quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Uma farsa

 O poder pode ter origens econômicas, ideológicas ou políticas. A política opera sobre as esferas econômica e ideológica, buscando exercer influência sobre a sociedade como um todo. 

O poder exercido através da política pode ser visto como legítimo quando há o consentimento das pessoas ou ilegítimo quando a força é usada sem concordância. 

Em resumo, a política sem o poder não se realiza, pois o poder é o instrumento central para a organização e gestão da vida em sociedade, garantindo que um grupo ou indivíduo tenha a capacidade de impor ou influenciar as ações de outros. . Segundo o Sociólogo, Mestre e Doutor Cesar Portantiolo Maia, no Quarto Período da Habilitação em Jornalismo na Comunicação Social, pelas Faculdades Integradas Alcântara Machado (FIAAM FAAM).

     O bolsonarismo é um fenômeno político de extrema-direita e populista, centrado na figura do ex-presidente Jair Bolsonaro, e que se mantém relevante mesmo após o fim de seu mandato. É considerado por analistas uma versão brasileira de uma onda internacional reacionária. O movimento é caracterizado pela combinação de diversos elementos, como conservadorismo social, militarismo e o uso intenso das mídias digitais. 

Características principais

Valores conservadores: A plataforma bolsonarista se baseia em valores tradicionais, com ênfase na defesa da família, da religião e da ordem moral.

Militarismo e ordem: Promove a militarização da segurança pública e do comportamento social, valorizando a disciplina e a autoridade militar.

Populismo: O discurso bolsonarista é antiestablishment e se dirige diretamente aos eleitores, criando uma conexão forte com sua base de apoio. A retórica costuma explorar a polarização e a crítica a supostos inimigos, como a "velha política" e o "comunismo".

Uso de mídias digitais: O movimento utiliza intensivamente as redes sociais e aplicativos de mensagens, como o WhatsApp, para mobilizar apoiadores, disseminar notícias e informações (muitas vezes falsas ou distorcidas), e contornar a mídia tradicional.

Nacionalismo e "cidadão de bem": O bolsonarismo se apropria de símbolos nacionais e constrói uma narrativa identitária em torno do "cidadão de bem" para se contrapor a grupos sociais considerados "fora do padrão", como a esquerda, movimentos antirracistas e a população LGBTQIAPN+.

Americanização da política: O movimento reproduz práticas e performances de grupos de extrema-direita internacionais, como o trumpismo nos Estados Unidos, utilizando estratégias de comunicação e narrativas compartilhadas. 

Após o fim do mandato de Bolsonaro e sua inelegibilidade, o movimento continua a se manifestar no cenário político brasileiro, mas enfrenta desafios: 

Enfraquecimento: Analistas indicam que a "onda bolsonarista" tem se enfraquecido, especialmente após condenações de Bolsonaro na Justiça. Há questionamento  sobre a capacidade do ex-presidente de manter a liderança de seu campo político.

Divisões internas: Reportagens recentes sugerem rachas dentro do bolsonarismo, com a ala mais radical questionando a liderança de Bolsonaro e figuras como o governador Tarcísio de Freitas sendo vistas como potenciais substitutos para a direita em 2026.

Apoio duradouro: Apesar das dificuldades, o bolsonarismo ainda mantém uma base de apoiadores significativa, que continua a se mobilizar em torno de suas pautas.

Cenário eleitoral: Embora seja considerado enfraquecido, o bolsonarismo continua a ser um fator relevante nas próximas eleições, com candidatos da direita buscando associar-se ou distanciar-se da figura do ex-presidente.

BOLSONARISMO, CONSERVADORISMO E DIREITOS HUMANOS: 

ANALISANDO O PAPEL DA IDEOLOGIA POLÍTICA COMO CONDICIONANTE 

AO PLENO EXERCÍCIO DOS DIREITOS HUMANOS NO BRASIL 

CONTEMPORÂNEO 

Bolsonarism, conservatism and human rights: analyzing the role of political ideology 

as a restriction to the full exercise of human rights in contemporary Brazil 

Guilherme Antunes Ramos1 

1Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Rio de Janeiro, RJ, Brasil. E-mail: 

guilhermeramos.ir@gmail.com ORCID: https://orcid.org/0000-0002-8224-9074 

Recebido em 30 jan. 2020 | Aceito em 08 jun. 2020. 

Ramos, G. A. 

Mural Internacional, Rio de Janeiro, Vol.11, e48071, 2020. 

DOI: 10.12957/rmi.2020.48071| e-ISSN: 2177-7314 

RESUMO 

O artigo problematiza a situação dos direitos humanos no Brasil em face do advento de uma 

ideologia conservadora que nega a universalidade que inspira ditos direitos. Argumenta-se que a 

ideologia política se apresenta como um embaraço à aplicabilidade dos direitos humanos na 

condição de direitos pretensamente universais. Para corroborar esse argumento, são analisados 

dois casos considerados ilustrativos da interveniência da ideologia nas novas políticas de direitos 

humanos durante o governo de Jair Bolsonaro, a saber, a reversão da decisão brasileira de aderir 

ao Pacto Global para a Migração e a instrução conferida a diplomatas e demais representantes do 

Brasil no exterior de defender, em foros internacionais, o entendimento de que a palavra gênero 

traduz tão somente o sexo biológico de um indivíduo. Trata-se de um trabalho de cunho 

exploratório, que aborda possíveis reveses no tocante a temas atinentes aos direitos humanos 

provocados pelo recrudescimento de posições conservadoras. 

Palavras-chave: Direitos Humanos; Conservadorismo; Governo Jair Bolsonaro. 

ABSTRACT 

The article discusses the condition of human rights in Brazil in the face of a conservative ideology 

that denies the universality that characterizes such rights. It is argued that political ideology 

presents itself as a barrier to the applicability of human rights as understood as allegedly universal. 

