BOLSONARISMO, O NOVO FASCISMO
BRASILEIRO
1. CONTEXTUALIZAÇÃO
As pesquisas e a bibliografia consagradas dedicadas ao tema dos novos
populismos de direita e de extrema-direita nos últimos anos é já respeitável. Em
volume, em qualidade e em variedade de abordagens e de perspectivas teóricas
e políticas, é possível falar de um novo corpo de conhecimento consolidado em
matéria de reflexão política, ao mesmo tempo interdisciplinar (ciência política,
filosofia, história, sociologia, economia), especializado, e de grande interesse
público. Como as Democracias Morrem, de Steven Levitsky e Daniel Ziblatt,
e Como a Democracia Chega ao Fim, de David Runciman, além de O Povo
contra a Democracia, de Yascha Mounk, são apenas alguns dos exemplos de
êxito popular.
Na academia, pesquisadores se amparam em dados para apontar para o
que chamaram de recessão democrática1 ou, em alusão à terceira onda de
democratização de Huntington2, de terceira onda de autocratização3.
Independentemente do nome, esse tem sido um movimento gradual,
caracterizado por um redobrado autoritarismo de ditaduras, uma tendência de
países da “zona cinzenta” democrática de decaírem para autocracias e uma
crescente disfuncionalidade e perda de autoconfiança por parte de democracias
estabelecidas. Isso é corroborado tanto por índices que medem o nível de
democracia no mundo calculados por organizações como Freedom House4, The
1Cf. DIAMOND, Larry. Facing Up to the Democratic Recession. Journal of Democracy, 26, 2015, pp.
141-155
2Cf. HUNTINGTON, Samuel. The third wave: Democratization in the Late Twentieth Century,
University of Oklahoma Press, 1993
3Cf. LÜHRMANN, Anna; LINDBERG, Staffan. A third wave of autocratization is here: what is new
about it? Democratization, 26, 7, 2019, pp. 1095-1113
4https://freedomhouse.org/report/freedom-world
Economist Intelligence Unit5 e V-Dem6, quanto por pesquisas feitas por
instituições como o Pew Research Center, que revelam que, mesmo que em
teoria apoiem a democracia, as pessoas nem sempre demonstram
comprometimento com seus princípios e estão mais insatisfeitas com o seu
funcionamento, sendo essa insatisfação correlacionada com uma frustração
com as elites políticas7.
Como se vê, o fenômeno vem de par com importantes reflexões acerca
da natureza, do atual estado, da grave crise e dos desafios contemporâneos da
democracia, especialmente da assim chamada democracia liberal (em contraste
com o que Zakaria definiu como “democracia iliberal”8). Tema de interesse
quase permanente, pode-se constatar que desde o início da década passada a
produção sobre o assunto vem crescendo, e fatores tão distintos quanto a crise
financeira de 2008, a chamada “primavera árabe”, diversas ondas de
manifestações populares ao longo dos últimos anos e o crescimento, cada vez
mais destacado, da participação (ou pretensão de participação) popular por
meio das mídias sociais assinalavam esse percurso histórico e a repercussão
acadêmica e intelectual que lhe acompanhava. Com a vitória do Brexit no
plebiscito britânico em junho de 2016, decidindo pela saída do Reino Unido da
União Europeia, seguida pela vitória de Donald Trump nas eleições americanas
de novembro daquele mesmo ano, o fenômeno de ascensão de governos e de
bandeiras políticas populistas de direita, marcadamente iliberais, assumia uma
proeminência até então inédita, fazendo com que as longínquas Filipinas de
Rodrigo Duterte e as diminutas Hungria de Viktor Orbán e Polônia de Andrzej
Duda passassem a figurar ao lado da Itália de Matteo Salvini e das duas nações
símbolo da democracia liberal representativa como exemplos precisamente da
5http://www.eiu.com/topic/democracy-index
6https://www.v-dem.net/
7https://www.pewresearch.org/global/2020/02/27/democratic-rights-popular-globally-but-commitment
to-them-not-always-strong/
8Cf. ZAKARIA, Fareed. The Rise of Illiberal Democracy. Foreign Affairs, 76, 06, novembro/dezembro
1997, pp. 22-43
derrocada dessa modalidade de regime político9. (Aqui, para não mencionar
ainda outros exemplos de candidaturas ou movimentos que, se bem não se
elegeram ou não elegeram lideranças a cargos máximos, tiveram e ainda têm
impacto naquilo que constitui os elementos integrantes da chamada crise: na
França, a candidatura de Marine Le Pen e, depois, já no governo Macron, os
protestos dos gilets jaunes, os “coletes amarelos”; no Reino Unido, de Boris
Johnson – ele próprio uma figura peculiar, que faz parte da discussão –,
movimentos de radicalização na retórica eurocética, personificados
institucionalmente por figuras como Nigel Farage; e ainda na própria
Alemanha, um dos países que mais têm servido de exemplo de safe haven do
liberalismo democrático esclarecido no governo de Angela Merkel, a ascensão,
e declínio, e nova ascensão da AfD, partido de extrema-direita.)
O Brasil fez figura – e má figura – nesse quadro de degeneração
democrática com a eleição, em outubro de 2018, de um ex-militar
historicamente acusado de planejar atentados terroristas, chefe de um clã
familiar suspeito de envolvimento e de ativa participação junto às milícias do
Rio de Janeiro e com um currículo de 30 anos de vida política preenchida
exclusivamente por discursos de natureza fascista. A vitória de Jair Bolsonaro,
embalada, ao menos na superfície, por uma combinação de lavajatismo (em
referência à Operação Lava Jato), antipetismo e ressaca de crise econômica10,
trouxe à cena no palco da política brasileira a associação (não inédita, frise-se)
entre extrema-direita política, reacionários morais e comportamentais vários e
liberais ortodoxos em matéria econômica, acrescidos, desta feita, de turbas e
milícias digitais – ingrediente inédito na tradição do reacionarismo autoritário
brasileiro.
9Cf. GRZYMALA-BUSSE, Anna; KUO, Didi; FUKUYAMA, Frank; MCFAUL, Michael. Global
Populisms and Their Challenges, Freeman Spogli Institute for International Studies, Stanford University,
2020, https://fsi.stanford.edu/global-populisms/global-populisms-and-their-challenges
10 Cenário que poderia caracterizar uma crise de stateness ainda mais grave do que a que acometeu o País
durante o período de transição democrática pós-ditadura militar. Cf. LINZ, Juan; STEPAN, Alfred.
Problems of Democratic Transition and Consolidation: Southern Europe, South America, and Post
Communist Europe, The Johns Hopkins University Press, 1996
Inspirado, de um lado, pelo chamado olavismo e, de outro, pelo
“guedismo” (uma visão privatista reducionista de liberalismo econômico), com
o suposto institucionalismo militar ocupando uma posição intermediária, o
governo Bolsonaro mostrara-se em flagrante desacordo com os princípios mais
elementares da democracia liberal representativa constitucional já em seu
primeiro ano de mandato. Em 2019, desfilaram os escândalos políticos de
variados portes, todos com a inequívoca e inamovível marca do autoritarismo
iliberal que define o bolsonarismo, tendo a afronta aos demais poderes da
República, a intimidação da imprensa e das vozes críticas da sociedade civil e
a premeditada degradação institucional servido, combinadamente, como
norteadores para uma suposta “revolução conservadora” de que Jair Bolsonaro
seria o líder. Tal cenário radicalizou-se de modo singular já nos primeiros meses
de 2020, quando, ainda em janeiro, o Secretário Nacional de Cultura
protagonizou um vídeo oficial de perfil abertamente nazista, seguido pelo
agravamento da imobilidade do governo em fevereiro, e chegando ao ápice com
a eclosão da crise sanitária deflagrada pelo chamado novo coronavírus em
março.
Foi a partir da reação errática do governo federal no combate à pandemia
de COVID-19 no País que suas características autoritárias, antidemocráticas e
iliberais – núcleo da identidade política do governo – tornaram-se ainda mais
explícitas, e para um número maior de pessoas, o que é fator decisivo. Descaso
grosseiro com os mais pobres e mais afetados pela crise; combate à saúde e à
ciência no lugar de combate à pandemia (haja vista, por exemplo, a demissão
de dois ministros da saúde neste ínterim); teorias conspiratórias e fake news
transformadas em política de Estado; participação ativa na concepção e na
prática de diversas atividades golpistas e potencialmente criminosas;
envolvimento suspeito, direto e indireto, com forças paramilitares de apoio ao
governo; estímulo à fanatização mortífera de parcelas da população;
organização, no centro mesmo do governo, de estruturas de ataque à imprensa
e aos demais poderes, culminando na agressão física (já tornada comum) a
jornalistas; aparelhamento institucional, seja em cargos próprios do Executivo,
preenchidos por olavistas que compõem a assim chamada “ala ideológica” do
governo, seja em órgãos de controle, como a Polícia Federal (não perdendo de
vista o fato de que, ainda neste ano, Jair Bolsonaro indicará um novo ministro
ao Supremo Tribunal Federal, já tendo anunciado que nomeará alguém
“terrivelmente evangélico”) – eis, em síntese, o cenário em que se deu a
escalada de mortes que levou o Brasil a ser um dos países em que a pandemia
de COVID-19 causa uma devastação de vidas humanas das maiores
proporções.
Foi no interior de tal crise, importa acrescentar, que se deu a queda do
então Ministro da Justiça, o ex-juiz Sérgio Moro, símbolo do combate à
corrupção para expressiva parcela do eleitorado (precisamente aquela a que se
pode chamar de lavajatista e antipetista) por sua atuação como juiz da
Operação Lava Jato. Demissionário, o Ministro revelou um conjunto notável de
crimes supostamente cometidos pelo Presidente da República, que, a serem
comprovados, atestam inequivocamente o aparelhamento institucional e, em
última análise, a implantação de um regime familiar-miliciano-militar à revelia
do Estado de Direito, motivo pelo qual, agora mesmo, é periclitante a situação
da República e é explícita a natureza fascista do atual governo.
Nesse contexto, a pesquisa acadêmica sobre a crise da democracia
liberal, sobre as novas ondas populistas, ou sobre a ascensão da extrema-direita
no Brasil, ao mesmo tempo em que ganha em relevância teórica, adquire
também contornos de uma intervenção no debate público e na cena política
cheia de uma urgência característica do melhor ensaísmo esclarecido – uma
tradição nacional – e do alto jornalismo.
É bem verdade que a urgência e a relevância do assunto são quase que
autoevidentes: basta ligar a televisão ou ler as primeiras manchetes de qualquer
jornal. Por outro lado, e sobretudo em debates de natureza imediata, convém
notar a justificação acadêmica para um projeto desta espécie. Muito embora já
exista uma ampla discussão sobre uma suposta crise da democracia (parte
manifesta nas obras mencionadas acima, de impacto relevante), é bastante
comum – ainda mais quando tratamos de conceitos posicionais, interpretativos
por excelência – que não mais se saiba exatamente sobre o que se está falando.
Qual é a concepção de democracia que se discute (ou se postula como ideal)?
Quais são exatamente as linhas demarcatórias possíveis que permitem a
atribuição de um denominador comum aos diferentes governos democráticos e
aos diferentes regimes iliberais? Quando falamos em esquerda ou direita,
quando afirmamos ou negamos uma crise institucional, uma crise de
representação, uma crise democrática, sobre o que estamos falando? O
movimento a que chamamos bolsonarismo ou novo fascismo brasileiro, para
ficar no exemplo diretamente relacionado à investigação, articula-se como
“representante do povo”, prometendo uma “relação imediata” com esse mesmo
“povo” reivindicado (remetendo, assim, à ideia de “democracia delegativa”
como articulada por O’Donnell11 e ao conceito de populismo como definido por
Urbinati12). O governo abertamente iliberal teve apoio de autointitulados
liberais; a “revolução” que se pretende “conservadora” seria anátema à tradição
do conservadorismo britânico de Hooker a Oakeshott. Democracia, liberalismo,
conservadorismo, esquerda, direita, centro. A pesquisa acadêmica de
excelência, em respeito às exigências do rigor que marca o saber científico, é o
que permite que a discussão e o debate sejam construídos com graus mínimos
de responsabilidade conceitual.
O ponto é que, como se nota, estamos aqui tratando de um debate de
natureza imediata. A crise da democracia, no Brasil de 2020, é constituída por
pequenas grandes crises quase que diárias. O certo grau de distanciamento que
marca a pesquisa acadêmica de qualidade não pode, ao mesmo tempo,
caracterizar imobilismo ou complacência, sob pena de permanecer confinada
aos gabinetes de uma suposta intelligentsia (que acabaria, paradoxalmente, por
11 Cf. O’DONNELL, Guillermo A. Delegative Democracy. Journal of Democracy, 5, 1, 1994, pp. 55-69
12 Cf. URBINATI, Nadia. Me the People: How Populism Transforms Democracy. Harvard University
Press, 2019
personificar exatamente um tipo de “elite descolada da realidade do povo”,
como diria um típico slogan de movimentos populistas ao redor do globo).
Assim, à combinação desse saber técnico, de avaliação aprofundada e
interpretação matizada que caracteriza imperiosamente o bom trabalho
acadêmico, deve somar-se, portanto, a crítica política ágil e informada, da
cultura e da sociedade de nosso tempo, que é indissociável da boa prática
jornalística e do melhor de nossa produção ensaística. A proposta, portanto, é
acadêmica, mas não é apenas acadêmica; é de intervenção no debate público,
mas não é apenas de intervenção no debate público. O que se pretende, aqui, é
exatamente a construção de uma ponte entre o que há de melhor nessas duas
esferas, permitindo uma articulação conjunta entre o saber acadêmico-científico
e a atenção às circunstâncias de nosso presente em todas as suas peculiaridades,
nuances e crises. Esse é o tipo de produção de conhecimento exigido pelo
fenômeno social e político do bolsonarismo, cada vez mais articulado em
termos de um novo fascismo brasileiro.
Considerando (1) que “democracia” é um termo posicional, contestável13 – sendo reivindicado por todo tipo de grupo ou partido político, inclusive os
antidemocráticos – e (2) que temos o rigor acadêmico como premissa
fundamental, a tomada de posição aqui indicada exige algumas explicações de
natureza mais teorética. Quando afirmamos que o bolsonarismo é um
movimento político que efetivamente coloca a democracia em risco, não
pretendemos aqui iniciar um mero exercício retórico ou articular qualquer tipo
de acusação vazia, desprovida tanto de responsabilidade intelectual quanto de
significado.
13 Um predicado P é contestável se (1) não for implausível dizer tanto ‘algo é P se também for A’ quanto
‘algo é P se também for B’ como explicações alternativas do significado de P; se (2) também houver um
elemento e* de força valorativa ou normativa atrelada ao significado de P; e se (3) como consequência de
(1) e (2), houver um histórico do uso de P de forma a significar padrões ou princípios rivais, tais como ‘A
é e*’ e ‘B é e*’.” É o caso de democracia: é um termo sobre o qual (1) se pode falar tanto em termos de
representação quanto em termos de participação direta, que tem (2) um significado valorativo favorável e,
como consequência disso, (3) deriva-se princípios antagônicos a partir do mesmo conceito. Cf.
WALDRON, Jeremy. Vagueness in Law and Language. California Law Review, 82, 03, 1994, pp. 509
540
Pela natureza própria do conceito, é bastante difícil definir a democracia
de forma taxonômica, como se fosse um simples conceito criterial.
Interpretativo por excelência, o conceito convida à elaboração de diversas
concepções distintas. De nossa parte, adotamos uma concepção na linha do que
dizia Thomas Mann, em The Coming Victory of Democracy: “É insuficiente
definir o princípio democrático [simplesmente] como o princípio majoritário,
traduzindo a democracia literalmente, muito literalmente, como o governo do
povo”; afinal, como alertava o próprio Mann, essa é uma expressão “de duplo
significado”. Sem princípios mínimos que informem sua própria raison d’être,
o governo da maioria pode estar “mais próximo da definição de fascismo”.14
Essa ideia, tão bem ilustrada por Mann, é precisamente a consagração dos
alertas já delineados por autores como James Madison, nos Federalist Papers,
e Alexis de Tocqueville, no clássico De la démocratie em Amérique – alertas
contra o que já se convencionou chamar na própria linguagem ordinária de
tirania da maioria.
