quinta-feira, 8 de outubro de 2026

Aonde vai parar.....................

 



O patrimonialismo é um sistema político e administrativo em que o governante trata o Estado como sua propriedade pessoal, sem separar o que é público do que é privado.

Confusão de esferas: O dinheiro e os cargos do governo servem para atender aos interesses de quem está no poder, e não da população.

Raízes históricas: O modelo veio de Portugal durante a colonização e cresceu com os grandes latifúndios e o coronelismo

Estudos clássicos: Pensadores como Sérgio Buarque de Holanda e Raymundo Faoro usaram a ideia para explicar a política brasileira

A FORMAÇÃO DO ESTADO BRASILEIRO: 

PATRIMONIALISMO, BUROCRACIA E CORRUPÇÃO. 

 

Luiz Henrique da Rocha Neto* 

 

 

RESUMO: 

O artigo indica algumas particularidades da formação político-cultural brasileira, 

configurada à feição das autoridades, da sociedade e da administração colonial 

portuguesa. Apresenta a temática do patrimonialismo, conforme a teoria weberiana, 

como forma de hegemonia de poder; bem assim, como marcante característica do 

homem brasileiro, segundo Raimundo Faoro e Sérgio Buarque de Holanda, 

principalmente. O estamento burocrático é abordado como orientador da ordem social 

e administrativa que se desenvolveu e resiste aos tempos modernos; a formação 

política gerida pela metrópole lusitana, que prevalecia sobre os grupos coloniais 

dispersos, é colocada como originária dos “clãs” para preservação de vantagens; 

ignorância, pobreza, corrupção, arbítrio, são referidas como algumas das 

manifestações de desigualdades e do persistente subdesenvolvimento da sociedade 

brasileira; registra-se a considerável participação do poder econômico e a compra de 

votos como nódoas do atual sistema eleitoral; o poder de barganha da Administração 

pública como gestora de um orçamento apenas autorizativo. Dentre as 

vulnerabilidades, destaca-se a fragilidade militar, explicável pelo receio de que a 

Colônia tivesse armas. Enfim, fala-se do subdesenvolvimento que, à época de Pombal 

e de Eça de Queiroz, já vigorava no império português e as causas apontadas - o 

jesuitismo e a inércia da burocracia -, que se instalaram no Brasil-colônia, trazido pelo 

estamento, com todos os valores que lhe são inerentes. 

PALAVRAS-CHAVE: Direito Internacional Público. Brasil. Formação Política. 

Patrimonialismo. Subdesenvolvimento. Hegemonia. Estamento burocrático. Sistema 

eleitoral. Vulnerabilidades. Inatividade. Progresso. Homem cordial. Individualismo. Clã. 

 

 

ABSTRACT: 

The article shows some particularities about Brazilian political-cultural formation, 

molded by authorities, society and Portuguese colonial administration. It presents the 

patrimonialism thematic, as Weber theory, as a way of power hegemony. By the way, 

like a character of Brazilian man, as Raimundo Faoro and Sérgio Buarque de Holanda, 

mainly. The burocracy is approached as a guide of the social and administrative order, 

                                                           

* Servidor público da Câmara dos Deputados, Administrador de Empresas, com pós-graduação 

em Gerência Empresarial e em Planejamento Cooperativo; Advogado, com pós-graduação em 

Direito Social; mestrando em Direito Internacional Econômico pela Universidade Católica de 

Brasília. E-mail: luiz.henrique@camara.gov.br.  

 

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that developed and resists over the modern times; the politic formation managed by the 

Portuguese people, that prevail under dispersed colonial groups, is put as the 

beginning of the “clans” to assure advantages; ignorance, poverty, corruption, will, are 

shown as some inequality manifestations and persistent underdevelopment of Brazilian 

society. It is worth to mention the considerable participation of economic power and the 

vote buying as illness of the actual electoral system; the bargain power of public 

Administration as the guide of a budget which is not mandatory. One of vulnerabilities 

is the military fragility, explained by the fear of the Colony having weapons. In sum, 

disserts about underdevelopment that, in Pombal and Eça de Queirós times, already 

existed in Portuguese empire and the pointed causes – the Jesuit style and burocracy, 

moved to Brazil-cologne, brought by the system, with all inherent values. 