In order to sustain this argument, two cases considered to be illustrative of ideological 

intervenience in the new policies directed towards human rights under the presidency of Jair 

Bolsonaro are analyzed, the reversal of the brazilian decision to be a part of the Global Compact 

for Migration and the instruction given to diplomats and other brazilian representatives abroad to 

sustain, in international forums, the undertanding that gender is restricted to a biological 

condition. It is an exploratory essay that analyzes possible setbacks related to human rights topics 

in Brazil, driven by the escalation of conservative positions. 

Keywords: Human Rights; Conservatism; Presidency of Jair Bolsonaro. 

INTRODUÇÃO 

Em outubro de 2018, uma vez anunciado o resultado oficial dos pleitos eleitorais ocorridos 

em dois turnos, confirmava-se uma tendência já antevista pelos analistas políticos: o Brasil 

atravessava uma forte onda conservadora. A exemplo de países como Áustria, Estados Unidos e 

Turquia, também o Brasil experimentava o revigoramento de uma ideologia política reacionária, 

pautada em um conservadorismo moral, em uma retórica nacionalista e na defesa de um ideal de 

nação homogeneizador e avesso às minorias. Dentre os principais eleitos para cargos legislativos 

e executivos, figuravam indivíduos que publicamente se posicionavam em contrário a agendas e 

bandeiras relacionadas aos direitos humanos, incluindo o presidente da República eleito, Jair 

Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional. 

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Ramos, G. A. 

Mural Internacional, Rio de Janeiro, Vol.11, e48071, 2020. 

DOI: 10.12957/rmi.2020.48071| e-ISSN: 2177-7314 

Bolsonaro. Pela primeira vez desde a redemocratização, o país passava a ser presidido por uma 

figura publicamente hostil aos direitos humanos, suscitando indagações quanto a possíveis 

reveses no país em questões atinentes a esse tópico. 

O presente artigo objetiva analisar as repercussões de uma ideologia política em 

específico, qual seja, o conservadorismo, no que se refere à aplicabilidade dos direitos humanos 

na condição de direitos pretensamente universais. Antecipa-se que, desde a sua enunciação mais 

incipiente na Declaração Universal dos Direitos Humanos, datada de 1948, os direitos humanos já 

eram norteados pelo princípio da universalidade. A universalidade que precipuamente orienta os 

direitos humanos “significa que não se requer outra condição para a sua efetivação além de ser 

pessoa humana; significa, em última análise, que não se pode fazer acepção de pessoas, eis que 

todas elas são dotadas da mesma dignidade” (Mazzuoli, 2015, pp. 31-32, grifo no original). 

Considera-se que o conservadorismo, ao recuperar argumentos de ordem moralizadora e advogar 

em prol da metrificação do acesso a direitos humanos a partir de outros atributos que não a 

simples condição humana, apresenta-se como um embaraço prático que se interpõe à 

universalidade que teoricamente orienta os direitos humanos, sendo mobilizado para legitimar a 

subversão prática da dita universalidade a partir da reintrodução de quesitos outros tidos como 

justificadores de um acesso diferenciado a direitos.  

Nota-se que o objeto de estudo é o Brasil contemporâneo, pós eleições de 2018. Nesse 

sentido, a ideologia conservadora a que se buscará analisar é uma modalidade de 

conservadorismo à brasileira, mais contemporaneamente associada ao bolsonarismo. Buscar-se

á verificar em que medida o fortalecimento do conservadorismo no Brasil, em ampla medida 

personificado na figura de Jair Bolsonaro, tem imposto novos desafios à temática dos direitos 

humanos. A hipótese central é de que subsistem inúmeros condicionantes que interpelam a plena 

aplicabilidade dos direitos humanos, sendo um deles a ideologia política conservadora, a qual 

rechaça a universalidade dos direitos humanos. Partindo dessa hipótese central, serão analisadas 

duas decisões ocorridas no Brasil sob a presidência de Jair Bolsonaro tidas como exemplificadoras 

de uma nova percepção acerca dos direitos humanos, quais sejam, a reversão da decisão de aderir 

o Brasil ao Pacto Global para Migração e a orientação conferida ao Ministério das Relações 

Exteriores de se defender, em fóruns e arenas internacionais, a noção de gênero como estando 

restrita ao sexo biológico. Prenuncia-se que essas decisões estão amplamente baseadas em uma 

dimensão ideológica. 

A pergunta de pesquisa é a seguinte: em que medida o fortalecimento do conservadorismo 

tem impactado a maneira como o Brasil afirma e pratica os direitos humanos? Em termos 

metodológicos, proceder-se-á essencialmente a uma análise de conteúdo apoiada por um estudo 

de caso. As fontes de pesquisa incluirão produções acadêmicas, acrescidas de notícias e análises 

publicadas em periódicos. Dada a atualidade dos acontecimentos em estudo, nota-se um 

considerável déficit em termos de uma bibliografia propriamente acadêmica que verse sobre esses 

temas. Diante desse cenário, justifica-se a complementação em fontes não-acadêmicas. 

Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional. 

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Ramos, G. A. 

Mural Internacional, Rio de Janeiro, Vol.11, e48071, 2020. 

DOI: 10.12957/rmi.2020.48071| e-ISSN: 2177-7314 

O artigo se subdividirá em duas seções: a primeira, de caráter mais teórico, se dedicará a 

analisar a ideologia conservadora e, mais particularmente, o fenômeno do bolsonarismo, 

buscando contrastar os valores tradicionais do conservadorismo com o princípio da universalidade 

basilar aos direitos humanos. A seção subsequente se dedicará à análise dos casos ilustrativos 

selecionados. Ao final, as inferências e argumentos desenvolvidos ao longo do artigo serão 

retomados em uma seção conclusiva. 

