quarta-feira, 5 de novembro de 2025

O estado contra a barbaríe.

 Barbárie é um substantivo feminino que designa um estado de selvageria, incivilidade e, principalmente, a prática de atos de extrema crueldade e violência. 

Principais Significados

Crueldade e Atrocidade: É o sentido mais comum na atualidade, referindo-se a ações desumanas, brutais e que desrespeitam valores éticos e morais fundamentais. Exemplo: "Os atos de barbárie cometidos durante a guerra são inaceitáveis".

Incultura e Rudeza: Pode se referir à falta de educação formal, refinamento ou civilidade, descrevendo uma pessoa ou um estado social considerado primitivo ou ignorante.

Ausência de Civilização: Em um sentido mais amplo, é o oposto de civilização, representando a desordem, a selvajaria e a falta de organização social ou de respeito às leis. 

Confira o artigo das autoras Geovanna Arrais Lopes1  e Bruna Milene Ferreira2  

A LUTA CONTRA A BARBÁRIE E A CONCEPÇÃO  

DO USO EMANCIPADO DA RAZÃO  

Geovanna Arrais Lopes1 

Bruna Milene Ferreira2  

RESUMO: O trabalho em questão pretender discutir os efeitos da reverência à racionalidade 

técnica presente na atual fase em que se encontra a modernidade. Como exemplo, a 

experiência nazista impulsionou este processo massificando comportamentos em detrimento 

das liberdades individuais. Posteriormente, a sociedade de consumo acentuou a servidão das 

pessoas cativas do consumo, obedientes à padronização da moda. Este estudo tenciona 

promover um debate acerca das consequências da perda da possibilidade do cultivo do 

espírito aristocrático nietzschiano e da autonomia da vontade kantiana em favor de uma 

sociedade capaz de esvaziar a humanidade da possibilidade da valorização da verdadeira 

autonomia de pensamento e ação. 

PALAVRAS-CHAVE: Mentalidade de Rebanho. Individualidade. Massificação. Autonomia 

da Vontade. 

1 INTRODUÇÃO 

As razões da escolha desta temática se pautaram na necessidade de refletir sobre os 

principais motivos que conduzem à instabilidade humana, no que diz respeito à construção da 

identidade do indivíduo. O que era uma atribuição coletiva passa a ser um trabalho individual, 

implicando apenas em normas sociais e padrões já estabelecidos. Em vista disso, o indivíduo 

vem ganhando espaço no mundo globalizado, assumindo novos estilos de vida e formas de 

ser, sem contudo deixar de ser homogeneizado, negando suas origens a favor de uma nova 

padronização. 

A importância desse estudo parte da ideia de conseguir instigar a importância da 

reflexão, da busca da autonomia intelectual para que através dela, o ser humano possa 

conquistar a verdadeira emancipação e restabelecer sua identidade, deixando de ser 

domesticado para se tornar sujeito ativo, pensante. 

1Mestranda em Educação pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás no ano letivo de 2019/2. E-mail: 

geo_al_@hotmail.com 

2Mestre em Ética e Filosofia Política pela Universidade Federal de Goiás. Professora no curso de Pedagogia da 

Faculdade Alfredo Nasser. E-mail: bruna@unifan.edu.br. 

O tema contribui de forma relevante para a reflexão acerca da reconstrução de uma 

sociedade que tem como base a criticidade e a busca pelo progresso moral, tornando-se 

participativa, não comprometida com o comportamento de pessoas que apenas sabem como 

lidar com a técnica ou cumprem seus deveres burocraticamente como ocorreu na ocasião da 

ocupação nazista na Alemanha, fato este que parece ter direcionado a humanidade de volta à 

barbárie falsamente superada pelos modernos.  

2 METODOLOGIA 

O estudo a ser desenvolvido parte do amparo metodológico da pesquisa qualitativa de 

base bibliográfica, seguindo a perspectiva metodológica da análise crítica, tencionando reunir 

informações e dados que servirão de base para a construção da investigação da temática 

abordada, apresentando as obras, periódicos e coletâneas como fonte de investigação, não raro 

entre os pesquisadores, uma das importantes fontes de dados e informações, pois ao explorar 

os temas, recuperam dimensões históricas da realidade, tem como relevância a capacidade de 

reunir as mais diversas fontes de consultas.  

