domingo, 30 de agosto de 2026

Complexo .

  O conservadorismo é uma filosofia social e política que defende a preservação das instituições, costumes, tradições e valores construídos ao longo da história de uma sociedade. Em vez de propor mudanças radicais ou utópicas, o pensamento conservador defende que a sociedade deve evoluir de forma gradual e prudente, aproveitando a experiência acumulada pelas gerações passadas.Pilares FundamentaisCeticismo político: Desconfiança em relação a teorias abstratas e planos de engenharia social que prometem sociedades perfeitas.Prudência: Preferência por reformas lentas, pontuais e testadas pela experiência prática, evitando rupturas revolucionárias.Preservação institucional: Valorização de estruturas fundamentais como a família, as comunidades locais e as organizações religiosas.Ordem e estabilidade: Crença de que a ordem social e a segurança jurídica são pré-requisitos para a liberdade individual e a justiça.Origem HistóricaO conservadorismo político moderno estruturou-se no final do século 18 , tendo o filósofo e político britânico Edmund Burke como seu principal precursor. Em sua obra clássica, Burke criticou os excessos e a destruição institucional promovidos pela Revolução Francesa, defendendo que os pactos sociais devem respeitar os mortos, os vivos e os que ainda vão nascer.Assista a uma breve explicação sobre o surgimento do pensamento conservador e seus conceitos clássicos:1mGlossário político: o que é ser conservador?451 mil visualizações · há 3 anosYouTube · BBC News BrasilPrincipais VertentesO conservadorismo não é uma ideologia rígida ou um conjunto fixo de dogmas; ele varia de acordo com o tempo e a cultura de cada país:Conservadorismo Tradicionalista: Foca intensamente na preservação da moralidade comum, dos costumes antigos e do papel central das religiões tradicionais na vida pública.Conservadorismo Liberal: Combina a preservação dos valores e instituições tradicionais nos costumes com a defesa do livre mercado, da propriedade privada e do Estado enxuto na economia.Neoconservadorismo: Vertente que ganhou força no cenário internacional (especialmente nos EUA), aliando o conservadorismo moral interno a uma postura assertiva e intervencionista na política externa. Segundo o Soiciólgo, Mestre e Doutor Cesar Portantiolo Maia, no Quarto Periodo da Habilitação em Jornalismo na Comunicação Social, pelas Faculdades Integradas Alcantara Machado (FIAAM FAAM).

A PRESERVAÇÃO DO PENSAMENTO CONSERVADOR E A 

COLONIZAÇÃO INTERNA NO BRASIL 

Klondy Lúcia de Oliveira Agra1 

A cultura não é só o primeiro passo para se ser humano, isto é, para se poder 

valorizar a humanidade, como também, enquanto exercício de intersubjetividade, o 

primeiro passo para a aprendizagem da democracia, isto é para dar voz ao outro, 

mesmo quando ela não ressoa a nossa.  

Humberto Eco (2001) 

RESUMO 

Neste artigo, através de pesquisa qualitativa bibliográfica, com base nos estudos culturais, 

verifica-se o que é o pensamento conservador, averígua-se em quais premissas o 

conservadorismo no Brasil se assegura, faz-se um paralelo entre o conservadorismo brasileiro 

e o pensamento colonizador, e a que se pode chamar de colonialismo interno no Brasil, com o 

objetivo principal de conduzir o leitor, pesquisador ou não, a repensar e redesenhar planos e 

projetos para um futuro menos excludente no qual se respeite e preserve a diversidade cultural 

brasileira. Ao fazer um paralelo das ideias conservadoras no Brasil e o pensamento colonizador, 

observou-se que ambos carregam a colonialidade. Uma colonialidade que, para aqueles 

pretensos colonizadores que a carregam, e que hoje se reconhecem como conservadores, é uma 

realidade colonial, tão verdadeira hoje como foi no período colonial , cujas características dos 

pensamento são tão espantosas que chegam a negar é possibilidade de coexistência dos dois 

lados: nós, a parte da humanidade que deve se firmar e eles, a parte da humanidade que deve 

ser sacrificada. 

Palavras-chave: Sentido, Cultura, Colonialismo, Colonialidade, Conservadorismo. 

