domingo, 30 de agosto de 2026

Rede Globo.

 O acordo secreto firmado entre a Rede Globo e o grupo norte-americano Time-Life em 1962 é um dos episódios mais polêmicos da história da comunicação brasileira, pois garantiu o capital necessário para fundar a emissora, mas violava a Constituição Federal da época.Abaixo estão os principais pontos para entender essa parceria, o escândalo jurídico e o desfecho que moldou a televisão no Brasil.1. O Contexto do Acordo (1962)Em 1957, o presidente Juscelino Kubitschek concedeu a Roberto Marinho o direito de explorar o Canal 4 do Rio de Janeiro. Sem recursos financeiros suficientes para colocar a TV Globo no ar e competir com gigantes da época (como a TV Tupi e a TV Excelsior), Marinho buscou investidores internacionais.O aporte financeiro: O grupo de mídia norte-americano Time-Life injetou cerca de US$ 5 a 6 milhões na futura emissora.A contrapartida: Em troca, os americanos teriam participação nos lucros da empresa e enviaram executivos, como Joe Wallach, para gerenciar a parte administrativa e financeira.A inauguração: Graças a esse dinheiro e equipamentos importados, a TV Globo entrou no ar em 26 de abril de 1965.2. A Ilegalidade JurídicaA Constituição Brasileira de 1946 (artigo 160) proibia expressamente que empresas estrangeiras fossem proprietárias ou participassem da gestão intelectual, administrativa e financeira de veículos de comunicação nacionais.Para contornar a lei, os contratos foram desenhados como "acordos de assistência técnica" e "empréstimos de swap". No entanto, concorrentes e políticos denunciaram que a manobra mascarava uma sociedade ilegal.3. A CPI da TV Globo e Time-Life (1966)Em 1966, o Congresso Nacional abriu uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a denúncia, liderada pelo deputado João Calmon (ligado aos Diários Associados, concorrentes da Globo).A conclusão: O parecer final concluiu por unanimidade que os contratos violavam a Constituição e feriam a soberania nacional.O arquivamento: Apesar do parecer da CPI, o governo militar (que havia assumido o poder no golpe de 1964) interveio. Sete meses depois, o Consultor-Geral daquel tempo. Segundo a Mestra e Publicitarária Maire de Miranda Oliveira Vaz, no Primeiro Semestra da Habilitação em Jornalismo na Comunicação Social, pelas Faculdades Integradas Alcantara Machado (FIAAM FAAM).

 Legislação Nacional de Telecomunicação nos anos 60 e 70 e a Rede Globo como estudo 

de caso 

Gabrielle Lins Meireles* 

 

Abstract 

 

The present work aims at a brief analysis of the legislation about telecommunications 

in Brazil between 1962 and 1972. Focusing on investment in the sector by the Military 

Government, both in its regulatory, technological development and its control. And looking at 

the relationship of this legislation with the establishment and expansion of the Globo 

television as a case study. So analyze the relationship between Globo TV and the 

governments of the 60 and 70, with emphasis on the military period. 

 

Keywords 

Globe, Military, Telecommunications 

 

Na análise da Legislação Nacional voltada para as telecomunicações do período de 

1962 e 1972, nota-se uma constante crescente preocupação do governo e do empresariado 

com o setor. Vale lembrar que o setor de telecomunicações engloba todos os meios de 

comunicação, ou seja, desde rádio e televisão a telefones sem fios e satélites de transmissão. 

Essa preocupação se torna ainda maior nos anos que se sucederam após o golpe de 1964, 

principalmente voltada a televisão.  

 Outro fator importante nesse período é que os meios de comunicação nesse mesmo 

momento ampliam seu campo de abrangência. O rádio já havia há muito se tornado um 

veículo de comunicação de massa, a televisão surgida na década de 50, aos poucos na década 

de 60 foi aumentando o número de telespectadores e dando uma cara nova a comunicação. O 

que antes era visto apenas em jornal ou então através apenas do som passa a ser visto e 

                                                 

* Graduada em História pela UERJ/FFP. Mestrando do PPGHS – Programa de Pós-Graduação em História 

Social – da UERJ, na linha “Território, movimentos sociais e relações de poder”, orientada pelo Profº Dr. 

Gelsom Rozentino, com bolsa de fomento da Fundação Carlos Chagas de Ampara a Pesquisa do Estado do Rio 

de Janeiro - FAPERJ. 

 

 

ouvido, significando e muito para o setor de telecomunicações que vê nesse novo momento 

um boom de investimentos econômicos e tecnológicos.  

 E da mesma maneira que despertou interesse em setores econômicos, não foi diferente 

no governo, que passa é legislar em prol do setor e principalmente da televisão para 

regulamentar e controlar sua implantação. 

