terça-feira, 30 de junho de 2026

Máquina politica . Corrupção



BOLSONARISMO, O NOVO FASCISMO 

 BRASILEIRO 

1. CONTEXTUALIZAÇÃO 

As pesquisas e a bibliografia consagradas dedicadas ao tema dos novos 

populismos de direita e de extrema-direita nos últimos anos é já respeitável. Em 

volume, em qualidade e em variedade de abordagens e de perspectivas teóricas 

e políticas, é possível falar de um novo corpo de conhecimento consolidado em 

matéria de reflexão política, ao mesmo tempo interdisciplinar (ciência política, 

filosofia, história, sociologia, economia), especializado, e de grande interesse 

público. Como as Democracias Morrem, de Steven Levitsky e Daniel Ziblatt, 

e Como a Democracia Chega ao Fim, de David Runciman, além de O Povo 

contra a Democracia, de Yascha Mounk, são apenas alguns dos exemplos de 

êxito popular. 

Na academia, pesquisadores se amparam em dados para apontar para o 

que chamaram de recessão democrática1 ou, em alusão à terceira onda de 

democratização de Huntington2, de terceira onda de autocratização3. 

Independentemente do nome, esse tem sido um movimento gradual, 

caracterizado por um redobrado autoritarismo de ditaduras, uma tendência de 

países da “zona cinzenta” democrática de decaírem para autocracias e uma 

crescente disfuncionalidade e perda de autoconfiança por parte de democracias 

estabelecidas. Isso é corroborado tanto por índices que medem o nível de 

democracia no mundo calculados por organizações como Freedom House4, The 

1Cf. DIAMOND, Larry. Facing Up to the Democratic Recession. Journal of Democracy, 26, 2015, pp. 

141-155 

2Cf. HUNTINGTON, Samuel. The third wave: Democratization in the Late Twentieth Century, 

University of Oklahoma Press, 1993 

3Cf. LÜHRMANN, Anna; LINDBERG, Staffan. A third wave of autocratization is here: what is new 

about it? Democratization, 26, 7, 2019, pp. 1095-1113 

4https://freedomhouse.org/report/freedom-world 

Economist Intelligence Unit5 e V-Dem6, quanto por pesquisas feitas por 

instituições como o Pew Research Center, que revelam que, mesmo que em 

teoria apoiem a democracia, as pessoas nem sempre demonstram 

comprometimento com seus princípios e estão mais insatisfeitas com o seu 

funcionamento, sendo essa insatisfação correlacionada com uma frustração 

com as elites políticas7. 

Como se vê, o fenômeno vem de par com importantes reflexões acerca 

da natureza, do atual estado, da grave crise e dos desafios contemporâneos da 

democracia, especialmente da assim chamada democracia liberal (em contraste 

com o que Zakaria definiu como “democracia iliberal”8). Tema de interesse 

quase permanente, pode-se constatar que desde o início da década passada a 

produção sobre o assunto vem crescendo, e fatores tão distintos quanto a crise 

financeira de 2008, a chamada “primavera árabe”, diversas ondas de 

manifestações populares ao longo dos últimos anos e o crescimento, cada vez 

mais destacado, da participação (ou pretensão de participação) popular por 

meio das mídias sociais assinalavam esse percurso histórico e a repercussão 

acadêmica e intelectual que lhe acompanhava. Com a vitória do Brexit no 

plebiscito britânico em junho de 2016, decidindo pela saída do Reino Unido da 

União Europeia, seguida pela vitória de Donald Trump nas eleições americanas 

de novembro daquele mesmo ano, o fenômeno de ascensão de governos e de 

bandeiras políticas populistas de direita, marcadamente iliberais, assumia uma 

proeminência até então inédita, fazendo com que as longínquas Filipinas de 

Rodrigo Duterte e as diminutas Hungria de Viktor Orbán e Polônia de Andrzej 

Duda passassem a figurar ao lado da Itália de Matteo Salvini e das duas nações

símbolo da democracia liberal representativa como exemplos precisamente da 

5http://www.eiu.com/topic/democracy-index 

6https://www.v-dem.net/ 

7https://www.pewresearch.org/global/2020/02/27/democratic-rights-popular-globally-but-commitment

to-them-not-always-strong/ 

8Cf. ZAKARIA, Fareed. The Rise of Illiberal Democracy. Foreign Affairs, 76, 06, novembro/dezembro 

1997, pp. 22-43 

derrocada dessa modalidade de regime político9. (Aqui, para não mencionar 

ainda outros exemplos de candidaturas ou movimentos que, se bem não se 

elegeram ou não elegeram lideranças a cargos máximos, tiveram e ainda têm 

impacto naquilo que constitui os elementos integrantes da chamada crise: na 

França, a candidatura de Marine Le Pen e, depois, já no governo Macron, os 

protestos dos gilets jaunes, os “coletes amarelos”; no Reino Unido, de Boris 

Johnson – ele próprio uma figura peculiar, que faz parte da discussão –, 

movimentos de radicalização na retórica eurocética, personificados 

institucionalmente por figuras como Nigel Farage; e ainda na própria 

Alemanha, um dos países que mais têm servido de exemplo de safe haven do 

liberalismo democrático esclarecido no governo de Angela Merkel, a ascensão, 

e declínio, e nova ascensão da AfD, partido de extrema-direita.) 

O Brasil fez figura – e má figura – nesse quadro de degeneração 

democrática com a eleição, em outubro de 2018, de um ex-militar 

historicamente acusado de planejar atentados terroristas, chefe de um clã 

familiar suspeito de envolvimento e de ativa participação junto às milícias do 

Rio de Janeiro e com um currículo de 30 anos de vida política preenchida 

exclusivamente por discursos de natureza fascista. A vitória de Jair Bolsonaro, 

embalada, ao menos na superfície, por uma combinação de lavajatismo (em 

referência à Operação Lava Jato), antipetismo e ressaca de crise econômica10, 

trouxe à cena no palco da política brasileira a associação (não inédita, frise-se) 

entre extrema-direita política, reacionários morais e comportamentais vários e 

liberais ortodoxos em matéria econômica, acrescidos, desta feita, de turbas e 

milícias digitais – ingrediente inédito na tradição do reacionarismo autoritário 

brasileiro. 

9Cf. GRZYMALA-BUSSE, Anna; KUO, Didi; FUKUYAMA, Frank; MCFAUL, Michael. Global 

Populisms and Their Challenges, Freeman Spogli Institute for International Studies, Stanford University, 

2020, https://fsi.stanford.edu/global-populisms/global-populisms-and-their-challenges 

10 Cenário que poderia caracterizar uma crise de stateness ainda mais grave do que a que acometeu o País 

durante o período de transição democrática pós-ditadura militar. Cf. LINZ, Juan; STEPAN, Alfred. 

Problems of Democratic Transition and Consolidation: Southern Europe, South America, and Post

Communist Europe, The Johns Hopkins University Press, 1996 

Inspirado, de um lado, pelo chamado olavismo e, de outro, pelo 

“guedismo” (uma visão privatista reducionista de liberalismo econômico), com 

o suposto institucionalismo militar ocupando uma posição intermediária, o 

governo Bolsonaro mostrara-se em flagrante desacordo com os princípios mais 

elementares da democracia liberal representativa constitucional já em seu 

primeiro ano de mandato. Em 2019, desfilaram os escândalos políticos de 

variados portes, todos com a inequívoca e inamovível marca do autoritarismo 

iliberal que define o bolsonarismo, tendo a afronta aos demais poderes da 

República, a intimidação da imprensa e das vozes críticas da sociedade civil e 

a premeditada degradação institucional servido, combinadamente, como 

norteadores para uma suposta “revolução conservadora” de que Jair Bolsonaro 

seria o líder. Tal cenário radicalizou-se de modo singular já nos primeiros meses 

de 2020, quando, ainda em janeiro, o Secretário Nacional de Cultura 

protagonizou um vídeo oficial de perfil abertamente nazista, seguido pelo 

agravamento da imobilidade do governo em fevereiro, e chegando ao ápice com 

a eclosão da crise sanitária deflagrada pelo chamado novo coronavírus em 

março. 

Foi a partir da reação errática do governo federal no combate à pandemia 

de COVID-19 no País que suas características autoritárias, antidemocráticas e 

iliberais – núcleo da identidade política do governo – tornaram-se ainda mais 

explícitas, e para um número maior de pessoas, o que é fator decisivo. Descaso 

grosseiro com os mais pobres e mais afetados pela crise; combate à saúde e à 

ciência no lugar de combate à pandemia (haja vista, por exemplo, a demissão 

de dois ministros da saúde neste ínterim); teorias conspiratórias e fake news 

transformadas em política de Estado; participação ativa na concepção e na 

prática de diversas atividades golpistas e potencialmente criminosas; 

envolvimento suspeito, direto e indireto, com forças paramilitares de apoio ao 

governo; estímulo à fanatização mortífera de parcelas da população; 

organização, no centro mesmo do governo, de estruturas de ataque à imprensa 

e aos demais poderes, culminando na agressão física (já tornada comum) a 

jornalistas; aparelhamento institucional, seja em cargos próprios do Executivo, 

preenchidos por olavistas que compõem a assim chamada “ala ideológica” do 

governo, seja em órgãos de controle, como a Polícia Federal (não perdendo de 

vista o fato de que, ainda neste ano, Jair Bolsonaro indicará um novo ministro 

ao Supremo Tribunal Federal, já tendo anunciado que nomeará alguém 

“terrivelmente evangélico”) – eis, em síntese, o cenário em que se deu a 

escalada de mortes que levou o Brasil a ser um dos países em que a pandemia 

de COVID-19 causa uma devastação de vidas humanas das maiores 

proporções.  

Foi no interior de tal crise, importa acrescentar, que se deu a queda do 

então Ministro da Justiça, o ex-juiz Sérgio Moro, símbolo do combate à 

corrupção para expressiva parcela do eleitorado (precisamente aquela a que se 

pode chamar de lavajatista e antipetista) por sua atuação como juiz da 

Operação Lava Jato. Demissionário, o Ministro revelou um conjunto notável de 

crimes supostamente cometidos pelo Presidente da República, que, a serem 

comprovados, atestam inequivocamente o aparelhamento institucional e, em 

última análise, a implantação de um regime familiar-miliciano-militar à revelia 

do Estado de Direito, motivo pelo qual, agora mesmo, é periclitante a situação 

da República e é explícita a natureza fascista do atual governo.  

Nesse contexto, a pesquisa acadêmica sobre a crise da democracia 

liberal, sobre as novas ondas populistas, ou sobre a ascensão da extrema-direita 

no Brasil, ao mesmo tempo em que ganha em relevância teórica, adquire 

também contornos de uma intervenção no debate público e na cena política 

cheia de uma urgência característica do melhor ensaísmo esclarecido – uma 

tradição nacional – e do alto jornalismo.  

É bem verdade que a urgência e a relevância do assunto são quase que 

autoevidentes: basta ligar a televisão ou ler as primeiras manchetes de qualquer 

jornal. Por outro lado, e sobretudo em debates de natureza imediata, convém 

notar a justificação acadêmica para um projeto desta espécie. Muito embora já 

exista uma ampla discussão sobre uma suposta crise da democracia (parte 

manifesta nas obras mencionadas acima, de impacto relevante), é bastante 

comum – ainda mais quando tratamos de conceitos posicionais, interpretativos 

por excelência – que não mais se saiba exatamente sobre o que se está falando. 

Qual é a concepção de democracia que se discute (ou se postula como ideal)? 

Quais são exatamente as linhas demarcatórias possíveis que permitem a 

atribuição de um denominador comum aos diferentes governos democráticos e 

aos diferentes regimes iliberais? Quando falamos em esquerda ou direita, 

quando afirmamos ou negamos uma crise institucional, uma crise de 

representação, uma crise democrática, sobre o que estamos falando? O 

movimento a que chamamos bolsonarismo ou novo fascismo brasileiro, para 

ficar no exemplo diretamente relacionado à investigação, articula-se como 

“representante do povo”, prometendo uma “relação imediata” com esse mesmo 

“povo” reivindicado (remetendo, assim, à ideia de “democracia delegativa” 

como articulada por O’Donnell11 e ao conceito de populismo como definido por 

Urbinati12). O governo abertamente iliberal teve apoio de autointitulados 

liberais; a “revolução” que se pretende “conservadora” seria anátema à tradição 

do conservadorismo britânico de Hooker a Oakeshott. Democracia, liberalismo, 

conservadorismo, esquerda, direita, centro. A pesquisa acadêmica de 

excelência, em respeito às exigências do rigor que marca o saber científico, é o 

que permite que a discussão e o debate sejam construídos com graus mínimos 

de responsabilidade conceitual.   

O ponto é que, como se nota, estamos aqui tratando de um debate de 

natureza imediata. A crise da democracia, no Brasil de 2020, é constituída por 

pequenas grandes crises quase que diárias. O certo grau de distanciamento que 

marca a pesquisa acadêmica de qualidade não pode, ao mesmo tempo, 

caracterizar imobilismo ou complacência, sob pena de permanecer confinada 

aos gabinetes de uma suposta intelligentsia (que acabaria, paradoxalmente, por 

11 Cf. O’DONNELL, Guillermo A. Delegative Democracy. Journal of Democracy, 5, 1, 1994, pp. 55-69 

12 Cf. URBINATI, Nadia. Me the People: How Populism Transforms Democracy. Harvard University 

Press, 2019 

personificar exatamente um tipo de “elite descolada da realidade do povo”, 

como diria um típico slogan de movimentos populistas ao redor do globo). 

Assim, à combinação desse saber técnico, de avaliação aprofundada e 

interpretação matizada que caracteriza imperiosamente o bom trabalho 

acadêmico, deve somar-se, portanto, a crítica política ágil e informada, da 

cultura e da sociedade de nosso tempo, que é indissociável da boa prática 

jornalística e do melhor de nossa produção ensaística. A proposta, portanto, é 

acadêmica, mas não é apenas acadêmica; é de intervenção no debate público, 

mas não é apenas de intervenção no debate público. O que se pretende, aqui, é 

exatamente a construção de uma ponte entre o que há de melhor nessas duas 

esferas, permitindo uma articulação conjunta entre o saber acadêmico-científico 

e a atenção às circunstâncias de nosso presente em todas as suas peculiaridades, 

nuances e crises. Esse é o tipo de produção de conhecimento exigido pelo 

fenômeno social e político do bolsonarismo, cada vez mais articulado em 

termos de um novo fascismo brasileiro. 

Considerando (1) que “democracia” é um termo posicional, contestável13 – sendo reivindicado por todo tipo de grupo ou partido político, inclusive os 

antidemocráticos – e (2) que temos o rigor acadêmico como premissa 

fundamental, a tomada de posição aqui indicada exige algumas explicações de 

natureza mais teorética. Quando afirmamos que o bolsonarismo é um 

movimento político que efetivamente coloca a democracia em risco, não 

pretendemos aqui iniciar um mero exercício retórico ou articular qualquer tipo 

de acusação vazia, desprovida tanto de responsabilidade intelectual quanto de 

significado.  

13 Um predicado P é contestável se (1) não for implausível dizer tanto ‘algo é P se também for A’ quanto 

‘algo é P se também for B’ como explicações alternativas do significado de P; se (2) também houver um 

elemento e* de força valorativa ou normativa atrelada ao significado de P; e se (3) como consequência de 

(1) e (2), houver um histórico do uso de P de forma a significar padrões ou princípios rivais, tais como ‘A 

é e*’ e ‘B é e*’.” É o caso de democracia: é um termo sobre o qual (1) se pode falar tanto em termos de 

representação quanto em termos de participação direta, que tem (2) um significado valorativo favorável e, 

como consequência disso, (3) deriva-se princípios antagônicos a partir do mesmo conceito. Cf. 

WALDRON, Jeremy. Vagueness in Law and Language. California Law Review, 82, 03, 1994, pp. 509

540 

Pela natureza própria do conceito, é bastante difícil definir a democracia 

de forma taxonômica, como se fosse um simples conceito criterial. 

Interpretativo por excelência, o conceito convida à elaboração de diversas 

concepções distintas. De nossa parte, adotamos uma concepção na linha do que 

dizia Thomas Mann, em The Coming Victory of Democracy: “É insuficiente 

definir o princípio democrático [simplesmente] como o princípio majoritário, 

traduzindo a democracia literalmente, muito literalmente, como o governo do 

povo”; afinal, como alertava o próprio Mann, essa é uma expressão “de duplo 

significado”. Sem princípios mínimos que informem sua própria raison d’être, 

o governo da maioria pode estar “mais próximo da definição de fascismo”.14 

Essa ideia, tão bem ilustrada por Mann, é precisamente a consagração dos 

alertas já delineados por autores como James Madison, nos Federalist Papers, 

e Alexis de Tocqueville, no clássico De la démocratie em Amérique – alertas 

contra o que já se convencionou chamar na própria linguagem ordinária de 

tirania da maioria. 

