domingo, 30 de agosto de 2026

Complexo .

  O conservadorismo é uma filosofia social e política que defende a preservação das instituições, costumes, tradições e valores construídos ao longo da história de uma sociedade. Em vez de propor mudanças radicais ou utópicas, o pensamento conservador defende que a sociedade deve evoluir de forma gradual e prudente, aproveitando a experiência acumulada pelas gerações passadas.Pilares FundamentaisCeticismo político: Desconfiança em relação a teorias abstratas e planos de engenharia social que prometem sociedades perfeitas.Prudência: Preferência por reformas lentas, pontuais e testadas pela experiência prática, evitando rupturas revolucionárias.Preservação institucional: Valorização de estruturas fundamentais como a família, as comunidades locais e as organizações religiosas.Ordem e estabilidade: Crença de que a ordem social e a segurança jurídica são pré-requisitos para a liberdade individual e a justiça.Origem HistóricaO conservadorismo político moderno estruturou-se no final do século 18 , tendo o filósofo e político britânico Edmund Burke como seu principal precursor. Em sua obra clássica, Burke criticou os excessos e a destruição institucional promovidos pela Revolução Francesa, defendendo que os pactos sociais devem respeitar os mortos, os vivos e os que ainda vão nascer.Assista a uma breve explicação sobre o surgimento do pensamento conservador e seus conceitos clássicos:1mGlossário político: o que é ser conservador?451 mil visualizações · há 3 anosYouTube · BBC News BrasilPrincipais VertentesO conservadorismo não é uma ideologia rígida ou um conjunto fixo de dogmas; ele varia de acordo com o tempo e a cultura de cada país:Conservadorismo Tradicionalista: Foca intensamente na preservação da moralidade comum, dos costumes antigos e do papel central das religiões tradicionais na vida pública.Conservadorismo Liberal: Combina a preservação dos valores e instituições tradicionais nos costumes com a defesa do livre mercado, da propriedade privada e do Estado enxuto na economia.Neoconservadorismo: Vertente que ganhou força no cenário internacional (especialmente nos EUA), aliando o conservadorismo moral interno a uma postura assertiva e intervencionista na política externa. Segundo o Soiciólgo, Mestre e Doutor Cesar Portantiolo Maia, no Quarto Periodo da Habilitação em Jornalismo na Comunicação Social, pelas Faculdades Integradas Alcantara Machado (FIAAM FAAM).

A PRESERVAÇÃO DO PENSAMENTO CONSERVADOR E A 

COLONIZAÇÃO INTERNA NO BRASIL 

Klondy Lúcia de Oliveira Agra1 

A cultura não é só o primeiro passo para se ser humano, isto é, para se poder 

valorizar a humanidade, como também, enquanto exercício de intersubjetividade, o 

primeiro passo para a aprendizagem da democracia, isto é para dar voz ao outro, 

mesmo quando ela não ressoa a nossa.  

Humberto Eco (2001) 

RESUMO 

Neste artigo, através de pesquisa qualitativa bibliográfica, com base nos estudos culturais, 

verifica-se o que é o pensamento conservador, averígua-se em quais premissas o 

conservadorismo no Brasil se assegura, faz-se um paralelo entre o conservadorismo brasileiro 

e o pensamento colonizador, e a que se pode chamar de colonialismo interno no Brasil, com o 

objetivo principal de conduzir o leitor, pesquisador ou não, a repensar e redesenhar planos e 

projetos para um futuro menos excludente no qual se respeite e preserve a diversidade cultural 

brasileira. Ao fazer um paralelo das ideias conservadoras no Brasil e o pensamento colonizador, 

observou-se que ambos carregam a colonialidade. Uma colonialidade que, para aqueles 

pretensos colonizadores que a carregam, e que hoje se reconhecem como conservadores, é uma 

realidade colonial, tão verdadeira hoje como foi no período colonial , cujas características dos 

pensamento são tão espantosas que chegam a negar é possibilidade de coexistência dos dois 

lados: nós, a parte da humanidade que deve se firmar e eles, a parte da humanidade que deve 

ser sacrificada. 

Palavras-chave: Sentido, Cultura, Colonialismo, Colonialidade, Conservadorismo. 

ABSTRACT  

In this article, through a qualitative bibliographical research, based on cultural studies, it is verified what 

is the conservative thought, it is verified in what premises the conservatism in Brazil is assured, it is 

made a parallel between the Brazilian conservatism and the thought colonizer, and what can be called 

internal colonialism in Brazil, with the main objective of leading the reader, researcher or not, to rethink 

and redesign plans and projects for a less exclusive future in which Brazilian cultural diversity is 

respected and preserved. By making a parallel between conservative ideas in Brazil and colonizing 

thought, it was observed that both carry coloniality. A coloniality that, for those would-be colonizers 

who carry it, and who today recognize themselves as conservatives, is a colonial reality, as true today 

as it was in the colonial period, whose characteristics of thought are so astonishing that they even deny 

the possibility of coexistence of the two sides: we, the part of humanity that must stand, and them, the 

part of humanity that must be sacrificed. 

Keywords: Sense, Culture, Colonialism, Coloniality, Conservatism. 

1Doutora em Geografia pela UFPR, membro do GEPCultura. Professora Colaboradora do Programa de Pós

Graduação em Geografia da UNIR klondy2@gmail.com  

INTRODUÇÃO 

A constante crise política e econômica no Brasil pode ser o resultado de sua colonização 

europeia e do pensamento que conduziu todo esse processo de colonização pelos países 

europeus. Uma colonização cuja verdade era fixada na máxima formulada por Aristóteles e 

absorvida pelos países colonizadores que definia a lógica das leis e do exercício da autoridade: 

a manutenção da desigualdade entre os seres humanos2.  

Com a separação imposta pelo governo português, que seguia fielmente a dialética 

aristotélica que definiu a política “ Todos os homens que diferem entre si para pior, no mesmo 

grau em que a alma difere do corpo e o ser humano difere de um animal, são naturalmente 

escravos, e para eles nada melhor do que estarem sujeitos à autoridade de um senhor”,  a divisão 

de classes no Brasil se deu com diferenças marcantes e a elite brasileira preserva seus resquícios 

até os dias de hoje, fato que personaliza o colonialismo interno no Brasil. 

A máxima aristotélica, utilizada desde a antiguidade e aplicada à política, traz seus 

resquícios não só ao Brasil, mas a todos os países da américa latina colonizados por europeus. 

No Brasil, nos últimos anos, essa máxima tem sido fortemente levantada e conduziu o país a 

extremos de ódio. 

Neste artigo, pretende-se discutir sobre o pensamento colonizador, o colonialismo e o 

colonialismo interno, e como costumes, tradições  e ensinamentos com base nestes pensamentos 

trazem ao Brasil preconceitos que prejudicam pessoas, povos e culturas. 

Acredito que este estudo é importante para a Geografia porque é essa ciência que se 

preocupa não somente com as lutas no/ou pelo espaço, natural ou modificado pelo homem, mas 

também, pelos sentidos, percepções e representações dos seres humanos, se interessando pelas 

lutas nesse espaço, porque é através dos sentidos culturalmente construídos  que se mudam as 

realidades ambientais, sociais e espaciais. E são esses sentidos  colonizadores, presentes em 

falas e projetos, que influenciam e  mudam cenários e modos de vida, trazendo consequências 

diversas ao homem/mulher/terra que são o objetivo fim dos estudos geográficos. 

Através de pesquisa qualitativa bibliográfica, com base nos estudos culturais, verifica

se o que é o pensamento conservador, averígua-se em quais premissas o conservadorismo no 

2A igualdade geométrica é a concepção de igualdade que Aristóteles entendia como a correta para a sociedade 

grega. Na análise da igualdade Aristóteles partia do pressuposto da existência de diferenças naturais entre pessoas 

a permitir uma hierarquização já instalada na própria natureza, tanto que ele afirma que as leis poderiam visar o 

interesse das “melhores pessoas” (ARISTÓTELES, p. 92).  

Brasil se assegura, faz-se um paralelo entre o conservadorismo brasileiro e o pensamento 

colonizador, e a que se pode chamar de colonialismo interno no Brasil, com o objetivo principal 

de conduzir o leitor, pesquisador ou não, a repensar e redesenhar planos e projetos para um 

futuro menos excludente no qual se respeite e preserve a diversidade cultural brasileira. 

UMA VISÃO GERAL SOBRE O CONSERVADORISMO  

O conservadorismo, ideias que vem do século XVIII, se constituiu como ideologia e 

estratégia política das classes dominantes no período da modernidade. De acordo com Souza 

(2020) a formação do conservadorismo clássico pode ser identificado entre 1789 e 1914. 

Período histórico que recobre mais de um século e coincide com dois grandes acontecimentos 

históricos: vai da Revolução Francesa até o início da primeira guerra mundial (Souza. 2020). 

