terça-feira, 18 de agosto de 2026

Questão .

   


O capitalismo é um sistema econômico e social caracterizado pela propriedade privada dos meios de produção, que visam ao lucro e à acumulação de capital. Ele é impulsionado pela livre concorrência, onde os preços são definidos pela oferta e demanda, e a sociedade é dividida em classes: a burguesia (donos dos meios de produção) e o proletariado (trabalhadores que vendem sua força de trabalho). 

Características principais

Propriedade privada: Os meios de produção, como fábricas e terras, são de propriedade privada, e não do Estado.

Lucro: A obtenção de lucro é o principal objetivo do sistema, incentivando a produção e o acúmulo de riqueza.

Mercado livre: A economia é regulada pela lei da oferta e demanda, com pouca intervenção estatal (embora isso possa variar em diferentes modelos de capitalismo).

Divisão de classes: A sociedade é dividida entre a burguesia, que detém os meios de produção, e o proletariado, que vende sua força de trabalho em troca de um salário.

Concorrência: A livre concorrência entre empresas busca otimizar a produção e a oferta de produtos, mas pode ser regulada por leis para evitar monopólios (cartéis). 

O capitalismo surgiu na Baixa Idade Média, a partir do crescimento urbano e comercial na Europa, e passou por diferentes fases.

As principais fases incluem o capitalismo comercial (baseado no comércio e na exploração colonial), o capitalismo industrial (impulsionado pela Revolução Industrial e a produção em massa) e o capitalismo financeiro e informacional (marcado pela globalização e o domínio do setor financeiro e da tecnologia). 

O capitalismo é responsável por um grande dinamismo econômico, impulsionando a inovação e oferecendo aos consumidores uma ampla variedade de produtos e serviços.

No entanto, a dependência do sistema da produção de matérias-primas também é associada a impactos ambientais significativos.

A desigualdade social é uma questão frequentemente no  capitalismo, devido à concentração de capital e à relação de classe entre burguesia e proletariado. 

Confira o artigo da autora  Tahiana Alves

Estado da publicação: O preprint foi submetido para publicação em um periódico

 Sofrimento psíquico na totalidade capitalista: experiências de

 mulheres

 Tahiana Alves

 https://doi.org/10.1590/SciELOPreprints.4674

 Submetido em: 2022-08-28

 Postado em: 2022-08-31 (versão 1)

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 SOFRIMENTO PSÍQUICO NA TOTALIDADE CAPITALISTA: experiências de mulheres 

PSYCHIC SUFFERING IN THE CAPITALIST TOTALITY: women´s experiences 

Tahiana Meneses Alves 

https://orcid.org/0000-0003-1019-8746 

Universidade Federal do Rio de Janeiro/Universidade do Minho 

RESUMO: Foram analisadas experiências de mulheres com o 

próprio sofrimento psíquico a partir de entrevistas com dez 

usuárias de um serviço de saúde mental. A análise foi 

fundamentada no método de Marx e na Teoria da Reprodução 

Social. O sofrimento psíquico foi atribuído a conflitos na família; 

à vida amorosa; à pobreza e seus desdobramentos; à 

regulação do corpo feminino; às múltiplas violências sofridas.  

Palavras-chave: Saúde Mental; Mulheres; Capitalismo 

ABSTRACT: Experiences of women with their own psychic 

suffering were analyzed based on interviews with ten users of a 

mental health service. The analysis was based on Marx’s 

method and on the Theory of Social Reproduction. Psychic 

suffering was attributed to conflicts in the family; to love life; to 

poverty and its consequences; to female body regulation; to the 

multiple violence suffered.  

Keywords: Mental Health; Women; Capitalism 

INTRODUÇÃO 

O estudo analisa as experiências de mulheres quanto ao próprio sofrimento psíquico. 

O contexto mais amplo onde se desenrolam as experiências é o da Reforma Psiquiátrica 

Brasileira (RPB). Esta é um processo social complexo que ocorre no país desde a década 

de 1970 no sentido de romper com o modelo tradicional de assistência em saúde mental 

(AMARANTE, 2013) – predominantemente hospitalocêntrico, de isolamento, 

biologizante/medicamentoso e cronificador.  

Os direcionamentos realizados pelo paradigma reformista e desinstitucionalizante 

descortinam a complexidade do campo da saúde mental. Este reúne, para além das 

determinações biológicas, determinações sociais, econômicas, culturais, etc. Pessoas em 

sofrimento psíquico devem ser vistas na sua integralidade, para além da doença e dos 

sintomas. O sofrimento não é algo reduzido ao indivíduo, mas atravessado por relações 

sociais hierárquicas de classe, raça e gênero em suas articulações que sustentam a 

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 totalidade capitalista. Foi dessa perspectiva que analisamos as experiências de sofrimento 

psíquico entre mulheres, tentando apreender a dialética entre universal, particular e singular 

sob a chave da categoria totalidade como um dos pontos principais no método em Marx 

(MORAES, 2021).  

A pesquisa teve caráter qualitativo. A técnica de recolha de informações foi a 

entrevista de história de vida, que permite captar a relação dialética entre o universal e o 

singular (FERRAROTI, 1993). Foram entrevistadas dez mulheres a partir dos seguintes 

critérios: ter de 18 anos para cima; ser diagnosticada com transtorno mental e realizar 

tratamento em saúde mental há, pelo menos, doze meses; estar em condições de dialogar; 

participação voluntária. O acesso às entrevistadas se deu num Centro de Atenção 

Psicossocial II (CAPS II) num município do nordeste brasileiro. Todas pertenciam às classes 

trabalhadoras. Possuíam renda familiar de até 3 salários mínimos e a maioria possuía baixa 

escolaridade. Variavam quanto à cor da pele autodeclarada (a maioria, negras), à idade 

(entre 28 e 56 anos), à ocupação (trabalhadoras domésticas, donas de casa, zeladoras, 

faxineiras, assistentes administrativas, bordadeiras), à religiosidade (católicas, evangélicas, 

espíritas, umbandistas, sem religião), ao estatuto conjugal (casadas, em união estável, 

separadas, namorando, solteiras), à composição familiar (sem filhos ou com até sete filhos), 

à orientação sexual (heterossexuais e homossexuais).  

Cada entrevistada teve acesso e assinou o Termo de Consentimento Livre e 

Esclarecido (TCLE). O estudo foi submetido à Plataforma Brasil e aprovado sob o protocolo 

de nº. 2.311.181 pelo comitê de ética da universidade da região onde foi realizado por estar 

em conformidade com as exigências do Conselho Nacional de Saúde. 

2 TEORIA DA REPRODUÇÃO SOCIAL: suporte analítico 

Recorremos ao suporte da Teoria da Reprodução Social (TRS). Possui base 

marxista e dá continuidade ao que algumas feministas marxistas como Lise Vogel (2013) 

vinham sistematizando desde as décadas de 1970 e 1980: o argumento central de que a 

produção de bens e serviços (de mercadorias e, portanto, de valor) no âmbito da economia 

formal e a produção da vida (de pessoas) fora da economia formal constituem duas faces de 

um mesmo processo. Não constituem uma dicotomia na qual uma se localiza na base 

econômica e a outra na superestrutura política, mas compõem a totalidade social como 

síntese de múltiplas determinações (BHATTACHARYA, 2019; MORAES, 2021; RUAS, 

2021). A TRS esforça-se para direcionar a teoria social de Marx na compreensão das 

relações econômicas e “extraeconômicas”. Busca entender como relações de opressão de 

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 gênero e de raça são produzidas de forma simultânea e imbricada à produção de mais-valia 

(MORAES, 2021).  

A TRS parte, portanto, de uma perspectiva unitária das relações sociais sob o 

capitalismo – este é um complexo de relações de exploração, dominação, opressão e 

alienação que se associam de forma integrativa, ontológica. Todas estão subordinadas à 

lógica do valor (RUAS, 2021). Formam uma unidade diversa, dialética, uma totalidade que 

subverte a maioria das coisas em mercadoria visando o lucro. Capitalismo, racismo e 

patriarcado constituem, assim, um único sistema de dominação-exploração (ARRUZZA, 

2015). O processo de acumulação primitiva do capital está organicamente relacionado com 

o patriarcado e o racismo. Eventos históricos como a separação dos trabalhadores 

camponeses dos meios de produção, a urbanização das cidades, a caça às bruxas na 

Europa, os genocídios indígena e negro na “descoberta” do “novo mundo” e o trabalho 

escravizado foram partes de um mesmo processo (ARRUZZA, 2015; FEDERICI, 2017).  

Um ponto importante do processo de consolidação do capitalismo é que este 

separou “lugar de produção” e “família”. Claro que isso aconteceu de modo particular nos 

vários países, mas, de modo geral, com a expropriação de terras, a família patriarcal deixou 

de estar relacionada diretamente com a esfera da produção e foi relegada ao âmbito 

privado, passando a ser responsável pela esfera da reprodução (biológica e social) 

(ARRUZZA, 2015). No interior dessa nova configuração de família, às mulheres foi relegado 

o trabalho reprodutivo privado (FEDERICI, 2017). E isso até hoje é fundamental para a 

reprodução do sistema como um todo. Neste, quase tudo é submetido à mercadorização, 

sendo a força de trabalho a mercadoria mais importante. É a única que gera mais-valor e 

produz todas as outras mercadorias. Mas aqui entra um questionamento fundamental da 

TRS:  

Se a força de trabalho produz valor, como a força de trabalho é, ela mesma, 

produzida? Certamente os trabalhadores não brotam do chão e chegam ao mercado 

frescos e prontos para vender sua força de trabalho para o capitalista [...] a chave do 

sistema, nossa força de trabalho, é, na verdade, ela mesma produzida e reproduzida 

fora da produção capitalista, num local baseado em laços de parentesco chamado 

família (BHATTACHARYA, 2019, p. 102).  

O trecho acima expressa a reprodução social como a manutenção e a reprodução da 

vida em nível diário e geracional. Corresponde à forma como o trabalho necessário (físico, 

emocional e mental) para produzir a população é organizado socialmente: quem gesta e dá 

à luz, amamenta, prepara a comida, educa os jovens, cuida dos idosos e dos doentes, 

realiza os afazeres domésticos e como são organizadas as questões de sexualidade 

(ARRUZZA, 2015). A TRS amplia, portanto, a categoria trabalho dentro da tradição marxista, 

pois considera tão importante quanto o trabalho produtivo, o trabalho reprodutivo: 

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 A força de trabalho, em grande parte, é reproduzida por três processos 

interconectados: 1. Atividades que regeneram a trabalhadora fora do processo de 

produção e que a permitem retornar a ele. Elas incluem, entre uma variedade de 

coisas, comida, uma cama para dormir, mas também cuidados psíquicos que 

mantêm uma pessoa íntegra. 2. Atividades que mantêm e regeneram não

trabalhadores que estão fora do processo de produção – isto é, os que são futuros 

ou antigos trabalhadores, como crianças, adultos que estão fora do mercado de 

trabalho por qualquer motivo, seja pela idade avançada, deficiência ou desemprego. 

3. Reprodução dos trabalhadores frescos, ou seja, dar à luz (BHATTACHARYA, 

2019, p. 103).  

As atividades acima são realizadas, sobretudo por mulheres, nos lares e nas 

comunidades através do trabalho doméstico não remunerado – sem qualquer cobrança para 

o sistema. Mesmo que não produzam valor diretamente, são fundamentais para a 

exploração de mais-valia. Mas vale destacar, adverte Arruzza (2015), que a noção de 

reprodução social é mais ampla que a de trabalho doméstico gratuito porque também 

engloba práticas sociais e tipos de trabalho que vão além das paredes dos lares. Uma parte 

do trabalho de reprodução social vem das relações familiares, mas outra vem do mercado e 

do Estado em troca de um salário. Basta pensar na esfera dos serviços privados ou públicos 

em hospitais, escolas, asilos, orfanatos, no setor alimentício ou da limpeza, do trabalho 

doméstico remunerado, entre outros.   