 Na década de 60 já são mais de duzentos mil aparelhos de TV no Brasil, e esse número 

tente a aumentar gradativamente a ponto de, no início da década de 70 tornar-se o principal 

veículo de comunicação do Brasil. 

 Acompanhando esse crescimento, não só na TV mais também das telecomunicações 

em geral, o Governo Federal desenvolve vários meios de controle. Dentre eles: a criação da 

do CONTEL (Conselho Nacional de Telecomunicações) tendo como um dos seus presidentes 

José Cláudio Beltrão Frederico, do “Código Brasileiro de Telecomunicações”1. Sendo 

alterado pelo Decreto-Lei nº 236 de 28 de fevereiro de 1967, modificando a redação dos 

artigos 24 e 53. Tal alteração fez com que as telecomunicações ficassem submetidas ao 

controle do governo, constando a partir de então no artigo 24 fica instituído o recuso do 

Presidente, e no artigo 53 ficou estabelecido os temas proibidos para a radiodifusão 

constituindo um crime e contravenção caso esses temas viessem a público, como: 

Art. 53. Constitui abuso, no exercício de liberdade da radiodifusão, o emprego desse 

meio de comunicação para a prática de crime ou contravenção previstos na legislação 

em vigor no país, inclusive: 

a) incitar a desobediência às leis ou decisões judiciárias; 

b) divulgar segredos de Estado ou assuntos que prejudiquem a defesa 

nacional; 

   c) ultrajar a honra nacional; 

d) fazer propaganda de guerra ou de processos de subversão da ordem 

política e social; 

e) promover campanha discriminatória de classe, côr, raça ou religião; 

  f) insuflar a rebeldia ou a indisciplina nas fôrças armadas ou nas 

organizações de segurança pública; 

    g) comprometer as relações internacionais do País; 

  h) ofender a moral familiar pública, ou os bons costumes; 

  i) caluniar, injuriar ou difamar os Podêres Legislativos, Executivo ou 

Judiciário ou os respectivos membros; 

                                                 

1 LEI Nº 4.117, DE 27 DE AGOSTO DE 1962. Essa lei instituiu o Código Brasileiro de Telecomunicações que 

regulamenta o setor de telecomunicações no geral, porém incorporando em suas determinações a tv como 

principal enfoque.  

 

 

j) veicular notícias falsas, com perigo para ordem pública, econômica e 

social; 

l) colaborar na prática de rebeldia, desordens ou manifestações proibidas.2 

 

E no início da década de 60 também é fundada a ABERT (Associação Brasileira de 

Telecomunicações) cujo primeiro presidente foi João Calmon, ligado diretamente aos Diários 

Associados (TV Tupi). Associado a estes foi criado também a ENBRATEL, com a finalidade 

de organizar e desenvolver o setor de telecomunicações. O Estado aparece como o grande 

mecenas da televisão brasileira, viabilizando sua implantação e expansão em todo o país.  

 O setor vem ganhando destaque, e passa absorver mais de 24% dos investimentos 

publicitários no país, aumentado seu poder econômico e principalmente expandindo seus 

alcances. 

 Como o setor publicitário em geral, mais especificamente a TV também foi vista pelo 

governo como um meio fortíssimo de propaganda e controle. Por isso, sendo um dos motivos 

da necessidade de investir e incentivar o setor era justamente o de desenvolver a TV. Como 

era comum desde o primeiro governo de Vargas uma preocupação com a propaganda política, 

visto a criação do DIP, essa prática não se perde e é ainda mais explorada com os militares a 

partir de 1964, e, sobretudo, a partir de 1969, com o Governo de Médici. Cabe destacar que o 

mecanismo de propaganda dos militares, em muito se diferenciava do DIP que ao mesmo 

tempo era uma agência de promoção e de controle de um governo, cujo governo os militares 

consideravam símbolo máximo do populismo, um dos alvos de suas ações. Já na Ditadura 

Militar (1964-1985) o controle era realizado sobretudo pelo SNI (Serviço Nacional de 

Informação) e a propaganda pela AERP (Assessoria Especial de Relações Públicas). Que 

massifica através dos meios de comunicação propagandas ufanistas a favor do 

desenvolvimento econômico do país e em defesa do próprio regime, visando gerar em meio a 

população um otimismo em relação ao futuro do Brasil, acreditando que o país “estava dando 

certo”, com o objetivo de criar uma vontade geral do povo3 brasileiro, na crença de que o 

Brasil seria a próxima potência mundial.  

