quinta-feira, 3 de setembro de 2026

Maquinas orgânicas . Fato.

    A maquina partidária é a capacidade de influencia geopolítica, financeira e política, que um partido possui, não somente em termos de defender seu território político, como também aumentar sua influencia geopolítica, financeira e hierárquica dentro e fora de seu espectro político.

Na área  geopolítica, uma maquina partidária, as políticas territoriais na relação de poder e influencia dentro de seu espectro político, aonde se visa manter seu poder e influencia política dentro de um determinado seguimento. Uma maquina partidária, envolve no seu sentido geopolítico, o gerenciamento e expansão de poder e influencia de um determinado partido em um determinado espectro político.

Na área  hierárquica, uma maquina partidária é uma esfera de poder aonde um determinado partido administra e mantem sua hierarquia e influencia , em conjunto de expansão territorial, na administração governamental , aonde este partido se torna  a maior agremiação política dentro de um determinado espectro político.

Uma maquina partidária, na sua área hierárquica, garante a influencia absoluta de um determinado partido dentro do seu espectro político. Com uma maquina partidária, na sua área hierárquica, garante a influencia expansionista de um determinado partido, além das bases do seu espectro político.

No âmbito financeiro, uma maquina partidária, garante á um determinando partido, se sobrepor pelo poder econômico. Mantendo sua influencia geopolítica e hierárquica, uma maquina partidária, representa a concepção total na sua "natureza política", em uma clara manifestação da hierarquia econômica, política e territorial de um determinando partido, dentro e fora de seu espectro político. 

Uma maquina partidária, garante a "natureza política" de um determinado partido, no seu total e absoluto poder e influencia expansionista por meio do seu poder econômico, que se traduz na "natureza política", dentro e fora do seu espectro político, em uma influencia geopolítica, hierárquica e financeira, pelo "natureza política" do poder econômico que uma maquina partidária proporciona á um determinado partido político.

Uma maquina partidária, garante á um determinado político, a plena capacidade de estrutura e poder político, para se adaptar organicamente a qualquer mudança em uma sociedade.

Câmara dos Deputados é a câmara baixa do Congresso Nacional do Brasil e, ao lado do Senado Federal, faz parte do Poder Legislativo da União em âmbito federal. A Câmara está localizada na praça dos Três Poderes, na capital federal, e é composta pela Mesa da Câmara dos Deputados do Brasil, pelo Colégio de Líderes e pelas Comissões, que podem ser permanentes, temporárias, especiais ou de inquérito.

O Senado Federal é a câmara alta do Congresso Nacional do Brasil e, ao lado da Câmara dos Deputados, faz parte do Poder Legislativo da União. A atual legislatura é a 57.ª.

O Congresso Nacional e as suas Casas terão comissões permanentes e temporárias constituídas na forma e com as atribuições previstas no respectivo regimento ou no ato de que resultar sua criação.

As comissões parlamentares de inquérito que terão poderes de investigação próprios das autoridades judiciais, além de outros previstos nos regimentos das suas respectivas casas, serão criados pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal, em conjunto ou separadamente, mediante requerimento de um terço dos seus membros, para a apuração de fato determinado e por prazo certo, sendo suas conclusões, se for o caso, encaminhadas ao Ministério Público, para que promova a responsabilidade civíl e criminal dos infratores.

Durante o recesso, haverá uma comissão reprentativa no Congresso Nacional, eleita por suas casas na ultima sessão ordinária do período legislativo em atribuições definidas no regimento comum cuja composição, reproduzirá quanto possível, a proporcionalidade da representação partidária. De acordo com os dados do meu livro sobre a Constituição Federal do Brasil de 1988, do autor Guilherme Pena de Moraes. 

Os  partidos de centro são aqueles que conciliam visões de igualdade, uma bandeira mais à esquerda, com preocupações como liberdade individual. O centro procura  conciliar visões pró-mercado e  crescimento econômico com justiça social.

Importante é não confundir os partidos de centro com oportunismo. Ou com partidos que ficam em cima do muro Ou com o centrão que existe no Brasil.

A direita se recusa a discutir questões de gênero A direita é contra as cotas sociais na universidades A direita é mais defensora da produção em alta escala do que da proteção ambiental. O centro procura sintetizar as questões. O centro acredita em desenvolvimento econômico equilibrado com proteção ambiental.

A direita defende o papel do Estado Mínimo Sendo o Estado limitado á ordem pública. Dando preferencia para o mercado na coordenação da vida social.

A Direita. Principalmente a Direita Liberal. Defende uma educação técnica, com foco em profissões que sejam muito uteis a economia do país. A Direita defende a educação privada. Com distribuição de vouchers pelo Estado, para viabilizar o financiamento da educação das pessoas de baixa renda por meios da iniciativa privada.

A Direita defende o crescimento econômico sem que haja qualquer interferência do Estado na economia. A Direita acredita que o mercado deve funcionar livremente. Sem que haja intervenção do Estado.

A Direita foca na questão da inflação. A Direita acredita que as empresas devem atuar com pouca flexibilização Podem ter sua proteção com pouca legislação ambiental e com flexibilização das leis trabalhistas.

A Direita defende total corte de gastos públicos. Mas tende a ser mais simpática com gastos com a defesa e o setor militar.

Na Saúde. A Direita aceita o papel do Estado. Mas sendo voltado para o investimento privado na saúde.

A Esquerda prega a igualdade social, a distribuição re renda igualitária e a justiça social. A Esquerda acredita que é papel do Estado atuar no combate as desigualdades.

A esquerda foca em educação emancipatória contextualizando o ambiente que os alunos vivem A Esquerda acredita que a educação deve ser voltada para a cidadania e os valores humanos . A esquerda também defende o investimento na educação pública.

Com foco na questão social, a esquerda prega a regulação do sistema financeiro e uma intervenção maior do estado na economia . A esquerda tende a se preocupar mais com o desemprego.

Uma esquerda mais moderna. Tem foco no empreendedorismo. No Uruguai, governos de esquerda souberam aprimorar a facilidade para fazer negócios.

A esquerda aceita eventuais déficits fiscais. Para que se possa investir em saúde, moradia , educação e política sociais. Modelos como SUS. 

O centrismo na política, dentro do conceito da existência de uma esquerda e direita, é a posição de quem se encontra no centro do espectro ideológico. Para alguns, há apenas duas posições políticas: a de esquerda e a de direita. Porém, além dessa dicotomia há a visão centrista, que é utilizada pelos moderados. Vertentes do liberalismo se encaixam no centro uma vez que defendem pontos de vista considerados de esquerda por quem é da direita tradicional e por defenderem pontos de vistas considerados de direita pela esquerda tradicional.

Um partido político ou indivíduo ideologicamente centrista não defende nem capitalismo nem socialismo absolutos, mas vê a necessidade de conciliar capitalismo com atenção a carências sociais numa democracia, podendo ser mais culturalmente liberal. Na visão da política de centro, não deve haver extremismos ou intransigências na sociedade. Os seus principais valores são: oposição ao radicalismo sustentado pelo equilíbrio que cria a tolerância que defende a coexistência pacífica. Entretanto, há partidos e políticos que se descrevem ou são descritos como "centristas" por serem sincréticos ou, de fato, fisiologistas.

O conservadorismo é uma corrente de pensamento que visa promover a manutenção dos valores, práticas e a manutenção das instituições e dos valores tradicionais da sociedade.

O conservadorismo, na sua O conservadorismo é uma corrente de pensamento que visa promover a manutenção dos valores, práticas e a manutenção das instituições e dos valores tradicionais da sociedade.

O conservadorismo, na sua essencia, valoriza as tradições, a hierarquia, a autoridade e os direitos de propriedade privada. O conservadorismo, tem como foco, a continuidade, se opondo as políticas progressistas e revolucionárias.

Um conservador, na sua essencia, defende a manutenção do status quo, ou o retorno aos valores de uma época passada. O conservadorismo político, é algo relacionado com as políticas de direita, na defesa da propriedade privada, da acumulação de capital, da riqueza pessoal e do individualismo.

O conservadorismo político, visa impedir que qualquer mudança aconteça em uma sociedade. O conservadorismo político, é algo que visa impedir quaisquer mudanças de  caráter revolucionário, que venham ter repercussões institucionais profundas e imediatas, tanto no país, quanto na sociedade como um todo.

Em relação as mudanças sociais, o conservadorismo político, é algo que entende que as mudanças sociais precisam acontecer á partir das instituições tradicionais e nunca contras elas.

O conservadorismo político, é algo que interpreta que a tradição, a escola, a família e a religião, devem ser as bases da sociedade em qualquer país no mundo. 

O conservadorismo político, é algo que interpreta que as mudanças sociais, somente devem ser acontecer de maneira gradual e moderada, sem afetar a manutenção dos valores da civilização, como a família, a escola e a religião.

O conservadorismo tradicional, é a uma corrente a direita que defende as manutenções da autoridade, da ordem, das tradições em uma sociedade.

O conservadorismo enaltece a hierarquia como o seu pensamento no campo social . Já no campo da economia, o conservadorismo defende como os valores sócio econômicos, as seguintes vertentes:

01 ) O conservadorismo econômico que favorece os interesses dos donos do capital privado no Estado.

02) O conservadorismo econômico voltado totalmente ao controle de gastos, em nome de uma austeridade econômica.

03) O conservadorismo econômico defende uma hierarquia social baseada em uma sociedade de classes. Sendo assim. O conservadorismo econômico, tem uma total resistência contra quaisquer programas sociais.

O conservadorismo também defende uma não separação entre a religião e o estado. O conservadorismo tradicional, defende uma hierarquia social, com uma sociedade em que se baseie as questões de raça, cor, gênero, etnia, etc...

O conservadorismo defende que os direitos humanos não são prioritário a em uma sociedade  Como uma forma de manter instituições consideradas sagradas e tradicionais. Tais como religião, família e escola, por exemplo.

Progressismo refere-se a um conjunto de doutrinas filosóficas, sociais e econômicas baseado na ideia de que o progresso, entendido como avanço científico, tecnológico, econômico e comunitário, é vital para o aperfeiçoamento da condição humana. Essa ideia de progresso integra o ideário iluminista e tem, como corolário, a crença de que as sociedades podem passar da barbárie à civilização, mediante o fortalecimento das bases do conhecimento empírico. O progressismo está ligado à ideia de "progresso infinito" mediante transformações da sociedade, da economia e da política. A ideia de progresso, por sua vez, é frequentemente relacionada com o evolucionismo e o positivismo.

O progressismo é a doutrina segundo a qual certas medidas econômicas e sociais – impulsionadas sobretudo pela ciência e tecnologia – são imprescindíveis para a melhoria da condição humana. Também está relacionado à ruptura de padrões sociais tradicionais, que por sua vez promoveriam valores como liberdade e igualdade.

Desde seu surgimento, o progressismo já se alterou muitas vezes e adotou diversas bandeiras, dentre as quais , os direitos trabalhistas, programas sociais, entre outros. Nesse contexto, o progressismo se adaptou bem ao pensamento social democrata e até hoje ambos se encontram fortemente associados.

O Progressismo é marcado por lutas sociais em prol de minorias ou grupos historicamente marginalizados  pela sociedade, como, por exemplo, o movimento negro, o feminismo, os direitos dos povos originários  e movimentos relacionados a orienO progressismo é uma corrente de pensamento de espectros filosóficos, sociais e econômicos, que se baseia no pensamento de que o progresso é algo absolutamente vital para a condição humana.

