segunda-feira, 7 de setembro de 2026

Alemanha. Europa .

 

O conservadorismo é uma filosofia política e social que defende a preservação das instituições, tradições e costumes acumulados ao longo das gerações, priorizando a estabilidade e a continuidade social em oposição a mudanças radicais ou revolucionárias. Formulada em sua base moderna pelo pensador político Edmund Burke , durante a Revolução Francesa, essa corrente propõe que a sociedade deve evoluir de forma gradual e prudente. 

Pilares Fundamentais do Conservadorismo

Ceticismo político: Desconfiança em relação a projetos utópicos de engenharia social que tentam reconstruir a sociedade do zero.


Defesa de instituições tradicionais: Valorização da família, da religião e das comunidades locais como pilares de coesão e ordem social.


Prudência e gradualismo: Entendimento de que reformas sociais devem ser lentas e testadas para evitar o caos e a tirania.


Ordem moral duradoura: Crença em valores éticos permanentes que guiam a conduta humana através dos tempos.


Precedente da experiência: Preferência pelo conhecimento prático e histórico acumulado em vez de teorias puramente abstratas. 


O Conservadorismo em relação  Mudanças

Diferente do reacionarismo (que busca retornar a um passado idealizado), o conservadorismo aceita transformações. Ele opera sob a lógica de que é preciso mudar para conservar, desde que essas mudanças corrijam falhas pontuais sem destruir as fundações da civilização. Para os adeptos desse pensamento, a sabedoria coletiva do passado possui maior autoridade do que a vontade momentânea de uma única geração. 

No Brasil

No cenário brasileiro, o pensamento conservador possui raízes históricas profundas que remontam ao período colonial e ao Império, misturando-se fortemente com a tradição jurídica luso-ibérica e valores religiosos. Atualmente, o conservadorismo no país manifesta-se de forma plural, frequentemente associado a pautas morais tradicionais e, no aspecto econômico, ao liberalismo econômico .  Segundo o Sociólogo , Mestre e Doutor Cesar Portantiolo Maia , no quarto Período da habilitação em Jornismo  na Comunicação Social , nas faculdades Integradas Alcântara Machado (FIAAM FAAM).

O movimento conservador na Alemanha possui uma longa trajetória intelectual e política, destacando-se no século 19 pela chamada Revolução Conservadora (Konservative Revolution) após a Primeira Guerra Mundial. Para compreender a amplitude dessa ideologia, consulte a página sobre Conservadorismo na Alemanha. 

O que foi a Revolução Conservadora Alemã

Contexto: Surgiu no período da República de Weimar (1919–1933), marcado pela derrota alemã na Primeira Guerra Mundial e pela crise socioeconômica. 

Oposição: Rejeitava o liberalismo, a democracia parlamentar, o marxismo e o comunismo. 

Características: Misturava nacionalismo intenso, rejeição aos valores burgueses tradicionais e desejo por uma renovação autoritária do Estado.
Principais Autores: Pensadores como Oswald Spengler, Ernst Jünger e Carl Schmitt formularam bases críticas influentes desse período. 


A forma de governo da Alemanha é a república. O país adota especificamente o sistema de república parlamentar federal, o que significa que o poder político é compartilhado entre a federação e os estados, e a condução do governo depende do Parlamento.

Estrutura do Poder Executivo

Chefe de Governo: O chanceler federal exerce o poder executivo real e define as diretrizes políticas do país.


Chefe de Estado: O presidente federal desempenha uma função majoritariamente representativa, diplomática e institucional, sem liderança política direta.


Divisão Legislativa e Territorial

O Parlamento (Bundestag): Os cidadãos elegem os deputados federais diretamente a cada quatro anos. O Bundestag é o órgão responsável por eleger o chanceler e votar as leis federais.


O Conselho Federal (Bundesrat): Esta câmara representa os governos dos 16 estados federados (Länder). Ela garante que as regiões participem ativamente na criação das leis nacionais.


Estado Federal: Os 16 estados possuem ampla autonomia interna. Cada um conta com sua própria constituição, parlamento e competências exclusivas em áreas como educação, cultura e segurança interna.