KEYWORDS: International Public Law. Brazil. Political Structure. Domination. 

Patrimonialism. Underdevelopment. Hegemony. Burocracy. Electoral system. 

Vulnerabilities. Inactivity. Progress. Cordial man. Individuality. Clan. 

SUMÁRIO 

1. Introdução 

2. Características da Formação Brasileira 

2.1. Max Weber e o Patrimonialismo  

2.2. O Patrimonialismo na formação brasileira 

2.3. O Estamento burocrático 

2.4. O Clã Político 

2.5. Disparidades e vulnerabilidades 

3. Subdesenvolvimento: vício e origem 

4. A Macro-estrutura hegemônica de poder e suas estratégias 

5. Considerações Finais 

6. Referências 

 

 

 

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1. Introdução 

Saber qual teria sido a causa última, o pecado original que faz com que 

o Brasil seja sempre incluído entre os "subdesenvolvidos", ou faça parte dos 

"em desenvolvimento", ou ainda considerado como "país emergente" e nunca 

no rol dos definitivamente bem sucedidos, há de ter uma explicação. 

Ampla parcela da teoria política nacional trata a formação do Estado 

brasileiro, plasmada sob o jugo português, como resultado de um processo 

histórico e, por isso, há uma forte tendência a considerá-la como fruto de uma 

ordem patrimonial de aparência medieva. 

A temática do “patrimonialismo”, cuja origem teórica remonta aos 

conceitos de Max Weber e que, via de regra, tendia a associar o trato da coisa 

pública pela autoridade como se particular fosse, abre um vasto campo de 

investigações a quem se interessar pelo estudo das instituições políticas 

nacionais. 1 Sob o prisma conceitual, faz-se indispensável investigar o 

fenômeno de forma a entender como os autores nacionais elucidaram as 

peculiaridades mais significativas e demonstrar em que medida se afastaram 

da acepção originária.  

No contexto brasileiro, a recepção conceitual do patrimonialismo, como 

uma prática social que não estabelece diferença entre a esfera pública e a 

particular na vida política, adquiriu diversas interpretações2. A busca por 

                                                           

1 SILVEIRA, Daniel Barile da. Patrimonialismo e a Formação do Estado Brasileiro: 

uma releitura do pensamento de Sérgio Buarque de Holanda, Raymundo Faoro e Oliveira 

Vianna. Disponível em:  < www.conpedi.org/manaus/arquivos/Anais/Daniel > Acesso em: 28 

mai. 2007. 

 

2 Conforme Sérgio Buarque de HOLANDA, Raymundo FAORO, Oliveira VIANNA, 

Samuel Pinheiro GUIMARÃES e Simon SCHWARTZMAN. 

 

 

 

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explicações políticas ou culturalistas, que atribuíam o atraso nacional à vida 

longa da monarquia escravagista, à herança lusitana, à excessiva 

miscigenação ou ao caboclo, cristalizou-se no patamar estrutural, de horizontes 

bem mais amplos3. No após Segunda Guerra Mundial, a questão da dimensão 

do subdesenvolvimento adquiriu outros foros. 