O progressismo é um espectro político, que entende os avanços científicos, tecnológicos e sociais, como algo indispensável ao pleno avanço e progresso em uma sociedade moderna e contemporânea.

O progressismo é um espectro político que defende que uma sociedade caminha para os plenos avanços, estando em constante evolução nos campos econômico, acadêmico, tecnológico, social e cientifico. 

O progressismo, é um espectro político, que defende que o pleno conhecimento cientifico e acadêmico, são as fontes de progresso e aperfeiçoamento de uma  todas as civilizações do mundo.

O progressismo, é um espectro político, que defende o pleno aperfeiçoamento intelectual, social, moral e cientifico, político e social, como a base fundamental para o progresso e avanço dentro de uma sociedade em todas as civilizações do mundo.

A progressismo defende  que a sociedade deve ter um pleno avanço, nos campo social, acadêmico, intelectual, político, tecnológico e cientifico, com uma forma da sociedade moderna ter um progresso que possa impulsionar os avanços tão necessário a todas as sociedades modernas no mundo. Segundo o Sociólogo, Mestre e Doutor César Portantiolo Maia. No quarto período da Habilitação em Jornalismo na Comunicação Social. Pelas Faculdades Integradas Alcântara Machado (FIAAM FAAM)

O CONCEITO DE MÁQUINA K)LÍTICA 

Ricardo Borges Gama Neto* 

1 - O Desenvolvimento do Conceito ' 

O conceito de máquina politica surgiu dos primeiros 

estudos sobre a política partidária norte-americana. Inicialmente 

as máquinas eram concebidas como anomalias que interferiam na 

vida pública, e se caracterizavam pela utilização de mecanismos 

considerados pouco lícitos, quando não criminosos, tais como: 

corrupção, violência, suborno, fraude eleitoral, clientelismo, 

etc... Estes estudos partiam do princípio de que "as máquinas 

eram imorais" (Gottfried, 1968: 248). Em contraste com as 

máquinas políticas, estes estudos percebiam os clubes políticos e 

as agremiações partidárias como o lado bom e digno da prática 

política. Desta maneira, enquanto estes últimos faziam a política 

legítima, sustentados na ideia da realização do bem público, as 

máquinas promoviam a política ilegítima, tendo como único 

objetivo a maximização dos ganhos pesssoais de seus líderes. 

Este tipo de entendimento do que era o partido máquina fazia 

com que muitos estudos de política local fossem reduzidos a 

meras denúncias moralistas onde "máquinas honestas eram algo 

não natural" (ibidem). 

A partir da década de 1930, as pesquisas afastaram-se de 

tais pressupostos éticos e passaram a investigar as máquinas 

assumindo uma atitude axiologicamente neutra. No entanto, 

estes trabalhos possuíam uma visão pouco nítida teoricamente da 

máquina enquanto tipo específico de partido político. Um claro 

exemplo destas falhas é a definição dada por Gottfried do que 

seja o partido-máquina. Segundo este autor aquela seria qualquer 

* Professor Departamento de Ciências Sociais da UFRR. 

' Este trabalho sobre o conceito de mAgim^ politica é uma versão modificada ad 

hoc de parte do referencial teórico de minha dissertação de mestrado em Ciência 

Politica defendida em março de 1995 na Universidade Federal de Pernambuco. 

"organização hierárquica cujos membros desempenhassem 

diferentes funções, representassem vários papéis e ocupassem 

vários setores. E tivessem ainda uma liderança que definisse e 

seguisse objetivos e políticas com eficiência e regularidade tais 

que pudessem ser comparadas a um esquema de máquina" 

(ibidem). Estas falhas teóricas faziam com que as análises 

perdessem a especificidade da máquina política enquanto objeto 

de análise, permitindo que qualquer estrutura institucional 

rigidamente hierárquica fosse colocada dentro deste conceito. 

Não obstante estas claras imprecisões conceituais, dois 

trabalhos desta mesma linha de investigação, ou seja, a que 

tentava analisar a máquina política de uma postura neutra, foram 

importantes no aprofundamento e na especificação do conceito. 

O primeiro trabalho foi o de Harpld Gosnell (1968)2, que 

destacou entre outros aspectos o caráter de agregador social da 

máquina política democrática na cidade de Chicago. Em seu 

estudo, este autor demonstra que a cidade era altamente dispersa 

e desorganizada, com alto potencial conflitivo. Isto se devia ao 

fato de que sua área urbana abrigava uma grande 

heterogeneidade étnica, social e religiosa. Somando-se a sua 

diversificada composição social, os efeitos nefastos da grande 

depressão de 1930 que multiplicavam por muito o seu potencial 

conflitivo. Desta maneira, a atuação da máquina reduzindo o 

grau de conflito demonstra o seu lado positivo como organização 

política. No entanto, Gosnell também observa o lado negativo 

daquela maneira de fazer política e advertiu que os "frequentes 

métodos empregados pelo partido-máquina para financiar suas 

várias atividades têm transformado nossa democracia em uma 

plutocracia demagógica" (p. 191). 

O segundo destes trabalhos foi realizado por Robert 

Merton (1964), que, coerente ao seu paradigma de análise 

funcional da sociedade, afirmou que: não obstante a máquina 

política ter suas origens ligadas às histórias particulares e práticas 

sociais ilegítimas, como o roubo, a corrupção e a extorsão, 

aquela ao preencher funções socialmente necessárias para as 

2 A primeira edição deste trabalho é de 1937. 

classes sociais menos favorecidas, como nas áreas de assistência 

social e auxílio jurídico, que de outra maneira dificilmente seriam 

preenchidas em razão da dispersão do poder político na 

sociedade americana, adquire estabilidade funcional. 

No entender de Merton, a força da máquina política está 

em "não considerar o eleitorado como massa amorfa e 

indiferenciada de eleitores. Com uma intuição sociológica aguda, 

a máquina sabe que o eleitor é uma pessoa que mora numa 

determinada vizinhança, com determinados problemas sociais e 

aspirações sociais. As saídas em público são abstratas e remotas; 

os problemas particulares são extremamente concretos e 

imediatos. Não é através de apelos generalizados às grandes 

preocupações públicas que a máquina opera, mas através das 

relações diretas quase feudais, entre os representantes locais da 

máquina e os eleitores da vizinhança. As eleições são ganhas na 

zona eleitoral. 

A máquina une seus elos com homens e mulheres por um 

entrelaçado minucioso de relações pessoais. A política se 

transforma em laços pessoais" (p.67). 

Por fim, um desenvolvimento mais moderno do conceito 

que distingue a máquina das outras organizações partidárias. 

Esta última definição, adverte que não se deve confundir 

máquina política com política de máquina, pois a confusão no 

uso destes diferentes fenómenos faz com que se perca a 

especificidade da máquina enquanto tipo distinto de partido 

político. 

De acordo com Wolfinger (1972), " política de máquina é 

manipulação de certos incentivos à participação político

partidária: favoritismo nas decisões políticas baseadas em 

critérios pessoais e manipulação das leis. Uma máquina política é 

uma organização que pratica política de máquina, isto é, que 

atrai e direciona seus membros primeiramente para o uso destes 

incentivos" (p.374). 

A distinção executada por este autor possui duas utilidades 

básicas: primeiro, abre espaço para a análise sobre quais 

modalidades de incentivos a participação política distingue a 

máquina de outros tipos de organização partidária, e segundo, 

demonstra que outros tipos de partidos políticos como os 

partidos de massas, segundo a classificação de Maurice 

Duverger, podem muitas vezes, para se consolidar 

institucionalmente, utilizarem técnicas de patronagem e 

clientelismo.3 

1.1. A Caracterização da Máquina Política e os Incentivos à 

Participação. 

Existem duas unanimidades entre os diversos autores sobre 

as características da máquina política: a primeira é a reduzida 

importância que este tipo de organização partidária fornece aos 

princípios éticos e ideológicos em face dos mecanismos de 

patronagem e clientelismo político, o segundo é a importância 

das recompensas e incentivos materiais para o funcionamento 

destas (Diniz, 1982; Lowi, 1964; Weber, 1982; Gosnell, 1968 e 

Wolfinger, 1972). 

As recompensas de que se utiliza a máquina para sua 

estabilidade e funcionamento incluem atos de filantropia 

(distribuição de alimentos, roupas e diversos materiais de auxílio 

direto como cimento, tijolos e máquinas de costuras, etc...), 

distribuição de empregos e cargos públicos, alterações na 

legislação, isenção fiscal, favorecimento em contratos e 

concessão de serviços públicos, tráfico de influência e diferentes 

outros privilégios, que são na sua maioria ilegais. 

Gosnell (1968) observa que da mesma maneira que 

manipula a legislação e favorece seus membros e simpatizantes, a 

máquina pode utilizar-se destes mecanismos para punir 

empresários, ou indivíduos que apenas não queiram colaborar 

3 Diniz (1982), citando Tanow, destaca que "o Partido Comunista Italiano 

envolveu-se num trabalho de organização e mobilização do campesinato do sul do 

país, através de um processo pelo qual os laços clientelistas foram não só 

mantidos, como reforçados. O clientelismo dos notáveis transformou-se num 

sistema de patronagem baseado numa maciça distribuição de favores e proteção, 

através de uma ação combinada envolvendo o governo e a máquina partidária. Em 

outros termos, partidos ideológicos podem comportar-se como máquinas ao nivel 

local" (p.35). 

com a mesma. Desta forma, "alguns homens de negócio são 

muito mais vulneráveis do que outros (...)"; são aqueles que para 

atuar necessitam dos favores ", (...) que tem de ser dados pela 

máquina e as condições estipuladas pelos chefes é que 

consolidam o seu poder" (p. 40). 

O mesmo autor demonstra as ligações que se 

estabaleceram entre a máquina política democrata e a liderança 

do submundo da cidade. Esta união aparentemente esdrúxula, se 

observarmos a tradição liberal-protestante da sociedade 

americana,€ra bastante racional. Isto porque existia uma 

afinidade eletiva entre a máquina e os gangers da cidade, ocorria 

que ambos para sobreviver tinham que violar constantemente a 

lei, por causa disto é que "os políticos e os reis do jogo de azar 

uniam seus interesses na perpetuação da máquina política. Em 

Chicago, numerosos membros dos comités dos diretórios 

municipais do Partido Democrata tinham sido proprietários de 

casa de jogos de azar" (p. 43). 

Como já ressaltamos anteriormente, as organizações 

partidárias utilizam-se de estratégias de alocações de recursos 

escassos da sociedade, durante o processo de competição 

política, no objetivo de manter ou ampliar sua base eleitoral Para 

aprofundar o entendimento acerca dos tipos de incentivos 

específicos à participação política utilizada pela máquina em suas 

atividades, Wolfinger (1972) dividiu os benefícios em quatro 

categorias ideal-tipo que são classificadas ao longo de duas 

dimensões: tangíveis/intangíveis e rotineiros/substantivos. 

Na primeira categoria estão os chamados incentivos 

tangíveis/rotineiros, são os benefícios materiais. As organizações 

partidárias que fundamentam suas estratégias de ação baseadas 

neste tipo de incentivo controlam rigidamente o acesso dos 

indivíduos a este. Os benefícios materiais são concedidos pelas 

lideranças do partido como uma recompensa, um prémio por 

serviços prestados à organização. Esta modalidade de incentivos 

sustenta atividade política através da patronagem e do 

clientelismo, é por este fato que as máquinas políticas 

encontram-se nesta categoria de benefícios. 