 A propaganda política nesse momento significava muito mais do que uma “máquina 

de controle ideológico” seria como um modo de divulgar o governo e mais além conforme 

                                                 

2 DECRETO-LEI Nº 236, DE 28 DE FEVEREIRO DE 1967. 

3 MICHAUD, Éric. La estética nazi: um arte de La eternidad.  

 

 

aponta Carlos Fico4, de propagar a “realidade” que o regime pretendia instaurar, fornecendo 

uma visão idealizada que o regime tinha de si mesmo. A propaganda política aparece então, 

com um caráter pedagógico, afim de, ensinar o povo, que o governo é da vontade geral da 

massa, uma pedagogia ufanista, que estava presente no Brasil desde os anos JK. 

Caracterizando o que Gramsci chama de hegemonia, o consenso e a coerção5.  

 A Ditadura Militar, de maneira crescente desde o governo Castello Branco, Costa e 

Silva e Médici, ao mesmo tempo que aumentava a censura sobre os veículos de comunicação, 

aumentava também os incentivos econômicos e legislativos para a ampliação desses mesmos 

meios.  Vide o número de decretos leis que foram promulgados no período e principalmente 

dos que liberavam recursos financeiros para as agências nacionais de telecomunicações leia-se 

ENBRATEL, CONTEL, entre outros6. 

 A legislação analisada nesse trabalho envolve o período ente 1962 – 1972. Haja vista 

que esse período foi eleito como corte cronológico para este estudo, pois é quando ocorre o 

desenvolvimento em larga escala do veículo de comunicação e também onde se consolidam as 

emissoras de TV. 

 Desde o governo de Jânio Quadros a televisão e seus usos obtiveram uma maior 

atenção, visto que através das fontes reunidas que as principais leis que regulamentavam o 

serviço datam desse período. Como também do mesmo período, houve uma expansão das 

emissoras de televisão. A Rádio Globo S. A., no ano de 1962 obteve duas concessões de TV 

uma no estado da Bahia7 e outra na cidade de Brasília8. Ambas concessões foram revogadas 

por não cumprimento do prazo de dois anos para sua implantação. 

 A constituição da TV Globo se deu regulamentada pelo decreto nº 55.782, de 19 de 

fevereiro de 1965, onde constituía sua organização e obrigações para com o governo, sendo 

                                                 

4 FICO, Carlos. Reinventando o otimismo: ditadura, propaganda e imaginário social no Brasil. Rio de Janeiro: 

Ed. FVG, 1997. 

5 BIANCHI, Álvaro. Estado / Sociedade Civil. In: O Laboratório de Gramsci: fiolosofia, história e partido. São 

Paulo. Alameda, 2008, p. 173-198. 

6 A exemplo: ver Lei nº 4.773, de 15 de setembro de 1965; 

Decreto nº 57.004, de 11 de outubro de 1965; 

Lei Nº 4.666, de 8 de junho de 1965; 

 Lei nº 5.069, de 6 de julho de 1966. 

7 Decreto Lei nº 922 de 27 de abril de 1962. Trata da concessão outorgada à Rádio Globo S. A. para 

estabelecer uma estação de televisão na cidade de Salvador no Estado da Bahia. 

8 Decreto Lei nº 921 de 27 de abril de 1962. Trata da concessão outorgada à Rádio Globo S. A. para 

estabelecer uma estação de televisão, geradora de programas, na cidade de Brasília Distrito Federal.  

 

 

de principal atenção no documento citado a duração da concessão (10 anos), o 

estabelecimento do quadro de funcionários (devendo ser constituído por 2/3 de brasileiros) e 

sua diretoria deve ser totalmente constituída de brasileiros, estipula um prazo para sua 

inauguração e do perímetro territorial de alcance da emissora, entre outras atribuições 

interferindo até mesmo no conteúdo de sua programação (como a exibição de informes 

meteorológico).  Esse decreto lei foi alterado por um conseguinte de nº 55.879 de 30 de março 

de 1965, tratando especificamente do artigo nº 2, aumentou o prazo de duração da concessão 

de 10 para 15 anos. 

 Além de Rádio Globo, outros empresários ou grupos empresariais também 

conseguiram concessões de TV nesse período, porém nesta análise não cabe tal referência, 

pois o foco principal dessa pesquisa é a instituição da Rede Globo de Telecomunicações. 

 Subseqüente aos incentivos gerados pelos governos desde a implantação da TV no 

Brasil, havia um certo rigor no controle de tal veículo. Se comparado aos outros meios (rádio, 

jornal) que apenas precisavam de um simples registro a TV, além do registro precisava de 

uma lei autorizando seu funcionamento e era passível de ser cassada a qualquer momento 

bastando não seguir o que lhe era pré-determinado. 

