domingo, 5 de julho de 2026

Máquina Partidária .

  

 

A maquina partidária é a capacidade de influencia geopolítica, financeira e política, que um partido possui, não somente em termos de defender seu território político, como também aumentar sua influencia geopolítica, financeira e hierárquica dentro e fora de seu espectro político.

Na área  geopolítica, uma maquina partidária, as políticas territoriais na relação de poder e influencia dentro de seu espectro político, aonde se visa manter seu poder e influencia política dentro de um determinado seguimento. Uma maquina partidária, envolve no seu sentido geopolítico, o gerenciamento e expansão de poder e influencia de um determinado partido em um determinado espectro político.

Na área  hierárquica, uma maquina partidária é uma esfera de poder aonde um determinado partido administra e mantem sua hierarquia e influencia , em conjunto de expansão territorial, na administração governamental , aonde este partido se torna  a maior agremiação política dentro de um determinado espectro político.

Uma maquina partidária, na sua área hierárquica, garante a influencia absoluta de um determinado partido dentro do seu espectro político. Com uma maquina partidária, na sua área hierárquica, garante a influencia expansionista de um determinado partido, além das bases do seu espectro político.

No âmbito financeiro, uma maquina partidária, garante á um determinando partido, se sobrepor pelo poder econômico. Mantendo sua influencia geopolítica e hierárquica, uma maquina partidária, representa a concepção total na sua "natureza política", em uma clara manifestação da hierarquia econômica, política e territorial de um determinando partido, dentro e fora de seu espectro político. 

Uma maquina partidária, garante a "natureza política" de um determinado partido, no seu total e absoluto poder e influencia expansionista por meio do seu poder econômico, que se traduz na "natureza política", dentro e fora do seu espectro político, em uma influencia geopolítica, hierárquica e financeira, pelo "natureza política" do poder econômico que uma maquina partidária proporciona á um determinado partido político.

Uma maquina partidária, garante á um determinado político, a plena capacidade de estrutura e poder político, para se adaptar organicamente a qualquer mudança em uma sociedade.

 Republicanos e democratas nos EUA são os representantes dos partidos Republicano (Grand Old Party - GOP) e Democrata (Democratic Party). Os dois grupos configuram a polarização política que existe no país desde a época de sua independência, em 1776. Ao contrário do que muitos pensam, não há apenas esses dois partidos nos EUA, mas a forma como o sistema eleitoral funciona nesse país acaba fazendo com que os dois dominem a cena política.

Em suas origens, os republicanos e democratas mantinham posições bem distintas das atuais. Os republicanos defendiam o fim do sistema escravocrata e o estímulo à indústria, por exemplo. Seus representantes estavam concentrados no Norte do país. Já os democratas se concentravam no Sul, e defendiam o sistema escravocrata bem como a propriedade privada, entre outros pontos. Após a Guerra Civil Americana, no entanto, republicanos migraram para o Partido Democrata, que se alinhou mais ao campo progressista 

Republicanos e democratas são os grupos partidários que compõem a polaridade política dos Estados Unidos que existe desde a sua independência.

O Partido Republicano tem uma visão conservadora da organização pública, baseada em pontos como a defesa da propriedade privada e do porte de armas; bem como uma visão liberal da economia, defendendo o livre mercado, por exemplo.

O Partido Democrata tem uma visão progressista associada a uma esquerda democrática, defendo políticas sociais assistencialistas e movimentos de minorias, por exemplo

A origem dos republicanos esteve na independência dos EUA, em 1776. À época, os federalistas formaram o Partido Republicano, atrelado a lideranças políticas do Norte do país. Seus agentes defendiam questões como o fim do sistema escravagista.

A origem dos democratas se deu no Partido Republicano Jeffersoniano, que teve uma presença forte no Sul dos EUA. Tinham uma visão alinhada com a exploração econômica via sistema de escravidão e concentração agrária.

Após a Guerra Civil Americana (1861-1865), membros do Partido Republicano foram para o Partido Democrata, que passou a se posicionar mais à esquerda a partir da década de 1920.

O Partido Republicano tem um viés mais alinhado ao pensamento ao conservadorismo moderado ou liberal conservador. Nesse sentido, há, por parte dos republicanos, um apreço pelos princípios conservadores, como a defesa da propriedade privada, do porte de armas, do livre mercado e da livre concorrência. Nesse sentido, o Partido Republicano pode ser denominado de centro direita.

Já o Partido Democrata tem um viés associado à tradição da  centro esquerda democrática, que se diferencia da esquerda anticapitalista , com foco nas  políticas sociais assistencialistas, a intervenção do Estado l na economia,  com bandeiras de movimentos sociais, como a dos negros afro-americanos, a dos gays, a dos imigrantes latinos . Seno classificado como centro esquerda. 

As eleições presidenciais nos Estados Unidos decidem sobre o cargo do presidente e vice-presidente dos Estados Unidos. Trata-se de um sistema de eleição indireta em que os cidadãos dos Estados Unidos registrados para votar em um dos cinquenta estados americanos ou em Washington D.C., votam não diretamente para esses cargos, mas sim para membros do Colégio Eleitoral. Esse sistema de votação data de 1787, quando a Constituição dos EUA estava sendo elaborada, e era praticamente impossível a realização de uma votação popular nacional para eleger um presidente, por conta do tamanho do país e das dificuldades de comunicação.

Como há 538 delegados no total, um candidato precisa de pelo menos 270 para ser eleito. O que se traduz em metade dos 538 (ou 269) + 1 = 270 delegados a serem eleitos presidente dos Estados Unidos. Nas cédulas de votação, cada candidato a presidência leva junto do nome, o nome do vice-presidente e do partido afiliado. Segundo a Mestra e Historiadora Sandra Lima. No Primeiro Período da habilitação em Jornalismo na Comunicação Social. Pelas Faculdades Integradas Alcântara Machado (FIAAM FAAM).

Confira o artigo da autora  Camila Feix Vidal1

Camila Feix Vidal1

 Polarização Partidária e Política Externa nos 

Estados Unidos (1936-2012)

 Party Polarization and Foreign Policy in 

United States (1936-2012)

 1. Introdução

 O debate acadêmico nos Estados Unidos da década de 1950 

criticava a “falta de opções” para os eleitores por conta de políticas 

ideologicamente semelhantes entre os dois principais partidos norte

americanos (APSA, 1950, p. 3). Conhecido como “me too politics” 

(FIORINA, 1999), esse período caracterizava-se por partidos 

ideologicamente próximos em que facções liberais e conservadoras 

encontravam e dividiam espaço tanto no Partido Republicano, 

como no Democrata. Esse é também o período do consenso e das 

políticas centristas e bipartidárias no Congresso norte-americano 

que facilitava a implantação de medidas e aprovação de leis 

(MCCARTHY et al., 2006), de níveis altos de split-ticket voting2 

e de apartidarismo no eleitorado (LEVENDUSKY, 2009). Como 

resultado, essa baixa coesão ideológica intrapartidária (inclusive em 

que vários membros do Congresso votavam mais frequentemente 

com a oposição do que com seu próprio partido) dava a impressão 

de fragilidade ao sistema partidário (SINCLAIR, 2006). Não por 

acaso, afloravam nesse período trabalhos que previam o declínio 

1 É professora de Relações Internacionais na Universidade Federal do Rio Grande (FURG), Rio Grande, 

RS, Brasil. E-mail: <camilafeixvidal@gmail.com> .

 2 O split-ticket voting refere-se ao voto em partidos distintos em uma mesma eleição.

 Revista Brasileira de Ciência Política, nº 25. Brasília, janeiro - abril de 2018, pp 167-204.

 DOI: 10.1590/0103-335220182505

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 Camila Feix Vidal

 (CROTTY, 1984 e WATTENBERG, 1998) e, até mesmo, o fim 

dos partidos políticos (BROADER, 1972) e da ideologia (BELL, 

1980). Também não por acaso, esse mesmo momento presenciava 

a emergência de abordagens racionalistas, em especial a partir 

da obra de Downs (1999), que explicava e legitimava o atual 

posicionamento centrista dos partidos políticos – uma estratégia 

racional para angariar o maior número de votos. Conforme Fiorina 

(1999) aponta, o tempo não seria gentil com esses autores.

 Em 2003, Broader, que algumas décadas atrás escrevia The 

party is over (1972), agora atentava para o “excesso partidário” 

que contribuía para uma “perversão do sistema representativo de 

governo” (BROADER, 2003 apud MASKET, 2012). Também algumas 

décadas depois do discurso proferido na APSA que questionava a 

falta de opções ideológicas entre os partidos, o presidente dessa 

mesma organização atentaria para a “incongruência ideológica” 

entre governo e sociedade e para a crescente polarização partidária 

que questiona o próprio entendimento lógico que se tem sobre 

democracia (POWEL, 2012). De fato, o debate acadêmico atual nos 

EUA não mais trata do fim da ideologia, mas da ideologia extremada; 

não mais da fragilidade dos partidos políticos, mas da força desses 

mesmos; não mais do eleitor mediano, mas da “base”; e, por fim, 

não mais das políticas centristas, mas das políticas extremadas 

partidárias. Segundo Fiorina (2014, p. 3), “Today partisanship, 

ideology and issue positions go together in a way they did not in the 

mid 20th century. Issues and ideology used to cross-cut partisan 

distribution, now they reinforce it”.

 Assim, o atual debate acadêmico nos EUA centra-se em estudos 

sobre uma suposta polarização política. Por polarização entende-se 

uma separação ideológica entre os campos liberal x conservador e 

a ida para os seus extremos (MCCARTHY et al., 2006; e FIORINA, 

2014). Esse mesmo debate busca entender a atual política norte

americana (em que o termo extreme politics passou a ser a norma) e 

redefinir o papel e a importância tanto dos partidos políticos como da 

ideologia, questionando, portanto, as próprias abordagens teóricas 

então vigentes. Partido e ideologia, hoje, estão muito mais alinhados 

Polarização partidária e política externa nos Estados Unidos (1936-2012)

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 do que na geração passada, com o campo liberal sendo representado 

pelo Partido Democrata, e o conservador pelo Partido Republicano. 

Da mesma forma, com os partidos políticos mais diretamente 

relacionados a determinada ideologia (e, com isso, a determinada 

agenda e posicionamentos), o número de eleitores apartidários e 

mesmo de split-ticket voting, diminuiu consideravelmente. Longe de 

ser irrelevante para a política, o partido passa a ser o fator principal 

de comportamento eleitoral3. 

Estudos acerca da polarização partidária, no entanto, são recentes, 

pouco numerosos e, por vezes, empiricamente frágeis. Na maioria 

dos casos, ou se concentram em uma análise de posicionamentos 

de congressistas (MANN, 2014; POOLE e ROSENTHAL, 1985 e 

1984; e MCCARTHY et al., 2006)4; ou refletem um senso comum, 

na sua maioria de forma qualitativa e indutiva, que inclui desde 

a relação entre lideranças e a comparação entre elas, bem como 

a relação do partido com a mídia e com eventos específicos 

(WOLFE in HUNTER e WOLFE, 2006; MANN e ORNSTEIN, 

2012; PIERSON e HACKER, 2005; MANN, 2014; e FIORINA e 

3 Esses dados podem ser verificados na própria literatura especializada como também em gráficos 

desenvolvidos pelo Pew Research Center e por Poole e Rosenthal em Polarized America.

 4 O primeiro estudo detalhado (e até hoje utilizado como referência) sobre a polarização partidária 

foi feito por Poole e Rosenthal em 1984. Intitulado The polarization of American politics, o estudo 

utilizava-se de dados de votações de senadores (democratas e republicanos) e de avaliação de 

determinados grupos de interesse sobre esses mesmos senadores no período 1959-1980. No 

ano seguinte à publicação, Poole e Rosenthal afinaram a metodologia usada e desenvolveram a 

mais utilizada e referenciada técnica nos estudos de polarização partidária: o Nominate (ou DW 

Nominate). Essa técnica utiliza-se de contabilização de votos de congressistas e os posiciona em 

uma escala liberal x conservador. Recentemente, em conjunto com McCarthy, desenvolveram 

um estudo a partir de votações no Congresso de 1900 a 2000, concluindo que entre 1900 e 1975 

a fração de posicionamentos moderados cresce; no entanto, a partir de 1975, a polarização no 

Congresso mantém-se em constante ascendência. Ainda que extremamente importantes para se 

entender a polarização estadunidense, esses estudos lidam com um único e determinado setor: 

os congressistas.

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 Camila Feix Vidal

 ABRAMS, 2008; PRIOR, 2013)5. Assim, busca-se neste trabalho 

uma análise empiricamente mais robusta acerca da suposta ida para 

os extremos ideológicos do espectro político por parte dos dois 

principais partidos nos EUA, tendo como foco a política externa 

defendida por eles. 

Objetiva-se fazer, tendo o auxílio de ferramentas informacionais 

como NVivo e SPSS, uma análise comparada dos posicionamentos 

e ideologias expostas pelos próprios partidos nas suas plataformas 

nacionais, compreendidas como o melhor indicador ideológico 

partidário (LAVER e GARY, 2000; POMPER, 1967; BUDGE et al., 

1987; D’ALESSANDRO, 2012) por ser esse o único documento 

atribuído ao partido e endossado por todos, tácita ou formalmente, 

em que os posicionamentos políticos e pressupostos ideológicos do 

partido estão expostos. Elas são, em última instância, sinalizações 

do que o partido pretende implementar, uma vez eleito e que em 

um sistema bipartidário como é o caso dos Estados Unidos geral

mente são facilmente implementadas

 O recorte temporal feito diz respeito ao momento em que os 

conceitos de “liberalismo” e “conservadorismo” começavam a ser 

debatidos e construídos no meio acadêmico e político: a partir da 

instauração do primeiro New Deal, em 1933; até o período mais 

recente, caracterizado pela eleição a presidência em 2012. No que 

diz respeito às plataformas nacionais, esse recorte se dá entre 1936 

(primeira eleição presidencial pós New Deal) e 2012. 

5 Um espaço desproporcional é dado a lideranças do PR, tais como Pat Robertson, Newt Gingrich 

e G.W.Bush, sugerindo que a polarização estaria mais fortemente vinculada a emergência dessas 

f

 iguras. Da mesma forma, há autores que se utilizam de eventos específicos, tais como o filibuster 

orquestrado pelo PR na questão do teto da dívida pública como indícios de um maior conflito 

entre os partidos e, portanto, de polarização partidária. Por fim, há ainda autores que buscam 

relacionar a emergência de uma mídia partidária, em específico a republicana Fox News e de novos 

mecanismos midiáticos, tais como talk shows e C-SPAN que teriam sido utilizados de maneira mais 

eficaz por republicanos e conservadores, tal como Rush Limbaugh. De todo modo, esses trabalhos 

limitam-se ao estudo de certos eventos ou certas lideranças.

Polarização partidária e política externa nos Estados Unidos (1936-2012)

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 2. Conservadorismo e Liberalismo nos EUA: ideais 

antagônicos

 A definição de uma ideologia é, por si só, um trabalho difícil em 

função da pluralidade de aspectos e de temas, da fluidez com que 

essa se transforma e do próprio contexto em que ela está inserida. 