Conservadorismo e extrema-direita  

na Europa e no Brasil*

Conservatism and far-right forces in Europe and Brazil

Michael Löwy

Diretor de Pesquisas emérito do Centre National de la Recherche Scientifique (CNRS)/Paris.

michael.lowy1@gmail.com

Resumo: Temos assistido, na Europa dos últimos 

anos, a um espetacular ascenso político e eleitoral 

de forças de extrema-direita, racistas, xenófobas, 

fascistas ou semifascistas. Um fenômeno que não 

pode ser unicamente explicado pela crise econô

mica, já que em dois dos países mais atingidos por 

ela, Portugal e Espanha, a extrema-direita é pouco 

presente no cenário político, enquanto tem um 

papel muito significativo em países que pouco 

sofreram com essa crise (Suíça, Áustria). No 

Brasil não temos partidos racistas, a extrema-di

reita se manifesta no chamado a um golpe militar.

Palavras-chave: Extrema-direita. Fascismo. Ra

cismo. Golpismo.

A extrema-direita na Europa

Abstract: Lately in Europe, we have seen a 

spectacular political and electoral increase of the 

far-right forces, which are racist, xenophobic, 

fascist or semi-fascist. Such a phenomenon cannot 

be explained solely by the economic crisis, since 

in two of the most affected countries — Portugal 

and Spain — the far-right force´s presence is little 

in the political scene, while it has a very significant 

role in countries which did not suffer a lot because 

of such a crisis (Switzerland, Austria). In Brazil 

we do not have racist parties, the far-right force 

manifests itself in the calling of a military coup.

Keywords: Far-right. Fascism. Racism. Coup.

As eleições europeias na França confirmaram uma tendência que, há 

alguns anos, já estava aparente: o crescimento do apoio à Frente 

Nacional. Essa evolução não é especificamente francesa: por qua

se todo o continente europeu vemos o espetacular levante da extrema- direita. 

* Tradução de Deni Alfaro Rubbo e Marcelo Netto Rodrigues.

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Serv. Soc. Soc., São Paulo, n. 124, p. 652-664, out./dez. 2015

http://dx.doi.org/10.1590/0101-6628.044

O fenômeno não encontra precedentes desde os anos 1930. Em muitos 

países, a direita xenófoba já havia obtido entre 10% e 20% dos votos duran

te a última década; em 2014, em três países (Reino Unido, Dinamarca, 

França) alcançaram de 25% a 30%. Além disso, sua influência é maior do 

que o seu próprio eleitorado: suas ideias contaminam também a direita 

“clássica” e até parte da esquerda social neoliberal. O caso francês é o mais 

sério deles, com o avanço da Frente Nacional excedendo até mesmo as 

previsões mais pessimistas. Como escreveu em um editorial recente o site 

Mediapart, “são cinco minutos para meia-noite”.

Pode essa situação ser comparada à Europa dos anos 1930? Sim e não. 

É a primeira vez, desde os anos 1930, que a extrema-direita alcança tal in

fluência na política europeia. Mas a história nunca se repete. Há muitas di

ferenças entre as conjunturas do passado e as do presente. A mais óbvia é 

que, depois de 1933, dois dos mais importantes países da Europa, Itália e 

Alemanha, tiveram regimes fascistas totalitários. Afortunadamente, nada 

comparável existe hoje! Uma outra diferença importante é que os interesses 

da burguesia hoje são esmagadoramente favoráveis à globalização capita

lista neoliberal e hostis ao nacionalismo econômico — um conteúdo básico 

de qualquer projeto fascista ou semifascista. Por outro lado, a esquerda 

antifascista, tanto em sua versão mais radical — marxistas e anarquistas 

— quanto em sua forma mais moderada, parlamentar, da Frente Popular, era 

muito mais forte nos anos 1930 do que hoje. Outra diferença é que, parado

xalmente, ao contrário da época atual, a maioria dos movimentos fascistas 

dos anos 1930, com a notável exceção da Alemanha (e, em uma escala 

muito menor, França), não era abertamente racista. Isso se aplica, ao menos 

até antes de 1938, aos movimentos liderados por Mussolini, Franco e Sala

zar na Itália, Espanha e Portugal.