CONSERVADORISMO E BOLSONARISMO: TORNANDO OS DIREITOS HUMANOS UM PROJETO NÃO

UNIVERSAL  

Vamos defender a família e os verdadeiros direitos humanos. 

Jair Bolsonaro 

A frase que introduz esta seção foi proferida pelo presidente Jair Bolsonaro durante o 

primeiro evento internacional do qual participou na condição de presidente da República, qual 

seja, o Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça2. Tornava-se evidente, para o Brasil e para o 

mundo, que uma nova constelação de ideias orientaria às políticas e práticas de direitos humanos 

do governo brasileiro, as quais, por sua vez, baseavam-se em uma ideologia conservadora. Mas, 

afinal, o que se entende por ideologia?  

Para os propósitos do presente trabalho, se convencionará que a palavra ideologia traduz 

um conjunto de ideias e visões de mundo que orienta as ações postas em prática por autoridades 

políticas. Considera-se que essa definição alude plenamente a uma das maiores repercussões 

aportadas pelo autor Andrew Heywood (2017) para justificar a importância do estudo das 

ideologias, a saber, o reconhecimento do papel das ideias para se compreender ações políticas 

(2017, p. 28). A ideologia política, por extensão, seria um coletivo de variáveis intangíveis, 

incluindo ideias, crenças e idiossincrasias das mais diversas, que informam o conteúdo e a prática 

das ações políticas.  

Ao dissertar sobre o conservadorismo, informa Heywood tratar-se de uma ideologia 

política dotada de algumas características peculiares, mormente um apreço à tradição e um 

desejo de conservar, apoiado em uma desconfiança em relação a toda e qualquer mudança 

operacionalizada no campo dos valores. Segundo define o autor: 

As a political ideology, conservatism is defined by the desire to conserve, reflected in a 

resistance to, or at least a suspicion of, change. However, while the desire to resist change 

may be the recurrent theme within conservatism, what distinguishes conservatism from 

rival political creeds is the distinctive way in which this position is upheld, in particular 

through support for tradition, a belief in human imperfection, and the attempt to uphold 

the organic structure of society. (2017, p. 102) 

2Declaração extraída de: Galli, G. (2019) Os ataques aos direitos humanos no 1º mês do governo Bolsonaro. Instituto Vladimir 

Herzog. Disponível em: https://vladimirherzog.org/os-ataques-aos-direitos-humanos-no-1o-mes-do-governo-bolsonaro/. [Acesso 

em 28: jan. 2020] 

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Da definição fornecida por Andrew Heywood, retém-se que o conservadorismo reverencia 

a tradição, considerada como um conjunto de valores que mantém a coesão de um determinado 

corpo social (idem, p. 107) 

A valorização da tradição é diretamente proporcional à recusa a 

mudanças aportadas por movimentos progressistas. A crença filosófica em uma imperfeição 

humana torna, para os conservadores, os seres humanos em indivíduos naturalmente fracos que 

buscam a segurança, um senso de pertencimento e de familiaridade (Heywood, 2017, p. 108). A 

consecução desses objetivos, partilhados por todos os seres humanos, dependeria da 

perpetuação de valores tradicionais que, na visão conservadora, possibilitam a integração social e 

afastam toda a sorte de insegurança. Por isso a tradição adquire tamanha centralidade em 

ideologias políticas conservadoras.  

Considera-se que a ideologia política que orienta o atual presidente da República brasileiro 

é também uma vertente do conservadorismo. Dada a identificação de uma vinculação quase 

personalista à figura do próprio presidente, parte da Academia brasileira tem associado essa 

ideologia política ao que se denomina por bolsonarismo. O bolsonarismo pode ser definido como: 

um fenômeno político que transcende a própria figura de Jair Bolsonaro, e que se 

caracteriza por uma visão de mundo ultraconservadora, que prega o retorno aos ‘valores 

tradicionais’ e assume uma retórica nacionalista e ‘patriótica’, sendo profundamente 

crítica a tudo aquilo que esteja minimamente identificado com a esquerda e o 

progressismo. Tal visão ganhou bastante força nesta última década em várias partes do 

mundo, se alimentando da crise da representação e da descrença generalizada na política 

e nos partidos tradicionais. No Brasil, ela iria encontrar a sua personificação no ex-capitão 

e em seu estilo de fazer política, calcado na lógica do ‘contra tudo que está aí’, apesar de 

ele mesmo ser parte do establishment político desde 1988, quando disputou e venceu 

sua primeira eleição. (Freixo, A.; Pinheiro-Machado, R., 2019, p. 19). 

O parágrafo supracitado evidencia alguns atributos do bolsonarismo que são dignos de 

menção. A começar, pontuam os autores que o bolsonarismo prega o retorno aos “valores 

tradicionais”, aproximando-o da definição stricto sensu de conservadorismo. Ademais, enfatiza-se 

que o advento dessa ideologia no Brasil não se trata de uma ocorrência isolada, e sim da 

manifestação local de um fenômeno que avança em termos globais, estando intimamente 

associado a uma crise do próprio modelo de democracia representativa partidária. Por isso a 

proposta de se projetar a figura de Jair Bolsonaro como um outsider, uma figura alheia às 

estruturas de poder. 

Enquanto fenômeno político orientado por uma ideologia conservadora, o bolsonarismo 

antagoniza bandeiras e agendas relacionadas aos direitos humanos, em ampla medida 

consideradas como antagônicas aos ditos valores tradicionais. A tradição confunde-se com a 

religião, que readquire proeminência no cenário político brasileiro. O slogan de campanha do 

então candidato à presidência Jair Bolsonaro é revelador dessa nova realidade: “Brasil acima de 

tudo, Deus acima de todos”. A valorização da tradição e da religião, e a centralidade adquirida por 

elas no novo governo brasileiro, induzirão a uma ressignificação dos direitos humanos, que deixam 

de ser concebidos como um projeto universal e passam a ser metrificados em função de critérios 

de merecimento. Assim, os “verdadeiros direitos humanos” ganham projeção. 