Obviamente, quando se lida com conceitos tão amorfos como 

conservadorismo e liberalismo, não se tem a intenção de defini-los 

de forma estanque. Nada mais são do que abstrações por vezes 

utilizadas de forma ambígua e bastante flexível que, no entanto, por 

conta de processos de reificação, são capazes de dar às pessoas certa 

coesão e base de pensamento. De fato, é difícil buscar uma única, 

satisfatória e abrangente definição de fenômenos tão complexos 

como conservadorismo e liberalismo. Entretanto, se pode ao menos 

buscar certos eixos (um núcleo) que perpassam tempo e espaço e 

que seriam responsáveis por dar certa forma a essas ideologias. 

Nesse sentido, é importante mencionar que apesar do 

“conservadorismo” e do “liberalismo” serem conceitos relativamente 

novos nos EUA (datando de meados do século XX), sempre 

existiram vertentes que poderiam hoje ser caracterizadas como 

liberais ou conservadoras. O próprio debate acerca da organização 

federal e constitutiva norte-americana já atentava para dois grupos 

(federalistas e antifederalistas): um que preconizava a união 

federal, portanto, com um governo federal com certo escopo de 

atuação, e o outro que defendia a independência dos estados, 

portanto, um governo federal mínimo. Ao invés de rótulos como 

“conservadorismo” e “liberalismo”, falava-se em “paternalismo” e 

“individualismo”: o primeiro seria a dependência de um estado de 

bem-estar social, enquanto o segundo a rejeição desse. Assim, esses 

conceitos não nascem do nada. São continuações de certas visões 

de mundo e de filosofias políticas que fizeram parte da história 

norte-americana. No entanto, passam a ser mais bem definidas, 

justificadas e legitimadas a partir de determinado momento por 

conta da atuação de certos atores-chave que buscam, por meio do 

uso desses rótulos, impor uma caracterização ideológica própria 

e atrelá-los a um partido político. No caso do liberalismo, a partir 

172

 Camila Feix Vidal

 de meados da década de 1930, com o governo Franklin Delano 

Roosevelt (FDR); no caso do conservadorismo, a partir da década 

de 1950, com o desenvolvimento de um network composto por 

intelectuais, ativistas e empresários (VIDAL, 2016).

 O entendimento de liberalismo nos EUA é, em primeiro lugar, 

distinto do entendimento de liberalismo no Brasil ou mesmo 

na Europa – onde é associado ao liberalismo clássico, portanto 

à escola austríaca que privilegia a “mão invisível” do mercado 

e a não interferência na economia. Nesse país, o liberalismo é a 

ideologia política atual mais fortemente vinculada com a esquerda 

do espectro político, portanto, uma ideologia que, ao contrário do 

laissez faire associado ao liberalismo clássico, defende um amplo 

escopo de atuação federal na construção de um estado de bem-estar 

social. Em segundo lugar, a emergência dessa ideologia deve-se ao 

papel central desenvolvido por lideranças políticas democratas, em 

específico, FDR. Em terceiro lugar, o liberalismo está diretamente 

vinculado a problemas de ordem prática; ou seja, longe de ser 

uma ideologia que já nasce a partir de certos preceitos e de uma 

agenda política clara, é o resultado de uma série de tomada de 

posições frente a assuntos práticos de ordem política. Por fim, 

ainda que a emergência do liberalismo como uma filosofia política 

esteja diretamente vinculada com o governo FDR, ela possui raízes 

tanto nos movimentos progressistas quanto nos movimentos 

populistas nos Estados Unidos. Com a presidência de Roosevelt, 

essas tendências seriam “rebatizadas” com o nome de “liberalismo” 

sem, no entanto, perder as linhas basilares que definiam esses 

movimentos, em específico a ênfase na igualdade e no papel do 

governo para a condução de uma sociedade mais igualitária6.

 Desse modo, podemos definir algumas características que dão a 

ele a forma que atualmente tem: o objetivo está na igualdade (seja ela 

econômica ou social). Nesse sentido, o governo detém um papel de 

provedor dessa sociedade – intervém, portanto, em áreas até então 

6 É importante mencionar que o progressivismo nos Estados Unidos comportava uma dimensão moral. 

Dentre as suas prerrogativas, existiam componentes que buscavam impor uma certa moralidade 

à sociedade norte-americana, diferentemente do liberalismo.

Polarização partidária e política externa nos Estados Unidos (1936-2012)

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 consideradas “privadas” ou locais sem, no entanto, descaracterizar 

o capitalismo típico estadunidense. Por exemplo, regula relações de 

trabalho e atuação de corporações, redistribui recursos por meio de 

auxílio financeiro, saúde ou programas de emprego, entre outros; 

mas não socializa terras ou abole a propriedade privada. Assim, 

o liberalismo nos EUA é caracterizado por uma mixed economy 

ao estilo keynesiano – o governo intervém como um árbitro para 

direcionar o andamento da economia capitalista e mitigar os seus 

efeitos negativos na sociedade. Na área social, o liberalismo defende 

certa concepção multicultural, perceptível na preocupação com os 

direitos das minorias, sejam elas afro-descendentes, imigrantes, 

mulheres ou homossexuais. O liberalismo intervém na esfera social 

(por exemplo, na questão racial e de gênero) com o objetivo de 

assegurar a igualdade formal e a liberdade de escolha. Por fim, no que 

diz respeito à política externa, o liberalismo caracteriza-se por um 

anticomunismo ativo caracterizado por políticas intervencionistas, 

mas que enfatizam a concertação multilateral e a interdependência 

entre os estados (Quadro 1).

 Ao contrário do liberalismo que emerge na política como 

resposta a determinadas questões pontuais e cujos proponentes são 

facilmente identificáveis; o conservadorismo inicia-se no âmbito 

externo às instituições políticas por meio do esforço conjunto de 

intelectuais, empresários e movimentos sociais (BRENNAN, 1995; 

CRITCHLOW, 2007; ABERBACH e PEELE 2011; NASH, 1996 e 

2009). Longe de comportar uma única e identificável ideologia, esse 

movimento compõe-se de várias vertentes, por vezes antagônicas, 

entre elas o tradicionalismo, o libertarianismo e o intervencionismo 

autônomo; formando uma espécie de “guarda-chuva ideológico” 

(NASH, 2009). Desse modo, devido as suas constantes tensões e 

contradições, não é possível chegar a uma definição amplamente 

aceita de conservadorismo, ou mesmo de um “perfeito” conservador 

(NASH, 1996; ABERBACH e PEELE, 2011). 

É importante mencionar que até 1945 não havia uma 

força intelectual, social ou política conservadora relativamente 

articulada e coordenada (NASH, 1996). É certo que já havia vozes 

174

 Camila Feix Vidal

 dissidentes em relação ao que começava a ser caracterizado como 

liberalismo, da mesma forma que havia vozes a favor e contra o 

“engrandecimento” do estado federal desde a concepção dos EUA. 

Essas vozes agrupavam-se em três grandes grupos: os libertários, 

os tradicionalistas e os anticomunistas intervencionistas (ibidem). 

No entanto, eram vozes soltas, faltando-lhes uma ideologia própria 

ou mesmo uma “cola” que as unisse e as fizesse mais identificável e 

palatável aos olhos da população e mesmo dos partidos políticos. 

Essas vozes pouco adentravam na política norte-americana. Desde 

a eleição de FDR, que proporcionou sucessivas vitórias democratas 

no âmbito federal, o PD trilhava um caminho liberal – cada um dos 

presidentes empossados por esse partido buscava dar continuidade 

às práticas do New Deal. De modo não muito contrário, o PR passou 

a trilhar o mesmo caminho. De fato, o governo de Eisenhower não 

se distancia demasiadamente dos governos democratas no que 

diz respeito à política econômica, às questões sociais e mesmo à 

política externa, em que ambos os partidos passariam a priorizar o 

internacionalismo multilateral (THOMPSON, 2007; BRENNAN, 

1995; NASH, 1996; GIFFORD e WILLIAMS, 2012)7. É justamente 

esse o período considerado me too politics, em que afloravam 

trabalhos sobre o fim da ideologia e o fim dos partidos políticos. 

Ao que parecia, havia, até a década de 1960, uma única tendência 

ideológica na política norte-americana: o liberalismo. Não sendo o 

PR um artifício para desafiá-la, coube a indivíduos fora do sistema 

político norte-americano, descontentes com o rumo que a política 

norte-americana traçava, o desenvolvimento de uma alternativa. 

O conservadorismo nasce, assim, como reação ao liberalismo 

a partir de fins da década de 1950 (PIERSON e SKOCPOL, 2007; 

SCHNEIDER, 2009; NASH, 1996 e 2009; BRENNAN, 1995; 

GIFFORD e WILLIAMS, 2012; THOMPSON, 2007; ABERBACH 

e PEELE, 2011; HIMMELSTEIN, 1989; PHILIPS-FEIN, 2009). 

Ainda que tenha raízes antigas datando da própria formação dos 

7 Segundo Brennan (1995), a ala “liberal” republicana (Eastern Establishment) passou a dominar o 

partido a partir da década de 1940, o que contribuía para uma “crise de identidade” desse último, 

haja vista que passava a não se diferenciar em grande escala do seu oponente, o PD. 

Polarização partidária e política externa nos Estados Unidos (1936-2012)

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 Estados Unidos, essa ideologia em conjunto com as vertentes que a 

definem hoje foi efetivamente “inventada” (GOTTFRIED, 2007) ou 

“construída” (NASH, 1996) no período imediatamente posterior ao 

f

 im da Segunda Guerra Mundial com dois objetivos muito claros: 

fazer uma contraposição à ideologia dominante (o liberalismo) e 

“capturar” um partido político com esse fim (o PR) (GIFFORD e 

WILLIAMS, 2012; THOMPSON, 2007). Assim, há que se notar 

que não é uma continuação ou uma releitura de Edmund Burke. O 

conservadorismo norte-americano é bastante diferente do Europeu 

tanto pela sua origem como pelos seus ideais – não é unicamente 

reacionário, mas, ao contrário, corresponde por vezes a respostas 

proativas em um mundo em constante mudança (GIFFORD e 

WILLIAMS, 2012; THOMPSON, 2007). 

Esse movimento tem início a partir do debate que se trava 

entre intelectuais e acadêmicos insatisfeitos com a ideologia liberal 

dominante. No entanto, como argumenta Nash (1996), livros, por 

si só, não criam um movimento intelectual da mesma forma que 

ideias por si só são insuficientes para alterar o rumo da política. 

Daí a necessidade da construção de uma ampla rede de networks 

de influência (com a criação de associações, movimentos sociais, 

revistas e think tanks, por exemplo) com impacto político (Ibidem; 

BRENNAN, 1995). Essa construção de networks, por sua vez, só pode 

ser efetivada com recursos financeiros. Ideias e recurso financeiro, 

nesse sentido, tornar-se-iam cruciais para a criação e manutenção 

do movimento conservador. O estudo do conservadorismo 

norte-americano, desse modo, está intimamente associado com 

intelectuais (bem como com a construção de revistas e think tanks 

por esses desenvolvidos), com ativistas (por meio de movimentos 

sociais) e mesmo com empresários (pelo “financiamento” desses 

projetos). Esses indivíduos, assim, construiriam uma ideologia 

e um movimento baseado, ao fim, em três pilares: na economia, 

uma aversão ao estado de bem-estar social que representava o New 

Deal; nas questões sociais, a retomada da moralidade, das tradições 

e da religião; e na política externa, o combate ao comunismo 

por meio de uma política intervencionista unilateral. Esses três 

176

 Camila Feix Vidal

 elementos permanecem até hoje como as bases dessa ideologia: o 

libertarianismo, o tradicionalismo e o anticomunismo militante 

(HIMMELSTEIN, 1989). O ponto central do fusionismo (síntese das 

vertentes conservadoras), é o entendimento de que a preocupação 

libertária com a liberdade individual e a preocupação tradicionalista 

com a moralidade e a religião, longe de serem antagônicas, faziam 

parte de uma mesma filosofia política. 

Assim, o conservadorismo é, em primeiro lugar, uma reação 

contra o liberalismo. Para os libertários, o liberalismo significa 

um governo federal cada vez maior, associando-se a um estado 

totalitário, que retira parte da propriedade privada do indivíduo 

para redistribuição e para manutenção do seu aparato burocrático. 

Para os tradicionalistas, o liberalismo significa a erosão dos valores 

cristãos e da tradição norte-americana. É a desintegração da 

família tradicional, é a erosão do papel dos pais como educadores, 

a desestruturação das funções tradicionais desenvolvidas por 

homens e mulheres, o comportamento “libertino”, etc. Já para os 

intervencionistas militaristas, o liberalismo é a capitulação dos 

Estados Unidos frente ao mundo externo. É o enfraquecimento da 

sua soberania frente a acordos e organismos internacionais e do 

próprio território nacional frente a políticas de appeasement. 

Em resumo, na área econômica o conservadorismo é, sobretudo, 

libertário. Valoriza o laissez faire, a iniciativa privada e um governo 

federal com escopo de atuação mínimo. Defende o “mérito” e a 

propriedade privada como um bem supremo, portanto, acredita 

que impostos devem ser mínimos e iguais. Essa é a sua concepção 

de justiça. Essa característica está muito visível na área social. O 

conservadorismo valoriza certa hierarquia em todos os sentidos: 

familiar, social, econômica, etc. Como já atentava Kirk (1953), é 

a diferença entre o escalão da frente e o de trás a força-motriz do 

progresso. A utilização da religião como forma de justificativa e 

legitimação dessas questões é facilmente verificada nessa área. Por 

f

 im, na arena externa (Quadro 1), o conservadorismo defende uma 

ideia de defesa nacional pela expansão militar e intervencionismo 

autônomo. Valoriza a sua soberania, o seu território e os seus 

Polarização partidária e política externa nos Estados Unidos (1936-2012)

 177

 nacionais. Essa questão fica clara na contínua transferência de 

“inimigos externos”: antes relegados à URSS, agora a diferentes 

movimentos internacionais, países e ameaças. A condução da 

política externa é, assim, intervencionista e unilateral – não só 

não há necessidade de aliados na tomada de uma decisão, como 

qualquer tipo de organização ou tratado internacional que limite de 

alguma forma a atuação norte-americana é condenado.

 Quadro 1: Oposição entre liberalismo e conservadorismo referente à política externa

 Conservadorismo

 Liberalismo

 Ênfases

 Ênfase no exército

 Valorização das forças armadas

 Ênfase na diplomacia

 Valorização dos organismos multilaterais

 Defesa e segurança

 Defesa e segurança é projeto autônomo

 Defesa e segurança é projeto coletivo

 Intervencionismo

 Intervencionismo unilateral 

e independente

 Intervencionismo multilateral 

e dependente

 Escopo de atuação

 Questões estratégicas de 

segurança e interesse nacional

 Questões de segurança, interesse 

nacional e humanitárias

 Organizações multilaterais e 

tratados internacionais

 Contra: limitam a autonomia 

e a soberania dos EUA 

A favor: responsáveis por maior 

ordem e segurança mundial 

Fonte: Elaboração própria.

