A polarização política é a divisão da sociedade ou do sistema político em dois campos ideológicos ou partidários opostos e antagônicos, com pouca ou nenhuma sobreposição ou diálogo entre eles. Esse fenômeno é marcado por uma intensa rivalidade e, muitas vezes, pela transformação de adversários políticos em inimigos.
Características Principais
Divisão em Polos: A sociedade se divide em dois grupos com visões de mundo distintas e fechadas, como a dicotomia esquerda versus direita no Brasil atual.
Falta de Diálogo: Há uma relutância em ouvir ou considerar perspectivas opostas, o que prejudica o debate público e a busca por soluções consensuais.
Identidade e Emoção: A afiliação política torna-se parte da identidade pessoal, levando a um engajamento emocional intenso (amor pelo próprio grupo, ódio/repulsa pelo oposto). A opinião sobre um fato pode depender mais de quem o diz do que do seu conteúdo lógico.
Causas
Tendências Humanas: A formação de grupos para autopreservação é uma tendência histórica, onde a lealdade ao grupo se sobrepõe à análise crítica individual.
Redes Sociais: Os algoritmos das redes sociais criam "bolhas" e reforçam visões preexistentes, facilitando a radicalização das posições e a disseminação de desinformaçã
Confira o artigo do autor André Bello3
Polarização política dinâmica: evidências do Brasil12
André Bello3
Este artigo analisa a natureza da polarização política no Brasil com a aplicação de
múltiplas técnicas para aumentar a robustez dos resultados. Um índice de
polarização política para o período entre 1989 e 2019 foi construído com base em
técnicas estatísticas para análises de dados em nível macro e usando perguntas
sobre o sentimento partidário positivo e negativo em relação ao Partido dos
Trabalhadores (PT). Os resultados mostram que existe uma polarização política
afetiva e dinâmica, estruturada por períodos de mais convergência e de mais
divergência. Os sentimentos de petismo e antipetismo produzem polarização
política, de maneira que o antagonismo entre os dois grupos é crescente ao longo
do tempo. Este artigo inaugura um debate sobre a polarização política dinâmica na
América Latina dentro da perspectiva da macropolítica.
Palavras-chave: macropolítica; polarização política; petismo; antipetismo; PT
Introdução
O conceito de polarização política sugere dinamismo e mudanças temporais, no
entanto, os estudos raramente mostram a polarização política dinâmica ao longo do tempo
(Ura; Ellis, 2012). A maioria das análises é realizada com dados em nível micro com base
na identificação partidária, nas posições ideológicas e nos aspectos afetivos dos eleitores
(Abramowitz; Saunders, 2008; Fiorina; Abrams, 2008; Iyengar; Westwood, 2015). Além
disso, a literatura foca principalmente no partidarismo positivo, embora o partidarismo
negativo tenha começado a receber atenção dos especialistas nos últimos anos (Mayer,
2017; Paiva et al., 2016; Samuels; Zucco, 2018). Usando dados macro – agregação da
opinião pública dos indivíduos –, este artigo investiga a natureza da polarização política no
Brasil, explorando os sentimentos partidários positivos e negativos ao longo do tempo, e
1Este artigo foi apresentado no 44° Encontro Anual da Anpocs e publicado como “conference paper” no
Research Gate. Disponível em:
<https://www.researchgate.net/publication/358027803_The_Macro_Political_Polarization_Evidences_from
_Brazil>. Acesso em: 9 fev. 2023.
2O banco de dados usado neste artigo foi organizado a partir de informações disponibilizadas pelo Cesop,
órgão ao qual eu gostaria de agradecer pela ajuda e compromisso com a pesquisa científica. Ele está
disponível no site do Cesop, na seção “Revista Opinião Pública”, na página deste artigo:
<https://www.cesop.unicamp.br/por/opiniao_publica>.
3 LAPCIPP – Laboratório de Pesquisa sobre Comportamento Político, Instituições e Políticas Públicas,
vinculado ao Instituto de Ciência Política da Universidade de Brasília (UNB). Brasília (DF), Brasil. E-mail:
<andrebellosa@gmail.com>.
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também, a aplicação de múltiplas técnicas para aferir o grau de polarização política, de
maneira que os resultados ganham força e aumentam a validade empírica.
Assim, a pesquisa apresentada neste artigo tem dois enfoques: polarização política
dinâmica e múltiplas técnicas para aferir o grau de polarização política. A primeira
abordagem integra os conceitos de polarização política e partidarismo macro (Mackuen;
Erikson; Stimson, 1989). Essa combinação permite observar as simetrias e assimetrias da
polarização política, bem como as mudanças e o dinamismo da polarização política
(Erikson; Mackuen; Stimson, 2002). Usando a técnica do dyad ratios, um índice de
polarização política foi construído para o período entre 1989 e 2019 por meio de múltiplas
perguntas sobre os sentimentos partidários positivos e negativos em relação ao Partido
dos Trabalhadores (PT). As perguntas foram extraídas de sete diferentes institutos de
pesquisas, totalizando mais de 1.5 milhões de entrevistados. Este artigo é o primeiro da
América Latina a discutir a polarização política dentro da perspectiva da agenda da
macropolítica.
A segunda abordagem diz respeito às medidas para aferir o grau de polarização
política. Em termos estatísticos, a maioria dos estudos usa a diferença de médias para
determinar o distanciamento entre dois grupos, porém, essa é uma maneira limitada,
sendo necessário investigar a distribuição das opiniões como um todo, e não somente as
médias dos grupos (Levendusky; Pope, 2011; Lee, 2012; McCarty, 2019). Assim, aplicam
se quatro técnicas diferentes para analisar o grau de polarização: dispersão, associação,
densidade relativa e sobreposição. O objetivo é explorar as várias dimensões da
polarização política e comparar os diferentes métodos para validar o conceito, visto que
“lack a comprehensive methodological assessment and comparison of different polarization
measures” (Bauer, 2019, p. 19).
Cabe ainda destacar que essa investigação ocorre em um sistema eleitoral
proporcional com amplas coalizações partidárias e com partidarismo positivo e negativo
concentrado no PT. Esse ambiente da representação proporcional é mais plural e
consensual (Lijphart, 2008) e, assim, produz, pelo menos em tese, baixa polarização
política. A maior parte da literatura sobre polarização política está concentrada nos Estados
Unidos, cujo sistema político é diferente do Brasil. Contudo, validar o conceito de
polarização política em outros contextos institucionais é importante para a literatura,
conforme recomendam Gidron, Adams e Horne (2019) e Iyengar et al. (2019).
Os resultados mostraram que existe polarização política no Brasil e que essa
polarização é dinâmica, organizada por períodos de mais convergência ou de mais
divergência. Além disso, a natureza da polarização é diferente em relação aos Estados
Unidos, cuja divisão é baseada em dois partidos políticos. O PT é o pêndulo dessa
polaridade por gerar dois grupos antagônicos que derivam dos sentimentos partidários
positivos e negativos: petismo e antipetismo. Com maior ou menor força, esse resultado
é apontado pelas quatro medidas de polarização aplicadas neste artigo, o que gera mais
robustez aos achados. Ao passo que o petismo é mais estável, as mudanças do antipetismo
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são constantes e ascendentes, presumindo uma assimetria na polarização política pelo lado
do antipetismo.
Além dessa parte introdutória, o artigo apresenta a seção da fundamentação
teórica que está dividida em três partes: polarização política dinâmica, contexto
institucional e partidário no Brasil e as técnicas para mensurar a polarização política. Essas
três subseções debatem as abordagens teóricas deste artigo. A terceira seção apresenta
as hipóteses e a quarta seção mostra o banco de dados e a operacionalização das técnicas.
Os resultados estão na quinta seção e, por fim, na sexta seção, realiza-se uma discussão
final com os apontamentos para uma agenda futura acerca da polarização política.
Polarização política dinâmica
A polarização política estruturada nos Estados Unidos tem o mesmo padrão em
novas democracias? Como é a polarização política em um contexto político de
representação proporcional e multipartidário, porém, com um único partido forte em
termos de identificação partidária? Os sentimentos partidários positivos e negativos são
dinâmicos? As respostas para essas perguntas exigem conectar os modelos micro e macro
do partidarismo através da agregação das preferências partidárias positivas e negativas.
Nesse sentido, a análise incorpora a ideia de que as mudanças partidárias ocorrem ao
longo do tempo de forma lenta e suave, mas são duradouras e acumulativas. Esse modelo,
portanto, assume o dinamismo da polarização política (Mackuen; Erikson; Stimson, 1989;
Erikson; Mackuen; Stimson, 1998; 2002; Jackson; Kollman, 2011).