A partir daí, o conservadorismo e sua ideologia passam a aglutinar em torno de si  as 

classes dominantes dos principais países europeus nos momentos de crise. Em princípio, 

definia-se como reação aristocrática contra as novas formas políticas, culturais e econômicas 

produzidas pela formação e consolidação do capitalismo. Porém, sobretudo após as revoluções 

de 1848, o conservadorismo aderiu ao capitalismo, consolidando-se, junto ao liberalismo. No 

entanto, com as mudanças mundiais, o conservadorismo vai além, adquire diferentes 

tonalidades, tendências e características, variando prioritariamente conforme particularidades 

nacionais e regionais. 

Os ditos conservadores, na contemporaneidade, procuram acusar aqueles que lutam por 

avanços civilizatórios de serem inimigos da sociedade, de suas instituições e tradições. Os 

conservadores da atualidade estendem o leque de acusações, empregando termos tais como: 

ateus, fanáticos, despóticos, egoístas, dogmáticos, tirânicos, irracionais, etc. para (des)qualificar 

aqueles que fazem críticas aos seus interesses. Tanto o conservadorismo clássico como o 

contemporâneo não respeitam a democracia. 

O SENTIDO CULTURALMENTE CONSTRUÍDO, O COLONIALISMO E A 

COLONIALIDADE 

Os sentidos humanos, embora façam parte da consistência humana, são sempre 

influenciados pelo contexto e cenário, ou seja, por serem construídos culturalmente, é por meio 

desses sentidos que os seres humanos se relacionam com o meio. Assim, cada homem/mulher, 

a partir de sua cultura, do seu mundo vivido, percebe o mundo exterior de formas distintas.  

No Brasil, um país colonizado, com forte influência europeia (e hoje estadunidense)  

os diferentes pontos de vista geram crises de sentido que conduzem a compreensões errôneas. 

Para compreender como se dão essas controvérsias  torna-se necessário entender a noção de 

colonialismo, colonialidade, como se constroem os sentidos dentro de uma cultura e como 

sentidos repletos de colonialidade são responsáveis pelo colonialismo interno no Brasil. 

Colonialismo é um fenômeno associado às conquistas, aos assentamentos e ao controle 

administrativo sistemático da Europa no século XIX (estruturas institucionais de governo, 

sistema legal, domínio militar); frequentemente considerado um processo violento. Nessa 

acepção o Colonialismo possui fortes bases econômicas, é fonte de matéria prima, novos 

mercados, mão de obra, soldados. Com fundamentação racial dicotômica, essa interpretação 

considera a Europa como avançada, progressiva e moderna (nós) versus os nativos retrógrados, 

primitivos e atrasados (eles). O Colonialismo traz consigo a imposição das práticas do 

colonizador sob o povo colonizado, apaga sua história e crenças, e está envolto nas formas de 

aquisição e desenvolvimento de conhecimento sob os interesses do povo que coloniza 

(QUIJANO, 2007).  

Por outro lado, a colonialidade é entendida como uma dimensão simbólica do 

colonialismo que mantém as relações de poder que se desprenderam da prática e dos discursos 

sustentados pelos colonizadores para manter a exploração dos povos colonizados. Restrepo e 

Rojas (2012) a definem como um fenômeno histórico complexo que se estende para além do 

colonialismo, referindo-se a um padrão de relações de poder que opera pela naturalização de 

hierarquias territoriais, raciais, culturais, de gênero e epistêmicas. A naturalização é o que 

possibilita a reprodução das relações de dominação. Esse padrão de poder mantém e garante a 

exploração de uns seres humanos sobre outros e subalterniza e oblitera os conhecimentos, 

experiências e formas de vida do grupo que é explorado e nominado (RESTREPO; ROJAS, 

2012).  

A colonialidade se refere à ideia de que, mesmo com o fim do colonialismo, uma lógica 

de relação colonial permanece entre os saberes, entre os diferentes modos de vida, entre os 

Estados-Nação, entre os diferentes grupos humanos (MIGNOLO, 2013).  

Os Estados-nação periféricos e os povos não-europeus vivem hoje sob o regime da 

colonialidade global imposto pelos Estados Unidos, através do Fundo Monetário Internacional 

(FMI), do Banco Mundial (BM), do Pentágono e da OTAN. As zonas periféricas mantêm-se 

numa situação colonial, ainda que já não estejam sujeitas a uma administração colonial. Se o 

colonialismo termina, a colonialidade se propaga ao longo do tempo (QUIJANO, 1998).  

Essa propagação se dá através dos sentidos construídos dentro da cultura de cada um 

(família, escola, igreja etc.), são repassados  e constroem sentidos repletos de colonialidade em 

outros(as). Sentidos esses que, na pretensão de que um homem é superior a outro, criam 

preconceitos, racismo, homofobia etc. e conduzem o país a enorme diferença social e 

bipolaridade, sem a capacidade de ver/ouvir o outro, ou respeitar diferenças culturais. 

O TERMO COLONIALISMO INTERNO 

De acordo com González Casanova (2007), o colonialismo interno está originalmente 

ligado aos fenômenos de conquista, em que as populações de nativos não são exterminadas e 

tomam parte, primeiro do Estado colonizador e depois do Estado que adquire uma 

independência formal, ou que inicia um processo de libertação ou de recolonização. As relações 

geradas dentro do Estado-Nação, com preconceitos e um olhar de supremacia daquele que, 

mesmo sendo um colonizado, imita o colonizador e replica sentidos colonizadores constituem 

o colonialismo interno. Uma estrutura prolongada de relações sócias de dominação e exploração 

entre grupos sociais heterogêneos dentro de sociedades duais ou plurais (GONZÁLEZ 

CASANOVA, 1965).  

Para observar o fenômeno do colonialismo interno, é necessário lembrar que ele  se dá 

em diferentes campos, tais como: o econômico, o político, o social e o cultural. Para uma 

definição concreta da categoria de colonialismo interno, requer conhecer também como se 

desenvolveu através da história do estado-nação e do capitalismo tal colonialismo e como ele 

se relaciona com alternativas emergentes, sistêmicas e antissistêmicas, em particular as relativas 

às resistências e à construção de autonomias dentro do Estado-Nação, quanto à criação de links 

(ou ao ausência destes) com os movimentos e forças nacionais e internacionais de democracia, 

libertação e socialismo. 

Necessário lembrar, também, que  o contraste entre os estados-nação pós-coloniais e os 

grandes impérios ocidentais que os colonizaram parte de um divisor que superestima a ruptura 

pós-colonial e da constatação de que muitos dos processos históricos que marcaram a 

construção e perpetuação dos impérios coloniais se encontram internalizados nos estados-nação 

nascidos a partir de ex-colônias.  

O colonialismo interno tem sido uma categoria tabu para correntes ideológicas muito 

diferentes. No entanto, ao observar de perto o que se passa no interior da colonização interna é 

inevitável que a ideia de construção da nação tenha uma ressonância forte com o ponto de vista 

historiográfico das elites econômicas e políticas que capitanearam a formação dos estados

nação pós-coloniais. Esse processo de construção de hegemonias nacionais na esteira das 

independências, na América Latina e em países colonizados, tem sido descrito na literatura 

através de noções já bem consolidadas como a invenção da tradição de Hobsbawm e Ranger 

(1984) e as comunidades imaginadas de Benedict Anderson (2008).  

Pode-se afirmar que não há nada imemorial, ou essencial, nas identidades nacionais; e 

que estes processos históricos têm envolvido relações de poder de longa duração, a partir das 

quais certos grupos lograram impor sua própria ideologia e interesses como horizonte 

hegemônico para o restante da nação, consolidando o colonialismo interno nesses países.  

CONSERVACIONISMO BRASILEIRO E O PENSAMENTO COLONIZADOR 

No Brasil, as ideias conservadoras começaram a serem fortemente disseminadas como 

uma apropriação dos pensamentos que passaram a invadir a política norte americana a partir de 

2012. Um conservadorismo mais extremado e responsável pela guinada à direita do Partido 

Republicano, que se caracteriza por políticas ultraconservadoras, tais como: rejeição 

sistemática ao aborto; ênfase na família como uma instituição constituída exclusivamente por 

um homem e uma mulher; apoio irrestrito a Israel; defesa enfática e unilateral dos valores norte

americanos no mundo; rejeição ao estado de bem estar social através da diminuição sistemática 

do papel e do tamanho do governo na economia norte-americana; entre outras ( Vidal, 2013). 

Com  apropriação do discurso conservador americano, o conservadorismo no Brasil, 

somado a colonialidade construída com sentidos passados e repassados de gerações a gerações, 

cria uma forma específica brasileira, ideológico, partidário e com imensa  rejeição aos projetos 

sociais e aos direitos humanos. 