O ponto fundamental, aqui, é que a concepção de democracia que
adotamos é mais do que um conjunto formal de critérios a serem preenchidos
de modo a respeitar a regra majoritária, e eis tudo. Uma democracia liberal
autêntica é a que consagra, respeita e materializa precisamente as conquistas do
liberalismo democrático enquanto tal: noções como direitos humanos e sociais,
pluralismo, tolerância, separação de poderes, ordem legal, constitucionalismo
em sentido amplo, império da lei. Adotamos uma concepção de democracia
representativa, que só é possível quando prevalece a ideia de que há órgãos
intermediários entre governantes e governados. Partidos políticos, imprensa
livre, Judiciário forte e independente; como não falar, então, em crise da
democracia no Brasil, quando o Presidente da República diz coisas como “eu
sou a Constituição”15 e afirma que o “poder popular não precisa mais de
14 Cf. MANN, Thomas. The Coming Victory of Democracy. Londres: Secker & Warburg, 1938, p. 21
15 https://www1.folha.uol.com.br/poder/2020/04/democracia-e-liberdade-acima-de-tudo-diz-bolsonaro
apos-participar-de-ato-pro-golpe.shtml
intermediação”,16 incentivando e até praticando a perseguição à imprensa,17
cada vez mais atacada – inclusive de forma direta – por seus apoiadores?18
Quando um de seus filhos, que já havia sugerido o fechamento do STF,19
ameaça uma “ruptura institucional” após decisão da Suprema Corte?20 Quando
são mais do que relevantes os indícios de interferência política em órgãos de
controle?21
Reafirmar a democracia em crise no Brasil, portanto, não é um mero jogo
de palavras. É precisamente porque as palavras importam que a crise pode ser
constatada, uma vez que são explícitos os ataques a todos os princípios que dão
forma a uma concepção de democracia liberal que, parafraseando José
Guilherme Merquior, encarece a exigência epistemológica para a
caracterização de um conceito.
O mesmo vale para nossa afirmação de que lidamos com um novo
fascismo. A despeito do reconhecimento de se tratar de termo com frequente
emprego retórico, servindo de acusação dirigida contra adversários políticos, e,
mais ainda, a despeito da evidente dificuldade para precisar conceitualmente o
termo fascismo, que padece, em certo sentido, das mesmas peculiaridades
acima descritas em termos da contestabilidade do predicado “fascista”, é fato
que existe abundante produção acadêmica e intelectual oriundas da
historiografia, da sociologia, da ciência política, da filosofia política, da
economia e da psicologia que nos permitem usar tal vocabulário com suficiente
rigor acadêmico na identificação do bolsonarismo como fenômeno fascista.
16 https://g1.globo.com/politica/noticia/2018/12/10/poder-popular-nao-precisa-mais-de-intermediacao
diz-bolsonaro-no-discurso-da-diplomacao.ghtml
17 https://www.poder360.com.br/governo/bolsonaro-manda-reporter-calar-a-boca-e-diz-que-nao
interferiu-na-pf/
18 https://politica.estadao.com.br/noticias/geral,profissionais-do-estadao-sao-agredidos-com-chutes
murros-e-empurroes-por-apoiadores-de-bolsonaro,70003290864
19 https://www1.folha.uol.com.br/poder/2018/10/basta-um-soldado-e-um-cabo-para-fechar-stf-disse-filho
de-bolsonaro-em-video.shtml
20 https://istoe.com.br/apos-falar-em-ruptura-eduardo-bolsonaro-e-denunciado-em-conselho-de-etica/
21 https://veja.abril.com.br/blog/radar/delegado-revela-interferencia-de-ramagem-a-mando-de-bolsonaro
na-pf/
Basta indicar dois clássicos da bibliografia relativa ao tema para que
possamos analisar o bolsonarismo com essas lentes. Considere-se, por exemplo,
as chamadas “paixões mobilizadoras” do fascismo, tal como descritas e
elencadas por Robert Paxton:22 “o sentimento de um crise catastrófica, além do
alcance das soluções tradicionais”; “a primazia de um grupo”, assim como a
crença de que tal grupo é “uma vítima”; bem como “o pavor da decadência do
grupo sob os efeitos corrosivos” da modernidade, do individualismo moderno,
do conflito de classes ou de “ameaça estrangeira”. Uma a uma, tais paixões
mobilizadoras têm comparecido com alarde no universo político do
bolsonarismo, às quais pode ser acrescido o agravante encontrado na definição
de Michael Mann,23 que muito bem identificou a tendência para “construção de
um Estado-nação transcendente e expurgado por meio do paramilitarismo”
como tendo papel central na definição do fascismo – este mesmo fascismo que
hoje caracteriza o bolsonarismo.24
2. DESCRIÇÃO: NATUREZA, ESPECIFICIDADES E PROPÓSITO
O Projeto Bolsonarismo: o Novo Fascismo Brasileiro (BNFB) é uma
iniciativa do Laboratório de Política, Comportamento e Mídia da Fundação
São Paulo/PUC-SP – LABÔ, fruto da compreensão do atual momento político
e social do País tal como descrito acima. Expressa, em seu formato, uma das
convicções basilares do LABÔ, a saber, a necessidade de construir uma ponte
entre a universidade e o grande público não especializado, unindo produção de
conhecimento rigoroso em alto nível com ensaísmo de qualidade, acessível e
de impacto, valendo-se, para tanto, de diversas plataformas de interlocução com
a sociedade e de divulgação acadêmica e intelectual. Ainda, como sói ser o caso
das atividades do LABÔ, o projeto aprofunda a vocação interdisciplinar e
22 PAXTON, R. O. Anatomia do Fascismo. Ed. Paz e Terra
23 MANN, M. Fascistas. Ed. Record
24 Ver, ainda, a lista de quatorze características do “fascismo eterno” listadas por Umberto Eco no ensaio
“O Fascismo Eterno”
colaborativa das pesquisas do Laboratório, bem como seu compromisso de
contribuir com produção de conhecimento para a compreensão de temas
contemporâneos de notória relevância pública.
O Projeto BNFB nasce de uma dupla aposta interpretativa fundamental,
que deve ser devidamente expandida e avaliada criticamente. Em primeiro
lugar, está a identificação de um cenário de crise da democracia instaurado no
Brasil (não de agora) e que tem conexões e similaridades fortes com o mesmo
fenômeno vivido globalmente, ainda que com características próprias; assim, o
BNFB recusa o argumento de uma permanente “normalidade” da vida
democrática brasileira no período recente e nos dias em que corre o
bolsonarismo oficialista, e frisa que os testes de “estresse” das instituições
políticas do País são, em verdade, processos de implosão continuada dessas
nunca devidamente bem formadas instituições, inserindo-se globalmente em
uma perspectiva de abalo da democracia liberal constitucional representativa
e dos seus mecanismos de funcionamento. Segundo, o reconhecimento do
movimento político e social chamado de bolsonarismo como uma modalidade
de fascismo político que dialoga tanto com a tradição do autoritarismo de direita
no Brasil (como o integralismo e a ditadura militar, para dar dois exemplos)
quanto com variadas experiências internacionais de perfil fascistizante – de
Salvini a Orbán, por exemplo.
Em ambos os casos, impõe-se, é claro, a tarefa de precisar
conceitualmente a jogada interpretativa aqui exposta, não apenas contrastando
hipóteses rivais – quer acerca da democracia, em geral, quer acerca da natureza
específica do bolsonarismo – como robustecendo as definições com que se
opera para garantir tanto o primeiro quanto o segundo aspecto de tal linha de
interpretação. É, contudo, partindo do pressuposto razoável no acerto do
diagnóstico acima que o Projeto BNFB se propõe a investigar esse e todos os
temas correlatos (detalhados a seguir, na seção 3). O resultado de tal
investigação é, assim como sua própria natureza indica, distinto da produção
acadêmica regular, pois não apenas (i) elege como matéria para exame um
fenômeno multifacetado a se desdobrar correntemente, como (ii) se propõe a
oferecer resultados também sob a forma de intervenções públicas no debate
esclarecido do Brasil contemporâneo. Assim, algumas especificidades desta
investigação precisam ser explicitadas:
(a) o presente trabalho deverá expandir o procedimento de
interdisciplinaridade e de método colaborativo, prática usual do
LABÔ, e ativamente agregar aos esforços da investigação do BNFB
pesquisadores das mais diversas áreas (ciência política, filosofia,
sociologia, direito, economia, ciência de dados, gestão pública,
antropologia, psicologia e psicanálise, filosofia da religião, etc.) que
sejam capazes de contribuir para a melhor compreensão do fenômeno
ora estudado; deve-se privilegiar, nesse sentido, a inclusão de
pesquisadores de outras instituições universitárias com reconhecido
trabalho em suas respectivas áreas de atuação, abrindo espaço para as
mais variadas perspectivas teóricas, sempre com vistas a tornar o
presente estudo plural, profundo e ágil; destaque-se, desde a origem
deste projeto, a referência modelar do Observatório da Extrema
Direita, coordenado pelos professores Guilherme Casarões (FGV
SP) e David Magalhães (PUC-SP/FAAP) e Odilon Caldeira (UFJF),
ainda em processo de institucionalização;
(b) tal colaboração deve suceder de maneira voluntária, participativa e
produtiva, tendo por base (i) a troca de informação especializada, de
acordo com a legislação vigente, das áreas dos pesquisadores
envolvidos, seja por meio de materiais produzidos previamente sobre
tópicos atinentes ao tema da pesquisa, seja por meio de conferências,
aulas e reuniões de trabalho (presenciais ou remotas); (ii) a produção
de material escrito ou em mídias diversas (podcasts, vídeos, aulas e
palestras) relativo aos temas que compõem este estudo;
(c) o trabalho conjunto e cooperativo não gera nenhum tipo de vínculo
entre os participantes e colaboradores e as respectivas instituições de
atuação regular de cada pesquisador, aí incluso o próprio LABÔ;
(d) a dimensão contemporânea do trabalho imprime à pesquisa um ritmo
de avaliação conjuntural permanente, e agilidade e presteza na
produção e veiculação de conteúdos a ela concernentes.
Em vista de sua justificativa, já devidamente contextualizada na seção 1,
e de sua natureza essencial e especificidades acima relatadas, o presente
trabalho busca atingir os seguintes objetivos concretos de curto e médio prazo:
(1) coletar, organizar, analisar e divulgar dados relativos aos temas gerais
da pesquisa, bem como aos diversos tópicos detalhados que compõem
o projeto;
(2) escrever e publicar artigos de natureza acadêmica sobre os tópicos
listados abaixo (idealmente, ao menos um para cada tópico);
(3) escrever e publicar artigos e ensaios de intervenção na imprensa
escrita do País com vistas a publicizar os dados, as análises e as
reflexões produzidas no interior desta pesquisa (idealmente, ao
menos um para cada tópico);
(4) Organizar e realizar, ainda em 2020, um seminário para apresentação
de trabalhos com a temática da pesquisa;
(5) Organizar e publicar um livro que reúna a produção final da pesquisa.
3. TEMAS A SEREM DESENVOLVIDOS
Tendo em vista a já mencionada natureza interdisciplinar e colaborativa
do projeto, dividimos os grandes eixos temáticos que compõem a investigação
do BNFB nos seguintes tópicos:
A - Fundamentação teórica geral e experiência global:
(i)
(ii)
(iii)
(iv)
A crise da democracia liberal e de suas instituições;
Extrema-direita, populismo e movimentos políticos iliberais;
Fascismo, integralismo, autoritarismo e bolsonarismo;
Democracia Digital Direta, redes sociais e fake news;
B - Símbolo, religião e fanatismo:
(i)
Apropriação simbólica: Israel, USA, “Ocidente” e outros mitos da
narrativa do BNFB;
(ii)
(iii)
O novo fanatismo de base religiosa: neopentecostalismo e
tradicionalismo católico a serviço do BNFB;
O novo fanatismo de base política: “mito”, “guru” e realidade no
BNFB;
C - Doutrina do BNFB
(i)
Olavismo, doutrina do BNFB;
(ii)
(iii)
(iv)
(v)
(vi)
Militares e o BNFB;
Nacionalismo “orgânico” e “transcendente” na retórica e na estratégia
do BNFB;
“Revolução conservadora” e “mobilização permanente” no BNFB;
Afirmação da violência: culto da tortura, culto da agressão, culto do
ódio e culto da morte no BNFB;
Obscurantismo e retórica anticiência e anti-intelectual do BNFB;
(vii) As teorias da conspiração do BNFB;
D - Milícias, milícias digitais e financiamento
(i)
Milícias, crime organizado e BNFB;
(ii)
(iii)
Milícias digitais e BNFB;
Estruturas de financiamento do BNFB: Luciano Hang, Winston
Ling, Brasil 200 e demais redes;
E - Apropriação do Estado, ataque às instituições e corrosão democrática
(i)
Destruição e degradação institucional: princípio e tática do BNFB
(análise geral);
(ii)
(iii)
(iv)
Ruptura com os Poderes e desafio à democracia: do populismo ao
fascismo com o BNFB;
Casos específicos a serem investigados: (a) aparelhamento,
inoperância e aviltamento do MEC e do MCT na gestão do BNFB;
(b) o ocaso do Ministério da Cultura sob as ordens do BNFB; (c)
Meio-Ambiente e a ordem do BNFB para a devastação; (d) o fim da
política de direitos humanos; (e) a diplomacia brasileira sob regime
do BNFB;
Ambição de controle de força policial/militar e de criação de força
paramilitar: das franjas lunáticas ao apoio real no centro de poder do
BNFB;
F - Apoios, reais e digitais
(i)
A adesão dos institutos e dos movimentos liberais brasileiros ao
BNFB;
(ii)
(iii)
(iv)
(v)
A ilusão dos “bots” como “povo” na retórica do BNFB;
O “cidadão de bem” e o BNFB;
O servilismo voluntário: jornalistas, pundits e intelectuais do BNFB;
A síndrome de Chauí: conivência, adesão e silêncio de intelectuais
em face do BNFB;
G - A Mente Reacionária
(i)
A retórica de ódio a minorias, a mulheres e a pobres no BNFB;
(ii)
(iii)
A obsessão pela homossexualidade por parte do BNFB;
Tradicionalismo e kitsch nas artes; estética clássica e medieval em
linguagem digital: vaporwave, kitsch e reacionarismo de gosto: as
marcas culturais do BNFB.
H - Guerras culturais e guerra cultural bolsonarista
I - Psicopatologia do bolsonarismo e do olavismo
4. PARTICIPANTES
Coordenação Geral:
● Eduardo Wolf;
○ Bacharel em Filosofia pela Universidade Federal do Rio Grande
do Sul (2009); mestre em Filosofia pela Universidade Federal do
Rio Grande do Sul (2012); doutor em Filosofia pela Universidade
de São Paulo (2017). Tem experiência na área de Filosofia, com
ênfase em Filosofia Antiga, Ética Antiga e Ética Aristotélica;
método aristotélico; teoria da definição em Aristóteles. Atua
sobretudo nos seguintes temas: Aristóteles, ética, método,
dialética e teoria da definição. Também tem experiência em
História das Ideias, com ênfase em ética e filosofia política
moderna e contemporânea; bem como em Literatura, com ênfase
em Literatura Brasileira, Teoria Literária e Crítica Literária.
Coordenação Acadêmica:
● Andréa Kogan;
○ Doutora em Ciências da Religião pela PUC-SP, autora do livro
“Espiritismo Judaico”, assistente acadêmica do Laboratório de
Política, Comportamento e Mídia da Fundação São Paulo/PUC
SP – Labô, onde também coordena o Grupo de Pesquisa sobre
Morte e Pós-Morte.
● Luiz Felipe Pondé;
○ Possui graduação em Filosofia Pura pela Universidade de São
Paulo (1990), mestrado em História da Filosofia Contemporânea
pela Universidade de São Paulo (1993), DEA em Filosofia
Contemporânea - Universite de Paris VIII (1995), doutorado em
Filosofia Moderna pela Universidade de São Paulo (1997) e pós
doutorado (2000) em Epistemologia pela University of Tel Aviv.