ABSTRACT  

In this article, through a qualitative bibliographical research, based on cultural studies, it is verified what 

is the conservative thought, it is verified in what premises the conservatism in Brazil is assured, it is 

made a parallel between the Brazilian conservatism and the thought colonizer, and what can be called 

internal colonialism in Brazil, with the main objective of leading the reader, researcher or not, to rethink 

and redesign plans and projects for a less exclusive future in which Brazilian cultural diversity is 

respected and preserved. By making a parallel between conservative ideas in Brazil and colonizing 

thought, it was observed that both carry coloniality. A coloniality that, for those would-be colonizers 

who carry it, and who today recognize themselves as conservatives, is a colonial reality, as true today 

as it was in the colonial period, whose characteristics of thought are so astonishing that they even deny 

the possibility of coexistence of the two sides: we, the part of humanity that must stand, and them, the 

part of humanity that must be sacrificed. 

Keywords: Sense, Culture, Colonialism, Coloniality, Conservatism. 

1Doutora em Geografia pela UFPR, membro do GEPCultura. Professora Colaboradora do Programa de Pós

Graduação em Geografia da UNIR klondy2@gmail.com  

INTRODUÇÃO 

A constante crise política e econômica no Brasil pode ser o resultado de sua colonização 

europeia e do pensamento que conduziu todo esse processo de colonização pelos países 

europeus. Uma colonização cuja verdade era fixada na máxima formulada por Aristóteles e 

absorvida pelos países colonizadores que definia a lógica das leis e do exercício da autoridade: 

a manutenção da desigualdade entre os seres humanos2.  

Com a separação imposta pelo governo português, que seguia fielmente a dialética 

aristotélica que definiu a política “ Todos os homens que diferem entre si para pior, no mesmo 

grau em que a alma difere do corpo e o ser humano difere de um animal, são naturalmente 

escravos, e para eles nada melhor do que estarem sujeitos à autoridade de um senhor”,  a divisão 

de classes no Brasil se deu com diferenças marcantes e a elite brasileira preserva seus resquícios 

até os dias de hoje, fato que personaliza o colonialismo interno no Brasil. 

A máxima aristotélica, utilizada desde a antiguidade e aplicada à política, traz seus 

resquícios não só ao Brasil, mas a todos os países da américa latina colonizados por europeus. 

No Brasil, nos últimos anos, essa máxima tem sido fortemente levantada e conduziu o país a 

extremos de ódio. 

Neste artigo, pretende-se discutir sobre o pensamento colonizador, o colonialismo e o 

colonialismo interno, e como costumes, tradições  e ensinamentos com base nestes pensamentos 

trazem ao Brasil preconceitos que prejudicam pessoas, povos e culturas. 

Acredito que este estudo é importante para a Geografia porque é essa ciência que se 

preocupa não somente com as lutas no/ou pelo espaço, natural ou modificado pelo homem, mas 

também, pelos sentidos, percepções e representações dos seres humanos, se interessando pelas 

lutas nesse espaço, porque é através dos sentidos culturalmente construídos  que se mudam as 

realidades ambientais, sociais e espaciais. E são esses sentidos  colonizadores, presentes em 

falas e projetos, que influenciam e  mudam cenários e modos de vida, trazendo consequências 

diversas ao homem/mulher/terra que são o objetivo fim dos estudos geográficos. 

Através de pesquisa qualitativa bibliográfica, com base nos estudos culturais, verifica

se o que é o pensamento conservador, averígua-se em quais premissas o conservadorismo no 

2A igualdade geométrica é a concepção de igualdade que Aristóteles entendia como a correta para a sociedade 

grega. Na análise da igualdade Aristóteles partia do pressuposto da existência de diferenças naturais entre pessoas 

a permitir uma hierarquização já instalada na própria natureza, tanto que ele afirma que as leis poderiam visar o 

interesse das “melhores pessoas” (ARISTÓTELES, p. 92).  

Brasil se assegura, faz-se um paralelo entre o conservadorismo brasileiro e o pensamento 

colonizador, e a que se pode chamar de colonialismo interno no Brasil, com o objetivo principal 

de conduzir o leitor, pesquisador ou não, a repensar e redesenhar planos e projetos para um 

futuro menos excludente no qual se respeite e preserve a diversidade cultural brasileira. 