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O bolsonarismo alimenta-se da promessa de recuperação moral e material do país. No 

campo moral, destacam-se o combate à corrupção, a valorização da família tradicional e do mérito 

individual, e o distanciamento de toda e qualquer pauta considerada como progressista. Na esfera 

material, sustenta-se que a recuperação econômica do país se operacionalizará a partir da adoção 

de ações liberais. O conservadorismo moral alia-se ao liberalismo econômico na cartilha 

bolsonarista. 

Feitas algumas considerações preliminares sobre a nova ideologia política que orienta os 

decision makers brasileiros, enfatizando-se o quanto essa ideologia subverte o princípio da 

universalidade dos direitos humanos, cumpre finalmente discorrer sobre os dois estudos de caso 

em questão: a reversão da decisão de dissociar o Brasil do Pacto Global para a Migração e a 

reorientação quanto ao uso da palavra gênero em foros internacionais. 

ANALISANDO O ABANDONO DO PACTO GLOBAL PARA A MIGRAÇÃO E A RESSIGNIFICAÇÃO DO 

TERMO GÊNERO: OS CASOS DE APLICAÇÃO PRÁTICA DA NOVA VISÃO SOBRE DIREITOS HUMANOS 

NA ERA BOLSONARISTA 

O Pacto Global para uma Migração Segura, Ordenada e Regular consiste em um esforço 

capitaneado pela Organização das Nações Unidas (ONU) destinado a endereçar a temática das 

migrações internacionais. Desponta como uma primeira medida a intentar erigir uma governança 

global das migrações. Considerando o quão significativos se tornam os fluxos de pessoas que 

transpassam fronteiras internacionais voluntaria e compulsoriamente, e dada a dimensão 

internacional que é imanente a esse tópico, despontou como uma necessidade premente a 

constituição de um arranjo coletivo que pudesse orientar, ainda que minimamente, as políticas 

migratórias dos países. O Pacto Global para a Migração surge, portanto, como uma primeira 

notória medida a tratar mais especificamente das migrações internacionais, tendo por norte a 

proteção dos direitos humanos de indivíduos e populações migrantes. Seu texto final, negociado 

ao longo de anos, foi finalmente acordado em conferência internacional ocorrida na cidade de 

Marraquexe, em dezembro de 20183. 

Nota-se de antemão que o Pacto Global para a Migração é destituído de caráter vinculante. 

Não estão previstos, nas diretrizes do Pacto, quaisquer mecanismos de supervisão que certifiquem 

que os dez princípios norteadores e os vinte e três objetivos nele pretendidos serão plenamente 

observados pelos Estados4. Originalmente, 164 países endossaram a iniciativa, incluindo o Brasil, 

representado na Conferência de Marraquexe por seu então ministro das relações exteriores, 

Aloysio Nunes. Não obstante, o já designado chanceler do futuro governo presidido por Jair 

3 Informações obtidas em Ramos, G. (2020). 

4Para maiores informações sobre os princípios orientadores e objetivos estabelecidos no Pacto Global para a Migração, consultar: 

The United Nations. (2018) Global Compact for Safe, Orderly and Regular Migration. Final draft. Disponível em: 

https://www.un.org/pga/72/wp-content/uploads/sites/51/2018/07/migration.pdf. [Acesso em: 29 jan. 2020]. 

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Bolsonaro, Ernesto Araújo, tornou público que a posição brasileira seria objeto de uma inflexão 

tão logo o novo governo assumisse. Em sua conta pessoal na rede social Twitter, assim declarou o 

futuro chanceler: 

O governo Bolsonaro de desassociará (sic) do Pacto Global de Migração que está sendo 

lançado em Marraqueche, um instrumento inadequado para lidar com o problema. A 

imigração não deve ser tratada como questão global, mas sim de acordo com a realidade 

e a soberania de cada país. (Araújo, 2018) 

Tomando-se em consideração o fato de que o Pacto Global não se apresenta como um 

tratado internacional de natureza vinculante, questionam-se as reais motivações do novo governo 

em retirar-se de uma iniciativa internacional que não aportaria ao país nenhum encargo a ser 

mandatoriamente cumprido, além de impactar a reputação internacional do Brasil. A resposta 

possivelmente perpassa pela nova orientação ideológica do governo. Considera-se que a decisão 

de abandonar o Pacto Global para a Migração, anunciada antes mesmo da posse de Jair Bolsonaro, 

é extremamente sintomática da forma pela qual o futuro governo de inspiração conservadora 

abordaria os direitos humanos.  

A hipótese de que a decisão brasileira esteve fundamentada pelo componente ideológico 

é fortalecida quando considerado o ativismo pregresso do então deputado federal Jair Bolsonaro 

em oposição à nova lei migratória que se desenhava no país. Crítico contumaz à redação de uma 

nova lei em substituição ao Estatuto do Estrangeiro, datado do período da ditadura militar e 

fortemente balizado pelo elemento securitizador, Bolsonaro mobilizava argumentos que 

posteriormente confeririam maior coerência à futura decisão anunciada por Ernesto Araújo. 

Abaixo, transcreve-se parte de seu pronunciamento em plenário da Câmara dos Deputados, no 

dia 06 de dezembro de 2016, durante discussão sobre a nova lei: 

Tenho certeza de que V.Exas. não sabem o que estão votando. Vocês estão escancarando 

as portas do Brasil para todo tipo de gente! 

A Ângela Merkel, atrás do seu quarto mandato, acabou de endurecer a sua legislação 

sobre imigrantes, porque acabou de ser assassinada uma menina, após ter sido 

estuprada, caso que comoveu a Alemanha. O comportamento e a cultura deles são 

completamente diferentes dos nossos. 

