso dos Estados Unidos, sua devoção à 

democracia e aos fundamentos liberais de mercado, os lucros do comércio, e ao consumismo. 

Para muitos, estes preceitos são mais sedutores do que a ameaça ou incentivos monetários, e 

por isso são centrais para a construção de políticas capazes de mobilizar e cativar outros, o 

que a cada dia se torna mais importante, em um mundo multipolar com centenas de atores — 

tanto estatais quanto não estatais, como instituições internacionais, ONGs, organizações 

transnacionais e religiosas e até mesmo pessoas proeminentes —, onde os países que forem 

capazes de criar uma network sólida serão aqueles que terão maior notabilidade internacional.   

Porém o soft power não pode ser lido como mera influência. Muitos analistas 

desconsideram o termo por o entenderem como sendo apenas o poder da cultura popular, os 

produtos comerciais disseminados em massa e obras cinematográficas de grandes estúdios. 

Mas para Joseph S. Nye Jr. estes são os recursos culturais capazes de contribuir para a criação 

do soft power, e apesar de serem partes importantes não são o todo. O soft power é composto 

de uma tríade: os valores do governo, a cultura e suas políticas governamentais, externa e 

interna. (NYE JR., 2004, p. 11).  

Em primeiro lugar, os valores que um país carrega possuem enormes potenciais para 

criar soft power nacional. No caso dos Estados Unidos estes são a democracia, o 

materialismo, o progresso, a igualdade e o individualismo. A busca por compartilhar seus 

valores com o resto do mundo, após o atendado de 11 de setembro de 2001, levou diversas 

mídias de comunicação a denominarem a política de construção de Estados em países fracos 

como o novo Destino Manifesto, sendo posto em prática pelo então presidente George W. 

Bush. Isso porque, o objetivo desta política era fazer países como o Afeganistão se tornarem 

sociedades abertas e livres, ou adotar as doutrinas preconizadas pelos Estados Unidos.  

Em seguida, os valores culturais, uma das grandes razões de orgulho para os norte

americanos, são a mais popular forma de disseminar os pensamentos e opiniões de uma 

sociedade para o resto do mundo. Dado que esta categoria engloba arte, cinema, literatura, 

gastronomia, moda, educação e costumes. Desta forma a cultura alcança desde o mais rico até 

o mais pobre. E os Estados Unidos se beneficiam da posição de país mais influente do 

Ocidente. Isso porque a maior parte dos países compartilham os mesmos ideais e princípios 

democráticos daquele, e todos querem um pouco da tecnologia de ponta e das novidades que 

o país tem a oferecer. No entanto a cultura encontra um obstáculo quando tenta intervir em 

países com convicções totalmente contrárias, como por exemplo, se o restaurante de fast-food, 

McDonald’s, vendesse hambúrgueres bovinos aos hindus da Índia. Assim, precisa-se entender 

o contexto social dos países para utilizar os recursos do soft power plenamente. 

Outro exemplo de como a cultura pode ser benéfica quando se trata de construir laços 

com outros países são os intercâmbios, acadêmicos, religiosos, empresariais e culturais. Em 

uma pesquisa levantada pelo Institute of International Education (IIE), no ano de 2015/2016, 

1, 043, 839 estudantes estrangeiros cursavam em algum tipo de instituição de ensino superior 

nos Estados Unidos. Os maiores expoentes de alunos sendo China, Índia e Arábia Saudita. 

Isto representa mais de um milhão de estudantes que voltarão aos seus países e irão 

compartilhar suas experiências com seus colegas e familiares, criando uma propaganda de 

referência realista do país que visitaram, e não corroborando com as representações muitas 

vezes caricatas disseminadas pelos governos locais. 

E por último, as políticas governamentais impactam amplamente em como a sociedade 

internacional enxerga os Estados Unidos, e podem ter efeitos de longo e curto prazos. As 

decisões que este governo toma podem afetar diretamente outros países, como por exemplo, 

quando envolve um tratado internacional. Quando a administração de Trump resolveu se 

retirar do Acordo de Paris, houve uma grande comoção internacional, e mesmo nacional, onde 

políticos do mundo inteiro fizeram declarações contra a decisão do presidente norte

americano. A saída do país significou um enfraquecimento no acordo, pois os Estados Unidos 

atuavam em uma posição de liderança além de ser um grande contribuinte para às emissões de 

gás carbônico na atmosfera. 

Houve também à decisão de suspender o Deferred Action for Childhood Arrivals, ou 

DACA, que era uma opção para imigrantes que chegaram ao país antes de completarem 16 

anos. A suspenção, como será abordada mais profundamente na terceira parte deste artigo, 

levou a grandes demonstrações de desagrado, tanto em mídias sociais, quanto em forma de 

protestos nas ruas. Estes atos foram alguns dos vários golpes sofridos pelo governo Trump em 

relação ao seu soft power. 

As consequências de tantas escolhas equivocadas do governo Trump são amplamente 

divulgadas nas mídias e em redes sociais, e instantaneamente analisadas com escrutínio, pois 

na era da informação em que vivemos o que acontece hoje se torna viral na mesma hora. E 

isto se intensifica por causa da constante presença e interação que o presidente tem nestas 

redes, sempre deixando claro sua posição nos acontecimentos diários, mesmo que estas sejam 

controversas, dando muitas oportunidades para quem deseja critica-lo assim fazê-lo.  

Há ainda a combinação entre hard power e soft power que resulta no smart power, que 

nada mais é que a junção do poder de coerção e força ao poder da atração e persuasão. O 

exemplo mais conhecido de uso do smart power foi pelos Estados Unidos durante a Guerra 

Fria, visto que ao mesmo tempo em que Estados Unidos e União Soviética estavam em 

conflitos indiretos, construindo armas e fazendo ameaças bélicas, o governo norte-americano 

promovia programas de intercâmbio às elites soviéticas para que quando estes voltassem para 

casa, disseminassem os ideais liberais que presenciaram nos Estados Unidos (LAYNE, 2010, 

p. 55). 

Além disso, é importante apresentar o argumento de Geraldo Zahran sobre como é 

possível traçar um paralelo entre a teoria de Nye, sobre a aparente permanência dos Estados 

Unidos como o país mais forte do sistema internacional, e o conceito de hegemonia 

desenvolvido por Gramsci. Isso porque, assim como Nye, Gramsci acredita que a hegemonia 

de um grupo, ou mesmo de um Estado, funciona através de um agrupamento de princípios — 

os de Nye sendo: a liderança tecnológica, extenso desenvolvimento econômico e militar, soft 

power e o eixo das comunicações transnacionais (NYE, 2002, p. 13) — assegurando a sua 

posição influente, ao mesmo tempo em que contempla o bem-estar daqueles que não exercem 

o poder. 

Gramsci desenvolveu seu conceito de hegemonia, pois ele questionava a aceitação 

daqueles desprivilegiados de poder ao sistema capitalista que os exploravam em uma 

sociedade democrática. Para o autor, era esperada uma revolta contra a conjuntura para mudar 

a estrutura que os reprimiam, mas como foi visto por Gramsci no início do século vinte, não 

era bem isso que acontecia. Isso porque, com a formação de um Estado hegemônico, cria-se 

uma ideologia coletiva de que para alcançar determinado objetivo econômico, político ou 

social, é necessário se unificarem como sociedade. Aqueles que protagonizam a ordem 

acabam se tornando os líderes hegemônicos da comunidade, e desse modo legitima-se o poder 

deste.  

A hegemonia do grupo então se espalha para todas as esferas da sociedade, difundindo 

ideias de resignação e aceitação. Isso sem necessariamente o uso da força, pois as ideias são 

repetidas e disseminadas através da cultura, mídias e a imprensa. Assim como Nye apresenta, 

quando reforça a importância do desenvolvimento do soft power de um Estado para divulgar 

seus princípios para o resto do mundo.  

Com a globalização e a tecnologia avançando gradualmente, dando mais mobilidade e 

interação às pessoas, o mundo se torna cada vez menor, no sentido de que uma pessoa 

consegue fazer seu ponto de vista ser compartilhado em qualquer lugar do globo. Isso tem 

uma reação no soft power, pois dá o poder da palavra para qualquer pessoa que tenha algo 

para falar, e muitas vezes o governo não tem como controlar se isso beneficiará ou prejudicará 

a sua imagem. O que será desenvolvido nas próximas partes do presente trabalho é 

exatamente isso: Uma análise da política externa dos Estados Unidos no pós Guerra Fria e 

como as ações do atual presidente, Donald Trump, tem minado o soft power do país.  

2. A POLÍTICA EXTERNA NO PÓS-GUERRA FRIA 

Após o fim da Guerra Fria viu-se necessário o redirecionamento da política externa 

dos Estados Unidos. Isso se deu, pois ao término da Segunda Guerra Mundial até os últimos 

anos da década de 1980, seu principal foco foi à contenção do poder e da influência da União 

Soviética. No segundo mandato de Ronald Reagan e com a entrada de Mikhail Gorbachev no 

governo soviético, houve o triunfo de ideias novas e revolucionárias que substituíram as 

práticas institucionais que estavam enraizadas na URSS desde o fim da Segunda Guerra 

(HERRMANN, LEBOW, 2004, p. 09). Desse modo, os anos 1990 trouxeram um novo 

presidente à frente do governo norte-americano, George H. W. Bush, e com ele a implantação 

de uma política externa condizente com o contexto vigente. 

Apesar de considerar a União Soviética com uma nova abordagem, o novo presidente 

não deixou de encarar este país como um poderoso adversário com grande capacidade militar 

e que, de modo geral, ainda mantinha conflitos de interesses entre eles. Assim, ele encarrega o 

seu time de segurança nacional para determinar os objetivos políticos e estabelecer quais 

políticas, de curto e longo prazo, seriam mais eficazes para lidar com Moscou. Condoleezza 

Rice, então diretora dos Assuntos Soviéticos e do Leste Europeu do Conselho de Segurança 

Nacional, alegou que a decisão mais acertada para o momento era um movimento mais 

ousado por parte dos Estados Unidos, indo além da contenção do problema e acelerando o 

cisma entra a Europa Oriental e as ideias do bloco soviético, trazendo Gorbachev mais para o 

oeste. Durante um discurso, em Maio de 1989, o presidente Bush declara que “[...] as armas 

são um sintoma, e não a fonte da tensão (da Guerra Fria). A verdadeira fonte de tensão é a 

divisão imposta e não natural da Europa” (BUSH, 1989). Além disso, também é a primeira 

vez que Bush endossa a glasnost e a perestroika (a abertura política e a reestruturação 

comercial). 

