domingo, 18 de outubro de 2026

Trumpismo .

  


 O conservadorismo é uma corrente de pensamento que visa promover a manutenção dos valores, práticas e a manutenção das instituições e dos valores tradicionais da sociedade.

O conservadorismo, na sua essencia, valoriza as tradições, a hierarquia, a autoridade e os direitos de propriedade privada. O conservadorismo, tem como foco, a continuidade, se opondo as políticas progressitas e revolucionárias.

Um conservador, na sua essencia, defende a manutenção do status quo, ou o retorno aos valores de uma epóca passada. O conservadorsmo político, é algo relacionado com as políticas de direita, na defesa da propriedade privada, da acumulação de capital, da riqueza pessoal e do individualismo.

O conservadorismo político, visa impedir que qualquer mudança aconteça em uma sociedade. O conservadorismo político, é algo que visa impedir quaisquer mudanças de carater revolucionário, que venham ter repercussões institucionais profundas e imediatas, tanto no país, quanto na sociedade como um todo.

Em relação as mudanças sociais, o conservadorismo político, é algo que entende que as mudanças sociais precisam acontecer á partir das instituições tradicionais e nunca contras elas.

O conservadorismo político, é algo que interpreta que a tradição, a escola, a família e a religião, devem ser as bases da sociedade em qualquer país no mundo. 

O conservadorismo político, é algo que interpreta que as mudanças soçiais, somente devem ser acontecer de maneira gradual e moderada, sem afetar a manutenção dos valores da civilização, como a família, a escola e a religião.

O conservadorismo tradiocional, é a uma corrente a direita que defende as manutenções da autoridade, da ordem, das tradições em uma sociedade.

O conservadorismo enalteçe a hierarquia como o seu pensamento no campo social . Já no campo da economia, o conservadorismo defende como os valores socio econimicos, as seguintes vertentes: 

01 ) O conservadorismo economico que favorece os interesses dos donos do capital privado no Estado.

02) O conservadorismo economico voltado totalmente ao controle de gastos, em nome de uma austeridade economica.

03) O conservadorismo economico defende uma hierarquia social baseada em uma sociedade de classes. Sendo assim. O conservadorimo economico, tem uma total resistencia contra quaisquer programas sociais.

O conservadorismo também defende uma não separação entre a religião e o estado. O conservadorismo tradicional, defende uma hierarquia social, com uma sociedade em que se baseie as questões de raça, cor, genero, etnia, etc...

O conservadorsmo defende que os direitos humanos não são prioritárioa em uma sociedade  Como uma forma de manter instituições consideradas sagradas e tradicionais. Tais como religião, familíla e escola, por exemplo

Trumpismo é um termo para as ideologias políticas, emoções sociais, estilo de governança, movimento político e conjunto de mecanismos para adquirir e manter o controle do poder associado a Donald Trump e sua base política. Trumpistas, trumpminion e trumpiano são termos usados para se referir aos que exibem características do trumpismo, enquanto os apoiadores políticos de Trump são conhecidos como Trumpers.

Os termos exatos do que constitui o trumpismo são controversos e suficientemente complexos para sobrecarregar qualquer estrutura única de análise; foi chamada de política americana variante da extrema direita, e o sentimento nacional-populista e neonacionalista visto em várias nações em todo o mundo desde o final dos anos 2010 para o início de 2020. Apesar de não estarem estritamente limitados a um único partido, os apoiadores de Trump se tornaram uma facção significativa do Partido Republicano nos Estados Unidos, com o restante frequentemente caracterizado como "estabelecimento" em contraste. Alguns republicanos tornaram-se membros do movimento Never Trump, e alguns deixaram o partido em protesto.

O progressimo é um espectro político, que entende os avanços cientifícos, tecnológicos e sociais, como algo indispensavel ao pleno avamço e progresso em uma sociedader moderna e contemporanea.

O progressimo é um espectro político que defende que uma sociedade camninha para os plenos avanços, estando em constante evolução nos campos econiomico, academico, tecnológico, social e cientifico. 

O progressimo, é um espectro político, que defende que o pleno conhecimento cientifíco e acadamico, são as fontes de progresso e aperfeiçoamento de uma sociedade em todas as civilizações do mundo.

O progressimo, é um espéctro político, que defende o pleno aperfeiçoamento intelectual, social, moral e cientifíco, político e social, como a base fundamental para o progresso e avanço dentro de uma sociedade em todas as civilizações do mundo.

A progressimo dende que a sociedade deve ter um pleno avanço, nos campo social, academico, intelectual, político, tecnológico e cientifico, com uma forma da sociedade moderna ter um progresso que possa impulsionar os avanços tão necessário a todas as sociedades modernas no mundo.

Uma maquina partidária é a capacidade de influencia geopolítica, financeira e política, que um partido possui, não somente em termos de defender seu território político, como também aumentar sua influencia geopolítica, financeira e hierárquica dentro e fora de seu espectro político.

Na área  geopolítica, uma maquina partidária, as políticas territoriais na relação de poder e influencia dentro de seu espectro político, aonde se visa manter seu poder e influencia política dentro de um determinado seguimento. Uma maquina partidária, envolve no seu sentido geopolítico, o gerenciamento e expansão de poder e influencia de um determinado partido em um determinado espectro político.

Na área  hierárquica, uma maquina partidária é uma esfera de poder aonde um determinado partido administra e mantem sua hierarquia e influencia , em conjunto de expansão territorial, na administração governamental , aonde este partido se torna  a maior agremiação política dentro de um determinado espectro político.

Uma maquina partidária, na sua área hierárquica, garante a influencia absoluta de um determinado partido dentro do seu espectro político. Com uma maquina partidária, na sua área hierárquica, garante a influencia expansionista de um determinado partido, além das bases do seu espectro político.

No âmbito financeiro, uma maquina partidária, garante á um determinando partido, se sobrepor pelo poder econômico. Mantendo sua influencia geopolítica e hierárquica, uma maquina partidária, representa a concepção total na sua "natureza política", em uma clara manifestação da hierarquia econômica, política e territorial de um determinando partido, dentro e fora de seu espectro político. 

Uma maquina partidária, garante a "natureza política" de um determinado partido, no seu total e absoluto poder e influencia expansionista por meio do seu poder econômico, que se traduz na "natureza política", dentro e fora do seu espectro político, em uma influencia geopolítica, hierárquica e financeira, pelo "natureza política" do poder econômico que uma maquina partidária proporciona á um determinado partido político.

Uma maquina partidária, garante á um determinado político, a plena capacidade de estrutura e poder político, para se adaptar organicamente a qualquer mudança em uma sociedade.

TRUMP E A INFLEXÃO DA GRANDE ESTRATÉGIA

Williams Gonçalves1 

Tatiana Teixeira2

Este trabalho se dedica a examinar se o governo Donald Trump tem sua política externa submetida 

a uma grande estratégia. Para tanto, inicialmente se discute o que é uma grande estratégia e 

em que esse conceito se distingue do de política externa. Ao mesmo tempo, explica-se a sua 

importância para a manutenção da hegemonia dos Estados Unidos ao longo da Guerra Fria. 

Neste sentido, argumenta-se que o consenso bipartidário em torno do objetivo estratégico foi 

fundamental para a elaboração e para o êxito final da grande estratégia. Em seguida, discute-se 

a dificuldade do exercício da hegemonia na ausência dessa estratégia, situação essa enfrentada 

pelos governos formados após a Guerra Fria. Por fim, debatem-se as ideias segundo as quais 

o governo Trump não dispõe de uma grande estratégia e o consenso bipartidário se dissolveu. 

O estudo busca mostrar que, embora o establishment norte-americano reconheça a irresistível 

ascensão da China à condição de grande potência rival, os formuladores de política internacional 

do país sentem bastante dificuldade em elaborar uma grande estratégia que assegure a hegemonia 

dos Estados Unidos e sua consequente capacidade de administrar a ordem internacional segundo 

seus interesses nacionais.

Palavras-chave: Estados Unidos; governo Donald Trump; grande estratégia; política externa; 

hegemonia; China.

TRUMP AND THE INFLECTION OF THE GRAND STRATEGY

This article examines if the foreign policy in Mr. Donald Trump administration is somehow subject 

to a grand strategy. For this purpose, we begin by discussing what a grand strategy is and how 

this concept differs from the one of foreign policy. At the same time, we explain the importance of 

the grand strategy for the endurance of U.S. hegemony throughout the Cold War. In this sense, we 

argue that the bipartisan consensus related to strategic means was crucial for the elaboration and 

final success of the grand strategy. Next, we discuss how hard it is the exercise of hegemony in the 

absence of a grand strategy. Actually, this was the situation face by post-Cold War governments. 

Finally, we debate if Mr. Trump’s administration has or not a grand strategy. We also point to 

the dissolution of the bipartisan consensus. The U.S. establishment recognizes the irresistible rise 

of China as U.S. main rival. Still, despite it, U.S. foreign policy-makers have major difficulties to 

elaborate a grand strategy capable of ensuring U.S. hegemony and the capacity of managing an 

international order accordingly to its national interests.

Keywords: United States; Trump administration; grand strategy; foreign policy; hegemony; China.

1. Membro do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Estudos sobre os Estados Unidos (INCT-INEU); 

professor de relações internacionais na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ); e professor no Programa de  

Pós-Graduação em Estudos Marítimos da Escola de Guerra Naval (PPGEM/EGN). E-mail: <williamsgon@terra.com.br>.