Não podemos, neste momento de crise mundial, escancarar as portas do Brasil para todo 

tipo de gente! Isso vai virar — desculpem-me o termo — a casa da mãe Joana. 

Este País é nosso! Não é de todo mundo! Não podemos fazer isso. Até mesmo o Trump 

ganhou as eleições na Flórida, juntamente com os cubanos, exatamente em função disso. 

Nós não podemos escancarar as portas do Brasil para o mundo! Nós não comportamos 

esse tipo de gente aqui dentro, sem controle! 

É o apelo que eu faço, Sr. Presidente, para votar contra isso aí. Obrigado pela 

oportunidade.  

Pelo Brasil, peço o voto não. (Bolsonaro, 2016 apud Chaves, L., 2018) 

No trecho em questão, explicita-se uma abordagem conservadora da questão migratória. 

Enfatiza-se o discurso securitizador, ao se invocar um caso de estupro seguido por assassinato, 

supostamente cometido por um imigrante na Alemanha. Ademais, focaliza-se sobre os costumes, 

outro tópico corriqueiro à ideologia conservadora. Reforça-se a ideia de que o Brasil é um país 

para brasileiros, e que uma legislação mais promotora de direitos aos migrantes terminaria por 

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atrair ao país comportamentos e pessoas indesejáveis, que comprometeriam a segurança e o 

senso de pertencimento almejado pelos seres humanos, segundo a visão conservadora.  

O trecho seguinte, transcrito também a partir de falas de Bolsonaro durante um 

pronunciamento na Câmara dos Deputados, em 12 de abril de 2017, revela mais acuradamente o 

apelo aos argumentos securitizadores. Assim se expressou o então deputado: 

Como disse, qualquer país do mundo pode encher um navio, colocar 10 mil pessoas nele 

e jogar num ponto qualquer do Brasil, que essas pessoas serão acolhidas de braços 

abertos. Não temos estrutura para isso! Estão me acusando de xenofobia. Nós teremos 

um país sem fronteiras. A nossa política de fronteira já é bastante deficitária, e vai piorar 

muito mais ainda. O refugiado passa a ter o mesmo status de turista. O indivíduo está 

andando por aqui, resolve ficar e fica. Também não vão ser checados os antecedents 

criminais. 

Deputado Carlos Manato, em relação a costumes e cultura, há país que adota a poligamia, 

por exemplo. Um cidadão desse país vai poder ficar com três, quatro ou cinco mulheres 

e tudo bem. Mais ainda: se ele quiser sair com uma menina de 10 anos de idade, que 

pode ser a neta de um Deputado inconsequente que votou favoravelmente a isso, ele 

poderá. Poderá até namorar uma menina de 10 anos de idade e engravidá-la se quiser 

também, é direito dele. Nós é que temos que nos adequar à cultura deles. Esse projeto é 

enorme.  

Aloysio Nunes Ferreira, o seu DNA todos nós conhecemos: guerrilha e terrorismo, 

juntamente com essa turma da esquerda que está aqui, em especial.  (Bolsonaro, 2017 

apud Chaves, L., 2018) 

Nesse pronunciamento, reforça-se o argumento de que o tratamento da questão 

migratória pela via da concessão de direitos aumentaria sobremaneira os fluxos migratórios em 

direção ao Brasil, gerando problemas de segurança e de ordem socioeconômica. Ademais, é 

enfatizada a dimensão cultural, posto que se ressalta que práticas e valores culturais diversos à 

cultura tradicional brasileira provocariam tensões. Por fim, busca-se associar o novo projeto de lei 

a uma ideologia de esquerda e a termos como “guerrilha” e “terrorismo”, os quais aludem 

explicitamente à violência e à insegurança. 

Considerado esse protagonismo anterior de Jair Bolsonaro em relação à possível mudança 

na legislação brasileira sobre migrações, antevê-se que a decisão de abandonar o Pacto Global 

para a Migração, o qual, a exemplo da nova legislação brasileira, tencionava proteger direitos dos 

migrantes, é bastante ilustrativa da nova ideologia vigente. E enunciativa da nova proposta de 

direitos humanos, que nesse caso passariam a ser reservados aos brasileiros. Assim como “Esse 

país é nosso! Não de todo mundo!”, também o seriam os direitos humanos. A decisão de 

abandonar o Pacto Global para a Migração é a primeira grande medida do governo Jair Bolsonaro 

a anunciar para o Brasil e para o mundo quais seriam as condições dos direitos humanos em um 

país governado pela extrema-direita. Por isso, reveste-se de fundamental significância, o que 

justifica a sua escolha como primeiro caso em estudo. 

O segundo caso engloba uma ressignificação, em fóruns internacionais, da palavra 

“gênero”. O Ministério das Relações Exteriores, durante a presidência de Jair Bolsonaro, foi 

instruído a defender, no âmbito internacional, que a noção de gênero confunde-se tão somente 

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com o gênero biológico.5 A nova acepção distingue-se substancialmente da noção de gênero 

operacionalizada pela própria Organização das Nações Unidas, que utiliza uma definição que 

recusa o determinismo biológico e enfatiza que os atributos de gênero correspondem a 

construções sociais: 

Gênero refere-se a papéis, comportamentos, atividades e atributos que uma dada 

sociedade em um dado momento considera apropriado para homens e mulheres. Além 

dos atributos sociais e oportunidades associadas com ser homem ou mulher e as relações 

entre mulheres e homens, meninas e meninos, o gênero também se refere às relações 

entre mulheres e aquelas entre os homens. Estes atributos, oportunidades e relações são 

socialmente construídas e são aprendidas por meio de processos de socialização. Elas são 

específicas a um contexto e a um tempo, bem como são mutáveis. O gênero determina 

o que é esperado, permitido e valorizado em uma mulher ou em um homem em um 

determinado contexto. (Organização Das Nações Unidas, 2016)   