2. Características da Formação Brasileira  

2.1 - Max Weber e o Patrimonialismo  

Na teoria política de Max Weber, o patrimonialismo é um modo de 

exercício legítimo de poder político, ancorado no tipo de “dominação 

tradicional”. A partir da análise do fundamento da legitimidade de dar ordens e 

a respectiva obediência pelos súditos, Weber intenta descobrir como se 

procede o fenômeno da dominação no seio das relações sociais. Na visão dele, 

a obediência ao chefe político está assegurada por um dos sistemas de 

dominação legítima, quais sejam: a “dominação carismática”, a “dominação 

racional-legal” e a “dominação tradicional”.4  

                                                                                                                                                                          

 

3 SCHILLING, Voltaire. História do Brasil: As razões do atraso e do 

subdesenvolvimento. Disponível em: < www.terra.com.br/voltaire/2004/04/14/003.htm  >. 

Acesso em: 28 jun. 2007.  

 

4 Essas formas de dominação, cabe ressaltar, são denominadas por WEBER como sendo 

“tipos-ideais”, ou seja, um recurso metodológico que o cientista utiliza toda vez que necessitar 

de compreender um fenômeno formado por um conjunto histórico ou uma seqüência de 

acontecimentos, os quais não podem ser encontrados na realidade – em seu “estado puro” –, 

mas que se situam apenas no plano da abstração teórica. ARON, Raymond. Etapas do 

pensamento sociológico. Trad. Sérgio Bath. 5. ed. São Paulo, Martins Fontes, 1999, p. 465.  

Nada mais é do que um recurso científico-metodológico que se vale o pesquisador para 

compreender uma realidade ou um fenômeno dado, preservando-se os pressupostos de 

neutralidade axiológica e objetividade científica .Trata-se, como afirma Julien FREUND, de 

uma “ucronia”, i.e., aquilo que não se situa nem se pode situar em nenhum tempo. Sociologia 

de Max Weber. Trad. Luiz de Castro e Costa. Rev. Paulo Guimarães do Couto. 5. ed. Rio de 

Janeiro, Forense Universitária, 2000, p 57.  

Com tal fórmula, diz-nos Florestan Fernandes, visa o estudioso do comportamento 

humano social, artificialmente, controlar a obtenção de dados e sua interpretação. 

 

 

 

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O termo “dominação” é definido por Weber como “a probabilidade de 

encontrar obediência a uma norma de determinado conteúdo, entre 

determinadas pessoas indicáveis”.5 O conceito está intimamente ligado à idéia 

que ele tem do “Poder”, ou seja a possibilidade de impor a própria vontade 

numa relação social, mesmo contra resistências, seja qual for o fundamento 

dessas legitimidades”. 6  

Para ser legítima, a dominação requer certa vontade de obedecer e 

interesse na obediência (princípio da legitimidade). Típico caso é o dos 

governantes chamados ao poder por ordem de progenitura (monarca, v.g.), ou 

até pelo fato de serem os mais velhos – conselho de anciãos -, por possuírem 

glebas de terra. E os governados são súditos ou pares que se caracterizam por 

observar somente regras estabelecidas pelo costume vigente, por uma tradição 

ou por lealdade ao senhor decorrente estritamente de um status reconhecido 

pelo decorrer dos tempos.7  

O "patrimonialismo" é uma forma de exercício da dominação por uma 

autoridade, a qual está legitimada pela roupagem da tradição, cujas 

características principais repousam no poder individual do governante que, 

amparado pelo aparato administrativo recrutado com base em critérios 

                                                                                                                                                                          

FERNANDES, Florestan. Fundamentos empíricos da explicação sociológica. São Paulo, 

Companhia Editora Nacional, 1959, p. 96-7.  

Ver também WEBER, Max. Sobre a teoria das ciências sociais. Trad. Rubens Eduardo 

Frias. São Paulo: Moraes, 1991. 

 

5 WEBER, Max. Economia e sociedade; fundamentos de sociologia compreensiva. v. 

1. Brasília, Ed.UnB, 1999, p. 33.  

 

6 Idem. 

 

7 SILVEIRA, Daniel Barile da, op. cit. Disponível em: < 

www.conpedi.org/manaus/arquivos/Anais/Daniel > Acesso em: 28 mai. 2007. 

