sábado, 10 de outubro de 2026

Democracia perdendo .

 A política é a atividade humana voltada para a organização, administração e tomada de decisões em uma sociedade, com o objetivo de gerenciar recursos, resolver conflitos de forma pacífica e estabelecer as leis que regem a convivência entre as pessoas.


Origem da Palavra

 Pólis: O termo vem do grego polis, que significa "cidade" ou "cidade-estado".

 Politiké: Na Grécia Antiga, referia-se às ações e aos debates dos cidadãos para organizar a vida em comunidade. Aristóteles definiu o ser humano como um "animal político", pois a nossa natureza é viver em sociedade.


Principais Dimensões

 Esfera pública e estatal: Envolve o governo de países, estados e municípios, a disputa pelo poder, a criação de leis e a gestão de impostos em benefício da população.

 Convivência social: Manifesta-se também fora dos governos, nas relações do dia a dia, em condomínios, escolas, empresas, famílias e movimentos sociais. Resolução de conflitos: É a ferramenta usada para alinhar interesses e opiniões diferentes sem recorrer à violência.

Você pode saber mais sobre a prática e os conceitos fundamentais no portal educacional Politize! ou consultar a visão histórica detalhada 

rtigos

Desilusão Política, Crise dos Grandes Partidos

e 

Ascensão de Novas Organizações Político

partidárias na Europa Central Pós 1989

Barbosa[1], Flávio Rodrigues

Flávio Rodrigues Barbosa[1] 

f.rodriguesbarbosa@gmail.com

Universidade Federal de Juiz de Fora - UFJF, Brasil

Argumentos - Revista do Departamento de Ciências

Sociais da Unimontes

Universidade Estadual de Montes Claros, Brasil

ISSN: 1806-5627

ISSN-e: 2527-2551

Periodicidade: Semestral

vol. 14, núm. 1, 2017

revista.argumentos@unimontes.br

URL:  http://portal.amelica.org/ameli/jatsRepo/363/3631546017/

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NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.

Este trabalho está sob uma Licença Creative Commons Atribuição

NãoComercial-Não Derivada 4.0 Internacional.

Resumo: O presente trabalho aborda a atual crise política

vivenciada pelos partidos políticos centro-europeus, herdeiros das

democratizações de 1989. Nosso foco específico recai sobre a

experiência da República Tcheca, país que, entre todas as outras

ex-repúblicas do bloco soviético, teve a mais bem-sucedida história

de transição política e, até 2010, possuía o sistema partidário

mais estável da região. Entre as causas que produziram a crise dos

grandes partidos, figuram a precoce relação apática entre cidadãos

e seus representantes, a incapacidade dos grandes partidos em

atender as principais demandas da população e o envolvimento

dos principais partidos políticos com o mais novo e mais extremo

fenômeno de corrupção conhecido como Captura do Estado.

Com efeito, tem se fomentado o sucesso de novos partidos

políticos, muitas vezes classificados como antiestablishment e/ou

populistas, que a cada eleição vêm ocupando significativos lugares

antes pertencentes aos grandes partidos.

Palavras-chave: 

Pós-comunismo, 

Partidos 

Democratização, Corrupção, Captura do Estado.

Políticos,

Abstract: is paper deals with the current political crisis

experienced by Central European political parties, heirs of the

democratizations of 1989. Our specific focus is on the experience

of Czech Republic, a country which among all other ex-republics

of the Soviet bloc had the most successful history of political

transition and, until 2010, had the most stable party system in

the region. Among the causes that have produced the crisis of the

main political parties are the early apathetic relationship between

citizens and their representatives, the inability of large parties to

meet the main demands of the population and the involvement

of the main political parties with the newest and most extreme

phenomenon of corruption known as State Capture. In fact, the

success of new political parties, oen classified as antistablishment

and / or populists, has been fostered, with each seat occupying

significant seats formerly belonging to the major parties.

Keywords: Post-communism, Political Parties, Democratization,

Corruption, State Capture.

Resumen: El presente trabajo aborda la actual crisis política

vivida por los partidos políticos centroeuropeos, herederos de

las democratizaciones de 1989. Nuestro enfoque específico recae

sobre la experiencia de la República Checa, país que, entre todas las

otras ex repúblicas del bloque soviético, tuvo la más exitosa historia

de transición política y, hasta 2010, poseía el sistema partidista

más estable de la región. Entre las causas que produjeron la crisis

Modelo de publicação sem fins lucrativos para preservar a natureza acadêmica e

aberta da comunicação científica

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de los grandes partidos, figuran la precoz relación apática entre

ciudadanos y sus representantes, la incapacidad de los grandes

partidos en atender las principales demandas de la población y la

implicación de los principales partidos políticos con el más nuevo

y más extremo fenómeno de corrupción conocida como Captura

del Estado. En efecto, se ha fomentado el éxito de nuevos partidos

políticos, a menudo clasificados como antiestablamiento y / o

populistas, que cada elección viene ocupando significativos lugares

antes pertenecientes a los grandes partidos.

Palabras 

clave: 

Post-comunismo, 

Partidos 

Democratización, Corrupción, Captura del Estado.

1. Problemas de Construção de um Estado Democrático

Políticos,

O caráter do Estado sob o regime autoritário era de um estado desprovido

de quase nenhuma autonomia, sendo político-ideologicamente controlado pelo

Partido Comunista. Em outras palavras, o Estado era dependente das decisões

políticas do processo-decisório monopolizado pelo maquinário do partido. Essa

característica não foi modificada durante os primeiros anos de transformação

política e transição para uma economia de mercado, pelo contrário, foi reforçada.

Por outro lado, grande parte dos políticos não possuía nenhum tipo de

experiência ou até mesmo algum plano para com esse tipo de transição. As

recomendações da primeira fase do processo de reformas seguiram, na maior

parte, as diretrizes do Consenso de Washington e ignoraram a necessidade de

construir um novo estado de direito democrático (Dvoráková, 2015).

Construir partidos políticos que desfrutassem da confiança e laços fortes

com a população era uma das considerações mais importantes no início da

transição democrática nos países centro-europeus. Na República Tcheca, por

exemplo, os partidos políticos originados com a democratização tiveram suas

construções entrelaçadas ao Estado e acabaram criando condições ideais para a

patronagem e o clientelismo (Haughton, 2008). As elites emergentes passaram

a conduzir suas ações políticas nas seguintes direções: ?a do interesse pessoal

de construir seu próprio partido, ou de prosseguir com um objetivo mais

amplo de construção do Estado? (Haughton, 2008, p. 490). O problema é que

os partidos acabaram limitando tanto as oportunidades para dedicar tempo

e energia na construção de uma extensa organização partidária, assim como

também colocaram uma pesada necessidade de aquisição de recursos financeiros

em algum lugar. Com níveis relativamente baixos de financiamento partidário à

disposição, passou a ser tentador para os partidos no poder, oferecer recompensas

em forma de favoráveis privatizações para indivíduos dispostos a doar dinheiro

[2] . Assim, testemunhavam-se os partidos governantes extraírem ganhos materiais

que dificultaram a introdução de uma supervisão e regulação de bens do Estado, ?

havendo pouco esforço para transformar o estado em uma organização mais

racional-burocrática? (Haughton, 2008, p. 491).

O ambiente institucional, nas novas democracias centro-europeias, também

mostrava as seguintes falhas: ausência de um quadro jurídico de base para

atividades econômicas particulares, ausência de princípios do Estado de Direito,

falhas de garantias na exequibilidade da lei, constitucionalismo fraco e com

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subestimação de mecanismos de accountability horizontal. Nota-se também, a

ausência de princípios construídos para responsabilização administrativa, como

instituições de supervisão e órgãos de fiscalização. Outra ausência notada se

encontra na falta de princípios de boa governança (Dvoráková, 2015).

No início do processo de reforma política e transição econômica, havia

disponível uma grande quantidade de propriedade nacional. Isso formou uma

fonte sem precedentes para atividades de corrupção. A principal forma se

encontrava através dos meios empreendidos nos processos de desmantelamento

e reforma do estado autoritário e de privatização. Os impactos foram sentidos

quando já era possível perceber o amplo espaço de oportunidades para práticas

ilícitas, em estados que se mostravam fracos e ineficazes na luta contra desvios

institucionais e que promoviam um alto custo político e social, desembocando

em uma profunda desconfiança na direção do Estado, instituições e políticos,

dentro de suas sociedades. Dessa forma, o estado foi desmontado, ocupado e

privatizado por redes clientelísticas que, por sua vez, interconectaram política,

economia e aparelho de Estado, enfraquecendo a legitimidade da democracia. O

resultado foi a formação de um amplo espaço de oportunidade para a corrupção

[3] sob um ângulo denominado por Captura do Estado[4] e identificado

pelo Banco Mundial quando, dez anos após as primeiras reformas políticas

e econômicas empreendidas pelas novas democracias do centro-leste europeu,

decidiu investigar os tipos de corrução e crimes econômicos que estavam sendo

praticados nos países da região[5].

O processo de transição política e reforma de mercado, acabou sendo marcado

pelo considerável ganho de controle sobre o Estado por novos e poderosos atores

econômicos privados, que o utilizaram para fins de extração de vantagens próprias

e, com isso, o estado recém-edificado não se mostraria muito diferente de outrora.

A diferença, dessa vez, é que, no antigo regime, o Partido Comunista fazia da

administração do Estado o seu campo pessoal de extração de recursos, enquanto

que após 1989 o partido comunista sai de cena e cede a vez para os novos partidos

e estratos empresariais emergentes com a democratização, permanecendo a forma

como este era utilizado. Uma vez que o partido controlava a riqueza da nação,

o estado servia tanto como sua principal fonte de renda, assim como seu mais

eficaz instrumento para ganho de benefícios (Grzymala-Busse, 2007; Dvoráková,

2015).

A captura do estado ocorre, com mais frequência, em sociedades com

raízes democráticas fracas ou onde populações se encontram desiludidas com

promessas não realizadas pelos políticos e partidos tradicionais, e tem ajudado

novos tipos de organizações políticas em suas rápidas conquistas pelo poder

e apropriação de quadros institucionais de combate à corrupção (Hellmann,

2000; Omelyanchuk; 2001, Nosko, 2014). Os resultados de suas intenções e

estratégias têm se mostrado, na maioria dos casos analisados (Slinko, Jakolev e

Zurahvskaya, 2003, Barbosa, 2016), mais no intuito de ganhar o apoio popular

do que, de fato, combater a corrupção. Como efeito, pessoas desanimadas com

a política tradicional têm optado por duas saídas: se retirar da participação

política, principalmente nos períodos de eleições, ou apostar nas novas forças

emergentes. Entre as novas apostas que vêm obtendo sucesso meteórico nas duas

últimas eleições tchecas (2010-2013), destacaram-se os três mais bem-sucedidos

novos partidos políticos locais: TOP09, Assuntos Públicos ( Veci Verejne), e

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o SIM2011 ( ANO2011). Ressalta-se que, as duas últimas são organizações

partidárias construídas sob um novo modelo de partido político denominado

na literatura de Business-firm Party/Partido-empresa de Negócios, (Hopkin e

Paolucci, 1999, Paolucci, 2006, Barbosa (2016).

O modelo é muitas vezes entendido como um tipo extremo do catch-all e

apresenta como uma evidência geral no vínculo de sua imagem com a de algum

rico empresário [6] . Geralmente, uma figura de negócios que alcança grande

expressão nacional e opta por fundar um novo partido político com caráter

de empresa privada. Esse tipo de organização partidária é construído sobre

um edifício paternalista, onde questões que vão desde as fontes de finanças do

partido, assim como processos de seleção e recrutamento são dependentes de

seu líder, fundador e proprietário[7]. Sua organização interna é composta por

tecnocratas e profissionais contratados, os quais também podem ser funcionários

terceirizados cooptados entre uma de suas próprias empresas. Os funcionários do

partido trabalham, então, como analistas e consultores em uma espécie de agência

de defesa de interesses pessoais do proprietário do partido, cujo objetivo é o ganho

de poder político para o mesmo (Paolucci, 2006).

