domingo, 24 de maio de 2026

Conservadorismo .

    conservadorismo

O conservadorismo é uma filosofia política e social que defende a preservação de instituições, costumes e valores tradicionais da sociedade, opondo-se a mudanças sociais bruscas ou radicais. Baseia-se na ideia de que a sabedoria coletiva e histórica, manifesta na tradição e nas instituições que resistiram ao tempo, é superior ao pensamento político abstrato ou a esquemas teóricos idealizados. 

Princípios e Características Principais

Embora não haja uma definição única e o entendimento mude conforme o contexto cultural e histórico, os princípios gerais do conservadorismo incluem: 

Tradição e Continuidade: Valorização de práticas, costumes e instituições transmitidos por gerações (como a família tradicional e as bases religiosas), que são vistos como alicerces fundamentais da sociedade.

Ordem Moral e Hierarquia: Crença em uma ordem moral duradoura e na importância de hierarquias estabelecidas para a manutenção da ordem social.

Prudência e Ceticismo Político: Uma desconfiança em relação a teorias abstratas e propostas revolucionárias. Os conservadores preferem a razão prática e a experiência passada, adotando uma abordagem cautelosa e gradual às reformas, baseada no que já se mostrou eficiente ao longo do tempo.

Nacionalismo: Ênfase na preservação da identidade nacional e cultural.

Propriedade Privada: A propriedade e os direitos a ela associados são vistos como cruciais para a liberdade individual e a ordem social.

Liberdade e Lei: Defesa da segurança oferecida por uma legislação imparcial e procedimentos democráticos, valorizando a paz e a liberdade. 

Origens e Variantes

O pensamento conservador moderno começou a ser formulado no final do século XVIII, em grande parte como resposta à Revolução Francesa, sendo Edmund Burke amplamente reconhecido como seu fundador. 

O conservadorismo não é um movimento monolítico e pode variar consideravelmente em diferentes culturas nacionais. Existem diversas vertentes, como: 

Conservadorismo Tradicionalista: Enfatiza a autoridade, a religião e a ordem social, preferindo a razão prática à teórica.

Nacional-conservadorismo: Foca intensamente na identidade nacional, valores familiares e soberania, muitas vezes defendendo restrições à imigração.

Fusão com o Liberalismo Econômico: Em muitos contextos contemporâneos, o conservadorismo incorporou a defesa do liberalismo econômico, que advoga por menor intervenção estatal na economia e liberdade de mercado.  Segundo o Sociólgo, Mestre e Doutor Cesar Portantiolo Maia , no Quarto Período da Habilitação em Jornalismo na Comunicação Social, pelas Faculdades Intregradas Alcantara Machado (FIAAM FAAM).

Confira o artigo da autora Amanda Sales da Silva 

DOI: http://10.47456/argumentum.v13i2.34183 

ARTIGO 

O conservadorismo brasileiro na atualidade: sua filiação à agenda 

neoliberal 

Brazilian conservatism today: its affiliation to the neoliberal agenda 

Amanda Sales da Silva * 

https://orcid.org/0000-0002-1673-5349 

Resumo: O artigo visa elucidar a relação entre a ideologia conservadora brasileira na atualidade a partir da direta 

vinculação entre a direta brasileira e os objetivos da agenda neoliberal. À luz do materialismo histórico dialético, 

por meio de uma pesquisa exploratória, nosso objetivo busca explicitar as bases materiais do conservadorismo 

que ganhou uma pujante força no cenário político nacional. 

Palavras-chave: Conservadorismo. Ideologia. Neoliberalismo. 

Abstract: The article clarifies the relationships within Brazilian conservative ideology today, based on the direct 

links between the Brazilian Right and the objectives of the neoliberal agenda. In the light of historical dialectical 

materialism and through exploratory research, our objective is to explain the material basis of the conservatism 

that has gained such force on the national political scene. 

Keywords: Conservatism. Ideology. Neoliberalism. 

Introdução 

Submetido em: 31/1/2021. Aceito em: 6/7/2021. 

ste artigo éum desdobramento de uma pesquisa sobre as bases econômico-políticas do 

conservadorismona atualidade brasileira expressas na agenda neoliberal. A estreita 

ligação entre o conservadorismo e a agenda neoliberal apresentou uma perigosa parceria 

que ganhou intensidade e legitimidade no processo eleitoral de 2018, cristalizando força tanto 

no cenário político nacional como na economia, pelo governo de Jair Messias Bolsonaro.  

Para essa pesquisa foi analisada a proposta de governo bolsonarista intitulada de O caminho 

da prosperidade, fiel aos parâmetros e exigênciasdo capitalismo internacional para o Brasil. A 

nosso ver, o programa de governo em destaque traduz oreceituário neoliberal e sua 

aglutinação aos valores ditos conservadores e tradicionais que também estão sendo 

implementados desde o início do mandato de Bolsonaro.  

Problematizamos os impactos do conservadorismo no Brasil na atualidade – ainda que, em 

nenhuma circunstância da história do país o conservadorismo ausentou-se –, entrelaçado ao 

*Assistente social. Mestre em Serviço Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Núcleo de 

Estudos e Pesquisas sobre os Fundamentos do Serviço Social na Contemporaneidade da Escola de Serviço 

Social da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ, Rio de Janeiro, Brasil).  Av. Pedro Calmon, 550 - 

Cidade Universitária da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro - RJ, 21941-901.  E-mail: 

amanda.salesds@hotmail.com 

© A(s) Autora(s)/O(s) Autor(es). 2021 Acesso Aberto Esta obra está licenciada sob os termos da Licença Creative 

Commons Atribuição 4.0 Internacional (https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/deed.pt_BR), que permite copiar e redistribuir o 

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modo neoliberal. Entretanto, neste determinado espaço de tempo ele revigorou suas forças, 

conquistando espaços de poder na política e na sociedade civil na sucessão dos anos, 

desembocando nas eleições de 2018, garantindo seu maior alcance hegemônico1. 

Em relação ao conservadorismo, suas definições são bastante abrangentes, todavia, neste 

período histórico em destaque, a afirmação que direciona a constatação deste item caminha 

para uma estreita ligação à ideologia neoliberal. Será problematizado o conceito de 

modernização conservadora no intuito de justificar mais adequadamente a direta conexão 

entre conservadorismo e neoliberalismo. 

Levando em consideração que a ideologia conservadora tem uma base material que é dada 

pelos interesses do capital e de sua necessidade de se autorreproduzir– afinal, é a crise que 

impõe tais mudanças na ideologia, no entanto, a ideologia também refrata nas formas de 

enfrentamento da crise –, ela é expressa nesta relação dialética que é essencialmente 

contraditória e em constante transformação, longe da uniformidade, estabilidade e 

determinismos. 

Para tanto, o artigo pretende interpretar, a princípio, o plano de governo O caminho da 

prosperidade bolsonarista como uma forma totalmente articulada aos preceitos do 

neoliberalismo radical a partir dos estudos de Harvey (2008), Casimiro (2018), Antunes (2002), 

Netto (2010). Em seguida, será problematizada a articulação entre conservadorismo e 

neoliberalismo a partir do debate teórico de alguns autores (LACERDA, 2019; DOMBROWSKI, 

2020) em soma a considerações nossas. 

1 O caminho da prosperidade bolsonarista é o caminho da prosperidade do 

neoliberalismo radical 

O fenótipo do neoliberalismo no Brasil tem suas marcas pontuadas no Consenso de 

Washington, que aconteceu em 1989, por um modelo de reajuste macroeconômico 

apresentado pelos Estados Unidos, a fim de ser implantado nos países com que tinham alguma 

parceria econômica. Dentre elas, estão colocadas: reforma tributária e fiscal, privatizações, 

enxugamento da máquina estatal com gastos públicos para o pagamento de dívidas, 

liberalização comercial e desregulamentação da economia, flexibilização das leis trabalhistas 

etc.A feição do neoliberalismo estava posta por esse modelo de reajuste demonstrado pelos 

Estados Unidos. 

No Brasil, as medidas puderam ser vistas a partir da década de 1990, com uma onda de 

privatizações a empresas estatais e serviços até então públicos, que se arrastam até os dias 

atuais. Em relação ao neoliberalismo, compartilhamos da visão de Harvey (2008), ao defini-lo 

como: 

[...] em primeiro lugar uma teoria das práticas político-econômicas que propõe que o 

bem-estar humano pode ser melhor promovido liberando-se as liberdades e 

capacidades empreendedoras individuais no âmbito de uma estrutura institucional 

caracterizada por sólidos direitos a propriedade privada, livres mercados e livre 

1Para elucidar, o termo hegemonia, embora não seja exclusividade, remete ao pensador Antonio Gramsci. 

Entretanto, aqui nos atemos à hermenêutica da palavracomo preponderância e predomínio, no seu sentido 

mais simples, não como uma categoria gramsciana. 

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comércio. O papel do Estado é criar e preservar uma estrutura institucional apropriada 

a essas práticas; o Estado tem de garantir, por exemplo, a qualidade e a integridade do 

dinheiro. De também estabelecer as estruturas e funções militares, de defesa, da 

polícia e legais requeridas para garantir direitos de propriedade individuais e para 

assegurar, se necessário pela força, o funcionamento apropriado dos mercados 

(HARVEY, 2008, p. 12). 

Em concordância com este fragmento de Harvey (2008), introduzimos o Brasil no panorama 

global como um país que sofre o impacto deste processo de maneira exponenciada, dada sua 

inserção no capitalismo mundial. Ainda que não seja o primeiro país a adotar parâmetros 

neoliberais na América Latina, o Brasil, na atualidade, se destaca pela velocidade e 

radicalidade na implementação das ações econômicas em prol do capital e de critérios de 

austeridade por parte do Estado acarretando aniquilamento dos direitos democráticos 

advindos da organização das lutas sociais. 

O aprofundamento do neoliberalismo seria então a representação da nova fase do cruzamento 

entre a agenda neoliberal e a agenda conservadora. A metamorfose do liberalismo para o 

neoliberalismo não advoga a favor dos direitos individuais. A palavra direito – que ainda se via 

no liberalismo clássico – desaparece, tanto na teoria como na prática.  

De acordo com Netto (2010), a marca deste estágio avançado do modo de produção, inscreve

se no tratamento irresponsável da questão social pela mão estatal. A negligência e ausência 

da gestão pública de qualidade acirram o cenário de miséria e desigualdade social entre ricos 

e pobres, alargando a diferença que os separa. 

Nestes parâmetros, predomina o aperfeiçoamento da barbárie que incide a uma extrema 

repressão aos pobres, legitimado pela lei e exercido com rigidez pelo Estado (penal), como 

bem colocado por Wacquant (2013). A situação é agravada quando colocamos o corte racial 

das vítimas de violência, revelando a herança maldita da escravidão que coloca o racismo 

como o principal meio de julgamento dos casos. Ou seja, dentro de um corte de classe há um 

corte racial que acompanham as vítimas da violência no Brasil (cf. Atlas da Violência 2020, 

IPEA).  

As ações neoliberais são executadas como solução para a crise, enquanto a ordem é inversa, 

além de transferidas para a responsabilidade pessoal dos indivíduos, que não recaem sobre 

todos, mas sobre os trabalhadores, que encontram gradual privação de direitos e de condições 

civilizatórias de sobrevivência em risco.  

O que hoje conhecemos como Brasil, que ainda aglutina o status de uma das maiores 

economias do mundo, também é o mesmo Brasil que amarga ser um dos cinco países mais 

desiguais do mundo, em que 1% da população mais rica detém quase 30% da renda do país 

(WORLD INEQUALITY DATABASE, 2019). Essa breve amostra de dados já expressa, a priori, 

as balizas construídas ao longo da formação social brasileira a fim de articular os aspectos 

econômicos, políticos e culturais da acumulação do capitalismo, de acordo com cada período 

desde seu descobrimento.  

As relações de poder estabelecidas no país, a parceria com o capital estrangeiro e sua não 

disposição e interesse em se desvencilhar das amarras do capital, fizeram da burguesia 

nacional sui generis uma ala pró-imperialista, entreguista, conservadora e dependente. À vista 

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disso, foi possível a classe dominante do sistema pré-capitalista oligárquico abraçar a ideia de 

modernização e a própria mentalidade burguesa industrial-urbana concorrencial, para 

perpetuar o que Fernandes (2006) chama de consolidação conservadora da dominação 

burguesa e de revolução dentro da ordem. Desta forma, foi desenvolvida uma sociabilidade 

capitalista no Brasil dado por meios repressivos de dominação e coerção à classe trabalhadora, 

constituindo uma democracia frágil, somado àquilo que permitiu todo esse arcabouço: o 

Estado, que viabilizou e viabiliza condições altamente relevantes para atomizar a reprodução 

deste modo societário. 

No Brasil, em tese, o Estado Democrático de Direito serve para assegurar o respeito das 

liberdades civis, os direitos humanos e as garantias fundamentais, através da força da lei 

constitucional. Todavia, no capitalismo contemporâneo, monopolista,– representado por sua 

face neoliberal –, deslegitima o conjunto de direitos conquistados no ciclo democrático que 

encontra dificuldade para se solidificar e se ampliar em solo brasileiro. Entretanto, com o 

aviltamento de medidas conservadoras radicais aliadas ao neoliberalismo, é tendencial que a 

coerção seja também alargada para aqueles que mais requerem de políticas sociais para 

sobreviver neste modo societário, representando grandes mudanças, já que pós-1988, segundo 

Casimiro (2018), a burguesia vinha usando mais o ingrediente do consenso como forma de 

dominação. 

A evolução dos objetivos burgueses contemporâneos, que hoje está sob o primado do governo 

bolsonarista, não coincidentemente está explícita no plano de governo do mesmo, 

disponibilizado em 2018. O plano denominado de O caminho da prosperidade, à título de 

curiosidade, em sua maior parte – dezoito páginas – abrange a temática econômica2.  

Logo em sua introdução, a simpatia com o liberalismo econômico é justificada: 

As economias de mercado são historicamente o maior instrumento de geração de 

renda, emprego, prosperidade e inclusão social. Graças ao Liberalismo, bilhões de 

pessoas estão sendo salvas da miséria em todo o mundo. Mesmo assim, o Brasil 

NUNCA adotou em sua História Republicana os princípios liberais. Ideias obscuras, 

como o dirigismo, resultaram em inflação, recessão, desemprego e corrupção. O 

Liberalismo reduz a inflação, baixa os juros, eleva a confiança e os investimentos, gera 

crescimento, emprego e oportunidades  (BOLSONARO, 2018, p.13, grifo do autor). 

Ainda que cause espanto para alguns bolsonaristas as medidas de austeridade impostas pelo 

governo desde o início de seu mandato, suas propostas de governo nunca deixaram de estar 

expostas em seu plano. Na seara econômica, a redução do Estado e as chamadas 

contrarreformas (BEHRING, 2008)3 seriam norteadas pelo Ministério da Economia e pelo 

Banco Central e assim são pontuadas: 

A área econômica terá dois organismos principais: o Ministério da 

Economia e o Banco Central, este formal e politicamente independente, 

mas alinhado com o primeiro. Para atender ao objetivo de enxugamento 

2Enquanto estrutura e gestão corresponde a quatro páginas, segurança e corrupção, treze páginas; educação 

e saúde (que são colocados no mesmo item) abrangem quatorze páginas; agricultura somente duas páginas e 

por fim, infraestrutura, uma página. 

3As contrarreformas, segundo a autora, alteram regressivamente os marcos legais da Constituição Federal 

vigente referente os direitos sociais. As contrarreformas do Estado são uma abordagem mais radical de um 

Estado mínimo que reeditaram uma tendência liberal em contraste com as conquistas no plano jurídico

formal, consolidada pela Constituição Federal de 1988 (BRASIL, 2016). 

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do Estado, mas, também, para garantir um comando uno e coeso para 

a área (BOLSONARO, 2018, p. 53). 