UMA VISÃO GERAL SOBRE O CONSERVADORISMO  

O conservadorismo, ideias que vem do século XVIII, se constituiu como ideologia e 

estratégia política das classes dominantes no período da modernidade. De acordo com Souza 

(2020) a formação do conservadorismo clássico pode ser identificado entre 1789 e 1914. 

Período histórico que recobre mais de um século e coincide com dois grandes acontecimentos 

históricos: vai da Revolução Francesa até o início da primeira guerra mundial (Souza. 2020). 

A partir daí, o conservadorismo e sua ideologia passam a aglutinar em torno de si  as 

classes dominantes dos principais países europeus nos momentos de crise. Em princípio, 

definia-se como reação aristocrática contra as novas formas políticas, culturais e econômicas 

produzidas pela formação e consolidação do capitalismo. Porém, sobretudo após as revoluções 

de 1848, o conservadorismo aderiu ao capitalismo, consolidando-se, junto ao liberalismo. No 

entanto, com as mudanças mundiais, o conservadorismo vai além, adquire diferentes 

tonalidades, tendências e características, variando prioritariamente conforme particularidades 

nacionais e regionais. 

Os ditos conservadores, na contemporaneidade, procuram acusar aqueles que lutam por 

avanços civilizatórios de serem inimigos da sociedade, de suas instituições e tradições. Os 

conservadores da atualidade estendem o leque de acusações, empregando termos tais como: 

ateus, fanáticos, despóticos, egoístas, dogmáticos, tirânicos, irracionais, etc. para (des)qualificar 

aqueles que fazem críticas aos seus interesses. Tanto o conservadorismo clássico como o 

contemporâneo não respeitam a democracia. 

O SENTIDO CULTURALMENTE CONSTRUÍDO, O COLONIALISMO E A 

COLONIALIDADE 

Os sentidos humanos, embora façam parte da consistência humana, são sempre 

influenciados pelo contexto e cenário, ou seja, por serem construídos culturalmente, é por meio 

desses sentidos que os seres humanos se relacionam com o meio. Assim, cada homem/mulher, 

a partir de sua cultura, do seu mundo vivido, percebe o mundo exterior de formas distintas.  

No Brasil, um país colonizado, com forte influência europeia (e hoje estadunidense)  

os diferentes pontos de vista geram crises de sentido que conduzem a compreensões errôneas. 

Para compreender como se dão essas controvérsias  torna-se necessário entender a noção de 

colonialismo, colonialidade, como se constroem os sentidos dentro de uma cultura e como 

sentidos repletos de colonialidade são responsáveis pelo colonialismo interno no Brasil. 

Colonialismo é um fenômeno associado às conquistas, aos assentamentos e ao controle 

administrativo sistemático da Europa no século XIX (estruturas institucionais de governo, 

sistema legal, domínio militar); frequentemente considerado um processo violento. Nessa 

acepção o Colonialismo possui fortes bases econômicas, é fonte de matéria prima, novos 

mercados, mão de obra, soldados. Com fundamentação racial dicotômica, essa interpretação 

considera a Europa como avançada, progressiva e moderna (nós) versus os nativos retrógrados, 

primitivos e atrasados (eles). O Colonialismo traz consigo a imposição das práticas do 

colonizador sob o povo colonizado, apaga sua história e crenças, e está envolto nas formas de 

aquisição e desenvolvimento de conhecimento sob os interesses do povo que coloniza 

(QUIJANO, 2007).  

Por outro lado, a colonialidade é entendida como uma dimensão simbólica do 

colonialismo que mantém as relações de poder que se desprenderam da prática e dos discursos 

sustentados pelos colonizadores para manter a exploração dos povos colonizados. Restrepo e 

Rojas (2012) a definem como um fenômeno histórico complexo que se estende para além do 

colonialismo, referindo-se a um padrão de relações de poder que opera pela naturalização de 

hierarquias territoriais, raciais, culturais, de gênero e epistêmicas. A naturalização é o que 

possibilita a reprodução das relações de dominação. Esse padrão de poder mantém e garante a 

exploração de uns seres humanos sobre outros e subalterniza e oblitera os conhecimentos, 

experiências e formas de vida do grupo que é explorado e nominado (RESTREPO; ROJAS, 

2012).  