Atualmente é Diretor do Laboratório de Política, Comportamento
e Mídia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo,
professor titular da Fundação Armando Álvares Penteado. Outros
vínculos significativos em pós-graduação: Escola Paulista de
Medicina, Unifesp, professor e pesquisador convidado (2007) ,
University of Warsaw, professor convidado (2007), Universität
Marburg, professor e pesquisador convidado (2002 e 2003) -
University Of Tel Aviv, pesquisador (2007 a 2010) - Universite
de Paris VIII, pesquisador (1994 a 1996) - Universidad de Sevilla,
professor convidado (2005) e colunista exclusivo do Jornal Folha
de S. Paulo. Tem experiência na área de Filosofia, com ênfase em
Ciências da Religião e Filosofia da Religião, atuando
principalmente nos seguintes temas: religião, mística, santidade,
angústia, modernidade/Pós-modernidade e epistemologia. (Texto
informado pelo autor). Diretor Acadêmico do Labô.
Participantes LABÔ:
● André Anéas;
○ É técnico em informática pela Fundação Bradesco (2007). Possui
graduação em Administração - Faculdades Integradas Rio Branco
(2011). Teólogo pela Faculdade Teológica Batista (2015), com
experiência na área de Teologia, ênfase em Experiência Religiosa
no protestantismo histórico contemporâneo, e mestrando em
Teologia pela PUC-SP (2016). Coordena o grupo de pesquisa
Teologia Cristã e Religião Contemporânea do Laboratório de
Política, Comportamento e Mídia da Fundação São Paulo/PUC
SP – LABÔ.
● Andrei Venturini Martins
○ Doutor em Filosofia, professor no Instituto Federal de São Paulo
(IFSP) e coordenador do Núcleo de Estudos Agostinianos do
Laboratório de Política, Comportamento e Mídia (Fundasp -
PUC/SP). É autor do comentário e tradução do Discurso da
Reforma do Homem Interior, de Cornelius Jansenius (Filocalia),
e das obras Do Reino Nefasto do Amor-Próprio: a origem do mal
em Blaise Pascal (Filocalia), A Verdade é Insuportável (Filocalia)
e Joaquim Nabuco: um abolicionista liberal do Brasil (É
Realizações - prelo).
● Carlos Sousa
○ Mestre em Ciências da Religião. PUC-SP. Graduação em
Filosofia. UNIFAI. Professor de Filosofia e pesquisador do
Núcleo de Estudos Agostinianos do Laboratório de Política,
Comportamento e Mídia (Fundasp-PUC/SP).
● Danit Zeava Falbel Pondé;
○ Possui graduação em psicologia pela Universidade Presbiteriana
Mackenzie(2009), graduação em Administração de Empresas
pelo Fundação Armando Álvares Penteado(1989), especialização
em Formação Clínica em Psicanálise Winnicottiana pelo Instituto
Brasileiro de Psicanálise Winnicottiana(2016), mestrado em
Filosofia pela Universidade Estadual de Campinas(2012),
doutorado em Filosofia pela Universidade Estadual de
Campinas(2018) e ensino-medio-segundo-grau pelo Colégio
Israelita I L Peretz(1979). Atuando principalmente nos seguintes
temas:Sentimento,
afeto,
Amadurecimento,
Psicanálise,
Winnicott. Coordenadora do grupo de pesquisa A Crise do
Amadurecimento na Contemporaneidade no Laboratório de
Política, Comportamento e Mídia da Fundação São Paulo/PUC
SP – LABÔ.
● Fernando Amed;
○ Doutor em História Social pela USP. Historiador pela FFLCH da
USP, professor da Faculdade de Comunicação da Faap e do curso
de Artes Visuais da Belas Artes de São Paulo, autor de livros e
artigos acadêmicos. Coordenador do Grupo de Pesquisa sobre
Comportamento Político do Laboratório de Política,
Comportamento e Mídia da Fundação São Paulo/PUC-SP –
LABÔ.
● Flávia Sarinho
○ Advogada nas áreas de direito comercial, bancário e projetos de
infraestrutura. Formada em direito pela UFRJ (1996), Pós graduada
pelo IBMEC-RJ (2001) e pesquisadora do Laboratório de Política,
Comportamento e Mídia da Fundação São Paulo/PUC-SP – LABÔ.
● Heraldo Galan
○ Designer Editorial e Gráfico. Formado em Artes Plásticas pela
FAAP, com pós-graduação em Design Gráfico pelo Senac. É
pesquisador nos grupos Núcleo de Filosofia Política e Indivíduo,
Democracia e Liberdade, ambos do Laboratório de Política,
Comportamento e Mídia da Fundação São Paulo/PUC-SP – LABÔ.
● João Domingues
○ Graduando em psicologia (PUC-SP), pesquisador do Núcleo de
Filosofia Política e do grupo de pesquisa Indivíduo, Democracia e
Liberdade, ambos do Laboratório de Política, Comportamento e
Mídia da Fundação São Paulo/PUC-SP – LABÔ. Concentra suas
pesquisas em: epistemologia, filosofia da ciência, filosofia da
psicologia, pesquisa teórica em psicologia, psicologia e filosofia
política.
● Leandro Bachega;
○ Licenciado em Filosofia pela Faculdade de São Bento-SP e mestre
em Filosofia pela PUC-SP. Pesquisador nos grupos de Filosofia
Política e Estudos Agostinianos do Laboratório de Política,
Comportamento e Mídia da Fundação São Paulo/PUC-SP –
LABÔ.
● Lilian Wurzba;
○ Lilian é psicóloga, Mestre e Doutora em Ciências da Religião
(PUC-SP), docente do IJEP (Instituto Junguiano de Ensino e
Pesquisa) e coordenadora do grupo de pesquisa do Labô: Jung e
Filosofia da Religião.
● Luiz Bueno;
○ Bacharel e Mestre em Filosofia, Doutor em Ciências da Religião
e coordenador do Núcleo de Filosofia Política do Laboratório de
Política, Comportamento e Mídia da Fundação São Paulo/PUC
SP – LABÔ.
● Maria Cristina Mariante Guarnieri;
○ Possui graduação em Psicologia pela Pontifícia Universidade
Católica de São Paulo (1985), mestrado em Ciências da Religião
pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (2000) e
doutorado em Ciências da Religião pela Pontifícia Universidade
Católica de São Paulo (2006). É psicóloga clínica e atua
principalmente em Consultório Particular; é docente do IJEP-
Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa, nos cursos de
especialização em Psicologia Junguiana, Psicossomática,
Dependências, Abusos e Compulsões e Arteterapia; no curso de
Psicologia e Religião no COGEAE - Coordenadoria Geral de
Especialização, Aperfeiçoamento e Extensão da PUC/SP ;
psicóloga na Associação de Apoio à Criança com Câncer. Tem
experiência na área de Psicologia e sua pesquisa está voltada para
a Psicologia e Filosofia da religião, atuando principalmente nos
seguintes temas: angústia, morte, mística, luto, religião.
Pesquisadora e coordenadora do grupo de Judaísmo
Contemporâneo do Laboratório de Política, Comportamento e
Mídia da Fundação São Paulo/PUC-SP – LABÔ.
● Ricardo Vinícius Ibañez Mantovani;
○ Licenciado, bacharel, mestre e doutor em Filosofia pela USP.
Coordenador e professor do curso de Pós-graduação em Ética e
Filosofia Política da Faculdade Paulo VI. Pesquisador do núcleo
de Estudos Agostinianos do Laboratório de Política,
Comportamento e Mídia da Fundação São Paulo/PUC-SP –
LABÔ.
● Rogério Tineu
○ Doutor em Ciências Sociais PUC-SP. Mestre em Ciências da
Comunicação ECA-USP, especialista em Docência no Ensino
Superior UNICID, especialista em Economia do Turismo
ECA/FIPE-USP e graduado em Ciências Econômicas pela
Fundação Santo André, além de ser coordenador do grupo de
pesquisa do Labô “Cultura do Consumo, Sociedade e
Tendências”.
● Tiago Pavinatto;
○ advogado, doutor pela Faculdade de Direito da USP e
coordenador do grupo de pesquisa do Labô: “Hiper-religiosidade:
a prisão da fé na era das liberdades”, juntamente com Davi Lago.
Participantes Externos:
● Adriana Novaes
○ Doutora em Filosofia e mestre em Comunicação pela USP,
especialista na obra de Hannah Arendt. É autora do livro "O canto
de Perséfone".
● André Spritzer;
○ Doutor em Ciência da Computação pela UFRGS, especializado
em visualização de informações. Estudante de Ciência Política e
Relações Internacionais na University of London/LSE.
● Celina Alcantara Brod
○ Possui graduação em Filosofia pela Universidade Federal de
Pelotas (2017). Mestre em Filosofia Política pela UFPEL.
Doutoranda pela Ufpel em Filosofia Política. Atualmente é
professora de inglês autônoma - Cab- English Lessons. Tem
experiência na área de Filosofia, com ênfase em Filosofia Política
e Ética, atuando principalmente nos seguintes temas:
liberalismo,conservadorismo,iluminismo,
David Hume,
moralidade social,responsabilidade, ceticismo, naturalismo,
Strawson. Pesquisa de Doutorado sobre relações de culto e
fanatismo, efeitos na razão e na moralidade dos agentes políticos.
● Flavio Williges
○ Licenciado em Filosofia pela Universidade Federal de Santa
Maria (1995), Mestre em Filosofia pela Universidade Federal de
Santa Maria em convênio com a USP (1998), Doutor em Filosofia
pela UFRGS (2009) e Estágio Pós-Doutoral na University of
California em Davis, USA (2017-2018) com bolsa de Estágio de
Pós-Doutorado da
Capes
Processo:
POS-DOC
88881.119129/2016-01. Professor Associado do Departamento de
Filosofia da Universidade Federal de Santa Maria. Tem interesse
em epistemologia, ceticismo, ética normativa (ética do cuidado,
ética das virtudes), psicologia moral, filosofia das emoções.
● Gabriel Rostey
○ Graduado pela Faculdade de Ciências Sociais da PUC-SP em
Turismo com Especialização em Planejamento e Gestão Turística
de Cidades, com graduação em intercâmbio acadêmico pelo
Instituto de Estudios Urbanos da Pontificia Universidad Católica
de Chile; cursou mestrado em Planejamento Urbano e Regional
pela FAU-USP e é MBA em Gestão Estratégica pela Universidade
de São Paulo. Coautor do livro “Nossa Cidade, Nossa Casa:
conhecendo a arquitetura da cidade e aprendendo a cuidar dela”,
da Associação Preserva São Paulo; colaborou para a publicação
“Projetar arquitetura, construir cidades | Convivências Urbanas:
patrimônio, comércio, habitação”, do LPP – Laboratório de
Projetos e Políticas Públicas da FAU-Mackenzie; contribui
esporadicamente com artigos em veículos de imprensa como O
Estado de S. Paulo (online) e O Antagonista, e é colaborador da
plataforma multimídia “O Estado da Arte” no jornal O Estado de
S. Paulo.
● Gilberto Morbach
○ Mestre em Direito Público (summa cum laude), como bolsista do
Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico
(CNPq), pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos).
Bacharel em Direito pela Universidade Feevale. Tradutor (em
andamento, a tradução de "Jurisprudence: Theory and Context",
primeira obra do jusfilósofo Brian Bix a ser publicada no Brasil).
Ensaísta, com contribuições para o Estado da Arte (Estadão).
Membro e assistente do coordenador, Prof. Dr. Lenio Luiz Streck,
do Dasein - Núcleo de Estudos Hermenêuticos; também membro
da Aristotelian Society for the Systematic Study of Philosophy
(Aristotelian Society) e da ABDPro - Associação Brasileira de
Direito Processual. Advogado, inscrito na seccional do Rio
Grande do Sul da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/RS) sob
o n.º 111.505. Ênfase de pesquisa em Teoria do Direito, Filosofia
no Direito, e Direito Processual.
● Irapuã Santana do Nascimento Silva
○ Beneficiado pelas cotas raciais em 2003, graduou-se na
Universidade do Estado do Rio de Janeiro em 2008, foi o 1° negro
e mais novo coordenador do setor contencioso do renomado
Escritório Jurídico Carbone. Em 2012, foi aprovado em 7° lugar
no mestrado em Direito Processual pela mesma universidade,
onde sua dissertação foi aprovada com louvor e distinção, em
2015, por uma banca composta pelos melhores professores do país
na área, que deu origem ao seu 1° livro chamado "O Princípio da
Igualdade na Mediação e o Acesso à Justiça". Hodiernamente
cursa o seu doutoramento com uma tese acerca do acesso à justiça,
sob a perspectiva da jurisprudência e do cidadão. Em 2013 foi
aprovado no concurso da Procuradoria-Geral do Município de
Mauá, onde atua como procurador municipal até hoje. Em 2016,
foi aprovado no disputadíssimo programa de intercâmbio
"Linkage", da Faculdade de Direito de Yale, nos Estados Unidos.
Além disso, atuou, entre os anos de 2014 e 2018, como assessor
de ministro no Supremo Tribunal Federal e no Tribunal Superior
Eleitoral. É consultor e apresentador do programa "Explicando
Direito", na Rádio Justiça. Desde 2014, exerce trabalho voluntário
na EDUCAFRO, como consultor jurídico, responsável pelas
principais ações judiciais da entidade no país. É membro do
Instituto Brasileiro de Direito Processual, do Centro Brasileiro de
Estudos Constitucionais, da Comissão de Advocacia Pública da
OAB/SP, da Comissão de Direito Processual Civil da OAB/SP e
da Comissão de Igualdade Racial da OAB/SP. É professor do
Centro Universitário de Brasília (UniCEUB). É conselheiro
jurídico do movimento suprapartidário "Livres". Conselheiro do
Instituto Mercado Popular. Autor do livro "13 de maio: A Maior
Fake News de Nossa História".
● Josias de Paula Jr.
○ Doutor em Sociologia pela Universidade Federal da Paraíba (2012),
é Professor da Universidade Federal Rural de Pernambuco
(UFRPE), no Departamento de Ciências Sociais (DECISO).
Desenvolve pesquisas, sociologicamente orientadas, nas áreas de
cultura, política e teoria social. É integrante do GECCA - Grupo de
Estudos em Crítica Cultural em Artes.
● Mano Ferreira
○ Jornalista e especialista em comunicação política, cofundador e
diretor de comunicação do Livres. Alumni da International
Academy for Leadership da Fundação Friedrich Naumann Pela
Liberdade, da Alemanha. É cofundador do Students For Liberty
no Brasil e ex-editor do Café Colombo.
● Michel Ghermann;
○ Possui graduação em História com licenciatura em educação pela
Universidade Federal do Rio de Janeiro (2000). É mestre em
Antropologia e Sociologia - Hebrew University Of Jerusalem
(2007).Tem título de doutor pelo Programa de Pós Graduação em
História Social na Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Atualmente Michel Gherman é pesquisador no Programa de Pós
Doutorado na Escola Kreitman de Estudos Avançados na
Universidade Ben Gurion do Neguev. Michel Gherman também é
pesquisador do Núcleo de Estudos da Política da Universidade
Federal Rural do Rio de Janeiro.
● Rodrigo Cássio Oliveira
○ Doutorado em Filosofia pela Universidade Federal de Minas
Gerais (UFMG) com pós-doutorado pela Università degli Studi di
Pisa (Itália). Possui Mestrado e bacharelado em Comunicação
Social pela Universidade Federal de Goiás (UFG) e licenciatura
em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás
(PUC-Goiás). Pesquisador visitante na Universidad de Buenos
Aires (UBA-Argentina) pelo Programa de Mobilidade Docente da
AUGM - Asociación de Universidades Grupo Montevideo em
2017. Membro da SOCINE - Sociedade Brasileira de Estudos de
Cinema e Audiovisual. Parecerista de publicações acadêmicas na
área de humanidades e artes, com foco em estudos de cinema,
comunicação e filosofia.
