O bolsonarismo é um fenômeno e movimento político de extrema-direita e populista surgido no Brasil na década de 2010, estruturado em torno da figura pública, da retórica e das diretrizes do ex-presidente Jair Bolsonaro. Impulsionado pela crise política e econômica de 2014, o movimento consolidou-se nacionalmente na eleição presidencial de 2018, convertendo-se em uma das forças políticas e ideológicas mais influentes do país.
Pilares Ideológicos e Características
Diferente de partidos tradicionais e sem um programa doutrinário perfeitamente homogêneo, estudos acadêmicos dividem o eleitorado bolsonarista em múltiplos perfis que convergem em torno de pautas morais, econômicas e institucionais específicas:
• Conservadorismo moral: Defesa veemente de valores tradicionais ligados à família, à religião cristã e à pátria.
• Anticomunismo e Antipetismo: Rejeição rigorosa aos partidos de esquerda, sobretudo ao Partido dos Trabalhadores (PT), alimentada por um forte sentimento de ressentimento político.
• Segurança pública e Armamento: Apelo à militarização do conflito social, flexibilização do porte de armas e discursos rígidos de combate à criminalidade.
• Ecossistema de comunicação alternativo: Forte engajamento digital descentralizado e desconfiança crônica da imprensa tradicional, buscando canais próprios e redes de igrejas para validação de suas narrativas.
• Nacionalismo e Neoliberalismo: Uma fusão entre a exaltação dos símbolos nacionais e o alinhamento com agendas econômicas focadas no empreendedorismo privado.
Desdobramentos Institucionais
Críticos e cientistas políticos frequentemente apontam o bolsonarismo como um vetor de tensões institucionais e erosão democrática devido a flertes com o autoritarismo. O ápice dessas fricções culminou nos ataques de 8 de janeiro em Brasília. Nas dinâmicas internas do movimento, há também uma forte cultura de cobrança por lealdade, na qual aliados dissidentes ou críticos são frequentemente rotulados como "traidores" nas redes sociais da militância.
Como o movimento transcendeu a própria figura de seu líder original, debates contemporâneos apontam que o bolsonarismo continua se reproduzindo por meio de estratégias de transferência de capital eleitoral sucessório, mantendo viva a polarização no cenário político brasileiro atual.
Gostaria de aprofundar em algum aspecto específico? Posso detalhar a atuação do bolsonarismo nas eleições atuais, os principais nomes da sucessão política do movimento ou as análises sociológicas sobre os perfis dos eleitores.
Ascensão e caráter do bolsonarismo
Daniel Aarão Reis*
O artigo tem duas partes: compreender a ascensão do bolsonarismo e, num segundo
momento, discutir o caráter do governo Bolsonaro.
I. A ascensão do bolsonarismo
Para compreender o bolsonarismo é preciso entrelaçar três dimensões.
A primeira diz respeito às tradições conservadoras e autoritárias que permeiam
historicamente a sociedade brasileira. Tal dimensão vem sendo reiterada ad nauseam
nas análises a respeito do assunto e eu seria o último a desconsiderá-la. No início deste
século, ao analisar a última ditadura brasileira, instaurada em 1964, enfatizei a
importância destas tendências autoritárias, estruturais, existentes na longa duração,
essenciais para a compreensão das “relações complexas” entre ditadura e sociedade.
Fui, então, muito criticado, por estar oferecendo “armas” aos “inimigos”. Houve até
quem insinuasse que eu estaria manifestando “simpatias” pela ditadura. Muitos se
compraziam, principalmente, mas não apenas, entre as esquerdas, em destacar a
“consolidação” da democracia no Brasil, minimizando seu caráter precário e lacunar e
os riscos que corria.
Desde o ano passado, houve uma notável inversão. As tradições autoritárias foram
“descobertas” e a elas se atribui, quase que exclusivamente, o ascenso da extrema
direita. Assim, cada brasileiro teria um “senhor de escravo” dentro de si. Tais
explicações evocam formulações que, nos anos 1970, atribuíam a onda das ditaduras ao
“caráter ibérico” da formação de Nuestra America. Até que, no próprio berço destas
tradições, na península ibérica, Portugal e Espanha democratizaram-se pacificamente. A
metamorfose não revogava as tradições autoritárias, mostrava apenas que elas não
podiam ser encaradas como fatores suficientes ou exaustivos para compreender os
regimes políticos vigentes.