2. Pesquisadora no INCT-INEU; pesquisadora no Núcleo de Estudos e Análises Internacionais do Instituto de Políticas 

Públicas e Relações Internacionais da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (NEAI/IPPRI/Unesp); e 

editora no Observatório Político dos Estados Unidos (OPEU). E-mail: <tatianat19@hotmail.com>.

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TRUMP Y LA INFLEXIÓN DE LA GRAN ESTRATEGIA

Este artículo examina si la política externa del gobierno de Donald Trump responde a una 

gran estrategia. Para ello, discute inicialmente la definición de gran estrategia y en qué ese 

concepto se diferencia del de política externa. Paralelamente, explica la importancia de la gran 

estrategia en el mantenimiento de la hegemonía de Estados unidos a lo largo de la Guerra 

Fría. Argumenta, en ese sentido, que el consenso bipartidario sobre el objetivo estratégico fue 

esencial en la elaboración y el éxito final de la gran estrategia. Trata luego de la dificultad 

de ejercer la hegemonía en ausencia de una gran estrategia, una situación a la que se han 

visto confrontados los gobiernos posteriores a la Guerra Fría. Debate por último las ideas de 

que el gobierno de Trump carece de una gran estrategia y de que el consenso bipartidario 

se ha disuelto. El artículo busca demostrar que – pese a que el establishment estadounidense 

admita el irresistible ascenso de China como gran potencia rival – los formuladores de 

política internacional de Estados Unidos experimentan serias dificultades para elaborar una 

gran estrategia que asegure la hegemonía de Estados Unidos y su consiguiente capacidad de 

administrar el orden internacional en función de sus intereses nacionales.

Palabras clave: Estados Unidos; gobierno de Donald Trump; gran estrategia; política externa; 

hegemonía; China.

JEL: D72.

1 INTRODUÇÃO

As manifestações a respeito de temas internacionais e as decisões tomadas pelo 

atual presidente norte-americano, Donald Trump, nesse âmbito, supostamente 

erráticas e sem nexo com os reais interesses nacionais do país e com a realidade 

da política internacional, têm suscitado a questão de seu governo ter ou não uma 

grande estratégia. Há momentos em que pronunciamentos e decisões tomadas 

pelo republicano parecem ignorar o processo formal interagências, assim como 

orientações de sua Comunidade de Inteligência, desalinhando-se com diretrizes 

dispostas em documentos oficiais, como a National Security Strategy (United 

States of America, 2017). Compõe-se, assim, um percurso que criaria distrações 

e confusão na comunidade política doméstica entre correligionários e nas 

expectativas de aliados, de países não tão aliados e de rivais.

Até o fato de o então conselheiro de Segurança Nacional, general Herbert 

Raymond McMaster, e o então secretário da Defesa, Jim Mattis, estarem no 

governo no momento da elaboração e da divulgação da National Security Strategy 

(United States of America, 2017) e da National Defense Strategy de 20183 e, 

hoje, já terem deixado a administração aponta que ambos os documentos têm 

serventia limitada para entender a gestão Trump.

A falta de certeza sobre os Estados Unidos terem uma grande estratégia na 

verdade não é nova, embora tenha ganhado mais vulto no governo Trump, em 

3. Para sumário da National Defense Strategy de 2018, ver United States of America (2018).

Trump e a Inflexão da Grande Estratégia

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virtude, naturalmente, do seu estilo algo extravagante de governar e da eventual 

dissonância entre o discurso e a prática trumpista e anúncios de secretários, ou 

de outras autoridades da administração. As dúvidas a esse respeito já haviam 

começado a aparecer logo depois da Guerra Fria. Uma vez desfeita a estrutura 

bipolar do sistema internacional e o próprio Estado soviético tendo sido dissolvido, 

os Estados Unidos teriam caído em um vácuo estratégico, que teria se tornado de 

todo evidente no atual governo.

As aparentes imprevisibilidade e falta de racionalidade de Trump ofuscam, 

contudo, o que segue evoluindo como um governo coerente com a estratégia de 

America First e seu slogan Make America Great Again, propalados ao longo da 

campanha eleitoral de 2016 e reafirmados em seus principais pronunciamentos e 

tuítes na condição de presidente. Inspirada na plataforma isolacionista dos anos 

1930, a America First renovada de Trump promete um país voltado para os 

interesses de sua população, e não para a defesa de um território distante qualquer, 

ou para a distribuição de ajuda humanitária de maneira indiscriminada, mas com 

um recorte político-ideológico afim; um governo preocupado com o fortalecimento 

da economia nacional (com o nível de protecionismo e de bilateralidade que forem 

necessários), e não com o compromisso de exportar a democracia como modelo de 

regime. Desde a corrida presidencial, quando ainda tinha um entendimento bem 

mais cru do que faria em sua política externa, Trump prometeu pragmatismo antes 

de tudo, inclusive nas relações com os históricos aliados transatlânticos.

A America First trumpiana é uma abordagem que busca rever (e reverter) os 

custos dos esforços de internacionalismo e de intervenções militares e humanitárias 

mundo afora, assim como a adesão a tratados e a contribuição de Washington em 

segurança coletiva e em outras áreas, como finanças e comércio, direitos humanos 

e meio ambiente, em instituições internacionais multilaterais como a Organização 

das Nações Unidas (ONU), a Organização Mundial do Comércio (OMC) ou a 

Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).

Onde os críticos veem contradição e inconsistência, Trump vê capacidade 

de negociação, autenticidade, ousadia, originalidade e – mais importante – 

resultados positivos para os Estados Unidos. Além disso, o que muitos descrevem 

como a ausência de uma política externa sólida e harmoniosa poderia ser, como 

sugere Klare (2018), a “aderência” a um “conceito-chave estratégico” sobre o 

estabelecimento de um novo arranjo internacional: o de uma ordem tripolar, 

dividida entre Estados Unidos, China e Rússia. Essa acomodação não significaria, 

necessariamente, abrir mão de sua liderança, mas, sim, evitar conflitos e gastos 

supérfluos e enquadrar os “competidores”.

Não parece haver discussões oficiais e/ou a portas abertas em Washington para 

esse redesenho, nem sobre uma distribuição de áreas de influências. Publicamente, 

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para a região da Eurásia, a diretriz vigente no establishment ainda seria a de conter 

e enfraquecer China e Rússia. Historicamente considerada pelos Estados Unidos 

como sua zona de influência direta, a América Latina é um elemento que não 

entra nesse tipo de cálculo, o qual tem sua lógica particular – inclusive em relação 

ao uso do tema dos direitos humanos – na visão norte-americana.

É o que se vê agora com a Venezuela, país para o qual a Doutrina Monroe 

tem sido abordada com cada vez mais frequência na fala de falcões do governo 

norte-americano (especialmente o conselheiro de Segurança Nacional, John 

Bolton), junto com a prorrogação do decreto de emergência nacional, que impõe 

sanções a membros do governo Nicolás Maduro e restrições econômicas, além da 

defesa de um golpe institucional (ainda não se sabe se militar) dissimulado como 

“transição democrática”.

Há, porém, indícios que se acumulam no governo Trump de que os Estados 

Unidos estariam contando, cada vez mais, com China e Rússia para avançar no 

tratamento de questões internacionais, ao contrário de marginalizá-los política, 

econômica e estrategicamente. O objetivo seria tornar os custos dessas ações os 

menores possíveis para os norte-americanos. É o caso, por exemplo, das negociações 

com a Coreia do Norte de Kim Jong-un, nas quais a China deixou claro seu papel 

de “garante” de Pyongyang, ou da Síria, onde o presidente Vladimir Putin é um 

forte aliado de Damasco – no terreno e no Conselho de Segurança da ONU. 

Ao mesmo tempo, o chamado realismo de princípios trumpiano não deixa de 

enviar navios para o mar do sul da China, cuja soberania é alvo de disputa por 

vários países da região; ou, ainda, apoiar a Ucrânia, inclusive militarmente.

Esse projeto de um simulacro de nova ordem estaria há décadas em gestação 

por parte de Pequim e remontaria, acrescenta Klare (2018), à visita a Moscou 

do então presidente chinês, Jiang Zemin, para um encontro oficial com o 

ainda presidente Boris Yeltsin, em abril de 1997. Nele, ambos assinaram a Joint 

Declaration on a Multipolar World and the Establishment of a New International 

Order, na qual pedem um mundo multipolar e rejeitam a hegemonia global, mas 

sem se referirem diretamente aos Estados Unidos. “Nenhum país deveria buscar a 

hegemonia, praticar política de poder ou monopolizar os assuntos internacionais” 

(China..., 1997, tradução nossa),4 diz a declaração conjunta.

Com reverberação nos meios realistas clássicos, mas principalmente entre 

os institucionalistas liberais, uma avaliação que ocupa grande espaço no debate 

desde que Trump foi eleito é que o republicano estaria – de forma deliberada, ou 

como efeito de sua suposta falta de estratégia – acelerando a desconstrução dos 

4. Todas as traduções são de responsabilidade dos autores.

Trump e a Inflexão da Grande Estratégia

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pilares da ordem internacional liberal criada pelos Estados Unidos e dotada de 

ganhos mútuos, regimes, instituições e parceiros conhecidos.

Em artigo na Foreign Affairs, Daalder e Lindsay (2018) chegam a sugerir a 

formação de um Grupo dos Nove (G9) para agir no lugar dos Estados Unidos. 