 

 

 

 

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unicamente pessoais, exerce o poder político sob um determinado território8. 

Trata-se, portanto, de uma sorte de dominação tradicional, ordenada pelo longo 

costume atávico.  

Ao cargo patrimonial é desconhecida a divisão entre a “esfera privada” e 

a “oficial”. A administração política é tratada pelo senhor como assunto 

puramente pessoal, bem como o patrimônio adquirido pelo tesouro senhorial, 

em função de emolumentos e tributos não se diferencia dos bens privados 

dele. Por tal razão, os interesses pessoais da autoridade não distinguiam a 

dimensão administrativa da íntima, não havendo separação entre a seara do 

indivíduo em relação ao mister público que ocupava.9 Conforme demonstra 

Reinhard Bendix, 

No patrimonialismo, o governante trata toda a administração política 

como seu assunto pessoal, ao mesmo modo como explora a posse do poder 

político como um predicado útil de sua propriedade privada. Ele confere 

poderes a seus funcionários, caso a caso, selecionando-os e atribuindo-lhes 

tarefas específicas com base na confiança pessoal que neles deposita e sem 

estabelecer nenhuma divisão de trabalho entre eles. [...] Os funcionários, por 

sua vez tratam o trabalho administrativo, que executam para o governante 

como um serviço pessoal, baseado em seu dever de obediência e respeito. [...] 

Em suas relações com a população, eles podem agir de maneira tão arbitrária 

quanto aquela adotada pelo governante em relação a eles, contanto que não 

violem a tradição e o interesse do mesmo na manutenção da obediência e da 

capacidade produtiva de seus súditos. [....]10 

 

                                                           

8 Diz WEBER: “Falaremos de Estado patrimonial quando o príncipe organiza seu poder 

político sobre áreas extrapatrimoniais e súditos políticos – poder que não é discricionário nem 

mantido pela coerção física – exatamente como exerce seu poder patriarcal”. WEBER, Max, 

Economia e sociedade..., op. cit., v. 2, p. 239.  

E logo em seguida arremata seu raciocínio com a afirmação: “A maioria de todos os 

grandes impérios continentais teve forte caráter patrimonial até o início e mesmo depois dos 

tempos modernos”. Op. cit., v. 2, p. 240. Apud SILVEIRA, Daniel Barile da, op. cit. Disponível 

em: < www.conpedi.org/manaus/arquivos/Anais/Daniel > Acesso em: 28 mai. 2007.  

 

9 WEBER, Max, Economia e sociedade..., op. cit., v. 2, p. 253 et seq. 

 

10 Apud SILVEIRA, Daniel Barile da, op. cit. Disponível em: < 

www.conpedi.org/manaus/arquivos/Anais/Daniel > Acesso em: 28 mai. 2007. 

 

 

 

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No patrimonialismo trazido pelos ensinamentos de Weber, os comandos 

proferidos pela autoridade são de características eminentemente voltadas a 

valores, opiniões e posições pessoais do senhor. A ordem é vertical, “de cima 

para baixo”; no topo está o chefe patrimonial e na base os súditos. Da 

organização da sociedade, não se denota um fluxo dinâmico na camada de 

estratificação social: não há noção de indivíduo, entendida no sentido dele ser 

o centro da política, núcleo de poder e de decisão, receptáculo de direitos e 

deveres. Não há noção de “desenvolvimento”, no sentido de “evolução”, de 

superação do passado. Não há a visão de “progresso”. A sociedade é 

estática.11  

Tal prática obteve receptividade na história das doutrinas políticas 

brasileiras, mormente no que concerne ao estudo da formação das instituições 

nacionais, a partir do que buscam explicar os traços mais marcantes das bases 

do modelo jurídico-político, a gênese do patrimonialismo estatal e as relações 

com o povo brasileiro. 