Estampados na capa do The New York Times de 04 de dezembro de 1989 estavam os 

sorridentes Presidentes Bush e Gorbachev sob a manchete de que “Bush e Gorbachev 

proclamam uma nova era para os laços entre Estados Unidos-União Soviética; Concordam 

nos objetivos de armas e comércio” (ROSENTHAL, 1989, p.01), após a conferência em 

Malta onde, segundo Gorbachev, ele e o presidente norte americano acreditavam que as 

características da guerra fria deveriam ser abandonadas, e em seu lugar construir uma nova 

relação entre os países com o interesse de reestabelecer a Europa e acabar com os confrontos 

militares que existiam ali.  

Durante os próximos meses as negociações continuaram, focando principalmente na 

reunificação da Alemanha, até que em maio de 1990 em uma cúpula na cidade de 

Washington, Gorbachev reconheceu que apenas os alemães poderiam determinar seu futuro. 

Assim, os quatro países que ainda ocupavam os territórios alemães, União Soviética, Estados 

Unidos, França e Reino Unido, renunciaram seus direitos na Alemanha e em Berlim. A então 

reunificada Alemanha declarou que a antiga Alemanha oriental e Berlim se tornariam uma 

zona permanente livre de armas nucleares. Apesar do apoio norte americano, a perestroika 

não foi o suficiente para salvar o sistema soviético. Com a economia ainda abalada e os gastos 

do governo aumentando progressivamente, a produção do país entrou em declínio o que levou 

à inflação. Em junho de 1991 Boris Yeltsin competindo com o candidato de Gorbachev, 

ganhou as eleições e veio a ser o primeiro presidente do que se tornou a República Soviética 

da Rússia, e mais afrente, em dezembro do mesmo ano, após se reunir com os líderes da 

Ucrânia e de Belarus, decidiram dissolver a União Soviética e criar estados independentes. 

Todo o acordo foi reconhecido por Bush. (TUDDA, 2015, p.179). 

A primeira crise internacional pós Guerra Fria que o presidente Bush enfrentou foi a 

Guerra do Golfo. Desde o seu início Bush acreditava que era papel dos Estados Unidos tomar 

a liderança internacional. Em um discurso proferido, em setembro de 1990, antes de uma 

sessão conjunta do congresso, o presidente delimitou claramente que o objetivo do governo 

norte americano na Guerra do Golfo era que as tropas iraquianas se retirassem completamente 

e imediatamente do Kuwait, sem nenhuma condição feita. O governo legítimo do Kuwait 

deveria ser restaurado e a segurança e estabilidade do golfo assegurada. Porém , segundo 

Bush, ao contrário do que Saddam Hussein acreditava esta não era uma guerra dos Estados 

Unidos contra o Iraque, e sim do Iraque contra todo o mundo. Isto porque Bush enxergava 

esta crise como uma oportunidade para que a cooperação internacional se concretizasse. No 

discurso anteriormente citado, o presidente define esta era como “a New World Order”, ou 

uma nova ordem mundial, onde “[...] as nações do mundo, oeste e leste, norte e sul, possam 

prosperar e viver em harmonia.” (ESTADOS UNIDOS, 1990). 

Para tanto, Bush aponta que o congresso deve decretar um programa de defesa que 

reflita as crescentes responsabilidades do país em lidar com os riscos constantes de atores 

ilegais e conflitos regionais. Assim, Bush e seus conselheiros vão atrás dos países membros 

das Nações Unidas em busca de apoio para uma abordagem mais ofensiva em face à invasão 

do Kuwait. Daqueles presentes na reunião, doze votaram a favor, Cuba e Iêmen se opuseram e 

a China se absteve. A resolução estabelecia que o Iraque tinha dois meses para retirar suas 

tropas dos territórios kuaitianos, e se não o fizessem, os membros da ONU estavam 

autorizados a usar qualquer meio necessário para restaurar a segurança na região. Porém essa 

decisão não foi recebida com bons olhos pela população e o congresso americano, que 

acreditavam que o envio de novas tropas para a área de risco não era a solução, e sim o 

reforço das sanções econômicas sobre o Iraque. Somente às vésperas da data final 

estabelecida para a ação conjunta entre os Estados Unidos e ONU contra o Iraque, que o 

congresso daquele país cedeu seu apoio à decisão, concordando que todas as opções 

diplomáticas haviam sido esgotadas (HESS, 2001, p.191). 

10 

Desse modo, no dia 16 de janeiro de 1991, o presidente Bush autoriza o início da 

Operação Desert Storm. Mesmo após haver o consenso, entre povo e governo, de que o 

combate era a única solução vitoriosa, não se extinguia o temor de novos desastres como a 

Guerra da Coreia, na década de 1950, e a Guerra do Vietnã. Contudo os temores não foram o 

suficiente para que cedessem. A primeira fase da guerra foi concebida para ser uma série de 

bombardeios, tendo como objetivo incapacitar o comando iraquiano, destruindo seus 

suprimentos e as linhas de comunicação. Em seguida iniciar-se-ia o conflito terrestre. A 

primeira parte do plano foi tão bem sucedida que segundo a opinião pública, não seria 

necessário o ataque terrestre. Mas esta convicção se provou infundada. Como retaliação ao 

ataque, Saddam Hussein enviou mísseis a Israel, causando danos consideráveis, para servir de 

chamariz, esperando que o estado respondesse com uma represália, tirando a atenção de seus 

outros assaltos. Porém Israel não atacou, satisfazendo as súplicas de Bush.  

Com os contínuos ataques e execuções de jovens kuwaitianos, o presidente norte 

americano determinou, e foi apoiado pelo Conselho de Segurança da ONU, que Saddam 

Hussein dispunha de 24 horas para retirar suas tropas e ordenar o cessar fogo. Como Hussein 

não acatou as ordens, o ataque terrestre se iniciou em 23 de fevereiro, resultando em uma 

vitória rápida e expressiva para os EUA e a aliança da ONU. Já em 27 de fevereiro com todas 

as tropas fora do território do Kuwait, Saddam admitiu sua derrota, e aceitou as resoluções 

delimitadas pela ONU. (HESS, 2001, p.228).  Com esta vitória, os números de aceitação do 

presidente Bush estavam a 89%. Mas a comemoração da conquista foi antecipada. Com o 

passar dos meses, a população norte americana chegou à conclusão de que com a permanência 

de Hussein no governo iraquiano, a batalha havia sido ganha, mas a guerra não havia 

terminado.  

Na disputa presidencial do ano seguinte, Bill Clinton sobressaiu o então presidente 

Bush, que buscava a reeleição, se tornando o 42º presidente dos Estados Unidos. De acordo 

com John Dumbrell, em seu livro Cliton’s Foreign Policy: Between the Bushes (2009, p.25), 

o novo presidente buscava a permeação entre as políticas domésticas e externas. Isto porque, 

para Clinton, a campanha de Bush negligenciou as questões domésticas do país. Desse modo, 

a sua política foi pautada em um comprometimento geoeconômico e um reconhecimento aos 

seus limites, no que dizia respeito à delimitação do engajamento diplomático e militar dos 

EUA no resto do mundo. A condição da participação norte americana se centralizava nas 

11 

consequências domésticas de conflitos regionais, obrigações com alianças internacionais e 

consideráveis interesses econômicos.  

No início de seu governo, os assessores do presidente buscavam um novo guia para a 

política externa, encarando um sistema internacional sem ameaça aparente, pós Guerra Fria, e 

sem dar continuação ao New World Order do presidente anterior. Sugerido por Tony Lake, 

assessor de segurança internacional do governo Clinton, o termo “ampliação democrática” se 

tornou o propósito central da política externa. Ele tinha como objetivo o posicionamento dos 

Estados Unidos como líder da globalização econômica, expandindo o livre comércio e a 

promoção da democracia, baseando-se na ideia de paz democrática derivada de Kant de que 

nações democráticas não fazem guerra entre si. Lake definiu que a política iria “combine our 

broad goals of fostering democracy and markets with our more traditional geopolitical 

interests” (DUMBRELL, 2009, p.42). 

Um ponto em que ambos Clinton e Bush concordavam era como lidar com a ameaça 

apresentada pelo Iraque. O que se mostrou importante, pois a uma semana de Clinton tomar 

posse, houveram ataques aéreos coordenados entre americanos, britânicos e franceses contra 

os iraquianos. Foram enviadas mais tropas norte americanas tanto para a região do Golfo 

persa quanto para o próprio Kuwait quando o exército iraquiano se posicionou na fronteira 

kuaitiana. Além das tropas, em junho de 1993, o presidente ordenou um ataque aéreo com o 

serviço de inteligência iraquiano como alvo, como retaliação a um plano de assassinar o 

antigo presidente, George Bush, durante sua visita ao Kuwait em abril do mesmo ano. Dos 23 

mísseis Tomahawk que foram lançados, 16 atingiram o alvo, 3 atingiram uma área 

residencial, e quatro desapareceram.  

Outro polo que apresentava hostilidades na política internacional, e careciam da 

mediação que os Estados Unidos ofereciam, era entre Israel e os palestinos, um conflito que 

parecia ter um fim promissor, pois a Noruega atuava como catalisador, criando a Declaração 

dos Princípios de Paz no Oriente Médio, que simbolizava um acordo entre a Organização para 

a Libertação da Palestina (OLP) e Tel Aviv, onde ambos reconheciam que a paz oferecia 

maior garantia de segurança. Além disso, o acordo assinado em setembro de 1993 na Casa 

Branca, determinava a saída de Israel dos territórios ocupados, a OLP reconheceria Israel 

como um estado legítimo e em retorno Israel reconheceria a OLP como sendo o representante 

legítimo do povo palestino. Nos quatro anos seguintes os acordos foram se mostrando 

infrutíferos e provando que talvez o melhor jeito dos Estados Unidos lidar com a questão da 

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paz no Oriente Médio seria não se envolver, o que se alinhava com as políticas iniciais do 

governo Clinton na limitação dos engajamentos em conflitos internacionais (DUMBRELL, 

2009, p.148). 

