segunda-feira, 27 de julho de 2026

Entre iguais .

    O bolsonarismo é um fenômeno político de extrema-direita e populista, centrado na figura do ex-presidente Jair Bolsonaro, e que se mantém relevante mesmo após o fim de seu mandato. É considerado por analistas uma versão brasileira de uma onda internacional reacionária. O movimento é caracterizado pela combinação de diversos elementos, como conservadorismo social, militarismo e o uso intenso das mídias digitais. 

Características principais

Valores conservadores: A plataforma bolsonarista se baseia em valores tradicionais, com ênfase na defesa da família, da religião e da ordem moral.

Militarismo e ordem: Promove a militarização da segurança pública e do comportamento social, valorizando a disciplina e a autoridade militar.

Populismo: O discurso bolsonarista é antiestablishment e se dirige diretamente aos eleitores, criando uma conexão forte com sua base de apoio. A retórica costuma explorar a polarização e a crítica a supostos inimigos, como a "velha política" e o "comunismo".

Uso de mídias digitais: O movimento utiliza intensivamente as redes sociais e aplicativos de mensagens, como o WhatsApp, para mobilizar apoiadores, disseminar notícias e informações (muitas vezes falsas ou distorcidas), e contornar a mídia tradicional.

Nacionalismo e "cidadão de bem": O bolsonarismo se apropria de símbolos nacionais e constrói uma narrativa identitária em torno do "cidadão de bem" para se contrapor a grupos sociais considerados "fora do padrão", como a esquerda, movimentos antirracistas e a população LGBTQIAPN+.

Americanização da política: O movimento reproduz práticas e performances de grupos de extrema-direita internacionais, como o trumpismo nos Estados Unidos, utilizando estratégias de comunicação e narrativas compartilhadas. 

Após o fim do mandato de Bolsonaro e sua inelegibilidade, o movimento continua a se manifestar no cenário político brasileiro, mas enfrenta desafios: 

Enfraquecimento: Analistas indicam que a "onda bolsonarista" tem se enfraquecido, especialmente após condenações de Bolsonaro na Justiça. Há questionamento  sobre a capacidade do ex-presidente de manter a liderança de seu campo político.

Divisões internas: Reportagens recentes sugerem rachas dentro do bolsonarismo, com a ala mais radical questionando a liderança de Bolsonaro e figuras como o governador Tarcísio de Freitas sendo vistas como potenciais substitutos para a direita em 2026.

Apoio duradouro: Apesar das dificuldades, o bolsonarismo ainda mantém uma base de apoiadores significativa, que continua a se mobilizar em torno de suas pautas.

Cenário eleitoral: Embora seja considerado enfraquecido, o bolsonarismo continua a ser um fator relevante nas próximas eleições, com candidatos da direita buscando associar-se ou distanciar-se da figura do ex-presidente.

BRASIL CONTEMPORÂNEO

 Artigo convidado | Editor responsável: Marco Antonio Teixeira

 DOI: https://doi.org/10.12660/cgpc.v28.89859

 O BRASIL DE BOLSONARO: UMA DEMOCRACIA SOB 

ESTRESSE

 Bolsonaro’s Brazil: A democracy under stress

 El Brasil de Bolsonaro: Una democracia bajo estrés

 Cláudio Gonçalves Couto1 | claudio.couto@fgv.br | ORCID: 0000-0003-0153-1877

 1Fundação Getulio Vargas, Escola de Administração de Empresas de São Paulo, São Paulo, SP, Brasil

 RESUMO

 O ressentimento social manifesto nas Jornadas de Junho de 2013, resultante de expectativas frustradas de setores 

sociais ascendentes (que viram estancado seu progresso) e de camadas superiores na estratificação social (que 

perderam sua distinção), ensejou afetos antipolíticos. Estes, por sua vez, alimentaram o antipartidarismo e o 

sentimento antissistema, propícios ao sucesso eleitoral de outsiders e políticos marginais. Nesse contexto, tornaram-se 

prefeitos vários outsiders nas eleições municipais de 2016, e Jair Bolsonaro conquistou a Presidência em 2018. Seu 

governo-movimento caracterizou-se pelo populismo extremista de fundo religioso, excludente e antipluralista, que 

mobilizou apoios a um governo anormal e, por isso, incompreensível pela análise institucionalista convencional: 

em vez de tomar o quadro institucional como dado, atuou solapando-o. Isso gerou estresse no sistema, pois o 

ataque reiterado a outros poderes (especialmente o Judiciário) teve como resposta o hiperativismo institucional, 

gerador de uma armadilha populista, que minou a legitimidade de instituições instadas a atuar defensivamente.

 Palavras-chave: extremismo, populismo, governo Bolsonaro, instituições políticas, democracia. 

ABSTRACT

 The social resentment expressed in the June 2013 Journeys, resulting 

from frustrated expectations of ascending social sectors (who saw their 

progress stalled) and of higher layers in the social stratification (who 

lost their distinction), gave rise to anti-political affections. These, in 

turn, have fueled anti-party and anti-system sentiment conducive to the 

electoral success of outsiders and marginal politicians. In this context, 

several outsiders became mayors in the 2016 municipal elections, and 

Jair Bolsonaro won the presidency in 2018. His movement-government 

was characterized by extremist populism with a religious, exclusionary, 

and anti-pluralist background. This populism mobilized support for 

an abnormal government, which defies conventional institutionalist 

analysis as it undermines the existing framework instead of accepting 

it as given. This approach led to institutional stress, as the repeated 

attack on other branches of power (especially the Judiciary) triggered 

hyperactivity within the institutions, generating a populist trap that 

undermined the legitimacy of institutions.

 Keywords: extremism, populism, Bolsonaro government, political 

institutions, democracy.

 1

 RESUMEN

 El resentimiento social manifestado en las protestas de junio de 

2013, resultado de las expectativas frustradas de los sectores sociales 

ascendentes (que vieron frenado su progreso) y de las capas superiores 

de la estratificación social (que perdieron su distinción), dio lugar a 

afectos antipolíticos. Estos, a su vez, alimentaron el antipartidismo y 

el sentimiento antisistema, propicios al éxito electoral de outsiders y 

políticos marginales. En este contexto, varios outsiders se convirtieron 

en alcaldes en las elecciones municipales de 2016 y Jair Bolsonaro 

ganó la presidencia en 2018. Su movimiento de gobierno se caracterizó 

por un populismo extremista con trasfondo religioso, excluyente y 

antipluralista, que movilizó el apoyo a un gobierno anómalo y, por 

tanto, incomprensible para el análisis institucionalista convencional: 

en lugar de tomar el marco institucional como dado, actuó socavándolo. 

Esto generó tensión institucional, ya que el ataque reiterado a otros 

poderes (especialmente el Judicial) se encontró con un hiperactivismo 

institucional, que generó una trampa populista que minó la legitimidad 

de las instituciones exigidas a actuar defensivamente.

 Palabras clave: extremismo, populismo, gobierno Bolsonaro, 

instituciones políticas, democracia.

 FGV EAESP | CGPC | VoL. 28 | 2023 | e89859 | ISSN 2236-5710

CGPC | O Brasil de Bolsonaro: uma democracia sob estresse

 Cláudio Gonçalves Couto

 INTRODUÇÃO

 Finalizo este ensaio no último dia de junho de 2023, momento em que o ex-presidente Jair 

Bolsonaro se tornou inelegível por oito anos, por decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) 

em Ação de Investigação Judicial e Eleitoral (AIJE) movida pelo Partido Democrático Traba

lhista (PDT). As razões para a cassação de seus direitos políticos foram desvio de finalidade e 

abuso de poder político, tipificados numa reunião do então presidente com embaixadores e 

outros representantes diplomáticos estrangeiros na residência oficial da Presidência, o Palácio 

da Alvorada. Na ocasião, Bolsonaro atacou o sistema de justiça, em particular a justiça eleito

ral, e – com base em informações sabidamente falsas – levantou suspeitas infundadas sobre o 

processo eletrônico de votação no Brasil, com vistas a deslegitimá-lo e, assim, criar pretextos 

para eventualmente contestar seus resultados.

 Não se tratou de um episódio isolado ou raro; antes disso, foi apenas mais um numa série 

de eventos em que Jair Bolsonaro investiu contra as instituições do Estado Democrático de 

Direito durante seu mandato presidencial. Seu governo nunca foi o de um típico chefe de 

governo do presidencialismo de coalizão brasileiro desde o início da redemocratização em 

1985. Até 2018, houve governos melhores ou piores, mais bem-sucedidos ou fracassados, de 

presidentes populares ou impopulares, chefiados por políticos habilidosos ou desastrados; 

o que ainda não existira é um governo marcado pelo signo da anormalidade, transformada 

em regra. Em se tratando do governo Bolsonaro, sequer é o caso de se falar em crise, já que 

esta supõe descaminho em relação a uma rota; neste caso o descaminho foi estatuído como 

a própria rota.

 Neste ensaio, dividido em quatro seções, além desta introdução, traçarei um apanhado do 

significado dos quatro anos do mandato de Jair Bolsonaro à frente do País. Na primeira seção, 

apontarei os precedentes que tornaram possível à extrema-direita chegar à Presidência da Repú

blica. Na segunda, tratarei do perfil da liderança e dos fundamentos ideológicos do movimento 

político que impulsionou a vitória eleitoral e definiu o modus operandi do governo. Na terceira, 

procurarei definir que governo foi esse, lançando mão do que concebi como um “governo-mo

vimento” (Couto, 2021a). Na quarta, seção de conclusão, apontarei as consequências de um 

governo como esse para a institucionalidade democrática, no que concerne tanto à sua opera

ção como à sua capacidade de resistir às investidas que procuram destruí-la.

 OS PRECEDENTES: O RESSENTIMENTO E OS ABALOS DE 2013

 Entre 2001 e 2014, o Brasil experimentou uma acentuada queda da desigualdade econômica, 

que se fez acompanhar também de um forte declínio da pobreza. As Figuras 1 e 2 ilustram esses 

dados com clareza. Nota-se que a redução mais acentuada de ambas se deu a partir dos anos 

de 2002 e 2003, quando se deram a eleição e o início do primeiro governo Lula. Essas mudan

ças produziram uma transformação estrutural das mais significativas na sociedade brasileira. 

Um grande contingente de pessoas até então excluídas do acesso a itens básicos de consumo e 

2

 FGV EAESP | Cadernos Gestão Pública e Cidadania | VoL. 28 | 2023 | e89859 | ISSN 2236-5710

CGPC | O Brasil de Bolsonaro: uma democracia sob estresse

 Cláudio Gonçalves Couto

 lazer passou a tê-lo, adentrando assim um âmbito social antes restrito a parcelas amplamente 

minoritárias da população. Nos termos de Arretche (2018), incluíam-se os outsiders da socie

dade brasileira.

 Tal inclusão não se deu sem que houvesse reações. Foi negativa a percepção de parce

las significativas dos setores mais bem aquinhoados da população brasileira, que não só viram 

tornar-se mais custosos certos bens e serviços que os distinguiam dos demais (como o serviço 

das empregadas domésticas), como ainda puderam perceber que seus espaços antes exclusivos 

passavam a ser ocupados também por segmentos antes ausentes – o que alguns chamaram de 

“efeito aeroporto”, com o acesso dos mais pobres às viagens aéreas, antes restritas às parcelas 

mais ricas da população (Pinto, 2014). Isso se refletiu na percepção negativa de contingentes 

significativos acerca dos governos petistas e seu partido (Aquino, 2020; Couto, 2013).

 Figura 1. Desigualdade de renda no Brasil

 Fonte: IPEADATA/IBGE.

 Tal mudança produziu uma perda de distinção social que abriu caminho para o avanço 

de um discurso populista voltado não exatamente aos eternos perdedores, mas aos novos, àque

les que viram fragilizar-se sua condição historicamente privilegiada e diferenciadora, definidora 

secular material e simbólica das bases desiguais da sociedade brasileira.

 Nos países ricos, o discurso populista da extrema-direita atingiu os perdedores de uma eco

nomia industrial cuja base de emprego se transformava, destruindo postos de trabalho antes 

seguros (como no rust belt americano, que, em vez de dar a vitória ao Partido Democrata, como 

de costume, ajudou a eleger Donald Trump em 2016); já no Brasil, foram os segmentos mais 

afluentes aqueles a se ressentir de sua perda, menos por terem decaído e mais porque os de 

3

 FGV EAESP | Cadernos Gestão Pública e Cidadania | VoL. 28 | 2023 | e89859 | ISSN 2236-5710

CGPC | O Brasil de Bolsonaro: uma democracia sob estresse

 Cláudio Gonçalves Couto

 baixo, ascendendo, deles se aproximaram. Assim, criou-se campo fértil para um curioso popu

lismo, vigoroso entre os de cima. Só que não apenas para eles.

 Entre os setores emergentes e a população de mais baixa renda, principais beneficiários 

da redistribuição de riqueza e das políticas sociais, ainda permaneciam questões não resolvidas. 

A primeira se dava fora das questões meramente econômicas, nas pautas moral e de costumes. 

Os governos petistas eram associados não apenas às políticas econômicas e sociais, mas também 

a uma pauta de costumes em dissonância com as perspectivas mais conservadoras de grande 

parte dos brasileiros das classes mais baixas, em especial aqueles de fé evangélica, particular

mente refratários à agenda identitária de esquerda e de direitos de gênero. Produzia-se entre 

esses brasileiros um terreno fértil para a disseminação de um ideário não apenas conservador, 

mas reacionário (Gracino et al., 2021).

 Figura 2. Pobreza no Brasil

 Taxa de Pobreza (1985-2014)

 Fonte: IPEADATA/IBGE.