O ponto fundamental, aqui, é que a concepção de democracia que 

adotamos é mais do que um conjunto formal de critérios a serem preenchidos 

de modo a respeitar a regra majoritária, e eis tudo. Uma democracia liberal 

autêntica é a que consagra, respeita e materializa precisamente as conquistas do 

liberalismo democrático enquanto tal: noções como direitos humanos e sociais, 

pluralismo, tolerância, separação de poderes, ordem legal, constitucionalismo 

em sentido amplo, império da lei. Adotamos uma concepção de democracia 

representativa, que só é possível quando prevalece a ideia de que há órgãos 

intermediários entre governantes e governados. Partidos políticos, imprensa 

livre, Judiciário forte e independente; como não falar, então, em crise da 

democracia no Brasil, quando o Presidente da República diz coisas como “eu 

sou a Constituição”15 e afirma que o “poder popular não precisa mais de 

14 Cf. MANN, Thomas. The Coming Victory of Democracy. Londres: Secker & Warburg, 1938, p. 21 

15 https://www1.folha.uol.com.br/poder/2020/04/democracia-e-liberdade-acima-de-tudo-diz-bolsonaro

apos-participar-de-ato-pro-golpe.shtml 

intermediação”,16 incentivando e até praticando a perseguição à imprensa,17 

cada vez mais atacada – inclusive de forma direta – por seus apoiadores?18 

Quando um de seus filhos, que já havia sugerido o fechamento do STF,19 

ameaça uma “ruptura institucional” após decisão da Suprema Corte?20 Quando 

são mais do que relevantes os indícios de interferência política em órgãos de 

controle?21 

Reafirmar a democracia em crise no Brasil, portanto, não é um mero jogo 

de palavras. É precisamente porque as palavras importam que a crise pode ser 

constatada, uma vez que são explícitos os ataques a todos os princípios que dão 

forma a uma concepção de democracia liberal que, parafraseando José 

Guilherme Merquior, encarece a exigência epistemológica para a 

caracterização de um conceito. 

O mesmo vale para nossa afirmação de que lidamos com um novo 

fascismo. A despeito do reconhecimento de se tratar de termo com frequente 

emprego retórico, servindo de acusação dirigida contra adversários políticos, e, 

mais ainda, a despeito da evidente dificuldade para precisar conceitualmente o 

termo fascismo, que padece, em certo sentido, das mesmas peculiaridades 

acima descritas em termos da contestabilidade do predicado “fascista”, é fato 

que existe abundante produção acadêmica e intelectual oriundas da 

historiografia, da sociologia, da ciência política, da filosofia política, da 

economia e da psicologia que nos permitem usar tal vocabulário com suficiente 

rigor acadêmico na identificação do bolsonarismo como fenômeno fascista.  

16 https://g1.globo.com/politica/noticia/2018/12/10/poder-popular-nao-precisa-mais-de-intermediacao

diz-bolsonaro-no-discurso-da-diplomacao.ghtml 

17 https://www.poder360.com.br/governo/bolsonaro-manda-reporter-calar-a-boca-e-diz-que-nao

interferiu-na-pf/ 

18 https://politica.estadao.com.br/noticias/geral,profissionais-do-estadao-sao-agredidos-com-chutes

murros-e-empurroes-por-apoiadores-de-bolsonaro,70003290864 

19 https://www1.folha.uol.com.br/poder/2018/10/basta-um-soldado-e-um-cabo-para-fechar-stf-disse-filho

de-bolsonaro-em-video.shtml 

20 https://istoe.com.br/apos-falar-em-ruptura-eduardo-bolsonaro-e-denunciado-em-conselho-de-etica/ 

21 https://veja.abril.com.br/blog/radar/delegado-revela-interferencia-de-ramagem-a-mando-de-bolsonaro

na-pf/ 

Basta indicar dois clássicos da bibliografia relativa ao tema para que 

possamos analisar o bolsonarismo com essas lentes. Considere-se, por exemplo, 

as chamadas “paixões mobilizadoras” do fascismo, tal como descritas e 

elencadas por Robert Paxton:22 “o sentimento de um crise catastrófica, além do 

alcance das soluções tradicionais”; “a primazia de um grupo”, assim como a 

crença de que tal grupo é “uma vítima”; bem como “o pavor da decadência do 

grupo sob os efeitos corrosivos” da modernidade, do individualismo moderno, 

do conflito de classes ou de “ameaça estrangeira”. Uma a uma, tais paixões 

mobilizadoras têm comparecido com alarde no universo político do 

bolsonarismo, às quais pode ser acrescido o agravante encontrado na definição 

de Michael Mann,23 que muito bem identificou a tendência para “construção de 

um Estado-nação transcendente e expurgado por meio do paramilitarismo” 

como tendo papel central na definição do fascismo – este mesmo fascismo que 

hoje caracteriza o bolsonarismo.24  

2. DESCRIÇÃO: NATUREZA, ESPECIFICIDADES E PROPÓSITO  

O Projeto Bolsonarismo: o Novo Fascismo Brasileiro (BNFB) é uma 

iniciativa do Laboratório de Política, Comportamento e Mídia da Fundação 

São Paulo/PUC-SP – LABÔ, fruto da compreensão do atual momento político 

e social do País tal como descrito acima. Expressa, em seu formato, uma das 

convicções basilares do LABÔ, a saber, a necessidade de construir uma ponte 

entre a universidade e o grande público não especializado, unindo produção de 

conhecimento rigoroso em alto nível com ensaísmo de qualidade, acessível e 

de impacto, valendo-se, para tanto, de diversas plataformas de interlocução com 

a sociedade e de divulgação acadêmica e intelectual. Ainda, como sói ser o caso 

das atividades do LABÔ, o projeto aprofunda a vocação interdisciplinar e 

22 PAXTON, R. O. Anatomia do Fascismo. Ed. Paz e Terra  

23 MANN, M. Fascistas. Ed. Record  

24 Ver, ainda, a lista de quatorze características do “fascismo eterno” listadas por Umberto Eco no ensaio 

“O Fascismo Eterno”  

colaborativa das pesquisas do Laboratório, bem como seu compromisso de 

contribuir com produção de conhecimento para a compreensão de temas 

contemporâneos de notória relevância pública.  

O Projeto BNFB nasce de uma dupla aposta interpretativa fundamental, 

que deve ser devidamente expandida e avaliada criticamente. Em primeiro 

lugar, está a identificação de um cenário de crise da democracia instaurado no 

Brasil (não de agora) e que tem conexões e similaridades fortes com o mesmo 

fenômeno vivido globalmente, ainda que com características próprias; assim, o 

BNFB recusa o argumento de uma permanente “normalidade” da vida 

democrática brasileira no período recente e nos dias em que corre o 

bolsonarismo oficialista, e frisa que os testes de “estresse” das instituições 

políticas do País são, em verdade, processos de implosão continuada dessas 

nunca devidamente bem formadas instituições, inserindo-se globalmente em 

uma perspectiva de abalo da democracia liberal constitucional representativa 

e dos seus mecanismos de funcionamento. Segundo, o reconhecimento do 

movimento político e social chamado de bolsonarismo como uma modalidade 

de fascismo político que dialoga tanto com a tradição do autoritarismo de direita 

no Brasil (como o integralismo e a ditadura militar, para dar dois exemplos) 

quanto com variadas experiências internacionais de perfil fascistizante – de 

Salvini a Orbán, por exemplo.  

Em ambos os casos, impõe-se, é claro, a tarefa de precisar 

conceitualmente a jogada interpretativa aqui exposta, não apenas contrastando 

hipóteses rivais – quer acerca da democracia, em geral, quer acerca da natureza 

específica do bolsonarismo – como robustecendo as definições com que se 

opera para garantir tanto o primeiro quanto o segundo aspecto de tal linha de 

interpretação. É, contudo, partindo do pressuposto razoável no acerto do 

diagnóstico acima que o Projeto BNFB se propõe a investigar esse e todos os 

temas correlatos (detalhados a seguir, na seção 3). O resultado de tal 

investigação é, assim como sua própria natureza indica, distinto da produção 

acadêmica regular, pois não apenas (i) elege como matéria para exame um 

fenômeno multifacetado a se desdobrar correntemente, como (ii) se propõe a 

oferecer resultados também sob a forma de intervenções públicas no debate 

esclarecido do Brasil contemporâneo. Assim, algumas especificidades desta 

investigação precisam ser explicitadas: 

(a) o presente trabalho deverá expandir o procedimento de 

interdisciplinaridade e de método colaborativo, prática usual do 

LABÔ, e ativamente agregar aos esforços da investigação do BNFB 

pesquisadores das mais diversas áreas (ciência política, filosofia, 

sociologia, direito, economia, ciência de dados, gestão pública, 

antropologia, psicologia e psicanálise, filosofia da religião, etc.) que 

sejam capazes de contribuir para a melhor compreensão do fenômeno 

ora estudado; deve-se privilegiar, nesse sentido, a inclusão de 

pesquisadores de outras instituições universitárias com reconhecido 

trabalho em suas respectivas áreas de atuação, abrindo espaço para as 

mais variadas perspectivas teóricas, sempre com vistas a tornar o 

presente estudo plural, profundo e ágil; destaque-se, desde a origem 

deste projeto, a referência modelar do Observatório da Extrema

Direita, coordenado pelos professores Guilherme Casarões (FGV

SP) e David Magalhães (PUC-SP/FAAP) e Odilon Caldeira (UFJF), 

ainda em processo de institucionalização;  

(b) tal colaboração deve suceder de maneira voluntária, participativa e 

produtiva, tendo por base (i) a troca de informação especializada, de 

acordo com a legislação vigente, das áreas dos pesquisadores 

envolvidos, seja por meio de materiais produzidos previamente sobre 

tópicos atinentes ao tema da pesquisa, seja por meio de conferências, 

aulas e reuniões de trabalho (presenciais ou remotas); (ii) a produção 

de material escrito ou em mídias diversas (podcasts, vídeos, aulas e 

palestras) relativo aos temas que compõem este estudo;  

(c) o trabalho conjunto e cooperativo não gera nenhum tipo de vínculo 

entre os participantes e colaboradores e as respectivas instituições de 

atuação regular de cada pesquisador, aí incluso o próprio LABÔ;   

(d) a dimensão contemporânea do trabalho imprime à pesquisa um ritmo 

de avaliação conjuntural permanente, e agilidade e presteza na 

produção e veiculação de conteúdos a ela concernentes. 

Em vista de sua justificativa, já devidamente contextualizada na seção 1, 

e de sua natureza essencial e especificidades acima relatadas, o presente 

trabalho busca atingir os seguintes objetivos concretos de curto e médio prazo:  

(1) coletar, organizar, analisar e divulgar dados relativos aos temas gerais 

da pesquisa, bem como aos diversos tópicos detalhados que compõem 

o projeto;  

(2) escrever e publicar artigos de natureza acadêmica sobre os tópicos 

listados abaixo (idealmente, ao menos um para cada tópico); 

(3) escrever e publicar artigos e ensaios de intervenção na imprensa 

escrita do País com vistas a publicizar os dados, as análises e as 

reflexões produzidas no interior desta pesquisa (idealmente, ao 

menos um para cada tópico);  

(4) Organizar e realizar, ainda em 2020, um seminário para apresentação 

de trabalhos com a temática da pesquisa;  

(5) Organizar e publicar um livro que reúna a produção final da pesquisa.  

3. TEMAS A SEREM DESENVOLVIDOS 

Tendo em vista a já mencionada natureza interdisciplinar e colaborativa 

do projeto, dividimos os grandes eixos temáticos que compõem a investigação 

do BNFB nos seguintes tópicos: 

A - Fundamentação teórica geral e experiência global:   

(i) 

(ii) 

(iii) 

(iv) 

A crise da democracia liberal e de suas instituições; 

Extrema-direita, populismo e movimentos políticos iliberais; 

Fascismo, integralismo, autoritarismo e bolsonarismo; 

Democracia Digital Direta, redes sociais e fake news;  

B - Símbolo, religião e fanatismo:  

(i) 

Apropriação simbólica: Israel, USA, “Ocidente” e outros mitos da 

narrativa do BNFB; 

(ii) 

(iii) 

O novo fanatismo de base religiosa: neopentecostalismo e 

tradicionalismo católico a serviço do BNFB; 

O novo fanatismo de base política: “mito”, “guru” e realidade no 

BNFB; 

C - Doutrina do BNFB 

(i) 

Olavismo, doutrina do BNFB; 

(ii) 

(iii) 

(iv) 

(v)  

(vi)  

Militares e o BNFB; 

Nacionalismo “orgânico” e “transcendente” na retórica e na estratégia 

do BNFB; 

“Revolução conservadora” e “mobilização permanente” no BNFB; 

Afirmação da violência: culto da tortura, culto da agressão, culto do 

ódio e culto da morte no BNFB; 

Obscurantismo e retórica anticiência e anti-intelectual do BNFB; 

(vii) As teorias da conspiração do BNFB; 

D - Milícias, milícias digitais e financiamento 

(i) 

Milícias, crime organizado e BNFB; 

(ii) 

(iii)  

Milícias digitais e BNFB; 

Estruturas de financiamento do BNFB: Luciano Hang, Winston 

Ling, Brasil 200 e demais redes; 

E - Apropriação do Estado, ataque às instituições e corrosão democrática  

(i) 

Destruição e degradação institucional: princípio e tática do BNFB 

(análise geral); 

(ii) 

(iii) 

(iv) 

Ruptura com os Poderes e desafio à democracia: do populismo ao 

fascismo com o BNFB; 

Casos específicos a serem investigados: (a) aparelhamento, 

inoperância e aviltamento do MEC e do MCT na gestão do BNFB; 

(b) o ocaso do Ministério da Cultura sob as ordens do BNFB; (c) 

Meio-Ambiente e a ordem do BNFB para a devastação; (d) o fim da 

política de direitos humanos; (e) a diplomacia brasileira sob regime 

do BNFB; 

Ambição de controle de força policial/militar e de criação de força 

paramilitar: das franjas lunáticas ao apoio real no centro de poder do 

BNFB; 

F - Apoios, reais e digitais  

(i) 

A adesão dos institutos e dos movimentos liberais brasileiros ao 

BNFB; 

(ii) 

(iii) 

(iv) 

(v) 

A ilusão dos “bots” como “povo” na retórica do BNFB; 

O “cidadão de bem” e o BNFB; 

O servilismo voluntário: jornalistas, pundits e intelectuais do BNFB; 

A síndrome de Chauí: conivência, adesão e silêncio de intelectuais 

em face do BNFB; 

G - A Mente Reacionária 

(i) 

A retórica de ódio a minorias, a mulheres e a pobres no BNFB; 

(ii) 

(iii) 

A obsessão pela homossexualidade por parte do BNFB; 

Tradicionalismo e kitsch nas artes; estética clássica e medieval em 

linguagem digital: vaporwave, kitsch e reacionarismo de gosto: as 

marcas culturais do BNFB.  

H - Guerras culturais e guerra cultural bolsonarista 

I - Psicopatologia do bolsonarismo e do olavismo 

4. PARTICIPANTES 

Coordenação Geral:  

● Eduardo Wolf; 

○ Bacharel em Filosofia pela Universidade Federal do Rio Grande 

do Sul (2009); mestre em Filosofia pela Universidade Federal do 

Rio Grande do Sul (2012); doutor em Filosofia pela Universidade 

de São Paulo (2017). Tem experiência na área de Filosofia, com 

ênfase em Filosofia Antiga, Ética Antiga e Ética Aristotélica; 

método aristotélico; teoria da definição em Aristóteles. Atua 

sobretudo nos seguintes temas: Aristóteles, ética, método, 

dialética e teoria da definição. Também tem experiência em 

História das Ideias, com ênfase em ética e filosofia política 

moderna e contemporânea; bem como em Literatura, com ênfase 

em Literatura Brasileira, Teoria Literária e Crítica Literária. 

Coordenação Acadêmica: 

● Andréa Kogan; 

○ Doutora em Ciências da Religião pela PUC-SP, autora do livro 

“Espiritismo Judaico”, assistente acadêmica do Laboratório de 

Política, Comportamento e Mídia da Fundação São Paulo/PUC

SP – Labô, onde também coordena o Grupo de Pesquisa sobre 

Morte e Pós-Morte. 

● Luiz Felipe Pondé; 

○ Possui graduação em Filosofia Pura pela Universidade de São 

Paulo (1990), mestrado em História da Filosofia Contemporânea 

pela Universidade de São Paulo (1993), DEA em Filosofia 

Contemporânea - Universite de Paris VIII (1995), doutorado em 

Filosofia Moderna pela Universidade de São Paulo (1997) e pós

doutorado (2000) em Epistemologia pela University of Tel Aviv. 

Atualmente é Diretor do Laboratório de Política, Comportamento 

e Mídia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, 

professor titular da Fundação Armando Álvares Penteado. Outros 

vínculos significativos em pós-graduação: Escola Paulista de 

Medicina, Unifesp, professor e pesquisador convidado (2007) , 

University of Warsaw, professor convidado (2007), Universität 

Marburg, professor e pesquisador convidado (2002 e 2003) - 

University Of Tel Aviv, pesquisador (2007 a 2010) - Universite 

de Paris VIII, pesquisador (1994 a 1996) - Universidad de Sevilla, 

professor convidado (2005) e colunista exclusivo do Jornal Folha 

de S. Paulo. Tem experiência na área de Filosofia, com ênfase em 

Ciências da Religião e Filosofia da Religião, atuando 

principalmente nos seguintes temas: religião, mística, santidade, 

angústia, modernidade/Pós-modernidade e epistemologia. (Texto 

informado pelo autor). Diretor Acadêmico do Labô. 