É certo que não falta solidez às tradições autoritárias, eis que se encontram ancoradas na
história. É essencial considerá-las com cuidado, estudar seus agenciamentos, seu
caráter socialmente transversal (o autoritarismo não viceja apenas entre as elites e as
classes dominantes, está vivíssimo entre as classes médias e mesmo nas camadas
populares), as instituições que melhor as encarnam, as mais permeáveis a mudanças, as
que podem ser melhor neutralizadas, enfim, os condicionamentos que se criam a partir
* Professor titular de História Contemporânea da Universidade Federal Fluminense.
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delas, mas é sumamente inconsistente querer, a partir apenas deste ponto, explicar
exaustivamente o processo histórico. Em outras palavras, a longa duração não pode
eliminar a média e a curta duração. Ou ainda: a história não pode anular a política.
Há uma segunda dimensão, como se fora um segundo elo, ainda mais decisivo, a meu
ver, para explicar o objeto que nos interessa.
Trata-se da grande conjuntura, entre 1988, quando foi aprovada a atual Constituição, e o
ano fatídico de 2018. Trinta anos, o espaço de uma geração, a média duração.
Depois de uma longa transição – transicional e transacional – que se estendeu desde
1979, quando foram revogados os Atos Institucionais e se encerrou o estado de exceção
no país, uma vez aprovada a nova Constituição, tivemos um longo predomínio dos
principais partidos reformistas criados nos anos 1980 – o Partido dos Trabalhadores/PT,
no começo da década, e o Partido da Social-Democracia Brasileira/PSDB, criado em
1988. Desde 1994, ao longo de seis eleições presidenciais, dominaram o cenário
político. Entre 1994 e 2002, prevaleceu o PSDB. Depois, em quatro eleições sucessivas,
venceram os candidatos do PT.
Observe-se que as tradições autoritárias, embora existentes – e permanentes -, não
foram suficientes para impedir a eleição para a Presidência da República de um
sociólogo sofisticado, de um líder operário e de uma mulher identificada como tendo
participado da luta armada contra a ditadura.
Entretanto, depois de muitos êxitos (controle da inflação e políticas de inclusão social),
e de registrarem aspectos positivos (diminuição drástica da miséria), estes partidos
reformistas foram, gradativamente, sendo sugados pela dinâmica do sistema político
brasileiro. Nas disputas eleitorais e no exercício do governo preferiram compor alianças
com forças conservadoras e/ou fisiológicas. Ocorreu um processo de domesticação do
reformismo de tucanos e petistas. Construiu-se – com razão – a percepção de que os
propósitos reformistas iniciais davam lugar, gradualmente, a uma gestão prudente e
segura da hegemonia do grande capital financeiro e de seus principais sócios, nacionais
e internacionais, estruturada ainda na época da ditadura e que permaneceu inalterada ao
longo do tempo, inclusive com vigência garantida nos marcos constitucionais.
Anos de prosperidade, em que todas as classes sociais pareciam ganhar – embora
desigualmente -, validavam o processo, conferindo-lhe aparente musculatura. No
segundo governo Lula, já a euforia tipicamente brasileira dominava o ambiente político.
O país voltava a ser apresentado como exemplo civilizacional para o mundo, a
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autoestima lá em cima, a Copa do Mundo e as Olimpíadas eram “nossas”. E Obama
consagrava Lula como “o Cara”.
Entretanto, era uma solidez apenas aparente.
Os impactos da crise de 2008 acabaram chegando com força imprevista.
(Cabe aqui introduzir uma reflexão breve, mas essencial, sobre o contexto internacional,
marcado pela profunda revolução científica e tecnológica que varre todas as esferas do
mundo, em escala global, desde os anos 1960-1970, a uma velocidade vertiginosa,
sempre crescente, criando uma “sociedade de insegurança”, marcada pela
desestabilização de padrões culturais, sociais, políticos e econômicos. Neste panorama
de “areias movediças”, incidiu a profunda crise econômica inaugurada em 2008. A crise
teve efeitos sumamente desagregadores (desemprego, degradação de serviços públicos
etc.) e revelou a incapacidade das forças progressistas de fazerem pagar por ela os
grandes capitais financeiros. Ao contrário, estas forças apareceram, quase sempre,
como cúmplices de “soluções tecnocráticas” que encontravam “saídas” às custas dos
trabalhadores, acirrando de modo brutal as desigualdades sociais e a exasperação das
gentes. Os grandes beneficiários desta situação foram as direitas nacionalistas e
xenófobas, quase sempre em articulação com setores religiosos cristãos
fundamentalistas. Reforçaram-se enormemente e tenderam a surgir como portadores de
alternativas “salvacionistas”.
No Brasil, os governos petistas subestimaram a crise. Não se prepararam para enfrentá
la. Dilma chegou a procurar o apoio dos bancos e de seus quadros de confiança (gestão
Joaquim Levy) para controlar os efeitos mais evidentes do processo que se desdobrava.