O Forza Italia, de Silvio Berlusconi, foi um dos primeiros exemplos de partido

empresa de negócios bem-sucedidos estudados, sendo também considerado como

o mais radical tipo de Business-firm Party. O modelo de Berlusconi tem sido ?

clonado? e readaptado por muitos novos partidos das jovens democracias da

Europa Central, como a República Tcheca [8] , Polônia [9] , Romênia [10] , Bulgária

[11] , Áustria [12] e etc. A repetição de seu sucesso eleitoral meteórico, em muito

contando com a ajuda de retóricas anti-corrupção, anti-partidos, anti-políticos

tradicionais e suas elites, vem se configurando como um desafio para a democracia

liberal e seus modelos de organizações partidárias (Barbosa, 2016).

2. O Diário da Desilusão e Crise dos Partidos Tradicionais Ilustrado

Através de Décadas de Pesquisas de Opinião Pública na República Tcheca

As eleições de 1992, tiveram como grande vencedor o Partido Liberal

Democrata (ODS), com Vaclav Klaus como primeiro-ministro e, Vaclav Havel,

do Fórum Cívico, como presidente. A divergência de ideias entre ambos os

transformaria em seus principais rivais políticos e a queda de braço entre as duas

lideranças findou com a vitória final de Klaus e seu projeto de modernidade

neoliberal, onde os intelectuais dissidentes do partido comunista (desde a década

de 1960) e principais articuladores da revolução, não teriam lugar. O projeto de

Klaus já custaria logo de início a dissolução da República da Tchecoslováquia.

Um choque para a população. Os escândalos envolvendo a forma como se

exerceram os processos de privatizações e as más condutas financeiras, durante a

década de 1990[13], foram os primeiros exemplos de que as elites herdeiras de

1989 estavam menos interessadas na reconstrução democrática do estado e mais

mobilizadas por interesses pessoais e de curto prazo. Desmantelava-se o estado

autoritário, mas sua fraca e baixa autonomia fora mantida e um amplo espaço para

práticas de captura do estado foi aberto (Barbosa, 2016). Se nos tempos de regime

de força o estado era refém do partido comunista, nos novos tempos mudava-se

apenas seu sequestrador.

O primeiro ano pós regime autoritário foi marcado por uma grande

expectativa. No país que protagonizou a chamada Revolução de Veludo, a mais

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bem-sucedida das revoluções de 1989, os ânimos com os novos tempos puderam

ser conferidos nos altos índices de participação eleitoral em sua primeira eleição,

conforme ilustra a tabela 1:

Tabela 1

Participação Eleitoral na Tchecoslováquia

International Idea

Quanto mais as capacidades dos partidos tchecos (e nesse período também

os partidos eslovacos) eram postas à prova, mais a população entendia que as

promessas dos reformistas de 1989 nunca seriam realizadas. A dissolução da

Tchecoslováquia ou o ?divórcio de veludo?, em 1993, foi o primeiro sintoma

de demonstração da incapacidade dos primeiros partidos políticos tchecos

(e eslovacos) em captar os desejos de sua população. Uma velha sombra do

autoritarismo de outrora agora se fazia presente na conduta política da nova

elite dirigente, sendo violentamente simbolizada na forma como os partidos

políticos atuaram no processo que levou a dissolução do país ao descartar

qualquer preocupação em ouvir a voz das massas (Barbosa, 2016). Originava-se

aí, o primeiro passo para a crescente desconfiança nas organizações partidárias

herdeiras da democratização, com a queda de participação política eleitoral dos

cidadãos logo nas eleições seguintes. Conforme mostra a tabela 2:

Tabela 2

Participação Eleitoral na Tchecoslováquia

International Idea

Os dados fornecidos pelos pleitos de 1990 e 1992 (tabelas 1 e 2) nos permitem

verificar o nível de entusiasmo da população tchecoslovaca e a importância que

estes viam em seu envolvimento no processo eletivo, assim como seu grau de fé

nas mudanças que as novas instituições políticas prometiam. A primeira eleição

pós 1989 contou com uma participação maciça de eleitores, registrando 96,33%

de comparecimento nas urnas. Número que cairia 8,65% nas eleições seguintes,

muito em decorrência do clima de tensão que se fazia através da atuação política

das principais lideranças dos dois territórios (Vacláv klaus, pela parte tcheca,

e Vladimir Meciar, pela parte eslovaca). As promessas de construção de um

mundo novo e democrático caminharam rumo à desconstrução da república

binacional da Tchecoslováquia. Um fim estranho para uma nova democracia

onde as novas elites dirigentes de um país, que anos antes ressaltava a soberania

de sua população, nem sequer a consultava sobre qualquer desejo de separação.

A dissolução sem consulta colocaria os partidos políticos em xeque com a

população, iniciando um período de ceticismo, onde os níveis de participação

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eleitoral nunca mais ultrapassariam pouco mais de 60% dos eleitores, conforme

mostra a tabela 3:

Tabela 3

Participação Eleitoral na República Tcheca em ordem cronológica

International IDEA

De 1992 a 1996 registra-se uma queda de 8,39%. Em 1998, em grande

parte atribuída aos escândalos de corrupção que vieram à tona envolvendo os

democratas cívicos (ODS), o número cai em 2,29%. Nas eleições de 2002,

registra-se o maior recorde de baixa participação eleitoral, com apenas 57,95% de

presença dos eleitores, muito em decorrência de ser a vez dos sociais democratas

(CSSD) terem alguns de seus principais políticos pegos em práticas corruptas.

Em 2006 a situação melhora um pouco, registrando um crescimento de 6,52%.

No pleito de 2010, ano que marcou a primeira ascensão de novos partidos no

parlamento [14] tem-se o terceiro pior registro de participação eleitoral, com o

registro caindo mais 1,87%. Finalmente, nas últimas eleições realizadas no país,

em 2013, a queda na participação registrou mais 3,12%, colocando o pleito de

2013 como o segundo pior da história política tcheca e também se notabilizando

pela entrada de mais dois novos partidos no parlamento [15] .

A baixa participação é fruto do comportamento cético do eleitorado, assim

como também é efeito da desilusão com os partidos políticos herdeiros

da democratização e suas estratégias de governança. Desde a dissolução, as

organizações partidárias tchecas se viram diante de um problema desafiador,

relacionado com a manutenção de sua relevância e suas capacidades de responder

os anseios populares. No entanto, falharam, e passou-se a assistir, quase que

diariamente, através dos principais meios de comunicação, notícias veiculando a

nova elite dirigente e seu envolvimento com diversas práticas de corrupção.

A frustração com os partidos políticos, na República Tcheca, instaurou um

clima de ceticismo. Com efeito, assistiu-se o gradativo afrouxamento dos laços

entre os partidos políticos e os eleitores até, finalmente em 2010 e 2013, a

destituição dos laços de confiabilidade manifestados nas urnas. O distanciamento

ocorre em paralelo à crescente reprovação dos principais partidos políticos

tchecos após o envolvimento destes com práticas de corrupção. Há também o

problema promovido pela parecença entre os partidos políticos. A parecença

não é algo similar apenas no programa de governo ou no discurso político nos

momentos de campanha, mas na forma de gestão da governança, incluindo o

uso da máquina pública em benefício próprio. A repetição do padrão (ruim)

de governança, reprovado anteriormente, pelo novo partido a quem o povo

depositou sua fé, causou uma nova frustração, pois, de fato, tem-se o sentimento

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de impotência, onde ninguém será capaz de cumprir com as promessas feitas.

Com efeito, indiferença, frouxidão de laços e a praticamente extinção da filiação

partidária são as maiores heranças que a parecença pôde gerar, tal conforme

apontaremos como as características desse período na República Tcheca (mas que

também se pode verificar em toda Europa Central), no qual se instaurou uma

atmosfera de marasmo político que fomentou a ascensão antiestablishment.

A tabela 4 aborda os níveis de percepção dos eleitores tchecos sobre a

importância que estes acreditam ter para seus representantes políticos. Nota-se

que, de 2009 a 2015, as opções ?a grande maioria? e ?uma boa parte? figuram

com níveis baixíssimos de crença, exceção feita a opção ?todos?, a qual não

obteve porcentagem para figurar na tabela. Por outro lado, os índices obtidos

pelas opções ?pouco mais da minoria?, ?a grande minoria? e ?nenhum?, mostram

que para os eleitores tchecos (nesse período) a vocação política dotada do velho

espírito público é atividade encontrada apenas na minoria ou pouco mais da

minoria de seus políticos.

Tabela 4

Importância que os eleitores tchecos acreditam ter para seus representantes. 2009-2015 (%)

CVVM

Um outo dado interessante (tabela 5), pode ser encontrado em um quadro de

análise que avalia a força e fraqueza da relação eleitores e partidos políticos em

uma cronologia de nove anos (1995-2004). Para nós, um importante caminho

para o sucesso dos novos partidos já se mostra pavimentado nesse período

de tempo. A trajetória de análise, findada em 2004, deixa claro o quadro de

afrouxamento das relações entre eleitores e seus partidos preferidos. Mais da

metade dos entrevistados declararam divergir de seu partido em muitas questões

(25%), enquanto 28% não se identificam com qualquer partido e optaram por

aquele que o incomodava menos. Ceticismo e frustração, se por um lado corroem

os laços entre sociedade civil e seus representantes, produzem, por outro, a

proliferação do ?simpatizante morno?, aquele que vota no partido que menos

lhe dá motivos para rejeição sem mesmo ter uma forte identificação com suas

propostas. Na análise cronológica geral, observa-se que até 1997 a participação

morna era de 10 pontos percentuais menor. O ano de 1998 representa um

ponto significativo de mudança. Conforme as razões já expostas em linhas acima,

a participação de eleitores convictos passa a diminuir consideravelmente no

período subsequente.

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Tabela 5

Atitudes dos eleitores frente a seus partidos preferidos ? 1995-2004 (%)

CVVM

A tabela 6 ilustra a percepção da população tcheca sobre os partidos políticos

do país. Foi elaborado um quadro comparativo com as respostas obtidas entre os

anos de 2005 à 2011:

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Tabela 6

Visão sobre os Partidos Políticos dos cidadãos Tchecos[16]

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CVVM. Último acesso 09/2015

De acordo com os dados, para mais de 80% dos entrevistados, até 2011, os

partidos políticos são percebidos como organizações auto-interessadas, as quais

só se aproximam do eleitor comum no período de campanha eleitoral e sem

grandes diferenças entre si. Entre os índices com maior elevação de negatividade

no período abordado, destaca-se a percepção de que os partidos políticos são

instituições corruptas, recebendo um aumento (constante a cada ano de pesquisa)

de 13% quando comparado com o primeiro ano de entrevistas. Observa-se

também, que ao longo do período em que a pesquisa foi realizada, menos

de 50% dos entrevistados declararam acreditar que os partidos proporcionam

participação em atividades políticas. Importante observar que em um espaço de

um ano (2010-2011) as opiniões sobre a necessidade dos partidos políticos para

a promoção de interesses de variados grupos e classes sociais caiu 11%, enquanto

a crença de que partidos são necessários para se fazer uma democracia caiu 10%.

O quadro 1 acompanha a problemática abordada sobre a crise contemporânea

da filiação partidária, nos fornecendo um gráfico comparativo entre os anos

2003-2011, onde os entrevistados foram questionados sobre a possibilidade de

filiação partidária em algum momento de suas vidas.

Quadro 1

Quadro comparativo sobre intenções de filiação partidária

CVVM. Traduzido pelo autor.