3 RESULTADOS E DISCUSSÃO 

Nietzsche (1998) concebeu a modernidade como um movimento marcado pelas 

rupturas com as tradições herdadas, como o domínio da igreja católica comandando a nobreza 

e o clero, interferindo nas mais diversas culturas dos povos.  

Além disso, havia uma sociedade que tinha como marca a razão, a metafísica e os 

valores morais, um povo que se preocupava com o crescimento do país, o mercado produtor 

era forte e eficaz e de fato gerava lucro advindo dos resultados do trabalho coletivo, essas 

ações em grupo eram bastante consideradas pelo povo, entre eles havia uma forte dependência 

mútua, o trabalho de um dependia da mão de obra do outro.  

O autor (1998) desvincula o pensamento moderno na medida em que as tradições vão 

ficando cada vez mais frágeis e sensíveis, a igreja começa a subestimar os dogmas e passa a 

dar crédito ao mercado de consumo, usando dos próprios produtos produzidos pela igreja para 

obter lucro através das vendas de mercadorias produzidas pelos sacerdotes. O Estado passa a 

responsabilidade de provedor para a sociedade civil, aquilo que antes era apenas atribuição do 

governo se torna também dever do cidadão e com o passar dos anos surge a divisão das 

esferas: pública e privada. Dando oportunidade para que o indivíduo se transforme em um 

povo e tenha seus direitos políticos efetivos teoricamente “iguais”, perante a lei adquirem-se 

direitos, mas na realidade só se aceita o que já foi aprovado.  

A igreja até o século XlX valorizava a fé, a devoção, santidade e a humildade, 

características fundamentais no meio espiritual. Infelizmente esses valores foram corrompidos 

com o fortalecimento do mercado consumidor, surgindo assim a Teologia da Prosperidade, 

em que o benefício individual está acima do amor ao próximo, e as bênçãos financeiras são o 

principal desejo de Deus, a busca pela salvação foi substituída pela busca de uma vida 

material bem sucedida, com todo conforto e luxo que o mercado consumidor pode oferecer. 

Segundo o autor (2008, p. 44), em sua obra A Gaia Ciência, 

Caso o laço dos instintos, este laço conservador, não fosse de alguma maneira mais 

poderoso do que a consciência, e não desempenhasse, no conjunto, um papel de 

regulador, a humanidade sucumbiria fatalmente sob o peso dos seus juízos 

equivocados. 

Um dos principais aspectos do ingresso na chamada Modernidade está ligado 

justamente ao distanciamento do homem em relação às crenças religiosas, e a aproximação do 

homem da medicina, dos recursos científicos como um meio de salvação, só que esse sentido 

de salvação se dá através da cura, e a medicina é fator primordial na cura de uma 

enfermidade. Mais uma vez Nietzsche (2008) traz um conceito do que vem a ser a Morte de 

Deus, uma metáfora para convencer que de fato ocorreu o ingresso no mundo moderno.  

Na modernidade a mudança não se deu apenas no nível da fé, os relacionamentos 

duradouros perderam a sua importância, a conduta individualista das pessoas as afastou das 

tradições, no passado os projetos humanos eram mais resistentes e sólidos. O século XX surge 

como o declínio deste conceito de solidificação. 

