segunda-feira, 22 de junho de 2026

Questão .

 

 

O capitalismo é um sistema econômico, social e político predominante na maioria do mundo, que se baseia em princípios como a propriedade privada, a economia de mercado, a busca pelo lucro e o acúmulo de capital. 

Princípios Fundamentais

Propriedade Privada: Os meios de produção (fábricas, terras, ferramentas) são de propriedade de indivíduos ou empresas privadas, e não do Estado.

Busca pelo Lucro: O principal objetivo da atividade econômica é a geração de lucro, que é o capital que excede os custos de produção.

Economia de Mercado (Livre Concorrência): A produção e a distribuição de bens e serviços são reguladas pela lei da oferta e da procura. A concorrência entre produtores ajuda a regular os preços e a oferta.

Acúmulo de Capital: A riqueza (capital) é acumulada na forma de bens e dinheiro por indivíduos e empresas.

Divisão de Classes: A sociedade é estratificada em classes sociais, principalmente a burguesia (donos dos meios de produção) e o proletariado (trabalhadores que vendem sua mão de obra por um salário).

Não Intervenção Estatal (em teoria): Propõe-se que o Estado não deve intervir diretamente na economia, permitindo que o mercado se autorregule, embora na prática o grau de intervenção varie entre os países. 

O sistema capitalista passou por diversas fases ao longo da história, adaptando-se às realidades de cada época: 

Capitalismo Comercial (ou Mercantilismo): (Séculos XIV ao XVI) Focado no acúmulo de riquezas através do comércio, com forte intervenção do Estado e busca por balanças comerciais favoráveis (metalismo).

Capitalismo Industrial: Impulsionado pelas Revoluções Industriais, a produção em massa e a indústria tornaram-se o centro da economia.

Capitalismo Financeiro: Caracterizado pela predominância do capital financeiro (bancos, investimentos, bolsas de valores) sobre o capital produtivo, especialmente a partir do século 20. 

O capitalismo se opõe historicamente ao socialismo, que defende a coletividade e a distribuição igualitária da riqueza.

Confira a dissetração dos autores Valdir Damázio Júnior1 

Hanen Sarkis Kanaan2 

Juliana Niesborski

NEGACIONISMO CLIMÁTICO E 

OS INTERESSES DO CAPITAL

 reflexões sobre o projeto 

obscurantista e a atuação 

dos intelectuais

 Valdir Damázio Júnior1 

Hanen Sarkis Kanaan2 

Juliana Niesborski3

 1 Doutorando em Educação pela Universidade Tuiuti do Paraná (UTP). Mestre em Educação 

Científica e Tecnológica pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Professor do 

departamento de Matemática da Universidade Estadual de Santa Catarina (UDESC). E-mail: 

valdir.damazio@udesc.br 

2 Doutora em Educação pela Universidade Tuiuti do Paraná (UTP). Professora da rede pública 

estadual de educação de Santa Catarina no curso de magistério e ensino médio. E-mail: 

hanensc@gmail.com 

3 Doutoranda em Educação pela Universidade Tuiuti do Paraná (UTP). Mestre pelo Programa 

de Pós-Graduação em Rede Nacional para o Ensino das Ciências Ambientais pela 

Universidade Federal do Paraná Setor Litoral (UFPR). Professora da Prefeitura Municipal 

de Matinhos (PR). E-mail: juliana.niesborski@gmail.com 

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 Pol. Cult. Rev., Salvador, v. 18, p. 19-40, edição especial

ResUMO:

 O presente trabalho analisa como as mudanças climáticas antropogênicas estão 

diretamente relacionadas às contradições presentes no modo de produção capitalista, 

destacando o papel da ideologia neoliberal e dos intelectuais orgânicos ao capital na 

ocultação dessa problemática. Argumenta-se que um projeto obscurantista, sustentado 

por pseudociências e falta de rigor ético e científico, busca minar a credibilidade do 

conhecimento científico contribuindo para a inércia social frente à crise ambiental. Com 

base nos escritos e estratégias de atuação de Gramsci, discute-se a função dos intelectuais 

na disputa pela hegemonia. Conclui-se que o enfrentamento ao obscurantismo exige 

uma crítica estrutural ao capitalismo e a formação de intelectuais orgânicos às classes 

subalternas capazes de iniciar um processo de transformação intelectual e moral da 

sociedade.

 Palavras-chave: Crise climática; Obscurantismo; 

Neoliberalismo; Intelectuais orgânicos.

 aBsTRacT: 

This paper analyzes how anthropogenic climate change is directly related to the 

contradictions present in the capitalist mode of production, highlighting the role of 

neoliberal ideology and organic intellectuals aligned with capital in concealing this 

problem. It is argued that an obscurantist project, supported by pseudosciences and 

a lack of ethical and scientific rigor, seeks to undermine the credibility of scientific 

knowledge, contributing to social inertia in the face of the environmental crisis. Based 

on Gramsci’s writings and strategies of action, the role of intellectuals in the dispute 

for hegemony is discussed. It is concluded that confronting obscurantism requires a 

structural critique of capitalism and the formation of organic intellectuals from the 

subaltern classes, capable of initiating a process of intellectual and moral transformation 

of society.

 Keywords: Climate crisis; Obscurantism; Neoliberalism; Organic intellectuals.

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 Pol. Cult. Rev., Salvador, v. 18, p. 19-40, edição especial

inTROdUçãO

 Nesse trabalho destacamos que as mudanças climáticas 

antropogênicas não são apenas fruto de problemas de 

gestão ou descaso, mas estão diretamente relacionadas 

às contradições do modo de produção capitalista e aos interesses de 

classe. Dado as diretrizes de crescimento exponencial e de acumu

lação infinita de capital, capitalismo e degradação ambiental 

constituem dois polos de uma contradição insuperável internamente 

ao modo de produção capitalista.

 Diante disso, buscamos analisar algumas condições necessárias 

para que essa contradição seja ocultada enquanto raiz do problema, 

levando a letargia e inércia da população frente a tão relevante temá

tica. Consideramos que, na disputa pela hegemonia, a ideologia 

neoliberal necessita se valer de um projeto obscurantista que visa 

minar a credibilidade dos conhecimentos sistematicamente produ

zidos, essenciais para a atuação política no que diz respeito aos atuais 

desafios de nosso momento histórico.

 Um dos fatores indispensáveis para que o projeto em questão obscu

rantista tenha se desenvolvido nas últimas décadas é a constante 

atuação de intelectuais ligados aos interesses do capital. De acordo 

com Gramsci (2001), a atuação dos intelectuais é um elemento 

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 Pol. Cult. Rev., Salvador, v. 18, p. 19-40, 2025, edição especial

fundamental na captação do consenso das classes subalternas e na 

disputa pela hegemonia.

 Ainda que para Gramsci (2001), poderíamos dizer que “todos 

os homens são intelectuais”, uma vez que não é possível separar 

claramente atividade física e atividade intelectual, “[...] nem 

todos os homens têm na sociedade a função de intelectuais” 

(GRAMSCI, 2001, p. 18).

 No que diz respeito ao nosso tema em questão, a ocultação das contra

dições do capitalismo que levam ao aprofundamento dos problemas 

ambientais por meio de um projeto obscurantista, a atuação dos inte

lectuais nesse processo também exerce um papel fundamental. Nesse 

caso, os intelectuais que contribuem continuamente para o forta

lecimento do obscurantismo vão desde jornalistas, influenciadores 

digitais, políticos, cientistas, professores etc.

 O que chama a atenção nesse ponto específico é que dada a natureza 

da questão climática, a atuação de intelectuais atrelados aos inte

resses do capital só é possível mediante a falsificação e deturpação 

de conhecimentos científicos consolidados. Não raro, esse projeto 

obscurantista flerta com o negacionismo científico, com pseudo

ciências, com a perseguição a intelectuais comprometidos com o 

rigor científico e preceitos éticos, com perseguição às universidades 

e demais instituições produtoras de conhecimento e dados etc. 

Diante das características peculiares da atuação desses intelectuais 

e das dinâmicas contemporâneas de difusão de concepções obscu

rantistas, as contribuições de Gramsci sobre o papel dos intelectuais 

na desestabilização da classe trabalhadora tornam-se especialmente 

relevantes. Sua análise e denúncia do papel exercido por intelectuais 

na manipulação teórica como mecanismo para induzir letargia e 

ofuscar os antagonismos de classe oferecem um instrumental valioso 

para compreensão e combate ao projeto obscurantista em curso.

 É o caso, por exemplo, das análises de Gramsci referentes aos inte

lectuais lorianistas4, que se caracterizavam principalmente pela 

4 O termo lorianismo foi criado por Gramsci tendo como referência o pensador italiano 

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 Pol. Cult. Rev., Salvador, v. 18, p. 19-40, 2025, edição especial

“[...] falta de organicidade, ausência de espírito crítico sistemático, 

negligência no desenvolvimento da atividade científica, ausência 

de centralização cultural, frouxidão e indulgência ética no campo 

da atividade científico-cultural, etc.” (GRAMSCI, 2001, p. 257). Ou 

seja, um grupo de “[...]. intelectuais que não são rigorosos em suas 

pesquisas e em seus argumentos, nem quanto ao método e nem 

quanto à ética” (SCHLESENER, 2024, p. 131). 

Diante da atual necessidade de enfrentamento ao obscurantismo e 

aos intelectuais que contribuem para a hegemonia do capitalismo 

e de todo o desequilíbrio e destruição ambiental indissociável a 

esse modo de produção, acreditamos que as proposições feitas por 

Gramsci para combater os intelectuais lorianistas podem contribuir 

para pensarmos em formas de enfrentar o obscurantismo atual. Sua 

perspectiva, que passa em grande medida pela função social dos 

intelectuais, auxilia na reflexão sobre a formação de dirigentes e 

intelectuais organicamente ligados à construção de uma sociedade 

mais justa, igualitária e ambientalmente sustentável.

 a eMeRgência cliMáTica e a cOnTRadiçãO capiTal-naTUReza

 Os atuais problemas que envolvem a crise climática e seus desdo

bramentos políticos, econômicos, culturais e educacionais em suas 

múltiplas dimensões não podem ser vistos apenas como efeitos cola

terais e solucionáveis dentro da ordem estabelecida. Não se trata 

apenas de um processo que se desencadeia com o aumento das 

emissões de gases do efeito estufa que se iniciam com o processo de 

industrialização. Tal análise determinística desconsidera as dimen

sões econômicas, políticas e ideológicas envolvidas.

 Esse processo se intensifica ao longo do século XX e resiste 

em ter sua ordem alterada no século XXI, apesar do vasto 

Achille Loria (1857 - 1943). Gramsci foi bastante crítico da influência de Loria sobre os 

operários e sobre o partido socialista italiano, denunciando constantemente a falta de 

rigor metodológico e ético de Lori.