 3. Ferramentas metodológicas: variáveis, categorias e 

formas de mensuração do modelo adotado

 A análise de plataformas partidárias está inserida em uma 

metodologia ampla de análise de conteúdo; no entanto, vem sendo 

progressivamente estruturada de maneira a abarcar diferentes 

métodos no estudo de textos partidários. Na maioria dos casos, a 

análise de plataforma é feita de maneira comparada, buscando corre

lações com outras plataformas ou manifestos partidários. Essa não 

é uma abordagem nova nos estudos de partidos e ideologias parti

dárias. Gerald Pomper (1967), por exemplo, já atentava na década 

de 1960 para a importância de estudos aprofundados com base 

178

 Camila Feix Vidal

 nesses documentos e as várias possibilidades de se compreender as 

mudanças intra e interpartidárias a partir deles. No entanto, apesar 

de relativamente antiga, ainda pode ser considerada marginal no 

âmbito da Ciência Política; em especial (e paradoxalmente) nos 

Estados Unidos em comparação com estudos europeus. Em sua 

maioria, seguem uma abordagem candidate centered e racionalista, 

como é o caso dos estudos de Pomper (1967), Fishel (1985) e Maisel 

(1993-1994). 

A análise de programas partidários, atualmente, parece ser mais 

estudada e divulgada no âmbito europeu. É lá que teve início o 

Comparative Manifesto Project (CMP) desenvolvido por Michael 

Laver e Ian Budge que visa posicionar os programas partidários 

de diversos países em uma escala direita x esquerda por meio de 

técnicas de handcoding feita de maneira sistemática a partir de 

um único padrão de códigos. Assim, toda a plataforma é manual

mente dividida em quasi-sentences8 que serão posteriormente cate

gorizadas de acordo com determinado tema e a menção feita a ele. 

Ainda que a codificação manual continue tendo espaço nas análises 

de conteúdo no que diz respeito aos programas partidários, outros 

métodos vêm sendo disponibilizados com esse mesmo fim, entre 

eles determinados programas computacionais como Wordscores e 

Wordfish e desenvolvidos por Laver, Benoit e Garry (2003) e Slapin 

e Proksch (2008). Em ambos os casos, utiliza-se de determinadas 

técnicas que contabilizam e codificam palavras, frases, parágrafos 

e argumentos com objetivo de posicionar o programa partidário 

no espectro político direita x esquerda. Assim, alguns temas e a 

menção feita a eles (se positiva ou negativa) são pré-definidos como 

de “esquerda” ou de “direita” e, dependendo da frequência e catego

rização dos dados escolhidos na plataforma, o partido passa a ser 

situado em uma parte desse espectro político.

 O trabalho aqui proposto tem como ponto de partida o uso 

dessas técnicas na análise das plataformas nacionais Republicanas 

e Democratas utilizando-se, para isso, de programas e softwares 

8  

 São argumentos que podem ser computados a partir de uma frase ou, no caso de mais de um 

argumento na mesma frase, parte dela.

Polarização partidária e política externa nos Estados Unidos (1936-2012)

 179

 como SPSS, NVivo e ManyEyes/IBM para a construção de scores de 

quantificação. Nesse sentido, a abordagem aqui feita assemelha-se 

aos moldes da escala desenvolvida por Feinstein e Schickler (2008), 

Koster (et al., 2012) e Lange (2007). Assim, são pontuados posicio

namentos explicitados na plataforma de acordo com uma escala 

que visa verificar a presença de preceitos conservadores e liberais, 

bem como analisar a inflexão desses posicionamentos ao longo do 

tempo em uma espécie de escala de gradação (ver indicadores no 

apêndice). É importante mencionar que essa análise possui certa 

semelhança com o método de codificação manual desenvolvido 

pelo Manifest Research Group; no entanto, não é uma releitura ou 

continuação dessa; ao contrário, a abordagem aqui escolhida possui 

importantes diferenças.

 Em primeiro lugar, o foco não está na saliência, mas no confronto. 

Entende-se que os partidos não possuem temas “próprios” e, com 

isso, os exploram em detrimento de outros. O que esse estudo 

feito nos mostra é que os temas de maior repercussão e de maior 

polarização ideológica nascem de eventos na sociedade aos quais 

os partidos acabam por se posicionarem sem, no entanto, manter 

a “propriedade” do tema em questão. A abordagem aqui feita, 

portanto, busca quantificar o posicionamento partidário expresso 

na plataforma a partir das categorias específicas e da presença dessas 

ou não na plataforma. E, em segundo lugar, buscou-se categorizar 

também a abstenção do partido acerca de um tema já pautado no 

debate político atribuindo-lhe um posicionamento centrista e o “0” 

na sua quantificação por entender que a recusa em posicionar-se 

acerca de um tema é, também uma escolha – nesse caso, centrista. 

Essa recusa em posicionar-se, por fim, foi contabilizada como 0 

na média feita com os outros indicadores. Assim, faz-se o seguinte 

calculo: P/T, onde P é a somatória dos pontos em dada plataforma 

e T é a somatória dos temas parte do debate político na época, 

perfazendo, desse modo, uma média aritmética.

180

 Camila Feix Vidal

 3. Análise da Política Externa – Partido Republicano

 A política externa defendida pelo PR oscila ao longo do período 

analisado (Gráfico 1). Ainda assim, é possível notar três períodos 

relativamente distintos. Um primeiro momento entre 1936 e 1940; 

um segundo entre 1944 e 1972; e um terceiro a partir de 1976.

 O primeiro período, caracterizado pelas plataformas de 1940 e 

1944 é um momento em que se pode verificar uma maior presença 

de posicionamentos conservadores – em específico no que diz 

respeito às Organizações Internacionais (OIs), projetos de defesa 

e atuação externa. No entanto, que foge do internacionalismo 

caracterizado tanto pelo liberalismo quanto pelo conservadorismo 

e que seria característica do partido a partir da plataforma de 1944. 

O partido, nesse primeiro período, é isolacionista – defende a não 

atuação norte-americana no cenário internacional; seja relativo 

às instituições internacionais, seja relativo a um envolvimento 

internacional no que tange à Segunda Guerra Mundial. 

Gráfico 1 – Média Política Externa – Partido Republicano

 Fonte: Elaboração própria.

 Já o segundo momento é um período de grande oscilação 

que conjuga plataformas tipicamente liberais (1944, 1948, 1968 e 

Polarização partidária e política externa nos Estados Unidos (1936-2012)

 181

 1972), conservadoras (1952 e 1964) e “mistas” – em que as duas 

f

 ilosofias políticas estão igualmente apresentadas (1956 e 1960). 

As plataformas da década de 1940, tipicamente liberais, defendem 

maior engajamento do país no cenário internacional e a valorização 

de instituições e arranjos internacionais multilaterais. Estão inseridas 

na lógica da Segunda Guerra Mundial e o inimigo é caracterizado 

pelo nazismo, ou de maneira mais abrangente, pela ameaça de 

“governos totalitários”. O discurso centra-se no fortalecimento da 

ONU e na valorização de organismos jurídicos internacionais, 

como a Corte Internacional de Justiça (CIJ). A paz mundial, assim, 

é entendida como um projeto multilateral em que efetivos militares 

são menos relevantes. Em 1944, o partido argumenta: “We believe 

[...] that peace and security do not depend upon the sanction of 

force alone, but should prevail by virtue of reciprocal interests and 

spiritual values”. Nesse momento, o discurso passa a enfatizar a 

segurança coletiva para lidar com ameaças externas.

 As próximas três plataformas se caracterizariam pela defesa de 

posicionamentos tanto liberais quanto conservadores, defendendo, 

ao mesmo tempo, políticas e propostas contrárias entre si. Esse é o 

momento de início do contencioso com a União Soviética (URSS), 

portanto está pautado na lógica da Guerra Fria. De modo geral, 

verifica-se nas plataformas de 1952, 1956 e 1960 uma inflexão 

conservadora no que diz respeito à atuação externa e aos projetos 

de defesa e segurança. Há, nesse sentido, a valorização de um papel 

de liderança a ser desempenhado pelos Estados Unidos de forma 

relativamente unilateral no cenário externo. Faz-se, ainda, referência 

constante à necessidade de maiores recursos militares para garantia 

da segurança e da paz mundial – conforme a plataforma de 1956, 

“The military strength has been a key factor in the preservation of 

world peace”. O relacionamento com a URSS, nesse sentido, tende a 

ser mais confrontacionista, pautado pela defesa de armamentos e de 

um discurso que privilegia a liderança norte-americana. Ainda assim, 

defende-se um fortalecimento de organismos internacionais como 

a ONU e de segurança coletiva como a Organização do Tratado do 

Atlântico Norte (Otan). Nota-se, também, maior preocupação com 

182

 Camila Feix Vidal

 a assistência internacional humanitária, econômica e militar. Nesse 

sentido, valoriza-se o envio de recursos financeiros ou de efetivo 

para países aliados. A busca por uma “opção” ideológica e todo o 

esforço feito por conservadores para levar o conservadorismo para 

dentro do PR seria, ao fim, evidenciada na plataforma de 1964. 

Essa, no entanto, seria mais um “experimento” conservador do que 

efetivamente uma tendência. Assim, a plataforma de 1964 situa-se 

como um “hiato” entre plataformas liberais. De fato, os próximos 

dois documentos partidários seriam pautados pelo liberalismo 

como corrente ideológica, atestando para a grande oscilação 

ideológica e mesmo lutas intrapartidárias que caracterizavam o 

período. 

Relativo à plataforma de 1964, nota-se a manutenção de 

princípios conservadores já esboçados nas plataformas anteriores – em específico, a defesa do unilateralismo e de liderança norte

americana nos assuntos externos, o caráter confrontacionista 

com a URSS, e a ênfase em armamentos e efetivo militar para 

manutenção da paz mundial e segurança interna. Há, no entanto, 

importantes inflexões no que diz respeito às questões humanitárias 

e às organizações internacionais. Relativo ao primeiro ponto, 

a plataforma, passa a enfatizar o custo-benefício em termos de 

interesse nacional. Nesse sentido, passa a defender a assistência 

a partir de contrapartidas e cujo resultado seja de interesse dos 

Estados Unidos. Da mesma forma, há uma desvalorização no que 

concerne à ONU. Antes entendida como um instrumento de paz, 

agora a instituição passa a ser caracterizada como um instrumento 

autoritário, não necessariamente favorável aos interesses norte

americanos: “Republicans will never surrender to any international 

group the responsibility of the United States for its sovereignty, its 

own security, and the leadership of the free world” (1964). Por fim, 

a plataforma traz, pela primeira vez, o tema da religião ao relacionar 

comunismo com ateísmo. 

Após o hiato conservador de 1964, o PR retornaria à defesa de uma 

política externa tipicamente liberal nas duas próximas plataformas 

(1968 e 1972) por conta da valorização do multilateralismo, da 

Polarização partidária e política externa nos Estados Unidos (1936-2012)

 183

 cooperação entre países e dos organismos internacionais. Conforme 

a plataforma de 1968, “Our best hope for enduring peace lies in 

comprehensive international cooperation”. A ONU, que nas últimas 

plataformas vinha sendo alvo de críticas, passa a ser valorizada 

como um importante instrumento para a paz. Da mesma forma, 

a aprovação da CIJ, que contava com uma constante oposição 

republicana nas plataformas anteriores, passa a ser defendida. 

Nessas plataformas, há pouca menção a armamentos, exército e 

defesa – ao contrário, defende-se o fim da corrida armamentista por 

meio da ONU. A ameaça internacional, ao contrário das plataformas 

anteriores que enfatizavam o comunismo, passa a ser relacionada 

de modo mais amplo, a abarcar aspectos sociais e econômicos 

de diversos países, tal como a pobreza, a fome e o aumento da 

população. Essas questões gerariam uma insegurança mundial a ser 

combatida por meio de cooperação entre países. Também nessas 

duas plataformas, a ênfase na liderança e na atuação unilateral 

norte-americana dá espaço a uma valorização da cooperação e da 

multilateralidade. Ao contrário de uma postura confrontacionista 

com a URSS, há a valorização do diálogo baseado em relações mais 

construtivas, de maiores intercâmbios de ideias e pessoal, e mesmo 

de cooperação econômica e militar que não se restringe à URSS, 

mas abarca também países como a China. Por fim, condizente com 

a postura liberal, há ainda a defesa de redução de armamentos 

nucleares, incluso de armamentos norte-americanos. A plataforma 

de 1972 referiria-se a essa nova atuação republicana com o golden 

age of american diplomacy. As plataformas de 1968 e 1972 foram 

as últimas genuinamente liberais produzidas pelo PR na área de 

política externa. A partir de 1976 começaria um terceiro e último 

período que se caracteriza pela ascensão e manutenção de políticas 

conservadoras.

 Consoante com os preceitos conservadores, esse terceiro período 

seria caracterizado por: a) ênfase na defesa nacional por meio 

de maiores armamentos (inclusive nucleares), b) valorização do 

papel de liderança estadunidense na arena internacional e retorno 

do unilateralismo, c) desvalorização de organizações e tratados 

184

 Camila Feix Vidal

 multilaterais – de modo geral, a desvalorização do multilateralismo 

(salvo os anos 2000, quando há uma inflexão nesse padrão), d) um 

caráter mais moralista e religioso nas relações internacionais; e e) 

uma postura mais agressiva caracterizada pela valorização da força 

bélica e da desvalorização da diplomacia no que tange aos inimigos 

e ameaças externas. 

Durante esse período, o PR defende exaustivamente a ampliação 

das Forças Armadas. A paz mundial, nesse sentido, está relacionada 

com a segurança dos Estados Unidos por conta de mecanismos de 

defesa e de força militar; ou seja, a segurança norte-americana é ela 

própria indicativo de paz mundial. Segundo a plataforma de 1976, “A 

superior national defense is the fundamental condition for a secure 

America and for peace and freedom in the world”. A partir de 1980, 

a relação entre paz, armamentos e força militar norte-americana 

seria resumida no conceito de peace through strength, presente em 

todas as plataformas analisadas a partir de então. Mesmo o discurso 

acerca da redução de armamentos nucleares está inserido nessa 

lógica: modernizar e ampliar as forças e armamentos militares 

por parte dos Estados Unidos como garantia de desarmamento 

nuclear futuro dos outros países. Ao contrário de diminuição de 

armamentos nucleares, as plataformas, em sua maioria, defendem a 

modernização e a criação de novas armas nucleares em uma espécie 

de corrida armamentista contra a URSS até a década de 2000 e, em 

2012, contra grupos terroristas. Busca-se uma posição de força por 

meio de uma ampla capacidade nuclear, mesmo quando se defende 

negociações com adversários. Conforme a plataforma de 1988: 

“Even as we engage in dialogue with our adversaries to reduce the 

risk of war, we must continue to rely on nuclear weapons as our 

chief form of deterrence”.

 A partir década de 1980, o PR passaria ainda a defender em todas 

as plataformas seguintes a exportação dos ideais estadunidenses – em específico, a democracia, a liberdade e o livre mercado – 

como condição para a paz e para o desenvolvimento dos países. Há 

um entendimento de que democracias são pacíficas – não fazem 

guerras entre si e de que o livre mercado é condição necessária para 

Polarização partidária e política externa nos Estados Unidos (1936-2012)

 185

 crescimento econômico. Desse modo, o partido passa a criticar a 

assistência humanitária nas relações internacionais por meio de 

efetivo pessoal ou de recursos financeiros. Defendem-se, nesse 

sentido, reformas políticas e econômicas que garantiriam o livre 

mercado como condição de desenvolvimento. Além disso, há 

maior preocupação com todo tipo de assistência norte-americana, 

agora mais crítica e pragmática: deve servir aos interesses norte

americanos de maneira direta. 

Tipicamente conservadora é, também, a inflexão republicana 

referente às organizações internacionais e, em específico, à ONU. 