A atual extrema-direita europeia é muito diversa, uma variedade que vai 

de partidos abertamente neonazistas, como o Aurora Dourada na Grécia, a 

forças burguesas perfeitamente bem integradas ao jogo político institucional, 

como o suíço UDC. O que eles têm em comum é o seu nacionalismo chauvi

nista — e, portanto, oposição à globalização “cosmopolita” e a qualquer 

forma de unidade europeia —, xenofobia, racismo, ódio a imigrantes e ciganos 

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(o povo mais antigo do continente), islamofobia e anticomunismo. Além 

disso, em sua maioria, se não em sua totalidade, são favoráveis a medidas 

autoritárias contra a “insegurança” (usualmente associada a imigrantes) por 

meio do aumento da repressão policial, penas de prisão e pela reintrodução 

da pena de morte. A orientação reacionária nacionalista, na maioria das vezes, 

é “complementada” com uma retórica “social”, em apoio às pessoas simples 

e à classe trabalhadora (branca) nacional. Em outras questões — por exemplo, 

neoliberalismo, democracia parlamentar, antissemitismo, homofobia, miso

ginia ou secularismo — esses movimentos são mais divididos.

Muitos “especialistas” e comentaristas de mídia anunciam que fascismo 

e antifascismo são fenômenos pertencentes ao passado. Acreditamos que a 

realidade é um tanto mais complexa. É óbvio que hoje não vemos partidos 

fascistas de massa comparáveis ao NSDAP na Alemanha dos anos 1930, 

mas já naquele período o fascismo não se limitava apenas a esse modelo: o 

franquismo espanhol e o salazarismo português eram muito diferentes dos 

modelos italiano e alemão. Até mesmo partidos que tentaram imitar o exem

plo alemão, como o Partido Popular Francês (PPF) fundado por Jacques 

Doriot em 1936 — uma organização claramente fascista que viria a se tornar 

uma das principais forças colaboracionistas durante o regime de Vichy —, 

dificilmente podem ser comparados ao NSDAP alemão. Seria, portanto, um 

erro alegar que não existem partidos fascistas atualmente na Europa, por não 

termos nada equivalente aos nacional-socialistas dos anos 1930.

Uma tentativa de tipologia da extrema-direita europeia atual teria de 

distinguir pelo menos três tipos diferentes:

I. Partidos de caráter diretamente fascista e/ou neonazista: por exemplo, 

o Aurora Dourada, da Grécia; o Jobbik, da Hungria; o Setor Direito, da 

Ucrânia; o Partido Nacional Democrata, na Alemanha; e várias outras forças 

menores e menos influentes. Aqui também se incluiria a recente criação 

atípica francesa “nacional-socialista” e antissemita Reconciliação Nacional 

(Alain Soral).

II. Partidos semifascistas, isto é, com raízes e fortes componentes fas

cistas, mas que não podem ser identificados com o padrão fascista clássico. 

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É o caso, em diferentes formas, da Frente Nacional, da França; do FPÖ, da 

Áustria; e do Vlaams Belang, da Bélgica, entre outros. Seus líderes funda

dores tinham ligações estreitas com o fascismo histórico e com as forças que 

colaboraram com o Terceiro Reich, e vários de seus quadros não escondem 

a nostalgia pelo passado fascista. Mas suas lideranças atuais tentam “mo

dernizá-los”, apresentando uma imagem mais “respeitável”, por exemplo, 

substituindo antissemitismo por islamofobia. Por razões que explicaremos 

adiante, consideramos o conceito de “populismo” como totalmente inade

quado para caracterizar esses partidos.