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 Pol. Cult. Rev., Salvador, v. 18, p. 19-40, 2025, edição especial

conhecimento científico das causas dos problemas e da urgente 

necessidade de tomadas de decisões que revertam as causas mate

riais (aparentes) do problema.

 O sistema capitalista, completamente baseado, desde a 

Revolução Industrial, em combustíveis fósseis, é o respon

sável pela crise ecológica atual, e, em particular, pela 

mudança climática. Sua lógica irracional de expansão e 

acumulação infinitas, desperdício de recursos, consumo 

ostentatório, obsolescência programada, produtivismo 

obcecado com a busca do lucro a qualquer preço, está 

levando o planeta à beira do abismo (LÖWY, 2021, p. 478).

 Assim, no modo de produção capitalista, a relação do capital com a 

natureza representa dois polos de uma contradição que impossibilita 

qualquer solução sustentável no que diz respeito à questão climática. 

Isto porque “[...] esse sistema impõe o crescimento exponencial, incita 

a destruição ambiental e destrói o tecido social enquanto aumenta a 

concentração de poder e riqueza” (HARVEY, 2022, p. 74).

 Dada a própria lógica do capital de maximização de lucros e de cres

cimento exponencial do capital, associado ao fato de que vivemos em 

um ambiente com uma quantidade finita de recursos, a reprodução 

das condições existentes torna-se uma tarefa impossível. 

Ou seja, 

operando em descompasso com a natureza, promove a 

destruição dos recursos naturais e evidencia um dese

quilíbrio entre a crescente necessidade de produção 

de mercadorias e a incapacidade do planeta de prover 

recursos naturais no mesmo ritmo para atender a essa 

demanda. (ARAÚJO; SILVA, 2021, p. 156).

 Assim, qualquer ação séria que colocasse o equilíbrio ambiental e 

o bem-estar das pessoas como prioridade seria uma real ameaça 

à reprodução do modo de produção capitalista. Por outro lado, 

enquanto as diretrizes de crescimento exponencial, maximização 

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 Pol. Cult. Rev., Salvador, v. 18, p. 19-40, 2025, edição especial

de lucros e a manutenção do poder e privilégios de uma minoria 

em detrimento do planeta e demais seres humanos permanecerem 

como hegemônicas, a degradação ambiental e humana seguirá seu 

curso como sacrifícios necessários à lógica do capital.

 A contradição entre capital e preservação ambiental nos coloca 

diante de uma importante questão: trata-se de uma contradição 

que, embora relevante, não compromete estruturalmente a dinâ

mica capitalista, permitindo sua continuidade; ou os problemas 

provocados pelas mudanças climáticas podem chegar ao ponto de 

inviabilizar a própria lógica de reprodução capitalista? 

Mesmo que exista a possibilidade (e os prognósticos científicos 

não são nada animadores) de que os problemas ambientais levem 

a uma desestruturação produtiva e social do que conhecemos, não 

podemos contar com o bom senso das elites (e do conjunto de inte

lectuais que representam os seus interesses) para que abram mão 

de seus privilégios. 

O atual estágio dos conhecimentos produzidos sobre a crise climá

tica já seriam mais do que suficientes para engendrar ações efetivas 

em um mundo em que a racionalidade e o bem comum fossem 

as diretrizes principais. Porém, por mais contraditório que possa 

parecer, racionalidade, bom senso e preceitos éticos não são os 

únicos elementos que influenciam a atuação de intelectuais em 

uma sociedade marcada pela divisão de classes e em constante 

disputa pela hegemonia.

 Em um modelo de produção onde o crescimento infinito e a maxi

mização de lucros são as diretrizes principais, mesmo ações ditas 

ecológicas e “preocupadas” com a preservação ambiental, oriundas 

de concepções teóricas e de intelectuais bem intencionados, mas não 

detentores do devido rigor científico, ético e metodológico, são postas 

a serviço da maximização de lucros no curto prazo e na manutenção 

dos interesses de classe. Isso porque “[...] todos os projetos ecoló

gicos e ambientais são projetos socioeconômicos (e vice-versa). Sendo 

assim, tudo depende do propósito dos projetos socioeconômicos e 

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 Pol. Cult. Rev., Salvador, v. 18, p. 19-40, 2025, edição especial

ecológicos: bem-estar das pessoas ou taxa de lucro?” (HARVEY, 

2022, p. 323). Portanto, qualquer movimento ecológico que pretenda 

ir “[...] além de uma política meramente cosmética ou de melhoria, 

deve ser anticapitalista” (HARVEY, 2022, p. 328). 

Löwy (2020, não paginado) destaca que ações como 

[...] ‘capitalismo verde’, ‘mercados de crédito de emissões’, 

‘mecanismos de compensação’ e outras manipulações da 

chamada ‘economia de mercado sustentável’ provaram ser 

completamente ineficazes. Enquanto a ‘ecologização’ está 

sendo feita a cada curva, as emissões estão disparando e a 

catástrofe está se aproximando rapidamente. 

Vivenciamos um cenário distópico em que, ao mesmo tempo em 

que preparam bunkers (MELLO, 2023) (ou sonham com fugas para 

Marte) para se protegerem de um possível colapso climático, as elites 

mundiais buscam formas de obter ainda mais lucros com as opor

tunidades abertas pelo colapso. Isto é um indício de que o capital 

[...] pode perfeitamente continuar a circular e se acumular 

sob condições de catástrofe ambiental. Desastres 

ambientais criam oportunidades abundantes para um 

‘capitalismo do desastre’ lucrar com prodigalidade. Não 

necessariamente a morte por inanição de pessoas expostas 

e vulneráveis e a destruição generalizada de habitats 

prejudicarão o capital (a não ser que provoquem rebelião 

e revolução), justamente porque grande parte da popu

lação mundial já se tornou redundante e descartável 

(HARVEY, 2022, p. 324).

 O aproveitamento das oportunidades pelo grande capital muitas 

vezes aparece travestido de uma “louvável” roupagem de anseio por 

mudança, como, defesa de uma economia verde, transição energética 

sustentável, utilização de produtos menos poluentes etc. Ou, então, 

se aproveitando diretamente dos efeitos do colapso ambiental como 

forma de destruição de capital fixo (com vidas humanas incluídas 

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 Pol. Cult. Rev., Salvador, v. 18, p. 19-40, 2025, edição especial

no processo) e início de novos ciclos de extração de valor na subs

tituição de tal capital.

 Com esse intuito, toda uma indústria da tragédia (ou capitalismo 

de desastre) começa a se estruturar. É o caso de empresas como a 

Alvarez & Marsal, que atuou, por exemplo, na recuperação de desas

tres como o furacão Katrina em New Orleans nos Estados Unidos 

no ano de 2005, Brumadinho (2019) em Minas Gerais e que firmou 

parcerias com a prefeitura de Porto Alegre após as cheias que asso

laram o estado do Rio Grande do Sul em 2024 (DIAS, 2024). Essa 

lógica de reconstrução traz junto a necessidade do aprofundamento 

das sempre infalíveis práticas neoliberais. 

Alves (2024) destaca que, entre as medidas de recuperação propostas 

pela Alvarez & Marsal na reconstrução de New Orleans, constam 

medidas de gestão alinhadas às diretrizes neoliberais, cortando 

gastos com serviços públicos como educação. Apenas em New 

Orleans foram demitidos mais de 7 mil professores com o intuito 

de tornar a gestão pública mais eficiente e abrir caminho para a 

privatização do sistema público. 

Ou seja, “[...] cidades onde há descontrole de serviços públicos ou 

devastação por tragédias naturais, viram laboratório para empresas 

privadas lucrarem com planos de recuperação” (ALVES, 2024, não 

paginado). Permitem a instalação de condições favoráveis para “[...] 

os urubus da crise criarem novas fronteiras de acumulação de capital – e implantarem as reformas e medidas antipopulares que tanto 

desejam” (DIAS, 2024, não paginado).

 Isto significa dizer que

 [...] o capital prospera e evolui por meio da volatilidade dos 

desastres ambientais localizados, que não só criam novas 

oportunidades de negócios, como também fornecem um 

disfarce conveniente para esconder as falhas do capital: a 

‘mãe natureza’, caprichosa, imprevisível e teimosa, é quem 

leva a culpa pelas desgraças que em boa parte são causadas 

pelo capital (HARVEY, 2022, p. 331).

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 Pol. Cult. Rev., Salvador, v. 18, p. 19-40, 2025, edição especial

Se por um lado a negação, inação ou a busca por vantagens diante 

dos problemas desencadeados pela crise climática que vivenciamos 

sejam totalmente compreensíveis como ações necessárias para a 

manutenção dos privilégios de classe e aos interesses do capital, o 

mesmo não ocorre na perspectiva das classes subalternas, as prin

cipais vítimas da degradação ambiental.

 Diante disso, existe uma necessidade em se negar as condições que 

possibilitem uma compreensão da atual situação, bem como o acesso 

aos conhecimentos que permitam uma avaliação do problema pelas 

massas subalternas. Tal ofensiva se dá por meio de um processo de 

difusão ideológica que se vale de ideias obscurantistas, descrédito 

sistemático do conhecimento científico, sucateamento das institui

ções científicas que estejam minimamente fora do controle direto 

dos interesses do capital e toda uma rede de desinformação estru

turada em torno das redes sociais digitais. 

É com o objetivo de pôr em circulação esse projeto obscurantista 

que uma rede de intelectuais dos mais variados setores busca operar 

junto às classes subalternas causando confusão e tentando impedir a 

tomada de consciência necessária para perceber as contradições do 

capitalismo no que diz respeito à sustentabilidade social e ambiental.

 OBscURanTisMO e desinfORMaçãO cOMO pROjeTO

 Se, como buscamos argumentar anteriormente, os interesses de 

classe e as diretrizes da lógica do capital são os responsáveis prin

cipais para a negação da realidade material e para a inação frente às 

mudanças necessárias, o que justifica a apatia das massas perante 

uma tragédia anunciada na qual serão os maiores afetados? 

Tal questionamento se torna ainda mais incompreensível quando 

presenciamos que ao invés de precisar recorrer a estruturas repres

sivas para conter as pressões populares por mudanças significativas, 

as elites contam com o consentimento popular. Tal consentimento 

se dá por meio da adoção de argumentos que implicam na negação 

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 Pol. Cult. Rev., Salvador, v. 18, p. 19-40, 2025, edição especial

dos problemas que nos afligem ou com um completo desconheci

mento do tema, independente da sua relevância.

 Retomamos o argumento apresentado anteriormente de que, caso 

medidas efetivas de mitigação e superação dos problemas climáticos 

fossem adotadas, isso implicaria em superar as próprias estruturas 

do capitalismo, dada a impossibilidade da resolução da contradição 

capital/preservação ambiental sem a superação das próprias condi

ções estruturais que levam a atual relação metabólica produção/

 natureza. Como aponta Schlesner (2024, p. 223),

 a violência contra as classes subalternas lançadas no 

desemprego e na miséria e na destruição do meio 

ambiente, o desprezo pelo conhecimento científico, a 

apologia à violência e a disseminação do ódio, são alguns 

dos problemas sociais a serem enfrentados.