Diniz (1982) ressalta ainda que tais incentivos podem ser 

'.'classificados em exclusivos ou individuais. Exclusivos, na 

medida em que disponíveis apenas para os membros da 

organização, que nessa qualidade, adquirem o direito de acesso a 

bens ou serviços por ela fornecidos ou prestados. Individuais, 

quando concedidos uma base pessoal como recompensa a 

contribuições

 individuais

 à

 organização.

 Prebendas, 

emolumentos, salários, distribuição de empregos, cargos ou 

contratos seriam exemplos típicos" (p. 29). - Na segunda categoria, estão os denominados incentivos 

tangíveis/substantivos, são os benefícios coletivos. Estas 

recompensas surgem como resultado de políticas de 

favorecimento geral, no qual inexiste um grupo ou parcela 

determinada da população que sé beneficie. Estes incentivos não 

estimulam normalmente a ação da máquina política, quase 

sempre os benefícios coletivos são irrelevantes para este tipo de 

partido. 

Na terceira categoria, estão os chamados incentivos 

rotineiros/intangíveis, são os benefícios solidários. Estes nascem 

do sentimento de solidariedade existente entre os diversos 

indivíduos que compõem uma organização partidária. As 

recompensas ocorrem tanto no nível individual, prémios, 

honrarias, deferências pessoais, quanto no coletivo, do prestígio 

de pertencer à mstituiçãe. Os benefícios solidários podem ser 

desfrutados pelos membros de qualquer partido político, no 

entanto, no caso específico da máquina estes são no fundo, um 

resultado do sistema de incentivos materiais que produzem 

interações mais frequentes e estáveis entre seus membros. 

Por fim, temos a categoria dos incentivos 

intangíveis/substantivos, são os benefícios gerados pela 

ideologia. Este tipo de recompensa decorre do sentimento de 

identificação dos membros de uma agremiação partidária com 

determinados princípios ideológicos e da satisfação que os 

indivíduos sentem por participar de uma causa que lhes é 

percebida como justa. 

1.2. Máquina Política, Representação e Institucionalização 

Consideramos a máquina política como um tipo bastante 

peculiar de organização partidária, em • contraposição aos 

partidos

 ideológico-programáticos,

 cuja

 estrutura

 e 

funcionamento sustenta-se na sua capacidade de adquirir 

recursos monetários, materiais e de serviço que são trocados por 

votos. O caráter de instituição assistencialista da máquina 

enquanto partido político não é episódico, mas constante, desta 

maneira a sobrevivência daquela depende basicamente da 

mediação que consegue estabelecer entre os seus eleitores e os 

órgãos públicos. 

A política clientelista da máquina fundamenta-se em 

demandas tópicas de caráter restrito e individual, demandas que 

giram sobre objetos de decisão específicos, cuja resolução não 

ameaça a estrutura do poder estabelecido, ou seja, a política da 

máquina dificilmente sai do âmbito da arena distributiva4. Os 

objetivos dessas políticas são claros; servem de instrumento de 

controle social procurando reduzir as tensões entre a população 

e a ente política. 

Segundo Diniz (1982) " (...) as máquinas produzem e 

consolidam relações que se baseiam em fortes elementos de 

desigualdade e assimetria de poder. Nos vínculos que 

estabelecem com clientelas de diferentes tipos está presente este 

componente de desigualdade, cujo traço essencial consiste no 

monopólio de posições que são vitais para os clientes, 

principalmente quanto ao acesso aos meios de produção, 

principais mercados e centros de poder" (p. 43). 

O controle dos cargos públicos, conjuntamente com a 

concentração de poder destes, toma o chefe político da máquina 

o fiel depositário dos recursos do Estado necessários à resolução 

das demandas que devam possuir seus eleitores. Contudo, estas 

4 Refèrimo-nos neste instaste a classificação de politicas públicas desenvolvida por 

Lowi (1964): distributivas, regulatórias e redistributivas. A arena distributiva é 

aquela onde é grande a desagregação ao nível das decisões, podendo até chegar a 

serem individualizadas, sendo mais ou menos isoladas uma das outras. Uma 

característica distintiva deste tipo de arena é o de procurar evitar o confronto 

direito entre os diversos atores através da não identificação dos ganhadores e 

perdedores. Segundo Lowi, "patronagem é o melhor significado que poderíamos 

encontrar como sinónimo para distributivo (...) (p. 690). 

somente podem ser solucionadas se forem fragmentadas, ou seja, 

às quais a realização se reduz ao ganho imediato que é retribuído 

com o apoio durante os pleitos eleitorais. O controle dos 

organismos governamentais permite aos líderes da máquina 

estabelecer com seus eleitores relações diretas e permanentes de 

troca de benefícios e favores recíprocos. 

A representação política promovida pelo partido-máquina 

sustenta-se no estabelecimento de relações de cunho paternalista 

entre os representantes e os representados, entre os políticos e os 

eleitores. Os vínculos impessoais que deveriam existir entre os 

grupos de interesse e os órgãos públicos, que deveria objetivàr a 

canalização dos recursos necessários à satisfação das demandas 

sociais da população, são substituídos pela mediação pessoal da 

política. As relações instrumentais que deveriam existir no 

interior da racionalidade burocrática são eliminadas em favor de 

uma teia de influência pessoal. A medição das demandas da 

população através do uso clientelista do aparelho estatal, 

fundamenta toda a capacidade de sustentação e desenvolvimento 

da máquina política. As relações clientelistas privatizam as ações 

públicas e patrimonializam os serviços, desta forma, se constrói 

uma rede de dependência pessoal, lealdade e obrigação dos 

eleitores com seus representantes, reforça-se o status quo e se 

reduz o grau de institucionalização do sistema partidário. 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: 

DINIZ, Eli. Voto e Máquina Política: Patronagem e 

Clientelismo no Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, Paz e 

Terra, 1982. 

GOSNELL, Harold F. Machine Politcs: Chicago Model. 

Chicago, The University of Chicago Press, 1968. 

GOTTFRIED, Alex. Politicai

 Machines. International 

Encyclopedia of The Social Sciense. London, Colher 

Macmillan Publishers, 1968. 

LOWI, Theodore. American Business, Public Polici, Case 

Studies and Politicai Theory. World Politcs, XVI (July, 

1964). 

.

 Introduction. ImGOSNELL, Harold F. 

Machine Politcs:

 Chicago Model. Chicago, The 

University of Chicago Press, 1968. 

MERTON, Robert. Teoria Social e Estrutura Social. Belo 

Horizonte,

 UFMG/Faculdade de Ciências Económicas, 

1964. 

WEBER, Max. Ensaios de Sociologia. Rio de Janeiro, 

Zahar Editores, 1982, 5a edição. 

WOLFINGER, Raymond. Why Politicai Machines Have not 

Withèred Away

 and Other Revisionist Thouhts. 

The Journal ofPohtics, vol. 34, 1972. O artigo do autor Ricardo Borges Gama Neto* 

As bases orgânicas do Partido dos Trabalhadores (PT) e do Partido Liberal (PL) representam estruturas sociais, ideológicas e de mobilização profundamente distintas, refletindo os dois polos do cenário político brasileiro.1. Partido dos Trabalhadores (PT)A base orgânica do PT foi construída historicamente "de baixo para cima" a partir da década de 1980, com forte ancoragem em movimentos sociais estruturados e instituições civis organizadas Movimento Sindical: É o núcleo de fundação do partido. Possui ligação direta com a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e sindicatos de categorias fortes, como metalúrgicos, bancários e professores públicos. Movimentos Sociais do Campo e Periferias: Forte aliança com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) e pastorais sociais da Igreja Católica (ligadas à Teologia da Libertação).Militância Acadêmica e Estudantil: Ampla penetração em universidades públicas e entidades estudantis, como a União Nacional dos Estudantes (UNE).Estrutura Interna (Setoriais): O partido opera com tendências internas regulamentadas e "setoriais" organizados (Coletivos de Mulheres, LGBTQIA+, Negras e Negros, Juventude) que debatem e elegem delegados para as instâncias de decisão.2. Partido Liberal (PL)Tradicionalmente um partido de "notáveis" do centrão e do interior (focado em pragmatismo fisiológico e acesso ao orçamento), o PL se transformou após a filiação de Jair Bolsonaro, adquirindo características de um partido de massas de direita. Sua base orgânica atual apoia-se em setores econômicos e movimentos de pautas identitárias  conservadoras. Segmento Religioso Evangélico: Ampla capilaridade por meio de lideranças e fiéis de igrejas neopentecostais, atuando fortemente na defesa da chamada "pauta de costumes" (família tradicional, oposição ao aborto).Agronegócio e Setor Produtivo: Forte apoio de produtores rurais, frentes parlamentares da agropecuária (FPA) e empresários de médio e grande porte que defendem o livre mercado e a flexibilização de leis ambientais e trabalhistas. Militância Digital e Redes Sociais: Diferente da militância física do PT, a base do PL organiza-se fortemente em ecossistemas digitais (WhatsApp, Telegram, redes sociais), impulsionada por influenciadores políticos e parlamentares de alta votação. Setores de Segurança e Armas: Intensa adesão de membros das forças de segurança (policiais civis e militares, membros das Forças Armadas) e do movimento pró-armas (atiradores, colecionadores  e caçadores - CACs)..
Confira as Bancadas na Camara dos Deputados .https://www.camara.leg.br/internet/deputado/b
Confira as Bancadas no Senado Federal              https://www25.senado.leg.br/web/senadores/em-exercicio/-/e/por-partido
 leitores independentes são cidadãos que não se identificam com nenhum partido político tradicional e preferem decidir seu voto com base em candidatos, propostas ou no cenário econômico do momento. Eles atuam como um fiel da balança em eleições majoritárias, pois flutuam entre a esquerda, o centro e a direita dependendo do contexto. 

Abaixo, veja em detalhes como esse grupo se define e como ele se movimenta no cenário eleitoral.

O que são Eleitores Independentes

Sem filiação: Não possuem registro ou simpatia fixa por partidos políticos.


Foco no candidato: Avaliam a biografia, a rejeição e o carisma da liderança e não a legenda.


Pragmatismo: Priorizam soluções práticas para problemas cotidianos, como economia, segurança e saúde.


Desilusão: Frequentemente demonstram insatisfação generalizada com a polarização e a classe política tradicional.


Como Eles se Movimentam

O comportamento desse eleitorado é altamente dinâmico e estratégico, seguindo padrões específicos: 

Voto de protesto: Migram rapidamente para candidatos "outsiders" ou de terceira via quando rejeitam o governo atual.


Decisão tardia: Costumam definir o voto nos últimos dias da campanha ou até mesmo na urna eletrônica.


Voto útil: Tendem a abandonar candidatos sem chances reais para evitar que o político que mais rejeitam vença.


Pêndulo econômico: Apoiam a continuidade se a economia vai bem, mas votam massivamente pela mudança em tempos de crise.


Influência do debate: Modificam sua intenção de voto com base no desempenho dos candidatos em debates na TV e em campanhas de redes sociais.


Impacto nas Eleições

Como o eleitorado fiel de cada partido costuma ser estável, as campanhas eleitorais modernas — como as analisadas por cientistas políticos no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ou em estudos da Fundação Getulioma Vargas (FGV) — focam quase toda a sua energia e recursos para conquistar o voto dos independentes, pois são eles que definem quem vence a eleição.

Em maquinas orgânicas consolidadas . Os eleitores independentes decidem a eleição.

Confira a noticia no Portal G1 da Rede Globo                    .https://g1.globo.com/politica/eleicoes/2026/pesquisa-eleitoral/noticia/2026/09/02/quaest-presidente-2-setembro.ghtml

E assim caminha a humanidade.