Nesse terceiro período, são feitas constantes críticas a arranjos 

internacionais que supostamente entrariam em conflito com a 

soberania norte-americana. Em 1984, por exemplo, defende-se 

a diminuição de recursos às OIs – postura que seria mantida nas 

próximas plataformas; a saída norte-americana de OIs vinculadas 

à ONU, tal como a Unesco; e a não ratificação de tratados 

internacionais que supostamente violariam direitos constitucionais, 

tal como a Convenção sobre Leis Marítimas. A partir de 1984, 

o Partido Republicano passaria a desvalorizar a ONU por conta 

de uma suposta influência soviética (1984), má direção (1996) 

e discriminação contra Israel (2000). Além disso, durante esse 

período há uma recusa no envio de tropas sob comando das forças 

de paz da ONU. Há, por fim, o entendimento de que OIs ‘não 

são garantias de segurança ou mesmo de promoção dos interesses 

norte-americanos. 

A partir da década de 1980, é possível notar, também, um caráter 

mais moralista nas plataformas republicanas na área da política 

externa. Defende-se, por exemplo, o fim de financiamentos às 

organizações ou a países que, de alguma maneira, defendem ou 

fazem pesquisa sobre aborto; a não entrada (e a não permanência 

dos que lá estão) de homossexuais no exército – supostamente 

incompatível com o serviço militar; e maior ênfase na liberdade 

religiosa (entenda-se por “Cristã”) no âmbito externo.

 Por fim, no que diz respeito às ameaças e inimigos externos, 

as plataformas, entre 1976 e 2000, definem-se por uma postura 

186

 Camila Feix Vidal

 mais agressiva com URSS/Rússia. Enfatiza-se deterrence a partir de 

maiores efetivos militares e armas nucleares. A plataforma de 1976, 

por exemplo, argumenta a impossibilidade de um relacionamento 

construtivo ou de paz com a URSS. Já em 1988, o PR redige uma 

lista de precondições a serem seguidas pela URSS como condição 

para um futuro relacionamento, dentre eles, o respeito aos 

direitos humanos e religiosos, a reforma na economia, o fim do 

apoio a regimes comunistas, e a redução da capacidade ofensiva 

e convencional. A partir dos anos 2000, com o fim da Guerra Fria 

e, em específico, após o atentado de 11 de setembro; há um novo 

inimigo – o terrorismo – que substitui o papel da URSS/Rússia. 

Nesse sentido, a “Guerra ao Comunismo” é substituída pela “Guerra 

ao Terrorismo”. 

As plataformas de 2000, 2004 e 2008 fazem certa inflexão ao 

liberalismo ao valorizar maiores arranjos institucionais internacionais 

e cooperação internacional. É importante mencionar que a Rússia 

deixa de ser tratada como ameaça para ser caracterizada como um 

país que compartilha os mesmos interesses norte-americanos. A 

plataforma de 2000, por exemplo, preocupa-se em não ditar regras 

ou tentar refazer a Rússia aos moldes norte-americanos – uma clara 

oposição à década de 1980. Nesse período, as plataformas trazem 

novos inimigos – Coreia do Norte, Irã, Iraque e, a partir de 2004, o 

terrorismo. De fato, a partir de 2004, a principal ameaça à segurança 

norte-americana passa a ser o terrorismo nuclear. Aliado a isso, o 

cyberterrorismo e o bioterrorismo. Frente a essas novas ameaças e 

novos inimigos, as plataformas de 2004 e 2008 iriam valorizar uma 

ampla consertação internacional. Há o entendimento de que essas 

são questões difíceis de serem resolvidas unilateralmente. Com isso, 

as plataformas exibem uma grande valorização de alianças, tratados 

e cooperação entre países. Nessas duas plataformas, valorizam-se 

sanções para países “ameaça” e coordenação internacional para o 

combate ao terrorismo por meio, principalmente, da inteligência. A 

questão armamentista, nesse sentido, é relativamente desvalorizada. 

Defende-se, inclusive, a redução de arsenal nuclear (incluso o norte

americano) como meio de proteção. 

Polarização partidária e política externa nos Estados Unidos (1936-2012)

 187

 Entretanto, essa leve inflexão liberal nos anos 2000 não seria 

repetida na última plataforma analisada – a plataforma de 2012, 

tipicamente conservadora. Nesse ano, há um discurso recorrente 

sobre o american exceptionalism e a valorização da defesa e de 

armamentos como garantia para a paz mundial e segurança 

nacional. Novamente a ênfase está na liderança norte-americana 

e na atuação relativamente unilateral pela rejeição a alianças ou 

OIs que supostamente coíbem a soberania norte-americana. 

Valorizam-se maiores recursos para defesa e para modernização 

de armamentos nucleares. Ao contrário de redução de armamentos 

nucleares, entende-se que a única forma de dissuadir a ameaça 

de um ataque terrorista seria justamente com maior capacidade 

nuclear dos Estados Unidos. 

4. Análise da Política Externa – Partido Democrata

 Semelhante ao PR, a política externa do PD caracteriza-se 

por constantes oscilações entre períodos cujos posicionamentos 

podem ser definidos como genuinamente liberais e outros em que 

convivem tanto posicionamentos liberais quanto conservadores 

(Gráfico 2). Podemos, assim, perceber cinco períodos na análise das 

plataformas: um primeiro, entre 1936 e 1948, predominantemente 

liberal (ainda que o ano de 1940 apresente alguns indicadores 

conservadores); um segundo período entre 1952 e 1964, caracte

rizado pela exposição de posicionamentos “mistos”; um terceiro 

entre 1968 e 1976, tipicamente liberal; um quarto entre 1980 e 1992, 

caracterizado por posicionamentos “mistos”; e, por fim, um quinto 

momento entre 1996 e 2012, quando há um retorno ao liberalismo. 

É importante mencionar que as duas primeiras plataformas 

caracterizam-se por posicionamentos isolacionistas em um 

contexto de emergência da Segunda Guerra Mundial. Ainda assim, 

valoriza-se o multilateralismo para solução dos conflitos (1936) e o 

entendimento mais holístico de defesa que contempla não só o meio 

militar, mas, também, o econômico e social (1940). 

188

 Camila Feix Vidal

 Gráfi co 2 – Média Política Externa – Partido Democrata 

Fonte: Elaboração própria.

 As plataformas seguintes (1944 e 1948) passam a valorizar o 

intervencionismo multilateral – característica típica do liberalismo 

no que concerne à atuação internacional. Em 1944, o PD defende 

a cooperação entre nações aliadas como meio para se estabelecer a 

paz mundial. A paz seria um resultado conjunto de diversas nações 

e organizações internacionais. De fato, há grande ênfase e valo

rização das OIs. Praticamente não há menção a armamentos ou 

a defesa. A política externa democrata nesse momento preocu

pa-se com a necessidade de se instaurar uma nova ordem mundial 

“mais pacífi ca” quando a guerra acabar. Daí a valorização de uma 

ampla gama de OIs e mesmo do estabelecimento de uma OI para 

“prevenção da guerra e manutenção da paz e segurança”. A plata

forma seguinte (1948) caracteriza-se pela defesa de um papel de 

liderança dos Estados Unidos nas relações internacionais, mas 

de modo multilateral – mais especifi camente, uma liderança por 

meio da ONU. A preocupação com armamentos nucleares aparece 

pela primeira vez nas plataformas democratas. Nesse momento, 

defende-se um maior controle de armas nucleares por meio de 

organismos internacionais. Por fi m, a preocupação humanitária 

Polarização partidária e política externa nos Estados Unidos (1936-2012)

 189

 reflete-se na criação do Marshall Plan para países europeus e no 

estabelecimento de planos de ajuda econômica. 

A partir de 1952 até 1964, há uma leve inflexão conservadora. 

Nesse segundo momento, o partido passa a valorizar o belicismo 

e um engajamento internacional mais unilateral. Além disso, a 

paz mundial é constantemente enfatizada a partir da liderança 

desempenhada pelos Estados Unidos. Inicia-se aqui o discurso 

acerca do papel dos Estados Unidos na instauração da liberdade 

e da democracia no mundo. Enfatizam-se arranjos de segurança 

coletiva, tal como Otan e Organização dos Estados Americanos 

(OEA) ao mesmo tempo em que se defende maiores recursos para 

a defesa. Esse período, no entanto, apresenta, também, posiciona

mentos liberais. Preconiza-se o desarmamento nuclear e o papel 

de organizações internacionais no estabelecimento e uma ordem 

mundial mais segura. Além disso, há certa valorização do papel 

da diplomacia no trato com inimigos, em específico com a União 

Soviética. A plataforma de 1960 argumenta a necessidade de se 

abrir todas as “linhas de comunicação” entre Estados Unidos e 

comunistas defendendo, inclusive, maior intercâmbio de pessoas e 

ideias. Por fim, defende-se o estabelecimento de programas huma

nitários por parte dos EUA. A plataforma de 1960, por exemplo, 

argumenta que a ênfase dada na ajuda humanitária deve ser menos 

militar e mais econômica. A plataforma seguinte valorizaria o papel 

de programas como a Aliança pelo Progresso na América Latina e o 

estabelecimento de uma agência de desenvolvimento internacional. 

Entre 1968 e 1976, as plataformas passam a ser ideologicamente 

homogêneas caracterizadas por posicionamentos tipicamente 

liberais. Ainda que se valorize  certa liderança norte-americana 

(de fato, a ênfase na liderança e no engajamento mundial esta

dunidense é uma constante nas plataformas democratas); há a 

preocupação com a coletividade. Ou seja, as plataformas valorizam 

uma liderança tão somente na organização de arranjos coletivos, 

tratados e convenções internacionais. Em 1968 defenderia um 

cuidado na atuação norte-americana que contemplasse a variedade 

de nações e de idiossincrasias no contexto internacional. Longe de 

190

 Camila Feix Vidal

 postular uma atuação unilateral, o partido nesse momento defende 

ampla consertação com “amigos e aliados” no que se refere à ordem 

internacional. 

No que diz respeito à União Soviética, valoriza-se os pontos 

de comum interesse entre ambos, inclusive no que diz respeito 

à redução do custo da defesa nacional. Nesse sentido, a União 

Soviética não é tratada como um “inimigo”, mas como uma espécie 

de possível parceiro em diversas questões internacionais. Nesse 

período (nas plataformas de 1968 e 1972, especificamente) defen

de-se, ainda, a saída militar e política do Vietnã. 

Consoante com o liberalismo, o partido defenderia ainda, 

nesse período, uma percepção holística relativa à defesa nacional. 

Nesse sentido, advoga uma transferência de recursos advindos da 

defesa para áreas outras como educação, habitação, desemprego, 

etc. Conforme a plataforma de 1972, “Military defense cannot be 

treated in isolation from other vital national concerns. Spending 

for military purposes is greater by far than federal spending for 

education, housing, environmental protection, unemploment 

insurance or welfare”. Há a primazia, nesse sentido, de  certa rede 

de proteção social e econômica. Essa mesma plataforma enfatizaria, 

ainda, o dilema da segurança a partir de maiores investimentos em 

defesa: “Moreover, too much that is now spent on defense not only 

adds nothing to our strength but makes us less secure by stimulating 

other countries to respond”.

 Esse período caracteriza-se ainda por um discurso crítico acerca 

da pobreza no mundo e da necessidade de ajuda humanitária por 

parte dos Estados Unidos. Traz ainda novos temas a serem tratados 

pela coletividade das nações como questões ambientais e escassez 

de alimentos, por exemplo. Nesses casos, atenta para os limites de 

uma política externa baseada na defesa armamentista. Conforme a 

plataforma de 1976, “Experience has taught us not to rely solely on 

military strength or economic power, as necessary as they are, in 

pursuit of international objectives”. Esse posicionamento é refletido, 

também, no trato com a URSS. Nesse sentido, valoriza-se um 

relacionamento mais profícuo a partir de interesses em comum. 

Polarização partidária e política externa nos Estados Unidos (1936-2012)

 191

 Valoriza-se, ainda, uma maior troca comercial e aproximação 

política. Por fim, no que tange à redução de armamentos, o PD 

defende uma ampla gama de negociações e acordos, dentre eles, a 

ratificação do SALT, o banimento de testes nucleares, a aderência ao 

TNP e a ratificação do protocolo sobre armas químicas. 

A plataforma seguinte, no entanto, retornaria ao padrão 

“misto” das plataformas anteriores. Entre 1980 e 1992, as plata

formas democratas compartilham, novamente, de posicionamentos 

tanto conservadores quanto liberais. O objetivo principal passa 

a ser o fortalecimento das Forças Armadas por meio de maiores 

recursos. Ao contrário de valorizar os aspectos em comum entre 

União Soviética e Estados Unidos, as plataformas desse período 

valorizam, sobretudo, as diferenças. Nesse momento, ao contrário 

da expansão de trocas comerciais, como defendido pelo mesmo 

partido no período anterior, agora há a defesa da suspensão dessas 

trocas com a União Soviética. Ainda que esses sejam posiciona

mentos tipicamente conservadores, mantêm-se os posicionamentos 

liberais no que se refere ao desarmamento – defendendo a redução 

de armamentos nucleares por meio de consertação multilateral – e 

ajuda humanitária. Além disso, o entendimento holístico relativo à 

segurança é, também, mantido. Na plataforma de 1984, o partido 

evidencia uma série de problemas internacionais, dentre eles a 

pobreza expondo a necessidade de esforço multilateral para maior 

desenvolvimento econômico e social. 

Por fim, o último período, entre 1996 e 2012, representa um 

retorno ao liberalismo. É importante lembrar que esse momento 

é caracterizado pelo fim da Guerra Fria. Há, nesse sentido, uma 

percepção mais “otimista” das relações internacionais e mesmo 

da Rússia. Mantém-se o posicionamento referente à redução de 

armamentos nucleares pelos meios multilaterais e de ajuda huma

nitária às nações necessitadas. Há maior valorização do papel da 

diplomacia na busca por soluções a novas ameaças, dentre elas, 

terrorismo, crimes internacionais, tráfico de drogas, entre outros. A 

segurança e a paz mundial, nesse sentido, passam a ser valorizadas 

a partir de um engajamento multilateral que privilegia aspectos 

192

 Camila Feix Vidal

 outros que não só militares. Há a percepção de que essas ameaças 

(e, consequentemente, a solução para eliminá-las) são globais e 

interdependentes. Conforme a plataforma de 2000, “Today, for 

both good and ill, our destiny and the destinies of billions of people 

around the world are increasingly intertwined, and our domestic 

and international challenges are bound together as never before”. 

Desse modo, o PD defende um conceito de forward engagement 

como diretriz de sua política externa, ou seja, o entendimento de 

que, para conter as ameaças atuais, há a necessidade de se agir de 

modo mais “profundo” – na origem do problema, seja ele econô

mico, social ou político. Esse engajamento internacional – e que 

inclui maior aproximação com inimigos da Guerra Fria – pres

supõe, por fim, a necessidade de colaboração de outras nações.

 A política externa defendida pelo PD ao longo de todas as 

plataformas analisadas expõe certas conclusões: Há oscilação entre 

posicionamentos conservadores e liberais ao longo dos anos. No 

entanto, não se pode afirmar que o partido apresentou em determi

nado momento plataformas com predominância do conservado

rismo. Desse modo, a inflexão democrata para o conservadorismo 

não é uma inflexão de “ampla envergadura” predominando, na 

média apresentada, posicionamentos liberais.