● Rodrigo Coppe
○ Historiador e professor do Programa de Pós-graduação em
Ciências da Religião da PUC Minas. Tem experiências na área de
História contemporânea, atuando principalmente com os
seguintes
temas:
direita
religiosa,
conservadorismo,
tradicionalismo, catolicismo contemporâneo, secularização. Pós
doutor em Filosofia social pela Universidade de Varsóvia (2020).
É presidente do Conselho Científico da Associação Nacional de
Pós-Graduação e Pesquisa em Teologia e Ciências da Religião -
ANPTECRE (2018-2020). É membro do Institut d’Étude du
Christianisme (Strasbourg, França), investigador associado da
rede de pesquisa Direitas, História e Memória e membro de vários
conselhos editoriais de revistas nacionais e internacionais.
Coordena o GT Religião e Espaço Público na SOTER e o ST
Catolicismo e política: entre conservadores e progressistas na
ANPUH. É líder do Laboratório de Estudos em Religião,
Modernidade e Tradição (LeRMOT) e um dos líderes da Rede de
Pesquisa História e Catolicismo no Mundo Contemporâneo. Foi
professor convidado da Faculté de Théologie et de Sciences
Religieuses da Université Laval - Québec (2015), onde é
Pesquisador Associado no projeto de pesquisa Vatican II:
herméneutique et réception. (2020). Colaboradora regularmente
no Estado da Arte - Estado de S. Paulo.
● Rodrigo de Lemos
○ Possui doutorado (2015) e mestrado (2010) em Letras pelo PPG
da UFRGS e graduação em Letras pela Universidade Federal do
Rio Grande do Sul (2006), onde já atuou como professor de
Línguas e literatura francesa e francófonas. Atualmente, é
professor adjunto da Fundação Universidade Federal de Ciências
da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA). No âmbito de sua pesquisa
doutoral, realizou estágios de pesquisa como chercheur visitant na
Université de Liège (Bélgica) e na Université du Québec à
Montréal (Canadá). Realizou cursos internacionais de formação
em gestão e em gestão universitária (Organização Universitária
Interamericana,
Montreal,
Politécnica
da
2014;
Catalunha,
UNESCO-Universidade
2015,
École
Nationale
d'Administration, Paris 2017). Contribui regularmente em
veículos de imprensa como O Estado de São Paulo (online) e Zero
Hora. Tem como interesses de pesquisa: a poesia, a mitologia, a
literatura antiga, a literatura francesa, a literatura dos séculos XIX
e XX, a Renascença e a tradução.
● Rodrigo Toniol
○ Graduado em ciências sociais, mestre e doutor em antropologia
social pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Realizou
parte de seu doutoramento no programa de antropologia da
University of California San Diego (UCSD). Foi pesquisador
visitante no Global Health Institute da UCSD, nos Estados
Unidos, no Ciesas/Guadalajara, no México e na Universidade de
Utrecht, na Holanda. Realizou estudos de pós-doutorado no
departamento de filosofia e estudos de religião da Utrecht
University, Holanda. Atualmente é professor no departamento de
antropologia e no Programa de Pós-Graduação em Antropologia
da Unicamp. É presidente da Associação dos Cientistas Sociais da
Religião do Mercosul (2018- 2020). Coordena do projeto de
pesquisa Espiritualidade institucionalizada, apoiado pela Fapesp
na modalidade Jovem Pesquisador. É editor do periódico Debates
do NER e do Boletim Cientistas Sociais e Coronavirus
(ANPOCS). É membro da Cátedra Roberto Cardoso de Oliveira
(Unicamp/Brasil – Ciesas/México) e do Comitê de Pesquisa de
Sociologia da Religião da Sociedade Brasileira de Sociologia.
Suas pesquisas privilegiam os seguintes temas: corpo, saúde,
ciência e religião. Entre seus trabalhos, destacam-se as funções de
editor e autor da Encyclopedia of Latin American Religions (ed.
Springer), a autoria dos livros On the nature trail (ed. N.Science
Publishers, 2015) e Do espírito na saúde (Ed. LiberArs, 2018);
além da organização, entre outras, das obras: Conservadorismos,
Fascismos e Fundamentalismos (Ed. Unicamp, 2018), Como as
coisas importam: uma abordagem material da religião (ed.
UFRGS, 2019) e Entre trópicos : Diálogos de estudios Nueva Era
entre México y Brasil (Casa Chata, 2018). Escreve para Estado da
Arte, do jornal Estado de S. Paulo e também para o Jornal de
Toronto.
● Vinícius Müller
○ Doutor em História Econômica pela USP é professor do Insper e
autor do livro Educação básica, financiamento e autonomia
regional: Pernambuco, São Paulo e Rio Grande do Sul, 1850 -
1930 (Editora Alameda, 2018)
5. PROPOSTA DE CALENDÁRIO PRELIMINAR - 25 de Maio: retornar este documento com sugestões, comentários e
contribuições para sua conclusão; - 28 de Maio: versão final do Projeto BNFB;
- Entre 28 de Maio e 26 de Junho: realização de encontros virtuais do
coordenador acadêmico do projeto para discussão dos tópicos de pesquisa com
os pesquisadores colaboradores; coleta de dados; redação de ensaios e artigos; - 27 de Junho: Apresentação da primeira rodada de ensaios e artigos de
intervenção com base nas discussões precedentes; - 30 de Julho: Apresentação e discussão da primeira rodada de papers para
futura submissão e publicação. Balanço dos primeiros meses de atividade.
5. BIBLIOGRAFIA PRELIMINAR
A presente bibliografia deverá ser organizada, dentro do possível, de
acordo com os tópicos de trabalho sugeridos acima. Conta-se, portanto, com a
colaboração de todos os envolvidos.
Geral
Obra
MOUNK, Yascha. O Povo Contra a
Democracia: por que nossa
liberdade corre perigo e como
salvá-la. Companhia das Letras,
2019
Link
https://www.amazon.com.br/povo-contra-democracia
liberdade-salvá
ebook/dp/B07NPWK7DW/ref=reads_cwrtbar_3/137
8356684
0741059?_encoding=UTF8&pd_rd_i=B07NPWK7DW
&pd_rd_r=b1559292-0e77-43d5-88b9
bf33aa8bbc6f&pd_rd_w=8LmBN&pd_rd_wg=QKR6Q
&pf_rd_p=fcd5cfce-70d2-4fb2-84e0
1100e88dded2&pf_rd_r=VCVNAG737VTCZMPGWJ
B5&psc=1&refRID=VCVNAG737VTCZMPGWJB5
STANLEY, Jason. Como Funciona
o Fascismo: a política do “nós’ e
“eles”. L&PM Editores, 2018
https://www.amazon.com.br/Como-funciona-fascismo
pol%C3%ADtica-eles
ebook/dp/B07KXZ1FHP/ref=reads_cwrtbar_2/137
8356684
0741059?_encoding=UTF8&pd_rd_i=B07KXZ1FHP&
pd_rd_r=b1559292-0e77-43d5-88b9
bf33aa8bbc6f&pd_rd_w=8LmBN&pd_rd_wg=QKR6Q
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&pd_rd_r=0a0aa5cf-f777-4dde-86b9
54e979e3f8a1&pd_rd_w=hIuQE&pd_rd_wg=N6upv&
pf_rd_p=aa95a075-434b-4792-a0e7
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A maquina partidária é a capacidade de influencia geopolítica, financeira e política, que um partido possui, não somente em termos de defender seu território político, como também aumentar sua influencia geopolítica, financeira e hierárquica dentro e fora de seu espectro político.
Na área geopolítica, uma maquina partidária, as políticas territoriais na relação de poder e influencia dentro de seu espectro político, aonde se visa manter seu poder e influencia política dentro de um determinado seguimento. Uma maquina partidária, envolve no seu sentido geopolítico, o gerenciamento e expansão de poder e influencia de um determinado partido em um determinado espectro político.
Na área hierárquica, uma maquina partidária é uma esfera de poder aonde um determinado partido administra e mantem sua hierarquia e influencia , em conjunto de expansão territorial, na administração governamental , aonde este partido se torna a maior agremiação política dentro de um determinado espectro político.
Uma maquina partidária, na sua área hierárquica, garante a influencia absoluta de um determinado partido dentro do seu espectro político. Com uma maquina partidária, na sua área hierárquica, garante a influencia expansionista de um determinado partido, além das bases do seu espectro político.
No âmbito financeiro, uma maquina partidária, garante á um determinando partido, se sobrepor pelo poder econômico. Mantendo sua influencia geopolítica e hierárquica, uma maquina partidária, representa a concepção total na sua "natureza política", em uma clara manifestação da hierarquia econômica, política e territorial de um determinando partido, dentro e fora de seu espectro político.
Uma maquina partidária, garante a "natureza política" de um determinado partido, no seu total e absoluto poder e influencia expansionista por meio do seu poder econômico, que se traduz na "natureza política", dentro e fora do seu espectro político, em uma influencia geopolítica, hierárquica e financeira, pelo "natureza política" do poder econômico que uma maquina partidária proporciona á um determinado partido político.
Uma maquina partidária, garante á um determinado político, a plena capacidade de estrutura e poder político, para se adaptar organicamente a qualquer mudança em uma sociedade.
A "direita liberal" é uma ideologia política que combina elementos do liberalismo, como o apoio à economia de mercado, à propriedade privada e aos direitos individuais, com a posição da direita no espectro político, que geralmente prioriza a ordem e a estabilidade. No entanto, a própria definição de liberalismo pode variar, existindo o liberalismo social à esquerda e o liberalismo clássico à direita, o que torna a posição exata da "direita liberal" dependente do contexto.
Princípios Fundamentais
Liberdade Econômica:
Defende a livre iniciativa, o livre comércio e uma economia descentralizada, considerando o mercado como um mecanismo fundamental para a liberdade.
Direitos Individuais:
Valoriza os direitos à propriedade privada, os direitos civis e os direitos humanos, assim como as liberdades individuais e o Estado de direito.
Democracia Liberal:
Apoia sistemas de governo democráticos que protegem as liberdades políticas e os direitos dos cidadãos.
O termo "direita liberal" situa-se na direita do espectro político, mas com a adição do componente "liberal", que o diferencia de formas mais autoritárias de direita
O termo pode gerar confusão, pois o liberalismo pode ser associado tanto à esquerda (liberalismo social) quanto à direita (liberalismo clássico ou económico). A "direita liberal" tende a apoiar o liberalismo económico e clássico, enfatizando a liberdade económica e a pouca intervenção estatal.
Em alguns países, partidos ou movimentos políticos de direita são descritos como liberais, embora possam ter componentes conservadores ou outras orientações, como no caso do Partido Liberal no Brasil, que é frequentemente descrito como liberal conservador.
A "direita conservadora" refere-se a um espectro político que combina ideologias de direita, que geralmente defendem um governo limitado, com valores conservadores, como a preservação de instituições e tradições sociais, familiares e culturais estabelecidas. Essa combinação se manifesta em posições que podem valorizar a ordem, a segurança, a moralidade religiosa e a propriedade privada, e pode variar desde o conservadorismo moderado até o ultraconservadorismo.
Características centrais:
Enfatiza a manutenção de valores sociais, morais e culturais tradicionais, como os da família.
Ordem e Segurança:
Tende a defender o uso da força para garantir a ordem social e combater a criminalidade.
Conservadorismo Moral:
Muitas vezes alinha-se com valores religiosos (como o cristianismo) e defende que a sociedade e, até certo ponto, o Estado reflitam essa moralidade.
Apoio a instituições estabelecidas:
Valoriza as instituições existentes e é reticente a mudanças sociais radicais.
No Brasil, a direita conservadora pode se associar à extrema-direita, com características como o nacionalismo extremo e, em certos grupos, um forte apelo a intervenções militares e um passado de ditadura.
A onda conservadora no Brasil tem sido fortemente impulsionada por evangélicos pentecostais, que atuam ativamente na defesa de posições morais e religiosas, buscando influenciar a ordem legal do país.
No Brasil, o termo "conservador" tem sido usado por críticos com conotações negativas, como sinônimo de "intransigente" ou "autoritário", especialmente quando relacionado a posições morais rígidas.
A direita conservadora é uma força política que busca preservar a ordem social e os valores tradicionais, muitas vezes com uma forte ênfase na moralidade e na família, e pode variar em sua intensidade e manifestação dependendo do contexto local e das correntes ideológicas dentro dela. Segundo o Sociólogo, Mestre e Doutor Cesar Portantiolo Maia, no Quarto Período da Habilitação em Jornalismo, pelas Faculdades Integradas Alcântara Machado (FIAAM FAAM).
Na política, o centro se refere-se a uma posição moderada no espectro ideológico entre a esquerda e a direita, que busca o diálogo, o equilíbrio e o interesse público, em contraste com as posições extremas. Partidos e indivíduos de centro frequentemente adotam políticas mistas, combinando elementos de ambos os lados para encontrar um entendimento e resolver problemas de forma discernida, sem se prender a ideologias rígidas.
Características do centro político:
Situa-se no meio do espectro político, entre os polos da esquerda e da direita.
A estratégia de um partido de centro é abrir canais de comunicação e diálogo com diferentes setores da sociedade.
Tende a combinar políticas de diferentes ideologias, extraindo o que considera melhor de cada lado para promover o bem público.
Em momentos de forte polarização, o "espaço centro" pode ser usado por políticos como uma estratégia para se diferenciar dos extremos, apelando a eleitores mais moderados.
Não se deve confundir com o "Centrão" brasileiro, que é um bloco parlamentar informal e fisiológico sem um centro ideológico claro, mais focado em manter o poder do que em princípios de centro.
Em resumo: Ser de "centro" na política significa ser um moderado que não se prende totalmente à esquerda ou à direita, mas que, através do diálogo e da busca por consensos, tenta agir com mais discernimento e temperança em prol do interesse público. Acho que a Direita Liberal. Tem uma tendencia mais ao centro.
A maquina partidária do bolso;narismo. É alimentada pela Direita Conservadora. Que tem uma tendência mais reacionária.
A corrupção política refere-se ao uso indevido de um cargo ou função pública para obter vantagens pessoais ou para terceiros, subvertendo o interesse público pelo privado. Esse fenômeno prejudica a sociedade de diversas formas, desviando recursos essenciais e minando a confiança nas instituições democráticas.
O que é e Tipos
A corrupção política pode assumir várias formas, incluindo:
Corrupção Ativa e Passiva: A ativa ocorre quando alguém oferece uma vantagem indevida a um funcionário público, enquanto a passiva ocorre quando o funcionário público solicita ou aceita tal vantagem.
Suborno: Pagamento ou presente oferecido para perverter o julgamento ou a conduta de uma pessoa em posição de confiança.
Tráfico de Influência: Uso da posição para influenciar decisões em benefício próprio ou de terceiros.
Financiamento Ilegal de Campanhas: Recebimento de recursos de fontes proibidas ou não declaradas para fins eleitorais.
Superfaturamento: Inflacionar artificialmente o custo de obras ou serviços públicos para desviar a diferença.
Nepotismo e Clientelismo: Favorecimento de parentes ou a troca de favores por apoio político, respectivamente.
Impactos na Sociedade
Os impactos da corrupção política são profundos e abrangentes:
Prejuízos Econômicos: Desvia recursos que deveriam ser aplicados em áreas essenciais como saúde, educação, infraestrutura e segurança, resultando em serviços públicos de menor qualidade.
Aumento da Desigualdade Social: Concentra riqueza e poder nas mãos de poucos, ampliando a exclusão social.
Perda de Confiança Institucional: Corrói a fé da população nos líderes políticos, nas instituições governamentais e no sistema democrático como um todo.
Enfraquecimento da Democracia: Comprometer o poder de voto e de fala dos cidadãos, removendo recursos da arena pública para interesses privados. Segundo a Jornalista, Mestre e Doutora Nadini de Almeida Lopes, no Oitavo e Ultimo Semestre da Habilitação em Jornalismo na Comunicação pelas Faculdades Integradas Alcantara Machado (FIAAM FAAM).