 Ainda no âmbito moral, o antipetismo foi alimentado por anos a fio em decorrência de 

seguidos escândalos de corrupção que afetaram os governos do partido. Ainda durante os anos 

de Lula, o chamado “mensalão”. Depois de findos seus dois mandatos, já com sua sucessora, 

Dilma Rousseff, o chamado “petrolão”, deflagrado com as revelações e o estardalhaço midiá

tico da Operação Lava Jato. Assim, se, para os mais afeitos ao conservadorismo religioso, o PT 

passou a ser associado à devassidão dos comportamentos da vida privada, aos mais chegados ao 

4

 FGV EAESP | Cadernos Gestão Pública e Cidadania | VoL. 28 | 2023 | e89859 | ISSN 2236-5710

CGPC | O Brasil de Bolsonaro: uma democracia sob estresse

 Cláudio Gonçalves Couto

 conservadorismo social, a pecha da corrupção petista operou como um pretexto bem mais con

veniente do que a crítica às políticas de redução das desigualdades de classe. Não era mais o 

caso de atacar o Bolsa Família, o alto custo das empregadas domésticas ou a presença de “gente 

diferenciada” em shoppings de luxo, hotéis e aeroportos (Psicóloga nega ter dito que Metrô 

atrai “mendigos, gente diferenciada”, 2011). Bastava apontar o dedo para a corrupção petista 

(supostamente a maior de todas) e, com isso, rechaçar o partido e seus governos de consciên

cia limpa. Afinal, quem não seria contra a corrupção?

 Ademais, a perda de dinamismo da economia durante os anos de Dilma Rousseff também 

foi um fator crucial para a debacle petista, aguçando a insatisfação popular e motivando a ida 

massiva às ruas a partir de junho de 2013. Comandados por jovens de esquerda do Movimento 

Passe Livre (MPL), protestos contra o custo dos transportes rapidamente deram espaço a mani

festações multitudinárias sem foco definido, em que se protestava basicamente contra tudo, 

da corrupção à qualidade dos serviços públicos e à realização da Copa do Mundo no Brasil, 

bem como contra o sistema político estabelecido – com especial atenção aos partidos políticos. 

Repetiam-se situações em que, diante da aparição de militantes partidários nas marchas, por

tando suas bandeiras e emblemas, populares bradavam: “Sem partido!” e “Abaixa a bandeira!” 

(Pacheco, 2022).

 Notável naquele movimento foi a presença de grandes faixas amarelas em que se pro

clamava: “Meu partido é meu país” (Machado, 2023). Em pouco tempo, elas deram lugar a 

camisetas, igualmente amarelas, com a consigna levemente alterada: “Meu partido é o Brasil”. 

Essa indumentária celebrizou-se ao ser envergada em aparições públicas por Jair Bolsonaro 

e seus filhos. O rechaço aos partidos políticos, seja por brados, seja por letreiros, deslindava o 

animus daquelas jornadas: contra o sistema político e suas instituições, como se uma nação 

mobilizada espontaneamente se bastasse a si mesma e fosse mais autêntica, dispensando estru

turas organizacionais hierárquicas e oligarquizadas como soem ser as representativas, partidárias 

e sindicais. Esse paradoxal ativismo político antipolítico (Avritzer, 2020) de negação da política 

profissional e seu principal instrumento (os partidos), bem como das mediações institucionais 

da democracia liberal, abria espaço para o avanço do populismo. Associado ao antipetismo e 

marcado pelo conservadorismo (senão reacionarismo), esse ativismo oferecia terreno fértil para 

o populismo de extrema-direita.

 Uma primeira amostra desse espírito do tempo deu-se nas eleições municipais de 2016, 

mesmo ano do impeachment de Dilma Rousseff e da eleição, nos EUA, de Donald Trump. 

Além da retumbante derrota do PT e da esquerda como um todo (à exceção do PC do B, 

com bom desempenho no Maranhão do então governador Flávio Dino), surgiram outsiders 

que se apresentavam como não políticos. Na cidade de São Paulo, o empresário promoter de 

eventos João Dória Junior elegeu-se já no primeiro turno sob o lema “não sou político, sou 

gestor” (Dória, 2016). Em Belo Horizonte, o também empresário e dirigente de futebol Ale

xandre Kalil usou slogan de sentido similar: “Chega de político, é hora de Kalil” (Mendonça, 

2016). Se reais outsiders tinham campo para avançar eleitoralmente num ambiente hostil 

aos políticos tradicionais do establishment, por que não pretensos outsiders que fossem ainda 

5

 FGV EAESP | Cadernos Gestão Pública e Cidadania | VoL. 28 | 2023 | e89859 | ISSN 2236-5710

CGPC | O Brasil de Bolsonaro: uma democracia sob estresse

 Cláudio Gonçalves Couto

 mais capazes de encampar um discurso antissistema? Ia-se desenhando um cenário bastante 

favorável às pretensões eleitorais do antes improvável candidato presidencial Jair Bolsonaro.

 A LIDERANÇA ANTISSISTEMA E O POPULISMO RELIGIOSO DE JAIR 

BOLSONARO

 A categoria de outsider é inadequada para definir o tipo de político que era o então deputado 

Jair Bolsonaro. Afinal, tratava-se de um longevo parlamentar de oito mandatos consecutivos (um, 

parcial, como vereador e sete como deputado) e com todos os seus três filhos adultos também 

seguindo a carreira política como parlamentares nos níveis municipal, estadual e federal, confi

gurando um bem-sucedido empreendimento político familiar. O mais jovem dos três, Eduardo, 

para evitar concorrer com o pai em seu reduto, o Rio de Janeiro, mudou o domicílio eleitoral 

para São Paulo, elegendo-se deputado federal em 2014. O mais velho, Flávio, estava já em seu 

quarto mandato seguido como deputado estadual no Rio de Janeiro e concorreria ao senado 

em 2018, após ter sido derrotado como candidato a prefeito do Rio em 2016. E o filho do meio, 

Carlos, já era vereador no Rio de Janeiro por cinco mandatos consecutivos.

 Porém, se outsider não define adequadamente Bolsonaro, ele pode ser mais bem des

crito como um político marginal. Ao longo de seus sete mandatos na Câmara dos Deputados, 

jamais teve posição institucional de destaque, notabilizando-se antes por seu comportamento 

extravagante, suas declarações ultrajantes e sua presença constante na mídia, em especial a 

de entretenimento, que o tratava como uma atração de circo de horrores. Sua marginalidade 

institucional fica clara quando se considera que, durante esse extenso período de atividade 

parlamentar, Bolsonaro jamais teve um lugar na mesa diretora da Casa, nunca presidiu uma 

comissão permanente, nenhuma vez liderou a bancada de seu partido nem relatou projetos 

de lei importantes. Embora sempre integrando partidos de adesão, nunca atuou disciplinada

mente como um apoiador dos governos integrados por seus partidos; antes, operava como uma 

espécie de maverick, seguindo sua própria agenda, voltada à defesa dos interesses corporativos 

de policiais e militares e a bradar bazófias extremistas de direita.

 Uma coisa não se pode negar, contudo. Jair Bolsonaro de fato era (e é) um político antis

sistema. Entenda-se com isso sua explícita aversão ao próprio regime democrático e ao Estado 

de Direito, verbalizada inúmeras vezes na apologia à ditadura militar, ao golpismo, à tortura, 

à violência policial, à eliminação física de adversários, à intolerância, ao antipluralismo e ao 

desrespeito às leis. Foi esse seu destemor em afrontar a civilidade democrática (ou seja, o “sis

tema”) que levou seus seguidores mais apaixonados a o alcunharem como “mito”.

 Num cenário de rechaço amplamente disseminado à atividade política profissional, aos 

partidos, às instituições representativas e à esquerda, o discurso ultrarradical contra todos esses 

“inimigos” tinha potencial para prosperar eleitoralmente – como de fato ocorreu. Isso, a despeito 

de Bolsonaro ser ele mesmo um político profissional de longa trajetória parlamentar e líder 

do vasto empreendimento político familiar acima referido. Suas marginalidade institucional e 

extremismo ideológico lhe conferiram a aparência de outsider, mesmo sem propriamente o ser. 

6

 FGV EAESP | Cadernos Gestão Pública e Cidadania | VoL. 28 | 2023 | e89859 | ISSN 2236-5710

CGPC | O Brasil de Bolsonaro: uma democracia sob estresse

 Cláudio Gonçalves Couto

 Durante sua campanha, e já no governo, ganhou corpo um discurso populista de forte 

coloração religiosa. Os dois principais bordões de campanha, repetidos à exaustão, continham 

elementos religiosos. Um dizia: “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”; o outro era uma 

passagem bíblica: “E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”, retirada do Evangelho 

de São João (8:32). Além de acenar ao eleitorado mais fortemente devoto, especialmente o 

evangélico, que optou massivamente por Bolsonaro nas urnas, associava-se também a naciona

lidade à religiosidade. Tal associação é um elemento forte do discurso bolsonarista.

 O populismo bolsonarista traz uma concepção excludente de povo. Coloca fora dele os não 

cristãos, sejam os declaradamente desprovidos da fé, sejam aqueles passíveis de serem enqua

drados nesse papel por seu comportamento ou suas ideias. Na medida em que o Brasil seria 

um “país cristão” e, portanto, os valores cristãos deveriam prevalecer sobre os demais (segundo 

a percepção restritiva de cristianismo adotada pelo bolsonarismo, a mais conservadora, senão 

reacionária), os que não se enquadrarem nisso deveriam ser excluídos da condição de povo e 

se submeter ao jugo da maioria. Ou seja, no discurso bolsonarista, a inclusão na nação exige o 

pertencimento a uma fé religiosa.

 Há, portanto, uma noção de povo excludente e de base essencialmente religiosa. Se 

noutros contextos, como na Europa e nos EUA, o populismo exclui um grupo religioso 

em particular (os muçulmanos), no Brasil de Bolsonaro a exclusão é mais genérica: os não 

cristãos segundo os critérios adotados pelo próprio bolsonarismo. Até por isso, há uma pos

sibilidade de conversão e, consequentemente, de inclusão na condição de povo: os que 

“aceitarem Jesus” e se comportarem segundo os princípios de tal aceitação: conservadores, 

intolerantes, crentes.

 Essa perspectiva ficou clara em diversas declarações dadas por Jair Bolsonaro, tanto durante 

a campanha eleitoral como já na vigência de seu governo. Num ato de campanha na Paraíba, 

em fevereiro de 2017, disse ele: “Deus acima de tudo. Não tem essa historinha de Estado laico 

não. O Estado é cristão e a minoria que for contra que se mude. As minorias têm que se curvar 

para as maiorias” (Agence France-Presse, 2018). Já no cargo de presidente, Bolsonaro diferen

ciou o Estado do governo, atenuando o discurso, mas manteve a profissão de fé: “O Estado é 

laico. Respeitamos a todos. Mas nosso governo é CRISTÃO” (“O Estado é laico, mas nosso 

governo é cristão”, diz Bolsonaro no Twitter, 2020). Porém, na campanha presidencial de 2022, 

o presidente-candidato voltou ao discurso radical de sujeição dos dissidentes: “Meu Deus do 

céu. Para onde nós iremos cedendo às minorias? As leis existem, no meu entender, para prote

ger as maiorias. As minorias têm que se adequar” (Behnke, 2022). 

Esse povo excludente do discurso populista bolsonarista não é uma peculiaridade sua. Ele 

está presente nos discursos populistas mundo afora. Mesmo nos casos europeus e americano, 

em que se estigmatizam os muçulmanos, afirma-se que a identidade cristã (europeia, ameri

cana) estaria sob ameaça islâmica. Nesses casos o muçulmano é também associado ao imigrante, 

cujo afluxo massivo ameaçaria desfigurar a própria cultura local.

 No caso brasileiro, a imigração não tem peso relevante, e o “inimigo” é interno, com

pondo-se dos não cristãos que integram a população (mas não o povo) e as elites corrompidas 

(embora o bolsonarismo jamais as defina exatamente como “elites”). Esses inimigos podem 

7

 FGV EAESP | Cadernos Gestão Pública e Cidadania | VoL. 28 | 2023 | e89859 | ISSN 2236-5710

CGPC | O Brasil de Bolsonaro: uma democracia sob estresse

 Cláudio Gonçalves Couto

 ser artistas, intelectuais, comunistas ou homossexuais, enfim, todo tipo de desajustados que 

cotidianamente desrespeitariam os valores majoritários e, assim, deveriam ser eliminados ou 

subjugados. Não há pluralismo num povo assim concebido. Nas palavras de Bolsonaro: “As 

minorias se adequam ou simplesmente desaparecem” (Abrucio et al., 2020).

 Que governo foi esse?

 O governo Bolsonaro não foi um governo normal. Por isso, para entendê-lo, não é possível uti

lizar os mesmos parâmetros usados para analisar governos em tempos normais da política. Nas 

conjunturas fluídas das transições de regime, a estrutura institucional ainda não está bem esta

belecida e, consequentemente, a análise institucional é precária (Couto, 1998). Algo similar 

ocorre nas crises políticas profundas, quando a estrutura política se fluidifica (Dobry, 2015). 

Quando há um governo extremista, que atua reiteradamente para erodir as instituições e, com 

elas, a própria democracia, a estrutura constitucional é continuamente desafiada e abalada. 

Perdem efetividade analítica os critérios normalmente usados para entender como as institui

ções operam e como as políticas públicas são formuladas, implementadas e avaliadas (inclusive 

pelo eleitorado), pois o governo não atua em conformidade com os parâmetros institucionais 

dados, mas busca subvertê-los.

 O ataque constante à institucionalidade democrática pelo Executivo obriga os demais 

atores institucionais a agir de maneira defensiva e com maior intensidade do que em tempos 

normais. Noutras palavras, no contexto de um governo extremista, as instituições operam sob 

estresse, sendo desafiadas no seu limite e obrigando seus dirigentes a assumir condutas mais 

radicais do que as que seriam adotadas sob condições usuais de operação. O abuso sistemático 

por parte do Executivo faz com que condutas que seriam prontamente percebidas como abusi

vas por parte dos outros poderes se tornem não apenas normais, mas talvez indispensáveis. Por 

isso, todo o sistema político democrático passa a funcionar de modo excepcional – seja por ini

ciativa de seus agressores, seja de seus defensores.