No nível micro da polarização política, existe um intenso e não consensual debate
sobre o grau de polarização política. Um grupo de especialistas afirma que o eleitor
permanece moderado, mesmo com o alinhamento entre a identificação partidária e as
posições ideológicas. A população está alinhada politicamente, mas não está
necessariamente polarizada (Fiorina; Levendusky, 2006; Fiorina; Abrams 2008; Fiorina;
Abrams; Pope, 2005; 2008). Por outro lado, outro grupo de estudiosos afirma que os
indivíduos estão cada vez mais separados em função da associação da identificação
partidária com as preferências ideológicas e políticas (Abramowitz; Saunders, 2005; 2008).
O alinhamento político é a engrenagem da polarização política (Abramowitz; Jacobson,
2006). Essas duas correntes teóricas tratam somente do partidarismo positivo, sendo que
as opiniões sobre os partidos políticos são cada vez mais negativas (Abrawowitz; Webster,
2018). Como medidas centrais desses estudos estão a identificação partidária e ideológica
em nível micro com dados a cada dois ou quatro anos (Caughey; Dunham; Warshaw,
2016). Esse desenho metodológico limita as análises temporais da polarização política.
A terceira abordagem inclui elementos da psicologia, como preconceito, ativismo e
emoção, para superar o impasse em torno da polarização política. Os especialistas
chegaram à conclusão de que a polarização é mais afetiva do que ideológica (Mason, 2013,
2018; Iyengar; Sood; Lelkes, 2012; Iyengar; Westwood, 2015). No entanto, a literatura
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sobre a polarização afetiva ainda não explorou análises feitas pelo modelo da polarização
política macro. Como consequência, essas análises são suscetíveis à instabilidade das
respostas dos indivíduos e não capturam a evolução ano a ano da polarização política. Há
ainda outras limitações em relação às medidas empregadas pela agenda da polarização
afetiva. Primeiro, as pessoas tendem a exagerar ou subjugar os sentimentos sobre o
partido de oposição (Iyengar et al., 2019). Segundo, os respondentes pensam muito mais
na elite política do que nos eleitores quando avaliam os outros partidos políticos
(Druckman; Levendusky, 2019). Em conjunto, esses estudos não capturam toda a história
da polarização nos Estados Unidos, tampouco em outros contextos institucionais, como o
da América Latina.
Os trabalhos de nível macro superam esses problemas, porém ainda são raros na
agenda da polarização política. Usando modelos dinâmicos em nível de grupo hierárquico
ou da Teoria da Resposta ao Item, Caughey; Dunham; Warshaw (2016) e Hill e
Tausanovitch (2015) asseguram que o alinhamento partidário e ideológico não produziu
polarização política. Em contrapartida, Ura e Ellis (2012) defendem que existe uma
polarização política partidária e dinâmica ao longo dos últimos 40 anos, determinada
principalmente pelas repostas mais fortes dos Republicanos sobre os gastos sociais.
Metodologicamente, esses trabalhos construíram um indicador de polarização política
através da soma de múltiplas perguntas sobre identificação partidária. Sendo assim, os
erros de mensuração e vieses nas respostas foram cancelados (Ansolabehere; Rodden;
Snyder Jr., 2008; Druckman; Leeper, 2012).
As análises sobre a polarização política dinâmica resultam dos avanços e limitações
das três correntes teóricas da polarização vistas até aqui. Através de dados do partidarismo
positivo e negativo em nível macro, cuja estrutura metodológica permite observar as
mudanças da polarização política ao longo do tempo, pode-se analisar a polarização política
dinâmica. A novidade aqui é que esse dinamismo da polarização política macro é
examinado em uma estrutura institucional de um partido dominante em meio a um sistema
multipartidário, de muita volatilidade eleitoral e coalizações partidárias não ideológicas. A
polarização política ainda não foi testada dentro desse enquadramento.
Múltiplas técnicas para medir a polarização política
A polarização política apresenta várias dimensões, no entanto, a maioria dos
estudiosos emprega a mesma estratégia empírica: o teste da diferença de média entre
dois grupos (Fiorina; Abrams; Pope, 2005; Abramowitz; Jacobson, 2006; Mason, 2018).
Essa técnica é válida para aferir a dispersão ou associação dos grupos, mas não é capaz
de capturar as mudanças de toda a distribuição das preferências dos indivíduos
(Levendusky; Pope, 2011; Lee, 2012). Em outros termos, uma parcela da população pode
mudar as atitudes e preferências em um alinhamento partidário e ideológico enquanto a
população como um todo permanece inalterada. Nesse sentido, a técnica da diferença das
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médias restringe uma análise mais global, por isso é importante ir além das médias para
investigar as várias dimensões da polarização política.
Para definir um cenário de polarização política, os grupos movimentam-se do
centro às extremidades em um processo centrífugo e os moderados diminuem
gradualmente. Nesse sentido, a polarização política se caracteriza pela transformação da
forma distributiva unimodal para a forma bimodal. DiMaggio; Evans e Bryson (1996)
exploraram as várias dimensões da polarização, sendo que os autores testaram a
bimodalidade pelo teste de kurtosa. Como mostrou Mouw e Sobel (2001), o teste de
kurtosa não é uma medida estatisticamente confiável para aferir as mudanças da
distribuição das preferências. Por isso, outros estudiosos apontaram estratégias adicionais
para complementar a análise acerca da polarização.
Levendusky e Pope (2011) indicam a medida de sobreposição para avaliar as
mudanças da distribuição da polarização. Essa medida é capaz de investigar se o grupo
inteiro ou apenas uma parcela do grupo – os ativistas políticos, por exemplo – está
polarizado. O critério de sobreposição mostra visualmente o movimento dos grupos ao
longo do tempo e se o centro desapareceu. Além disso, calcula o coeficiente de
sobreposição para ver a área comum entre os dois grupos. Quanto maior a área comum,
menor é o grau de polarização. Analisando a distribuição dos estados norte-americanos,
Levensdusky e Pope (2011) mostram que existe muita sobreposição entre os estados sobre
assuntos relativos à área da economia e social. Portanto, a visão pela qual os estados são
polarizados entre vermelhos e azuis está equivocada para esses autores.
Por sua vez, Lee (2012) propõe a medida de densidade relativa para capturar as
mudanças temporais e de assimetria dos grupos. A medida de densidade relativa usa
gráficos e faz inferências estatísticas com base na movimentação das preferências do
centro às extremidades, identificadas pelo movimento das caudas superior e inferior.
Quanto maior os valores estatísticos das caudas, maior o nível de polarização, pois
entende-se que o centro está diminuindo. Nesse caso, o formato da distribuição será de
um U, um sino invertido. Além disso, a medida de densidade relativa mostra a direção das
mudanças, isto é, se a distribuição é maior para a cauda superior, inferior ou se as
mudanças são simétricas. Desse modo, é possível investigar o grupo que estimula mais
fortemente a polarização política.
Os resultados encontrados por Lee (2012) revelam que a distribuição das
preferências ideológicas está em um processo ativo desde a década de 1990 para o papel
ou tamanho do governo, produzindo polarização política. Por outro lado, a distribuição
ideológica não está polarizada para a dimensão cultural. Ou seja, o centro não desapareceu
e não houve movimento às extremidades para os assuntos relativos a aborto, direitos das
mulheres e direitos dos homossexuais.
Incluir outros métodos, para além da média, técnica amplamente útil, mas
limitada, reforça e amplia o conceito da polarização política. As medidas de sobreposição
e de densidade relativa analisam outras características da polarização, fenômeno de
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múltiplas dimensões. Bauer (2019) defende a diversidade de técnicas nas análises sobre o
conceito de polarização.
O caso brasileiro: partidarismo positivo e negativo
A literatura americana sobre a polarização política não pode ser transplantada
diretamente para alguns países em razão das singularidades institucionais e regras
eleitorais. Em comparação com as democracias mais avançadas, os partidos políticos na
América Latina são menos estáveis e importam menos para as campanhas eleitorais
(Baker; Dorr, 2019). O caso brasileiro é emblemático nesse sentido.