Participantes LABÔ:  

● André Anéas; 

○ É técnico em informática pela Fundação Bradesco (2007). Possui 

graduação em Administração - Faculdades Integradas Rio Branco 

(2011). Teólogo pela Faculdade Teológica Batista (2015), com 

experiência na área de Teologia, ênfase em Experiência Religiosa 

no protestantismo histórico contemporâneo, e mestrando em 

Teologia pela PUC-SP (2016). Coordena o grupo de pesquisa 

Teologia Cristã e Religião Contemporânea do Laboratório de 

Política, Comportamento e Mídia da Fundação São Paulo/PUC

SP – LABÔ. 

● Andrei Venturini Martins 

○ Doutor em Filosofia, professor no Instituto Federal de São Paulo 

(IFSP) e coordenador do Núcleo de Estudos Agostinianos do 

Laboratório de Política, Comportamento e Mídia (Fundasp - 

PUC/SP). É autor do comentário e tradução do Discurso da 

Reforma do Homem Interior, de Cornelius Jansenius (Filocalia), 

e das obras Do Reino Nefasto do Amor-Próprio: a origem do mal 

em Blaise Pascal (Filocalia), A Verdade é Insuportável (Filocalia) 

e Joaquim Nabuco: um abolicionista liberal do Brasil (É 

Realizações - prelo). 

● Carlos Sousa 

○ Mestre em Ciências da Religião. PUC-SP. Graduação em 

Filosofia. UNIFAI. Professor de Filosofia e pesquisador do 

Núcleo de Estudos Agostinianos do Laboratório de Política, 

Comportamento e Mídia (Fundasp-PUC/SP). 

● Danit Zeava Falbel Pondé; 

○ Possui graduação em psicologia pela Universidade Presbiteriana 

Mackenzie(2009), graduação em Administração de Empresas 

pelo Fundação Armando Álvares Penteado(1989), especialização 

em Formação Clínica em Psicanálise Winnicottiana pelo Instituto 

Brasileiro de Psicanálise Winnicottiana(2016), mestrado em 

Filosofia pela Universidade Estadual de Campinas(2012), 

doutorado em Filosofia pela Universidade Estadual de 

Campinas(2018) e ensino-medio-segundo-grau pelo Colégio 

Israelita I L Peretz(1979). Atuando principalmente nos seguintes 

temas:Sentimento,

 afeto, 

Amadurecimento,

 Psicanálise, 

Winnicott. Coordenadora do grupo de pesquisa A Crise do 

Amadurecimento na Contemporaneidade no Laboratório de 

Política, Comportamento e Mídia da Fundação São Paulo/PUC

SP – LABÔ. 

● Fernando Amed; 

○ Doutor em História Social pela USP. Historiador pela FFLCH da 

USP, professor da Faculdade de Comunicação da Faap e do curso 

de Artes Visuais da Belas Artes de São Paulo, autor de livros e 

artigos acadêmicos. Coordenador do Grupo de Pesquisa sobre 

Comportamento Político do Laboratório de Política, 

Comportamento e Mídia da Fundação São Paulo/PUC-SP – 

LABÔ. 

● Flávia Sarinho 

○ Advogada nas áreas de direito comercial, bancário e projetos de 

infraestrutura. Formada em direito pela UFRJ (1996), Pós graduada 

pelo IBMEC-RJ (2001) e pesquisadora do Laboratório de Política, 

Comportamento e Mídia da Fundação São Paulo/PUC-SP – LABÔ. 

● Heraldo Galan 

○ Designer Editorial e Gráfico. Formado em Artes Plásticas pela 

FAAP, com pós-graduação em Design Gráfico pelo Senac. É 

pesquisador nos grupos Núcleo de Filosofia Política e Indivíduo, 

Democracia e Liberdade, ambos do Laboratório de Política, 

Comportamento e Mídia da Fundação São Paulo/PUC-SP – LABÔ. 

● João Domingues 

○ Graduando em psicologia (PUC-SP), pesquisador do Núcleo de 

Filosofia Política e do grupo de pesquisa Indivíduo, Democracia e 

Liberdade, ambos do Laboratório de Política, Comportamento e 

Mídia da Fundação São Paulo/PUC-SP – LABÔ. Concentra suas 

pesquisas em: epistemologia, filosofia da ciência, filosofia da 

psicologia, pesquisa teórica em psicologia, psicologia e filosofia 

política. 

● Leandro Bachega; 

○ Licenciado em Filosofia pela Faculdade de São Bento-SP e mestre 

em Filosofia pela PUC-SP. Pesquisador nos grupos de Filosofia 

Política e Estudos Agostinianos do Laboratório de Política, 

Comportamento e Mídia da Fundação São Paulo/PUC-SP – 

LABÔ. 

● Lilian Wurzba; 

○ Lilian é psicóloga, Mestre e Doutora em Ciências da Religião 

(PUC-SP), docente do IJEP (Instituto Junguiano de Ensino e 

Pesquisa) e coordenadora do grupo de pesquisa do Labô: Jung e 

Filosofia da Religião. 

● Luiz Bueno; 

○ Bacharel e Mestre em Filosofia, Doutor em Ciências da Religião 

e coordenador do Núcleo de Filosofia Política do Laboratório de 

Política, Comportamento e Mídia da Fundação São Paulo/PUC

SP – LABÔ. 

● Maria Cristina Mariante Guarnieri; 

○ Possui graduação em Psicologia pela Pontifícia Universidade 

Católica de São Paulo (1985), mestrado em Ciências da Religião 

pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (2000) e 

doutorado em Ciências da Religião pela Pontifícia Universidade 

Católica de São Paulo (2006). É psicóloga clínica e atua 

principalmente em Consultório Particular; é docente do IJEP- 

Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa, nos cursos de 

especialização em Psicologia Junguiana, Psicossomática, 

Dependências, Abusos e Compulsões e Arteterapia; no curso de 

Psicologia e Religião no COGEAE - Coordenadoria Geral de 

Especialização, Aperfeiçoamento e Extensão da PUC/SP ; 

psicóloga na Associação de Apoio à Criança com Câncer. Tem 

experiência na área de Psicologia e sua pesquisa está voltada para 

a Psicologia e Filosofia da religião, atuando principalmente nos 

seguintes temas: angústia, morte, mística, luto, religião. 

Pesquisadora e coordenadora do grupo de Judaísmo 

Contemporâneo do Laboratório de Política, Comportamento e 

Mídia da Fundação São Paulo/PUC-SP – LABÔ. 

● Ricardo Vinícius Ibañez Mantovani; 

○ Licenciado, bacharel, mestre e doutor em Filosofia pela USP. 

Coordenador e professor do curso de Pós-graduação em Ética e 

Filosofia Política da Faculdade Paulo VI. Pesquisador do núcleo 

de Estudos Agostinianos do Laboratório de Política, 

Comportamento e Mídia da Fundação São Paulo/PUC-SP – 

LABÔ. 

● Rogério Tineu 

○ Doutor em Ciências Sociais PUC-SP. Mestre em Ciências da 

Comunicação ECA-USP, especialista em Docência no Ensino 

Superior UNICID, especialista em Economia do Turismo 

ECA/FIPE-USP e graduado em Ciências Econômicas pela 

Fundação Santo André, além de ser coordenador do grupo de 

pesquisa do Labô “Cultura do Consumo, Sociedade e 

Tendências”. 

● Tiago Pavinatto; 

○ advogado, doutor pela Faculdade de Direito da USP e 

coordenador do grupo de pesquisa do Labô: “Hiper-religiosidade: 

a prisão da fé na era das liberdades”, juntamente com Davi Lago. 

Participantes Externos:  

● Adriana Novaes 

○ Doutora em Filosofia e mestre em Comunicação pela USP, 

especialista na obra de Hannah Arendt. É autora do livro "O canto 

de Perséfone". 

● André Spritzer; 

○ Doutor em Ciência da Computação pela UFRGS, especializado 

em visualização de informações. Estudante de Ciência Política e 

Relações Internacionais na University of London/LSE. 

● Celina Alcantara Brod  

○ Possui graduação em Filosofia pela Universidade Federal de 

Pelotas (2017). Mestre em Filosofia Política pela UFPEL. 

Doutoranda pela Ufpel em Filosofia Política. Atualmente é 

professora de inglês autônoma - Cab- English Lessons. Tem 

experiência na área de Filosofia, com ênfase em Filosofia Política 

e Ética, atuando principalmente nos seguintes temas: 

liberalismo,conservadorismo,iluminismo, 

David Hume, 

moralidade social,responsabilidade, ceticismo, naturalismo, 

Strawson. Pesquisa de Doutorado sobre relações de culto e 

fanatismo, efeitos na razão e na moralidade dos agentes políticos. 

● Flavio Williges 

○ Licenciado em Filosofia pela Universidade Federal de Santa 

Maria (1995), Mestre em Filosofia pela Universidade Federal de 

Santa Maria em convênio com a USP (1998), Doutor em Filosofia 

pela UFRGS (2009) e Estágio Pós-Doutoral na University of 

California em Davis, USA (2017-2018) com bolsa de Estágio de 

Pós-Doutorado da 

Capes

 Processo:

 POS-DOC 

88881.119129/2016-01. Professor Associado do Departamento de 

Filosofia da Universidade Federal de Santa Maria. Tem interesse 

em epistemologia, ceticismo, ética normativa (ética do cuidado, 

ética das virtudes), psicologia moral, filosofia das emoções.  

● Gabriel Rostey 

○ Graduado pela Faculdade de Ciências Sociais da PUC-SP em 

Turismo com Especialização em Planejamento e Gestão Turística 

de Cidades, com graduação em intercâmbio acadêmico pelo 

Instituto de Estudios Urbanos da Pontificia Universidad Católica 

de Chile; cursou mestrado em Planejamento Urbano e Regional 

pela FAU-USP e é MBA em Gestão Estratégica pela Universidade 

de São Paulo. Coautor do livro “Nossa Cidade, Nossa Casa: 

conhecendo a arquitetura da cidade e aprendendo a cuidar dela”, 

da Associação Preserva São Paulo; colaborou para a publicação 

“Projetar arquitetura, construir cidades | Convivências Urbanas: 

patrimônio, comércio, habitação”, do LPP – Laboratório de 

Projetos e Políticas Públicas da FAU-Mackenzie; contribui 

esporadicamente com artigos em veículos de imprensa como O 

Estado de S. Paulo (online) e O Antagonista, e é colaborador da 

plataforma multimídia “O Estado da Arte” no jornal O Estado de 

S. Paulo. 

● Gilberto Morbach 

○ Mestre em Direito Público (summa cum laude), como bolsista do 

Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico 

(CNPq), pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos). 

Bacharel em Direito pela Universidade Feevale. Tradutor (em 

andamento, a tradução de "Jurisprudence: Theory and Context", 

primeira obra do jusfilósofo Brian Bix a ser publicada no Brasil). 

Ensaísta, com contribuições para o Estado da Arte (Estadão). 

Membro e assistente do coordenador, Prof. Dr. Lenio Luiz Streck, 

do Dasein - Núcleo de Estudos Hermenêuticos; também membro 

da Aristotelian Society for the Systematic Study of Philosophy 

(Aristotelian Society) e da ABDPro - Associação Brasileira de 

Direito Processual. Advogado, inscrito na seccional do Rio 

Grande do Sul da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/RS) sob 

o n.º 111.505. Ênfase de pesquisa em Teoria do Direito, Filosofia 

no Direito, e Direito Processual. 

● Irapuã Santana do Nascimento Silva 

○ Beneficiado pelas cotas raciais em 2003, graduou-se na 

Universidade do Estado do Rio de Janeiro em 2008, foi o 1° negro 

e mais novo coordenador do setor contencioso do renomado 

Escritório Jurídico Carbone. Em 2012, foi aprovado em 7° lugar 

no mestrado em Direito Processual pela mesma universidade, 

onde sua dissertação foi aprovada com louvor e distinção, em 

2015, por uma banca composta pelos melhores professores do país 

na área, que deu origem ao seu 1° livro chamado "O Princípio da 

Igualdade na Mediação e o Acesso à Justiça". Hodiernamente 

cursa o seu doutoramento com uma tese acerca do acesso à justiça, 

sob a perspectiva da jurisprudência e do cidadão. Em 2013 foi 

aprovado no concurso da Procuradoria-Geral do Município de 

Mauá, onde atua como procurador municipal até hoje. Em 2016, 

foi aprovado no disputadíssimo programa de intercâmbio 

"Linkage", da Faculdade de Direito de Yale, nos Estados Unidos. 

Além disso, atuou, entre os anos de 2014 e 2018, como assessor 

de ministro no Supremo Tribunal Federal e no Tribunal Superior 

Eleitoral. É consultor e apresentador do programa "Explicando 

Direito", na Rádio Justiça. Desde 2014, exerce trabalho voluntário 

na EDUCAFRO, como consultor jurídico, responsável pelas 

principais ações judiciais da entidade no país. É membro do 

Instituto Brasileiro de Direito Processual, do Centro Brasileiro de 

Estudos Constitucionais, da Comissão de Advocacia Pública da 

OAB/SP, da Comissão de Direito Processual Civil da OAB/SP e 

da Comissão de Igualdade Racial da OAB/SP. É professor do 

Centro Universitário de Brasília (UniCEUB). É conselheiro 

jurídico do movimento suprapartidário "Livres". Conselheiro do 

Instituto Mercado Popular. Autor do livro "13 de maio: A Maior 

Fake News de Nossa História". 

● Josias de Paula Jr. 

○ Doutor em Sociologia pela Universidade Federal da Paraíba (2012), 

é Professor da Universidade Federal Rural de Pernambuco 

(UFRPE), no Departamento de Ciências Sociais (DECISO). 

Desenvolve pesquisas, sociologicamente orientadas, nas áreas de 

cultura, política e teoria social. É integrante do GECCA - Grupo de 

Estudos em Crítica Cultural em Artes. 

● Mano Ferreira  

○ Jornalista e especialista em comunicação política, cofundador e 

diretor de comunicação do Livres. Alumni da International 

Academy for Leadership da Fundação Friedrich Naumann Pela 

Liberdade, da Alemanha. É cofundador do Students For Liberty 

no Brasil e ex-editor do Café Colombo. 

● Michel Ghermann; 

○ Possui graduação em História com licenciatura em educação pela 

Universidade Federal do Rio de Janeiro (2000). É mestre em 

Antropologia e Sociologia - Hebrew University Of Jerusalem 

(2007).Tem título de doutor pelo Programa de Pós Graduação em 

História Social na Universidade Federal do Rio de Janeiro. 

Atualmente Michel Gherman é pesquisador no Programa de Pós 

Doutorado na Escola Kreitman de Estudos Avançados na 

Universidade Ben Gurion do Neguev. Michel Gherman também é 

pesquisador do Núcleo de Estudos da Política da Universidade 

Federal Rural do Rio de Janeiro. 

● Rodrigo Cássio Oliveira 

○ Doutorado em Filosofia pela Universidade Federal de Minas 

Gerais (UFMG) com pós-doutorado pela Università degli Studi di 

Pisa (Itália). Possui Mestrado e bacharelado em Comunicação 

Social pela Universidade Federal de Goiás (UFG) e licenciatura 

em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás 

(PUC-Goiás). Pesquisador visitante na Universidad de Buenos 

Aires (UBA-Argentina) pelo Programa de Mobilidade Docente da 

AUGM - Asociación de Universidades Grupo Montevideo em 

2017. Membro da SOCINE - Sociedade Brasileira de Estudos de 

Cinema e Audiovisual. Parecerista de publicações acadêmicas na 

área de humanidades e artes, com foco em estudos de cinema, 

comunicação e filosofia. 

● Rodrigo Coppe 

○ Historiador e professor do Programa de Pós-graduação em 

Ciências da Religião da PUC Minas. Tem experiências na área de 

História contemporânea, atuando principalmente com os 

seguintes 

temas: 

direita 

religiosa, 

conservadorismo, 

tradicionalismo, catolicismo contemporâneo, secularização. Pós

doutor em Filosofia social pela Universidade de Varsóvia (2020). 

É presidente do Conselho Científico da Associação Nacional de 

Pós-Graduação e Pesquisa em Teologia e Ciências da Religião - 

ANPTECRE (2018-2020). É membro do Institut d’Étude du 

Christianisme (Strasbourg, França), investigador associado da 

rede de pesquisa Direitas, História e Memória e membro de vários 

conselhos editoriais de revistas nacionais e internacionais. 

Coordena o GT Religião e Espaço Público na SOTER e o ST 

Catolicismo e política: entre conservadores e progressistas na 

ANPUH. É líder do Laboratório de Estudos em Religião, 

Modernidade e Tradição (LeRMOT) e um dos líderes da Rede de 

Pesquisa História e Catolicismo no Mundo Contemporâneo. Foi 

professor convidado da Faculté de Théologie et de Sciences 

Religieuses da Université Laval - Québec (2015), onde é 

Pesquisador Associado no projeto de pesquisa Vatican II: 

herméneutique et réception. (2020). Colaboradora regularmente 

no Estado da Arte - Estado de S. Paulo. 