A colonialidade se refere à ideia de que, mesmo com o fim do colonialismo, uma lógica 

de relação colonial permanece entre os saberes, entre os diferentes modos de vida, entre os 

Estados-Nação, entre os diferentes grupos humanos (MIGNOLO, 2013).  

Os Estados-nação periféricos e os povos não-europeus vivem hoje sob o regime da 

colonialidade global imposto pelos Estados Unidos, através do Fundo Monetário Internacional 

(FMI), do Banco Mundial (BM), do Pentágono e da OTAN. As zonas periféricas mantêm-se 

numa situação colonial, ainda que já não estejam sujeitas a uma administração colonial. Se o 

colonialismo termina, a colonialidade se propaga ao longo do tempo (QUIJANO, 1998).  

Essa propagação se dá através dos sentidos construídos dentro da cultura de cada um 

(família, escola, igreja etc.), são repassados  e constroem sentidos repletos de colonialidade em 

outros(as). Sentidos esses que, na pretensão de que um homem é superior a outro, criam 

preconceitos, racismo, homofobia etc. e conduzem o país a enorme diferença social e 

bipolaridade, sem a capacidade de ver/ouvir o outro, ou respeitar diferenças culturais. 

O TERMO COLONIALISMO INTERNO 

De acordo com González Casanova (2007), o colonialismo interno está originalmente 

ligado aos fenômenos de conquista, em que as populações de nativos não são exterminadas e 

tomam parte, primeiro do Estado colonizador e depois do Estado que adquire uma 

independência formal, ou que inicia um processo de libertação ou de recolonização. As relações 

geradas dentro do Estado-Nação, com preconceitos e um olhar de supremacia daquele que, 

mesmo sendo um colonizado, imita o colonizador e replica sentidos colonizadores constituem 

o colonialismo interno. Uma estrutura prolongada de relações sócias de dominação e exploração 

entre grupos sociais heterogêneos dentro de sociedades duais ou plurais (GONZÁLEZ 

CASANOVA, 1965).  

Para observar o fenômeno do colonialismo interno, é necessário lembrar que ele  se dá 

em diferentes campos, tais como: o econômico, o político, o social e o cultural. Para uma 

definição concreta da categoria de colonialismo interno, requer conhecer também como se 

desenvolveu através da história do estado-nação e do capitalismo tal colonialismo e como ele 

se relaciona com alternativas emergentes, sistêmicas e antissistêmicas, em particular as relativas 

às resistências e à construção de autonomias dentro do Estado-Nação, quanto à criação de links 

(ou ao ausência destes) com os movimentos e forças nacionais e internacionais de democracia, 

libertação e socialismo. 

Necessário lembrar, também, que  o contraste entre os estados-nação pós-coloniais e os 

grandes impérios ocidentais que os colonizaram parte de um divisor que superestima a ruptura 

pós-colonial e da constatação de que muitos dos processos históricos que marcaram a 

construção e perpetuação dos impérios coloniais se encontram internalizados nos estados-nação 

nascidos a partir de ex-colônias.  

O colonialismo interno tem sido uma categoria tabu para correntes ideológicas muito 

diferentes. No entanto, ao observar de perto o que se passa no interior da colonização interna é 

inevitável que a ideia de construção da nação tenha uma ressonância forte com o ponto de vista 

historiográfico das elites econômicas e políticas que capitanearam a formação dos estados

nação pós-coloniais. Esse processo de construção de hegemonias nacionais na esteira das 

independências, na América Latina e em países colonizados, tem sido descrito na literatura 

através de noções já bem consolidadas como a invenção da tradição de Hobsbawm e Ranger 

(1984) e as comunidades imaginadas de Benedict Anderson (2008).  

Pode-se afirmar que não há nada imemorial, ou essencial, nas identidades nacionais; e 

que estes processos históricos têm envolvido relações de poder de longa duração, a partir das 

quais certos grupos lograram impor sua própria ideologia e interesses como horizonte 

hegemônico para o restante da nação, consolidando o colonialismo interno nesses países.  