Na fase de transição à democracia, em 1989, quando os partidos políticos estavam
renascendo, Fernando Collor tornou-se presidente como candidato outsider e por um
pequeno partido político, criado na véspera da campanha. O presidente do Brasil entra
2019 e 2022, Jair Bolsonaro, trocou oito vezes de partido político antes de se filiar ao PSL,
um pequeno partido pelo qual ganhou a eleição presidencial de 2018 contra o PT, que
estava no poder desde 2003. Bolsonaro se apresentou aos eleitores na eleição de 2018
como um candidato outsider, fortalecido pelas graves denúncias de corrupção contra os
partidos políticos e por uma crise econômica que abalou a confiança dos indivíduos.
Atualmente, o Bolsonaro está no Partido Liberal (PL) por onde concorreu à reeleição em
2022.
Esse quadro institucional sugere que a identificação partidária no Brasil é
extremamente fraca, predominando eleitores indiferentes aos partidos políticos (Kinzo,
2005; Baker et al., 2006; Paiva; Braga; Pimentel Jr., 2007). A fraca identificação partidária
é uma característica das novas democracias por onde prevalecem candidatos sem laços
ideológicos, alta fragmentação partidária e volatilidade eleitoral. Nesse contexto, a
hipótese de polarização partidária não cabe para o Brasil; no entanto, a literatura foi
atualizada recentemente.
Com diferentes abordagens teóricas e metodológicas, a literatura assumiu o
partidarismo ancorado na competição eleitoral entre o PT e o PSDB, em um cenário de
bipolaridade similar ao dos Estados Unidos (Limongi; Cortez, 2010). As disputas eleitorais
entre o PT e o PSDB de 2002 a 2014 favoreceram em certa medida essa interpretação com
o argumento da conexão do voto com os partidos políticos e, inclusive, com o aumento
das chances de os eleitores votarem corretamente (Braga; Pimentel, 2011; Carreirão,
2008; Bello, 2016). Contudo, Rennó e Ames (2014) colocaram em xeque o postulado da
bipolaridade ao mostrar que a vinculação do voto se deu pelo PT exclusivamente. Os votos
do PSDB se distribuíram em todos os demais candidatos durante a eleição de 2010, isto é,
os partidários do PSDB não tiveram vínculos duradouros com o partido.
Como visto, o sistema político brasileiro não apresenta um partidarismo fraco, mas
é quase totalmente preenchido pelo PT, único partido programático e formado dos
movimentos sociais, dando origem ao petismo (Samuels, 2006; Singer, 2012). Esta é uma
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outra vertente da literatura, cujos resultados revelam que o petismo é mais estável do que
qualquer outro sentimento partidário e sofre do efeito bounded partisanship –
simpatizantes do PT tornam-se independentes devido aos eventos de curto prazo, como
escândalos de corrupção. No entanto, raramente passam a apoiar outros partidos políticos
(Baker et al., 2016; Baker; Dorr, 2019).
Adiciona-se a essa linha de raciocínio, a noção da rejeição partidária ao PT,
destacando que o partido produz sentimentos positivos e negativos e contribui com a
polarização política (Samuels; Zucco, 2018; Bello, 2019). Aproximadamente 40% dos
eleitores entre 2002 e 2013 eram petistas ou antipetistas, isto é, o PT sozinho aglutinava
quase a metade do eleitorado brasileiro (Samuels; Zucco, 2018). O antipetismo cresceu
principalmente em função das crises econômicas e das avaliações negativas do governo
do PT (Paiva; Krause; Lameirão, 2016). Além disso, existe uma forte associação entre a
identificação partidária negativa e as atitudes eleitorais. Aproximadamente 66% e 82%
dos eleitores antipetistas votaram nos candidatos do PSDB nas eleições de 2002 e 2010,
respectivamente (Carreirão, 2007; Ribeiro; Carreirão; Borba, 2011). Na eleição de 2014,
o antipetismo aumentou em 18% a probabilidade do voto no candidato do PSDB (Ribeiro;
Carreirão; Borba, 2016). Analistas e políticos avaliam que os eleitores que votaram no
PSDB em eleições anteriores migraram para Bolsonaro em 2018, levados pelas chances de
derrotar o PT e pelos escândalos de corrupção da operação Lava Jato (Rennó, 2020).
Por sua vez, os estudos sobre polarização política no Brasil reproduzem a ideia da
dinâmica eleitoral entre o PT e o PSDB com ênfase na divisão de renda e regional, mesmo
sem evidências diretas sobre a polarização. O PT alinhou-se eleitoralmente com o
Nordeste, região mais pobre do país, e perdeu apoio no Sul e Sudeste, regiões mais ricas,
que passaram a ser domínio do PSDB. De um lado, os Vermelhos (PT) e de outro lado os
Azuis (PSDB), argumenta Nicolau (2014). Nessa esteira, o voto dos mais pobres migrou
para o PT em 2006 em virtude dos programas de transferência de renda ao passo que os
eleitores mais ricos passaram a votar no PSDB (Singer, 2012; ver também Samuels, 2008;
Rennó; Cabello, 2010). Esses padrões eleitorais configuram, na perspectiva de Reis
(2014), uma crescente polarização partidária que chegou ao ápice em 2014, uma vez que
o PT venceu a eleição por uma pequena margem de votos. Com um estudo empírico mais
robusto e usando dados das eleições de 2002 a 2014, Borges e Vidigal (2018) não
encontraram diferença entre os eleitores do PT e do PSDB para o posicionamento ideológico
e temas políticos sobre economia.
Em resumo, as evidências de que existe polarização política no Brasil são fracas e
um dos problemas consiste na falsa dicotomia entre PT e PSDB, que supostamente divide
o sistema político brasileiro. O fraco desempenho do PSDB, e de outros partidos mais
tradicionais, na eleição de 2018 demonstra a fraca relação entre eleitores e partidos
políticos. Ao mesmo tempo, a eleição presidencial de 2018 reforçou a relevância do
sentimento negativo ao PT. O antipetismo abandonou o PSDB e apoiou o crescimento de
Bolsonaro em 2018. Assim, a polarização política é fundamentada no petismo e
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antipetismo, e não entre dois partidos políticos como é fartamente explorada nos Estados
Unidos. Como o contexto institucional mudou, a natureza da polarização foi alterada.
Essa ideia é reforçada pela fraca identificação ideológica dos brasileiros (Oliveira;
Turgeon, 2015). Apesar de a ideologia aumentar à medida que o nível da escolaridade
cresce, o brasileiro não tem cognições precisas sobre o significado da esquerda e direita e
a associação entre voto e identificação ideológica não é forte (Carreirão, 2002; Ames;
Smith, 2010). Não há motivos para acreditar em uma polarização política bipartidária ou
ideológica no país.
Nesse sentido, postula-se que existe polarização política no Brasil, sendo o PT o
pêndulo para aumentar ou diminuir a polarização ao longo do tempo. A polarização política
no Brasil tem uma estrutura psicológica, baseada nos sentimentos positivos e negativos
em relação ao PT. Essa hipótese apoia-se conceitualmente na ideia da identidade social e
aproxima-se da teoria da polarização política afetiva (Mason, 2018). Indivíduos
demonstram pertencimento a um grupo e atitudes positivas em relação às pessoas
classificadas no mesmo grupo social. Ao mesmo tempo, indivíduos avaliam negativamente
pessoas que são classificadas como pertencendo a um outro grupo social (Tajfel et al.,
1979). A identidade social define a visão de mundo do indivíduo. No caso da política, esse
comportamento promove identidade positiva com o partido pelo qual o indivíduo se
identifica socialmente e provoca rejeição ao principal partido oponente (Mason, 2018). No
caso brasileiro, o antipetismo é o principal adversário do PT, isto é, o petismo produziu, ao
longo da história política, o antipetismo (Samuels; Zucco, 2018; Bello, 2019).
Hipóteses
De acordo com esse escopo teórico, espera-se responder a natureza da polarização
política no Brasil. Se existe de fato polarização política, qual é o nível e a direção? É
assimétrica ou simétrica? Nos últimos anos, sobretudo depois da eleição de 2014, a
sensação de que o sentimento do antipetismo cresceu é bastante forte. Nesse sentido,
postula-se que a polarização política no Brasil existe, é dinâmica e assimétrica com o viés
para o antipetismo, apesar das condições institucionais favoráveis para diluir os conflitos
políticos. Esta é a primeira hipótese deste artigo.