 Diante disso, restam apenas medidas que não alterem as estru

turas do problema. Para isso, é necessário a criação de estratégias 

que não permitam que a contradição fundamental seja exposta e 

compreendida pelos bilhões de homens e mulheres interessados na 

manutenção de condições planetárias favoráveis à vida da espécie 

humana no planeta.

 É nesse sentido que a busca pelo consentimento passivo das massas 

passa pela instituição de um senso comum que busca materializar 

elementos da ideologia hegemônica e, para isso, a atuação dos inte

lectuais é essencial. Para Gramsci (1999), o senso comum trata-se de 

“[...] uma concepção do mundo absorvida acriticamente pelos vários 

ambientes sociais e culturais nos quais se desenvolve a individuali

dade moral do homem médio” (GRAMSCI, 1999, p. 114). 

No atual contexto social, o senso comum almejado e ideologica

mente construído para a manutenção do consenso passa por alguns 

pontos-chave. 1) A naturalização da ideologia neoliberal como única 

forma possível, inclusive interiorizando elementos neoliberais para 

a gestão da vida privada tais como, empreendedorismo de si, defesa 

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 Pol. Cult. Rev., Salvador, v. 18, p. 19-40, 2025, edição especial

da meritocracia etc.; 2) A utilização de fragmentos desconexos de 

questões científicas e técnicas, de modo a permitir a manipulação de 

ideias e conceitos, mas impedindo uma real apropriação dos funda

mentos necessários para a compreensão do conhecimento produzido; 

e 3) A utilização de pautas morais que sustentem maniqueísmos como 

bem e mal, nós e eles, amigos e inimigos etc. 

Com esse intuito se recorre à ação de intelectuais que contribuam 

para a manutenção de um permanente pânico moral, de funda

mentalismos religiosos, de elogios à segurança propiciada pela 

militarização da vida e, até mesmo, de concepções neofascistas, 

misóginas, machistas, entre outros.

 Como condição para a manutenção destes elementos ideológicos no 

senso comum, é necessário negar o acesso a um conjunto de saberes, 

práticas e conhecimentos que possibilitem a população a passagem 

do senso comum (conjunto de conhecimentos fragmentados e desco

nexos) para o bom senso5. Ou seja, impedir que se desenvolvam 

condições que possibilitem a percepção crítica dos problemas natu

rais e sociais e das possíveis soluções para os mesmos. Isso porque 

superar o senso comum significa superar uma visão de 

mundo fragmentária que, por suas condições, nos mantém 

vinculados ao saber dominante; implica, por suposto, 

compreender e criticar o instituído, elaborando um modo 

de pensar autônomo (SCHLESENER, 2024, p. 204).

 Ao negar o acesso a tais conhecimentos, objetiva-se também impedir 

que se desenvolvam intelectuais orgânicos que trabalhem em prol 

dos interesses das classes subalternas e que possam se tornar diri

gentes em um processo que vise a superação das contradições postas. 

A formação desses intelectuais e dirigentes é essencial para que 

haja uma mudança significativa nas posturas e ações referentes à 

crise climática, uma vez que a inação e a ocultação dos problemas 

5 Para Gramsci (1999, p. 98), o bom senso consiste no núcleo sadio do senso comum “[...] e 

que merece ser desenvolvido e transformado em algo unitário e coerente”.

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 Pol. Cult. Rev., Salvador, v. 18, p. 19-40, 2025, edição especial

é uma das condições necessárias para que se mantenham as atuais 

engrenagens de exploração natural e humana responsáveis pela 

reprodução do capitalismo. Nesse cenário, “[...] interesses econô

micos e políticos de uma classe social podem impulsionar ou cercear 

ou impedir a busca das verdades sobre a natureza, a sociedade, as 

relações entre sociedade e natureza etc” (DUARTE, 2022, p. 56).

 Podemos, desta forma, falar em um projeto político que se vale do 

obscurantismo para garantir os interesses de classe. Se, por um lado, 

temos a hegemonia do neoliberalismo como programa político, o 

obscurantismo em suas mais diversas manifestações (econômico, 

fundamentalismo religioso, científico etc.) torna-se condição 

necessária para a manutenção dessa hegemonia. Isto porque o “[...] 

neoliberalismo e o obscurantismo são duas faces da mesma moeda” 

(DUARTE; MAZZEU; DUARTE, 2020, p. 717). 

O obscurantismo se manifesta quando “[...] há um esforço delibe

rado para que o conhecimento não avance ou para que as pessoas 

não tenham acesso aos conhecimentos já existentes, ou seja, um 

esforço para a manutenção da ignorância” (DUARTE; MAZZEU; 

DUARTE, 2020, p. 731).

 Projetos políticos que se valem do obscurantismo buscam

 [...] eternizar relações de poder que são favoráveis a deter

minados setores da sociedade e, para isso, precisa difundir 

preconceitos sobre qualquer pessoa, grupo ou linha de 

pensamento que possa pôr em questão essas relações de 

poder (DUARTE; MAZZEU; DUARTE 2020, p. 732).

 Assim, a circulação de visões de mundo obscurantistas; o ataque 

sistemático ao conhecimento científico; o descrédito de instituições 

e intelectuais que fazem ciência; o boicote a uma educação pública 

e a manutenção de uma estrutura tecnológica que facilite a disse

minação de desinformação podem ser consideradas um projeto. 

Projeto este que tem por finalidade impedir o desenvolvimento das 

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 Pol. Cult. Rev., Salvador, v. 18, p. 19-40, 2025, edição especial

condições que permitiriam às classes subalternas a compreensão 

crítica da realidade em que estão inseridas.

 É importante destacar que “[...] a luta do obscurantismo contra o 

conhecimento é sempre uma luta política e socialmente reacionária, 

é uma reação à possibilidade de mudanças profundas nas estruturas 

e nas dinâmicas de uma sociedade” (DUARTE; MAZZEU; DUARTE, 

2020, p. 732). Tal ponto fica explícito se voltarmos à questão refe

rente às transformações necessárias ao enfrentamento dos desafios 

impostos pelas mudanças climáticas. 

Diversas estratégias são postas simultaneamente em ação com o 

objetivo de confundir deliberadamente a população e dar margens 

às convenientes ideias obscurantistas. São ações que visam desle

gitimar o conhecimento científico, dirigindo ataques às instituições 

produtoras de ciência e aos intelectuais comprometidos com o rigor 

ético e metodológico necessários à pesquisa científica, sob o argu

mento de que estão dominadas por ideologias que buscam minar as 

bases tradicionais da sociedade. 

Ou, então, pela tentativa de banalizar a ciência, buscando criar 

uma imagem de que o conhecimento científico se trata de uma das 

possíveis opiniões, igualando os conhecimentos sistematizados e 

rigorosamente desenvolvidos aos que circulam ao nível do senso 

comum. Ponto este que a atuação de intelectuais sem comprometi

mento ético e metodológico, “[...] sem preocupação com as evidências 

históricas ou mesmo com a veracidade dos fatos” (SCHLESENER, 

2024, p. 131), de forma muito similar aos intelectuais lorianistas 

combatidos por Gramsci (2001), é fundamental.

 Uma outra estratégia na disseminação do obscurantismo social 

que aprisiona as massas na ignorância e inércia, que é diretamente 

dependente da atuação de “novos lorianistas”, é a parodização do 

conhecimento científico. Tal ofensiva busca criar deliberadamente 

estratégias para que teorias da conspiração, pseudociências assim 

como interesses específicos de grupos sejam apresentados com uma 

roupagem científica e acadêmica. 

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 Pol. Cult. Rev., Salvador, v. 18, p. 19-40, 2025, edição especial

Trata-se de uma abordagem que não tem por objetivo incitar as 

pessoas a desacreditarem na ciência, mas sim de “[...] provocar a 

dúvida e a desconfiança sobre uma certa ciência, restrita a certos 

grupos de pesquisadores, em certas instituições que, de forma 

proposital, passam a ser associadas a certos ‘interesses escusos’” 

(GUIMARÃES, 2022, p. 3).

 Ao se aproveitar do contexto artificialmente produzido de polari

zação social que se baseia num constante embate do bem contra o 

mal, busca-se mimetizar, campos do conhecimento sistematizado 

apresentando o “outro lado” (o bem) da ciência. É o caso de “teorias” 

como o Design inteligente, em oposição a teoria da evolução em 

biologia (HENTGES; ARAÚJO, 2020, p. 4) e revisionismos histó

ricos como os realizados por plataformas como o Brasil Paralelo, 

se contrapondo a história ideológica esquerdista desenvolvida nas 

universidades (PICOLI; CHITOLINA; GUIMARÃES, 2020). 

Com esse intuito, são utilizados como critério de cientificidade para 

a defesa de interesses específicos e propulsão de desinformação, a 

seleção de cientistas sem o mínimo rigor e de estudos científicos 

específicos que validariam certas ideias ideologicamente conve

nientes. Quase sempre ideias sem nenhuma aceitação dentro da 

sistematização do conhecimento e do consenso científico. A margi

nalização destes cientistas se daria por conta de um complô de 

cientistas (do mal) em ocultar a verdade da população. 

Tal prática foi amplamente utilizada durante a pandemia de Covid-19 

com “estudos científicos” e intelectuais a serviço do projeto obscu

rantista (políticos, jornalistas, médicos, cientistas etc.) recomendando 

a utilização de medicamentos já amplamente tidos como ineficientes, 

como a cloroquina, e mesmo apresentando os perigos das vacinas 

enquanto propunham soluções como a “imunidade de rebanho”. 

Essa é uma estratégia recorrente também quando o tema são as 

mudanças climáticas antropogênicas. Na mídia ou em ações que 

buscam questionar a natureza antropogênica das mudanças climá

ticas são frequentes a participação de nomes como Ricardo Felício, da 

33

 Pol. Cult. Rev., Salvador, v. 18, p. 19-40, 2025, edição especial

Universidade do Estado de São Paulo e Luiz Carlos Baldicero Molion, 

da Universidade Federal de Alagoas, ambos sem relevância acadê

mica na área, mas tomados como grandes especialistas em bolhas de 

desinformação, conforme apontado por Miguel (2020) e por Pontes, 

Soares e Geraque (2023).

 Tais intelectuais, inclusive, estão diretamente relacionados a setores 

do agronegócio brasileiro (Miguel, 2022), muitas vezes interessados 

em negar os problemas ambientais e “passar a boiada” com relação 

às legislações ambientais. Ricardo Felício inclusive foi cotado para 

ser ministro do meio ambiente do governo Bolsonaro (Matoso, 2018).