Sob o influxo de erros crassos de gestão, aprofundaram-se os efeitos da crise econômica
e social, fazendo reverter com inesperada velocidade ganhos que se consideravam
definitivos. Acresce que apareceram mazelas graves, não assim tão novas, antes velhas,
mas que, no contexto da crise, radicalizaram as gentes.
O seu rol é conhecido: insegurança, corrupção, ineficiência e degradação dos serviços
públicos. O prestígio alcançado pelo PT e pelo PSDB começou a derreter como sorvete
sob um sol escaldante. Apesar dos excelentes serviços prestados à Ordem, não
mereceram a gratidão dos que mais lucraram com a prosperidade. Ao contrário, os
grandes meios de comunicação compraziam-se em evidenciar os pontos fracos, abrir
veias, escarafunchar feridas, não ficou pedra sobre pedra. Criminalizada a política, os
líderes principais não passavam de rufiões. Desvelou-se um sistema carcomido. O país
do futuro, como em outras vezes, deslizava para o passado. As manifestações de 2013
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evidenciaram a força e a exasperação de demandas e reivindicações represadas. Através
delas, brotou, no início algo indecisa, mas logo com vigor crescente, um animal que
parecia extinto nos anos 1930 – uma extrema-direita consciente e que não tinha mais
vergonha de se apresentar como tal. Correspondia, no plano nacional, ao ascenso das
forças de direita em todo o mundo. Quanto às esquerdas, pareciam inibidas ou/e
desorientadas, pois, até prova em contrário, o governo era delas, embora o fosse apenas
parcialmente, nas beiradas.
Em suma, a grande conjuntura entre 1988 e 2018, nos seus desdobramentos e
ziguezagues, evidenciou um processo de celebração, incorporação e domesticação dos
partidos reformistas existentes, a ponto de torná-los dificilmente distinguíveis. Diante
da crise de 2008, mostraram-se incapazes de compreender e de encarar os novos
desafios. Além disso, atolados em escândalos de toda a ordem, estes partidos
desmoralizaram-se perante amplos segmentos da opinião pública, criando,
gradativamente, uma vaga de fundo que era, antes de tudo, antitucana e antipetista. O
rei estava nu e o sistema político, morto, apodrecia a céu aberto.
Mas nem assim estavam definitivamente postas as condições para a vitória do
bolsonarismo. Faltaria ainda examinar um último elo: a conjuntura eleitoral, a curta
duração.
Os partidos reformistas – o PT e o PSDB - prepararam-se para as eleições de 2018
como se elas estivessem destinadas a ser a repetição das anteriores. Subestimaram a
potencialidade de crescimento do candidato de extrema-direita (diga-se, a bem da
verdade, que a hipótese da vitória de Bolsonaro era desconsiderada por quase todos os
que analisavam o pleito – pelo menos, até agosto de 2018). Enquanto os tucanos
imaginavam que o tempo de TV seria o fator diferenciador – e decisivo – do embate, o
PT desprezava a tessitura de alianças e apostava quase que exclusivamente no mito do
seu líder carismático – Lula. E na possibilidade – bastante improvável – de tê-lo como
candidato. Tucanos e petistas subavaliaram o profundo desgaste que sofriam aos olhos
de importantes segmentos da população. E também não valorizaram a “batalha da
internet”, embora eleições anteriores em várias partes do mundo já indicassem seu
caráter decisivo.
Ao longo do primeiro turno, Alckmin mostrou-se incapaz de crescer, apesar do tempo
de TV. De seu lado, a campanha petista amarrava seu candidato, Fernando Hadad,
despersonalizando-o e o apresentando como um peão dócil nas mãos de Lula, uma
espécie de candidato “por procuração”. Por outro lado, a artilharia pesada de Ciro
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Gomes, hostilizado pelo petismo, dividia os votos e enfraquecia ainda mais as
esquerdas. Bolsonaro beneficiava-se dos erros e desacertos dos adversários, e ainda teve
uma espécie de “bônus” inesperado: o atentado, que quase o vitimou, afastando-o dos
debates onde iria muito mal. Além disso, sua campanha na internet surpreendeu pela
organização, pelo financiamento, pelo abuso das fake news e pela truculência.
No segundo turno, o PT corrigiu os erros mais evidentes, porém, já era tarde para deter
a onda bolsonarista. A imensa massa dos eleitores do centro e da direita democrática –
mais pelo horror ao petismo do que por desejar Bolsonaro – moveu-se em direção ao
candidato de extrema-direita, ou, no limite, optou pelo voto nulo ou pela abstenção. A
ausência hostil de Ciro completou o quadro da derrota.