Em razão de seu produto interno bruto (PIB) e dos orçamentos de defesa, este 

grupo poderia ser composto por França, Alemanha, Itália, Reino Unido e União 

Europeia, assim como por Austrália, Japão, Coreia do Sul e Canadá. “Eles devem 

focar menos em como trabalhar com Washington e mais em como trabalhar 

sem ela” (Daalder e Lindsay, 2018, tradução nossa), aumentando os gastos em 

defesa e a cooperação militar e econômica, de modo a conter os Estados Unidos 

e a China, manter as regras da ordem atual e oferecer a liderança, da qual os  

norte-americanos estariam abrindo mão.

Ao privilegiar o confronto à cooperação, o unilateralismo ao multilateralismo, 

a instabilidade à previsibilidade, a ameaça ao compromisso, Trump estaria pondo 

em risco, com essa disrupção, os valores da ordem pós-1945 e suas noções de 

segurança coletiva, democracia e livre mercado. Ele seria um agente desagregador, 

que, portanto, estaria desmontando a base de uma ordem que garantiu por décadas 

a proeminência dos Estados Unidos e a paz entre as principais potências mundiais, 

passando de uma “hegemonia liberal” para uma “hegemonia iliberal” (Posen, 2018).

Partindo-se dessas considerações, após esta breve introdução, apresenta-se, 

na seção seguinte, a definição conceitual de grande estratégia considerada como 

base deste trabalho e, depois, na seção 3, discorre-se sobre suas transformações na 

política externa norte-americana desde a Segunda Guerra Mundial. Em seguida, 

na seção 4, os autores analisam a ascensão e a consolidação da China como um 

contraponto à liderança global inequívoca dos Estados Unidos. Na seção 5, 

destacam-se algumas das principais decisões do governo Trump em reação a 

eventos internacionais ocorridos na primeira metade de seu mandato. Por fim, 

na seção 6, apresentam-se as considerações finais. Espera-se, ao final, responder 

à pergunta que instigou os autores: teria Donald Trump uma grande estratégia? 

Em caso positivo, em que consistiria?

2 DEFININDO A GRANDE ESTRATÉGIA

A grande estratégia é uma das expressões da inserção do Estado no sistema 

internacional. Ela é determinada pela densidade de poder do Estado e também 

pela maneira como ele é percebido pelos demais Estados integrantes do sistema. 

A elaboração de uma grande estratégia é prerrogativa reservada às grandes potências, 

mais precisamente àquelas que aspiram à posição hegemônica. Enquanto os 

demais atores estatais traduzem sua busca de realização dos interesses nacionais 

na formulação de política externa, as grandes potências exprimem sua vontade 

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de poder na grande estratégia: o mais elevado e abstrato plano de condução dos 

negócios do Estado nas relações que este mantém com os demais Estados.

Segundo Paul Kennedy (1991, p. 5, tradução nossa),

o ponto crucial da grande estratégia está, portanto, na política, ou seja, na capacidade 

dos líderes das nações de juntarem todos os elementos, tanto militares quanto não 

militares, para a preservação e o avanço dos melhores interesses das nações no longo 

prazo (ou seja, em tempos de guerra e de paz).5

No caso das grandes potências, a política externa se submete à grande 

estratégia, funcionando como um dos instrumentos da luta pelo máximo poder, ao 

lado daqueles econômicos, políticos e militares. Já os demais Estados têm a política 

externa apenas como meio para sobreviver e alcançar objetivos mais imediatos.6

Para além dos cálculos estratégicos, que levam os Estados a otimizar esforços 

e a potencializar os recursos disponíveis com intuito antecipatório, trata-se de um 

quadro de referência intelectual flexível e necessariamente adaptável a variáveis 

de todo o tipo, composto de diretrizes e objetivos de médio e longo prazo 

(Brands e Porter, 2015). Quadro este que reflete e sintetiza uma visão de mundo 

responsável por acomodar demandas com diferentes interesses, especialmente no 

que diz respeito aos Estados Unidos e a seu sistema político repleto de atores 

relevantes para as tomadas de decisão. No caso dos Estados Unidos, lembram 

Brands e Porter (2015), ter uma grande estratégia ajudou a maior potência do 

mundo desde a Segunda Guerra a gerenciar capacidades e a “harmonizar poder 

e compromissos”, enquanto moldava e ao mesmo tempo reagia a mudanças, de 

início, apenas conjunturais, mas, no decorrer do tempo, gradualmente sistêmicas.

3 A GRANDE ESTRATÉGIA DOS ESTADOS UNIDOS EM PERSPECTIVA HISTÓRICA

A Segunda Guerra Mundial representou um divisor de águas na história das 

relações exteriores dos Estados Unidos. Em meio à guerra, o país passou da 

condição de grande potência à de aspirante à potência hegemônica. O ataque 

japonês à base naval de Pearl Harbor e a subsequente declaração de guerra dos 

5. “The crux of grand strategy lies therefore in policy, that is, in the capacity of the nations’ leaders to bring together all 

of the elements, both military and nonmilitary, for the preservation and enhancement of the nations’ long-term (that 

is, in wartime and peacetime) best interests.”

6. Edward N. Luttwak, em Estratégia: a lógica da guerra e da paz, assim define a grande estratégia: “Se recordarmos 

a imagem anterior da estratégia como um tipo de edifício de múltiplos níveis, com andares estabelecidos por ondas e 

contraondas de ação e reação, encontraremos que seu mais alto nível é muito mais espaçoso do que todos os outros mais 

baixos, de um modo que nenhuma arquitetura disponível permitiria. Para o nível da grande estratégia, as interações dos 

níveis militares mais baixos clamam resultados finais dentro do amplo contexto da política internacional, em interações 

adicionais com as relações não militares dos Estados: as trocas formais da diplomacia; as comunicações públicas da 

propaganda; as operações secretas; as percepções de outros, formadas pela Inteligência; e todas as transações econômicas 

do mais puro significado privado. Portanto, neste andar superior desproporcional, a rede resultante dos níveis técnicos, 

tático, operacional e da estratégia do teatro emerge numa contínua interação com todos aqueles relacionamentos entre 

Estados sempre afetados pelo que é feito, ou não, na esfera militar de um único Estado” (Luttwak, 2009, p. 265). 

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alemães, determinando a entrada dos Estados Unidos na guerra que se iniciara 

na Ásia em 1937 e na Europa em 1939, deram início a um processo político 

interno que resultou em uma nova inserção deste país no sistema internacional e 

na formulação de uma grande estratégia.

A participação na guerra provocou o fim de uma antiga divisão e a formação 

de um novo consenso no establishment. A divisão que separava os membros da 

elite dirigente em isolacionistas e intervencionistas deu lugar a um consenso 

sobre a necessidade de os Estados Unidos assumirem a posição hegemônica. 

Sob a liderança de Franklin Roosevelt, a camada dirigente norte-americana se 

convenceu de que a Segunda Guerra Mundial aconteceu devido, em grande 

medida, ao fato de os Estados Unidos não terem assumido suas responsabilidades 

políticas internacionais ao fim da Primeira Guerra. Fazia-se necessário que essas 

responsabilidades fossem assumidas de uma vez por todas, para que outras guerras 

não viessem a acontecer.

Ainda antes de a guerra terminar, os norte-americanos já tinham assimilado 

a ideia de que os Estados Unidos eram mais importantes para o mundo do que 

o contrário. De acordo com o novo consenso unindo democratas e republicanos, 

a posição internacional a ser assumida pelo país era de fundamental importância 

para que a paz mundial fosse alcançada. Caso os norte-americanos se omitissem 

mais uma vez, o mundo correria o risco de permanecer enredado em guerras 

sem fim. A hegemonia dos Estados Unidos salvaria o mundo dessa ameaça e 

proporcionaria a paz para todos os Estados.7

O novo conceito sobre o papel a ser desempenhado pelos Estados Unidos no 

mundo que se inaugurava somente ganhou forma com a proposta da contenção. 

Essa estratégia, originalmente formulada pelo diplomata George F. Kennan, caiu 

como uma luva na mão do presidente Harry Truman. Tornando-se conhecida como 

Doutrina Truman, a grande estratégia (da contenção) dos Estados Unidos 

objetivava “apoiar os povos livres que resistem às tentativas de subjugação por 

minorias armadas, ou por pressões externas” (Gaddis, 2014, p. 256). Ainda que 

corrompesse o sentido original do longo telegrama, a interpretação que Truman 

deu ao conteúdo do relatório de Kennan correspondeu à urgência “de procurar 

doutrinas, ou fórmulas universais, com que vestir e justificar determinadas ações” 

(op. cit., p. 257).

A execução do projeto hegemônico já havia se iniciado, na verdade, antes de 

a guerra chegar ao fim, em 1944, com as negociações de Bretton Woods, mediante 

7. Philip Roth, em sua autobiografia, traduz muito bem o sentimento que a elite dirigente política instilou no conjunto 

da sociedade norte-americana ao fim da Segunda Guerra Mundial: “É difícil imaginar que qualquer pessoa inteligente 

que tenha crescido nos Estados Unidos depois da Guerra do Vietnã tenha tido a sensação inequívoca de pertencer à 

maior nação no mundo, que tivemos como jovens adolescentes logo depois da vitória sobre o fascismo nazista e o 

militarismo japonês” (Roth, 2016, p. 132).

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as quais os norte-americanos criaram a estrutura institucional da Nova Ordem 

Econômica Internacional. A resistência ainda apresentada por alguns setores da 

elite política norte-americana à ousadia do projeto liderado por Truman acabou, 

porém, vencida pelo influente apoio de Winston Churchill.