Seguindo também os parâmetros e exigências do Banco Mundial, as propostas econômicas de 

governo seguem a trindade: câmbio flexível, meta de inflação e meta fiscal. As reformas 

incluídas neste pacote são os meios para chegar aos objetivos descritos “[...] reformas serão 

necessárias tanto para aperfeiçoar o modelo atual como para introduzir um novo modelo” 

(BOLSONARO, 2018, p. 57). 

No campo trabalhista, as mudanças são sugeridas de imediato para o aumento da 

produtividade, que para o neoliberalismo é equivalente ao aumento da exploração. Mais uma 

vez, uma suposta modernização surge como uma justificativa aceitável para, segundo os 

defensores dessa agenda econômica, colocar o Brasil em destaque global perante as outras 

potências. Não é casual o compromisso da Proposta do Plano de Governo de Bolsonaro mirar 

estrategicamente na modificação das relações de trabalho, que sugerem uma reforma 

trabalhista de cunho neoliberal radical4, em que os direitos são facilmente descartados, 

arquitetando um novo reino de escravidão moderna (ANTUNES, 2002) para os trabalhadores 

brasileiros:  

As novas tecnologias e demandas da sociedade exigem uma profunda 

transformação das empresas e das relações de trabalho. Para colhermos 

os frutos desse movimento, precisamos implementar medidas que 

acelerem a modernização da nossa estrutura produtiva (BOLSONARO, 

2018, p. 66). 

De acordo com a moção apresentada pelo Banco Mundial (THE WORLD BANK, 2019), a 

estratégia para o Brasil deverá acontecer no período 2018 a 2023, e estará pautada nos 

seguintes objetivos de desenvolvimento: 1) apoiar a consolidação orçamentária e promover a 

eficácia do governo na prestação de serviços de modo sustentável, inclusivo e eficiente; 2) 

crescimento da produtividade e investimento do setor privado.; e 3) um desenvolvimento 

inclusivo e sustentável. 

Este novo modelo diz respeito à operacionalização das recomendações sugeridas pelo Banco 

Mundial para o caso brasileiro. Jair Bolsonaro e sua equipe de governo não só absorveram 

essas recomendações como foram adiante em agregar padrões mais conservadores à receita 

destacada. Para atingir esta meta, a área social vem sendo a parte mais lesada. Atendendo 

prescrições ao sabor neoliberal, programas de transferência de renda são mantidos e 

desenvolvidos à medida que os efeitos da crise vão acentuando: 

Para além, o que observamos são fortes ataques às conquistas sociais 

dos últimos anos, a exemplo do desmonte do sistema de proteção social 

brasileiro através das contrarreformas; do crescimento dos setores 

privados da educação; o desmonte histórico do Sistema Único de Saúde, 

das Medidas Provisórias contra direitos previdenciários; da tentativa de 

redução da maioridade penal; da violência contra mulheres, negros e 

homossexuais. Até mesmo o retorno da Marcha da Família com Deus, 

4À título de elucidação, a reforma trabalhista e previdenciária estavam engavetadas nas casas legislativas 

anteriormente ao governo federal de Jair Bolsonaro. Todavia, as condições políticas e a correlação de forças 

ultraconservadoras tornaram-se adequadas com a eleição de Bolsonaro. 

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mesmo evento que serviu de apoio ao golpe de 1964. Tais ataques se 

configuram estratégias de consolidação dos princípios neoliberais em 

uma sociedade que desde 2003 abre um espaço reduzido para a agenda 

social, mesmo sem deixar de salientar que o governo Lula se limitou a 

avanços no campo das políticas sociais, mesmo com caráter focalizado 

e incipiente. Nota-se que o pensamento conservador liberal se destaca 

pela sua forte crítica ao Estado, acusando-o de paternalista, gigantesco; 

com políticas sociais voltadas para “sustentar vagabundos” e os direitos 

humanos para ‘defender bandidos’ (FRANÇA; MACIEL; SILVA, 2020, p. 

261). 

Perante as observações destacadas, o conceito modernização conservadora de Barrington 

Moore Jr.(1975), mostra-se tão atual quanto antes. A modernização, neste sentido, limita-se 

ao seu strito senso econômico, isto é, de modernizar as formas de exploração do capitalismo 

sobre os trabalhadores. O novo modelo sugerido no plano de governo de Jair Bolsonaro é 

justamente o novo modo de explorar, mais agressivo, bárbaro e truculento, mas perpetuando 

a antiga forma de exploração do capital (conserva os objetivos burgueses). 

2 Conservadorismo aliado ao neoliberalismo no Brasil 

Para dar prosseguimento ao debate da relação entre o conservadorismo contemporâneo 

predominante no Brasil e neoliberalismo, precisamos debater sobre um ponto que coloca 

ambos com forças opostas. Conforme Dombrowski (2020): “Conservadorismo e liberalismo 

são, portanto, duas correntes de pensamento que estão historicamente ligadas, porém, de 

modo dialético, uma como negação da outra” (DOMBROWSKI, 2020, p.224). Essa é uma 

polêmica que foi colocada entre ambas as correntes no choque entre o conservadorismo 

tradicional5 de Burke etc., e o liberalismo econômico do século XX defendido pelo economista 

Hayek (2010).  

Antes de tudo é importante ressaltar o que se entende por conservadorismo clássico e 

moderno. À grosso modo, o conservadorismo clássico está compreendido no período pós-1789 

até 1914, com o início da Primeira Guerra Mundial. Suas características partem de uma reação 

aos ideais iluministas e ao projeto de modernidade, cristalizando uma defesa à estrutura do 

Antigo Regime. Entre os pensadores do seguimento conservador clássico, destacam-se, num 

primeiro momento, Edmund Burke (1729-1797), precursor do pensamento conservador, 

encarregou-se de rechaçar os movimentos revolucionários em nome da ordem e das leis; em 

sequência,temos Émile Durkheim (1858-1917), responsável por sistematizar a racionalidade 

instrumental-positivista garantindo o status científico do pensamento conservador (NETTO, 

2011).Já o pensamento conservador moderno converge com o período de formação do 

capitalismo tardio ou monopolista em que há a multiplicação de pensadores conservadores 

que se aproximam do liberalismo ao passo que há, nesta concepção, o nivelamento de 

experiências socialistas e fascistas do século XX como totalitárias, dignas de repulsa6. 

5Aqui diz respeito ao conservadorismo clássico. 

6Segundo Souza (2015), as variantes que o pensamento conservador sofreu durante os séculos se esboçam, em 

especial, nas transformações entre o pensamento conservador clássico e o pensamento conservador moderno. 

Portanto, algumas mudanças indispensáveis são observadas pelo autor. Em primeiro lugar, o pensamento 

conservador levanta a bandeira “sem ideologia” – ponto que flerta com a ideologia pós-moderna. Em segundo, 

valorizam o presente e não se prendem tanto ao passado, são menos nostálgicos que os conservadores clássicos. 

Em terceiro, é permitida uma forma de racionalidade que se aproxima do pragmatismo, do utilitarismo e do 

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Mesmo que Hayek (apud Dombrowski, 2020) aborde em sua teoria que o receio a mudanças 

e a inovação colocam o conservador em sentido oposto à filosofia liberal, as mutações 

ocorridas entre as duas correntes no século XIX acabaram dissolvendo com o tempo parte das 

discordâncias entre elas, aproximando-as ainda mais, em especial, no que concerne à oposição 

em tempos de crise à democracia. Nisso faz com que a expressão conservador nos costumes e 

liberal na economia seja um jargão usual entre conservadores e liberais em momentos de crise 

em que remete a um pujante descrédito da democracia (DOMBROWSKI, 2020, p. 233). Neste 

período histórico, essas diferenças são colocadas em segundo plano para um objetivo maior, 

que é o objetivo de perpetuação do conservadorismo. 

As falas do então ministro da Economia do governo bolsonarista, Paulo Guedes, refletem in 

totum os objetivos da agenda do governante alinhada ao temário neoliberal: “O presidente 

ganhou a eleição dizendo ‘Brasil acima de tudo, Deus acima de todos’ e o Paulo Guedes 

dizendo que vai privatizar. Foi essa agenda que ganhou a eleição”(GUEDES, 2019). Em 

consonância com os preceitos liberais, o então Chicago Boy7 é otimista aos valores ditos 

tradicionais e conservadores, que, segundo ele, estão alinhados aos preceitos econômicos 

futuramente desenvolvidos pelo governo Bolsonaro: “Ideias liberais, de um lado, e uma 

agenda de costumes, de valores, de família, do outro. É uma democracia rica quando você tem 

essas possibilidades” (GUEDES, 2019).  

Salienta-se que dentre as inúmeras mudanças de ministros do governo Bolsonaro, Paulo 

Guedes foi um que se manteve intacto em seu posto como ministro da Economia, ainda que 

a mesma não apresente sinais de restabelecimento e desenvolvimento. Em soma, a carga 

tributária, o empobrecimento população e o aumento das desigualdades sociais caminham 

em ritmo acelerado. 

É sabido que a democracia burguesa tem muitos limites para a classe trabalhadora desde sua 

implementação, entretanto o que se tem visto nesta forma de governo de Jair Messias 

Bolsonaro é o uso da democracia tão somente à serviço da matriz econômica e dos anseios do 

capitalismo, com margem de negociação e concessões à classe trabalhadores paulatinamente 

mais regressivas, aumentando o nível de exploração da mesma.  Nota-se, seguindo essa 

racionalidade, a ampliação do caráter meritocrático – tradicionalmente defendido pelo 

liberalismo e reforçado pelo neoliberalismo. 

Em novembro de 2019, Guedes mencionou a possibilidade de um AI-5 (Ato Inconstitucional 

nº 5)8 diante das insurgências populares que saíssem do controle. Sua simpatia à ditadura 

militar não se limita à história brasileira de 1964 a 1988, mas à ditadura de Pinochet no Chile9, 

na qual normas neoliberais foram a assinatura do ditador, aplaudida por Guedes, 

empirismo – ou seja, o valimento da razão instrumental para fins justificáveis e que não fere o sistema 

econômico e político capitalista. Por último, e com estreita ligação com o ponto anterior, a admissão de 

possíveis mudanças, desde que venham da classe dominante que supostamente possui o discernimento 

necessário e a prudência para direcionar modificações pertinentes na sociedade. Fora isso, é arriscado e imoral. 

7Chicago Boys é a denominação dada ao conjunto de economistas que desenvolveram suas ideias neoliberais 

na Universidade de Chicago nos EUA. As medidas dos economistas foram diretamente implantadas no Chile 

durante a ditadura de Augusto Pinochet na segunda metade do século XX.  

8O Ato Institucional Número Cinco foi um dos vários emitidos durante a ditadura militar brasileira após o 

golpe de Estado de 1964 no país. Foi decretado em 1968 durante o governo do general Costa e Silva e é 

considerado o mais repressivo e arbitrário do regime ditatorial. 

9A ditadura militar chilena de Augusto Pinochet durou de 1973 a 1990. 

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O conservadorismo brasileiro na atualidade 

transformando-se na primeira experiência na América Latina do funcionamento neoliberal 

apadrinhada pelos Estados Unidos. 

Assim, as proximidades com o pensamento neoliberal em sua total operacionalização de 

governos ditatoriais na América Latina demonstraram ser bons parceiros de negócios: 

Os teóricos neoliberais têm, no entanto, uma profunda suspeita com relação à 

democracia. A governança pelo regime da maioria é considerada uma ameaça 

potencial aos direitos individuais e às liberdades constitucionais. A democracia é 

julgada um luxo que só é possível em condições de relativa afluência, associado a uma 

forte presença da classe média para garantir a estabilidade política. Em consequência, 

os neoliberais tendem a favorecer a governança por especialistas e elites. Dão forte 

preferência ao governo por ordem executiva e decisão judicial em lugar da tomada de 

decisões democrática e parlamentar. Os neoliberais preferem afastar as instituições

chave, como o Banco Central, das pressões democráticas. (HARVEY, 2008, p.77). 

Os pactos pelo alto (FERNANDES, 2006) presente em toda a história brasileira, sem consulta 

popular, isto é, antidemocrática, são cada vez mais comuns e pétreos. Mesmo que o presente 

governo tenha chegado ao poder pelo caminho democrático – meio sufragista –, os valores 

democráticos não vêm se mostrando como uma finalidade nos interesses do governo em voga. 

Ao contrário, a democracia vem sendo colocada como um empecilho aos interesses que ele 

representa, visto as alusões, referências e elogios à gestão ditatorial. O elemento democrático 

já era indicado pelo pai do neoliberalismo, Friedrich August Hayek (2010), como um fator de 

choque entre a teoria por ele proposta: 

[...] quando se diz que a teoria política de Hayek é antidemocrática, isso quer dizer ela 

não apenas conduz a retrocessos no campo político-eleitoral, mas implica também no 

desmonte da estrutura governamental que corresponde aos direitos sociais e, em 

última instância, que se trata de uma teoria que nega ao cidadão o direito de ter 

direitos (DOMBROSKI, 2020, p.231). 

Dessa forma, é tendencial que os pactos pelo alto vão aumentando pelo fermento neoliberal 

ao ponto da sociedade se questionar se ainda está vivendo numa democracia ou não. 

Ainda convém ressaltar que o liame entre capitalismo desenvolvido e conservadorismonão 

teria dado passos tão largos sem a figura do Estado como agente apassivador na luta entre 

classe trabalhadora e burguesia, viabilizando condições exequíveis para a produção e 

reprodução capitalista acontecer em períodos de crise. Todavia o conservadorismo em sua 

gênese se opunha aos princípios e diretrizes burgueses, filiando-se somente na mudança de 

direcionamento burguês no período da decadência ideológica (LUKÁCS, 1992).  

O conservadorismo, neste sentido, se coloca do lado de quem quer manter a ordem e os 

valores ditos tradicionais, sem perder a paixão pela exploração de classe, etnia e gênero. Em 

território latino-americano em que a história colonial é semelhante entre os países, a regência 

política garantida pelo pacto colonial pós SegundaGuerra Mundial deu o aval para os Estados 

Unidos conterem qualquer tipo de entropia política que surgisse a contragosto do governo 

estadunidense. Os sulcos conservadores da realidade latina serviram aos interesses 

econômicos e políticos regimentados não só pelos Estados Unidos, mas pelas grandes 

potências imperialistas: 

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Amanda Sales da SILVA 

A atualização da dominação burguesa no Brasil, bem como em grande parte da 

América Latina, envolve, portanto, a articulação de diferentes aspectos e 

condicionantes, inserindo-se no processo de reestruturação produtiva do capitalismo 

globalizado. Essa reformulação se verifica: tanto por meio da necessidade da atuação 

efetiva e coercitiva do Estado – através das reformas para o mercado, da 

desregulamentação de direitos dos trabalhadores e desarticulação e repressão aos 

movimentos sociais – como também pela produção do consenso a partir de agentes, 

instituições e aparelhos midiáticos (CASIMIRO, 2018, p. 293). 

No território brasileiro, o conservadorismo de que estamos tratando encarna na veia política, 

o que ficou conhecido como “nova direita” (CASIMIRO, 2018). Trata-se de direita com novas 

facetas para reafirmar e expandir os interesses capitalistas econômicos no cenário nacional, 

que apresentou grande força após as eleições de 2018 no país (que incluía a votação de 

presidente, governador, senador e deputados federais). O rearranjo político se deu pela 

conquista vultosa do Partido Social Liberal (PSL) em 2018, que em comparação com a eleição 

anterior, em 2014, apresentou uma pífia representação política. Enquanto o PSL avançava, o 

Movimento Democrático Brasileiro (MDB), partido de Centro, em comparação às eleições 

passadas em que vinha conquistando um considerável número de eleitos, desacelerou em 

representação política. 

Avaliar esta nova direita não é tarefa fácil, pois ela se constitui num sincretismo e aglutinação 

de valores e ideologias gestadas pelo verniz dialético da realidade, que compõe sua herança 

histórica fomentada pelos novos objetivos desta vertente: 

A nova direita brasileira não possui homogeneidade ideológica, mas comporta 

distintas orientações, desde a influência monetarista da Escola de Chicago, o 

neoliberalismo austríaco ou mesmo vertentes mais fundamentalistas, como o 

libertarianismo. Apesar de expressar contradições e conflitos interburgueses, a nova 

direita assegura o essencial para a garantia dos seus interesses de acumulação de 

capital (CASIMIRO, 2018, p. 45). 