A nova aproximação brasileira com esse tema é também compreendida como um reflexo 

da nova ideologia prevalecente. A limitação do conceito de gênero ao sexo biológico é mobilizada 

por conservadores em defesa da afirmação de valores tradicionais, dentre as quais a família 

tradicional constituída a partir de um homem e de uma mulher. A nova definição operacionalizada 

pelo Brasil internacionalmente é partilhada por Jair Bolsonaro, que por reiteradas vezes afirmou 

seu entendimento de que gênero se limita a uma condição biológica. O próprio chanceler Ernesto 

Araújo, ao comentar a nova orientação, reconheceu tratar-se de uma aproximação com a visão 

defendida pelo presidente e por seus apoiadores: 

A atualização da posição do país nos foros internacionais busca alinhar a política externa 

com as prioridades da plataforma eleitoral do governo do Presidente Jair Bolsonaro. No 

lugar do uso do termo 'igualdade de gênero', o Brasil favorece 'igualdade entre homens 

e mulheres', conforme estabelece a Constituição Federal de 1988. (Araújo, E. apud 

Oliveira, M.; D’Agostino, R., 2019). 

Retém-se que a reconceituação da palavra gênero em foros internacionais igualmente 

reflete o redirecionamento ideológico do novo governo, impactando em absoluto a temática dos 

direitos humanos. Nessa decisão em específico, o Brasil anunciou igualmente uma 

descontinuidade em relação a uma plataforma defensora de direitos de minorias sexuais, como 

transgêneros, em favor de uma visão dita tradicional que segrega e invisibiliza os direitos de 

indivíduos nessas condições. Internacionalmente, o Brasil passa a estar mais alinhado a países 

conservadores, secundarizando os direitos de indivíduos não contemplados na conceituação 

tradicional de gênero. A partir dessa inflexão, o Brasil deixa de agir de forma mais responsiva 

acerca de novas demandas emergentes, referentes aos direitos de indivíduos transgêneros, por 

exemplo, e distancia-se de sua própria trajetória internacional pautada em uma defesa irrestrita 

dos direitos humanos.  

5Informação obtida em: Mello, P. (2019). 

Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional. 

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Ramos, G. A. 

Mural Internacional, Rio de Janeiro, Vol.11, e48071, 2020. 

DOI: 10.12957/rmi.2020.48071| e-ISSN: 2177-7314 

CONSIDERAÇÕES FINAIS 

Ao longo do artigo, intentou-se apontar algumas das maneiras pelas quais o 

recrudescimento de uma ideologia conservadora repercutiu sobre os direitos humanos no Brasil. 

Inferiu-se que afirmação histórica dos direitos humanos, expressão utilizada em Comparato 

(2015), é ainda um processo inacabado. Apesar de todos os avanços obtidos, tanto em termos de 

legislação internacional quanto em termos de legislação interna, verifica-se no Brasil a 

perpetuação de inúmeros elementos que obstaculizam a plena efetivação dos direitos humanos. 

Um desses elementos, conforme se buscou salientar, é a ideologia política conservadora, a qual 

destitui os direitos humanos de seu elemento mais básico, a universalidade. 

Falar em direitos humanos implica, obrigatoriamente, admitir a sua universalidade, uma 

vez que eles são instruídos por uma concepção de dignidade inerente a todos os seres humanos 

(Sarmento, 2016). Dessa maneira, a concepção de que os direitos humanos possam ser 

metrificados em função de critérios quaisquer além do pertencimento ao gênero humano 

extingue o seu fundamento último, a saber, a promoção de um conjunto de direitos considerados 

como fundamentais a uma existência digna a todos os seres humanos. Ao negar a universalidade 

dos direitos humanos, a ideologia política conservadora rejeita os direitos humanos em si mesmos.  

Os casos em estudo são exemplos de repercussões práticas da nova ideologia 

conservadora que tem instruído os decisores brasileiros, mormente o presidente da República Jair 

Bolsonaro. Revelam que a percepção de que os direitos humanos se circunscrevem a partir de 

determinados condicionantes adentrou as estruturas decisórias brasileiras. Sugerem que possíveis 

retrocessos em tópicos atinentes aos direitos humanos já se afiguram no horizonte mais imediato. 

E que os direitos humanos vêm perdendo espaço na agenda pública.  

Há que se frisar que as implicações práticas das medidas estudadas ainda precisarão ser 

aferidas com maior destreza. Destaca-se que entraves institucionais e compromissos previamente 

assumidos pelo Brasil certamente se interpõem entre a nova visão dos direitos humanos e sua 

aplicação prática. Nesse sentido, a delegação internacional da qual discorre o autor Daniel Hill 

(2016) ilustra esse ponto. De acordo com o autor, os Estados, ao delegarem a fiscalização de 

violações de direitos humanos a entidades internacionais, como a ONU ou mesmo a cortes 

internacionais, como a Corte Interamericana de Direitos Humanos, cuja jurisdição é reconhecida 

pelo Brasil, previnem possíveis retrocessos no âmbito interno. Essa delegação de competências, 

além de enfatizar, perante a comunidade internacional, a assunção de compromissos que 

transcendem governos em específico, torna menos provável uma reversão significativa das 

políticas de direitos humanos. Também a legislação nacional corrobora esse ponto. Embora 

partilhe de uma nova visão dos direitos humanos, o novo governo submete-se à constituição 

federal e a todos os tratados internacionais de direitos humanos ratificados pelo Brasil. Reverter 

todos esses condicionantes normativos demandaria um esforço político e societal que por ora não 

parece exequível. 

Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional. 

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Ramos, G. A. 