Colocando em prática o que representava o foco de sua política externa, a liderança da 

globalização econômica, Clinton deu continuação às discussões que já vinham sendo 

debatidas para a criação de um acordo comercial entre Estados Unidos e México. O acordo 

apresentava incertezas por parte dos norte americanos por receio de perderem seus empregos 

para a mão de obra mais barata que os mexicanos representavam. Porém não foi o suficiente 

para romper as conversações, pois em 1993 EUA, Canadá e México concluíram a negociação 

e criaram uma zona de livre comércio, o NAFTA, ou Tratado Norte-Americano de Livre 

Comércio. De acordo com Dumbrell, o novo acordo delimitava o espaço de 15 anos para 

eliminar as tarifas e os obstáculos sobre os investimentos estrangeiros diretos (2009, p. 51).  

Para vender a ideia de um livre mercado, Clinton atrelou-o à ideia de globalização, que 

já era um tema amplamente discutido nos anos 90, com o avanço tecnológico e a revolução da 

informática. Segundo Clinton o mundo estava mais conectado do que nunca, o comércio não 

era mais apenas regionalizado e sim global, assim como serviços e informações. Para o 

presidente, as mudanças sentidas nesta década eram comparáveis com as daquela da 

Revolução Industrial (EDWARDS, 2008, p.101). A escolha de criar um grupo democrático de 

livre comércio norte americano incluindo o México, serviria de exemplo para outros países 

latino americanos que buscariam seguir o mesmo caminho, além de representar um grande 

mercado para os produtos do primeiro.  

Análogo ao novo direcionamento econômico, o modo como a participação militar 

norte americana em conflitos internacionais se daria sob o governo Clinton também tomou 

uma nova forma, ou pelo menos uma nova denominação: o humanitarismo assertivo. Um 

exemplo é a operação Restore Hope, na Somália, que vivia uma guerra civil que assolava seu 

território onde era aterrorizada por milícias e pela fome, e foi iniciada em dezembro de 1992 e 

continuada sob o governo de Bill Clinton. Inicialmente a operação tinha como objetivo central 

uma missão humanitária, apenas protegendo àqueles que buscavam entregar ajuda 

internacional no país africano. O apoio era a principio concentrado no espaço aéreo, ou seja, 

os alimentos eram enviados pelas aeronaves e lançados a baixa altitude em áreas de extrema 

precariedade. No entanto, os alimentos não chegavam às mãos dos civis, sendo interceptados 

por membros das milícias. Desse modo, o governo dos Estados Unidos percebeu que o único 

13 

modo de intervir seria por meio terrestre, especialmente com o uso de seu poder de fogo 

(KALTZ, 1993, p.04). 

Assim, juntamente com as Nações Unidas, a operação para prevenir que as milícias e 

os grupos armados barrassem a distribuição de ajuda e alimentos para os somalis se iniciou, 

com tropas supervisionando a entrega destes suprimentos, tendo certeza que a ajuda chegaria 

para aqueles que mais precisavam. De inicio, este era o objetivo central. Mas em março de 

1993, a administração Clinton apoiou no Conselho de Segurança da ONU uma resolução que 

afirmava o prosseguimento da operação humanitária, contudo, expandindo para o auxílio na 

criação de um governo e instituições democráticas no território, buscando estabelecer a 

ordem. Assim, aquele objetivo inicial de Clinton em sua política externa de limitar sua 

participação internacional, mostrou-se mais uma vez infundado, tomando agora uma 

abordagem de nation-building. 

A operação foi denominada de UNOSOM. Sete meses depois da decisão no conselho 

da ONU, apoiadores do líder militar somali Mohammed Farah Aidid emboscaram soldados 

americanos, matando 18. Depois do ataque, o congresso norte americano pressiona pela 

retirada das tropas, que foi finalizada em março de 1994, muito influenciados pelo CNN 

effect. Esse efeito, nomeado pelo trabalho que a rede CNN fez durante a Guerra do Golfo, e a 

decorrência dele, instigou a população e o congresso norte americano tanto para a entrada no 

conflito somali, quanto na reivindicação para a saída dele. De acordo com Steven Livingston, 

em seu artigo de pesquisa Clarifying the CNN effect, este pode ser definido como o impacto 

que a então nova mídia de tempo real tinha sob a construção da diplomacia e da política 

externa (1997, p.01). E além de, certo modo, manipular a reação dos espectadores, esse tipo 

de mídia em tempo real também tirou a possibilidade dos decisions makers debaterem 

profundamente, pois a reação era esperada com a mesma urgência que as novas notícias 

surgiam.  

Um tópico que se mostraria de extrema importância na década seguinte, e que pode ser 

destacado como um relevante ponto na agenda política de Bill Clinton são as ameaças 

terroristas, tanto domésticas, quanto internacionais. A primeira em 1993, logo no início de seu 

mandato, uma explosão no World Trade Center, o centro comercial de Nova Iorque, matando 

seis pessoas e ferindo mais de mil. O maior choque foi a percepção da desconstrução da ideia 

de que os terroristas não seriam capazes de organizar tal ato dentro do território norte 

americano. Apesar de o presidente assegurar que estava sendo feito todo o possível para 

14 

manter os americanos seguros em seu país, um pouco mais de dois anos após o primeiro 

ataque, houve a explosão de uma bomba na frente de um prédio federal na cidade de 

Oklahoma, matando 168 pessoas. E diferente do primeiro ataque, que foi conduzido por 

estrangeiros seguidores do fundamentalismo islâmico, o segundo ataque foi comandado por 

um norte americano que buscava vingança pelas políticas que o governo havia tomado em 

países estrangeiros como o Iraque, Vietnã e Líbia.  

Para o presidente Clinton, estes ataques estavam atrelados à nova era da informação e 

como certas pessoas estavam usando da facilidade da propagação de opiniões para influenciar 

outras. Muitos tomaram o discurso de Clinton dias após o ataque em Oklahoma como uma 

ofensa à liberdade de expressão, pelo ênfase que esse deu à responsabilidade daquilo dito em 

público. Para mostrar que uma decisão havia sido tomada no que diz respeito às ameaças 

terroristas, é criada uma nova jurisdição federal para lidar com assuntos como o 

financiamento terrorista (DUMBRELL, 2009, p.136). 

Para concorrer ao seu segundo mandato, Clinton apostou em posições centristas 

naqueles assuntos considerados mais importantes aos republicanos, o equilíbrio no orçamento 

fiscal, segurança, imigração e impostos, e a fórmula adotada funcionou, sendo reeleito em 

1996. Em sua política externa o foco era a concepção de uma Europa pacífica e não dividida, 

a conquista de uma ordem de cooperação na Ásia Pacífico, a criação de meios multilaterais 

para o combate às ameaças transnacionais de segurança e a construção de uma estrutura de 

comércio para o século XXI. (DUMBRELL, 2009, p.21) 

Um novo termo denominando o papel dos Estados Unidos na segunda metade dos 

anos 1990 era a de “Estado indispensável”, termo que foi de certo modo atribuído à nova 

secretária de Estado Madeleine Albright. Em sua autobiografia de 2013, Madam Secretary, 

Madeleine esclarece que apesar dos Estados Unidos terem muito em comum com muitos 

países, ele era único em poder e influência, e por isso deveria exercer o papel de guia e 

mediador internacional (p.553). E oportunidades não faltaram para o país demonstrar esse seu 

papel autodeterminado. 

Um exemplo foi o crash financeiro da Ásia que iniciou na Tailândia em 1997 e se 

espalhou para outras economias do leste asiático. No inicio, a resposta norte americana foi 

através do Fundo Monetário Internacional (FMI), enviando auxílio em partes. Já em junho de 

1998, o Tesouro dos EUA investiu dois bilhões de dólares em nome do iene japonês, 

15 

recebendo uma vasta repercussão negativa do congresso e do povo, e tendo como apoio 

grandes companhias do país. Por fim, o chamado bailout dos Estados Unidos em território 

asiático totalizou mais de 22 bilhões de dólares.  

Seguindo a expansão da participação financeira em outras economias, e o crescimento 

do Conselho Econômico Nacional (CEN), que buscava levar em consideração políticas 

econômicas em todas as decisões presidenciais, outra prioridade era vista nos “dez grandes 

mercados emergentes”, que incluíam China, Índia, Brasil, Indonésia, México, Turquia, Coreia 

do Sul, África do Sul, Polônia e Argentina, e na ampliação do envolvimento norte americano 

nestas (DUMBRELL, 1997, p.182). Segundo Robert Reich, então secretário do trabalho no 

governo Clinton, a administração deste foi a mais favorável aos negócios até então na história 

americana. Isto porque, durante seu mandato, em torno de 500 acordos bilaterais ou regionais 

foram construídos em relação ao livre comércio e à comercialização de produtos norte 

americanos específicos.  

Além da intervenção econômica, o então presidente buscava continuar com a expansão 

da democracia, pois para ele esse era o caminho para um país mais aberto e disposto a 

construir acordos comerciais e políticos. Assim, em um discurso, sobre sua política externa, 

em 1999 na cidade de São Francisco, Clinton apontou como um desafio para o novo século, 

guiar antigas inimizades, a Rússia e a China, para o sistema internacional como países abertos 

e estáveis. A seu ver, o modo como estes se desenvolvessem na década seguinte, significaria 

um grande impacto em todo o mundo, o que se mostrou verdadeiro com a ascensão da China 

como a segunda maior economia global.  

Porém o clima no âmbito doméstico começou a ser afetado por uma série de acusações 

contra o presidente a cerca de alegados episódios de assédio sexual e mau comportamento que 

o acompanhavam desde antes de ser eleito ao primeiro mandato. Em 1997, Paula Jones, uma 

das acusadoras contra Bill Clinton, consegue na Suprema Corte continuar com o processo 

contra o presidente, mesmo este ainda exercendo o cargo. Durante a construção da ação legal 

o caso de Monica Lewinsky com Clinton vem à tona e é adicionado à bola de neve, que acaba 

se tornando o foco da política norte americana até o fim de 1998, com o presidente 

confessando o relacionamento com a ex-estagiária. Como Clinton no começo das 

investigações havia negado qualquer envolvimento com Lewinsky, Kenneth Starr que servia 

como promotor do caso entendeu que existia base para um processo de impeachment contra o 

então presidente, pelo crime de perjúrio sob juramento e obstrução da justiça ao lidar com 

16 

possíveis testemunhas. O julgamento então foi para o Senado, e lá, Clinton foi absolvido das 

acusações que segundo os senadores eram de mau-gosto e envolvia assuntos privados do 

presidente. Assim, Clinton continuou no cargo restando-o ainda dois anos para cumprir em 

seu mandato (RILEY, 2018).  