III. Partidos de extrema-direita que não possuem origens fascistas mas 

compartilham do seu racismo, xenofobia, retórica anti-imigrante e islamo

fobia. Exemplos são a italiana Lega Nord, o suíço UDC (União Democrá

tica do Centro), o britânico Ukip (Partido de Independência do Reino Unido), 

o holandês Partido da Liberdade, o norueguês Partido Progressista, o Parti

do dos Verdadeiros Finlandeses (True Finns) e o Partido do Povo Dinamar

quês. Os Democratas Suecos são um caso intermediário, com origens cla

ramente fascistas (e neonazistas), mas que têm feito grandes esforços, desde 

os anos 1990, para apresentar uma imagem mais “moderada”.

Como em todas as tipologias, a realidade é mais complexa, e algumas 

dessas formações políticas parecem tomar parte de vários tipos diferentes. 

É preciso também levar em conta que isso não é uma estrutura estática, mas 

sim em constante movimento. Alguns desses partidos parecem mover de um 

tipo a outro. No momento, há somente um exemplo na Europa de um parti

do fascista tornando-se um partido de direita “normal”: o italiano Aliança 

Nacional, de [Gianfranco] Fini. Não se pode excluir a possibilidade que 

outros partidos similares sigam esse caminho, mas, por ora, não existem 

sinais de tal desenvolvimento.

Embora as ideologias dos partidos de extrema-direita possuam muitas 

similaridades, sua prática política não é homogênea. Enquanto alguns, como 

o francês FN, pretendem ser “antissistêmicos” e permanecem, por ora, fora 

das instituições de poder, outros, como o Partido da Liberdade da Áustria e 

o italiano Lega Nord têm, em anos recentes, participado de governos; os 

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partidos dinamarquês e holandês apoiaram seus governos sem se unir a eles, 

enquanto o suíço UDC e o norueguês Partido Progressista no momento fazem 

parte de coalizões governamentais.

A extrema-direita na Europa Oriental — as antigas “Democracias Po

pulares” — como o partido húngaro Jobbik, o Partido da Grande Romênia 

e o Atak, da Bulgária, assim como partidos similares nas Repúblicas Balcâ

nicas, Ucrânia, ex-Iugoslávia etc., têm algumas características comuns que 

são, em certa medida, distintas dos seus equivalentes no Ocidente: a) o bode 

expiatório é menos o imigrante estrangeiro do que as minorias nacionais 

tradicionais: judeus e ciganos; b) diretamente conectado a esses partidos ou 

tolerado por eles, gangues racistas violentas atacam, e algumas vezes matam, 

o povo Roma [cigano]; c) raivosamente anticomunistas, eles se consideram 

herdeiros dos movimentos nacionalista e/ou fascista dos anos 1930, que 

frequentemente colaboraram com o Terceiro Reich. O fracasso desastroso 

da assim chamada “transição” (para o capitalismo), sob a liderança de par

tidos liberais e/ou social-democratas, criaram condições favoráveis para o 

surgimento de tendências de extrema-direita.1

Qualquer que seja a sua transformação e “modernização”, a extrema--direita ainda representa uma ameça real à democracia. Um dos argumentos 

usados para mostrar que ela mudou e não tem muito mais a ver com o fas

cismo é a aceitação da democracia parlamentar e da via eleitoral para chegar 

ao poder. Bom, podemos lembrar que certo Adolf Hitler chegou a chanceler 

alemão por voto legal no Reichstag e que o marechal Pétain foi eleito chefe 

de Estado pelo Parlamento francês. Se a Frente Nacional chegasse ao poder 

por meios eleitorais — uma hipótese que tristemente não pode mais ser 

descartada —, o que sobraria de democracia na França?

Como explicar esse sucesso crescente da extrema-direita? O primeiro 

elemento de explicação é o processo de globalização capitalista neoliberal 

— também um poderoso processo de homogeneização cultural forçada — 

que produz e reproduz, em escala europeia e planetária, os identity panics 

1. Ver Dominique Vidal, Le ventre est encore fecond. Les nouvelles extrêmes droites européennes. 

Paris: Libertalia, 2012. p. 129-148.