Assim, a compreensão do ascenso do bolsonarismo passa pela articulação destes três
elos – tradições enraizadas, média duração e curta duração. Foi o agenciamento e a
combinação destas três temporalidades que conduziu à derrota – evitável – das
esquerdas e à vitória – inesperada – do bolsarismo.
II. Caráter do bolsonarismo.
Está virando um lugar comum caracterizar o bolsonarismo como fascista ou neofascista.
As esquerdas no Brasil, e não apenas aqui, tendem, em certas circunstâncias, a associar
necessariamente autoritarismo, violência e fascismo. Nesta tradição, o Estado Novo foi,
muitas vezes, caracterizado como “fascista”, embora hoje em dia quase já não se fale no
assunto desta forma. Também o governo Médici, em certo momento, foi assim
conceituado por algumas tendências políticas, mas o conceito não resistiu ao tempo.
Penso que é mais fecundo tentar destacar os principais componentes do bolsonarismo,
uma proposta de aliança ainda em processo de formação.
O núcleo do bolsonarismo – e o seu motor, ou seja, as forças que o colocam em
movimento – constituem-se de dois vetores: as corporações militares, com ênfase no
exército, nas polícias militares e nas milícias emergentes; e a grande maioria dos
segmentos fundamentalistas das igrejas evangélicas. Sintonizados com a força
ascendente dos nacionalismos de direita em todo o mundo, desconfiados da velocidade
e das “areias movediças” introduzidas pela revolução científico-tecnológica,
conservadores ou francamente reacionários nos costumes, seria necessário compreender
melhor a dinâmica interna destes vetores, eventuais ou potenciais contradições internas.
Disso dependerá a possibilidade de enfraquecê-los.
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Entretanto, esta “aliança de choque” não bastaria politica ou eleitoralmente para
assegurar a vitória do bolsonarismo.
Outro elo de alianças formou-se entre o bolsonarismo e o empresariado do agro-negócio
e do grande capital financeiro. Uma aliança instável, de conveniência mútua, está longe
de ter a solidez da primeira articulação. O credo liberal orienta este empresariado e
Paulo Guedes é seu profeta. Já impuseram algumas importantes “correções de rumo” ao
governo, embora evitando choques frontais que, aliás, não fazem o seu feitio. Estes
setores empresariais vertebram e legitimam relações internacionais, financiam
campanhas e, através dos grandes meios de comunicação, informam e orientam a
opinião pública centrista e de direita. Desempenharam papel essencial na vitória
eleitoral. Ocupam cargos estratégicos no governo. Determinam sua política econômica.
Não comungam das convicções extremadas do conservadorismo cristão bolsonariano
(“Deus acima de todos”) nem de suas patriotadas (“Brasil acima de tudo”). Pressionarão
o governo até o cumprimento integral do “programa liberal”. Depois, conforme as
circunstâncias, poderão continuar com ele ou afastar-se dele. Não esquecer que tais
setores conviveram harmoniosamente, e financiaram em grande medida, as campanhas
pretéritas de tucanos e de petistas. Poderão, assim, construir outras articulações segundo
seus interesses imediatos.
Da permanência desta dupla articulação de alianças – institucionais e sociais –
dependerá a sorte do bolsonarismo. Seu principal desafio é reverter o quadro agudo da
crise econômica que se abate sobre o país e o desmoraliza. Se não conseguir,
pressionado pelos adversários, por instituições que resistem à submissão ou/e pela
eclosão de eventuais movimentos sociais, Bolsonaro já tem pronto o seu discurso: “não
me deixaram governar”. O que fará então ou o que as circunstâncias lhe deixarão fazer
pertence ao âmbito do imponderável. Mas é muito improvável que seus núcleos mais
decididos se deixem apear do poder ora conquistado pelos meios institucionais
conhecidos.
Novembro, 2019 O artigo do autor Daniel Aarão Reis*
A direita liberal e a direita conservadora compartilham a defesa do livre mercado e da propriedade privada, mas diferem principalmente em relação aos costumes e ao papel das tradições.
Direita Liberal
A direita liberal foca na liberdade econômica e na autonomia do indivíduo.
Economia: Defende o Estado mínimo, a redução de impostos, privatizações e a livre iniciativa no mercado.
Costumes: Costuma ter uma postura mais pragmática ou neutra sobre pautas morais, priorizando as reformas econômicas.
Foco: O sucesso individual, a eficiência do mercado e a modernização das leis trabalhistas e fiscais.