O seu próximo contratempo viria a ser os ataques das forças iugoslavas nos Balcãs, 

mais especificadamente no território do Kosovo. Para o Congresso, o presidente deveria 

tomar a iniciativa de participar de mais um conflito para o bem da população kosovar. A 

intenção era de que a interferência da OTAN, liderada pelos Estados Unidos, no conflito iria 

deter os crimes contra a humanidade cometidos ali pelo Estado, dentro de sua própria 

fronteira (ROBERTS, 1999, p.102). O conflito foi denominado com a primeira guerra 

humanitária, pois tinha como objetivo o impedimento antecipado da morte e expulsão de 

sérvios do que era ainda uma província da Sérvia. O que se mostrava incoerente, pois estava 

sendo usados princípios dos direitos humanos como base para iniciar uma guerra. 

As forças aéreas depreendidas duraram 78 dias, e apesar de muitos desacreditarem que 

apenas ataques aéreos seriam o suficiente para a Sérvia aceitar a assinatura de um acordo, em 

junho de 1999 o mesmo acontece. As condições estipuladas foram as da saída integral do 

exército sérvio de Kosovo, sendo substituído por uma força da OTAN, e o apoio da ONU com 

tropas de peacekeeping e assumindo o controle da administração do território (DUMBRELL, 

2009, p. 96-97). 

Assim finaliza o segundo mandato de Bill Clinton, incompleto no que diz respeito às 

suas propostas de superar a política de poder do pós Guerra Fria, o unilateralismo e a 

remilitarização. Porém construiu fortes relações políticas e principalmente econômicas com 

países emergentes. Mas como sempre, muitos não estão satisfeitos e colocam no próximo 

candidato a responsabilidade de continuar o serviço e melhora-lo. Assim foi para Henry 

Kissinger, antigo secretário de Estado, que pronunciou que a política externa de Clinton foi “a 

series of seemingly unrelated decisions in response to specific crises” (THE ECONOMIST, 

2000). 

O republicano George W. Bush sucede Bill Clinton, vencendo o antigo vice-presidente 

democrata Al Gore, em uma eleição controversa envolvendo as novas cédulas de votação e a 

recontagem de votos do estado da Flórida. Estes impasses se mostrariam um prenúncio do 

governo atribulado de Bush. A política externa de Bush era guiada pelos preceitos 

17 

neoconservadores que presavam o nacionalismo assertivo, o militarismo e o universalismo 

imperial que doutrinava a democratização e uma hegemonia benevolente (PELEG, 2018, 

p.68). Bush pôde colocar em prática estes seus princípios logo no primeiro ano de seu 

mandato, respondendo aos ataques, que abalariam os Estados Unidos e o mundo, de 11 de 

setembro de 2001.  

Em fevereiro do mesmo ano, aeronaves norte americanas e britânicas bombardearam 

alvos ao sul do Iraque que realizavam operações aéreas, com uma alta frequência e cada vez 

com maior sofisticação. O ataque foi denominado de legítima defesa e foi reforçada a 

execução da zona de exclusão aérea que já existia no local. Estes ataques foram somados a já 

longa lista de conflitos entre iraquianos e os Estados Unidos (NEWBOLD; QUIGLEY, 2001). 

Além da ameaça no Oriente Médio que o Iraque representava, os Estados Unidos 

lidava com o desdobramento de suas relações com a China. Em abril, uma aeronave espiã 

norte americana foi abatida por um jato chinês, enquanto sobrevoava a região do mar do Sul 

da China, forçando o pouso em solo chinês. O incidente abala ainda mais a relação 

diplomática entre os dois países, pois os Estados Unidos exige o retorno do avião e sua 

tripulação. A situação deteriora quando, em uma entrevista ao programa Good Morning 

America da rede americana ABC, Bush deixa claro que faria “whatever it took to help Taiwan 

defend herself”, caso a China atacasse o território taiwanês. Essa franqueza foi sem 

precedentes, pois nas declarações presidenciais a oposição à China foi sempre feita 

implicitamente. 

George Bush também não perdeu tempo ao por em prática sua visão mais 

unilateralista quando se tratando dos acordos internacionais que, no ultimo mandato, Clinton 

buscou consolidar e fortificar. Já no terceiro mês de sua posse, o presidente abandona a 

ratificação do Protocolo de Quioto, que buscava limitar as emissões industriais de gases 

tóxicos para reduzir o aquecimento global. Além desse acordo, Bush desliga-se do pacto para 

controlar o tráfico de armas de pequeno porte, o novo protocolo da Convenção de Armas 

Biológicas, o tratado de interdição dos ensaios nucleares e o tratado que estabelece a Corte 

Penal Internacional. Essa série de desligamentos foi nomeada de “Só diga não” (“Just say 

no”) (DAALDER; LINDSAY, 2003, p.112). 

Mas o maior teste do governo Bush ainda estava por vir. No dia 11 de setembro de 

2001 um avião comercial se choca contra a torre norte do World Trade Center, localizado no 

18 

distrito financeiro de Nova Iorque. A princípio tinha sido suposto que se tratava de um 

acidente. Menos de vinte minutos depois outro avião comercial se choca com a torre sul. E 

mais trinta e cinco minutos mais tarde um terceiro avião colide com o Pentágono em 

Washington DC. George Bush, que estava visitando uma escola primária na Flórida, é 

informado dos ataques e faz a declaração de que o terrorismo contra a nação não iria ser 

tolerado. Assim, o presidente é evacuado para a base da Força Aérea localizada na Louisiana, 

pelo risco que Washington estava correndo, e coloca todas as forças americanas ao redor do 

mundo em alerta máximo, prometendo caçar os responsáveis pelos ataques (ATKINS, 2008, 

p.352-358). No total, quase três mil pessoas perderam suas vidas nos atentados de 11 de 

setembro. 

Nas semanas seguintes, o presidente Bush se mostra presente, visitando os locais dos 

atentados, e conversando com aqueles que haviam sido afetados. No dia 20 de setembro, 

durante uma sessão conjunta do Congresso, o presidente responsabiliza Osama bin Laden e a 

Al-Qaeda pelos atos terroristas, e apresenta os planos do governo para derrotar o terrorismo e 

seus perpetradores, chamando todas as nações do mundo para lutar ao seu lado na guerra ao 

terror.  

Como resposta ao pronunciamento de Bush, o regime afegão deixa claro que não iria 

entregar a liderança da Al-Qaeda. A reação do governo norte-americano, juntamente com 

aliados britânicos é o bombardeamento, e mais adiante, a invasão do Afeganistão para dar 

apoio às forças militares anti-Talibã da Aliança do Norte. Essa força conjunta foi denominada 

de Operação da Liberdade Duradoura (Operation Enduring Freedom), e conseguiu 

inicialmente remover o Talibã do poder e abalar a Al-Qaeda. Porém, as forças insurgentes do 

país continuaram a se rebelarem, com o apoio da corrupção que crescia dentro das forças 

armadas e policiais do Estado afegão (NHHC, 2017). 

No discurso proferido antes de uma sessão conjunta do congresso, em janeiro de 2002, 

George W. Bush se pronuncia acerca dos ataques no Afeganistão, e afirma que a guerra contra 

o terror está apenas começando. Além das tropas no território afegão, havia ainda forças 

americanas espalhadas pelo mundo, nas Filipinas, na Bósnia e na Somália, lutando contra os 

contingentes terroristas. E, além disso, o presidente define como objetivo a prevenção do 

desenvolvimento de armas de destruição em massa, que Estados como a Coreia do Norte, o 

Irã e o Iraque buscavam desenvolver, e que por isso recebem a denominação de “eixos do 

mal” (GREENSTEIN, 2003, p. 12).  

19 

Além das medidas tomadas no âmbito da política externa, Bush não deixa a política 

doméstica para trás quando se trata do combate ao terrorismo. Para isso é criado o Ato 

Patriota, que nominalmente tinha como objetivo “preservar a vida e a liberdade”. O Ato 

passou tanto pelo senado quanto pelo congresso com uma ampla margem de aceitação, 

recebendo o apoio de membros do governo das mais variadas doutrinas políticas. Em tese a 

lei permitia entre muitos pontos, como são citados no livro de 2006 “Hegemony or Empire?”, 

o aumento da autoridade do governo para coordenar investigações e monitoramento dos 

cidadãos norte-americanos, além de acessar documentos pessoais, deter acusados de 

conspirações terroristas sem notificação anterior, deportação de imigrantes sem audiências 

apropriadas, e a expansão da definição do próprio termo terrorismo, para incluir protestos e 

desobediência civil (DAVID; GRONDIN, p. 56). 

O governo norte-americano, que por muitos anos deu preferência à dissuasão quando 

tratava de Estados inimigos muda sua abordagem no pós 11/09, pois aguardar a comprovação 

da existência de perigo iminente poderia significar outro atentado inimaginável. Assim as 

políticas preventivas foram iniciadas. A mais importante delas, e muito controversa, foi à 

invasão ao Iraque, que representava uma ameaça, pois era denominado não apenas um 

patrocinador do terrorismo, com a suspeita de ter participado do ataque terrorista em 2001, 

mas também buscava ativamente armas de destruição em massa, além do histórico que o país 

já tinha na participação da Guerra do Golfo. O presidente Bush declarou que Saddam 

Hussein, então presidente do Iraque, deveria permitir a entrada de inspetores no território 

iraquiano para mostrar se havia ou não produção de armas de destruição em massa.  

Buscando apoio para iniciar uma ação mais concreta contra o Iraque, Bush faz um 

discurso televisionado, em outubro de 2002, na cidade de Cincinnati, direcionado a todos os 

norte-americanos, delimitando as ameaças que aquele país e seu presidente representavam 

para a liberdade dos Estados Unidos. No discurso o então presidente identifica e rastreia na 

história daquele país, outras ocasiões de agressão, e relembra que uma das condições para o 

fim da Guerra do Golfo Persa era a eliminação e finalização de toda produção de armas de 

destruição em massa e o fim do apoio a grupos terroristas. Citando um inspetor de armas da 

ONU, Bush deixa claro sua posição em relação à Hussein como o problema fundamental 

daquele país sendo a própria natureza de seu regime e de seu líder, um ditador homicida 

(ESTADOS UNIDOS, 2002). 