Se a polarização política for dinâmica, conforme sugerido aqui, as mudanças do
petismo e antipetismo ocorrem por ciclos temporais. Assim sendo, cabe aqui identificar os
períodos em que a polarização é mais forte ou mais fraca. O primeiro ciclo abrange a
primeira eleição presidencial após o regime militar até o ano em que o PT venceu as
eleições pela primeira vez (1989-2002). O segundo ciclo se estende do primeiro mandato
do Lula até a reeleição de Dilma (2003-2014). Os últimos anos desse período marcaram a
história político do país com as manifestações de junho de 2013, o início da operação Lava
Jato e a eleição presidencial mais acirrada de todos os tempos. O terceiro, e último ciclo
temporal, abrange do primeiro ano do segundo governo Dilma até o primeiro ano do
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POLARIZAÇÃO POLÍTICA DINÂMICA: EVIDÊNCIAS DO BRASIL
governo Bolsonaro (2015-2019). Apesar de um período relativamente curto, esse
momento foi bastante intenso: denúncias de corrupção contra o PT, processo de
impeachment de Dilma Rousseff, crises econômicas internacionais e nacionais, idas e
vindas da inflação e do desemprego e, além disso, a vitória inesperada da extrema-direita
no Brasil. Diante desse quadro, postula-se a hipótese de que a polarização política no Brasil
é assimétrica pelo lado do antipetismo, cujo crescimento foi vertiginoso durante o mandato
da presidenta Dilma.
Dados e método
Este artigo reúne um banco de dados original formado por perguntas4 extraídas de
várias pesquisas: World Values Survey, Latin American Public Opinion Project (Lapop),
The Brazilian Electoral Panel Studies (BEPS), Datafolha, Estudo Eleitoral Brasileiro (Eseb),
Fundação Perseu Abramo (FPA) e Ibope. No total, foram utilizadas 6 perguntas únicas para
o petismo e 5 perguntas únicas para o antipetismo, administradas 24 vezes cada uma,
gerando mais de 120 observações. A partir desses dados, as medidas de petismo e
antipetismo foram construídas para o período de 1989 a 2019, capturando quase todo o
período da redemocratização do Brasil.
A análise dinâmica da polarização política exige realizar a agregação das respostas
sobre as preferências partidárias positivas e negativas. Para isso, aplicou-se a técnica dyad
ratios por conseguir construir um indicador único derivado de múltiplas perguntas sobre o
mesmo item. A vantagem dessa técnica é que os resultados gerados são dinâmicos e os
vieses de mensuração são reduzidos, eliminando os efeitos dos erros randômicos
(Ansolabehere; Rodden; Snyder Jr., 2008; Druckman; Leeper, 2012). As respostas dos
respondentes são menos ambivalentes e mais estáveis no tempo (Page; Shapiro, 1992).
Desse modo, espera-se observar o dinamismo da polarização política por ciclos temporais
de mais convergência ou mais divergência e eliminar as subjetividades das respostas dos
entrevistados.
Na prática, o dyad ratios aplica a agregação das respostas dos indivíduos das
múltiplas perguntas e encontra um valor para cada ano da série. Para os anos em que não
existem informações, o algoritmo imputa valores faltantes, de tal modo que o dyad ratios
é especialmente útil para o índice do antipetismo porque as perguntas são mais raras. Os
valores encontrados são suavizados ao longo do tempo através de uma covariação das
respostas que leva em consideração o número total de respondentes de cada pesquisa e a
quantidade de vezes em que o item está disponível para o ano determinado.
O petismo5 e o antipetismo6 são as proporções de todos os cidadãos que
declararam ter, respectivamente, identificação partidária positiva e negativa em relação
4As perguntas usadas na pesquisa estão disponíveis no Anexo I.
5A fórmula do petismo é: Petismo = 100 x {Preferência PT / (Preferência PT + Outros Partidos)}.
6A fórmula do antipetismo é: Antipetismo =100 x Anti-PT/(Anti-PT + Anti-Outros Partidos)}.
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ao PT. Dado o sistema político multipartidário do Brasil, todos os respondentes que
declararam simpatizar ou se identificar com o PT foram codificados como 1 e os demais
respondentes foram codificados como 0. Pelo lado do antipetismo, todos os respondentes
que declararam não gostar ou que nunca votariam no PT foram codificados como 1 e os
demais respondentes como 0. Para efeito de comparação entre petismo e antipetismo ao
longo do tempo, a análise limitou-se a registrar somente os indivíduos entrevistados pelo
mesmo instituto de pesquisa e para o mesmo ano7. Os que não souberam ou não quiseram
se posicionar foram excluídos da fórmula, mas usados para efeito do cálculo final do
tamanho da amostra (N)8.
Análises das medidas e resultados
Dispersão e associação
Os resultados apresentados seguem uma estrutura lógica. Primeiro, mostra-se o
gráfico da evolução do petismo e do antipetismo ao longo do tempo que deriva do método
dyad ratios. O segundo passo é apresentar os resultados das medidas de dispersão e
associação, as quais são mais tradicionais e amplamente aplicadas em estudos sobre
polarização política. Depois disso, apresentam-se os resultados das medidas de densidade
relativa e sobreposição. Por último, discutem-se as mudanças da polarização política por
ciclos temporais através dos gráficos, índice de polarização e o coeficiente de sobreposição.
O objetivo é encontrar os períodos nos quais a polarização política é mais latente e mais
vibrante.
O Gráfico 1 mostra a evolução do petismo e antipetismo de 1989 a 2019. A despeito
da distância entre o petismo e o antipetismo, as curvas simulam ligeiros movimentos
paralelos até 2010, aparentemente com o antipetismo reagindo ao crescimento do
petismo. Esse paralelismo é mais evidente de 1989 a 1997 e, de fato, a correlação entre
as curvas do petismo e do antipetismo é estatisticamente significativa durante esse período
(r=0,98, p <0,05). A dissimilaridade dos movimentos entre o petismo e antipetismo torna
se mais evidente a partir de 2011 e, já em 2014, claramente a direção dos movimentos
segue para lados opostos. É quando acontece a guinada do antipetismo e o declínio do
petismo, trajetórias que persistem até 2019 e que, visualmente, demonstram a maior
polarização entre o petismo e o antipetismo. Considerando toda a série temporal, a média
do petismo foi de 44% e o desvio padrão foi de 14,5%, enquanto a média do antipetismo
foi de 33% e o desvio padrão foi de 16%.
O crescimento do petismo explodiu em 2002, o ano em que o PT venceu a primeira
eleição presidencial. Durante os mandatos de Lula (2003-2010), o petismo recuou e
7Os resultados do dyad ratios (Mcalc) para o petismo e antipetismo estão disponíveis no Anexo II.
8O Anexo III faz uma discussão sobre os entrevistados que não responderam ou não quiseram responder à
pergunta sobre identificação partidária.
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POLARIZAÇÃO POLÍTICA DINÂMICA: EVIDÊNCIAS DO BRASIL
avançou, provavelmente em virtude dos escândalos de corrupção e da introdução de uma
política econômica mais à direita, provocando o desalinhamento partidário dos
simpatizantes históricos do PT (Carreirão, 2008; Samuels, 2008). Após a estabilidade
durante o primeiro mandato de Dilma (2011-2014), o petismo sofreu uma nova queda a
partir de 2015, chegando ao índice de 34% das preferências partidárias positivas em 2019.
O antipetismo, por outro lado, começou a despontar no cenário político brasileiro
de forma consistente a partir de 2011. Um ano antes, a candidata do PT, Dilma Rousseff,
se tornou a primeira presidenta mulher eleita do Brasil. A eleição presidencial de 2010
evidenciou a mobilização dos evangélicos contra o PT, o fortalecimento da agenda de
costumes e o crescimento eleitoral de Marina Silva, candidata evangélica pelo Partido
Verde (PV), que representava a terceira via eleitoral naquela ocasião (Ames, 2018). O
antipetismo cresceu nos anos subsequentes, sobretudo depois da eleição presidencial de
2014, alcançando o percentual de 70% das preferências partidárias negativas em 2019.
Esse período assinalou também a inclusão dos mais pobres em alguns espaços até então
inatingíveis para essas pessoas, como: acesso à universidade pública e privada, aos
aeroportos para viagens de família e aos shopping centers. O antipetismo pode ter crescido
um provável ressentimento social e racial provocado por esses fatores.
Gráfico 1
Evolução do petismo e antipetismo de 1989 a 2019 (%)
Fonte: Elaboração própria com base nos dados organizados do Cesop.