 Diante do exposto, fica evidente a necessidade do combate aos 

intelectuais vinculados ao projeto obscurantista e ao negacio

nismo científico. Tais intelectuais, orgânicos ao neoliberalismo, 

são frequentemente alinhados a interesses políticos e econômicos 

e distorcem a ciência para promover agendas obscurantistas, colo

cando em risco vidas e o meio ambiente.

 cOnsideRações finais

 Como podemos inferir da análise precedente, qualquer problema 

decorrente das contradições internas ao modo de produção capita

lista não pode ser encarado de forma isolada. Por este motivo, pensar 

em soluções para a crise climática antropogênica atual implica 

perceber as múltiplas conexões econômicas, sociais, políticas, cultu

rais e ideológicas que permitiram a falha metabólica propiciada pelo 

modo de produção capitalista na relação dos seres humanos com o 

ambiente natural. Além disso, é fundamental a compreensão das 

condições que possibilitam o ocultamento dos problemas e a conse

quente inércia com relação a tomada de atitudes que objetivem suas 

resoluções, ponto este que está diretamente relacionado à atuação 

dos intelectuais.

 Nesse sentido, consideramos que as propostas e ações de Gramsci 

no combate aos danosos efeitos dos intelectuais lorianistas sobre 

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 Pol. Cult. Rev., Salvador, v. 18, p. 19-40, 2025, edição especial

o movimento operário podem servir para pensarmos formas de 

enfrentamento ao projeto obscurantista em curso.

 Uma das ações propostas e colocadas em prática por Gramsci é o 

enfrentamento direto aos intelectuais que atuam junto às massas 

populares para causar confusão e gerar a apatia necessária a manu

tenção da ordem estabelecida. Durante o período que se dedicou à 

produção de escritos jornalísticos destinados aos operários, de 1915 a 

1926, por diversas vezes Gramsci dirigiu-se à figura de Achille Loria 

com o intuito de desmascará-lo perante os trabalhadores. Ou seja, 

mostrar a falta de rigor, a bizarrice de suas concepções, a natureza 

pseudocientífica de suas teorias etc. 

Não raras vezes, Gramsci recorria ao sarcasmo e a ironia para tentar 

despertar o bom senso dos operários com uma apropriada alfine

tada, com o intuito “[...] de criar a aversão ‘instintiva’ pela desordem 

intelectual, acompanhando-a com o senso do ridículo” (GRAMSCI, 

2001, p. 266). A atuação de Gramsci com relação a Loria e demais 

intelectuais lorianistas mostra a necessidade de se atuar junto às 

classes subalternas buscando desmascarar a falta de rigor, a falta 

de comprometimento ético e mesmo mostrar o ridículo que muitas 

concepções hoje defendidas representam.

 Porém, cabe ressaltar que a atuação de intelectuais orgânicos aos 

interesses neoliberais se dá no campo da disputa pela hegemonia e 

tem como objetivo conduzir 

[...] a grande massa da população a um determinado 

nível cultural e moral, nível (ou tipo) que corresponde 

às necessidades de desenvolvimento das forças produ

tivas e, portanto, aos interesses das classes dominantes 

(GRAMSCI, 2012, p. 288).

 Com esse intuito, um dos objetivos do projeto obscurantista é 

garantir a hegemonia cultural da ideologia neoliberal necessária 

à manutenção de um Estado neoliberal. Essa hegemonia permite 

a dominação, por meio de força e consenso, de corpos e mentes de 

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 Pol. Cult. Rev., Salvador, v. 18, p. 19-40, 2025, edição especial

modo a impor relações sociais e produtivas que sustentem o indi

vidualismo, a meritocracia e a responsabilização individual por 

problemas decorrentes das contradições do capitalismo. 

Ou seja, relações sociais e culturais que permitem a reprodução de 

um imaginário social que impede que as massas populares tomem 

consciência das contradições que alimentam a atomização social, a 

competitividade entre indivíduos e um eterno desejo irrealizável por 

consumo. Elementos essenciais para a reprodução da ordem esta

belecida e o agravamento da crise climática.

 Assim, conforme aponta Schlesener (2023, p. 299-300), a “[...] crítica 

à sociedade capitalista nas novas dimensões que assume a ideo

logia mostra que a luta pela cultura popular [...]” é um dos pontos 

fundamentais “[...] para a organização de movimentos sociais que 

proponham um caminho alternativo a esta sociedade”

 Por esse motivo, a construção das condições materiais capazes de 

fazer frente ao projeto obscurantista a serviço do capital passa pela 

formação de intelectuais orgânicos às classes subalternas capazes 

tornarem-se dirigentes num processo de reforma intelectual, moral 

e cultural da sociedade. Reforma esta que seja capaz de instituir rela

ções sociais solidárias, que rompam com o individualismo neoliberal. 

A atuação contra-hegemônica de intelectuais orgânicos ligados aos 

mais variados movimentos sociais pode contribuir para a criação de 

novas relações ético-políticas no âmbito da sociedade e da cultura, 

condição esta, necessárias para “[...] a construção de uma nova 

concepção de mundo articulada a uma mudança estrutural da socie

dade” (SCHLESENER, 2024, p. 56).

 É nesse ponto que as lutas por justiça social, o combate às causas da 

crise climática e a superação das contradições capitalistas revelam 

sua profunda interligação. Todas convergem na necessidade de 

transformações estruturais que englobam simultaneamente as 

esferas econômica, ética e cultural, exigindo um enfrentamento 

direto tanto ao projeto obscurantista quanto aos intelectuais que 

lhe dão sustentação teórica e política.

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 Pol. Cult. Rev., Salvador, v. 18, p. 19-40, 2025, edição especial

Esse enfrentamento, por sua vez, demanda a formação de dirigentes 

e intelectuais orgânicos às classes subalternas, que devem emergir 

dos diversos espaços de resistência frutos da organização popular.

 A formação destes intelectuais orgânicos

 [...] envolve tanto a perspectiva política de organização 

dos movimentos sociais pela qual se forma a consciência 

crítica e luta por transformações radicais, quanto os meca

nismos de educação que a sociedade oferece, entre eles, 

todo o sistema escolar (SCHLESENER, 2017, p. 33).

 Porém, é importante não perdermos de vista que não interessa a 

atual hegemonia neoliberal a aquisição por parte das massas popu

lares dos conhecimentos que possibilitem uma melhor leitura da 

realidade material e social em que estão inseridos. Muito menos 

o desenvolvimento de condições que permitam a formação de 

indivíduos autônomos e com pensamento livre, capazes de serem 

dirigentes num processo radical de transformação da sociedade.

 Portanto, a formação de intelectuais orgânicos ligados às classes 

populares não só se configura como uma resistência ao projeto 

obscurantista e aos intelectuais a ele associados, mas também se 

revela fundamental para a construção de alternativas à atual relação 

dos seres humanos com o ambiente natural. Essas alternativas 

são essenciais para enfrentar de maneira efetiva a crise climática 

de origem antropogênica, diretamente derivada das contradições 

inerentes ao sistema capitalista.

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metabolismo social e sua ruptura no capitalismo: aspectos históricos e 

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 Pol. Cult. Rev., Salvador, v. 18, p. 19-40, 2025, edição especial

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Hanen Sarkis Kanaan2 

Juliana Niesborski.

Há elação intrínseca entre o capitalismo e o negacionismo climático, na qual interesses econômicos e a lógica de acumulação de capital impulsionam a negação da ciência climática. 

Capitalismo e Crise Climática

Lógica de Lucro e Crescimento: O capitalismo, em sua busca por lucro e crescimento exponencial e ilimitado, baseia-se na exploração intensiva dos recursos naturais e na emissão massiva de gases de efeito estufa, principalmente pela queima de combustíveis fósseis.

Destruição Ambiental como Característica: A degradação ambiental não é um acidente, mas uma característica do modo de produção capitalista, que tende a destruir a natureza da qual a humanidade depende para gerar lucro.

 Muitos  argumentam que o crescimento econômico sustentado dentro de uma estrutura capitalista é incompatível com as mudanças sociais necessárias para mitigar os impactos climáticos. Soluções capitalistas são vistas como ineficazes para combater a raiz do problema. 

Proteção de Interesses Econômicos: O negacionismo climático não é sobre ciência, mas sobre proteção do grande capital . Ele serve como um projeto político e ideológico para proteger os interesses de classes dominantes  e setores econômicos (como a indústria de combustíveis fósseis e o agronegócio) que teriam muito a perder com a transição para uma economia de baixo carbono.

 O discurso capitalista visa a não compreensão  da crise climática, impedindo processos de governamentalização e a implementação de políticas ambientais eficazes que poderiam limitar a lucratividade de certas indústrias.

: O negacionismo busca criar uma falsa controvérsia sobre o consenso científico em torno das mudanças climáticas e seu caráter antropogênico (causado pelo homem), para manter o status quo e evitar a responsabilização do sistema econômico vigente. 

  

O neoliberalismo é uma doutrina político-econômica que defende a mínima intervenção do Estado na economia e a ampla liberdade de mercado. Ele surgiu na segunda metade do século 20 como uma adaptação do liberalismo clássico ao contexto da economia globalizada. Seus defensores argumentam que a liberdade de mercado promove o crescimento econômico e a eficiência. 

Características principais

Estado mínimo: Redução da participação estatal na economia, com privatização de empresas e serviços públicos.

Livre mercado: Promoção da livre concorrência, permitindo que as empresas e os consumidores tomem decisões sem intervenção do Estado.

Abertura econômica: Diminuição das barreiras comerciais, como tarifas e restrições, incentivando o comércio internacional e a circulação de capitais.

Flexibilização do trabalho: Redução de regulamentações trabalhistas e dos direitos dos trabalhadores, diminuindo a atuação dos sindicatos.

Disciplina fiscal: Controle rígido dos gastos públicos, geralmente por meio de tetos de gastos, o que pode resultar na redução de investimentos em serviços sociais. 

  Confira abaixo . A dissertação da autora Sabrina Rodrigues Marques.

Neoliberalismo: Uma fase atual do capitalismo 

Resumo 

Sabrina Rodrigues Marques1 

O neoliberalismo, tornou-se uma nova ordem mundial, a partir dos anos 80 e 90, 

primeiro na Europa depois em toda a América, de norte a sul. Assim sendo, as políticas 

neoliberais configuram-se hoje atual fase do capitalismo. A abordagem central do 

artigo, será compreender a expansão da hegemonia neoliberal, para isto, o trabalho 

consistirá de alguns pontos a ser discutido: 1) entender o conceito de hegemonia dentro 

de uma concepção gramsciana, 2) compreender as origens do capitalismo, 3) entender o 

Imperialismo, 4) compreender os fatores que contribuíram para a expansão neoliberal.  