 Mesmo no início da década de 60, ainda no governo de Jango, com a TV sendo alvo 

de uma preocupação do governo, não se compara aos períodos dos governos militares. Vale 

lembrar que as principais leis de regulamentação do instrumento de comunicação datam desse 

momento, os incentivos ao setor, passam a ser em larga escala durante o período militar. 

 Em 1965, o governo de Castelo Branco por meio do Fundo Nacional de 

Telecomunicação e do gerenciamento da ENBRATEL, investe na tecnologia da TV, como 

instaurando um sistema avançado de transmissão em microondas, abrindo crédito para 

compra de receptores, dando incentivos e infra-estrutura para sua expansão. Nesse momento a 

TV Globo já havia sido inaugurada e aproveita esse processo incentivador do governo, pois 

mesmo antes de 1965, a Globo já contava com os incentivos fiscais do governo, como na 

isenção de impostos na importação e consumo de equipamentos para vídeo-tape que não 

tivesse similar no Brasil9. 

                                                 

9 Ver  Lei nº 4.419, de 29 de setembro de 1964. 

 

 

 Em 1967 é criado o Ministério das Telecomunicações que vai a partir de então reunir 

todas as entidades de controle e regulamentação tanto da TV quando dos outros aparelhos de 

Telecomunicação centralizando esse controle, tendo como primeiro ministro Carlos Furtado 

de Simas, permanecendo no cargo de 1967 a 1969. Ainda nesse mesmo ano, o Decreto-Lei nº 

236, de 28 de fevereiro, modifica o Código Brasileiro de Telecomunicações, onde proíbe a 

participação de qualquer entidade e ou pessoa jurídica estrangeira, estabelece um teto máximo 

de emissoras por grupo (10 estações) e em 5 as de transmissão em VHF, indo mais além ao 

subjugar as modificações das sociedades internas assim como os acordos com empresas 

estrangeiras a cargo do Ministério das Telecomunicações e do CONTEL. 

 Outro aparelho usado pelos militares para controle da propaganda política, a AERP – 

Assessoria Especial de Relações Públicas, criado em 1968, esse aparelho tinha a função não 

só de regulamentar a propaganda política como também promover através da propaganda o 

governo. Com tudo, no final dos anos 60 e início dos anos 70, devido ao crescimento 

econômico brasileiro, o que foi chamado de milagre econômico, o Brasil entrava em um 

momento de estabilidade política, creditando a idéia de um futuro próspero para o país, como 

se esse fosse o destino do Brasil, pensamento esse recorrente nas propagandas do governo 

promovidas pela agência10.  

 Um ponto importante nessa pesquisa notado durante a analise das fontes, é o acordo da 

Rede Globo de Televisão com a Empresa norte americana Time Life. Sendo este acordo pauta 

de alguns documentos identificados na pesquisa como o Projeto de resolução n 190, de 1966, 

que trata da instauração de uma CPI para averiguar esse acordo. Esse acordo recebeu atenção, 

por meio da denuncia de João Calmon, em primeiro momento de averiguação mesmo com o 

parecer do relator Djalma Marinho dizendo que infringia o artigo 160 da Constituição o então 

presidente Castelo Branco, autorizou esse acordo. E apenas em 1968, há uma nova analise e é 

declarado ilegal o acordo e Costa e Silva é obrigado a revogar a decisão de Castelo Branco, e 

a Time Life é obrigada a se retirar da TV Globo11. 

                                                 

10 FICO, Carlos. Reinventando o otimismo: ditadura, propaganda e imaginário social no Brasil. Rio de Janeiro: 

Ed. FVG, 1997. 

11 Sobre o assunto ver: 

Heiz, Daniel. A história Secreta da Rede Globo. Ed. TCHÊ!, 1987. 

 

 

 No início da década de 70, 27% das residências do país já possuem televisão e 75% 

estão localizadas no eixo Rio-SP12.  E os anunciantes passam a comprar horários entre os 

programas e não mais patrocinar um programa inteiro, com isso mo Ministério das 

Telecomunicações regulamenta o comercial de 3 minutos para cada 15 de programação. Nota

se com tudo, uma preocupação do governo em atender as necessidades não só das emissoras 

de TV mais também a dos anunciantes (empresas que faziam propaganda dos seus produtos 

através da TV), atendendo dessa forma as necessidades da burguesia nacional. Vide que a 

mesma participava da elaboração dos projetos leis e decretos, representados pelos grupos de 

estudos organizados pelo IPES, conforme aponta Dreifuss, esses grupos participavam 

diretamente na construção de alguns projetos a exemplo do anteprojeto de Lei sobre o Código 

Nacional de Telecomunicações, sob responsabilidade do general Luiz A. Medeiros, da 

Globo13. 