O Brasil tem um histórico de grandes escândalos de corrupção que tiveram forte impacto na política nacional, como o "Mensalão" e o "Petrolão" (ligado à Operação Lava Jato). Esses casos envolveram esquemas de grande escala para compra de apoio político e desvio de verbas de estatais, tornando a corrupção uma das principais preocupações apontadas pelos brasileiros
Confira o artigo dos autores Robert Bonifácio1 e Ednaldo Ribeiro.
Robert Bonifácio1 e Ednaldo Ribeiro2
Corrupção e participação política no Brasil:
diagnósticos e consequências
Corruption and political participation:
diagnosis and consequences
Qual seria a relação entre a experiência com atos corruptos e o
envolvimento em atividades participativas dos brasileiros? Essa é
a questão que norteia o trabalho. Apesar de a literatura politóloga
dedicar-se, apenas de forma marginal, à compreensão desse tipo de
relação, entendemos que há indícios que apontam quase que exclu
sivamente para efeitos deletérios da corrupção no engajamento
cívico. Como desenvolveremos adequadamente mais à frente, Hirs
chman (1983), por exemplo, considera que a decepção é o principal
fator para o desengajamento político e que esta é causada pela
percepção do alastramento da corrupção entre os agentes públicos.
A corrupção funcionaria como um gatilho para a desafeição para
com a política. Warren (2012), por sua vez, associa a corrupção à
corrosão do caráter democrático, com consequência grave para o
estoque de legitimidade do regime e para o interesse dos cidadãos
no ativismo político. Em contextos claramente percebidos pelos
indivíduos como dominados pela corrupção, a confiança esvai-se
e, com ela, o engajamento psicológico necessário à participação
(Verba, Schlozman e Brady, 1995).
Apesar de alguns autores funcionalistas, como Huntin
gton (1968), defenderem a possibilidade de efeitos positivos da
1
É professor de ciência política na Universidade Federal de Goiás (UFG). E-mail: <rbonisilva@gmail.com>.
2 É professor de ciência política na Universidade Estadual de Maringá (UEM) e no Programa
de Pós-Graduação em Ciência Política da Universidade Federal do Paraná (UFPR). E-mail:
<ednaldoribeiro@icloud.com>.
Revista Brasileira de Ciência Política, no 20. Brasília, maio - agosto de 2016, pp 7-42.
DOI: http://dx.doi.org/10.1590/0103-335220162001
8
Robert Bonifácio e Ednaldo Ribeiro
corrupção em contextos ditatoriais, por considerá-la um meio de
superar as normas tradicionais e os regulamentos burocráticos que
emperram o desenvolvimento econômico, sob o ponto de vista do
comportamento cívico, não é fácil localizar na literatura especia
lizada a formulação de possíveis efeitos positivos da corrupção.
Como exemplo, Doig e McIvor (1999) e Doig e Theobald (2000)
sugerem que a alta taxa de percepção de corrupção relaciona-se ao
baixo nível de confiança institucional, componente pouco favorável
à estabilidade do sistema político. Seligson (2002), por sua vez,
identifica, entre os experientes com atos corruptos, os mais baixos
níveis de apoio ao regime político democrático, assim como os mais
baixos níveis de confiança interpessoal.
Objetivamos contribuir para o debate, investigando a relação
entre um indicador de corrupção de nível individual – a experiência
dos cidadãos com situações de pedido de propina por parte de algum
agente público – e diversas modalidades de participação política.
Desse modo, podemos analisar se a corrupção apresenta efeitos
positivos ou negativos para o engajamento político no contexto
brasileiro. Utilizamos como fonte exclusiva de dados o Barômetro
das Américas, rodadas de 2007, 2008, 2010 e 2012.3
Organizamos o trabalho da seguinte maneira: a seguir deba
temos o conceito de participação política, propomos indicadores e
analisamos a sua multidimensionalidade. Posteriormente, tratamos
das concepções de corrupção, descrevemos dados sobre o indicador
e discutimos as contribuições da literatura especializada na relação
entre corrupção e orientações políticas (atitudes e comportamento).
A partir desses desenvolvimentos, construímos hipóteses e fazemos
as análises empíricas relativas à relação entre corrupção e partici
pação política e à propensão à permissividade com corrupção entre
os perfis sociais construídos. Ao final, fazemos breves considerações
sobre virtudes e limitações dos resultados alcançados.
3
Agradecemos ao Latin American Public Opinion Project (Lapop) e a seus principais apoiadores – United
States Agency for International Development (Usaid), Banco Interamericano de Desenvolvimento
(BID) e Vanderbilt University – por tornar os dados disponíveis.
Corrupção e participação política no Brasil: diagnósticos e consequências
9
Participação política: definição, indicadores e tipologia
O debate sobre a participação política é polissêmico e extenso.
Há, por exemplo, diversas visões acerca do ambiente em que o
fenômeno desenvolve-se e a sua dimensionalidade, além do reper
tório das atividades participativas. Brady (1999) e Borba (2012)
fazem adequados diagnósticos do debate e destacam que um dos
poucos pontos consensuais é a consideração de que a participação
é um comportamento, uma ação, e não uma atitude, que é algo
imbuído de caráter subjetivo.
Consideramos que a participação política refere-se a atividades
exercidas por cidadãos, em diversas arenas, que objetivam influenciar
as dinâmicas de poder. Logo, entendemos que participar significa
tomar parte em algo (Fialho, 2008), que o fenômeno expressa-se por
atividades e que pode se desenvolver em diversas arenas, buscando,
de forma conflitiva ou cooperativa, influenciar a distribuição de
poder (Reis, 2000).
A partir dessa definição, é possível selecionar os indicadores
empíricos, presentes no quadro 1. Antes, porém, devem ser feitas
duas considerações. A primeira refere-se ao alcance da dinâmica
participativa. Temos uma visão limitada a respeito, não incorpo
rando a concepção de que os seus resultados podem contribuir
para uma mudança estrutural do Estado (Pizzorno, 1975). Isso se
dá porque a ocorrência de movimentos revolucionários mostra-se
pouco frequente ao longo da história, e o que buscamos estudar são
os movimentos mais usuais.
A segunda consideração recai sobre o associativismo. É recor
rente, em estudos da área, considerar a associação e a filiação a
grupos e a movimentos como expressão de participação política.
Isso faz sentido, já que um dos caminhos mais comuns para voca
lizar preferências e demandas dá-se por essa via. No entanto, é
importante ter parcimônia na seleção destes grupos e movimentos.
Grupos de igreja, de mulheres ou grêmios recreativos, por exemplo,
podem ou não ter relação com questões políticas. O modo como
essas variáveis estão descritas no questionário do Barômetro das
Américas não possibilita a interpretação de que o engajamento
10
Robert Bonifácio e Ednaldo Ribeiro
a estes grupos está atrelado a questões políticas. Logo, por não
possuírem um caráter político inequívoco, elas não são incluídas na
lista de indicadores de participação.
Quadro 1 – Indicadores de participação política
Votar em eleições
Candidatar-se a cargo político
Doar dinheiro para partido político ou candidato
Trabalhar para partido político ou candidato em campanha eleitoral
Assistir a comícios políticos
Tentar convencer as pessoas sobre a escolha do voto
Usar/utilizar adesivos, bottons e bandeiras em campanha eleitoral
Assistir a reuniões de partidos políticos
Filiar-se a partido político
Assistir a reuniões de conselhos governamentais
Assistir a reuniões de orçamento participativo
Assistir a audiências públicas
Assistir a reuniões da Câmara de Vereadores e dos Deputados e do Senado Federal
Buscar contato com atores políticos e/ou governamentais
Realizar atividades de lobby com atores políticos e governamentais
Participar de protestos e manifestações públicas
Participar de greves
Assinar petição e/ou abaixo-assinado
Agir em prol de melhorias da comunidade
Assistir a reuniões de associação de bairro
Ser membro efetivo de associação de bairro
Boicotar determinados produtos por questões políticas
Comprar determinados produtos por questões políticas
Bloquear estradas e ocupar prédios e terrenos por questões políticas
Fonte: elaboração própria
Elaboração própria.
Nem todos esses indicadores estão presentes no banco de dados
do Barômetro das Américas, sendo possível trabalharmos somente
com 11 variáveis, descritas a seguir:
1) Trabalhar em campanha eleitoral.
2) Contatar deputados (estaduais e federais).
3) Contatar atores políticos governamentais (ministérios e
secretarias).
4) Contatar atores políticos locais (prefeitos e autoridades militares).
5) Contatar vereadores e atores governamentais locais.
Corrupção e participação política no Brasil: diagnósticos e consequências
11
6) Agir para solução de problemas na comunidade em que se vive.
7) Assistir a reuniões de associação de bairro.
8) Assistir a reuniões de partido político.
9) Tentar convencer outros sobre a escolha do voto.
10) Participar de manifestações ou protestos públicos.
11) Assinar petições.4
O voto não está incluído no trabalho porque, apesar de enten
dermos o ato como participativo, em Bonifácio e Paulino (2015),
há indicações de que os fatores explicativos do comparecimento
eleitoral relacionam-se de forma substancialmente diferente das
demais modalidades de participação política, sendo sugerida uma
investigação específica para essa questão.
Embora haja critérios de ordem teórica para sustentar que todas
as variáveis elencadas anteriormente são indicadoras de partici
pação política, realizamos um tratamento empírico a respeito para
averiguar se estas variáveis agrupam-se em uma única dimensão ou
se podem ser discriminadas em diferentes tipos ou modalidades,
assumindo um caráter multidimensional. Esse aspecto da parti
cipação política é investigado por diversos autores, sendo usual a
utilização do teste de análise fatorial exploratória.5
Na tabela 1, as colunas representam os resultados da análise
fatorial exploratória para cada rodada de dados do Barômetro das
Américas e as linhas comportam as atividades participativas. As
cargas fatoriais em cada célula gerada pelo cruzamento de linhas e
colunas indicam o maior valor para cada variável. Para as rodadas
de 2007, 2008 e 2010, foram gerados três fatores, e para a rodada de
2012, quatro.
As quatro primeiras variáveis mostram-se agrupadas em um
mesmo fator em todas as rodadas e são indicadoras de contato com
atores políticos e governamentais. Essa modalidade de participação
4 As variáveis são codificadas no questionário do Barômetro das Américas da seguinte maneira,
respectivamente: CP2, CP4a, CP4, NP2, CP5, CP8, CP13, PP1, PROT1 (2007 e 2008)/PROT3 (2010 e
2012) e PROT6.
5 Originalmente, esse procedimento parte de uma matriz de correlação de Pearson, adequada
quando as variáveis apresentam natureza contínua (Gorsuch, 1983). A solução foi aplicar uma
correção policórica, ideal para manipular dados binários e categóricos nesse teste (Drasgow, 1998).
12
Robert Bonifácio e Ednaldo Ribeiro
que se caracteriza pelo contato direto entre representante(s) e repre
sentado(s), sem a presença de manifestações ou atos contestatórios,
ou seja, de atividades que objetivam exercer pressão pública. Com
base na redação das variáveis no questionário, não é possível saber
se o contato ocorre de forma individual ou coletiva e tampouco a
natureza das questões tratadas (se envolvem demandas legais ou
criminosas).6
As atividades de “ação em prol da comunidade” e “assistir reunião
de associação de bairro” são constitutivas do ativismo comunitário,
que denota atuação em questões políticas de abrangência exclusi
vamente local, que visam influenciar políticas e atores que cuidam
de problemas da comunidade em que se vive. As maiores cargas
estatísticas destes indicadores mostram-se agrupadas em um único
fator nas três primeiras rodadas, havendo uma distorção desse
padrão em 2012.
O terceiro conjunto de variáveis – “trabalho em campanha elei
toral”, “convencer os outros sobre a escolha do voto” e “partici
pação em reuniões de partidos e movimentos políticos” – compõe
a modalidade ativismo partidário e eleitoral, que se caracteriza pela
tentativa de influenciar resultados eleitorais e por estar circunscrita
a instituições e eventos oficiais. A formulação da variável sobre
participação em reuniões de partidos e de movimentos políticos
apresenta problemas, pois nos priva de distinguir o envolvimento
dos brasileiros em cada uma dessas duas diferentes instituições. Os
resultados destacados a seguir refletem esse problema de formu
lação: a variável compõe o fator sobre atividades partidárias e elei
torais nas rodadas de 2007 e 2012, mas também o fator de ativismo
comunitário, nos anos de 2008 e 2010. Seguimos as indicações
de estudos da área, como os de Verba, Nie e Kim (1987), Booth e
Seligson (2009) e Bonifácio e Paulino (2015), que, em diferentes
anos e contextos, arrolaram indicadores similares como relacio
nados ao ativismo partidário e eleitoral.
6 Para mais detalhes, conferir a redação das variáveis CP2 CP4, CP4a e CP5 no questionário do
Barômetro das Américas.
Corrupção e participação política no Brasil: diagnósticos e consequências
13
Por fim, as pesquisas utilizadas contêm uma única pergunta
genérica sobre o envolvimento dos cidadãos em atividades parti
cipativas contestatórias, o engajamento em protestos. Essa variável
não se agrupa de forma satisfatória em nenhum dos fatores gerados,
apresentando sempre baixo valor de carga estatística. Contudo,
na rodada de 2012, é incorporada à variável sobre assinatura de
petições e abaixo-assinados, que se agrupa com a variável indica
dora de participação em protestos em um fator à parte dos demais,
com altas cargas estatísticas, constituindo, assim, uma modalidade
específica de participação, intitulada ativismo de protesto.
Esses resultados fortalecem ainda mais os achados de estudos
como os de Verba, Nie e Kim (1987), Norris (2002), Booth e
Seligson (2009) e Teorell, Torcal e Montero (2007), que asseveram
a natureza multidimensional da participação política. Diante de
tantas evidências sobre as diferentes modalidades ou tipos de parti
cipação política, consideramos inadequado concebê-la como um
fenômeno uno, restrito ao ambiente governamental e eleitoral,
como entende Milbrath (1965). O quadro 2 apresenta o nome da
cada modalidade de participação política encontrado por meio da
análise fatorial, assim como os seus indicadores.
Quadro 2 – Modalidades de participação política e seus indicadores
1) Ativismo comunitário: assistir a reuniões de associação de bairro e agir em prol de melhorias na comunidade.
2) Contato com atores políticos e governamentais: contato com deputado estadual e federal, com ator po
lítico local, com ator governamental e com vereador e atores governamentais locais.
3) Ativismo partidário e eleitoral: trabalho em campanha eleitoral, assistir a reuniões de par
tido político, tentar convencer os outros sobre a escolha do voto.
4) Ativismo de protesto: participação em manifestações e protestos e assinatura de abaixo-assinado e petição.
Elaboração própria.
Robert Bonifácio e Ednaldo Ribeiro 14
Tabela 1 – Análise fatorial exploratória com as variáveis sobre participação política
2007 2008 2010 2012
1 2 3 1 2 3 1 2 3 1 2 3 4
Contato com deputados 0.822-- 0.698-- 0.565-- 0.758--
Contato com atores
governamentais 0.712-- 0.623-- 0.504-- 0.716--
Contato com atores
políticos locais 0.860-- 0.886-- 0.859-- 0.911--
Contato com vereadores 0.679-- 0.799-- 0.830-- 0.893--
Ação em prol da
comunidade-- 0.367-0.522-- 0.518-0.316--
Assistir à reunião de
associação de bairro-- 0.540-0.593-- 0.673---- 0.383
Trabalho em
campanha eleitoral-0.696---0.632-- 0.494-0.570--
Assistir à reunião de
partidos políticos e
movimentos políticos-0.727-- 0.426-- 0.595-- 0.579--
Convencer os outros
sobre a escolha do voto-0.574---0.551-- 0.492-0.540--
Participar de protestos-0.312-----0.347---0.672
Assinar petições e
abaixo-assinados-----------0.696
KMO 0.805 0.719 0.749 0.709
Alpha de Cronbach 0.611 0.524 0.533 0.589
Fonte: Dados do Barômetro das Américas, de autoria de Latin American Public Opinion Project (Lapop), disponível em: <www.
LapopSurveys.org>.
Elaboração própria.