Conforme pode ser observado, a filiação partidária também é um fenômeno

de grande rejeição no território tcheco. A resposta relativa a ?não ter pensado?

obteve em oito anos de pesquisa um aumento de 8%, e conforme o gráfico nos

permite ver, trata-se de um número que nunca esteve abaixo da casa dos 80%

dos entrevistados. Da mesma forma, o número entre aqueles que responderam

sim,obteve uma queda de 6%. E em nenhum momento se mostrando pouco

maior de 10%. Não à toa que as eleições de 2010, para o parlamento tcheco,

amargaria, até então, o segundo pior registro de comparecimento às urnas de toda

a história desta jovem democracia do centro-leste europeu.

O gráfico 1, de comparação sobre a orientação política geral dos cidadãos

tchecos mostra que durante o período de 2008 a 2013 o número de

eleitores identificados com alguma corrente fundamental de opinião política

se enfraqueceu gradativamente. A corrente que mais sentiu o impacto foi a

ecológica-ambientalista, registrando ao longo dos cinco anos de pesquisa uma

perda de 16% de eleitores identificados.

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Gráfico 1

Orientação Política dos Eleitores Tchecos. Resultado geral 2008-2013 (%)

CVVM

Os dados singulares, para cada ano de pesquisa, nos trazem uma informação

surpreendente. Foi solicitado aos eleitores que marcassem duas opções de

preferência política. Na primeira, os entrevistados assinalaram sua principal

preferência, enquanto na segunda, apontaram outra possibilidade de voto.

Destacamos na tabela 7, os números que figuram entre os eleitores que declararam

não possuir afinidades com qualquer das correntes políticas presentes na pesquisa.

Conforme é notado, 14% dos entrevistados não conseguiram apontar, entre

as indicações, alguma corrente preferencial, enquanto 46% foram incapazes de

apontar uma segunda opção. A soma sugere um total de 60 % de entrevistados

sem qualquer identificação com alguma corrente política fundamental. No

entanto, se levarmos em conta que os mesmos 14% sem uma primeira preferência

podem ter também assinalado a preferência 2, o resultado cai para um ainda

considerável número de 32% de eleitores sem uma segunda opção. Por outro

lado, é bem provável que outros que tenham assinalado ter uma primeira opção

de preferência, tenham assinalado não ter uma segunda. Mas quando somamos

as primeiras preferências entre os ?sem resposta?, aqueles que ?não sabem? e a

opção ?outros?, temos um total de 26% de entrevistados sem identificação com

qualquer das correntes políticas fundamentais que podem ser encontradas nos

principais partidos tchecos estabelecidos.

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Tabela 7

Orientações políticas 2010 (%)

CVVM.

Nota Os dados da Terceira coluna representam a porcentagem de entrevistados que se identificam com a primeira e segunda escolha.

3. Novos Partidos e Terremoto Antiestablishment: As eleições de 2010 e

2013

Os resultados das eleições legislativas de 2010 e 2013 foram chamados de ?

terremoto político? por diversos meios de comunicação da Europa Central.

O apoio para com os dois maiores partidos caiu para um mínimo histórico,

e o Partido Democrata Cristão, terceiro maior do país, deixou a câmara

baixa do parlamento pela primeira vez na história. Além disso, dois novos

partidos políticos ? Assuntos Públicos (VV- Ve?ejné veci) e TOP09 ? ganharam

representação parlamentar e entraram na coalizão governamental (ver tabela 8).

Em 2013, foi a vez do ANO2011 (SIM2011) e USVIT (Alvorecer) obterem

um meteórico sucesso eleitoral e conquistarem vagas no parlamento em suas

primeiras eleições disputadas, a qual também teria ficado marcada por mais um

fracasso recorde de comparecimento às urnas, desbancado a eleição anterior

(2010) do rankingde segundo pior resultado eleitoral da história do país (ver

tabela 9).

Tabela 8

Eleições Legislativas 2010

CZSO

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Tabela 9

Eleições Legislativas 2013

CZSO

A eleição de 2010 foi realizada em condições específicas, as quais muitas se

repetiriam em 2013. Conforme mostram os dados apresentados, ao baixíssimo

nível de ligação entre os eleitores e partidos políticos, o período de recessão

econômica, devido à crise do euro, em 2007, e a crescente importância dos

problemas de corrupção, nos quais os partidos estabelecidos vieram a se envolver,

somava-se agora ao mais alto nível de insatisfação popular com a política (tabela

10). Trata-se de um sentimento de reação a uma crise. Os novos partidos e suas

lideranças souberam combinar as falhas dos partidos tradicionais e as angústias

dos cidadãos, criando eficazes argumentos acerca da crise de autoridade das

organizações políticas estabelecidas e sua completa falência e incapacidade de

atender as crescentes demandas da população.

Tabela 10

Satisfação com a situação política pré-eleições. 1996-2010 (%)

CVVM

Em 2010, no período pré-eleitoral, as pesquisas de opinião pública acerca da

situação política do país continuavam apontando o estado de enfermidade e o

calvário a ser seguido pelos partidos estabelecidos. Suborno e corrupção eram

apontados como os fatores que mais influenciavam as tomadas de decisão. Foi

solicitado aos entrevistados que avaliassem as opções selecionadas em uma escala

de 1 a 7, onde 1 é o principal fator de influência e 7 um fator sem qualquer

influência. Na tabela 11, vemos que ?suborno e corrupção? são apontados com

as avaliações mais altas nas três primeiras colocações, tendo logo em seguida a

companhia de ?grupos de interesse e lobbies?, os quais figuram no segundo lugar

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geral e segundo lugar nos três primeiros graus de avaliação de influência. O menor

impacto de influência foi atribuído aos cidadãos, com 24% no sétimo e último

grau de avaliação de critérios de importância e força de influência. Dessa forma,

conclui-se que de acordo com a percepção do eleitor tcheco, o processo decisório

nacional é exercido através de lobbies e grupos de interesse, sendo dominado

por práticas corruptas e de suborno em um ambiente onde o povo não exerce

qualquer influência.

Tabela 11

Opinião sobre o que mais influencia o processo decisório. 2010 (%)

CVVM

Associada com a descrença nos partidos políticos estabelecidos, se encontra a

baixa moralidade percebida de seus membros perante o eleitorado. De 2002 a

2015, a opinião de que os políticos devem ter suas condutas avaliadas com o maior

rigor possível nunca ficou em níveis menores que 58% (tabela 12), atingindo seus

maiores índices de avaliação nos piores anos eleitorais da história da República

Tcheca (2002, 2010 e 2013). Os eleitores também manifestaram o desejo de

ver seus representantes sendo julgados sem critérios de privilégio, o que, por si

só, ilustra o cansaço com a cultura da impunidade, e também de acordo com

os atos que cometem fora da vida pública, o que demonstra o desejo de ver no

representante político um cidadão moral de conduta exemplar (tabela 17).

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Tabela 12

Avaliação da moralidade dos políticos tchecos. 2002-2015 (%)

CVVM. Traduzido pelo autor.

Em onze anos de pesquisa e monitoramento da opinião pública (tabela 13), a

corrupção tem sido percebida como fato presente na maioria dos agentes públicos

do país. Suborno e corrupção aparecem nas pesquisas como uma prática da

maioria dos políticos, obtendo seu maior índice de avaliação (48%) em 2014.

Desde 2010, a presença de suborno e corrupção passou a gradativamente ser

percebida como praticada por quase todos os políticos. Por sua vez, avaliações

sobre tal presença em ?menos da metade dos políticos? eram maiores e iguais à ?

quase todos? até 2010, e avaliações como ?muito poucos são corruptos? nunca

conseguiram números expressivos.

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Tabela 13

Percepção de suborno e corrupção entre agentes públicos. 2004-2015

CVVM. Traduzido pelo autor.

Em 2015, as instituições percebidas com os níveis mais altos de corrupção na

República Tcheca (tabela 14) foram [17] : os partidos políticos (44%) e o setor de

distribuição dos subsídios europeus (36%); ministérios e agências centrais (25%)

e o setor de construção civil (24%). Interessante é a percepção demonstrada

no critério seguinte, o qual desce o nível de percepção da corrupção nas

instituições tchecas para ?grande corrupção?, onde os entrevistados apontaram,

em colocações quase invertidas, as mesmas instituições presentes no mais alto

nível de avaliação presentes no critério anterior: os ministérios e agências centrais

(33%), o setor de construção civil (32%), os partidos políticos e o setor de

distribuição dos subsídios europeus (ambos com 30%).

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Tabela 14

Nível de corrupção nas instituições da vida pública. 2015 (%)

CVVM[18]. Traduzido pelo autor.

Conclusão

Logo nos primeiros anos de nova república, as elites já teriam mostrado sua

incapacidade de ouvir as massas na condução dos negócios públicos mais

importantes do país. A dissolução de uma república binacional da ?noite para

o dia? e sem qualquer consulta popular, equivaleu a um balde de água fria

nos sonhos construídos através dos discursos reformistas de 1989, fazendo

lembrar o autoritarismo de outrora. Seu reflexo começou a ser visto no cada

vez mais agravante e decrescente número de cidadãos tchecos que participam

das eleições. O envolvimento dos principais partidos políticos em esquemas de

corrupção começa a implodir de vez a crença nas organizações partidárias pós

1989. Com a população desiludida, a maioria dos políticos são percebidos como

atores públicos corruptos com baixa moralidade. A política é vista como o lugar

por excelência das atividades de lobistas e grupos de interesses, onde desejos

políticos e sociais se realizam com práticas de suborno e corrupção. No mesmo

ambiente político nacional, os problemas mais sérios são ocultados dos cidadãos

e quando emergem em escândalos, por exemplo, nada acontece. Os cidadãos

passam a enxergar a si próprios como um elemento indiferente para as lideranças

políticas, só merecendo um lugar de importância no ano eleitoral. Com efeito,

esse mesmo cidadão politicamente fadigado se vê incapaz de optar por alguma

corrente política fundamental representada nos partidos estabelecidos. Ele se

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afasta de atividades cívicas como filiação partidária, a qual nem mais passa pela

sua cabeça. Esse afastamento da participação, por sua vez, o converte em um

eleitor descontente pronto para penalizar seu(s) partidos(s), votando em um

novo partido ou não comparecendo às urnas, abrindo também espaço para que

eleitores mornos e de opiniões efêmeras passem também a fazer diferença no

pleito.

Esse grupo de fatores pavimentou o caminho de sucesso para os novos partidos,

cujas características gerais podem ser enumeradas da seguinte forma: 1) Discurso

da promoção de uma Nova Política: através de exigências quanto a mudança

da forma como a política é conduzida, sendo oferecida em seu lugar uma

política ?anti-política?; 2) Personalidade: exercida na forma como lideranças

carismáticas se apresentam aos eleitores, se denominando cidadãos descontentes

ou políticos ?anti-políticos? sem passado ou experiência com a política; 3) Posição

centrista e recusa ideológica: projeção das clivagens tradicionais de esquerda/

direita como culpadas por toda ineficiência administrativa e direcionamento para

a chamada ideologia centrista e cidadanista; 4) Foco discursivo no combate à

corrupção e ao establishment, prometendo combater as práticas de corrupção

e renovar a política, projeto que só será bem-sucedido com a reprovação dos

partidos tradicionais e a retirada de seus políticos do parlamento; 5) Democracia

direta: presente nas promessas de capacitação dos cidadãos para o exercício da

democracia direta e participação popular na coautoria das políticas públicas do

partido (podendo tal realização ser prometida através de seu websitena internet);

6) Novos nomes: mais diretos e simplificados, que reforçam tanto a recusa das

clivagens tradicionais como a política dos partidos tradicionais (Barbosa, 2017).

Durante parte de 2014 e 2015, defendemos que esta tendência adotada pelos

novos partidos centro-europeus continuaria a crescer. Hoje, nota-se a presença

de partidos com estruturas, estilos e estratégias discursivas e de mobilização

semelhantes por toda a Europa, tendo no En Marche, de Emmanuel Macron, seu

último exemplo[19]. A maior parte do sucesso eleitoral desses novos partidos se

fez através da astúcia com que seus membros construíram suas retóricas de ataque

a seus rivais (ver Barbosa, 2017). Eles perceberam a desilusão e o distanciamento

entre partidos e eleitores devido ao modelo de governança por estes adotados,

ouviram as principais demandas da população e incluíram algumas em suas

plataformas de governo. Mas o principal seria a adesão, em suas estratégias

políticas, a uma construção da imagem de si em semelhança com o povo e

antagonista àquela com que seus adversários políticos se mostravam perante os

olhos da população. Contra a figura do corrupto e dos partidos corrompidos,

edificou-se uma ?nova elite pura?, dignitária do poder político e redentora da

população.