CONSERVACIONISMO BRASILEIRO E O PENSAMENTO COLONIZADOR 

No Brasil, as ideias conservadoras começaram a serem fortemente disseminadas como 

uma apropriação dos pensamentos que passaram a invadir a política norte americana a partir de 

2012. Um conservadorismo mais extremado e responsável pela guinada à direita do Partido 

Republicano, que se caracteriza por políticas ultraconservadoras, tais como: rejeição 

sistemática ao aborto; ênfase na família como uma instituição constituída exclusivamente por 

um homem e uma mulher; apoio irrestrito a Israel; defesa enfática e unilateral dos valores norte

americanos no mundo; rejeição ao estado de bem estar social através da diminuição sistemática 

do papel e do tamanho do governo na economia norte-americana; entre outras ( Vidal, 2013). 

Com  apropriação do discurso conservador americano, o conservadorismo no Brasil, 

somado a colonialidade construída com sentidos passados e repassados de gerações a gerações, 

cria uma forma específica brasileira, ideológico, partidário e com imensa  rejeição aos projetos 

sociais e aos direitos humanos. 

De acordo com Calil (2016), o “(...) inegável avanço da direita no Brasil nos últimos 

anos” acentua elementos de uma herança histórica que, através de contradições, não foi 

inteiramente superada. Pelo contrário, permanece presente no cotidiano e nos interesses das 

classes dominantes e dominadas, influenciando, sobretudo, suas escolhas políticas, ideias, 

valores, costumes e relações sociais. Um conservadorismo que após Trump (eleito presidente 

dos Estados Unidos em 2016) e Bolsonaro (eleito em 2018 no Brasil)  trouxe a ambos os países 

uma enxurrada de Fake News, propagando ódio à democracia, aos direitos humanos, às 

diferenças etc.(AGRA, 2022). 

De acordo com Ferreira e Botelho (2010), que identificou um pensamento conservador 

à brasileira,  há uma espécie de confluência de determinações ideológicas (no seu sentido 

amplo e restrito) herdadas do passado colonial e escravocrata com princípios e valores (ordem, 

autoridade, disciplina, hierarquia, meritocracia, entre outros) sistematizados em teorias (mas 

também em pedagogias nas relações de trabalho e religiosas) cuja função social e 

desdobramentos efetivos redundam, sobretudo, em tendências antidemocráticas e de 

hipocondria anticomunista, além da produção de uma cultura política contrária à noção de 

conquista de direitos dos trabalhadores. Como se pode notar, trata-se de uma proposta que 

contribui para a elevação da intolerância, discriminação, com a colonialidade latente e toques 

do darwinismo social. 

Ao fazer um paralelo do conservadorismo no Brasil e do pensamento do colonizador, 

vê-se que os sentidos de ambos tem vários pontos em comum. Observe: O Conservadorismo à 

brasileira é vestido pelas classes que se julgam superiores, são contra a mitigação do sofrimento 

dos menos favorecidos; cevam a miséria e a constroem ativamente; querem o domínio; julgam 

os menos favorecidos como sugadores de suas benesses; defendem a meritocracia, sem pensar 

que sem leis afirmativas e auxílios governamentais muitos não tem e nunca terão a mesma 

chance; apropriam-se de terras e bens da união, não respeitam as populações tradicionais e 

desenvolvem uma mistura de medo e raiva em relação aos mais excluídos, com auxílio de 

discursos e narrativas de ódio, defendem a moral e a família.  O colonizador queria o domínio, 

a posse e os bens, sentia-se superior, sem respeitar o local, colocava a raça como marcador de 

superioridade/inferioridade, dominava não somente pela força, mas  também pela língua e 

imposição de religião, ideias e pensamentos. 

Ao se observar sobre o colonialismo interno e o pensamento colonizador é bom notar o 

que Mignolo (2005) afirma sobre a diferença colonial que transformou-se e reproduziu-se no 

período nacional, passando a ser chamada de colonialismo interno. O colonialismo interno, 

afirma o autor, é a diferença colonial exercida pelos líderes da construção nacional. No Brasil, 

o colonialismo brasileiro é perpetuado pelo conservadorismo, pelo medo de mudança e percas 

de privilégios.  