Mural Internacional, Rio de Janeiro, Vol.11, e48071, 2020. 

DOI: 10.12957/rmi.2020.48071| e-ISSN: 2177-7314 

Não obstante, há que se considerar que mudanças no campo ideológico já são, em si, 

significativas. Por ser um ponto focal de autoridade e referência, discursos e visões do presidente 

da República reverberam sobre a opinião pública. Considerando que os direitos humanos 

transcendem o campo da ação governamental e repercutem nas ações quotidianas de indivíduos 

particulares, retém-se que uma possível ressignificação dos direitos humanos motivada por uma 

nova ideologia política pode ser utilizada para fins de fundamentação de violações no campo da 

práxis do dia a dia, provocando reveses para além do campo das políticas públicas propriamente 

dito. 

É inegável que o Brasil presidido pela extrema-direita tem experimentado notórias 

inflexões em se tratando de posicionamentos referentes a direitos humanos. Os dois casos em 

estudo ilustram esse ponto. Tornam-se ainda mais significativos quando considerado que 

espelham as ações internacionais do país e repercutem diretamente sobre o Ministério das 

Relações Exteriores, fazendo ruir o mito de relativa insularidade desse ministério diante de 

mudanças operacionalizadas no campo da política doméstica. Decerto, é imperativo que analistas 

e observadores, internos e externos, acompanhem a evolução da situação dos direitos humanos 

no Brasil, a fim de evitar que o conservadorismo norteador das novas políticas de direitos humanos 

possa comprometer ainda mais o acesso a direitos tão fundamentais. De outro modo, a 

universalidade dos direitos humanos seguirá existindo apenas no campo normativo, dando lugar, 

no campo da aplicação prática, a uma nova modalidade de direitos que não os direitos humanos: 

os “direitos humanos para humanos direitos”. 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 

Araújo, E. (@ernestofaraujo) (2018). 2/ O Governo Bolsonaro se desassociará (sic) do Pacto Global 

de Migração que está sendo lançado em Marraquexe, um instrumento inadequado para lidar com 

o problema. A imigração não deve ser tratada como questão global, mas sim de acordo com a 

realidade e soberania de cada país. 10 dez. 2018, 19:14 pm. Tweet. –––––––. (2019). apud Oliveira, M.; D’Agostino, R. ‘Política externa se alinhou com Bolsonaro, e 

‘gênero’ se refere a homem ou mulher, diz Araújo’. Portal G1. Disponível em: 

https://g1.globo.com/politica/noticia/2019/10/29/politica-externa-se-alinhou-com-bolsonaro-e

genero-se-refere-a-homem-ou-mulher-diz-araujo.ghtml. [Acesso em: 28 janeiro 2020] 

Comparato, F. (2015). A Afirmação Histórica dos Direitos Humanos. 7ª ed. São Paulo: Saraiva. 

Chaves, L. (2018). Os determinantes domésticos internacionais do comportamento brasileiro frente 

ao tema da migração: formação de preferências e discussões congressuais sobre a lei 13.444. 

Dissertação de mestrado apresentada à Universidade do Estado do Rio de Janeiro. 

Freixo, A.; Pinheiro-Machado, R. (2019). “Introdução: Dias de um futuro (quase esquecido): um 

país em transe, a democracia em colapso”, in Freixo, A.; Pinheiro-Machado, R. (orgs.) Brasil em 

Transe: Bolsonarismo, Nova Direita e Desdemocratização. Rio de Janeiro: Oficina Raquel. 

Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional. 

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Ramos, G. A. 

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Galli, G. (2019). ‘Os ataques aos direitos humanos no 1º mês do governo Bolsonaro’. Instituto 

Vladimir Herzog. Disponível em: https://vladimirherzog.org/os-ataques-aos-direitos-humanos-no

1o-mes-do-governo-bolsonaro/. [Acesso em: 28 Jan. 2020] 

Heywood, A. (2017). Political Ideologies: Na Introduction. Sixth edition. United Kingdon: Palgrave.  

Hill, D. (2016). ‘Why Governments Cede Sovereignty: Evidence From Regional Human Rights 

Courts’. Foreign Policy Analysis, doi: 10.1093/fpa/orw031. 

Mazzuoli, V. (2015). Curso de direitos humanos. 2ed. rev., atual. e ampl. Rio de Janeiro: Forense; 

São Paulo: Método. 

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São Paulo. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2019/06/itamaraty-orienta

diplomatas-a-frisar-que-genero-e-apenas-sexo-biologico.shtml. [Acesso em: 29 janeiro 2020]. 

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Sustentável 5: Alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas. 

Disponível em: https://nacoesunidas.org/wp-content/uploads/2017/06/Glossario-ODS-5.pdf. 

[Acesso em: 28 janeiro 2020] 

Ramos, G. (2020). ‘1 ano fora do Pacto Global para a Migração e o que isso simboliza sobre a nossa 

atualidade’. Blog O Estrangeiro. Disponível em: https://oestrangeiro.org/2020/01/08/1-ano-fora

do-pacto-global-para-a-migracao-e-o-que-isso-simboliza-sobre-nossa-atualidade/. [Acesso em:  

29 Jan. 2020]. 

Sarmento, D. (2016). Dignidade da pessoa humana: conteúdo, trajetórias e metodologia.1ª edição, 

1ª reimpressão. Belo Horizonte: Fórum. 

The United Nations. (2018). ‘Global Compact for Safe, Orderly and Regular Migration’. Final draft. 

Disponível 

em: 

https://www.un.org/pga/72/wp

content/uploads/sites/51/2018/07/migration.pdf. [Acesso em: 29 janeiro 2020. O artigo do autor Guilherme Antunes Ramos na Revista Mural. 