 5. Análise comparativa entre os partidos políticos

 Os posicionamentos expressados pelos partidos acerca da 

política externa podem ser considerados como correlacionados 

entre si (Gráfico 3). Com efeito, ambos os partidos oscilam ao longo 

de todo o período analisado de maneira relativamente convergente 

contribuindo para uma maior aproximação ideológica entre eles 

em praticamente todo o período – mais especificamente até a plata

forma de 2008. De fato, o ano de 2008 marca uma ruptura nesse 

padrão caracterizando-se por um crescente distanciamento entre 

os partidos e refletindo, no ano de 2012 na mais clara polarização 

partidária durante todo o período analisado. Nessa última plata

forma, o PR situa-se no extremo do espectro político no âmbito 

conservador enquanto o PD, no extremo do âmbito liberal. Ao que 

Polarização partidária e política externa nos Estados Unidos (1936-2012)

 193

 parece, enquanto o período de 1936 a 1996 convive com aproxi

mações entre os partidos por conta de constantes infl exões, tanto 

conservadoras por parte do PD, quanto liberais por parte do PR, 

indicando respostas semelhantes a eventos e questões externas 

comuns, as duas últimas plataformas, ao se distanciarem entre si, 

contribuiriam para a percepção de maior polarização partidária nos 

anos recentes. Nesse caso, a polarização pode ser entendida como 

resultado de um distanciamento causado tanto por uma ascensão 

conservadora por parte do PR a partir de 2008 quanto por uma 

ascensão liberal por parte do PD a partir dos anos 2000.

 Gráfi co 3- Médias política externa – Partidos Democrata e Republicano

 Fonte: Elaboração própria.

 Como se pode perceber, há um importante alinhamento de 

posições e de graus liberais e conservadores de ambos os partidos 

durante boa parte do período analisado. O PR demonstra pontua

ções oscilantes entre altos graus de liberalismo como durante a 

década de 1940 e na plataforma de 1972; bem como altos graus de 

conservadorismo durante a década de 1980, culminando no ano de 

2012 – o mais alto grau conservador já apresentado por esse partido 

nessa área. De modo semelhante, o PD demonstra posicionamentos 

194

 Camila Feix Vidal

 que adentram o âmbito conservador, ainda que não chegue a se 

distanciar do centro do espectro ideológico (ao contrário do PR, 

o PD, quando ultrapassa para o âmbito conservador, não o faz 

de modo a pontuar altos índices, mas geralmente permanecendo 

próximo do 0, portanto, do âmbito central do gráfico). Ao contrário 

do PR, o PD não demonstra uma rápida ascensão liberal a partir 

das duas últimas plataformas, mas, sim, uma ascensão gradativa 

originária da década de 1990 e que se mantém relativamente a 

mesma durante todo o período dos anos 2000. Nesse caso, a pola

rização atual que se verifica pode ser entendida como resultado de 

uma ascensão liberal gradativa que já vinha sendo delineada desde 

a década de 1990 pelo PD e por uma rápida ascensão conservadora 

pelo PR a partir da plataforma de 2008. 

6. Considerações finais

 A suposta polarização partidária estadunidense tem sido objeto 

de inúmeros estudos, conforme já apontado. As análises feitas, 

ao associar o posicionamento de congressistas com a polarização 

partidária, caracterizam o partido político unicamente a partir 

dessas lideranças políticas. É importante lembrar que os partidos 

norte-americanos são instituições bastante complexas caracteri

zadas por certo horizontalismo hierárquico e completa descen

tralização, o que permite ampla gama de atores na sua condução: 

delegados, presidente, congressistas, membros associados, braços 

intelectuais e estratégicos (think tanks). 

Esse trabalho, diferentemente dessas análises, buscou apresentar 

uma forma diferente de se analisar o fenômeno da polarização 

partidária. É importante mencionar que de modo algum busca 

sobrepor-se aos estudos já feitos ou subjulgá-los; ao contrário, 

busca ser um complemento a esses a partir de certas lacunas que 

foram evidenciadas. Desse modo, buscou-se inicialmente fazer uma 

apresentação das duas mais importantes correntes ideológicas nos 

EUA – o liberalismo e o conservadorismo – a partir de como esses 

conceitos foram sendo construídos, seja por determinadas lide

ranças políticas que trouxeram à superfície preceitos progressistas 

Polarização partidária e política externa nos Estados Unidos (1936-2012)

 195

 como no caso do liberalismo; seja por certos grupos de indivíduos 

outsiders dos partidos políticos que conscientemente se articularam 

para levar para o campo da política a sua visão de mundo, como no 

caso do conservadorismo. Assim, foi feita uma releitura de como 

esses movimentos foram sendo construídos e se aproximando do 

que hoje se entende por conservadorismo e por liberalismo nos EUA 

a partir de determinados pilares e de visões de mundo distintas. 

Apropriando-se de uma corrente de estudos que percebe nas 

plataformas o melhor retrato ideológico do partido político, esse 

estudo buscou verificar o posicionamento dos partidos a partir de 

uma categoria em específico – no caso, a política externa. Nesse 

sentido foi feita uma análise dos posicionamentos dos partidos a 

partir de indicadores que contam com a presença e ausência de 

preceitos liberais ou conservadores e a gradação desses preceitos ao 

longo dos anos a partir de escalas de quantificação. 

Desse modo, o trabalho aqui apresentado é fruto de um exaus

tivo trabalho de interpretação – de leitura e de releitura de cada 

uma das 40 plataformas analisadas. Documentos bastante extensos 

(contando com plataformas que beiram as 100 páginas) e complexos 

(com temas não só que abarcam áreas diversas como defesa, agri

cultura, economia, etc., mas, também, que dizem respeito a deter

minada realidade que obviamente não é a brasileira) ao mesmo 

tempo que propiciam um retrato ideológico partidário passível de 

ser comparado ao longo dos anos de maneira bastante precisa por 

serem documentos formalmente atribuídos ao partido; convive por 

vezes com declarações ambíguas e mesmo posicionamentos contra

ditórios. Nesse sentido, se buscou ser o mais objetiva possível na 

interpretação dessas o que não se traduz em maior facilidade nessa 

tarefa. De todo modo, o resultado é, muito provavelmente, uma 

contribuição importante tanto para a academia brasileira quanto 

para a academia norte-americana no sentido de codificar a partir 

de escalas de posicionamento em áreas distintas e de ênfase na 

presença de certos conceitos e o uso feito deles ao longo de quase 

um século de história política. Nesse sentido, se pode observar 

como certos temas foram sendo trazidos para o debate político ao 

196

 Camila Feix Vidal

 longo dos anos, como os partidos foram se posicionando nesses 

temas e como houve inflexões nesses mesmos posicionamentos. 

Ao fim, a análise aqui feita corrobora com a hipótese levantada 

referente à polarização partidária. De fato, há um distanciamento 

ideológico entre esses partidos caracterizados por posicionamentos 

e causado, sobretudo, por uma importante inflexão conservadora 

pelo Partido Republicano. No entanto, como se pode observar nos 

gráficos apresentados, os partidos não tendem a seguir padrão linear 

mas, ao contrário, possuem oscilações abruptas e uma polarização 

relativamente recente. Ainda que de forma muito incipiente e possi

velmente com lacunas explicativas, o trabalho aqui feito buscou 

elucidar, mesmo que timidamente, um fenômeno importante nos 

EUA e mesmo na Ciência Política, qual seja, o atual distanciamento 

dos partidos do centro do espectro político.

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Apêndice

 Indicador de presença/ausência de preceitos liberais ou 

conservadores:

 1 Atuação externa

 1.1 A plataforma enfatiza a soberania e/ou os interesses estadu

nidenses –unilateralismo. A prioridade está na liderança norte-a

mericana (+1)

 1.2 A plataforma não faz menção (0)

 1.3 A plataforma enfatiza parcerias e/ou tratados multilaterais – 

multilateralismo. A prioridade está na cooperação (-1)

 2 Defesa e segurança

 2.1 Projeto unilateral. Segurança interna está baseada priorita

riamente em armamentos (+1)

 2.2 A plataforma não faz menção (0)

Polarização partidária e política externa nos Estados Unidos (1936-2012)

 201

 2.3 Projeto coletivo. Segurança interna está baseada em alianças 

externas e/ou em fatores estruturais internos (pobreza e educação) 

(-1)

 3 Paz mundial

 3.1 Projeto unilateral por meio de liderança norte-americana 

(+1)

 3.2 A plataforma não faz menção (0)

 3.3 Projeto coletivo por meio de cooperação internacional (-1)

 4 Relacionamento com o inimigo

 4.1 A plataforma prioriza armamentos e efetivos. Foco está na 

dissuasão através da punição. A abordagem é unilateral (+1)

 4.2 A plataforma não faz menção (0)

 4.3 A plataforma prioriza a diplomacia. Foco está na dissuasão 

através do diálogo. A abordagem é multilateral (-1)

 5 Armamentos nucleares

 5.1 A plataforma enfatiza a manutenção ou aumento desses de 

modo unilateral, ou seja, desarmamento para os outros e manu

tenção ou aumento para os EUA. Entendimento de que essa é a 

melhor forma de dissuasão (+1)

 5.2 A plataforma não faz menção (0)

 5.3 A plataforma enfatiza a diminuição desses de modo multi

lateral, ou seja, desarmamento para todos incluso EUA. Entendi

mento de que armamentos nucleares não são indicativo único de 

segurança (-1)

 6 Organizações Internacionais (OIs) e tratados multilaterais 

(exceto Otan)

 6.1 A plataforma mostra-se reticente – ênfase recai no custo-be

nefício e/ou na soberania norte-americana (+1)

 6.2 A plataforma não faz menção (0)

 6.3 A plataforma as valoriza – fortalecimento através de recursos 

financeiros e/ou efetivo pessoal, por exemplo, mesmo que sem 

interesse norte-americano direto (-1)

202

 Camila Feix Vidal

 7 ONU

 7.1 A plataforma mostra-se reticente – enfatiza os problemas da 

instituição e/ou a primazia da soberania norte-americana. Pode, 

assim, evocar a diminuição de recursos e/ou a não participação em 

certos programas ou unidades da ONU (+1)

 7.2 A plataforma não faz menção (0)

 7.3 A plataforma a valoriza – enfatiza os benefícios da insti

tuição. Pode assim, evocar a manutenção e/ou aumento de recursos 

e participação norte-americana (-1)

 8 Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan)

 8.1 Fortalecimento através de liderança norte-americana – 

Ênfase recai no custo-benefício para a defesa norte-americana (+1)

 8.2 A plataforma não faz menção (0)

 8.3 Fortalecimento através do multilateralismo – Ênfase recai na 

defesa multilateral que a organização propicia (-1)

 9 Corte Internacional de Justiça (CIJ)

 9.1 A plataforma mostra-se reticente quanto à participação dos 

EUA (+1)

 9.2 A plataforma não faz menção (0)

 9.3 A plataforma a valoriza a participação dos EUA (-1)

 10 Ajuda humanitária

 10.1 A plataforma mostra-se reticente - Não é papel do governo, 

salvo em casos de interesse nacional direto. Enfatiza as “private 

entities” (iniciativa privada e instituições voluntárias) (+1)

 10.2 A plataforma não faz menção (0)

 10.3 A plataforma a valoriza - É papel do governo, através de 

ajuda financeira e/ou efetivo pessoal direta ou por meio de institui

ções multilaterais (-1)

 11 Relacionamento com a URSS/Rússia

 11.1 A plataforma enfatiza deterrence – prioridade está na 

questão armamentista (+1)

Polarização partidária e política externa nos Estados Unidos (1936-2012)

 203

 11.2 A plataforma não faz menção (0)

 11.3 A plataforma enfatiza appeasement – prioridade está no 

diálogo (-1)

 Resumo: 

O artigo aqui exposto dedica-se ao estudo da suposta atual polarização 

partidária nos Estados Unidos. Por meio de análise de plataformas 

nacionais e de indicadores de gradação no período de 1936 a 2012, este 

estudo busca evidenciar empiricamente aproximações e distanciamentos 

entre os dois partidos políticos na área de política externa. Os resultados 

nos indicam que há uma polarização partidária no período recente de 

modo relativamente inédito na história dos partidos norte-americanos, 

causada, sobretudo, por uma importante inflexão conservadora pelo 

Partido Republicano. 

Palavras-chave: Polarização; Política Externa; Estados Unidos; Partido 

Republicano; Partido Democrata

 Abstract:

 The research here presented dedicates itself to the study of the party 

polarization in the United Stantes betweeen 1936 and 2012. Through 

national platform analysis and gradation indicators, this study seeks to 

empirically point distances and approximations between the two political 

parties on the foreign policy arena. The results indicate that here is a recent 

party polarization relatively new in the history of these two parties caused, 

mainly, by an important conservative ascendacy by the Republican Party. 

Keywords: Polarization; Foreign Policy; United States; Republican Party; 

Democratic Party

 Recebido em 12 de julho de 2017

 Aprovado em 29 de outubro de 2017. O artigo da autora  Camila Feix Vidal.

Política e poder estão intrinsecamente ligados: poder é a capacidade de influenciar ou controlar o comportamento de outros, enquanto a política é o processo de disputar, exercer e administrar esse poder na sociedade, especialmente no âmbito do Estado, com o objetivo de organizar e governar a vida coletiva. O poder pode se manifestar de forma econômica, ideológica ou política, e o exercício do poder precisa ser legítimo para ter a concordância da população. 

Conceito de Poder

Capacidade de Ação:

Poder é a habilidade de fazer com que alguém faça ou deixe de fazer algo, ou de influenciar decisões e comportamentos. 

Relação Social:

O poder está presente em todas as relações sociais, seja na família, entre amigos ou na esfera pública, e pode ser pacífico ou conflituoso. 

Formas de Poder:

Econômico: Posse de bens materiais, como meios de produção e recursos financeiros. 

Ideológico: Manipulação de ideias e informações para influenciar as pessoas, como o poder da mídia. 

Político: Exercido por meio de instrumentos como a legislação e a força policial. 

Conceito de Política

Esfera Pública:

A política se relaciona com a organização e a resolução de problemas na esfera pública, sobretudo no âmbito do Estado. 

A Disputa por Poder . É o instrumento pelo qual diferentes grupos disputam o poder para administrar a sociedade e o Estado. 

O poder político, para ser efetivo,  tem que ter o  consentimento da população, o que confere legitimidade a quem o exerce. 

A Conexão entre Política e Poder

Não há política sem poder:

A política é o espaço onde o poder é constantemente disputado e exercido. 

O poder implica uma relação de mando e controle sobre outros indivíduos ou grupos. 

O Estado, como detentor do monopólio do uso legítimo da força, exerce poder sobre os cidadãos, mas esse poder é legitimado pela população e deve ter limites claros.           

                   .

O poder pode ter origens econômicas, ideológicas ou políticas. A política opera sobre as esferas econômica e ideológica, buscando exercer influência sobre a sociedade como um todo. 

O poder exercido através da política pode ser visto como legítimo quando há o consentimento das pessoas ou ilegítimo quando a força é usada sem concordância. 

Em resumo, a política sem o poder não se realiza, pois o poder é o instrumento central para a organização e gestão da vida em sociedade, garantindo que um grupo ou indivíduo tenha a capacidade de impor ou influenciar as ações de outros. . Segundo o Sociólgo, Mestre e Doutor Cesar Portantiolo Maia, no Quarto Periodo da Habilitação em Jornalismo na Comunicação Social, pelas Faculdades Integradas Alcantara Machado (FIAAM FAAM).