Não à toa, vemos a imigração de setores liberais de centro para a extrema-direita, 

abandonando valores democráticos e absorvendo valores fascistas em plena luz do dia, como 

constata Almeida (2018): “Em momentos de crise, em que é preciso ‘conservar o que 

concretamente deve ser conservado’, os liberais podem se tornar reacionários” (ALMEIDA, 

2018, p. 30).  

A retórica de que o Estado gasta demasiadamente com a esfera social já foi utilizada como 

justificativa para a crise que se instaurou no sistema welferiano, abrindo caminhos para uma 

reestruturação que encontrou identificação com o Estado neoliberal. A ação econômica tem 

base ideológica na centralidade da austeridade, na poda de excessos e no redirecionamento 

dos gastos do Estado que consideram mal projetados pela Constituição Federal de 1988, para 

fins de pagamento de dívidas com o orçamento antes destinado a Seguridade Social.   

A nova direita então se incumbiu de adentrar no campo político para garantir os valores mais 

radicais do neoliberalismo para a máquina do Estado: 

A nova direita é aquela em torno da família tradicional, do anticomunismo e do 

militarismo; e de valores de mercado, nesse aspecto com várias nuances. Diferente de 

outras articulações conservadoras, o eixo de gravidade do neoconservadorismo norte

americano – e do novo conservadorismo brasileiro – é a atuação da direita cristã 

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O conservadorismo brasileiro na atualidade 

baseada na ideia de que a família – e não o Estado – é a resposta para toda ordem de 

disfunções sociais (LACERDA, 2019, p.18). 

As contramedidas constitucionais alinham-se, não coincidentemente, ao modus operandi da 

face contemporânea do capitalismo, mais radical, globalizada e exploradora. A ideologia 

neoliberal legitima o projeto do capital monopolista, contando com a mão forte do Estado na 

restrição e redução de direitos, transformando as políticas sociais em ações compensatórias 

de cunho privatista, focalizante e individualizado (BEHRING; BOSCHETTI, 2011; NETTO, 

2010).  

Como exemplo explícito da manifestação de medidas desta estirpe, temos a Proposta de 

Emenda Constitucional 55 ou 241, popularizada como PEC do Teto dos Gastos, que 

representou mais uma iniciativa legislativa a impor barreiras aos avanços sociais e políticos da 

sociedade em nome da economia. A PEC foi aprovada em dezembro de 2016 e se tornou a 

Emenda Constitucional nº 95 durante o governo de Michel Temer. A iniciativa apesar da 

desaprovação popular (BRASIL, 2016) foi rapidamente aprovada pelos congressistas como 

uma ação nitidamente neoliberal de enxugamento do Estado pela instituição do Novo Regime 

Fiscal, que impactam diretamente no orçamento e no limite dos gastos públicos na Seguridade 

Social fragilizando a res publica. A incluir os limites aos gastos destinados a saúde, 

previdência, assistência social e educação terão que ser contidos durante o prazo de vinte anos 

para que haja um ajuste necessário das contas públicas. Salvante a Emenda Constitucional 95 

estão, dentre outras, as despesas da Justiça Eleitoral com as eleições e despesas de 

capitalização de estatais não dependentes.  

Qualquer intenção de implementação do que poderia se aproximar de um Estado de Bem 

Estar Social no Brasil foi varrido para debaixo do tapete. Embora as medidas 

contrarreformistas estejam presentes nos governos anteriores, – eem especial no governo de 

Michel Temer, que mais produziu retrocessos na esfera da seguridade social brasileira–,é no 

governo de Jair Messias Bolsonaro que isso tem acontecido em crescente velocidade, 

perceptíveis retrocessos sociais desde seu projeto à sua implementação. O semblante mais 

atroz do neoliberalismo encontra alento na agenda econômica conservadora de Bolsonaro.  

3 Conclusão 

Na historiografia do capitalismo, as formas de dominação transmutaram-se, desaguando na 

ascensão do conservadorismo neste tempo histórico em que nos encontramos.  O 

neoliberalismo somado ao conservadorismo configura-se como um dos instrumentos que 

executaram e executam um papel decisório e poderoso no tardo capitalismo.  

Levando em consideração que a ideologia conservadora tem uma base material que é dada 

pelos interesses do capital e de sua necessidade de se autorreproduzir – afinal, é a crise que 

impõe tais mudanças na ideologia, no entanto, a ideologia também refrata nas formas de 

enfrentamento da crise –, ela é expressa nesta relação dialética que é essencialmente 

contraditória e em constante transformação, longe da uniformidade, estabilidade e 

determinismos.Posto isto, não se trata de menosprezar o campo moral, dos valores e da 

cultura, mas, diante de um modo de produção que tem seu sustentáculo na exploração, a seara 

econômica tem um protagonismo que incide com mais forças em comparação aos outros 

campos societários, ainda que explicitamente se mascare e esteja em total articulação com os 

outros. 

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Amanda Sales da SILVA 

Seguindo estes moldes, Bolsonaro, sem reservas, operacionaliza aquilo que foi projetado em 

seu plano de governo quando candidato à presidência, oferecendo ao grande capital um 

auxílio auspicioso pela mão do Estado à conveniência privada burguesa.  

O conservadorismo, neste sentido, não só reproduz a sociabilidade burguesa, mas se constitui 

como seu produto necessário. Formaliza-se como um artifício tacanho, apelando para a 

pseudonovidade que consiste em levantar velhas bandeiras e restaurá-las, tais como a da 

ordem, da família, da propriedade, da moral e dos costumes, sobretudo em períodos de crise, 

como estratégica de dominação ideológica. A fim de perdurar o domínio de uma classe sobre 

outra, consolida um instrumento que se modernizou para garantir a reprodução da ordem 

social.    

Especificamente no panorama brasileiro, o conservadorismo nasce enraizado na história do 

país e se mescla ao seu papel na divisão internacional do trabalho como país periférico, 

dependente, heterônomo e autocrático, em que os valoresdemocráticos são os primeiros a 

serem descartados em face da crise estrutural (FERNANDES, 2006). Como resultado, a classe 

trabalhadora, parcela da sociedade historicamente desfavorecida e privada de recursos 

econômicos – considerando suas particularidades de classe, raça e gênero que potencializam 

a opressão –enfrenta com mais impacto as sobrejacentes refrações da crise estrutural do 

capitalismo.  

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ódio como política: a reinvenção da direita no Brasil. São Paulo: Boitempo, 2018. 

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Amanda Sales da Silva 

Graduação em Serviço Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) (2012-2017). Mestranda em 

Serviço Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) (2018-2020). Linha de pesquisa: Lutas Sociais, 

Estado, Política Social e Serviço Social. Participa do Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre os Fundamentos do 

Serviço Social na Contemporaneidade (NEFSSC/ESS/UFRJ).  O artigo da autora Amanda Sales da Silva * 

Confira o que diz a Constituição Federal no Senado Federal.

DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS

CAPÍTULO I


DOS DIREITOS E DEVERES INDIVIDUAIS E COLETIVOS

Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:Proposições em tramitação


I – homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos desta Constituição ;


II – ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei;


III – ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante;


IV – é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato;


V – é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da indenização por dano material, moral ou à imagem;


VI – é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias;


VII – é assegurada, nos termos da lei, a prestação de assistência religiosa nas entidades civis e militares de internação coletiva;


VIII – ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei;


IX – é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença;Proposições em tramitação


X – são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação;Normas correlatas


XI – a casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo penetrar sem consentimento do morador, salvo em caso de flagrante delito ou desastre, ou para prestar socorro, ou, durante o dia, por determinação judicial;Normas correlatas


XII – é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas, salvo, no último caso, por ordem judicial, nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual penal;RegulamentaçãoNormas correlatas


XIII – é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer;


XIV – é assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da fonte, quando necessário ao exercício profissional;


XV – é livre a locomoção no território nacional em tempo de paz, podendo qualquer pessoa, nos termos da lei, nele entrar, permanecer ou dele sair com seus bens;


XVI – todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos ao público, independentemente de autorização, desde que não frustrem outra reunião anteriormente convocada para o mesmo local, sendo apenas exigido prévio aviso à autoridade competente;


XVII – é plena a liberdade de associação para fins lícitos, vedada a de caráter paramilitar;


XVIII – a criação de associações e, na forma da lei, a de cooperativas independem de autorização, sendo vedada a interferência estatal em seu funcionamento;


XIX – as associações só poderão ser compulsoriamente dissolvidas ou ter suas atividades suspensas por decisão judicial, exigindo-se, no primeiro caso, o trânsito em julgado;


XX – ninguém poderá ser compelido a associar-se ou a permanecer associado;


XXI – as entidades associativas, quando expressamente autorizadas, têm legitimidade para representar seus filiados judicial ou extrajudicialmente;


XXII – é garantido o direito de propriedade;


XXIII – a propriedade atenderá a sua função social;


XXIV – a lei estabelecerá o procedimento para desapropriação por necessidade ou utilidade pública, ou por interesse social, mediante justa e prévia indenização em dinheiro, ressalvados os casos previstos nesta Constituição ;


XXV – no caso de iminente perigo público, a autoridade competente poderá usar de propriedade particular, assegurada ao proprietário indenização ulterior, se houver dano;


XXVI – a pequena propriedade rural, assim definida em lei, desde que trabalhada pela família, não será objeto de penhora para pagamento de débitos decorrentes de sua atividade produtiva, dispondo a lei sobre os meios de financiar o seu desenvolvimento;


XXVII – aos autores pertence o direito exclusivo de utilização, publicação ou reprodução de suas obras, transmissível aos herdeiros pelo tempo que a lei fixar;


XXVIII – são assegurados, nos termos da lei:


a) a proteção às participações individuais em obras coletivas e à reprodução da imagem e voz humanas, inclusive nas atividades desportivas;


b) o direito de fiscalização do aproveitamento econômico das obras que criarem ou de que participarem aos criadores, aos intérpretes e às respectivas representações sindicais e associativas;


XXIX – a lei assegurará aos autores de inventos industriais privilégio temporário para sua utilização, bem como proteção às criações industriais, à propriedade das marcas, aos nomes de empresas e a outros signos distintivos, tendo em vista o interesse social e o desenvolvimento tecnológico e econômico do País;


XXX – é garantido o direito de herança;


XXXI – a sucessão de bens de estrangeiros situados no País será regulada pela lei brasileira em benefício do cônjuge ou dos filhos brasileiros, sempre que não lhes seja mais favorável a lei pessoal do de cujus;


XXXII – o Estado promoverá, na forma da lei, a defesa do consumidor;Regulamentação


XXXIII – todos têm direito a receber dos órgãos públicos informações de seu interesse particular, ou de interesse coletivo ou geral, que serão prestadas no prazo da lei, sob pena de responsabilidade, ressalvadas aquelas cujo sigilo seja imprescindível à segurança da sociedade e do Estado;Regulamentação


XXXIV – são a todos assegurados, independentemente do pagamento de taxas:


a) o direito de petição aos poderes públicos em defesa de direitos ou contra ilegalidade ou abuso de poder;


b) a obtenção de certidões em repartições públicas, para defesa de direitos e esclarecimento de situações de interesse pessoal;


XXXV – a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito;


XXXVI – a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada;Proposições em tramitação


XXXVII – não haverá juízo ou tribunal de exceção;


XXXVIII – é reconhecida a instituição do júri, com a organização que lhe der a lei, assegurados:Proposições em tramitação


a) a plenitude de defesa;


b) o sigilo das votações;


c) a soberania dos veredictos;


d) a competência para o julgamento dos crimes dolosos contra a vida;Proposições em tramitação


XXXIX – não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação legal;


XL – a lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu;


XLI – a lei punirá qualquer discriminação atentatória dos direitos e liberdades fundamentais; (Decisão colegiada)


XLII – a prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de reclusão, nos termos da lei; (Decisão colegiada)RegulamentaçãoProposições em tramitação


XLIII – a lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia a prática da tortura, o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o terrorismo e os definidos como crimes hediondos, por eles respondendo os mandantes, os executores e os que, podendo evitá-los, se omitirem;RegulamentaçãoProposições em tramitação


XLIV – constitui crime inafiançável e imprescritível a ação de grupos armados, civis ou militares, contra a ordem constitucional e o Estado democrático;


XLV – nenhuma pena passará da pessoa do condenado, podendo a obrigação de reparar o dano e a decretação do perdimento de bens ser, nos termos da lei, estendidas aos sucessores e contra eles executadas, até o limite do valor do patrimônio transferido;


XLVI – a lei regulará a individualização da pena e adotará, entre outras, as seguintes:


a) privação ou restrição da liberdade;


b) perda de bens;


c) multa;


d) prestação social alternativa;


e) suspensão ou interdição de direitos;


XLVII – não haverá penas:


a) de morte, salvo em caso de guerra declarada, nos termos do art. 84, XIX;


b) de caráter perpétuo;


c) de trabalhos forçados;


d) de banimento;


e) cruéis;


XLVIII – a pena será cumprida em estabelecimentos distintos, de acordo com a natureza do delito, a idade e o sexo do apenado;


XLIX – é assegurado aos presos o respeito à integridade física e moral;


L – às presidiárias serão asseguradas condições para que possam permanecer com seus filhos durante o período de amamentação;


LI – nenhum brasileiro será extraditado, salvo o naturalizado, em caso de crime comum, praticado antes da naturalização, ou de comprovado envolvimento em tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, na forma da lei;


LII – não será concedida extradição de estrangeiro por crime político ou de opinião;


LIII – ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade competente;


LIV – ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal;


LV – aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e a ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes;


LVI – são inadmissíveis, no processo, as provas obtidas por meios ilícitos;


LVII – ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória;


LVIII – o civilmente identificado não será submetido a identificação criminal, salvo nas hipóteses previstas em lei;RegulamentaçãoNormas correlatas


LIX – será admitida ação privada nos crimes de ação pública, se esta não for intentada no prazo legal;


LX – a lei só poderá restringir a publicidade dos atos processuais quando a defesa da intimidade ou o interesse social o exigirem;


LXI – ninguém será preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada de autoridade judiciária competente, salvo nos casos de transgressão militar ou crime propriamente militar, definidos em lei;


LXII – a prisão de qualquer pessoa e o local onde se encontre serão comunicados imediatamente ao juiz competente e à família do preso ou à pessoa por ele indicada;


LXIII – o preso será informado de seus direitos, entre os quais o de permanecer calado, sendo-lhe assegurada a assistência da família e de advogado;


LXIV – o preso tem direito à identificação dos responsáveis por sua prisão ou por seu interrogatório policial;


LXV – a prisão ilegal será imediatamente relaxada pela autoridade judiciária;


LXVI – ninguém será levado à prisão ou nela mantido quando a lei admitir a liberdade provisória, com ou sem fiança;


LXVII – não haverá prisão civil por dívida, salvo a do responsável pelo inadimplemento voluntário e inescusável de obrigação alimentícia e a do depositário infiel;


LXVIII – conceder-se-á habeas corpus sempre que alguém sofrer ou se achar ameaçado de sofrer violência ou coação em sua liberdade de locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder;


LXIX – conceder-se-á mandado de segurança para proteger direito líquido e certo, não amparado por habeas corpus ou habeas data, quando o responsável pela ilegalidade ou abuso de poder for autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do poder público;


LXX – o mandado de segurança coletivo pode ser impetrado por:


a) partido político com representação no Congresso Nacional;Proposições em tramitação


b) organização sindical, entidade de classe ou associação legalmente constituída e em funcionamento há pelo menos um ano, em defesa dos interesses de seus membros ou associados;


LXXI – conceder-se-á mandado de injunção sempre que a falta de norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania;RegulamentaçãoProposições em tramitação


LXXII – conceder-se-á habeas data:Regulamentação


a) para assegurar o conhecimento de informações relativas à pessoa do impetrante, constantes de registros ou bancos de dados de entidades governamentais ou de caráter público;


b) para a retificação de dados, quando não se prefira fazê-lo por processo sigiloso, judicial ou administrativo;


LXXIII – qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular que vise a anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural, ficando o autor, salvo comprovada má-fé, isento de custas judiciais e do ônus da sucumbência;


LXXIV – o Estado prestará assistência jurídica integral e gratuita aos que comprovarem insuficiência de recursos;


LXXV – o Estado indenizará o condenado por erro judiciário, assim como o que ficar preso além do tempo fixado na sentença;


LXXVI – são gratuitos para os reconhecidamente pobres, na forma da lei:Regulamentação


a) o registro civil de nascimento;


b) a certidão de óbito;


LXXVII – são gratuitas as ações de habeas corpus e habeas data, e, na forma da lei, os atos necessários ao exercício da cidadania.Regulamentação


LXXVIII – a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação; (Incluído por Emenda Constitucional nº 45 de 08/12/2004) (Alteração indireta de texto por Emenda Constitucional nº 115 de 10/02/2022)


LXXIX – é assegurado, nos termos da lei, o direito à proteção dos dados pessoais, inclusive nos meios digitais. (Incluído por Emenda Constitucional nº 115 de 10/02/2022)


§ 1º As normas definidoras dos direitos e garantias fundamentais têm aplicação imediata.