De acordo com Calil (2016), o “(...) inegável avanço da direita no Brasil nos últimos 

anos” acentua elementos de uma herança histórica que, através de contradições, não foi 

inteiramente superada. Pelo contrário, permanece presente no cotidiano e nos interesses das 

classes dominantes e dominadas, influenciando, sobretudo, suas escolhas políticas, ideias, 

valores, costumes e relações sociais. Um conservadorismo que após Trump (eleito presidente 

dos Estados Unidos em 2016) e Bolsonaro (eleito em 2018 no Brasil)  trouxe a ambos os países 

uma enxurrada de Fake News, propagando ódio à democracia, aos direitos humanos, às 

diferenças etc.(AGRA, 2022). 

De acordo com Ferreira e Botelho (2010), que identificou um pensamento conservador 

à brasileira,  há uma espécie de confluência de determinações ideológicas (no seu sentido 

amplo e restrito) herdadas do passado colonial e escravocrata com princípios e valores (ordem, 

autoridade, disciplina, hierarquia, meritocracia, entre outros) sistematizados em teorias (mas 

também em pedagogias nas relações de trabalho e religiosas) cuja função social e 

desdobramentos efetivos redundam, sobretudo, em tendências antidemocráticas e de 

hipocondria anticomunista, além da produção de uma cultura política contrária à noção de 

conquista de direitos dos trabalhadores. Como se pode notar, trata-se de uma proposta que 

contribui para a elevação da intolerância, discriminação, com a colonialidade latente e toques 

do darwinismo social. 

Ao fazer um paralelo do conservadorismo no Brasil e do pensamento do colonizador, 

vê-se que os sentidos de ambos tem vários pontos em comum. Observe: O Conservadorismo à 

brasileira é vestido pelas classes que se julgam superiores, são contra a mitigação do sofrimento 

dos menos favorecidos; cevam a miséria e a constroem ativamente; querem o domínio; julgam 

os menos favorecidos como sugadores de suas benesses; defendem a meritocracia, sem pensar 

que sem leis afirmativas e auxílios governamentais muitos não tem e nunca terão a mesma 

chance; apropriam-se de terras e bens da união, não respeitam as populações tradicionais e 

desenvolvem uma mistura de medo e raiva em relação aos mais excluídos, com auxílio de 

discursos e narrativas de ódio, defendem a moral e a família.  O colonizador queria o domínio, 

a posse e os bens, sentia-se superior, sem respeitar o local, colocava a raça como marcador de 

superioridade/inferioridade, dominava não somente pela força, mas  também pela língua e 

imposição de religião, ideias e pensamentos. 

Ao se observar sobre o colonialismo interno e o pensamento colonizador é bom notar o 

que Mignolo (2005) afirma sobre a diferença colonial que transformou-se e reproduziu-se no 

período nacional, passando a ser chamada de colonialismo interno. O colonialismo interno, 

afirma o autor, é a diferença colonial exercida pelos líderes da construção nacional. No Brasil, 

o colonialismo brasileiro é perpetuado pelo conservadorismo, pelo medo de mudança e percas 

de privilégios.  

Fatos notáveis se verificam com a colonialidade interna no Brasil que seguem linhas 

geográficas: divisores como litoral/interior, rural/urbano, sul/norte são seguidamente utilizados 

como tema de discussões que insistem em marcar a superioridade de uns sobre outros.  

Por isso, verifica-se então que, embora grande parte da sociedade brasileira não se diga 

conservadora, está repleta de preconceitos que são repassados através dos sentidos 

colonizadores. Sentidos construídos dentro de grupos familiares e transmitidos de geração a 

geração através de tradições  e ensinamentos com base nesses pensamentos do colonizador e 

fortalezem a colonialidade no Brasil, aumentando as diferenças, repletos de preconceitos, 

prejudicam pessoas, povos e culturas. 

RESULTADOS 

Os ditos conservadores, na contemporaneidade, carregados de sentidos colonizadores, 

alimentados pela colonialidade latente, ou seja arremedos do colonizador, na tarefa de se 

construir diferente e pertencer a elite e não ao povo, constroem e dão força ao colonialismo  

interno brasileiro e procuram acusar aqueles que lutam por avanços civilizatórios de serem 

inimigos da sociedade, de suas instituições e tradições.  

Desse modo, o colonialismo interno brasileiro, através dos que se dizem conservadores, 

propaga seus sentidos colonizadores e estende o leque de acusações, empregando termos tais 

como: ateus, fanáticos, arbitrários, egoístas, dogmáticos, tirânicos, irracionais, comunistas etc. 

para (des)qualificar aqueles que fazem críticas aos seus interesses, alimentando sentimentos 

antidemocráticos e o desrespeito ao outro. 

Um colonialismo interno que extremado e responsável pela guinada à direita, se 

identifica nas diversas tentativas de políticas ultraconservadoras e cortes sistemáticos de 

direitos. Ademais, com o conservadorismo, somado a colonialidade construída com sentidos 

passados e repassados de gerações a gerações na formação desse colonialismo interno, acentua 

elementos de uma herança histórica que, através de contradições, não foi inteiramente superada.  

Pelo contrário, permanece presente no cotidiano e nos interesses das classes dominantes 

e dominadas, influenciando, sobretudo, suas escolhas políticas, ideias, valores, costumes e 

relações sociais. Um colonialismo que, após Bolsonaro (eleito à presidência do Brasil em 2018), 

trouxe ao país uma enxurrada de Fake News, propagando ódio à democracia, aos direitos 

humanos, às diferenças etc.(AGRA, 2022). 

A colonialidade interna brasileira herdada do passado colonial e escravocrata com base 

firmada em princípios e valores como: ordem, autoridade, disciplina, hierarquia, meritocracia, 

entre outros, sistematizados em teorias e pedagogias nas relações de trabalho e religiosas cuja 

função social e desdobramentos efetivos resultam em tendências antidemocráticas e de 

hipocondria anticomunista.  

Uma colonialidade orientada por pessoas com forte ideologia de extrema direita, 

modifica e/ou fortifica seus valores culturais, gerando impressões destes valores em outras 

mentes, o que lhe torna possível um construto cultural compartilhado que o leva à    

representações subjetivas, pessoais, sobre as pessoas e a cultura de seu próprio país . Além da 

produção de uma cultura política contrária à noção de conquista de direitos dos trabalhadores,  

contribui para a elevação da intolerância, discriminação, imperialismo, darwinismo social, 

apropriações indébitas, desrespeito à natureza e à culturas diversas.  

CONSIDERAÇÕES FINAIS 

Com a certeza de que não só a Geografia, mas outras ciências devem ter um olhar atento 

à formação da sociedade brasileira, aos sentidos construídos e repassados de geração a geração 

e aos pontos de vista que tais sentidos geram em cada indivíduo para conhecer e, desse modo, 

criar instrumentos para combater a colonialidade instalada. Pois é essa colonialidade, vontade 

de ser colonizador, com preconceitos, compreensões errôneas e alheio aos direitos humanos 

que conduzem o Brasil a desmandos e crises constantes. 

Sugere-se, portanto, futuros estudos que considerem pensar na decolonização de 

mentes, isso pressupõe evidenciar as assimetrias de poder presentes na sociedade. Além de 

pensar no diálogo com saberes fronteiriços, epistemologias do sul e na interculturalidade. 

Ademais, com essas contribuições, considera-se a necessidade da ampliação da 

discussão na Geografia e em outras ciências, re(visitando) entre mundos, entre saberes, vidas e 

percepções. Lembrando que é o - o entre lugar - que leva o fardo do significado da cultura. É 

o que faz possível começar a enfrentar histórias antinacionalistas sobre os povos. E, é através 

da exploração deste terceiro espaço que podemos iludir a política de polaridade e emergir como 

os outros em nós mesmos, construindo novos sentidos ou reavaliando sentidos culturalmente 

construídos. 

Ou seja, estudos que, por estarem entre, questione as distribuições e divisões, as 

hierarquias, as valorações e que se coloque entre o que está prescrito e o que está excluído; 

estudos que primem pela (re)configuração dos campos de saber, na medida em que olha para 

perspectivas subalternizadas e saberes marginalizados. Novos estudos que construam novos 

conhecimentos e outras relações em termos igualitários, sempre evidenciando as assimetrias de 

poder. Só com esforço a colonização interna brasileira, construtora de tantos desmandos, poderá 

ser combatida e, assim, decolonizando  mentes, redesenhar um futuro onde cidadãos sejam 

iguais e se respeite a diversidade cultural brasileira. 

REFERÊNCIAS  

AGRA. Klondy Lúcia de O. A presença do double bind no discurso de Jair Bolsonaro: 

estratégia, incompetência ou insanidade? Revista Redes, 244-269.Ed. Clacso. 2022. 

BOTELHO, André. (orgs.) Revisão do pensamento conservador: ideias e política no Brasil. São 

Paulo: Hucitec: Fapesp, 2010.  

FERREIRA, Gabriela N. e BOTELHO (orgs.). Revisão do pensamento conservador: ideias e 

política no Brasil. São Paulo: Hucitec: Fapesp, 2010. 