Imagem do Portal G1 da Rede Globo.




 




Muito triste.

          A expressão "negação dos poderes da República nas eleições de 2018" contextualiza um período de forte tensionamento institucional no Brasil, caracterizado pelo questionamento da legitimidade e das funções das autoridades que compõem os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.Esse fenômeno manifestou-se de três formas principais durante o pleito de 2018:1. Crise de Legitimidade e Ataques ao JudiciárioO Poder Judiciário — especialmente o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) — foi o principal alvo de contestações.O veto à candidatura de Lula: A decisão do TSE de barrar o registro de candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva com base na Lei da Ficha Limpa foi classificada por seus apoiadores como uma interferência política indevida do Judiciário sobre o processo democrático.Discurso antissistema e urnas eletrônicas: Candidatos da ala mais conservadora e à direita, notadamente a campanha de Jair Bolsonaro, iniciaram uma retórica pública de desconfiança em relação à neutralidade da Justiça Eleitoral e à confiabilidade das urnas eletrônicas. Declarações de que o sistema poderia ser fraudado infloraram uma postura de negação à autoridade do TSE.2. Discurso "Antissistema" contra o Legislativo e ExecutivoAs eleições de 2018 foram marcadas pela rejeição à política tradicional. Abalados pelas revelações da Operação Lava Jato e pelo impeachment de 2016, os poderes Legislativo (Congresso Nacional) e Executivo enfrentaram uma profunda crise de representatividade.Discursos de campanha frequentemente retratavam o funcionamento do Congresso e os acordos partidários como inerentemente corruptos.Essa negação da política institucional gerou uma forte onda de renovação parlamentar e impulsionou candidatos que se posicionavam "fora do sistema".3. Escalada da Violência e Alerta ConstitucionalA polarização extremada e a negação mútua da legitimidade entre espectros políticos resultaram em uma escalada de violência física e verbal. Na reta final daquele outubro, o então presidente do STF, ministro Dias Toffoli, veio a público afirmar que "atacar o Poder Judiciário é atacar a democracia", reagindo ao clima de ameaças direcionadas à integridade da Corte e dos ministros.DesdobramentosHistoriadores e cientistas políticos apontam que a negação e o desgaste dos Poderes da República observados em 2018 não se encerraram no pleito. Eles funcionaram como a base retórica para os conflitos institucionais dos anos seguintes, culminando em episódios de hostilidade democrática mais severos ao longo das gestões subsequentes.

 Crise da democracia 

representativa e de poderes que tem origem nas escolhas dos cidadãos quanto aos 

partidos que, contudo, em vista dos termos usuais de operação 

do presidencialismo de coalizão, ficam com meios insuficientes 

para responsabilizar os presidentes e responder aos eleitores que 

confiaram em suas propostas. A situação tampouco prepara os 

eleitores para cobrarem responsabilidade de partidos, parlamen

tares e presidentes. Ao mesmo tempo, a experiência recente de 

crises políticas sucessivas indica que elas têm efeitos que afetam 

diretamente a economia do país: elas impedem ou desaceleram o 

crescimento, favorecem a eclosão de ciclos recessivos sucessivos e 

produzem consequências sociais graves, como o desemprego que 

só fez crescer nos últimos cinco anos exemplifica.

No segundo caso, o multipartidarismo hiperfragmentado, 

além de dificultar a governabilidade, fragiliza o sistema de repre

sentação política que convive mal com o número excessivo de 

partidos nominais e efetivos; em última análise, o desenraizamen

to social dos partidos questiona a própria legitimidade do regime 

democrático. Isso sugere que é preciso reabrir o debate em torno 

da adoção de uma cláusula de desempenho que seja realmente 

efetiva no sentido do aperfeiçoamento do sistema partidário bra

sileiro; aprovada sob influência de uma decisão negativa anterior 

do STF, a lei aprovada em 2017 é muito branda e provavelmente só 

vai produzir efeitos limitados a partir de 2026. A crise de legitimi

dade dos partidos, no entanto, sugere, ademais, que a recuperação 

de sua função de representação política depende da reconstrução 

de sua conexão com os eleitores e, nesse sentido, a questão da sua 

democratização interna é um imperativo da sua sobrevivência. 

A escolha de programas e de candidatos tem de ser submetida à 

apreciação dos seus apoiadores, libertando as agremiações políti

cas da síndrome de sua oligarquização.

97

Crise de representação

Mas a questão mais importante se refere ao sistema de go

verno. Em algum momento o país terá de enfrentar novamente 

a questão de saber se faz sentido manter uma estrutura institu

cional tão rígida que prevê poucas e complexas alternativas de 

superação dos conflitos políticos que, três décadas após o fim da 

ditadura, ainda levam o país a enfrentar os mesmos cenários de 

paralisia política ou de adoção pelo Congresso do que foi de

signado como “pautas bombas” em decorrência de situações de 

crise em que os presidentes não conseguem impedir que pro

jetos contrários aos seus interesses sejam pautados pelas casas 

parlamentares (GUIMARãES, 2020). Em um livro de debate que 

contrapõe o sistema presidencialista ao parlamentarista, Arendt 

Lijphart (1984) considera que o primeiro supõe características 

de consulta dos cidadãos que são mais abertas e democráticas 

que a forma indireta pela qual os primeiros ministros são eleitos 

pelas maiorias parlamentares, mas o argumento ignora a noção 

segundo a qual, na lógica da cadeia democrática de delegação de 

poderes dos cidadãos para o sistema político (POwELLS, JR, 2000), 

são os partidos que recebem a autorização para formar a maioria 

que deverá governar; ou seja, embora a decisão seja tomada pelo 

parlamento, a sua legitimidade decorre do apoio recebido pelos 

partidos que apresentaram suas propostas e projeto de país para 

a consideração dos eleitores; não há perda de poder dos cidadãos 

nesse esquema.

Contudo, em vista das dificuldades representadas pelos resul

tados de dois plebiscitos que recusaram a alternativa parlamen

tarista no Brasil, Amorim Neto (2006) reconstituiu a narrativa 

dos embates que se travaram em torno da questão antes e depois 

da Assembleia Constituinte de 1987/1988 e recuperou a proposta 

defendida pela Frente Parlamentarista Ulisses Guimarães a favor 

98

A democracia pós-autoritária na berlinda 

da adoção de um regime misto ou semipresidencial. A ideia já 

tinha sido discutida pela Comissão Especial nomeada pelo pre

sidente José Sarney para redigir uma proposta de Constituição 

pós-autoritária e foi retomada pelas discussões da Comissão 

de Sistematização da Constituinte. A proposta levava em conta 

a força da tradição presidencialista do país e tinha por objetivo 

redefinir as condições necessárias para assegurar a governabili

dade através, especialmente, de um fortalecimento dos incenti

vos capazes de favorecer uma melhor coordenação política entre 

o Executivo e o Legislativo. Separando as funções de Chefe de 

Estado e Chefe de Governo, mantinha-se a figura do presidente 

escolhido em eleições diretas, e criava-se a figura do primeiro mi

nistro, cuja eleição assim como a de seu gabinete seriam condi

cionais à confiança da maioria parlamentar. A ênfase no protago

nismo dos partidos era evidente, e isto supunha um quadro que 

favoreceria a recuperação do papel desses atores fundamentais 

do regime democrático.

A proposta tinha um apelo que ainda faz sentido no qua

dro das crises contemporâneas do presidencialismo brasileiro. 

Era a ideia de separar o protagonismo do presidente, cuja foça 

política decorre de sua eleição direta, da competência governati

va atribuída pela Constituição ao primeiro ministro. As funções 

do Chefe de Estado não deveriam estar subordinadas às crises e 

percalços que pudessem afetar o Chefe de Governo e, vice-versa, 

esse em sua missão governativa não deveria ficar dependente de 

eventuais excessos ou abuso de prerrogativas de parte do Chefe 

de Estado. Amorim Neto (2006) lembra, nesse sentido, que as 

regras propostas pela Frente Parlamentarista Ulisses Guimarães 

não visavam impedir que o presidente eleito diretamente se be

neficiasse de sua investidura para fazer sentir a sua influência po

99

Crise de representação

lítica, especialmente, se ele fosse o líder do principal partido do 

Congresso ou tivesse ascendência sobre a coalisão majoritária. 

Mas, nesse caso, o incentivo institucional trabalharia fortemen

te em favor de uma maior conexão do presidente com os parti

dos que formassem a maioria parlamentar. O Chefe de Governo, 

por sua vez, contando com a confiança dos partidos formadores 

da maioria, teria maior autonomia para governar independen

temente dos passos do Chefe de Estado, em uma configuração 

institucional que permitiria que as crises políticas de governo 

fossem administradas diretamente pelo parlamento que, em ca

sos de abuso do primeiro ministro ou do seu gabinete, poderia 

retirar a sua confiança e formar uma nova maioria ou, alterna

tivamente, propugnar pela convocação de novas eleições. Nisso, 

como nos casos da França e de Portugal, que conformam siste

mas mistos semelhantes, o presidente seria consultado e/ou auto

rizaria a convocação de novas eleições.

A vantagem mais importante da proposta era que, conside

rando a forte tradição presidencialista brasileira, ela propugnava 

pela instituição de um mecanismo de governo – o gabinete – que 

deveria ser mais eficaz e mais imune às crises próprias de um pro

cesso político complexo e instável como o caracterizado pelo hi

perfragmentação partidária e pelo predomínio da figura dos pre

sidentes. No novo esquema, esses, dotados de liderança política 

própria, seriam reconhecidos como tal, mas não teriam compe

tência constitucional para interferir ou dificultar a vida dos ga

binetes majoritários. Amorim Neto, que mostra alguma simpatia 

com a proposta do sistema semipresidencialista, não se furta, no 

entanto, a chamar a atenção para uma objeção feita por Juan Linz 

(1994) em torno do que este designou, no caso dos sistemas mis

tos, como uma estrutura dual de autoridade do Executivo. Linz 

100

A democracia pós-autoritária na berlinda 

advertiu de que em contextos como o latino-americano, em que 

historicamente os militares sempre tiveram grande influência na 

política de seus países e, em vários casos, intervieram diretamen

te violando as regras democráticas, o risco, a exemplo do caso da 

República de Weimar, seria deles buscarem uma relação direta 

com os Chefes de Estado, o que poderia comprometer a autorida

de dos primeiros ministros ou criar um elemento de instabilidade 

que reproduziria o quadro de crises da experiência do presiden

cialismo; em tese, portanto, uma situação que deveria ser evitada. 

A saída, diante de tal risco, seria identificar os casos de países 

latino-americanos em que os recentes processos de transição de

mocrática criaram as condições de efetiva subordinação dos mi

litares às autoridades civis. Amorim Neto identifica a existência 

de tais condições, afora os Estados Unidos, apenas nos casos da 

Argentina, Costa Rica, México e Uruguai e, “em menor escala, no 

Brasil” (2006 p. 181). Sua observação recupera o diagnóstico que 

faz parte da introdução deste texto sobre a ainda forte interven

ção dos militares brasileiros na democracia pós-autoritária; isso 

poderia significar, levando em conta a análise de Linz (1994), que 

o Brasil não está preparado para discutir a possibilidade de in

trodução do sistema semipresidencial no país. Mas isso é verdade 

apenas em parte, pois a possibilidade de uma relação privilegiada 

dos militares com o presidente do dia, a exemplo do que ocorre no 

governo Bolsonaro, também pode acontecer no presidencialismo 

vigente, o que equaliza as duas situações hipotéticas, e não impe

de que o país decida debater uma saída para o seu quadro de cri

ses políticas que ameaçam se transformar em crises institucionais 

com tanta frequência. O país precisa em definitivo enfrentar essa 

situação e tirar a democracia brasileira da berlinda e, nesse senti

do, o debate da reforma do sistema político precisa ser reaberto.