Em seu histórico discurso sobre a “cortina de ferro”, na Universidade de 

Fulton, no Missouri, em 5 de março de 1946, o primeiro-ministro defendeu 

a necessidade de uma aliança militar-atômica da Grã-Bretanha com os Estados 

Unidos contra a ameaça à “civilização cristã” representada pela União Soviética 

(Iakovlev, 1988, p. 54). Embora tivesse sido apeado do poder pelo eleitorado 

britânico ao fim do conflito mundial, substituído pelo líder trabalhista Clement 

Attlee, Churchill desfrutava de um grande prestígio pela liderança que exercera 

na luta contra o nazifascismo, e essa credibilidade foi usada por Truman para 

cimentar seu projeto hegemônico.

A interpretação do longo telegrama por Truman se tornou o fundamento 

da grande estratégia norte-americana ao longo de toda a Guerra Fria (Gaddis, 

2006, p. 28). Com o passar do tempo, novas conjunturas foram se sucedendo, 

como o processo de descolonização e a formação do Movimento dos Países Não 

Alinhados. A contenção do comunismo se manteve, contudo, como núcleo da 

grande estratégia dos Estados Unidos até o colapso do mundo comunista no final 

dos anos 1980.

O formidável desenvolvimento econômico, a liderança na pesquisa científica 

e na inovação tecnológica e o investimento na formação de sólido dispositivo 

militar-nuclear colocaram o país em uma posição bem acima das demais grandes 

potências do mundo ocidental. Sob sua hegemonia, estruturada na presença de suas 

grandes empresas, no controle das fontes de matérias-primas e de energia e em bases 

militares situadas em diversos pontos do mundo, as relações entre as demais grandes 

potências foram pacificadas. Ao longo do período da Guerra Fria, houve guerras 

apenas entre países centrais contra países periféricos, ou entre países periféricos, mas 

não mais entre países do centro. Desse modo, por mais que a hegemonia causasse 

incômodos aos aliados em determinadas circunstâncias, os benefícios obtidos pela 

submissão ao poder dos Estados Unidos acabavam se revelando maiores do que os 

que se poderiam obter com a insubmissão (Kagan, 2003, p. 21).

A grande estratégia da contenção também produziu importantes mudanças na 

estrutura de poder e no relacionamento do Estado com a sociedade. Por ter persuadido 

o conjunto da sociedade de que o confronto nuclear com a União Soviética era uma 

possibilidade real, o Poder Executivo progressivamente absorveu mais poder em 

detrimento das prerrogativas do Congresso. A exigência de agilidade nas decisões 

e o segredo nas informações levaram ao fortalecimento político-institucional desse 

Poder. Ao mesmo tempo, essas exigências elevaram significativamente os gastos com 

Trump e a Inflexão da Grande Estratégia

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segurança e defesa, resultando na estruturação de um complexo industrial-militar, 

que passou a se retroalimentar, com a complacência dos congressistas, muitos deles 

ligados direta e pessoalmente a esse complexo.

Os violentos protestos ocorridos no final da década de 1960, em decorrência 

dos efeitos internos da Guerra do Vietnã, levaram a um questionamento da 

racionalidade do conflito no Sudeste Asiático por parte de determinados segmentos 

sociais, mas não foram suficientes para abalar essa estrutura, que se reforçou com 

a passagem do tempo. O argumento – segundo o qual os vultosos gastos militares 

e as guerras contínuas eram necessários para proteger a sociedade norte-americana e, 

assim, permitir que ela continuasse a gozar de seu elevado patamar socioeconômico – 

permaneceu inalteravelmente vitorioso. Coube ao dispositivo cultural-informacional 

convencer a sociedade norte-americana de que o preço a pagar por uma vida próspera 

e livre do perigo comunista era investir permanentemente em armamentos e ter as 

Forças Armadas adestradas para intervir em qualquer parte do globo.

No início da década de 1990, verificou-se a grande mudança, a partir da 

qual os norte-americanos passaram a ver o seu país e o mundo de outra maneira. 

As reformas econômicas realizadas pelo governo chinês, a queda do Muro de Berlim, 

a dissolução do bloco soviético e a própria decomposição do Estado soviético foram 

episódios que encerraram a Guerra Fria, significando a completa vitória dos Estados 

Unidos. Essa vitória representou o fim de uma era e, ao mesmo tempo, um desafio 

de adaptação a um mundo novo, onde não havia mais inimigos.

A derrota eleitoral de George H. W. Bush (George Bush pai) para Bill 

Clinton em 1992 foi, como sublinha Cox (1995, p. 12), a mais clara evidência 

dessa mudança. O presidente que negociou o fim da União Soviética e que 

liderou a ampla coalizão que derrotou Saddam Hussein sofreu rejeição do povo 

norte-americano. A vitória eleitoral democrata mostrava que os êxitos em política 

externa já não tinham mais tanta importância aos olhos do eleitorado. A nova 

tendência era de a sociedade se preocupar mais com as questões domésticas e, 

sobretudo, com a situação da economia do país.

A nova percepção do eleitorado norte-americano, orientada no sentido 

de valorizar questões mais imediatas e palpáveis como a situação da economia, 

não elidia, no entanto, preocupações dos formuladores de política externa 

e de defesa. Para estes, grave questão se impunha: que novo papel os Estados 

Unidos desempenhariam no mundo? Como justificar a manutenção da posição 

hegemônica na ausência da ameaça comunista? Por qual razão deviam os aliados 

continuar a pagar o alto preço cobrado pelos Estados Unidos pela proteção que 

lhes davam, se a ameaça ao sistema deixará de existir?

Essas eram perguntas que remetiam a questões de grande complexidade, 

relacionadas à autoimagem dos Estados Unidos e à sorte de importantes aliados 

186

revista tempo do mundo | rtm | v. 5 | n. 1 | jan. 2019

situados em contextos regionais bastante intrincados. Destes, decerto o caso 

mais espinhoso se referia ao futuro da OTAN, que, aparentemente, perdia sua 

razão de ser. Por qual motivo os europeus continuariam a abrigar bases militares  

norte-americanas em seus territórios e a se submeter ao comando dos Estados 

Unidos? As mesmas perguntas valiam para os asiáticos.

É bem verdade que essas interrogações acabaram respondidas favoravelmente 

aos Estados Unidos. Não tanto pela capacidade de os norte-americanos 

apresentarem argumentos sólidos e persuasivos. Essas dúvidas foram superadas 

pelas necessidades dos próprios parceiros, que demandavam a presença  

norte-americana como forma de esconjurar seus problemas regionais. Na Europa, 

os aliados solicitaram a manutenção da OTAN, preocupados com o surgimento 

de uma política externa e de defesa alemã independente. Para os europeus, a 

retirada norte-americana do continente poderia abrir espaço para a expansão 

dos nacionalismos, particularmente o temido nacionalismo alemão. Suprimido 

o fantasma da expansão soviética, a permanência dos Estados Unidos na Europa 

servia para sofrear suas históricas contradições. Já na Ásia o problema era a China, 

com os aliados da região solicitando a manutenção dessas estruturas de poder por 

temerem o seu progressivo fortalecimento.

Em momento algum os formuladores norte-americanos cogitaram 

romper essas alianças, mas sabiam que a dinâmica das relações internacionais 

acabaria por impor mudanças nos dados e nas percepções. O que parecia um 

grande problema naquele contexto podia se esvaziar com o tempo, revelando 

prescindível a preocupação com o apoio dos Estados Unidos. Por isso, fazia-se 

necessária uma grande estratégia com a força aglutinadora semelhante àquela da 

contenção. Não bastava defender os interesses nacionais e parecer fiel aos aliados. 

Era fundamental que a presença norte-americana estivesse lastreada em uma 

doutrina que justificasse os custos políticos e econômicos dessa presença.

A tese sedutora e triunfalista de “fim da história” não resistiria por muito tempo. 

Como diversos estudiosos do país vaticinavam, a unipolaridade advinda do colapso do 

mundo comunista seria passageira (Kupchan, 2012). A hegemonia norte-americana 

seria desafiada por alguma potência que, ao acumular poder e ascender na hierarquia 

dos Estados, manifestaria seu desconforto com a ordem internacional e assumiria o 

desafio de criar uma nova ordem. Hoje, sete mandatos presidenciais depois da Guerra 

Fria, duas coisas podem ser constatadas quanto à formulação de uma grande estratégia 

que substituísse com a mesma eficácia a estratégia da contenção.

A primeira é que os teóricos que proclamaram que a situação de unipolaridade 

desfrutada pelos Estados Unidos era transitória estavam com a razão (Brzezinski, 

2013; Layne, 1997). A partir dos anos 2000, a estrutura do sistema internacional 

sofreu profundas alterações, fazendo com que a definição mais adequada de sua 

Trump e a Inflexão da Grande Estratégia

187

estrutura fosse de multipolaridade. Em virtude dos senões que tal multipolaridade 

apresenta em relação ao seu tipo ideal,8 a conceituação que melhor corresponde 

à realidade é aquela proposta por Mearsheimer (2001, p. 45): a de uma estrutura 

multipolar desbalanceada, ou uma multipolaridade que comporta grande 

diferencial de poder entre as potências.