GONZÁLEZ CASANOVA, Pablo. Sociedad plural, colonialismo interno y desarrollo.  

América Latina: Revista del Centro Latinoamericano de Investigaciones en Ciencias Sociales, 

VI (3), Río de Janeiro, 1965. 

______. Colonialismo interno (uma redefinição). A teoria marxista hoje. Problemas e 

perspectivas, CLACSO, Consejo Latinoamericano de Ciencias Sociales. Buenos Aires, 2007. 

MIGNOLO, W. A colonialidade de cabo a rabo - o hemisfério ocidental no horizonte conceitual 

da modernidade. A colonialidade de cabo a rabo - o hemisfério ocidental no horizonte 

conceitual 

da modernidade.Perspectivas Latino-Americanas. CLACSO, Consejo 

Latinoamericano de Ciencias Sociales. Buenos Aires, 2005. 

______. Historias Locales/diseños Globales: colonialidad, conocimientos subalternos y 

pensamiento fronteirizo. Madrid: Akal.2013. 

RESTREPO, E., & ROJAS A. Inflexión decolonial: fuentes, conceptos y cuestionamientos. 

Colombia: Ed. Universidad del Cauca, Popayán. 2012. 

QUIJANO, Aníbal, “La colonialidad del poder y la experiencia cultural latino

americana”, in Roberto Briceño-León; Heinz R. Sonntag (orgs.), Pueblo, época y desarrollo: 

la sociología de América Latina. Caracas: Nueva Sociedad, 139-155.1998. 

______. “Coloniality and modernity/rationality”. Cultural Studies, 21 (2-3): 22-32.2007. 

SOUZA, Jamerson Murillo Anunciação de. Tendências ideológicas do conservadorismo 

[recurso eletrônico] / Jamerson Murillo Anunciação de Souza. – Recife : Ed. UFPE, 2020. 

VIDAL, Camila Feix. O Movimento conservador norte-americano da década de 1950 e a 

percepção conservadora a respeito da sociedade, economia e política externa. in: Tomo : revista 

do Programa de Pós- -Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais / Programa de Pós-Graduação 

e Pesquisa em Ciências Sociais, Universidade Federal de Sergipe. – n. 23 (jul./dez. 2013). O artigo da autora Klondy Lúcia de Oliveira Agra1  . O Brasil é frequentemente classificado como um país conservador nos costumes, mas progressista ou estatista em outras áreas, gerando o que cientistas políticos chamam de "paradoxo do eleitor brasileiro".Pesquisas recentes indicam que cerca de 53% dos brasileiros se identificam como conservadores, refletindo uma forte ligação com valores religiosos, familiares e de ordem social. No entanto, a identidade do país é marcada por profundas contradições internas.Para compreender o panorama atual do conservadorismo no Brasil, destacam-se os seguintes pontos:  Conservadorismo nos CostumesValores morais: A maioria da população prioriza conceitos tradicionais de família, autoridade e religião. Temas como a legalização do aborto e das drogas sofrem forte rejeição popular.Religiosidade: O Brasil possui uma base cristã sólida (católica e evangélica) que influencia diretamente o comportamento social e o voto.Segurança pública: Há uma tendência amplamente punitivista e de apoio a medidas rígidas de segurança. O Paradoxo Econômico e SocialPapel do Estado: Embora o brasileiro se declare conservador na moral, ele costuma defender uma forte intervenção do Estado na economia. Há ampla aprovação a programas de transferência de renda, saúde pública universal e direitos trabalhistas.Apoio à Democracia: Mesmo frustrado com as instituições políticas, o eleitor mantém forte apoio ao sistema democrático.  Contradições CulturaisDiversidade: O Brasil abriga manifestações culturais liberais e de grande visibilidade, como o Carnaval e o sucesso de artistas da comunidade LGBTQIA+, coexistindo com o moralismo privado.Comportamento digital: Pesquisas do instituto Quaest e análises de dados sociológicos apontam um abismo entre o discurso público moralista e as práticas privadas da população.O conservadorismo brasileiro se manifesta de forma legítima no jogo democrático, guiado muito mais por pautas de costumes do que por alinhamentos econômicos rígidos.

Confira a noticia no UOL             .https://noticias.uol.com.br/eleicoes/2026/08/30/aliados-de-flavio-tem-vantagem-sobre-lulistas-nos-maiores-estados-e-df.ghtm

E assim caminha a humanidade.

Imagem da CNN Brasil. 




 

Rede Globo.

 O acordo secreto firmado entre a Rede Globo e o grupo norte-americano Time-Life em 1962 é um dos episódios mais polêmicos da história da comunicação brasileira, pois garantiu o capital necessário para fundar a emissora, mas violava a Constituição Federal da época.Abaixo estão os principais pontos para entender essa parceria, o escândalo jurídico e o desfecho que moldou a televisão no Brasil.1. O Contexto do Acordo (1962)Em 1957, o presidente Juscelino Kubitschek concedeu a Roberto Marinho o direito de explorar o Canal 4 do Rio de Janeiro. Sem recursos financeiros suficientes para colocar a TV Globo no ar e competir com gigantes da época (como a TV Tupi e a TV Excelsior), Marinho buscou investidores internacionais.O aporte financeiro: O grupo de mídia norte-americano Time-Life injetou cerca de US$ 5 a 6 milhões na futura emissora.A contrapartida: Em troca, os americanos teriam participação nos lucros da empresa e enviaram executivos, como Joe Wallach, para gerenciar a parte administrativa e financeira.A inauguração: Graças a esse dinheiro e equipamentos importados, a TV Globo entrou no ar em 26 de abril de 1965.2. A Ilegalidade JurídicaA Constituição Brasileira de 1946 (artigo 160) proibia expressamente que empresas estrangeiras fossem proprietárias ou participassem da gestão intelectual, administrativa e financeira de veículos de comunicação nacionais.Para contornar a lei, os contratos foram desenhados como "acordos de assistência técnica" e "empréstimos de swap". No entanto, concorrentes e políticos denunciaram que a manobra mascarava uma sociedade ilegal.3. A CPI da TV Globo e Time-Life (1966)Em 1966, o Congresso Nacional abriu uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a denúncia, liderada pelo deputado João Calmon (ligado aos Diários Associados, concorrentes da Globo).A conclusão: O parecer final concluiu por unanimidade que os contratos violavam a Constituição e feriam a soberania nacional.O arquivamento: Apesar do parecer da CPI, o governo militar (que havia assumido o poder no golpe de 1964) interveio. Sete meses depois, o Consultor-Geral daquel tempo. Segundo a Mestra e Publicitarária Maire de Miranda Oliveira Vaz, no Primeiro Semestra da Habilitação em Jornalismo na Comunicação Social, pelas Faculdades Integradas Alcantara Machado (FIAAM FAAM).

 Legislação Nacional de Telecomunicação nos anos 60 e 70 e a Rede Globo como estudo 

de caso 

Gabrielle Lins Meireles* 

 

Abstract 

 

The present work aims at a brief analysis of the legislation about telecommunications 

in Brazil between 1962 and 1972. Focusing on investment in the sector by the Military 

Government, both in its regulatory, technological development and its control. And looking at 

the relationship of this legislation with the establishment and expansion of the Globo 

television as a case study. So analyze the relationship between Globo TV and the 

governments of the 60 and 70, with emphasis on the military period. 

 

Keywords 

Globe, Military, Telecommunications 

 

Na análise da Legislação Nacional voltada para as telecomunicações do período de 

1962 e 1972, nota-se uma constante crescente preocupação do governo e do empresariado 

com o setor. Vale lembrar que o setor de telecomunicações engloba todos os meios de 

comunicação, ou seja, desde rádio e televisão a telefones sem fios e satélites de transmissão. 

Essa preocupação se torna ainda maior nos anos que se sucederam após o golpe de 1964, 

principalmente voltada a televisão.  

 Outro fator importante nesse período é que os meios de comunicação nesse mesmo 

momento ampliam seu campo de abrangência. O rádio já havia há muito se tornado um 

veículo de comunicação de massa, a televisão surgida na década de 50, aos poucos na década 

de 60 foi aumentando o número de telespectadores e dando uma cara nova a comunicação. O 

que antes era visto apenas em jornal ou então através apenas do som passa a ser visto e 

                                                 

* Graduada em História pela UERJ/FFP. Mestrando do PPGHS – Programa de Pós-Graduação em História 

Social – da UERJ, na linha “Território, movimentos sociais e relações de poder”, orientada pelo Profº Dr. 

Gelsom Rozentino, com bolsa de fomento da Fundação Carlos Chagas de Ampara a Pesquisa do Estado do Rio 

de Janeiro - FAPERJ. 

 

 

ouvido, significando e muito para o setor de telecomunicações que vê nesse novo momento 

um boom de investimentos econômicos e tecnológicos.  