Palavras chaves: Capitalismo- Neoliberalismo- Hegemonia 

Introdução 

O neoliberalismo, tornou-se uma nova ordem mundial, a partir dos anos 80 e 90, 

primeiro na Europa depois em toda a América, de norte a sul. Assim sendo, as políticas 

neoliberais configuram-se hoje atual fase do capitalismo, deste modo, buscou-se 

entender o neoliberalismo, por meio de um referencial teórico: O Capital, volume I, 

escrito por Karl Marx, Imperialismo, Estágio Superior do Capitalismo, escrito por 

Vladimir Ilitch Lênin, O Brasil e o Capital Imperialismo, escrito por Virgínia Fontes, 

Capitalismo, Origens e Dinâmica Histórica, escrito por Oswaldo Coggiola, O lucro ou 

as pessoas? Neoliberalismo e a ordem global, escrito por Noam Chomsky, os Cadernos 

do Cárcere, escrito por Antônio Gramsci. 

A abordagem central do artigo, será compreender a expansão da hegemonia 

neoliberal, para isto, o trabalho consistirá de alguns pontos a ser discutido: 1) entender o 

conceito de hegemonia dentro de uma concepção gramsciana, 2) compreender as 

origens do capitalismo, 3) entender o Imperialismo, 4) compreender os fatores que 

contribuíram para a expansão neoliberal. 

Um dos primeiros conceitos abordados no texto será o conceito de hegemonia, a 

partir disso, propõe-se compreender os espaços que o neoliberalismo ocupou dentro da 

1 Mestranda na Universidade Oeste do Paraná- UNIOESTE- Mal. Cândido Rondon. E-mail: 

proptical@hotmail.com. 

sociedade e os fatores que contribuíram para sua hegemonia política e econômica. 

Assim, dentro de uma concepção gramsciana, hegemonia significa que, 

“O fato da hegemonia pressupõe indubitavelmente que sejam levados 

em conta os interesses e as tendências dos grupos sobre os quais a 

hegemonia será exercida, que se forme um certo equilíbrio de 

compromisso, isto é, que o grupo dirigente faça sacrifícios de ordem 

econômico-corporativa; mas também é indubitável que tais sacrifícios 

e tal compromisso não podem envolver o essencial, dado que, se a 

hegemonia é ético-política, não pode deixar de ser também 

econômica, não pode deixar de ter seu fundamento na função decisiva 

que o grupo dirigente exerce no núcleo decisivo da atividade 

econômica”.2 

Assim, o neoliberalismo consolidou-se tomando a social-democracia como sua 

inimiga central, em países de capitalismo avançado, provocando uma hostilidade 

recíproca por parte da social-democracia3. Depois, os governos social-democratas se 

mostraram os mais resolutos em aplicar políticas neoliberais. Portanto, não basta apenas 

compreender o conceito de hegemonia, precisa- se entender como se constituiu o 

capitalismo e suas fases.  

O capitalismo é um sistema constituído pela circulação de mercadorias e a 

produção de capital (dinheiro), para Marx, a circulação de mercadorias é o ponto de 

partida do capital. Produção de mercadorias e circulação desenvolvida de mercadorias – o comércio – formam os pressupostos históricos a partir dos quais o capital emerge4, 

configurando-se os primeiros pressupostos do capitalismo. Ainda, Mészáros afirma que, 

o capitalismo é uma das formas possíveis da realização do capital, uma de suas 

variantes históricas, como ocorre na fase caracterizada pela subsunção real do 

trabalho ao capital.5 

Além disso, Marx afirmava também que se abstrairmos o conteúdo material da 

circulação das mercadorias, isto é, da troca dos diversos valores de uso, e considerar 

2GRAMSCI, Antônio, 1891-1937 Cadernos do cárcere. Edição. Rio de Janeiro. Civilização Brasileira, 

2002. Vol 3. Nota §18, p, 48. 

3ANDERSON, Perry. In SADER, Emir & GENTILI, Pablo (orgs.) Balanço do neoliberalismo. Pós

neoliberalismo: as políticas sociais e o Estado democrático. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1995, p. 13. 

4MARX, Karl. O Capital. Editora Boitempo. 2012, Vol. I, p, 289. 

5MÉSZÁROS, István. Para Além do Capital. Editora Boitempo. 2011, p, 15. 

apenas as formas econômicas que esse processo capitalista engendra6, o seu produto 

final, será o dinheiro. Ou seja, o dinheiro tornar-se-ia a primeira forma de manifestação 

do capital, deste modo, as formas de manifestação do capital, se adaptaria conforme a 

complexificação da relação capital-trabalho. Para Lênin, a transformação do 

capitalismo, teve como consequência, 

A propriedade privada baseada no trabalho do pequeno patrão, a livre 

concorrência, a democracia, todas essas palavras de ordem por meio 

das quais os capitalistas e sua imprensa utilizam enganam os operários 

e os camponeses, pertencem a um passado distante. O capitalismo se 

transformou num sistema universal de subjugação colonial e de 

estrangulamento financeiro da imensa maioria da população do 

planeta por um punhado de países “avançados”. A partilha desse 

espólio efetua-se entre duas ou três potências rapaces, armadas até os 

dentes (Estados Unidos, Inglaterra, Japão), que dominam o mundo e 

arrastam todo o planeta para a sua guerra pela partilha do seu espólio.7 

Ao longo de seu desenvolvimento histórico-social, o capitalismo passou por todo 

uma evolução histórica, criando novas relações entre o homem e o capital. Conforme 

Lenin afirmava, o imperialismo seria uma etapa superior do capitalismo, seria a 

transformação da acumulação do capital, a formação de grandes monopólios, ou seja, o 

surgimento do capital-imperialismo. Segundo Fontes, 

A expressão capital-imperialismo permite capturar o movimento 

peculiar ocorrido após a Segunda Guerra Mundial que aprofundou e 

alterou os traços fundamentais do imperialismo tal como formulado 

por Lenin. Novas características resultariam exatamente de sua 

dilatação em nova escala. A perpetuação da violência de classes se 

duplica pela disseminação de envolventes malhas tecidas por 

entidades cosmopolitas voltadas para o convencimento, tentando 

dissuadir a classe trabalhadora pela repetição ad nauseam de que este 

é o único modo de existência possível. Violência e convencimento 

seguem conjugados, na disseminação de verdadeiros exércitos 

compostos por tanques de pensamento (think tanks).8  

A partir deste pensamento think tanks, surgiria o neoliberalismo, como ideologia 

econômica-política, que traria a complexificação das lutas de classes, a explosão de 

6Marx, Karl. Op. Cit., p,289. 

7LÊNIN, Vladimir Ilicht. Imperialismo, Estágio Superior do Capitalismo. Editora Expressão Popular. 

2012., p. 27. 

8FONTES, Virgínia. O Brasil e o capital-imperialismo. 2. ed. Rio de Janeiro: EPSJV/Editora UFRJ, 

2010. 

crises políticas, econômicas e sociais. Isto é, o neoliberalismo possui uma relação 

intrínseca com o capitalismo atual, principalmente, a partir da década de 70.  

A hegemonia neoliberal passou a se expandir a partir das falhas das políticas 

keynesiana e do fracasso da social democracia. Apresenta-se, o neoliberalismo como 

uma retomada do liberalismo clássico, no qual constituiu-se como uma corrente teórica 

econômica. A construção da hegemonia neoliberal baseou em obras de teóricos que 

defendiam o “Estado mínimo”, assim como, Adam Smith, Hayek, Friedman, Mises 

entre outros. 

O neoliberalismo significou a ideologia do capitalismo financeiro, no qual as 

características centrais seria a propriedade privada e o livre mercado. O Estado terá 

como papel apenas de assegurador das práticas neoliberais, cujo, ação será de agente 

regulador nas quais tais práticas político-econômicos, funcionassem de maneira 

adequada.  

Este projeto neoliberal surge como uma política capaz de renovar as novas 

formas de acumulação do capital. Sendo assim, o trabalho consistirá na compreensão do 

conceito de hegemonia, no estudo sobre as origens do capitalismo, e o desenvolvimento 

da hegemonia neoliberal. 

Hegemonia: um conceito gramsciano 

A noção de hegemonia parte da formulação de dois autores: Lênin e Gramsci, 

cujo apresentam um conceito bem elaborado dentro do materialismo dialético. A 

hegemonia proposta por Gramsci trouxe uma nova relação entre estrutura e 

superestrutura. O conceito hegemonia tem como contexto, o desenvolvimento da 

sociedade civil, instituições e Estado, além disso, a ideologia aparece como constitutiva 

das relações sociais. 

No entanto, existe algumas diferenças entre Lênin e Gramsci no conceito de 

hegemonia, enquanto Lênin se refere apenas à ditatura do proletariado ao falar de 

hegemonia, enfatizando seu caráter coercitivo, Gramsci destacava a importância de 

formar uma classe dirigente que se mantenha pelo consentimento das massas e não 

apenas pela força coercitiva. 

O pensamento de Gramsci estava, obviamente, enraizado em Marx e 

Lenin. Ele assumiu todos os pressupostos marxistas a respeito das 

origens materiais de classe e do papel da luta e da consciência de 

classe na transformação social. Ele também adotou a noção de Marx 

sobre a "hegemonia" burguesa na sociedade civil, tal como expressa 

por Marx e Engels em A Ideologia Alemã e fez dela um tema central 

de sua própria versão do funcionamento do sistema capitalista. Tal 

hegemonia, nos termos de Gramsci, significava o predomínio 

ideológico dos valores e normas burguesas sobre as classes 

subalternas.9 

Conforme afirma Gramsci, toda relação de “hegemonia” é necessariamente 

uma relação pedagógica, que se verifica não apenas no interior de uma nação, entre 

diversas forças que compõem, mas em todo o campo internacional e mundial, entre 

conjuntos de civilizações nacionais e continentais”.10  

A hegemonia significa a capacidade de uma classe de manter sua dominação 

sobre a outra, por meio da coerção e do consenso, da formação intelectual e moral. 

Assim, a hegemonia constitui-se na organização e a manutenção de um aparelho estatal, 

ou seja, a formação de um tipo de sociedade civil + sociedade política, 

Para Gramsci, analiticamente, o espaço da hegemonia é o da 

sociedade civil, enquanto o do domínio é a sociedade política ou o 

Estado, pois podem-se fixar dois grandes “planos” superestruturais: o 

que pode ser chamado de “sociedade civil” (isto é, o conjunto de 

organismos designados vulgarmente como “privados”) e o da 

“sociedade política ou Estado”, planos que correspondem, 

respectivamente, à função de “hegemonia” que o grupo dominante 

exerce em toda a sociedade e àquela de “domínio direto” ou de 

comando, que se expressa no Estado e no governo “jurídico”.11 

A manutenção da hegemonia não depende apenas da constituição do aparelho 

estatal, e da formação intelectual e moral, mas da direção do partido. Gramsci afirma 

que o partido político é a forma aperfeiçoada da classe dirigente e é por meio do partido 

9CARNOY, Martin. Estado e Teoria política. (Equipe de trad. PUCCAMP) 2ª ed. Campinas: Papirus, 

1988, p 90. 

10 GRAMSCI, Antônio, 1891-1937 Cadernos do cárcere. Edição. Rio de Janeiro. Civilização Brasileira, 

Vol. 1, 2002, p, 399.  