Fatos notáveis se verificam com a colonialidade interna no Brasil que seguem linhas 

geográficas: divisores como litoral/interior, rural/urbano, sul/norte são seguidamente utilizados 

como tema de discussões que insistem em marcar a superioridade de uns sobre outros.  

Por isso, verifica-se então que, embora grande parte da sociedade brasileira não se diga 

conservadora, está repleta de preconceitos que são repassados através dos sentidos 

colonizadores. Sentidos construídos dentro de grupos familiares e transmitidos de geração a 

geração através de tradições  e ensinamentos com base nesses pensamentos do colonizador e 

fortalezem a colonialidade no Brasil, aumentando as diferenças, repletos de preconceitos, 

prejudicam pessoas, povos e culturas. 

RESULTADOS 

Os ditos conservadores, na contemporaneidade, carregados de sentidos colonizadores, 

alimentados pela colonialidade latente, ou seja arremedos do colonizador, na tarefa de se 

construir diferente e pertencer a elite e não ao povo, constroem e dão força ao colonialismo  

interno brasileiro e procuram acusar aqueles que lutam por avanços civilizatórios de serem 

inimigos da sociedade, de suas instituições e tradições.  

Desse modo, o colonialismo interno brasileiro, através dos que se dizem conservadores, 

propaga seus sentidos colonizadores e estende o leque de acusações, empregando termos tais 

como: ateus, fanáticos, arbitrários, egoístas, dogmáticos, tirânicos, irracionais, comunistas etc. 

para (des)qualificar aqueles que fazem críticas aos seus interesses, alimentando sentimentos 

antidemocráticos e o desrespeito ao outro. 

Um colonialismo interno que extremado e responsável pela guinada à direita, se 

identifica nas diversas tentativas de políticas ultraconservadoras e cortes sistemáticos de 

direitos. Ademais, com o conservadorismo, somado a colonialidade construída com sentidos 

passados e repassados de gerações a gerações na formação desse colonialismo interno, acentua 

elementos de uma herança histórica que, através de contradições, não foi inteiramente superada.  

Pelo contrário, permanece presente no cotidiano e nos interesses das classes dominantes 

e dominadas, influenciando, sobretudo, suas escolhas políticas, ideias, valores, costumes e 

relações sociais. Um colonialismo que, após Bolsonaro (eleito à presidência do Brasil em 2018), 

trouxe ao país uma enxurrada de Fake News, propagando ódio à democracia, aos direitos 

humanos, às diferenças etc.(AGRA, 2022). 

A colonialidade interna brasileira herdada do passado colonial e escravocrata com base 

firmada em princípios e valores como: ordem, autoridade, disciplina, hierarquia, meritocracia, 

entre outros, sistematizados em teorias e pedagogias nas relações de trabalho e religiosas cuja 

função social e desdobramentos efetivos resultam em tendências antidemocráticas e de 

hipocondria anticomunista.  

Uma colonialidade orientada por pessoas com forte ideologia de extrema direita, 

modifica e/ou fortifica seus valores culturais, gerando impressões destes valores em outras 

mentes, o que lhe torna possível um construto cultural compartilhado que o leva à    

representações subjetivas, pessoais, sobre as pessoas e a cultura de seu próprio país . Além da 

produção de uma cultura política contrária à noção de conquista de direitos dos trabalhadores,  

contribui para a elevação da intolerância, discriminação, imperialismo, darwinismo social, 

apropriações indébitas, desrespeito à natureza e à culturas diversas.  

CONSIDERAÇÕES FINAIS 

Com a certeza de que não só a Geografia, mas outras ciências devem ter um olhar atento 

à formação da sociedade brasileira, aos sentidos construídos e repassados de geração a geração 

e aos pontos de vista que tais sentidos geram em cada indivíduo para conhecer e, desse modo, 

criar instrumentos para combater a colonialidade instalada. Pois é essa colonialidade, vontade 

de ser colonizador, com preconceitos, compreensões errôneas e alheio aos direitos humanos 

que conduzem o Brasil a desmandos e crises constantes. 

Sugere-se, portanto, futuros estudos que considerem pensar na decolonização de 

mentes, isso pressupõe evidenciar as assimetrias de poder presentes na sociedade. Além de 

pensar no diálogo com saberes fronteiriços, epistemologias do sul e na interculturalidade. 