§ 2º Os direitos e garantias expressos nesta Constituição não excluem outros decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados, ou dos tratados internacionais em que a República Federativa do Brasil seja parte.


§ 3º Os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos que forem aprovados, em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, por três quintos dos votos dos respectivos membros, serão equivalentes às emendas constitucionais. (Incluído por Emenda Constitucional nº 45 de 08/12/2004)Proposições em tramitaçãoNormas correlatas


§ 4º O Brasil se submete à jurisdição de Tribunal Penal Internacional a cuja criação tenha manifestado adesão. (Incluído por Emenda Constitucional nº 45 de 08/12/2004). Segundo a Constituição Federal do Brasil no Senado Federal.

Os direitos e garantias fundamentais na Constituição Federal (CF) do Brasil são um conjunto de normas e princípios que visam proteger a dignidade humana e limitar o poder do Estado. Eles estão concentrados no Título II da CF, abrangendo os Artigos 5º a 17. 

Direitos x Garantias Fundamentais

Embora frequentemente usados em conjunto, possuem funções distintas: 

Direitos Fundamentais: São as normas de conteúdo declaratório que explicitam os bens e prerrogativas que os indivíduos possuem, como o direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade.

Garantias Fundamentais: São normas de conteúdo assecuratório, ou seja, instrumentos processuais ou institucionais criados para assegurar e proteger o exercício dos direitos fundamentais. Um exemplo notável é o habeas corpus, que garante o direito de locomoção. 

Classificação e Localização na CF

O Título II da Constituição Federal classifica os direitos e garantias fundamentais em cinco grupos principais: 

Direitos e Deveres Individuais e Coletivos (Art. 5º): É o artigo mais extenso e conhecido, com 79 incisos, que estabelece, por exemplo, a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade de expressão, à intimidade, à inviolabilidade do domicílio, e o direito de propriedade.

Direitos Sociais (Artigos 6º a 11): Incluem direitos como educação, saúde, trabalho, lazer, segurança, previdência social, proteção à maternidade e à infância, e assistência aos desamparados, além de direitos específicos dos trabalhadores.

Direitos da Nacionalidade (Artigos 12 e 13): Regulam as condições de brasileiros natos e naturalizados.

Direitos Políticos (Artigos 14 a 16): Tratam da participação do cidadão na vida política do país, como o direito de votar (capacidade eleitoral ativa) e ser votado (capacidade eleitoral passiva), elegibilidade e inelegibilidade.

Partidos Políticos (Artigo 17): Define as normas e a autonomia para a criação, organização e funcionamento dos partidos políticos, essenciais para a democracia. 

O artigo 5º serve como o alicerce desses direitos, mas a compreensão completa do tema exige a análise de todo o Título II da Constituição

Esse é o conservadorismo. Mais uma vez ferindo direitos fundamentais.

            Confira a notícia no Portal G1 da Rede Globo .https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2026/05/23/camara-de-sp-aprova-em-1a-votacao-projeto-que-proibe-criancas-na-parada-lgbt-para-especialistas-e-inconstitucional.ghtml.

                           E assim caminha a humanidade.

imagem ; Portal G1 da Rede Globo. 







 

Uma questão .

  A polarização política é a divisão da sociedade ou do sistema político em dois campos ideológicos ou partidários opostos e antagônicos, com pouca ou nenhuma sobreposição ou diálogo entre eles. Esse fenômeno é marcado por uma intensa rivalidade e, muitas vezes, pela transformação de adversários políticos em inimigos. 

Características Principais

Divisão em Polos: A sociedade se divide em dois grupos com visões de mundo distintas e fechadas, como a dicotomia esquerda versus direita no Brasil atual.

Falta de Diálogo: Há uma relutância em ouvir ou considerar perspectivas opostas, o que prejudica o debate público e a busca por soluções consensuais.

Identidade e Emoção: A afiliação política torna-se parte da identidade pessoal, levando a um engajamento emocional intenso (amor pelo próprio grupo, ódio/repulsa pelo oposto). A opinião sobre um fato pode depender mais de quem o diz do que do seu conteúdo lógico. 

Causas

Tendências Humanas: A formação de grupos para autopreservação é uma tendência histórica, onde a lealdade ao grupo se sobrepõe à análise crítica individual.

Redes Sociais: Os algoritmos das redes sociais criam "bolhas" e reforçam visões preexistentes, facilitando a radicalização das posições e a disseminação de desinformaçã

Confira o artigo do autor André Bello3  

Polarização política dinâmica: evidências do Brasil12 

André Bello3  

Este artigo analisa a natureza da polarização política no Brasil com a aplicação de 

múltiplas técnicas para aumentar a robustez dos resultados. Um índice de 

polarização política para o período entre 1989 e 2019 foi construído com base em 

técnicas estatísticas para análises de dados em nível macro e usando perguntas 

sobre o sentimento partidário positivo e negativo em relação ao Partido dos 

Trabalhadores (PT). Os resultados mostram que existe uma polarização política 

afetiva e dinâmica, estruturada por períodos de mais convergência e de mais 

divergência. Os sentimentos de petismo e antipetismo produzem polarização 

política, de maneira que o antagonismo entre os dois grupos é crescente ao longo 

do tempo. Este artigo inaugura um debate sobre a polarização política dinâmica na 

América Latina dentro da perspectiva da macropolítica.  

Palavras-chave: macropolítica; polarização política; petismo; antipetismo; PT 

Introdução 

O conceito de polarização política sugere dinamismo e mudanças temporais, no 

entanto, os estudos raramente mostram a polarização política dinâmica ao longo do tempo 

(Ura; Ellis, 2012). A maioria das análises é realizada com dados em nível micro com base 

na identificação partidária, nas posições ideológicas e nos aspectos afetivos dos eleitores 

(Abramowitz; Saunders, 2008; Fiorina; Abrams, 2008; Iyengar; Westwood, 2015). Além 

disso, a literatura foca principalmente no partidarismo positivo, embora o partidarismo 

negativo tenha começado a receber atenção dos especialistas nos últimos anos (Mayer, 

2017; Paiva et al., 2016; Samuels; Zucco, 2018). Usando dados macro – agregação da 

opinião pública dos indivíduos –, este artigo investiga a natureza da polarização política no 

Brasil, explorando os sentimentos partidários positivos e negativos ao longo do tempo, e 

1Este artigo foi apresentado no 44° Encontro Anual da Anpocs e publicado como “conference paper” no 

Research Gate. Disponível em: 

<https://www.researchgate.net/publication/358027803_The_Macro_Political_Polarization_Evidences_from

 _Brazil>. Acesso em: 9 fev. 2023.  

2O banco de dados usado neste artigo foi organizado a partir de informações disponibilizadas pelo Cesop, 

órgão ao qual eu gostaria de agradecer pela ajuda e compromisso com a pesquisa científica. Ele está 

disponível no site do Cesop, na seção “Revista Opinião Pública”, na página deste artigo: 

<https://www.cesop.unicamp.br/por/opiniao_publica>. 

3 LAPCIPP – Laboratório de Pesquisa sobre Comportamento Político, Instituições e Políticas Públicas, 

vinculado ao Instituto de Ciência Política da Universidade de Brasília (UNB). Brasília (DF), Brasil. E-mail: 

<andrebellosa@gmail.com>. 

OPINIÃO PÚBLICA, Campinas, vol. 29, nº 1, p. 42-68, jan.-abr., 2023 

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ANDRÉ BELLO 

também, a aplicação de múltiplas técnicas para aferir o grau de polarização política, de 

maneira que os resultados ganham força e aumentam a validade empírica.  

Assim, a pesquisa apresentada neste artigo tem dois enfoques: polarização política 

dinâmica e múltiplas técnicas para aferir o grau de polarização política. A primeira 

abordagem integra os conceitos de polarização política e partidarismo macro (Mackuen; 

Erikson; Stimson, 1989). Essa combinação permite observar as simetrias e assimetrias da 

polarização política, bem como as mudanças e o dinamismo da polarização política 

(Erikson; Mackuen; Stimson, 2002). Usando a técnica do dyad ratios, um índice de 

polarização política foi construído para o período entre 1989 e 2019 por meio de múltiplas 

perguntas sobre os sentimentos partidários positivos e negativos em relação ao Partido 

dos Trabalhadores (PT). As perguntas foram extraídas de sete diferentes institutos de 

pesquisas, totalizando mais de 1.5 milhões de entrevistados. Este artigo é o primeiro da 

América Latina a discutir a polarização política dentro da perspectiva da agenda da 

macropolítica.  

A segunda abordagem diz respeito às medidas para aferir o grau de polarização 

política. Em termos estatísticos, a maioria dos estudos usa a diferença de médias para 

determinar o distanciamento entre dois grupos, porém, essa é uma maneira limitada, 

sendo necessário investigar a distribuição das opiniões como um todo, e não somente as 

médias dos grupos (Levendusky; Pope, 2011; Lee, 2012; McCarty, 2019). Assim, aplicam

se quatro técnicas diferentes para analisar o grau de polarização: dispersão, associação, 

densidade relativa e sobreposição. O objetivo é explorar as várias dimensões da 

polarização política e comparar os diferentes métodos para validar o conceito, visto que 

“lack a comprehensive methodological assessment and comparison of different polarization 

measures” (Bauer, 2019, p. 19).  

Cabe ainda destacar que essa investigação ocorre em um sistema eleitoral 

proporcional com amplas coalizações partidárias e com partidarismo positivo e negativo 

concentrado no PT. Esse ambiente da representação proporcional é mais plural e 

consensual (Lijphart, 2008) e, assim, produz, pelo menos em tese, baixa polarização 

política. A maior parte da literatura sobre polarização política está concentrada nos Estados 

Unidos, cujo sistema político é diferente do Brasil. Contudo, validar o conceito de 

polarização política em outros contextos institucionais é importante para a literatura, 

conforme recomendam Gidron, Adams e Horne (2019) e Iyengar et al. (2019). 

Os resultados mostraram que existe polarização política no Brasil e que essa 

polarização é dinâmica, organizada por períodos de mais convergência ou de mais 

divergência. Além disso, a natureza da polarização é diferente em relação aos Estados 

Unidos, cuja divisão é baseada em dois partidos políticos. O PT é o pêndulo dessa 

polaridade por gerar dois grupos antagônicos que derivam dos sentimentos partidários 

positivos e negativos: petismo e antipetismo. Com maior ou menor força, esse resultado 

é apontado pelas quatro medidas de polarização aplicadas neste artigo, o que gera mais 

robustez aos achados. Ao passo que o petismo é mais estável, as mudanças do antipetismo 

OPINIÃO PÚBLICA, Campinas, vol. 29, nº 1, p. 42-68, jan.-abr., 2023 

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POLARIZAÇÃO POLÍTICA DINÂMICA: EVIDÊNCIAS DO BRASIL 

são constantes e ascendentes, presumindo uma assimetria na polarização política pelo lado 

do antipetismo.  

Além dessa parte introdutória, o artigo apresenta a seção da fundamentação 

teórica que está dividida em três partes: polarização política dinâmica, contexto 

institucional e partidário no Brasil e as técnicas para mensurar a polarização política. Essas 

três subseções debatem as abordagens teóricas deste artigo. A terceira seção apresenta 

as hipóteses e a quarta seção mostra o banco de dados e a operacionalização das técnicas. 

Os resultados estão na quinta seção e, por fim, na sexta seção, realiza-se uma discussão 

final com os apontamentos para uma agenda futura acerca da polarização política.  

Polarização política dinâmica 

A polarização política estruturada nos Estados Unidos tem o mesmo padrão em 

novas democracias? Como é a polarização política em um contexto político de 

representação proporcional e multipartidário, porém, com um único partido forte em 

termos de identificação partidária? Os sentimentos partidários positivos e negativos são 

dinâmicos? As respostas para essas perguntas exigem conectar os modelos micro e macro 

do partidarismo através da agregação das preferências partidárias positivas e negativas. 

Nesse sentido, a análise incorpora a ideia de que as mudanças partidárias ocorrem ao 

longo do tempo de forma lenta e suave, mas são duradouras e acumulativas. Esse modelo, 

portanto, assume o dinamismo da polarização política (Mackuen; Erikson; Stimson, 1989; 

Erikson; Mackuen; Stimson, 1998; 2002; Jackson; Kollman, 2011). 

No nível micro da polarização política, existe um intenso e não consensual debate 

sobre o grau de polarização política. Um grupo de especialistas afirma que o eleitor 

permanece moderado, mesmo com o alinhamento entre a identificação partidária e as 

posições ideológicas. A população está alinhada politicamente, mas não está 

necessariamente polarizada (Fiorina; Levendusky, 2006; Fiorina; Abrams 2008; Fiorina; 

Abrams; Pope, 2005; 2008). Por outro lado, outro grupo de estudiosos afirma que os 

indivíduos estão cada vez mais separados em função da associação da identificação 

partidária com as preferências ideológicas e políticas (Abramowitz; Saunders, 2005; 2008). 

O alinhamento político é a engrenagem da polarização política (Abramowitz; Jacobson, 

2006). Essas duas correntes teóricas tratam somente do partidarismo positivo, sendo que 

as opiniões sobre os partidos políticos são cada vez mais negativas (Abrawowitz; Webster, 

2018). Como medidas centrais desses estudos estão a identificação partidária e ideológica 

em nível micro com dados a cada dois ou quatro anos (Caughey; Dunham; Warshaw, 

2016). Esse desenho metodológico limita as análises temporais da polarização política.  

A terceira abordagem inclui elementos da psicologia, como preconceito, ativismo e 

emoção, para superar o impasse em torno da polarização política. Os especialistas 

chegaram à conclusão de que a polarização é mais afetiva do que ideológica (Mason, 2013, 

2018; Iyengar; Sood; Lelkes, 2012; Iyengar; Westwood, 2015). No entanto, a literatura 

OPINIÃO PÚBLICA, Campinas, vol. 29, nº 1, p. 42-68, jan.-abr., 2023 

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ANDRÉ BELLO 

sobre a polarização afetiva ainda não explorou análises feitas pelo modelo da polarização 

política macro. Como consequência, essas análises são suscetíveis à instabilidade das 

respostas dos indivíduos e não capturam a evolução ano a ano da polarização política. Há 

ainda outras limitações em relação às medidas empregadas pela agenda da polarização 

afetiva. Primeiro, as pessoas tendem a exagerar ou subjugar os sentimentos sobre o 

partido de oposição (Iyengar et al., 2019). Segundo, os respondentes pensam muito mais 

na elite política do que nos eleitores quando avaliam os outros partidos políticos 

(Druckman; Levendusky, 2019). Em conjunto, esses estudos não capturam toda a história 

da polarização nos Estados Unidos, tampouco em outros contextos institucionais, como o 

da América Latina.  