Nessa perspectiva, o capitalismo é uma ordem social que mescla exploração e 

opressão. Para extrair mais-valia, precisa dominar/oprimir por intermédio do gênero, da 

raça, da sexualidade. É possível visualizar no cotidiano a divisão sexual, racial e 

internacional do trabalho. Nela, o trabalho de reprodução tem seu valor rebaixado além de 

ser ocultado como parte da base material do sistema. Isso faz parte da estratégia capitalista 

de ter o mínimo de ônus. Seja através do trabalho doméstico gratuito ou do trabalho mal 

remunerado, é conveniente para o capital manter a exploração/dominação/opressão sobre 

as mulheres porque são elas quem majoritariamente produzem a força de trabalho a ser 

explorada pelo capital. Enquanto atividade humana prática que sustenta o sistema, o 

trabalho é corporificado (racializado e generificado). Mesmo que o racismo ou o patriarcado 

existam como totalidades parciais, estão ontologicamente integrados com as outras partes e 

o todo, que é o sistema único capitalista (MORAES, 2021; RUAS, 2021). Como aponta Ruas 

(2021), o capitalismo como uma abstração não existe de fato. Apenas existe o capitalismo 

racializado e patriarcal.  

Depois dessa breve exposição com base na TRS, voltemos ao objeto de estudo: 

experiências de mulheres com o sofrimento psíquico. Partilhamos da ideia de que a saúde 

mental é amplamente atravessada por determinações variadas (biológicas, psicológicas, 

sociais), apesar de o discurso com mais autoridade a respeito da matéria – a psiquiatria 

hegemônica de cunho biologizante – enfatize a “química” dos processos mentais. Sob essa 

perspectiva, não há (ou se há, não é considerada na sua devida importância), uma causa 

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 social sistêmica que esteja por trás do adoecimento. Contrariando esta tendência, 

concordamos com Fisher (2020) quando o autor afirma que o capitalismo é essa causa 

social sistêmica. É desse ponto que partimos para argumentar como a saúde mental de 

mulheres tem sido profundamente prejudicada nesse capítulo ultraneoliberal e 

ultraneconservador do capitalismo contemporâneo.  

3. TRABALHO DE REPRODUÇÃO SOCIAL E SOFRIMENTO PSÍQUICO: experiências de 

mulheres  

O estudo teve como pergunta de partida: “como mulheres explicam o próprio 

sofrimento psíquico?”. A ideia foi, com base no psiquiatra italiano Basaglia, colocar a doença 

“entre parênteses” para se ocupar do sujeito e sua experiência (AMARANTE, 2013). A partir 

das histórias de vida, identificamos que todas as entrevistadas, independente de 

considerarem ou não doença, atribuíram uma ou mais “causas” à sua condição. Essas 

concepções etiológicas englobaram acontecimentos e interações das vidas cotidiana das 

mulheres. Nelas, percebemos a presença de relações hierarquizadas de gênero, classe e 

raça.  

3.1 Contexto familiar 

O contexto da família surgiu nos relatos de entrevistadas associado com o sofrimento 

psíquico. Foram descritas situações relativas ao relacionamento entre mães e filhas/os. No 

geral, elas se chocaram com um “dipositivo materno” (ZANELLO, 2018), isto é, o processo 

que interpela mulheres a existirem focadas no “outro”. Surgiu não apenas entre as 

entrevistadas que eram mães, mas também entre as que eram filhas. Nesses casos, houve 

a fragilização ou o rompimento dos laços mãe-filhas/os (pela ausência do “amor materno”, 

gerada pela morte da mãe; pela morte do filho; pelas brigas constantes entre mãe-filhas/os). 

Também foram relatadas situações de angústia quanto ao ato de maternar (relato sobre 

pressões familiares para engravidar e cuidar de um bebê; culpa por não conseguir cuidar 

dos/as filhas; “depressão pós-parto”). Foram ainda relatadas os significados negativos em 

torno de ser “mãe solteira”, que, de algum modo, rompe com os “papéis” destinados às 

mulheres na família burguesa e na dinâmica mais ampla da reprodução social.   

Também foram relatadas relações hierárquicas familiares que colocam as mulheres 

em lugares subordinados. Na relação “filha-pai” ou  “irmã-irmãos do sexo masculino”, por 

exemplo, são elas: as vigiadas quanto à sua sexualidade pelos homens da casa; alvos de 

expectativas modestas por parte dos pais quando comparadas aos irmãos do sexo 

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 masculino; as que têm seus próprios sonhos e expectativas ridicularizados e/ou 

infantilizados (como o sonho de ter um computador e ou de estudar). 

Por fim, quanto ao contexto familiar, identificamos entre algumas entrevistadas a 

sobrecarga extenuante de trabalho doméstico. Elas eram as principais responsáveis pelos 

afazeres no lar (limpar, cozinhar, lavar, passar, etc) e pelo cuidado com outros familiares. 

Algumas ainda precisavam conciliar este trabalho com um trabalho informal fora de casa. A 

sobrecarga física gera uma sobrecarga psíquica.  

Como visto, a TRS destaca a reprodução social como esfera fundamental à 

sustentação do modo de produção capitalista. A capacidade biológica das mulheres das 

classes trabalhadoras de gerar filhos (e, portanto, novos produtores/as diretos/as e novas 

reprodutoras) tem franca relação com a esfera produtiva (VOGEL, 2013). Não é surpresa 

que o sistema empreenda vários artifícios, muitos destes legitimados/desempenhados pelo 

Estado, para controlar todas as frações das classes trabalhadoras de modo a continuar se 

reproduzindo socialmente. Algo fundamental é a exaltação (com todos os “padecimentos no 

paraíso”) do papel materno no interior da família construída conforme os preceitos 

burgueses, a nuclear, que engloba o casal heterossexual e seus filhos.  

O que as mulheres deste estudo – mães e esposas, sobretudo, mas também irmãs, 

cunhadas e avós – realizam é trabalho reprodutivo sob baixo ou nenhum custo para o 

capital. São elas que produzem a força de trabalho como a mercadoria mais valiosa do 

sistema, seja limpando a casa, cozinhando, educando, oferecendo cuidados psíquicos, 

cuidando de crianças ou adultos fora do mercado de trabalho, parindo e amamentando 

(BHATTACHARYA, 2019). Mas tudo isso é trabalho duro, cansativo, invisível, sem 

remuneração e naturalizado como amor. Por vezes é somado ao trabalho fora do lar, visto 

que algumas entrevistadas são as suas principais provedoras, o que aponta para uma 

jornada de trabalho dupla ou tripla. É adoecedor. As mulheres das classes trabalhadoras, 

com a particularidade da raça para as mulheres negras, são as mais superexploradas numa 

conjuntura neoliberal que ataca ferozmente qualquer serviço público e direitos sociais, 

jogando a responsabilização do cuidado para as famílias.  

3.2 A vida amorosa 

O sofrimento psíquico foi atribuído por algumas entrevistadas às decepções no 

contexto de relações amorosas heterossexuais. Estas são mediadas por um dispositivo 

amoroso, que, segundo Zanello (2018), coloca o amor como fator identitário para as 

mulheres: ser escolhida por um homem legitima o seu valor. Identificamos a noção de “amor 

romântico” expressa em diversas situações: na frustração com a ideia do “felizes para 

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 sempre”; na ocasião de viver um “casamento arranjado”; na ideia da compulsoriedade e 

perenidade do casamento, em especial para mulheres de faixas etárias mais avançadas. 

Houve aquelas que sofreram com a infidelidade ou a violência praticadas por seus 

companheiros. Apesar disso, algumas não romperam o relacionamento e outras 

demomaram a fazê-lo. Para tal, foram identificados elementos diversos: a crença na qual o 

amor envolve obstáculos que devem ser superados (no caso, a traição ou a violência); a 

separação vista enquanto um fracasso social; mesmo na “falta de amor”, a conveniência em 

manter relações utilitárias/fraternais com os companheiros.  

De acordo com Giddens (1992), o ideal do amor romântico surgiu pelo fim do século 

XVIII e ainda hoje influencia como as pessoas vivenciam suas relações amorosas. Nele, o 

elemento do ardor sublime tem a tendência de se destacar mais que o elemento do ardor 

sexual. Surge para ambos os sexos e torna a pessoa amada “especial” – mas é amplamente 

disseminado entre as mulheres, pois elas ainda são as que mais continuam a se inserir no 

mundo externo (fora da casa da família de origem) a partir do estabelecimento de ligações 

amorosas. Enquanto uma construção sociohistórica, o amor romântico é uma ideologia 

típica da consolidação do capitalismo e também expressa a separação entre as esferas da 

produção e da reprodução. Para autoras marxistas como Kollontai (2018), ele reforça o 

patriarcado, visto que impõe às mulheres os sacrifícios envolvidos para a sua manutenção. 

No fundo, ele reforça a família burguesa, imprescindível para a continuidade da ordem do 

capital, mas reprodutora de desigualdades.  

3.3 Pobreza e seus desdobramentos 

Outra “causa” de sofrimento psíquico apontada por mulheres teve relação com a 

pobreza e seus diversos desdobramentos. O mais imediato é a privação material. Algumas 

entrevistadas chefiavam seus lares, tendo sobre si aprofundadas a responsabilidade por 

arcar com a subsistência de seus familiares. Outras entrevistadas referiram a insegurança 

alimentar sempre à espreita. Outras haviam passado pela experiência de trabalho infantil 

durante a sua infância e adolescência, o que impactou o seu acesso à educação e ao lazer.  

A pobreza também aponta para situações de desemprego ou de trabalho 

extremamente precarizado. Ademais, é atravessada por um prisma moral: algumas 

mulheres relataram o mal estar com o preconceito sofrido por serem pobres, inclusive por 

parte de outras mulheres em situação socioeconômica mais favorável, ainda que também 

pertencentes às classes trabalhadoras. Isso sugere que vivemos numa estrutura social onde 

as hierarquias de classe, raça e gênero parecem não ter fim. As feminilidades são 

transversalizadas.  

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 Ironicamente, as mulheres são as que geralmente mais trabalham, mas também são 

as mais pauperizadas. Isso porque geralmente recebem menos nos locais de trabalho na 

economia formal, são as que mais preenchem os trabalhos informais e ainda desempenham 

trabalho não pago em suas casas. As políticas capitalistas neoliberais na 

contemporaneidade expressam um quadro dramático: quanto mais sofrem cortes sociais, 

mais penalizadas são as mulheres. Como afirma Bhattacharya (2019), políticas voltadas 

para atender interesses da maioria das mulheres são as mesmas que prejudicam os lucros 

capitalistas. Não é interesse do sistema, portanto, ceder para que mulheres acessem mais 

direitos, pois qualquer mudança nas relações de gênero afeta seus lucros.  

3.4 Regulação do corpo feminino 

Algumas situações apontadas pelas entrevistadas como fragilizadoras da saúde 

mental evidenciam a regulação do corpo feminino. Em alguns relatos, essa regulação se 

deu através da aparência física, inclusive gerando vivências de bullying entre mulheres 

consideradas “gordas”, “magras ” ou “feias” demais. Em outros, a regulação ocorreu em 

torno da sexualidade feminina. A sexualidade engloba uma espécie de script que varia 

conforme questões de gênero, raça, classe. Os corpos que, por acaso, rompem com o script 

podem ser “punidos”. Mulheres descreveram uma série de situações que interpretamos 

enquanto rompimentos com uma vivência sexual (e a moral da família burguesa) dentro da 

totalidade capitalista: iniciar a vida sexual “muito cedo” (adolescente e/ou fora de um 

casamento); exercer sua sexualidade sem o estabelecimento de vínculos afetivos e/ou 

apenas pelo próprio prazer; engravidar e não receber o apoio do parceiro, passando a ser 

reconhecida como “mãe solteira”; estar na posição de “amante”. Algumas “punições” para 

esses rompimentos: sofrer violência motivada pelo fato de não ser vista socialmente 

enquanto mulher “de respeito”. Aqui, o estatuto de objeto sexual que pesa sobre qualquer 

mulher acaba se agudizando sobre as mulheres negras, historicamente preteridas pelo 

racismo, que tem como um de seus elementos o fetiche em torno dos corpos negros.   