● Rodrigo de Lemos 

○ Possui doutorado (2015) e mestrado (2010) em Letras pelo PPG 

da UFRGS e graduação em Letras pela Universidade Federal do 

Rio Grande do Sul (2006), onde já atuou como professor de 

Línguas e literatura francesa e francófonas. Atualmente, é 

professor adjunto da Fundação Universidade Federal de Ciências 

da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA). No âmbito de sua pesquisa 

doutoral, realizou estágios de pesquisa como chercheur visitant na 

Université de Liège (Bélgica) e na Université du Québec à 

Montréal (Canadá). Realizou cursos internacionais de formação 

em gestão e em gestão universitária (Organização Universitária 

Interamericana,

 Montreal,

 Politécnica 

da

 2014;

 Catalunha,

 UNESCO-Universidade 

 2015,

 École

 Nationale 

d'Administration, Paris 2017). Contribui regularmente em 

veículos de imprensa como O Estado de São Paulo (online) e Zero 

Hora. Tem como interesses de pesquisa: a poesia, a mitologia, a 

literatura antiga, a literatura francesa, a literatura dos séculos XIX 

e XX, a Renascença e a tradução. 

● Rodrigo Toniol 

○ Graduado em ciências sociais, mestre e doutor em antropologia 

social pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Realizou 

parte de seu doutoramento no programa de antropologia da 

University of California San Diego (UCSD). Foi pesquisador 

visitante no Global Health Institute da UCSD, nos Estados 

Unidos, no Ciesas/Guadalajara, no México e na Universidade de 

Utrecht, na Holanda. Realizou estudos de pós-doutorado no 

departamento de filosofia e estudos de religião da Utrecht 

University, Holanda. Atualmente é professor no departamento de 

antropologia e no Programa de Pós-Graduação em Antropologia 

da Unicamp. É presidente da Associação dos Cientistas Sociais da 

Religião do Mercosul (2018- 2020). Coordena do projeto de 

pesquisa Espiritualidade institucionalizada, apoiado pela Fapesp 

na modalidade Jovem Pesquisador. É editor do periódico Debates 

do NER e do Boletim Cientistas Sociais e Coronavirus 

(ANPOCS). É membro da Cátedra Roberto Cardoso de Oliveira 

(Unicamp/Brasil – Ciesas/México) e do Comitê de Pesquisa de 

Sociologia da Religião da Sociedade Brasileira de Sociologia. 

Suas pesquisas privilegiam os seguintes temas: corpo, saúde, 

ciência e religião. Entre seus trabalhos, destacam-se as funções de 

editor e autor da Encyclopedia of Latin American Religions (ed. 

Springer), a autoria dos livros On the nature trail (ed. N.Science 

Publishers, 2015) e Do espírito na saúde (Ed. LiberArs, 2018); 

além da organização, entre outras, das obras: Conservadorismos, 

Fascismos e Fundamentalismos (Ed. Unicamp, 2018), Como as 

coisas importam: uma abordagem material da religião (ed. 

UFRGS, 2019) e Entre trópicos : Diálogos de estudios Nueva Era 

entre México y Brasil (Casa Chata, 2018). Escreve para Estado da 

Arte, do jornal Estado de S. Paulo e também para o Jornal de 

Toronto. 

● Vinícius Müller 

○ Doutor em História Econômica pela USP é professor do Insper e 

autor do livro Educação básica, financiamento e autonomia 

regional: Pernambuco, São Paulo e Rio Grande do Sul, 1850 - 

1930 (Editora Alameda, 2018) 

5. PROPOSTA DE CALENDÁRIO PRELIMINAR - 25 de Maio: retornar este documento com sugestões, comentários e 

contribuições para sua conclusão;  - 28 de Maio: versão final do Projeto BNFB; 

- Entre 28 de Maio e 26 de Junho: realização de encontros virtuais do 

coordenador acadêmico do projeto para discussão dos tópicos de pesquisa com 

os pesquisadores colaboradores; coleta de dados; redação de ensaios e artigos;  - 27 de Junho: Apresentação da primeira rodada de ensaios e artigos de 

intervenção com base nas discussões precedentes;  - 30 de Julho: Apresentação e discussão da primeira rodada de papers para 

futura submissão e publicação. Balanço dos primeiros meses de atividade.  

5. BIBLIOGRAFIA PRELIMINAR  

A presente bibliografia deverá ser organizada, dentro do possível, de 

acordo com os tópicos de trabalho sugeridos acima. Conta-se, portanto, com a 

colaboração de todos os envolvidos.  

Geral   

Obra 

MOUNK, Yascha. O Povo Contra a 

Democracia: por que nossa 

liberdade corre perigo e como 

salvá-la. Companhia das Letras, 

2019 

Link 

https://www.amazon.com.br/povo-contra-democracia

liberdade-salvá

ebook/dp/B07NPWK7DW/ref=reads_cwrtbar_3/137

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STANLEY, Jason. Como Funciona 

o Fascismo: a política do “nós’ e 

“eles”. L&PM Editores, 2018  

https://www.amazon.com.br/Como-funciona-fascismo

pol%C3%ADtica-eles

ebook/dp/B07KXZ1FHP/ref=reads_cwrtbar_2/137

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LEVITSKY, Steven e ZIBLATT, 

Daniel. Como as Democracias 

Morrem. Zahar, 2018  

https://www.amazon.com.br/Como-democracias

morrem-Steven

Levitsky/dp/8537818003/ref=sr_1_1?__mk_pt_BR=Å

 MÅŽÕÑ&crid=3MQLW06KUN41C&keywords=com

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 =como+as+de%2Caps%2C264&sr=1-1 

 

DIAMOND, Larry. Facing Up to 

the Democratic Recession. Journal 

of Democracy, January 2015.   

 

https://www.journalofdemocracy.org/articles/facing-up

to-the-democratic-recession/ 

 

GOLDBERG, Jonah. Suicide of the 

West: How the Rebirth of 

Tribalism, Populism, Nationalism, 

and Identity Politics is Destroying 

American Democracy. Crown 

Forum, 2018 

 

https://www.amazon.com.br/Suicide-West-Tribalism

Nationalism-Destroying-ebook/dp/B06WV9JQBT 

 

ACEMOGLU, Daron e 

ROBINSON, James A. The Narrow 

Corridor: States, Societies, and the 

Fate of Liberty. Penguin Press, 

2019 

https://www.amazon.com.br/Narrow-Corridor

Societies-Liberty-English

ebook/dp/B07MCRLV2K/ref=msx_wsirn_v1_1/137

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Sobre o kitsch  

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MECACCI, Andrea. Il Kitsch. 

Bologna: Il Mulino, 2014.. A dissertação na PUC SP.

  A maquina partidária é a capacidade de influencia geopolítica, financeira e política, que um partido possui, não somente em termos de defender seu território político, como também aumentar sua influencia geopolítica, financeira e hierárquica dentro e fora de seu espectro político.

Na área  geopolítica, uma maquina partidária, as políticas territoriais na relação de poder e influencia dentro de seu espectro político, aonde se visa manter seu poder e influencia política dentro de um determinado seguimento. Uma maquina partidária, envolve no seu sentido geopolítico, o gerenciamento e expansão de poder e influencia de um determinado partido em um determinado espectro político.

Na área  hierárquica, uma maquina partidária é uma esfera de poder aonde um determinado partido administra e mantem sua hierarquia e influencia , em conjunto de expansão territorial, na administração governamental , aonde este partido se torna  a maior agremiação política dentro de um determinado espectro político.

Uma maquina partidária, na sua área hierárquica, garante a influencia absoluta de um determinado partido dentro do seu espectro político. Com uma maquina partidária, na sua área hierárquica, garante a influencia expansionista de um determinado partido, além das bases do seu espectro político.

No âmbito financeiro, uma maquina partidária, garante á um determinando partido, se sobrepor pelo poder econômico. Mantendo sua influencia geopolítica e hierárquica, uma maquina partidária, representa a concepção total na sua "natureza política", em uma clara manifestação da hierarquia econômica, política e territorial de um determinando partido, dentro e fora de seu espectro político. 

Uma maquina partidária, garante a "natureza política" de um determinado partido, no seu total e absoluto poder e influencia expansionista por meio do seu poder econômico, que se traduz na "natureza política", dentro e fora do seu espectro político, em uma influencia geopolítica, hierárquica e financeira, pelo "natureza política" do poder econômico que uma maquina partidária proporciona á um determinado partido político.

Uma maquina partidária, garante á um determinado político, a plena capacidade de estrutura e poder político, para se adaptar organicamente a qualquer mudança em uma sociedade.

A "direita liberal" é uma ideologia política que combina elementos do liberalismo, como o apoio à economia de mercado, à propriedade privada e aos direitos individuais, com a posição da direita no espectro político, que geralmente prioriza a ordem e a estabilidade. No entanto, a própria definição de liberalismo pode variar, existindo o liberalismo social à esquerda e o liberalismo clássico à direita, o que torna a posição exata da "direita liberal" dependente do contexto. 

Princípios Fundamentais

Liberdade Econômica:

Defende a livre iniciativa, o livre comércio e uma economia descentralizada, considerando o mercado como um mecanismo fundamental para a liberdade. 

Direitos Individuais:

Valoriza os direitos à propriedade privada, os direitos civis e os direitos humanos, assim como as liberdades individuais e o Estado de direito. 

Democracia Liberal:

Apoia sistemas de governo democráticos que protegem as liberdades políticas e os direitos dos cidadãos. 

O termo "direita liberal" situa-se na direita do espectro político, mas com a adição do componente "liberal", que o diferencia de formas mais autoritárias de direita

O termo pode gerar confusão, pois o liberalismo pode ser associado tanto à esquerda (liberalismo social) quanto à direita (liberalismo clássico ou económico). A "direita liberal" tende a apoiar o liberalismo económico e clássico, enfatizando a liberdade económica e a pouca intervenção estatal. 

Em alguns países, partidos ou movimentos políticos de direita são descritos como liberais, embora possam ter componentes conservadores ou outras orientações, como no caso do Partido Liberal no Brasil, que é frequentemente descrito como liberal conservador. 

A "direita conservadora" refere-se a um espectro político que combina ideologias de direita, que geralmente defendem um governo limitado, com valores conservadores, como a preservação de instituições e tradições sociais, familiares e culturais estabelecidas. Essa combinação se manifesta em posições que podem valorizar a ordem, a segurança, a moralidade religiosa e a propriedade privada, e pode variar desde o conservadorismo moderado até o ultraconservadorismo. 

Características centrais:

Enfatiza a manutenção de valores sociais, morais e culturais tradicionais, como os da família. 

Ordem e Segurança:

Tende a defender o uso da força para garantir a ordem social e combater a criminalidade. 

Conservadorismo Moral:

Muitas vezes alinha-se com valores religiosos (como o cristianismo) e defende que a sociedade e, até certo ponto, o Estado reflitam essa moralidade. 

Apoio a instituições estabelecidas:

Valoriza as instituições existentes e é reticente a mudanças sociais radicais.

No Brasil, a direita conservadora pode se associar à extrema-direita, com características como o nacionalismo extremo e, em certos grupos, um forte apelo a intervenções militares e um passado de ditadura. 

A onda conservadora no Brasil tem sido fortemente impulsionada por evangélicos pentecostais, que atuam ativamente na defesa de posições morais e religiosas, buscando influenciar a ordem legal do país. 

No Brasil, o termo "conservador" tem sido usado por críticos com conotações negativas, como sinônimo de "intransigente" ou "autoritário", especialmente quando relacionado a posições morais rígidas. 

A direita conservadora é uma força política que busca preservar a ordem social e os valores tradicionais, muitas vezes com uma forte ênfase na moralidade e na família, e pode variar em sua intensidade e manifestação dependendo do contexto local e das correntes ideológicas dentro dela.  Segundo o Sociólogo, Mestre e Doutor Cesar Portantiolo Maia, no Quarto Período da Habilitação em Jornalismo,  pelas Faculdades Integradas Alcântara Machado (FIAAM FAAM).

Na política, o centro se refere-se a uma posição moderada no espectro ideológico entre a esquerda e a direita, que busca o diálogo, o equilíbrio e o interesse público, em contraste com as posições extremas. Partidos e indivíduos de centro frequentemente adotam políticas mistas, combinando elementos de ambos os lados para encontrar um entendimento e resolver problemas de forma discernida, sem se prender a ideologias rígidas. 

Características do centro político:

Situa-se no meio do espectro político, entre os polos da esquerda e da direita. 

A estratégia de um partido de centro é abrir canais de comunicação e diálogo com diferentes setores da sociedade. 

Tende a combinar políticas de diferentes ideologias, extraindo o que considera melhor de cada lado para promover o bem público. 

Em momentos de forte polarização, o "espaço centro" pode ser usado por políticos como uma estratégia para se diferenciar dos extremos, apelando a eleitores mais moderados. 

Não se deve confundir com o "Centrão" brasileiro, que é um bloco parlamentar informal e fisiológico sem um centro ideológico claro, mais focado em manter o poder do que em princípios de centro. 

Em resumo: Ser de "centro" na política significa ser um moderado que não se prende totalmente à esquerda ou à direita, mas que, através do diálogo e da busca por consensos, tenta agir com mais discernimento e temperança em prol do interesse público.  Acho que a Direita Liberal. Tem uma tendencia mais ao centro. 

A maquina partidária do bolso;narismo. É alimentada pela Direita Conservadora. Que tem uma tendência mais reacionária.

    A corrupção política refere-se ao uso indevido de um cargo ou função pública para obter vantagens pessoais ou para terceiros, subvertendo o interesse público pelo privado. Esse fenômeno prejudica a sociedade de diversas formas, desviando recursos essenciais e minando a confiança nas instituições democráticas. 

O que é e Tipos

A corrupção política pode assumir várias formas, incluindo: 

Corrupção Ativa e Passiva: A ativa ocorre quando alguém oferece uma vantagem indevida a um funcionário público, enquanto a passiva ocorre quando o funcionário público solicita ou aceita tal vantagem.

Suborno: Pagamento ou presente oferecido para perverter o julgamento ou a conduta de uma pessoa em posição de confiança.

Tráfico de Influência: Uso da posição para influenciar decisões em benefício próprio ou de terceiros.

Financiamento Ilegal de Campanhas: Recebimento de recursos de fontes proibidas ou não declaradas para fins eleitorais.

Superfaturamento: Inflacionar artificialmente o custo de obras ou serviços públicos para desviar a diferença.

Nepotismo e Clientelismo: Favorecimento de parentes ou a troca de favores por apoio político, respectivamente. 

Impactos na Sociedade

Os impactos da corrupção política são profundos e abrangentes: 

Prejuízos Econômicos: Desvia recursos que deveriam ser aplicados em áreas essenciais como saúde, educação, infraestrutura e segurança, resultando em serviços públicos de menor qualidade.

Aumento da Desigualdade Social: Concentra riqueza e poder nas mãos de poucos, ampliando a exclusão social.

Perda de Confiança Institucional: Corrói a fé da população nos líderes políticos, nas instituições governamentais e no sistema democrático como um todo.

Enfraquecimento da Democracia: Comprometer o poder de voto e de fala dos cidadãos, removendo recursos da arena pública para interesses privados.  Segundo a Jornalista, Mestre e Doutora Nadini de Almeida Lopes, no Oitavo e Ultimo Semestre da Habilitação em Jornalismo na Comunicação pelas Faculdades Integradas Alcantara Machado (FIAAM FAAM).

O Brasil tem um histórico de grandes escândalos de corrupção que tiveram forte impacto na política nacional, como o "Mensalão" e o "Petrolão" (ligado à Operação Lava Jato). Esses casos envolveram esquemas de grande escala para compra de apoio político e desvio de verbas de estatais, tornando a corrupção uma das principais preocupações apontadas pelos brasileiros

Confira o artigo dos autores Robert Bonifácio1 e Ednaldo Ribeiro.

Robert Bonifácio1 e Ednaldo Ribeiro2

 Corrupção e participação política no Brasil:

 diagnósticos e consequências 

Corruption and political participation:

 diagnosis and consequences 

Qual seria a relação entre a experiência com atos corruptos e o 

envolvimento em atividades participativas dos brasileiros? Essa é 

a questão que norteia o trabalho. Apesar de a literatura politóloga 

dedicar-se, apenas de forma marginal, à compreensão desse tipo de 

relação, entendemos que há indícios que apontam quase que exclu

sivamente para efeitos deletérios da corrupção no engajamento 

cívico. Como desenvolveremos adequadamente mais à frente, Hirs

chman (1983), por exemplo, considera que a decepção é o principal 

fator para o desengajamento político e que esta é causada pela 

percepção do alastramento da corrupção entre os agentes públicos. 

A corrupção funcionaria como um gatilho para a desafeição para 

com a política. Warren (2012), por sua vez, associa a corrupção à 

corrosão do caráter democrático, com consequência grave para o 

estoque de legitimidade do regime e para o interesse dos cidadãos 

no ativismo político. Em contextos claramente percebidos pelos 

indivíduos como dominados pela corrupção, a confiança esvai-se 

e, com ela, o engajamento psicológico necessário à participação 

(Verba, Schlozman e Brady, 1995). 

Apesar de alguns autores funcionalistas, como Huntin

gton (1968), defenderem a possibilidade de efeitos positivos da 

1  

É professor de ciência política na Universidade Federal de Goiás (UFG). E-mail: <rbonisilva@gmail.com>.

 2  É professor de ciência política na Universidade Estadual de Maringá (UEM) e no Programa 

de Pós-Graduação em Ciência Política da Universidade Federal do Paraná (UFPR). E-mail: 

<ednaldoribeiro@icloud.com>.

 Revista Brasileira de Ciência Política, no 20. Brasília, maio - agosto de 2016, pp 7-42.