 É por isso que tanto se questiona se as instituições estão ou não funcionando na vigência 

de um governo com tais características. Trata-se de um problema mal posto: não é tanto o caso 

de as instituições estarem ou não funcionando, mas sob que condições tal funcionamento se 

dá. Tal qual um organismo vivo acometido por uma doença, que passa a operar sob estresse e 

produz reações orgânicas diferentes das usuais, a estrutura institucional também passa a fun

cionar fora do compasso regular, com alguns órgãos precisando compensar a insuficiência ou 

a disfuncionalidade de outros. Ao se observar a interação do Executivo bolsonarista com os 

demais poderes (em especial o Poder Judiciário) e com os governos subnacionais (Abrucio et 

al., 2020), tem-se uma demonstração de como tal fenômeno se dá.

 As reiteradas transgressões dos limites constitucionais, a tentativa de invadir competências 

alheias, a abdicação do papel coordenador da presidência em sua relação com o Congresso, as 

omissões repetidas quanto a atribuições governamentais, o assédio institucional e o desmantela

mento da burocracia pública (Cardoso et al., 2022) vão tornando caóticas as relações políticas. 

Tais violações fazem com que o sistema de justiça seja chamado a agir numa frequência e 

8

 FGV EAESP | Cadernos Gestão Pública e Cidadania | VoL. 28 | 2023 | e89859 | ISSN 2236-5710

CGPC | O Brasil de Bolsonaro: uma democracia sob estresse

 Cláudio Gonçalves Couto

 numa intensidade extraordinárias. Caso não o fizesse, permitiria que se dessem as condições 

para uma concentração de poder excessiva nas mãos do Executivo, que por si mesma já seria 

uma nova disfunção, bastante danosa ao funcionamento da democracia, senão capaz de a des

truir definitivamente. Porém, ao atuar como essa força de contenção, os atores judiciais caem 

numa armadilha circular: precisam agir mais porque mais provocados; ao agir mais, são acu

sados de invadir competências alheias; isso os leva a terem de se defender, o que suscita novas 

acusações de excessos judiciais e de parcialidade, numa espiral de radicalização.

 O governo-movimento

 Esse modus operandi do bolsonarismo no governo ocorre porque não se trata de um governo 

especialmente ocupado com a produção de políticas públicas – noutra faceta, talvez a princi

pal, de sua anormalidade. Em vez disso, o governo se ocupa de mobilizar constantemente a sua 

base militante e ativar seus apoiadores, instrumentalmente fundamentais em sua estratégia de 

ataque continuado aos outros poderes. A esse fenômeno me refiro como governo-movimento 

(Couto, 2021b).

 A característica de governo-movimento da gestão de Bolsonaro está relacionada exata

mente ao aspecto não mediado nem institucionalizado do populismo, nos termos postos pela 

perspectiva político-estratégica de populismo (Weyland, 2017, 2021a, 2021b). Em vez de atuar 

por intermédio das instituições e adaptando-se a elas, o governo populista procura sobrepor-se 

às instituições, minando-as e submetendo-as a suas próprias conveniências.

 Por isso mesmo, o bolsonarismo não só prescinde de partidos, mas opera mais efetiva

mente sem as limitações institucionais que a dinâmica partidária impõe. O movimentismo 

bolsonarista serve como lógica operativa não só da atuação no Executivo, mas também no 

Legislativo. Em sua trajetória de político marginal, Bolsonaro operou embrionariamente 

como esse líder de movimento, embora sua marginalidade e seu individualismo, durante 

três décadas, não lhe tenham possibilitado atuar como líder de qualquer movimento efe

tivo. Isso só se tornou possível a partir da crise institucional deflagrada nas jornadas de 

junho de 2013, quando começa a colapsar a base sobre a qual se assentou a democracia 

da Nova República.

 O ápice desse governo-movimento deu-se já após terminado o mandato presidencial, o que 

não é inesperado em se tratando de um governo com tais características. Na Intentona do 8 de 

Janeiro, militantes bolsonaristas, instados pelos reiterados ataques de seu líder à institucionali

dade democrática, investiram furiosamente contra as sedes dos três poderes em Brasília, após 

dois meses acampados à frente de quartéis, clamando por um golpe militar. Esse golpe não se 

daria apenas contra o vitorioso nas urnas, Lula, mas contra toda a estrutura institucional – em 

especial o Poder Judiciário. Não à toa, além da intenção de derrubar o candidato presidencial 

vitorioso e já empossado, o bolsonarismo também exigia que as Forças Armadas interviessem 

no Supremo Tribunal Federal (STF) e no TSE, removendo os magistrados percebidos como 

antagonistas do líder.

 9

 FGV EAESP | Cadernos Gestão Pública e Cidadania | VoL. 28 | 2023 | e89859 | ISSN 2236-5710

CGPC | O Brasil de Bolsonaro: uma democracia sob estresse

 Cláudio Gonçalves Couto

 EXTREMISMO NO GOVERNO: INSTITUIÇÕES DEMOCRÁTICAS SOB 

ESTRESSE

 A análise usual da operação de instituições políticas poliárquicas tende a assumir como dado 

que os atores políticos relevantes atuem sem ter como objetivo o solapamento das próprias insti

tuições. Ou seja, as disputas dão-se dentro dos marcos constitucionais definidos, respeitando-se 

direitos fundamentais dos diversos atores e respeitando – minimamente que seja – as regras do 

jogo competitivo. Mesmo comportamentos contrários à legalidade (como a corrupção) não têm 

como objetivo suprimir a institucionalidade democrática, respeitando os limites da preserva

ção do regime. Noutros termos, nas poliarquias é de se esperar, por parte dos atores-chave, uma 

autocontenção que permita a preservação do jogo competitivo democrático.

 Uma situação limítrofe de atuação dentro dessa lógica de preservação da poliarquia é o 

“jogo duro constitucional” (constitutional hard-ball) ou, nos termos de Glezer (2020), “catimba 

constitucional” (Balkin, 2008; Tushnet, 2004). Nela, atores políticos, mais do que simplesmente 

transgredir as regras – seja literalmente, seja no espírito da lei –, atuam de modo a violar direitos 

políticos e civis de adversários, mas ainda sem ter como objetivo o solapamento da democra

cia em seu conjunto. Isto é, a violação das normas do Estado Democrático de Direito dá-se de 

maneira localizada e não sistêmica.

 Tal limite é ultrapassado, contudo, por quem busca deliberadamente uma ruptura do 

regime, seja estabelecendo uma autocracia plena, seja instituindo o que se tem denominado 

“democracias iliberais”. É esse o caso de populistas extremistas como Jair Bolsonaro.

 Como outros líderes nacionais de perfil similar no período recente, Bolsonaro não atuou 

declaradamente para romper a estrutura institucional democrática, o que poderia fazer por 

meio de um autogolpe ou da decretação de um Estado de Sítio ou de Emergência que esca

lasse mais rapidamente rumo à implantação de uma autocracia plena ou um regime iliberal. 

Em vez disso, agiu de modo a estressar continuamente a estrutura de freios e contrapesos, des

gastando outros atores institucionais, convertendo-os em inimigos políticos e produzindo um 

processo continuado de deslegitimação. Assim, tornou cada vez mais alto o custo de lhe impor 

freios e impedir ações suas voltadas ao desrespeito da institucionalidade democrática – mesmo 

quando perpetradas em nome de uma suposta defesa da ordem constitucional, ou, na peculiar 

linguagem política bolsonaresca, dentro das “quatro linhas da Constituição”.

 Entre 2019 e 2022, o estressamento da institucionalidade do Estado de Direito a fragilizou 

e gerou riscos sérios de desdemocratização no Brasil. A ruptura da democracia propriamente 

dita não ocorreu porque houve muita resistência institucional e social às investidas do então 

presidente, em especial por parte do Poder Judiciário, de governos subnacionais, de setores da 

imprensa e de organizações da sociedade civil.

 A Intentona do 8 de Janeiro foi apenas o ponto culminante e mais dramático desse pro

cesso de ataque à democracia, um ato desesperado de tentar obter numa última tentativa 

aquilo que não se logrou conquistar nos quatro anos anteriores. O fracasso dessa tentativa de 

golpe foi também resultado dessa continuada resistência, apesar do que as evidências pare

cem revelar como tentativas de sabotagem promovidas pelas próprias forças de segurança. 

10

 FGV EAESP | Cadernos Gestão Pública e Cidadania | VoL. 28 | 2023 | e89859 | ISSN 2236-5710

CGPC | O Brasil de Bolsonaro: uma democracia sob estresse

 Cláudio Gonçalves Couto

 E, assim como o golpismo bolsonarista se estendeu para além do final de seu mandato pre

sidencial, as medidas de resistência a ele também precisarão seguir ativas. A declaração da 

inelegibilidade de Jair Bolsonaro em 30 de junho foi apenas mais um passo nesse processo. 

Não poderá ser o último.

 REFERÊNCIAS

 Abrucio, F. L., Grin, E. J., Franzese, C., Segatto, C. I., & Couto, C. G. (2020). Combate à 

COVID-19 sob o federalismo bolsonarista: Um caso de descoordenação intergovernamental. 

Revista 

de 

Administração Pública, 54(4), 663-677. https://doi.org/10.1590/0034

761220200354

 Agence France-Presse. (2018, setembro 24). Frases de Bolsonaro, o candidato que despreza 

as 

minorias. IstoÉ. https://istoe.com.br/frases-de-bolsonaro-o-candidato-que-despreza-as

minorias/

 Aquino, J. A. (2020). Conservadorismo e ressentimento: Duas fontes do antipetismo. 

In E. Silva, F. Frota, & M. A. Silva (Orgs.), Atores políticos e dinâmicas eleitorais 

(pp. 232-274). EdMeta. https://www.researchgate.net/profile/Jakson-Aquino/

 publication/340686902_Conservadorismo_e_ressentimento_duas_fontes_do_antipetismo/

 links/5e998ad6299bf13079a207e2/Conservadorismo-e-ressentimento-duas-fontes-do

antipetismo.pdf

 Arretche, M. (2018). Democracia e redução da desigualdade econômica no Brasil: A 

inclusão dos outsiders. Revista Brasileira de Ciências Sociais, 33(96), e339613. https://doi.

 org/10.17666/339613/2018

 Avritzer, L. (2020). Política e antipolítica: A crise do governo Bolsonaro. São Paulo: Todavia, 

2020. https://books.google.com/books?hl=pt-BR&lr=&id=6onrDwAAQBAJ&oi=fnd&pg

 =PT2&dq=avritzer+antipol%C3%ADtica&ots=5-CmBFynTL&sig=Sfn_5PT_kZcUL-r

glkqxbl7c34

 Balkin, J. M. (2008). Constitutional hardball and constitutional crises. QLR, 26(3), 579

598. https://heinonline.org/hol-cgi-bin/get_pdf.cgi?handle=hein.journals/qlr26&section= 

23&casa_token=ULT7PZtqPpIAAAAA:BibD749_UwTnN4UnrcqcIHrSESc5Qes2xjlskPT

 lwiq3slnF0G3S6ZK-wQRTh6v6g35hcSct

 Behnke, E. (2022, julho 15). Bolsonaro diz que minorias precisam se adequar às leis. Poder360. 

https://www.poder360.com.br/governo/bolsonaro-diz-que-minorias-precisam-se-adequar-as

leis/

 Cardoso, J. C., Jr., Silva, F. A. B. da, Aguiar, M. F. de, & Sandim, T. L. (2022). Assédio 

institucional no Brasil: Avanço do autoritarismo e desconstrução do Estado. In J. C. Cardoso 

Jr., F. A. B. da Silva, M. F. de Aguiar, & T. L. Sandim (Orgs.), Assédio institucional no Brasil: 

avanço do autoritarismo e descontrução do Estado.Brasilia: Afipea; UFEPB.

 11

 FGV EAESP | Cadernos Gestão Pública e Cidadania | VoL. 28 | 2023 | e89859 | ISSN 2236-5710

CGPC | O Brasil de Bolsonaro: uma democracia sob estresse

 Cláudio Gonçalves Couto

 Couto, C. (1998). A longa constituinte: Reforma do Estado e fluidez institucional no Brasil. 

Dados, 41(1), 1-11. https://doi.org/10.1590/S0011-52581998000100002

 Couto, C. (2013). Classes emergentes e oligarquização política. In L. C. Bresser-Pereira 

(Org.), O que esperar do Brasil? (pp. 99-114). Editora FGV. https://www.researchgate.net/

 publication/279531509_Classes_emergentes_e_oligarquizacao_politica

 Couto, C. G. (2021a). Do governo-movimento ao pacto militar-fisiológico. In L. Avritzer, M. 

Marona, & F. Kerche (Orgs.), Governo Bolsonaro: Retrocesso democrático e degradação 

politica (pp. 35-49). Autêntica. https://www.researchgate.net/publication/351366171_Do_

 governo-movimento_ao_pacto_militar-fisiologico

 Couto, C. G. (2021b). Do governo-movimento ao pacto militar-fisiológico. In L. Avritzer, F. 

Kerche, & M. Marona (Orgs.), Governo Bolsonaro: Retrocesso democrático e degradação 

política (pp. 35-50). Autêntica.

 Dobry, M. (2015). Sociologia das crises políticas: A dinâmica das mobilizações multissetoriais. 