A reprodução social também está presente aqui. Por exemplo, ser considerada 

bonita ou feia ou exercer sua sexualidade não são questões apenas de gosto ou de decisão 

individual, mas determinadas pelo uso que o sistema faz dos corpos femininos.  

3.5 Múltiplas violências  

O sofrimento psíquico foi perspectivado por todas as entrevistadas face a diversas 

violências que vivenciaram no interior de relações próximas, perpetradas por (ex) maridos, 

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 (ex) namorados, irmãos, cunhados, pais, irmãos, professores. Todas as tipologias 

especificadas pela lei Maria da Penha (BRASIL, 2006) foram identificadas. A violência 

psicológica atravessou todas as situações descritas. A violência física tinha objetivos 

disciplinares sobre as posturas femininas (bater quando a entrevistada desobedecia a 

autoridade masculina de alguma forma) e, nalguns casos, envolveu tentativas de 

feminicídio. A violência moral envolvia xingamentos, deboches e humilhações, inclusive em 

situações públicas. A violência patrimonial foi identificada em situações nas quais a mulher 

tinha dificuldades de satisfazer as próprias necessidades materiais/espirituais por conta da 

interferência do ex marido. A violência sexual abarcou situações como o estupro na infância 

e adolescência; o estupro no namoro/casamento como expressão do “débito conjugal”, até 

quando elas estavam dormindo ou sob o efeito de medicamentos psicotrópicos; diversas 

situações de ameaça e culpabilização da vítima.  

Para Arruzza, Bhatcharya e Fraser (2019), a violência reflete dinâmicas 

contraditórias da família e da vida pessoal na sociedade capitalista. A violência contra as 

mulheres surge à primeira vista a partir das suas relações pessoais, mas é igualmente 

perpetrada por agentes do capital, o principal beneficiário do entrelaçamento entre 

exploração de classe e opressão de gênero.  

CONCLUSÃO 

As experiências de mulheres com o próprio sofrimento psíquico estão alinhavadas 

por um fio, o das relações sociais de gênero, raça e classe numa totalidade capitalista, tal 

como explana a TRS. Cada experiência ilustra a relação dialética entre o universal e o 

singular e se manifesta de maneira particular a partir da/e na sua realidade concreta. Cada 

experiência aponta ainda para a presença de encontros e desencontros entre as exigências 

de uma ordem social burguesa e o que acontece no plano cotidiano. Na sujeição ou na 

resistência, cumprindo ou desviando dos mandatos sociais, de maneira deliberada ou não, 

essas mulheres se deparam com interações e situações cotidianas que fragilizam a saúde.  

Estudos que destacam o peso das determinações sociais da saúde mental podem 

contribuir para: ir além das explicações biologicistas/individualizantes da saúde mental; ir 

além do rótulo que é imposto às pessoas com transtornos mentais e frequentemente apaga 

as suas particularidades enquanto ser social; desmistificar ideias como a da vulnerabilidade 

biológica e/ou psicológica feminina como processos “naturais”; reforçar a importância de 

incluir os próprios “experientes” na elaboração de seus itinerários terapêuticos; por fim, 

ajudar a reconhecer que a luta por saúde mental passa pela luta contra o capitalismo e suas 

múltiplas opressões. Esses elementos têm afinidade com os princípios da Reforma 

Psiquiátrica e da Luta Antimanicomial, pois valorizam o sujeito na sua cidadania, suas 

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 relações sociais, a intersubjetividade, a experiência vivida com a doença, as determinações 

socioeconômicas no processo de saúde-doença e a aliança com a classe trabalhadora 

organizada.  

REFERÊNCIAS 

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sociedades modernas. São Paulo: Editora da UNESP, 1992.  

KOLLONTAI, Alexandra. A libertação da mulher. A família e o estado comunista. In: MARX, 

Karl.; ENGELS, Frederich.; LENINE, Vladimir.; KOLLONTAI, Alexandra. Contributo para a 

história do feminismo. Lisboa: Alêtheia Editores, 2018. 

MORAES. Lívia. Relação entre universal, particular e singular em análises feministas 

marxistas: por uma ontologia integrativa. Plural, 28(2), p. 132-158, 2021. [Consult.. 31 03 

2022]. Disponível em: https://www.revistas.usp.br/plural/article/view/184118 

RUAS, Rhayssa. Teoria da reprodução social: apontamentos para uma perspectiva unitária 

das relações sociais capitalistas. Direito e Práx. 12(1), p. 380-415, 2021. [Consult.. 1 06 

2022]. 

Disponível 

https://www.scielo.br/j/rdp/a/vWvRLYxpS7r4hgYqs7xNFSt/?format=pdf&lang=pt 

em: 

10 

SciELO Preprints - Este documento é um preprint e sua situação atual está disponível em: https://doi.org/10.1590/SciELOPreprints.4674

 VOGEL, Lise. Marxism and the oppression of women: toward a unitary theory. Chicago: 

Haymarket Books, 2013. 

ZANELLO, Valeska. Saúde mental, gênero e dispositivos: cultura e processos de 

subjetivação. Curitiba: Appris, 2018. 

CONTRIBUIÇÃO DOS AUTORES  

TM Alves – metodologia, coleta e análise de dados, concepção e escrita do manuscrito. 

DECLARAÇÃO DE CONFLITO DE INTERESSE  

Não há conflito de interesse com o presente artigo. O artigo da autora  Tahiana Alves

No capitalismo, o adoecimento dos trabalhadores é um fenômeno complexo e multifacetado, com estudos apontando para a relação entre as condições de trabalho e as enfermidades físicas e mentais. A busca constante por lucro e produtividade impõe uma série de pressões que podem ter um impacto negativo na saúde dos trabalhadores, tanto física quanto psicológica. 

Adoecimento mental

A saúde mental é uma das áreas mais afetadas pelas demandas do sistema capitalista. O estresse crônico e a exaustão são problemas comuns, causados por fatores como: 

Pressão por desempenho: A busca por metas e prazos gera um ritmo de trabalho exaustivo, que pode levar ao esgotamento físico e emocional.

Insegurança no emprego: O medo de perder o trabalho, especialmente em um contexto de precarização, aumenta a ansiedade e o estresse.

Desigualdade e pobreza: A disparidade econômica cria um ciclo de estresse para os trabalhadores de baixa renda, que muitas vezes precisam de mais de um emprego para cobrir as despesas básicas, como moradia e saúde.

Alienação: A falta de controle sobre o próprio trabalho e a repetição de tarefas podem levar a um sentimento de desconexão e perda de sentido.

Competição e individualismo: A cultura competitiva pode erodir a autoestima e causar ansiedade, já que o foco está em "ser o melhor", em vez de trabalhar em equipe. 

Adoecimento físico

Além dos impactos na saúde mental, as condições de trabalho precárias e o estresse excessivo também resultam em problemas de saúde física. 

Condições de trabalho perigosas: A precarização do emprego pode levar à exposição a ambientes e tarefas com riscos físicos e químicos, com pouca ou nenhuma segurança.

Excesso de trabalho e sobrecarga: Jornadas de trabalho longas e a necessidade de realizar múltiplas tarefas aumentam a propensão a doenças cardiovasculares, problemas musculares e outras enfermidades relacionadas ao estresse.

Falta de controle: Trabalhadores com baixa autonomia sobre suas tarefas e que enfrentam altas demandas têm maior probabilidade de desenvolver estresse e problemas físicos associados.

Privação material: Salários baixos resultam em piores condições de vida, como moradias inadequadas e má alimentação, que impactam diretamente a saúde. 

 O  sistema capitalista transforma o próprio adoecimento em fonte de lucro. Primeiro, o sistema explora a força de trabalho até que o trabalhador adoeça; em seguida, ele lucra com a doença por meio da indústria de saúde e medicamentos. Além disso, muitas vezes a responsabilidade pela saúde é individualizada, ignorando o contexto socioeconômico e as condições de trabalho que levam ao problema. 

Confira o Texto da Constituição Federal do Brasil no Senado Federal                             .https://normas.leg.br/?urn=urn:lex:br:federal:constituicao:1988-10-05;1988

                .O Estado brasileiro favorece bilionários e prejudica pequenos empresários principalmente por meio de um sistema tributário regressivo, complexidade burocrática asfixiante e acesso desigual ao crédito e a subsídios estatais.Enquanto grandes corporações utilizam estruturas de planejamento fiscal avançadas e benefícios governamentais, as micro e pequenas empresas (MPEs) enfrentam custos operacionais proporcionalmente muito mais altos para sobreviver. Sistema Tributário Regressivo e DesigualO modelo de arrecadação do Brasil historicamente penaliza o consumo e o faturamento em vez da renda concentrada.Tributação sobre o consumo: Impostos incidem fortemente sobre produtos e serviços. Isso reduz o poder de compra da população, afetando diretamente o comércio local e os pequenos negócios que dependem do mercado interno.Isenções de lucros e dividendos: O Brasil é um dos poucos países do mundo que isenta a distribuição de lucros e dividendos para pessoas físicas. Essa medida beneficia diretamente os donos de grandes fatias de grandes empresas (bilionários).Planejamento fiscal avançado: Grandes fortunas utilizam holdings de fachada, fundos exclusivos fechados e contas offshore para postergar ou legalmente evitar o pagamento de impostos, opções financeiramente inviáveis para uma pequena empresa. Burocracia e o "Custo Brasil"A complexidade das leis brasileiras atua como uma barreira de entrada e permanência no mercado, sufocando quem tem menos estrutura.Manicômio tributário: O gasto de tempo e dinheiro para entender e pagar impostos no Brasil é o maior do mundo. Bilionários contratam exércitos de advogados e contadores dedicados; o pequeno empresário precisa fazer isso sozinho ou pagar caro por assessorias básicas.Assimetria regulatória: Normas de vigilância sanitária, regras ambientais e exigências de alvarás costumam ser rígidas e padronizadas. O custo para adequar uma pequena fábrica a uma nova exigência pode falir o negócio, enquanto para uma multinacional representa uma fração irrelevante do orçamento. Acesso ao Crédito e Subsídios GovernamentaisO dinheiro no Brasil é historicamente caro, mas o governo aloca recursos de forma desproporcional.Crédito direcionado (BNDES): Ao longo de décadas, políticas públicas de estímulo (como a era dos "campeões nacionais") canalizaram bilhões de reais em empréstimos com juros subsidiados pelo Tesouro Nacional para gigantes empresariais, sob a justificativa de internacionalizar marcas brasileiras.Juros altos para os pequenos: Sem garantias bilionárias ou imóveis de grande porte para oferecer como lastro, os pequenos empresários ficam reféns dos bancos comerciais tradicionais, pagando as maiores taxas de juros de capital de giro e cheque especial do mercado.Incentivos fiscais regionais: Grandes montadoras, indústrias químicas e gigantes do agronegócio frequentemente recebem isenções fiscais bilionárias de estados e municípios para se instalarem em determinadas regiões, benefício raramente estendido ao comércio de bairro. Desigualdade de Influência Política (Lobby)O poder econômico dita a capacidade de alterar leis e regulamentos em benefício próprio.Lobby parlamentar: Grandes corporações e associações de bilionários financiam frentes parlamentares poderosas no Congresso Nacional para moldar reformas tributárias, obter anistias de dívidas fiscais (como sucessivos programas de REFIS direcionados a grandes devedores) e criar barreiras de mercado contra novos concorrentes.Representação fragmentada: O pequeno empresário, ocupado com a operação diária do negócio, raramente possui canais diretos de pressão política para exigir desonerações específicas ou simplificações reais que facilitem o seu fluxo de caixa.Confira a notícia no UOL .https://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2026/08/18/casas-bahia-varejo-recuperacao-judicial.ghtm


E assim caminha a humanidade.

Imagem ; Site Brasil Escola. Portal UOL. 




 


 


 


Base trumpista .