Ademais, com essas contribuições, considera-se a necessidade da ampliação da 

discussão na Geografia e em outras ciências, re(visitando) entre mundos, entre saberes, vidas e 

percepções. Lembrando que é o - o entre lugar - que leva o fardo do significado da cultura. É 

o que faz possível começar a enfrentar histórias antinacionalistas sobre os povos. E, é através 

da exploração deste terceiro espaço que podemos iludir a política de polaridade e emergir como 

os outros em nós mesmos, construindo novos sentidos ou reavaliando sentidos culturalmente 

construídos. 

Ou seja, estudos que, por estarem entre, questione as distribuições e divisões, as 

hierarquias, as valorações e que se coloque entre o que está prescrito e o que está excluído; 

estudos que primem pela (re)configuração dos campos de saber, na medida em que olha para 

perspectivas subalternizadas e saberes marginalizados. Novos estudos que construam novos 

conhecimentos e outras relações em termos igualitários, sempre evidenciando as assimetrias de 

poder. Só com esforço a colonização interna brasileira, construtora de tantos desmandos, poderá 

ser combatida e, assim, decolonizando  mentes, redesenhar um futuro onde cidadãos sejam 

iguais e se respeite a diversidade cultural brasileira. 

REFERÊNCIAS  

AGRA. Klondy Lúcia de O. A presença do double bind no discurso de Jair Bolsonaro: 

estratégia, incompetência ou insanidade? Revista Redes, 244-269.Ed. Clacso. 2022. 

BOTELHO, André. (orgs.) Revisão do pensamento conservador: ideias e política no Brasil. São 

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RESTREPO, E., & ROJAS A. Inflexión decolonial: fuentes, conceptos y cuestionamientos. 

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e Pesquisa em Ciências Sociais, Universidade Federal de Sergipe. – n. 23 (jul./dez. 2013). O artigo da autora Klondy Lúcia de Oliveira Agra1  . O Brasil é frequentemente classificado como um país conservador nos costumes, mas progressista ou estatista em outras áreas, gerando o que cientistas políticos chamam de "paradoxo do eleitor brasileiro".Pesquisas recentes indicam que cerca de 53% dos brasileiros se identificam como conservadores, refletindo uma forte ligação com valores religiosos, familiares e de ordem social. No entanto, a identidade do país é marcada por profundas contradições internas.Para compreender o panorama atual do conservadorismo no Brasil, destacam-se os seguintes pontos:  Conservadorismo nos CostumesValores morais: A maioria da população prioriza conceitos tradicionais de família, autoridade e religião. Temas como a legalização do aborto e das drogas sofrem forte rejeição popular.Religiosidade: O Brasil possui uma base cristã sólida (católica e evangélica) que influencia diretamente o comportamento social e o voto.Segurança pública: Há uma tendência amplamente punitivista e de apoio a medidas rígidas de segurança. O Paradoxo Econômico e SocialPapel do Estado: Embora o brasileiro se declare conservador na moral, ele costuma defender uma forte intervenção do Estado na economia. Há ampla aprovação a programas de transferência de renda, saúde pública universal e direitos trabalhistas.Apoio à Democracia: Mesmo frustrado com as instituições políticas, o eleitor mantém forte apoio ao sistema democrático.  Contradições CulturaisDiversidade: O Brasil abriga manifestações culturais liberais e de grande visibilidade, como o Carnaval e o sucesso de artistas da comunidade LGBTQIA+, coexistindo com o moralismo privado.Comportamento digital: Pesquisas do instituto Quaest e análises de dados sociológicos apontam um abismo entre o discurso público moralista e as práticas privadas da população.O conservadorismo brasileiro se manifesta de forma legítima no jogo democrático, guiado muito mais por pautas de costumes do que por alinhamentos econômicos rígidos.

Confira a noticia no UOL             .https://noticias.uol.com.br/eleicoes/2026/08/30/aliados-de-flavio-tem-vantagem-sobre-lulistas-nos-maiores-estados-e-df.ghtm

E assim caminha a humanidade.

Imagem da CNN Brasil. 




 

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