 Nesse mesmo período o governo cria o PRONTEL (Programa Nacional de 

Teleducação) por meio do Decreto nº 70.066, de 26 de janeiro de 1972, regulamentando a 

transmissão nacional de programação voltada para a educação. Seguindo essa mesma linha de 

programação nacional, que ficou regulamentada desde então, as emissoras de TV começaram 

o organizar sua programação nacional, sendo a pioneira delas a TV Globo, que nesse mesmo 

ano lança sua programação nacional, se tornando um sucesso de audiência. Outro mecanismo 

criado pelo governo foi o Conselho Nacional de Comunicação, sendo um braço do Ministério 

das Comunicações com a finalidade de assessorar diretamente o ministro das comunicações, 

este conselho cabe ressaltar que foi originário do Conselho Nacional de Telecomunicações. 

 Notadamente a elite orgânica se encontrava infiltrada em diferentes setores da política 

nacional e da sociedade, fazendo com que seus ideais de sociedade moderna fossem 

propagados bem como suas necessidades (principalmente econômicas) fossem atendidas. 

 A reunião dessas fontes pode propiciar uma visão de governo preocupado em não só 

atender suas necessidades de propaganda, mas também a atender as necessidades de uma 

camada da burguesia, que de certa forma não se opunha ao governo.  Através dos incentivos 

                                                 

12 sobre o assunto ver Censo nacional de 1970 

13 DREIFUSS, René Armand. 1964: A Conquista do Estado Ação Política, Poder e Golpe de Classe. Petrópolis, 

Ed. Vozes, 1981. p. 238 

 

tanto ficais quando de promoção da tecnologia. Não se pode dizer que apenas uma das partes 

saia beneficiada com essa política, especificamente como o caso da Rede Globo de Televisão. 

A Rede Globo como hoje em dia é conhecida nacionalmente, surgiu inicialmente na 

década de 60 com apenas uma emissora, quando ainda era chamada de TV Globo. Essa 

emissora é originaria da Rádio Globo, empresa de propriedade de Roberto Marinho, nome 

muito importante para o progresso das telecomunicações no Brasil, dono também do jornal O 

Globo, que deu origem ao conglomerado empresarial. As empresas de Marinho constituem o 

que chamamos de Organizações Globo, várias empresas voltadas para o setor de 

comunicação, de mesmo dono, sob a marca Globo. 

A primeira concessão de TV obtida por Roberto Marinho foi durante o Governo de 

JK, sendo esta que ira entrar no ar no ano de 1965. Esse empresário conseguiu mais duas 

concessões posteriormente, no ano de 1962, conforme citado anteriormente, uma na cidade de 

Salvador e outra no Distrito Federal ambas caducaram, antes mesmo de vigorarem por falta de 

recursos. A situação da TV Globo se modifica apenas quando assina um acordo com o grupo 

empresarial norte-americano Time Life, onde ambas empresas (Leia-se Globo e Time Life) se 

comprometiam com a inauguração da emissora de TV. Esse acordo foi o diferencial da Globo 

em relação as outras emissoras de TV do Brasil, tanto na questão tecnológica quando 

organizacional. Pois as emissoras já instaladas no Brasil, possuíam um equipamento precário 

e eram feitas de forma quase amadora, visto que a tecnologia era internacional. O que se 

modifica com a inauguração a TV Globo sob os padrões internacionais, e com equipamento e 

pessoal da Time Life visando ditar um novo padrão televisivo no país. 

Esse padrão internacional de televisão fez com que as outras emissoras almejassem o 

mesmo patamar e proporcionou não só uma televisão de ponta no país como também uma 

corrida pela tecnologia acentuando ainda mais a concorrência entre as emissoras brasileiras 

além de modificar a forma de se fazer televisão no Brasil. 

Esse acordo estabelecido entre ambas a empresas, pode-se dizer que havia muito mais 

que apenas um apoio tecnológico, foi visto também como uma forma de firmar a hegemonia 

burguesa no país, como forma de manter essa supremacia burguesa espantando o fantasma 

comunista. Atendendo as necessidades do complexo IPES / IBAD, funcionando como 

divulgadores da ideologia em defesa dos ideais burgueses discursando em favor da 

democracia, do capitalismo e principalmente pregando o anticomunismo. Tal associação além 

 

 

de visar estabelecer essa supremacia burguesa, era uma forma de ditar os padrões de 

sociedade moderna, bem como de divulgar o modelo de sociedade consumista que atendia as 

necessidades do capitalismo crescente.  