Referencias

BARBOSA, Flávio Rodrigues. O Teatro das Representações Trocadas. Corrupção,

Ascensão Antiestablishment e o Modelo de Partido-Empresa de Negócios na

Europa Central Pós 1989. Juiz de Fora, 2016. Tese (Doutorado em Ciências

Sociais) ? Universidade Federal de Juiz de Fora.

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Flávio Rodrigues Barbosa[1]. Desilusão Política, Crise dos Grandes Partidos e Ascensão de Novas Organizações Político-partidárias na Europa ...

______. Partidos Políticos Antiestablishment na Europa Central Pós 1989: uma lógica

populista? Revista Teoria e Pesquisa: Dossiê Revisitando o(s) Populismo(s). v. 26.

p. 36-64, 2017.

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Notas

[1]Doutor pelo PPGCSO/UFJF, onde também foi bolsista CAPES/PDSE na Vysoka Skola

Ekonomicka v Praze (Prague University of Economics). Email: f.rodriguesbarbosa@gmail.com

[2]Dois dos partidos governistas vistos como fundamentais para o sucesso econômico da

República Tcheca durante a década de 1990, o Partido Democrata Cívico e a Aliança Cívica

Democrática, se envolveram em escândalos de financiamento partidário em 1997, quando se

tornou evidente que o dinheiro doado teria sido em troca de influência e tratamento preferencial

(Barbosa, 2016).

[3]Dvoráková, Vladimira. Corruption in Post-communist States. Causes and Impacts. Graduate

Conference on Corruption and Anti-Corruption. University of Sussex, Brighton. 12-13 January,

2015.

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[4]A Captura do Estado (Hellmann et al, 2000) é uma bem organizada atividade

institucionalizada que faz uso tanto do funcionamento já existente das instituições estatais

legítimas, mas que também se utiliza de mudanças legais para alterar o desenho institucional das

mesmas, de forma que estas passem a servir melhor os interesses de seus captores. É caracterizada

pelo considerável ganho de controle sobre o Estado por (novos e) poderosos atores econômicos

privados que utilizam de sua prática para fins de extração de vantagens próprias. Da mesma

maneira que as demais formas de corrupção, a captura do estado é um método para aumentar os

ganhos privados. De acordo com Garay Salamanca (2008), o objetivo final da captura do Estado

pelos agentes privados é promover a Reconfiguração Cooptada do Estado, em outras palavras,

a transformação da máquina pública num instrumento de defesa dos interesses dos poderosos

agentes privados que passam a dominá-la.

[5]Um tratamento mais específico pode ser conferido em: Barbosa; Flávio Rodrigues. O Teatro

das Representações Trocadas. Corrupção, Ascenção Antiestablishmente e o Partido-empresa de

Negócios na Europa Central Pós-1989. Tese de Doutorado. Programa de Pós-graduação em

Ciências Sociais. Universidade Federal de Juiz de Fora. 2016.

[6]O modelo de Partido-empresa de negócios teve seus dois primeiros protótipos desenvolvidos

na literatura política através dos estudos de caso proporcionados entre o Forza Italia, de Silvio

Berlusconi e Unión de Centro Democratico, de Adolfo Suarez, na Espanha pós-franco.

[7]A figura do empresário político não é uma novidade exclusiva do modelo de partido-empresa

de negócios. A novidade, na abordagem de Hopkin e Paolucci (1999) e Paolucci (2006), reside

no fato de que o empresário, aqui, se oferece para coordenar e liderar o grupo latente em troca

de um elemento de ?lucro? privado, entendido como o prestígio e as vantagens materiais trazidas

pela ocupação de um cargo público. De acordo com os autores, ?o partido político deixa de

ser uma organização voluntária com objetivos essencialmente sociais para se tornar uma espécie

de empresa de negócios, onde os bens públicos produzidos são incidentais para os verdadeiros

objetivos, fazendo da política, na terminologia de Olson, um subproduto (Hopkin e Paolucci,

1999, p. 311) ?.

[8]Veci Verejne, ANO2011, ÚSVIT e SPD (Svoboda a p?ímá demokracie ? Liberdade e

Democracia Direta).

[9]Twój Ruch (Seu Movimento).

[10]PP-DD (Partido do Povo ? Dan Diaconescu).

[11]Simeon II.

[12]Team Stronach (Equipe Stronach).

[13]Uma lista e abordagem dos principais escândalos de corrupção e captura do estado, na

República Tcheca pós 1989, pode ser conferido em Barbosa (2016).

[14]TOP09, e VV.

[15]ÚSVIT e ANO2011.

[16]Nota: Extrapolação de até 100% é uma resposta espontânea não sei. + É a versão da soma

das respostas "concordo totalmente" e "concordo um pouco". - é o total de variantes das respostas

"concordo inteiramente" e "discordo um pouco".

[17]Nossa seleção abordou apenas os quatro maiores níveis percentuais.

[18]A tabela de avaliação classifica 5, para alta corrupção; 4, para grande corrupção; 3, para

corruptas; 2, para quase pouca corrupção e; 1, para sem corrupção.

[19]No entanto, a partir de 2016, muitos acadêmicos abandonaram a classificação

antiestablishment, passando a se dividir entre aqueles que continuam atrelando a ascensão

política desses novos tipos de agremiações políticas como um neopopulismo e, outros que tratam

do assunto classificando-o como o fenômeno post-partisan.O artigo do autor Flávio Rodrigues Barbosa[1] 

f.rodriguesbarbosa@gmail.com

Universidade Federal de Juiz de Fora - UFJF, Brasil

Um partido político é uma organização de cidadãos que compartilham ideologias, princípios e interesses comuns, unindo-se com o objetivo de conquistar e exercer o poder político para implementar um programa de governo. A própria palavra "partido" vem da ideia de divisão, representando uma "parte" da sociedade e uma visão específica sobre como o Estado deve ser administrado.

Do ponto de vista prático e legal, suas principais características e funções incluem:

 Pessoa Jurídica de Direito Privado: Embora tenham relevância pública direta, eles operam legalmente sob regras de direito privado, possuindo autonomia interna para sua organização.

 Mediação entre Povo e Estado: Funcionam como uma ponte burocrática e ideológica, traduzindo as demandas da população em propostas legislativas e ações governamentais.

Recrutamento e Treinamento: Identificam e preparam novas lideranças, além de organizar o debate político em torno de pautas sociais, econômicas e estruturais.

Para verificar os requisitos constitucionais específicos de candidatura e as regras locais sobre filiação partidária, consulte o portal oficial da justiça eleitoral ou do órgão de governança relevante.

E assim perdem as democracias. Com falta de representatividade na politica .

Confira a reportagem no Portal G1 da Rede Globo               .https://g1.globo.com/politica/eleicoes/2026/noticia/2026/10/10/de-desilusao-com-a-politica-a-viagens-abstencao-nas-eleicoes-de-2026-e-a-maior-desde-1998.ghtml

E assim caminha a humanidade.

Imagem do Portal G1 da Rede Globo. 





 


Maquina politica. Corrupção .

 




O bolsonarismo é um fenômeno e movimento político brasileiro de extrema-direita centrado na figura do ex-presidente Jair Bolsonaro. Surgido de forma mais expressiva a partir de 2016, o movimento consolidou-se como uma das principais forças políticas do Brasil, caracterizando-se por uma coalizão de diferentes vertentes ideológicas, sociais e econômicas.

Características Principais

 Ideologia: Baseia-se em pilares como o anticomunismo, o antipetismo, o ultraconservadorismo, o neoliberalismo econômico e o militarismo.

 Valores: Forte apelo aos valores tradicionais, à segurança pública, à defesa do conceito tradicional de família e à associação com vertentes religiosas.

 Comunicação: Sustenta-se fortemente por uma rede de comunicação digital altamente descentralizada, que propaga narrativas alternativas e mobiliza diretamente sua base de apoio.

Diferentes Perspectivas e Análises

O movimento é interpretado de maneiras distintas por cientistas políticos, opositores e defensores:

Perspectiva Crítica / Acadêmica Perspectiva dos Defensores / Apoiadores

Autoritarismo: Cientistas sociais e críticos frequentemente associam o movimento a flertes com o neofascismo, ao populismo de extrema-direita e a investidas de contestações institucionais. Movimento Popular: Defensores enxergam o bolsonarismo como uma força legítima "de baixo para cima", que representa o sentimento patriótico e o desejo do cidadão médio de permanecer e valorizar o país.

Ameaça Democrática: É apontado por opositores como um risco aos serviços públicos, à inclusão social e à integridade das instituições democráticas. Agenda Econômica e Moral: É defendido como um projeto de desenvolvimento focado no livre mercado, no combate à corrupção e na preservação da moral e dos costumes cristãos

          A expressão "negação dos poderes da República nas eleições de 2018" contextualiza um período de forte tensionamento institucional no Brasil, caracterizado pelo questionamento da legitimidade e das funções das autoridades que compõem os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.Esse fenômeno manifestou-se de três formas principais durante o pleito de 2018:1. Crise de Legitimidade e Ataques ao JudiciárioO Poder Judiciário — especialmente o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) — foi o principal alvo de contestações.O veto à candidatura de Lula: A decisão do TSE de barrar o registro de candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva com base na Lei da Ficha Limpa foi classificada por seus apoiadores como uma interferência política indevida do Judiciário sobre o processo democrático.Discurso antissistema e urnas eletrônicas: Candidatos da ala mais conservadora e à direita, notadamente a campanha de Jair Bolsonaro, iniciaram uma retórica pública de desconfiança em relação à neutralidade da Justiça Eleitoral e à confiabilidade das urnas eletrônicas. Declarações de que o sistema poderia ser fraudado infloraram uma postura de negação à autoridade do TSE.2. Discurso "Antissistema" contra o Legislativo e ExecutivoAs eleições de 2018 foram marcadas pela rejeição à política tradicional. Abalados pelas revelações da Operação Lava Jato e pelo impeachment de 2016, os poderes Legislativo (Congresso Nacional) e Executivo enfrentaram uma profunda crise de representatividade.Discursos de campanha frequentemente retratavam o funcionamento do Congresso e os acordos partidários como inerentemente corruptos.Essa negação da política institucional gerou uma forte onda de renovação parlamentar e impulsionou candidatos que se posicionavam "fora do sistema".3. Escalada da Violência e Alerta ConstitucionalA polarização extremada e a negação mútua da legitimidade entre espectros políticos resultaram em uma escalada de violência física e verbal. Na reta final daquele outubro, o então presidente do STF, ministro Dias Toffoli, veio a público afirmar que "atacar o Poder Judiciário é atacar a democracia", reagindo ao clima de ameaças direcionadas à integridade da Corte e dos ministros.DesdobramentosHistoriadores e cientistas políticos apontam que a negação e o desgaste dos Poderes da República observados em 2018 não se encerraram no pleito. Eles funcionaram como a base retórica para os conflitos institucionais dos anos seguintes, culminando em episódios de hostilidade democrática mais severos ao longo das gestões subsequentes.

 

Brasil pós-eleições 2018:  

o neofascismo entra em cena 

Ilse Gomes Silva 

Resumo:  

Apresento as configurações do Estado brasileiro após as eleições de 2018 quando foi eleito 

para a Presidência da República Jair Bolsonaro, do partido PSL (Partido Social Liberal). A 

campanha eleitoral de Jair Bolsonaro foi marcada pela incitação à violência, apologia da 

ditadura, declarações racistas e homofóbicas. Em seu governo esses elementos se 

aprofundaram, adquiriram configurações neofascistas e se transformaram em política de 

Estado, assumindo as configurações institucionais necessárias para orientar a prática das 

instituições governamentais. 