Direita Conservadora
A direita conservadora foca na preservação da ordem social, da moral e dos valores tradicionais.
Costumes: Defende a família tradicional, a religião e instituições seculares, opondo-se a mudanças culturais rápidas ou progressistas.
Economia: Embora também rejeite o socialismo, aceita a intervenção do Estado caso seja necessário para proteger a ordem, a segurança pública e os valores da nação.
Foco: A estabilidade institucional, a segurança, o patriotismo e o respeito às leis tradicionais.
O Conservadorismo Liberal
Na prática política atual, esses dois grupos frequentemente se unem no chamado conservadorismo liberal.
Essa vertente mistura a defesa da economia de mercado (liberalismo) com a valorização de costumes tradicionais (conservadorismo).
Exemplos históricos dessa união incluem governos como os de Margaret Thatcher no Reino Unido e Ronald Reagan nos Estados Unidos
O populismo é uma estratégia política que divide a sociedade entre o "povo virtuoso" e uma "elite corrupta"
. Em 2026, essa distinção continua sendo central no debate global e brasileiro, diferenciando-se pela definição de quem é esse "povo" e quem é o seu inimigo.
Populismo de Esquerda
Definição do "Povo": Foca na classe trabalhadora, nos marginalizados e nos explorados pelo sistema capitalista.
Inimigo Eleito: A elite econômica, o sistema financeiro, as grandes corporações e a desigualdade.
Objetivo: Redirecionar o poder econômico e promover a justiça social através da intervenção estatal e políticas distributivas.
Cenário em 2026: No Brasil, o O Partido dos Trabalhadores continua sendo a principal referência, com o governo buscando resgatar a popularidade através de agendas sociais focadas nas classes populares para a disputa eleitoral em 2026.
Populismo de Direita
Definição do "Povo": Baseia-se em uma identidade cultural, nacional ou religiosa (frequentemente definida como a "maioria silenciosa").
Inimigo Eleito: Elites intelectuais e "cosmopolitas", o "sistema" (establishment) político, instituições como o Judiciário e, por vezes, minorias ou imigrantes.
Objetivo: Restaurar valores tradicionais e a ordem social, muitas vezes com um discurso antissistema e agenda de liberalismo econômico.
O centrismo é um posicionamento político que se situa entre a esquerda e a direita no espectro político. Sua principal característica é a defesa de uma postura moderada e equilibrada, buscando conciliar ideias de diferentes ideologias para encontrar soluções práticas.
Aqui estão os pontos fundamentais para entender o centrismo:
Conciliação de Valores: Centristas buscam equilibrar a justiça social e a igualdade (frequentemente pautas de esquerda) com a liberdade individual e o crescimento econômico pró-mercado (pautas de direita).
Pragmatismo: O foco tende a ser em resultados práticos e evidências, evitando o que consideram "extremismos" ou "pureza ideológica".
Moderação: Defende-se a manutenção da ordem democrática e a realização de reformas graduais, em oposição a mudanças revolucionárias ou reacionárias bruscas.
Variações:
Centro-esquerda: Inclina-se levemente à esquerda, com maior foco em bem-estar social e intervenção estatal moderada.
Centro-direita: Inclina-se à direita, priorizando o livre mercado e o conservadorismo liberal.
Centrismo Radical: Defende mudanças significativas no sistema, mas de forma pragmática e não ideológica.
No contexto brasileiro, é comum a confusão entre o centrismo ideológico e o "Centrão". Enquanto o centrismo é uma filosofia de moderação, o "Centrão" refere-se a um bloco de partidos que se caracteriza mais pelo apoio ao governo vigente em troca de cargos e verbas do que por uma ideologia definida. Esses termos definem o espectro político com base em como diferentes grupos acreditam que a sociedade e a economia devem ser organizadas.
Esquerda: Prioriza a igualdade social e a justiça coletiva. Geralmente defende uma maior intervenção do Estado na economia para garantir serviços públicos (como saúde e educação) e reduzir a desigualdade.
Direita: Foca na liberdade individual, no livre mercado e na preservação de valores tradicionais. Tende a defender um Estado menor, com menos impostos e menos interferência na economia, acreditando que a competição gera crescimento.
Centro: Busca um equilíbrio entre as duas visões. O centro politico ,tenta conciliar a eficiência do mercado com políticas de bem-estar social, adotando posturas moderadas e pragmáticas
A Direita Conservadora sustenta o bolsonarismo . Um corrente politica antidemocrática e corrupta.
E um Flavio Bolsonaro vendendo uma moderação fake
Confira a noticia no Portal G1 da Rede Globo. https://g1.globo.com/politica/
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