  O trumpismo é a ideologia política associada ao ex-presidente e atual presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, e sua base de apoiadores. Embora não seja uma ideologia formalmente definida, é caracterizada por uma mistura de nacionalismo, populismo de direita e sentimentos antiestablishment. O movimento, fortemente vinculado aos slogans "Make America Great Again" (MAGA) e "America First", tem um impacto significativo e contínuo tanto na política dos EUA quanto em nível global. 

Características principais

Nacionalismo e populismo: O trumpismo promove uma agenda nacionalista que prioriza os interesses dos EUA acima de tudo (política "America First"). Utiliza uma retórica populista para se apresentar como defensor do povo contra "a elite" e "o establishment".

Anti-imigração: A aversão à imigração e o reforço da segurança nas fronteiras são pilares centrais do trumpismo, com medidas como a construção do muro na fronteira com o México e a proposta de dificultar a imigração legal.

Críticas às instituições: O movimento frequentemente questiona a integridade de instituições como a mídia, o sistema judicial e até mesmo o próprio processo democrático, gerando acusações de antidemocracia.

Inclinações autoritárias: Críticos do movimento apontam para inclinações autoritárias, como a crença de que o presidente está acima do estado de direito e a comparação da base política de Trump a um culto à personalidade.

Desprezo por tratados internacionais: Durante sua presidência, Trump desrespeitou e abandonou diversos acordos internacionais, demonstrando ceticismo em relação a organizações multilaterais. 

Impactos e evolução em 2024 e 2025

Vitória nas eleições de 2024: A vitória de Donald Trump nas eleições presidenciais de 2024 solidificou o trumpismo como uma força política duradoura, garantindo-lhe um segundo mandato a partir de 2025.

Impacto no Partido Republicano: Os apoiadores de Trump se consolidaram como a maior facção dentro do Partido Republicano, muitas vezes marginalizando as alas mais tradicionais. A resposta à ascensão de Trump resultou no surgimento do movimento "Never Trump", que se opõe a essa ideologia.

Projeções para 2025: Analistas preveem que a volta de Trump ao poder em 2025 ameaça não apenas os EUA, mas também as regras de longa data que regem entidades como a ONU. Além disso, esperam-se novas ofensivas para restringir a imigração.

Influência internacional: O trumpismo continua a ter reflexos internacionais, influenciando movimentos populistas e nacionalistas em diversos países, incluindo a América Latina. O cenário americano também tem sido comparado com a situação política de outras nações. 

MAGA é a sigla para o slogan político "Make America Great Again" (em português, "Tornar a América Grande Novamente"). Originalmente usado por Ronald Reagan na sua campanha presidencial de 1980, o lema foi popularizado por Donald Trump em suas campanhas de 2016, 2020 e 2024. 

História e significado

Origem: A frase foi usada por Reagan em um período de dificuldades econômicas nos EUA, marcado por alta inflação e desemprego.

Popularização por Trump: Em 2016, o slogan se tornou central na campanha de Trump. Ele evocava uma nostalgia de um passado dos EUA que, segundo ele e seus apoiadores, havia sido perdido devido a fatores como imigração e globalização.

Movimento político: Com o tempo, MAGA passou a designar não apenas o slogan, mas também a ideologia e a base de apoiadores de Donald Trump, conhecida como o movimento MAGA. Os adeptos costumam usar bonés vermelhos com a sigla.

"America First": O movimento MAGA está associado à política de "America First" (América em Primeiro Lugar), que defende protecionismo econômico, controle de imigração e a promoção de valores considerados tradicionais. 

Controvérsias e críticas

Associação com discriminação: O movimento MAGA é frequentemente associado a críticas e discriminação contra grupos minoritários, incluindo questões de raça, gênero e diversidade sexual.

Críticas ao slogan: O uso da frase é visto por alguns como uma "linguagem codificada" ou uma crítica aos direitos civis e ao avanço social. Críticos alegam que a busca por uma "América grande novamente" idealiza um passado excludente.

Relação com a mídia: A base de apoiadores de MAGA frequentemente tem uma relação antagônica com a mídia tradicional, acusando-a de ser tendenciosa. 

Confira abaixo o artigo do autores  Ubirajara de None Caputoa  e Henrique Araujo Aragusukua 



 Donald Trump e o fascismo: uma análise inspirada na teoria crítica

 Ubirajara de None Caputoa * 

Henrique Araujo Aragusukua 

a Universidade de São Paulo, Instituto de Psicologia, Departamento de Psicologia Social, São Paulo, SP, Brasil

 Resumo: A atuação de Donald Trump durante o período em que esteve na presidência dos Estados Unidos 

suscita a investigação de possíveis semelhanças entre ele e líderes fascistas do passado. A proposta deste 

ensaio é apresentar reflexões sobre a atuação política de Trump, inspiradas pelas discussões sobre a psicologia 

e a propaganda fascista na teoria crítica. Embora pareça impossível tomar Trump por um líder fascista clássico, 

principalmente em razão de contextos históricos muito diferentes, também é impossível desconsiderar o nexo 

entre suas estratégias políticas e o modus operandi de agitadores fascistas no século XX. Além disso, é inegável que 

sua política mobiliza elementos sociopsicológicos que remontam às análises da emergência do fascismo histórico, 

como a identificação com uma figura idealizada e transcendente, a submissão a uma autoridade ou causa superior 

e a agressividade direcionada às ameaças do out-group.

 Palavras-chave: fascismo, teoria crítica, fascismo digital, psicologia social.

 Introdução

 regimes fascistas das primeiras décadas do século XX –  

que passaremos a chamar de fascismo histórico (Mann, 

O termo “fascista” costuma ser usado para 

desqualificar desafetos localizados em qualquer ponto 

do amplo espectro político-ideológico. Recuperando a 

história do fascismo, é preciso lembrar que “a direita é 

o gênero de que o fascismo é espécie” e “a ideologia de 

direita representa sempre a existência de forças sociais 

empenhadas em conservar determinados privilégios . . .  

de que tais forças são beneficiárias” (Konder, 2009, p. 27). 

O fascismo, contrapondo-se à influência das ideias liberais 

na própria direita, promove um Estado-nação transcendente 

e totalizante (Mann, 2008; Paxton, 2008). No entanto, não 

é raro encontrar o adjetivo “fascista” associado a ideias 

progressistas, o que seria suficiente para implodir o termo, 

necessariamente associado, em sua origem, a um tipo de 

conservadorismo de direita.

 Verifica-se que o senso comum atribui ao termo 

“fascismo” sentidos diversos que o afastam de sua 

configuração original. Mesmo que as múltiplas acepções 

insultuosas do significante “fascismo” não sejam 

nítidas, nota-se tendência de associá-lo ao autoritarismo,  

à rigidez e à negação do humano. Tais associações são 

compreensíveis, ao considerar que os movimentos fascistas 

originais se tornaram regimes políticos conhecidos por 

eliminarem seus oponentes pelo uso “justificado” da 

violência, excluírem os que consideravam indesejáveis 

e submeterem todos/as ao regime. O uso comum da 

palavra “fascismo” para denunciar ações contra grupos 

vulneráveis e posicionamentos políticos autoritários 

e inflexíveis demonstra que os modos de agir dos 

*Endereço para correspondência: biracaputo@gmail.com

 2008) para melhor orientar a leitura – permanecem na 

memória coletiva e nos discursos do presente.

 O fascismo histórico foi um movimento político 

emergente no início do século XX, marcado pelas 

seguintes características: nacionalismo, chauvinismo 

étnico e racial, estatismo, paramilitarismo, conteúdo social 

conservador, uso de mitos irracionais para a justificação 

de sua prática política, antiliberalismo, antidemocracia 

e antissocialismo (e.g. Bianchi & Melo, 2018; Konder, 

2009; Mann, 2008). Torna-se possível, em acordo com 

Freud, porque “a dicotomia entre in-group e out-group é 

de uma natureza tão profundamente enraizada que afeta 

até mesmo aqueles grupos cujas ideias aparentemente 

excluem tais reações” (Adorno, 2015a, p. 174). Sendo 

assim, Freud livra-se da “ilusão liberal de que o progresso 

da civilização iria produzir automaticamente um aumento 

de tolerância e uma diminuição da violência contra os 

out-groups” (Adorno, 2015a, p. 174). Por isso o fascismo, 

enquanto uma tendência política, permanece nos dias 

atuais. Atualiza-se de acordo com condições históricas 

objetivas, mas permanece.

 Problema e método

 Neste ensaio, buscamos levantar algumas 

reflexões sobre a atuação política de Donald Trump, 

inspirados pelas discussões sobre psicologia e propaganda 

fascista a partir da teoria crítica (Adorno, 2015a, 2015b; 

Carone, 2002; Fromm, 1980), em conexão com outros 

estudos sobre o fascismo histórico (e.g. Mann, 2008; 

Paxton, 2008) e sobre as tendências fascistas na política 

http://dx.doi.org/10.1590/0103-6564e220050

Ubirajara de None Caputo   & Henrique Araujo Aragusuku

 (MAGA), em que se evidenciam dois elementos:  

2

 2

 contemporânea (e.g. Fielitz & Marcks, 2019; Neiwert, 

2017). Nosso problema é lançar luz sobre como uma 

questão do presente – a emergência da extrema direita 

no cenário político estadunidense – pode ter confluências 

com análises de um fenômeno político do passado.

 Anteriormente um outsider da elite política 

norte-americana, Trump foi eleito 45º presidente dos 

Estados Unidos, em 2017 – cargo que exerceu até 

janeiro de 2021 –, através de uma campanha permeada 

por polêmicas e conflitos, amparando-se em uma 

agenda radicalmente neoliberal no campo econômico 

(avessa a direitos trabalhistas, políticas sociais etc.) 

e conservadora no campo cultural (xenófoba, contra 

as lutas dos movimentos LGBTI+, feminista e negro 

etc.). Embora pareça impossível tomar Trump por 

um líder fascista clássico, principalmente em razão 

de contextos históricos muito diferentes, também é 

impossível desconsiderar o nexo entre suas estratégias 

políticas e o modus operandi de líderes fascistas no 

século XX. Além disso, é inegável que sua política 

mobiliza elementos sociopsicológicos que remontam 

às análises da emergência do fascismo histórico.

 Nosso objetivo neste ensaio não é discutir 

exaustivamente os conceitos envolvidos em nossa análise, 

mas sim traçar, de forma ampla, reflexões que produzam o 

debate acadêmico e possam ser reaproveitadas no futuro, 

inspirando novos estudos. Por meio dos fundamentos 

da teoria crítica, compreendemos que os fenômenos 

políticos estão intrinsecamente conectados a elementos 

sociopsicológicos responsáveis por constituir a vida humana 

em sociedade (Azevedo & Menin, 1995). Paralelamente, 

tais fenômenos estão permeados por relações e estruturas 

de poder, sendo um dos fins do pensamento crítico o 

desvelamento das desigualdades e opressões que tornam 

a vida em sociedade miserável para a maioria das pessoas. 

Como definido por Max Horkheimer (2002), a teoria crítica 

é “uma teoria dominada em todos os aspectos por uma 

preocupação com condições razoáveis de vida” (p. 1999), 

por um compromisso teórico com a justiça social e a 

emancipação humana.

 Consonâncias e dissonâncias

 A discussão sobre a medida em que Trump e seu 

projeto de poder se assemelham ao fascismo histórico e, 

portanto, podem ser caracterizados como neofascistas, 

requer urgência, uma vez que projetos análogos, os quais 

propõem retrocessos sociais e políticos – ameaças às 

liberdade civis, proposições etnonacionalistas, negacionismo 

científico e afrouxamento de regras ambientais –, podem 

ser identificados em diferentes países, como Hungria,  

com Orbán; Turquia, com Erdogan; Filipinas, com Duterte; 

Rússia, com Putin; e Brasil, com Bolsonaro (Löwy, 2019).

 Inspirado em certa redução da influência dos 

Estados Unidos no cenário internacional e na ameaça 

econômica representada pela China, o mote da campanha 

presidencial de Trump foi “Make America Great Again” 

o nacionalismo e a necessidade de reerguer a pátria. 