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[pânicos de identidade], a obsessiva procura por fontes e raízes que leva a 

formas chauvinistas de religião, formas religiosas de nacionalismo, além de 

alimentar conflitos étnicos e confessionais.2

Diretamente relacionado a esse processo de hegemonia mundial neo

liberal do capital financeiro há um outro fator importante: a crise econômi

ca que tem despedaçado a Europa desde 2008. Exceto na Grécia e na Espa

nha, essa crise tem em quase todos os lugares favorecido muito mais a 

extrema-direita do que a esquerda radical — diferente da situação europeia 

dos anos 1930, quando em muitos países a esquerda antifascista cresceu 

paralelamente ao fascismo. A extrema-direita atual tem, sem dúvida, se 

beneficiado da crise, particularmente na França. Mas isso não explica tudo: 

na Espanha e em Portugal, dois dos países mais atingidos duramente pela 

crise, a extrema-direita permanece apenas marginal. E na Grécia, apesar de 

a Aurora Dourada ter desfrutado de um crescimento exponencial, ela possui 

muito menos influência do que o Syriza, a coalizão da esquerda radical. Na 

Suíça e na Áustria, dois países em grande parte poupados pela crise, a ex

trema-direita racista muitas vezes fica acima de 20% de apoio. Portanto, 

devemos evitar as explicações exclusivamente economicistas muitas vezes 

apresentadas pela esquerda.

Fatores históricos têm, sem dúvida, jogado algum papel: uma longa 

tradição antissemita espalhada em certos países; a persistência daquelas 

correntes que colaboraram durante a Segunda Guerra Mundial; e a cultura 

colonial que impregna atitudes e comportamentos mesmo muito tempo 

depois da descolonização — não só nos antigos impérios, mas em quase 

todos os países europeus. Todos esses fatores estão muito presentes na  França 

e contribuem para explicar a força do partido de Le Pen, mas são menos 

relevantes em países sem um passado colonial ou fascista, como a Suíça.

A conjuntura internacional, particularmente no Oriente Médio, também 

favorece esse cenário. As agressivas políticas coloniais e expansivas do 

governo israelense nutrem antissemitismo (particularmente entre os jovens 

2. Daniel Bensaïd, Fragments mécréants. Mythes identitaires et République imaginaire. Paris: Lignes, 

2005, passim.

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muçulmanos) mal disfarçado como “antissionismo”, ao passo que o terror 

do Estado islâmico (Daesh) e de outros jihadistas assassinos alimenta a is

lamofobia, pretensamente em nome do “secularismo”. É lógico que não é 

por causa de Netanyahu ou Bin Laden que o racismo e a xenofobia se de

senvolveram na Europa, mas os eventos negativos no Oriente Médio são 

habilmente manipulados pela extrema-direita para promover sua agenda, 

com considerável sucesso. O mesmo se aplica, logicamente, aos ataques 

terroristas na Europa — como os assassinatos recentes dos editores do 

jornal satírico Charlie Hebdo — que são usados como munição pela  direita 

racista para empreender a sua “guerra de civilização” contra os cidadãos 

muçulmanos europeus.

A esquerda como um todo, com apenas algumas exceções, tem severa

mente subestimado esse perigo. Não viu a “onda marrom” vindo e, portanto, 

não viu a necessidade de tomar a iniciativa de uma mobilização antifascista. 

Para algumas correntes da esquerda que veem a extrema-direita como nada 

mais do que um efeito colateral da crise e do desemprego, são essas as causas 

que devem ser atacadas, e não o fenômeno fascista propriamente dito. Tal 

raciocínio tipicamente economicista desarmou a esquerda diante da ofensiva 

ideológica racista, xenofóbica e nacionalista da extrema-direita.

Nenhum grupo social é imune à praga marrom. As ideias da extrema--direita, em particular o racismo, contaminaram uma parte significativa não 

só da pequena burguesia e dos desempregados, mas também da classe tra

balhadora e da juventude. Isto é particularmente notável no caso francês. 