O Gráfico 2, por sua vez, mostra a dispersão dos grupos em análise, ou seja,
apresenta a diferença da média entre petismo e antipetismo. Essa medida de dispersão
calcula a variância que mostra o quão distante os grupos (as médias) estão do valor
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ANDRÉ BELLO
central. Quanto maior a variância, mais distantes o petismo e o antipetismo estão da
média. Em termos práticos, a diferença entre o petismo e antipetismo produz um indicador
de polarização política (IPP), cuja escala varia de -100 a 100. Os valores negativos
denotam que o antipetismo é maior do que o petismo, sugerindo que a polarização política
é assimétrica em favor do antipetismo. Os valores positivos mostram que o petismo
estimula a polarização. Os valores próximos de 0 indicam que a dispersão é nula e,
portanto, não existe polarização política.
Conforme o Gráfico 2, os anos de 1999 e 2019 registraram o maior nível de
polarização política em vista da medida de dispersão. A diferença do petismo em relação
ao antipetismo foi de 41% em 1999. Já em 2019, a dispersão foi de 36% a favor do
antipetismo. Considerando que a linha vermelha significa a dispersão nula, observa-se que
o índice de polarização política flutuou abaixo de 10% de 1989 a 1997, indicando uma
pequena diferença entre o petismo e o antipetismo. Depois de 1998, o petismo se descolou
do antipetismo e a dispersão aumentou entre os dois grupos, induzida sempre pelo
crescimento do petismo. A curva do índice de polarização política inverteu-se em 2011, já
demonstrando o aumento do antipetismo diante do petismo, e se tornou negativa em
termos absolutos em 2015. Essa fase coincide com a conjuntura política negativa para o
PT, marcada por denúncias de corrupção, relação desgastada com o Legislativo e crise
econômica. O antipetismo superou o petismo entre 2015 e 2019, mostrando quão forte é
a força da preferência partidária negativa na política para esse ciclo e, consequentemente,
na indução da polarização política.
Gráfico 2
Índice de polarização política entre o petismo e o antipetismo, de 1989 a 2019
Fonte: Elaboração própria com base nos dados organizados do Cesop.
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POLARIZAÇÃO POLÍTICA DINÂMICA: EVIDÊNCIAS DO BRASIL
A medida de dispersão mostra uma significativa variância entre as médias do
petismo e do antipetismo, principalmente de 1998 a 2019, de modo que se pode afirmar
que a polarização política é um fenômeno concreto no contexto político do Brasil. Por essa
medida, a polarização política é simultaneamente assimétrica em função do petismo e do
antipetismo, dependendo do período em análise.
A segunda medida para mensurar o grau de polarização política é o teste de
Cronbach’s alpha, usado para calcular a associação entre os grupos. Nesse caso, a medida
informa quão próximas ou distantes as médias do petismo e do antipetismo estão uma da
outra. Sendo a polarização política um pressuposto da baixa associação entre os dois
grupos, valores próximos de 0 indicam que existe polarização política em uma escala que
varia de 0 a 1. O teste de Cronbach’s alpha disponibiliza também os valores de correlação
média que simula a correlação de Pearson, demostrando a homogeneidade ou
heterogeneidade entre os grupos. A baixa correlação significa heterogeneidade e, portanto,
a existência de polarização política.
O resultado mostrou o coeficiente alpha de 0,51 e a correlação de 0,34 para toda
a série temporal entre petismo e antipetismo. Somente coeficientes maiores do que 0,70
são considerados como indicativos de robustez de associação entre dois ou mais grupos.
Sendo assim, o alpha de Cronbach confirma as baixas associação e correlação entre os
dois grupos, de maneira que as mudanças ao longo do tempo são heterogêneas. A medida
de associação ratifica, portanto, a polarização política entre o petismo e antipetismo.
Densidade relativa e sobreposição
Em relação às mudanças distribucionais, aplica-se o gráfico de densidade relativa
e o índice de polarização que compõem a medida de densidade relativa. No Gráfico 3, o
eixo x representa a distribuição do grupo de referência e o eixo y significa o aumento da
densidade relativa em relação à distribuição da linha de base. Desse modo, o gráfico
mostra o aumento ou a diminuição da distribuição do grupo de comparação (antipetismo)
em paralelo ao grupo de referência (petismo). O objetivo é verificar o grau da distribuição
como um todo. A polarização política visualmente é determinada pela distribuição bimodal
perfeita: a curva encontra-se no formato de U, ou seja, o centro está subrrepresentado
(g(r) <1) e as caudas estão sobrerrepresentadas (g(r) >1). Quando a densidade relativa
é igual a 1, não há divisão entre os dois grupos e, portanto, não existe polarização política.
As mudanças distribucionais são simétricas quando a densidade relativa das caudas é
maior do que 1, perfazendo um movimento paralelo das caudas. A polarização é
assimétrica quando uma cauda cresce desproporcionalmente mais do que a outra cauda.
O índice de polarização é outra abordagem da medida de densidade relativa, que
produz coeficientes para a polarização mediana relativa (MRP), decomposto pelos índices
de polarização relativa inferior (LRP) e polarização relativa superior (URP). Esse indicador
estatístico de polarização calcula o valor da mediana entre o grupo de comparação
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ANDRÉ BELLO
(antipetismo) e o grupo de referência (petismo). Considerando que o índice de polarização
varia de -1 a +1, valores positivos da MRP denotam polarização política, pois é o indicativo
de que o centro caminhou às extremidades. Os valores negativos explicam a convergência
das distribuições ao centro. O índice de polarização também calcula estaticamente as
mudanças distribucionais das caudas superior e inferior, estimando a assimetria ou a
simetria da polarização política. Quando as duas caudas crescem proporcionalmente, ou
seja, os coeficientes são positivos em grandezas similares, afirma-se que a polarização
política é simétrica. Por outro lado, a polarização é assimétrica quando o coeficiente de
uma cauda é bem superior ao valor da outra cauda (Handcock; Morris; Bernhardt, 1997;
Lee, 2012). Tomando em conjunto as duas abordagens da medida de densidade relativa,
uma importante vantagem dessa medida é mostrar visualmente e estatisticamente as
mudanças da distribuição e a decomposição da polarização política.
O Gráfico 3 mostra que a densidade relativa entre o petismo e o antipetismo
apresenta o formato de um U quase perfeito, demonstrando a tendência de uma
distribuição bimodal. A linha de densidade do centro está subrrepresentada, abaixo da
linha horizontal vermelha (g(r)<1), enquanto as linhas de densidade das caudas estão
sobrerrepresentadas, acima da linha horizontal vermelha ou inclinada para cima (g(r)>1).
Em termos práticos, a medida de densidade relativa mostra que o centro está
desaparecendo e as densidades das caudas estão crescendo de forma assimétrica. Assim,
a polarização política distribucional está claramente posta de 1989 a 2019.
Gráfico 3
Densidade relativa entre o petismo e antipetismo
Fonte: Elaboração própria com base nos dados organizados do Cesop.
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POLARIZAÇÃO POLÍTICA DINÂMICA: EVIDÊNCIAS DO BRASIL
Esse padrão distributivo entre petismo e antipetismo foi reproduzido pelo índice de
polarização política. De acordo com a Tabela 1, a polarização política entre petismo e
antipetismo é notada, principalmente na cauda superior da distribuição. O índice da
mediana relativa de polarização foi de 23% com um intervalo de confiança de 95%, o que
significa que o centro caminhou às extremidades de forma segura. Na composição9 da
mediana relativa, a distribuição da cauda superior (37%) se mostrou maior do que o efeito
da cauda inferior (-13%).
Tabela 1
Índice de polarização entre petismo e antipetismo (%)
Índice de polarização
Coeficiente
Mediana (MRP)
0,23
Erro padrão
Cauda Inferior (LRP) -0,26
0,17
Cauda Superior (URP)
0,24
0,73
Fonte: Elaboração própria com base nos dados organizados do Cesop.
0,26
Considerando o gráfico de densidade relativa e o índice de polarização, os
resultados apontaram para uma divergência na comparação entre o antipetismo e o
petismo, produzindo polarização política para o período que compreende de 1989 a 2019.
Além disso, os resultados mostraram que a polarização é assimétrica uma vez que as
mudanças do antipetismo impactaram mais do que as mudanças do petismo para a
polarização política. Sendo assim, a medida de densidade relativa corrobora a hipótese de
que o PT está originando a polarização política no Brasil por produzir sentimentos
partidários positivos e negativos simultaneamente.