Amazon.com.br; 

Editora 

Unesp. 

https://www.amazon.com.br/Sociologia-crises

pol%C3%ADticas-Michel-Dobry/dp/8539305534

 Dória, J., Jr. (2016, setembro 18). “Não sou político, sou gestor” Facebook. https://web.facebook.

 com/jdoriajr/photos/a.170842459639240/1189015977821878/?type=3&locale=pt_BR&_

 rdc=1&_rdr

 Glezer, R. (2020). Catimba constitucional: O STF, do antijogo à crise constitucional. Amazon.

 com.br; Arraes Editores. https://www.amazon.com.br/Catimba-Constitucional-STF

Antijogo-Crise/dp/6586138582

 Gracino, P., Junior, Goulart, M., & Frias, P. (2021). “Os humilhados serão exaltados”: 

Ressentimento e adesão evangélica ao bolsonarismo. Cadernos Metrópole, 23(51), 547-580. 

https://doi.org/10.1590/2236-9996.2021-5105

 Machado, U. (2023, junho 3). Junho de 2013: Antipolítica marca ciclo que vai até 8/1. Folha 

de S. Paulo. Poder. https://www1.folha.uol.com.br/poder/2023/06/antipolitica-marca-ciclo

que-liga-junho-de-2013-a-acao-golpista-de-8-de-janeiro.shtml

 Mendonça, H. (2016, outubro 31). Eleições 2016: Vitória de Kalil em Belo Horizonte joga areia 

nos planos de Aécio para 2018. El País Brasil. https://brasil.elpais.com/brasil/2016/10/30/

 politica/1477859629_540297.html

 “O Estado é laico, mas nosso governo é cristão”, diz Bolsonaro no Twitter. (2020, setembro 

16).  Diário de Pernambuco.  Política. https://www.diariodepernambuco.com.br/noticia/

 politica/2020/09/o-estado-e-laico-mas-nosso-governo-e-cristao-diz-bolsonaro-no-twit.html

 Pacheco, C. (2022, setembro 26). Vídeo mostra manifestação contra o PT em 2013 na Avenida 

Paulista, não em 2022 em Salvador. Estadão.com.br. https://www.estadao.com.br/estadao

verifica/salvador-botando-pra-quebrar/

 Pinto, A. C. (2014, fevereiro 7). No Rio, professores universitários ironizam foto de passageiro 

em aeroporto. Jornal GGN. https://jornalggn.com.br/cidadania/no-rio-professores

universitarios-ironizam-foto-de-passageiro-em-aeroporto/

 12

 FGV EAESP | Cadernos Gestão Pública e Cidadania | VoL. 28 | 2023 | e89859 | ISSN 2236-5710

CGPC | O Brasil de Bolsonaro: uma democracia sob estresse

 Cláudio Gonçalves Couto

 Psicóloga nega ter dito que Metrô atrai “mendigos, gente diferenciada”. (2011, maio 12). G1. 

Notícias em São Paulo. https://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2011/05/psicologa-nega-ter

dito-que-metro-atrai-mendigos-gente-diferenciada.html

 Tushnet, M. (2004). Constitutional hardball. The John Marshall Law Review, 37, 523-553. 

https://heinonline.org/hol-cgi-bin/get_pdf.cgi?handle=hein.journals/jmlr37&section=28

 Weyland, K. (2017). Populism: A political-strategic approach. In C. R. Kaltwasser, P. Taggart, 

P. O. Espejo, & P. Ostiguy (Orgs.), The Oxford Handbook of Populism. (Vol. 1). Oxford 

University Press, 48-72. . https://doi.org/10.1093/oxfordhb/9780198803560.013.2

 Weyland, K. (2021a). Populism and authoritarianism. Routledge Handbook of Global Populism, 

Routledge; 1st edition, 319-333. https://doi.org/10.4324/9781315226446-26/populism

authoritarianism-kurt-weyland

 Weyland, K. (2021b). Populism as a political strategy: An approach’s enduring – and increasing – advantages. Political Studies, 69(2), 185-189. https://doi.org/10.1177/00323217211002669

 CONFLITOS DE INTERESSE

 O autor não tem conflitos de interesse a declarar.

 CONTRIBUIÇÃO DO AUTOR

 Cláudio Gonçalves CoJornal Estado de São Paulo.

E assim caminha a humanidade.

uto: Conceituação, curador

ia de dados, Redação – rascunho original; 

Redação – revisão e edição O artigo do autora  Marco Antônio Teixeira

                      O trumpismo é a ideologia política associada ao ex-presidente e atual presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, e sua base de apoiadores. Embora não seja uma ideologia formalmente definida, é caracterizada por uma mistura de nacionalismo, populismo de direita e sentimentos antiestablishment. O movimento, fortemente vinculado aos slogans "Make America Great Again" (MAGA) e "America First", tem um impacto significativo e contínuo tanto na política dos EUA quanto em nível global. 

Características principais

Nacionalismo e populismo: O trumpismo promove uma agenda nacionalista que prioriza os interesses dos EUA acima de tudo (política "America First"). Utiliza uma retórica populista para se apresentar como defensor do povo contra "a elite" e "o establishment".

Anti-imigração: A aversão à imigração e o reforço da segurança nas fronteiras são pilares centrais do trumpismo, com medidas como a construção do muro na fronteira com o México e a proposta de dificultar a imigração legal.

Críticas às instituições: O movimento frequentemente questiona a integridade de instituições como a mídia, o sistema judicial e até mesmo o próprio processo democrático, gerando acusações de antidemocracia.

Inclinações autoritárias: Críticos do movimento apontam para inclinações autoritárias, como a crença de que o presidente está acima do estado de direito e a comparação da base política de Trump a um culto à personalidade.

Desprezo por tratados internacionais: Durante sua presidência, Trump desrespeitou e abandonou diversos acordos internacionais, demonstrando ceticismo em relação a organizações multilaterais. 

Impactos e evolução em 2024 e 2025

Vitória nas eleições de 2024: A vitória de Donald Trump nas eleições presidenciais de 2024 solidificou o trumpismo como uma força política duradoura, garantindo-lhe um segundo mandato a partir de 2025.

Impacto no Partido Republicano: Os apoiadores de Trump se consolidaram como a maior facção dentro do Partido Republicano, muitas vezes marginalizando as alas mais tradicionais. A resposta à ascensão de Trump resultou no surgimento do movimento "Never Trump", que se opõe a essa ideologia.

Projeções para 2025: Analistas preveem que a volta de Trump ao poder em 2025 ameaça não apenas os EUA, mas também as regras de longa data que regem entidades como a ONU. Além disso, esperam-se novas ofensivas para restringir a imigração.

Influência internacional: O trumpismo continua a ter reflexos internacionais, influenciando movimentos populistas e nacionalistas em diversos países, incluindo a América Latina. O cenário americano também tem sido comparado com a situação política de outras nações. 

MAGA é a sigla para o slogan político "Make America Great Again" (em português, "Tornar a América Grande Novamente"). Originalmente usado por Ronald Reagan na sua campanha presidencial de 1980, o lema foi popularizado por Donald Trump em suas campanhas de 2016, 2020 e 2024. 

História e significado

Origem: A frase foi usada por Reagan em um período de dificuldades econômicas nos EUA, marcado por alta inflação e desemprego.

Popularização por Trump: Em 2016, o slogan se tornou central na campanha de Trump. Ele evocava uma nostalgia de um passado dos EUA que, segundo ele e seus apoiadores, havia sido perdido devido a fatores como imigração e globalização.

Movimento político: Com o tempo, MAGA passou a designar não apenas o slogan, mas também a ideologia e a base de apoiadores de Donald Trump, conhecida como o movimento MAGA. Os adeptos costumam usar bonés vermelhos com a sigla.

"America First": O movimento MAGA está associado à política de "America First" (América em Primeiro Lugar), que defende protecionismo econômico, controle de imigração e a promoção de valores considerados tradicionais. 

Controvérsias e críticas

Associação com discriminação: O movimento MAGA é frequentemente associado a críticas e discriminação contra grupos minoritários, incluindo questões de raça, gênero e diversidade sexual.

Críticas ao slogan: O uso da frase é visto por alguns como uma "linguagem codificada" ou uma crítica aos direitos civis e ao avanço social. Críticos alegam que a busca por uma "América grande novamente" idealiza um passado excludente.

Relação com a mídia: A base de apoiadores de MAGA frequentemente tem uma relação antagônica com a mídia tradicional, acusando-a de ser tendenciosa. 

Confira abaixo o artigo do autores  Ubirajara de None Caputoa  e Henrique Araujo Aragusukua 



 Donald Trump e o fascismo: uma análise inspirada na teoria crítica

 Ubirajara de None Caputoa * 

Henrique Araujo Aragusukua 

a Universidade de São Paulo, Instituto de Psicologia, Departamento de Psicologia Social, São Paulo, SP, Brasil

 Resumo: A atuação de Donald Trump durante o período em que esteve na presidência dos Estados Unidos 

suscita a investigação de possíveis semelhanças entre ele e líderes fascistas do passado. A proposta deste 

ensaio é apresentar reflexões sobre a atuação política de Trump, inspiradas pelas discussões sobre a psicologia 

e a propaganda fascista na teoria crítica. Embora pareça impossível tomar Trump por um líder fascista clássico, 

principalmente em razão de contextos históricos muito diferentes, também é impossível desconsiderar o nexo 

entre suas estratégias políticas e o modus operandi de agitadores fascistas no século XX. Além disso, é inegável que 

sua política mobiliza elementos sociopsicológicos que remontam às análises da emergência do fascismo histórico, 

como a identificação com uma figura idealizada e transcendente, a submissão a uma autoridade ou causa superior 

e a agressividade direcionada às ameaças do out-group.

 Palavras-chave: fascismo, teoria crítica, fascismo digital, psicologia social.

 Introdução

 regimes fascistas das primeiras décadas do século XX –  

que passaremos a chamar de fascismo histórico (Mann, 

O termo “fascista” costuma ser usado para 

desqualificar desafetos localizados em qualquer ponto 

do amplo espectro político-ideológico. Recuperando a 

história do fascismo, é preciso lembrar que “a direita é 

o gênero de que o fascismo é espécie” e “a ideologia de 

direita representa sempre a existência de forças sociais 

empenhadas em conservar determinados privilégios . . .  

de que tais forças são beneficiárias” (Konder, 2009, p. 27). 

O fascismo, contrapondo-se à influência das ideias liberais 

na própria direita, promove um Estado-nação transcendente 

e totalizante (Mann, 2008; Paxton, 2008). No entanto, não 

é raro encontrar o adjetivo “fascista” associado a ideias 

progressistas, o que seria suficiente para implodir o termo, 

necessariamente associado, em sua origem, a um tipo de 

conservadorismo de direita.

 Verifica-se que o senso comum atribui ao termo 

“fascismo” sentidos diversos que o afastam de sua 

configuração original. Mesmo que as múltiplas acepções 

insultuosas do significante “fascismo” não sejam 

nítidas, nota-se tendência de associá-lo ao autoritarismo,  

à rigidez e à negação do humano. Tais associações são 

compreensíveis, ao considerar que os movimentos fascistas 

originais se tornaram regimes políticos conhecidos por 

eliminarem seus oponentes pelo uso “justificado” da 

violência, excluírem os que consideravam indesejáveis 

e submeterem todos/as ao regime. O uso comum da 

palavra “fascismo” para denunciar ações contra grupos 

vulneráveis e posicionamentos políticos autoritários 

e inflexíveis demonstra que os modos de agir dos 

*Endereço para correspondência: biracaputo@gmail.com

 2008) para melhor orientar a leitura – permanecem na 

memória coletiva e nos discursos do presente.

 O fascismo histórico foi um movimento político 

emergente no início do século XX, marcado pelas 

seguintes características: nacionalismo, chauvinismo 

étnico e racial, estatismo, paramilitarismo, conteúdo social 

conservador, uso de mitos irracionais para a justificação 

de sua prática política, antiliberalismo, antidemocracia 

e antissocialismo (e.g. Bianchi & Melo, 2018; Konder, 

2009; Mann, 2008). Torna-se possível, em acordo com 

Freud, porque “a dicotomia entre in-group e out-group é 

de uma natureza tão profundamente enraizada que afeta 

até mesmo aqueles grupos cujas ideias aparentemente 

excluem tais reações” (Adorno, 2015a, p. 174). Sendo 

assim, Freud livra-se da “ilusão liberal de que o progresso 

da civilização iria produzir automaticamente um aumento 

de tolerância e uma diminuição da violência contra os 

out-groups” (Adorno, 2015a, p. 174). Por isso o fascismo, 

enquanto uma tendência política, permanece nos dias 

atuais. Atualiza-se de acordo com condições históricas 

objetivas, mas permanece.

 Problema e método

 Neste ensaio, buscamos levantar algumas 

reflexões sobre a atuação política de Donald Trump, 

inspirados pelas discussões sobre psicologia e propaganda 

fascista a partir da teoria crítica (Adorno, 2015a, 2015b; 

Carone, 2002; Fromm, 1980), em conexão com outros 

estudos sobre o fascismo histórico (e.g. Mann, 2008; 

Paxton, 2008) e sobre as tendências fascistas na política 

http://dx.doi.org/10.1590/0103-6564e220050

Ubirajara de None Caputo   & Henrique Araujo Aragusuku

 (MAGA), em que se evidenciam dois elementos:  

2

 2

 contemporânea (e.g. Fielitz & Marcks, 2019; Neiwert, 

2017). Nosso problema é lançar luz sobre como uma 

questão do presente – a emergência da extrema direita 

no cenário político estadunidense – pode ter confluências 

com análises de um fenômeno político do passado.

 Anteriormente um outsider da elite política 

norte-americana, Trump foi eleito 45º presidente dos 

Estados Unidos, em 2017 – cargo que exerceu até 

janeiro de 2021 –, através de uma campanha permeada 

por polêmicas e conflitos, amparando-se em uma 

agenda radicalmente neoliberal no campo econômico 

(avessa a direitos trabalhistas, políticas sociais etc.) 

e conservadora no campo cultural (xenófoba, contra 

as lutas dos movimentos LGBTI+, feminista e negro 

etc.). Embora pareça impossível tomar Trump por 

um líder fascista clássico, principalmente em razão 

de contextos históricos muito diferentes, também é 

impossível desconsiderar o nexo entre suas estratégias 

políticas e o modus operandi de líderes fascistas no 

século XX. Além disso, é inegável que sua política 

mobiliza elementos sociopsicológicos que remontam 

às análises da emergência do fascismo histórico.