20 

Além de buscar apoio civil, Bush também apela ao Conselho de Segurança da ONU, 

onde indica claramente sua intenção de por em prática ações militares contra o Iraque, para 

que esse acatasse enfim as resoluções impostas pela ONU. Se não houvesse apoio dos outros 

membros da organização, o presidente deixa claro que iria em frente com sua decisão sozinho. 

Apesar de encontrar reservas no uso de força militar por parte de membros permanentes como 

a França e Rússia, ambos concordam com a retomada das inspeções no território iraquiano, e 

reconhecem que houve violações às resoluções anteriores do Conselho de Segurança. 

Em outubro do mesmo ano é aprovado no Senado e na Câmara a resolução 

autorizando o uso de força contra o Iraque uma vez que todas as opções diplomáticas haviam 

sido exauridas, com o fim de desarmar o regime das armas de destruição em massa. Porém, 

dando então continuação às inspeções, não foram encontradas evidências de que no território 

iraquiano havia estas armas ou algum tipo de projeto em andamento para a construção destas. 

Como Ritchie e Rodgers esclarecem em seu livro de 2007, The Political Road to War with 

Iraq, “Iraq had to prove that it did not have WMD or WMD programmes and no amount of 

inspections would be enough to convince the administration that Iraq did not have WMD” 

(p.108). 

Depois de meses debatendo sobre a abordagem apropriada, em março de 2003, o 

presidente Bush faz um ultimato, dando ao líder iraquiano e seus filhos quarenta e oito horas 

para deixar o país, ou dar-se-ia início à intervenção militar. Como estes escolheram não 

cumprir àquela ordem, foi então , no dia 19 de março, iniciada a Guerra ao Iraque. Entrando 

na guerra com a expectativa de que o combate seria rápido e seus inimigos fracos, o exército 

norte-americano e seus aliados tiveram suas perspectivas subvertidas quando se viram 

comprometidos não apenas pela força iraquiana, que não se integrava apenas do exército 

como também de grupos guerrilheiros, mas ainda de fenômenos da natureza, como 

tempestades de areia.  

Enquanto a guerra se desdobrava no Oriente Médio, milhões de pessoas marchavam 

demonstrando seu descontentamento com a decisão de Bush de ir em frente com o ataque, não 

apenas nos Estados Unidos, mas ao redor do mundo. Os principais pontos de insatisfação 

eram a rapidez em que se foi decidido pelo início da guerra e o interesse oculto norte

americano à invasão do território iraquiano com o intuito de se apossar dos extensos campos 

de petróleo locais. Apesar dos protestos ficarem marcados na história como um dos maiores 

de todos os tempos, o índice de aprovação do presidente Bush não sofreu oscilações 

21 

significativas durante a guerra, de acordo com os dados oferecidos pelo site de análise Gallup, 

passando de 71% no inicio, para 69% no mês de maio, quando Bush declara que as principais 

operações de combate foram finalizadas.  

Apesar de atingir o propósito de derrubar o regime de Saddam Hussein do Iraque, a 

ameaça não podia ser considerada finalizada pois o ditador havia sobrevivido aos ataques, e 

passou a se esconder.  Enquanto Hussein estivesse vivo, havia a iminente possibilidade do seu 

retorno ao poder. Assim, novos ataques foram lançados em locais em que a inteligência 

americana acreditava que Hussein e seus aliados estavam. Em julho de 2003 foi noticiada a 

morte dos filhos do ditador por forças americanas, mas o seu paradeiro continuava sendo um 

mistério.  

No âmbito doméstico, o governo de Bush lidava com o escândalo, no ano de eleições, 

que espalhou pela mídia quando, no início de 2004, veio à tona histórias que afirmavam que 

prisioneiros de Abu Ghraib, prisão no território iraquiano, estavam sendo abusados, torturados 

e humilhados pelos guardas norte americanos, que faziam parte do exército. Como agravante 

da situação, surgiram fotos e vídeos que os próprios suspeitos registraram. Quando ficou claro 

que uma rede de televisão estava em posse destas provas, o pentágono entrou em contato para 

convencê-los a não publicar a história com medo de que inflamasse ainda mais os ânimos no 

Iraque. Além disso, havia ainda a preocupação com a segurança dos reféns norte americanos 

mantidos em cativeiro pelos terroristas. Porém em abril do mesmo ano a história foi 

publicada, recebendo uma grande onda de desaprovação, tanto externa quanto internamente. 

Na mídia internacional, principalmente árabe, houve extensas críticas direcionadas ao exército 

estadunidense, ponderando que o escândalo poderia aumentar as tensões na região (DADGE, 

2006, p. 84 e seg.). 

Em outubro daquele ano, o canal televisivo Al-Jazeera transmite uma filmagem de 

Osama bin Laden onde ele se direciona para toda a população norte-americana, os 

aconselhando em como prevenir outro ataque como àquele de 11 de setembro de 2001. De 

acordo com seu discurso, a decisão de seguir em frente com o ataque se deu pela “opressão e 

tirania” que se resultou da aliança entre Estados Unidos e Israel contra a Palestina e Líbano. 

Além disso, ele ainda aponta que Bush deu prioridade ao interesse privado das grandes 

corporações aos interesses do povo, quando decidiu pela invasão ao Iraque, isso porque sua 

ambição era “o ouro negro, como bin Laden o chama. Bush se mantém firme com sua posição 

de que a Guerra no Iraque era central para a guerra ao terror havendo um grande sismo entre 

22 

as opiniões republicanas e democratas sobre o assunto. Com isso, a eleição daquele ano foi a 

mais dividida entre os partidos, com Bush entrando no seu segundo turno com aprovação 

democrata caindo cada vez mais (EDWARDS III; KING, 2007, p.282). 

Uma das mudanças que o segundo termo de Bush trouxe foi um novo secretário de 

estado, que até então tinha sido exercido por Colin Powell, e agora seria de Condoleezza Rice. 

Sob a gestão de Rice a administração se tornou mais diplomática, e uma das primeiras ações 

do governo neste novo mandato foi uma viagem diplomática à Europa para apaziguar relações 

com a Rússia, Alemanha e França após a Guerra no Iraque. Outro objetivo de Rice era o 

fortalecimento das relações com a Índia, concordando em desenvolver vínculos comerciais no 

mercado de tecnologia nuclear civil. Mas esta aproximação tinha razões além do comércio, 

porque uma Índia desenvolvida representaria um contrapeso para a China. 

Outra política voltada para o continente asiático foi à aprovação de uma declaração 

conjunta entre os membros do Grupo dos Seis, que além dos Estados Unidos, incluíam a 

Coreia do Sul, Coreia do Norte, China, Japão e Rússia. Essa declaração deu oportunidade para 

que os membros pudessem negociar sobre desnuclearização, garantias de segurança, e acima 

de tudo, uma cooperação que buscava a paz duradoura no nordeste asiático (VAN DER 

PUTTEN, 2008, p.45). Bush também se reuniu com o primeiro ministro do Vietnã, com quem 

buscava desenvolver além de uma relação comercial, mas também enfatizar o tratamento que 

aquele país dá aos direitos humanos e às minorias étnicas e religiosas. O presidente reforçou a 

ideia de que para o vínculo norte-americano e vietnamita se desenvolver, é preciso o 

comprometimento com a liberdade e a democracia.  

É também no governo Bush que se inicia a reforma do sistema de imigração e no 

controle de fronteiras, principalmente àquela com o México. Em 2006 Bush assina um ato 

para a construção de mais de 1.000 quilômetros adicionais de barreira na fronteira entre os 

dois países, além de aumentar veículos de patrulha e agentes patrulheiros. Apesar de 

endurecer as leis, Bush era contra um programa de deportação em massa, e acreditava que um 

projeto de trabalho temporário satisfaria a necessidade da economia norte-americana e 

diminuiria as taxas de imigração ilegal.  

As eleições de 2008 trariam aos eleitores norte-americanos a promessa de mudança. 

Isso porque Barack Obama, que concorria pelo partido democrata, representava um poder que 

há muito não se via no governo. Era jovem, carismático, moderno, e conseguiu criar um canal 

23 

de comunicação direto com seus eleitores através das redes sociais. Além disso, foi o primeiro 

presidente negro dos Estados Unidos. Em sua autobiografia Madeleine Albright descreve que 

a sensação no dia em que Obama tomou posse era de promessa, oportunidade e esperança. 

Para muitos significava uma oportunidade para restaurar a reputação do país que estava muito 

além de desgastada, e esperança de que, apesar de sua vitória não apagar os fantasmas da 

segregação racial do passado, o futuro poderia trazer mudanças positivas (2013, p.561). 

Ao contrário da antiga administração, Obama daria mais ênfase na diplomacia e na 

cooperação com seus aliados, onde Bush fazia uso excessivo do poder militar. Em seus 

discursos, Obama deixava claro que construiria suas políticas com base no diálogo e na troca 

de ideias, ouvindo a opinião de outros. Isso se mostrou verdadeiro quando participou da 

primeira discussão online da Casa Branca onde o publico podia enviar perguntas sobre seu 

governo e o presidente respondia em uma transmissão ao vivo. Essa estratégia buscava maior 

transparência na tomada de decisões e ainda dava a Obama uma imagem mais acessível, 

ganhando apoio público, 

Seguindo a estratégia da construção do diálogo e do uso do soft power para legitimar a 

posição dos Estados Unidos, Obama discursa na universidade do Cairo sobre a proposta de 

um novo começo para seu país e muçulmanos ao redor do mundo, reconhecendo que o 

passado conflituoso e pontuado de guerras colonialistas e religiosas existiu e não vai ser 

mudado da noite para o dia, mas que com respeito e tolerância, os países possam colaborar e 

alcançar a justiça e a prosperidade. Obama também pontuou a controversa decisão de iniciar a 

Guerra no Iraque, apesar de acreditar que o país proverá sem a presença tirânica de Saddam 

Hussein, onde, para ele, o uso da diplomacia e do consenso internacional deveria ter sido 

usado para resolver os problemas no âmbito internacional (ESTADOS UNIDOS, 2009). 