A tabela 2 apresenta o percentual de ativismo para cada moda
lidade de participação política, considerando todas as rodadas de
dados.7 Apesar da considerável flutuação nos percentuais, podemos
7 A seguir, os códigos das variáveis que constituem os índices presentes na tabela 2 e as respectivas
categorias que indicam participação: PP2, CP2, CP4, CP4a, CP5 (rodada de 2007), NP2, PROT3 e
PROT6: “Sim”/CP5 (rodadas de 2008, 2010 e 2012), CP8 e CP13: “uma vez por semana”, “uma ou
duas vezes por mês” ou “uma ou duas vezes por ano”/PP1: “frequentemente”, “de vez em quando”
ou “muito raramente”/PROT1 (rodadas de 2007 e 2008): “algumas vezes” ou “quase nunca”.
Corrupção e participação política no Brasil: diagnósticos e consequências 15
afirmar que a maior parte dos brasileiros não participa de quaisquer
atividades relacionadas às quatro modalidades. Ademais, o percen
tual de cidadãos participativos decai de forma linear à medida que
aumenta a quantidade de atividades participativas realizadas.8
Tabela 2 – Frequência de participação política por modalidade, de 2007 a 2012 (%)
Modalidades de participação política
Nível de participação
0 1 2 3 4 Total de participação
2007
Ativismo comunitário 64,7 26,9 8,4-- 35,3
Ativismo partidário e eleitoral 55,3 32,0 9,8 2,9 44,7
Contato com atores políticos e governamentais 73,6 14,6 6,7 3,9 1,2 28,4
Ativismo de protesto 85,1 14,9---14,9
2008
Ativismo comunitário 54,4 32,5 13,1-- 45,6
Ativismo partidário e eleitoral 47,3 39,1 10,6 3,0 52,7
Contato com atores políticos e governamentais 68,3 15,6 9,6 4,8 1,7 31,7
Ativismo de protesto 81,5 18,5---18,5
2010
Ativismo comunitário 69,9 22,8 7,3-- 30,1
Ativismo partidário e eleitoral 53,9 34,5 9,9 1,7-46,1
Contato com atores políticos e governamentais 77,5 12,5 7,7 1,7 0,6 22,5
Ativismo de protesto 94,6 5,4---5,4
2012
Ativismo comunitário 68,5 24,6 6,9-- 31,5
Ativismo partidário e eleitoral 54,6 35,0 8,0 2,4-45,4
Contato com atores políticos e governamentais 81,5 8,0 6,8 2,7 1,0 18,5
Ativismo de protesto 82,9 14,3 2,8-- 17,1
Fonte: Dados do Barômetro das Américas, de autoria de Latin American Public Opinion Project (Lapop), disponível em: <www.
LapopSurveys.org>. Elaboração própria.
8 Em duas variáveis, flutuações nos percentuais podem ser explicadas por mudanças na medida,
com a alteração no período temporal contido nas categorias de resposta (CP5 e PROT1/PROT3). Por
fim, cabe destacar que a inclusão da variável PROT6 em 2012 também contribui para a flutuação
de percentuais referente à modalidade “ativismo de protesto”.
16
Robert Bonifácio e Ednaldo Ribeiro
Corrupção: concepções e medidas
A corrupção ocupa considerável atenção de cientistas de diversas
áreas. A explicação para tamanho interesse reside na sua ubiqui
dade em sociedades complexas, asseveram Lipset e Lenz (2002). A
corrupção mostra-se presente ininterruptamente desde a antigui
dade até a atualidade e sua manifestação não se restringe a deter
minados contextos institucionais e culturais. Talvez por conta de
sua ubiquidade, Euben (1989) entende que a história conceitual da
corrupção é incerta. Segundo o autor, o termo foi utilizado em dois
contextos distintos: para fazer referência a uma atividade humana
específica – como, por exemplo, o suborno –, ou em um sentido
mais geral de destruição, devastação ou adulteração de um material
orgânico. Desse modo, acreditamos que o vocábulo apresenta cono
tação negativa e é assimilado a noções de decadência, desintegração
e degeneração.
Para Filgueiras (2008), é um equívoco escrever sobre uma teoria
política da corrupção, já que não há, na tradição do pensamento
político ocidental, consenso a respeito de seu significado. Por isso,
de acordo com o autor, não se pode falar em uma teoria política
sobre o fenômeno, mas de diferentes abordagens a respeito.
Sobre as abordagens, a visão de Heidenheimer, Johnston e
Levine (1989) indica a existência de três tipos principais. Um grupo
de cientistas, o mais numeroso, a compreende como estritamente
relacionada à atuação de agentes públicos (Nye, 1967; Manzetti e
Wilson, 2009). Outro grupo formula definições sobre a corrupção,
ressaltando a natureza econômica do fenômeno (Rose-Ackerman,
1999). E uma terceira corrente teórica entende a corrupção como
um fenômeno contrário à ideia de interesse público (Filgueiras,
2008; Seña, 1989; Calera, 1989; Valdés, 1995). Desse modo, a
corrupção é apreendida sob três óticas distintas: 1) como ato infra
cional, que se opõe ou que transcende as leis e normas oficiais; 2)
como um comportamento calculado, que beneficia o corruptor,
dada as oportunidades específicas do contexto em que a ação se
insere; e 3) como intimamente ligada ao sistema normativo vigente
em cada sociedade, respectivamente.
Corrupção e participação política no Brasil: diagnósticos e consequências
17
A partir dessas abordagens, é possível conceber diversos indi
cadores de corrupção a nível individual, mas utilizamos somente
uma medida: a experiência do cidadão com situações de pedido de
propina por algum agente.9 Especificamente, utilizamos somente as
variáveis que questionam os entrevistados sobre pedido de suborno
por policial ou por funcionário público.10 Temos motivos para
seguir esse caminho. O primeiro é a qualidade da medida. Não se
trata de percepções nem de valores, mas de convivência com atos
corruptos. Desse modo, acreditamos que a medida que chamaremos
de “experiência com corrupção” é a mais objetiva entre as exis
tentes. Esta medida está livre de influência de aspectos subjetivos,
como a cobertura midiática e as preferências políticas, que podem
enviesar a resposta dos cidadãos a questões sobre corrupção. Em
segundo lugar, é importante destacar que a medida de experiência
com corrupção capta práticas de corrupção de pequena monta, que
são possíveis de serem vivenciadas com frequência por qualquer
cidadão. Por fim, o estudo de Bonifácio e Paulino (2015) destaca
que a experiência com corrupção é a medida que melhor distingue
engajamento ou não engajamento em atividades participativas entre
os cidadãos das Américas e do Caribe, sobrepondo-se a medidas
como percepção de corrupção entre funcionários públicos e tole
rância à propina.
Há, porém, um problema técnico com essa medida no Barômetro
das Américas. Existem mais variáveis sobre situações de pedido de
propina11 que as utilizadas, mas não as utilizamos por apresentarem
excesso de casos ausentes (missing values). Estas variáveis são sempre
precedidas por uma pergunta-filtro. Por exemplo, pergunta-se
primeiramente ao entrevistado se ele acessou o serviço público de
saúde no último ano. Apenas se a resposta for positiva, é perguntado
9 Classificamos a medida como experiência com corrupção, em vez de vitimização por corrupção,
como fazem Mitchell Seligson e parceiros em diversos trabalhos. Da maneira como estão redigidas,
as questões só permitem ao entrevistado atestar o papel de vítima, mas é factível supor que
parte dos respondentes exercem, na realidade, o papel de corruptor. A fim de evitar a posição do
entrevistado como corruptor ou vítima, utilizamos o termo “experiência com corrupção”.
10 Os códigos das variáveis no questionário do Barômetro das Américas são EXC2 e EXC6, respectivamente.
11 Para informações detalhadas sobre essas variáveis, procurar pelos códigos EXC11, EXC13, EXC14,
EXC15 e EXC16 no questionário do Barômetro das Américas.
18
Robert Bonifácio e Ednaldo Ribeiro
se, para ser atendido em um hospital ou posto de saúde, o entre
vistado teve que pagar propina. A maior parte dessas respostas é
negativa; com isso, existe um grande percentual de valores ausentes
em cada uma destas variáveis, o que torna a frequência de casos
válidos diminuta, dificultando a análise dos dados.
Conhecidas as virtudes e as limitações da medida de experiência
com corrupção, destacamos a frequência e a flutuação percentual de
cada variável relacionada (tabela 3). Os percentuais de experiência
com corrupção mostram-se modestos, para todos os quatro indica
dores. É relativamente mais comum o pedido de suborno por parte
dos policiais, variando entre 3,1% e 5,9% entre os quatro períodos
temporais. Ademais, observamos certa constância nas frequên
cias, havendo somente leves flutuações nos percentuais entre as
rodadas. Talvez isso se explique pela natureza objetiva da medida:
uma vez que se atém a eventos e não eventos, é de se esperar que ela
seja pouco afetada por questões usualmente atreladas à corrupção,
como notícias negativas sobre governos e representantes políticos,
insatisfações com a qualidade das políticas públicas e avaliações a
respeito da situação econômica e da vida.
Tabela 3 – Experiências com corrupção, de 2007 a 2012 (%)
2007
Pedido de suborno por autoridade policial
2008
2010
4,8
Pedido de suborno por funcionário público
Fonte: Dados do Barômetro das Américas.
Elaboração própria.
2,6
3,1
1,6
5,9
3,1
2012
4,3
2,3
Tendo em vista que nosso interesse é avaliar o impacto das
experiências com corrupção, de um modo geral, no comporta
mento participativo dos brasileiros, em vez de conduzirmos testes
envolvendo as variáveis relativas a cada uma dessas experiências,
consideramos mais interessante reduzi-las a uma medida integrada.
Tal procedimento também favorece a análise dos dados em testes
Corrupção e participação política no Brasil: diagnósticos e consequências
19
inferenciais, por aumentar a quantidade de casos na variável desig
nada “experiência com corrupção”.
Corrupção e orientações políticas
Tendo como foco as orientações políticas individuais, enten
demos que estudos da área são quase consensuais ao indicarem
os efeitos nocivos da corrupção para atitudes e comportamentos
entendidos como cívicos. No campo normativo, os trabalhos de
Hirschman (1983) e de Warren (2012) são referências para vislum
brarmos tais efeitos para o sistema político de uma forma geral.
Hirschman (1983) busca, em aspectos sociopsicológicos,
a explicação para o envolvimento cíclico do indivíduo em ativi
dades relacionadas às esferas pública (indivíduo identificado como
“cidadão”) e privada (indivíduo identificado como “consumidor”).
A corrupção é importante para entender o desengajamento do
“cidadão” em atividades da esfera pública, relacionadas ao ativismo
político. A percepção e a vivência com atos de corrupção ao longo
do tempo potencializam a conformação e a consequente imersão
do cidadão em atos corruptos. Tal movimento é compreendido
pelo autor como um sintoma de mudança de preferência, com o
indivíduo passando a priorizar interesses particulares via ganhos
materiais advindos da corrupção. A persistente imersão em atos
corruptos leva os indivíduos a pensarem que as atividades públicas
são atividades vis por natureza e, assim, o que inicialmente era
uma reação de descontentamento com a esfera pública, torna-se
um determinante de descontentamento adicional e profundo que,
por sua vez, prepara o terreno para mais corrupção. Ao final do
processo, o espírito público é completamente eliminado. Nessas
condições, a corrupção pode proporcionar ao “cidadão” uma rápida
transição de volta ao seu papel de “consumidor”.
Na perspectiva de Warren (2012), a corrupção mina os processos
de natureza inclusiva da política, como a relação entre represen
tantes e representados, pois compromete o poder de voto e de
fala dos indivíduos que almejam influenciar as decisões coletivas,
removendo o poder e os recursos da arena pública para as relações
20
Robert Bonifácio e Ednaldo Ribeiro
parciais, particulares e privadas. Como consequência, tem-se o
enfraquecimento da legitimidade democrática devido à exclusão
de grande parte da população das decisões que a afeta. Ademais,
a corrupção afeta a cultura democrática, destaca o autor. Se
a corrupção alastra-se, perde-se paulatinamente a confiança no
processo de tomada de decisões públicas – enxergando-o como
não publicamente disponível e justificável – e, como consequência,
é provável que os indivíduos tornem-se cada vez mais cínicos a
respeito do discurso público e da deliberação. A partir dessas consi
derações, Warren sugere que a corrupção possibilita a diminuição
do horizonte das ações coletivas, encolhendo o domínio da demo
cracia nesse campo.
Hirschman (1983) e Warren (2012) destacam que o envolvi
mento do indivíduo com as práticas corruptas tem consequências
negativas tanto para o caráter democrático do sistema político
quanto para as atitudes e os comportamentos cívicos. Contudo, suas
obras têm a limitação de serem essencialmente teóricas, norma
tivas, atemporais e sem delimitação de contexto.
Já os estudos a seguir, para além de desenvolverem discussões
teóricas, oferecem análises empíricas sobre o papel da experiência
com corrupção nas atitudes políticas no contexto latino-americano.
Em Zéphyr (2008) e Seligson (2001; 2002) há considerações
uníssonas, no sentido de atestar a associação de experiência com a
corrupção a baixos patamares de adesão ao regime político demo
crático. Utilizando dados do Barômetro das Américas de 2006,
Zéphyr identifica que quanto maiores são os níveis de experiência
com corrupção dos indivíduos, menores são suas taxas de adesão à
democracia. No primeiro trabalho de Seligson, são utilizados dados
de pesquisas de opinião da população nicaraguense de 1996 e 1998,
a primeira conduzida anteriormente e a segunda após a realização
de uma campanha nacional de conscientização contra a corrupção.
Já no segundo trabalho, os dados são de pesquisas de opinião entre
cidadãos bolivianos e paraguaios em 1998 e entre salvadorenhos e
nicaraguenses em 1999. Em ambos os estudos, o autor encontra uma
relação negativa entre experiência com corrupção e legitimidade
Corrupção e participação política no Brasil: diagnósticos e consequências
21
democrática. No trabalho de 2002, Seligson também investiga os
efeitos da experiência com corrupção na confiança interpessoal,
fenômeno entendido como facilitador da formação de profundas e
duráveis associações civis entre os indivíduos. Os efeitos negativos
da corrupção mostram-se, mais uma vez, presentes: quanto mais
experiência com corrupção, menos confiança interpessoal.
Salinas e Booth (2011) conduzem a investigação no sentido de
verificar o papel da experiência com corrupção em indicadores
de civismo, tais como a adesão ao regime político democrático, o
apoio ao direito de participação política e a tolerância em relação a
formas contestatórias de expressão política. Os dados utilizados são
do Barômetro das Américas, de 2010. Em todos os casos, os autores
observaram associações negativas, concluindo que a corrupção é
nociva ao civismo.
Para Bohn (2012), a legitimidade dos regimes democráticos
deriva do apoio em massa aos seus principais processos, tais como
eleições livres e justas, liberdades e direitos institucionalizados e
transparência e accountability nas instituições públicas. A manifes
tação da corrupção no ambiente democrático teria o potencial de
viciar as interações entre indivíduo e estrutura, causando a dimi
nuição de confiança e de satisfação dos indivíduos com princípios
e instituições democráticas. A partir dessas considerações, a autora
direciona a sua investigação, analisando o papel da experiência com
corrupção na satisfação dos cidadãos com a democracia realmente
existente, com base em dados do Barômetro das Américas de 2010.
Bohn identifica que quanto maiores são os níveis de experiência
com corrupção, menor é a satisfação com a democracia.
Todos os autores abordados anteriormente esclarecem que a
proximidade do indivíduo com a corrupção torna-o menos susce
tível a expressar atitudes políticas congruentes com os princípios
democráticos. Ou seja, a corrupção teria efeitos nocivos a uma
cultura cívica.
Entre os especialistas em comportamento político brasileiros e
brasilianistas, a investigação usual é sobre os efeitos da corrupção
no sucesso eleitoral de políticos envolvidos em escândalos de
22
Robert Bonifácio e Ednaldo Ribeiro
corrupção e nas escolhas eleitorais dos cidadãos.12 Os trabalhos de
Hunter e Power (2007), Rennó (2008) e Rennó e Hoepers (2010)
atêm-se ao contexto de 2006, marcado pela eleição presidencial que
reelegeu Lula e pelo amplo noticiário a respeito do escândalo do
“mensalão”.