Tais elementos são amplamente reconhecidos como 

características fulcrais e indispensáveis ao fascismo 

(e.g. Griffin, 1991; Turner, 2019). É razoável que o líder 

de uma nação a tenha em alta conta, mas o que se viu 

na campanha de Trump e ao longo de seu mandato foi a 

exacerbação da ideia de nação como um mito, exatamente 

como Mussolini havia feito no século anterior: “Criamos 

o nosso mito. O mito é uma fé, uma paixão. . . . O nosso 

mito é a nação, o nosso mito é a grandeza da nação!”1 

(Konder, 2009, p. 36).

 Embora espere-se que um projeto de governo 

inclua políticas que zelem pelos interesses do país, Trump 

baseou o seu governo na afirmação de que os Estados 

Unidos são uma nação ameaçada que deve ser defendida 

ardorosamente, bem ao gosto de líderes fascistas do 

passado. Em um discurso realizado no dia 3 de julho 

de 2020, num evento comemorativo da independência 

dos Estados Unidos, em meio a aplausos e um acalorado 

público, Trump anunciou que:

 Nossos fundadores declararam ousadamente que nós 

somos todos dotados dos mesmos direitos divinos – 

dados a nós por nosso Criador no Céu. E o que Deus 

nos deu, não permitiremos a ninguém, nunca, tomar 

de nós – nunca . . . Nossa nação está testemunhando 

uma campanha impiedosa para varrer nossa história, 

difamar nossos heróis, apagar nossos valores e 

doutrinar nossas crianças. . . . Eles pensam que o povo 

americano é fraco e brando e submisso. Mas não,  

o povo americano é forte e orgulhoso, e ele não permitirá  

que nosso país, e todos os seus valores, história e 

cultura, sejam tomados dele (“Remarks…”, 2020).

 É importante diferenciar o uso da “nação” como 

mito capaz de unir uma coletividade a serviço de algo maior 

do que si mesma do conceito de “Estado”. As concepções 

do fascismo histórico e de Trump quanto ao Estado, como 

ente político organizativo de uma sociedade, são muito 

diferentes. Mussolini chegou a declarar que nada deveria 

haver fora do Estado. É claro que o Duce não se referia a 

um Estado popular, democrático ou socialista, mas sim 

a um Estado capitalista-corporativista e intervencionista 

que deveria se submeter a seus desígnios ditatoriais.  

O estatismo é um elemento primordial do fascismo 

histórico (Mann, 2008), sendo o Estado autoritário, avesso 

às premissas do liberalismo, um meio de consolidação 

do imaginário de nação.

 Na Europa do século passado, os movimentos 

fascistas surgiram em contraposição aos governos liberais, 

nos quais “esperava-se que a intervenção governamental 

se limitasse às poucas funções que os indivíduos não 

podiam desempenhar para si próprios” e que “os assuntos 

1 Tradução da fala original de Mussolini citada em Opera omnia 

(Vol. XVIII, p. 457).

 2

 Psicologia USP   I   www.scielo.br/pusp

3

 Donald Trump e o fascismo: uma análise inspirada na teoria crítica

 3

 econômicos e sociais fossem entregues ao livre jogo das 

escolhas individuais no âmbito do mercado” (Paxton, 

2008, p. 135). Trump não preconizou a interferência do 

Estado na economia de seu país. Ao contrário, defendeu o 

modelo neoliberal ao trabalhar para reduzir a participação 

do Estado em programas de saúde implementados pelo 

seu antecessor, reforçando a ideia de autorregulação dos 

mercados e de supressão de políticas sociais (Bianchi 

& Melo, 2018). Enquanto as lideranças do fascismo 

histórico são frutos da crise dos regimes liberais do 

início do século XX (Fromm, 1980; Mann, 2008), Trump 

surge no contexto de hegemonia neoliberal existente no 

mundo globalizado, reafirmando as premissas basilares 

do capitalismo financeiro em plano geopolítico, a despeito 

de algumas medidas protecionistas para favorecer o 

mercado estadunidense contra a concorrência externa.

 O ideário liberal, contra o qual o fascismo 

histórico se lançou, não repercute apenas nos modos 

de funcionamento das economias. Ele se assenta na 

ideia de liberdade individual como direito fundamental 

dos/as integrantes de uma dada sociedade. O fascismo 

histórico, ao contrário, preconiza a subordinação de 

cada homem e mulher ao “bem comum”, com estreita 

margem para escolhas livres e pessoais – o que o torna 

essencialmente antidemocrático. Trump não ameaçou 

abertamente as liberdades individuais e nem propôs 

institucionalmente restrições democráticas, mas 

buscou apagar a estrutura multicultural da sociedade 

estadunidense. Ao desqualificar as pessoas latinas, 

muçulmanas, asiáticas, negras e de outros segmentos 

populacionais vulneráveis, por contraste, acabou por 

delinear um modelo de cidadão/ã ideal, baseado em raça/

 cultura, acentuando o imaginário de poder da população 

branca e cristã, revitalizando as políticas segregacionistas 

que marcaram a história dos Estados Unidos.

 Outro inimigo do fascismo histórico foi o 

comunismo. Também nos Estados Unidos, durante a 

guerra fria, a retórica da ameaça comunista foi mobilizada 

por grupos de direita. Expoentes da política institucional, 

como o senador McCarthy, precedidos por religiosos, 

como Martin Luther Thomas, entre outros ativistas de 

extrema direita, tratavam os comunistas como “inimigos 

do povo” (Carone, 2002, p. 198), justificando políticas 

que suspendiam liberdades e direitos civis. Em seu 

período como presidente, no qual o comunismo não 

mais se configurava como ameaça, Trump elegeu as 

pessoas imigrantes, em especial muçulmanas e latinas, 

como inimigas dos valores de sua nação. E o fez de 

forma muito semelhante a seus antecessores de extrema 

direita, conforme se nota ao comparar sua retórica anti

imigração ao padrão da propaganda norte-americana 

do início do século XX (Adorno, 2015a; Carone, 2002). 

Ao alertar para os riscos de permitir a permanência 

de imigrantes indesejados/as no país, Trump inverteu 

os papéis de agressor e vítima. Segundo Iray Carone 

(2002), “o aspecto psicológico imanente à construção 

ideológica que converte o agressor em vítima ameaçada 

e a vítima em agressor, consiste em estimular e justificar 

a violência contra os out-groups, neles projetando o que 

deles se imagina” (p. 202).

 A respeito do vazio de argumentos que justificassem 

uma cruzada pró-americana nos discursos da extrema 

direita norte-americana do passado, Carone (2002) 

acrescenta: “a argumentação era substituída pelo artifício 

de nomear grupos, pessoas e raças como alvo de suas 

diatribes” (p. 205), exatamente como fez Trump em diversos 

discursos sobre imigrantes (e.g. Lind, 2019). Não é por acaso 

que o público-alvo desses discursos – “pessoas de baixa 

classe média, com pouca escolaridade, sujeitos de meia

idade ou idosos com profundas convicções religiosas de 

caráter fundamentalista ou sectário” (p. 199) – se assemelha 

ao público de seguidores/as mais fanáticos/as de Trump.

 Esses/as eleitores/as foram convencidos/as, como 

se deu no fascismo alemão e italiano do século passado, 

de que se tornaram “vítimas de um sistema de exploração 

internacional” (Konder, 2009, p. 37), e se sentiram impelidos/

 as a lutar contra o inimigo para buscar “uma restauração de 

algo do passado – uma revolução conservadora, a volta aos 

bons velhos tempos” (Carone, 2002, p. 208). Sendo assim, 

intencionalmente ou não, Trump agiu como um herdeiro 

genuíno da retórica e das tendências fascistas existentes 

em grupos da extrema direita estadunidense do século 

XX, ressentidos com os processos de democratização e 

o avanço dos movimentos por direitos civis para grupos 

historicamente excluídos e perseguidos.

 O personagem

 O fascismo é indissociável da figura de um líder 

capaz de sensibilizar uma massa de seguidores a cultuá-lo 

e apoiá-lo em suas pretensões. Foi isso que Trump fez 

ao incitar seguidores a invadirem o Capitólio em 6 de 

janeiro de 2021. Nesse dia, ele discursou para milhares de 

pessoas na capital estadunidense e insuflou uma multidão 

a marchar e, posteriormente, invadir violentamente o 

Congresso para tentar impedir o término da sessão que 

formalizaria a vitória de seu sucessor à presidência da 

república. Repetindo o slogan “Stop the Steal”, Trump 

enfatizou que as eleições foram fraudadas para “impedir 

sua esmagadora vitória”, mesmo sem qualquer evidência 

ou compromisso em provar essas graves acusações 

(“Trump’s…”, 2021).

 Theodor Adorno tratou sobre a retórica de líderes 

fascistas com maestria. Ele nos fala de uma atmosfera de 

agressividade emocional propositadamente promovida 

pelo líder, de uma reiteração constante de ideias, da 

necessidade de o líder atuar narcisicamente para permitir a 

identificação narcísica de seus seguidores (Adorno, 2015a). 

Tais características são frequentemente identificadas nos 

discursos de Trump e em suas constantes postagens nas 

redes sociais. Conforme enfatizado por Ruth Wodak 

(Jackson, 2021), foram 34 mil tweets disparados por 

Trump entre junho de 2015 e janeiro de 2021, nos quais 

circulou grande parte de sua propaganda – que privilegiou 

Psicologia USP, 2024, volume 35, e220050

 3

Ubirajara de None Caputo   & Henrique Araujo Aragusuku

 ambiente televisivo, o que prevaleceu foi a excelência 

4

 4

 a escandalização, a provocação, a violação de normas 

e a incitação ao ódio como formas de mobilização de 

seus apoiadores/as. Sobre isso, Adorno (2015a) afirma:

 O líder pode adivinhar os desejos e necessidades 

psicológicas daqueles suscetíveis à sua propaganda, 

porque os reflete psicologicamente e deles se 

distingue por uma capacidade de exprimir, sem 

inibições, o que é latente . . . a própria linguagem, 

desprovida de seu significado racional, funciona de 

uma forma mágica e favorece aquelas regressões 

arcaicas que reduzem os indivíduos a membros de 

multidões (p. 181).

 Assim como as massas do entreguerras elegeram 

líderes fortes, potencialmente capazes de restaurar a 

ordem, nos dias atuais, quase metade do eleitorado 

estadunidense tentou eleger Trump para um segundo 

mandato, cuja campanha baseou-se em um suposto 

mito da “restauração nacional” diante das ameaças 

de inimigos internos e externos, presumidos como 

sabotadores de valores verdadeiramente americanos. 

Uma parte desse eleitorado se identificou de forma tão 

absoluta com seu líder político que chegou a crer nas 

afirmações de Trump, mesmo sem qualquer tipo de 

evidência, de que a eleição havia sido fraudada e que 

isso justificaria uma insurreição violenta.

 É notável que o lema “Stop the Steal” tenha sido 

empregado de forma instrumental, como uma propaganda 

política sem qualquer compromisso com a verdade, tendo 

como objetivo final a mobilização de uma base social. 

Evidencia-se, assim, mais um elemento estruturante da 

ideologia fascista: a mentira como estratégia para construir 

uma realidade planejada (Arendt, 2012). Ao submeter a 

própria verdade a seu poder, o líder fascista pretende atingir 

os limites da dominação, e isso se torna possível, segundo 

Federico Finchelstein (2020), porque o que o líder diz ou 

faz torna-se mais importante do que os fatos. Conforme 

Jason Stanley (2018), “a política fascista troca a realidade 

pelos pronunciamentos de um único indivíduo. . . . Mentiras 

óbvias e repetidas fazem parte do processo pelo qual a 

política fascista destrói o espaço da informação” (p. 66).