O que todas essas características dos fluidos mostram, em linguagem simples, é que 

os líquidos, diferentemente dos sólidos, não mantêm sua forma com facilidade. Os 

fluidos, por assim dizer, não fixam o espaço nem prendem o tempo. Enquanto os 

sólidos têm dimensões espaciais claras, mas neutralizam o impacto e, portanto, 

diminui a significação do tempo (resistem efetivamente a seu fluxo ou o tornam 

irrelevante), os fluidos não se atêm muito a qualquer forma e estão constantemente 

prontos (e propensos) a mudá-la; assim, para eles, o que conta é o tempo, mais do 

que o espaço que lhes toca ocupar; espaço que, afinal, preenchem apenas “por 

momentos”. Em certo sentido, os sólidos suprimem o tempo; para os líquidos, ao 

contrário, o tempo é o que importa. Ao descrever os sólidos, podemos ignorar 

inteiramente o tempo; ao descrever os fluidos, deixar o tempo de fora seria um grave 

erro (BAUMAN, 2001, p. 8) 

A modernidade torna-se evidente com a revolução científica e tecnológica, o avanço 

da robótica reconfigura toda a sociedade de produtores, o indivíduo que vivia para a 

confecção e produção de produtos manufaturados, passou a se interessar pela rotatividade do 

mercado consumidor e sua superficialidade corrompendo todos os valores adquiridos ao longo 

dos tempos.  

Bauman (2008, p. 38) pontua, em sua obra Medo Líquido: “Nas últimas décadas, o 

apetite consumista aumentou muito e chegou a um nível insustentável no longo prazo. 

Precisaríamos dos recursos de três planetas Terra para sustentar esses níveis de consumo no 

mundo inteiro”. 

É possível afirmar que o homem contemporâneo vive imerso em incertezas, dúvidas e 

medos, gerando assim, fortes crises de identidade, uma delas está pautada no conceito de 

felicidade, hoje esse sentimento está mais ligado à realização dos desejos pessoais que são 

satisfeitos apenas com a compulsividade do mercado de consumo, e não mais nas reuniões 

familiares, comemorações com amigos e outros, a individualidade é a marca do mundo pós

moderno, tudo é pensado e preparado para a satisfação própria, e ao mesmo tempo os 

indivíduos estão em uma teia de dependência mútua, até porque não conseguem viver 

isolados do meio.  

A sociedade para Norbert Elias (1994) é constituída pela rede de funções e relações 

desempenhada pelas pessoas. O meio social modela e muda os planos, as ações e o 

comportamento das pessoas que se influenciam mutuamente. 

A relação indivíduo e sociedade é exemplificada pelo autor tendo como base o modelo 

de Aristóteles: a forma simbólica da figura de uma casa e de seus tijolos para fundamentar os 

argumentos, quando se refere ao fato de que não se pode compreender a estrutura pela 

contemplação isolada de seus elementos. Entende-se assim que o ser humano não pode ser 

compreendido em condição de isolamento, necessita-se para tanto de uma unidade de apoio 

que, neste caso seria a inserção do indivíduo no grupo social do qual é parte integrante. 

No entanto, na atualidade conforme o pensamento de Norbert Elias (1994), o 

indivíduo não consegue mais desempenhar um papel na sociedade, por ser uma figura 

individualista, egocêntrica e exclusivista, ele se isola de sua posição social, ignorando o 

pensamento global e se vinculando cada vez mais à concretização de suas idiossincrasias.  

As cadeias de interdependência humana tem como base o interesse do outro para a 

concretização da própria realização pessoal, nada mais além disso, a ideia coletiva de 

pensamento ficou há anos luz distante do homem, ao mesmo tempo que ele tem a necessidade 

de pertencer a um determinado grupo social, seja a família, escola, religião, trabalho e tantos 

outros, ele age de acordo com a sua singularidade, se isolando do mundo externo e se 

limitando enquanto residente social.  

Norbert Elias (1994, p. 20) afirma, em seu livro A Sociedade dos Indivíduos: 

A afirmação de que os indivíduos são mais “reais” do que a sociedade nada mais faz 

além de expressar o fato de que as pessoas que defendem essa visão acreditam que 

os indivíduos são mais importantes, e que a associação que eles formam, a 

sociedade, é menos importante. A ideia de, “na realidade”, não existir sociedade, 

apenas uma porção de indivíduos, diz aproximadamente tanto quanto a afirmação de 

que, na “realidade”, não existem casas, apenas uma porção de tijolos isolados, um 

monte de pedras. 