No primeiro trabalho, os autores identificam que os grupos
de eleitores com menores e maiores recursos socioeconômicos
diferenciam-se a respeito do nível de informação sobre corrupção
e dos efeitos que os escândalos de corrupção possuem na decisão
do voto. O primeiro grupo de eleitores é o menos informado sobre
os escândalos de corrupção e o que menos leva esta informação e
estes efeitos em consideração para a conformação da confiança no
então presidente Lula e para a avaliação de seu governo. Sabendo
ou não dos escândalos, este grupo de eleitores também tende a
recompensar eleitoralmente Lula pelo desempenho positivo de seu
governo nas políticas sociais e na condução da economia. Por outro
lado, os mais escolarizados e informados mostram-se mais intole
rantes com os cidadãos vistos como corruptores: enquanto 40% dos
analfabetos e 31% dos cidadãos que possuem até o Ensino Primário
completo concordam com a frase “se alguém é eleito para um cargo
público, deve usar o cargo como se fosse sua propriedade particular,
em seu benefício”, essa concordância atinge apenas 5% dos cidadãos
com Ensino Médio e 3% com Ensino Superior.
Hunter e Power (2007) afirmam que os resultados corroboram
duas teses da literatura especializada. Uma que indica que os elei
tores com maior acesso à informação são mais propensos a atuar
de maneira punitiva em relação aos políticos, e outra que considera
que os cidadãos com menor segurança econômica, no momento de
se expressarem politicamente, priorizam suas necessidades básicas
sobre outras questões, tais como ética e transparência, enquanto
12 Moisés (2010) constitui-se uma exceção, ao analisar os efeitos da corrupção para a qualidade da
democracia. Contudo, o autor traz poucos esclarecimentos a duas questões importantes: 1) não
especifica o que entende por “rouba, mas faz”, tampouco relata os seus indicadores; e 2) em testes de
regressão realizados, os resultados são relatados pelo autor, mas não mostrados ao longo do texto.
Corrupção e participação política no Brasil: diagnósticos e consequências
23
cidadãos privilegiados tendem a enfatizar os valores pós-materia
listas em maior medida.
Rennó e Hoepers (2010) investigam o voto estratégico punitivo
na eleição presidencial de 2006. Especificamente, trata-se de iden
tificar eleitores comumente simpáticos à candidatura de Lula que
não votaram nele no primeiro turno como forma de puni-lo pelo
envolvimento de membros de seu partido político em escândalos
de corrupção, mas que o apoiaram no segundo turno. Devido à
alta sofisticação do voto estratégico punitivo, os autores verificam
que apenas 4% dos eleitores tiveram tal tipo de comportamento.
Contudo, essa pequena margem de eleitores mostrou-se decisiva
para a ocorrência do segundo turno e para assegurar a vitória de
Lula no turno final da eleição.
Com base nesses resultados, Rennó e Hoepers (2010) consideram
corroborada a hipótese central de que uma pequena, mas relevante,
parcela do eleitorado brasileiro usou um tipo de voto estratégico
diferenciado para a definição de suas escolhas eleitorais no pleito
de 2006. Os eleitores de Heloísa Helena encaixam-se perfeitamente
nesse perfil: eram antigos apoiadores de Lula, frustrados com o
envolvimento de seu governo em escândalos de corrupção e que
decidiram puni-lo no primeiro turno. Contudo, no segundo turno,
com a possibilidade de praticarem o voto útil, levaram em consi
deração outros atributos do desempenho do governo para voltar a
apoiar Lula.
Já o foco de Rennó (2008) é a eleição para deputado federal em
2006. O autor pesquisa as consequências do envolvimento de depu
tados federais em escândalos de corrupção para as suas chances de
reeleição, supondo que este envolvimento possa manchar a repu
tação do deputado e ferir a lealdade que possui com os seus elei
tores. O autor segmenta os deputados da 52ª legislatura (2003-2006)
entre envolvidos ou não com escândalos de corrupção e identifica
que o primeiro grupo tem maiores taxas de tentativa de reeleição e
de sucesso eleitoral, em comparação ao segundo grupo. Os testes
de regressão realizados confirmam essas relações, mesmo levando
24
Robert Bonifácio e Ednaldo Ribeiro
em conta outros fatores explicativos, como quantidade de recurso
concentrado (pork barrel) e gastos de campanha.
Para Rennó (2008), esses resultados são indícios de que os elei
tores não são completamente alheios ao que os políticos fazem e
punem aqueles que se envolvem em corrupção. Ainda assim, a alta
despesa com campanha constitui-se um escudo importante para os
políticos envolvidos em escândalos, no sentido em que é o único
fator que aumenta as chances de sucesso eleitoral entre deputados
com pecha de corruptos.
Em Rennó e Ames (2014), o contexto enfocado são as eleições de
2010. Eles investigam o quanto as discussões sobre o aborto e sobre
os escândalos de corrupção, envolvendo uma ministra de governo
próxima à candidata do Partido dos Trabalhadores (PT) à Presi
dência em 2010, a poucas semanas do primeiro turno, alteraram as
intenções de voto. Os autores utilizam dados de pesquisa de painel
com três pontos no tempo (abril, setembro e novembro) e observam
que as discussões sobre o aborto pouco alteraram as preferências
eleitorais entre os três principais candidatos à Presidência – Marina
Silva, José Serra e Dilma Rousseff –, mas que os escândalos de
corrupção tiveram um forte impacto.
Rennó e Ames identificam as maiores alterações de intenção
de voto na fase final de campanha, quando as duas questões desta
cadas anteriormente vieram à tona no embate eleitoral. Ademais,
para eles não restam dúvidas de que a candidatura de Dilma foi
negativamente afetada por escândalos de corrupção: parte dos elei
tores que consideravam a corrupção um problema nacional e que
intencionavam votar em Dilma em setembro mudaram de opinião
em novembro, na rodada de pesquisa que capta o voto declarado
no primeiro turno. Os resultados destacados pelos autores indicam
que a migração de maior parte deste voto foi de Dilma para Serra.
Assim, afirmam que a questão da corrupção sobrepôs-se à do aborto
como fator-chave para entender a incapacidade do PT de vencer as
eleições no primeiro turno. Serra, que foi para o segundo turno das
eleições, foi o mais beneficiado por esse processo.
Corrupção e participação política no Brasil: diagnósticos e consequências
25
Os autores destacam que os dados longitudinais permitem
explorar melhor as nuances da disputa eleitoral e afirmam que o
“purgatório eleitoral” de Dilma (duas semanas anteriores à reali
zação do segundo turno) está muito mais relacionado à emergência
de escândalos de corrupção do que à discussão sobre o aborto,
fazendo com que sua candidatura fosse prejudicada, ao passo que a
candidatura de Serra foi favorecida.
Em consonância com os trabalhos que se atém ao contexto
latino-americano, as investigações de Hunter e Power (2007) e
de Rennó e parceiros (2008; 2010; 2014) sobre o caso brasileiro
apontam que corrupção tem efeitos sobre as escolhas eleitorais dos
brasileiros, embora estes efeitos sejam marginais e diferenciados
entre os diferentes segmentos da população.
Contudo, os escassos estudos sobre a relação entre corrupção e
participação política concedem resultados dissonantes aos desta
cados anteriormente. Os trabalhos de Olsson (2014) e de Bonifácio
e Paulino (2015) são exemplares.
Em Olsson (2014), investiga-se a relação entre percepção de
corrupção no serviço público e três tipos de participação política
(comparecimento eleitoral e participação política institucionalizada
e não institucionalizada) em 33 países – de regiões da Europa, da
Ásia e da América Latina – na rodada de dados pertinente aos
anos de 2003 a 2006 do International Social Survey Programme
(ISSP). A autora observa que a associação negativa entre percepção
de corrupção e participação política institucionalizada e não insti
tucionalizada só se mostra presente em modelos univariados. À
medida que se adicionam variáveis nos modelos de regressão, esse
efeito esfuma-se, identificando-se uma associação positiva de baixo
patamar de intensidade e desprovida de significância estatística. Ou
seja, não se observa qualquer padrão de associação entre percepção
de corrupção e atividades participativas não eleitorais. Já para
comparecimento eleitoral, observa-se uma clara tendência de asso
ciação negativa: quem percebe corrupção no serviço público tem
menores níveis de presença em votações.
26
Robert Bonifácio e Ednaldo Ribeiro
Já o artigo de Bonifácio e Paulino (2015) atém-se à relação entre
corrupção e participação política entre americanos e caribenhos.
Utilizando dados do Barômetro das Américas, rodadas de 2006,
2008, 2010 e 2012, os autores identificam que indivíduos com
experiência com situações de pedidos de propina por policiais e
funcionários públicos apresentam mais chances de engajamento
em atividades participativas que os indivíduos que não possuem tal
experiência. Esse resultado é válido para quatro das cinco moda
lidades de participação política analisadas: ativismo comunitário,
ativismo partidário e eleitoral; contato com atores políticos e gover
namentais; e ativismo de protesto. Comparecimento eleitoral cons
titui-se uma exceção, sem padrão identificável.
Os dois trabalhos contribuem para um problema de pesquisa
pouco investigado e os resultados que alcançam vão em desencontro
com a maior parte da literatura de comportamento político – parte
dela anteriormente abordada –, que afirma a existência de asso
ciação negativa entre experiência com corrupção e atitudes políticas
cívicas. Temos, portanto, contribuições com visões contraditórias
acerca dos possíveis efeitos da proximidade com a corrupção sobre
as orientações políticas individuais. Isso dificulta a construção de
hipóteses, dado que essa tarefa é menos complexa quando se tem
consenso da literatura especializada a respeito de uma relação.
Apesar dos dilemas envolvidos, decidimos construir uma
hipótese afinada com os dois últimos trabalhos abordados, por
conta da proximidade de seu desenho de pesquisa com o nosso.
Desse modo, hipotetizamos, para todas as modalidades de parti
cipação política, que: (H1) os indivíduos que possuem experiência
com corrupção apresentam maiores chances de engajamento em
atividades participativas que os indivíduos que não possuem tal tipo
de experiência.
Embora seja importante considerar a existência de diversas e
contraditórias motivações para a adesão a cada uma das modalidades
Corrupção e participação política no Brasil: diagnósticos e consequências
27
de participação política,13 não discriminamos diferentes hipóteses
para cada uma delas porque não vislumbramos diferenças no
processo de engajamento político, dado que ele é sempre volunta
rista e ativista. Ademais, os trabalhos que abordamos nesse tópico
são claros, ao indicarem tanto um efeito nocivo quanto uma asso
ciação positiva da corrupção, com atitudes e participação políticas,
respectivamente. Nesses dois conjuntos de trabalhos, quase todos
indicam não haver qualquer evidência que diferencie a relação da
corrupção com os diversos fenômenos investigados. Essas consi
derações servem-nos de referência para construirmos uma única
hipótese acerca da relação entre corrupção e participação política.
Permissividade à corrupção
Embora seja necessário diagnosticar um possível padrão de
associação entre corrupção e participação política nos contextos
selecionados, isso não é suficiente. Também é essencial extrair
algum significado dessa relação e identificar o grau de permissivi
dade à corrupção do brasileiro que alia experiência com corrupção
e participação política. Especificamente, buscamos entender se a
proximidade com atos corruptos e o simultâneo ativismo político
levam esse indivíduo, por um lado, à busca de uma transformação
da situação vigente, tendo como horizonte um cenário de probi
dade ou, por outro lado, se ele tende a relativizar a gravidade
da corrupção, conformando-se com os atos corruptos. Ou seja,
buscamos identificar se há uma predominância de indignação ou de
resignação desse perfil social.
A ideia de permissividade à corrupção remete a diversas atitudes
favoráveis ou, pelo menos, não contrárias à manifestação de atos
corruptos na sociedade. Como exemplo, podemos citar as consi
derações sobre o “rouba, mas faz” e sobre a compra de votos, o
posicionamento em situações hipotéticas de pequenas corrupções,
a tolerância ao pagamento de propina, entre outros. Todas essas
13 Cabe ressaltar que nossa definição de participação política e a posterior análise de dados das
atividades participativas têm como referência a finalidade do fenômeno, e não as motivações
individuais que justificam a sua ocorrência.
28
Robert Bonifácio e Ednaldo Ribeiro
questões são abarcadas pelo Barômetro das Américas, mas apenas a
última – tolerância ao pagamento de propina – é aplicada em todas
as rodadas, permitindo comparações longitudinais.
Dois possíveis cenários mostram-se os mais interessantes na
análise da permissividade à corrupção do indivíduo que alia expe
riência com corrupção e participação política: a situação dele se
mostrar o mais ou o menos tolerante ao pagamento de propina,
em relação aos demais perfis. A análise é comparativa, tendo como
referências os outros perfis sociais, que apresentam a interação das
demais categorias de evento e não evento em relação à experiência
com corrupção e participação política.
Para a formulação de hipótese, baseamo-nos em resultados de
estudos sobre os efeitos da corrupção em atitudes políticas. Desse
modo, hipotetizamos, para todas as modalidades de participação
política, que: (H2) o indivíduo que alia experiência com corrupção
e ativismo político tem mais probabilidade de ser tolerante ao paga
mento de propina (mais permissivo à corrupção) que os demais
indivíduos.
Corrupção e participação política no Brasil: análise dos dados
Construímos modelos de regressão logística bivariada tendo
como variável a ser explicada cada uma das quatro modalidades de
participação política, utilizando os dados de todas as rodadas. Reali
zamos modelos progressivos, que continham inicialmente apenas a
variável binária experiência com corrupção,14 adicionando, em um
segundo momento, as variáveis de controle, referentes às condições
socioeconômicas dos entrevistados: sexo, idade, escolaridade e
renda15 (tabela 4).
Na coluna referente a cada modalidade de participação política
há os números 1 e 2, que indicam o modelo inicial e o completo,
14 É a única variável explicativa dos modelos construídos e tem natureza binária, sendo o valor 0, de
não evento, usado como referência.
15 A variável sobre sexo é nominal, ficando o feminino a referência. As demais variáveis sobre condições
socioeconômicas são contínuas.
Corrupção e participação política no Brasil: diagnósticos e consequências
29
respectivamente. Buscando uma leitura mais clara dos dados,
optamos por usar o efeito percentual em vez da razão de chance.16
Os resultados mostram uma clara uniformidade no que se refere
aos efeitos da experiência com corrupção no ativismo político.
Nos modelos inicial e completo de todas as rodadas de dados e
modalidades de participação política, observa-se que os indivíduos
com experiência com corrupção têm mais chances de se engajarem
em atividades participativas, tendo como referência aqueles que
não possuem tal tipo de experiência. Na quase totalidade dos casos,
há significância estatística e o efeito percentual é de moderado a
elevado patamar, apresentando valores acima de 40%. Ao longo
da série temporal, os maiores valores sempre se concentram no
ativismo de protesto. Por fim, cabe destacar que o mesmo padrão
de associação positiva observado nos modelos de regressão inicial e
completo indica a existência de uma relação robusta entre corrupção
e participação política, afastando qualquer possibilidade de relação
espúria. Todos esses resultados são fortes evidências para a corro
boração da primeira hipótese. Em período recente, há uma clara
relação de sentido positivo entre corrupção e participação política
no Brasil.
Vamos além da identificação do padrão associativo na relação
entre as medidas de corrupção e participação política e investi
gamos as suas consequências, analisando o quanto que o perfil que
alia experiência com corrupção e ativismo político é permissivo à
corrupção, atitude medida via tolerância ao pagamento de propina.
Para tanto, foram realizados testes de valores preditos, que geram
probabilidades de permissividade à corrupção para cada perfil
social construído.17
16 Os valores de efeito percentual são gerados a partir da aplicação da seguinte equação: Exp (B) – 1 * 100.
17 Os perfis são construídos a partir da interação de categorias indicadoras de evento e não evento
de experiência com corrupção e participação política. Assim, são quatro os perfis: experiência
com corrupção e participação política; experiência com corrupção e não participação política;
não experiência com corrupção e participação política; e não experiência com corrupção e não
participação política.