Os trabalhos de nível macro superam esses problemas, porém ainda são raros na 

agenda da polarização política. Usando modelos dinâmicos em nível de grupo hierárquico 

ou da Teoria da Resposta ao Item, Caughey; Dunham; Warshaw (2016) e Hill e 

Tausanovitch (2015) asseguram que o alinhamento partidário e ideológico não produziu 

polarização política. Em contrapartida, Ura e Ellis (2012) defendem que existe uma 

polarização política partidária e dinâmica ao longo dos últimos 40 anos, determinada 

principalmente pelas repostas mais fortes dos Republicanos sobre os gastos sociais. 

Metodologicamente, esses trabalhos construíram um indicador de polarização política 

através da soma de múltiplas perguntas sobre identificação partidária. Sendo assim, os 

erros de mensuração e vieses nas respostas foram cancelados (Ansolabehere; Rodden; 

Snyder Jr., 2008; Druckman; Leeper, 2012).  

As análises sobre a polarização política dinâmica resultam dos avanços e limitações 

das três correntes teóricas da polarização vistas até aqui. Através de dados do partidarismo 

positivo e negativo em nível macro, cuja estrutura metodológica permite observar as 

mudanças da polarização política ao longo do tempo, pode-se analisar a polarização política 

dinâmica. A novidade aqui é que esse dinamismo da polarização política macro é 

examinado em uma estrutura institucional de um partido dominante em meio a um sistema 

multipartidário, de muita volatilidade eleitoral e coalizações partidárias não ideológicas. A 

polarização política ainda não foi testada dentro desse enquadramento.  

Múltiplas técnicas para medir a polarização política 

A polarização política apresenta várias dimensões, no entanto, a maioria dos 

estudiosos emprega a mesma estratégia empírica: o teste da diferença de média entre 

dois grupos (Fiorina; Abrams; Pope, 2005; Abramowitz; Jacobson, 2006; Mason, 2018). 

Essa técnica é válida para aferir a dispersão ou associação dos grupos, mas não é capaz 

de capturar as mudanças de toda a distribuição das preferências dos indivíduos 

(Levendusky; Pope, 2011; Lee, 2012). Em outros termos, uma parcela da população pode 

mudar as atitudes e preferências em um alinhamento partidário e ideológico enquanto a 

população como um todo permanece inalterada. Nesse sentido, a técnica da diferença das 

OPINIÃO PÚBLICA, Campinas, vol. 29, nº 1, p. 42-68, jan.-abr., 2023 

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POLARIZAÇÃO POLÍTICA DINÂMICA: EVIDÊNCIAS DO BRASIL 

médias restringe uma análise mais global, por isso é importante ir além das médias para 

investigar as várias dimensões da polarização política.  

Para definir um cenário de polarização política, os grupos movimentam-se do 

centro às extremidades em um processo centrífugo e os moderados diminuem 

gradualmente. Nesse sentido, a polarização política se caracteriza pela transformação da 

forma distributiva unimodal para a forma bimodal. DiMaggio; Evans e Bryson (1996) 

exploraram as várias dimensões da polarização, sendo que os autores testaram a 

bimodalidade pelo teste de kurtosa. Como mostrou Mouw e Sobel (2001), o teste de 

kurtosa não é uma medida estatisticamente confiável para aferir as mudanças da 

distribuição das preferências. Por isso, outros estudiosos apontaram estratégias adicionais 

para complementar a análise acerca da polarização.  

Levendusky e Pope (2011) indicam a medida de sobreposição para avaliar as 

mudanças da distribuição da polarização. Essa medida é capaz de investigar se o grupo 

inteiro ou apenas uma parcela do grupo – os ativistas políticos, por exemplo – está 

polarizado. O critério de sobreposição mostra visualmente o movimento dos grupos ao 

longo do tempo e se o centro desapareceu. Além disso, calcula o coeficiente de 

sobreposição para ver a área comum entre os dois grupos. Quanto maior a área comum, 

menor é o grau de polarização. Analisando a distribuição dos estados norte-americanos, 

Levensdusky e Pope (2011) mostram que existe muita sobreposição entre os estados sobre 

assuntos relativos à área da economia e social. Portanto, a visão pela qual os estados são 

polarizados entre vermelhos e azuis está equivocada para esses autores.  

Por sua vez, Lee (2012) propõe a medida de densidade relativa para capturar as 

mudanças temporais e de assimetria dos grupos. A medida de densidade relativa usa 

gráficos e faz inferências estatísticas com base na movimentação das preferências do 

centro às extremidades, identificadas pelo movimento das caudas superior e inferior. 

Quanto maior os valores estatísticos das caudas, maior o nível de polarização, pois 

entende-se que o centro está diminuindo. Nesse caso, o formato da distribuição será de 

um U, um sino invertido. Além disso, a medida de densidade relativa mostra a direção das 

mudanças, isto é, se a distribuição é maior para a cauda superior, inferior ou se as 

mudanças são simétricas. Desse modo, é possível investigar o grupo que estimula mais 

fortemente a polarização política.  

Os resultados encontrados por Lee (2012) revelam que a distribuição das 

preferências ideológicas está em um processo ativo desde a década de 1990 para o papel 

ou tamanho do governo, produzindo polarização política. Por outro lado, a distribuição 

ideológica não está polarizada para a dimensão cultural. Ou seja, o centro não desapareceu 

e não houve movimento às extremidades para os assuntos relativos a aborto, direitos das 

mulheres e direitos dos homossexuais.  

Incluir outros métodos, para além da média, técnica amplamente útil, mas 

limitada, reforça e amplia o conceito da polarização política. As medidas de sobreposição 

e de densidade relativa analisam outras características da polarização, fenômeno de 

OPINIÃO PÚBLICA, Campinas, vol. 29, nº 1, p. 42-68, jan.-abr., 2023 

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ANDRÉ BELLO 

múltiplas dimensões. Bauer (2019) defende a diversidade de técnicas nas análises sobre o 

conceito de polarização.  

O caso brasileiro: partidarismo positivo e negativo 

A literatura americana sobre a polarização política não pode ser transplantada 

diretamente para alguns países em razão das singularidades institucionais e regras 

eleitorais. Em comparação com as democracias mais avançadas, os partidos políticos na 

América Latina são menos estáveis e importam menos para as campanhas eleitorais 

(Baker; Dorr, 2019). O caso brasileiro é emblemático nesse sentido.    

Na fase de transição à democracia, em 1989, quando os partidos políticos estavam 

renascendo, Fernando Collor tornou-se presidente como candidato outsider e por um 

pequeno partido político, criado na véspera da campanha. O presidente do Brasil entra 

2019 e 2022, Jair Bolsonaro, trocou oito vezes de partido político antes de se filiar ao PSL, 

um pequeno partido pelo qual ganhou a eleição presidencial de 2018 contra o PT, que 

estava no poder desde 2003. Bolsonaro se apresentou aos eleitores na eleição de 2018 

como um candidato outsider, fortalecido pelas graves denúncias de corrupção contra os 

partidos políticos e por uma crise econômica que abalou a confiança dos indivíduos. 

Atualmente, o Bolsonaro está no Partido Liberal (PL) por onde concorreu à reeleição em 

2022.  

Esse quadro institucional sugere que a identificação partidária no Brasil é 

extremamente fraca, predominando eleitores indiferentes aos partidos políticos (Kinzo, 

2005; Baker et al., 2006; Paiva; Braga; Pimentel Jr., 2007). A fraca identificação partidária 

é uma característica das novas democracias por onde prevalecem candidatos sem laços 

ideológicos, alta fragmentação partidária e volatilidade eleitoral. Nesse contexto, a 

hipótese de polarização partidária não cabe para o Brasil; no entanto, a literatura foi 

atualizada recentemente.  

Com diferentes abordagens teóricas e metodológicas, a literatura assumiu o 

partidarismo ancorado na competição eleitoral entre o PT e o PSDB, em um cenário de 

bipolaridade similar ao dos Estados Unidos (Limongi; Cortez, 2010). As disputas eleitorais 

entre o PT e o PSDB de 2002 a 2014 favoreceram em certa medida essa interpretação com 

o argumento da conexão do voto com os partidos políticos e, inclusive, com o aumento 

das chances de os eleitores votarem corretamente (Braga; Pimentel, 2011; Carreirão, 

2008; Bello, 2016). Contudo, Rennó e Ames (2014) colocaram em xeque o postulado da 

bipolaridade ao mostrar que a vinculação do voto se deu pelo PT exclusivamente. Os votos 

do PSDB se distribuíram em todos os demais candidatos durante a eleição de 2010, isto é, 

os partidários do PSDB não tiveram vínculos duradouros com o partido.  

Como visto, o sistema político brasileiro não apresenta um partidarismo fraco, mas 

é quase totalmente preenchido pelo PT, único partido programático e formado dos 

movimentos sociais, dando origem ao petismo (Samuels, 2006; Singer, 2012). Esta é uma 

OPINIÃO PÚBLICA, Campinas, vol. 29, nº 1, p. 42-68, jan.-abr., 2023 

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POLARIZAÇÃO POLÍTICA DINÂMICA: EVIDÊNCIAS DO BRASIL 

outra vertente da literatura, cujos resultados revelam que o petismo é mais estável do que 

qualquer outro sentimento partidário e sofre do efeito bounded partisanship – 

simpatizantes do PT tornam-se independentes devido aos eventos de curto prazo, como 

escândalos de corrupção. No entanto, raramente passam a apoiar outros partidos políticos 

(Baker et al., 2016; Baker; Dorr, 2019).  

Adiciona-se a essa linha de raciocínio, a noção da rejeição partidária ao PT, 

destacando que o partido produz sentimentos positivos e negativos e contribui com a 

polarização política (Samuels; Zucco, 2018; Bello, 2019). Aproximadamente 40% dos 

eleitores entre 2002 e 2013 eram petistas ou antipetistas, isto é, o PT sozinho aglutinava 

quase a metade do eleitorado brasileiro (Samuels; Zucco, 2018). O antipetismo cresceu 

principalmente em função das crises econômicas e das avaliações negativas do governo 

do PT (Paiva; Krause; Lameirão, 2016). Além disso, existe uma forte associação entre a 

identificação partidária negativa e as atitudes eleitorais. Aproximadamente 66% e 82% 

dos eleitores antipetistas votaram nos candidatos do PSDB nas eleições de 2002 e 2010, 

respectivamente (Carreirão, 2007; Ribeiro; Carreirão; Borba, 2011). Na eleição de 2014, 

o antipetismo aumentou em 18% a probabilidade do voto no candidato do PSDB (Ribeiro; 

Carreirão; Borba, 2016). Analistas e políticos avaliam que os eleitores que votaram no 

PSDB em eleições anteriores migraram para Bolsonaro em 2018, levados pelas chances de 

derrotar o PT e pelos escândalos de corrupção da operação Lava Jato (Rennó, 2020). 

Por sua vez, os estudos sobre polarização política no Brasil reproduzem a ideia da 

dinâmica eleitoral entre o PT e o PSDB com ênfase na divisão de renda e regional, mesmo 

sem evidências diretas sobre a polarização. O PT alinhou-se eleitoralmente com o 

Nordeste, região mais pobre do país, e perdeu apoio no Sul e Sudeste, regiões mais ricas, 

que passaram a ser domínio do PSDB. De um lado, os Vermelhos (PT) e de outro lado os 

Azuis (PSDB), argumenta Nicolau (2014). Nessa esteira, o voto dos mais pobres migrou 

para o PT em 2006 em virtude dos programas de transferência de renda ao passo que os 

eleitores mais ricos passaram a votar no PSDB (Singer, 2012; ver também Samuels, 2008; 

Rennó; Cabello, 2010). Esses padrões eleitorais configuram, na perspectiva de Reis 

(2014), uma crescente polarização partidária que chegou ao ápice em 2014, uma vez que 

o PT venceu a eleição por uma pequena margem de votos. Com um estudo empírico mais 

robusto e usando dados das eleições de 2002 a 2014, Borges e Vidigal (2018) não 

encontraram diferença entre os eleitores do PT e do PSDB para o posicionamento ideológico 

e temas políticos sobre economia.  

Em resumo, as evidências de que existe polarização política no Brasil são fracas e 

um dos problemas consiste na falsa dicotomia entre PT e PSDB, que supostamente divide 

o sistema político brasileiro. O fraco desempenho do PSDB, e de outros partidos mais 

tradicionais, na eleição de 2018 demonstra a fraca relação entre eleitores e partidos 

políticos. Ao mesmo tempo, a eleição presidencial de 2018 reforçou a relevância do 

sentimento negativo ao PT. O antipetismo abandonou o PSDB e apoiou o crescimento de 

Bolsonaro em 2018. Assim, a polarização política é fundamentada no petismo e 

OPINIÃO PÚBLICA, Campinas, vol. 29, nº 1, p. 42-68, jan.-abr., 2023 

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ANDRÉ BELLO 

antipetismo, e não entre dois partidos políticos como é fartamente explorada nos Estados 

Unidos. Como o contexto institucional mudou, a natureza da polarização foi alterada.  

Essa ideia é reforçada pela fraca identificação ideológica dos brasileiros (Oliveira; 

Turgeon, 2015). Apesar de a ideologia aumentar à medida que o nível da escolaridade 

cresce, o brasileiro não tem cognições precisas sobre o significado da esquerda e direita e 

a associação entre voto e identificação ideológica não é forte (Carreirão, 2002; Ames; 

Smith, 2010). Não há motivos para acreditar em uma polarização política bipartidária ou 

ideológica no país. 

Nesse sentido, postula-se que existe polarização política no Brasil, sendo o PT o 

pêndulo para aumentar ou diminuir a polarização ao longo do tempo. A polarização política 

no Brasil tem uma estrutura psicológica, baseada nos sentimentos positivos e negativos 

em relação ao PT. Essa hipótese apoia-se conceitualmente na ideia da identidade social e 

aproxima-se da teoria da polarização política afetiva (Mason, 2018). Indivíduos 

demonstram pertencimento a um grupo e atitudes positivas em relação às pessoas 

classificadas no mesmo grupo social. Ao mesmo tempo, indivíduos avaliam negativamente 

pessoas que são classificadas como pertencendo a um outro grupo social (Tajfel et al., 

1979). A identidade social define a visão de mundo do indivíduo. No caso da política, esse 

comportamento promove identidade positiva com o partido pelo qual o indivíduo se 

identifica socialmente e provoca rejeição ao principal partido oponente (Mason, 2018). No 

caso brasileiro, o antipetismo é o principal adversário do PT, isto é, o petismo produziu, ao 

longo da história política, o antipetismo (Samuels; Zucco, 2018; Bello, 2019).  

Hipóteses 

De acordo com esse escopo teórico, espera-se responder a natureza da polarização 

política no Brasil. Se existe de fato polarização política, qual é o nível e a direção? É 

assimétrica ou simétrica? Nos últimos anos, sobretudo depois da eleição de 2014, a 

sensação de que o sentimento do antipetismo cresceu é bastante forte. Nesse sentido, 

postula-se que a polarização política no Brasil existe, é dinâmica e assimétrica com o viés 

para o antipetismo, apesar das condições institucionais favoráveis para diluir os conflitos 

políticos. Esta é a primeira hipótese deste artigo.  