 O que causa mal estar em relação a esse acordo empresarial, é que segundo a 

Constituição Federal essa associação com empresa internacional era proibia pelo artigo 160: 

É vedada a propriedade de empresas jornalísticas, sejam políticas ou simplesmente 

noticiosas, assim como a de radiodifusão, a sociedades anônimas  ações ao portador e 

aos estrangeiros. Nem esses, nem pessoas jurídicas, excetuados os partidos políticos 

nacionais, poderão ser acionistas de sociedades anônimas proprietárias dessas 

empresas. A brasileiros (art. 129 nos I e II) caberá, exclusivamente, a responsabilidade 

principal delas e sua orientação intelectual e administrativa14. 

 

Já para Luiz Eduardo Borgeth15, esse acordo não seria ilegal, alegando que era uma 

contribuição, que não passava de um financiamento sem juros e sem prazo, dizendo que a 

Time Life não sabia nada de Brasil e, portanto, não havia nem feito o apoio técnico adequado. 

Porém a TV Globo entre no ar mesmo com esse acordo que somente foi investigado 

anos depois. E ainda assim a Globo conseguiu isenção de impostos na importação de 

equipamentos e material de vídeo-tape que não fosse produzido no Brasil16. Estabelecendo 

uma relação política umbilical. Esse fato não foi comum as outras emissoras de TV, haja vista 

que a implantação das emissoras de televisão no Brasil eram altamente controladas pelo 

governo afim, de não haver oposição ao governo nos meios de comunicação. A situação da 

TV Globo se tornou diferenciada das outras emissoras, tanto no investimento empresarial 

quando no tratamento legislativo do governo federal. 

No dia 26 de abril de 1965 a TV Globo é inaugurada no Rio de Janeiro, no canal 4 de 

televisão, e as 11 horas também do dia 26 de abril entra no ar em São Paulo pelo canal 5 TV 

Paulista. 

Com a inauguração, alguns técnicos vieram para a TV Globo. O primeiro foi o norte

americano Joseph Wallace, trazendo para a emissora uma visão mais empresarial e em 

seguida José Bonifácio de Oliveira Sobrinho (Boni) sai da TV Rio seguido de Walter Clark e 

vão para a Globo. Dessa forma a TV Globo foi reunindo os profissionais de maior categoria 

                                                 

14 Constituição da República Federativa do Brasil. Ed. 1946, artigo 160.  

15 BORGETH, Luiz Eduardo. “Quem e  como fizemos a TV Globo. A Girafa. 2003. 

16 Sobre o assunto ver: Lei nº 4.419, de 29 de setembro de 1964. 

 

além dos enviados pela Time Life, contratava os que já trabalhavam nas emissoras brasileiras. 

Além de comprar a TV Paulista das Organizações Vitor Costa. Dessa forma, tornavam os 

meios de comunicações mais estáveis financeiramente atraindo investimentos, tanto do capital 

privado nacional como também anunciantes de marcas multinacionais. 

Com menos de um ano de fundação a TV Globo já abrigava os maiores profissionais 

de televisão do Brasil, sendo administrada por homens de marketing, preparados longamente 

nas escolas dos EUA. A equipe possuía um padrão empresarial muito forte, não vendo apenas 

a TV como um meio de comunicação mais também como uma fonte empresarial rentável. 

Criando meios de financiar os programas a partir de seus patrocinadores criando os pacotes 

publicitários, e também inovando na forma de fazer o programa, que antes nas outras 

emissoras era produzido pelo patrocinador, na Globo o programa era feito pela própria 

emissora e apenas contava com o capital financeiro do patrocinador e anunciando seu nome 

como o mesmo. Isso pode se dizer que foi o início do que na década de 70 foi intitulado de 

“Padrão Globo” de qualidade. 

Ainda no ano de 1966, com menos de um ano de inauguração o acordo TV Globo

Time Life começou a ser investigado sob a denúncia de João Calmon, sendo instalada uma 

CPI em 29 de março para que fosse feita uma averiguação do mesmo. No primeiro parecer 

divulgado no dia 8 de março de 196717, o relator declara que havia irregularidades no que 

consta aos cargos atribuídos a estrangeiros como os cargos de gerência, e administração e 

também no que tange aos recursos financeiros para a construção de prédio e das instalações da 

TV Globo. Esse primeiro parecer foi rejeitado pelo então presidente Castelo Branco, 

declarando que esse acordo não possuía irregularidades, e decretou que a associação não era 

ilegal, considerando as acusações infundadas. 

Apenas em 1968, ainda sob pressão de alguns parlamentares como Carlos Lacerda e 

João Calmon, o então presidente Costa e Silva revoga a decisão de Castelo Branco, e aprova o 

parecer do dia 20 de outubro de 1967, obrigando a TV Globo a se nacionalizar, ou seja, retirar 

a participação da Time Life e também dos estrangeiros do quadro administrativo da TV 18. 