101

Crise de representação

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110

Brasil: democratização social  

e democracia política 1 

Francisco Weffort

A atual crise política é desdobramento de desequilíbrios e 

distorções que afetam de há muito o conjunto do sistema institu

cional brasileiro. Estamos saindo de um longo período histórico 

que se caracteriza por arremetidas autoritárias e marcante insta

bilidade institucional. Desde 1929 e 1930, tivemos notórios mo

mentos de crise política que abriram também um período de no

tável expansão urbana e extraordinário crescimento econômico 

assinalado pelo fortalecimento do Estado e de sua intervenção na 

economia e na sociedade. Não por acaso esse amplo período, que 

passa pelos tempos de guerra e entre guerra, já foi chamado por 

um estudioso da sociedade brasileira como de “democratização 

por via autoritária” (Alain Touraine).

Este período foi também de emergência das massas urbanas 

que, com todos os seus paradoxos e atropelos envolveu, em diferentes 

momentos, graves riscos para a democracia política no país. É tam

bém a chamada “época do populismo”: começa em 1930, se estende 

além do suicídio de Vargas e desemboca, depois do regime militar, 

nos tempos atuais de surpreendente paralisia do sistema político.

Agradeço a colaboração de Helena Severo, José Alvaro Moises e Luiz Hen

rique Fonseca que leram a primeira versão deste ensaio.

111

Crise de representação

Como herança desse passado, habituamo-nos a pensar a 

política como algo à parte da sociedade. Habituamo-nos a falar 

dos assuntos do Estado como se fossem exclusivos de corpora

ções estamentais e de aventureiros e arrivistas que se lhes asse

melham, no Parlamento, nas altas esferas do Executivo e mesmo 

no Judiciário. Brasília, que se tornou desde os anos 60 a sede do 

Executivo e dos demais poderes federais, transformou-se uma 

espécie de “ilha da fantasia”. Querida por muitos e temida por 

outros, a nova capital da República é marcada pelo notável isola

mento, traduzindo um fenômeno geral no país – a separação da 

política e do povo – que afeta o conjunto da sociedade nos esta

dos e municípios. 

Além disso, cresceram o corporativismo e o nepotismo. De 

profundas raízes no passado, favoreceram uma atmosfera de pre

domínio do particularismo sobre o bem comum e os interesses 

nacionais. As benesses e as prebendas acabaram por transformar a 

corrupção, até certo ponto rotineira nas grandes burocracias, em 

um fenômeno sistêmico.

1. Democracia nascida da crise oligárquica

O Brasil moderno nasceu sob o signo da crise de 1929 que se 

juntou à revolução de 1930. Desde a primeira República (1889

1930), o pais caracteriza-se pelo presidencialismo imperial, pelo 

parlamento débil e pelo federalismo desequilibrado. A revolu

ção de 30 não fugiria inteiramente a este passado. Além disso, nas 

décadas após 30, consolidaram-se entre nós as antigas ideias do 

Estado como doador de benesses e prebendas aos próximos dos 

“donos do poder” (R. Faoro). Na última Constituinte, a de 1988 

quando, mais uma vez, esforços foram feitos rumo à democracia, 

112

Brasil: democratização social e democracia política 

viemos a saber que havíamos herdado alguns “entulhos autoritá

rios” do regime militar (1964-1984) em meio às reconquistadas 

instituições democráticas. 

Não foram esses, porém, os únicos entulhos herdados na nos

sa história. Sobre os tempos da Constituinte de 1945-46, haveria 

que lembrar os corporativismos herdados das novas leis de inspi

ração fascista sobre a organização sindical de 1943. Desse modo, 

a nova democracia juntava-se a um Estado que passava a dispor 

de recursos autoritários que sempre usou sem inibições. Desde 

então, sob a direção das “dissidências oligárquicas” (B. Fausto) a 

modernização do país tem prosseguido sob o comando de herdei

ros dessas e de outras “dissidências”. Algumas dessas foram cha

madas de populistas nas eleições presidenciais de 1950, quando 

se coligaram Getúlio Vargas e Adhemar de Barros. Adhemar era 

então um populista. Na ditadura getuliana de 37 havia sido inter

ventor de Vargas no estado de São Paulo. 

Em todo caso, em um país de acelerada urbanização, as crises 

frequentes não teriam que existir se tudo naqueles tempos fosse 

devotado apenas à consagração do passado e da tradição. Assim 

como a queda da agricultura de exportação, da fase tradicional 

do latifúndio e da enxada, abriu caminho para a urbanização e 

a industrialização, preparou também uma nova capitalização da 

agricultura e da pecuária, e permitiu a entrada de novas forças so

ciais e políticas. O “coronelismo” entrava em decadência, saíam as 

massas trabalhadoras do campo, diminuindo os “votos” nos “cur

rais eleitorais” (Victor Nunes Leal). Surgiam as chamadas “massas 

de manobra” e, com elas, cresciam os demagogos da cidade. Tudo 

isso se juntava a um contexto internacional, em que a crise brasi

leira, que tanto se agravara aos reflexos da guerra e da entre guer

ra, terminou por abrir novos rumos para a democracia.

113

Crise de representação

2. Emergência das massas urbanas

É certo que as orientações políticas gestadas no interior da 

crise oligárquica não poderiam se resumir à consagração do pas

sado e da tradição. Mas nem sempre as forças de renovação vence

ram, não pelo menos completamente. Mesmo assim, surgia uma 

nova época cujos rumos permaneceram até os dias atuais. O gran

de sociólogo ítalo-argentino Gino Germani, falando das prelimi

nares do peronismo, em seu livro Politica y Sociedad en una época 

de Transición, menciona as extraordinárias ondas dos “cabezitas 

negras” que migravam do norte da Argentina para Buenos Aires. 

É dos estudos argentinos sobre populismo, a expressão altisso

nante da “chegada aluvional das massas” à grande cidade. 

Para maior clareza sobre a escalada brasileira das mudan

ças ocorridas desde as duas grandes crises de origem, é impor

tante lembrar alguns números. Segundo o cientista político Jairo 

Nicolau, a população brasileira em 1930 era de cerca de trinta e 

sete milhões de pessoas, dos quais dois milhões e quinhentos mil 

eleitores. Dentre os qualificados para votar, compareceram às elei

ções de 1930 apenas 5%. Vale mencionar alguns números do sé

culo seguinte. Em 2018, cerca de oitenta anos depois, nas eleições 

em escala nacional, a população do país teria chegado a mais de 

200 milhões de pessoas e a população eleitoral teria crescido para 

cerca de 140 milhões de eleitores. Dentre os qualificados para vo

tar, registrou-se em 2018 o comparecimento de 70%, um índice 

extraordinariamente superior aos 5% de 1930.

Em pesquisa recente, Jairo Nicolau apresenta, com base em 

números oferecidos pelo Tribunal Superior (TSE) e pelo Instituto 

Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), impressionantes per

centagens de crescimento da população e, além desta, do compa

114

Brasil: democratização social e democracia política 

recimento às eleições no período de após 1945. No período 1945

1962, a população cresceu 60%. O eleitorado cresceu 150% e o 

comparecimento eleitoral cresceu 139%. No período 1966 a 1982, 

a população cresceu 49%. O eleitorado cresceu 163% e o compa

recimento eleitoral cresceu 180%. No período 1945-1998, conside

rado de conjunto, a população cresceu 250%, o eleitorado cresceu 

1.330 % e o comparecimento eleitoral cresceu 1.250%. Difícil ima

ginar uma pressão maior das massas urbanas. 

Nas eleições presidenciais de 1960, grande parte das massas 

que até então acompanhavam Getúlio Vargas e seus seguidores, 

preferiu uma nova opção populista, Jânio Quadros. Jânio era en

tão aliado da União Democrática Nacional (UDN), tradicional 

combatente do populismo que se formara ao fim da ditadura de 

37. Não obstante os grandes anseios de Jânio Quadros, sua presi

dência durou apenas seis meses. 

Mas sua vitória foi à época tão surpreendente que acabou 

por encontrar expressão nos anseios do imaginário brasileiro 

de 30 pela “revolução“ e pelo “voto”. Ficou na historia a frase de 

Antonio Carlos, um político aristocrata de Minas Gerais: “faça

mos a revolução antes que o povo a faça”. A propósito, foi durante 

muito tempo usual no linguajar político brasileiro, ainda sob ou

tras influências da política europeia e latino-americana, mencio

nar como revolução qualquer mudança rápida (ou violenta) das 

circunstâncias. O golpe de estado de 1964 que, pela direita, tentou 

dar fim ao populismo, também foi chamado de “revolução”. Além 

disso, muitos dos seus autores viram nele fins democráticos.

Tantas foram as mudanças da sociedade brasileira desde os 

anos 30 que hoje, mesmo entre os estudiosos da historia política, 

poucos lembrariam o quanto as bandeiras da reforma institucio

nal e da moralização dos costumes políticos inspiraram naquela 

115

Crise de representação

época as forças inclinadas à mudança. Nos anos 20 e 30, entre 

essas forças, todos ou quase todos, se voltavam contra as velhas 

eleições a ”bico-de-pena”, da chamada República Velha. “Bico 

de pena” era uma expressão suave para mencionar a corrupção 

eleitoral, manipulada pelos senhores do mundo rural, chama

dos “coronéis”, que dominavam as áreas mais atrasadas do país. 

A revolução de 1930 foi mobilizada com o espírito das reformas, 

uma revolução “de cima” como se passou a dizer. Mesmo assim 

acompanhou, pelo menos em parte, a experiência das frustra

ções que no século XX seguiram as revoluções em geral, mesmo 

as mais radicais, feitas pelos “de baixo”, a começar pela Revolução 

Mexicana, de 1910. E, mais ainda, a experiência das frustrações 

que acompanharam a Revolução Russa de 1917.

Embora proclamadas no plano das doutrinas, algumas des

sas divisas liberais foram, depois de 1930, desmentidas na prática 

política que acompanharam alguns de seus lideres. Os princípios 

institucionais da liberdade de voto e da liberdade de opinião foram 

desmentidos nos ensaios autoritários e ditatoriais que se segui

ram. Pode-se afirmar que as liberdades de voto e de opinião te

nham sido no plano do direito doutrinário as grandes conquistas 

dos anos 30, mas não foram sempre as grandes vitórias políticas 

dos decênios seguintes, carregados de lances autoritários. Ainda 

assim, pelo menos nos intervalos democráticos, permaneceram 

como parte das instituições, mesmo para os que se esqueceram 

de suas origens.

3. Voto e líder em uma democracia de massas

Atribui-se a Getúlio Vargas, o maior líder, e também o mais 

controverso, da revolução de 30, a frase de que “voto não enche 

116

Brasil: democratização social e democracia política 

barriga”. Não obstante, o próprio Getúlio Vargas foi um campeão 

de votos. Depois de sua vitória na rebelião paulista constituciona

lista de 1932, a ele se atribuem ensaios autoritários de caráter cor

porativista na Constituinte de 1934, e ademais a derrota armada 

da rebelião comunista em 1935. Tornou-se ditador em 1937, para 

depois derrotar, também pelas armas, os integralistas em 1938, 

para ao final ver derrubada a sua ditadura em 1945. Depois dis

so tudo, finda a Segunda Grande Guerra, apareceu ainda como 

um campeão de votos nas eleições livres de 1946 em que apoiou 

o general Eurico Gaspar Dutra, seu ministro da Guerra, que se 

apresentou como candidato à presidência da Republica. Getúlio 

Vargas foi de novo campeão de votos em 1950 quando, voltou ao 

poder em eleições livres. Foi esta a sua ultima vitória eleitoral e 

sem dúvida a mais expressiva no longo e difícil processo que per

correu o país na conturbada passagem do liberalismo oligárquico 

de 1889 para a liberal-democracia do período 1946-1964. 