Obama também ressaltou o conflito entre Israel e Palestina, dois povos com 

legitimidade para com um território, que por muitos anos não conseguem chegar a um acordo 

para a resolução do impasse. Para o presidente a única solução seria que as duas partes 

concordassem na criação de dois Estados separados, onde ambos palestinos e judeus 

pudessem viver em paz e segurança. Como consequência da sua participação na resolução de 

conflitos internacionais, talvez no que seria uma das maiores representações físicas do soft 

power que Barack Obama encarnava, foi a sua premiação pelo Nobel da Paz, estando a menos 

de um ano no cargo. Em outubro de 2009, o comitê do Nobel da paz viu nos esforços do 

presidente para o fortalecimento da diplomacia e cooperação internacional e na importância 

24 

que este dava para um mundo sem armas nucleares e conflitos bélicos, o representante do 

prêmio naquele ano.  

Os esforços para a redução dos armamentos nucleares deram sequência com a sanção 

do tratado sobre Medidas para a Redução e Limitação Adicionais de Armas Estratégicas 

Ofensivas (New Start), entre Estados Unidos e Rússia. Ambos concordaram com a redução da 

reserva de armamentos e definiram limites que poderiam ser inspecionados, mantendo a 

transparência do monitoramento.  

Outro importante marco na administração de Obama contra o terrorismo foi a 

reinterpretação deste. Desde suas campanhas alguns de seus principais pontos eram o 

encerramento das atividades da prisão de Guantánamo, o fim da tortura e a suspensão do uso 

do termo “guerra ao terror” ao se referir às ações contra o terrorismo. Agora, para evitar 

englobar todas as atividades e grupos terroristas sob uma mesma égide, usar-se-ia o termo 

“operações de contingência no exterior”. Apesar do termo não ter sido aderido, os esforços 

continuaram, e em maio de 2011, em um discurso direcionado para toda a nação, Barack 

Obama anuncia a morte de Osama bin Laden, líder da Al Qaeda, como resultado de uma 

operação conduzida pelos oficiais norte-americanos no Paquistão (DAVIS, 2011, p.170). 

Como continuação nos esforços estrangeiros para a finalização dos conflitos internacionais, 

Obama ainda cumpre com a promessa de retirar os últimos contingentes militares do território 

iraquiano, colocando um fim a guerra que durou mais de oito anos.  

Com o fim de seu primeiro mandato em 2012, Obama encerrava o ano com 53% de 

aprovação, de acordo com dados fornecidos pelo Gallup, avançando para o seu segundo 

mandato após ganhar as eleições contra o candidato republicano Mitt Romney. Logo no 

primeiro mês de sua reeleição Obama apresenta uma reforma de quatro partes para a 

imigração: o fortalecimento das fronteiras; a repreensão às empresas que usam força de 

trabalho imigrante ilegal; resposta judicial àqueles imigrantes ilegais presentes no território 

norte-americano, os responsabilizando ao pagamento de impostos e de multas e passar por 

verificações de antecedentes; e a simplificação do sistema imigratório para famílias e 

trabalhadores (ESTADOS UNIDOS, 2013). 

De acordo com Julian E. Zelizer, em seu livro de 2018, The Presidency of Barack 

Obama: A First Historical Assessment, durante a administração de Obama, mais de 2.5 

milhões de imigrantes ilegais foram removidos do território norte-americano. Mas foi também 

25 

no seu governo, e com o uso de sua ordem executiva, que o DACA, lei que possibilitava aos 

imigrantes de até 31 anos que estavam no país por pelo menos cinco anos, e que chegaram 

com pelo menos 16 anos, permanecerem nos Estados Unidos sem perigo de deportação, 

renovando sua documentação a cada dois anos (p.143 e seg.).  

Além da imigração, outro tópico controverso que Obama lidou foi com o plano 

climático. Para os Estados Unidos, um país vigorosamente capitalista, aceitar que é necessária 

a diminuição da emissão de gás carbono, era necessário um presidente com fortes convicções 

e grande força de vontade. E foi no seu segundo termo que Obama decidiu que era hora de 

enfrentar o problema. Em seu plano, o presidente enfatiza a necessidade de diminuir as 

emissões de carbono, para isso, um subsídio para a criação e desenvolvimento de novas 

plantas de energia renováveis, e também a preparação para as mudanças climáticas que já 

estão sendo sentidas e ainda a maior participação nas discussões internacionais para a 

cooperação nas alterações climáticas globais.  

É neste mesmo passo que Obama participa do Acordo de Paris, dando continuação aos 

seus esforços em posicionar os Estados Unidos como um país cooperativo e multilateral. 

Além disso, o presidente assume que o país tem uma grande responsabilidade para com as 

emissões de carbono, por ser um grande produtor industrial e agropecuário, onde ele e a China 

contabilizavam 38% das emissões globais. Ambos os países, e mais 193 aceitaram participar 

do acordo (ZELIZER, 2018, p.66). 

Um dos momentos em que a abordagem pela diplomacia foi considerada falha foi para 

lidar com a Crise na Crimeia. Para Obama, uma nova Guerra Fria não era viável para a 

resolução dos conflitos. O perigo nas ameaças de ataques nucleares eram grandes demais para 

correr o risco, respondendo assim apenas com sanções financeiras. Enquanto isso Vladimir 

Putin, presidente da Rússia, desenvolvia um crescente apoio para o candidato a tomar a vaga 

de Obama nas próximas eleições: Donald Trump. 

3. O SOFT POWER NO PRIMEIRO ANO DO MANDATO DE DONALD 

TRUMP (2017-) 

As eleições presidenciais norte-americanas de 2016 estiveram no centro das atenções 

não apenas no foco político, mas em todos os âmbitos, desde econômico até cultural. A 

competição estava acirrada entre a candidata democrata Hillary Clinton, primeira mulher 

nomeada por um grande partido, e o candidato republicano Donald Trump, que por muito 

26 

tempo não foi levado a sério por não ter um histórico militar ou político, e também pelo o que 

a sua figura pública representava. Muitas controvérsias surgiram durante a campanha, 

principalmente pelo fato de que Trump era um usuário assíduo das redes sociais, em 

específico o Twitter, plataforma onde em 280 caracteres, o candidato não media suas 

opiniões, e falava sem filtro sobre sua adversária e qualquer outro tema em que se sentia 

intitulado.  

Quando em novembro daquele ano Donald Trump venceu as eleições, foi com uma 

onda de incredulidade que a notícia foi recebida. Incredulidade e incertezas, porque após sua 

vitória, veio à tona um escândalo que colocou sua posição em cheque. Isso porque a Rússia 

foi acusada de interferir na eleição presidencial, ajudando na campanha de Trump, cometendo 

fraudes no Facebook e Twitter e vazando documentos do partido democrata. Tudo isso 

sorrateiramente. Trump apesar de ser eleito pelo colégio eleitoral perdeu no voto popular, 

deixando clara a opinião da maioria dos eleitores.  

Em seu discurso inaugural, Trump reforça a ideia que ele já vinha demonstrando 

durante sua campanha com o slogan “Make America Great Again” (torne a América boa 

novamente), de que a sua administração será “America First” (América em primeiro lugar), 

dando voz àqueles que classificavam o candidato como populista e nacionalista de direita. 

Além disso, Trump ainda enfatiza a necessidade de priorizar o processo industrial e comercial 

do país, produzir em solo americano, com força de trabalho americana e no final, 

comercializar os produtos no próprio território norte-americano (ESTADOS UNIDOS, 2017). 

Tudo isso foi de encontro com os pontos que Donald Trump deixava claro em seus 

discursos, entrevistas e comícios: que ele protegeria com toda força as fronteiras dos Estados 

Unidos, tendo como ponto central a controversa construção de um muro na fronteira dos 

Estados Unidos com o México. Porém não seria apenas a fronteira terrestre que receberia 

mais atenção da segurança nacional, mas também os processos de imigração sofreram duras 

sanções logo no início de seu mandato. A suspensão da emissão de vistos para imigrantes 

oriundos de países do Oriente Médio e até mesmo a proibição da entrada destes no território 

norte americano foi determinada em uma ordem executiva sob o nome de “Protegendo a 

nação de terroristas estrangeiros a entrar nos Estados Unidos”. O Irã, Líbia, Somalia, Síria, 

Iêmen, Venezuela e Coreia do Norte foram os países mais afetados pelo banimento. Além da 

emissão de vistos, o programa de admissão de refugiados também foi suspenso (ESTADOS 

UNIDOS, 2017). 

27 

Esta decisão teve enormes repercussões dentro do território norte americano, milhares 

de pessoas protestaram nos aeroportos onde imigrantes eram detidos diariamente, sem poder 

entrar no país. Para muitos o banimento ia contra a ideia de que os Estados Unidos é um país 

com um passado que foi construído por imigrantes. O principio de liberdade e democracia que 

o país prega como incontestável estava sendo testado, e representava apenas o primeiro de 

muitos danos que o soft power americano iria sofrer ainda nesta administração. 

Outra demonstração contrária ao governo Trump, logo após a sua tomada de posse foi 

a Marcha das Mulheres, que representava uma miríade de questões progressistas, de aborto 

legal, direitos de votos, assistência médica para todos, igualdade racial e de gênero até a 

proteção ao meio ambiente. Para os protestantes, Trump encarna tudo aquilo que eles lutam 

para mudar, um misógino intolerante. A desaprovação aumentou após vir à tona uma 

gravação em que Trump faz comentários contra as mulheres, e diversas acusações de 

mulheres de conduta sexual imprópria contra ele. 

Ainda em junho de seu primeiro ano no governo, Trump anuncia que os Estados 

Unidos iria se retirar do Acordo de Paris, tratado que está no âmbito da ONU e visa diminuir 

as emissões dos gases estufa. Para o presidente, o tratado afetava a economia e a soberania 

norte-americana, impondo padrões impossíveis de serem alcançados pelas indústrias e 

trabalhadores do país. As reações foram todas contrárias à decisão do presidente. Os outros 

países membros do tratado negaram a possibilidade de renegociação das emissões. Grandes 

empresários do país também deixaram claro que apesar do governo não fazer mais parte do 

tratado, suas empresas continuariam a diminuir as emissões de gases poluentes de forma 

privada (SHEAR,2017). 