2.2 - O Patrimonialismo na formação brasileira 

No livro Raízes do Brasil, Sérgio Buarque de Holanda já denotava a 

característica do brasileiro como um “homem cordial”. Assim dizia Buarque de 

Holanda sobre esse típico membro da elite detentora do poder político no País:  

Não era fácil aos detentores das posições públicas de responsabilidade, 

formados por tal ambiente, compreenderem a distinção fundamental entre os 

domínios do privado e do público. [...]. Para o funcionário “patrimonial”, a 

própria gestão política apresenta-se como assunto de seu interesse particular; as 

funções, os empregos e os benefícios que deles aufere, relacionam-se a direitos 

pessoais do funcionário e não a interesses objetivos, como sucede no 

verdadeiro Estado burocrático, em que prevalece a especialização das funções 

e o esforço para se assegurarem garantias jurídicas aos cidadãos. A escolha dos 

                                                           

11 FAORO, Raymundo. Os Donos do Poder: formação do patronato político 

brasileiro. 2 vol. 4 e. Porto Alegre, Globo, 1977, p. 18. 

 

 

 

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homens que irão exercer as funções públicas faz-se de acordo com a confiança 

pessoal que mereçam os candidatos, e muito menos de acordo com as 

capacidades próprias. Falta a tudo a ordenação impessoal que caracteriza a vida 

no Estado burocrático. [...].12  

 

O autor utilizou-se do conceito de patrimonialismo para caracterizar esse 

"homem cordial" brasileiro que, na vida pública, não distinguia o interesse 

privado do interesse coletivo. Foi uma tentativa de definir a personalidade ou o 

caráter do "homem brasileiro". O ponto crucial ao qual Buarque de Holanda 

enfatizava era essa peculiaridade deste perfil de homem público nacional que, 

nascido e criado sob um invólucro cultural marcado pela forte presença dos 

valores de um núcleo familiar de caráter patriarcal, carregava para o âmbito 

público os mesmos traços paternalistas delimitadores de sua visão de mundo, 

de modo conducente a confundir na prática aqueles assuntos aptos ao âmbito 

pessoal das atividades inerentes à res pública.13 E diz também: 

No Brasil, pode dizer-se que só excepcionalmente tivemos um sistema 

administrativo e um corpo de funcionários puramente dedicados a interesses 

objetivos e fundados nesses interesses. Ao contrário, é possível acompanhar, ao 

longo de nossa história, o predomínio constante das vontades particulares que 

encontram seu ambiente próprio em círculos fechados e pouco acessíveis a 

uma ordenação impessoal. Dentre esses círculos, foi sem dúvida o da família 

aquele que se exprimiu com mais força e desenvoltura em nossa sociedade. E 

um dos defeitos decisivos da supremacia incontestável, absorvente, do núcleo 

familiar – a esfera, por excelência dos chamados “contatos primários”, dos 

laços de sangue e de coração – está em que as relações que se criam na vida 

doméstica sempre forneceram o modelo obrigatório de qualquer composição 

social entre nós. Isso ocorre mesmo onde as instituições democráticas, 

fundadas em princípios neutros e abstratos, pretendam assentar a sociedade em 

normas antiparticularistas.14 

                                                           

12 Holanda, Sérgio.Buarque de. Raízes do Brasil. 5. ed. Rio de Janeiro: Livraria José 

Olympio, 1969, p. 105-6. 

 

13 SCHWARTZMAN, Simon. Atualidade de Raymundo Faoro. Dados - Revista de 

Ciências Sociais, Rio de Janeiro, Vol. 46, n. 2, 2003, p. 207 a 213. Disponível em: < 

www.schwartzman.org.br/simon/faoro >. Acesso em: 28 jun. 2007. 

 

14 Apud SILVEIRA, Daniel Barile da, op.cit. Disponível em: < 

www.conpedi.org/manaus/arquivos/Anais/Daniel > Acesso em: 28 mai. 2007.  