Confira a dissertação do autor MANUEL FONTAINE CAMPOS

Natureza, origem e exercício do poder político 

MANUEL FONTAINE CAMPOS

 1 – A natureza do poder político. 

Falar sobre a natureza do poder político, implica tentar definir o que é 

o poder e, seguidamente, em que consiste o poder político.  

O poder é um daqueles conceitos de fácil compreensão mas de defini

ção complexa. Talvez por isso, foi, ao longo dos tempos, objecto das definições 

mais diversas. NORBERTO BOBBIO (1989: 232) distingue definições substan

cialistas, subjectivistas e relacionais do poder1, consoante o mesmo seja 

identificado com uma coisa que se usa para adquirir outros bens2, com a 

capacidade de um sujeito alcançar certos efeitos, ou com uma relação entre 

dois sujeitos que implica a possibilidade de um deles obter do outro um com

portamento determinado3.  

Uma definição mista, subjectiva e relacional, de poder social, é a de 

RUTH ZIMMERLING (2005: 141) que o define como «a capacidade de obter 

resultados desejados fazendo com que os outros se comportem como quere

mos»4. Como o poder político é subcategoria do poder social, essa definição é 

adequada à sua explicitação, embora seja igualmente aplicável a outras sub

categorias como as de poder económico e poder ideológico. O poder económico 

Escola de Direito do Porto da Universidade Católica Portuguesa. Comunicação 

apresentada no Curso de Ética e Política organizado pela Fundação Spes e que 

decorreu em Lisboa em 19 e 21 de Janeiro de 2009. 

1Naturalmente, são possíveis outras classificações. RUTH ZIMMERLING (2005: 33

74), por exemplo, distingue definições sociológicas, filosóficas e económicas do con

ceito de poder. 

2Assim, em 1651, THOMAS HOBBES define «o PODER de um homem» como «os 

meios que tem no presente para obter qualquer Bem aparente no futuro» – THOMAS 

HOBBES (1996: 62). 

3Veja-se a definição de poder de ROBERT DAHL, como «relação entre actores, no 

qual um induz os outros a agirem de um modo que de outra forma não agiriam» – 

apud NORBERTO BOBBIO (1989: 232). 

4Já MAX WEBER havia proposto uma definição mista de poder como «a capacidade 

de impor a sua própria vontade numa relação social, mesmo contra resistência» - 

apud RUTH ZIMMERLING (2005: 31). Sobre a definição de poder, cf., ainda, LUCAS 

PIRES (1998: 40).  

derivaria, numa perspectiva substancialista, da posse da riqueza. O poder 

ideológico, da detenção do saber. O poder político, como veremos, do uso da 

força5.  

É possível distinguir-se o poder social da influência social. Esta con

siste na «capacidade de afectar as crenças de outros, i. e., o seu conhecimen

to ou as suas opiniões sobre o que existe ou deveria existir»6. Assim, esta 

influência pode ser caracterizada como ideológica (científica, religiosa, lite

rária…). É claro que a existência de influência pode redundar, sobretudo se 

houver consciência da mesma pelo sujeito que influencia, em poder social. 

Será, então, poder ideológico. 

O poder político consiste, originariamente, na possibilidade de impor 

pela força, aos indivíduos membros de um grupo social (da cidade, ou polis), 

a adopção de um determinado comportamento. Quando, na passagem da 

Idade Média para a Idade Moderna, esse poder passou a ser exercido com 

exclusividade (monopólio da coerção legítima - WEBER), dando origem ao 

surgimento do Estado, recebeu o nome de soberania7. Na teoria geral do 

Estado, apesar de críticas diversas8, tende a aceitar-se que o Estado só exis

te quando estão reunidos três elementos: um povo, um território e um poder 

político soberano. O poder é soberano, na definição de JEAN BODIN, quando ésupremo a nível interno e independente a nível externo. 

O exercício da força física consiste, porém, numa ultima ratio, sendo 

primeiro utilizados outros meios: persuasão (propaganda), oferta de incenti

vos, ameaça de sanções… Deste modo, não ocorre frequentemente, para a 

maioria dos cidadãos de um Estado moderno, confrontarem-se com o exercí

cio efectivo da força física por parte do Estado. Tal pode ocorrer se esse cida

dão for detido, se os seus bens forem executados e retirados à força da sua 

5Cf. NORBERTO BOBBIO (1989: 236). 

6RUTH ZIMMERLING (2005: 141). 

7Caracterizando o poder político como o direito exclusivo de uso da força num 

determinado território, cf. NORBERTO BOBBIO (1989: 234-235). Para uma aproxima

ção sintética ao conceito de Estado, cf. GOMES CANOTILHO (2002: 89-91).  

8Quanto a estas, cf. PAULO RANGEL (2002). 

posse, etc.9. Apesar de tudo, a possibilidade de exercício da força física confe

re credibilidade à actuação do poder público e, portanto, contribui decisiva

mente para a sua eficácia10. De realçar ainda que, como se vê, o Estado usa 

igualmente o poder económico e o poder ideológico, para além do poder espe

cificamente político. 

Na intersecção entre o poder ideológico e o poder político encontra-se o 

poder jurídico. A evolução histórica implicou, pelo menos no mundo ociden

tal, que a soberania tivesse uma expressão jurídica: a possibilidade de adop

tar actos jurídicos de autoridade. Trata-se de declarações que produzem uma 

transformação na esfera jurídica dos destinatários (designadamente nos 

seus direitos e obrigações) sem necessidade do seu consentimento11. O Direi

to, na verdade, passa a ser usado como instrumento de exercício do poder 

político. Por outro lado, o Direito continha a virtualidade, que veio a ser 

aproveitada no seguimento das revoluções liberais, de impor limites ao exer

cício do poder. 

O poder político é, assim, um poder exercido sobre os elementos de um 

grupo social, implicando a possibilidade de manipulação da sua esfera jurí

dica, bem como de execução pela força das obrigações assim impostas, de 

forma a condicionar o comportamento desses indivíduos e, portanto, produ

zir resultados desejados pelos titulares do poder12. 

9Com exemplos impressivos do exercício da força sobre os indivíduos sujeitos ao 

poder de um Estado, cf. FREITAS DO AMARAL (1983: 1134-1136). 

10 Cf. REINHOLD ZIPPELIUS (1997: 68-69). 

11 Podem estar em causa normas ou actos não normativos. As normas jurídicas con

jugam as características da generalidade (os destinatários são definidos por recurso 

a categorias amplas) e abstracção (destina-se a regular situações futuras típicas). 

Os actos não normativos podem ser individuais, concretos, ou ambos. 

12 O poder político, desta forma, encontra-se na conjugação de um poder jurídico 

com um poder social fáctico. Neste sentido, REINHOLD ZIPPELIUS (1997: 10-12 e 63) 

considera que o Direito e o Estado «fazem parte um do outro como as duas faces de 

uma medalha». No mesmo sentido, discutindo a relação entre o Estado e o Direito, 

cf. FREITAS DO AMARAL (1983: 1143-1146). ZIMMERLING (2005: 254-260, 266) verifi

ca três pontos de contacto particularmente relevantes entre o poder jurídico e o 

poder social fáctico: (i) por um lado, o objectivo do poder jurídico é o de condicionar 

(restringir) o exercício dos poderes sociais privados e, para tal, precisa de se tradu

zir num efectivo poder social público; (ii) por outro lado, a fundamentação do poder 

jurídico encontra-se em normas de competência, mas a fundamentação última des

tas, afastada a hipótese kelseneana da norma fundamental pressuposta, só pode 

encontrar-se na efectividade de aplicação dessas normas, que, em última instância, 2 – A origem do poder político. 

A questão da origem do poder político pode ser reconduzida a interro

gações múltiplas, relativas ao surgimento histórico desse poder, às funções 

que desempenha, à sua legitimidade ou à determinação sociológica dos gru

pos que verdadeiramente o exercem. 

Referir-nos-emos a duas questões: a da legitimidade e legitimação do 

poder político, e a da função desse poder13. 

a) A legitimação e a legitimidade do poder político. 

Rigorosamente, nenhum regime político, ainda que não democrático, 

pode subsistir duradouramente sem a obediência e, portanto, aceitação, da 

maior parte da população14. A relação de poder é sempre, de algum modo, 

consentida15. Esse consentimento pode exprimir-se em eleições ou, simples

mente, na não revolta contra um regime autocrático. A origem do poder polí

tico está, assim, em última instância, no consentimento (expresso ou tácito) 

dos destinatários do poder em serem governados. 

A sociologia procura explicar as razões dessa aceitação investigando o 

modo de legitimação do poder, o que levou WEBER a distinguir o poder tradi

depende da existência de um poder social fáctico; (iii) finalmente, o exercício do 

poder jurídico, e nomeadamente o conteúdo das normas, pode ser determinado por 

poderes sociais de facto (v.g., lóbis) distintos dos titulares formais daquele poder. É 

quanto a este último ponto que a autora salienta o papel, desempenhado pela 

influência social, de «correia de transmissão» entre o poder social de facto e o poder 

jurídico. 

13 Quanto ao surgimento histórico do poder político, nomeadamente a sua diferen

ciação institucional relativamente ao exercício de outras funções, e bem assim 

quanto ao surgimento do Estado na Idade Moderna como resultado de um processo 

de centralização, concentração, territorialização e institucionalização do poder polí

tico, cf. PAULO RANGEL (2002). A questão de saber se a categoria «Estado» só pode 

ser aplicada ao sistema político que emerge das ruínas da Idade Média é, no entan

to, controvertida. Para uma análise que parte de uma resposta negativa a essa 

questão, cf. FREITAS DO AMARAL (1983: 1156-1162). Discutindo a questão, cf. NOR

BERTO BOBBIO (1989: 223-231). 

14 Neste sentido, cf. REINHOLD ZIPPELIUS (1997: 70-71). 

15 A antropologia parece ter chegado à mesma conclusão. É essa a conclusão que se 

retira, nomeadamente, do estudo que Claude Lévi-Strauss fez sobre os índios Nam

bikwara: «o consentimento é […] a origem e o limite do poder» – cf. JEAN-PIERRE 

COT/JEAN-PIERRE MOUNIER (1974: 232). Sobre o estudo de Lévi-Strauss, cf., ainda, 

JOSÉ GIL (1989: 76-77). 

cional, o poder legal-racional e o poder carismático16. Tais razões são apre

sentadas como meramente explicativas – trata-se de descobrir porque é que 

o poder é aceite. Essas razões não implicam, assim, uma fundamentação 

normativa, axiológica, ética, do poder vigente. O que não impede que tais 

razões possam ser encaradas desse ponto de vista, que é o da legitimidade 

do poder17. 

Aqueles que procuram avaliar da legitimidade do poder político 

entendem que este deve ser eticamente justificado. Na verdade, a questão da 

legitimidade do poder político é diversa da da sua eficácia (de outro modo, 

parafraseando S. AGOSTINHO, o que diferenciaria o poder estatal do poder 

das máfias?). A ideia de legitimidade concretiza-se na formulação de um 

padrão normativo que serve para avaliar o poder político vigente. A questão 

é, agora, esta: deve o poder político ser aceite? Ou: o que justifica a as impo

sições desse poder?18 Assim, ao longo da história, foram sendo propostos 

diversos princípios normativos de justificação do poder: legitimidade divina 

(Deus) ou democrática (povo), dinástica (tradição) ou revolucionária (pro

gresso), ou da natureza (força ou razão)19. É conhecida, a este propósito, a 

afirmação de Aristóteles que descreve o homem como um «animal político», 

com o que desde logo se inculca a ideia da natural participação do ser 

humano na sociedade política e, correlativamente, natural submissão do 

homem aos ditames do poder político. Esta concepção é acolhida depois por 

autores cristãos como S. Agostinho e S. Tomás de Aquino. Concepção dife

rente é proposta por autores como Thomas Hobbes, Bento Espinoza, John 

Locke, Immanuel Kant e Jean-Jacques Rousseau: a da origem contratual da 

16 Sobre esta concepção, cf. JEAN-PIERRE COT/JEAN-PIERRE MOUNIER (1974: 235

249). 

17 Cf. NORBERTO BOBBIO (1989: 243). Sobre a distinção entre o que chama de legi

timação ética (aquilo que referimos como legitimidade) e a legitimação sociológica, 

cf. REINHOLD ZIPPELIUS (1997: 70-71). 

18 Vejam-se, a este propósito, as palavras iniciais da obra Do Contrato Social, de 

Jean-Jacques Rousseau, em que o autor, de forma lapidar, apresenta como seu 

objectivo, não o de explicar o surgimento histórico do poder político, mas o de des

cobrir em que circunstâncias poderá o mesmo ser legítimo – JEAN-JACQUES ROUS

SEAU (1966: 41). 

19 Cf. NORBERTO BOBBIO (1989: 239-242). 

sociedade política, que radica a submissão dos indivíduos ao poder do Estado 

num consentimento originário20. 

Do conceito de legitimidade resultou uma certa concepção da obriga

ção política, do dever de obedecer ao comando do poder político: só existirá se 

o mesmo for legítimo21 (embora, para S. TOMÁS DE AQUINO, o acto de desobe

diência esteja ainda condicionado a um cálculo quanto às suas consequên

cias). 

Deste modo, e conjugando os conceitos de legitimação e legitimidade, 

pode acontecer que um poder esteja legitimado mas não seja legítimo. Ou 

vice-versa. Assim, para um partidário da legitimidade democrática, o facto 

de num certo país existir uma ditadura que parece gozar da tolerância da 

população será sinal da sua legitimação, mas não da sua legitimidade. Veri

fica-se, também por este exemplo, o carácter fáctico e verificável da legiti

mação e o carácter normativo e contestável da legitimidade. 

Não se deve confundir legitimação e legitimidade democrática: esta 

diz respeito aos processos formais de designação dos titulares do poder, 

aquela à obediência concreta e generalizada dos destinatários do poder. No 

entanto, é evidente que um poder legítimo do ponto de vista democrático é, 

com grande probabilidade, um poder legitimado. Tal resulta de, desde logo, 

em circunstâncias de sufrágio universal, o voto poder ser interpretado, não 

só como intenção de designar os titulares do poder, mas também como acei

tação do poder a ser exercido. Por outro lado, o povo aceitará tão mais o 

poder político vigente quão mais o considerar legítimo. Ora, nos Estados 

democráticos, a ideia de legitimidade dominante na população tende a ser a 

ideia da legitimidade democrática do poder político. Nesses Estados, a legi

timação é afirmada na sujeição periódica a eleições do grupo que conjuntu

ralmente ocupa o poder e ainda nas sondagens com que se expressa a solidez 

do apoio popular. 

Por outro lado, nos Estados ocidentais contemporâneos, a legitimida

de não depende apenas da consagração de um procedimento democrático, 

20 Para uma apreciação crítica das concepções expostas, cf. FREITAS DO AMARAL 

(1983: 1162-1170). 