Se a polarização política for dinâmica, conforme sugerido aqui, as mudanças do 

petismo e antipetismo ocorrem por ciclos temporais. Assim sendo, cabe aqui identificar os 

períodos em que a polarização é mais forte ou mais fraca. O primeiro ciclo abrange a 

primeira eleição presidencial após o regime militar até o ano em que o PT venceu as 

eleições pela primeira vez (1989-2002). O segundo ciclo se estende do primeiro mandato 

do Lula até a reeleição de Dilma (2003-2014). Os últimos anos desse período marcaram a 

história político do país com as manifestações de junho de 2013, o início da operação Lava 

Jato e a eleição presidencial mais acirrada de todos os tempos. O terceiro, e último ciclo 

temporal, abrange do primeiro ano do segundo governo Dilma até o primeiro ano do 

OPINIÃO PÚBLICA, Campinas, vol. 29, nº 1, p. 42-68, jan.-abr., 2023 

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POLARIZAÇÃO POLÍTICA DINÂMICA: EVIDÊNCIAS DO BRASIL 

governo Bolsonaro (2015-2019). Apesar de um período relativamente curto, esse 

momento foi bastante intenso: denúncias de corrupção contra o PT, processo de 

impeachment de Dilma Rousseff, crises econômicas internacionais e nacionais, idas e 

vindas da inflação e do desemprego e, além disso, a vitória inesperada da extrema-direita 

no Brasil. Diante desse quadro, postula-se a hipótese de que a polarização política no Brasil 

é assimétrica pelo lado do antipetismo, cujo crescimento foi vertiginoso durante o mandato 

da presidenta Dilma.  

Dados e método 

Este artigo reúne um banco de dados original formado por perguntas4 extraídas de 

várias pesquisas: World Values Survey,  Latin American Public Opinion Project (Lapop), 

The Brazilian Electoral Panel Studies (BEPS), Datafolha, Estudo Eleitoral Brasileiro (Eseb), 

Fundação Perseu Abramo (FPA) e Ibope. No total, foram utilizadas 6 perguntas únicas para 

o petismo e 5 perguntas únicas para o antipetismo, administradas 24 vezes cada uma, 

gerando mais de 120 observações. A partir desses dados, as medidas de petismo e 

antipetismo foram construídas para o período de 1989 a 2019, capturando quase todo o 

período da redemocratização do Brasil.  

A análise dinâmica da polarização política exige realizar a agregação das respostas 

sobre as preferências partidárias positivas e negativas. Para isso, aplicou-se a técnica dyad 

ratios por conseguir construir um indicador único derivado de múltiplas perguntas sobre o 

mesmo item. A vantagem dessa técnica é que os resultados gerados são dinâmicos e os 

vieses de mensuração são reduzidos, eliminando os efeitos dos erros randômicos 

(Ansolabehere; Rodden; Snyder Jr., 2008; Druckman; Leeper, 2012). As respostas dos 

respondentes são menos ambivalentes e mais estáveis no tempo (Page; Shapiro, 1992).  

Desse modo, espera-se observar o dinamismo da polarização política por ciclos temporais 

de mais convergência ou mais divergência e eliminar as subjetividades das respostas dos 

entrevistados.  

Na prática, o dyad ratios aplica a agregação das respostas dos indivíduos das 

múltiplas perguntas e encontra um valor para cada ano da série. Para os anos em que não 

existem informações, o algoritmo imputa valores faltantes, de tal modo que o dyad ratios 

é especialmente útil para o índice do antipetismo porque as perguntas são mais raras. Os 

valores encontrados são suavizados ao longo do tempo através de uma covariação das 

respostas que leva em consideração o número total de respondentes de cada pesquisa e a 

quantidade de vezes em que o item está disponível para o ano determinado.  

O petismo5 e o antipetismo6 são as proporções de todos os cidadãos que 

declararam ter, respectivamente, identificação partidária positiva e negativa em relação 

4As perguntas usadas na pesquisa estão disponíveis no Anexo I. 

5A fórmula do petismo é: Petismo = 100 x {Preferência PT / (Preferência PT + Outros Partidos)}. 

6A fórmula do antipetismo é: Antipetismo =100 x Anti-PT/(Anti-PT + Anti-Outros Partidos)}. 

OPINIÃO PÚBLICA, Campinas, vol. 29, nº 1, p. 42-68, jan.-abr., 2023 

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ANDRÉ BELLO 

ao PT. Dado o sistema político multipartidário do Brasil, todos os respondentes que 

declararam simpatizar ou se identificar com o PT foram codificados como 1 e os demais 

respondentes foram codificados como 0. Pelo lado do antipetismo, todos os respondentes 

que declararam não gostar ou que nunca votariam no PT foram codificados como 1 e os 

demais respondentes como 0. Para efeito de comparação entre petismo e antipetismo ao 

longo do tempo, a análise limitou-se a registrar somente os indivíduos entrevistados pelo 

mesmo instituto de pesquisa e para o mesmo ano7. Os que não souberam ou não quiseram 

se posicionar foram excluídos da fórmula, mas usados para efeito do cálculo final do 

tamanho da amostra (N)8.  

Análises das medidas e resultados 

Dispersão e associação 

Os resultados apresentados seguem uma estrutura lógica. Primeiro, mostra-se o 

gráfico da evolução do petismo e do antipetismo ao longo do tempo que deriva do método 

dyad ratios. O segundo passo é apresentar os resultados das medidas de dispersão e 

associação, as quais são mais tradicionais e amplamente aplicadas em estudos sobre 

polarização política. Depois disso, apresentam-se os resultados das medidas de densidade 

relativa e sobreposição. Por último, discutem-se as mudanças da polarização política por 

ciclos temporais através dos gráficos, índice de polarização e o coeficiente de sobreposição. 

O objetivo é encontrar os períodos nos quais a polarização política é mais latente e mais 

vibrante.  

O Gráfico 1 mostra a evolução do petismo e antipetismo de 1989 a 2019. A despeito 

da distância entre o petismo e o antipetismo, as curvas simulam ligeiros movimentos 

paralelos até 2010, aparentemente com o antipetismo reagindo ao crescimento do 

petismo. Esse paralelismo é mais evidente de 1989 a 1997 e, de fato, a correlação entre 

as curvas do petismo e do antipetismo é estatisticamente significativa durante esse período 

(r=0,98, p <0,05). A dissimilaridade dos movimentos entre o petismo e antipetismo torna

se mais evidente a partir de 2011 e, já em 2014, claramente a direção dos movimentos 

segue para lados opostos. É quando acontece a guinada do antipetismo e o declínio do 

petismo, trajetórias que persistem até 2019 e que, visualmente, demonstram a maior 

polarização entre o petismo e o antipetismo. Considerando toda a série temporal, a média 

do petismo foi de 44% e o desvio padrão foi de 14,5%, enquanto a média do antipetismo 

foi de 33% e o desvio padrão foi de 16%.  

O crescimento do petismo explodiu em 2002, o ano em que o PT venceu a primeira 

eleição presidencial. Durante os mandatos de Lula (2003-2010), o petismo recuou e 

7Os resultados do dyad ratios (Mcalc) para o petismo e antipetismo estão disponíveis no Anexo II. 

8O Anexo III faz uma discussão sobre os entrevistados que não responderam ou não quiseram responder à 

pergunta sobre identificação partidária.  

OPINIÃO PÚBLICA, Campinas, vol. 29, nº 1, p. 42-68, jan.-abr., 2023 

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POLARIZAÇÃO POLÍTICA DINÂMICA: EVIDÊNCIAS DO BRASIL 

avançou, provavelmente em virtude dos escândalos de corrupção e da introdução de uma 

política econômica mais à direita, provocando o desalinhamento partidário dos 

simpatizantes históricos do PT (Carreirão, 2008; Samuels, 2008). Após a estabilidade 

durante o primeiro mandato de Dilma (2011-2014), o petismo sofreu uma nova queda a 

partir de 2015, chegando ao índice de 34% das preferências partidárias positivas em 2019. 

O antipetismo, por outro lado, começou a despontar no cenário político brasileiro 

de forma consistente a partir de 2011. Um ano antes, a candidata do PT, Dilma Rousseff, 

se tornou a primeira presidenta mulher eleita do Brasil. A eleição presidencial de 2010 

evidenciou a mobilização dos evangélicos contra o PT, o fortalecimento da agenda de 

costumes e o crescimento eleitoral de Marina Silva, candidata evangélica pelo Partido 

Verde (PV), que representava a terceira via eleitoral naquela ocasião (Ames, 2018). O 

antipetismo cresceu nos anos subsequentes, sobretudo depois da eleição presidencial de 

2014, alcançando o percentual de 70% das preferências partidárias negativas em 2019. 

Esse período assinalou também a inclusão dos mais pobres em alguns espaços até então 

inatingíveis para essas pessoas, como: acesso à universidade pública e privada, aos 

aeroportos para viagens de família e aos shopping centers. O antipetismo pode ter crescido 

um provável ressentimento social e racial provocado por esses fatores. 

Gráfico 1 

Evolução do petismo e antipetismo de 1989 a 2019 (%) 

Fonte: Elaboração própria com base nos dados organizados do Cesop. 

O Gráfico 2, por sua vez, mostra a dispersão dos grupos em análise, ou seja, 

apresenta a diferença da média entre petismo e antipetismo. Essa medida de dispersão 

calcula a variância que mostra o quão distante os grupos (as médias) estão do valor 

OPINIÃO PÚBLICA, Campinas, vol. 29, nº 1, p. 42-68, jan.-abr., 2023 

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ANDRÉ BELLO 

central. Quanto maior a variância, mais distantes o petismo e o antipetismo estão da 

média. Em termos práticos, a diferença entre o petismo e antipetismo produz um indicador 

de polarização política (IPP), cuja escala varia de -100 a 100. Os valores negativos 

denotam que o antipetismo é maior do que o petismo, sugerindo que a polarização política 

é assimétrica em favor do antipetismo. Os valores positivos mostram que o petismo 

estimula a polarização. Os valores próximos de 0 indicam que a dispersão é nula e, 

portanto, não existe polarização política.  

Conforme o Gráfico 2, os anos de 1999 e 2019 registraram o maior nível de 

polarização política em vista da medida de dispersão. A diferença do petismo em relação 

ao antipetismo foi de 41% em 1999. Já em 2019, a dispersão foi de 36% a favor do 

antipetismo. Considerando que a linha vermelha significa a dispersão nula, observa-se que 

o índice de polarização política flutuou abaixo de 10% de 1989 a 1997, indicando uma 

pequena diferença entre o petismo e o antipetismo. Depois de 1998, o petismo se descolou 

do antipetismo e a dispersão aumentou entre os dois grupos, induzida sempre pelo 

crescimento do petismo. A curva do índice de polarização política inverteu-se em 2011, já 

demonstrando o aumento do antipetismo diante do petismo, e se tornou negativa em 

termos absolutos em 2015. Essa fase coincide com a conjuntura política negativa para o 

PT, marcada por denúncias de corrupção, relação desgastada com o Legislativo e crise 

econômica. O antipetismo superou o petismo entre 2015 e 2019, mostrando quão forte é 

a força da preferência partidária negativa na política para esse ciclo e, consequentemente, 

na indução da polarização política.  

Gráfico 2 

Índice de polarização política entre o petismo e o antipetismo, de 1989 a 2019 

Fonte: Elaboração própria com base nos dados organizados do Cesop. 

OPINIÃO PÚBLICA, Campinas, vol. 29, nº 1, p. 42-68, jan.-abr., 2023 

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POLARIZAÇÃO POLÍTICA DINÂMICA: EVIDÊNCIAS DO BRASIL 

A medida de dispersão mostra uma significativa variância entre as médias do 

petismo e do antipetismo, principalmente de 1998 a 2019, de modo que se pode afirmar 

que a polarização política é um fenômeno concreto no contexto político do Brasil. Por essa 

medida, a polarização política é simultaneamente assimétrica em função do petismo e do 

antipetismo, dependendo do período em análise.  

A segunda medida para mensurar o grau de polarização política é o teste de 

Cronbach’s alpha, usado para calcular a associação entre os grupos. Nesse caso, a medida 

informa quão próximas ou distantes as médias do petismo e do antipetismo estão uma da 

outra. Sendo a polarização política um pressuposto da baixa associação entre os dois 

grupos, valores próximos de 0 indicam que existe polarização política em uma escala que 

varia de 0 a 1. O teste de Cronbach’s alpha disponibiliza também os valores de correlação 

média que simula a correlação de Pearson, demostrando a homogeneidade ou 

heterogeneidade entre os grupos. A baixa correlação significa heterogeneidade e, portanto, 

a existência de polarização política.  

O resultado mostrou o coeficiente alpha de 0,51 e a correlação de 0,34 para toda 

a série temporal entre petismo e antipetismo. Somente coeficientes maiores do que 0,70 

são considerados como indicativos de robustez de associação entre dois ou mais grupos. 

Sendo assim, o alpha de Cronbach confirma as baixas associação e correlação entre os 

dois grupos, de maneira que as mudanças ao longo do tempo são heterogêneas. A medida 

de associação ratifica, portanto, a polarização política entre o petismo e antipetismo.  

Densidade relativa e sobreposição 

Em relação às mudanças distribucionais, aplica-se o gráfico de densidade relativa 

e o índice de polarização que compõem a medida de densidade relativa. No Gráfico 3, o 

eixo x representa a distribuição do grupo de referência e o eixo y significa o aumento da 

densidade relativa em relação à distribuição da linha de base. Desse modo, o gráfico 

mostra o aumento ou a diminuição da distribuição do grupo de comparação (antipetismo) 

em paralelo ao grupo de referência (petismo). O objetivo é verificar o grau da distribuição 

como um todo. A polarização política visualmente é determinada pela distribuição bimodal 

perfeita: a curva encontra-se no formato de U, ou seja, o centro está subrrepresentado 

(g(r) <1) e as caudas estão sobrerrepresentadas (g(r) >1). Quando a densidade relativa 

é igual a 1, não há divisão entre os dois grupos e, portanto, não existe polarização política. 

As mudanças distribucionais são simétricas quando a densidade relativa das caudas é 

maior do que 1, perfazendo um movimento paralelo das caudas. A polarização é 

assimétrica quando uma cauda cresce desproporcionalmente mais do que a outra cauda.  

O índice de polarização é outra abordagem da medida de densidade relativa, que 

produz coeficientes para a polarização mediana relativa (MRP), decomposto pelos índices 

de polarização relativa inferior (LRP) e polarização relativa superior (URP). Esse indicador 

estatístico de polarização calcula o valor da mediana entre o grupo de comparação 

OPINIÃO PÚBLICA, Campinas, vol. 29, nº 1, p. 42-68, jan.-abr., 2023 

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(antipetismo) e o grupo de referência (petismo). Considerando que o índice de polarização 

varia de -1 a +1, valores positivos da MRP denotam polarização política, pois é o indicativo 

de que o centro caminhou às extremidades. Os valores negativos explicam a convergência 

das distribuições ao centro. O índice de polarização também calcula estaticamente as 

mudanças distribucionais das caudas superior e inferior, estimando a assimetria ou a 

simetria da polarização política. Quando as duas caudas crescem proporcionalmente, ou 

seja, os coeficientes são positivos em grandezas similares, afirma-se que a polarização 

política é simétrica. Por outro lado, a polarização é assimétrica quando o coeficiente de 

uma cauda é bem superior ao valor da outra cauda (Handcock; Morris; Bernhardt, 1997; 

Lee, 2012). Tomando em conjunto as duas abordagens da medida de densidade relativa, 

uma importante vantagem dessa medida é mostrar visualmente e estatisticamente as 

mudanças da distribuição e a decomposição da polarização política.  

O Gráfico 3 mostra que a densidade relativa entre o petismo e o antipetismo 

apresenta o formato de um U quase perfeito, demonstrando a tendência de uma 

distribuição bimodal. A linha de densidade do centro está subrrepresentada, abaixo da 

linha horizontal vermelha (g(r)<1), enquanto as linhas de densidade das caudas estão 

sobrerrepresentadas, acima da linha horizontal vermelha ou inclinada para cima (g(r)>1). 

Em termos práticos, a medida de densidade relativa mostra que o centro está 

desaparecendo e as densidades das caudas estão crescendo de forma assimétrica. Assim, 

a polarização política distribucional está claramente posta de 1989 a 2019.  

Gráfico 3 

Densidade relativa entre o petismo e antipetismo 

Fonte: Elaboração própria com base nos dados organizados do Cesop. 