 E da mesma maneira que despertou interesse em setores econômicos, não foi diferente 

no governo, que passa é legislar em prol do setor e principalmente da televisão para 

regulamentar e controlar sua implantação. 

 Na década de 60 já são mais de duzentos mil aparelhos de TV no Brasil, e esse número 

tente a aumentar gradativamente a ponto de, no início da década de 70 tornar-se o principal 

veículo de comunicação do Brasil. 

 Acompanhando esse crescimento, não só na TV mais também das telecomunicações 

em geral, o Governo Federal desenvolve vários meios de controle. Dentre eles: a criação da 

do CONTEL (Conselho Nacional de Telecomunicações) tendo como um dos seus presidentes 

José Cláudio Beltrão Frederico, do “Código Brasileiro de Telecomunicações”1. Sendo 

alterado pelo Decreto-Lei nº 236 de 28 de fevereiro de 1967, modificando a redação dos 

artigos 24 e 53. Tal alteração fez com que as telecomunicações ficassem submetidas ao 

controle do governo, constando a partir de então no artigo 24 fica instituído o recuso do 

Presidente, e no artigo 53 ficou estabelecido os temas proibidos para a radiodifusão 

constituindo um crime e contravenção caso esses temas viessem a público, como: 

Art. 53. Constitui abuso, no exercício de liberdade da radiodifusão, o emprego desse 

meio de comunicação para a prática de crime ou contravenção previstos na legislação 

em vigor no país, inclusive: 

a) incitar a desobediência às leis ou decisões judiciárias; 

b) divulgar segredos de Estado ou assuntos que prejudiquem a defesa 

nacional; 

   c) ultrajar a honra nacional; 

d) fazer propaganda de guerra ou de processos de subversão da ordem 

política e social; 

e) promover campanha discriminatória de classe, côr, raça ou religião; 

  f) insuflar a rebeldia ou a indisciplina nas fôrças armadas ou nas 

organizações de segurança pública; 

    g) comprometer as relações internacionais do País; 

  h) ofender a moral familiar pública, ou os bons costumes; 

  i) caluniar, injuriar ou difamar os Podêres Legislativos, Executivo ou 

Judiciário ou os respectivos membros; 

                                                 

1 LEI Nº 4.117, DE 27 DE AGOSTO DE 1962. Essa lei instituiu o Código Brasileiro de Telecomunicações que 

regulamenta o setor de telecomunicações no geral, porém incorporando em suas determinações a tv como 

principal enfoque.  

 

 

j) veicular notícias falsas, com perigo para ordem pública, econômica e 

social; 

l) colaborar na prática de rebeldia, desordens ou manifestações proibidas.2 

 

E no início da década de 60 também é fundada a ABERT (Associação Brasileira de 

Telecomunicações) cujo primeiro presidente foi João Calmon, ligado diretamente aos Diários 

Associados (TV Tupi). Associado a estes foi criado também a ENBRATEL, com a finalidade 

de organizar e desenvolver o setor de telecomunicações. O Estado aparece como o grande 

mecenas da televisão brasileira, viabilizando sua implantação e expansão em todo o país.  

 O setor vem ganhando destaque, e passa absorver mais de 24% dos investimentos 

publicitários no país, aumentado seu poder econômico e principalmente expandindo seus 

alcances. 

 Como o setor publicitário em geral, mais especificamente a TV também foi vista pelo 

governo como um meio fortíssimo de propaganda e controle. Por isso, sendo um dos motivos 

da necessidade de investir e incentivar o setor era justamente o de desenvolver a TV. Como 

era comum desde o primeiro governo de Vargas uma preocupação com a propaganda política, 

visto a criação do DIP, essa prática não se perde e é ainda mais explorada com os militares a 

partir de 1964, e, sobretudo, a partir de 1969, com o Governo de Médici. Cabe destacar que o 

mecanismo de propaganda dos militares, em muito se diferenciava do DIP que ao mesmo 

tempo era uma agência de promoção e de controle de um governo, cujo governo os militares 

consideravam símbolo máximo do populismo, um dos alvos de suas ações. Já na Ditadura 

Militar (1964-1985) o controle era realizado sobretudo pelo SNI (Serviço Nacional de 

Informação) e a propaganda pela AERP (Assessoria Especial de Relações Públicas). Que 

massifica através dos meios de comunicação propagandas ufanistas a favor do 

desenvolvimento econômico do país e em defesa do próprio regime, visando gerar em meio a 

população um otimismo em relação ao futuro do Brasil, acreditando que o país “estava dando 

certo”, com o objetivo de criar uma vontade geral do povo3 brasileiro, na crença de que o 

Brasil seria a próxima potência mundial.  

 A propaganda política nesse momento significava muito mais do que uma “máquina 

de controle ideológico” seria como um modo de divulgar o governo e mais além conforme 

                                                 

2 DECRETO-LEI Nº 236, DE 28 DE FEVEREIRO DE 1967. 

3 MICHAUD, Éric. La estética nazi: um arte de La eternidad.  

 

 

aponta Carlos Fico4, de propagar a “realidade” que o regime pretendia instaurar, fornecendo 

uma visão idealizada que o regime tinha de si mesmo. A propaganda política aparece então, 

com um caráter pedagógico, afim de, ensinar o povo, que o governo é da vontade geral da 

massa, uma pedagogia ufanista, que estava presente no Brasil desde os anos JK. 

Caracterizando o que Gramsci chama de hegemonia, o consenso e a coerção5.  

 A Ditadura Militar, de maneira crescente desde o governo Castello Branco, Costa e 

Silva e Médici, ao mesmo tempo que aumentava a censura sobre os veículos de comunicação, 

aumentava também os incentivos econômicos e legislativos para a ampliação desses mesmos 

meios.  Vide o número de decretos leis que foram promulgados no período e principalmente 

dos que liberavam recursos financeiros para as agências nacionais de telecomunicações leia-se 

ENBRATEL, CONTEL, entre outros6. 

 A legislação analisada nesse trabalho envolve o período ente 1962 – 1972. Haja vista 

que esse período foi eleito como corte cronológico para este estudo, pois é quando ocorre o 

desenvolvimento em larga escala do veículo de comunicação e também onde se consolidam as 

emissoras de TV. 

 Desde o governo de Jânio Quadros a televisão e seus usos obtiveram uma maior 

atenção, visto que através das fontes reunidas que as principais leis que regulamentavam o 

serviço datam desse período. Como também do mesmo período, houve uma expansão das 

emissoras de televisão. A Rádio Globo S. A., no ano de 1962 obteve duas concessões de TV 

uma no estado da Bahia7 e outra na cidade de Brasília8. Ambas concessões foram revogadas 

por não cumprimento do prazo de dois anos para sua implantação. 

 A constituição da TV Globo se deu regulamentada pelo decreto nº 55.782, de 19 de 

fevereiro de 1965, onde constituía sua organização e obrigações para com o governo, sendo 

                                                 

4 FICO, Carlos. Reinventando o otimismo: ditadura, propaganda e imaginário social no Brasil. Rio de Janeiro: 

Ed. FVG, 1997. 

5 BIANCHI, Álvaro. Estado / Sociedade Civil. In: O Laboratório de Gramsci: fiolosofia, história e partido. São 

Paulo. Alameda, 2008, p. 173-198. 

6 A exemplo: ver Lei nº 4.773, de 15 de setembro de 1965; 

Decreto nº 57.004, de 11 de outubro de 1965; 

Lei Nº 4.666, de 8 de junho de 1965; 

 Lei nº 5.069, de 6 de julho de 1966. 

7 Decreto Lei nº 922 de 27 de abril de 1962. Trata da concessão outorgada à Rádio Globo S. A. para 

estabelecer uma estação de televisão na cidade de Salvador no Estado da Bahia. 

8 Decreto Lei nº 921 de 27 de abril de 1962. Trata da concessão outorgada à Rádio Globo S. A. para 

estabelecer uma estação de televisão, geradora de programas, na cidade de Brasília Distrito Federal.  

 

 

de principal atenção no documento citado a duração da concessão (10 anos), o 

estabelecimento do quadro de funcionários (devendo ser constituído por 2/3 de brasileiros) e 

sua diretoria deve ser totalmente constituída de brasileiros, estipula um prazo para sua 

inauguração e do perímetro territorial de alcance da emissora, entre outras atribuições 

interferindo até mesmo no conteúdo de sua programação (como a exibição de informes 

meteorológico).  Esse decreto lei foi alterado por um conseguinte de nº 55.879 de 30 de março 

de 1965, tratando especificamente do artigo nº 2, aumentou o prazo de duração da concessão 

de 10 para 15 anos. 

 Além de Rádio Globo, outros empresários ou grupos empresariais também 

conseguiram concessões de TV nesse período, porém nesta análise não cabe tal referência, 

pois o foco principal dessa pesquisa é a instituição da Rede Globo de Telecomunicações. 