A estratégia de “balanceamento externo” (offshore balancing) traria melhores 

resultados para os Estados Unidos, ao “preservar o domínio americano no 

hemisfério ocidental e conter potenciais hegemons na Europa, no Nordeste 

Asiático e no Golfo Pérsico”, ao “estimular outros países a assumir a liderança 

no monitoramento de potências emergentes”, ou ainda ao “manter os Estados 

Unidos tão poderosos quanto possível (...), mantendo a hegemonia no hemisfério 

ocidental” (Mearsheimer e Walt, 2016, tradução nossa). No caso das duas 

primeiras regiões citadas, afirmam os autores, “o objetivo principal (...) deveria 

ser manter o equilíbrio regional de poder”, uma equação que envolveria Rússia 

e China, respectivamente. Ainda segundo Mearsheimer e Walt (op. cit.), com 

essa grande estratégia realista, os Estados Unidos teriam condições de regular 

seu efetivo militar de acordo com a distribuição de poder nessas três regiões, 

reduzindo gastos para a defesa e investindo esses recursos em casa.

O segundo ponto a ser constatado é que em nenhum governo dos quatro 

presidentes que exerceram os sete mandatos no período posterior à Guerra Fria – 

George H. W. Bush (um mandato), Bill Clinton (dois mandatos), George W. 

Bush (dois mandatos) e Barack Obama (dois mandatos) – houve uma formulação 

política que possa ser considerada uma grande estratégia. Todos buscaram o 

mesmo objetivo de apresentar uma justificativa duradoura para o exercício da 

hegemonia norte-americana, mas não obtiveram sucesso. A orientação teórica 

da política externa do governo de cada um deles se esgotou na mesma medida de 

seus mandatos e das ameaças conjunturais exógenas.

Sob o forte impacto do fim da Guerra Fria, George Bush pai anunciou o 

advento de uma Nova Ordem Mundial. Ordem essa que nunca se materializou 

e tampouco chegou a ser definida por seu governo. Fragilizado pela recessão 

econômica, Bush foi derrotado eleitoralmente por Bill Clinton ao tentar a 

reeleição em 1992. Uma vez superada a bipolaridade, o democrata proclamou 

a responsabilidade dos Estados Unidos diante do restante do mundo de guiá-lo na 

nova época que se abria com seu governo – a época da globalização (Posen e Ross, 

1997) –, mediante a execução de uma política externa e de segurança nacional 

8. O tipo ideal de estrutura multipolar de sistema internacional é o europeu do século XIX, em que cinco potências – 

Inglaterra, França, Rússia, Prússia e Império Austríaco – negociavam as mudanças no continente. 

188

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de envolvimento e expansão dedicada às questões comerciais, à consolidação do 

liberalismo e à promoção da democracia mundo afora.9

Buscando conciliar interesse e legitimidade, coerção e persuasão, em 

um contexto internacional mais interdependente e de certeza da liderança  

norte-americana (Guimarães, 2000), a Revisão Quadrienal de Defesa da época 

alertava para o surgimento de peer competidors, em uma referência à China e 

à Rússia. Embora seu governo tenha conseguido universalizar a ideologia da 

globalização, ao conquistar a adesão da mídia e da academia, enfrentou forte 

oposição nacionalista internamente.

George W. Bush assumiu a presidência afirmando a condição de crítico da 

ideologia da globalização e interpretando-a como nociva aos interesses nacionais. Logo 

após ter seu governo sacudido pelo impacto do ataque terrorista às Torres Gêmeas e 

ao Pentágono, declarou seu compromisso de priorizar a Guerra Global ao Terror. 

Guiou-se pelo unilateralismo e recorreu ao medo como fator de coesão social interna 

para levar adiante sua política de fortalecimento do poder de Estado, assim como 

recorreu ao investimento em recursos para aumentar a projeção de poder (Guimarães, 

2002; 2007; 2008). Desdenhou da persuasão, preferindo a imposição dura do poder, 

o que se traduziu em rejeição aos acordos e às instituições multilaterais. Aqui, a China 

é definida como um concorrente estratégico, a Rússia é vista com preocupação e 

acordos e instituições multilaterais são rejeitados ou ignorados.

Sem abrir mão de continuar combatendo o terrorismo, Barack Obama 

anunciou uma nova ênfase no multilateralismo, por meio do qual os Estados 

Unidos promoveriam a paz no mundo, renovando o smart power, ou poder 

inteligente, estabelecendo alianças pragmáticas e transformando inimigos em 

amigos ou parceiros. Manter e reforçar a ordem internacional instituída, sob a 

“indispensável” liderança norte-americana, constituía os alicerces dessa estratégia.

Temos uma oportunidade – e obrigação – de liderar o caminho, reforçando, 

moldando e, quando apropriado, criando regras, normas e instituições que são 

a base para a paz, segurança, prosperidade e proteção dos direitos humanos no 

século XXI. O sistema internacional dos dias atuais depende fortemente de uma 

arquitetura internacional legal e de instituições políticas e econômicas, assim como 

de alianças e parcerias dos Estados Unidos e de outras nações afins estabelecidas 

depois da Segunda Guerra Mundial. Apoiado por uma robusta liderança americana, 

este sistema nos serviu bem por setenta anos, facilitando a cooperação internacional, 

9. Robert B. Reich, um dos mais influentes conselheiros de Bill Clinton, teórico da globalização, argumentava que, com 

o fim da Guerra Fria, a geopolítica fora substituída pela geoeconomia. “A questão fundamental para os Estados Unidos 

no mundo pós-União Soviética – um Estados Unidos diferente, cuja economia e cultura estão fundindo-se rapidamente 

às economias e culturas do resto do globo – é se haverá a possibilidade de redescobrir nossa identidade e nossa 

responsabilidade mútua, sem ter de criar um novo inimigo. A resposta é extremamente duvidosa” (Reich, 1994, p. 304). 

Trump e a Inflexão da Grande Estratégia

189

a divisão de responsabilidades e a prestação de contas (United States of America, 

2015, p. 23, tradução nossa).10

As evidentes diferenças de orientação de política externa dos governos 

pós-Guerra Fria não escondem um elemento comum a todas: a ideia 

bipartidariamente consensual da hegemonia dos Estados Unidos. Havia 

discordância quanto à grande estratégia mais adequada que manteria a hierarquia 

internacional sob a liderança dos Estados Unidos, mas não havia discordância 

quanto à necessidade de manutenção dessa hierarquia e dessa liderança. 

No decorrer dos anos 1990, essa ideia não foi contestada, pois a hegemonia foi 

por todos, dentro e fora do país, interpretada como uma consequência natural do 

colapso do mundo comunista e da União Soviética.

A assim chamada unipolaridade levou a crer, sob o embalo do conceito 

de globalização, que a geopolítica tinha dado lugar à geoeconomia e que, 

doravante, as questões a dividir os Estados seriam pacificamente resolvidas pelas 

leis do mercado. No entanto, a reação nacionalista da Rússia à geral degradação 

ocorrida sob a orientação das instituições econômico-financeiras internacionais 

e a irresistível ascensão econômica da China, impulsionada por sua completa 

integração à globalização econômica, mudaram significativamente o quadro 

internacional, comprometendo muito claramente a ideia de unipolaridade e de 

natural hegemonia dos Estados Unidos no sistema internacional.

Reconhecendo as significativas mudanças no sistema internacional, Richard 

Haass, então presidente do Council on Foreign Relations, afirmava, em 2008, que 

o sistema tinha deixado de ser unipolar, tendo se tornado não polar – “o mundo 

de hoje é dominado não por um ou dois, ou mesmo por vários Estados, mas, sim, 

influenciado por dúzias de atores estatais e não estatais, exercendo vários tipos de 

poder. Isso representa uma mudança tectônica em relação ao passado” (Haass, 

2008, p. 1, tradução nossa).11

O comportamento reverente dos demais Estados ante a liderança dos 

Estados Unidos começou a dar lugar a um comportamento mais crítico a partir 

da reação militarista unilateral do governo George W. Bush aos atentados do 

11 de Setembro. O desdém para com os mecanismos multilaterais, junto com 

a disposição de apelar para o uso da força para impor sua vontade, corroeu o 

prestígio que havia marcado a ação internacional na década anterior. Se, de um 

10. “We have an opportunity – and obligation – to lead the way in reinforcing, shaping, and where appropriate, 

creating the rules, norms, and institutions that are the foundation for peace, security, prosperity, and the protection 

of human rights in the 21st century. The modern-day international system currently relies heavily on an international 

legal architecture, economic and political institutions, as well as alliances and partnerships the United States and other 

like-minded nations established after World War II. Sustained by robust American leadership, this system has served us 

well for 70 years, facilitating international cooperation, burden sharing, and accountability.”  

11. “(…) a world dominated not by one or two even several States but rather by dozen so factors possessing and 

exercising various kinds of power. This represents a tectonic shift from the past.”

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lado, o ataque militar ao Afeganistão foi apoiado por todos como legítima reação 

ao ataque terrorista, de outro, a invasão do Iraque, em 2003, foi considerada 

desnecessária e abusiva pelos aliados e teve como consequência crescente um 

generalizado sentimento antinorte-americano.

A essa perda de prestígio somou-se uma grave crise econômica, a partir 

de 2008. Uma crise que envolveu e enfraqueceu a economia dos parceiros 

europeus, no momento em que a economia chinesa percorria o caminho inverso, 

crescendo significativamente e levando a reboque outras economias do mundo 

em desenvolvimento. Além disso, para evitar efeitos econômicos ainda mais 

danosos da crise, o governo George W. Bush se viu na necessidade de abandonar 

os pressupostos ultraliberais que haviam marcado sua ação e adotar, a contragosto, 

uma forte intervenção do Estado na economia, para salvar bancos e impedir, 

assim, o travamento do sistema de crédito.