21 Cf. NORBERTO BOBBIO (1989: 242). 

mas também do respeito de determinados princípios que asseguram o não 

abuso do poder e a protecção dos direitos dos cidadãos – daí que se fale em 

regimes liberais-democráticos. Estes princípios de legitimidade adquirem 

força jurídica vinculativa através da sua consagração em Constituições. 

b) A função do poder político 

Um ponto que não pode deixar de ser referido, a propósito da origem 

do poder político, é o do papel ou função desse poder22. Para que serve? O 

poder político existe, antes de mais, porque se verificou ser historicamente 

indispensável à imposição e manutenção da paz em sociedade. Um Estado 

que não consiga garantir um grau mínimo de segurança interna torna-se 

num «Estado falhado» e, portanto, deixa de existir como Estado. A garantia 

da paz é, assim, o primeiro fim do Estado23, no sentido de que é aquele fim 

cujo não cumprimento acarreta a própria destruição do Estado. 

Todos os Estado adoptaram, ainda, como fim a administração da jus

tiça em sociedade, provavelmente pela sua ligação estreita à manutenção da 

paz social. Na verdade, os tribunais e, depois, os tribunais do Estado, sur

gem historicamente como alternativa à realização da justiça «pelas próprias 

mãos». Não é difícil compreender como esta podia colocar em causa a ordem 

pública e, portanto, o fim primário do Estado. 

A garantia da paz interna e externa e a administração da justiça 

implicaram a instituição de serviços públicos policiais, militares, jurisdicio

nais e, ainda e compreensivelmente, fiscais. Ao longo da história os Estados 

não se ficaram por este «Estado mínimo», acabando por prosseguir fins adi

cionais diversos que se podem resumir na expressão «bem-estar»: os Estados 

tentam garantir o bem-estar dos governados24. É com a democratização do 

poder político, sobretudo, que esta tendência se acentua. 

Assim, uma das origens do poder político é esta: a existência de inte

resses públicos (ou «bens públicos») que exigem uma organização dotada do 

22 Não se confunda este sentido de função com aqueloutro em que se exprimem 

diversas formas de exercício do poder político (função legislativa, função executiva, 

função jurisdicional….). 

23 Neste sentido, cf. REINHOLD ZIPPELIUS (1997: 68). 

24 Cf. FREITAS DO AMARAL (1983: 1140-1143). 

monopólio da coerção legítima para poderem ser prosseguidos ou fornecidos. 

A legitimação dos Estados resulta, em parte, daqui: da capacidade demons

trada de proverem à satisfação desses interesses, ao fornecimento desses 

bens. Na verdade, tem de reconhecer-se que, em grande medida, a manuten

ção do apoio popular depende da eficácia da acção política na consecução dos 

interesses públicos ou, pelo menos, no convencimento da opinião pública 

desse facto. 

Deste modo, nos Estados ocidentais contemporâneos, a legitimação, 

em cada momento, do poder político em exercício depende, simultaneamen

te, da legitimidade e da eficácia do exercício do poder. O poder político legi

tima-se pela designação, directa ou indirecta, dos seus titulares através de 

eleições, pelo respeito dos princípios do Estado de Direito e pela garantia 

mínima da paz social, da administração da justiça e do bem-estar da popula

ção25 26. 

3 – O exercício do poder político 

Definimos poder político como o «poder exercido sobre os elementos de 

um grupo social, implicando a possibilidade de manipulação da sua esfera 

jurídica, bem como de execução pela força das obrigações assim impostas, de 

forma a condicionar o comportamento desses indivíduos e, portanto, produ

zir resultados desejados pelos titulares do poder». Dissemos que o Estado, 

para além do poder especificamente político, usa igualmente o poder econó

mico e o poder ideológico. Finalmente, afirmámos que «nos Estados ociden

tais contemporâneos, a legitimação, em cada momento, do poder político em 

exercício depende, simultaneamente, da legitimidade e da eficácia do exercí

cio do poder». 

As questões que se colocam seguidamente são as de saber quem exer

ce o poder politico e como é que o mesmo é exercido.  

25 Considerando que a justificação do Estado resulta da agregação de diferentes 

legitimidades (condição para o desenvolvimento da personalidade, ordem de protec

ção e paz, e legitimidade democrática), cf. REINHOLD ZIPPELIUS (1997: 150). 

26 Nos Estados federais e nas associações de Estados (como a União Europeia), a 

sua legitimidade depende, ainda, da representação dos interesses dos Estados fede

rados ou Estados-membros. 

a) Quem exerce o poder? 

O poder é exercido, naturalmente, pelos seus titulares. Mas quem são 

os titulares do poder político? A nossa Constituição afirma o princípio da 

soberania popular, do qual decorre que o povo é o detentor da soberania. 

Ora, a soberania é o poder político exercido com supremacia e independência 

sobre o povo contido num território. Assim, o povo é, ao mesmo tempo, sujei

to e súbdito do poder político, o que já tinha sido prognosticado por Rous

seau. Mesmo nos regimes não democráticos, o consentimento do povo é con

dição do exercício do poder. Isto se aceitarmos como boa a asserção de que, 

em geral, o poder político só é eficaz se obedecido e só é obedecido se for acei

te ou, pelo menos, tolerado, pelo povo. 

Mas a nossa Constituição afirma também o princípio da democracia 

representativa, com o que se quer significar que o poder é exercido, não 

directamente pelo povo (democracia directa), mas por seus representantes27. 

No nosso sistema, e reportando-nos agora apenas ao Estado, os representan

tes do povo exercem apenas parte do poder político. O povo só elege os depu

tados da Assembleia da República e o Presidente da República, sendo que os 

titulares dos outros órgãos de soberania (Governo e Tribunais) são nomea

dos. Os titulares dos órgãos de soberania são os políticos. Isto com a excep

ção dos titulares da maior parte dos tribunais, que exercem a magistratura 

no regime de carreira, e que podem ser assimilados, para este efeito, a fun

cionários públicos. Adicionalmente, como a função judicial é, normalmente, 

uma função de declaração da lei na resolução de litígios, de carácter executi

vo, é suficientemente diferente das funções exercidas (nomeadamente a fun

ção política, seja ela governativa ou legislativa) pelos outros órgãos de sobe

rania para legitimar um tratamento diferente. 

Este tratamento diferente não implica a conclusão de que os juízes 

não exercem o poder político. Os órgãos jurisdicionais e os órgãos adminis

trativos asseguram aquela parte fundamental do poder político que se con

27 É certo que os referendos (locais, regionais ou nacionais) estão previstos constitu

cionalmente, mas constituem a excepção, e não a regra, no exercício do poder. O 

mesmo se diga da hipótese em que, nas freguesias com pouca população, todos elei

tores são automaticamente membros da Assembleia de Freguesia.substancia na imposição pela força das determinações contidas em actos com 

valor jurídico. Ao fazerem-no, não efectuam nenhuma escolha política fun

damental, limitando-se normalmente a executar escolhas anteriores conti

das em actos legislativos ou em actos políticos. Por isso, para efeitos da aná

lise que empreendermos de seguida, vamos agrupá-los na categoria dos 

burocratas. Assim, enquanto os políticos exercem o poder político através 

do desempenho da função política (governativa ou legislativa), os burocratas 

exercem-no por intermédio da prática da função executiva (jurisdicional ou 

administrativa). 

Desta forma, o povo (nomeadamente os eleitores), os políticos e os 

burocratas participam no exercício do poder político. Questão diferente, e 

que não aprofundaremos para já, é a de saber quem é que possui poder eco

nómico ou ideológico, que possa ser exercido sobre os detentores do poder 

político, sejam eles os eleitores, os políticos ou os burocratas, e, dessa forma, 

possa condicionar o exercício do poder político. Pensamos em indivíduos ou 

grupos que pela sua influência social (científica, religiosa, artística, despor

tiva) conseguem modificar a mundividência dos detentores do poder político 

e, portanto, alterar a forma como agem, inclusive no exercício das suas fun

ções. Pensamos igualmente em grupos que, pelo seu poder económico, conse

guem produzir os mesmos efeitos. Assim, a titularidade jurídico-formal do 

poder político não corresponde necessariamente à sua detenção real. 

b) Como é o poder exercido? 

A questão relativa ao modo do exercício do poder pode ser objecto de 

uma resposta que faça o elenco dos actos nos quais o mesmo se concretiza: 

actos jurídicos e não jurídicos; e, quanto aos primeiros: leis constitucionais, 

convenções internacionais (tratados, acordos), leis ordinárias (lei, decreto

lei, decreto legislativo regional), regulamentos (decretos regulamentares, 

portarias), actos jurisdicionais (sentenças, acórdãos), actos administrativos 

(licenças, autorizações, subvenções), contratos administrativos, etc.. 

Mas a questão que nos parece mais interessante de abordar nesta 

sede é outra: quando os eleitores, os políticos e os burocratas exercem o 

10 

poder político, fazem-no tendo em vista o bem comum, ou o bem próprio? 

Este problema está ligado ao da legitimidade, mas também ao da legitima

ção do poder. Normalmente, entende-se que só é legítimo o poder exercido 

em prol do bem comum. Esta é concepção que remonta, pelo menos, a Platão 

e Aristóteles, na sua taxonomia das formas de governo, em que as corrompi

das são aquelas em que os governantes prosseguem o interesse próprio 

(tirania, oligarquia, democracia), e as virtuosas aquelas em que os mesmos 

prosseguem o interesse público (monarquia, aristocracia, república). 

Já por esse exemplo da antiguidade se percebe o simplismo de um 

entendimento da actuação das autoridades públicas que se bastasse com a 

asserção de que, sendo o fundamento filosófico e jurídico-positivo (constitu

cional) da sua existência a prossecução de interesses públicos, tais autorida

des, e nomeadamente os titulares de cargos públicos, efectivamente prosse

guem ou visam prosseguir esses interesses. Desse ponto de vista, pouco res

taria a acrescentar a uma análise que identificasse as formas mais adequa

das, em cada circunstância, de prossecução dos interesses públicos, e que 

permitiria preencher de conteúdo os actos jurídico-públicos formais atrás 

assinalados28. 

Um entendimento interessante e alternativo destas questões é forne

cido pela análise económica da actividade política. Iniciada pela escola da 

Public Choice29e continuada pela chamada Political Economy, trata-se de 

entender a actuação dos votantes, dos políticos e dos burocratas à luz dos 

mesmos pressupostos com que se procura compreender a actuação dos pro

dutores e consumidores no mercado. Nos diversos casos, os agentes são con

frontados com escolhas e actuam de forma a maximizar o interesse pró

prio30, respondendo a incentivos resultantes, nomeadamente, do contexto 

28 «Antes da entrada da escolha pública na arena, os economistas estava habituados 

a prescrever as acções que um ditador benevolente deveria adoptar quando […] 

encontrasse uma falha de mercado devida a externalidades, assimetrias de infor

mação, e coisas semelhantes» (t.n.) – cf. SUSANNE LOHMANN (2008). 

29 Sobre a relevância histórica desta escola, cf. EKELUND/HÉBERT (1997: 531-554). 

30 Cf. GORDON TULLOCK (2008). 

11 

legal-institucional31 32. Trata-se de pressupostos realistas, e que evitam, 

inclusivamente, assumir o carácter esquizofrénico da personalidade desses 

agentes: que, quando actuam no mercado, prosseguem «egoisticamente» o 

seu interesse próprio e, quando actuam politicamente, prosseguem «altruis

ticamente» o interesse público33. 

No que diz respeito aos eleitores, a presunção de que procuram maxi

mizar o interesse próprio quando votam, adicionada à consciência de que 

cada voto individual não é decisivo na determinação dos resultados eleito

rais, leva à conclusão de que os votantes não vão procurar estar muito bem 

informados quanto às questões que estão em jogo e que podem receber res

postas alternativas, consoante o sentido do voto popular no seu conjunto. 

Como diz ANTHONY DOWNS «[e]m geral, é irracional estar bem informado 

sobre a política porque os baixos rendimentos resultantes da informação 

simplesmente não justificam o seu custo em termos de tempo e outros recur

sos escassos» (t. n.)34.  

Ao mesmo tempo, os votantes estarão um pouco melhor (mas não mui

to) informados em duas circunstâncias: no que diz respeito a questões políti

cas relativas à sua ocupação profissional (ex.: política de justiça, no caso de 

advogados, juízes, etc.)35 e relativamente a questões em que estão envolvidos 

grupos de interesses (lóbis) que promovem propaganda sobre as mesmas. O 

mesmo efeito, algo atenuado, parece aplicável aos políticos quando actuam 

como votantes (o que sucede, por exemplo, com os membros de assembleias 

parlamentares) 36. 

31 Cf. BESLEY/PERSSON (2008). A Political Economy distingue-se da escola da Public 

Choice por recorrer, adicionalmente, à teoria macroeconómica das expectativas 

racionais e à teoria dos jogos. Sobre as raízes da Political Economy, cf. PERS

SON/TABELLINI (2000: 1-4). Note-se que a expressão Political Economy (que tradu

ziremos por Economia da Política) não pode ser confundida com o antigo termo 

Economia Política, relativo à ciência económica em geral, e que parece ter sido 

substituído no século XX pelo termo mais abrangente Economia (Economics) – cf. 

GROENEWEGEN (2008). 

32 Sobre a racionalidade e outros pressupostos da actuação dos agentes no “merca

do” político, cf. JAMES BUCHANAN/GORDON TULLOCK (1962: 13, 18, 20, 30-39). 

33 Cf. JAMES BUCHANAN/GORDON TULLOCK (1962: 20). 

34 ANTHONY DOWNS (1958: 258-259). 

35 Cf. ANTHONY DOWNS (1958: 258-259). 

36 Cf. GORDON TULLOCK (2008).

Quanto aos partidos em que os políticos estão agregados, parte-se do 

pressuposto que funcionam como empresas. De forma a atingir os seus fins 

privados, propõe as políticas necessárias à obtenção de mais votos, pois ape

nas dessa forma chegarão ao poder. Os políticos, como procuram ser eleitos, 

ou reeleitos, apresentam as respectivas propostas políticas ou votam num 

determinado sentido no parlamento tendo em conta aquilo que pensam que 

os eleitores vão recompensar, e não aquilo que efectivamente consideram 

mais adequado. Na medida em que os eleitores não estão bem informados 

quanto às questões em jogo, resultam daí políticas menos adequadas. De 

todo o modo, se entendermos que uma política democrática é aquela corres

pondente aos desejos dos eleitores, as políticas resultantes podem ser assim 

qualificadas37. 

Por outro lado, prosseguindo o seu interesse próprio, os políticos pro

curarão apropriar-se de rendimentos em detrimento dos eleitores (por 

exemplo, aumentando os seus vencimentos, incrementando o financiamento 

dos partidos, aceitando subornos, etc.), gerando o que a literatura económica 

apelida de agency problem38. A investigação teórica mais recente parece 

apontar no sentido de que a competição eleitoral introduz algum efeito dis

ciplinador sobre essa apropriação de rendimentos39. Ainda assim, tal inves

tigação, com algum apoio experimental, apoia a ideia de que as regras elei

torais vigentes condicionam a amplitude da apropriação do rendimento: ela 

é menor quanto maiores forem os círculos eleitorais (no sentido de serem 

eleitos mais representantes), e quando os eleitores podem escolher, a partir 

da lista de candidatos de um partido, aquele que preferem. Uma outra hipó

tese que encontra alguma corroboração empírica é a de que a separação de 

poderes, nomeadamente a separação entre o poder de aprovar impostos e o 

poder de decidir a realização de despesas (vigente nos regimes presidenciais, 

37 Cf. GORDON TULLOCK (2008). 

38 Este problema pode impedir, por exemplo, a adopção de políticas reformadoras, 

na medida em que as mesmas ponham em causa a apropriação de rendimentos 

pelos políticos que ocupam o poder – cf. SHARUN MUKAND (2008). 