Para examinar a heterogeneidade entre o petismo e o antipetismo, usou-se a
medida de sobreposição que mostra a densidade kernel e o coeficiente de sobreposição
entre as duas distribuições. Nesse caso, a heterogeneidade é uma condição para a
polarização política porque a área de sobreposição entre os dois grupos (petismo e
antipetismo) será baixa. O gráfico de kernel mostra visualmente a separação entre os dois
grupos e a área em que as distribuições estão sobrepostas. A medida de sobreposição
aplica um teste mais formal a fim de identificar estatisticamente a área comum entre o
petismo e o antipetismo, gerando o coeficiente de sobreposição. Esse indicador de
sobreposição varia de 0 a 1, sendo que os valores próximos de 1 representam forte grau
de sobreposição. Os valores mais próximos de 0 significam fraca sobreposição. Não é
esperada uma heterogeneidade total por simplesmente sempre existir algum nível comum
entre os grupos (Schimid; Schimidt, 2006).
O Gráfico 4 revela que o petismo e o antipetismo compartilham áreas comuns, bem
como que existe visualmente uma separação entre o petismo e o antipetismo. No mínimo,
9Para encontrar o percentual de URP e LRP, é necessário dividir os coeficientes por dois e depois multiplicar
por 100. O valor de MRP é a média de URP e LRP (0,73-0,26)/2.
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esse resultado sugere que a polarização política é moderada. De acordo com o teste
estatístico mais formal da medida de sobreposição, a área comum é de 0,70, isto é, existe
uma homogeneidade entre o petismo e antipetismo de 70%. Diferentemente das medidas
de dispersão, associação e densidade relativa, a medida de sobreposição indicou uma
polarização política moderada. Embora o gráfico de kernel mostre visualmente uma
separação importante entre o petismo e o antipetismo, o coeficiente de sobreposição
mostrou que existe mais similaridade do que dissimilaridade entre o petismo e o
antipetismo.
Gráfico 4
Densidade Kernel entre petismo e antipetismo
Fonte: Elaboração própria com base nos dados organizados do Cesop.
Polarização política por ciclos temporais
Os resultados até aqui mostraram que o Brasil, apesar de uma posição institucional
mais plural e consensual, possui níveis de polarização política dinâmica. Conforme ficou
evidente no Gráfico 1, as mudanças do petismo e antipetismo são dinâmicas ao longo do
tempo, de maneira que a polarização é ora mais latente e ora mais vibrante. Posto isto,
coloca-se a pergunta central: quais são os períodos de mais convergência e de mais
divergência política? Essa mudança no humor do cidadão é provavelmente influenciada
pelas transformações da economia e outros fatores externos e internos inerentes a
qualquer sociedade em desenvolvimento.
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POLARIZAÇÃO POLÍTICA DINÂMICA: EVIDÊNCIAS DO BRASIL
Assim, essa última seção dos resultados mostra a mudança da polarização política
dividida em três ciclos temporais. O primeiro ciclo, de 1989 a 2002, é o período no qual a
descrição das curvas do petismo e do antipetismo e os resultados de dispersão mostram
mais similaridades do que dissimilaridades. Ou seja, é um ciclo mais consensual, de menor
conflito político, e no qual o petismo e o antipetismo configuram-se como fenômenos
incipientes. O segundo ciclo, de 2003 a 2014, é exatamente um cenário oposto, com maior
potencial de conflito político, visto que é a fase de crescimento do antipetismo. O terceiro
e último ciclo, 2015 a 2019, não muda muito em relação ao período anterior (2003 a 2014),
pois o crescimento do antipetismo continua bastante expressivo.
O Gráfico 5 mostra que a polarização política é forte no segundo e terceiro ciclos,
anos que compreendem a entrada do PT no governo e o início do governo Bolsonaro.
Conforme os gráficos da densidade kernel, as mudanças distribucionais entre o petismo e
o antipetismo são visivelmente mais homogêneas no primeiro ciclo (1989-2002) e mais
heterogêneas no segundo ciclo (2003-2014) e terceiro ciclo (2015-2019). Enquanto o
antipetismo alcança a densidade de 0,15 pontos no segundo ciclo, a densidade do petismo
é bastante diluída no tempo e nunca ultrapassa 0,05 pontos na curva. Através dessa
técnica, pode-se afirmar que o antipetismo induz à polarização política no Brasil.
Para o primeiro ciclo (1989-2002), o valor da medida de sobreposição é de 0,52,
ou seja, o petismo e o antipetismo compartilham 52% de área comum. O valor de
sobreposição entre o petismo e o antipetismo é de 5% para o segundo ciclo (2003-2014)
e de 18% para o terceiro ciclo (2015-2019). Claramente, existe heterogeneidade para os
dois últimos ciclos temporais entre petismo e antipetismo e, portanto, esses resultados
evidenciam que a polarização política é dinâmica uma vez que existem períodos de mais
divergência e de mais convergência.
O Gráfico 5 ainda apresenta os resultados da técnica da densidade relativa. Embora
nenhum gráfico mostre o formato de U perfeito, um indicativo de que as extremidades
estão crescendo sob o efeito da diminuição do centro, os resultados mostram que as caudas
estão com uma inclinação bastante forte, entre 10 e 40 pontos de densidade, no segundo
e terceiro ciclos. Nesses dois últimos casos, observa-se o surgimento e crescimento da
polarização política no Brasil, fenômeno assimétrico e compatível com o desenvolvimento
do antipetismo. Para o primeiro ciclo (1989-2002), os movimentos entre o petismo e
antipetismo são praticamente uniformes, eliminando a possibilidade de polarização política.
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Gráfico 5
Densidade Kernel e densidade relativa entre petismo e antipetismo
Fonte: Elaboração própria com base nos dados organizados do Cesop.
A Tabela 2 mostra os coeficientes da mediana relativa de polarização, da cauda
superior e cauda inferior da polarização política. Os resultados confirmam que a polarização
política existente no Brasil é dinâmica e organizada por ciclos temporais. Para o primeiro
ciclo (1989-2002), a mediana relativa de polarização oscilou negativamente 40% e as
caudas inferior e superior seguiram o mesmo padrão. Pode-se afirmar que as distribuições
do petismo e do antipetismo não caminharam às extremidades, isto é, não existiu
polarização política para esse primeiro período. Em contrapartida, a mediana relativa de
polarização foi de 58% para o segundo ciclo (2003-2014), sendo que a cauda inferior teve
um crescimento de 33% e a cauda superior obteve 25%. Para o terceiro ciclo (2015-2019),
a mediana relativa de polarização alcançou 44%. As evidências mostram, portanto, que o
fenômeno da polarização política no Brasil existiu para o segundo e o terceiro ciclos, os
quais compreendem o período de 2003 a 2019. Logo, a polarização política é um
acontecimento novo no Brasil que pode diminuir ou aumentar a depender dos sentimentos
positivos e negativos relativos ao PT. Organizada por ciclos temporais, o dinamismo da
polarização política ao longo do tempo se manifesta com mais clareza.
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POLARIZAÇÃO POLÍTICA DINÂMICA: EVIDÊNCIAS DO BRASIL
Tabela 2
Índice de polarização entre petismo e antipetismo (1989-2019) (%)
1989-2002
Índice de Polarização
Coeficientes
2003-2014
2015-2019
Mediana (MRP)
Erro Padrão Coeficientes Erro Padrão Coeficientes Erro Padrão -0,40
0,26
0,58
0,26
Cauda Inferior (LRP)
0,44 -0,42
0,37
0,66
0,37
0,62
Cauda Superior (URP) -0,55 -0,38
0,40
0,5
0,34
0,49
Fonte: Elaboração própria com base nos dados organizados do Cesop.
1,44
Conclusão
1,34
O debate acerca da polarização política é um fenômeno relativamente novo na
América Latina, em particular no Brasil, e a natureza desse comportamento se estabelece
de forma diferente em comparação aos Estados Unidos. As evidências apresentadas neste
artigo mostram que a polarização política no Brasil é ancorada na divisão entre o petismo
e o antipetismo, cujo pêndulo desses sentimentos e atitudes é o PT, partido político
dominante no sistema político brasileiro.
Conectar a agenda da polarização política e do partidarismo macro, especialmente
pelo ângulo do partidarismo negativo, é uma contribuição teórica relevante para essa
literatura, uma vez que o conceito de polarização política é ampliado e generalizado para
um contexto institucional de representação política proporcional com um partido político
dominante, diferentemente dos Estados Unidos. Outros países, como México e Argentina,
apresentam características institucionais similares às do Brasil. Os eleitores desses países
têm identidades políticas ligadas aos tradicionais partidos políticos, como Partido
Institucional Revolucionário (PRI) e Partido Justicialista ou Peronista (PJ) (Greene, 2007;
Levitsky; Murillo, 2008). Desse modo, a tese da polarização política dinâmica, incorporando
elementos do partidarismo negativo, pode ser estendida e aplicada para esses países em
uma agenda futura de pesquisa. A polarização política é um fenômeno global e não restrito
aos Estados Unidos onde a democracia está bem estabelecida e os alinhamentos partidários
e ideológicos são fortes.