 A personalidade e a história de vida de Trump 

estão longe de serem compatíveis com o exigido para 

um líder responsável por combater a corrupção e pela 

regeneração dos valores da nação. Enquanto ele dizia 

defender valores conservadores do povo americano 

oprimido pelo corrupto establishment, sua história era 

permeada por contradições. Como um bilionário do ramo 

da construção e celebridade televisiva, Trump faz parte 

da elite econômica dos Estados Unidos. Sua história é 

permeada por polêmicas, dentre elas, diversos casos 

de corrupção e más práticas empresariais, infidelidade 

conjugal e escândalos sexuais (e.g. Dickinson, 2018; 

Prokop, 2016). No entanto, tais incoerências não 

abalaram a sua influência política e sua capacidade de 

convencimento de milhões de pessoas. Assim como no 

na execução de um personagem, pois sua liderança não 

se sustentou na coerência de suas práticas, mas sim 

em sua performance como agitador e propagador de 

uma narrativa política. Em acordo com as reflexões 

de Adorno, esse elemento se assemelha à retórica de 

agitadores fascistas do início do século XX.

 Este caráter fictício é o elemento vital das 

performances da propaganda fascista. . . . O caráter 

fictício da oratória propagandista, o hiato entre a 

personalidade do locutor e o conteúdo e caráter de 

suas afirmações são atribuíveis ao papel cerimonial 

que ele assume e que dele se espera. Essa cerimônia, 

entretanto, é meramente uma revelação simbólica da 

identidade que ele verbaliza, uma identidade que os 

ouvintes sentem e pensam, mas não podem exprimir. 

A gratificação que eles obtêm da propaganda 

consiste muito provavelmente na demonstração dessa 

identidade. . . . Certamente podemos chamar este ato 

de identificação um fenômeno de regressão coletiva 

(Adorno, 2015b, p. 146).

 Desse modo, destacamos, a retórica fascista 

se sustenta em processos primários de identificação – já discutidos por Freud (2011) em seu texto sobre a 

psicologia das massas, retomado por Adorno (2015a) – em que a racionalidade das ações e a autonomia dos 

sujeitos é suspensa pelo culto à liderança que encarna 

valores e ideais superiores. Dentro dessa lógica, mentiras 

e afirmações não baseadas em evidências, sempre imersas 

em provocações e agitações, tornam-se práticas cotidianas 

no jogo político, pois a coerência da narrativa política 

não se dá por meio da racionalidade de suas proposições, 

mas através de processos de identificação. Isto é, pela 

evocação de uma identidade étnico-nacional idealizada 

e sempre em perigo.

 Inúmeras vezes Trump utilizou a expressão 

“we, the american people” ao mesmo tempo que se 

apresentava como o único e legítimo representante dos 

interesses desse coletivo (que se entende como um povo

nação). Em seus pronunciamentos, ele constantemente 

utilizou a estratégia retórica de afirmação de si – o amor 

a si próprio do narcisismo (Freud, 2011) – novamente 

recorrendo a declarações inverificáveis. Já em 2015, 

quando se lançou candidato à presidência, Trump 

afirmou: “eu sou o único que pode fazer a América 

verdadeiramente grande novamente”. Ao longo dos 

seus quatro anos de presidência, declarações como 

“eu sou o único”, “sou o melhor” e “ninguém sabe 

mais do que eu” foram utilizadas com frequência em 

seus discursos, como uma forma de autoafirmação 

de sua autoridade (NowThis News, 2019; Vice News, 

2020). Mesmo as afirmações mais absurdas, como 

“ninguém sabe mais sobre o Estado Islâmico que eu” e 

“sou o melhor presidente para as pessoas negras desde 

Abraham Lincoln [que aprovou o fim da escravidão em 

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 Psicologia USP   I   www.scielo.br/pusp

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 Donald Trump e o fascismo: uma análise inspirada na teoria crítica

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 1863]”, eram ouvidas com naturalidade e concordância 

por seus/suas eleitores/as.

 Como evidenciado por Adorno (2015b), “o agitador 

fascista é usualmente um exímio vendedor de seus próprios 

defeitos psicológicos. Isso somente é possível devido a 

uma similaridade estrutural geral entre seguidores e 

líder” (p. 144). Em uma espécie de narcisismo coletivo, 

Trump corporificou a grandeza e infalibilidade da “nação 

americana”, angariando fervorosos/as seguidores/as que 

entregaram suas vidas e suas individualidades para uma 

causa maior e para a defesa da nação.

 O movimento MAGA

 O fascismo não se constitui apenas por uma retórica 

promovida por lideranças, agitadores e propagandistas, 

mas também por um movimento que mobiliza pessoas 

em ações políticas. Como agitadores fascistas convencem 

uma parcela significativa da população de que suas ideias 

políticas, geralmente incoerentes e irracionais, devem ser 

seguidas? Quais os mecanismos sociais e psicológicos 

que tornam possível a emergência de um movimento 

fascista de massas?

 Existem diferenças importantes entre o contexto 

sociopolítico em que Trump presidiu os EUA e o da Europa 

do entreguerras, o que dificulta qualquer tipo de analogia 

direta e explícita (Bianchi & Melo, 2018). Entretanto, 

existem notáveis semelhanças entre as estratégias 

retóricas utilizadas por Trump enquanto líder político e 

as propagandas fascistas do século XX. Em relação ao 

caráter de seus/suas seguidores/as, também é possível 

traçar alguns paralelos a partir das discussões sobre os 

aspectos sociopsicológicos do fascismo histórico (Adorno, 

2015a; Fromm, 1980).

 Desde que se lançou como candidato à 

presidência dos Estados Unidos, Trump organizou em 

torno de si um potente movimento comprometido com 

sua eleição – e, posteriormente, reeleição – e com a 

defesa intransigente de sua liderança: o “Make America 

Great Again (MAGA)”. Slogans desse movimento 

foram estampados em camisetas, bonés e bandeiras, 

os quais se tornaram importantes elementos de 

autoidentificação e unificação de seus/suas seguidores/

 as. A lealdade intransigente a esse movimento foi 

enfatizada por diversos meios de comunicação e pelo 

próprio Trump em um comício de campanha, em 2016, 

quando afirmou que “eu poderia parar no meio da 

Fifth Avenue [movimentada via de Nova York] e atirar 

em alguém, e eu não perderia nenhum eleitor” (CNN, 

2016), seguido por risadas e ovações do público que 

lhe assistia. De fato, a lealdade a esse movimento foi 

testada nas eleições de 2020, quando Trump recebeu 

74 milhões de votos (em torno de 47% do total de 

votos) graças à mobilização de suas bases eleitorais.

 No entanto, há muitas diferenças entre o movimento 

pró-Trump e o fascismo histórico. De modo distinto aos 

movimentos fascistas do século XX, não existiu unidade 

política e nem estrutura centralizadora no MAGA. 

Trump atuou por meio do Partido Republicano, porém 

não se ateve às decisões de seus organismos de direção. 

Ao contrário, procurou sempre impor suas decisões ao 

partido, recorrendo constantemente ao conflito direto com 

as principais lideranças partidárias quando contrariado. 

Diferentemente do fascismo histórico (Mann, 2008; 

Paxton, 2008), não houve unidade entre movimento, 

partido e liderança e, principalmente, não houve organismo 

paramilitar responsável pela operação da violência política. 

Apesar da existência de diversos grupos paramilitares pró

Trump – muitos responsáveis pela organização da invasão 

do Capitólio –, estes atuaram de forma independente às 

estruturas do Partido Republicano e à liderança de Trump. 

Sendo assim, o modo de operar do movimento político 

que sustentou Trump difere significativamente de seu 

correspondente no fascismo histórico.

 Por outro lado, quando analisamos os mecanismos 

sociopsicológicos e as motivações que unificaram os/as 

seguidores/as de Trump em um movimento, algumas 

analogias são possíveis. Em suas teses sobre a psicologia 

do fascismo, Erich Fromm (1980) defendeu que fatores 

sociológicos relacionados à emergência do capitalismo –  

em especial, a expansão da liberdade individual e a 

desestruturação da ordem e da autoridade tradicional – 

produziram efeitos em nível psicológico, como o aumento 

da percepção da insegurança existencial e do desamparo 

social, que modificaram a relação dos sujeitos com o 

mundo. Atuante no plano político, o fascismo histórico 

surgiu em reação às incertezas e inseguranças do mundo 

moderno, tratando-se de uma resposta à universalização 

do individualismo (desagregador e desamparador) 

promovida pelo capitalismo e pelo liberalismo.

 Fromm (1980) descreve dois mecanismos 

psicológicos que atuam como recursos para a fuga das 

incertezas geradas pela modernidade, podendo fazer as 

pessoas aderirem aos movimentos fascistas. O primeiro 

mecanismo é a renúncia do próprio ego individual e a sua 

fusão a algo maior (uma liderança ou uma causa), suprindo 

a impotência do eu perante o mundo. Trata-se de uma 

forma de controle das ansiedades por meio da submissão 

a uma autoridade ou identidade que promove estabilidade, 

ordem e controle. O segundo é o da destrutividade, 

isto é, a busca pela destruição dos objetos (podem ser 

grupos, pessoas, ideias etc.) considerados responsáveis 

pela insegurança e impotência perante o mundo.  

A destruição das ameaças produziria assim um mundo 

mais seguro e menos incerto. Ambos os mecanismos 

atuaram em conjunto no caso do fascismo histórico: 

“o indivíduo sobrepuja o sentimento de insignificância 

em comparação com o poder esmagador do mundo 

exterior, seja renunciando à sua integridade individual, 

seja destruindo outros de maneira que o mundo deixe 

de ameaçá-lo” (p. 150).

 Adorno (2015a) também descreve alguns 

mecanismos psicológicos capazes de fazer as pessoas 

aderirem a movimentos fascistas; esses mecanismos 

Psicologia USP, 2024, volume 35, e220050

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Ubirajara de None Caputo   & Henrique Araujo Aragusuku

 massa de pessoas aparentemente indiferentes,  

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 estruturam traços de personalidade que os tornam o que o 

autor, ao tratar sobre a personalidade autoritária, chamou 

de indivíduos potencialmente fascistas (Adorno, Frenkel

Brunswik, Levinson, & Sanford, 1950). Para ele, existe 

uma dinâmica entre submissão e agressividade que torna a 

retórica da liderança fascista verdadeiramente eficaz para 

o seu público-alvo, na qual “a imagem do líder satisfaz 

o duplo desejo do seguidor em se submeter à autoridade 

e ser ele mesmo a autoridade” (Adorno, 2015a, p. 172). 

Desse modo, há um ganho narcísico aos/às adeptos/as 

dos movimentos fascistas por meio da identificação de 

si em um coletivo que transcende o eu individual, com a 

elevação da autoestima e a idealização das características 

do in-group. Em contrapartida, intensificam-se as 

hostilidades contra o out-group, com o direcionamento de 

toda a agressividade a ameaças imaginárias (geralmente 

grupos minoritários e oprimidos) que desestabilizam a 

identidade transcendente idealizada.

 No caso do MAGA, é evidente que tais mecanismos 

psicológicos atuaram no processo de mobilização política, 

seja pela intransigente submissão desse movimento à 

autoridade de Trump e à idealização de uma identidade 

nacional pura e transcendente (“os verdadeiros americanos”) 

ou pela agressividade extrema direcionada aos grupos que 

ameaçam essa autoridade e identidade (imigrantes, latinos, 

mulçumanos, negros etc.). Se por questões de estrutura 

organizacional é indevido identificar o movimento pró

Trump com fascismo per se, não é difícil visualizar suas 

tendências fascistas.

 Fascismo no século XXI?

 Respeitados os diferentes contextos econômicos, 

políticos e sociais, analistas sociais de todo o mundo 

(e.g. Bull, 2012; Foster, 2017; Löwy, 2019) apontam 

alguns motivos para o fortalecimento de movimentos 

de extrema direita capazes de pavimentar o caminho 

para a implementação de governos de característica 

fascista. Alguns desses motivos são: enfraquecimento dos 

movimentos de esquerda após a queda do muro de Berlim, 

avanço do neoliberalismo com supressão de políticas 

sociais e aumento da insegurança material, reação 

ao processo de globalização, aumento do sentimento 

de ameaça em razão da ação de grupos extremistas e 

imigração em massa de refugiados de guerras.