39 Cf. PERSSON/TABELLINI (2000: 69). 

13 

por contraposição com os regimes parlamentares), diminui a apropriação de 

rendimentos, por criar conflitos de interesses entre políticos40. 

A Escola da Escolha Pública analisou de acordo com o mesmo método 

a actuação dos burocratas, mas por motivos de tempo não nos vamos referir 

a essa investigação. 

Uma das conclusões que se pode retirar do que se disse é a seguinte: é 

mais realista (no sentido de ser mais explicativa) a visão da política que par

te do princípio de que os seus intervenientes prosseguem interesses pró

prios, e não o interesse geral. Ao mesmo tempo, a moldura institucional em 

que esses intervenientes agem condiciona o seu comportamento, e pode pro

piciar que a prossecução do interesse próprio se faça, simultaneamente, em 

benefício do interesse geral. Nas palavras de TORSTEN PERSSON e GUIDO 

TABELLINI, «um desenho constitucional apropriado pode ajudar a alinhar os 

interesses de políticos oportunistas com os dos votantes»41. 

Colocámos há pouco a questão de saber quem é que possui poder eco

nómico ou ideológico, que possa ser exercido sobre os detentores do poder 

político, sejam eles os eleitores, os políticos ou os burocratas, e que, dessa 

forma, possa condicionar o exercício do poder político. Uma resposta clássica 

consiste na identificação dos grupos de pressão ou lóbis como detentores de 

influência e, logo, poder ideológico, e como detentores de poder económico. 

Ora, uma parte muito interessante da análise económica debruçou-se 

sobre a lógica da acção colectiva, em moldes a permitir perceber em que 

medida é que os lóbis são criados. MANCUR OLSON42 questionou a asserção 

intuitiva de que grupos de pessoas com interesses comuns se associam para 

prosseguir esses interesses. Nomeadamente, questionou se isso se verifica 

sempre, ou se é possível estabelecer diferenças entre grupos, de tal modo 

que se conclua que, nalguns casos, as pessoas se associam e procuram em 

40 Cf. BESLEY/PERSSON (2008), PERSSON/TABELLINI (2000: 226). 

41 Cf. PERSSON/TABELLINI (2000: 226). Era já esse o objectivo original dos cultores 

da Escolha Pública: a de descobrir «a constituição sob a qual as actividades do mer

cador político podem ser […] reconciliadas com os interesses de todos os membros 

do grupo social» – JAMES BUCHANAN/GORDON TULLOCK (1962: 23 e, ainda, 27). 

42 Cf. MANCUR OLSON (1971). Veja-se, ainda, MANCUR OLSON (2008). 

14 

grupo prosseguir o seu interesse colectivo e, noutros casos, tal não sucede. O 

problema, como se adivinha, é que quando um grupo se associa, pode consti

tuir-se em grupo de pressão, em lóbi. Os grupos que não se associam não 

exercem qualquer pressão, enquanto grupo, sobre o poder político. Natural

mente, resulta que os interesses dos grupos activos serão objecto de uma 

atenção superior do poder político e, até, da opinião pública (em virtude de 

actos de propaganda por parte do lóbis), e os interesses dos grupos passivos 

serão deixados para segundo plano43. Não se verifica, portanto, um equilí

brio entre grupos de interesses que permita a conclusão de que, no fim, 

ouvidos todos os interesses em presença, os políticos adoptam uma decisão 

ponderada, mais próxima do interesse público44. Por outro lado, o problema 

é agravado pelo facto de os grupos passivos ou desorganizados serem aque

les que agrupam mais pessoas. Na verdade, os lóbis são grupos constituídos, 

tendencialmente, por poucos elementos (p. ex.: associações industriais secto

riais45). Os grupos desorganizados incluem, nos exemplos de OLSON, os tra

balhadores rurais migrantes, os que executam trabalho intelectual («white

collar»), os contribuintes, os consumidores…46. 

Porque é que isto sucede? Porque é que os grandes grupos não se 

organizam e deixam, dessa forma, que os seus interesses sejam preteridos 

em favor dos interesses dos pequenos grupos? Porque é que estas minorias 

suplantam frequentemente essas maiorias? 47 

OLSON parte do princípio de que a decisão de cada indivíduo se asso

ciar com outros que façam parte do mesmo grupo é uma decisão racional, 

baseada num cálculo quanto às vantagens e inconvenientes dos dois termos 

43 OLSON fala dos «grupos esquecidos», que «sofrem em silêncio» – MANCUR OLSON 

(1971: 165). 

44 Referindo-se, por isso, ao resultado da luta política dos grupos sociais como assi

métrico, cf. MANCUR OLSON (1971: 127). 

45 OLSON realça o facto de a comunidade de negócios no seu conjunto não se encon

trar bem organizada, o que coincide com a sua teoria, visto que se trata de um gru

po muito grande. Esse facto permitiria explicar, p. ex., a existência de isenções fis

cais variadas e outros benefícios dirigidos a indústrias particulares, e o insucesso 

na adopção de medidas que beneficiam as empresas no seu conjunto – cf. MANCUR 

OLSON (1971: 141-148). 

46 Cf. MANCUR OLSON (1971: 166). 

47 Cf. MANCUR OLSON (1971: 128). 

15 

da alternativa: aderir ou não aderir à associação. O indivíduo aderirá se 

concluir que as vantagens superam os custos da participação48. Adicional

mente, o grupo organizado prossegue interesses do grupo no seu conjunto, 

objectivos comuns, e não interesses de apenas algum ou alguns membros. 

Utilizando o jargão económico, OLSON considera que a função de qualquer 

organização, maxime do Estado, é o fornecimento de bens públicos49. O pro

blema é que, quando o grupo organizado em associação (ex.: sindicato) forne

ce o bem público (ex.: a garantia de melhores condições de segurança no pos

to de trabalho), todos os elementos do grupo (os trabalhadores daquela 

empresa ou daquele sector de actividade) vão usufruir do mesmo, sejam ou 

não membros activos da associação (trabalhadores sindicalizados). Ora, se 

todos têm interesse no bem público, não há um interesse comum em pagar 

os custos do fornecimento desse bem (ex.: quotas do sindicato)50. Se está em 

causa um grupo pequeno, sucede muitas vezes que o custo em que tem de 

incorrer um elemento desse grupo é inferior ao benefício que resulta, para 

ele, do fornecimento do bem público. Assim, pode-se presumir que o bem 

público há-de ser fornecido, sem que o grupo se tenha sequer de organizar. 

Em grupos intermédios, em que nenhum indivíduo pode suportar a totalida

de do custo desse fornecimento, mas em que a contribuição de cada um para 

os custos não é negligenciável, o resultado é indeterminável, sendo que o 

fornecimento depende da constituição do grupo em organização. Mas quando 

48 OLSON (1971: 64-65) argumenta que as conclusões a que chega, pelo menos quan

to aos grupos grandes, se mantêm mesmo que não se assuma que os indivíduos 

prosseguem o seu interesse próprio. Basta assumir-se a racionalidade de compor

tamento dos indivíduos quando efectuam escolhas: a «teoria é geral, no sentido de 

que […] pode ser aplicada sempre que haja indivíduos racionais interessados num 

objectivo comum» – cf. MANCUR OLSON (1971: 159). No entanto, o próprio autor 

admite que a sua teoria pode não ser suficientemente explicativa quanto a grupos 

filantrópicos e grupos religiosos. 

49 Cf. MANCUR OLSON (1971: 7, 15). Os bens públicos caracterizam-se pela sua não 

exclusividade – é impossível restringir o respectivo uso àqueles dispostos a pagar 

para o efeito –, e não rivalidade – o respectivo uso por alguém não diminui a quan

tidade disponível para os restantes. Tais características impossibilitam o seu regu

lar fornecimento no mercado. Por isso, é indispensável o seu fornecimento por gru

pos organizados. Exemplos clássicos são os da defesa nacional, da radiodifusão ou 

da instalação de faróis na costa marítima. DAVID MYATT (2008) argumenta que a 

teoria de Olson não é válida para bens públicos puros, mas apenas para bens públi

cos em que haja alguma rivalidade. 

50 Cf. MANCUR OLSON (1971: 21). 

estão em causa grupos grandes, constituídos por muitos elementos, a contri

buição que pode ser dada por cada elemento é negligenciável, face à totali

dade do custo a suportar pelo grupo organizado, pelo que a sua saída não 

terá um efeito notável, nem provocará qualquer reacção. Assim, um indiví

duo que racionalmente maximize o interesse próprio, preferirá não partici

par activamente na organização do grupo, visto que deixa de ter o custo 

associado a essa participação, continuando a ter os benefícios que resultam 

do fornecimento do bem público. Só que daí resulta que o grupo não se vai 

organizar e, portanto, o bem público não vai ser fornecido51. 

A única forma de grupos grandes conseguirem organizar-se, para for

necer o bem público aos seus elementos, consiste em fornecer incentivos 

(negativos ou positivos) aos indivíduos para que se associem. Por exemplo, a 

existência de uma lei que imponha a inscrição na associação (e o respectivo 

pagamento de quotas) por todos os membros do grupo (como sucede com cer

tas classes profissionais). Ou a concessão pela associação de benefícios aos 

seus membros, de que os restantes elementos do grupo não possam benefi

ciar (ex.: os seguros de saúde oferecidos por certos sindicatos)52. Portanto, a 

explicação para a existência de grupos grandes efectivamente organizados 

está no facto de existirem estes incentivos adicionais. 

Mais uma vez, a aplicação do método da ciência económica a um 

fenómeno social demonstrou ter poder explicativo (as conclusões a que chega 

coincidem aproximadamente com a realidade existente). Ao mesmo tempo, 

alerta para formas de se ultrapassar desvantagens da situação existente, do 

ponto de vista democrático e da prossecução do interesse público, permitindo 

a formulação de recomendações, quer aos grupos grandes (para que se cons

tituam em organização, devem oferecer incentivos individuais aos seus 

membros), quer ao próprio Estado (se está interessado em que os grupos 

51 Cf. MANCUR OLSON (1971: 33-50). 

52 Cf. MANCUR OLSON (1971: 51). De notar que esses incentivos podem ser de natu

reza não económica: a pressão social, a moral individual. No entanto, deve também 

assinalar-se que esse tipo de incentivos, e sobretudo o primeiro, funcionam sobre

tudo nos pequenos grupos, o que constitui mais uma razão que permite compreen

der porque é que os mesmos se organizam e prosseguem os seus interesses, ao 

invés do grande grupo – cf. MANCUR OLSON (1971: 60-63).grandes se organizem, deve impor a inscrição obrigatória dos seus elementos 

como membros). 

Em geral, penso que podemos chegar a uma conclusão: o entendimen

to de que a política não obedece a determinados padrões éticos deve levar

nos a procurar as razões desse facto e, sobretudo, os remédios para o mesmo, 

não exclusivamente na consciência individual dos intervenientes, mas tam

bém nas estruturas constitucionais e legais que enformam a actuação dos 

mesmos. Acontece o mesmo com outros fenómenos sociais. Assim, podemos 

procurar a razão das mortes na estrada na falta de consciência cívica dos 

condutores. Mas verificamos que alterações efectuadas na infra-estrutura 

rodoviária resultam, por vezes, em acentuados decréscimos dos sinistros. O 

desafio é, assim, o de descobrir que alterações da estrutura político

institucional resultam no decréscimo da sinistralidade ética. 

18 

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Politica pode ser definida pela capacidade de influenciar ou controlar o comportamento de outros, e o exercício do poder a manifestação dessa capacidade. Essa relação abrange desde a gestão de instituições do Estado, como em democracias, até as dinâmicas de negociação e decisão em contextos mais amplos, como as relações sociais e familiares. O exercício do poder pode envolver diferentes formas de domínio e influência, variando a sua natureza e os seus objetivos, sendo a política o campo de disputa e administração desses poderes. 

pode ser entendida como o processo de tomada de decisões em sociedade, gestão e administração de estados, e a própria busca e exercício do pode

refere-se à capacidade de influenciar, controlar ou forçar outros a agir ou deixar de agir de determinada maneira, muitas vezes através do uso da força ou do domínio. 

O exercício do poder não se restringe a políticos ou ao Estado, mas ocorre em qualquer espaço onde há disputa por influência, como em uma casa, um parque ou no cenário internacional, onde os estados exercem a política de poder (Machtpolitik). 

A política se manifesta no ato de postular, influenciar ou determinar condutas de outros indivíduos e grupos, seja pela negociação, persuasão, ou coerção. 

Em regimes democráticos, o poder é legitimado pela população, o que confere à participação cidadã uma importância crucial nas decisões políticas. 

A política, ao mesmo tempo que pode ser a forma de alcançar o bem-estar social, também carrega as contradições da vida em sociedade e a disputa por poder, que envolve uma relação de mando e comando. 

O estilo de mando e a forma de exercer o poder influenciam diretamente a liberdade dos indivíduos e o tipo de igualdade que se pretende construir no Estado.  

Eleitores independentes são cidadãos que não se identificam com nenhum partido político tradicional e preferem decidir seu voto com base em candidatos, propostas ou no cenário econômico do momento. Eles atuam como um fiel da balança em eleições majoritárias, pois flutuam entre a esquerda, o centro e a direita dependendo do contexto. 

Abaixo, veja em detalhes como esse grupo se define e como ele se movimenta no cenário eleitoral.

O que são Eleitores Independentes

Sem filiação: Não possuem registro ou simpatia fixa por partidos políticos.


Foco no candidato: Avaliam a biografia, a rejeição e o carisma da liderança e não a legenda.


Pragmatismo: Priorizam soluções práticas para problemas cotidianos, como economia, segurança e saúde.


Desilusão: Frequentemente demonstram insatisfação generalizada com a polarização e a classe política tradicional.


Como Eles se Movimentam

O comportamento desse eleitorado é altamente dinâmico e estratégico, seguindo padrões específicos: 

Voto de protesto: Migram rapidamente para candidatos "outsiders" ou de terceira via quando rejeitam o governo atual.


Decisão tardia: Costumam definir o voto nos últimos dias da campanha ou até mesmo na urna eletrônica.


Voto útil: Tendem a abandonar candidatos sem chances reais para evitar que o político que mais rejeitam vença.


Pêndulo econômico: Apoiam a continuidade se a economia vai bem, mas votam massivamente pela mudança em tempos de crise.


Influência do debate: Modificam sua intenção de voto com base no desempenho dos candidatos em debates na TV e em campanhas de redes sociais.


Impacto nas Eleições

Como o eleitorado fiel de cada partido costuma ser estável, as campanhas eleitorais modernas — como as analisadas por cientistas políticos no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ou em estudos da Fundação Getulio Vargas (FGV) — focam quase toda a sua energia e recursos para conquistar o voto dos independentes, pois são eles que definem quem vence a eleição.

https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/07/04/trump-transforma-aniversario-dos-eua-em-vitrine-politica-e-festa-de-250-anos-expoe-divisao-do-pais.ghtml 

 Confira a reportagem no Portal G1 da Rede Globo .https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/07/04/trump-transforma-aniversario-dos-eua-em-vitrine-politica-e-festa-de-250-anos-expoe-divisao-do-pais.ghtml





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