Como Perón na Argentina, Vargas no Brasil foi o princi

pal líder do chamado período populista. Embora naqueles anos 

de 1930, mostrasse algumas simpatias pelo fascismo, acabou por 

aproximar-se, em 1942, do campo dos aliados, entrando na guerra 

contra os “países do eixo”. 

A influência de Getúlio Vargas, que se suicidou em 1954, per

sistiu na política brasileira pelo menos até 1984. Na ditadura de 

37 foi considerado por seus seguidores como “o pai do povo” e, na 

voz acusadora dos seus adversários de esquerda, como “a mãe dos 

ricos”. Mas também inspirou em seus governos um nacionalismo 

de raiz popular e estatista e impulsionou a industrialização do país, 

incluindo iniciativas como a Companhia Siderúrgica Nacional 

(CSN) e o monopólio do petróleo (Petrobrás), a Companhia Vale 

do Rio Doce, pesquisadora e exportadora de metais e matéria pri

117

Crise de representação

ma, entre outras grandes iniciativas de patrocínio estatal. Foi tam

bém decisão sua a criação das “leis sociais” que têm assegurado os 

direitos sociais dos trabalhadores urbanos.

Acompanhando sua memória, instalou-se, também pelo voto, 

depois de seu falecimento, o governo de Juscelino Kubitsheck 

(1955-1960). Talvez o nome de maior êxito entre seus seguido

res, não haveria exagero em dizer que, seguindo a memória de 

Getulio, inaugurou Juscelino a segunda grande etapa da moderni

zação brasileira. Veio depois dele Jânio Quadros, o único grande 

líder populista que se fez como adversário de Vargas e que tentou 

abrir uma nova época. Embora eleito por grande maioria de votos, 

não conseguiu seu intento. Grandes figuras presidenciais vieram 

depois, já agora após o período da ditadura militar, contribuindo 

para o desenvolvimento da democracia brasileira. Os nomes mais 

importantes foram Fernando Henrique Cardoso (1995-98)(1999

2003) e Luiz Inácio da Silva (2003-2007)(2007-20011). 

Finalmente, temos hoje Jair Bolsonaro, um arremedo do po

pulismo do passado. Alguns comentaristas viram nele uma espé

cie de reminiscência de Jânio. Assim como em sua vitória pre

sidencial Janio tomou muito dos votos da herança getuliana, 

seria possível admitir, como o fez Jairo Nicolau, que a vitória de 

Bolsonaro seria impraticável se não aliciasse muitos dos votos da 

herança “lulista”. Uma guinada do populismo à direita. Grande 

parte dos votos de Bolsonaro seriam anti-Lula e outra parte de 

ex-eleitores de Lula.

As divisas de liberdade de voto e liberdade de opinião desde 

1930 foram mais duradouras, senão mais fortes, do que as tra

dições autoritárias que, contudo, permaneceram em mais de um 

intermezzo ditatorial. Sobreviveram também, aos “entulhos auto

ritários” que ficaram na estrada após 1964. Depois de todo um 

118

Brasil: democratização social e democracia política 

longo período de crises e instabilidades que vivemos, podemos 

dizer que somos uma democracia, pelo menos do ponto de vista 

eleitoral. Mas sempre vale lembrar, sobretudo quando se trata de 

uma democracia frágil, com evidentes dificuldades para se conso

lidar, a relevância da ação da imprensa e dos meios de comunica

ção. Sob estes aspectos, podemos sonhar que um dia chegaremos 

a ser uma das grandes democracias do mundo.

4. Democracia “majoritária”

Nos anos 80, depois do restabelecimento da democracia pela 

grande “campanha das diretas”, voltamos a combinar dois siste

mas de voto: o majoritário para os Executivos e para o Senado, e 

o proporcional para as Câmaras municipais, para as Assembleias 

estaduais e para a Câmara federal. E, como se sabe, no Brasil como 

em qualquer país, sistemas de voto acabam por ter alguma in

fluência na formação dos sistemas partidários e, por consequên

cia, no sistema político em geral. Sob inspirações intelectuais di

versas, o sistema de representação proporcional, em listas abertas, 

foi adotado a partir de 1930, com motivos expressamente liberais, 

para o Parlamento. 

As influências intelectuais em favor da representação pro

porcional vêm desde o Segundo Império (1840-1889) com os es

critos do jornalista e escritor José de Alencar. Vêm também dos 

primeiros anos da Republica, com influência de escritores e polí

ticos como Joaquim Francisco Assis Brasil e de cronistas e diplo

matas como Gilberto Amado. Em geral, eram argumentos contra 

o distrito do período imperial e contra a noção de um mandato 

imperativo. O sistema de representação proporcional que defen

deram esses autores vigorou nas eleições de 1932, 34 e 35. Depois 

119

Crise de representação

da ditadura de 1937, consolidou-se o mesmo sistema proporcional 

a partir da redemocratização de 1945 até 1964. E durante o regi

me militar, 1964-1985, manteve-se, com uma vigência duvidosa, 

sobretudo formal. Terminado o regime militar, o sistema propor

cional foi uma vez mais restaurado. 

No Brasil, as características do presidencialismo praticado 

nos períodos de vigência democrática coincidem com a descri

ção apresentada por cientistas políticos a respeito da “democracia 

majoritária”. Ao invés de preconizar a participação nas decisões de 

governo dos diversos segmentos afetados, a democracia de caráter 

majoritário pretende que o governo democrático seja o “governo 

da maioria”. E que os adeptos da minoria, ou minorias, devem 

formar na oposição. Ou, em dadas circunstâncias, devem sub

meter-se a alianças com o governo, modelo pelo qual o governo 

eleito forma a maioria parlamentar, aliciando adesões partidárias 

em uma base de sustentação que permita colocar em prática sua 

agenda. A “democracia majoritária” é, então, entendida como di

ferente da uma “democracia consensual” (Arendt Lijpart). 

Não obstante sejamos um país de oligarquias parlamentares, 

nossos Executivos são em geral escolhidos pelas massas. Embora 

os textos constitucionais expressem o princípio da igualdade 

dos poderes da República, parece clara em nossas tradições uma 

predominância do Executivo sobre o Congresso. Até mesmo o 

Judiciário sofre por vezes os efeitos dessa predominância. Segue

se que os governos eleitos se confundem (ou devem se confun

dir) com o partido majoritário nas eleições e, eventualmente, seus 

aliados. Os majoritários formariam a maioria para assumir o con

trole do Executivo sobre as instituições federais de estado. 

O líder pode vir do parlamento, mas afirma sua liderança 

fora dele. Fala diretamente às massas. Ou pelo menos é o que pre

120

Brasil: democratização social e democracia política 

tende. Em alguns casos, fala também contra o parlamento e, even

tualmente, contra os próprios partidos políticos. Não por acaso, a 

preferência popular é claramente pelos sistemas de voto de maio

ria nas eleições para a presidência, governos estaduais e prefeitu

ras. Os governos de Getúlio Vargas desde 1930 criaram não ape

nas dissidências e grupos de oposição, mas também exemplos de 

lideranças políticas novas que buscaram, de algum modo, seguir 

o exemplo getuliano. São muitos os exemplos de líderes menores 

que buscaram seguir o exemplo maior de política populista, na 

qual o papel da personalidade dos líderes tendia sempre a preva

lecer nos agrupamentos políticos. 

Na redemocratização de 1946, Vargas criou dois partidos, o 

Partido Social Democrata (PSD) e o Partido Trabalhista Brasileiro 

(PTB), nos quais sempre prevalecia a influência da personalida

de do líder maior. Do mesmo isso modo ocorria com as demais 

agremiações políticas. Prevalecia sempre a referência ao principal 

líder. Em São Paulo, por exemplo, por referência a Adhemar de 

Barros, que nos mesmos anos criou o Partido Social Progressista 

(PSP), passou-se a falar de “ademaristas”. Embora Janio Quadros 

tenha sido na origem membro do Partido Socialista (PSB), nunca 

se vinculou fortemente a nenhum partido. Adotou diferentes le

gendas – por exemplo, o Partido Democrata Cristão – ao longo do 

caminho, até chegar à Presidência da República, em 1960, quando 

esteve aliado à União Democrática Nacional (UDN). O importante 

era que seus seguidores passaram a chamar-se de “janistas”.

Houve algumas poucas exceções neste padrão de persona

lismo. O principal partido de oposição a Vargas, a UDN, adotou 

como seu candidato contra o Marechal Dutra, ex-ministro da 

Guerra de Vargas, um grande nome saído também do meio mi

litar, o Brigadeiro Eduardo Gomes. Foi seu candidato nas duas 

121

Crise de representação

primeiras eleições da democracia restaurada, em 1946 e 1950. 

Embora estivesse longe de ser visto como populista, é inegável 

que nas suas campanhas presidenciais, seu nome, Eduardo, ou 

quando menos, seu título militar, Brigadeiro, prevaleciam sobre 

seu partido. Seguindo o procedimento comum, colocava-se em 

destaque a personalidade do Brigadeiro, na verdade o primeiro 

líder eleitoral da UDN em escala de massas. Quando se tratava de 

uma campanha de massas, a personalização das lideranças tor

nou-se uma espécie de mecanismo de identificação que parecia 

necessária. E fez-se geral em todos, ou quase todos, os estados 

do país. As qualidades pessoais se sobrepunham ao programa 

partidário. 

O que foi dito do personalismo populista do chefe de Estado 

no passado, vale hoje para Jair Bolsonaro (2018-até 2022). Este, 

aliás, elegeu-se por um partido, aliado eventual, com o qual rom

peu logo nos primeiros anos de governo. A propósito, ainda hoje, 

depois de dois anos de seu governo, continua sem partido. O sis

tema baseado no personalismo também pode permitir, sob o es

tímulo das leis eleitorais, a multiplicação dos partidos. Cada um 

deles tem o seu chefe, ou conforme o seu tamanho, seu “chefete”. 

Hoje temos no Brasil algo como 36 partidos. 

5. Democracia delegativa

No Brasil, diferente da Argentina, onde até hoje permanece 

viva na linguagem política o nome de Perón, a expressão getulis

mo (ou getulista) diminuiu sua circulação. Não obstante, perma

nece viva a memória do velho líder, e de sua política nacionalis

ta, sempre lembrada em exemplos e obras. Na verdade, Getúlio 

Vargas criou, depois de 1930, um novo Estado no Brasil, um regi

122

Brasil: democratização social e democracia política 

me que seu governo ditatorial chamava de “Estado Novo”. E de

pois dele, surgiram novos padrões para a democracia brasileira. 

No personalismo e nos vazios criados pela distância entre re

presentantes e representados, consagrada pela tradição e pela du

ração dos vícios institucionais, as coisas se passam como se no ato 

de votar, o representado entregasse ao representante um “cheque 

em branco”. Evidentemente, concorre para esta “delegação” um 

sentimento de identidade pessoal do eleitor com os candidatos, 

mais do que as possíveis afinidades programáticas ou ideológicas 

dos líderes. Nossa democracia sofre dos males característicos do 

que Guillermo O´Donnell chamou de “democracia delegativa”, na 

qual se dilui, enfraquecido, o sentido da representação. 