O governo Obama iniciou prometendo ser a antítese de seu predecessor. Para 

isso, deveria buscar soluções para os dois grandes problemas deixados por Bush: 

a crise econômica e suas sequelas sociais, além da perda de prestígio dos Estados 

Unidos no mundo. Na frente externa, o êxito de seu programa dependia de como 

conseguiria enfrentar as questões que demandavam respostas mais urgentes: 

a retirada das tropas do Afeganistão e do Iraque, a recuperação da capacidade 

de exercer liderança nos foros multilaterais, a redução do arsenal nuclear, que 

supunha diálogo e acordo com a Rússia, e o estabelecimento de um diálogo e 

talvez uma parceria com a China.

Ainda que mantivesse o compromisso de combater o terrorismo internacional, 

cujo alvo principal era Osama bin Laden, considerado o responsável pelos ataques 

do 11 de Setembro, Obama priorizava investir no diálogo e na cooperação para 

recuperar a liderança dos Estados Unidos. Tão enfaticamente se mostrou propenso 

a executar esse programa que a ele foi conferido o Prêmio Nobel da Paz, apenas 

nove meses após a posse.

Há, porém, uma diferença importante entre a promessa de Obama e a de 

George W. Bush. Ela se refere à divergência dos governos quanto aos meios, ainda 

que ambos tenham convergido quanto ao fundamental: o propósito de afirmar o 

papel essencial dos Estados Unidos como referência para a manutenção da ordem 

internacional liberal que havia se estruturado ao fim da Segunda Guerra Mundial. 

Embora divergindo quanto à melhor política para continuar a desempenhar esse 

papel, Obama e Bush se mantiveram fiéis ao consenso bipartidário, segundo o 

qual compete aos Estados Unidos zelar pela ordem internacional.

Em face dessa questão, apresenta-se o argumento central desta análise da 

grande estratégia dos Estados Unidos: há, no governo Trump, uma ruptura nesse 

sentido, na medida em que este diferencia-se dos seus antecessores por romper 

Trump e a Inflexão da Grande Estratégia

191

o consenso bipartidário e alterar a inserção do Estado no sistema internacional. 

Na nova inserção internacional dos Estados Unidos, não há mais lugar para a 

elaboração de uma grande estratégia nos moldes tradicionais.

O governo Trump tem inaugurado uma nova fase, na qual os Estados Unidos 

continuam se comportando e sendo reconhecidos como grande potência, uma vez 

que não perderam o poderio econômico, e tampouco tiveram enfraquecido seu 

dispositivo militar-nuclear. Em virtude das mudanças no sistema internacional, 

porém, não conseguem mais exercer o antigo papel de potência hegemônica. 

Embora seus recursos de poder sejam muito elevados, as condições gerais não 

permitem mais que a imposição de seus interesses seja percebida como algo natural 

e necessário pelos demais Estados. Como dirá Bacevich (2017, tradução nossa), 

“a resposta da America First para as mudanças em curso na ordem internacional 

deveria começar com o reconhecimento de que o momento unipolar passou. 

A nossa era é multipolar”.

Para desenvolver esse argumento, antes de analisar o desempenho do governo 

Trump, faz-se indispensável apontar aquelas mudanças ocorridas no sistema 

internacional que concorreram decisivamente para a redução do poder relativo 

dos Estados Unidos. Não há dúvida de que as mais importantes foram a irrupção 

da China na condição de grande potência econômica, o esforço empreendido 

pela Rússia para recuperar sua condição de grande potência e a formação do 

BRICS (acrônimo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), uma 

busca de inserção internacional por meio de alianças estratégicas. A percepção do 

governo Trump do impacto desses fatores combinados explica em grande medida 

sua política externa.

Diante desse contexto internacional, na prática, a política antiglobalização de 

Trump se traduz na tentativa de conter a marcha ascendente chinesa no caminho da 

hegemonia mundial, pois a China se constitui como a principal potência oponente. 

Acomodar a Rússia seria uma parte dessa política, que também se traduziria em 

abandonar projetos por ele considerados muito dispendiosos e que comprometem 

as condições de vida de segmentos sociais, com os quais se acha comprometido.

4 AS TRANSFORMAÇÕES INTERNACIONAIS

4.1 A irrupção da China

O crescimento da China teve início com as reformas introduzidas por Deng 

Xiaoping em 1978, conhecidas como as Quatro Modernizações – indústria, 

agricultura, ciência e tecnologia e Forças Armadas. Essas reformas sinalizavam 

a vitória da corrente produtivista sobre a corrente liderada por Mao Zedong. 

Os resultados das reformas apareceram em tempo breve. Com a abertura das 

192

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Zonas Econômicas Especiais (ZEEs) – Shenzhen, Zhuhai, Shantou e Xiamen – e 

de seu mercado para os investimentos estrangeiros, a economia chinesa passou 

a apresentar índices de crescimento na casa dos dois dígitos (Marti, 2007, p. 9). 

Até 2010, o PIB chinês cresceu a uma média anual de 10%, passando, a partir de 

então, a crescer com taxas mais moderadas, da ordem de 7% ao ano. Mediante 

uma agressiva política de exportação de produtos de baixo custo, ao alcance 

do orçamento de consumidores de baixa renda, a China se tornou uma parte 

importante da economia internacional.

Essa importância aumentou consideravelmente quando o governo chinês 

aceitou o desafio da globalização e passou a importar grandes quantidades 

de produtos alimentícios e de petróleo. Ao abrir mão da autossuficiência que 

mantivera desde a Revolução de 1949, a China ingressava em um novo momento. 

Nessa etapa, iniciada em meados dos anos 1990, o país se tornou um dos 

promotores da globalização. Isso se efetuou na forma de exportação de produtos 

de mais alto valor tecnológico agregado para mercados de consumidores de renda 

mais alta, bem como na forma de maior articulação política junto a países em 

que investia capitais e com os quais realizava importações importantes para o 

funcionamento de sua economia.

As colossais exportações e importações que realizava foram responsáveis 

pelo crescimento de numerosos países da América Latina e da África, numa fase 

em que as economias desenvolvidas tentavam se recuperar da crise de 2008. 

Por realizar negócios sem se envolver nas questões políticas internas dos parceiros, 

os chineses conseguiram invadir áreas até então de influência de europeus e de 

norte-americanos, que têm procurado reagir a essa invasão de diversas maneiras.

Ao crescimento econômico correspondeu um maior engajamento da China 

nas organizações que formam a ordem internacional. Segundo Zhongqi (2010, 

p. 48), o engajamento chinês evoluiu em três estágios. O primeiro se deu com 

a participação em organizações pertinentes à autodeterminação e à preservação 

da soberania nacional. O segundo aconteceu com a adesão ao Banco Asiático de 

Desenvolvimento (BAD) e ao Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio (General 

Agreement on Tariffs and Trade – GATT), em 1986. O terceiro estágio verificou-se 

a partir de meados dos anos 1990, quando a China passou a integrar a maioria 

das organizações internacionais, especialmente as multilaterais, com destaque 

para a participação na OMC e a criação da Organização para Cooperação de 

Xangai, ambas em 2001.

A passagem para o segundo estágio do envolvimento da China na ordem 

internacional, que implicou a internalização das regras específicas impostas 

por cada uma dessas instituições, correspondeu ao completo enredamento no 

processo de globalização. O vigoroso crescimento econômico e os vultosos 

Trump e a Inflexão da Grande Estratégia

193

investimentos em infraestrutura acarretaram uma significativa ampliação das 

relações econômicas da China com todos os países do mundo.

Não é de se estranhar, portanto, que os Estados Unidos tenham começado 

a reagir a esse crescimento econômico e a essa rede de elos políticos que os 

chineses criaram ao redor do mundo. O incômodo com a expansão chinesa já 

se manifestara no governo Obama, que passou a considerar a Ásia como “pivô”, 

uma área estrategicamente mais sensível para os Estados Unidos. O tom era mais 

cauteloso, porém, do que no do governo que lhe sucedeu.

4.2 A reabilitação da Rússia

A reabilitação da Rússia como potência mundial aconteceu com a eleição de 

Vladimir Putin, em 2000. Nos anos 1990, a Rússia atravessou uma séria crise. 

O processo conduzido por Boris Yeltsin de transformar a economia centralmente 

planificada em economia de mercado foi bastante acidentado. Além das 

dificuldades de converter o sistema político antes existente em sistema político 

democrático de perfil ocidental, as grandes empresas russas caíram nas mãos de 

oligarquias com bastante liberdade de atuação. A chegada de Putin à Presidência, 

inicialmente substituindo Yeltsin de forma provisória e, depois, como presidente 

eleito, mudou essa situação. Beneficiado pela alta dos preços do petróleo e do 

gás e limitando a liberdade das oligarquias econômicas, mediante o exercício 

da autoridade das instituições de Estado, Putin pacificou a sociedade russa, ao 

mesmo tempo que promoveu o crescimento econômico.

O bom desempenho da economia aproximou a Rússia do Ocidente. 

Tal aproximação teve como ponto alto o convite para a Rússia integrar o Grupo dos 

Sete (G7), que reúne as mais desenvolvidas economias industriais do mundo. A boa 

relação com o Ocidente, no entanto, teve curta duração, uma vez que Putin revelou 

não estar disposto a negociar posições caras ao nacionalismo russo. Por considerar 

que a OTAN praticava uma política de cooptação de países da Europa Oriental 

com a nítida intenção de isolar Moscou e impedir que esta voltasse a se expandir 

por aquela área e reconstituísse seu antigo império, ou mesmo a área da ex-União 

Soviética, Putin passou a hostilizar abertamente o Ocidente e a denunciar a 

globalização como um instrumento de dominação ideológica ocidental.