Palavras-chave: autoritarismo, neofascismo, governo. 

Brazil after the 2018 elections: neo-fascism enters the scene 

Abstract: 

I present the configuration of the Brasilizan State after the 2018 elections, when Jair 

Bolsonaro, of the PSL party (Liberal Social Party), was elected to the Presidency of the 

Republic. Jair Bolsonaro’s electoral campaign was marked by incitement to violence and 

apology for dictatorship, racist and homophobic statements. Furthermore in his 

government these elements have deepened, taken neo-facist configurations and became 

state policy, assuming the institutional configurations necessary to guide the practice of 

government institutions. 

Keywords: authoritarianism, neo-fascism, government. 

Introdução 

A conjuntura política do Brasil apresentou profundas e rápidas mudanças 

desde junho de 2013, quando as ruas de diversas cidades, em todo o território 

nacional, foram tomadas por multidões que empunhavam palavras de ordem de 

combate à corrupção, contra o governo Dilma Rousseff, contra o Partido dos 

 Doutora em Política. Professora titular do Departamento de Sociologia e Antropologia da 

Universidade Federal do Maranhão (UFMA), São Luís-MA, Brasil. Coordenadora do Grupo de 

Estudos de Política, Lutas Sociais e Ideologias (GEPOLIS). Pesquisadora do Núcleo de Estudos de 

Ideologia e Lutas Sociais (NEILS). End. eletrônico: ilse.gomes@ufma.br  

ORCID: https://orcid.org/0000-0002-2749-806X 

171   Recebido em 12 de agosto de 2021. Aprovado em 20 de outubro de 2021.        

Trabalhadores e a favor de intervenção militar.   Estas manifestações anunciaram as 

tempestades que estavam por vir nos anos seguintes. Em 2015, logo após a reeleição 

da presidenta Dilma Rousseff, elas se intensificaram1, e a bandeira do impeachment 

alcançou o centro da cena política, alimentada pela política de incitação ao ódio 

contra os partidos políticos de esquerda e entidades dos movimentos sindical e 

popular.  “Vestidos de verde e amarelo e entoando o hino nacional, apresentaram as 

bandeiras de “chega de corrupção e intervenção militar já”, “impeachment: tira 

Dilma”. “Basta, cadeia para os corruPTos”” (Silva, 2016).  Esse processo 

representou o momento em que a direita e a extrema direita, presente nos diversos 

aparelhos de Estado, especialmente o parlamento e o judiciário, e nos aparelhos de 

comunicação, tomaram a ofensiva política e alcançaram força suficiente para 

promoverem o golpe que destituiu da presidência da república Dilma Rousseff, em 

2016.  

O governo Temer sofreu uma forte resistência dos movimentos sindical e 

popular, que foram às ruas com a bandeira do “Fora Temer” e contra as reformas 

neoliberais. Alguns fatos do governo Temer merecem destaque, principalmente os 

relacionados com o avanço da repressão militar contra manifestantes dos 

movimentos sindical e popular e contra a população das favelas. A repressão foi 

intensificada através do decreto de intervenção2 na Segurança Pública do Estado do 

Rio de Janeiro, assinado em 16 de fevereiro de 2018, em que o governo federal dava 

carta branca para o Exército entrar nas favelas sob o argumento de combater o 

crime organizado. A operação tomou um caráter nacional com a experiência do 

“laboratório do Rio de Janeiro”, quando foi criado o Ministério Extraordinário da 

Segurança Pública,3 em 27 de fevereiro. Essa movimentação das Forças Armadas4 

para assumir uma posição de força cada vez maior na cena política brasileira, 

aumentar sua parcela no orçamento público e blindar suas operações de qualquer 

questionamento de violação dos direitos humanos ou controle público era um 

prenúncio do que aconteceria no governo de Jair Bolsonaro.  

No governo de Temer ficou claro que a direita e a extrema direita não 

mediriam esforços para garantir sua ascensão ao Palácio do Planalto. Em 14 de 

março de 2018, a vereadora do PSOL/RJ Marielle Franco e Anderson Gomes, seu 

motorista, foram assassinatos, no Rio de Janeiro. Com uma pauta política ligada à 

defesa dos direitos humanos dos grupos marginalizados e denúncia da ação dos 

1

A 

Folha de S. Paulo divulgou 1 milhão de pessoas em 26 estados. 

http://www1.folha.uol.com.br/poder/2015/03/1603286-protestos-contra-o-governo-reune

quase-1-milhao-pelo-pais.shtml. Acedido em 24 de março de 2015. 

2 Maiores informações em https://g1.globo.com/politica/noticia/temer-assina-decreto-de

intervencao-federal-na-seguranca-do-rio-de-janeiro.ghtml.  

3

Ver 

http://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2018-02/governo-publica-mp-que-cria

ministerio-extraordinario-da-seguranca-publica 

4Consultar https://oglobo.globo.com/rio/comandante-do-exercito-fala-em-evitar-nova-comissao

da-verdade-22413404 

Silva, I. G.   172 

Brasil pós-eleições de 2018...                                             

grupos milicianos, Marielle incomodava as forças conservadoras em ascensão no 

país. Podemos destacar também a prisão do ex-presidente Lula, no dia 07 de abril de 

2018, pelas acusações de corrupção movidas pela Operação Lava Jato.  Após ser 

condenado pelo então juiz Sérgio Moro nos processos5 do Triplex do Guarujá, Sítio 

de Atibaia e Instituto Lula, o ex-presidente ficou impedido de ser candidato nas 

eleições de 2018.  Lula saiu da prisão em novembro de 2019, após 5806 dias preso 

na Superintendência da Política Federal, em Curitiba, Paraná, sendo solto somente 

após a divulgação de mensagens entre os integrantes da Lava Jato e o ex-juiz Sérgio 

Moro, nas quais ficavam claras as intenções políticas de impedir a candidatura de 

Lula e garantir a eleição de Jair Bolsonaro.  Em março de 2021, Lula recuperou seus 

direitos políticos após o ministro do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, 

anular processos movidos contra o ex-presidente na 13ª. Vara Federal de Curitiba.  

No dia 23 de junho de 2021, o Plenário7 do Supremo Tribunal Federal (STF) 

considerou o ex-juiz Sérgio Moro suspeito para julgar o ex-presidente Lula no 

processo do Triplex do Guarujá, anulando as acusações de corrupção. E, em 24 de 

junho de 2021, o ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, estendeu 

a suspeição de parcialidade do ex-juiz Sérgio Moro às condenações referentes ao 

sítio de Atibaia e do Instituto Lula.  

A suspensão dos direitos políticos de Lula, e consequentemente a 

inviabilidade de sua candidatura, garantiram a eleição, no segundo turno, de Jair 

Bolsonaro, com 55% dos votos do eleitorado brasileiro. A vitória de Jair Bolsonaro 

representou a ascensão da extrema direita ao executivo federal, sustentada por uma 

ampla aliança em que participaram os representantes da grande mídia, do 

agronegócio, da indústria e do setor financeiro, com a cumplicidade do Judiciário. 

Essa aliança levou o Brasil a alcançar os piores índices de desemprego e de pobreza, 

a atingir 620 mil mortos pela COVID-19 (2020-2021), a subir de modo assustador 

os números de desmatamentos e de assassinatos da população das periferias, em sua 

maioria, negra, das comunidades indígenas e dos grupos LGBTQI+. O que estava 

em jogo era o padrão de sociabilidade construído desde 1985, com as lutas sociais 

pela democratização, pelas políticas de respeito aos direitos humanos, sociais e 

ambientais. O horizonte projetado pelo governo Bolsonaro era a barbárie do 

neofascismo. 

5 Ver em: https://www.cnnbrasil.com.br/politica/2021/04/15/veja-os-processos-envolvendo-o

ex-presidente-lula 

6Consultar 

https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/politica/2019/11/09/interna_politica,805009

/depois-de-580-dias-preso-lula-sai-da-cadeia-e-dispara-contra-o-govern.shtml 

7Maiores informações em https://www.bbc.com/portuguese/brasil-57590318 

173   Lutas Sociais, São Paulo, vol.25 n.47, p.171-185, jul./dez. 2021. 

O neofascismo entra em cena 

O crescimento da presença dos partidos de direita e extrema direita na cena 

política de diversos países a partir da década de 1980, principalmente na Europa, 

chamou novamente a atenção dos intelectuais das Ciências Sociais para a 

necessidade de se revisitarem o período e as respectivas condições que deram 

origem aos regimes de exceção no século XX. Com diferentes enfoques e 

abordagens, os autores se depararam com uma questão basilar para o 

desenvolvimento da investigação científica que é a escolha da categoria mais 

apropriada para expressar o fenômeno político e orientar a análise empírica. As 

categorias mais usadas são fascismo, pós-fascismo, protofascismo, neofascismo, 

conservadorismo, populismo de direita, extrema direita e direita radical.  

Os autores se encontram, ao definir o marco temporal contemporâneo de 

crescimento e consolidação dos partidos de extrema direita nos anos 1980, embora 

haja aqueles que demarcam a década de 1970, quando deixam de ser marginais, se 

expandem e conquistam cadeiras no Parlamento.  

Nesse período, por uma parte, os partidos de extrema-direita 

começam a deixar a marginalidade eleitoral em determinados 

cenários e ocupam assentos em seus respectivos parlamentos 

como na Áustria, Bélgica, Franca, Itália, Dinamarca, Noruega e 

Suíça e, por outra parte, essa família continua expandindo-se na 

Europa Ocidental (Olascoaga, 2016, p. 09). 

Quanto à conjuntura de crise econômica, política e ideológica em que o 

mundo ingressou a partir da década de 1970 e que se agravou no século XXI, não 

há discordância significativa, principalmente quanto ao grau de importância que 

cada aspecto dessa crise assumiu no processo de crescimento, expansão e 

consolidação dos partidos de extrema direita. As transformações iniciadas na década 

de 1980 estão consolidadas hoje, como a reestruturação do processo de produção e 

a desregulamentação das relações de trabalho, a reforma nos aparelhos de Estado, 

direcionada para a redução dos serviços públicos e universais e dos direitos sociais, e 

o descontentamento com os partidos de esquerda ou da social-democracia. Desde 

então, os partidos de extrema direita passaram por diversas fases, se adaptaram à 

conjuntura, realizaram alianças para participar dos governos e ampliarem o número 

de cadeiras nos parlamentos, remodelaram o seu programa, a organização e as 

estratégias de ação (Löwy, 2015). 

Dos autores que sustentam que o crescimento dos partidos de extrema 

direita está concentrado nos aspectos da conjuntura política e na eficácia em 

estabelecer estratégias exitosas, podemos destacar os trabalhos de Antón

Mellón & Hernándes-Carr (2016) e Olascoaga (2016, 2018).  

Löwy (2019) afirma que metade do mundo se encontra governada pela 

direita e extrema direita. Embora com características próprias e de acordo 

Silva, I. G.   174 

Brasil pós-eleições de 2018...                                             

com a formação sócio-histórica de cada Estado-nação, esses partidos 

apresentam o nacionalismo, a xenofobia, o racismo, o fundamentalismo 

religioso, a misoginia e a LGBTfobia como pontos semelhantes. Apesar do 

retrocesso civilizatório presente em suas práticas, conquistam cada vez mais 

eleitores com um discurso em que reivindicam a representação do ideário de 

uma comunidade nacional homogênea nascida de um passado glorioso e com 

um futuro a recuperar esse passado de glórias. Esses partidos, na Europa, 

possuem uma articulação internacional, onde são traçadas alianças e 

estratégias de ação conjunta, e instituições que os financiam e atuam na 

formação de novas lideranças, como por exemplo, Aliança Europeia de 

Movimentos Nacionais; Movimento por uma Europa de Nações e 

Liberdades; Aliança pela Paz e a Liberdade; Aliança Europeia pela Liberdade 

(Lowy, 2015, 2019; Olascoaga, 2016). 