Segundo algumas pesquisas de opinião, grande parte dos elei

tores esquece rapidamente dos nomes dos deputados nos quais 

votou nas últimas eleições. Quanto aos deputados eleitos, estes 

por sua vez, em sua maioria, esquecem rapidamente as promes

sas de campanha. Isso é particularmente verdadeiro para eleições 

parlamentares. Especialmente as eleições para a Câmara Federal, 

embora possa ocorrer também para as Assembleias Legislativas, 

em particular nos estados de maior população eleitoral. O mesmo 

pode ocorrer com eleições majoritárias, embora nestas as adesões 

de massa pareçam regidas por sentimentos mais duradouros e, 

talvez, por uma memória mais atenta (Guillermo O´Donnell).

6. Distorções do federalismo 

Alguma desigualdade na representação parlamentar entre os 

Estados é aceitável em uma federação democrática quando atende 

a razões históricas reconhecidas como legítimas. Tal é, no Brasil, o 

caso das diferenças de representação entre alguns grandes Estados 

123

Crise de representação

do sudeste e alguns pequenos Estados do nordeste. Mas à parte 

casos como esses, a desigualdade de representação dos Estados se 

torna uma gritante injustiça.

Segundo as regras da representação proporcional, o eleitor 

escolhe o deputado de sua preferência em uma lista organizada 

por um partido, em disputa com outros partidos que organizam 

as suas próprias listas. Estas são as chamadas “listas abertas” e va

lem para o Estado da federação de domicílio eleitoral do candida

to. Como se pode verificar no quadro abaixo, tratando resultados 

das eleições de 2002, num total de 513 deputados, observam-se 78 

casos em que a “representação corrente” se sobrepõe ao que seria 

devido à “representação proporcional”.

De acordo com a lei de representação proporcional, os 

Estados são entendidos como “distritos”, não obstante as enormes 

diferenças de tamanho. Nas condições atuais, o primeiro grande 

problema desse sistema para eleger deputados está em sua aplica

ção a distritos que, de fato, são as mesmas unidades nas quais se 

elegem os senadores e governadores. E, como se sabe, alguns des

ses “distritos” têm populações enormes

Em diferentes momentos, a histórica desigualdade da repre

sentação no Congresso foi levada a extremos. Isso se agravou no 

regime militar  quando, em uma manobra para prolongar sua 

permanência, concedeu a cada um dos tradicionais “territórios 

federais” do país a condição de Estado, igualando-os aos demais 

Estados da federação. Na mesma ocasião, concedeu a cada um 

desses novos Estados uma representação na Câmara Federal mui

to acima das proporções definidas por suas populações. 

O resultado disso é que hoje, nestes novos Estados (aos quais 

se acrescentou, mais recentemente, o Tocantins, nascido de uma 

divisão do velho Estado de Goiás), a proporção de população por 

124

Brasil: democratização social e democracia política 

deputado se encontra muito abaixo da média nacional. Hoje, con

siderados todos os Estados brasileiros, incluídos os novos Estados 

no cálculo, temos uma média nacional de 370.000 habitantes 

por deputado. Mas em novos Estados, como o Acre, Amapá e 

Roraima, este quociente não alcança 100.000. Alcança 200.000, 

em Rondônia e no Tocantins, o que apenas se aproxima da meta

de do quociente nacional.

Os privilégios concedidos à representação dos novos Estados 

provocam também distorções na composição do Senado, pois se

nadores dos novos Estados passaram a se eleger com alguns pou

cos milhares de votos enquanto senadores dos Estados históricos 

precisam chegar a centenas de milhares de votos, alguns até mi

lhões de votos (Tabela 1).

Como se tem observado, no sistema proporcional, a escolha 

em lista aberta, ao invés de estimular a competição interpartidária, 

tende a transformar cada partido em um campo de luta intrapar

tidária. Na verdade, os candidatos têm como principais adversá

rios os colegas da própria lista em que se encontram. Diminuindo 

o sentido da competição entre partidos, a campanha de cada can

didato tende a assumir um caráter eminentemente pessoal, exer

cendo os partidos um papel apenas secundário. Embora a mesma 

lei tenda a estimular o crescimento dos partidos, muitos destes se 

tornam na prática irrelevantes.

Além disso, visando aumentar o seu contingente eleitoral, os 

partidos programam suas listas escolhendo um ou alguns candi

datos com a suposta capacidade de “puxar votos”. Uma vez que os 

candidatos concorrem em todo o Estado, nasce aí uma tendência 

de assemelhar a eleição proporcional parlamentar a uma eleição 

majoritária de massas. Um talentoso “puxador de voto”, que assu

me um papel semelhante ao do líder majoritário quando concorre 

125

Crise de representação

126

tabela 1. Representação dos Estados na Ciamara dos Deputados 

(2002)

*Censo Demográfico 2000, IBGE: www.ibge.gov.br

** Representação dos estados proporcional à população e por maiores sobras.

Fonte: Atualizada de Nicolau (2003, p. 209).

Brasil: democratização social e democracia política 

ao Senado ou ao Executivo de um Estado ou grande município, 

pode assim conseguir um estoque de votos que beneficie diversos 

candidatos de seu partido que, considerados isoladamente, não 

conseguiriam coeficiente necessário para se eleger.

Tudo isso se combinava, até a última lei eleitoral (hoje altera

da), com a possibilidade de dez coligações eleitorais entre legen

das diferentes. O efeito surpreendente era que, em muitos casos, 

o eleitor terminava sem saber qual dos candidatos seu voto havia 

ajudado a eleger. 

7. Suplentes de Senado e “medidas provisórias”

Os suplentes de Senador constituem uma figura peculiar. Na 

verdade, não são representativos, pois não receberam nenhum 

voto. São apenas anexos ao Senador titular, quase sempre ignora

dos pelo eleitor. Há nessa figura institucional a que aderem polí

ticos desconhecidos, quase anônimos, algo que prenuncia o gosto 

do Senado pelo sigilo, pelo maior distanciamento possível da opi

nião pública e do eleitorado. Segundo a lei, cada candidato a se

nador pode designar dois suplentes. Embora seus nomes possam 

ser propagandeados na campanha, não é neles que o eleitor vota 

e, sim, no candidato a titular da “chapa”. Muitos desses suplentes 

pertencem à família do candidato. 

Como explicar a estranha figura institucional do “suplente”? 

Há exceções, mas muitos deles só têm a justificar a sua posição na 

“chapa” pela colaboração financeira que dão ao titular na obten

ção de recursos. Quaisquer que sejam as qualidades pessoais (e 

mesmo políticas) deste ou daquele, temos aí um mecanismo que 

pode ajudar a entender o descrédito do Senado como instituição. 

Terminadas as eleições, o suplente está sempre disponível como 

127

Crise de representação

“quadro” auxiliar do senador eleito. E assume o lugar do efetivo 

quando este deixa as funções para as quais foi eleito para assumir 

outras, em geral no Executivo federal. Nestes casos, o efetivo vai 

em frente e o suplente fica para trás, “guardando o lugar” para um 

eventual retorno da “cabeça de chapa”. Assim como os senadores 

“biônicos” do passado ditatorial brasileiro, essa figura institucio

nal caracteriza uma dimensão subalterna do Senado como ins

tituição. No regime militar em dado momento, o alto comando 

determinou a criação da figura de senadores designados pelo pró

prio regime. Foram chamados então senadores “biônicos”. 

Tal como definida hoje, a figura do suplente constitui va

zios de autonomia do Senado em face dos demais poderes da 

Republica, especialmente em face do Executivo. Este vazio de au

tonomia se torna evidente quando os suplentes assumem as fun

ções dos titulares cujos lugares se tornaram vagos. Já se tentou 

justificar este sistema com exemplos tirados das experiências de 

outros países. Mas precisaríamos copiar de outros países uma tão 

precária figura institucional? Nossa própria experiência tem vá

rios exemplos dessas figuras institucionais que permitem a deter

minados personagens ocupar posições no parlamento sem passar 

pelo teste das urnas. 

Ao longo do tempo, os casuísmos de origem ditatorial se ca

saram com outros, estes nascidos de circunstâncias democráti

cas, e juntos produziram resultados que, muitas vezes, agravam 

os problemas que, supostamente, pretendem resolver. Um exem

plo nítido dos casuísmos “democráticos” é o das “medidas provi

sórias” estabelecidas pela Constituição de 1988. As “MPs” foram 

concebidas, segundo se diz, para que o Executivo pudesse enfren

tar situações de urgência e circunstâncias excepcionais. O objeti

vo seria o de produzir, imediatamente, as ações correspondentes 

128

Brasil: democratização social e democracia política 

à MP editada pelo Executivo, ficando para depois a avaliação do 

Congresso, e de sua ratificação (ou recusa) ao proposto pela MP. 

O que significa que essas, atendido o espírito da lei que as criou, 

implicam, desde logo, um risco para a democracia visto que a ava

liação pelo Congresso só vem quando as iniciativas propostas já 

estão em andamento. 

Os riscos são ainda maiores. Como as Casas do Congresso 

estão, com frequência, emperradas em seus próprios assuntos ou 

se revelam muito lentas, o Executivo foi, rapidamente, transfor

mando as “medidas provisórias” em medidas de rotina. Assim, as 

“MPs”, embora nascidas de uma conjuntura democrática, mais se 

parecem hoje com remanescentes dos períodos ditatoriais. 

8. Corporativismo institucional 

A tradição das misturas entre o público e o privado vem de 

há muito tempo, desde o período colonial, mas renovou-se e ad

quiriu nova força no período da ditadura de 1937 com as leis que 

buscaram, a partir de 1943, institucionalizar a intimidade de inte

resses entre assalariados, empresários e setor público. Inspirado 

na atmosfera política internacional daqueles anos e na literatura 

autoritária aqui difundida por pensadores como Oliveira Vianna 

e Azevedo Amaral, o sucesso das reformas institucionais de cunho 

corporativista foi extraordinário. Trata-se de uma legislação em 

mudança nos dias atuais, a partir do governo Temer (2016-2018). 

Nos dias de hoje, até que se quantifiquem os resultados da mu

dança Temer, o Brasil conta com cerca de 11.000 sindicatos de 

empregados, mantidos em grande parte com recursos advindos 

do chamado “imposto sindical”, depois denominado “contribui

ção sindical”. Vale repetir que a nova lei Temer muda também as 

129

Crise de representação

regras relativas a essa contribuição, tornando-a mais dependente 

da vontade expressa do trabalhador.

Na inauguração da democracia de 1946, mais lembrado do 

que a distância entre representantes e representados, foi a con

tradição que a nova carta constitucional haveria de estabelecer 

entre o corporativismo herdado das influências ideológicas do 

fascismo dos anos 30 e o sistema representativo liberal aqui re

cém-restabelecido. A crítica do corporativismo fora feita pelos li

berais e pelos socialistas que, evidentemente, viviam nas margens 

do regime ditatorial estabelecido em 1937. Nos primeiros anos da 

Constituição de 1946, essa critica foi restabelecida, do modo mais 

veemente, por um livro de Evaristo de Moraes Filho que tratava 

do tema da organização sindical. Tinha por titulo “O problema 

do sindicato único no Brasil” e combatia tanto os católicos que, 

na época, defendiam um pluralismo sindical, quanto os corpo

rativistas que, inspirados no exemplo italiano do fascismo, pre

gavam a unicidade sindical com a incorporação e subordinação 

dos sindicatos ao Estado. É desta época o debate entre Evaristo de 

Moraes e Oliveira Vianna, este provavelmente o maior defensor 

do corporativismo no Estado brasileiro.