4.3 A criação do BRICS

O BRICS foi criado em 2006 como uma articulação político-diplomática. 

Em 2009, assumiu-se como grupo político. Reunindo, inicialmente, Brasil, 

Rússia, Índia e China e, posteriormente, agregando a África do Sul, o BRICS 

nasceu com o compromisso de atuar no sentido de promover uma nova 

ordem internacional.

194

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Favorecidos por um significativo crescimento econômico, em grande medida 

alavancado pelo crescimento chinês, esses grandes países da periferia, unidos à 

Rússia, que empreendia sua reabilitação como grande potência, passaram a ter 

destacada atuação internacional. Ao interagirem mais intimamente, os integrantes 

do BRICS foram descobrindo possibilidades novas de entrosamento entre eles 

e aumentando o volume de comércio, bem como foram elevando o grau de 

cooperação nos planos de educação, cultura e ciência e tecnologia.

A ação mais contundente do BRICS se deu com a criação, em 2012, do Arranjo 

Contingente de Reservas (ACR) e do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB). 

Com a finalidade de apoiar o processo de desenvolvimento econômico-social dos 

países da periferia na área de construção de infraestrutura, essas duas instituições 

se apresentam como alternativas ao Fundo Monetário Internacional (FMI) e ao 

Banco Mundial, que sempre estiveram voltados para a sustentação dos interesses 

dos países desenvolvidos desde sua criação em 1944, em Bretton Woods.

A ordem internacional de Bretton Woods vem sendo criticada desde os anos 

1970, quando o então denominado Terceiro Mundo lançou a ideia de uma Nova 

Ordem Econômica Internacional, que mobilizou as lideranças políticas – sobretudo 

aquelas vinculadas ao Movimento dos Países Não Alinhados. Diferentemente 

desse movimento dos anos 1970, o BRICS se constitui como uma ameaça real aos 

interesses dos Estados Unidos e de seus aliados do G7. Envolve poucos grandes 

países, que são líderes regionais, o que facilita significativamente o trabalho de 

articulação política, como bem demonstram os encontros anuais de seus líderes, e 

também reúne potências nucleares (Rússia, China e Índia). Duas destas – Rússia 

e China – têm assento permanente no Conselho de Segurança da ONU.

5 O GOVERNO TRUMP

Na base da rejeição do governo Trump a grandes acordos comerciais e a instituições 

internacionais estaria o populismo jacksoniano, nacionalista e individualista, 

historicamente associado ao homem branco, protestante, das classes baixas e 

médias, com formação abaixo da média nacional, que ficou sem emprego ou 

que se vê ameaçado de perdê-lo (Mead, 2000; 2017). É aquele que se considera 

ameaçado pela diversidade racial e cultural, desconfia das elites, do livre comércio, 

da imigração e dos compromissos externos, rejeita o globalismo e é um ferrenho 

defensor da soberania e do poder americanos.

Assim como Andrew Jackson, afirma Walter Russell Mead (Glasser, 

2018; Mead, 2016), a política externa de Trump é menos inflamada do que 

sua retórica, e as guerras, vistas como um último recurso – salvo se a América 

for atacada. Para a política externa vale a mesma orientação que a da política 

doméstica: “O governo deveria fazer tudo o que está em seu poder para promover 

Trump e a Inflexão da Grande Estratégia

195

o bem-estar – político, moral, econômico – de sua comunidade” (Mead, 2000, 

tradução nossa).12 Em suas origens, o movimento America First teria justamente 

esse objetivo: “garantir a segurança e o bem-estar dos Estados Unidos sem se 

envolver em guerras desnecessárias” (Bacevich, 2017, tradução nossa).13

Diferentemente de wilsonianos (defensores dos princípios morais), 

hamiltonianos (realistas) e jeffersonianos (pregadores dos ideais democráticos), 

para os jacksonianos é preciso haver uma ameaça clara e concreta ao interesse 

nacional, já que alegações de ordem moral não são suficientes para mobilizar o 

apoio desse grupo. Também ao contrário do que se viu com os neoconservadores 

do governo George W. Bush, não se trata de investir em nation-building ou de 

ser um modelo, o “farol” para o mundo. O eleitorado de Trump espera menos 

multilateralismo e menos intervencionismo. Guerras não devem ser usadas 

como elemento de distração de imbróglios domésticos, mas, uma vez que se 

decida entrar em um conflito, deve-se ir até o fim. Jacksonianos não são dados a 

hesitações nesse plano.

Confrontar a Coreia do Norte, manter tropas na Síria e no Afeganistão, 

alargar a OTAN, incluindo países da parte leste da Europa limítrofes da 

Rússia, e pressionar a Rússia de modo a isolá-la completamente são políticas 

que Trump considera dispendiosas e que somente atendem aos interesses do 

complexo industrial-militar. Este comporta aquilo que Mead (2000) chama de 

lobby de guerra norte-americano, o qual costuma ser acionado em momentos 

de crise nacional:

uma força política que, sob certas circunstâncias, pede a guerra, apoia o uso decisivo 

da força e pede aos líderes políticos que parem de perder tempo com negociações, 

sanções e encontros no Conselho de Segurança, de modo a atacar o inimigo com 

toda força possível (Mead, 2000, tradução nossa).

Trump se elegeu presidente assegurando a seu eleitorado que reverteria todas 

as decisões de seu antecessor. Tanto na cena doméstica quanto na externa, o início 

da atual gestão foi marcado pela obsessão com a adoção de políticas anti-Obama 

e pela preocupação com questões de segurança, ainda em função da atuação do 

Estado Islâmico (EI) no Oriente Médio e dos diversos ataques cometidos em 

nome do grupo em países aliados – sobretudo na Europa.

Após mais de dois anos de mandato, o republicano segue firme no processo 

de desmantelamento das políticas do democrata, com as notórias saídas, no 

plano externo, do Acordo de Paris sobre o clima, do acordo nuclear entre o Irã 

e o P5+1 (o Joint Comprehensive Plan of Action – JCPOA), país ao qual impôs 

12. “The government should do everything in its power to promote the well-being – political, moral, economic – of 

the folk community.”

13. “(…) to ensure the safety and well-being of the United States without engaging in needless wars.”

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revista tempo do mundo | rtm | v. 5 | n. 1 | jan. 2019

novas sanções, do Acordo de Parceria Transpacífica (Trans-Pacific Partnership 

Agreement – TPP), do Conselho de Direitos Humanos e da Organização das Nações 

Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), ambos da ONU – ou, 

mais recentemente, com a substituição do Acordo de Livre Comércio da América 

do Norte (North American Free Trade Agreement – NAFTA) pelo Acordo Estados 

Unidos-México-Canadá (United States-Mexico-Canada Agreement – USMCA).

É possível distinguir dois momentos no governo Trump, com a elevada 

dança das cadeiras no alto escalão sendo um bom indicativo desse vaivém nos 

anúncios e na tomada de decisão do presidente. Lembre-se de que é grande e 

incomum, para um período tão curto em um mandato, o número de baixas – 

entre demissões e deserções – registradas na primeira metade do governo Trump.

Até agora, restringindo-nos apenas aos principais cargos e que se relacionam 

mais diretamente com o assunto desenvolvido neste trabalho, já são dois 

secretários de Estado (Rex Tillerson e Mike Pompeo), um de Defesa (Jim Mattis), 

dois de Segurança Interna (John Kelly e Kirstjen Nielsen) e três conselheiros de 

Segurança Nacional (Michael Flynn, general Herbert Raymond McMaster e John 

Bolton), além da saída de assessores influentes como o estrategista de extrema 

direita Stephen (Steve) Bannon (Lu e Yourish, 2019). Estes números incluem o 

ocupante atual do respectivo cargo, mas não os interinos.

Ao tomar posse, o presidente recém-eleito ainda tem de administrar a 

agenda passada, mas precisa, igualmente, marcar posições que estabeleçam sua 

identidade e que justifiquem para sua base eleitoral sua chegada ao poder. Assim, 

no primeiro momento, Posen (2018, tradução nossa) aponta que o governo 

republicano se manteve “comprometido com a competição geopolítica com as 

maiores potências militares do mundo e com as alianças formais e informais que 

ele herdou”, “ameaçou com novas guerras”, “continuou guerras em curso contra 

os talibãs no Afeganistão e contra o EI no Iraque e na Síria, com mais recursos e 

com mais violência do que seus antecessores”, e “anunciou planos para investir 

ainda mais dinheiro no Departamento da Defesa”.

Em um episódio que destoa do padrão apontado neste trabalho e que foi 

considerado uma espécie de concessão aos conservadores tradicionais do Partido 

Republicano e de distinção com a política de Obama, encaixando-se nesse 

primeiro momento, Trump atacou a base aérea Shayrat, em Homs, na Síria, em 

2017. À época, alegou que Bashar al-Assad teria ultrapassado a “linha vermelha”, 

ao usar armas químicas contra sua população. Também nesse início de governo, 

seguiu com mais frequência o roteiro formal de tomadas de decisão por meio da 

consulta interagências e entre departamentos, ainda permanecendo no NAFTA 

e sem romper o acordo com o Irã (Wright, 2019). Isso mudaria mais adiante, 

incluindo o anúncio de retaliações aos países que negociarem com Teerã.