Todavia a TV Globo já abrigava a maior audiência no estado do Rio de Janeiro 

segundo a pesquisa IBOPE, perdendo apenas em São Paulo para a TV Record que possuía 

17 PR. 1.369-67 nº 490-H, in HERZ, Daniel. “A história Secreta da Rede Globo. TCHÊ!, 1987.  

18 18PR. 1.369-67 nº 585-H, in HERZ, Daniel. “A história Secreta da Rede Globo. TCHÊ!, 1987. 

ainda um público fiel a sua programação. A TV Globo, inovara a sua programação 

incorporando em sua grade uma programação da mais variada, atendendo a varias camadas 

sociais e a diferentes faixas de idade. Ainda no ano de 1968, a Globo, com o objetivo de 

alcançar a liderança também em São Paulo, coloca no ar uma gama de programas variando de 

programas de auditório como “Casamento da TV”, “SOS Amor”, “Dercy de Verdade” no Rio 

de Janeiro e “O Homem de Sapato Branco” em São Paulo, fora o investimento em larga 

escala na produção das telenovelas, em destaque nesse período as novelas de Janete Clair 

como “Véu de Noiva”. 

Após a decisão do presidente Costa e Silva a Time Life retira-se da Globo em 1969, e 

esta entre em processo de nacionalização. Concomitante a isso a TV Globo avança ainda mais 

no desenvolvimento tecnológico sendo a pioneira na transmissão via satélite, como no 

lançamento da nave espacial Apolo IX. E em 20 de julho deste mesmo ano transmite a 

chegada do homem a lua, propiciada pelos avanços tecnológicos na EMBRATEL que vendia 

os links de acesso a transmissão em satélite por valores muito altos, apenas a TV Globo 

conseguiu se incorporar a rede mundial. 

Outro fator que favoreceu a centralização da TV Globo, foi o incêndio da TV Globo 

de São Paulo (antiga sede da TV Paulista). Pois com esse incidente toda a produção da 

programação passou a ser centralizada no Rio de Janeiro, sede principal, o que deu certo 

operacionalmente, pois além de tornar os custos menores propicia um maior controle de 

qualidade.  

Somado a isso, em setembro ainda de 1969, entra em rede no Brasil a estréia do 

programa jornalístico “Jornal Nacional”, entrou na grade da programação entre duas novelas a 

das 19 horas e das 20 horas com iniciais 15 minutos de duração e depois aumentando para 30 

minutos. Esse telejornal inaugurou um novo estilo de jornalismo, por vários fatores: por ser o 

primeiro em rede nacional, informação em curto tempo, obsessão pelo tempo real – o agora, a 

apresentação visual requintada e fria – denotando imparcialidade e distância, por fim os 

assuntos das notícias variavam e equipe jornalística contava com repórteres no exterior e em 

outros estados, chamados de correspondentes. 

Em 1970 a emissora do Rio de Janeiro sofre um incêndio que, porém, não causou 

grandes danos para a emissora. Outro incêndio ocorrido em 1971, e nesse mesmo ano, a 

Globo treina seu pessoal e adapta seus equipamentos para os usos da imagem, apontando para 

um novo alvo a classe média. O padrão visual diferencia das outras emissoras, com os 

logotipos e utilização de imagens de impacto que vieram a ser a marca registrada da Globo 

em sua propaganda. No âmbito das novelas os hábitos do povo brasileiro passou a ser 

incorporado nas tramas, e cada horário de novela abrigou um tipo de temática a das 18 horas 

ficou com as histórias românticas e ou de época, a novela das 19 horas lida com temas leves e 

a das 20 horas abriga temas de cunho mais adulto discutindo temas como triângulos 

amorosos, riqueza, problemas sociais, sendo mais ousadas no conteúdo e na técnica de 

produção. 

Para atribuir uma veracidade em sua programação, e contar com uma certa 

“participação popular” foi criado o “Departamento de Pesquisa” por Boni, sendo um auxiliar 

da produção, pois este departamento analisa os comportamentos, as tendências e as demandas 

dos espectadores baseando amostragem das grandes cidades, podendo assim antecipar essas 

demandas em massa do público, conhecendo assim o público que já abriga e ainda mais 

estudar as necessidades para poder alcançar o restante do excedente. Constituindo de fato, o 

Padrão Globo de Qualidade. 

Juntamente como a criação do PRONTEL (conforme citado no capítulo anterior 

instituindo as redes nacionais de televisão em 1972), a Globo, amplia ainda mais suas áreas de 

atuação inaugurando a sua emissora de Brasília e comprando a geradora de TV do Recife, 

consolidando-se então como Rede Globo contando com mais de 36 afiliadas e centenas de 

estações retransmissoras no país. 