 DOI: http://dx.doi.org/10.1590/0103-335220162001

8

 Robert Bonifácio e Ednaldo Ribeiro

 corrupção em contextos ditatoriais, por considerá-la um meio de 

superar as normas tradicionais e os regulamentos burocráticos que 

emperram o desenvolvimento econômico, sob o ponto de vista do 

comportamento cívico, não é fácil localizar na literatura especia

lizada a formulação de possíveis efeitos positivos da corrupção. 

Como exemplo, Doig e McIvor (1999) e Doig e Theobald (2000) 

sugerem que a alta taxa de percepção de corrupção relaciona-se ao 

baixo nível de confiança institucional, componente pouco favorável 

à estabilidade do sistema político. Seligson (2002), por sua vez, 

identifica, entre os experientes com atos corruptos, os mais baixos 

níveis de apoio ao regime político democrático, assim como os mais 

baixos níveis de confiança interpessoal. 

Objetivamos contribuir para o debate, investigando a relação 

entre um indicador de corrupção de nível individual – a experiência 

dos cidadãos com situações de pedido de propina por parte de algum 

agente público – e diversas modalidades de participação política. 

Desse modo, podemos analisar se a corrupção apresenta efeitos 

positivos ou negativos para o engajamento político no contexto 

brasileiro. Utilizamos como fonte exclusiva de dados o Barômetro 

das Américas, rodadas de 2007, 2008, 2010 e 2012.3

 Organizamos o trabalho da seguinte maneira: a seguir deba

temos o conceito de participação política, propomos indicadores e 

analisamos a sua multidimensionalidade. Posteriormente, tratamos 

das concepções de corrupção, descrevemos dados sobre o indicador 

e discutimos as contribuições da literatura especializada na relação 

entre corrupção e orientações políticas (atitudes e comportamento). 

A partir desses desenvolvimentos, construímos hipóteses e fazemos 

as análises empíricas relativas à relação entre corrupção e partici

pação política e à propensão à permissividade com corrupção entre 

os perfis sociais construídos. Ao final, fazemos breves considerações 

sobre virtudes e limitações dos resultados alcançados. 

3  

Agradecemos ao Latin American Public Opinion Project (Lapop) e a seus principais apoiadores – United 

States Agency for International Development (Usaid), Banco Interamericano de Desenvolvimento 

(BID) e Vanderbilt University – por tornar os dados disponíveis. 

Corrupção e participação política no Brasil: diagnósticos e consequências

 9

 Participação política: definição, indicadores e tipologia

 O debate sobre a participação política é polissêmico e extenso. 

Há, por exemplo, diversas visões acerca do ambiente em que o 

fenômeno desenvolve-se e a sua dimensionalidade, além do reper

tório das atividades participativas. Brady (1999) e Borba (2012) 

fazem adequados diagnósticos do debate e destacam que um dos 

poucos pontos consensuais é a consideração de que a participação 

é um comportamento, uma ação, e não uma atitude, que é algo 

imbuído de caráter subjetivo. 

Consideramos que a participação política refere-se a atividades 

exercidas por cidadãos, em diversas arenas, que objetivam influenciar 

as dinâmicas de poder. Logo, entendemos que participar significa 

tomar parte em algo (Fialho, 2008), que o fenômeno expressa-se por 

atividades e que pode se desenvolver em diversas arenas, buscando, 

de forma conflitiva ou cooperativa, influenciar a distribuição de 

poder (Reis, 2000). 

A partir dessa definição, é possível selecionar os indicadores 

empíricos, presentes no quadro 1. Antes, porém, devem ser feitas 

duas considerações. A primeira refere-se ao alcance da dinâmica 

participativa. Temos uma visão limitada a respeito, não incorpo

rando a concepção de que os seus resultados podem contribuir 

para uma mudança estrutural do Estado (Pizzorno, 1975). Isso se 

dá porque a ocorrência de movimentos revolucionários mostra-se 

pouco frequente ao longo da história, e o que buscamos estudar são 

os movimentos mais usuais. 

A segunda consideração recai sobre o associativismo. É recor

rente, em estudos da área, considerar a associação e a filiação a 

grupos e a movimentos como expressão de participação política. 

Isso faz sentido, já que um dos caminhos mais comuns para voca

lizar preferências e demandas dá-se por essa via. No entanto, é 

importante ter parcimônia na seleção destes grupos e movimentos. 

Grupos de igreja, de mulheres ou grêmios recreativos, por exemplo, 

podem ou não ter relação com questões políticas. O modo como 

essas variáveis estão descritas no questionário do Barômetro das 

Américas não possibilita a interpretação de que o engajamento 

10

 Robert Bonifácio e Ednaldo Ribeiro

 a estes grupos está atrelado a questões políticas. Logo, por não 

possuírem um caráter político inequívoco, elas não são incluídas na 

lista de indicadores de participação. 

Quadro 1 – Indicadores de participação política

 Votar em eleições

 Candidatar-se a cargo político

 Doar dinheiro para partido político ou candidato

 Trabalhar para partido político ou candidato em campanha eleitoral

 Assistir a comícios políticos

 Tentar convencer as pessoas sobre a escolha do voto

 Usar/utilizar adesivos, bottons e bandeiras em campanha eleitoral

 Assistir a reuniões de partidos políticos

 Filiar-se a partido político

 Assistir a reuniões de conselhos governamentais

 Assistir a reuniões de orçamento participativo

 Assistir a audiências públicas

 Assistir a reuniões da Câmara de Vereadores e dos Deputados e do Senado Federal

 Buscar contato com atores políticos e/ou governamentais

 Realizar atividades de lobby com atores políticos e governamentais

 Participar de protestos e manifestações públicas

 Participar de greves

 Assinar petição e/ou abaixo-assinado

 Agir em prol de melhorias da comunidade

 Assistir a reuniões de associação de bairro

 Ser membro efetivo de associação de bairro

 Boicotar determinados produtos por questões políticas

 Comprar determinados produtos por questões políticas

 Bloquear estradas e ocupar prédios e terrenos por questões políticas

 Fonte: elaboração própria

 Elaboração própria.

 Nem todos esses indicadores estão presentes no banco de dados 

do Barômetro das Américas, sendo possível trabalharmos somente 

com 11 variáveis, descritas a seguir:

 1) Trabalhar em campanha eleitoral. 

2) Contatar deputados (estaduais e federais). 

3) Contatar atores políticos governamentais (ministérios e 

secretarias).

 4) Contatar atores políticos locais (prefeitos e autoridades militares).

 5) Contatar vereadores e atores governamentais locais. 

Corrupção e participação política no Brasil: diagnósticos e consequências

 11

 6) Agir para solução de problemas na comunidade em que se vive. 

7) Assistir a reuniões de associação de bairro. 

8) Assistir a reuniões de partido político. 

9) Tentar convencer outros sobre a escolha do voto. 

10) Participar de manifestações ou protestos públicos. 

11) Assinar petições.4

 O voto não está incluído no trabalho porque, apesar de enten

dermos o ato como participativo, em Bonifácio e Paulino (2015), 

há indicações de que os fatores explicativos do comparecimento 

eleitoral relacionam-se de forma substancialmente diferente das 

demais modalidades de participação política, sendo sugerida uma 

investigação específica para essa questão. 

Embora haja critérios de ordem teórica para sustentar que todas 

as variáveis elencadas anteriormente são indicadoras de partici

pação política, realizamos um tratamento empírico a respeito para 

averiguar se estas variáveis agrupam-se em uma única dimensão ou 

se podem ser discriminadas em diferentes tipos ou modalidades, 

assumindo um caráter multidimensional. Esse aspecto da parti

cipação política é investigado por diversos autores, sendo usual a 

utilização do teste de análise fatorial exploratória.5 

Na tabela 1, as colunas representam os resultados da análise 

fatorial exploratória para cada rodada de dados do Barômetro das 

Américas e as linhas comportam as atividades participativas. As 

cargas fatoriais em cada célula gerada pelo cruzamento de linhas e 

colunas indicam o maior valor para cada variável. Para as rodadas 

de 2007, 2008 e 2010, foram gerados três fatores, e para a rodada de 

2012, quatro. 

As quatro primeiras variáveis mostram-se agrupadas em um 

mesmo fator em todas as rodadas e são indicadoras de contato com 

atores políticos e governamentais. Essa modalidade de participação 

4  As variáveis são codificadas no questionário do Barômetro das Américas da seguinte maneira, 

respectivamente: CP2, CP4a, CP4, NP2, CP5, CP8, CP13, PP1, PROT1 (2007 e 2008)/PROT3 (2010 e 

2012) e PROT6. 

5  Originalmente, esse procedimento parte de uma matriz de correlação de Pearson, adequada 

quando as variáveis apresentam natureza contínua (Gorsuch, 1983). A solução foi aplicar uma 

correção policórica, ideal para manipular dados binários e categóricos nesse teste (Drasgow, 1998). 

12

 Robert Bonifácio e Ednaldo Ribeiro

 que se caracteriza pelo contato direto entre representante(s) e repre

sentado(s), sem a presença de manifestações ou atos contestatórios, 

ou seja, de atividades que objetivam exercer pressão pública. Com 

base na redação das variáveis no questionário, não é possível saber 

se o contato ocorre de forma individual ou coletiva e tampouco a 

natureza das questões tratadas (se envolvem demandas legais ou 

criminosas).6

 As atividades de “ação em prol da comunidade” e “assistir reunião 

de associação de bairro” são constitutivas do ativismo comunitário, 

que denota atuação em questões políticas de abrangência exclusi

vamente local, que visam influenciar políticas e atores que cuidam 

de problemas da comunidade em que se vive. As maiores cargas 

estatísticas destes indicadores mostram-se agrupadas em um único 

fator nas três primeiras rodadas, havendo uma distorção desse 

padrão em 2012. 

O terceiro conjunto de variáveis – “trabalho em campanha elei

toral”, “convencer os outros sobre a escolha do voto” e “partici

pação em reuniões de partidos e movimentos políticos” – compõe 

a modalidade ativismo partidário e eleitoral, que se caracteriza pela 

tentativa de influenciar resultados eleitorais e por estar circunscrita 

a instituições e eventos oficiais. A formulação da variável sobre 

participação em reuniões de partidos e de movimentos políticos 

apresenta problemas, pois nos priva de distinguir o envolvimento 

dos brasileiros em cada uma dessas duas diferentes instituições. Os 

resultados destacados a seguir refletem esse problema de formu

lação: a variável compõe o fator sobre atividades partidárias e elei

torais nas rodadas de 2007 e 2012, mas também o fator de ativismo 

comunitário, nos anos de 2008 e 2010. Seguimos as indicações 

de estudos da área, como os de Verba, Nie e Kim (1987), Booth e 

Seligson (2009) e Bonifácio e Paulino (2015), que, em diferentes 

anos e contextos, arrolaram indicadores similares como relacio

nados ao ativismo partidário e eleitoral. 

6  Para mais detalhes, conferir a redação das variáveis CP2 CP4, CP4a e CP5 no questionário do 

Barômetro das Américas. 

Corrupção e participação política no Brasil: diagnósticos e consequências

 13

 Por fim, as pesquisas utilizadas contêm uma única pergunta 

genérica sobre o envolvimento dos cidadãos em atividades parti

cipativas contestatórias, o engajamento em protestos. Essa variável 

não se agrupa de forma satisfatória em nenhum dos fatores gerados, 

apresentando sempre baixo valor de carga estatística. Contudo, 

na rodada de 2012, é incorporada à variável sobre assinatura de 

petições e abaixo-assinados, que se agrupa com a variável indica

dora de participação em protestos em um fator à parte dos demais, 

com altas cargas estatísticas, constituindo, assim, uma modalidade 

específica de participação, intitulada ativismo de protesto. 

Esses resultados fortalecem ainda mais os achados de estudos 

como os de Verba, Nie e Kim (1987), Norris (2002), Booth e 

Seligson (2009) e Teorell, Torcal e Montero (2007), que asseveram 

a natureza multidimensional da participação política. Diante de 

tantas evidências sobre as diferentes modalidades ou tipos de parti

cipação política, consideramos inadequado concebê-la como um 

fenômeno uno, restrito ao ambiente governamental e eleitoral, 

como entende Milbrath (1965). O quadro 2 apresenta o nome da 

cada modalidade de participação política encontrado por meio da 

análise fatorial, assim como os seus indicadores.

 Quadro 2 – Modalidades de participação política e seus indicadores

 1) Ativismo comunitário: assistir a reuniões de associação de bairro e agir em prol de melhorias na comunidade. 

2) Contato com atores políticos e governamentais: contato com deputado estadual e federal, com ator po

lítico local, com ator governamental e com vereador e atores governamentais locais. 

3) Ativismo partidário e eleitoral: trabalho em campanha eleitoral, assistir a reuniões de par

tido político, tentar convencer os outros sobre a escolha do voto. 

4) Ativismo de protesto: participação em manifestações e protestos e assinatura de abaixo-assinado e petição.

 Elaboração própria.

Robert Bonifácio e Ednaldo Ribeiro 14

 Tabela 1 – Análise fatorial exploratória com as variáveis sobre participação política

 2007 2008 2010 2012

 1 2 3 1 2 3 1 2 3 1 2 3 4

 Contato com deputados 0.822-- 0.698-- 0.565-- 0.758--

Contato com atores 

governamentais 0.712-- 0.623-- 0.504-- 0.716--

Contato com atores 

políticos locais 0.860-- 0.886-- 0.859-- 0.911--

Contato com vereadores 0.679-- 0.799-- 0.830-- 0.893--

Ação em prol da 

comunidade-- 0.367-0.522-- 0.518-0.316--

Assistir à reunião de 

associação de bairro-- 0.540-0.593-- 0.673---- 0.383

 Trabalho em 

campanha eleitoral-0.696---0.632-- 0.494-0.570--

 Assistir à reunião de 

partidos políticos e 

movimentos políticos-0.727-- 0.426-- 0.595-- 0.579--

 Convencer os outros 

sobre a escolha do voto-0.574---0.551-- 0.492-0.540--

 Participar de protestos-0.312-----0.347---0.672

Assinar petições e 

abaixo-assinados-----------0.696

KMO 0.805 0.719 0.749 0.709

 Alpha de Cronbach 0.611 0.524 0.533 0.589

 Fonte: Dados do Barômetro das Américas, de autoria de Latin American Public Opinion Project (Lapop), disponível em: <www.

 LapopSurveys.org>.

 Elaboração própria.

 A tabela 2 apresenta o percentual de ativismo para cada moda

lidade de participação política, considerando todas as rodadas de 

dados.7 Apesar da considerável flutuação nos percentuais, podemos 

7  A seguir, os códigos das variáveis que constituem os índices presentes na tabela 2 e as respectivas 

categorias que indicam participação: PP2, CP2, CP4, CP4a, CP5 (rodada de 2007), NP2, PROT3 e 

PROT6: “Sim”/CP5 (rodadas de 2008, 2010 e 2012), CP8 e CP13: “uma vez por semana”, “uma ou 

duas vezes por mês” ou “uma ou duas vezes por ano”/PP1: “frequentemente”, “de vez em quando” 

ou “muito raramente”/PROT1 (rodadas de 2007 e 2008): “algumas vezes” ou “quase nunca”.

Corrupção e participação política no Brasil: diagnósticos e consequências 15

 afirmar que a maior parte dos brasileiros não participa de quaisquer 

atividades relacionadas às quatro modalidades. Ademais, o percen

tual de cidadãos participativos decai de forma linear à medida que 

aumenta a quantidade de atividades participativas realizadas.8 

Tabela 2 – Frequência de participação política por modalidade, de 2007 a 2012 (%)

 Modalidades de participação política

 Nível de participação

 0 1 2 3 4 Total de participação

 2007

 Ativismo comunitário 64,7 26,9 8,4-- 35,3

 Ativismo partidário e eleitoral 55,3 32,0 9,8 2,9 44,7

 Contato com atores políticos e governamentais 73,6 14,6 6,7 3,9 1,2 28,4

 Ativismo de protesto 85,1 14,9---14,9

 2008

 Ativismo comunitário 54,4 32,5 13,1-- 45,6

 Ativismo partidário e eleitoral 47,3 39,1 10,6 3,0 52,7

 Contato com atores políticos e governamentais 68,3 15,6 9,6 4,8 1,7 31,7

 Ativismo de protesto 81,5 18,5---18,5

 2010

 Ativismo comunitário 69,9 22,8 7,3-- 30,1

 Ativismo partidário e eleitoral 53,9 34,5 9,9 1,7-46,1

 Contato com atores políticos e governamentais 77,5 12,5 7,7 1,7 0,6 22,5

 Ativismo de protesto 94,6 5,4---5,4

 2012

 Ativismo comunitário 68,5 24,6 6,9-- 31,5

 Ativismo partidário e eleitoral 54,6 35,0 8,0 2,4-45,4

 Contato com atores políticos e governamentais 81,5 8,0 6,8 2,7 1,0 18,5

 Ativismo de protesto 82,9 14,3 2,8-- 17,1

 Fonte: Dados do Barômetro das Américas, de autoria de Latin American Public Opinion Project (Lapop), disponível em: <www.

 LapopSurveys.org>. Elaboração própria.

 8  Em duas variáveis, flutuações nos percentuais podem ser explicadas por mudanças na medida, 

com a alteração no período temporal contido nas categorias de resposta (CP5 e PROT1/PROT3). Por 

fim, cabe destacar que a inclusão da variável PROT6 em 2012 também contribui para a flutuação 

de percentuais referente à modalidade “ativismo de protesto”.