11 GRAMSCI, Antônio, 1891-1937 Cadernos do cárcere. Edição. Rio de Janeiro. Civilização Brasileira, 

Vol. 2, 2001, p, 21. 

que a classe dirigente irá demonstrar sua capacidade de direção. O partido político é a 

expressão de um grupo social. 

A função da hegemonia tem como pressupostos a sociedade civil + sociedade 

política organizada e conectada, além disso, os intelectuais são os “prepostos” do 

grupo dominante para o exercício das funções subalternas da hegemonia social e do 

governo político, isto é12:  

1) do consenso “espontâneo” dado pelas grandes massas da população 

à orientação impressa pelo grupo fundamental dominante à vida 

social, consenso que nasce “historicamente” do prestígio (e, portanto, 

da confiança) obtido pelo grupo dominante por causa de sua posição e 

de sua função no mundo da produção; 2) do aparelho de coerção 

estatal que assegura “legalmente” a disciplina dos grupos que não 

“consentem”, nem ativa nem passivamente, mas que é constituído 

para toda a sociedade na previsão dos momentos de crise no comando 

e na direção, nos quais desaparece o consenso espontâneo. 

Se os intelectuais são os prepostos hegemônicos da classe dominante, a 

conservação da unidade ideológica do bloco social faz com que um determinado grupo 

social, mesmo que em contradição ao outro grupo, estes adotem a concepção de mundo 

daquele grupo. Ou seja, há uma disputa hegemônica dentro das lutas de classes, 

segundo Gramsci, 

“Todo povo tem sua literatura, mas ela pode vir-lhe de um outro povo, 

isto é, o povo em questão pode ser subordinado à hegemonia 

intelectual e moral de outros povos. É este, com frequência, o mais 

gritante paradoxo de muitas tendências monopolistas de caráter 

nacionalista e repressivo: o de que, enquanto se constroem grandiosos 

planos de hegemonia, não se percebe que se é objeto de hegemonias 

estrangeiras; do mesmo modo como, enquanto se fazem planos 

imperialistas, na realidade se é objeto de outros imperialismos, etc. De 

resto, não se sabe se o centro político dirigente não entenda muito bem 

a situação de fato e não busque superá-la: mas é certo que os literatos, 

neste caso, não ajudam o centro dirigente político em tais esforços e 

seus cérebros vazios empenham-se na celebração nacionalista para 

não sentirem o peso da hegemonia da qual se depende e pela qual se é 

oprimido.”13 

12 Idem, p, 21. 

13 GRAMSCI, Antônio, 1891-1937 Cadernos do cárcere. Edição. Rio de Janeiro. Civilização Brasileira, 

2002, Vol. 6, nota §57, p,127,128. 

Assim, o neoliberalismo significa dominação “consentida”, a hegemonia 

neoliberal, dissemina, a dominação de uma classe social sobre a outra, de uma nação 

sobre a outra. Sendo assim, dentro do sistema capitalista as relações sociais são 

definidas pela troca de mercadorias, a detenção dos modos de produções e as relações 

de forças produtivas, entre capital-trabalho. O grupo dirigente detém a hegemonia 

mediante a produção de uma ideologia, quanto mais difundida a ideologia, tanto menos 

utilizada a violência explicita. 

Com isso, a hegemonia neoliberal significou uma conquista processual dentro 

dos espaços, no seio e por meio da sociedade civil, visando à conquista de posições. 

Conforme Gramsci, entende-se que, neste caso, impõe-se à luta de classes uma 

estratégia de ataque frontal e complexificação das lutas sociais.  

Origens do Capitalismo  

Marx afirmava, a riqueza das sociedades onde reina o modo de produção 

capitalista aparece como uma “enorme coleção de mercadorias”, e a mercadoria 

individual como sua forma elementar.14 Para compreender, o capitalismo15 e suas fases, 

e a implantação neoliberal mundialmente após o fracasso keynesiano, deve-se entender 

a hegemonia capitalista e suas transformações no decorrer do processo histórico da 

humanidade. 

Segundo Coggiola16, o capitalismo, a sociedade dominada pelo capital17, é um 

modo de produção da vida social que, nas suas características gerais (as comuns a todas 

14 MARX, Karl. Op. Cit., p, 157. 

15 COGGIOLA, Osvaldo. Capitalismo. Origens e Dinâmica histórica. São Paulo. 2014, p, 15. Segundo 

Coggiola, o termo e o conceito de “capitalismo” levaram a melhor sobre outras definições que foram 

também usadas (liberalismo, sociedade industrial, sociedade livre, sociedade aberta, e um belo etc.), para 

definir a sociedade burguesa, por fazer referência à sua relação (oposição) social determinante: a existente 

entre capital e trabalho assalariado, e ao polo dominante (Determinante) dessa contradição. A economia 

capitalista é um “sistema” (um modo de produção) dividido em unidades de produção independentes e 

concorrentes entre si. No interior de cada unidade de produção existe divisão (oposição) entre o 

proprietário dos meios de produção e os produtores, isto é, entre capital e trabalho assalariado. 

16 Idem, p, 5. 

17 MARX, Karl. Grundrisse. Editora Boitempo. 2012, p, 57. Segundo Marx, o capital, entre outras coisas, 

é também instrumento de produção, também trabalho passado, objetivado [objektivierte]. Logo, o capital 

as formações econômico-sociais modernas) se constitui como objeto da análise teórica, 

que o caracteriza pelas forças produtivas que ele suscita e mobiliza, e pelas relações de 

produção sobre as quais se assenta.  

Para Marx, o modo de produção é um conceito que passou a designar as formas 

sociais historicamente existentes para produzir e reproduzir as condições materiais de 

existência da sociedade. Segundo Mészáros, o sistema de sociometabolismo do capital é 

mais poderoso e abrangente, tendo seu núcleo constitutivo formado pelo tripé capital, 

trabalho e Estado18. Assim, Coggiola afirma que cada modo de produção corresponde 

tanto ao nível de desenvolvimento das forças produtivas da sociedade (meios de 

produção, técnicas de organização do trabalho, etc.) quanto às relações sociais que 

organizam as relações de trabalho (de produção).19 

A origem do capitalismo, parte do pressuposto que a mercadoria é uma forma 

social que comporta tanto o valor de troca como o valor de uso, mas essa forma 

aparece só como valor de uso, material e “coisificado”20. Deste modo, para Marx, o 

capital, historicamente assume invariavelmente a forma do dinheiro, da riqueza 

monetária, dos capitais comercial21.  

E que toda a gênese do capital, o dinheiro, será sua primeira forma de 

manifestação, todo novo capital entra em cena – isto é, no mercado, seja ele de 

mercadorias, de trabalho ou de dinheiro – como dinheiro, que deve ser transformado 

em capital mediante um processo determinado22.De acordo com Coggiola,  

O dinheiro, por sua vez, aparece como portador exclusivo do valor, 

como a manifestação da abstração da mercadoria, sendo, porém, só a 

forma fenomênica da dimensão de valor da própria mercadoria. A 

relações sociais do capitalismo aparecem, assim, fundadas na oposição 

entre a abstração monetária do valor e a concretude da natureza 

material da produção.23 

é uma relação natural, universal e eterna; quer dizer, quando deixo de fora justamente o específico, o que 

faz do “instrumento de produção”, do “trabalho acumulado”, capital. Por essa razão, toda a história das 

relações de produção aparece em Carey, por exemplo, como uma maliciosa falsificação provocada pelos 

governos. 

18 Mészáros, István. Op. Cit., p, 15. 

19 Coggiola, Osvaldo. Op. Cit., p, 5. 

20 Idem, p, 11. 

21 Marx, Karl. Op. Cit., p, 289. 

22 Idem, p, 289,290 

23 Coggiola, Osvaldo. Op. Cit., p,11. 

Segundo Coggiola, o capitalismo nasceu da apropriação da esfera da produção 

pelo capital, substituindo os modos de produção feudais. “A subordinação da produção 

ao capital e o aparecimento da relação de classe entre os capitalistas e os produtores 

devem ser considerados o divisor de águas entre o velho e o novo modo de 

produção”24.  

Hobsbawm, afirma que o triunfo global do capitalismo, foi o triunfo de uma 

sociedade que acreditou que o crescimento econômico repousava na competição da livre 

iniciativa privada. Uma economia assim baseada nas sólidas fundações de uma 

burguesia, composta daqueles cuja energia, mérito e inteligência elevou-os a tal posição. 

O sistema mundial do capitalismo era uma estrutura de "economias nacionais" rivais. 

O triunfo mundial do liberalismo ficava na conversão de todos os povos, pelo menos os 

que eram vistos como "civilizados".25 

O capitalismo unificou o planeta tanto econômica como politicamente. A 

economia mundial como fator histórico determinante, e as relações internacionais como 

fator político dominante, se impuseram no século XIX. Coggiola infere que, 

A ascensão do capitalismo ensejou a dissolução das relações 

comunitárias: “O mundo moderno desconhece a comunidade. O modo 

de produção capitalista dá origem à sociedade, cuja marca primeira é a 

existência de indivíduos separados uns dos outros por seus interesses e 

desejos. Sociedade significa isolamento, fragmentação ou atomização 

de seus membros, forçando o pensamento moderno a indagar como 

indivíduos isolados podem se relacionar, se tornar sócios [e levando] à 

invenção da ideia de pacto ou contrato social firmado entre os 

indivíduos, instituindo a sociedade”. A substituição de relações 

comunitárias por relações sociais mudou todas as esferas do 

pensamento e da ação.26 

Significou uma nova burguesia, uma nova classe social, especialmente na 

Europa, embora já existisse relações pré-capitalistas no mundo antigo, com aspectos 

iniciais do capitalismo mercantil. A burguesia reconfigurou todo o sistema de mercado, 

toda a política, o capitalismo desenvolveu-se adaptando-se as novas relações entre 

trabalhador e patrão, entre mercado e mercadoria. Conforme Coggiola,  

24 Idem, p,13. 

25HOBSBAWM, Eric J. A Era do Capital. 3º edição, p, 80. 

26 COGGIOLA, Osvaldo. Op. Cit., p, 127. 

10 

O capitalismo (o modo de produção baseado na hegemonia do capital 

sobre todas as outras relações sociais) não é qualquer sistema 

econômico dinamizado pela procura de lucro, mas só aquele baseado 

nas relações de produção capitalistas, no qual o lucro se origina na 

mais-valia extraída (extorquida) na e pela exploração da força de 

trabalho livremente contratada e remunerada por um salário. 