 Subseqüente aos incentivos gerados pelos governos desde a implantação da TV no 

Brasil, havia um certo rigor no controle de tal veículo. Se comparado aos outros meios (rádio, 

jornal) que apenas precisavam de um simples registro a TV, além do registro precisava de 

uma lei autorizando seu funcionamento e era passível de ser cassada a qualquer momento 

bastando não seguir o que lhe era pré-determinado. 

 Mesmo no início da década de 60, ainda no governo de Jango, com a TV sendo alvo 

de uma preocupação do governo, não se compara aos períodos dos governos militares. Vale 

lembrar que as principais leis de regulamentação do instrumento de comunicação datam desse 

momento, os incentivos ao setor, passam a ser em larga escala durante o período militar. 

 Em 1965, o governo de Castelo Branco por meio do Fundo Nacional de 

Telecomunicação e do gerenciamento da ENBRATEL, investe na tecnologia da TV, como 

instaurando um sistema avançado de transmissão em microondas, abrindo crédito para 

compra de receptores, dando incentivos e infra-estrutura para sua expansão. Nesse momento a 

TV Globo já havia sido inaugurada e aproveita esse processo incentivador do governo, pois 

mesmo antes de 1965, a Globo já contava com os incentivos fiscais do governo, como na 

isenção de impostos na importação e consumo de equipamentos para vídeo-tape que não 

tivesse similar no Brasil9. 

                                                 

9 Ver  Lei nº 4.419, de 29 de setembro de 1964. 

 

 

 Em 1967 é criado o Ministério das Telecomunicações que vai a partir de então reunir 

todas as entidades de controle e regulamentação tanto da TV quando dos outros aparelhos de 

Telecomunicação centralizando esse controle, tendo como primeiro ministro Carlos Furtado 

de Simas, permanecendo no cargo de 1967 a 1969. Ainda nesse mesmo ano, o Decreto-Lei nº 

236, de 28 de fevereiro, modifica o Código Brasileiro de Telecomunicações, onde proíbe a 

participação de qualquer entidade e ou pessoa jurídica estrangeira, estabelece um teto máximo 

de emissoras por grupo (10 estações) e em 5 as de transmissão em VHF, indo mais além ao 

subjugar as modificações das sociedades internas assim como os acordos com empresas 

estrangeiras a cargo do Ministério das Telecomunicações e do CONTEL. 

 Outro aparelho usado pelos militares para controle da propaganda política, a AERP – 

Assessoria Especial de Relações Públicas, criado em 1968, esse aparelho tinha a função não 

só de regulamentar a propaganda política como também promover através da propaganda o 

governo. Com tudo, no final dos anos 60 e início dos anos 70, devido ao crescimento 

econômico brasileiro, o que foi chamado de milagre econômico, o Brasil entrava em um 

momento de estabilidade política, creditando a idéia de um futuro próspero para o país, como 

se esse fosse o destino do Brasil, pensamento esse recorrente nas propagandas do governo 

promovidas pela agência10.  

 Um ponto importante nessa pesquisa notado durante a analise das fontes, é o acordo da 

Rede Globo de Televisão com a Empresa norte americana Time Life. Sendo este acordo pauta 

de alguns documentos identificados na pesquisa como o Projeto de resolução n 190, de 1966, 

que trata da instauração de uma CPI para averiguar esse acordo. Esse acordo recebeu atenção, 

por meio da denuncia de João Calmon, em primeiro momento de averiguação mesmo com o 

parecer do relator Djalma Marinho dizendo que infringia o artigo 160 da Constituição o então 

presidente Castelo Branco, autorizou esse acordo. E apenas em 1968, há uma nova analise e é 

declarado ilegal o acordo e Costa e Silva é obrigado a revogar a decisão de Castelo Branco, e 

a Time Life é obrigada a se retirar da TV Globo11. 

                                                 

10 FICO, Carlos. Reinventando o otimismo: ditadura, propaganda e imaginário social no Brasil. Rio de Janeiro: 

Ed. FVG, 1997. 

11 Sobre o assunto ver: 

Heiz, Daniel. A história Secreta da Rede Globo. Ed. TCHÊ!, 1987. 

 

 

 No início da década de 70, 27% das residências do país já possuem televisão e 75% 

estão localizadas no eixo Rio-SP12.  E os anunciantes passam a comprar horários entre os 

programas e não mais patrocinar um programa inteiro, com isso mo Ministério das 

Telecomunicações regulamenta o comercial de 3 minutos para cada 15 de programação. Nota

se com tudo, uma preocupação do governo em atender as necessidades não só das emissoras 

de TV mais também a dos anunciantes (empresas que faziam propaganda dos seus produtos 

através da TV), atendendo dessa forma as necessidades da burguesia nacional. Vide que a 

mesma participava da elaboração dos projetos leis e decretos, representados pelos grupos de 

estudos organizados pelo IPES, conforme aponta Dreifuss, esses grupos participavam 

diretamente na construção de alguns projetos a exemplo do anteprojeto de Lei sobre o Código 

Nacional de Telecomunicações, sob responsabilidade do general Luiz A. Medeiros, da 

Globo13. 

 Nesse mesmo período o governo cria o PRONTEL (Programa Nacional de 

Teleducação) por meio do Decreto nº 70.066, de 26 de janeiro de 1972, regulamentando a 

transmissão nacional de programação voltada para a educação. Seguindo essa mesma linha de 

programação nacional, que ficou regulamentada desde então, as emissoras de TV começaram 

o organizar sua programação nacional, sendo a pioneira delas a TV Globo, que nesse mesmo 

ano lança sua programação nacional, se tornando um sucesso de audiência. Outro mecanismo 

criado pelo governo foi o Conselho Nacional de Comunicação, sendo um braço do Ministério 

das Comunicações com a finalidade de assessorar diretamente o ministro das comunicações, 

este conselho cabe ressaltar que foi originário do Conselho Nacional de Telecomunicações. 

 Notadamente a elite orgânica se encontrava infiltrada em diferentes setores da política 

nacional e da sociedade, fazendo com que seus ideais de sociedade moderna fossem 

propagados bem como suas necessidades (principalmente econômicas) fossem atendidas. 

 A reunião dessas fontes pode propiciar uma visão de governo preocupado em não só 

atender suas necessidades de propaganda, mas também a atender as necessidades de uma 

camada da burguesia, que de certa forma não se opunha ao governo.  Através dos incentivos 

                                                 

12 sobre o assunto ver Censo nacional de 1970 

13 DREIFUSS, René Armand. 1964: A Conquista do Estado Ação Política, Poder e Golpe de Classe. Petrópolis, 

Ed. Vozes, 1981. p. 238 

 

tanto ficais quando de promoção da tecnologia. Não se pode dizer que apenas uma das partes 

saia beneficiada com essa política, especificamente como o caso da Rede Globo de Televisão. 

A Rede Globo como hoje em dia é conhecida nacionalmente, surgiu inicialmente na 

década de 60 com apenas uma emissora, quando ainda era chamada de TV Globo. Essa 

emissora é originaria da Rádio Globo, empresa de propriedade de Roberto Marinho, nome 

muito importante para o progresso das telecomunicações no Brasil, dono também do jornal O 

Globo, que deu origem ao conglomerado empresarial. As empresas de Marinho constituem o 

que chamamos de Organizações Globo, várias empresas voltadas para o setor de 

comunicação, de mesmo dono, sob a marca Globo. 

A primeira concessão de TV obtida por Roberto Marinho foi durante o Governo de 

JK, sendo esta que ira entrar no ar no ano de 1965. Esse empresário conseguiu mais duas 

concessões posteriormente, no ano de 1962, conforme citado anteriormente, uma na cidade de 

Salvador e outra no Distrito Federal ambas caducaram, antes mesmo de vigorarem por falta de 

recursos. A situação da TV Globo se modifica apenas quando assina um acordo com o grupo 

empresarial norte-americano Time Life, onde ambas empresas (Leia-se Globo e Time Life) se 

comprometiam com a inauguração da emissora de TV. Esse acordo foi o diferencial da Globo 

em relação as outras emissoras de TV do Brasil, tanto na questão tecnológica quando 

organizacional. Pois as emissoras já instaladas no Brasil, possuíam um equipamento precário 

e eram feitas de forma quase amadora, visto que a tecnologia era internacional. O que se 

modifica com a inauguração a TV Globo sob os padrões internacionais, e com equipamento e 

pessoal da Time Life visando ditar um novo padrão televisivo no país. 

Esse padrão internacional de televisão fez com que as outras emissoras almejassem o 

mesmo patamar e proporcionou não só uma televisão de ponta no país como também uma 

corrida pela tecnologia acentuando ainda mais a concorrência entre as emissoras brasileiras 

além de modificar a forma de se fazer televisão no Brasil. 