Robert Bonifácio e Ednaldo Ribeiro 30
Tabela 4 – Preditores de participação política, por modalidade e rodada (%)
CAPG AC APE AP
1 2 1 2 1 2 1 2
2007
Experiência com corrupção 93,1*** 121,3*** 75,0*** 74,5*** 141,1*** 121,1*** 326,8*** 249,8***
Sexo masculino--21,6*-3,7-34,6***-40,9**
Idade-0,3-1,4***-0,3-0,1
Renda familiar--2,2-4,6--4,0-2,3
Escolaridade--5,2-0,8-3,8***-13,0***
Constante-67,0***-50,0***-50,0***-80,0***-25,0***-54,4***-86,0***-97,4***
Qui-quadrado 7,9*** 19,5*** 6,2*** 22,7*** 15,0*** 27,5*** 33,2*** 78,0***
Pseudo R² 0,006 0,015 0,004 0,015 0,009 0,017 0,035 0,082
Log likehood -638,5-632,7-747,7-739,5-770,9-764,7-455,0-432,6
2008
Experiência com corrupção 22,7 25,9 47,2 52,3 78,2*** 70,6**--
Sexo masculino--5,4--0,2-14,5--
Idade-0,6-1,4***--0,8**--
Renda familiar--1,6--8,6*-2,9--
Escolaridade-0,5-0,7-4,5**--
Constante-54,2***-64,0***-50,0***-65,5*** 7,7-4,5--
Qui-quadrado 0,6 3,19 2,05 15,74*** 5,44*** 30,2***--
Pseudo R² 0,0004 0,0021 0,0015 0,0125 0,0031 0,0184--
Log likehood -809,6-745,3-676,9-622,4-885,4-803,8--
Corrupção e participação política no Brasil: diagnósticos e consequências 31
CAPG AC APE AP
1 2 1 2 1 2 1 2
2010
Experiência com corrupção 49,2** 45,5** 41,3* 39,9* 84,9*** 70,9*** 113,4*** 91,0**
Sexo masculino-5,5-14,7-22,3**-20,2
Idade--0,1-0,8--0,1--1,7***
Renda familiar--0,1--0,1--0,1-0,3
Escolaridade-0,3--0,1-0,5-0,4
Constante-71,0***-71,0***-73,8***-75,0***-7,7** 0,1-99,5***-90,0***
Qui-quadrado 4,8** 8,4 2,7* 8,4 13,3*** 32,6*** 7,2*** 18,0***
Pseudo R² 0,0019 0,0033 0,0013 0,0039 0,0044 0,0107 0,0067 0,0165
Log likehood -1277,4-1275,6-1073,1-1070,3-1521,3-1511,7-544,0-538,6
2012
Experiência com corrupção 87,9** 105,3*** 89,0** 93,0** 116,2*** 92,4*** 111,7** 97,8**
Sexo masculino--4,5-21,1-49,1***-4,1
Idade-1,6***-1,7***-0,8**--0,5
Renda familiar--4,7**--0,1--2,7--0,5
Escolaridade-1,0-1,9-2,8-5,8**
Constante-78,2***-81,8***-55,8***-81,4***-21,3***-50,0**-80,3***-86,0**
Qui-quadrado 5,4** 23,8*** 7,2*** 25,8*** 10,8*** 27,5*** 7,6*** 18,8***
Pseudo R² 0,0038 0,0174 0,0039 0,0147 0,0053 0,0143 0,0056 0,0145
Log likehood -711,2-671,3-920,2-867,3-1008,6-948,3-677,2-641,7
Fonte: Dados do Barômetro das Américas, de autoria de Latin American Public Opinion Project (Lapop), disponível em: <www.
LapopSurveys.org>.
Elaboração própria.
Notas: * = p valor menor/igual a 0,10.
** = p valor menor ou igual a 0,05.
*** = p valor menor ou igual a 0,01.
Obs.: CAPG = contato com atores políticos e governamentais; AC = ativismo comunitário; APE = ativismo partidário e eleitoral; AP
= ativismo de protesto.
32
Robert Bonifácio e Ednaldo Ribeiro
Ao contrário dos resultados sobre a relação entre corrupção
e participação política, os resultados não são uniformes para a
permissividade à corrupção. A partir dos dados contidos no
gráfico 1 e na tabela 5, identificamos dois perfis mais permis
sivos: os perfis que aliam experiência com corrupção e não parti
cipação (“Exp*NPart”, área sombreada na tabela) e experiência
com corrupção e participação (“Exp*Part”) praticamente dividem
os casos de maior permissividade. Analisando por modalidade
de participação política, observamos que o primeiro perfil citado
tende a ser o mais permissivo à corrupção em contato com atores
políticos e governamentais e em ativismo comunitário, sendo que
o segundo perfil ocupa essa posição em relação ao ativismo parti
dário e eleitoral e ao ativismo de protesto.
Quando o foco da análise é a menor permissividade à corrupção
(gráfico 1 e tabela 6), o perfil que combina não experiência com
corrupção e não participação política (“NExp*NPart”, áreas
sombreadas na tabela) predomina, ocupando esse papel em dez dos
15 casos possíveis.
A maior limitação desses dados – melhor visualizados no
Apêndice A – é a ausência de diferenciação probabilística quando se
leva em conta a margem de erro. Porém, a identificação dos padrões
de forma consistente ao longo dos anos é um contraponto e nos
serve de referência para atestarmos a sua validade.
Em suma, o conjunto desses resultados não corroboram a
segunda hipótese. Não podemos afirmar que o indivíduo que possui
como características a combinação de proximidade com corrupção
e de ativismo político é o mais permissivo à corrupção, usando a
tolerância ao pagamento de propina como indicador.
Contudo, um padrão é claramente detectado: aqueles que possuem
experiência com corrupção, independentemente de serem ou não
politicamente participativos, são os mais permissivos à corrupção.
Isto é, o posicionamento resignado e conformista encontra terreno
fértil entre aqueles tocados pela corrupção, o que se constitui mais
uma evidência nociva do fenômeno para o civismo.
Corrupção e participação política no Brasil: diagnósticos e consequências
33
Tabela 5 – Síntese dos resultados para maior permissividade à corrupção
Tolerância ao pagamento de propina
2006
CAPG
AC
APE
Exp*NPart
Exp*NPart
2008
Exp*NPart
2010
Exp*NPart
Exp*NPart
Exp*Part
AP
Exp*Part
Exp*NPart
NSA
Exp*NPart
Exp*Part
Exp*Part
2012
Exp*Part
Exp*NPart
Exp*Part
Exp*Part
Fonte: Dados do Barômetro das Américas, de autoria de Latin American Public Opinion Project (Lapop), disponível em: <www.
LapopSurveys.org>.
Elaboração própria.
Obs.: Exp*NPart = experiência com corrupção e não participação política e Exp*Part = experiência com corrupção e participação política.
Tabela 6 – Síntese dos resultados para menor permissividade à corrupção
Tolerância ao pagamento de propina
2006
CAPG
AC
APE
NExp*NPart
NExp*NPart
2008
NExp*Part
2010
NExp*Part
NExp*NPart
NExp*NPart
AP
NExp*NPart
NExp*NPart
NSA
NExp*Part
NExp*NPart
NExp*Part
2012
NExp*NPart
NExp*Part
NExp*NPart
NExp*NPart
Fonte: Dados do Barômetro das Américas, de autoria de Latin American Public Opinion Project (Lapop), disponível em: <www.
LapopSurveys.org>.
Elaboração própria.
Obs.: NExp*NPart = não experiência com corrupção e não participação política e NExp*Part = não experiência com corrupção e
participação política.
34
Robert Bonifácio e Ednaldo Ribeiro
Gráfico 1 – Permissividade à corrupção dos perfis sociais, em 2012 (em probabilidade)
Fonte: Dados do Barômetro das Américas, de autoria de Latin American Public Opinion Project (Lapop), disponível em: <www.
LapopSurveys.org>.
Elaboração própria.
Obs.: 1 = não experiência e participação; 2 = experiência e não participação; 3 = não experiência e participação; e 4 = experiência
e participação.
Considerações finais
Investigamos um problema de pesquisa ainda inédito para o
contexto nacional e os resultados alcançados contribuem, de um
lado, para confirmar determinadas tendências já identificadas por
especialistas em outros contextos e períodos históricos e, de outro
lado, para lançar luzes a novos achados inerentes à relação entre
corrupção e participação política.
A multidimensionalidade da participação política foi confir
mada para o caso brasileiro. É mais uma evidência, entre as várias
já disponibilizadas por diversos outros autores, de que é descabida
qualquer consideração que direcione as atividades participativas
para um único alvo – os governos de diversas esferas – e/ou que as
Corrupção e participação política no Brasil: diagnósticos e consequências
35
aprisionem a uma arena específica – como a eleitoral. O estudo de
Milbrath (1965), neste sentido, torna-se cada vez mais obsoleto.
A natureza da relação entre corrupção e participação política
assume os mesmos contornos do que foi identificado por Bonifácio
e Paulino (2015), que se remetem ao contexto americano e cari
benho. Nesse caso, não se pode considerar o resultado como “mais
do mesmo”, dada a escassa produção científica com esse desenho
de pesquisa. Trata-se mais da confirmação de uma tendência ainda
pouco conhecida pelos politólogos devido ao caráter incomum do
desenho de pesquisa adotado.
Destacamos a solidez do padrão associativo positivo entre expe
riência com corrupção e ativismo político. Tal como no estudo ante
riormente citado, diagnosticamos associações de direção invariável
e propensões de moderada a alta magnitude entre as modalidades
de participação e ao longo do período temporal analisado. Esse
diagnóstico nos deixa convictos de que a relação entre corrupção e
participação política no Brasil é robusta e está longe de se constituir
uma mera espuriedade.
A identificação da associação positiva entre corrupção e partici
pação política é de suma importância, mas o sucesso em conquistar
esse resultado leva a uma indagação quase que imediata: qual a
importância disso para refletirmos a respeito da qualidade da
democracia e do civismo? A tentativa de responder com alguma
propriedade a essa indagação dá-se via testes de valores preditos,
que concedem a probabilidade de diferentes perfis sociais de serem
tolerantes ao pagamento de propina, um indicador possível de
permissividade à corrupção.
O que se mostra bastante evidente é que vivenciar situações de
pedido de propina por agentes públicos fomenta a resignação e o
conformismo com atos corruptos. Os perfis que aliam experiência
com corrupção e participação ou não participação política dividem
os casos de maiores probabilidades de permissividade à corrupção.
Em nenhum dos casos algum destes dois perfis mostram-se os
menos permissivos à corrupção ou se aproximam dessa situação.
36
Robert Bonifácio e Ednaldo Ribeiro
A partir dessa verificação, o ensaio teórico de Hirschman (1983)
parece-nos válido, embora não possamos operacionalizá-lo em
sua plenitude. Sem dúvida, faltam peças a serem encaixadas no
ciclo de participação proposto por esse autor (grande aconteci
mento político → imersão em atividades políticas → percepção de
corrupção no setor público → decepção → retorno às atividades da
vida privada), mas os resultados encontrados são evidências de que
a convivência entre ativismo político e corrupção é possível e de que
a proximidade com os atos corruptos, no mínimo, potencializa a
resignação, formando uma massa de indivíduos conformados com
a sua manifestação na sociedade.
O aprofundamento das análises nessa questão impõe-se como
necessidade para futuros estudos. Acreditamos que o tratamento
dos dados que desenvolvemos tem grandes virtudes, por trabalhar
com uma considerável gama de variáveis em quatro pontos no
tempo, desenvolvendo um desenho de pesquisa ainda pouco explo
rado. Contudo, se o desejado for investigar com propriedade as
minúcias da rede de relações entre corrupção e participação política
e as suas consequências para a democracia, novas técnicas precisam
ser empregadas. Referimo-nos aos experimentos e às técnicas quali
tativas, ferramentas as quais ainda somos desprovidos, mas um
futuro manuseio possibilitará a ampliação dos horizontes dessa
agenda de pesquisa.
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Corrupção e participação política no Brasil: diagnósticos e consequências
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Apêndice A
Tabela A1 – Resultados de testes para predição de tolerância ao pagamento de propina
a partir de perfis sociais, de 2006 a 2012 (em probabilidade)
2006
CAPG
(1) NExp*NPart
(2) Exp*NPart
(3) NExp* Part
(4) Exp*Part
(1) NExp*NPart
(2) Exp*NPart
(3) NExp* Part
0. 082***
0.343***
0.088***
0.219**
CAPG
0.120***
0.257***
AC
0.089***
0.312***
0.090***
0.282***
0.071***
0.288***
0.112***
0.334***
2010
AC
2007
APE
AP
0.088***
0.259***
0.099***
0.389***
CAPG
0.121***
0.365***
AC
0.100***
APE
AP
0.116***
0.407***
0.115***
0.318**
0.159***
0.382***
0.422***
0.140***
0.398***
2012
APE
0.116***
0.106***
AP
0.119***
CAPG
0.064***
AC
0.087***
APE
0.064***
0.260***
0.108***
(4) Exp*Part
0.221**
0.111***
0.143***
0.203***
0.113***
0.203***
0.203***
0.086***
0.205**
0.143***
0.118***
0.258**
0.263**
0.052**
0.084
0.157**
0.087***
0.170***----
AP
0.069***
0.123***
0.099***
0.123***
Fonte: Dados do Barômetro das Américas, de autoria de Latin American Public Opinion Project (Lapop), disponível em: <www.
LapopSurveys.org>.
Elaboração própria.
Notas: * = p valor menor/igual a 0,10.
** = p valor menor ou igual a 0,05.
*** = p valor menor ou igual a 0,01.
Obs.: 1. CAPG = contato com atores políticos e governamentais; AC = ativismo comunitário; APE = ativismo partidário e eleitoral;
AP = ativismo de protesto.
2. NExp*NPart = não experiência com corrupção e não participação política; Exp*NPart = experiência com corrupção e não
participação política; NExp*Part = não experiência com corrupção e participação política; e Exp*Part = experiência com
corrupção e participação política.
Resumo
Corrupção e participação política no Brasil: diagnósticos e consequências
41
Investiga-se a relação entre corrupção e participação política no Brasil,
a partir de análises sobre padrões de associação pertinentes e sobre a
permissividade à corrupção de perfis sociais que combinam categorias
de experiência com corrupção e de ativismo político. São realizadas
discussões teóricas e análises empíricas, tendo como fonte exclusiva
de dados o Barômetro das Américas, rodadas de dados de 2007, 2008,
2010 e de 2012. Como principais resultados, verifica-se a natureza
multidimensional da participação política, segmentada em quatro
modalidades distintas. Também é destaque a inequívoca associação
positiva entre experiência com corrupção e engajamento político. Por
f
im, identifica-se uma maior permissividade à corrupção (tolerância ao
pagamento de propina) entre os indivíduos que possuem experiência
com corrupção, independentemente dessa característica estar ou não
acompanhada de ativismo político.
Palavras-chave: corrupção; participação política; permissividade à
corrupção; Brasil; Barômetro das Américas.
42
Robert Bonifácio e Ednaldo Ribeiro
Abstract
The relationship between corruption and political participation in Brazil is
investigated through analysis of patterns of association and permissiveness
to the corruption of social profiles that combine categories of experience
with corruption and political activism. Theoretical discussions and
empirical analyzes are conducted using the 2007, 2008, 2010 and 2012
rounds of the Americas Barometer as a data source. The main results are
the multidimensional nature of political participation, segmented into four
different modalities. The positive and unequivocal association between
experience with corruption and political engagement is also highlighted.
Finally, a greater permissiveness to corruption (tolerance for the payment
of bribes) is identified among individuals who have experience with
corruption, regardless of whether or not this characteristic is accompanied
by political activism.
Keywords: corruption; political participation; corruption permissiveness;
Brazil; Americas Barometer.
Recebido em 15 de setembro de 2015.
Aprovado em 16 de junho de 2016. O artigo dos autores Robert Bonifácio1 e Ednaldo Ribeir
Confira no Nexo Jornal .https://www.nexojornal.com.
.
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