A seleção da categoria apropriada para caracterizar a natureza política 

dos atuais partidos de direita e extrema direita está centrada na relação desses 

partidos com os demais e a ideologia fascista no século XX e com a 

democracia parlamentar. Há os autores que caracterizam esses partidos como 

fascistas e acrescentam à palavra os prefixos neo, proto e pós-fascistas e há 

aqueles que os identificam como populistas de direita, devido ao apelo ao 

povo e ao traço carismático das lideranças e do programa.  

Para Poulantzas (1978), o fascismo não é um fenômeno limitado no 

tempo e espaço, embora se possa compreendê-lo estudando as experiências 

da Itália e da Alemanha. O fascismo é considerado um Estado de exceção, 

do mesmo modo que o bonapartismo e a ditadura militar, consequente de 

uma crise política e de uma ofensiva da burguesia contra os trabalhadores e 

situado no contexto do capitalismo imperialista. As características do Estado 

de exceção são:  

Supressão dos representantes políticos tradicionais (partidos 

políticos) das próprias frações do bloco no poder, eliminação 

do sufrágio, deslocamento do papel dominante, entre os 

aparelhos de Estado, para o aparelho repressivo (exército em 

primeiro 

plano), 

reforço 

acentuado do centralismo 

„burocrático‟ do Estado, hierarquização e recuperação dos 

centros de poder real do Estado e das cadeias de transmissão 

(Poulantzas, 1976, p. 72-73). 

A análise de Poulantzas (1978) se diferencia daquelas que identificam na crise 

econômica, na qual estavam mergulhados os países (Itália e Alemanha 

principalmente) após a Primeira Guerra Mundial, a causa principal da eclosão do 

fascismo, uma vez que outros países da Europa também estavam submetidos aos 

175   Lutas Sociais, São Paulo, vol.25 n.47, p.171-185, jul./dez. 2021. 

mesmos condicionantes econômicos. Poulantzas considera que a compreensão das 

causas que levam ao fascismo necessita de uma análise das relações entre o campo 

econômico, político e ideológico. A causa principal do surgimento do fascismo seria 

a crise política, oriunda do aguçamento das contradições da luta de classes tanto pela 

disputa de hegemonia no interior do bloco no poder quanto pela luta ofensiva da 

burguesia contra a classe trabalhadora, que nesse momento estava em situação 

defensiva. O fator econômico é importante, pela necessidade de se identificar as 

características do estágio imperialista e a forma como impactou profundamente o 

nível político e ideológico, na medida em que provocou um reforço no nível de 

intervenção do Estado capitalista e um acúmulo das contradições no interior do 

bloco no poder e das contradições da luta de classes. A crise da ideologia dominante 

presente na conjuntura do fascismo provoca uma “ruptura entre os representantes 

políticos - partidos e pessoal político da burguesia e os seus representantes 

ideológicos - os „funcionários da ideologia‟” (Poulantzas, 1978, p. 84). 

O fascismo constitui uma forma de Estado e uma forma de 

regime “limite” de Estado capitalista. Por caso “limite” não se 

deve entender aqui, precisamente, uma forma “patológica” do 

sistema político burguês, ou seja, uma forma que, de algum 

modo, seria estranha à “democracia parlamentar”; deve 

entender-se, antes, uma forma devida a uma conjuntura 

extremamente particular de luta de classes. Esta mesma 

particularidade não é exaustivamente determinada pelo período 

de desenvolvimento do capitalismo no qual se situa essa luta de 

classes. (...) porque é precisamente a uma crise política que 

corresponde a instauração do fascismo (Poulantzas, 1978, p. 

63/64). 

A crise política em que se origina o fascismo apresenta traços gerais, que 

resultam em Estado de exceção, e em traços específicos que caracterizam o fascismo 

e ocorre pelo aguçamento das contradições da luta de classe no interior do bloco no 

poder, com “rupturas profundas do sistema institucional, isto é, dos aparelhos de 

Estado” (Poulantzas, 1978, p. 69). Esse processo não tem desenvolvimento linear e 

tampouco é estranho às disputas próprias da democracia parlamentar burguesa. O 

fascismo, porém, atinge a sua vitória quando conquista política e ideologicamente as 

massas e constrói raízes profundas nas massas populares e operárias. 

(...) se é verdade que o fascismo não é estranho à democracia 

parlamentar, se é também verdade que o Estado burguês - e o 

sistema capitalista comporta em si mesmo os „germes‟ do 

fascismo (como comporta igualmente, e não se pode esquecê

lo, os „germes‟ da revolução), não é menos verdade que o 

fascismo 

não pode ser explicado pelo simples 

autodesenvolvimento, linear e necessário, destes „germes‟ até ao 

seu amadurecimento (exatamente como o não pode ser a 

revolução) (Poulantzas, 1978, p. 64).  

Silva, I. G.   176 

Brasil pós-eleições de 2018...                                             

O autor compreende que a implantação do fascismo passa por um processo 

de “fascização” em cujas etapas do processo de implantação ocorrem as disputas 

pela hegemonia no interior do bloco no poder, a luta contra a classe trabalhadora, a 

chegada da fração fascista ao poder de Estado e a consolidação do Estado fascista.  

O fascismo chega ao poder de Estado pelo processo eleitoral, amparado pela 

conivência das frações burguesas que afiançam sua ação política contra a luta da 

classe trabalhadora, e abençoado pelo Judiciário, que fecha os olhos à violência e 

crimes dos fascistas, enquanto condena os militantes antifascistas. 

As duas últimas décadas do século XX foram anos de muita agitação 

política e lutas sociais da classe trabalhadora contra a ofensiva da classe 

dominante em impor o neoliberalismo como alternativa à crise econômica. 

Apesar dos diversos enfrentamentos e grandes mobilizações, a classe 

trabalhadora sofreu profundas perdas em seus direitos sociais e políticos que 

resultaram no aumento da exploração, da precarização do trabalho e da 

pobreza. Os sindicatos, afetados pela diminuição da base social acarretada 

pelo desemprego em massa, perderam capacidade de mobilização e foram 

neutralizados pela nova regulamentação das relações trabalhistas. Assistiu-se 

ao crescimento dos movimentos racistas e xenófobos que, no rastro da 

ideologia neoliberal e da chamada globalização, anunciaram o nacionalismo 

como forma de proteger os parcos postos de trabalho e os recursos do 

Estado para os povos formadores da nação e de se opor à luta dos povos 

minoritários, dos direitos humanos, das mulheres, dos negros e a defesa do 

meio ambiente. 

No aspecto político, as classes dominantes responsabilizaram o Estado 

de Bem-Estar Social pela crise econômica e atacaram a sua capacidade de 

implementar políticas de proteção social universalizantes. A hegemonia dos 

representantes das classes dominantes nos aparelhos de Estado conferiu uma 

derrota às classes trabalhadoras que veem as conquistas sociais e políticas dos 

anos pós-guerra serem sabotadas pelos partidos políticos ligados aos 

interesses do capital.    

No campo ideológico se assistiu, nessas últimas décadas do século XX, 

ao 

crescimento do pensamento conservador que, ancorado pelo 

neoliberalismo e no rastro da globalização, pavimentou a estrada dos novos 

partidos e movimentos de caráter fascista. Alguns partidos que hoje 

alcançaram postos no Parlamento, ou estão à frente de governos, se 

reorganizaram nesse período.  

Quanto à confluência dos estudos, os partidos da extrema direita são 

caracterizados como nacionalistas, racistas, xenófobos e apresentam como 

177   Lutas Sociais, São Paulo, vol.25 n.47, p.171-185, jul./dez. 2021. 

inimigo comum os imigrantes e a cultura islâmica. Passaram por 

transformações na sua organização e disciplina interna, modificaram parte de 

seu programa político para se afastarem da memória negativa do fascismo do 

século XX, se adaptaram ao regime parlamentar do qual se utilizam para 

aumentar sua base de apoio. Os líderes desses partidos são carismáticos e 

lançam mão do discurso populista para manterem o apoio popular. Ao 

enaltecerem, em determinados momentos, personagens como Mussolini ou 

Hitler, ou acontecimentos históricos e símbolos ligados os nazifascismo, 

testam o apoio da opinião pública e quando questionados negam, sem 

pudores, essa conexão.   

Löwy (2019, 2020) não considera que o traço mais marcante e 

unificador da extrema direita europeia, norte-americana e brasileira seja o 

populismo. Há muitas diferenças entre estes partidos e lideranças, alguns 

com traços neofascistas e outros reacionários. Entretanto, os elementos que 

as unificam são essencialmente o autoritarismo e respectiva defesa da ordem, 

a presença de uma ideologia repressiva que pode ser visualizada pela apologia 

da violência e das armas, na defesa da pena de morte, e a intolerância a 

grupos LGBTQI+. 

Rydgren (2017) também nos oferece uma importante contribuição para 

compreender as particularidades da extrema direita atual e as inconsistências do uso 

da categoria populista.  Na sua opinião, o ponto que os unifica é o nacionalismo 

étnico a partir do qual objetivam manter a nação cultural e etnicamente homogênea, 

daí o combate aos imigrantes e refugiados. Por esse motivo não devem ser definidos 

pela ideologia populista, apesar de a prática populista ser antielitista e influenciar os 

eleitores. 

Rydgren (2017) se aproxima da opinião de Löwy quando chama a atenção 

para a importância de rotular corretamente os partidos da extrema direita, uma vez 

que essa ação provoca consequências na disputa política e na compreensão do 

mundo.  Os conceitos e rótulos utilizados pelos cientistas sociais influenciam a 

linguagem dos jornalistas e são referência para o público em geral no entendimento 

da realidade.   

Para o autor, a extrema direita rejeita o sistema político democrático, os 

valores universalistas e igualitários embora tente não parecer antidemocrática. A 

extrema direita parlamentar é hostil à Constituição enquanto a não parlamentar é 

contra a Constituição. Enxerga nos imigrantes uma ameaça à identidade 

etniconacional e à segurança social, do mesmo modo que as entidades 

supranacionais como a União Europeia, as empresas multinacionais e a globalização, 

por promoverem a universalização e a homogeneização. A extrema direita defende 

Silva, I. G.   178 

Brasil pós-eleições de 2018...                                             

políticas protecionistas, direcionadas preferencialmente à população nativa 

configurando “uma visão étnica da cidadania” (Rydgren, 2007, p. 254). 

Rydgren (2007) não nomeia os novos partidos de extrema direita como 

fascistas, no entanto, considera que estão alinhados com essa tradição, em 

virtude do ultranacionalismo, da defesa da pureza étnica, da exaltação de 

líderes e intelectuais fascistas do passado.   

O processo de fascistização do Brasil: indicações 

A busca dos marcos políticos e o referencial teórico para compreender a 

conjuntura brasileira tem merecido a atenção de muitos cientistas sociais, 

pressionados pela velocidade com que o Brasil caminhava em direção ao 

neofascismo. Para Poulantzas (1978, p. 71), o fascismo não se instala no poder 

abruptamente; há um caminho incerto e irregular a depender das contradições dos 

processos de luta de classes. Na análise sobre as experiências italiana e alemã, 

Poulantzas identificou quatro períodos assim indicados por ele: 1. O início do 

processo de subida ao poder até o ponto de “irreversibilidade; 2. O período do 

ponto de “irreversibilidade” ao período da tomada do poder; 3. “Primeiro período 

do fascismo no poder”; 4. Período da estabilização do fascismo no poder  

Uma observação, por fim, acerca do ritmo deste processo de 

fascização. Trata-se, também aqui, de um processo com um 

ritmo desigual de desenvolvimento, ritmo escondido pelas 

formas de acumulação das diversas contradições. Isto não quer 

dizer que este processo não possa ser rigorosamente dividido 

em períodos, seguindo o desenvolvimento da luta de classes e 

as modificações nos aparelhos; quer, sim, dizer que estes 

períodos apresentam um ritmo - lento, rápido - e uma duração – longa,  curta - próprios: a sua articulação é, ela mesma, 

determinada pelas formas conjunturais da crise política em 

questão (Poulantzas, 1978, p. 72). 