O termo liberal conservador (ou liberalismo conservador) refere-se a uma vertente ideológica que combina a defesa da liberdade econômica com a preservação de valores sociais tradicionais. Popularmente, essa posição é sintetizada pela máxima "liberal na economia e conservador nos costumes".

Essa corrente de pensamento equilibra o ceticismo em relação à intervenção do Estado no mercado com o respeito a instituições sociais estabelecidas

Vertente Liberal (Economia): Adota os princípios do liberalismo clássico . Defende o livre mercado, a propriedade privada, a redução de impostos, a desregulamentação e a mínima interferência do Estado na geração de riqueza.


Vertente Conservadora (Social): Apoia a manutenção da ordem social, da moralidade tradicional, das estruturas familiares e dos valores culturais históricos. Diferente do liberal progressista, tende a ver com cautela mudanças comportamentais ou sociais muito abruptas.


Diferença entre Liberalismo Conservador e Conservadorismo Liberal

Embora os termos pareçam idênticos e frequentemente se sobreponham no debate político diário, estudiosos apontam raízes filosóficas ligeiramente distintas:

Principal liberalismo Conservador. O Liberalismo. É uma ala do movimento liberal que adota uma postura ética e cultural mais voltada à tradição.Proteger a liberdade individual e econômica contra o avanço do Estado, usando a moral tradicional como um freio social.Conservadorismo Liberal. O Conservadorismo. É uma vertente do pensamento conservador que assimilou a economia de mercado ao longo do tempo.Preservar a ordem social e o tecido institucional de uma nação, entendendo que o capitalismo de livre mercado é a melhor forma de gerar estabilidade material.

Essa união não é um fenômeno puramente recente. No Brasil do século XIX, durante o Império, o chamado "Regresso" consolidou a atuação dos Saquaremas (Partido Conservador), que defendiam uma estrutura centralizada e institucional forte para manter a unidade nacional, sem abrir mão de uma ordem econômica liberal controlada. Pensadores e políticos como o Visconde de Uruguai e, mais tarde na República, Rui Barbosa, são apontados como referências na conciliação entre instituições estáveis e liberdades civis.

Atualmente, essa junção ganhou nova força e molda o discurso de partidos da nova direita e de correntes econômicas no país, unindo a defesa de privatizações e reformas fiscais a pautas de preservação da família e valores tradicionais.

O termo "liberal progressista" (ou liberalismo progressista) define uma corrente política e filosófica que combina a
da economia de mercado e das liberdades individuais com a promoção da justiça social e dos direitos civis de minorias. No cenário político contemporâneo, essa vertente busca equilibrar o capitalismo com a intervenção do Estado para garantir a igualdade de oportunidades. 

Abaixo estão os pilares fundamentais, as aplicações institucionais e o contexto histórico desse conceito  O  Liberalismo Progressista

Direitos civis: Defesa estrita das liberdades individuais, pautas de minorias, feminismo e pluralismo.

Justiça social: Defesa de serviços públicos universais (saúde e educação) financiados por impostos progressivos.

Economia de mercado: Apoio ao capitalismo livre, mas regulado pelo Estado para evitar monopólios e abusos laborais.

Democracia institucional: Valorização da divisão de poderes, do voto e das instituições vigentes para reformas sociais.

O centrismo é um posicionamento político que se situa entre a esquerda e a direita no espectro político. Sua principal característica é a defesa de uma postura moderada e equilibrada, buscando conciliar ideias de diferentes ideologias para encontrar soluções práticas. 

Aqui estão os pontos fundamentais para entender o centrismo:

Conciliação de Valores: Centristas buscam equilibrar a justiça social e a igualdade (frequentemente pautas de esquerda) com a liberdade individual e o crescimento econômico pró-mercado (pautas de direita).

Pragmatismo: O foco tende a ser em resultados práticos e evidências, evitando o que consideram "extremismos" ou "pureza ideológica".

Moderação: Defende-se a manutenção da ordem democrática e a realização de reformas graduais, em oposição a mudanças revolucionárias ou reacionárias bruscas.

Variações:

Centro-esquerda: Inclina-se levemente à esquerda, com maior foco em bem-estar social e intervenção estatal moderada.

Centro-direita: Inclina-se à direita, priorizando o livre mercado e o conservadorismo liberal.

Centrismo Radical: Defende mudanças significativas no sistema, mas de forma pragmática e não ideológica. 

No contexto brasileiro, é comum a confusão entre o centrismo ideológico e o "Centrão". Enquanto o centrismo é uma filosofia de moderação, o "Centrão" refere-se a um bloco de partidos que se caracteriza mais pelo apoio ao governo vigente em troca de cargos e verbas do que por uma ideologia definida.                 Esses termos definem o espectro político com base em como diferentes grupos acreditam que a sociedade e a economia devem ser organizadas. 

Esquerda: Prioriza a igualdade social e a justiça coletiva. Geralmente defende uma maior intervenção do Estado na economia para garantir serviços públicos (como saúde e educação) e reduzir a desigualdade.

Direita: Foca na liberdade individual, no livre mercado e na preservação de valores tradicionais. Tende a defender um Estado menor, com menos impostos e menos interferência na economia, acreditando que a competição gera crescimento.ial do 

Centro: Busca um equilíbrio entre as duas visões. O centro politico ,tenta conciliar a eficiência do mercado com políticas de bem-estar social, adotando posturas moderadas e pragmáticas

A moderação do Senado Flavio Bolsonaro é uma farsa . Assim como sua candidatura a Presidência da República. Flavio Bolsonaro em nada representa o centrismo tradicional na politica.

Mas o pensamento liberal conservador no Brasil. Infelizmente foi capturado por farsantes políticos .

Confira o Editorial do Jornal Estado de São Paulo. https://www.estadao.com.br/opiniao/flavio-e-a-sombra-dos-milicianos/

Imagem do Senado Federal. 



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