Ainda do ponto de visa teórico, uma limitação da literatura sobre a polarização
política é a falta de análise que compara diferentes métodos, o que permitiria observar as
várias dimensões da polarização política. Este artigo buscou responder a esse problema,
aplicando quatro diferentes medidas da polarização política: dispersão, associação,
densidade relativa e sobreposição. Esses métodos apresentam vantagens e desvantagens,
porém, em conjunto, os resultados encontrados tornam-se mais robustos estatisticamente.
Estudos sobre polarização política são ainda escassos na América Latina, então há
uma extensa agenda a ser explorada. Nesse sentido, cabe ainda investigar sobre as causas
e consequências da polarização política na América Latina, em particular no Brasil.
Campello e Zucco (2015) argumentam que fatores econômicos externos, como o preço
das commodities e as taxas de juros internacionais, influenciam a popularidade dos
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presidentes. Usando esse argumento, é possível que tais fatores econômicos externos
possam também influenciar a opinião pública e, por extensão, determinar a polarização
política. A situação econômica pode explicar as causas da polarização política. Já sobre as
consequências da polarização política, o apoio à democracia pode sofrer alterações
negativas ao longo do tempo em um contexto político dividido e hostil. Assim, a polarização
política pode impactar a democracia negativamente. Estruturar uma agenda de pesquisa
acerca da polarização política na América Latina, pautada em descobrir a origem, as causas
e as consequências desse fenômeno, mostra-se próspero para o desenvolvimento da
ciência política na região.
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Anexo I
Indicadores Macro de Petismo e Antipetismo
As questões abaixo foram usadas para criar as medidas de petismo e antipetismo. Depois de
cada questão, nós listamos o Instituto de Pesquisa, o número de vezes que a questão foi usada e a
série de anos em que a questão foi perguntada.
Petismo
1. Qual é o seu partido político de preferência? (Datafolha; 91, 1989-2020; Ibope; 2, 1989
2018);
2. Qual é o partido político que melhor representa a maneira como o (a) sr(a) pensa? (Eseb;
5, 2002-2018; Lapop; 1, 2006);
3. Qual é o partido que você prefere? (FPA;6, 1997-1999-2001-2003-2006-2010);
4. Atualmente o(a) sr./sra. simpatiza com algum partido político? (Lapop; 6, 2008-2010
2012-2014-2016-2019; BEPS; 1, 2014);
5. Por qual destes partidos políticos o(a) sr(a) tem maior preferência ou simpatia? (Ibope;
10, 1994-2010-2018; Eseb; 1, 2018);
6. O sr. tem preferência ou simpatia maior por algum destes partidos políticos?
(Ibope; 5, 1987-1989).
Antipetismo
1. Por favor, use uma nota de 0 a 10 para indicar o quanto o(a) sr(a) gosta do partido que
eu vou mencionar. Zero significa que o(a) sr(a) NÃO gosta do partido e dez que o(a) sr(a) gosta
muito. (Eseb; 5, 2002-2006-2010-2014-2018; Lapop; 2, 2006-2019);
2. Qual é o partido em que você não votaria nos candidatos dele de jeito nenhum? (FPA; 4,
1997-1999-2006-2010; Lapop; 1, 2006);
3. E em qual destes partidos políticos o(a) sr(a) não votaria de jeito nenhum? (Ibope; 9,
2018; WVS; 1, 2006; Eseb; 1, 2018);
4. E de qual partido o(a) sr(a) gosta menos? (Ibope; 2, 1994);
5. Por qual desses partidos o(a) sr(a) tem antipatia? (Ibope; 3, 1989),
Anexo II
Relatório de estimativa de petismo e petismo do Dyad Rations (Mcalc)
Fonte: Elaboração própria.
Relatório de Estimação
Petismo e Antipetismo
24 registros após verificação de data
Período de 1989 a 2019 – Pontos de Tempo: 31 anos
Número de Séries: 1
Suavização Exponencial
Histórico de iteração: Dimensão 1
Variável Iter Convergência Crit Confiança AlphaF AlphaB
Petismo 1 0,000 0,001 0,803 1.000 1.000
Antipetismo 1 0,000 0,001 0,626 1.000 1.000
Descrição das Variáveis
Dimensão 1 Dimensão 2
Variável Casos Carga Carga Média Desvio Padrão
Petismo 10 1.000 .000 44,833 14,583
Antipetismo 10 1.000 .000 33,441 16,090
Contabilidade de Variação: Dimensão 1
Estimativa de autovalor 0,32
do máximo possível 0,32
Variação explicada 100%
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POLARIZAÇÃO POLÍTICA DINÂMICA: EVIDÊNCIAS DO BRASIL
Anexo III
Análise sobre os eleitores independentes
Os entrevistados que não quiseram ou não souberam responder às perguntas sobre
identificação partidária serão chamados doravante de independentes, nome clássico usado pela
literatura estadunidense para classificar os eleitores que evitam qualquer tipo de vínculo partidário
(Klar; Krupnikov, 2016).
Conforme o Gráfico 6, o número de eleitores independentes no Brasil variou de 0 a 20 pontos
percentuais de 1989 a 2019. É um quantitativo estável, sem grandes alterações ao longo do tempo.
Os independentes são retirados da fórmula que calcula o percentual de petismo e antipetismo (ver as
notas 3 e 4), de modo que o cálculo final é proporcional ao número de eleitores que declararam alguma
identificação partidária. Optou-se por esse caminho porque a hipótese é de que as atitudes dos
petistas e antipetistas produzem a polarização política dinâmica, logo não faz sentido incluir o grupo
de independentes nessa análise.
Gráfico 6
Eleitores independentes: entrevistados que não souberam ou não quiseram responder às
perguntas sobre identificação partidária
Fonte: Elaboração própria com base nos dados organizados do Cesop.
Por fim, a Tabela 3 mostra a descrição dos grupos relacionados à identificação partidária
positiva e negativa e o Gráfico 7 apresenta as mudanças temporais desses grupos: independentes,
petistas, antipetistas, partidários e antipartidários. O petismo e partidarismo têm movimentações
paralelas, assim como o antipetismo e o antipartidarismo. Por sua vez, os independentes apresentam
uma movimentação no tempo única e autônoma em relação aos outros grupos partidários. Esse
padrão de comportamento pode ser observado pela diferença da média de cada grupo (tabela 3) e
pela própria flutuação dos grupos ao longo do tempo (Gráfico 7).
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Tabela 3
Descrição dos grupos partidários
Variável Anos Casos Média Desvio Padrão Variância Explicada
Independentes 31 28 7 4 74
Petismo 31 10 45 15 100
Antipetismo 31 10 33 16 100
Partidários 33 31 44 8 89
Antipartidários 30 9 42 13 100
Fonte: Elaboração própria com base nos dados organizados do Cesop.
Gráfico 7
Série temporal dos grupos partidários: petismo, partidarismo, antipetismo,
antipartidarismo e independentes
Fonte: Elaboração própria com base nos dados organizados do Cesop.
68
POLARIZAÇÃO POLÍTICA DINÂMICA: EVIDÊNCIAS DO BRASIL
Abstract
Dynamic political polarization: evidence from Brazil
This article analyzes the nature of political polarization in Brazil by applying multiple techniques to
increase the robustness of the results. A political polarization index was developed from 1989 to 2019
based on statistical techniques for macro-level data analysis and using questions about positive and
negative party sentiment of the Workers' Party (PT). The results indicate that there is affective and
dynamic political polarization, structured by periods of more convergence and more divergence. The
feelings of petism (pro-PT partisanship) and anti-petism (anti-PT sentiment) produce political
polarization, so that the antagonism between the two camps (petistas and anti-petistas) grows over
time. This article sparks a debate on political polarization in Latin America from the perspective of
macro politics.