O tema do corporativismo assinala, portanto, um aspecto 

dominante no sistema político criado pela Constituição de 1946. 

O corporativismo não se referia, tal como concebido por Oliveira 

Vianna, apenas à organização dos trabalhadores, mas também à 

organização do empresariado. No fim das contas, dizia respeito ao 

conjunto da sociedade. Oliveira Vianna considerava a sociedade 

brasileira como amorfa, incapaz de se organizar e, portanto, de 

se fazer representar. A missão de representá-la caberia ao Estado. 

Essa teoria é compatível com outras teorias de diferentes 

linhagens teóricas que, porém, tratam do mesmo período de 

130

Brasil: democratização social e democracia política 

transição da sociedade brasileira. Entre essas cabe mencionar as 

diversas teorias relativas ao predomínio “dos rurais”, na verdade 

referentes às posições de hegemonia assumidas pelas classes pro

prietárias rurais tradicionais. São estas últimas teorias de ins

piração marxista, ou gramsciana. Além dessas referências, cabe 

mencionar também as observações de Alain Touraine a esse pe

ríodo da sociedade brasileira como um período de “democrati

zação por via autoritária”. São apenas algumas das teorias que 

buscam entender os diversos caminhos pelos quais se deu no 

Brasil a passagem do liberalismo da Primeira República à libe

ral-democracia. Ou de uma sociedade rural para uma socieda

de urbana de massas. Foi por estes caminhos que chegamos ao 

populismo.

Em países como a Inglaterra e a França, o liberalismo era 

autoritário nos períodos de democracia restrita, ou seja ante

riores à passagem para a liberal-democracia. Em países como 

o Brasil e a Argentina, não apenas o liberalismo era autoritário 

como o eram também diversas variantes do pensamento político 

da época. Nos anos 30 e 40, sob a influência do espírito autoritá

rio do período do General Franco, na Espanha, e do período de 

Salazar, em Portugal, a desmoralização do liberalismo em países 

como Brasil e Argentina abriu caminho a toda sorte de autorita

rismo anti-liberal. Há que considerar ainda a influência inegável 

do fascismo desse tempo em toda a Europa e também em alguns 

países de formação europeia da América do Sul. No Brasil, em 

particular, com o movimento integralista (Aliança Integralista 

Brasileira), de inspiração fascista, sob a liderança do jornalista e 

escritor Plínio Salgado. No caso da Argentina, não há como di

minuir a importância da experiência de Perón em seu tempo de 

adido militar de seu país na Itália de Mussolini. 

131

Crise de representação

A influência do corporativismo de Estado que ocorreu de

pois de 1946 não pode ser diminuída. Mas seria um equívoco 

ignorar na tradição brasileira a presença de um antigo espírito 

corporativista, muito anterior ao fascismo, com o qual o novo 

corporativismo se funde em um ramo importante da cultura polí

tica nacional. Em todo caso, o corporativismo proposto no regime 

ditatorial em 1943 tornou-se, depois de consolidado institucional

mente em 1946, um ramo poderoso da organização social brasilei

ra, não apenas entre os sindicatos de assalariados como também 

entre os dos empresários. Alguns números podem ser muito su

gestivos a respeito. Os mesmos princípios corporativistas inspi

raram a construção de um sistema organizativo sindical também 

do lado empresarial. Critérios semelhantes inspiram em tempos 

mais modernos a organização dos “fundos de pensão” no país que 

movimentam, segundo informações da imprensa, bilhões de reais 

por ano.

Segundo as informações de organismos oficiais como o 

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2011 os 

trabalhadores associados a sindicatos chegariam a cerca 16 mi

lhões, ou 17,2% dos ocupados. Nada de surpreendente nestes 

números. Os mais surpreendentes não dizem respeito a traba

lhadores filiados mas a organizações sindicais, ou seja entre as 

organizações reconhecidas como sindicatos pelas leis sindicais 

vigentes no pais. Entre as organizações sindicais do ano de 2011, 

10.167 são de trabalhadores e 4.840 são patronais. Como disse um 

advogado especialista em questões sindicais, “a estrutura sindical 

é como uma pirâmide, em que na base estão os sindicatos e no 

topo, o governo”. (Segundo os jornais), números levantados em 

congressos sindicais recentes mostram que cerca de três mil sin

dicatos nunca participaram de uma negociação coletiva. Como 

132

Brasil: democratização social e democracia política 

dizem os conhecedores do setor, há os sindicatos de profissio

nais liberais que não fazem negociações, como o de dentistas, e 

aqueles nos quais as convenções são assinadas por federações e 

confederações. “E existe sindicato que não existe mesmo”, como 

afirmou Manoel Messias, secretário de Relações do Trabalho do 

Ministério do Trabalho e Emprego do governo Temer. Em ou

tras palavras, sempre dos conhecedores do ramo, “existe sindica

to que não é sindicato”. São sindicatos “de cartório”, “de carimbo”, 

frutos da chamada contribuição compulsória criados só para ar

recadar recursos.

Todo o financiamento do sistema sindical tinha por base a 

contribuição de um dia de salário ao ano de cada trabalhador. 

Pode-se supor que quando criada a lei, esta contribuição, que 

então se chamava “imposto sindical”, fosse uma pequena quan

tia. Com passagem do tempo, mudou de nome. Mas os recursos 

arrecadados, mas a contribuição como tal foi crescendo ao nível 

dos recursos orçamentários habituais na máquina do Estado bra

sileiro. Os sindicatos, federações e confederações de classe — tan

to as que representam os trabalhadores como as dos patrões — 

arrecadaram R$ 3,5 bilhões de reais com a contribuição sindical 

obrigatória em 2016. Os números são do Ministério do Trabalho 

e Emprego, que passou a detalhar estas informações apenas em 

2015. Em 2007, primeiro ano com dados oficiais, a arrecadação 

foi de R$ 2,23 bilhões (valor corrigido pela inflação), o que repre

senta alta de 57%. A arrecadação oficial de 2007, sem considerar 

a inflação, foi de R$ 1,25 bilhão, quase três vezes menor do que o 

registrado no ano passado. 

No caso do imposto pago por trabalhadores, a divisão dos 

recursos também prevista em lei, é feita da seguinte maneira: 60% 

para o sindicato; 15% para a federação correspondente; 10% para 

133

Crise de representação

as centrais sindicais; 10% para a CEES (Conta Especial Emprego e 

Salário), que alimenta o FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador), 

usado, por exemplo, para pagar o seguro-desemprego; e 5% para 

a confederação correspondente. No ano passado, quem mais re

cebeu recursos foi a CEES, com R$ 582 milhões. Das entidades de 

classe, CUT Central Única dos Trabalhadores e Força Sindical es

tão no topo da lista, com R$ 59,8 milhões e R$ 46,6 milhões res

pectivamente. Do lado dos patrões, a Confederação Nacional do 

Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) recebeu R$ 28,7 

milhões. Ao todo, cerca de 11.000 entidades sindicais receberam 

os recursos.

Só o futuro dirá o que pode mudar realmente no Estado, 

semi-representativo e semi-corporativo, criado pela revolução de 

30 e posteriores acontecimentos. Até este momento, o atual go

verno está a meio caminho, até mesmo de suas propostas elei

torais. Como de há muito na história brasileira, foi eleito em 

ambiente democrático, mas é visto por muitos oponentes como 

ameaça à democracia. Daí que a defesa das instituições demo

cráticas assumiu um papel prioritário no Brasil contemporâneo. 

Digo defesa e aprimoramento das instituições democráticas. 

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Universidade de Brasília, 1981 (primeira edição, 1938).

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RAYMUNDO FAORO. Os Donos do Poder. Porto Alegre: Editora Globo, 1976. O artigo dos autores José Álvaro Moisés e  Francisco Weffort.

A crise de representatividade política no Brasil foi o fator determinante que culminou na eleição de Jair Bolsonaro em 2018. Esse fenômeno refletiu o esgotamento do sistema político tradicional frente aos eleitores, que já não se viam representados pelas lideranças e partidos da época. Origens e Pilares da Crise de Representatividade O colapso da confiança pública nas instituições estruturou-se em três pilares principais: Operação Lava Jato: A investigação expôs esquemas sistêmicos de corrupção envolvendo os maiores partidos do país (PT, PMDB e PSDB), destruindo a reputação da elite política tradicional .Protestos de 2013 e Impeachment de 2016: As manifestações de Junho de 2013 demonstraram uma insatisfação generalizada com os serviços públicos e a classe política. Esse sentimento se intensificou com a crise econômica e o subsequente impeachment de Dilma Rousseff. Recessão Econômica: O país enfrentou uma das piores recessões de sua história entre 2014 e 2016, gerando desemprego em massa e aumentando a percepção de incompetência dos governantes .Como a Crise Viabilizou a Eleição de 2018Jair Bolsonaro soube canalizar o sentimento de "antissistema" que dominava o eleitorado através das seguintes estratégias :Dimensão Cenário de Crise Posicionamento de Bolsonaro Institucional  lRepulsa aos partidos e à política tradicional. Apresentou-se como um outsider (apesar de anos no Congresso), isolado do "centrão" na época. Segurança Pública Altos índices de criminalidade e sensação de impunidade. Discurso de tolerância zero, defesa do armamento e endurecimento penal. Comunicação Desconfiança da mídia profissional e da propaganda de TV.Uso direto das redes sociais (WhatsApp, Facebook) para falar sem intermediários com o eleitor  Ideológica  Desgaste da esquerda (PT) e insatisfação com a centro-direita clássica .Discurso fortemente anticomunista, patriota e de defesa dos valores religiosos e familiares. A eleição de 2018 funcionou como um voto de protesto contra o establishment. A fragmentação dos partidos tradicionais e o desejo de ruptura total abriram caminho para um discurso populista de direita, focado na moralidade, no nacionalismo e na promessa de varrer a velha política. Para aprofundarmos essa análise, você gostaria de focar em como as redes sociais mudaram a dinâmica daquela eleição ou prefere analisar o impacto dessa crise nos partidos tradicionais como o PT e o PSDB.

Vimos que isso custou 700.000 mortos na Covid. 19 

Confira a noticia no Portal G1 da Rede Globo            .https://g1.globo.com/politica/noticia/2026/09/02/vorcaro-e-moraes-veja-prints-de-conversas-reveladas-em-relatorio-da-pf.ghtml#G1-FEED-BOX-user,g1-uf-city-top-6x48h-materias,a08dbb4a-5bfb-4f51-995d-0e569a7fccb2

Confira a noticia no Porta G1 da Rede Globo             .https://g1.globo.com/politica/noticia/2026/09/02/mendonca-diz-que-recebeu-vorcaro-uma-unica-vez-para-tratar-de-acao-sobre-precatorios-no-stf.ghtml

Confira a noticia no Portal G1 da Rede Globo             .https://g1.globo.com/politica/noticia/2026/09/02/vorcaro-prestou-depoimento-ao-gabinete-de-mendonca-na-semana-passada-sem-presenca-da-pf.ghtml

Confira a noticia no Portal G1 da Rede Globo.                           https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/bom-dia-rio/noticia/2026/09/03/pf-cumpre-mandados-no-rj-nesta-quinta-feira.ghtml

 

E assim caminha a humanidade.

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