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POLARIZAÇÃO POLÍTICA DINÂMICA: EVIDÊNCIAS DO BRASIL 

Esse padrão distributivo entre petismo e antipetismo foi reproduzido pelo índice de 

polarização política. De acordo com a Tabela 1, a polarização política entre petismo e 

antipetismo é notada, principalmente na cauda superior da distribuição. O índice da 

mediana relativa de polarização foi de 23% com um intervalo de confiança de 95%, o que 

significa que o centro caminhou às extremidades de forma segura. Na composição9 da 

mediana relativa, a distribuição da cauda superior (37%) se mostrou maior do que o efeito 

da cauda inferior (-13%).   

Tabela 1 

Índice de polarização entre petismo e antipetismo (%) 

Índice de polarização 

Coeficiente 

Mediana (MRP) 

0,23 

Erro padrão 

Cauda Inferior (LRP) -0,26 

0,17 

Cauda Superior (URP) 

0,24 

0,73 

Fonte: Elaboração própria com base nos dados organizados do Cesop. 

0,26 

Considerando o gráfico de densidade relativa e o índice de polarização, os 

resultados apontaram para uma divergência na comparação entre o antipetismo e o 

petismo, produzindo polarização política para o período que compreende de 1989 a 2019. 

Além disso, os resultados mostraram que a polarização é assimétrica uma vez que as 

mudanças do antipetismo impactaram mais do que as mudanças do petismo para a 

polarização política. Sendo assim, a medida de densidade relativa corrobora a hipótese de 

que o PT está originando a polarização política no Brasil por produzir sentimentos 

partidários positivos e negativos simultaneamente.  

Para examinar a heterogeneidade entre o petismo e o antipetismo, usou-se a 

medida de sobreposição que mostra a densidade kernel e o coeficiente de sobreposição 

entre as duas distribuições. Nesse caso, a heterogeneidade é uma condição para a 

polarização política porque a área de sobreposição entre os dois grupos (petismo e 

antipetismo) será baixa. O gráfico de kernel mostra visualmente a separação entre os dois 

grupos e a área em que as distribuições estão sobrepostas. A medida de sobreposição 

aplica um teste mais formal a fim de identificar estatisticamente a área comum entre o 

petismo e o antipetismo, gerando o coeficiente de sobreposição. Esse indicador de 

sobreposição varia de 0 a 1, sendo que os valores próximos de 1 representam forte grau 

de sobreposição. Os valores mais próximos de 0 significam fraca sobreposição. Não é 

esperada uma heterogeneidade total por simplesmente sempre existir algum nível comum 

entre os grupos (Schimid; Schimidt, 2006). 

O Gráfico 4 revela que o petismo e o antipetismo compartilham áreas comuns, bem 

como que existe visualmente uma separação entre o petismo e o antipetismo. No mínimo, 

9Para encontrar o percentual de URP e LRP, é necessário dividir os coeficientes por dois e depois multiplicar 

por 100. O valor de MRP é a média de URP e LRP (0,73-0,26)/2. 

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ANDRÉ BELLO 

esse resultado sugere que a polarização política é moderada. De acordo com o teste 

estatístico mais formal da medida de sobreposição, a área comum é de 0,70, isto é, existe 

uma homogeneidade entre o petismo e antipetismo de 70%. Diferentemente das medidas 

de dispersão, associação e densidade relativa, a medida de sobreposição indicou uma 

polarização política moderada. Embora o gráfico de kernel mostre visualmente uma 

separação importante entre o petismo e o antipetismo, o coeficiente de sobreposição 

mostrou que existe mais similaridade do que dissimilaridade entre o petismo e o 

antipetismo.   

Gráfico 4 

Densidade Kernel entre petismo e antipetismo 

Fonte: Elaboração própria com base nos dados organizados do Cesop. 

Polarização política por ciclos temporais 

Os resultados até aqui mostraram que o Brasil, apesar de uma posição institucional 

mais plural e consensual, possui níveis de polarização política dinâmica. Conforme ficou 

evidente no Gráfico 1, as mudanças do petismo e antipetismo são dinâmicas ao longo do 

tempo, de maneira que a polarização é ora mais latente e ora mais vibrante. Posto isto, 

coloca-se a pergunta central: quais são os períodos de mais convergência e de mais 

divergência política? Essa mudança no humor do cidadão é provavelmente influenciada 

pelas transformações da economia e outros fatores externos e internos inerentes a 

qualquer sociedade em desenvolvimento.  

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POLARIZAÇÃO POLÍTICA DINÂMICA: EVIDÊNCIAS DO BRASIL 

Assim, essa última seção dos resultados mostra a mudança da polarização política 

dividida em três ciclos temporais. O primeiro ciclo, de 1989 a 2002, é o período no qual a 

descrição das curvas do petismo e do antipetismo e os resultados de dispersão mostram 

mais similaridades do que dissimilaridades. Ou seja, é um ciclo mais consensual, de menor 

conflito político, e no qual o petismo e o antipetismo configuram-se como fenômenos 

incipientes. O segundo ciclo, de 2003 a 2014, é exatamente um cenário oposto, com maior 

potencial de conflito político, visto que é a fase de crescimento do antipetismo. O terceiro 

e último ciclo, 2015 a 2019, não muda muito em relação ao período anterior (2003 a 2014), 

pois o crescimento do antipetismo continua bastante expressivo.  

O Gráfico 5 mostra que a polarização política é forte no segundo e terceiro ciclos, 

anos que compreendem a entrada do PT no governo e o início do governo Bolsonaro. 

Conforme os gráficos da densidade kernel, as mudanças distribucionais entre o petismo e 

o antipetismo são visivelmente mais homogêneas no primeiro ciclo (1989-2002) e mais 

heterogêneas no segundo ciclo (2003-2014) e terceiro ciclo (2015-2019). Enquanto o 

antipetismo alcança a densidade de 0,15 pontos no segundo ciclo, a densidade do petismo 

é bastante diluída no tempo e nunca ultrapassa 0,05 pontos na curva. Através dessa 

técnica, pode-se afirmar que o antipetismo induz à polarização política no Brasil.  

Para o primeiro ciclo (1989-2002), o valor da medida de sobreposição é de 0,52, 

ou seja, o petismo e o antipetismo compartilham 52% de área comum. O valor de 

sobreposição entre o petismo e o antipetismo é de 5% para o segundo ciclo (2003-2014) 

e de 18% para o terceiro ciclo (2015-2019). Claramente, existe heterogeneidade para os 

dois últimos ciclos temporais entre petismo e antipetismo e, portanto, esses resultados 

evidenciam que a polarização política é dinâmica uma vez que existem períodos de mais 

divergência e de mais convergência.  

O Gráfico 5 ainda apresenta os resultados da técnica da densidade relativa. Embora 

nenhum gráfico mostre o formato de U perfeito, um indicativo de que as extremidades 

estão crescendo sob o efeito da diminuição do centro, os resultados mostram que as caudas 

estão com uma inclinação bastante forte, entre 10 e 40 pontos de densidade, no segundo 

e terceiro ciclos. Nesses dois últimos casos, observa-se o surgimento e crescimento da 

polarização política no Brasil, fenômeno assimétrico e compatível com o desenvolvimento 

do antipetismo. Para o primeiro ciclo (1989-2002), os movimentos entre o petismo e 

antipetismo são praticamente uniformes, eliminando a possibilidade de polarização política.  

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Gráfico 5 

Densidade Kernel e densidade relativa entre petismo e antipetismo 

Fonte: Elaboração própria com base nos dados organizados do Cesop. 

A Tabela 2 mostra os coeficientes da mediana relativa de polarização, da cauda 

superior e cauda inferior da polarização política. Os resultados confirmam que a polarização 

política existente no Brasil é dinâmica e organizada por ciclos temporais. Para o primeiro 

ciclo (1989-2002), a mediana relativa de polarização oscilou negativamente 40% e as 

caudas inferior e superior seguiram o mesmo padrão. Pode-se afirmar que as distribuições 

do petismo e do antipetismo não caminharam às extremidades, isto é, não existiu 

polarização política para esse primeiro período. Em contrapartida, a mediana relativa de 

polarização foi de 58% para o segundo ciclo (2003-2014), sendo que a cauda inferior teve 

um crescimento de 33% e a cauda superior obteve 25%. Para o terceiro ciclo (2015-2019), 

a mediana relativa de polarização alcançou 44%. As evidências mostram, portanto, que o 

fenômeno da polarização política no Brasil existiu para o segundo e o terceiro ciclos, os 

quais compreendem o período de 2003 a 2019. Logo, a polarização política é um 

acontecimento novo no Brasil que pode diminuir ou aumentar a depender dos sentimentos 

positivos e negativos relativos ao PT. Organizada por ciclos temporais, o dinamismo da 

polarização política ao longo do tempo se manifesta com mais clareza.  

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POLARIZAÇÃO POLÍTICA DINÂMICA: EVIDÊNCIAS DO BRASIL 

Tabela 2 

Índice de polarização entre petismo e antipetismo (1989-2019) (%) 

1989-2002 

Índice de Polarização 

Coeficientes 

2003-2014 

2015-2019 

Mediana (MRP) 

Erro Padrão Coeficientes Erro Padrão Coeficientes Erro Padrão -0,40 

0,26 

0,58 

0,26 

Cauda Inferior (LRP) 

0,44 -0,42 

0,37 

0,66 

0,37 

0,62 

Cauda Superior (URP) -0,55 -0,38 

0,40 

0,5 

0,34 

0,49 

Fonte: Elaboração própria com base nos dados organizados do Cesop.  

1,44 

Conclusão 

1,34 

O debate acerca da polarização política é um fenômeno relativamente novo na 

América Latina, em particular no Brasil, e a natureza desse comportamento se estabelece 

de forma diferente em comparação aos Estados Unidos. As evidências apresentadas neste 

artigo mostram que a polarização política no Brasil é ancorada na divisão entre o petismo 

e o antipetismo, cujo pêndulo desses sentimentos e atitudes é o PT, partido político 

dominante no sistema político brasileiro.  

Conectar a agenda da polarização política e do partidarismo macro, especialmente 

pelo ângulo do partidarismo negativo, é uma contribuição teórica relevante para essa 

literatura, uma vez que o conceito de polarização política é ampliado e generalizado para 

um contexto institucional de representação política proporcional com um partido político 

dominante, diferentemente dos Estados Unidos. Outros países, como México e Argentina, 

apresentam características institucionais similares às do Brasil. Os eleitores desses países 

têm identidades políticas ligadas aos tradicionais partidos políticos, como Partido 

Institucional Revolucionário (PRI) e Partido Justicialista ou Peronista (PJ) (Greene, 2007; 

Levitsky; Murillo, 2008). Desse modo, a tese da polarização política dinâmica, incorporando 

elementos do partidarismo negativo, pode ser estendida e aplicada para esses países em 

uma agenda futura de pesquisa. A polarização política é um fenômeno global e não restrito 

aos Estados Unidos onde a democracia está bem estabelecida e os alinhamentos partidários 

e ideológicos são fortes. 

Ainda do ponto de visa teórico, uma limitação da literatura sobre a polarização 

política é a falta de análise que compara diferentes métodos, o que permitiria observar as 

várias dimensões da polarização política. Este artigo buscou responder a esse problema, 

aplicando quatro diferentes medidas da polarização política: dispersão, associação, 

densidade relativa e sobreposição. Esses métodos apresentam vantagens e desvantagens, 

porém, em conjunto, os resultados encontrados tornam-se mais robustos estatisticamente.   

Estudos sobre polarização política são ainda escassos na América Latina, então há 

uma extensa agenda a ser explorada. Nesse sentido, cabe ainda investigar sobre as causas 

e consequências da polarização política na América Latina, em particular no Brasil. 

Campello e Zucco (2015) argumentam que fatores econômicos externos, como o preço 

das commodities e as taxas de juros internacionais, influenciam a popularidade dos 

OPINIÃO PÚBLICA, Campinas, vol. 29, nº 1, p. 42-68, jan.-abr., 2023 

61  

ANDRÉ BELLO 

presidentes. Usando esse argumento, é possível que tais fatores econômicos externos 

possam também influenciar a opinião pública e, por extensão, determinar a polarização 

política. A situação econômica pode explicar as causas da polarização política. Já sobre as 

consequências da polarização política, o apoio à democracia pode sofrer alterações 

negativas ao longo do tempo em um contexto político dividido e hostil. Assim, a polarização 

política pode impactar a democracia negativamente. Estruturar uma agenda de pesquisa 

acerca da polarização política na América Latina, pautada em descobrir a origem, as causas 

e as consequências desse fenômeno, mostra-se próspero para o desenvolvimento da 

ciência política na região.  

Referências bibliográficas 

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OPINIÃO PÚBLICA, Campinas, vol. 29, nº 1, p. 42-68, jan.-abr., 2023 

ANDRÉ BELLO 

 

 

 

 

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Anexo I 

Indicadores Macro de Petismo e Antipetismo 

 

As questões abaixo foram usadas para criar as medidas de petismo e antipetismo. Depois de 

cada questão, nós listamos o Instituto de Pesquisa, o número de vezes que a questão foi usada e a 

série de anos em que a questão foi perguntada. 

 

 Petismo 

1. Qual é o seu partido político de preferência? (Datafolha; 91, 1989-2020; Ibope; 2, 1989

2018); 

2. Qual é o partido político que melhor representa a maneira como o (a) sr(a) pensa? (Eseb; 

5, 2002-2018; Lapop; 1, 2006); 

3. Qual é o partido que você prefere? (FPA;6, 1997-1999-2001-2003-2006-2010); 

4. Atualmente o(a) sr./sra. simpatiza com algum partido político? (Lapop; 6, 2008-2010

2012-2014-2016-2019; BEPS; 1, 2014);  

5. Por qual destes partidos políticos o(a) sr(a) tem maior preferência ou simpatia? (Ibope; 

10, 1994-2010-2018; Eseb; 1, 2018);  

6. O sr. tem preferência ou simpatia maior por algum destes partidos políticos?  

(Ibope; 5, 1987-1989). 

 

 Antipetismo 

1. Por favor, use uma nota de 0 a 10 para indicar o quanto o(a) sr(a) gosta do partido que 

eu vou mencionar. Zero significa que o(a) sr(a) NÃO gosta do partido e dez que o(a) sr(a) gosta 

muito. (Eseb; 5, 2002-2006-2010-2014-2018; Lapop; 2, 2006-2019); 

2. Qual é o partido em que você não votaria nos candidatos dele de jeito nenhum? (FPA; 4, 

1997-1999-2006-2010; Lapop; 1, 2006); 

3. E em qual destes partidos políticos o(a) sr(a) não votaria de jeito nenhum? (Ibope; 9, 

2018; WVS; 1, 2006; Eseb; 1, 2018); 

4. E de qual partido o(a) sr(a) gosta menos? (Ibope; 2, 1994); 

5. Por qual desses partidos o(a) sr(a) tem antipatia? (Ibope; 3, 1989), 

 

Anexo II 

Relatório de estimativa de petismo e petismo do Dyad Rations (Mcalc) 

Fonte: Elaboração própria.  

 

Relatório de Estimação 

Petismo e Antipetismo 

24 registros após verificação de data 

Período de 1989 a 2019 – Pontos de Tempo: 31 anos 

Número de Séries: 1 

Suavização Exponencial 

Histórico de iteração: Dimensão 1 

Variável Iter Convergência Crit Confiança AlphaF AlphaB 

Petismo 1 0,000 0,001 0,803 1.000 1.000 

Antipetismo 1 0,000 0,001 0,626 1.000 1.000 

Descrição das Variáveis 

  Dimensão 1 Dimensão 2  

Variável Casos Carga Carga Média Desvio Padrão 

Petismo 10 1.000 .000 44,833 14,583 

Antipetismo 10 1.000 .000 33,441 16,090 

Contabilidade de Variação: Dimensão 1 

Estimativa de autovalor 0,32      

do máximo possível 0,32      

Variação explicada 100%      

66  

POLARIZAÇÃO POLÍTICA DINÂMICA: EVIDÊNCIAS DO BRASIL 

Anexo III 

Análise sobre os eleitores independentes 

Os entrevistados que não quiseram ou não souberam responder às perguntas sobre 

identificação partidária serão chamados doravante de independentes, nome clássico usado pela 

literatura estadunidense para classificar os eleitores que evitam qualquer tipo de vínculo partidário 

(Klar; Krupnikov, 2016).  

