segunda-feira, 28 de setembro de 2026

E então ?

 A convicção política representa o conjunto de crenças fundamentais, valores arraigados e certezas ideológicas que orientam o posicionamento e as decisões de um indivíduo ou de um líder na esfera pública. Ela funciona como uma bússola moral e ideológica, impulsionando a defesa de causas mesmo diante de forte oposição ou de medidas impopulares.

O conceito ganha profundidade quando contrastado com a realidade da governança e da convivência social. Na ciência política e na filosofia, esse tema é frequentemente debatido sob três aspectos principais:

A ética da convicção versus a ética da responsabilidade 

Este é um dilema inerente à carreira política  

O ingresso na carreira política gera um dilema fundamental para os políticos: seguir em sua convicção pessoal 

ou tomar decisões impostas pelas circunstâncias. Em muitos casos, os eleitores costumam atribuir aos 

governantes e legisladores, a pecha de traidores ou oportunistas, figuras que, uma vez eleitas, esqueceram o 

que prometeram, e em alguns casos mais restritos, o que escreveram.  

Na Grécia antiga, filósofos como Aristóteles realizaram as primeiras reflexões em torno da ética  

Isso ocorre, do ponto de vista do político, porque suas decisões não são tomadas livremente. Muito pelo 

contrário, o político precisa levar em conta uma série de condicionamentos que tornam impraticáveis certas 

ações que correspondam a um juízo de valor pessoal. Para entendermos o que se trata, ao diferenciarmos a 

ética da convicção e a ética da responsabilidade, precisamos adotar alguns esclarecimentos preliminares.  

A noção geral de ética  

A discussão sobra ética remonta a Antigüidade grega. Naquele período, filósofos como Sócrates, Platão e 

Aristóteles, buscavam produzir um conhecimento capaz de fornecer respostas absolutas para todos os tipos de 

questionamento humano.  

Tal conhecimento abrangia desde noções de matemática até um modo rudimentar de medicina e astronomia. É 

nesse contexto que surge a reflexão em torno da ética. A ética, em sua noção preliminar, era vista como um 

guia para o comportamento humano em todas as circunstâncias.  

Coube a Aristóteles a elaboração mais acabada dessa noção preliminar de ética. Em sua obra clássica 

intitulada Ética a Nicômaco, Aristóteles sistematizou padrões de comportamento ético no relacionamento entre 

os cidadãos.  

A principal forma de exercitar o comportamento ético era através do diálogo. Nos diálogos os cidadãos exerciam 

a arte do contraditório, na qual as frases emitidas possuíam um padrão de verdade e mentira. Com o passar dos 

séculos, a noção original de ética dos gregos passou a ser dominada por questões religiosas, sobretudo com o 

surgimento do cristianismo e sua posterior transformação em religião oficial do Império Romano.  

Maquiavel e a ética do príncipe  

Mesmo dominada por preceitos religiosos, a noção de ética até meados do século XVI continuava a 

corresponder a um padrão de comportamento universal aplicado a todas as circunstâncias. Nesse período, 

filósofos como Santo Tomás de Aquino e Santo Agostinho, refletiram a respeito da atividade política como a 

realização de um governo ideal, desconectado de condicionantes, tornando viável, em última instância, uma 

vontade divina.  

Maquiavel produziu uma ruptura drástica com o pensamento político de sua época  

Em outras palavras, o pensamento filosófico até então vinculava o comportamento do governante a um 

comportamento ético universal ordenado por Deus. Dessa forma, os filósofos se limitavam a pensar num 

governo ideal e não num governo real, ou seja, num governo que tivesse que adotar comportamentos e tomar 

decisões para responder situações concretas.  

Inspirado num amplo movimento cultural conhecido como Renascimento, que buscava a autonomia da 

produção cientifica e artística em relação à Igreja, Maquiavel rompeu com a noção até então predominante de 

política como uma mera reprodução de um código de ética universal, e passou pensar a política, e mais 

propriamente a prática de governar, a partir de um código de conduta particular que pode ser sintetizado no 

conceito de razão de Estado.  

Ao contrário do que muitas pessoas pensam, Maquiavel não foi um filósofo que defendeu a política sem 

escrúpulos. Em sua obra menos conhecida intitulada Comentários sobre a primeira década de Tito Lívio, 

Maquiavel atribui a corrupção generalizada, a causa da queda da República Romana. Todavia, em sua obra 

clássica, essa bem mais popular, O Príncipe, Maquiavel busca produzir conselhos práticos para que os 

príncipes mantivessem seu poder político.  

Precisamos ter em mente que Maquiavel produziu esta obra num contexto em que guerras civis devastavam a 

Itália. O motivo principal dessas guerras era a manutenção do pode política sobre pequenos territórios 

chamados de principados.  

Em termos práticos, podemos dizer que Maquiavel produziu uma ruptura drástica com o pensamento político de 

sua época, e lançou as bases para novas interpretações dos fenômenos políticos, atribuindo a esfera política 

uma norma, ou uma ética própria.  

O político entre a convicção e a responsabilidade 

Max Weber estabeleceu, em princípios do século XX, a distinção entre Ética da Convicção e Ética da 

Responsabilidade  

Seguindo a linha de raciocínio de Maquiavel, que atribui a esfera política uma ética particular, o sociólogo 

alemão Max Weber, estabeleceu em princípios do século XX, a distinção entre Ética da Convicção e Ética da 

Responsabilidade.  