Esse acordo estabelecido entre ambas a empresas, pode-se dizer que havia muito mais 

que apenas um apoio tecnológico, foi visto também como uma forma de firmar a hegemonia 

burguesa no país, como forma de manter essa supremacia burguesa espantando o fantasma 

comunista. Atendendo as necessidades do complexo IPES / IBAD, funcionando como 

divulgadores da ideologia em defesa dos ideais burgueses discursando em favor da 

democracia, do capitalismo e principalmente pregando o anticomunismo. Tal associação além 

 

 

de visar estabelecer essa supremacia burguesa, era uma forma de ditar os padrões de 

sociedade moderna, bem como de divulgar o modelo de sociedade consumista que atendia as 

necessidades do capitalismo crescente.  

 O que causa mal estar em relação a esse acordo empresarial, é que segundo a 

Constituição Federal essa associação com empresa internacional era proibia pelo artigo 160: 

É vedada a propriedade de empresas jornalísticas, sejam políticas ou simplesmente 

noticiosas, assim como a de radiodifusão, a sociedades anônimas  ações ao portador e 

aos estrangeiros. Nem esses, nem pessoas jurídicas, excetuados os partidos políticos 

nacionais, poderão ser acionistas de sociedades anônimas proprietárias dessas 

empresas. A brasileiros (art. 129 nos I e II) caberá, exclusivamente, a responsabilidade 

principal delas e sua orientação intelectual e administrativa14. 

 

Já para Luiz Eduardo Borgeth15, esse acordo não seria ilegal, alegando que era uma 

contribuição, que não passava de um financiamento sem juros e sem prazo, dizendo que a 

Time Life não sabia nada de Brasil e, portanto, não havia nem feito o apoio técnico adequado. 

Porém a TV Globo entre no ar mesmo com esse acordo que somente foi investigado 

anos depois. E ainda assim a Globo conseguiu isenção de impostos na importação de 

equipamentos e material de vídeo-tape que não fosse produzido no Brasil16. Estabelecendo 

uma relação política umbilical. Esse fato não foi comum as outras emissoras de TV, haja vista 

que a implantação das emissoras de televisão no Brasil eram altamente controladas pelo 

governo afim, de não haver oposição ao governo nos meios de comunicação. A situação da 

TV Globo se tornou diferenciada das outras emissoras, tanto no investimento empresarial 

quando no tratamento legislativo do governo federal. 

No dia 26 de abril de 1965 a TV Globo é inaugurada no Rio de Janeiro, no canal 4 de 

televisão, e as 11 horas também do dia 26 de abril entra no ar em São Paulo pelo canal 5 TV 

Paulista. 

Com a inauguração, alguns técnicos vieram para a TV Globo. O primeiro foi o norte

americano Joseph Wallace, trazendo para a emissora uma visão mais empresarial e em 

seguida José Bonifácio de Oliveira Sobrinho (Boni) sai da TV Rio seguido de Walter Clark e 

vão para a Globo. Dessa forma a TV Globo foi reunindo os profissionais de maior categoria 

                                                 

14 Constituição da República Federativa do Brasil. Ed. 1946, artigo 160.  

15 BORGETH, Luiz Eduardo. “Quem e  como fizemos a TV Globo. A Girafa. 2003. 

16 Sobre o assunto ver: Lei nº 4.419, de 29 de setembro de 1964. 

 

além dos enviados pela Time Life, contratava os que já trabalhavam nas emissoras brasileiras. 

Além de comprar a TV Paulista das Organizações Vitor Costa. Dessa forma, tornavam os 

meios de comunicações mais estáveis financeiramente atraindo investimentos, tanto do capital 

privado nacional como também anunciantes de marcas multinacionais. 

Com menos de um ano de fundação a TV Globo já abrigava os maiores profissionais 

de televisão do Brasil, sendo administrada por homens de marketing, preparados longamente 

nas escolas dos EUA. A equipe possuía um padrão empresarial muito forte, não vendo apenas 

a TV como um meio de comunicação mais também como uma fonte empresarial rentável. 

Criando meios de financiar os programas a partir de seus patrocinadores criando os pacotes 

publicitários, e também inovando na forma de fazer o programa, que antes nas outras 

emissoras era produzido pelo patrocinador, na Globo o programa era feito pela própria 

emissora e apenas contava com o capital financeiro do patrocinador e anunciando seu nome 

como o mesmo. Isso pode se dizer que foi o início do que na década de 70 foi intitulado de 

“Padrão Globo” de qualidade. 

Ainda no ano de 1966, com menos de um ano de inauguração o acordo TV Globo

Time Life começou a ser investigado sob a denúncia de João Calmon, sendo instalada uma 

CPI em 29 de março para que fosse feita uma averiguação do mesmo. No primeiro parecer 

divulgado no dia 8 de março de 196717, o relator declara que havia irregularidades no que 

consta aos cargos atribuídos a estrangeiros como os cargos de gerência, e administração e 

também no que tange aos recursos financeiros para a construção de prédio e das instalações da 

TV Globo. Esse primeiro parecer foi rejeitado pelo então presidente Castelo Branco, 

declarando que esse acordo não possuía irregularidades, e decretou que a associação não era 

ilegal, considerando as acusações infundadas. 

Apenas em 1968, ainda sob pressão de alguns parlamentares como Carlos Lacerda e 

João Calmon, o então presidente Costa e Silva revoga a decisão de Castelo Branco, e aprova o 

parecer do dia 20 de outubro de 1967, obrigando a TV Globo a se nacionalizar, ou seja, retirar 

a participação da Time Life e também dos estrangeiros do quadro administrativo da TV 18. 

Todavia a TV Globo já abrigava a maior audiência no estado do Rio de Janeiro 

segundo a pesquisa IBOPE, perdendo apenas em São Paulo para a TV Record que possuía 

17 PR. 1.369-67 nº 490-H, in HERZ, Daniel. “A história Secreta da Rede Globo. TCHÊ!, 1987.  

18 18PR. 1.369-67 nº 585-H, in HERZ, Daniel. “A história Secreta da Rede Globo. TCHÊ!, 1987. 

ainda um público fiel a sua programação. A TV Globo, inovara a sua programação 

incorporando em sua grade uma programação da mais variada, atendendo a varias camadas 

sociais e a diferentes faixas de idade. Ainda no ano de 1968, a Globo, com o objetivo de 

alcançar a liderança também em São Paulo, coloca no ar uma gama de programas variando de 

programas de auditório como “Casamento da TV”, “SOS Amor”, “Dercy de Verdade” no Rio 

de Janeiro e “O Homem de Sapato Branco” em São Paulo, fora o investimento em larga 

escala na produção das telenovelas, em destaque nesse período as novelas de Janete Clair 

como “Véu de Noiva”. 

Após a decisão do presidente Costa e Silva a Time Life retira-se da Globo em 1969, e 

esta entre em processo de nacionalização. Concomitante a isso a TV Globo avança ainda mais 

no desenvolvimento tecnológico sendo a pioneira na transmissão via satélite, como no 

lançamento da nave espacial Apolo IX. E em 20 de julho deste mesmo ano transmite a 

chegada do homem a lua, propiciada pelos avanços tecnológicos na EMBRATEL que vendia 

os links de acesso a transmissão em satélite por valores muito altos, apenas a TV Globo 

conseguiu se incorporar a rede mundial. 

Outro fator que favoreceu a centralização da TV Globo, foi o incêndio da TV Globo 

de São Paulo (antiga sede da TV Paulista). Pois com esse incidente toda a produção da 

programação passou a ser centralizada no Rio de Janeiro, sede principal, o que deu certo 

operacionalmente, pois além de tornar os custos menores propicia um maior controle de 

qualidade.  

Somado a isso, em setembro ainda de 1969, entra em rede no Brasil a estréia do 

programa jornalístico “Jornal Nacional”, entrou na grade da programação entre duas novelas a 

das 19 horas e das 20 horas com iniciais 15 minutos de duração e depois aumentando para 30 

minutos. Esse telejornal inaugurou um novo estilo de jornalismo, por vários fatores: por ser o 

primeiro em rede nacional, informação em curto tempo, obsessão pelo tempo real – o agora, a 

apresentação visual requintada e fria – denotando imparcialidade e distância, por fim os 

assuntos das notícias variavam e equipe jornalística contava com repórteres no exterior e em 

outros estados, chamados de correspondentes. 

Em 1970 a emissora do Rio de Janeiro sofre um incêndio que, porém, não causou 

grandes danos para a emissora. Outro incêndio ocorrido em 1971, e nesse mesmo ano, a 

Globo treina seu pessoal e adapta seus equipamentos para os usos da imagem, apontando para 

um novo alvo a classe média. O padrão visual diferencia das outras emissoras, com os 

logotipos e utilização de imagens de impacto que vieram a ser a marca registrada da Globo 

em sua propaganda. No âmbito das novelas os hábitos do povo brasileiro passou a ser 

incorporado nas tramas, e cada horário de novela abrigou um tipo de temática a das 18 horas 

ficou com as histórias românticas e ou de época, a novela das 19 horas lida com temas leves e 

a das 20 horas abriga temas de cunho mais adulto discutindo temas como triângulos 

amorosos, riqueza, problemas sociais, sendo mais ousadas no conteúdo e na técnica de 

produção. 