Trump e a Inflexão da Grande Estratégia

197

Na segunda fase de sua política externa, mais dura e mais unilateralista, Trump 

busca mais autonomia decisória, ignorando muitas das orientações derivadas do 

processo interagências (Wright, 2019). Envolveu-se em uma longa e cara disputa 

comercial com a China, ainda em aberto em 2019, e decidiu, aparentemente sem 

amplas consultas prévias, reunir-se com o líder norte-coreano. Duas cúpulas já 

foram realizadas (Singapura, em 2018, e Hanói, em 2019). Objetivamente, para os 

Estados Unidos, o único avanço palpável foi a suspensão, por parte de Pyongyang, 

dos testes de lançamento de mísseis. A essa altura, contudo, Washington esperava 

mais. Tampouco houve progresso no conflito entre israelenses e palestinos no 

Oriente Médio, onde a decisão de Trump de transferir a embaixada americana de 

Tel Aviv para Jerusalém foi criticada pela maioria dos países-membros da ONU, 

irritou os palestinos e reduziu a abertura para que os Estados Unidos sejam um 

mediador válido e permanente nessa questão.

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Em face do novo quadro internacional exposto neste estudo, afirma-se que o 

governo de Donald Trump surge como uma ruptura do consenso bipartidário 

longamente construído desde o pós-Segunda Guerra Mundial, apresentando-se 

como uma característica essencial dessa nova grande estratégia de contornos até 

agora imprecisos. Ainda em curso e com expectativa de que se possa ter resultados 

mais concretos colhidos no decorrer dos próximos dois (ou seis) anos, esta mudança 

não se deu no instante da chegada do presidente ao poder. No final de 2017, por 

exemplo, na National Security Strategy recém-divulgada, a Coreia do Norte ainda 

era apontada como rogue state.14 O que se seguiu, após intensa escalada retórica 

mútua, foi o arrefecimento no tom e as duas cúpulas bilaterais Trump-Kim.

Essa mudança foi se avolumando, conforme Trump enfim impunha 

seu estilo e conseguia superar (minimizar talvez seja o termo mais adequado) 

os conflitos entre os diferentes atores que compõem seu gabinete. Em meio à 

alta rotatividade no primeiro e segundo escalões, incluindo os departamentos 

de Estado e de Defesa e o Conselho de Segurança Nacional, e à disputa entre 

as diferentes tendências político-ideológicas no entorno próximo de Trump, vai 

ficando mais clara e central a prevalência das preferências do presidente.

Um maior alinhamento entre agentes tão diversos – em visões de mundo, 

trajetória, percepção do interesse nacional e quanto ao conteúdo e à formulação 

da política externa e de defesa – deve contribuir para dar a essa política 

traços mais definidos de uma grande estratégia. Essa maior afinação do trio  

Trump-Pompeo-Bolton não impedirá, porém, a ocorrência de contradições, 

recuos e divergências, como visto até então.

14. Sobre o debate a respeito do significado, do uso e da construção do conceito de rogue state, consultar Mizuta (2012). 

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Os termos direita, esquerda e centro são as principais referências no espectro político para classificar ideologias, partidos e governos. A divisão surgiu na França, em 1789, onde os defensores do rei sentavam-se à direita e os revolucionários à esquerda. Abaixo estão as características e diferenças fundamentais de cada um:

1. Esquerda

A esquerda foca na igualdade social e no bem-estar coletivo. Para atingir esses objetivos, defende a forte intervenção do Estado na economia e a implementação de políticas públicas de redistribuição de renda e proteção social.

Valores: Justiça social, direitos humanos, igualdade de oportunidades, pautas progressistas e ambientalismo.


Posição sobre o Estado: Ativo e regulador, responsável por corrigir desigualdades geradas pelo mercado.


Espectro: Socialismo, Social-Democracia, Trabalhismo, Comunismo.


2. Direita

A direita prioriza a liberdade individual, a meritocracia e a livre iniciativa. Defende que o mercado deve se autorregular com pouca interferência do governo, valoriza a tradição e a propriedade privada.

Valores: Liberdade econômica, patriotismo, conservadorismo nos costumes, livre mercado e eficiência.


Posição sobre o Estado: Mínimo ou restrito, atuando apenas em áreas essenciais como defesa, segurança e justiça.


Espectro: Liberalismo, Neoliberalismo, Conservadorismo e Libertarismo.


3. Centro

O centro atua como uma ponte ou interseção entre a direita e a esquerda. Quem se identifica com o centro costuma ser moderado, buscando conciliar o crescimento econômico e o livre mercado (pauta de direita) com programas de bem-estar social e justiça (pauta de esquerda).

Valores: Diálogo, equilíbrio, pragmatismo, reformas graduais e direitos civis.


Posição sobre o Estado: Um regulador inteligente, que atua onde a iniciativa privada não consegue suprir as necessidades da população.


Espectro: Social-Liberalismo, Democracia Cristã e a chamada "Terceira Via

Conservadorismo, progressismo e liberalismo são as três principais correntes de pensamento político e social que moldam o debate público contemporâneo. Cada uma delas possui uma visão distinta sobre a natureza humana, o papel do Estado, a economia e a evolução das tradições sociais.

Resumo das Diferenças

Vertente PolíticaFoco PrincipalPapel do EstadoVisão sobre Mudanças SociaisConservadorismoPreservação institucional e ordem moralLimitado, mas forte na segurança e ordemGraduais, orgânicas e baseadas na prudênciaProgressismoJustiça social, igualdade e reformaAtivo na redução de desigualdadesRápidas, necessárias e guiadas pelo avanço éticoLiberalismoLiberdade individual e direitos civisMínimo na economia; protetor de direitos fundamentaisNaturais, impulsionadas pelo indivíduo e pelo mercado

Conservadorismo

O conservadorismo defende a preservação das instituições tradicionais, como a família, a igreja e a comunidade, como pilares de estabilidade social.

Tradição e Prudência: Rejeita rupturas revolucionárias abruptas, preferindo reformas lentas e testadas pelo tempo.


Ceticismo da Razão Pura: Questiona projetos utópicos de engenharia social que tentam refazer a sociedade do zero.


Ordem Moral: Defende a existência de uma ordem ética duradoura e costumes estabelecidos.


Progressismo

O progressismo foca na transformação social e na promoção da igualdade por meio de reformas políticas e econômicas.

Mudança Social: Vê a história como um caminho de avanço contínuo em direção aos direitos humanos e justiça.


Intervenção Estatal: Defende que o Estado deve atuar ativamente para mitigar desigualdades e proteger minorias.


Quebra de Paradigmas: Questiona tradições antigas que possam perpetuar opressões ou privilégios históricos.


Liberalismo

O liberalismo coloca a liberdade individual como o valor supremo e o direito inalienável de cada cidadão.

Direitos Individuais: Prioriza a defesa da vida, da propriedade privada e da liberdade de expressão.


Livre Mercado: Advoga pela livre concorrência econômica e menor interferência estatal na produção.


Estado de Direito: Exige leis universais claras que limitem o poder governamental para evitar a tirania.


Interseções e Fusões

Estas correntes não são caixas isoladas e frequentemente se misturam na prática política atual:

Conservadorismo Liberal: Alinha a defesa do livre mercado econômico com a preservação dos valores morais tradicionais nos costumes.


Social-Liberalismo: Combina as liberdades individuais e de mercado com políticas de assistência e inclusão social.


Progressismo Cultural: Foca na liberdade de estilos de vida, direitos civis identitários e autonomia das escolhas pessoais. Segundo o Sociólogo , Mestre e Doutor Cesar Portantiolo Maia , no Quarto Período da Habilitação em Jornalismo na Comunicação Social , pelas Faculdades Integradas Alcântara Machado (FIAAM FAAM).

O populismo é uma estratégia política que divide a sociedade entre o "povo virtuoso" e uma "elite corrupta"

. Em 2026, essa distinção continua sendo central no debate global e brasileiro, diferenciando-se pela definição de quem é esse "povo" e quem é o seu inimigo. 

Populismo de Esquerda

Definição do "Povo": Foca na classe trabalhadora, nos marginalizados e nos explorados pelo sistema capitalista.


Inimigo Eleito: A elite econômica, o sistema financeiro, as grandes corporações e a desigualdade.


Objetivo: Redirecionar o poder econômico e promover a justiça social através da intervenção estatal e políticas distributivas.


Cenário em 2026: No Brasil, o O Partido dos Trabalhadores  continua sendo a principal referência, com o governo buscando resgatar a popularidade através de agendas sociais focadas nas classes populares  para a disputa eleitoral em 2026.


Populismo de Direita

Definição do "Povo": Baseia-se em uma identidade cultural, nacional ou religiosa (frequentemente definida como a "maioria silenciosa").


Inimigo Eleito: Elites intelectuais e "cosmopolitas", o "sistema" (establishment) político, instituições como o Judiciário e, por vezes, minorias ou imigrantes.


Objetivo: Restaurar valores tradicionais e a ordem social, muitas vezes com um discurso antissistema e agenda de liberalismo econômico.


EMENDA I

O Congresso não legislará no sentido de estabelecer uma religião, ou proibindo o livre exercício

dos cultos; ou cerceando a liberdade de palavra, ou de imprensa, ou o direito do povo de se reunir

pacificamente, e de dirigir ao Governo petições para a reparação de seus agravos. Segundo a Constituição dos Estados Unidos na Universidade Federal de Londrina.

E recentemente  . Trump barrou a liberdade de imprensa ,violando a primeira emenda da Constituição. E agora leitor (a) .O mandatario vai violar novamente a primeira emenda da constituição ? Que garante os direitos de manifestação ?

E assim caminha a humanidade.

Imagem do Portal G1 da Rede Globo.





 

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