Em conformidade com o escritor (1994), percebe-se que a sociedade que antes era 

conservadora e agia em torno das ações coletivas e pensamentos mútuos desvirtuou certos 

conceitos e ações em prol da busca pela singularidade de pensamentos, comportamentos e 

personalidade. 

Bourdieu (2002) vai ao encontro deste raciocínio quando afirma que as estruturas 

coletivas estão submersas em um grave programa de destruição e de formação de uma nova 

ordem justificada pelo indivíduo autônomo, cada vez mais autossuficiente, autorregulado e 

independente.  

A realidade social e suas mudanças devem ser pensadas como alavancas de um 

movimento histórico contínuo, em que a sua direção não pode ser estabelecida por indivíduos 

isolados, necessita de uma ferramenta teórica que é justamente a civilização para o 

aprimoramento e desenvolvimento deste estudo.  

Essa discussão conduz à análise da chamada Mentalidade de Rebanho presente na 

obra nietzschiana como renuncia à capacidade de analisar os acontecimentos de forma lúcida 

e cede lugar ao controle absoluto exercido por figuras de liderança em relação aos 

pensamentos e atitudes do dominado que se deixa guiar por sua influência sem 

questionamentos de forma resignada.  

O ponto a ser considerado é a perda do pensamento crítico, que impede as pessoas de 

pensarem sozinhas e diferente uma das outras, retirando a individualidade e colocando-as 

apenas para cumprir ordens, obedecer a seus superiores. O que faz essa obediência ser cega é 

justamente estar dentro de um sistema autoritário que comanda o sujeito para simplesmente 

prestar obediência e não ter que lidar com dramas morais, porque simplesmente fizeram o que 

deveria ser feito, não por escolha própria, mas em nome de um sistema maior que suprime 

qualquer possibilidade de existir individualmente, o que torna as pessoas medíocres 

psicologicamente por serem apenas o reflexo da ordem estabelecida. 

Para o autor (2008), a cultura e a educação passaram por uma grande mercantilização 

e massificação virando uma espécie de indústria cultural, em que tudo está voltado para a 

padronização do pensamento. Nesse sentido, o ensino deveria ser desvinculado de qualquer 

interesse financeiro do Estado, de modo que não seja uma comercialização do saber ou a 

estagnação do processo de produção do conhecimento. É necessário pensar criticamente, os 

indivíduos precisam buscar a autonomia, sendo figuras reflexivas e problematizadoras, para 

que de fato ocorra a concretização do saber.  

Esse pensamento se assemelha à sociedade de rebanho enraizada em conceitos 

estagnados, prontos e acabados, bem como em um pensamento igualitário. A metáfora usada 

pelo autor é incrivelmente aplicada ao século XXI, com toda a sua padronização ideológica e 

cultural. 

A ideologia dominante faz prevalecer valores em nome de um bem comum. A 

sociedade padronizada acaba sendo sinônimo de ameaça, pois o pensamento igualitário luta 

por um objetivo comum, sempre com uma liderança exercendo o poder e os demais sendo 

comandados, andando em bando e recebendo adestramento suficiente para serem 

manipulados. Para quem goza de autoridade quanto mais poder detém mais a força é 

desencadeada, atingindo o exercício da manipulação contínua.  

Nessa mesma perspectiva para contradizer esse indivíduo adestrado, Nietzsche (2008) 

apresenta um modelo ideal para elevar a humanidade ao seu patamar mais extremo, o homem 

superior, o aperfeiçoamento do homem dotado de qualidades inigualáveis e que não se 

massifica, nem se nivela ao meio cultural, o chamado aristocrata, que incentiva o 

investimento nos talentos, na criatividade e na ousadia dos indivíduos.  

O aristocrata deveria ter uma educação voltada para a busca da individualidade, da 

solidão e do destaque, tendo a autocrítica como elemento fundamental para a autossuperação, 

sendo assim, ela é restritiva, pois não é a maioria que consegue se encaixar nos requisitos para 

ser um autêntico aristocrata. Ser aristocrata refere-se a ser duro consigo mesmo, buscar o 

fortalecimento, a exigência e o autocontrole. Nessa perspectiva deve ser superado o medo de 

trazer à tona os conflitos internos, de se afastar da conveniência da vida social, medo do 

desconhecido, do diferente, da solidão e do silêncio da individualidade, pois é difícil estar só 

para o homem que durante todo o processo da história evolutiva obteve companhia, o medo 

enfim acaba distanciando o sujeito dele mesmo.  