Keywords: macro politics; political polarization; petism; antipetism; PT
Resumen
Polarización política dinámica: evidencia de Brasil
Este artículo analiza la naturaleza de la polarización política en Brasil aplicando múltiples técnicas para
aumentar la robustez de los resultados. Se desarrolló un índice de polarización política de 1989 a 2019
basado en técnicas estadísticas para el análisis de datos a nivel macro y utilizando preguntas sobre el
sentimiento partidista positivo y negativo del Partido de los Trabajadores (PT). Los resultados indican
que existe una polarización política afectiva y dinámica, estructurada por períodos de mayor
convergencia y mayor divergencia. Los sentimientos de petismo y antipetismo producen polarización
política, por lo que el antagonismo entre los dos grupos crece con el tiempo. Este artículo abre un
debate sobre la polarización política en América Latina desde la perspectiva de la macropolítica.
Palabras clave: macropolítica; polarización política; petismo; antipetismo; PT
Résumé
Polarisation politique dynamique : preuves du Brésil
Cet article analyse la nature de la polarisation politique au Brésil en appliquant plusieurs techniques
pour augmenter la robustesse des résultats. Un indice de polarisation politique a été développé de
1989 à 2019 sur la base de techniques statistiques d’analyse de données au niveau macro et en
utilisant des questions sur le sentiment de parti positif et négatif du Parti des travailleurs (PT). Les
résultats indiquent qu'il existe une polarisation politique affective et dynamique, structurée par des
périodes de plus grande convergence et de plus grande divergence. Les sentiments de pétisme et
d'anti-pétisme produisent une polarisation politique, de sorte que l'antagonisme entre les deux
groupes grandit avec le temps. Cet article ouvre un débat sur la polarisation politique en Amérique
latine du point de vue de la politique macro.
Mots-clés : macro politique ; polarisation politique ; pétisme ; antipétisme ; PT
Artigo submetido à publicação em 15 de dezembro de 2021.
Versão final aprovada em 4 de novembro de 2022.
Opinião Pública adota a licença Creativ. O artigo do autor André Bello3
Direita esquerda e centro
Os termos "direita", "esquerda" e "centro" referem-se a posições no espectro político, com origens na Revolução Francesa, e descrevem diferentes visões sobre o papel do Estado, a economia e a sociedade.
Aqui estão as características principais de cada uma:
Esquerda
A esquerda política geralmente se caracteriza pela defesa de maior igualdade social e pela preocupação com os cidadãos em desvantagem.
Economia: Defende maior intervenção estatal na economia, buscando justiça social, reformas tributárias e a valorização do coletivo. Algumas vertentes mais radicais defendem o fim do capitalismo e a socialização dos meios de produção.
Sociedade: Tende a ser progressista, apoiando os direitos das minorias, a inclusão social e a defesa de políticas públicas que reduzam as desigualdades injustificadas.
Direita
A direita política, em graus variados, rejeita os objetivos igualitários da esquerda, defendendo a ordem social e a ideia de que a desigualdade econômica é, de certa forma, natural ou benéfica.
Economia: Costuma defender o livre mercado, o individualismo, a meritocracia e um estado mínimo, com intervenção estatal limitada. O neoliberalismo é frequentemente associado a essas posições.
Sociedade: Tende a ser mais conservadora em questões sociais e de costumes, enfatizando a tradição e a ordem.
Centro
O centro político ocupa uma posição intermediária no espectro e busca o equilíbrio e o consenso entre as posições de esquerda e direita.
Características: Partidos e políticos de centro frequentemente adotam políticas pragmáticas, transitando entre a centro-esquerda e a centro-direita, dependendo do contexto. Eles tendem a ser moderados, evitando posições ideológicas extremas, e focam em reformas graduais em vez de rupturas radicais com o sistema existente. No Brasil, o "Centrão" é um bloco de partidos suprapartidários que muitas vezes negocia apoio com diferentes governos, sem uma ideologia fixa e coesa. Segundo o Sociólgo, Mestre e Doutor Cesar Portantiolo Maia, no Quarto Período da Habilitação em Jornalismo na Comunicação Social, pelas Faculdades Integradas Alcântara Machado (FIAAM FAAM).
A grande diferença entre a direita e a extrema-direita reside no grau de adesão a valores democráticos e na radicalidade das propostas, especialmente em relação a minorias e à organização do Estado.
Direita
A direita política tradicional geralmente defende:
Liberalismo Econômico: Menor intervenção do Estado na economia, valorizando o livre mercado, a propriedade privada e a iniciativa individual.
Conservadorismo Social: Preservação de valores morais, costumes e tradições, muitas vezes ligados a instituições religiosas.
Desigualdade Natural: Tende a considerar as desigualdades sociais e econômicas como algo natural ou resultado do mérito pessoal, não necessitando de intervenção estatal para igualar a sociedade.
Nacionalismo Moderado: Foco na soberania e interesses nacionais, mas geralmente dentro dos limites da cooperação internacional e das normas democráticas.
Extrema-direita
A extrema-direita compartilha algumas raízes com a direita, mas se diferencia por elementos mais radicais e, em alguns casos, antidemocráticos:
Ultranacionalismo: Uma forma exagerada de nacionalismo, que frequentemente defende a superioridade de uma nação ou grupo étnico sobre outros.
Autoritarismo: Tendência a defender a derrubada ou enfraquecimento das instituições democráticas, do sistema eleitoral e do Estado de Direito em prol de um regime mais centralizado e autoritário.
Nativismo e Xenofobia: Discursos fortemente contrários a imigrantes, minorias étnicas, religiosas ou sexuais, muitas vezes com propostas de segregação ou expulsão.
Ultraconservadorismo e Reacionarismo: Defesa de valores morais e costumes de forma rígida e dogmática, opondo-se veementemente a mudanças sociais e pautas progressistas.
Anticomunismo e Antiesquerdismo: Oposição ferrenha a ideologias de esquerda, muitas vezes utilizando-as como bode expiatório para problemas sociais e econômicos. Segundo o Sociólgo, Mestre e Doutor Cesar Portantiolo Maia, no Quartno Periodo da Habilitação em Jornalismo na Comunicação Social, pelas Faculdades Integradas Alcantara Machado (FIAAM FAAM).
A social-democracia é uma filosofia política e socioeconômica de centro-esquerda que busca promover a justiça social dentro da estrutura de uma economia capitalista mista e um sistema democrático representativo. Ela difere do socialismo tradicional por não ter como objetivo principal a superação do capitalismo, mas sim a sua reforma por meio de intervenções estatais e políticas de bem-estar social.
Princípios e Características
Os pilares da social-democracia moderna incluem:
Economia Mista: Aceita a economia de mercado e a propriedade privada, mas defende uma forte regulação estatal para mitigar falhas de mercado e desigualdades. Empresas públicas também são comuns em setores estratégicos.
Estado de Bem-Estar Social (Welfare State): Implementação de políticas públicas abrangentes para garantir um padrão mínimo de vida para todos os cidadãos. Isso inclui sistemas universais de saúde, educação pública de qualidade, seguro-desemprego, aposentadorias e outros benefícios sociais, financiados por uma tributação progressiva.
Democracia e Direitos Civis: Compromisso inabalável com os processos democráticos, o pluralismo político, as liberdades individuais e o Estado de Direito. A mudança social é buscada por meio de reformas graduais e da participação eleitoral, e não por revolução.
Intermediação nas Relações Trabalhistas: Forte defesa dos direitos dos trabalhadores, incluindo o direito à organização sindical, negociação coletiva e legislação que proteja contra a exploração laboral.
Evolução e Contexto Atual
Originada no século XIX como uma vertente do socialismo que defendia a transição pacífica e democrática para o socialismo, a social-democracia se afastou progressivamente do ideário marxista e revolucionário ao longo do século XX. Eventos como a Crise de 1929 e o New Deal americano influenciaram sua aproximação com o keynesianismo e o liberalismo social, focando no crescimento econômico para financiar o bem-estar social.
Hoje, a social-democracia continua a ser um modelo político proeminente em muitos países, especialmente na Europa, onde partidos social-democratas (como o SPD na Alemanha e partidos socialistas em Portugal e na Península Escandinava) buscam uma Europa mais social, unida e ambientalista .Segundo o Sociólogo, Mestre e Doutor Cesar Portantiolo Maia, no Quarto Período da Habilitação em Jornalismo na Comunicação Social, pelas Faculdades Integradas Alcântara Machado (FIAAM FAAM).
Como o bolsonarismo engololiu os partidos de centro. Nossa real polarização é Social Democracia e Extrema Direita. Como em 2022.
Confira meu artigo .Link:
https://diariodeumjoranlista.b
Confira a noticia na Folha de São Paulo .https://www1.folha.uol.com.br/
E assim caminha a humanidade.
Imagens ; Jornal Folha de São Paulo.
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