 Nosso objetivo neste ensaio não é discutir 

exaustivamente os conceitos envolvidos em nossa análise, 

mas sim traçar, de forma ampla, reflexões que produzam o 

debate acadêmico e possam ser reaproveitadas no futuro, 

inspirando novos estudos. Por meio dos fundamentos 

da teoria crítica, compreendemos que os fenômenos 

políticos estão intrinsecamente conectados a elementos 

sociopsicológicos responsáveis por constituir a vida humana 

em sociedade (Azevedo & Menin, 1995). Paralelamente, 

tais fenômenos estão permeados por relações e estruturas 

de poder, sendo um dos fins do pensamento crítico o 

desvelamento das desigualdades e opressões que tornam 

a vida em sociedade miserável para a maioria das pessoas. 

Como definido por Max Horkheimer (2002), a teoria crítica 

é “uma teoria dominada em todos os aspectos por uma 

preocupação com condições razoáveis de vida” (p. 1999), 

por um compromisso teórico com a justiça social e a 

emancipação humana.

 Consonâncias e dissonâncias

 A discussão sobre a medida em que Trump e seu 

projeto de poder se assemelham ao fascismo histórico e, 

portanto, podem ser caracterizados como neofascistas, 

requer urgência, uma vez que projetos análogos, os quais 

propõem retrocessos sociais e políticos – ameaças às 

liberdade civis, proposições etnonacionalistas, negacionismo 

científico e afrouxamento de regras ambientais –, podem 

ser identificados em diferentes países, como Hungria,  

com Orbán; Turquia, com Erdogan; Filipinas, com Duterte; 

Rússia, com Putin; e Brasil, com Bolsonaro (Löwy, 2019).

 Inspirado em certa redução da influência dos 

Estados Unidos no cenário internacional e na ameaça 

econômica representada pela China, o mote da campanha 

presidencial de Trump foi “Make America Great Again” 

o nacionalismo e a necessidade de reerguer a pátria. 

Tais elementos são amplamente reconhecidos como 

características fulcrais e indispensáveis ao fascismo 

(e.g. Griffin, 1991; Turner, 2019). É razoável que o líder 

de uma nação a tenha em alta conta, mas o que se viu 

na campanha de Trump e ao longo de seu mandato foi a 

exacerbação da ideia de nação como um mito, exatamente 

como Mussolini havia feito no século anterior: “Criamos 

o nosso mito. O mito é uma fé, uma paixão. . . . O nosso 

mito é a nação, o nosso mito é a grandeza da nação!”1 

(Konder, 2009, p. 36).

 Embora espere-se que um projeto de governo 

inclua políticas que zelem pelos interesses do país, Trump 

baseou o seu governo na afirmação de que os Estados 

Unidos são uma nação ameaçada que deve ser defendida 

ardorosamente, bem ao gosto de líderes fascistas do 

passado. Em um discurso realizado no dia 3 de julho 

de 2020, num evento comemorativo da independência 

dos Estados Unidos, em meio a aplausos e um acalorado 

público, Trump anunciou que:

 Nossos fundadores declararam ousadamente que nós 

somos todos dotados dos mesmos direitos divinos – 

dados a nós por nosso Criador no Céu. E o que Deus 

nos deu, não permitiremos a ninguém, nunca, tomar 

de nós – nunca . . . Nossa nação está testemunhando 

uma campanha impiedosa para varrer nossa história, 

difamar nossos heróis, apagar nossos valores e 

doutrinar nossas crianças. . . . Eles pensam que o povo 

americano é fraco e brando e submisso. Mas não,  

o povo americano é forte e orgulhoso, e ele não permitirá  

que nosso país, e todos os seus valores, história e 

cultura, sejam tomados dele (“Remarks…”, 2020).

 É importante diferenciar o uso da “nação” como 

mito capaz de unir uma coletividade a serviço de algo maior 

do que si mesma do conceito de “Estado”. As concepções 

do fascismo histórico e de Trump quanto ao Estado, como 

ente político organizativo de uma sociedade, são muito 

diferentes. Mussolini chegou a declarar que nada deveria 

haver fora do Estado. É claro que o Duce não se referia a 

um Estado popular, democrático ou socialista, mas sim 

a um Estado capitalista-corporativista e intervencionista 

que deveria se submeter a seus desígnios ditatoriais.  

O estatismo é um elemento primordial do fascismo 

histórico (Mann, 2008), sendo o Estado autoritário, avesso 

às premissas do liberalismo, um meio de consolidação 

do imaginário de nação.

 Na Europa do século passado, os movimentos 

fascistas surgiram em contraposição aos governos liberais, 

nos quais “esperava-se que a intervenção governamental 

se limitasse às poucas funções que os indivíduos não 

podiam desempenhar para si próprios” e que “os assuntos 

1 Tradução da fala original de Mussolini citada em Opera omnia 

(Vol. XVIII, p. 457).

 2

 Psicologia USP   I   www.scielo.br/pusp

3

 Donald Trump e o fascismo: uma análise inspirada na teoria crítica

 3

 econômicos e sociais fossem entregues ao livre jogo das 

escolhas individuais no âmbito do mercado” (Paxton, 

2008, p. 135). Trump não preconizou a interferência do 

Estado na economia de seu país. Ao contrário, defendeu o 

modelo neoliberal ao trabalhar para reduzir a participação 

do Estado em programas de saúde implementados pelo 

seu antecessor, reforçando a ideia de autorregulação dos 

mercados e de supressão de políticas sociais (Bianchi 

& Melo, 2018). Enquanto as lideranças do fascismo 

histórico são frutos da crise dos regimes liberais do 

início do século XX (Fromm, 1980; Mann, 2008), Trump 

surge no contexto de hegemonia neoliberal existente no 

mundo globalizado, reafirmando as premissas basilares 

do capitalismo financeiro em plano geopolítico, a despeito 

de algumas medidas protecionistas para favorecer o 

mercado estadunidense contra a concorrência externa.

 O ideário liberal, contra o qual o fascismo 

histórico se lançou, não repercute apenas nos modos 

de funcionamento das economias. Ele se assenta na 

ideia de liberdade individual como direito fundamental 

dos/as integrantes de uma dada sociedade. O fascismo 

histórico, ao contrário, preconiza a subordinação de 

cada homem e mulher ao “bem comum”, com estreita 

margem para escolhas livres e pessoais – o que o torna 

essencialmente antidemocrático. Trump não ameaçou 

abertamente as liberdades individuais e nem propôs 

institucionalmente restrições democráticas, mas 

buscou apagar a estrutura multicultural da sociedade 

estadunidense. Ao desqualificar as pessoas latinas, 

muçulmanas, asiáticas, negras e de outros segmentos 

populacionais vulneráveis, por contraste, acabou por 

delinear um modelo de cidadão/ã ideal, baseado em raça/

 cultura, acentuando o imaginário de poder da população 

branca e cristã, revitalizando as políticas segregacionistas 

que marcaram a história dos Estados Unidos.

 Outro inimigo do fascismo histórico foi o 

comunismo. Também nos Estados Unidos, durante a 

guerra fria, a retórica da ameaça comunista foi mobilizada 

por grupos de direita. Expoentes da política institucional, 

como o senador McCarthy, precedidos por religiosos, 

como Martin Luther Thomas, entre outros ativistas de 

extrema direita, tratavam os comunistas como “inimigos 

do povo” (Carone, 2002, p. 198), justificando políticas 

que suspendiam liberdades e direitos civis. Em seu 

período como presidente, no qual o comunismo não 

mais se configurava como ameaça, Trump elegeu as 

pessoas imigrantes, em especial muçulmanas e latinas, 

como inimigas dos valores de sua nação. E o fez de 

forma muito semelhante a seus antecessores de extrema 

direita, conforme se nota ao comparar sua retórica anti

imigração ao padrão da propaganda norte-americana 

do início do século XX (Adorno, 2015a; Carone, 2002). 

Ao alertar para os riscos de permitir a permanência 

de imigrantes indesejados/as no país, Trump inverteu 

os papéis de agressor e vítima. Segundo Iray Carone 

(2002), “o aspecto psicológico imanente à construção 

ideológica que converte o agressor em vítima ameaçada 

e a vítima em agressor, consiste em estimular e justificar 

a violência contra os out-groups, neles projetando o que 

deles se imagina” (p. 202).

 A respeito do vazio de argumentos que justificassem 

uma cruzada pró-americana nos discursos da extrema 

direita norte-americana do passado, Carone (2002) 

acrescenta: “a argumentação era substituída pelo artifício 

de nomear grupos, pessoas e raças como alvo de suas 

diatribes” (p. 205), exatamente como fez Trump em diversos 

discursos sobre imigrantes (e.g. Lind, 2019). Não é por acaso 

que o público-alvo desses discursos – “pessoas de baixa 

classe média, com pouca escolaridade, sujeitos de meia

idade ou idosos com profundas convicções religiosas de 

caráter fundamentalista ou sectário” (p. 199) – se assemelha 

ao público de seguidores/as mais fanáticos/as de Trump.

 Esses/as eleitores/as foram convencidos/as, como 

se deu no fascismo alemão e italiano do século passado, 

de que se tornaram “vítimas de um sistema de exploração 

internacional” (Konder, 2009, p. 37), e se sentiram impelidos/

 as a lutar contra o inimigo para buscar “uma restauração de 

algo do passado – uma revolução conservadora, a volta aos 

bons velhos tempos” (Carone, 2002, p. 208). Sendo assim, 

intencionalmente ou não, Trump agiu como um herdeiro 

genuíno da retórica e das tendências fascistas existentes 

em grupos da extrema direita estadunidense do século 

XX, ressentidos com os processos de democratização e 

o avanço dos movimentos por direitos civis para grupos 

historicamente excluídos e perseguidos.

 O personagem

 O fascismo é indissociável da figura de um líder 

capaz de sensibilizar uma massa de seguidores a cultuá-lo 

e apoiá-lo em suas pretensões. Foi isso que Trump fez 

ao incitar seguidores a invadirem o Capitólio em 6 de 

janeiro de 2021. Nesse dia, ele discursou para milhares de 

pessoas na capital estadunidense e insuflou uma multidão 

a marchar e, posteriormente, invadir violentamente o 

Congresso para tentar impedir o término da sessão que 

formalizaria a vitória de seu sucessor à presidência da 

república. Repetindo o slogan “Stop the Steal”, Trump 

enfatizou que as eleições foram fraudadas para “impedir 

sua esmagadora vitória”, mesmo sem qualquer evidência 

ou compromisso em provar essas graves acusações 

(“Trump’s…”, 2021).

 Theodor Adorno tratou sobre a retórica de líderes 

fascistas com maestria. Ele nos fala de uma atmosfera de 

agressividade emocional propositadamente promovida 

pelo líder, de uma reiteração constante de ideias, da 

necessidade de o líder atuar narcisicamente para permitir a 

identificação narcísica de seus seguidores (Adorno, 2015a). 

Tais características são frequentemente identificadas nos 

discursos de Trump e em suas constantes postagens nas 

redes sociais. Conforme enfatizado por Ruth Wodak 

(Jackson, 2021), foram 34 mil tweets disparados por 

Trump entre junho de 2015 e janeiro de 2021, nos quais 

circulou grande parte de sua propaganda – que privilegiou 

Psicologia USP, 2024, volume 35, e220050

 3

Ubirajara de None Caputo   & Henrique Araujo Aragusuku

 ambiente televisivo, o que prevaleceu foi a excelência 

4

 4

 a escandalização, a provocação, a violação de normas 

e a incitação ao ódio como formas de mobilização de 

seus apoiadores/as. Sobre isso, Adorno (2015a) afirma:

 O líder pode adivinhar os desejos e necessidades 

psicológicas daqueles suscetíveis à sua propaganda, 

porque os reflete psicologicamente e deles se 

distingue por uma capacidade de exprimir, sem 

inibições, o que é latente . . . a própria linguagem, 

desprovida de seu significado racional, funciona de 

uma forma mágica e favorece aquelas regressões 

arcaicas que reduzem os indivíduos a membros de 

multidões (p. 181).

 Assim como as massas do entreguerras elegeram 

líderes fortes, potencialmente capazes de restaurar a 

ordem, nos dias atuais, quase metade do eleitorado 

estadunidense tentou eleger Trump para um segundo 

mandato, cuja campanha baseou-se em um suposto 

mito da “restauração nacional” diante das ameaças 

de inimigos internos e externos, presumidos como 

sabotadores de valores verdadeiramente americanos. 

Uma parte desse eleitorado se identificou de forma tão 

absoluta com seu líder político que chegou a crer nas 

afirmações de Trump, mesmo sem qualquer tipo de 

evidência, de que a eleição havia sido fraudada e que 

isso justificaria uma insurreição violenta.

 É notável que o lema “Stop the Steal” tenha sido 

empregado de forma instrumental, como uma propaganda 

política sem qualquer compromisso com a verdade, tendo 

como objetivo final a mobilização de uma base social. 

Evidencia-se, assim, mais um elemento estruturante da 

ideologia fascista: a mentira como estratégia para construir 

uma realidade planejada (Arendt, 2012). Ao submeter a 

própria verdade a seu poder, o líder fascista pretende atingir 

os limites da dominação, e isso se torna possível, segundo 

Federico Finchelstein (2020), porque o que o líder diz ou 

faz torna-se mais importante do que os fatos. Conforme 

Jason Stanley (2018), “a política fascista troca a realidade 

pelos pronunciamentos de um único indivíduo. . . . Mentiras 

óbvias e repetidas fazem parte do processo pelo qual a 

política fascista destrói o espaço da informação” (p. 66).