16

 Robert Bonifácio e Ednaldo Ribeiro

 Corrupção: concepções e medidas 

A corrupção ocupa considerável atenção de cientistas de diversas 

áreas. A explicação para tamanho interesse reside na sua ubiqui

dade em sociedades complexas, asseveram Lipset e Lenz (2002). A 

corrupção mostra-se presente ininterruptamente desde a antigui

dade até a atualidade e sua manifestação não se restringe a deter

minados contextos institucionais e culturais. Talvez por conta de 

sua ubiquidade, Euben (1989) entende que a história conceitual da 

corrupção é incerta. Segundo o autor, o termo foi utilizado em dois 

contextos distintos: para fazer referência a uma atividade humana 

específica – como, por exemplo, o suborno –, ou em um sentido 

mais geral de destruição, devastação ou adulteração de um material 

orgânico. Desse modo, acreditamos que o vocábulo apresenta cono

tação negativa e é assimilado a noções de decadência, desintegração 

e degeneração. 

Para Filgueiras (2008), é um equívoco escrever sobre uma teoria 

política da corrupção, já que não há, na tradição do pensamento 

político ocidental, consenso a respeito de seu significado. Por isso, 

de acordo com o autor, não se pode falar em uma teoria política 

sobre o fenômeno, mas de diferentes abordagens a respeito. 

Sobre as abordagens, a visão de Heidenheimer, Johnston e 

Levine (1989) indica a existência de três tipos principais. Um grupo 

de cientistas, o mais numeroso, a compreende como estritamente 

relacionada à atuação de agentes públicos (Nye, 1967; Manzetti e 

Wilson, 2009). Outro grupo formula definições sobre a corrupção, 

ressaltando a natureza econômica do fenômeno (Rose-Ackerman, 

1999). E uma terceira corrente teórica entende a corrupção como 

um fenômeno contrário à ideia de interesse público (Filgueiras, 

2008; Seña, 1989; Calera, 1989; Valdés, 1995). Desse modo, a 

corrupção é apreendida sob três óticas distintas: 1) como ato infra

cional, que se opõe ou que transcende as leis e normas oficiais; 2) 

como um comportamento calculado, que beneficia o corruptor, 

dada as oportunidades específicas do contexto em que a ação se 

insere; e 3) como intimamente ligada ao sistema normativo vigente 

em cada sociedade, respectivamente. 

Corrupção e participação política no Brasil: diagnósticos e consequências

 17

 A partir dessas abordagens, é possível conceber diversos indi

cadores de corrupção a nível individual, mas utilizamos somente 

uma medida: a experiência do cidadão com situações de pedido de 

propina por algum agente.9 Especificamente, utilizamos somente as 

variáveis que questionam os entrevistados sobre pedido de suborno 

por policial ou por funcionário público.10 Temos motivos para 

seguir esse caminho. O primeiro é a qualidade da medida. Não se 

trata de percepções nem de valores, mas de convivência com atos 

corruptos. Desse modo, acreditamos que a medida que chamaremos 

de “experiência com corrupção” é a mais objetiva entre as exis

tentes. Esta medida está livre de influência de aspectos subjetivos, 

como a cobertura midiática e as preferências políticas, que podem 

enviesar a resposta dos cidadãos a questões sobre corrupção. Em 

segundo lugar, é importante destacar que a medida de experiência 

com corrupção capta práticas de corrupção de pequena monta, que 

são possíveis de serem vivenciadas com frequência por qualquer 

cidadão. Por fim, o estudo de Bonifácio e Paulino (2015) destaca 

que a experiência com corrupção é a medida que melhor distingue 

engajamento ou não engajamento em atividades participativas entre 

os cidadãos das Américas e do Caribe, sobrepondo-se a medidas 

como percepção de corrupção entre funcionários públicos e tole

rância à propina. 

Há, porém, um problema técnico com essa medida no Barômetro 

das Américas. Existem mais variáveis sobre situações de pedido de 

propina11 que as utilizadas, mas não as utilizamos por apresentarem 

excesso de casos ausentes (missing values). Estas variáveis são sempre 

precedidas por uma pergunta-filtro. Por exemplo, pergunta-se 

primeiramente ao entrevistado se ele acessou o serviço público de 

saúde no último ano. Apenas se a resposta for positiva, é perguntado 

9  Classificamos a medida como experiência com corrupção, em vez de vitimização por corrupção, 

como fazem Mitchell Seligson e parceiros em diversos trabalhos. Da maneira como estão redigidas, 

as questões só permitem ao entrevistado atestar o papel de vítima, mas é factível supor que 

parte dos respondentes exercem, na realidade, o papel de corruptor. A fim de evitar a posição do 

entrevistado como corruptor ou vítima, utilizamos o termo “experiência com corrupção”. 

10  Os códigos das variáveis no questionário do Barômetro das Américas são EXC2 e EXC6, respectivamente.

 11  Para informações detalhadas sobre essas variáveis, procurar pelos códigos EXC11, EXC13, EXC14, 

EXC15 e EXC16 no questionário do Barômetro das Américas. 

18

 Robert Bonifácio e Ednaldo Ribeiro

 se, para ser atendido em um hospital ou posto de saúde, o entre

vistado teve que pagar propina. A maior parte dessas respostas é 

negativa; com isso, existe um grande percentual de valores ausentes 

em cada uma destas variáveis, o que torna a frequência de casos 

válidos diminuta, dificultando a análise dos dados. 

Conhecidas as virtudes e as limitações da medida de experiência 

com corrupção, destacamos a frequência e a flutuação percentual de 

cada variável relacionada (tabela 3). Os percentuais de experiência 

com corrupção mostram-se modestos, para todos os quatro indica

dores. É relativamente mais comum o pedido de suborno por parte 

dos policiais, variando entre 3,1% e 5,9% entre os quatro períodos 

temporais. Ademais, observamos certa constância nas frequên

cias, havendo somente leves flutuações nos percentuais entre as 

rodadas. Talvez isso se explique pela natureza objetiva da medida: 

uma vez que se atém a eventos e não eventos, é de se esperar que ela 

seja pouco afetada por questões usualmente atreladas à corrupção, 

como notícias negativas sobre governos e representantes políticos, 

insatisfações com a qualidade das políticas públicas e avaliações a 

respeito da situação econômica e da vida. 

Tabela 3 – Experiências com corrupção, de 2007 a 2012 (%)

 2007

 Pedido de suborno por autoridade policial

 2008

 2010

 4,8

 Pedido de suborno por funcionário público

 Fonte: Dados do Barômetro das Américas.

 Elaboração própria.

 2,6

 3,1

 1,6

 5,9

 3,1

 2012

 4,3

 2,3

 Tendo em vista que nosso interesse é avaliar o impacto das 

experiências com corrupção, de um modo geral, no comporta

mento participativo dos brasileiros, em vez de conduzirmos testes 

envolvendo as variáveis relativas a cada uma dessas experiências, 

consideramos mais interessante reduzi-las a uma medida integrada. 

Tal procedimento também favorece a análise dos dados em testes 

Corrupção e participação política no Brasil: diagnósticos e consequências

 19

 inferenciais, por aumentar a quantidade de casos na variável desig

nada “experiência com corrupção”. 

Corrupção e orientações políticas 

Tendo como foco as orientações políticas individuais, enten

demos que estudos da área são quase consensuais ao indicarem 

os efeitos nocivos da corrupção para atitudes e comportamentos 

entendidos como cívicos. No campo normativo, os trabalhos de 

Hirschman (1983) e de Warren (2012) são referências para vislum

brarmos tais efeitos para o sistema político de uma forma geral. 

Hirschman (1983) busca, em aspectos sociopsicológicos, 

a explicação para o envolvimento cíclico do indivíduo em ativi

dades relacionadas às esferas pública (indivíduo identificado como 

“cidadão”) e privada (indivíduo identificado como “consumidor”). 

A corrupção é importante para entender o desengajamento do 

“cidadão” em atividades da esfera pública, relacionadas ao ativismo 

político. A percepção e a vivência com atos de corrupção ao longo 

do tempo potencializam a conformação e a consequente imersão 

do cidadão em atos corruptos. Tal movimento é compreendido 

pelo autor como um sintoma de mudança de preferência, com o 

indivíduo passando a priorizar interesses particulares via ganhos 

materiais advindos da corrupção. A persistente imersão em atos 

corruptos leva os indivíduos a pensarem que as atividades públicas 

são atividades vis por natureza e, assim, o que inicialmente era 

uma reação de descontentamento com a esfera pública, torna-se 

um determinante de descontentamento adicional e profundo que, 

por sua vez, prepara o terreno para mais corrupção. Ao final do 

processo, o espírito público é completamente eliminado. Nessas 

condições, a corrupção pode proporcionar ao “cidadão” uma rápida 

transição de volta ao seu papel de “consumidor”. 

Na perspectiva de Warren (2012), a corrupção mina os processos 

de natureza inclusiva da política, como a relação entre represen

tantes e representados, pois compromete o poder de voto e de 

fala dos indivíduos que almejam influenciar as decisões coletivas, 

removendo o poder e os recursos da arena pública para as relações 

20

 Robert Bonifácio e Ednaldo Ribeiro

 parciais, particulares e privadas. Como consequência, tem-se o 

enfraquecimento da legitimidade democrática devido à exclusão 

de grande parte da população das decisões que a afeta. Ademais, 

a corrupção afeta a cultura democrática, destaca o autor. Se 

a corrupção alastra-se, perde-se paulatinamente a confiança no 

processo de tomada de decisões públicas – enxergando-o como 

não publicamente disponível e justificável – e, como consequência, 

é provável que os indivíduos tornem-se cada vez mais cínicos a 

respeito do discurso público e da deliberação. A partir dessas consi

derações, Warren sugere que a corrupção possibilita a diminuição 

do horizonte das ações coletivas, encolhendo o domínio da demo

cracia nesse campo.

 Hirschman (1983) e Warren (2012) destacam que o envolvi

mento do indivíduo com as práticas corruptas tem consequências 

negativas tanto para o caráter democrático do sistema político 

quanto para as atitudes e os comportamentos cívicos. Contudo, suas 

obras têm a limitação de serem essencialmente teóricas, norma

tivas, atemporais e sem delimitação de contexto.

 Já os estudos a seguir, para além de desenvolverem discussões 

teóricas, oferecem análises empíricas sobre o papel da experiência 

com corrupção nas atitudes políticas no contexto latino-americano. 

Em Zéphyr (2008) e Seligson (2001; 2002) há considerações 

uníssonas, no sentido de atestar a associação de experiência com a 

corrupção a baixos patamares de adesão ao regime político demo

crático. Utilizando dados do Barômetro das Américas de 2006, 

Zéphyr identifica que quanto maiores são os níveis de experiência 

com corrupção dos indivíduos, menores são suas taxas de adesão à 

democracia. No primeiro trabalho de Seligson, são utilizados dados 

de pesquisas de opinião da população nicaraguense de 1996 e 1998, 

a primeira conduzida anteriormente e a segunda após a realização 

de uma campanha nacional de conscientização contra a corrupção. 

Já no segundo trabalho, os dados são de pesquisas de opinião entre 

cidadãos bolivianos e paraguaios em 1998 e entre salvadorenhos e 

nicaraguenses em 1999. Em ambos os estudos, o autor encontra uma 

relação negativa entre experiência com corrupção e legitimidade 

Corrupção e participação política no Brasil: diagnósticos e consequências

 21

 democrática. No trabalho de 2002, Seligson também investiga os 

efeitos da experiência com corrupção na confiança interpessoal, 

fenômeno entendido como facilitador da formação de profundas e 

duráveis associações civis entre os indivíduos. Os efeitos negativos 

da corrupção mostram-se, mais uma vez, presentes: quanto mais 

experiência com corrupção, menos confiança interpessoal. 

Salinas e Booth (2011) conduzem a investigação no sentido de 

verificar o papel da experiência com corrupção em indicadores 

de civismo, tais como a adesão ao regime político democrático, o 

apoio ao direito de participação política e a tolerância em relação a 

formas contestatórias de expressão política. Os dados utilizados são 

do Barômetro das Américas, de 2010. Em todos os casos, os autores 

observaram associações negativas, concluindo que a corrupção é 

nociva ao civismo. 

Para Bohn (2012), a legitimidade dos regimes democráticos 

deriva do apoio em massa aos seus principais processos, tais como 

eleições livres e justas, liberdades e direitos institucionalizados e 

transparência e accountability nas instituições públicas. A manifes

tação da corrupção no ambiente democrático teria o potencial de 

viciar as interações entre indivíduo e estrutura, causando a dimi

nuição de confiança e de satisfação dos indivíduos com princípios 

e instituições democráticas. A partir dessas considerações, a autora 

direciona a sua investigação, analisando o papel da experiência com 

corrupção na satisfação dos cidadãos com a democracia realmente 

existente, com base em dados do Barômetro das Américas de 2010. 

Bohn identifica que quanto maiores são os níveis de experiência 

com corrupção, menor é a satisfação com a democracia. 

Todos os autores abordados anteriormente esclarecem que a 

proximidade do indivíduo com a corrupção torna-o menos susce

tível a expressar atitudes políticas congruentes com os princípios 

democráticos. Ou seja, a corrupção teria efeitos nocivos a uma 

cultura cívica. 

Entre os especialistas em comportamento político brasileiros e 

brasilianistas, a investigação usual é sobre os efeitos da corrupção 

no sucesso eleitoral de políticos envolvidos em escândalos de 

22

 Robert Bonifácio e Ednaldo Ribeiro

 corrupção e nas escolhas eleitorais dos cidadãos.12 Os trabalhos de 

Hunter e Power (2007), Rennó (2008) e Rennó e Hoepers (2010) 

atêm-se ao contexto de 2006, marcado pela eleição presidencial que 

reelegeu Lula e pelo amplo noticiário a respeito do escândalo do 

“mensalão”. 

No primeiro trabalho, os autores identificam que os grupos 

de eleitores com menores e maiores recursos socioeconômicos 

diferenciam-se a respeito do nível de informação sobre corrupção 

e dos efeitos que os escândalos de corrupção possuem na decisão 

do voto. O primeiro grupo de eleitores é o menos informado sobre 

os escândalos de corrupção e o que menos leva esta informação e 

estes efeitos em consideração para a conformação da confiança no 

então presidente Lula e para a avaliação de seu governo. Sabendo 

ou não dos escândalos, este grupo de eleitores também tende a 

recompensar eleitoralmente Lula pelo desempenho positivo de seu 

governo nas políticas sociais e na condução da economia. Por outro 

lado, os mais escolarizados e informados mostram-se mais intole

rantes com os cidadãos vistos como corruptores: enquanto 40% dos 

analfabetos e 31% dos cidadãos que possuem até o Ensino Primário 

completo concordam com a frase “se alguém é eleito para um cargo 

público, deve usar o cargo como se fosse sua propriedade particular, 

em seu benefício”, essa concordância atinge apenas 5% dos cidadãos 

com Ensino Médio e 3% com Ensino Superior. 

Hunter e Power (2007) afirmam que os resultados corroboram 

duas teses da literatura especializada. Uma que indica que os elei

tores com maior acesso à informação são mais propensos a atuar 

de maneira punitiva em relação aos políticos, e outra que considera 

que os cidadãos com menor segurança econômica, no momento de 

se expressarem politicamente, priorizam suas necessidades básicas 

sobre outras questões, tais como ética e transparência, enquanto 

12  Moisés (2010) constitui-se uma exceção, ao analisar os efeitos da corrupção para a qualidade da 

democracia. Contudo, o autor traz poucos esclarecimentos a duas questões importantes: 1) não 

especifica o que entende por “rouba, mas faz”, tampouco relata os seus indicadores; e 2) em testes de 

regressão realizados, os resultados são relatados pelo autor, mas não mostrados ao longo do texto. 

Corrupção e participação política no Brasil: diagnósticos e consequências

 23

 cidadãos privilegiados tendem a enfatizar os valores pós-materia

listas em maior medida. 

Rennó e Hoepers (2010) investigam o voto estratégico punitivo 

na eleição presidencial de 2006. Especificamente, trata-se de iden

tificar eleitores comumente simpáticos à candidatura de Lula que 

não votaram nele no primeiro turno como forma de puni-lo pelo 

envolvimento de membros de seu partido político em escândalos 

de corrupção, mas que o apoiaram no segundo turno. Devido à 

alta sofisticação do voto estratégico punitivo, os autores verificam 

que apenas 4% dos eleitores tiveram tal tipo de comportamento. 

Contudo, essa pequena margem de eleitores mostrou-se decisiva 

para a ocorrência do segundo turno e para assegurar a vitória de 

Lula no turno final da eleição.

 Com base nesses resultados, Rennó e Hoepers (2010) consideram 

corroborada a hipótese central de que uma pequena, mas relevante, 

parcela do eleitorado brasileiro usou um tipo de voto estratégico 

diferenciado para a definição de suas escolhas eleitorais no pleito 

de 2006. Os eleitores de Heloísa Helena encaixam-se perfeitamente 

nesse perfil: eram antigos apoiadores de Lula, frustrados com o 

envolvimento de seu governo em escândalos de corrupção e que 

decidiram puni-lo no primeiro turno. Contudo, no segundo turno, 

com a possibilidade de praticarem o voto útil, levaram em consi

deração outros atributos do desempenho do governo para voltar a 

apoiar Lula.