 Os eleitores de Trump e de partidos de extrema 

direita fora dos Estados Unidos guardam semelhanças 

entre si e com aqueles que levaram os regimes fascistas 

do início do século XX ao poder. De acordo com Hannah 

Arendt (2012),

 Potencialmente, as massas existem em qualquer 

país e constituem a maioria das pessoas neutras e 

politicamente indiferentes. . . . Em sua ascensão, 

tanto o movimento nazista na Alemanha quanto 

os movimentos comunistas na Europa depois 

de 1930 recrutaram os seus membros entre uma 

que todos os outros partidos haviam abandonado 

por lhes parecerem demasiado apáticas ou estúpidas 

para lhes merecerem a atenção. Isso permitiu a 

introdução de métodos inteiramente novos de 

propaganda política . . . (p. 439).

 Decerto, Arendt referia-se à pesada máquina de 

propaganda nazifascista, a qual se utilizou sobretudo 

da tecnologia radiofônica, ao citar novos métodos 

de propaganda política. Sobre isso, Adorno (2015a) 

escreveu:“[a propaganda fascista] é psicológica por causa 

de seus objetivos irracionais e autoritários, que não 

podem ser alcançados por meio de convicções racionais,  

mas somente através do despertar habilidoso de ‘uma parte 

da herança arcaica do sujeito’” (p. 165). “O que acontece 

quando massas são subjugadas pela propaganda fascista 

[é] uma revitalização quasi-científica de sua psicologia. . . . 

A psicologia das massas foi apropriada por seus líderes e 

transformada em meio para dominação” (p. 186).

 Nos dias atuais, não há dúvidas de que novas 

estruturas têm sido intensamente utilizadas para 

disseminar mensagens de cunho fascista. Aos meios 

de comunicação de massa corporativos, como redes de 

televisão e grande imprensa, junta-se a contribuição 

de recursos telemáticos (sistemas de comunicação 

imediata e de longa distância), que se constituem numa 

importantíssima arena de disputa ideológica. Usuários/

 as das redes sociais disseminam suas próprias versões 

sobre os acontecimentos e opinam obstinadamente sobre 

tudo e todos. A presumida possibilidade de anonimato,  

a sensação de plena liberdade para manifestar-se,  

a busca por reconhecimento, o descomprometimento com 

a verdade e a argumentação incipiente e superficial são 

alguns fatores que tornam as redes sociais ambientes 

propícios ao desmonte da racionalidade. Por meio delas, 

trafega instantaneamente imensurável quantidade de 

informações, dificultando um olhar consequente e 

apurado sobre elas e esmaecendo suas fronteiras com a 

realidade. O quadro se agrava quando as interações entre 

usuários/as são interpeladas por robôs e algoritmos que 

selecionam conteúdos de reforço, evitando a reflexão 

crítica e o contraditório.

 Maik Fielitz e Holger Marcks (2019) descreveram 

a gramática da propagação de ideias da extrema direita 

contemporânea, constituinte do que denominam fascismo 

digital: uma variação do fascismo que não precisa de 

partidos, pois utiliza a estrutura do mundo digital para 

sua dinâmica. Segundo os autores, a internet tornou-se 

um território usado pela extrema direita para minar 

as sociedades democráticas, usando uma concepção 

ampliada de liberdade de expressão. As estruturas 

comunicacionais disponíveis nas redes sociais permitem a 

disseminação de discursos de intolerância, com conteúdos 

misóginos, LGBTfóbicos, racistas, xenófobos etc., cujos/

 as autores/as, quando confrontados/as, alegam ser vítimas 

de intolerância e terem sido alijados de sua liberdade de 

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 Donald Trump e o fascismo: uma análise inspirada na teoria crítica

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 expressão. Trata-se de uma estratégia discursiva à qual 

Fielitz & Marks (2019), recorrendo à formulação liberal 

de Karl Popper, denominam reedição do paradoxo da 

tolerância. Isto é, tais grupos se utilizam da liberdade de 

expressão para serem intolerantes, atacando a liberdade 

de grupos minoritários ou destituídos de poder e, em 

última instância, minando a própria democracia e a 

liberdade geral.

 Outra retórica largamente utilizada pela extrema 

direita por meio das redes sociais é o discurso do medo. 

Segundo Rebecca Lewis (2018), a extrema direita 

desenvolveu um sistema para descontextualizar fatos a 

fim de fazer sua audiência se sentir, em termos pessoais 

ou como sociedade, alvo potencial de um perigo iminente. 

Por exemplo, a notícia de que uma mulher foi atacada 

por um imigrante em um país distante pode basear uma 

mensagem como: “É urgente proteger nossas mulheres 

e crianças dos imigrantes”. Roger Griffin (1991) alerta 

para o fato de quase todos os estudos sobre a extrema 

direita atribuírem a ela o medo como estratégia política 

porque a ideia de uma sociedade ameaçada pode suscitar 

uma solução autoritária.

 As mensagens que consubstanciam os discursos 

utilizados pela extrema direita têm origem em uma 

postagem de um/a líder, ou simplesmente numa fala pública 

que lança um tema a ser “trabalhado”. Os/as apoiadores/as 

fiéis – também chamados ativistas digitais ou influencers – formulam mensagens que serão disseminadas “por 

enxame”, utilizando a estrutura ramificada das redes 

sociais. Para terem maior impacto, essas mensagens são 

concebidas para serem consumidas rapidamente, com 

conteúdo simples e direto, de caráter visual (memes) e 

com apelo dramático (Fielitz & Marks, 2019).

 Como redes sociais são remuneradas por 

publicidade, isto é, proporcionalmente à atenção que 

conseguem captar de seus bilhões de usuários, influencers 

se beneficiam economicamente do alcance de suas 

postagens e têm milhões de seguidores/as, os quais muitas 

vezes não se dão conta de que estão cooperando com 

uma dinâmica fascista. Os algoritmos de aproximação de 

usuários/as das redes sociais auxiliam o recrutamento de 

seguidores/as, pois permitem encontrar quem concorde 

com suas ideias e dão a sensação de que muitas pessoas 

estão ouvindo (Neiwert, 2017). As milhões de replicações 

de uma mensagem falaciosa tendem a fazê-la ser 

aceita como verdade, inibindo que o contraditório seja 

ouvido e confundindo a percepção de quem são seus/

 suas reais emissores/as. Diferentemente das estruturas 

comunicacionais utilizadas pelo fascismo histórico, 

no qual poucos/as emissores/as se dirigiam a muitos/

 as receptores/as, na era do fascismo digital (Fielitz & 

Marks, 2019), as mensagens originárias podem ir sofrendo 

ajustes à medida que são compartilhadas por múltiplos/

 as emissores/as, os quais passam a ser, de certo modo, 

seus/suas coautores/as.

 A manipulação é vital para o fascismo digital. 

Mensagens ambíguas e imprecisas causam confusão 

sobre o que é a realidade, passando a impressão de que 

ela pode ser reinterpretada mesmo sem qualquer tipo de 

evidência (pós-verdade, fake news, realidade alternativa 

etc.). Ficou célebre o risível episódio em que o secretário 

de imprensa estadunidense, Sean Spicer, mentiu ao dizer 

que a tomada de posse de Trump bateu todos os recordes 

de participantes. Ao ser desmentido por inúmeros veículos 

de imprensa por meio de imagens inquestionáveis do 

evento, a porta-voz da Casa Branca, Kellyanne Conway, 

disse que o secretário apenas havia manifestado “fatos 

alternativos” (Jaffe, 2017). A manipulação de informações 

também foi usada pelo fascismo histórico e, por isso, 

foram desenvolvidos mecanismos de controle, tais como 

jornalismo profissional e rigor ético na produção de 

conhecimento (Fielitz & Marks, 2019).

 Redes sociais são empreendimentos comerciais que 

movimentam trilhões de dólares e congregam bilhões de 

usuários/as. Ao serem questionadas sobre o uso pernicioso 

às sociedades democráticas das estruturas comunicacionais 

das redes sociais, as empresas responsáveis costumam 

argumentar que as redes são territórios livres nos quais 

todos/as podem se expressar em igualdade de condições. 

Entretanto, é preciso considerar que a racionalidade fascista 

não se atém aos limites éticos. No fascismo digital, segundo 

Fielitz e Marks (2019), a verdade não importa. As mensagens 

podem ser manipuladas para se tornarem dramáticas,  

com forte apelo emocional, pois assim se disseminam mais 

facilmente (Soroka, Young, & Balmas, 2015). Segundo 

Zeynep Tufekci (2017), política não se faz só com a razão, 

e o papel do líder de extrema direita é fazer funcionar em 

seu benefício “essa máquina emocional” – as redes sociais.

 Entre os vários elementos envolvidos na psicologia 

das massas e na propaganda fascista – tais como vínculo 

entre os membros da “horda fraterna”, identificação 

narcísica, primazia da forma sobre o conteúdo discursivo, 

gratificação pela rendição à massa e renúncia da 

individualidade, hostilidade ao out-group etc. (Adorno, 

2015a, 2015b; Fromm, 1980) –, há um que se destaca pela 

grande importância: o apelo à violência. De acordo com 

Adorno (2015a), “[há um] potencial atalho de emoções 

violentas a ações violentas enfatizado por todos os 

autores da psicologia de massa” (p. 161). Foi o que se 

viu na violenta invasão do Capitólio, possibilitada pela 

mobilização nas redes sociais, quando foi consumada a 

derrota de Trump para um segundo mandato. Para Robert 

Paxton (2021), reconhecido especialista no fascismo 

histórico europeu, esse episódio foi um importante ponto 

de virada em seu entendimento sobre o fascismo de 

Trump: “Eu hesitei em chamar Donald Trump de fascista. 

Até agora”, escreveu poucos dias após o evento.

 Considerações finais

 O fascismo italiano originário pode ser visto como 

uma ideologia para justificar um projeto de poder tido 

como necessário para defender a nação e reconduzi-la 

a um passado glorioso. Sobre essa ideia seminal, 

Psicologia USP, 2024, volume 35, e220050

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Ubirajara de None Caputo   & Henrique Araujo Aragusuku

 ameaçadores, causa erosão no entendimento intersubjetivo 

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 durante o século passado, outros movimentos políticos 

se desenvolveram, chegaram ao poder e operaram por 

meio de extrema violência. Segundo os autores evocados 

neste ensaio, o fascismo é notadamente fortalecido por 

nossa vocação intrínseca à autopreservação.

 A partir do século XX, o exercício do poder, 

que nos séculos anteriores podia ser discricionário, 

passou a depender de eleições populares e, portanto,  

do convencimento das massas. Para isso, o método 

utilizado pelo fascismo é a propagação do medo para 

agregar multidões e emprestar uma noção ética ao uso 

da força. Neste século XXI, testemunhamos partidos 

conservadores de extrema direita tentando reeditar 

métodos do fascismo, adaptando-os a novos contextos 

socioeconômicos e informacionais. A veiculação maciça 

de tipos de discurso utilizados pela extrema direita, 

muitas vezes simplistas, manipulados, dramáticos e 

sobre o que é a verdade. Por isso, torna-se indispensável 

repensar estruturas que disseminam mentiras, produzem 

intolerância e alimentam as tendências fascistas de 

determinado grupo de pessoas.

 Mas se é possível explorar as disposições 

psicológicas para o fascismo, presentes em todos/as 

nós, seria possível estimular a solidariedade e o respeito 

à diversidade? Se sim, como? Sabe-se que, apesar de 

nossa tendência à autoconservação, é possível acatar as 

necessidades do out-group como legítimas e, em alguma 

medida, sentirmo-nos comprometidos/as coletivamente 

com elas. Essa possibilidade, no sentido oposto ao da 

propaganda fascista, implica evocar o respeito à diferença, 

à justiça social, à razão crítica, ao método científico, 

e a capacidade de mobilizar-se em favor do outro.  

Se efetivada, marcará o futuro de nossa civilização.

 Donald Trump and fascism: an analysis inspired by critical theory

 Abstract: Donald Trump’s actions during his presidency calls for an investigation regarding possible similarities between him 

and fascist leaders of the past. This essay is reflects on Trump’s political actions inspired by discussions on fascist psychology and 

propaganda within Critical Theory. Although Trump may escape the category of a classic fascist leader, mainly due to the different 

historical contexts, the similarities between his political strategies and those of 20th-century fascist agitators is undeniable. 