 A personalidade e a história de vida de Trump 

estão longe de serem compatíveis com o exigido para 

um líder responsável por combater a corrupção e pela 

regeneração dos valores da nação. Enquanto ele dizia 

defender valores conservadores do povo americano 

oprimido pelo corrupto establishment, sua história era 

permeada por contradições. Como um bilionário do ramo 

da construção e celebridade televisiva, Trump faz parte 

da elite econômica dos Estados Unidos. Sua história é 

permeada por polêmicas, dentre elas, diversos casos 

de corrupção e más práticas empresariais, infidelidade 

conjugal e escândalos sexuais (e.g. Dickinson, 2018; 

Prokop, 2016). No entanto, tais incoerências não 

abalaram a sua influência política e sua capacidade de 

convencimento de milhões de pessoas. Assim como no 

na execução de um personagem, pois sua liderança não 

se sustentou na coerência de suas práticas, mas sim 

em sua performance como agitador e propagador de 

uma narrativa política. Em acordo com as reflexões 

de Adorno, esse elemento se assemelha à retórica de 

agitadores fascistas do início do século XX.

 Este caráter fictício é o elemento vital das 

performances da propaganda fascista. . . . O caráter 

fictício da oratória propagandista, o hiato entre a 

personalidade do locutor e o conteúdo e caráter de 

suas afirmações são atribuíveis ao papel cerimonial 

que ele assume e que dele se espera. Essa cerimônia, 

entretanto, é meramente uma revelação simbólica da 

identidade que ele verbaliza, uma identidade que os 

ouvintes sentem e pensam, mas não podem exprimir. 

A gratificação que eles obtêm da propaganda 

consiste muito provavelmente na demonstração dessa 

identidade. . . . Certamente podemos chamar este ato 

de identificação um fenômeno de regressão coletiva 

(Adorno, 2015b, p. 146).

 Desse modo, destacamos, a retórica fascista 

se sustenta em processos primários de identificação – já discutidos por Freud (2011) em seu texto sobre a 

psicologia das massas, retomado por Adorno (2015a) – em que a racionalidade das ações e a autonomia dos 

sujeitos é suspensa pelo culto à liderança que encarna 

valores e ideais superiores. Dentro dessa lógica, mentiras 

e afirmações não baseadas em evidências, sempre imersas 

em provocações e agitações, tornam-se práticas cotidianas 

no jogo político, pois a coerência da narrativa política 

não se dá por meio da racionalidade de suas proposições, 

mas através de processos de identificação. Isto é, pela 

evocação de uma identidade étnico-nacional idealizada 

e sempre em perigo.

 Inúmeras vezes Trump utilizou a expressão 

“we, the american people” ao mesmo tempo que se 

apresentava como o único e legítimo representante dos 

interesses desse coletivo (que se entende como um povo

nação). Em seus pronunciamentos, ele constantemente 

utilizou a estratégia retórica de afirmação de si – o amor 

a si próprio do narcisismo (Freud, 2011) – novamente 

recorrendo a declarações inverificáveis. Já em 2015, 

quando se lançou candidato à presidência, Trump 

afirmou: “eu sou o único que pode fazer a América 

verdadeiramente grande novamente”. Ao longo dos 

seus quatro anos de presidência, declarações como 

“eu sou o único”, “sou o melhor” e “ninguém sabe 

mais do que eu” foram utilizadas com frequência em 

seus discursos, como uma forma de autoafirmação 

de sua autoridade (NowThis News, 2019; Vice News, 

2020). Mesmo as afirmações mais absurdas, como 

“ninguém sabe mais sobre o Estado Islâmico que eu” e 

“sou o melhor presidente para as pessoas negras desde 

Abraham Lincoln [que aprovou o fim da escravidão em 

4

 Psicologia USP   I   www.scielo.br/pusp

5

 Donald Trump e o fascismo: uma análise inspirada na teoria crítica

 5

 1863]”, eram ouvidas com naturalidade e concordância 

por seus/suas eleitores/as.

 Como evidenciado por Adorno (2015b), “o agitador 

fascista é usualmente um exímio vendedor de seus próprios 

defeitos psicológicos. Isso somente é possível devido a 

uma similaridade estrutural geral entre seguidores e 

líder” (p. 144). Em uma espécie de narcisismo coletivo, 

Trump corporificou a grandeza e infalibilidade da “nação 

americana”, angariando fervorosos/as seguidores/as que 

entregaram suas vidas e suas individualidades para uma 

causa maior e para a defesa da nação.

 O movimento MAGA

 O fascismo não se constitui apenas por uma retórica 

promovida por lideranças, agitadores e propagandistas, 

mas também por um movimento que mobiliza pessoas 

em ações políticas. Como agitadores fascistas convencem 

uma parcela significativa da população de que suas ideias 

políticas, geralmente incoerentes e irracionais, devem ser 

seguidas? Quais os mecanismos sociais e psicológicos 

que tornam possível a emergência de um movimento 

fascista de massas?

 Existem diferenças importantes entre o contexto 

sociopolítico em que Trump presidiu os EUA e o da Europa 

do entreguerras, o que dificulta qualquer tipo de analogia 

direta e explícita (Bianchi & Melo, 2018). Entretanto, 

existem notáveis semelhanças entre as estratégias 

retóricas utilizadas por Trump enquanto líder político e 

as propagandas fascistas do século XX. Em relação ao 

caráter de seus/suas seguidores/as, também é possível 

traçar alguns paralelos a partir das discussões sobre os 

aspectos sociopsicológicos do fascismo histórico (Adorno, 

2015a; Fromm, 1980).

 Desde que se lançou como candidato à 

presidência dos Estados Unidos, Trump organizou em 

torno de si um potente movimento comprometido com 

sua eleição – e, posteriormente, reeleição – e com a 

defesa intransigente de sua liderança: o “Make America 

Great Again (MAGA)”. Slogans desse movimento 

foram estampados em camisetas, bonés e bandeiras, 

os quais se tornaram importantes elementos de 

autoidentificação e unificação de seus/suas seguidores/

 as. A lealdade intransigente a esse movimento foi 

enfatizada por diversos meios de comunicação e pelo 

próprio Trump em um comício de campanha, em 2016, 

quando afirmou que “eu poderia parar no meio da 

Fifth Avenue [movimentada via de Nova York] e atirar 

em alguém, e eu não perderia nenhum eleitor” (CNN, 

2016), seguido por risadas e ovações do público que 

lhe assistia. De fato, a lealdade a esse movimento foi 

testada nas eleições de 2020, quando Trump recebeu 

74 milhões de votos (em torno de 47% do total de 

votos) graças à mobilização de suas bases eleitorais.

 No entanto, há muitas diferenças entre o movimento 

pró-Trump e o fascismo histórico. De modo distinto aos 

movimentos fascistas do século XX, não existiu unidade 

política e nem estrutura centralizadora no MAGA. 

Trump atuou por meio do Partido Republicano, porém 

não se ateve às decisões de seus organismos de direção. 

Ao contrário, procurou sempre impor suas decisões ao 

partido, recorrendo constantemente ao conflito direto com 

as principais lideranças partidárias quando contrariado. 

Diferentemente do fascismo histórico (Mann, 2008; 

Paxton, 2008), não houve unidade entre movimento, 

partido e liderança e, principalmente, não houve organismo 

paramilitar responsável pela operação da violência política. 

Apesar da existência de diversos grupos paramilitares pró

Trump – muitos responsáveis pela organização da invasão 

do Capitólio –, estes atuaram de forma independente às 

estruturas do Partido Republicano e à liderança de Trump. 

Sendo assim, o modo de operar do movimento político 

que sustentou Trump difere significativamente de seu 

correspondente no fascismo histórico.

 Por outro lado, quando analisamos os mecanismos 

sociopsicológicos e as motivações que unificaram os/as 

seguidores/as de Trump em um movimento, algumas 

analogias são possíveis. Em suas teses sobre a psicologia 

do fascismo, Erich Fromm (1980) defendeu que fatores 

sociológicos relacionados à emergência do capitalismo –  

em especial, a expansão da liberdade individual e a 

desestruturação da ordem e da autoridade tradicional – 

produziram efeitos em nível psicológico, como o aumento 

da percepção da insegurança existencial e do desamparo 

social, que modificaram a relação dos sujeitos com o 

mundo. Atuante no plano político, o fascismo histórico 

surgiu em reação às incertezas e inseguranças do mundo 

moderno, tratando-se de uma resposta à universalização 

do individualismo (desagregador e desamparador) 

promovida pelo capitalismo e pelo liberalismo.

 Fromm (1980) descreve dois mecanismos 

psicológicos que atuam como recursos para a fuga das 

incertezas geradas pela modernidade, podendo fazer as 

pessoas aderirem aos movimentos fascistas. O primeiro 

mecanismo é a renúncia do próprio ego individual e a sua 

fusão a algo maior (uma liderança ou uma causa), suprindo 

a impotência do eu perante o mundo. Trata-se de uma 

forma de controle das ansiedades por meio da submissão 

a uma autoridade ou identidade que promove estabilidade, 

ordem e controle. O segundo é o da destrutividade, 

isto é, a busca pela destruição dos objetos (podem ser 

grupos, pessoas, ideias etc.) considerados responsáveis 

pela insegurança e impotência perante o mundo.  

A destruição das ameaças produziria assim um mundo 

mais seguro e menos incerto. Ambos os mecanismos 

atuaram em conjunto no caso do fascismo histórico: 

“o indivíduo sobrepuja o sentimento de insignificância 

em comparação com o poder esmagador do mundo 

exterior, seja renunciando à sua integridade individual, 

seja destruindo outros de maneira que o mundo deixe 

de ameaçá-lo” (p. 150).

 Adorno (2015a) também descreve alguns 

mecanismos psicológicos capazes de fazer as pessoas 

aderirem a movimentos fascistas; esses mecanismos 

Psicologia USP, 2024, volume 35, e220050

 5

Ubirajara de None Caputo   & Henrique Araujo Aragusuku

 massa de pessoas aparentemente indiferentes,  

6

 6

 estruturam traços de personalidade que os tornam o que o 

autor, ao tratar sobre a personalidade autoritária, chamou 

de indivíduos potencialmente fascistas (Adorno, Frenkel

Brunswik, Levinson, & Sanford, 1950). Para ele, existe 

uma dinâmica entre submissão e agressividade que torna a 

retórica da liderança fascista verdadeiramente eficaz para 

o seu público-alvo, na qual “a imagem do líder satisfaz 

o duplo desejo do seguidor em se submeter à autoridade 

e ser ele mesmo a autoridade” (Adorno, 2015a, p. 172). 

Desse modo, há um ganho narcísico aos/às adeptos/as 

dos movimentos fascistas por meio da identificação de 

si em um coletivo que transcende o eu individual, com a 

elevação da autoestima e a idealização das características 

do in-group. Em contrapartida, intensificam-se as 

hostilidades contra o out-group, com o direcionamento de 

toda a agressividade a ameaças imaginárias (geralmente 

grupos minoritários e oprimidos) que desestabilizam a 

identidade transcendente idealizada.

 No caso do MAGA, é evidente que tais mecanismos 

psicológicos atuaram no processo de mobilização política, 

seja pela intransigente submissão desse movimento à 

autoridade de Trump e à idealização de uma identidade 

nacional pura e transcendente (“os verdadeiros americanos”) 

ou pela agressividade extrema direcionada aos grupos que 

ameaçam essa autoridade e identidade (imigrantes, latinos, 

mulçumanos, negros etc.). Se por questões de estrutura 

organizacional é indevido identificar o movimento pró

Trump com fascismo per se, não é difícil visualizar suas 

tendências fascistas.

 Fascismo no século XXI?

 Respeitados os diferentes contextos econômicos, 

políticos e sociais, analistas sociais de todo o mundo 

(e.g. Bull, 2012; Foster, 2017; Löwy, 2019) apontam 

alguns motivos para o fortalecimento de movimentos 

de extrema direita capazes de pavimentar o caminho 

para a implementação de governos de característica 

fascista. Alguns desses motivos são: enfraquecimento dos 

movimentos de esquerda após a queda do muro de Berlim, 

avanço do neoliberalismo com supressão de políticas 

sociais e aumento da insegurança material, reação 

ao processo de globalização, aumento do sentimento 

de ameaça em razão da ação de grupos extremistas e 

imigração em massa de refugiados de guerras.

 Os eleitores de Trump e de partidos de extrema 

direita fora dos Estados Unidos guardam semelhanças 

entre si e com aqueles que levaram os regimes fascistas 

do início do século XX ao poder. De acordo com Hannah 

Arendt (2012),

 Potencialmente, as massas existem em qualquer 

país e constituem a maioria das pessoas neutras e 

politicamente indiferentes. . . . Em sua ascensão, 

tanto o movimento nazista na Alemanha quanto 

os movimentos comunistas na Europa depois 

de 1930 recrutaram os seus membros entre uma 

que todos os outros partidos haviam abandonado 

por lhes parecerem demasiado apáticas ou estúpidas 

para lhes merecerem a atenção. Isso permitiu a 

introdução de métodos inteiramente novos de 

propaganda política . . . (p. 439).

 Decerto, Arendt referia-se à pesada máquina de 

propaganda nazifascista, a qual se utilizou sobretudo 

da tecnologia radiofônica, ao citar novos métodos 

de propaganda política. Sobre isso, Adorno (2015a) 

escreveu:“[a propaganda fascista] é psicológica por causa 

de seus objetivos irracionais e autoritários, que não 

podem ser alcançados por meio de convicções racionais,  

mas somente através do despertar habilidoso de ‘uma parte 

da herança arcaica do sujeito’” (p. 165). “O que acontece 

quando massas são subjugadas pela propaganda fascista 

[é] uma revitalização quasi-científica de sua psicologia. . . . 

A psicologia das massas foi apropriada por seus líderes e 

transformada em meio para dominação” (p. 186).