Diversamente das sociedades que o precederam, no capitalismo o 

processo de trabalho se desdobra, ou apresenta uma face dupla e 

contraditória: ele é, como em todas as sociedades precedentes, 

processo de trabalho (criador de valores de uso) e também, 

diversamente dessas sociedades, processo de valorização (criador de 

valor).27 

Para Lênin, o capitalismo foi se apoderando de sua nova máscara, à medida que 

aumentava as operações bancárias e se concentrava um número reduzido de 

estabelecimentos, estes convertiam-se, de modestos intermediários em monopolistas 

onipotentes, que dispunha de todo o capital dinheiro do conjunto dos capitalistas e 

pequenos empresários, bem como da maior parte dos meios de produção e das fontes de 

matérias-primas de um ou de muitos países. Esta transformação constituiu-se como um 

dos processos fundamentais da transformação do capitalismo em imperialismo. 

Imperialismo: Uma concepção Leninista 

Dentro de uma concepção leninista, o imperialismo surgiu como 

desenvolvimento e continuação direta das características fundamentais do capitalismo. 

Mas, segundo Lênin, o capitalismo só se transformou em imperialismo quando chegou a 

um determinado grau do seu desenvolvimento, quando algumas das características 

fundamentais do sistema capitalista começaram a transformar-se na sua antítese. 

Assim, Lênin abordava que o capitalismo ganhou corpo e se manifestou em toda 

a linha, os traços da época de transição do capitalismo para uma estrutura econômica e 

social mais elevada. O imperialismo significou a substituição da livre concorrência 

capitalista pelos monopólios capitalistas. Sendo assim, Lênin afirmava que, 

A livre concorrência é a caraterística fundamental do capitalismo e da 

produção mercantil em geral; o monopólio é precisamente o contrário 

27 Idem, p. 16. 

11 

da livre concorrência, mas esta começou a transformar-se diante dos 

nossos olhos em monopólio, criando a grande produção, eliminando a 

pequena, substituindo a grande produção por outra ainda maior, e 

concentrando a produção e o capital a tal ponto que do seu seio surgiu 

e surge o monopólio: os cartéis, os sindicatos, os trustes e, fundindo-se 

com eles, o capital de uma escassa dezena de bancos que manipulam 

milhares de milhões.28 

Portanto, os monopólios, não eliminava a livre concorrência, existindo lado a 

lado com empresas industriais menores, resultando assim nas contradições e conflitos 

do sistema. O monopólio é a transição do capitalismo para um regime superior. O 

imperialismo, para Lenin significava fase monopolista do capitalismo. Por um lado, o 

capital financeiro é o capital bancário de alguns grandes bancos monopolistas fundido 

com o capital das associações monopolistas de industriais, e, por outro lado, a partilha 

do mundo. 

Lenin, definiu cinco traços fundamentais, do imperialismo: 

1) a concentração da produção e do capital levada a um grau tão 

elevado de desenvolvimento que criou os monopólios, os quais 

desempenham um papel decisivo na vida econômica; 2) a fusão do 

capital bancário com o capital industrial e a criação, baseada nesse 

“capital financeiro” da oligarquia financeira; 3) a exportação de 

capitais, diferentemente da exportação de mercadorias, adquire uma 

importância particularmente grande; 4) a formação de associações 

internacionais monopolistas de capitalistas, que partilham o mundo 

entre si, e 5) o termo da partilha territorial do mundo entre as 

potências capitalistas mais importantes.29 

Desta Forma, o imperialismo é, pois, o capitalismo na fase de desenvolvimento 

em que ganhou corpo a dominação dos monopólios e do capital financeiro, adquiriu 

marcada importância a exportação de capitais, começou a partilha do mundo pelos 

trustes internacionais e terminou a partilha de toda a terra entre os países capitalistas 

mais importantes30. O desenvolvimento do sistema capitalista trouxe novas dinâmicas 

sociais e políticas, a partir disso tornou-se imperialista, configurando em sua nova fase 

atual: o neoliberalismo. 

28 Op. Cit. Lenin. Vladimir. Ilich., p. 123. 

29 Idem, p. 124. 

30 Idem, p. 124,125. 

12 

A Hegemonia Neoliberal 

O capitalismo, necessitava de novas formas de expansão e de acumulação de 

capitais, o neoliberalismo surgiu como uma solução para o capitalismo. Conforme, 

Anderson31 afirma, o neoliberalismo foi um fenômeno do liberalismo clássico, do 

século passado, nasceu logo depois da II Guerra Mundial, na região da Europa e da 

América do Norte onde imperava o capitalismo, foi um projeto político-econômico 

contra o Estado intervencionista e de bem-estar social.  

De acordo com Chomsky32, o termo neoliberalismo sugere um sistema de 

princípios e baseia-se em ideais liberais clássicos. Esse sistema doutrinário é também 

conhecido como Consenso de Washington33, expressão que sugere algo a respeito da 

ordem global.  

Sendo assim, o neoliberalismo significou uma nova ordem mundial do capital, 

teve como objetivo ditar políticas a governantes conservadores, de perfil liberal, com o 

intuito de fazer as mudanças supostamente necessárias para se modificar o papel do 

Estado frente à sociedade, sob o argumento de que elas seriam imprescindíveis para a 

inserção de seus respectivos países no mundo contemporâneo globalizado.  

Segundo Lênin, o que caracterizava o velho capitalismo, onde reinava 

plenamente a livre concorrência, era a exportação de mercadorias. O que caracteriza o 

capitalismo moderno, era o monopólio e a exportação de capital. Assim, 

O capitalismo é a produção de mercadorias no grau superior do seu 

desenvolvimento, quando até a força de trabalho se transforma em 

mercadoria. O desenvolvimento da troca, tanto no interior como, em 

especial, no campo internacional, é um traço distintivo e caraterístico 

31 ANDERSON, Perry. In SADER, Emir & GENTILI, Pablo (orgs.) Balanço do neoliberalismo. Pós

neoliberalismo: as políticas sociais e o Estado democrático. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1995, p. 9-23. 

32 CHOMSKY, Noam. O lucro ou as pessoas? Neoliberalismo e a Ordem Global. Bertrand Brasil. 2002. 

33 Idem, p. 07. Segundo Chomsky, o Consenso [neoliberal] de Washington é um conjunto de princípios 

orientados para o mercado, traçados pelo governo dos Estados Unidos e pelas instituições financeiras 

internacionais que ele controla e por eles mesmos implementados de formas diversas – geralmente, nas 

sociedades mais vulneráveis, como rígidos programas de ajuste estrutural. Resumidamente, as suas regras 

básicas são: liberalização do mercado e do sistema financeiro, fixação dos preços pelo mercado (“ajuste 

de preços”), fim da inflação (“estabilidade macroeconômica”) e privatização. Os governos devem “ficar 

fora do caminho” – portanto, também a população, se o governo for democrático –, embora essa 

conclusão permaneça implícita. As decisões daqueles que impõem o “consenso” têm, é claro, um grande 

impacto sobre a ordem global.  

13 

do capitalismo. O desenvolvimento desigual, por saltos, das diferentes 

empresas e ramos da indústria e dos diferentes países é inevitável sob 

o capitalismo.34 

Chomsky, afirma que essas doutrinas não são novas, e seus pressupostos básicos 

estão muito distantes daqueles que animaram a tradição liberal desde o Iluminismo. Isto 

é, um dos primeiros filósofos que publicou o primeiro manifesto sobre o neoliberalismo, 

na década de 50, foi Friedrich Hayek, no qual publicou o livro intitulado, O Caminho da 

Servidão, escrito em 1944.  

Em 1947, enquanto as bases do Estado de bem-estar social na Europa do pós

guerra efetivamente se construíam, Hayek convocou aqueles que compartilhavam sua 

orientação ideológica para uma reunião na pequena estação de Mont Pèlerin, na Suíça. 

Entre os filósofos estavam Milton Friedman, Ludwig Von Mises, Walter Eupken, 

Walter Lipman, entre outros. Segundo Perry Anderson, 

Fundou-se a Sociedade de Mont Pèlerin, uma espécie de franco

maçonaria neoliberal, altamente dedicada e organizada, com reuniões 

internacionais a cada dois anos. Seu propósito era combater o 

Keynesianismo e o solidarismo reinantes e preparar as bases de um 

outro tipo de capitalismo, duro e livre de regras para o futuro. As 

condições para este trabalho não eram de todo favoráveis, uma vez 

que o capitalismo avançado estava entrando numa longa fase de auge 

sem precedentes – sua idade de ouro –, apresentando o crescimento 

mais rápido da história, durante as décadas de 50 e 60. 

A fundação da sociedade Mont Pélerin, significou a disseminação dos reais 

ideários neoliberais, os “perigos” do Estado intervencionista. Hayek a partir desta 

sociedade defendia que o novo igualitarismo, promovido por este Estado de bem-estar 

social, destruiria a liberdade dos cidadãos e a vitalidade da concorrência. O 

neoliberalismo proclamava o fim de um Estado intervencionista, e defendia o livre

comércio, um mercado sem fronteiras, sem limites. Segundo Anderson, 

A chegada da grande crise do modelo econômico do pós-guerra, em 

1973, quando todo o mundo capitalista avançado caiu numa longa e 

profunda recessão, combinando, pela primeira vez, baixas taxas de 

crescimento com altas taxas de inflação, mudou tudo. A partir daí as 

ideias neoliberais passaram a ganhar terreno. As raízes da crise, 

afirmavam Hayek e seus companheiros, estavam localizadas no poder 

excessivo e nefasto dos sindicatos e, de maneira mais geral, do 

34 Op. Cit. LÊNIN, Vladimir Ilicht., p. 93. 

14 

movimento operário, que havia corroído as bases de acumulação 

capitalista com suas pressões reivindicativas sobre os salários e com 

sua pressão parasitária para que o Estado aumentasse cada vez mais os 

gastos sociais. 

A partir, da década de 70, o neoliberalismo, surge com capacidade de trazer 

novas formas de acumulação de capital. O modelo neoliberal consolidou-se a partir dos 

anos 80 em países ocidentais que teve como principal característica o afastamento do 

Estado (Estado mínimo) em relação à gestão de diversos setores da economia.  

Os primeiros inauguradores do modelo neoliberal na Europa foram os governos 

de Margareth Tatcher, na Inglaterra, e Ronald Reagan, nos Estados Unidos, no início 

dos anos 80. No Brasil, consolidou-se a partir dos anos 90 com Fernando Collor e teve a 

consolidação no governo do Fernando Henrique Cardoso.  

A implantação neoliberal teve como característica a formação de intelectuais, a 

organização de instituições internacionais, por exemplo: a OCDE (Organização de 

Cooperação e de Desenvolvimento Econômico), OMC (Ordem Mundial do Comércio), 

o FMI entre outros. Segundo Anderson, 

A hegemonia deste programa não se realizou do dia para a noite. 

Levou mais ou menos uma década, os anos 70, quando a maioria dos 

governos da OCDE – Organização Europeia para o Comércio e 

Desenvolvimento – tratava de aplicar remédios keynesianos às crises 

econômicas. Mas, ao final da década, em 1979, surgiu a oportunidade. 