A ascensão da Rede Globo se deu em apenas sete anos após sua inauguração. E 

solidificando sua superioridade técnica e sua hegemonia no ibope, que desde então não fora 

ameaçado. Contando não só apenas com incentivos legislativos do governo, como também 

com um pesado investimento empresarial, contudo associado a um momento de fragilidade 

política social, onde um governo precisava se firmar e uma sociedade necessitava de 

organizar. 

Ressaltando que inicialmente boa parcela da sociedade, principalmente a elite, setores 

empresariais, e classe média apoiaram o golpe militar, que resultou no Regime Militar. 

A história da Rede Globo e de sua constituição se prolonga por muitos anos, mas no 

presente estudo não cabe se prolongar, pois o foco principal são os fatores que levaram a 

mesma a se tornar o que conhecemos hoje como Rede Globo de Televisão. 

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WEFFORT, Francisco – O populismo na Política Brasileira. São Paulo: Paz e Terra, 2003. O arttigo da autora Gabrielle Lins Meireles* 

As principais polêmicas envolvendo a Rede Globo abrangem desde o seu papel político histórico até questões fiscais e controvérsias jornalísticas recentes. Por ter uma influência sem paralelo na cultura e na opinião pública brasileira, a emissora é frequentemente alvo de debates. Abaixo estão os episódios mais marcantes e debatidos ao longo da trajetória da emissora: Históricas e Políticas Apoio à Ditadura Militar: O nascimento e crescimento da TV Globo são umbilicalmente ligados ao regime militar iniciado em 1964. A emissora foi amplamente criticada por censurar movimentos pró-democracia. Em 2013, o Grupo Globo pediu desculpas publicamente pelo apoio editorial dado ao golpe. Caso Proconsult (1982): A Globo se envolveu na divulgação de uma apuração de votos manipulada no Rio de Janeiro que tentava prejudicar a eleição de Leonel Brizola. A fraude foi exposta por outros veículos e a emissora precisou recuar. Censura ao movimento Diretas Já (1984): Inicialmente, a emissora fez uma cobertura omissa das massivas manifestações que pediam o retorno do voto direto, chegando a reportar um comício em São Paulo apenas como uma "festa de aniversário da cidade".Edição do Debate de 1989: No primeiro pleito presidencial direto pós-ditadura, o Jornal Nacional exibiu uma edição do debate que favoreceu amplamente o candidato Fernando Collor de Mello em detrimento de Luiz Inácio Lula da Silva. O episódio é amplamente apontado por especialistas como um marco de interferência eleitoral. Financeiras e Fiscais Acordo Time-Life (1962): Antes mesmo da estreia oficial da emissora em 1965, o grupo fechou um acordo financeiro e técnico com o grupo norte-americano Time-Life. A prática gerou forte polêmica por violar a proibição constitucional de participação estrangeira em empresas de comunicação nacionais. Sonegação de Impostos (Copa de 2002): A Receita Federal acusou a Rede Globo de montar um esquema em paraísos fiscais para mascarar a compra dos direitos de transmissão da Copa do Mundo de 2002, visando burlar o pagamento de Imposto de Renda. Jornalismo e Tensões Recentes Relação com a Operação Lava Jato: Críticos apontam que o jornalismo do grupo teve uma atuação excessivamente simbiótica com a força-tarefa da Lava Jato, atuando de maneira a capitalizar politicamente as prisões e vazamentos seletivos conduzidos por procuradores. O Erro do PowerPoint da Globonews (2026): Recentemente, a emissora enfrentou duras críticas após exibir por engano um gráfico estilo PowerPoint associando indevidamente o presidente Lula ao empresário Daniel Vorcaro. A emissora reconheceu o equívoco e se desculpou formalmente. Sabatina Presidencial Tensa: Entrevistas conduzidas pela emissora continuam gerando forte polarização, com políticos tanto da esquerda quanto da direita acusando o canal de adotar formatos agressivos e parciais que miram excessivamente em escândalos passados. Gostaria de focar em algum desses períodos específicos? Se quiser, posso detalhar mais os aspectos jurídicos da quebra do contrato com a Time-Life ou as repercussões políticas imediatas das Diretas já 

A Rede Globo. Sempre em polemicas. Confira a noticia no Blog do Paulinho .https://blogdopaulinho.com.br/2026/08/29/rede-globo-paraisos-fiscais-e-os-direitos-da-copa-de-2002/

E assim caminha a humanidade.

Imagem do Blog do Paulinho 








 

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