 Nos dias atuais, não há dúvidas de que novas 

estruturas têm sido intensamente utilizadas para 

disseminar mensagens de cunho fascista. Aos meios 

de comunicação de massa corporativos, como redes de 

televisão e grande imprensa, junta-se a contribuição 

de recursos telemáticos (sistemas de comunicação 

imediata e de longa distância), que se constituem numa 

importantíssima arena de disputa ideológica. Usuários/

 as das redes sociais disseminam suas próprias versões 

sobre os acontecimentos e opinam obstinadamente sobre 

tudo e todos. A presumida possibilidade de anonimato,  

a sensação de plena liberdade para manifestar-se,  

a busca por reconhecimento, o descomprometimento com 

a verdade e a argumentação incipiente e superficial são 

alguns fatores que tornam as redes sociais ambientes 

propícios ao desmonte da racionalidade. Por meio delas, 

trafega instantaneamente imensurável quantidade de 

informações, dificultando um olhar consequente e 

apurado sobre elas e esmaecendo suas fronteiras com a 

realidade. O quadro se agrava quando as interações entre 

usuários/as são interpeladas por robôs e algoritmos que 

selecionam conteúdos de reforço, evitando a reflexão 

crítica e o contraditório.

 Maik Fielitz e Holger Marcks (2019) descreveram 

a gramática da propagação de ideias da extrema direita 

contemporânea, constituinte do que denominam fascismo 

digital: uma variação do fascismo que não precisa de 

partidos, pois utiliza a estrutura do mundo digital para 

sua dinâmica. Segundo os autores, a internet tornou-se 

um território usado pela extrema direita para minar 

as sociedades democráticas, usando uma concepção 

ampliada de liberdade de expressão. As estruturas 

comunicacionais disponíveis nas redes sociais permitem a 

disseminação de discursos de intolerância, com conteúdos 

misóginos, LGBTfóbicos, racistas, xenófobos etc., cujos/

 as autores/as, quando confrontados/as, alegam ser vítimas 

de intolerância e terem sido alijados de sua liberdade de 

6

 Psicologia USP   I   www.scielo.br/pusp

7

 Donald Trump e o fascismo: uma análise inspirada na teoria crítica

 7

 expressão. Trata-se de uma estratégia discursiva à qual 

Fielitz & Marks (2019), recorrendo à formulação liberal 

de Karl Popper, denominam reedição do paradoxo da 

tolerância. Isto é, tais grupos se utilizam da liberdade de 

expressão para serem intolerantes, atacando a liberdade 

de grupos minoritários ou destituídos de poder e, em 

última instância, minando a própria democracia e a 

liberdade geral.

 Outra retórica largamente utilizada pela extrema 

direita por meio das redes sociais é o discurso do medo. 

Segundo Rebecca Lewis (2018), a extrema direita 

desenvolveu um sistema para descontextualizar fatos a 

fim de fazer sua audiência se sentir, em termos pessoais 

ou como sociedade, alvo potencial de um perigo iminente. 

Por exemplo, a notícia de que uma mulher foi atacada 

por um imigrante em um país distante pode basear uma 

mensagem como: “É urgente proteger nossas mulheres 

e crianças dos imigrantes”. Roger Griffin (1991) alerta 

para o fato de quase todos os estudos sobre a extrema 

direita atribuírem a ela o medo como estratégia política 

porque a ideia de uma sociedade ameaçada pode suscitar 

uma solução autoritária.

 As mensagens que consubstanciam os discursos 

utilizados pela extrema direita têm origem em uma 

postagem de um/a líder, ou simplesmente numa fala pública 

que lança um tema a ser “trabalhado”. Os/as apoiadores/as 

fiéis – também chamados ativistas digitais ou influencers – formulam mensagens que serão disseminadas “por 

enxame”, utilizando a estrutura ramificada das redes 

sociais. Para terem maior impacto, essas mensagens são 

concebidas para serem consumidas rapidamente, com 

conteúdo simples e direto, de caráter visual (memes) e 

com apelo dramático (Fielitz & Marks, 2019).

 Como redes sociais são remuneradas por 

publicidade, isto é, proporcionalmente à atenção que 

conseguem captar de seus bilhões de usuários, influencers 

se beneficiam economicamente do alcance de suas 

postagens e têm milhões de seguidores/as, os quais muitas 

vezes não se dão conta de que estão cooperando com 

uma dinâmica fascista. Os algoritmos de aproximação de 

usuários/as das redes sociais auxiliam o recrutamento de 

seguidores/as, pois permitem encontrar quem concorde 

com suas ideias e dão a sensação de que muitas pessoas 

estão ouvindo (Neiwert, 2017). As milhões de replicações 

de uma mensagem falaciosa tendem a fazê-la ser 

aceita como verdade, inibindo que o contraditório seja 

ouvido e confundindo a percepção de quem são seus/

 suas reais emissores/as. Diferentemente das estruturas 

comunicacionais utilizadas pelo fascismo histórico, 

no qual poucos/as emissores/as se dirigiam a muitos/

 as receptores/as, na era do fascismo digital (Fielitz & 

Marks, 2019), as mensagens originárias podem ir sofrendo 

ajustes à medida que são compartilhadas por múltiplos/

 as emissores/as, os quais passam a ser, de certo modo, 

seus/suas coautores/as.

 A manipulação é vital para o fascismo digital. 

Mensagens ambíguas e imprecisas causam confusão 

sobre o que é a realidade, passando a impressão de que 

ela pode ser reinterpretada mesmo sem qualquer tipo de 

evidência (pós-verdade, fake news, realidade alternativa 

etc.). Ficou célebre o risível episódio em que o secretário 

de imprensa estadunidense, Sean Spicer, mentiu ao dizer 

que a tomada de posse de Trump bateu todos os recordes 

de participantes. Ao ser desmentido por inúmeros veículos 

de imprensa por meio de imagens inquestionáveis do 

evento, a porta-voz da Casa Branca, Kellyanne Conway, 

disse que o secretário apenas havia manifestado “fatos 

alternativos” (Jaffe, 2017). A manipulação de informações 

também foi usada pelo fascismo histórico e, por isso, 

foram desenvolvidos mecanismos de controle, tais como 

jornalismo profissional e rigor ético na produção de 

conhecimento (Fielitz & Marks, 2019).

 Redes sociais são empreendimentos comerciais que 

movimentam trilhões de dólares e congregam bilhões de 

usuários/as. Ao serem questionadas sobre o uso pernicioso 

às sociedades democráticas das estruturas comunicacionais 

das redes sociais, as empresas responsáveis costumam 

argumentar que as redes são territórios livres nos quais 

todos/as podem se expressar em igualdade de condições. 

Entretanto, é preciso considerar que a racionalidade fascista 

não se atém aos limites éticos. No fascismo digital, segundo 

Fielitz e Marks (2019), a verdade não importa. As mensagens 

podem ser manipuladas para se tornarem dramáticas,  

com forte apelo emocional, pois assim se disseminam mais 

facilmente (Soroka, Young, & Balmas, 2015). Segundo 

Zeynep Tufekci (2017), política não se faz só com a razão, 

e o papel do líder de extrema direita é fazer funcionar em 

seu benefício “essa máquina emocional” – as redes sociais.

 Entre os vários elementos envolvidos na psicologia 

das massas e na propaganda fascista – tais como vínculo 

entre os membros da “horda fraterna”, identificação 

narcísica, primazia da forma sobre o conteúdo discursivo, 

gratificação pela rendição à massa e renúncia da 

individualidade, hostilidade ao out-group etc. (Adorno, 

2015a, 2015b; Fromm, 1980) –, há um que se destaca pela 

grande importância: o apelo à violência. De acordo com 

Adorno (2015a), “[há um] potencial atalho de emoções 

violentas a ações violentas enfatizado por todos os 

autores da psicologia de massa” (p. 161). Foi o que se 

viu na violenta invasão do Capitólio, possibilitada pela 

mobilização nas redes sociais, quando foi consumada a 

derrota de Trump para um segundo mandato. Para Robert 

Paxton (2021), reconhecido especialista no fascismo 

histórico europeu, esse episódio foi um importante ponto 

de virada em seu entendimento sobre o fascismo de 

Trump: “Eu hesitei em chamar Donald Trump de fascista. 

Até agora”, escreveu poucos dias após o evento.

 Considerações finais

 O fascismo italiano originário pode ser visto como 

uma ideologia para justificar um projeto de poder tido 

como necessário para defender a nação e reconduzi-la 

a um passado glorioso. Sobre essa ideia seminal, 

Psicologia USP, 2024, volume 35, e220050

 7

Ubirajara de None Caputo   & Henrique Araujo Aragusuku

 ameaçadores, causa erosão no entendimento intersubjetivo 

8

 8

 durante o século passado, outros movimentos políticos 

se desenvolveram, chegaram ao poder e operaram por 

meio de extrema violência. Segundo os autores evocados 

neste ensaio, o fascismo é notadamente fortalecido por 

nossa vocação intrínseca à autopreservação.

 A partir do século XX, o exercício do poder, 

que nos séculos anteriores podia ser discricionário, 

passou a depender de eleições populares e, portanto,  

do convencimento das massas. Para isso, o método 

utilizado pelo fascismo é a propagação do medo para 

agregar multidões e emprestar uma noção ética ao uso 

da força. Neste século XXI, testemunhamos partidos 

conservadores de extrema direita tentando reeditar 

métodos do fascismo, adaptando-os a novos contextos 

socioeconômicos e informacionais. A veiculação maciça 

de tipos de discurso utilizados pela extrema direita, 

muitas vezes simplistas, manipulados, dramáticos e 

sobre o que é a verdade. Por isso, torna-se indispensável 

repensar estruturas que disseminam mentiras, produzem 

intolerância e alimentam as tendências fascistas de 

determinado grupo de pessoas.

 Mas se é possível explorar as disposições 

psicológicas para o fascismo, presentes em todos/as 

nós, seria possível estimular a solidariedade e o respeito 

à diversidade? Se sim, como? Sabe-se que, apesar de 

nossa tendência à autoconservação, é possível acatar as 

necessidades do out-group como legítimas e, em alguma 

medida, sentirmo-nos comprometidos/as coletivamente 

com elas. Essa possibilidade, no sentido oposto ao da 

propaganda fascista, implica evocar o respeito à diferença, 

à justiça social, à razão crítica, ao método científico, 

e a capacidade de mobilizar-se em favor do outro.  

Se efetivada, marcará o futuro de nossa civilização.

 Donald Trump and fascism: an analysis inspired by critical theory

 Abstract: Donald Trump’s actions during his presidency calls for an investigation regarding possible similarities between him 

and fascist leaders of the past. This essay is reflects on Trump’s political actions inspired by discussions on fascist psychology and 

propaganda within Critical Theory. Although Trump may escape the category of a classic fascist leader, mainly due to the different 

historical contexts, the similarities between his political strategies and those of 20th-century fascist agitators is undeniable. 

Moreover, his politics mobilize socio-psychological elements that date back to the emergence of historical fascism, such as 

identification with an idealized and transcendent identity, submission to a superior authority or cause, and aggressiveness 

directed to out-group threats.

 Keywords: fascism, critical theory, digital fascism, social psychology.

 Donald Trump y el fascismo: un análisis inspirado en la teoría crítica

 Resumen: La actuación de Donald Trump durante el período en el que fue presidente de los Estados Unidos plantea la posibilidad 

de investigar posibles similitudes entre los líderes fascistas del pasado y él. El propósito de este ensayo es presentar reflexiones 

sobre la actuación política de Trump inspiradas en discusiones sobre psicología y propaganda fascista en teoría crítica. Si bien 

parece imposible ver a Trump como un líder fascista clásico, principalmente debido a contextos históricos muy diferentes, 

también es imposible ignorar el nexo entre sus estrategias políticas y el modus operandi de los agitadores fascistas en el siglo 

XX. Además, es innegable que su política moviliza elementos sociopsicológicos que se remontan al análisis del surgimiento 

del fascismo histórico, como la identificación con una identidad idealizada y trascendente, la sumisión a una autoridad o causa 

superior, y agresividad dirigida a amenazas del out-group.

 Palabras clave: fascismo, teoría crítica, fascismo digital, psicología social.

 Donald Trump et le fascisme : une analyse inspirée de la théorie critique

 Résumé: Les actions de Donald Trump au cours de sa présidence appellent une enquête sur les similitudes possibles entre lui et 

les leaders fascistes du passé. Cet essai réfléchit aux actions politiques de Trump en s’inspirant des discussions sur la psychologie 

et la propagande fasciste au sein de la Théorie Critique. Bien que Trump puisse échapper à la catégorie de leader fasciste 

classique, principalement en raison de contextes historiques très différents, les similitudes entre ses stratégies politiques et celles 

des agitateurs fascistes du XXe siècle sont indéniable. En outre, sa politique mobilise des éléments socio-psychologiques qui 

remontent à l’émergence du fascisme historique, tels que l’identification à une identité idéalisée et transcendante, la soumission 

à une autorité ou à une cause supérieure, et l’agressivité dirigées vers les menaces du out-group.

 Mots-clés: fascisme, théorie critique, fascisme numérique, psychologie sociale.

 8

 Psicologia USP   I   www.scielo.br/pusp

9

 Donald Trump e o fascismo: uma análise inspirada na teoria crítica

 9

 Referências

 Adorno, T. W. (2015a). A teoria freudiana e o padrão da 

propaganda fascista. In T. W. Adorno, Ensaios sobre 

psicologia social e psicanálise (pp. 153-189). São Paulo, 

SP: Editora Unesp.

 Adorno, T. W. (2015b). Antissemitismo e propaganda 

fascista. In T. W. Adorno, Ensaios sobre psicologia 

social e psicanálise (pp. 137-152). São Paulo, SP: 

Editora Unesp.

 Adorno, T. W., Frenkel-Brunswik, E., Levinson, D. J., & 

Sanford, R. N. (1950). The authoritarian personality. 

New York, NY: Harper.

 Arendt, H. (2012). Origens do totalitarismo. São Paulo, SP: 

Companhia das Letras.