 Já o foco de Rennó (2008) é a eleição para deputado federal em 

2006. O autor pesquisa as consequências do envolvimento de depu

tados federais em escândalos de corrupção para as suas chances de 

reeleição, supondo que este envolvimento possa manchar a repu

tação do deputado e ferir a lealdade que possui com os seus elei

tores. O autor segmenta os deputados da 52ª legislatura (2003-2006) 

entre envolvidos ou não com escândalos de corrupção e identifica 

que o primeiro grupo tem maiores taxas de tentativa de reeleição e 

de sucesso eleitoral, em comparação ao segundo grupo. Os testes 

de regressão realizados confirmam essas relações, mesmo levando 

24

 Robert Bonifácio e Ednaldo Ribeiro

 em conta outros fatores explicativos, como quantidade de recurso 

concentrado (pork barrel) e gastos de campanha. 

Para Rennó (2008), esses resultados são indícios de que os elei

tores não são completamente alheios ao que os políticos fazem e 

punem aqueles que se envolvem em corrupção. Ainda assim, a alta 

despesa com campanha constitui-se um escudo importante para os 

políticos envolvidos em escândalos, no sentido em que é o único 

fator que aumenta as chances de sucesso eleitoral entre deputados 

com pecha de corruptos. 

Em Rennó e Ames (2014), o contexto enfocado são as eleições de 

2010. Eles investigam o quanto as discussões sobre o aborto e sobre 

os escândalos de corrupção, envolvendo uma ministra de governo 

próxima à candidata do Partido dos Trabalhadores (PT) à Presi

dência em 2010, a poucas semanas do primeiro turno, alteraram as 

intenções de voto. Os autores utilizam dados de pesquisa de painel 

com três pontos no tempo (abril, setembro e novembro) e observam 

que as discussões sobre o aborto pouco alteraram as preferências 

eleitorais entre os três principais candidatos à Presidência – Marina 

Silva, José Serra e Dilma Rousseff –, mas que os escândalos de 

corrupção tiveram um forte impacto. 

Rennó e Ames identificam as maiores alterações de intenção 

de voto na fase final de campanha, quando as duas questões desta

cadas anteriormente vieram à tona no embate eleitoral. Ademais, 

para eles não restam dúvidas de que a candidatura de Dilma foi 

negativamente afetada por escândalos de corrupção: parte dos elei

tores que consideravam a corrupção um problema nacional e que 

intencionavam votar em Dilma em setembro mudaram de opinião 

em novembro, na rodada de pesquisa que capta o voto declarado 

no primeiro turno. Os resultados destacados pelos autores indicam 

que a migração de maior parte deste voto foi de Dilma para Serra. 

Assim, afirmam que a questão da corrupção sobrepôs-se à do aborto 

como fator-chave para entender a incapacidade do PT de vencer as 

eleições no primeiro turno. Serra, que foi para o segundo turno das 

eleições, foi o mais beneficiado por esse processo.

Corrupção e participação política no Brasil: diagnósticos e consequências

 25

 Os autores destacam que os dados longitudinais permitem 

explorar melhor as nuances da disputa eleitoral e afirmam que o 

“purgatório eleitoral” de Dilma (duas semanas anteriores à reali

zação do segundo turno) está muito mais relacionado à emergência 

de escândalos de corrupção do que à discussão sobre o aborto, 

fazendo com que sua candidatura fosse prejudicada, ao passo que a 

candidatura de Serra foi favorecida.

 Em consonância com os trabalhos que se atém ao contexto 

latino-americano, as investigações de Hunter e Power (2007) e 

de Rennó e parceiros (2008; 2010; 2014) sobre o caso brasileiro 

apontam que corrupção tem efeitos sobre as escolhas eleitorais dos 

brasileiros, embora estes efeitos sejam marginais e diferenciados 

entre os diferentes segmentos da população.

 Contudo, os escassos estudos sobre a relação entre corrupção e 

participação política concedem resultados dissonantes aos desta

cados anteriormente. Os trabalhos de Olsson (2014) e de Bonifácio 

e Paulino (2015) são exemplares. 

Em Olsson (2014), investiga-se a relação entre percepção de 

corrupção no serviço público e três tipos de participação política 

(comparecimento eleitoral e participação política institucionalizada 

e não institucionalizada) em 33 países – de regiões da Europa, da 

Ásia e da América Latina – na rodada de dados pertinente aos 

anos de 2003 a 2006 do International Social Survey Programme 

(ISSP). A autora observa que a associação negativa entre percepção 

de corrupção e participação política institucionalizada e não insti

tucionalizada só se mostra presente em modelos univariados. À 

medida que se adicionam variáveis nos modelos de regressão, esse 

efeito esfuma-se, identificando-se uma associação positiva de baixo 

patamar de intensidade e desprovida de significância estatística. Ou 

seja, não se observa qualquer padrão de associação entre percepção 

de corrupção e atividades participativas não eleitorais. Já para 

comparecimento eleitoral, observa-se uma clara tendência de asso

ciação negativa: quem percebe corrupção no serviço público tem 

menores níveis de presença em votações. 

26

 Robert Bonifácio e Ednaldo Ribeiro

 Já o artigo de Bonifácio e Paulino (2015) atém-se à relação entre 

corrupção e participação política entre americanos e caribenhos. 

Utilizando dados do Barômetro das Américas, rodadas de 2006, 

2008, 2010 e 2012, os autores identificam que indivíduos com 

experiência com situações de pedidos de propina por policiais e 

funcionários públicos apresentam mais chances de engajamento 

em atividades participativas que os indivíduos que não possuem tal 

experiência. Esse resultado é válido para quatro das cinco moda

lidades de participação política analisadas: ativismo comunitário, 

ativismo partidário e eleitoral; contato com atores políticos e gover

namentais; e ativismo de protesto. Comparecimento eleitoral cons

titui-se uma exceção, sem padrão identificável. 

Os dois trabalhos contribuem para um problema de pesquisa 

pouco investigado e os resultados que alcançam vão em desencontro 

com a maior parte da literatura de comportamento político – parte 

dela anteriormente abordada –, que afirma a existência de asso

ciação negativa entre experiência com corrupção e atitudes políticas 

cívicas. Temos, portanto, contribuições com visões contraditórias 

acerca dos possíveis efeitos da proximidade com a corrupção sobre 

as orientações políticas individuais. Isso dificulta a construção de 

hipóteses, dado que essa tarefa é menos complexa quando se tem 

consenso da literatura especializada a respeito de uma relação. 

Apesar dos dilemas envolvidos, decidimos construir uma 

hipótese afinada com os dois últimos trabalhos abordados, por 

conta da proximidade de seu desenho de pesquisa com o nosso. 

Desse modo, hipotetizamos, para todas as modalidades de parti

cipação política, que: (H1) os indivíduos que possuem experiência 

com corrupção apresentam maiores chances de engajamento em 

atividades participativas que os indivíduos que não possuem tal tipo 

de experiência. 

Embora seja importante considerar a existência de diversas e 

contraditórias motivações para a adesão a cada uma das modalidades 

Corrupção e participação política no Brasil: diagnósticos e consequências

 27

 de participação política,13 não discriminamos diferentes hipóteses 

para cada uma delas porque não vislumbramos diferenças no 

processo de engajamento político, dado que ele é sempre volunta

rista e ativista. Ademais, os trabalhos que abordamos nesse tópico 

são claros, ao indicarem tanto um efeito nocivo quanto uma asso

ciação positiva da corrupção, com atitudes e participação políticas, 

respectivamente. Nesses dois conjuntos de trabalhos, quase todos 

indicam não haver qualquer evidência que diferencie a relação da 

corrupção com os diversos fenômenos investigados. Essas consi

derações servem-nos de referência para construirmos uma única 

hipótese acerca da relação entre corrupção e participação política.

 Permissividade à corrupção 

Embora seja necessário diagnosticar um possível padrão de 

associação entre corrupção e participação política nos contextos 

selecionados, isso não é suficiente. Também é essencial extrair 

algum significado dessa relação e identificar o grau de permissivi

dade à corrupção do brasileiro que alia experiência com corrupção 

e participação política. Especificamente, buscamos entender se a 

proximidade com atos corruptos e o simultâneo ativismo político 

levam esse indivíduo, por um lado, à busca de uma transformação 

da situação vigente, tendo como horizonte um cenário de probi

dade ou, por outro lado, se ele tende a relativizar a gravidade 

da corrupção, conformando-se com os atos corruptos. Ou seja, 

buscamos identificar se há uma predominância de indignação ou de 

resignação desse perfil social. 

A ideia de permissividade à corrupção remete a diversas atitudes 

favoráveis ou, pelo menos, não contrárias à manifestação de atos 

corruptos na sociedade. Como exemplo, podemos citar as consi

derações sobre o “rouba, mas faz” e sobre a compra de votos, o 

posicionamento em situações hipotéticas de pequenas corrupções, 

a tolerância ao pagamento de propina, entre outros. Todas essas 

13  Cabe ressaltar que nossa definição de participação política e a posterior análise de dados das 

atividades participativas têm como referência a finalidade do fenômeno, e não as motivações 

individuais que justificam a sua ocorrência. 

28

 Robert Bonifácio e Ednaldo Ribeiro

 questões são abarcadas pelo Barômetro das Américas, mas apenas a 

última – tolerância ao pagamento de propina – é aplicada em todas 

as rodadas, permitindo comparações longitudinais. 

Dois possíveis cenários mostram-se os mais interessantes na 

análise da permissividade à corrupção do indivíduo que alia expe

riência com corrupção e participação política: a situação dele se 

mostrar o mais ou o menos tolerante ao pagamento de propina, 

em relação aos demais perfis. A análise é comparativa, tendo como 

referências os outros perfis sociais, que apresentam a interação das 

demais categorias de evento e não evento em relação à experiência 

com corrupção e participação política. 

Para a formulação de hipótese, baseamo-nos em resultados de 

estudos sobre os efeitos da corrupção em atitudes políticas. Desse 

modo, hipotetizamos, para todas as modalidades de participação 

política, que: (H2) o indivíduo que alia experiência com corrupção 

e ativismo político tem mais probabilidade de ser tolerante ao paga

mento de propina (mais permissivo à corrupção) que os demais 

indivíduos. 

Corrupção e participação política no Brasil: análise dos dados

 Construímos modelos de regressão logística bivariada tendo 

como variável a ser explicada cada uma das quatro modalidades de 

participação política, utilizando os dados de todas as rodadas. Reali

zamos modelos progressivos, que continham inicialmente apenas a 

variável binária experiência com corrupção,14 adicionando, em um 

segundo momento, as variáveis de controle, referentes às condições 

socioeconômicas dos entrevistados: sexo, idade, escolaridade e 

renda15 (tabela 4). 

Na coluna referente a cada modalidade de participação política 

há os números 1 e 2, que indicam o modelo inicial e o completo, 

14  É a única variável explicativa dos modelos construídos e tem natureza binária, sendo o valor 0, de 

não evento, usado como referência. 

15  A variável sobre sexo é nominal, ficando o feminino a referência. As demais variáveis sobre condições 

socioeconômicas são contínuas. 

Corrupção e participação política no Brasil: diagnósticos e consequências

 29

 respectivamente. Buscando uma leitura mais clara dos dados, 

optamos por usar o efeito percentual em vez da razão de chance.16 

Os resultados mostram uma clara uniformidade no que se refere 

aos efeitos da experiência com corrupção no ativismo político. 

Nos modelos inicial e completo de todas as rodadas de dados e 

modalidades de participação política, observa-se que os indivíduos 

com experiência com corrupção têm mais chances de se engajarem 

em atividades participativas, tendo como referência aqueles que 

não possuem tal tipo de experiência. Na quase totalidade dos casos, 

há significância estatística e o efeito percentual é de moderado a 

elevado patamar, apresentando valores acima de 40%. Ao longo 

da série temporal, os maiores valores sempre se concentram no 

ativismo de protesto. Por fim, cabe destacar que o mesmo padrão 

de associação positiva observado nos modelos de regressão inicial e 

completo indica a existência de uma relação robusta entre corrupção 

e participação política, afastando qualquer possibilidade de relação 

espúria. Todos esses resultados são fortes evidências para a corro

boração da primeira hipótese. Em período recente, há uma clara 

relação de sentido positivo entre corrupção e participação política 

no Brasil. 

Vamos além da identificação do padrão associativo na relação 

entre as medidas de corrupção e participação política e investi

gamos as suas consequências, analisando o quanto que o perfil que 

alia experiência com corrupção e ativismo político é permissivo à 

corrupção, atitude medida via tolerância ao pagamento de propina. 

Para tanto, foram realizados testes de valores preditos, que geram 

probabilidades de permissividade à corrupção para cada perfil 

social construído.17 

16  Os valores de efeito percentual são gerados a partir da aplicação da seguinte equação: Exp (B) – 1 * 100.

 17  Os perfis são construídos a partir da interação de categorias indicadoras de evento e não evento 

de experiência com corrupção e participação política. Assim, são quatro os perfis: experiência 

com corrupção e participação política; experiência com corrupção e não participação política; 

não experiência com corrupção e participação política; e não experiência com corrupção e não 

participação política. 

Robert Bonifácio e Ednaldo Ribeiro 30

 Tabela 4 – Preditores de participação política, por modalidade e rodada (%)

 CAPG AC APE AP

 1 2 1 2 1 2 1 2

 2007

 Experiência com corrupção 93,1*** 121,3*** 75,0*** 74,5*** 141,1*** 121,1*** 326,8*** 249,8***

 Sexo masculino--21,6*-3,7-34,6***-40,9**

 Idade-0,3-1,4***-0,3-0,1

 Renda familiar--2,2-4,6--4,0-2,3

 Escolaridade--5,2-0,8-3,8***-13,0***

 Constante-67,0***-50,0***-50,0***-80,0***-25,0***-54,4***-86,0***-97,4***

 Qui-quadrado 7,9*** 19,5*** 6,2*** 22,7*** 15,0*** 27,5*** 33,2*** 78,0***

 Pseudo R² 0,006 0,015 0,004 0,015 0,009 0,017 0,035 0,082

 Log likehood -638,5-632,7-747,7-739,5-770,9-764,7-455,0-432,6

 2008

 Experiência com corrupção 22,7 25,9 47,2 52,3 78,2*** 70,6**--

 Sexo masculino--5,4--0,2-14,5--

 Idade-0,6-1,4***--0,8**--

 Renda familiar--1,6--8,6*-2,9--

 Escolaridade-0,5-0,7-4,5**--

 Constante-54,2***-64,0***-50,0***-65,5*** 7,7-4,5--

 Qui-quadrado 0,6 3,19 2,05 15,74*** 5,44*** 30,2***--

 Pseudo R² 0,0004 0,0021 0,0015 0,0125 0,0031 0,0184--

 Log likehood -809,6-745,3-676,9-622,4-885,4-803,8--

Corrupção e participação política no Brasil: diagnósticos e consequências 31

 CAPG AC APE AP

 1 2 1 2 1 2 1 2

 2010

 Experiência com corrupção 49,2** 45,5** 41,3* 39,9* 84,9*** 70,9*** 113,4*** 91,0**

 Sexo masculino-5,5-14,7-22,3**-20,2

 Idade--0,1-0,8--0,1--1,7***

 Renda familiar--0,1--0,1--0,1-0,3

 Escolaridade-0,3--0,1-0,5-0,4

 Constante-71,0***-71,0***-73,8***-75,0***-7,7** 0,1-99,5***-90,0***

 Qui-quadrado 4,8** 8,4 2,7* 8,4 13,3*** 32,6*** 7,2*** 18,0***

 Pseudo R² 0,0019 0,0033 0,0013 0,0039 0,0044 0,0107 0,0067 0,0165

 Log likehood -1277,4-1275,6-1073,1-1070,3-1521,3-1511,7-544,0-538,6

 2012

 Experiência com corrupção 87,9** 105,3*** 89,0** 93,0** 116,2*** 92,4*** 111,7** 97,8**

 Sexo masculino--4,5-21,1-49,1***-4,1

 Idade-1,6***-1,7***-0,8**--0,5

 Renda familiar--4,7**--0,1--2,7--0,5

 Escolaridade-1,0-1,9-2,8-5,8**

 Constante-78,2***-81,8***-55,8***-81,4***-21,3***-50,0**-80,3***-86,0**

 Qui-quadrado 5,4** 23,8*** 7,2*** 25,8*** 10,8*** 27,5*** 7,6*** 18,8***

 Pseudo R² 0,0038 0,0174 0,0039 0,0147 0,0053 0,0143 0,0056 0,0145

 Log likehood -711,2-671,3-920,2-867,3-1008,6-948,3-677,2-641,7

 Fonte: Dados do Barômetro das Américas, de autoria de Latin American Public Opinion Project (Lapop), disponível em: <www.

 LapopSurveys.org>.

 Elaboração própria.

 Notas:  * = p valor menor/igual a 0,10. 

** = p valor menor ou igual a 0,05.  

*** = p valor menor ou igual a 0,01.

 Obs.: CAPG = contato com atores políticos e governamentais; AC = ativismo comunitário; APE = ativismo partidário e eleitoral; AP 

= ativismo de protesto.