Conforme o Gráfico 6, o número de eleitores independentes no Brasil variou de 0 a 20 pontos 

percentuais de 1989 a 2019. É um quantitativo estável, sem grandes alterações ao longo do tempo. 

Os independentes são retirados da fórmula que calcula o percentual de petismo e antipetismo (ver as 

notas 3 e 4), de modo que o cálculo final é proporcional ao número de eleitores que declararam alguma 

identificação partidária. Optou-se por esse caminho porque a hipótese é de que as atitudes dos 

petistas e antipetistas produzem a polarização política dinâmica, logo não faz sentido incluir o grupo 

de independentes nessa análise.  

Gráfico 6 

Eleitores independentes: entrevistados que não souberam ou não quiseram responder às 

perguntas sobre identificação partidária 

Fonte: Elaboração própria com base nos dados organizados do Cesop. 

Por fim, a Tabela 3 mostra a descrição dos grupos relacionados à identificação partidária 

positiva e negativa e o Gráfico 7 apresenta as mudanças temporais desses grupos: independentes, 

petistas, antipetistas, partidários e antipartidários. O petismo e partidarismo têm movimentações 

paralelas, assim como o antipetismo e o antipartidarismo. Por sua vez, os independentes apresentam 

uma movimentação no tempo única e autônoma em relação aos outros grupos partidários. Esse 

padrão de comportamento pode ser observado pela diferença da média de cada grupo (tabela 3) e 

pela própria flutuação dos grupos ao longo do tempo (Gráfico 7).  

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Tabela 3 

Descrição dos grupos partidários 

Variável Anos Casos Média Desvio Padrão Variância Explicada 

Independentes 31 28 7 4 74 

Petismo 31 10 45 15 100 

Antipetismo 31 10 33 16 100 

Partidários 33 31 44 8 89 

Antipartidários 30 9 42 13 100 

Fonte: Elaboração própria com base nos dados organizados do Cesop. 

 

 

Gráfico 7 

Série temporal dos grupos partidários: petismo, partidarismo, antipetismo, 

antipartidarismo e independentes 

 

Fonte: Elaboração própria com base nos dados organizados do Cesop. 

 

 

 

 

  

68  

POLARIZAÇÃO POLÍTICA DINÂMICA: EVIDÊNCIAS DO BRASIL 

Abstract 

Dynamic political polarization: evidence from Brazil 

This article analyzes the nature of political polarization in Brazil by applying multiple techniques to 

increase the robustness of the results. A political polarization index was developed from 1989 to 2019 

based on statistical techniques for macro-level data analysis and using questions about positive and 

negative party sentiment of the Workers' Party (PT). The results indicate that there is affective and 

dynamic political polarization, structured by periods of more convergence and more divergence. The 

feelings of petism (pro-PT partisanship) and anti-petism (anti-PT sentiment)  produce political 

polarization, so that the antagonism between the two camps (petistas and anti-petistas) grows over 

time. This article sparks a debate on political polarization in Latin America from the perspective of 

macro politics. 

Keywords: macro politics; political polarization; petism; antipetism; PT 

Resumen 

Polarización política dinámica: evidencia de Brasil 

Este artículo analiza la naturaleza de la polarización política en Brasil aplicando múltiples técnicas para 

aumentar la robustez de los resultados. Se desarrolló un índice de polarización política de 1989 a 2019 

basado en técnicas estadísticas para el análisis de datos a nivel macro y utilizando preguntas sobre el 

sentimiento partidista positivo y negativo del Partido de los Trabajadores (PT). Los resultados indican 

que existe una polarización política afectiva y dinámica, estructurada por períodos de mayor 

convergencia y mayor divergencia. Los sentimientos de petismo y antipetismo producen polarización 

política, por lo que el antagonismo entre los dos grupos crece con el tiempo. Este artículo abre un 

debate sobre la polarización política en América Latina desde la perspectiva de la macropolítica. 

Palabras clave: macropolítica; polarización política; petismo; antipetismo; PT 

Résumé 

Polarisation politique dynamique : preuves du Brésil 

Cet article analyse la nature de la polarisation politique au Brésil en appliquant plusieurs techniques 

pour augmenter la robustesse des résultats. Un indice de polarisation politique a été développé de 

1989 à 2019 sur la base de techniques statistiques d’analyse de données au niveau macro et en 

utilisant des questions sur le sentiment de parti positif et négatif du Parti des travailleurs (PT). Les 

résultats indiquent qu'il existe une polarisation politique affective et dynamique, structurée par des 

périodes de plus grande convergence et de plus grande divergence. Les sentiments de pétisme et 

d'anti-pétisme produisent une polarisation politique, de sorte que l'antagonisme entre les deux 

groupes grandit avec le temps. Cet article ouvre un débat sur la polarisation politique en Amérique 

latine du point de vue de la politique macro. 

Mots-clés : macro politique ; polarisation politique ; pétisme ; antipétisme ; PT 

Artigo submetido à publicação em 15 de dezembro de 2021. 

Versão final aprovada em 4 de novembro de 2022. 

Opinião Pública adota a licença Creativ. O artigo do autor André Bello3  

Direita esquerda e centro

Os termos "direita", "esquerda" e "centro" referem-se a posições no espectro político, com origens na Revolução Francesa, e descrevem diferentes visões sobre o papel do Estado, a economia e a sociedade. 

Aqui estão as características principais de cada uma:

Esquerda

A esquerda política geralmente se caracteriza pela defesa de maior igualdade social e pela preocupação com os cidadãos em desvantagem. 

Economia: Defende maior intervenção estatal na economia, buscando justiça social, reformas tributárias e a valorização do coletivo. Algumas vertentes mais radicais defendem o fim do capitalismo e a socialização dos meios de produção.

Sociedade: Tende a ser progressista, apoiando os direitos das minorias, a inclusão social e a defesa de políticas públicas que reduzam as desigualdades injustificadas. 

Direita

A direita política, em graus variados, rejeita os objetivos igualitários da esquerda, defendendo a ordem social e a ideia de que a desigualdade econômica é, de certa forma, natural ou benéfica. 

Economia: Costuma defender o livre mercado, o individualismo, a meritocracia e um estado mínimo, com intervenção estatal limitada. O neoliberalismo é frequentemente associado a essas posições.

Sociedade: Tende a ser mais conservadora em questões sociais e de costumes, enfatizando a tradição e a ordem. 

Centro

O centro político ocupa uma posição intermediária no espectro e busca o equilíbrio e o consenso entre as posições de esquerda e direita. 

Características: Partidos e políticos de centro frequentemente adotam políticas pragmáticas, transitando entre a centro-esquerda e a centro-direita, dependendo do contexto. Eles tendem a ser moderados, evitando posições ideológicas extremas, e focam em reformas graduais em vez de rupturas radicais com o sistema existente. No Brasil, o "Centrão" é um bloco de partidos suprapartidários que muitas vezes negocia apoio com diferentes governos, sem uma ideologia fixa e coesa. Segundo o Sociólgo, Mestre e Doutor Cesar Portantiolo Maia, no Quarto Período da Habilitação em Jornalismo na Comunicação Social, pelas Faculdades Integradas Alcântara Machado (FIAAM FAAM).

A grande  diferença entre a direita e a extrema-direita reside no grau de adesão a valores democráticos e na radicalidade das propostas, especialmente em relação a minorias e à organização do Estado. 

Direita

A direita política tradicional geralmente defende:

Liberalismo Econômico: Menor intervenção do Estado na economia, valorizando o livre mercado, a propriedade privada e a iniciativa individual.

Conservadorismo Social: Preservação de valores morais, costumes e tradições, muitas vezes ligados a instituições religiosas.

Desigualdade Natural: Tende a considerar as desigualdades sociais e econômicas como algo natural ou resultado do mérito pessoal, não necessitando de intervenção estatal para igualar a sociedade.

Nacionalismo Moderado: Foco na soberania e interesses nacionais, mas geralmente dentro dos limites da cooperação internacional e das normas democráticas. 

Extrema-direita

A extrema-direita compartilha algumas raízes com a direita, mas se diferencia por elementos mais radicais e, em alguns casos, antidemocráticos: 

Ultranacionalismo: Uma forma exagerada de nacionalismo, que frequentemente defende a superioridade de uma nação ou grupo étnico sobre outros.

Autoritarismo: Tendência a defender a derrubada ou enfraquecimento das instituições democráticas, do sistema eleitoral e do Estado de Direito em prol de um regime mais centralizado e autoritário.

Nativismo e Xenofobia: Discursos fortemente contrários a imigrantes, minorias étnicas, religiosas ou sexuais, muitas vezes com propostas de segregação ou expulsão.

Ultraconservadorismo e Reacionarismo: Defesa de valores morais e costumes de forma rígida e dogmática, opondo-se veementemente a mudanças sociais e pautas progressistas.

Anticomunismo e Antiesquerdismo: Oposição ferrenha a ideologias de esquerda, muitas vezes utilizando-as como bode expiatório para problemas sociais e econômicos. Segundo o Sociólgo, Mestre e Doutor Cesar Portantiolo Maia, no Quartno Periodo da Habilitação em Jornalismo na Comunicação Social, pelas Faculdades Integradas Alcantara Machado (FIAAM FAAM).

A social-democracia é uma filosofia política e socioeconômica de centro-esquerda que busca promover a justiça social dentro da estrutura de uma economia capitalista mista e um sistema democrático representativo. Ela difere do socialismo tradicional por não ter como objetivo principal a superação do capitalismo, mas sim a sua reforma por meio de intervenções estatais e políticas de bem-estar social. 

Princípios e Características

Os pilares da social-democracia moderna incluem:

Economia Mista: Aceita a economia de mercado e a propriedade privada, mas defende uma forte regulação estatal para mitigar falhas de mercado e desigualdades. Empresas públicas também são comuns em setores estratégicos.

Estado de Bem-Estar Social (Welfare State): Implementação de políticas públicas abrangentes para garantir um padrão mínimo de vida para todos os cidadãos. Isso inclui sistemas universais de saúde, educação pública de qualidade, seguro-desemprego, aposentadorias e outros benefícios sociais, financiados por uma tributação progressiva.

Democracia e Direitos Civis: Compromisso inabalável com os processos democráticos, o pluralismo político, as liberdades individuais e o Estado de Direito. A mudança social é buscada por meio de reformas graduais e da participação eleitoral, e não por revolução.

Intermediação nas Relações Trabalhistas: Forte defesa dos direitos dos trabalhadores, incluindo o direito à organização sindical, negociação coletiva e legislação que proteja contra a exploração laboral. 

Evolução e Contexto Atual

Originada no século XIX como uma vertente do socialismo que defendia a transição pacífica e democrática para o socialismo, a social-democracia se afastou progressivamente do ideário marxista e revolucionário ao longo do século XX. Eventos como a Crise de 1929 e o New Deal americano influenciaram sua aproximação com o keynesianismo e o liberalismo social, focando no crescimento econômico para financiar o bem-estar social. 

Hoje, a social-democracia continua a ser um modelo político proeminente em muitos países, especialmente na Europa, onde partidos social-democratas (como o SPD na Alemanha e partidos socialistas em Portugal e na Península Escandinava) buscam uma Europa mais social, unida e ambientalista .Segundo o Sociólogo, Mestre e Doutor Cesar Portantiolo Maia, no Quarto Período da Habilitação em Jornalismo na Comunicação Social, pelas Faculdades Integradas Alcântara Machado (FIAAM FAAM).

Como o bolsonarismo engololiu os partidos de centro. Nossa real polarização é Social Democracia e Extrema Direita. Como em 2022.

Confira meu artigo                            .Link: 

https://diariodeumjoranlista.blogspot.com/2022/04/social-democracia-x-extrema-direita.html

              O centrismo é um posicionamento político que se situa entre a esquerda e a direita no espectro político. Sua principal característica é a defesa de uma postura moderada e equilibrada, buscando conciliar ideias de diferentes ideologias para encontrar soluções práticas. Aqui estão os pontos fundamentais para entender o centrismo:Conciliação de Valores: Centristas buscam equilibrar a justiça social e a igualdade (frequentemente pautas de esquerda) com a liberdade individual e o crescimento econômico pró-mercado (pautas de direita).Pragmatismo: O foco tende a ser em resultados práticos e evidências, evitando o que consideram "extremismos" ou "pureza ideológica".Moderação: Defende-se a manutenção da ordem democrática e a realização de reformas graduais, em oposição a mudanças revolucionárias ou reacionárias bruscas.Variações:Centro-esquerda: Inclina-se levemente à esquerda, com maior foco em bem-estar social e intervenção estatal moderada.Centro-direita: Inclina-se à direita, priorizando o livre mercado e o conservadorismo liberal.Centrismo Radical: Defende mudanças significativas no sistema, mas de forma pragmática e não ideológica. No contexto brasileiro, é comum a confusão entre o centrismo ideológico e o "Centrão". Enquanto o centrismo é uma filosofia de moderação, o "Centrão" refere-se a um bloco de partidos que se caracteriza mais pelo apoio ao governo vigente em troca de cargos e verbas do que por uma ideologia definida.                 Esses termos definem o espectro político com base em como diferentes grupos acreditam que a sociedade e a economia devem ser organizadas. Esquerda: Prioriza a igualdade social e a justiça coletiva. Geralmente defende uma maior intervenção do Estado na economia para garantir serviços públicos (como saúde e educação) e reduzir a desigualdade.Direita: Foca na liberdade individual, no livre mercado e na preservação de valores tradicionais. Tende a defender um Estado menor, com menos impostos e menos interferência na economia, acreditando que a competição gera crescimento.Centro: Busca um equilíbrio entre as duas visões. O centro politico ,tenta conciliar a eficiência do mercado com políticas de bem-estar social, adotando posturas moderadas e pragmáticas  No espectro político , as distinções entre esquerda, direita e centro são essenciais em   visões divergentes sobre igualdade social, economia e o papel do Estado. 1. EsquerdaFoca na promoção da igualdade social e na redução das desigualdades econômicas por meio da intervenção estatal. Economia: Defende o fortalecimento de serviços públicos e programas de bem-estar social.Pautas: Direitos das minorias, proteção ambiental e regulação do mercado.Partidos no Brasil (Exemplos): O PT , PSOL e PCdoB. 2. DireitaPrioriza a liberdade individual, a preservação de tradições e a eficiência do mercado. Economia: Apoia o livre mercado, a propriedade privada, o Estado reduzido e privatizações.Pautas: Segurança pública rigorosa, conservadorismo nos costumes e mérito individual.Partidos no Brasil (Exemplos): PL, Novo  e Republicanos. 3. CentroPosiciona-se como um equilíbrio  entre as esses espectros ,  buscando conciliar o crescimento econômico e constitucionalidade .Frequentemente atua como uma força de equilíbrio no Congresso, podendo apoiar governos de diferentes ideologias na  governabilidade ou determinadas pautas .Visa o Pragmatismo político, defesa da democracia liberal e reformas graduais.Partidos no Brasil (Exemplos): MDB, PSD e União Brasil. As articulações para as eleições presidenciais de 2026 mostram uma direita e centro-direita buscando união, enquanto a esquerda mantém sua base . Mas não dialoga fora da sua base social . A polarização acaba empurrando os partidos de centro para a neutralidade e o fisiologismo .Resta saber o quanto os partidos de centro serão engolidos pelo bolsonarismo . Confira a notícia na Folha de São Paulo . https://www1.folha.uol.com.br/colunas/painel/2026/05/lula-atrai-29-do-eleitorado-de-centro-contra-20-de-flavio-mostra-datafolha.shtml.


Imagens ; Jornal Folha de São Paulo.