 Azevedo, M. A., & Menin, M. S. S. (Orgs.). (1995). Psicologia 

e política: Reflexões sobre possibilidade e dificuldades 

deste encontro. São Paulo, SP: Cortez, Fapesp.

 Bianchi, A., & Melo, D. (2018). Donald Trump é fascista? 

In R. Almeida & R. Toniol (Orgs.), Conservadorismos, 

fascismos e fundamentalismos: Análises conjunturais 

(pp. 67-86). Campinas, SP: Editora Unicamp.

 Bull, A. C. (2012). Neo-fascism. In R. J. B. Bosworth (Ed.), 

The Oxford handbook of fascism. Oxford, England: 

Oxford University Press.

 Carone, I. (2002). Fascismo on the air: estudos frankfurtianos 

sobre o agitador fascista. Lua Nova, (55-56), 195-217. 

doi: 10.1590/S0102-64452002000100009

 CNN. (2016, 23 de janeiro). Trump: I could shoot somebody 

and not lose voters [Vídeo]. Recuperado de https://bit.

 ly/3QwRSpX

 Dickinson, T. (2018, 23 de fevereiro). A history of sex 

and abuse in the Trump administration. Rolling Stone. 

Recuperado de https://bit.ly/3QAovTB

 Fielitz, M., & Marcks, H. (2019). Digital fascism: Challenges 

for the open society in times of social media. Berkeley 

Center for Right-Wing Studies. Recuperado de https://

 bit.ly/47u6oFO

 Finchelstein, F. (2020). Uma breve história das mentiras 

fascistas. São Paulo, SP: Vestígio.

 Foster, J. B. (2017). Neofascism in the White House. Monthly 

Review, 68(11), 1-30. Recuperado de https://tinyurl.

 com/5fysanre

 Freud, S. (2011). Psicologia das massas e análise do eu e 

outros textos (1920-1923). São Paulo, SP: Companhia 

das Letras.

 Fromm, E. (1980). O medo à liberdade (12a ed.). Rio de 

Janeiro, RJ: Zahar.

 Griffin, R. (1991). The nature of fascism. London, England: 

Pinter.

 Horkheimer, M. (2002). Traditional and critical theory. In M. 

Horkheimer, Critical theory: Selected essays (pp. 188

243). New York, NY: Continuum.

 Jackson, P. N. (2021). Debate: Donald Trump and fascism 

studies. Fascism, 10(1), 1-15. doi: 10.1163/22116257

10010009

 Jaffe, A. (2017, 22 de janeiro). Kellyanne Conway: WH 

spokesman gave ‘alternative facts’ on inauguration crowd. 

NBC News. Recuperado de https://nbcnews.to/3QRtdOo

 Konder, L. (2009). Introdução ao fascismo (2a ed.). São 

Paulo, SP: Expressão Popular.

 Lewis, R. (2018). Alternative influence. Broadcasting 

the reactionary right on YouTube. Data & Society. 

Recuperado de: https://bit.ly/472qh78

 Lind, D. (2019, 9 de janeiro). “Immigrants are coming over 

the border to kill you” is the only speech Trump knows 

how to give. Vox. Recuperado de https://bit.ly/476dYa4

 Löwy, M. (2019, 24 de outubro). Neofascismo: Um 

fenômeno planetário – O caso Bolsonaro. A terra é 

redonda. Recuperado de: https://bit.ly/3SBHjVw

 Mann, M. (2008). Fascistas. Rio de Janeiro, RJ: Record.

 Neiwert, D. (2017). Alt-America. The rise of the radical right 

in the age of Trump. New York, NY: Verso.

 NowThis News. (2019, 8 de Janeiro). Everything Donald 

Trump is an expert in, according to him [Vídeo]. 

Recuperado de https://bit.ly/468F2E8

 Paxton, R. O. (2008). A anatomia do fascismo. São Paulo, 

SP: Paz e Terra.

 Paxton, R. O. (2021, 11 de janeiro). I’ve hesitated to 

call Donald Trump a fascist. Until now. Newsweek. 

Recuperado de https://bit.ly/3sqqthz

 Prokop, A. (2016, 31 de outubro). Donald Trump’s history of 

corruption: A comprehensive review. Vox. Recuperado 

de https://bit.ly/46Z35GV

 Remarks by president Trump at South Dakota’s 2020 

Mount Rushmore fireworks celebration. (2020, 4 de 

julho). Trump White House. Recuperado de https://bit.

 ly/3SvPORO

 Soroka, S., Young, L., & Balmas, M. (2015). Bad news or mad 

news? Sentiment scoring of negativity, fear, and anger 

in news content. The Annals of the American Academy 

of Political and Social Science, 659(1), 108-121.  

doi: 10.1177%2F0002716215569217

 Stanley, J. (2018). Como funciona o fascismo: A política do 

“nós” e “eles”. Porto Alegre, RS: L&PM.

 Trump’s full speech at D.C. rally on Jan. 6. (2021, 7 de 

fevereiro). Wall Street Journal. Recuperado de https://

 on.wsj.com/3skKqq5

 Tufekci, Z. (2017). Twitter and tear gas. The power and 

fragility of networked protest. New Haven, CT: Yale 

University Press.

 Turner, F. (2019). Machine politics: The rise of the internet 

and a new age of authoritarianism. Harper’s Magazine. 

Recuperado de https://bit.ly/3MD9a3y

 Vice News. (2020, 28 de outubro). A portrait of Donald J. 

Trump, by Vic Berger & Vice News [Vídeo]. Recuperado 

de https://bit.ly/40BiCKQ

 Recebido: 22/01/2021

 Revisado: 20/04/2022

 Aprovado: 05/07/2023.                   O artigo do autores  Ubirajara de None Caputoa  e Henrique Araujo Aragusukua 

O populismo é uma estratégia política que se baseia na mobilização do apoio popular por meio de um discurso que divide a sociedade entre o "povo virtuoso" e as "elites corruptas". Caracterizado por uma retórica anti-establishment, essa abordagem constrói uma identidade de grupo em torno de um líder forte, que se apresenta como o verdadeiro representante dos anseios da população. 
Características principais
Divisão maniqueísta: O discurso populista cria uma oposição moral e política entre "o povo", visto como homogêneo e puro, e "as elites", retratadas como corruptas e egoístas.
Liderança carismática: A figura central é um líder forte e carismático, que se posiciona como a única voz autêntica do povo. Ele estabelece uma relação direta com as massas, frequentemente por meio de discursos emocionais e comunicativos.
Anti-elitismo: A retórica populista ataca o sistema político tradicional e as instituições estabelecidas, alegando que elas não servem aos interesses do povo. Isso pode incluir críticas à mídia, ao Judiciário e a outros poderes.
Polarização: Ao opor o povo à elite, o populismo tende a gerar polarização na política, tornando difícil o diálogo e a busca por consenso. 
Populismo e ideologias
O populismo não é uma ideologia completa, mas sim uma estratégia que pode se associar tanto à esquerda quanto à direita do espectro político, adaptando seu discurso às pautas de cada vertente. 
Populismo de esquerda: Tende a focar em questões socioeconômicas, opondo o "povo" — frequentemente trabalhadores e classes mais pobres — a elites econômicas e políticas. Busca redistribuição de renda e critica o sistema hegemônico.
Populismo de direita: Muitas vezes se concentra em temas de identidade nacional, cultura e ordem social, opondo o "povo" a elites liberais e globalistas, além de grupos minoritários ou imigrantes. Foca na soberania nacional e valores tradicionais. 
O populismo na América Latina e no Brasil
Na América Latina, o populismo foi um fenômeno marcante no século XX, impulsionado pela industrialização e urbanização. No Brasil, Getúlio Vargas é um dos principais exemplos, ao usar o rádio para se comunicar diretamente com as massas e apresentar-se como o "pai dos pobres". 
Críticas e ameaças
Embora possa mobilizar o apoio de grupos insatisfeitos, o populismo é frequentemente criticado por enfraquecer as instituições democráticas. Ao deslegitimar a oposição e concentrar poder na figura do líder, pode levar a retrocessos na democracia e a um governo mais autoritário. Além disso, o discurso que simplifica problemas complexos pode dificultar a formulação de políticas públicas eficazes. 

populismo de direita e esquerda
O populismo de direita e o de esquerda compartilham características estruturais, como a retórica de oposição "povo bom versus elite corrupta" e a centralização em uma liderança carismática. No entanto, eles se distinguem por suas bases ideológicas, estratégias e nas propostas políticas que defendem. 
Características compartilhadas
Apesar das diferenças ideológicas, ambos os populismos empregam táticas semelhantes para mobilizar apoio:
Retórica maniqueísta: Dividem a sociedade em dois grupos opostos: o "povo", descrito como virtuoso e sofredor, e a "elite", retratada como corrupta, egoísta e inimiga do bem-comum.
Liderança carismática: Centralizam a figura do líder, que se apresenta como o único capaz de interpretar e realizar a "vontade do povo", frequentemente se colocando como um "outsider" que combate o sistema.
Polarização e emoção: Utilizam discursos que buscam polarizar a sociedade, apelando a emoções como medo e raiva para desqualificar adversários e fortalecer a lealdade de seus seguidores.[
Ceticismo com as instituições: Expressam desconfiança em relação a instituições democráticas, como o judiciário, a imprensa e o congresso, que seriam supostamente manipuladas pela elite. 
Populismo de direita
As raízes ideológicas da direita populista são frequentemente associadas ao nacionalismo, conservadorismo social e uma postura anti-globalista. Suas principais características incluem: 
Nacionalismo e xenofobia: Promovem um forte nacionalismo, definindo o "povo" de forma excludente, muitas vezes com base em etnia ou cultura. Isso frequentemente vem acompanhado de retórica xenófoba e anti-imigração.
Oposição à globalização: Critica as instituições de governança global e os acordos internacionais, que seriam prejudiciais aos interesses nacionais e à soberania.
Conservadorismo social: Defende a manutenção da ordem social tradicional e valores considerados conservadores, combatendo o "politicamente correto" e outras pautas progressistas.
Neoliberalismo econômico: Embora possa adotar retóricas anti-elite, em muitos casos, não se opõe de fato ao neoliberalismo econômico, mas sim a certos aspectos que considera prejudiciais aos interesses nacionais. 
Populismo de esquerda
O populismo de esquerda é baseado em uma defesa por maior igualdade social e na crítica ao sistema neoliberal. Suas principais características incluem: 
Luta contra a oligarquia: Aponta as oligarquias e o capital financeiro como a verdadeira elite inimiga do "povo", e não as minorias ou imigrantes.
Aprofundamento da democracia: Defende um projeto de radicalização, aprofundamento e ampliação da democracia, visando maior participação popular e igualdade.
Anti-neoliberalismo: Posiciona-se contra as políticas neoliberais, defendendo maior intervenção estatal, políticas sociais e redistribuição de renda.
Pluralismo social: Diferente do populismo de direita, a esquerda populista geralmente busca unificar a voz de grupos populares e movimentos sociais, sem um critério excludente de nacionalidade ou etnia. 
Contexto atual
No cenário político contemporâneo, o populismo de direita tem ganhado destaque em várias partes do mundo, em parte por explorar o sentimento de descontentamento com a globalização e a perda de empregos na indústria, além de utilizar as redes sociais para disseminar suas narrativas. 
Por outro lado, o populismo de esquerda, embora presente, enfrenta desafios para se apresentar como "anti-sistema" em países onde já esteve no poder, dificultando a mobilização de massas com a mesma intensidade de alguns líderes de direita. Ambos os fenômenos contribuem para a polarização política e, em suas manifestações mais extremas, representam um risco para as instituições democráticas. Segundo o Sociólogo, Mestre e Doutor Cesar Portantiolo Maia, no Quarto Período da Habilitação em Jornalismo na Comunicação Social, pelas Faculdades Integradas Alcântara Machado (FIAAM FAAM).
O populismo de Direita avança em nivel global. Infelizmente. 

                         Confira no link a seguir .https://mobidrive.com/sharelink/p/79JSJ6hlp0zz9vDToyOY8n6ULGHVmgim8OuxOodKAgGN.Domald Trump . Um governante fascista e antidemocrático , se tornou uma liderança nacional , ao captar a insatisfação popular por meio de plataformas anti politica . Se considerando com uma oposição as elites políticas tradicionais . Donald Trump consolidou sua imagem como um magnata bem sucedido do setor imobiliário , fazendo sua auto imagem como celebridade da televisão. Seu programa de TV ( O Aprendiz ) , projetou a imagem de um gestor bem sucedido é muito assertivo . Tal projeção midiática ,lhe conferiu projeção nacional , que pouquíssimos ex presidentes dos Estados Unidos possuem historicamente . Na parte econômica , Donald Trump , soube explorar a desindustrialização e a estagnação económica dos trabalhadores no interior e no chamado " cinturão da ferrugem " ,gerando raiva contra a globalização . Trump culpou o livre comercio e a migração da indústria norte americana pela estagnação económica. Trump também capitalizou as reações de um eleitorado conservador as transformações culturais promovidas pelas elites cosmopolitas das regiões costeiras . Trump também capitalizou a rejeição aos decoros  políticos   tradicionais . O que o vendeu como alguém que não se encaixa nas convenções sociais e no sistema político tradicional . O que lhe dá fatia do eleitorado . Trumpismo e Bolsonarismo , sao correntes fascistas e antidemocrática . Que se valem do sentimento anti sistema para impor o populismo autoritário . No caso de Trump . Governando a maior economia do planeta . Se vale de tarifas globais . Como forma cafajeste de coerção politica . Confira a notícia no Portal G1 da Rede Globo. https://g1.globo.com/politica/eleicoes/2026/pesquisaeleitoral/noticia/2026/07/27/datafolha-52percent-acreditam-que-trump-quer-ajudar-flavio-bolsonaro-com-tarifaco.ghtml

    Imagem do Portal G1 da Rede Globo.



              








 

 

 

l

 

 

      l 

 



 




              .








 


Nenhum comentário:

Postar um comentário