Essas ideias não têm relação nenhuma com a realidade da imigração: o voto 

para a Frente Nacional, por exemplo, foi particularmente alto em certas 

áreas rurais que nunca viram um único imigrante. E os imigrantes ciganos 

[Roma], recentemente objeto de uma campanha racista histérica que deixou 

algumas impressões — com a participação generosa do ministro do Interior 

“socialista” da época, o sr. Manuel Valls — chegam a menos do que 20 mil 

em toda a França.

A análise “clássica” de esquerda sobre o fascismo o explica essencial

mente como um instrumento do grande capital para esmagar a revolução e 

o movimento dos trabalhadores. Com base nessa premissa, algumas pessoas 

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da esquerda argumentam que já que hoje o movimento dos trabalhadores 

está muito enfraquecido e a ameaça revolucionária não existe, o grande 

capital não teria interesse em apoiar movimentos da extrema-direita, de modo 

que o risco de uma ofensiva marrom não existiria. Esta é, uma vez mais, 

uma leitura economicista que não leva em conta a autonomia de nenhum 

fenômeno político. Os eleitores podem, na verdade, escolher um partido que 

não tem o apoio da grande burguesia. Além disso, esse estreito argumento 

econômico parece ignorar o fato de que o grande capital pode acomodar-se 

em todos os tipos de regimes políticos sem muito exame de consciência.

O conceito de “populismo” empregado por certos cientistas políticos, 

mídia e até mesmo por parte da esquerda é totalmente inadequado para 

explicar a natureza da Frente Nacional (ou seus equivalentes na Europa), 

servindo apenas para semear confusão. Na América Latina dos anos 1930 

até os anos 1960, o termo populismo correspondia a algo bem específico: 

governos nacionais populares ou movimentos ao redor de figuras carismá

ticas — Vargas, Perón, Cárdenas —, com amplo apoio popular e uma retó

rica anti-imperialista. Entretanto, o seu uso francês (ou europeu) a partir dos 

anos 1990 é terrivelmente vago e impreciso. Um dos primeiros a usar o 

termo para caracterizar o movimento de Le Pen foi o cientista político P.-A. 

Taguieff, que definiu populismo como “um estilo retórico que está direta

mente ligado com o apelo ao povo”.3 Outros cientistas sociais se referem ao 

populismo como “uma posição política que toma o lado do povo contra as 

elites” — uma caracterização que serve para quase todo partido político ou 

movimento! Quando aplicado à Frente Nacional ou outros partidos europeus 

da extrema-direita, esse pseudoconceito transforma-se em um eufemismo 

enganoso que ajuda — seja deliberadamente ou não — a legitimá-los, tor

nando-os mais aceitáveis ou mesmo atraentes — quem não é a favor do povo 

contra as elites? — enquanto cuidadosamente se evitam os termos pertur

badores racismo, xenofobia, fascismo ou extrema-direita.4 “Populismo” 

3. P.-A. Taguieff, Le populisme et la science politique, Vingtième siècle, 1997. p. 8.

4. Ver o interessante livro de Annie Collovald. Le “populisme du FN”, un dangereux contresens. 

Broissieux: Editions du Croquant, 2004. p. 53 e 113. (Col. Raisons d’agir.)

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também é usado deliberadamente de uma forma mistificadora por ideologias 

neoliberais e pela mídia na França (assim como na Europa), a fim de fazer 

um amálgama entre a extrema-direita, por exemplo, a Frente Nacional, e a 

esquerda radical, por exemplo a Frente de Esquerda, caracterizadas como 

“populismo de direita” e “populismo de esquerda”, já que ambas se opõem 

a políticas neoliberais, “Europa” etc.