Na Inglaterra, foi eleito o governo Thatcher, o primeiro regime de um 

país de capitalismo avançado publicamente empenhado em pôr em 

prática o programa neoliberal. Um ano depois, em 1980, Reagan 

chegou à presidência dos Estados Unidos. Em 1982, Kohl derrotou o 

regime social liberal de Helmut Schmidt, na Alemanha. Em 1983, a 

Dinamarca, estado modelo do bem-estar escandinavo, caiu sob o 

controle de uma coalizão clara de direita, o governo de Schluter. Em 

seguida, quase todos os países do norte da Europa ocidental, com 

exceção da Suécia e da Áustria, também viraram à direita.35 

O neoliberalismo foi constituído por uma série de estratégias políticas, 

econômicas internacionais, orientado como solução para a crise capitalista de 70. A 

difusão deste projeto político-econômico, partiu da construção de uma nova ordem 

mundial, reconfigurando uma nova etapa do capitalismo. 

35 Op. Cit. CHOMSKY, Noam. p. 11. 

15 

Ainda, a hegemonia neoliberal assume outras características político

econômicas, por exemplo: a configuração da globalização, um terreno fértil para 

expansão neoliberal, difundindo a ruptura total entre os países, por meio do avanço da 

tecnologia, da livre concorrência, da exacerbação do consumo, produzindo novos estilos 

de vidas, reconfigurando a dominação capitalista.  

A globalização tornou-se sinônimo do neoliberalismo apontando para as 

transformações ocorridas no âmbito político, econômico e social, sendo assim, um dos 

meios para a consolidação da hegemonia neoliberal foram os veículos de comunicação.  

De acordo com Chomsky, o neoliberalismo36 caracterizou-se por meio do 

crescimento da desigualdade econômica e social, o aumento da pobreza absoluta entre 

as nações e povos mais atrasados do mundo, um meio ambiente global catastrófico, uma 

economia global instável. Chomsky afirma que a implantação neoliberal foi por meio do 

consenso de “Não Há Alternativas”. Ou seja, os defensores neoliberais praticam sua 

hegemonia por meio da inexistência de alternativas, criando falsas ideias que o único 

caminho viável seria por meio da expansão do capitalismo, do livre comércio. Segundo 

Chomsky, 

O neoliberalismo, sim, é de fato o “capitalismo sem luvas”, Ele 

representa uma época em que as forças empresariais são maiores, mais 

agressivas e se defrontam com uma oposição menos organizada do 

que nunca. Nesse ambiente político elas tratam de normatizar o seu 

poder político em todas as frentes possíveis, razão pela qual fica cada 

vez mais difícil contestá-las, tornando complicada – no limite da 

impossibilidade – a simples existência de forças extra mercado, não

comerciais e democráticas.37 

Para Silva, o neoliberalismo, enquanto forma de gestão do capital, contempla os 

interesses dos diferentes setores burgueses, ainda que de forma distinta, ou seja, é 

entendido como um processo, que vem sendo construído por meio das modificações na 

gestão política, na reestruturação produtiva, na linguagem ideológica e na imposição de 

36 Segundo Chomsky. O termo neoliberalismo sugere um sistema de princípios que, ao mesmo tempo em 

que é novo, baseia-se em ideias liberais clássicas: Adam Smith é o seu reverenciado santo padroeiro. Esse 

sistema doutrinário é também conhecido como Consenso de Washington, expressão que sugere algo a 

respeito da ordem global. Essas doutrinas não são novas, e seus pressupostos básicos estão muito 

distantes daqueles que animaram a tradição liberal desde o Iluminismo. P.7. 

37CHOMSKY, Noam. O lucro ou as pessoas? Neoliberalismo e a Ordem Global. Bertrand Brasil. 

2002.P.4. 

16 

uma cultura única. Em suma, baseia-se em uma acelerada internacionalização da 

economia, na financeirização do capital, na desregulamentação de direitos sociais e no 

desmantelamento da organização dos trabalhadores.38 

As práticas neoliberais trouxeram uma sustentação aos valores cultuados pelo 

capitalismo, servindo como um arcabouço teórico para a burguesia clamar, 

historicamente, pela não-interferência do Estado nas relações econômicas-políticas. 

Mas, na prática, o neoliberalismo, esse sistema político-econômico, trouxe como 

consequência uma complexificação na relação capital-trabalho e a acumulação de 

capitais 

nas 

mãos 

de 

poucos: 

Burguesia. 

38 SILVA, Carla Luciana. VEJA: O indispensável partido neoliberal (1989-2002) UFF. Niterói, RJ. 2005., 

p. 25. 

17 

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neoliberalismo. Pós-neoliberalismo: as políticas sociais e o Estado democrático. Rio 

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18 

SILVA, Carla Luciana. VEJA: O indispensável partido neoliberal (1989-2002) UFF. 

Niterói, RJ. 2005. A dissertação da autora Sabrina Rodrigues Marques.

O liberalismo econômico é uma doutrina que defende a não intervenção do Estado na economia, a livre concorrência, o livre mercado e a propriedade privada. Originado no século 18  com pensadores como Adam Smith, ele sustenta que o mercado se autorregula pelas forças de oferta e demanda, impulsionado pelo interesse individual, o que, em tese, levaria a um maior bem-estar social. 

Suas características incluem o livre mercado, onde a oferta e a demanda determinam a alocação de recursos e preços, a livre concorrência para impulsionar inovação, a propriedade privada dos meios de produção, e uma mínima intervenção estatal, focada em proteger a propriedade e evitar monopólios. 

O liberalismo econômico surgiu como oposição ao mercantilismo e foi fundamental para a ascensão do capitalismo no século 18  e sua consolidação no século 19. 

A Grande Depressão de 1929 expôs a necessidade de maior regulação estatal, levando ao desenvolvimento de abordagens como o neoliberalismo e o liberalismo social, que buscam equilibrar liberdade econômica, justiça social e um papel maior do Estado. 

Apesar dos desafios atuais como guerras comerciais e protecionismo, as ideias liberais continuam relevantes e influentes globalmente, adaptando-se às mudanças contemporâneas.O posicionamento da "grande imprensa" (veículos de massa como Folha de S.PauloO Estado de S. Paulo e O Globo) pode ser  classificado como liberal-conservador ou de centro-direita em análises acadêmicas. Embora esses veículos se apresentem como neutros ou "ao centro", sua atuação histórica e editorial revela nuances específicas: Identidade Liberal-Econômica: A grande imprensa costuma defender pautas econômicas liberais, como o livre mercado, a austeridade fiscal e reformas estruturais. Esse viés foi central na promoção de agendas neoliberais no Brasil desde a década de 1980.Conservadorismo Institucional: Em termos sociais e políticos, tende a um posicionamento conservador no sentido de preservação das instituições e da ordem social vigente, muitas vezes opondo-se a movimentos populares ou de esquerda que buscam mudanças estruturais profundas.Papel de Mediação: Ao se posicionar "ao centro", esses veículos buscam exercer um papel de moderadores do debate público, contrastando com a polarização das redes sociais e com mídias abertamente partidárias.Histórico Político: Pesquisas indicam que, em momentos de crise ou transição (como o golpe de 1964 ou o governo Collor), a grande imprensa atuou mais como colaboradora de agendas específicas do que como uma força puramente opositora ou neutra. O centro" da grande imprensa brasileira é geralmente definido por uma defesa do Estado Democrático de Direito combinada com uma forte inclinação ao liberalismo econômico. Nem sempre o neoliberalismo pregado pela imprensa entrega o prometido .

A  pressão de bilionários e grandes empresários sobre chefes do Executivo no Brasil ocorre por meio de mecanismos institucionais, econômicos e políticos consolidados.

Esse fenômeno, frequentemente estudado na ciência política como lobby, captura do Estado ou corporativismo, baseia-se na dependência que governantes têm do setor privado para gerar empregos, investimentos e governabilidade.
Na União

O foco dos grandes conglomerados e bilionários na Presidência da República visa a políticas macroeconômicas, regulações de mercados e grandes contratos públicos.

Financiamento Indireto e Apoio Político: Com a proibição de doações empresariais diretas a campanhas em 2015, o apoio migrou para doações de pessoas físicas (bilionários como CPFs) e o financiamento de think tanks, institutos de pesquisa e frentes parlamentares (como a bancada do agronegócio ou da indústria). 


Chantagem de Capital (Greve de Investimentos): Grandes empresários detêm o poder de ditar o ritmo da economia. Se o Executivo adota medidas vistas como desfavoráveis (ex: aumento de impostos sobre grandes fortunas), o setor privado pode retrair investimentos ou ameaçar transferir operações para o exterior.


Articulação via Entidades de Classe: Grupos como a CNI (Confederação Nacional da Indústria) e a Fiesp negociam diretamente com o presidente e ministros da Economia/Fazenda, pautando reformas trabalhistas, tributárias e a concessão de subsídios ou desonerações fiscais.

Nós Estados
Nos estados, o poder empresarial é altamente concentrado em setores dominantes regionais, como o agronegócio, as indústrias de base e o setor de transportes.

Guerra Fiscal: Grandes empresários barganham com governadores a instalação de fábricas ou complexos logísticos em troca de isenções agressivas de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços). O governador cede para mostrar geração de empregos local.


Dependência de Arrecadação: Em muitos estados, poucas e grandes empresas respondem por fatias massivas da arrecadação tributária estadual. Isso dá a essas corporações um poder de veto informal sobre políticas fiscais locais.

No município.

Nas cidades, a pressão empresarial é mais direta, imediata e concentrada em setores que dependem fundamentalmente de concessões e do ordenamento urbano.

Setor de Transporte Público: Empresários de ônibus exercem historicamente enorme influência sobre prefeitos, pressionando por reajustes de tarifas, subsídios municipais e renovações de contratos de concessão sem concorrência real.


Especulação Imobiliária e Empreiteiras: Grandes construtoras e incorporadoras pressionam secretarias de urbanismo e prefeitos para a alteração de Planos Diretores. O objetivo é ampliar o potencial construtivo de determinadas regiões, o que valoriza terrenos e multiplica lucros privados.


Prestadores de Serviços Urbanos: Empresas terceirizadas de coleta de lixo, saúde e segurança privada formam cartéis locais que frequentemente influenciam a formulação de licitações municipais.


Efeitos no Processo Democrático

Dinâmica PráticaResultado para o CidadãoPortas GiratóriasExecutivos do setor privado assumem ministérios ou secretarias (e vice-versa).Conflito de interesses e formulação de leis sob medida para empresas.Monopólio do AcessoBilionários têm agendas exclusivas com governantes, inacessíveis ao cidadão comum.Desigualdade de representação política crônica.Renúncias FiscaisGovernos perdem bilhões em impostos para subsidiar grandes setores.Falta de orçamento para serviços essenciais como saúde e educação.Confira a notícia no UOL.https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2026/06/22/familias-donas-de-onibus-em-sp-tentaram-assumir-bilheterias-de-metro-e-cptm.htm.

Imagens do UOL.