Para atribuir uma veracidade em sua programação, e contar com uma certa 

“participação popular” foi criado o “Departamento de Pesquisa” por Boni, sendo um auxiliar 

da produção, pois este departamento analisa os comportamentos, as tendências e as demandas 

dos espectadores baseando amostragem das grandes cidades, podendo assim antecipar essas 

demandas em massa do público, conhecendo assim o público que já abriga e ainda mais 

estudar as necessidades para poder alcançar o restante do excedente. Constituindo de fato, o 

Padrão Globo de Qualidade. 

Juntamente como a criação do PRONTEL (conforme citado no capítulo anterior 

instituindo as redes nacionais de televisão em 1972), a Globo, amplia ainda mais suas áreas de 

atuação inaugurando a sua emissora de Brasília e comprando a geradora de TV do Recife, 

consolidando-se então como Rede Globo contando com mais de 36 afiliadas e centenas de 

estações retransmissoras no país. 

A ascensão da Rede Globo se deu em apenas sete anos após sua inauguração. E 

solidificando sua superioridade técnica e sua hegemonia no ibope, que desde então não fora 

ameaçado. Contando não só apenas com incentivos legislativos do governo, como também 

com um pesado investimento empresarial, contudo associado a um momento de fragilidade 

política social, onde um governo precisava se firmar e uma sociedade necessitava de 

organizar. 

Ressaltando que inicialmente boa parcela da sociedade, principalmente a elite, setores 

empresariais, e classe média apoiaram o golpe militar, que resultou no Regime Militar. 

A história da Rede Globo e de sua constituição se prolonga por muitos anos, mas no 

presente estudo não cabe se prolongar, pois o foco principal são os fatores que levaram a 

mesma a se tornar o que conhecemos hoje como Rede Globo de Televisão. 

Bibliografia 

ALVES, Maria Helena Moreira.  Estado e Oposição no Brasil: 1964-1984. Petrópolis: Vozes, 

1984. 

BIAL, Pedro. Roberto Marinho. Rio de Janeiro. Jorge Zahar. 2004 

BIANCHI, Álvaro. Estado / Sociedade Civil. In: O Laboratório de Gramsci: fiolosofia, 

história e partido. São Paulo. Alameda, 2008, p. 173-198. 

CRUZ, Franciane da Conceição. Cultura, Integração e Desenvolvimento: os meios de 

comunicação de massa no contexto da Ditadura (1964-19680), 2005 (Especialização Em 

História Social do Brasil) Universidade do Estado do Rio de Janeiro.  

DREIFUSS, René Armand. 1964: A Conquista do Estado Ação Política, Poder e Golpe de 

Classe. Petrópolis, Ed. Vozes, 1981. 

FICO, Carlos Reinventando o Otiminismo: ditadura, propaganda e imaginário social no 

Brasil. Rio de Janeiro. FGV, 1997. 

___________ Versões e Controvérsias sobre 1964 e  a ditadura militar in Revista Brasileira 

de História. São Paulo. vl. 24, nº 47. p. 29-60. 2004. 

FONTES, Virginia e MENDONÇA, Sonia Regina. História do Brasil Recente (1964-1991). 

São Paulo: Ática, 1991. 

GASPARI, Élio. Ditadura envergonhada. vl. 1 Cia. das Letras. 2002. 

GONÇALO JUNIOR. País da TV: história da televisão brasileira. São Paulo: Conrad 

Editora, 2001.  

GLOBO. Jornal Nacional: a Notícia faz História.  Rio de Janeiro. Jorge Zahar. 2004 

HEIZ, Daniel. A História Secreta da Rede Globo. Porto Alegre. Tchê!. 1987. 

IANNI, Otávio. O Colapso do Populismo no Brasil. 

JAMBEIRO, Othon. A TV no Brasil do século XX. Salvador: EDUFBA, 2002.  

MICHAUD, Éric. La estética nazi: um arte de La eternidad. 

OLIVEIRA SOBRINHO, J. B. (projeto e supervisão) 50 anos de televisão no Brasil. São 

Paulo: Globo, 2000.  

PENTEADO, Heloísa Dupas. Televisão e Escola: Conflito ou cooperação? São Paulo: 

Cortez. 2000. 

REDE GLOBO DE TELEVISÃO. 15 anos de história. Rio de Janeiro: Rio Gráfica, 1984.  

_________. 30 anos - uma história ilustrada. São Paulo: Globo, 1996.  

SILVA, Carlos Eduardo Lins da. Muito além do Jardim Botânico. São Paulo: Summus, 1985.  

SKIDMORE, Thomas – Brasil de Castello a Tancredo. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1988. 

SMITH, Anne-Marie. Um acordo forçado o consentimento da imprensa à censura no Brasil. 

Trad. Waldívia M. Portinho. Rio de Janeiro. FGV. 2000. 

WANDERLEY, Sônia. A construção do silêncio: a Rede Globo nos projetos de controle 

social e cidadania (décadas 1970/1980). Niterói, dissertação de mestrado, Departamento de 

História, UFF, 1995. 

WEFFORT, Francisco – O populismo na Política Brasileira. São Paulo: Paz e Terra, 2003. O arttigo da autora Gabrielle Lins Meireles* 

As principais polêmicas envolvendo a Rede Globo abrangem desde o seu papel político histórico até questões fiscais e controvérsias jornalísticas recentes. Por ter uma influência sem paralelo na cultura e na opinião pública brasileira, a emissora é frequentemente alvo de debates. Abaixo estão os episódios mais marcantes e debatidos ao longo da trajetória da emissora: Históricas e Políticas Apoio à Ditadura Militar: O nascimento e crescimento da TV Globo são umbilicalmente ligados ao regime militar iniciado em 1964. A emissora foi amplamente criticada por censurar movimentos pró-democracia. Em 2013, o Grupo Globo pediu desculpas publicamente pelo apoio editorial dado ao golpe. Caso Proconsult (1982): A Globo se envolveu na divulgação de uma apuração de votos manipulada no Rio de Janeiro que tentava prejudicar a eleição de Leonel Brizola. A fraude foi exposta por outros veículos e a emissora precisou recuar. Censura ao movimento Diretas Já (1984): Inicialmente, a emissora fez uma cobertura omissa das massivas manifestações que pediam o retorno do voto direto, chegando a reportar um comício em São Paulo apenas como uma "festa de aniversário da cidade".Edição do Debate de 1989: No primeiro pleito presidencial direto pós-ditadura, o Jornal Nacional exibiu uma edição do debate que favoreceu amplamente o candidato Fernando Collor de Mello em detrimento de Luiz Inácio Lula da Silva. O episódio é amplamente apontado por especialistas como um marco de interferência eleitoral. Financeiras e Fiscais Acordo Time-Life (1962): Antes mesmo da estreia oficial da emissora em 1965, o grupo fechou um acordo financeiro e técnico com o grupo norte-americano Time-Life. A prática gerou forte polêmica por violar a proibição constitucional de participação estrangeira em empresas de comunicação nacionais. Sonegação de Impostos (Copa de 2002): A Receita Federal acusou a Rede Globo de montar um esquema em paraísos fiscais para mascarar a compra dos direitos de transmissão da Copa do Mundo de 2002, visando burlar o pagamento de Imposto de Renda. Jornalismo e Tensões Recentes Relação com a Operação Lava Jato: Críticos apontam que o jornalismo do grupo teve uma atuação excessivamente simbiótica com a força-tarefa da Lava Jato, atuando de maneira a capitalizar politicamente as prisões e vazamentos seletivos conduzidos por procuradores. O Erro do PowerPoint da Globonews (2026): Recentemente, a emissora enfrentou duras críticas após exibir por engano um gráfico estilo PowerPoint associando indevidamente o presidente Lula ao empresário Daniel Vorcaro. A emissora reconheceu o equívoco e se desculpou formalmente. Sabatina Presidencial Tensa: Entrevistas conduzidas pela emissora continuam gerando forte polarização, com políticos tanto da esquerda quanto da direita acusando o canal de adotar formatos agressivos e parciais que miram excessivamente em escândalos passados. Gostaria de focar em algum desses períodos específicos? Se quiser, posso detalhar mais os aspectos jurídicos da quebra do contrato com a Time-Life ou as repercussões políticas imediatas das Diretas já 

A Rede Globo. Sempre em polemicas. Confira a noticia no Blog do Paulinho .https://blogdopaulinho.com.br/2026/08/29/rede-globo-paraisos-fiscais-e-os-direitos-da-copa-de-2002/

E assim caminha a humanidade.

Imagem do Blog do Paulinho