Jean-Yves Camus, respeitado cientista político francês, explicava que 

partidos como a Frente Nacional poderiam ser chamados de “populistas” 

enquanto eles “fingem substituir a democracia representante pela democra

cia direta” e opõem o “senso comum popular” contra as “elites naturalmen

te pervertidas”. Esse é um argumento muito equivocado, já que o apelo à 

democracia direta, a crítica da representação parlamentar e das elites polí

ticas é muito mais presente entre os anarquistas e outras correntes políticas 

de extrema-esquerda do que entre a extrema-direita, cujo projeto político 

enfatiza o autoritarismo. Felizmente, Camus, que é um dos melhores espe

cialistas da extrema-direita francesa e europeia, recentemente corrigiu seu 

ponto de vista, argumentando, em 2014, que se deve evitar o emprego do 

termo “populismo”, que tem sido usado “a fim de desacreditar qualquer 

crítica do consenso ideológico neoliberal, qualquer questionamento sobre a 

bipolarização do debate político europeu entre os liberais conservadores, 

qualquer expressão nas urnas do sentimento popular de desafio do mau 

funcionamento da democracia representativa”.5

A utilização por parte de alguns pesquisadores do termo “pós-fascismo” 

para designar a extrema-direita europeia — notadamente a Frente Nacional 

— parece questionável para nós. O prefixo “pós” — por exemplo, “pós--modernismo” — tem dois significados comuns: a passagem de uma época 

histórica e a ruptura com um modo de pensar.

 No caso da Frente Nacional, “pós-fascismo” refere-se, implícita ou 

explicitamente, a duas hipóteses que nos parecem errôneas:

5. Jean-Yves Camus. Extrêmes droites mutantes en Europe. Le Monde Diplomatique, p. 18-19, mar. 

2014.

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1) O fascismo é uma época histórica ultrapassada, a FN se situa em 

um período posterior. É o que afirma, por exemplo, um pesquisador 

como Philippe Milet (cujos trabalhos são geralmente interessantes) 

de forma explícita: “O FN vem depois do fascismo, seu reformis

mo é pós-fascista — ele é segundo o fascismo”.6 No entanto, 

acreditamos que o fascismo não é (foi) uma época, mas um modo 

de organização e uma ideologia política que se manifestou, por 

diferentes formas e por diferentes momentos, bem depois do fim 

do Terceiro Reich.

2) O FN, por suas ideias e suas práticas, teria operado uma ruptura 

com o fascismo. Essa parece ser uma hipótese bastante arriscada, 

que não leva em conta os elementos muito importantes de conti

nuidade entre o lepenismo e sua matriz fascista (petanismo).

Não há nenhuma receita mágica para combater a extrema-direita. 

Devemos nos inspirar — com uma distância crítica apropriada — nas 

tradições antifascistas do passado, mas também devemos saber como 

inovar, a fim de responder às novas formas desse fenômeno. Devemos 

saber como combinar iniciativas locais com os movimentos culturais e 

sociopolíticos unitários solidamente organizados e estruturados, tanto em 

nível nacional quanto em nível continental. Às vezes é possível unir-se 

com o fantasma do “republicanismo”, mas qualquer movimento antifas

cista só será eficaz e crível se for motivado por forças situadas fora do 

consenso neoliberal dominante. Isso significa uma luta que não pode ser 

limitada dentro das fronteiras de um único país, mas deve ser organizada 

em termos de Europa como um todo. A luta contra o racismo, bem como 

a solidariedade com as suas vítimas, é um dos componentes essenciais 

dessa resistência. Ainda não é tarde demais para impedir “a resistível 

ascensão de Arturo Ui” (para citar a conhecida peça de teatro antifascis

ta por Bertolt Brecht).

6. J. P. Milet. L’extrême droite pour tous. Lignes, p. 55; grifos do autor.

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Conservadorismo e extrema-direita no Brasil

Não vou me estender sobre o conservadorismo e a extrema-direita no 

Brasil porque as colegas que falarão depois de mim o farão, com muito mais 

competência do que eu. Limitar-me-ei a algumas sugestões comparando os 

fenômenos europeus com o Brasil.

1) Enquanto na Europa existe, em vários países, uma continuidade 

política e ideológica entre movimentos neofascistas atuais e o fas

cismo clássico dos anos 1930, isso não ocorre no Brasil. O fascis

mo brasileiro, o integralismo, chegou a ter bastante peso nos anos 

1930, inclusive influenciando o golpe do Estado Novo, em 1938. 

Mas a extrema-direita brasileira atual tem pouca relação com essa 

matriz antiga; grupos neofascistas existem, porém são marginais. 