A massificação, coletividade de pensamento, o aprisionamento humano, são elementos 

que confrontam com o modelo do aristocrata proposto por Nietzsche por ser uma educação 

vulgar, na qual o homem não possui domínio suficiente para exercer as virtudes humanas e 

para manter um posicionamento singular frente ao mundo. 

O modelo de educação aristocrática tem a intenção de fazer com que o ser humano 

resgate seus valores individuais, seja moralmente superior, alcançando o controle de suas 

ações, deixando de ser domesticado pelo caminhar que acompanha o rebanho.  

A reflexão garante a autonomia no âmbito do pensar, permite conquistar uma 

educação que se relaciona às virtudes humanas, comprometida com o respeito e com a prática 

dos valores morais. 

Para o filósofo alemão Immanuel Kant em sua obra Fundamentação da metafísica dos 

costumes a lei moral é representada pelo imperativo categórico. É dever do indivíduo, agir 

conforme uma lei moral que é formulada pela própria razão humana, a vontade autônoma. 

Poder tu querer também que a tua máxima se converta em lei universal? Se não 

podes, então deves rejeitá-la, e não por causa de qualquer prejuízo que dela pudesse 

resultar para ti ou para os outros, mas porque ela não pode caber como princípio 

numa possível legislação universal. A razão exige-me respeito por uma tal 

legislação, da qual em verdade presentemente não vejo em que se funde (problema 

que o filósofo pode investigar), mas de que pelo menos compreendo que é uma 

apreciação do valor que de longe ultrapassa o de tudo aquilo que a inclinação louva, 

e que a necessidade das minhas acções por puro respeito à lei prática é o que 

constitui o dever, perante o qual tem de ceder qualquer outro motivo, porque ele é a 

condição de uma vontade boa em si, cujo valor é superior a tudo (KANT, 1997, p. 

35). 

Ele é exposto em três formulações: 1ª) como lei universal, ou seja, tudo o que o sujeito 

desejar fazer só pode ser considerado moral se for possível assumir o caráter universal da 

ação. 2ª) Tomando os seres humanos como um fim em si mesmo: as pessoas devem ser 

respeitadas por fazerem parte da humanidade e jamais podem ser enxergadas como objetos ou 

desumanizadas. 3ª) A vontade capaz de agir moralmente é autônoma por obedecer a um dever 

imposto a si mesma, que não vem do exterior, ou seja, de outra vontade. A vontade moral por 

ser livre não presta obediência a nenhuma liderança, não admite se conformar com a condição 

de mentalidade de rebanho vinculada à chamada vontade heterônoma. 

A autonomia da vontade é o único princípio de todas as leis morais e dos deveres a 

elas conformes; pelo contrário, toda a heteronomia do livre arbítrio não só não funda 

nenhuma obrigação, mas opõe-se antes ao princípio da mesma e à moralidade da 

vontade. Com efeito, na independência a respeito de toda a matéria da lei (isto é, de 

um objeto desejado) e, ao mesmo tempo, na determinação do livre arbítrio pela 

simples forma legisladora universal, de que uma máxima deve ser capaz, é que 

consiste o princípio único da moralidade. Mas essa independência é a liberdade em 

sentido negativo, e esta legislação própria da razão pura e, como tal, prática é a 

liberdade em sentido positivo. Por conseguinte, a lei moral nada mais exprime do 

que a autonomia da razão pura prática, isto é da liberdade e esta é mesmo a condição 

formal de todas as máximas, sob a qual unicamente elas podem harmonizar-se com a 

lei prática suprema (KANT, 1999, p. 45).  

A vontade autônoma é livre porque surge do próprio sujeito através da sua 

racionalidade, que calcula quais as possibilidades de uma lei ser considerada moral baseada 

no princípio da universalidade, ou seja, no cálculo das consequências de uma ação que possa 

vir a ter validade universal. 