Moreover, his politics mobilize socio-psychological elements that date back to the emergence of historical fascism, such as 

identification with an idealized and transcendent identity, submission to a superior authority or cause, and aggressiveness 

directed to out-group threats.

 Keywords: fascism, critical theory, digital fascism, social psychology.

 Donald Trump y el fascismo: un análisis inspirado en la teoría crítica

 Resumen: La actuación de Donald Trump durante el período en el que fue presidente de los Estados Unidos plantea la posibilidad 

de investigar posibles similitudes entre los líderes fascistas del pasado y él. El propósito de este ensayo es presentar reflexiones 

sobre la actuación política de Trump inspiradas en discusiones sobre psicología y propaganda fascista en teoría crítica. Si bien 

parece imposible ver a Trump como un líder fascista clásico, principalmente debido a contextos históricos muy diferentes, 

también es imposible ignorar el nexo entre sus estrategias políticas y el modus operandi de los agitadores fascistas en el siglo 

XX. Además, es innegable que su política moviliza elementos sociopsicológicos que se remontan al análisis del surgimiento 

del fascismo histórico, como la identificación con una identidad idealizada y trascendente, la sumisión a una autoridad o causa 

superior, y agresividad dirigida a amenazas del out-group.

 Palabras clave: fascismo, teoría crítica, fascismo digital, psicología social.

 Donald Trump et le fascisme : une analyse inspirée de la théorie critique

 Résumé: Les actions de Donald Trump au cours de sa présidence appellent une enquête sur les similitudes possibles entre lui et 

les leaders fascistes du passé. Cet essai réfléchit aux actions politiques de Trump en s’inspirant des discussions sur la psychologie 

et la propagande fasciste au sein de la Théorie Critique. Bien que Trump puisse échapper à la catégorie de leader fasciste 

classique, principalement en raison de contextes historiques très différents, les similitudes entre ses stratégies politiques et celles 

des agitateurs fascistes du XXe siècle sont indéniable. En outre, sa politique mobilise des éléments socio-psychologiques qui 

remontent à l’émergence du fascisme historique, tels que l’identification à une identité idéalisée et transcendante, la soumission 

à une autorité ou à une cause supérieure, et l’agressivité dirigées vers les menaces du out-group.

 Mots-clés: fascisme, théorie critique, fascisme numérique, psychologie sociale.

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 Donald Trump e o fascismo: uma análise inspirada na teoria crítica

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 Referências

 Adorno, T. W. (2015a). A teoria freudiana e o padrão da 

propaganda fascista. In T. W. Adorno, Ensaios sobre 

psicologia social e psicanálise (pp. 153-189). São Paulo, 

SP: Editora Unesp.

 Adorno, T. W. (2015b). Antissemitismo e propaganda 

fascista. In T. W. Adorno, Ensaios sobre psicologia 

social e psicanálise (pp. 137-152). São Paulo, SP: 

Editora Unesp.

 Adorno, T. W., Frenkel-Brunswik, E., Levinson, D. J., & 

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 Recebido: 22/01/2021

 Revisado: 20/04/2022

 Aprovado: 05/07/2023.                   O artigo do autores  Ubirajara de None Caputoa  e Henrique Araujo Aragusukua 

O populismo é uma estratégia política que se baseia na mobilização do apoio popular por meio de um discurso que divide a sociedade entre o "povo virtuoso" e as "elites corruptas". Caracterizado por uma retórica anti-establishment, essa abordagem constrói uma identidade de grupo em torno de um líder forte, que se apresenta como o verdadeiro representante dos anseios da população. 
Características principais
Divisão maniqueísta: O discurso populista cria uma oposição moral e política entre "o povo", visto como homogêneo e puro, e "as elites", retratadas como corruptas e egoístas.
Liderança carismática: A figura central é um líder forte e carismático, que se posiciona como a única voz autêntica do povo. Ele estabelece uma relação direta com as massas, frequentemente por meio de discursos emocionais e comunicativos.
Anti-elitismo: A retórica populista ataca o sistema político tradicional e as instituições estabelecidas, alegando que elas não servem aos interesses do povo. Isso pode incluir críticas à mídia, ao Judiciário e a outros poderes.
Polarização: Ao opor o povo à elite, o populismo tende a gerar polarização na política, tornando difícil o diálogo e a busca por consenso. 
Populismo e ideologias
O populismo não é uma ideologia completa, mas sim uma estratégia que pode se associar tanto à esquerda quanto à direita do espectro político, adaptando seu discurso às pautas de cada vertente. 
Populismo de esquerda: Tende a focar em questões socioeconômicas, opondo o "povo" — frequentemente trabalhadores e classes mais pobres — a elites econômicas e políticas. Busca redistribuição de renda e critica o sistema hegemônico.
Populismo de direita: Muitas vezes se concentra em temas de identidade nacional, cultura e ordem social, opondo o "povo" a elites liberais e globalistas, além de grupos minoritários ou imigrantes. Foca na soberania nacional e valores tradicionais. 
O populismo na América Latina e no Brasil
Na América Latina, o populismo foi um fenômeno marcante no século XX, impulsionado pela industrialização e urbanização. No Brasil, Getúlio Vargas é um dos principais exemplos, ao usar o rádio para se comunicar diretamente com as massas e apresentar-se como o "pai dos pobres". 
Críticas e ameaças
Embora possa mobilizar o apoio de grupos insatisfeitos, o populismo é frequentemente criticado por enfraquecer as instituições democráticas. Ao deslegitimar a oposição e concentrar poder na figura do líder, pode levar a retrocessos na democracia e a um governo mais autoritário. Além disso, o discurso que simplifica problemas complexos pode dificultar a formulação de políticas públicas eficazes. 

populismo de direita e esquerda
O populismo de direita e o de esquerda compartilham características estruturais, como a retórica de oposição "povo bom versus elite corrupta" e a centralização em uma liderança carismática. No entanto, eles se distinguem por suas bases ideológicas, estratégias e nas propostas políticas que defendem. 
Características compartilhadas
Apesar das diferenças ideológicas, ambos os populismos empregam táticas semelhantes para mobilizar apoio:
Retórica maniqueísta: Dividem a sociedade em dois grupos opostos: o "povo", descrito como virtuoso e sofredor, e a "elite", retratada como corrupta, egoísta e inimiga do bem-comum.
Liderança carismática: Centralizam a figura do líder, que se apresenta como o único capaz de interpretar e realizar a "vontade do povo", frequentemente se colocando como um "outsider" que combate o sistema.
Polarização e emoção: Utilizam discursos que buscam polarizar a sociedade, apelando a emoções como medo e raiva para desqualificar adversários e fortalecer a lealdade de seus seguidores.[
Ceticismo com as instituições: Expressam desconfiança em relação a instituições democráticas, como o judiciário, a imprensa e o congresso, que seriam supostamente manipuladas pela elite. 
Populismo de direita
As raízes ideológicas da direita populista são frequentemente associadas ao nacionalismo, conservadorismo social e uma postura anti-globalista. Suas principais características incluem: 
Nacionalismo e xenofobia: Promovem um forte nacionalismo, definindo o "povo" de forma excludente, muitas vezes com base em etnia ou cultura. Isso frequentemente vem acompanhado de retórica xenófoba e anti-imigração.
Oposição à globalização: Critica as instituições de governança global e os acordos internacionais, que seriam prejudiciais aos interesses nacionais e à soberania.
Conservadorismo social: Defende a manutenção da ordem social tradicional e valores considerados conservadores, combatendo o "politicamente correto" e outras pautas progressistas.
Neoliberalismo econômico: Embora possa adotar retóricas anti-elite, em muitos casos, não se opõe de fato ao neoliberalismo econômico, mas sim a certos aspectos que considera prejudiciais aos interesses nacionais. 
Populismo de esquerda
O populismo de esquerda é baseado em uma defesa por maior igualdade social e na crítica ao sistema neoliberal. Suas principais características incluem: 
Luta contra a oligarquia: Aponta as oligarquias e o capital financeiro como a verdadeira elite inimiga do "povo", e não as minorias ou imigrantes.
Aprofundamento da democracia: Defende um projeto de radicalização, aprofundamento e ampliação da democracia, visando maior participação popular e igualdade.
Anti-neoliberalismo: Posiciona-se contra as políticas neoliberais, defendendo maior intervenção estatal, políticas sociais e redistribuição de renda.
Pluralismo social: Diferente do populismo de direita, a esquerda populista geralmente busca unificar a voz de grupos populares e movimentos sociais, sem um critério excludente de nacionalidade ou etnia. 
Contexto atual
No cenário político contemporâneo, o populismo de direita tem ganhado destaque em várias partes do mundo, em parte por explorar o sentimento de descontentamento com a globalização e a perda de empregos na indústria, além de utilizar as redes sociais para disseminar suas narrativas. 
Por outro lado, o populismo de esquerda, embora presente, enfrenta desafios para se apresentar como "anti-sistema" em países onde já esteve no poder, dificultando a mobilização de massas com a mesma intensidade de alguns líderes de direita. Ambos os fenômenos contribuem para a polarização política e, em suas manifestações mais extremas, representam um risco para as instituições democráticas. Segundo o Sociólogo, Mestre e Doutor Cesar Portantiolo Maia, no Quarto Período da Habilitação em Jornalismo na Comunicação Social, pelas Faculdades Integradas Alcântara Machado (FIAAM FAAM).
O populismo de Direita avança em nivel global. Infelizmente. 

                 Donald Trump  se tornou uma liderança nacional nos Estados Unidos ao consolidar sua imagem pública fora do sistema político tradicional, culminando em sua eleição presidencial em 2016 e na criação do movimento "Make America Great Again" (MAGA). Ele transformou o Partido Republicano em uma força de base populista e personalista. Os principais fatores que impulsionaram sua ascensão ao topo da política americana incluem: Fama como Magnata e Celebridade: Construiu notoriedade nacional nas décadas de 1970 e 1980 no setor imobiliário de Nova York. Ele expandiu a marca "Trump" globalmente por meio de livros como A Arte da Negociação e, principalmente, ao apresentar 14 temporadas do reality show O Aprendiz, projetando a imagem de um gestor de sucesso implacável.Discurso como Outsider Político: Posicionou-se como alguém de fora de Washington que não dependia do financiamento de grandes corporações. Esse discurso atraiu eleitores desiludidos com o establishment político tradicional de ambos os partidos.Apelo Nacionalista e Populista: Canalizou as insatisfações da classe trabalhadora branca e de regiões industriais afetadas pela globalização. Suas promessas focavam no protecionismo econômico, na segurança de fronteiras e no combate à imigração ilegal. Uso Direto das Redes Sociais: Ignorou os filtros da imprensa tradicional ao utilizar redes como o Twitter de forma agressiva e direta. Isso permitiu que ele ditasse a pauta do debate público e mantivesse conexão direta com sua base de apoiadores. Exploração do Movimento "Birtherism": Ganhou forte tração na base conservadora entre 2011 e 2012 ao questionar publicamente o local de nascimento do então presidente Barack Obama, tornando-se uma voz proeminente da ala mais à direita do país.Vitória Eleitoral de 2016: Consolidou sua liderança nacional ao vencer as primárias republicanas contra políticos experientes e derrotar a candidata democrata Hillary Clinton no Colégio Eleitoral. Essa vitória deu a ele o controle ideológico do partido.Resiliência e Reconexão: Mesmo após deixar o cargo em 2021, ele manteve sua influência como a figura central da oposição. Trump manteve o controle sobre o Partido Republicano e assegurou seu retorno à liderança nacional ao vencer as eleições presidenciais de 2024 contra Kamala Harris.Fascistas mantém sua base eleitoral . Mundo agora .           Confira a notícia no Portal G1 da Rede Globo .https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/08/17/aprovacao-de-trump-bate-recorde-negativo-e-chega-a-33percent-diz-pesquisa.ghtml.

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                E assim caminha a humanidade.

Imagem ; BBC News.







 

 

 

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