Desde o golpe de 2016, que destituiu a presidenta Dilma Rousseff e o vice

presidente Michel Temer foi empossado como presidente da República, que as 

medidas autoritárias implementadas pelo governo ilegítimo foram indicando que o 

Brasil caminhava para um claro Estado de exceção.  A unidade da direita e o avanço 

da extrema direita têm como base as políticas neoliberais, que alimentam as 

bandeiras neofascistas. A classe dominante brasileira em seu projeto neoliberal 

investiu principalmente em duas direções interdependentes: na hegemonia nos 

aparelhos parlamentar, executivo e judiciário e na ampliação do apoio das camadas 

populares. Nesse processo, avançou contra o regime democrático e apostou no 

Estado autoritário com o reforço do aparelho repressor, capaz de barrar a 

organização política da classe trabalhadora e em políticas conservadoras de combate 

aos ideais de igualdade e de diversidade.  

179   Lutas Sociais, São Paulo, vol.25 n.47, p.171-185, jul./dez. 2021. 

O presidente Jair Bolsonaro fez questão de afirmar, em várias entrevistas, que 

seu governo era conservador e patriótico expresso no slogan “Pátria Amada Brasil”. 

Iniciou seu governo com grande popularidade8, que foi despencando à medida que a 

economia entrava em crise, o desemprego e os índices de pobreza cresciam, os 

envolvimentos com a milícia e com a corrupção se mostravam mais evidentes e a 

posição negacionista diante da pandemia do COVID-19 elevava o número de 

mortes.  

As ações e declarações cada vez mais autoritárias e com claro caráter 

neofascista do presidente da República, provocaram vários pedidos de 

impeachment9, além de fraturas na base social e na aliança política que sustentava 

seu governo. Ex-aliados foram a público declarar seu afastamento do governo e 

fazer críticas à política de gestão da pandemia do COVID-19 e ao caráter autoritário 

das declarações do presidente nas redes sociais. Em julho de 2021, Jair Bolsonaro 

não contava mais com o apoio, por exemplo, do governador de São Paulo, João 

Doria, do PSDB, do Movimento Brasil Livre – MBL, um dos principais 

movimentos liberais de massa que mobilizou multidões em defesa do impeachment 

de Dilma Rousseff, e de parlamentares do Partido Social Liberal (PSL) do qual se 

elegeu e que se desfiliou10 em novembro de 2019.  

A presença dos militares na disputa política partidária e na administração 

pública cresceu assustadoramente, principalmente desde o golpe de 2016. O 

presidente, Jair Bolsonaro, e o vice-presidente, Hamilton Mourão, são militares, e 

nas eleições de 2020 6.755 militares disputaram as eleições, considerado o maior 

número nos últimos 16 anos. No governo Bolsonaro 6.157 militares ocuparam 

cargos civis em diferentes órgãos da administração pública. Segundo Nozaki (2021, 

p.09) “de 2018 a 2020 aumenta em cerca de 55% a presença de militares na 

administração federal, conformando uma tendência à militarização da gestão 

pública”. Os militares ocuparam 10 ministérios11 e instituições das mais diversas, 

8 

https://www.cartacapital.com.br/carta-capital/cnt-mda-aprovacao-e-popularidade-de

bolsonaro-atingem-os-piores-niveis-desde-o-inicio-do-governo/ 

9Até julho de 2021 foram protocolados 123 pedidos de impeachment contra o presidente Jair 

Bolsonaro. No chamado super pedido de impeachment estavam reunidos os argumentos dos 

pedidos anteriores e contou com 46 assinaturas entre parlamentares e representantes de 

entidades. 

https://g1.globo.com/politica/noticia/2021/06/30/veja-a-lista-de-quem-assinou-o

superpedido-de-impeachment-de-bolsonaro.ghtml  

10Maiores informações em  https://g1.globo.com/politica/noticia/2019/11/12/deputados-do-psl

dizem-que-bolsonaro-decidiu-deixar-partido-e-criar-nova-legenda.ghtml 

11 Ministérios ocupados por militares: Casa Civil, Gabinete de Segurança Institucional, Secretaria 

de Governo, Secretaria Geral da Presidência, Ciência, Tecnologia e Inovação, Defesa, 

Infraestrutura, Minas e Energia, Transparência e Saúde (Nozaki, 2021). Na Saúde, o então 

ministro, general Eduardo Pazzuelo, foi exonerado devido à sua total irresponsabilidade na gestão 

da pandemia de COVID-19 e aos escândalos de corrupção de compra de vacinas contra a COVID

19.  

Silva, I. G.   180 

Brasil pós-eleições de 2018...                                             

como na área da Educação, da Saúde, na FUNAI, em empresas estatais como 

Petrobras, Eletrobrás, Itaipu Binacional, Telebrás, Correios e EBSERH. 

(...) as forças armadas ocuparam áreas já tradicionalmente 

militarizadas, como o GSI e a Defesa, mas também marcam 

presença em áreas econômicas estratégicas para grandes 

projetos e investimentos (como Infraestrutura; Minas e 

Energia; Ciência, Tecnologia e Comunicações). Mais ainda, a 

presença desse núcleo se faz sentir na área jurídica, 

comandando a Secretaria de Segurança Pública do Ministério 

da Justiça e a CGU; além de estarem em secretarias de natureza 

fundamentalmente política, como nos casos da Secretaria de 

Governo e da Secretaria Geral da Presidência, onde também 

assumiram o posto de porta-voz da presidência da República. 

Além da presença na Casa Civil, pela primeira vez ocupada por 

um militar, e da presença na Saúde, área sensível ao longo da 

pandemia (Nozaki, 2021, p. 10-11). 

Os militares, além da presença massiva na administração pública, foram 

agraciados com uma série de benesses do governo que lhes conferiu vantagens 

diante dos servidores civis, principalmente no quesito da proteção trabalhista, social 

e previdenciária. Não foram, portanto, afetados negativamente pelas reformas da 

previdência e trabalhista, uma vez que têm sistemas diferenciados em relação aos 

trabalhadores civis. As Forças Armadas manifestaram total apoio ao governo e de 

certa forma endossaram as ameaças constantes que o presidente fazia contra a 

democracia e instituições como o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal 

Federal. Essa forte presença no governo federal também tem custado aos militares 

brasileiros muitos escândalos em processos de abuso de autoridade e de 

envolvimento com esquemas de corrupção, conforme ficou exposto nas 

investigações da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI da Pandemia) 12 que 

buscou identificar a responsabilidade institucional pelo avanço do número de 

infectados e de mortes pela COVID-19.  

Ameaçar de ruptura institucional constituiu uma prática do presidente as 

constantes críticas ao seu governo. Sua artilharia se voltou contra uma parte da 

imprensa por divulgar os índices de desmatamento e de desemprego, contra o 

Supremo Tribunal Superior Eleitoral ao defender o voto impresso para as eleições 

de 2022 e empreender uma campanha de desqualificação das urnas eletrônicas.  

Bolsonaro responde as críticas dos opositores ao seu governo, na maioria das vezes, 

na sua conta do Twitter. No dia 1º. de julho de 2021 declarou em vídeo: "Estou me 

12 Ver mais detalhes em: https://brasil.elpais.com/brasil/2021-07-09/militares-vao-de-vitrine-a

vidraca-ao-comandar-postos-chaves-no-ministerio-da-saude-em-meio-a-suspeitas-de-corrupcao

e-caos.ht.  

181   Lutas Sociais, São Paulo, vol.25 n.47, p.171-185, jul./dez. 2021. 

antecipando a problemas no ano que vem. Como está aí, a fraude está 

escancarada”13.  

Essas declarações tornaram o clima político no Brasil ainda mais delicado, 

principalmente porque o presidente do Senado Federal, Rodrigo Pacheco14, e o 

presidente da Câmara de Deputados, Arthur Lira, reafirmaram que repudiavam 

qualquer ataque às instituições democráticas e garantiriam a realização das eleições 

em 2022. 

Muitos são os exemplos do autoritarismo do presidente Jair Bolsonaro e das 

medidas governamentais de caráter fascista que ameaçaram os direitos políticos e 

sociais da população brasileira. A caracterização do governo Jair Bolsonaro como 

neofascista foi  defendida por alguns intelectuais, dentre eles destaco Boito Jr (2019; 

2020), Passo & Valle (2020) e Löwy (2020). Para Boito Jr. (2019, online), 

No que respeita ao Brasil de hoje temos a ideologia neofascista, 

o movimento neofascista e um governo no qual os neofascistas 

ocupam a posição dominante – lograram, após alguns meses de 

governo, deslocar o grupo militar para um plano secundário e o 

grupo militar é propenso a outro tipo de ditadura. O que não 

temos no Brasil, pelo menos até agora, é um regime político 

fascista. O regime vigente no Brasil é uma democracia burguesa 

deteriorada e em crise. 

O neofascismo no Brasil ainda não conseguiu organizar um partido político, 

embora Jair Bolsonaro tenha buscado, sem êxito, fundar o partido ALIANÇA 

PELO BRASIL. A fração fascista da classe dominante está fragmentada em alguns 

partidos e movimentos sociais. 

Por não possuir organização partidária formal, o neofascismo 

tem sua representação distribuída de maneira desigual e mais 

ou menos difusa em partidos como o PSL, o PRB, na bancada 

evangélica, na Frente Parlamentar da Agropecuária, que tem as 

vice-presidências do Senado e da Câmara Federal, e também na 

bancada da bala. Em menor medida, também é possível 

encontrar representações neofascistas no partido Novo e no 

Podemos (Passo; Valle, 2020, online). 

Löwy (2020), ao caracterizar Bolsonaro, e seu governo, como neofascistas, os 

vincula ao processo mais amplo de crescimento da extrema direita em âmbito 

internacional e os compara a líderes como Shinzo Abe, do Japão, Modi, da Índia, 

Trump, ex-presidente dos Estados Unidos da América, e Orban, da Hungria. 

13Ver reportagem em:  https://www.bbc.com/portuguese/brasil-57726086 

14 Veja declaração do presidente do senado em: https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas

noticias/2021/07/09/presidentes-do-senado-e-do-tse-reagem-a-ameacas-de-bolsonaro-as

eleicoes.htm 

Silva, I. G.   182 

Brasil pós-eleições de 2018...                                             

Destaca, porém, as diferenças entre o neofascismo e as experiências que resultaram 

na Segunda Guerra Mundial. 

Enquanto que o fascismo clássico propugnava a intervenção 

massiva do Estado na economia, o neofascismo de Bolsonaro é 

totalmente identificado com o neoliberalismo, e tem por 

objetivo impor uma política socioeconômica favorável à 

oligarquia, sem nenhuma das pretensões “sociais” do fascismo 

antigo. (...) Outra característica própria ao neofascismo 

brasileiro é que, apesar de sua retórica ultranacionalista e 

patrioteira, ele é completamente subordinado ao imperialismo 

americano, do ponto de vista econômico, diplomático, político 

e militar. (...) O que Bolsonaro tem em comum com o fascismo 

clássico é o autoritarismo, a preferência por formas ditatoriais 

de governo, o culto do Chefe (“Mito”) Salvador da Pátria, o 

ódio a esquerda e ao movimento operário. Mas não consegue 

organizar um partido de massas, nem tropas de choque 

uniformizas. Tampouco tem condições, por enquanto, de 

estabelecer uma ditadura fascista, um Estado totalitário, 

fechando o Parlamento e colocando fora da lei sindicatos e 

partidos de oposição (Löwy, 2020, online). 