4 CONCLUSÕES 

Nietzsche já defendia a tese de que a modernidade emancipou o homem para o uso da 

razão e da técnica, para além das superstições da antiguidade e da Idade Média, no entanto 

foram adquiridos hábitos que impedem a construção do pensamento crítico e autônomo, uma 

vez que a razão moderna é meramente instrumental, usada tão somente para a compreensão 

das técnicas úteis à concretização da vida bem sucedida nos vários âmbitos da existência 

social moderna. Obter sucesso neste caso é simplesmente seguir regras, protocolos e não se 

manter no patamar do esclarecimento e da criticidade.  

O sujeito verdadeiramente livre obedece às exigências da razão, jamais ao simples 

comando de seus superiores na hierarquia militar, laboral ou social. É antes de tudo um 

legislador universal capaz de medir as consequências de suas ações, alguém que vê o outro 

como fim em si, jamais como meio, e é capaz de reconhecer a humanidade que habita em 

cada indivíduo, preparado para o respeito a todos os seres humanos independente de 

peculiaridades étnicas, econômicas ou de qualquer outra natureza. Somente uma educação 

moral emancipadora, capaz de libertar o homem de sua menoridade pode tornar este projeto 

possível. 

REFERÊNCIAS 

ADORNO, Theodor W. Educação e emancipação. 2. ed. São Paulo: Paz e Terra, 2000.  

______. Mínima moralia: reflexione naus dem beschadigten leben. Portugal: Arte e 

Comunicação - v. 77. 

BAUMAN, Zygmunt. Medo Líquido. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2008. 

______. Modernidade Líquida. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2001.  

______. Modernidade e Holocausto. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1998. 

ELIAS, Norbert. A sociedade dos indivíduos. Rio de Janeiro: Zahar, 1994. 

KANT, I. Crítica da Razão Prática. Lisboa: Edições 70, 1999.  

______. Fundamentação da Metafísica dos Costumes. Lisboa: Edições 70, 1997. 

NIETZSCHE, Friedrich. Assim falou Zaratustra. São Paulo: Companhia das Letras, 1998. 

______. A Gaia Ciência. 2. ed. São Paulo: Martin Claret, 2008. O artigo das autoras Geovanna Arrais Lopes1  e Bruna Milene Ferreira2  

A frase "as leis e o estado de direito contra a barbárie" expressa a ideia fundamental de que o sistema jurídico e o respeito às normas e instituições democráticas são os antídotos essenciais contra a desordem, a violência e o arbítrio. 

O conceito central pode ser explicado da seguinte forma:

Estado de Direito: Refere-se a um regime político no qual todos, incluindo o próprio governo e seus agentes, estão submetidos à lei. Garante o respeito aos direitos fundamentais, à democracia e o acesso à justiça perante tribunais independentes e imparciais. Em um Estado de Direito, nenhum indivíduo está "acima da lei".

Barbárie: Representa a ausência de lei e ordem; um estado onde prevalece a força bruta, a "justiça com as próprias mãos", a violação sistemática dos direitos humanos e o total desrespeito à dignidade humana. É o oposto da civilização e da convivência social organizada. 

Portanto, a frase argumenta que a civilização e a proteção dos direitos e garantias individuais só são possíveis dentro da estrutura do Estado de Direito. Fora da lei e do respeito às instituições, instala-se o caos e a barbárie. 

Embora a origem exata da frase possa variar em formulação, a ideia subjacente é um princípio basilar do pensamento jurídico e político moderno, frequentemente invocado em momentos de crise ou ameaças à democracia, como um lembrete de que a legalidade é a principal barreira contra o autoritarismo e a violência. 

Confira a reportagem no UOL                                  .https://noticias.uol.com.br/colunas/daniela-lima/2025/11/05/governo-do-rio-dispensa-pericia-da-pf-em-corpos-dos-121-mortos-em-operacao.htm

E assim caminha a humanidade.

Imagem ; UOL 




 

E assim caminha a humanidade.


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