Com o clima doméstico ficando cada vez mais incerto, os grupos ultranacionalistas 

ganharam mais adeptos e se tornaram mais pros a cometer atrocidades nas ruas em  passeatas 

e protestos pelo país. Para esses grupos, o governo Trump acabava sendo um exemplo a ser 

seguido, encontrando um maior espaço para certificar suas crenças e atos, usando como 

justificativa o patriotismo e o amor nacionalista pelo seu país. Os imigrantes, negros, 

homossexuais, feministas, são seus inimigos, e inimigos da liberdade de seu país. Trump, ao 

invés de repudiar o comportamento e os crimes muitas vezes cometidos nessas passeatas, 

defendia os nacionalistas dizendo incluir “boas pessoas”. Enquanto isso, imigrantes ilegais 

eram deportados às centenas em ataques surpresas através do país.  

28 

Porém não apenas imigrantes ilegais. Donald Trump revogou a validade do programa 

DACA (Deferred Action for Childhood Arrivals), programa este que permitia que crianças 

imigrantes que chegaram ao país ilegais fossem protegidas da deportação quando adolescentes 

e jovens adultos. O programa que havia sido criado sob a administração de Barack Obama foi 

abolido por aumentar a insurgência de crianças desacompanhadas na fronteira sul do país e 

pela ameaça que estes imigrantes se tornariam quando entrassem no mercado de trabalho, 

teoricamente tomando vagas de trabalho que iriam para nativo americanos. Ou esta foi a 

justificativa usada pelo governo ao acabar com o DACA. Como o programa requere que os 

imigrantes renovem seu pedido de permanência no país a cada dois anos, o futuro de milhares 

de jovens é incerto.  

Muitas manifestações contra as ações do presidente Trump foram noticiadas na mídia, 

o soft power do presidente a este ponto já estava inexistente. A aprovação do presidente no 

fim do seu primeiro ano de mandato estava em 39% de acordo com dados fornecidos pelo 

Gallup. O que ficou claro foi que todos aqueles com visibilidade e com uma plataforma em 

que pudesse expor sua opinião contra os rumos em que o presidente estava levando seu país 

assim o fizeram. Atores durante as premiações da televisão e do cinema citaram o banimento 

aos imigrantes de países árabes, a criação do muro na fronteira com o México, e na 

importância da tolerância e empatia. Os atletas da NFL (Liga Nacional de Futebol 

Americano), e mais tarde atletas de outros esportes, começaram a se ajoelhar durante o hino 

nacional como forma de protesto ao uso indiscriminado de violência contra negros por 

policiais e a opressão às pessoas de cor.  

Em novembro de 2017, Trump parte para uma viagem em que visita cinco países 

asiáticos com o objetivo de fortalecer as cooperações diplomáticas e econômicas. O interesse 

principal era consolidar as relações com aqueles países para juntos, resolver a 

desnuclearização da Coreia do Norte, e ainda promover uma abertura na região Indo-Pacífica 

e avançar nas trocas comerciais. Com a sua popularidade em crescente declínio, o resultado 

da viagem era um tanto quanto incerto, pois a influência norte-americana na Ásia aparentava 

certa decadência. O presidente deixou a Parceria Transpacífica de lado, priorizando acordos 

comerciais bilaterais, o que não afetou o andamento dos acordos multilaterais desenvolvidos 

pelos países daquela parceria.  

O último momento chave do primeiro ano do mandato de Donald Trump foi o 

reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel, planejando a transferência da embaixada 

29 

norte-americana de Tel Aviv para a cidade santa. A mudança vem depois de décadas 

rejeitando o reconhecimento por causa dos incessantes conflitos entre Israel e palestinos. Para 

Trump, a oficialização do reconhecimento representaria um passo mais próximo da paz. O 

que acabou não sendo a realidade. A reação dos Estados e organizações internacionais foi de 

críticas e repreensões, com receio de uma escalada de tensões na região, e que para muitos o 

único resultado satisfatório seria com uma solução de dois Estados, com Jerusalém sendo uma 

capital compartilhada entre ambos. 

Assim os Estados Unidos entra em 2018 sob um governante imprudente, com a 

reputação do país refletindo à de seu presidente. O país não mais representa os valores 

ocidentais e o símbolo de estabilidade e liderança, que por tantos anos fez parte de sua 

trajetória. O clima internacional é imprevisível e de incertezas, não existindo mais espaço para 

discussões multilaterais. O soft power estaria danificado ao ponto de não haver mais retorno? 

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS 

O soft power dos Estados Unidos mesmo quando não exposto com letras garrafais para 

o mundo, esteve de certo modo sempre presente impregnado nas políticas dos governantes 

analisados no presente trabalho. Isso se dá em parte pelo poder global que o país exerce no 

âmbito internacional, oriundo de anos e anos trabalhando para estar sempre à frente das 

negociações, dos pactos, das tomadas de decisões. O próprio país emana uma aura de 

dominância e progresso. 

Desse modo, analisar as escolhas dos chefes de governo e julgar se foram as mais 

apropriadas para o clima político fica mais fácil quando as consequências para aquelas 

decisões já foram finalizadas. Isto é, examinar uma administração contemporânea e concluir 

que as tomadas de decisões atuais são erradas, sem saber o seu desfecho é deficitário. 

Porém o governo de Donald Trump vai além do pré-julgamento. Mesmo se suas 

decisões políticas levar o país ao seu melhor desenvolvimento já visto, o que ficará gravado 

na memória, não apenas de seus eleitores, mas do mundo inteiro, é seu comportamento 

impulsivo, combativo e destrutivo. A falta de diplomacia e cooperação multilateral 

internacional deixa os Estados Unidos cada vez mais solitário. Fechar literalmente suas 

fronteiras para a diferença prejudicará a condição de heterogeneidade que o país sempre 

representou. 

30 

A identidade do país está ameaçada quando aqueles que fazem parte dele, não mais se 

reconhecem em seus líderes. Já foram muitas as demonstrações de repúdio e indignação 

contra Donald Trump, e seus índices de aceitação confirmam isso. A reputação dos Estados 

Unidos começa a se atrelar àquela de seu representante, e a minoria ultranacionalista presente 

no país encontra justificativas para seus atos abomináveis.  

O que a analise das administrações dos presidentes do pós Guerra Fria pode mostrar é 

que mesmo enfrentando diversas guerras, conflitos, escândalos no âmbito doméstico, 

atentados, crises econômicas, nestas mais de duas décadas, o país conseguiu sempre dar a 

volta por cima e se reinventar. Assim foi com a entrada de Obama no poder, e, não como 

desejável, assim foi com a entrada de Trump. Desse modo, a situação atual pode parecer 

irreparável, e os danos sofridos irremediáveis, mas com o certo candidato nas próximas 

eleições, os Estados Unidos podem voltar a tomar o lugar de líder democrático, liberal e 

diplomático que exerceu por tantos anos na conjuntura mundial.  

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. Em 2026, essa distinção continua sendo central no debate global e brasileiro, diferenciando-se pela definição de quem é esse "povo" e quem é o seu inimigo. 


Populismo de Esquerda


Definição do "Povo": Foca na classe trabalhadora, nos marginalizados e nos explorados pelo sistema capitalista.




Inimigo Eleito: A elite econômica, o sistema financeiro, as grandes corporações e a desigualdade.




Objetivo: Redirecionar o poder econômico e promover a justiça social através da intervenção estatal e políticas distributivas.




Cenário em 2026: No Brasil, o O Partido dos Trabalhadores  continua sendo a principal referência, com o governo buscando resgatar a popularidade através de agendas sociais focadas nas classes populares  para a disputa eleitoral em 2026.



Populismo de Direita


Definição do "Povo": Baseia-se em uma identidade cultural, nacional ou religiosa (frequentemente definida como a "maioria silenciosa").




Inimigo Eleito: Elites intelectuais e "cosmopolitas", o "sistema" (establishment) político, instituições como o Judiciário e, por vezes, minorias ou imigrantes.




Objetivo: Restaurar valores tradicionais e a ordem social, muitas vezes com um discurso antissistema e agenda de liberalismo econômico.

A maquina partidária é a capacidade de influencia geopolítica, financeira e política, que um partido possui, não somente em termos de defender seu território político, como também aumentar sua influencia geopolítica, financeira e hierárquica dentro e fora de seu espectro político.

Na área  geopolítica, uma maquina partidária, as políticas territoriais na relação de poder e influencia dentro de seu espectro político, aonde se visa manter seu poder e influencia política dentro de um determinado seguimento. Uma maquina partidária, envolve no seu sentido geopolítico, o gerenciamento e expansão de poder e influencia de um determinado partido em um determinado espectro político.

Na área  hierárquica, uma maquina partidária é uma esfera de poder aonde um determinado partido administra e mantem sua hierarquia e influencia , em conjunto de expansão territorial, na administração governamental , aonde este partido se torna  a maior agremiação política dentro de um determinado espectro político.

Uma maquina partidária, na sua área hierárquica, garante a influencia absoluta de um determinado partido dentro do seu espectro político. Com uma maquina partidária, na sua área hierárquica, garante a influencia expansionista de um determinado partido, além das bases do seu espectro político.

No âmbito financeiro, uma maquina partidária, garante á um determinando partido, se sobrepor pelo poder econômico. Mantendo sua influencia geopolítica e hierárquica, uma maquina partidária, representa a concepção total na sua "natureza política", em uma clara manifestação da hierarquia econômica, política e territorial de um determinando partido, dentro e fora de seu espectro político. 

Uma maquina partidária, garante a "natureza política" de um determinado partido, no seu total e absoluto poder e influencia expansionista por meio do seu poder econômico, que se traduz na "natureza política", dentro e fora do seu espectro político, em uma influencia geopolítica, hierárquica e financeira, pelo "natureza política" do poder econômico que uma maquina partidária proporciona á um determinado partido político.

Uma maquina partidária, garante á um determinado político, a plena capacidade de estrutura e poder político, para se adaptar organicamente a qualquer mudança em uma sociedade.

Câmara dos Deputados é a câmara baixa do Congresso Nacional do Brasil e, ao lado do Senado Federal, faz parte do Poder Legislativo da União em âmbito federal. A Câmara está localizada na praça dos Três Poderes, na capital federal, e é composta pela Mesa da Câmara dos Deputados do Brasil, pelo Colégio de Líderes e pelas Comissões, que podem ser permanentes, temporárias, especiais ou de inquérito.

O Senado Federal é a câmara alta do Congresso Nacional do Brasil e, ao lado da Câmara dos Deputados, faz parte do Poder Legislativo da União. A atual legislatura é a 57.ª.