Nada comparável com a Aurora Dourada grega ou a Frente Nacio

nal francesa.

2) Não existem no Brasil, como no Europa, partidos de massa tendo o 

racismo como sua principal bandeira. Claro, o Brasil está longe de 

ser uma democracia racial, e um racismo difuso está bastante pre

sente na sociedade. Porém, um partido brasileiro que tentasse fazer 

do racismo seu programa principal nunca teria 25% dos votos como 

na França...

3) O tema da luta contra a corrupção não é específico da extrema-di

reita, mas tem sido demagogicamente manipulado, com certo su

cesso, por setores conservadores, na Europa e, sobretudo, no Brasil. 

No Brasil é uma velha tradição, desde os anos 1940, dos conserva

dores: levanta-se a bandeira do combate à corrupção para justificar 

o poder das oligarquias tradicionais e, segundo o caso, legitimar 

golpes militares.

4) O que é comparável na extrema-direita francesa e brasileira são dois 

temas de agitação sociocultural do conservadorismo mais reacionário:

I. A ideologia repressiva, o culto da violência policial, o chamado 

a restabelecer a pena de morte: é o caso na Europa da extrema

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-direita e no Brasil da “bancada da bala”, fortemente representa

da no Congresso.

II. A intolerância com as minorias sexuais, em particular os homos

sexuais. É um tema agitado, com certo sucesso, por setores reli

giosos, com referência católica (Opus Dei, Civitas etc.) na 

França e evangélica neopentecostal no Brasil.

5) O elemento mais preocupante da extrema-direita conservadora no 

Brasil, que não tem um equivalente direto na Europa, é o apelo aos 

militares. O chamado a uma intervenção militar, o saudosismo da 

ditadura militar, é sem dúvida o aspecto mais sinistro e perigoso da 

recente agitação de rua conservadora no Brasil, ativamente promo

vido pelo PIG, o Partido da Imprensa Golpista.

Certo, já não estamos no período da Guerra Fria, em que se sucederam 

os golpes militares na América Latina, patrocinados pelo imperialismo 

americano. Mas não podemos esquecer que houve tentativas golpistas na 

Venezuela, na Bolívia e no Equador. Pior do que isso: muito recentemente, 

golpes de Estado pseudolegais, com cobertura parlamentar, tiveram lugar, 

com sucesso, em Honduras e no Paraguai.

Gostaria de concluir propondo uma pista de reflexão: o sistema capi

talista, sobretudo nos períodos de crise, produz e reproduz fenômenos 

como o fascismo, o racismo, os golpes de Estado e as ditaduras militares. 

A raiz desses fenômenos é sistêmica e a alternativa tem de ser radical, isto 

é, antissistêmica. Em vários países da América Latina está colocada a 

discussão sobre uma alternativa anti-imperialista e anticapitalista: o socia

lismo do século XXI. Isto é um socialismo que supera os limites dos 

movimentos socialistas do século passado — o compromisso social-de

mocrata com o sistema e a degeneração burocrática do chamado “socia

lismo real” —, mas recupera as bandeiras revolucionárias latino-america

nas, de Simón Bolívar a Ernesto Che Guevara, de José Martí a Farabundo 

Martí, de Emiliano Zapata a Augusto César Sandino, de Zumbi dos Pal

mares a Chico Mendes.

Serv. Soc. Soc., São Paulo, n. 124, p. 652-664, out./dez. 2015

663

Siglasdu Centre

NSDAP: Partido Nazista (Nationalsozialistische Deutsche Arbeiterpartei)

FPÖ: Partido da Liberdade Austríaco

FN: Frente N. O artigo  do autor Michael Löwy  Diretor de Pesquisas emérito do Centre National de la Recherche SUDC: Union Democratique 


A constituição da Alemanha é chamada oficialmente de Lei Fundamental da República Federal da Alemanha.  Algo que a extrema direita no mundo sempre rejeita .


E assim caminha a humanidade.

Imagem do Portal G1 da Rede Globo. 




 

 

 

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