32

 Robert Bonifácio e Ednaldo Ribeiro

 Ao contrário dos resultados sobre a relação entre corrupção 

e participação política, os resultados não são uniformes para a 

permissividade à corrupção. A partir dos dados contidos no 

gráfico 1 e na tabela 5, identificamos dois perfis mais permis

sivos: os perfis que aliam experiência com corrupção e não parti

cipação (“Exp*NPart”, área sombreada na tabela) e experiência 

com corrupção e participação (“Exp*Part”) praticamente dividem 

os casos de maior permissividade. Analisando por modalidade 

de participação política, observamos que o primeiro perfil citado 

tende a ser o mais permissivo à corrupção em contato com atores 

políticos e governamentais e em ativismo comunitário, sendo que 

o segundo perfil ocupa essa posição em relação ao ativismo parti

dário e eleitoral e ao ativismo de protesto. 

Quando o foco da análise é a menor permissividade à corrupção 

(gráfico 1 e tabela 6), o perfil que combina não experiência com 

corrupção e não participação política (“NExp*NPart”, áreas 

sombreadas na tabela) predomina, ocupando esse papel em dez dos 

15 casos possíveis. 

A maior limitação desses dados – melhor visualizados no 

Apêndice A – é a ausência de diferenciação probabilística quando se 

leva em conta a margem de erro. Porém, a identificação dos padrões 

de forma consistente ao longo dos anos é um contraponto e nos 

serve de referência para atestarmos a sua validade. 

Em suma, o conjunto desses resultados não corroboram a 

segunda hipótese. Não podemos afirmar que o indivíduo que possui 

como características a combinação de proximidade com corrupção 

e de ativismo político é o mais permissivo à corrupção, usando a 

tolerância ao pagamento de propina como indicador. 

Contudo, um padrão é claramente detectado: aqueles que possuem 

experiência com corrupção, independentemente de serem ou não 

politicamente participativos, são os mais permissivos à corrupção. 

Isto é, o posicionamento resignado e conformista encontra terreno 

fértil entre aqueles tocados pela corrupção, o que se constitui mais 

uma evidência nociva do fenômeno para o civismo.

Corrupção e participação política no Brasil: diagnósticos e consequências

 33

 Tabela 5 – Síntese dos resultados para maior permissividade à corrupção

 Tolerância ao pagamento de propina

 2006

 CAPG

 AC

 APE

 Exp*NPart

 Exp*NPart

 2008

 Exp*NPart

 2010

 Exp*NPart

 Exp*NPart

 Exp*Part

 AP

 Exp*Part

 Exp*NPart

 NSA

 Exp*NPart

 Exp*Part

 Exp*Part

 2012

 Exp*Part

 Exp*NPart

 Exp*Part

 Exp*Part

 Fonte: Dados do Barômetro das Américas, de autoria de Latin American Public Opinion Project (Lapop), disponível em: <www.

 LapopSurveys.org>.

 Elaboração própria.

 Obs.: Exp*NPart = experiência com corrupção e não participação política e Exp*Part = experiência com corrupção e participação política.

 Tabela 6 – Síntese dos resultados para menor permissividade à corrupção

 Tolerância ao pagamento de propina

 2006

 CAPG

 AC

 APE

 NExp*NPart

 NExp*NPart

 2008

 NExp*Part

 2010

 NExp*Part

 NExp*NPart

 NExp*NPart

 AP

 NExp*NPart

 NExp*NPart

 NSA

 NExp*Part

 NExp*NPart

 NExp*Part

 2012

 NExp*NPart

 NExp*Part

 NExp*NPart

 NExp*NPart

 Fonte: Dados do Barômetro das Américas, de autoria de Latin American Public Opinion Project (Lapop), disponível em: <www.

 LapopSurveys.org>.

 Elaboração própria.

 Obs.: NExp*NPart = não experiência com corrupção e não participação política e NExp*Part = não experiência com corrupção e 

participação política.

34

 Robert Bonifácio e Ednaldo Ribeiro

 Gráfico 1 – Permissividade à corrupção dos perfis sociais, em 2012 (em probabilidade)

 Fonte: Dados do Barômetro das Américas, de autoria de Latin American Public Opinion Project (Lapop), disponível em: <www.

 LapopSurveys.org>.

 Elaboração própria.

 Obs.: 1 = não experiência e participação; 2 = experiência e não participação; 3 = não experiência e participação; e 4 = experiência 

e participação.

 Considerações finais

 Investigamos um problema de pesquisa ainda inédito para o 

contexto nacional e os resultados alcançados contribuem, de um 

lado, para confirmar determinadas tendências já identificadas por 

especialistas em outros contextos e períodos históricos e, de outro 

lado, para lançar luzes a novos achados inerentes à relação entre 

corrupção e participação política. 

A multidimensionalidade da participação política foi confir

mada para o caso brasileiro. É mais uma evidência, entre as várias 

já disponibilizadas por diversos outros autores, de que é descabida 

qualquer consideração que direcione as atividades participativas 

para um único alvo – os governos de diversas esferas   – e/ou que as 

Corrupção e participação política no Brasil: diagnósticos e consequências

 35

 aprisionem a uma arena específica – como a eleitoral. O estudo de 

Milbrath (1965), neste sentido, torna-se cada vez mais obsoleto. 

A natureza da relação entre corrupção e participação política 

assume os mesmos contornos do que foi identificado por Bonifácio 

e Paulino (2015), que se remetem ao contexto americano e cari

benho. Nesse caso, não se pode considerar o resultado como “mais 

do mesmo”, dada a escassa produção científica com esse desenho 

de pesquisa. Trata-se mais da confirmação de uma tendência ainda 

pouco conhecida pelos politólogos devido ao caráter incomum do 

desenho de pesquisa adotado. 

Destacamos a solidez do padrão associativo positivo entre expe

riência com corrupção e ativismo político. Tal como no estudo ante

riormente citado, diagnosticamos associações de direção invariável 

e propensões de moderada a alta magnitude entre as modalidades 

de participação e ao longo do período temporal analisado. Esse 

diagnóstico nos deixa convictos de que a relação entre corrupção e 

participação política no Brasil é robusta e está longe de se constituir 

uma mera espuriedade. 

A identificação da associação positiva entre corrupção e partici

pação política é de suma importância, mas o sucesso em conquistar 

esse resultado leva a uma indagação quase que imediata: qual a 

importância disso para refletirmos a respeito da qualidade da 

democracia e do civismo? A tentativa de responder com alguma 

propriedade a essa indagação dá-se via testes de valores preditos, 

que concedem a probabilidade de diferentes perfis sociais de serem 

tolerantes ao pagamento de propina, um indicador possível de 

permissividade à corrupção. 

O que se mostra bastante evidente é que vivenciar situações de 

pedido de propina por agentes públicos fomenta a resignação e o 

conformismo com atos corruptos. Os perfis que aliam experiência 

com corrupção e participação ou não participação política dividem 

os casos de maiores probabilidades de permissividade à corrupção. 

Em nenhum dos casos algum destes dois perfis mostram-se os 

menos permissivos à corrupção ou se aproximam dessa situação. 

36

 Robert Bonifácio e Ednaldo Ribeiro

 A partir dessa verificação, o ensaio teórico de Hirschman (1983) 

parece-nos válido, embora não possamos operacionalizá-lo em 

sua plenitude. Sem dúvida, faltam peças a serem encaixadas no 

ciclo de participação proposto por esse autor (grande aconteci

mento político → imersão em atividades políticas → percepção de 

corrupção no setor público → decepção → retorno às atividades da 

vida privada), mas os resultados encontrados são evidências de que 

a convivência entre ativismo político e corrupção é possível e de que 

a proximidade com os atos corruptos, no mínimo, potencializa a 

resignação, formando uma massa de indivíduos conformados com 

a sua manifestação na sociedade. 

O aprofundamento das análises nessa questão impõe-se como 

necessidade para futuros estudos. Acreditamos que o tratamento 

dos dados que desenvolvemos tem grandes virtudes, por trabalhar 

com uma considerável gama de variáveis em quatro pontos no 

tempo, desenvolvendo um desenho de pesquisa ainda pouco explo

rado. Contudo, se o desejado for investigar com propriedade as 

minúcias da rede de relações entre corrupção e participação política 

e as suas consequências para a democracia, novas técnicas precisam 

ser empregadas. Referimo-nos aos experimentos e às técnicas quali

tativas, ferramentas as quais ainda somos desprovidos, mas um 

futuro manuseio possibilitará a ampliação dos horizontes dessa 

agenda de pesquisa. 

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 Apêndice A

 Tabela A1 – Resultados de testes para predição de tolerância ao pagamento de propina 

a partir de perfis sociais, de 2006 a 2012 (em probabilidade)

 2006

 CAPG

 (1) NExp*NPart

 (2) Exp*NPart

 (3) NExp* Part

 (4) Exp*Part

 (1) NExp*NPart

 (2) Exp*NPart

 (3) NExp* Part

 0. 082***

 0.343***

 0.088***

 0.219**

 CAPG

 0.120***

 0.257***

 AC

 0.089***

 0.312***

 0.090***

 0.282***

 0.071***

 0.288***

 0.112***

 0.334***

 2010

 AC

 2007

 APE

 AP

 0.088***

 0.259***

 0.099***

 0.389***

 CAPG

 0.121***

 0.365***

 AC

 0.100***

 APE

 AP

 0.116***

 0.407***

 0.115***

 0.318**

 0.159***

 0.382***

 0.422***

 0.140***

 0.398***

 2012

 APE

 0.116***

 0.106***

 AP

 0.119***

 CAPG

 0.064***

 AC

 0.087***

 APE

 0.064***

 0.260***

 0.108***

 (4) Exp*Part

 0.221**

 0.111***

 0.143***

 0.203***

 0.113***

 0.203***

 0.203***

 0.086***

 0.205**

 0.143***

 0.118***

 0.258**

 0.263**

 0.052**

 0.084

 0.157**

 0.087***

 0.170***----

 AP

 0.069***

 0.123***

 0.099***

 0.123***

 Fonte: Dados do Barômetro das Américas, de autoria de Latin American Public Opinion Project (Lapop), disponível em: <www.

 LapopSurveys.org>.

 Elaboração própria.

 Notas:  * = p valor menor/igual a 0,10.  

** = p valor menor ou igual a 0,05.  

*** = p valor menor ou igual a 0,01.

 Obs.: 1.  CAPG = contato com atores políticos e governamentais; AC = ativismo comunitário; APE = ativismo partidário e eleitoral; 

AP = ativismo de protesto.

 2.  NExp*NPart = não experiência com corrupção e não participação política; Exp*NPart = experiência com corrupção e não 

participação política; NExp*Part = não experiência com corrupção e participação política; e Exp*Part = experiência com 

corrupção e participação política.

Resumo

 Corrupção e participação política no Brasil: diagnósticos e consequências

 41

 Investiga-se a relação entre corrupção e participação política no Brasil, 

a partir de análises sobre padrões de associação pertinentes e sobre a 

permissividade à corrupção de perfis sociais que combinam categorias 

de experiência com corrupção e de ativismo político. São realizadas 

discussões teóricas e análises empíricas, tendo como fonte exclusiva 

de dados o Barômetro das Américas, rodadas de dados de 2007, 2008, 

2010 e de 2012. Como principais resultados, verifica-se a natureza 

multidimensional da participação política, segmentada em quatro 

modalidades distintas. Também é destaque a inequívoca associação 

positiva entre experiência com corrupção e engajamento político. Por 

f

 im, identifica-se uma maior permissividade à corrupção (tolerância ao 

pagamento de propina) entre os indivíduos que possuem experiência 

com corrupção, independentemente dessa característica estar ou não 

acompanhada de ativismo político.

 Palavras-chave: corrupção; participação política; permissividade à 

corrupção; Brasil; Barômetro das Américas. 

42

 Robert Bonifácio e Ednaldo Ribeiro

 Abstract 

The relationship between corruption and political participation in Brazil is 

investigated through analysis of patterns of association and permissiveness 

to the corruption of social profiles that combine categories of experience 

with corruption and political activism. Theoretical discussions and 

empirical analyzes are conducted using the 2007, 2008, 2010 and 2012 

rounds of the Americas Barometer as a data source. The main results are 

the multidimensional nature of political participation, segmented into four 

different modalities. The positive and unequivocal association between 

experience with corruption and political engagement is also highlighted. 

Finally, a greater permissiveness to corruption (tolerance for the payment 

of bribes) is identified among individuals who have experience with 

corruption, regardless of whether or not this characteristic is accompanied 

by political activism.

 Keywords: corruption; political participation; corruption permissiveness; 

Brazil; Americas Barometer.

 Recebido em 15 de setembro de 2015.

 Aprovado em 16 de junho de 2016. O artigo dos autores Robert Bonifácio1 e Ednaldo Ribeir
                Confira no Nexo Jornal .https://www.nexojornal.com.br/grafico/2024/10/06/eleicoes-2024-partido-com-mais-prefeitos-eleitos. Confira no Nexo Jornal .https://www.nexojornal.com.br/grafico/2024/10/07/eleicoes-2024-partido-com-mais-vereadores-eleitos.    Os principais casos de corrupção e investigações criminais envolvendo o Partido Liberal (PL) e o governo de Jair Bolsonaro abrangem esquemas de desvios de recursos públicos, fraudes e uso indevido de órgãos do Estado.

1. Escândalos de Corrupção no Governo Bolsonaro

Bolsolão do MEC: Investigou a atuação de um "gabinete paralelo" comandado por pastores evangélicos no Ministério da Educação. O esquema envolvia a cobrança de propinas (inclusive em barras de ouro) para a liberação de verbas do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). O ex-ministro Milton Ribeiro chegou a ser preso pela Polícia Federal.


Caso das Joias Sauditas: Apura o desvio e a tentativa de venda ilegal de presentes de alto valor recebidos de autoridades estrangeiras. A Polícia Federal indiciou o ex-presidente Jair Bolsonaro por crimes como associação criminosa e peculato.


Abin Paralela: Investigação sobre o monitoramento ilegal de opositores, jornalistas e ministros do STF pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin). O órgão teria sido aparelhado para blindar aliados e familiares, gerando desdobramentos contra o deputado federal e ex-diretor da agência Alexandre Ramagem (PL).


Superfaturamento na Pandemia (Covaxin): A CPI da Covid apontou irregularidades e indícios de corrupção na negociação da vacina indiana Covaxin pelo Ministério da Saúde, envolvendo pressões internas para acelerar pagamentos a intermediárias.


2. Casos de Corrupção Envolvendo o PL (Partido Liberal)

O PL, partido ao qual Jair Bolsonaro se filiou no final de 2021 e que abriga sua base aliada, concentra diversas lideranças e parlamentares sob a mira da Justiça:

Condenação por Desvio de "Emendas Pix": Em março de 2026, a Primeira Turma do STF condenou por unanimidade os deputados federais Josimar Maranhãozinho (PL-MA) e Pastor Gil (PL-MA), além do suplente Bosco Costa (PL-SE), por corrupção passiva e organização criminosa. Eles foram acusados de cobrar propina de R$ 1,6 milhão para destravar recursos de emendas parlamentares destinadas ao SUS no Maranhão.


Histórico da Executiva Nacional: O presidente do partido, Valdemar Costa Neto, possui condenação histórica no escândalo do Mensalão e voltou a ser alvo de investigações da Polícia Federal por suspeita de participação na trama golpista de 2022. Além dele, levantamentos apontam que cerca de um terço da bancada de deputados federais do PL responde a ações penais ou inquéritos judiciais.


3. Esquemas de "Rachadinha" e Fraudes Familiares

Gabinete de Flávio Bolsonaro: O senador Flávio Bolsonaro (PL) foi investigado pelo Ministério Público pelo esquema de "rachadinha" (desvio de salários de assessores) na época em que era deputado estadual no Rio de Janeiro (caso Fabrício Queiroz). Os recursos teriam sido lavados por meio de uma franquia de chocolates e transações imobiliárias.


Fraude nos Cartões de Vacina: Investigação que apontou a inserção de dados falsos de vacinação contra a Covid-19 no sistema do Ministério da Saúde para beneficiar Jair Bolsonaro, sua filha e assessores próximos, resultando em indiciamento por associação criminosa.

A base eleitoral é a região geográfica, o grupo social ou o segmento da população onde um candidato ou partido político centraliza suas forças e obtém a maioria dos seus votos.

O que define uma base eleitoral

Geografia: Cidades, bairros, estados ou distritos específicos onde o político possui forte influência ou histórico de atuação.


Demografia: Grupos segmentados por idade, gênero, faixa de renda, nível de escolaridade ou profissão.


Ideologia: Eleitores que se identificam diretamente com pautas específicas, como causas ambientais, religiosas, econômicas ou de segurança.


Importância estratégica

Fidelidade: Garante um volume mínimo de votos necessários para iniciar uma campanha com chances reais de eleição.


Prestação de Contas: Direciona as emendas parlamentares e projetos de lei para atender às demandas diretas dessa população.


Termômetro Político: Serve como indicador de aprovação do mandato por meio de pesquisas de opinião focadas nesses grupos.

Ao que vimos no Nexo Jornal ,o Bolsonarismo mantém e manterá sua base eleitoral . Mas ao que se vê na Folha de São Paulo . Não passa de um regime populista e corrupto . Confira a notícia na Folha de São Paulo .https://www1.folha.uol.com.br/poder/2026/06/pl-pagou-r-600-mil-a-ong-que-recebeu-emendas-de-bolsonarista-para-fazer-filme.shtml.                           E assim caminha a humanidade 

        .