O Congresso Nacional e as suas Casas terão comissões permanentes e temporárias constituídas na forma e com as atribuições previstas no respectivo regimento ou no ato de que resultar sua criação.

As comissões parlamentares de inquérito que terão poderes de investigação próprios das autoridades judiciais, além de outros previstos nos regimentos das suas respectivas casas, serão criados pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal, em conjunto ou separadamente, mediante requerimento de um terço dos seus membros, para a apuração de fato determinado e por prazo certo, sendo suas conclusões, se for o caso, encaminhadas ao Ministério Público, para que promova a responsabilidade civíl e criminal dos infratores.

Durante o recesso, haverá uma comissão reprentativa no Congresso Nacional, eleita por suas casas na ultima sessão ordinária do período legislativo em atribuições definidas no regimento comum cuja composição, reproduzirá quanto possível, a proporcionalidade da representação partidária. De acordo com os dados do meu livro sobre a Constituição Federal do Brasil de 1988, do autor Guilherme Pena de Moraes. 

Os  partidos de centro são aqueles que conciliam visões de igualdade, uma bandeira mais à esquerda, com preocupações como liberdade individual. O centro procura  conciliar visões pró-mercado e  crescimento econômico com justiça social.

Importante é não confundir os partidos de centro com oportunismo. Ou com partidos que ficam em cima do muro Ou com o centrão que existe no Brasil.

A direita se recusa a discutir questões de gênero A direita é contra as cotas sociais na universidades A direita é mais defensora da produção em alta escala do que da proteção ambiental. O centro procura sintetizar as questões. O centro acredita em desenvolvimento econômico equilibrado com proteção ambiental.

A direita defende o papel do Estado Mínimo Sendo o Estado limitado á ordem pública. Dando preferencia para o mercado na coordenação da vida social.

A Direita. Principalmente a Direita Liberal. Defende uma educação técnica, com foco em profissões que sejam muito uteis a economia do país. A Direita defende a educação privada. Com distribuição de vouchers pelo Estado, para viabilizar o financiamento da educação das pessoas de baixa renda por meios da iniciativa privada.

A Direita defende o crescimento econômico sem que haja qualquer interferência do Estado na economia. A Direita acredita que o mercado deve funcionar livremente. Sem que haja intervenção do Estado.

A Direita foca na questão da inflação. A Direita acredita que as empresas devem atuar com pouca flexibilização Podem ter sua proteção com pouca legislação ambiental e com flexibilização das leis trabalhistas.

A Direita defende total corte de gastos públicos. Mas tende a ser mais simpática com gastos com a defesa e o setor militar.

Na Saúde. A Direita aceita o papel do Estado. Mas sendo voltado para o investimento privado na saúde.

A Esquerda prega a igualdade social, a distribuição re renda igualitária e a justiça social. A Esquerda acredita que é papel do Estado atuar no combate as desigualdades.

A esquerda foca em educação emancipatória contextualizando o ambiente que os alunos vivem A Esquerda acredita que a educação deve ser voltada para a cidadania e os valores humanos . A esquerda também defende o investimento na educação pública.

Com foco na questão social, a esquerda prega a regulação do sistema financeiro e uma intervenção maior do estado na economia . A esquerda tende a se preocupar mais com o desemprego.

Uma esquerda mais moderna. Tem foco no empreendedorismo. No Uruguai, governos de esquerda souberam aprimorar a facilidade para fazer negócios.

A esquerda aceita eventuais déficits fiscais. Para que se possa investir em saúde, moradia , educação e política sociais. Modelos como SUS. 

O centrismo na política, dentro do conceito da existência de uma esquerda e direita, é a posição de quem se encontra no centro do espectro ideológico. Para alguns, há apenas duas posições políticas: a de esquerda e a de direita. Porém, além dessa dicotomia há a visão centrista, que é utilizada pelos moderados. Vertentes do liberalismo se encaixam no centro uma vez que defendem pontos de vista considerados de esquerda por quem é da direita tradicional e por defenderem pontos de vistas considerados de direita pela esquerda tradicional.

Um partido político ou indivíduo ideologicamente centrista não defende nem capitalismo nem socialismo absolutos, mas vê a necessidade de conciliar capitalismo com atenção a carências sociais numa democracia, podendo ser mais culturalmente liberal. Na visão da política de centro, não deve haver extremismos ou intransigências na sociedade. Os seus principais valores são: oposição ao radicalismo sustentado pelo equilíbrio que cria a tolerância que defende a coexistência pacífica. Entretanto, há partidos e políticos que se descrevem ou são descritos como "centristas" por serem sincréticos ou, de fato, fisiologistas.

O conservadorismo é uma corrente de pensamento que visa promover a manutenção dos valores, práticas e a manutenção das instituições e dos valores tradicionais da sociedade.

O conservadorismo, na sua O conservadorismo é uma corrente de pensamento que visa promover a manutenção dos valores, práticas e a manutenção das instituições e dos valores tradicionais da sociedade.

O conservadorismo, na sua essencia, valoriza as tradições, a hierarquia, a autoridade e os direitos de propriedade privada. O conservadorismo, tem como foco, a continuidade, se opondo as políticas progressistas e revolucionárias.

Um conservador, na sua essencia, defende a manutenção do status quo, ou o retorno aos valores de uma época passada. O conservadorismo político, é algo relacionado com as políticas de direita, na defesa da propriedade privada, da acumulação de capital, da riqueza pessoal e do individualismo.

O conservadorismo político, visa impedir que qualquer mudança aconteça em uma sociedade. O conservadorismo político, é algo que visa impedir quaisquer mudanças de  caráter revolucionário, que venham ter repercussões institucionais profundas e imediatas, tanto no país, quanto na sociedade como um todo.

Em relação as mudanças sociais, o conservadorismo político, é algo que entende que as mudanças sociais precisam acontecer á partir das instituições tradicionais e nunca contras elas.

O conservadorismo político, é algo que interpreta que a tradição, a escola, a família e a religião, devem ser as bases da sociedade em qualquer país no mundo. 

O conservadorismo político, é algo que interpreta que as mudanças sociais, somente devem ser acontecer de maneira gradual e moderada, sem afetar a manutenção dos valores da civilização, como a família, a escola e a religião.

O conservadorismo tradicional, é a uma corrente a direita que defende as manutenções da autoridade, da ordem, das tradições em uma sociedade.

O conservadorismo enaltece a hierarquia como o seu pensamento no campo social . Já no campo da economia, o conservadorismo defende como os valores sócio econômicos, as seguintes vertentes:

01 ) O conservadorismo econômico que favorece os interesses dos donos do capital privado no Estado.

02) O conservadorismo econômico voltado totalmente ao controle de gastos, em nome de uma austeridade econômica.

03) O conservadorismo econômico defende uma hierarquia social baseada em uma sociedade de classes. Sendo assim. O conservadorismo econômico, tem uma total resistência contra quaisquer programas sociais.

O conservadorismo também defende uma não separação entre a religião e o estado. O conservadorismo tradicional, defende uma hierarquia social, com uma sociedade em que se baseie as questões de raça, cor, gênero, etnia, etc...

O conservadorismo defende que os direitos humanos não são prioritário a em uma sociedade  Como uma forma de manter instituições consideradas sagradas e tradicionais. Tais como religião, família e escola, por exemplo.

Progressismo refere-se a um conjunto de doutrinas filosóficas, sociais e econômicas baseado na ideia de que o progresso, entendido como avanço científico, tecnológico, econômico e comunitário, é vital para o aperfeiçoamento da condição humana. Essa ideia de progresso integra o ideário iluminista e tem, como corolário, a crença de que as sociedades podem passar da barbárie à civilização, mediante o fortalecimento das bases do conhecimento empírico. O progressismo está ligado à ideia de "progresso infinito" mediante transformações da sociedade, da economia e da política. A ideia de progresso, por sua vez, é frequentemente relacionada com o evolucionismo e o positivismo.

O progressismo é a doutrina segundo a qual certas medidas econômicas e sociais – impulsionadas sobretudo pela ciência e tecnologia – são imprescindíveis para a melhoria da condição humana. Também está relacionado à ruptura de padrões sociais tradicionais, que por sua vez promoveriam valores como liberdade e igualdade.

Desde seu surgimento, o progressismo já se alterou muitas vezes e adotou diversas bandeiras, dentre as quais , os direitos trabalhistas, programas sociais, entre outros. Nesse contexto, o progressismo se adaptou bem ao pensamento social democrata e até hoje ambos se encontram fortemente associados.

O Progressismo é marcado por lutas sociais em prol de minorias ou grupos historicamente marginalizados  pela sociedade, como, por exemplo, o movimento negro, o feminismo, os direitos dos povos originários  e movimentos relacionados a orienO progressismo é uma corrente de pensamento de espectros filosóficos, sociais e econômicos, que se baseia no pensamento de que o progresso é algo absolutamente vital para a condição humana.

O progressismo é um espectro político, que entende os avanços científicos, tecnológicos e sociais, como algo indispensável ao pleno avanço e progresso em uma sociedade moderna e contemporânea.

O progressismo é um espectro político que defende que uma sociedade caminha para os plenos avanços, estando em constante evolução nos campos econômico, acadêmico, tecnológico, social e cientifico. 

O progressismo, é um espectro político, que defende que o pleno conhecimento cientifico e acadêmico, são as fontes de progresso e aperfeiçoamento de uma  todas as civilizações do mundo.

O progressismo, é um espectro político, que defende o pleno aperfeiçoamento intelectual, social, moral e cientifico, político e social, como a base fundamental para o progresso e avanço dentro de uma sociedade em todas as civilizações do mundo.

A progressismo defende  que a sociedade deve ter um pleno avanço, nos campo social, acadêmico, intelectual, político, tecnológico e cientifico, com uma forma da sociedade moderna ter um progresso que possa impulsionar os avanços tão necessário a todas as sociedades modernas no mundo. Segundo o Sociólogo, Mestre e Doutor César Portantiolo Maia. No quarto período da Habilitação em Jornalismo na Comunicação Social. Pelas Faculdades Integradas Alcântara Machado (FIAAM FAAM)

Por espectros anti progressistas . Trump manterá sua base politica . E seu populismo de direita .


E assim caminha a humanidade.

Imagem do Portal G1 da Rede Globo.