O que ocorreu no Brasil pós-eleições 2018 foi um processo em que a 

fração neofascista do bloco político que garantiu a vitória de Jair Bolsonaro 

assumiu a posição dominante e tem protagonizado as ações de violência 

contra os grupos marginalizados e as instituições democráticas. A estratégia 

de Bolsonaro foi controlar as principais instituições do aparelho de Estado 

com pessoas ideologicamente vinculadas ao projeto da extrema direita. 

Enquanto distraía a população com o estilo grosseiro, autoritário e 

declarações racistas, homofóbicas e misóginas avançava em projetos como, 

por exemplo, a Escola Sem Partido e o FUTURE-SE, que modificavam o 

caráter do Ensino Médio e Superior. O governo também tratou de se 

proteger de investigações, através do controle de instituições, como a Polícia 

Federal, o Ministério Público, a Advocacia Geral da União e os tribunais 

superiores.  Essa estratégia causou tensões e fraturas no bloco no poder, que 

se expressou em conflitos entre os poderes executivo, legislativo e judiciário, 

dando visibilidade às contradições internas. À medida que o caráter fascista 

se tornava mais evidente e o número de competidores com vista às 

candidaturas para 2022 aumentava, devido à disputa pelo poder, a divisão 

entre as frações da classe dominante foi se ampliando e a extrema direita foi 

se isolando.  Entretanto, no campo das reformas neoliberais que precarizam 

as relações de trabalho e destroem o restrito sistema de proteção social e o 

183   Lutas Sociais, São Paulo, vol.25 n.47, p.171-185, jul./dez. 2021. 

patrimônio nacional, a unidade de ação, de modo especial no Congresso 

Nacional, se mantinha.  

Em termos de representação de interesses de classe, Passo e Valle 

(2020) sustentam que a ala neofascista tem o apoio da grande burguesia 

interna vinculada à indústria, ao comércio de varejo e ao agronegócio, cujas 

expressões estão na Confederação Nacional da Indústria (CNI)15, na 

articulação chamada Diálogo pelo Brasil, integrada por Paulo Skaf, presidente 

da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), no movimento 

chamado Instituto Brasil 200 (IB200) e em empresas de segurança privada. 

Contudo, as divergências e disputas no interior do bloco no poder podem 

levar a uma situação-limite de ruptura com o regime democrático.  

Considerações finais 

A crítica ao governo Bolsonaro que antes estava limitada aos partidos e 

movimentos sociais da esquerda, se estendeu aos partidos do centro e da direita 

tradicional. A esquerda concentrou suas forças e esperanças no ex-presidente Lula, 

por ser considerado o único político capaz de vencer Bolsonaro na disputa eleitoral 

de 2022, e readquiriu a capacidade de mobilização de rua, paralisada durante o ano 

de 2020 por causa da pandemia. Vários atos políticos e massivos16 foram 

convocados pela Frente Povo Sem Medo, Frente Brasil Popular e Coalizão Negra 

por Direitos, além da participação do Partido dos Trabalhadores (PT), do Partido 

Comunista do Brasil (PCdoB) e o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL). Todos 

foram às ruas pelo impeachment de Bolsonaro, pela ampliação da vacinação, em 

defesa da Educação pública e do Sistema Único de Saúde, pelo auxílio emergencial 

de R$ 600 reais e contra as reformas neoliberais, em especial a Proposta de Emenda 

Constitucional – PEC 32, que trata da reforma administrativa, e o Projeto de Lei 

(PL) 490/200717, que altera os processos de demarcação de terra indígenas. Derrotar 

o fascismo enraizado na sociedade brasileira deve ser o compromisso de todos/as 

os/as que lutam por uma sociedade democrática e igualitária.  

15 A CNI, a FIESP, as articulações Diálogos pelo Brasil e Brasil 200 encamparam, dentre outras, o 

discurso nacionalista e de defesa dos interesses nacionais. Estiveram diretamente envolvidos com 

as manifestações em favor do impeachment da presidenta Dilma Rousseff e contra os governos 

do Partido dos Trabalhadores. 

16 Quadro das manifestações contra Bolsonaro em 2021 está disponível em 

https://www.brasildefato.com.br/2021/06/22/nova-manifestacao-contra-bolsonaro-e-pela

vacina-esta-confirmada-para-o-24-de-julho 

17 Maiores informações em  https://www.conjur.com.br/2021-jun-28/leandro-facchin-projeto

altera-demarcacao-terras-indigenas 

Silva, I. G.   184 

Brasil pós-eleições de 2018...                                             

Referências 

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derecha radical populista en Europa: parámetros ideológicos y motivaciones 

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https://aterraeredonda.com.br/a-terra-e-redonda-e-o-governo-bolsonaro-e

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jul. 2021 

LÖWY, M. Conservadorismo e extrema-direita na Europa e no Brasil.  Serviço Social 

e Sociedade., São Paulo, n. 124, p. 652-664, 2015. 

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NOZAKI, W.  A militarização da administração pública no Brasil: projeto de nação 

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OLASCOAGA, O. G. El extremismo político en Escandinavia… ¿O caso de la 

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2020. 

Disponível 

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RYDGREN, J. The sociology of the radical right. Annual Review of Sociology, n. 33,  p. 

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with it? Journal of Language and Politics, vol.16, n. 4, p. 485-496, 2017. 

SILVA, I. G. A agenda conservadora assume o centro da cena política no Brasil. 

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185   Lutas Sociais, São Paulo, vol.25 n.47, p.171-185, jul./dez. 20. O artigo da autora Ilse Gomes Silva

O centrismo é um posicionamento político que se situa entre a esquerda e a direita no espectro político. Sua principal característica é a defesa de uma postura moderada e equilibrada, buscando conciliar ideias de diferentes ideologias para encontrar soluções práticas. 

Aqui estão os pontos fundamentais para entender o centrismo:

Conciliação de Valores: Centristas buscam equilibrar a justiça social e a igualdade (frequentemente pautas de esquerda) com a liberdade individual e o crescimento econômico pró-mercado (pautas de direita).

Pragmatismo: O foco tende a ser em resultados práticos e evidências, evitando o que consideram "extremismos" ou "pureza ideológica".

Moderação: Defende-se a manutenção da ordem democrática e a realização de reformas graduais, em oposição a mudanças revolucionárias ou reacionárias bruscas.

Variações:

Centro-esquerda: Inclina-se levemente à esquerda, com maior foco em bem-estar social e intervenção estatal moderada.

Centro-direita: Inclina-se à direita, priorizando o livre mercado e o conservadorismo liberal.

Centrismo Radical: Defende mudanças significativas no sistema, mas de forma pragmática e não ideológica. 

No contexto brasileiro, é comum a confusão entre o centrismo ideológico e o "Centrão". Enquanto o centrismo é uma filosofia de moderação, o "Centrão" refere-se a um bloco de partidos que se caracteriza mais pelo apoio ao governo vigente em troca de cargos e verbas do que por uma ideologia definida.                 Esses termos definem o espectro político com base em como diferentes grupos acreditam que a sociedade e a economia devem ser organizadas. 

Esquerda: Prioriza a igualdade social e a justiça coletiva. Geralmente defende uma maior intervenção do Estado na economia para garantir serviços públicos (como saúde e educação) e reduzir a desigualdade.

Direita: Foca na liberdade individual, no livre mercado e na preservação de valores tradicionais. Tende a defender um Estado menor, com menos impostos e menos interferência na economia, acreditando que a competição gera crescimento.

Centro: Busca um equilíbrio entre as duas visões. O centro politico ,tenta conciliar a eficiência do mercado com políticas de bem-estar social, adotando posturas moderadas e pragmáticas

Os principais casos de corrupção e investigações criminais envolvendo o Partido Liberal (PL) e o governo de Jair Bolsonaro abrangem esquemas de desvios de recursos públicos, fraudes e uso indevido de órgãos do Estado.

1. Escândalos de Corrupção no Governo Bolsonaro

Bolsolão do MEC: Investigou a atuação de um "gabinete paralelo" comandado por pastores evangélicos no Ministério da Educação. O esquema envolvia a cobrança de propinas (inclusive em barras de ouro) para a liberação de verbas do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). O ex-ministro Milton Ribeiro chegou a ser preso pela Polícia Federal.


Caso das Joias Sauditas: Apura o desvio e a tentativa de venda ilegal de presentes de alto valor recebidos de autoridades estrangeiras. A Polícia Federal indiciou o ex-presidente Jair Bolsonaro por crimes como associação criminosa e peculato.


Abin Paralela: Investigação sobre o monitoramento ilegal de opositores, jornalistas e ministros do STF pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin). O órgão teria sido aparelhado para blindar aliados e familiares, gerando desdobramentos contra o deputado federal e ex-diretor da agência Alexandre Ramagem (PL).


Superfaturamento na Pandemia (Covaxin): A CPI da Covid apontou irregularidades e indícios de corrupção na negociação da vacina indiana Covaxin pelo Ministério da Saúde, envolvendo pressões internas para acelerar pagamentos a intermediárias.


2. Casos de Corrupção Envolvendo o PL (Partido Liberal)

O PL, partido ao qual Jair Bolsonaro se filiou no final de 2021 e que abriga sua base aliada, concentra diversas lideranças e parlamentares sob a mira da Justiça:

Condenação por Desvio de "Emendas Pix": Em março de 2026, a Primeira Turma do STF condenou por unanimidade os deputados federais Josimar Maranhãozinho (PL-MA) e Pastor Gil (PL-MA), além do suplente Bosco Costa (PL-SE), por corrupção passiva e organização criminosa. Eles foram acusados de cobrar propina de R$ 1,6 milhão para destravar recursos de emendas parlamentares destinadas ao SUS no Maranhão.


Histórico da Executiva Nacional: O presidente do partido, Valdemar Costa Neto, possui condenação histórica no escândalo do Mensalão e voltou a ser alvo de investigações da Polícia Federal por suspeita de participação na trama golpista de 2022. Além dele, levantamentos apontam que cerca de um terço da bancada de deputados federais do PL responde a ações penais ou inquéritos judiciais.


3. Esquemas de "Rachadinha" e Fraudes Familiares

Gabinete de Flávio Bolsonaro: O senador Flávio Bolsonaro (PL) foi investigado pelo Ministério Público pelo esquema de "rachadinha" (desvio de salários de assessores) na época em que era deputado estadual no Rio de Janeiro (caso Fabrício Queiroz). Os recursos teriam sido lavados por meio de uma franquia de chocolates e transações imobiliárias.


Fraude nos Cartões de Vacina: Investigação que apontou a inserção de dados falsos de vacinação contra a Covid-19 no sistema do Ministério da Saúde para beneficiar Jair Bolsonaro, sua filha e assessores próximos, resultando em indiciamento por associação criminosa.

A base eleitoral é a região geográfica, o grupo social ou o segmento da população onde um candidato ou partido político centraliza suas forças e obtém a maioria dos seus votos.

O que define uma base eleitoral

Geografia: Cidades, bairros, estados ou distritos específicos onde o político possui forte influência ou histórico de atuação.


Demografia: Grupos segmentados por idade, gênero, faixa de renda, nível de escolaridade ou profissão.


Ideologia: Eleitores que se identificam diretamente com pautas específicas, como causas ambientais, religiosas, econômicas ou de segurança.


Importância estratégica

Fidelidade: Garante um volume mínimo de votos necessários para iniciar uma campanha com chances reais de eleição.


Prestação de Contas: Direciona as emendas parlamentares e projetos de lei para atender às demandas diretas dessa população.


Termômetro Político: Serve como indicador de aprovação do mandato por meio de pesquisas de opinião focadas nesses grupos.

Ao que vimos no Nexo Jornal ,o Bolsonarismo mantém e manterá sua base eleitoral . Mas ao que se vê na Folha de São Paulo . Não passa de um regime populista e corrupto  E temos um Flavio Bolsonaro com uma falsa moderação .. Confira a notícia no UOL .https://noticias.uol.com.br/colunas/fabio-serapiao/2026/10/10/flavio-dividia-conta-com-suspeito-de-lavar-dinheiro-do-inss-indicam-emails.htm

                      E assim caminha a humanidade