Para Weber, quanto maior o grau de inserção de determinado político na arena política, maior é o afastamento 

de suas convicções pessoais e a adoção de comportamentos orientados pelas circunstâncias. Este afastamento 

das crenças e suposições pessoais e a adoção de medidas, muitas vezes contraditórias, é determinado pela 

ética da convicção e pela ética da responsabilidade.  

A ética da convicção é, para Weber, o conjunto de normas e valores que orientam o comportamento do político 

na sua esfera privada. Já a ética da responsabilidade representa o conjunto de normas e valores que orientam a 

decisão do político a partir de sua posição como governante ou legislador.  

Tomemos como exemplo o caso de um governante que tenha a convicção pessoal de que é necessária a 

redução de impostos. Essa governante pode ter realizado uma campanha eleitoral focada na redução da carga 

tributária, conforme suas crenças particulares. Porém, uma vez no governo, se depara com a escassez de 

recursos financeiros para atender serviços básicos como segurança, saúde e educação.  

Diante desse dilema, o governante precisa tomar a seguinte medida: ou segue sua norma particular (ética da 

convicção), e reduz os impostos sabendo que vai faltar dinheiro para o Estado cumpra suas obrigações 

elementares, ou adota uma medida orientada a partir de sua posição de governante (ética da responsabilidade) 

e mantém ou eleva as alíquotas de impostos viabilizando os recursos necessários para a ação estatal.  

A distinção proposta por Weber entre convicção e responsabilidade traduz um dilema que certamente aparecerá 

em algum estágio da careira de qualquer político. Tal distinção permite também aos eleitores e analistas, uma 

compreensão mais elevada dos meandros do mundo político. Porém, é muito importante ter em mente que a 

distinção entre uma ética da convicção e uma ética da responsabilidade não significa uma carta branca para 

que políticos traiam suas promessas, ela apenas reconhece a necessidade de adaptação às circunstâncias.  

Gustavo Müller . O artigo do autor Gustavo Müller  .

Os termos direita, esquerda e centro são as principais referências no espectro político para classificar ideologias, partidos e governos. A divisão surgiu na França, em 1789, onde os defensores do rei sentavam-se à direita e os revolucionários à esquerda. Abaixo estão as características e diferenças fundamentais de cada um:

1. Esquerda

A esquerda foca na igualdade social e no bem-estar coletivo. Para atingir esses objetivos, defende a forte intervenção do Estado na economia e a implementação de políticas públicas de redistribuição de renda e proteção social.

Valores: Justiça social, direitos humanos, igualdade de oportunidades, pautas progressistas e ambientalismo.


Posição sobre o Estado: Ativo e regulador, responsável por corrigir desigualdades geradas pelo mercado.


Espectro: Socialismo, Social-Democracia, Trabalhismo, Comunismo.


2. Direita

A direita prioriza a liberdade individual, a meritocracia e a livre iniciativa. Defende que o mercado deve se autorregular com pouca interferência do governo, valoriza a tradição e a propriedade privada.

Valores: Liberdade econômica, patriotismo, conservadorismo nos costumes, livre mercado e eficiência.


Posição sobre o Estado: Mínimo ou restrito, atuando apenas em áreas essenciais como defesa, segurança e justiça.


Espectro: Liberalismo, Neoliberalismo, Conservadorismo e Libertarismo.


3. Centro

O centro atua como uma ponte ou interseção entre a direita e a esquerda. Quem se identifica com o centro costuma ser moderado, buscando conciliar o crescimento econômico e o livre mercado (pauta de direita) com programas de bem-estar social e justiça (pauta de esquerda).

Valores: Diálogo, equilíbrio, pragmatismo, reformas graduais e direitos civis.


Posição sobre o Estado: Um regulador inteligente, que atua onde a iniciativa privada não consegue suprir as necessidades da população.


Espectro: Social-Liberalismo, Democracia Cristã e a chamada "Terceira Via".

A principal diferença entre a direita e a extrema direita reside na aceitação do pluralismo democrático e na intensidade de certas pautas ideológicas. Enquanto a direita tradicional atua dentro das instituições vigentes, a extrema direita frequentemente adota posturas antissistema ou de exclusão de minorias

Direita Convencional

A direita moderada ou liberal-conservadora foca na manutenção da ordem social e na liberdade econômica, respeitando as regras democráticas. 

Economia: Defesa do livre mercado, privatizações e redução do papel do Estado.


Sociedade: Fomento a valores tradicionais e à hierarquia social, mas convivendo com a diversidade política.


Política: Atuação por meio de partidos tradicionais e respeito às instituições democráticas. 


A extrema direita radicaliza os princípios da direita e pode apresentar traços autoritários. 

Nacionalismo Radical: Defesa de uma identidade nacional "pura", muitas vezes com viés chauvinista ou xenófobo.


Antissistema: Críticas severas às instituições democráticas e ao pluralismo, frequentemente promovendo lideranças fortes que se colocam como "outsiders".


Rejeição de Minorias: Discursos que marginalizam grupos específicos (imigrantes, minorias religiosas ou raciais) sob a justificativa de preservar a cultura nacional.


Exemplos Históricos e Atuais: Inclui desde o fascismo histórico até movimentos contemporâneos que adotam táticas de polarização extrema e contestação da legitimidade de adversários

Convicção politica é legitima . Mas como serão os eleitores independentes , quando a direita é engolida pela extrema direita  ?

Confira a notícia no Portal G1 da Rede Globo . https://g1.globo.com/politica/eleicoes/2026/noticia/2026/09/28/quaest-presidente-1o-turno-28-setembro.ghtml

Imagem do Portal G1 da Rede Globo.



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