 

 

 

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Em “Raízes do Brasil”15 assevera-se que o conceito de patrimonialismo, 

assim como o de “burocracia”, foi utilizado por Sergio Buarque de Holanda para 

explicar a concepção de que o típico indivíduo brasileiro – o “homem cordial” – 

caracterizava-se pelo caráter de afabilidade, fundamento remoto de seu 

ambiente familiar. Diz ainda, que essa característica de tratar os pares de 

forma pessoal e íntima – laços próprios do ambiente familiar – que transcende 

a esfera privada e projeta-se na pública, deram ao brasileiro a propensão de 

tratar a política e os assuntos do Estado de modo pessoal, avesso a 

formalismos. 

O mecanismo de construção de um espaço público autônomo não foi 

vivenciado pelo povo brasileiro na plenitude, eis que se manteve ligado aos 

laços tradicionais portugueses, de predominância das relações familiares, 

transpondo estes valores inadvertidamente para a esfera pública. 

A elaboração da teoria patrimonialista apresenta-se no pensamento 

político de Raymundo Faoro, com a publicação da obra “Os Donos do Poder”. 

Nesse livro, a explicação para as mazelas brasileiras está no caráter específico 

da formação histórica nacional, em face do passado colonial, eis que a 

estrutura administrativa de poder patrimonial do Estado português foi 

inteiramente importada para a colônia. Esse modelo institucional foi 

transformado em padrão e, a partir dele, estruturaram-se a Independência, o 

Império e a República do Brasil. O patrimonialismo seria a característica mais 

marcante do desenvolvimento ou do subdesenvolvimento do Estado brasileiro.  

                                                           

 

15 Apud SILVEIRA, Daniel Barile da, op. cit. Disponível em: < 

www.conpedi.org/manaus/arquivos/Anais/Daniel > Acesso em: 28 mai. 2007. 

 

 

 

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Ao analisar as raízes históricas da organização do Estado lusitano, 

Faoro descobre que estava calcada no fato de que o bem público – as terras e 

o tesouro da Corte Real – não se dissociava do patrimônio que constituía a 

esfera de bens íntima do governante. Era um conjunto de possessões sob a 

égide de disponibilidade fática e jurídica de deliberação do príncipe. Assim dizia 

Faoro: 

A coroa conseguiu formar, desde os primeiros golpes da reconquista, 

imenso patrimônio rural (bens “requengos”, “regalengos”, “regoengos”, 

“regeengos”), cuja propriedade se confundia com o domínio da casa real, 

aplicado o produto nas necessidades coletivas ou pessoais, sob as 

circunstâncias que distinguiam mal o bem público do bem particular, privativo 

do príncipe [...] A propriedade do rei – suas terras e seus tesouros – se 

confundem nos seus aspectos público e particular. Rendas e despesas se 

aplicam, sem discriminação normativa prévia, nos gastos da família ou em 

bens e serviços de utilidade geral.16 

 

Ademais, demonstra que, tanto em Portugal quanto no Brasil, 

desenvolveu-se uma organização social compatível com o feudalismo; as 

formações sociais foram influenciadas pela forte presença do Estado na vida 

dos indivíduos.17 Tal modelo tinha como forma de organização política um 

patrimonialismo gerido pela vontade administrativa do príncipe, em que 

funcionários e súditos leais apropriavam-se do Estado. Essa elite administrativa 

constituía o “estamento burocrático” .18 

                                                                                                                                                                          

 

16 FAORO, op.cit, p. 4 e 8. 

 

17 Idem. cap. I, parte 3, e IV, parte 6. 

 

18 Burocrático, no termo empregado por FAORO, indica em sua essência não o sistema 

administrativo típico da dominação racional-legal, onde se tem competências fixas, baseadas em 

critérios legais e impessoais de ordem, mas como estrutura de organização dos “funcionários” 

administrativos patrimoniais. WEBER e FAORO se referem à preocupação desse estamento em 

se valer do cargo “burocrático” como um veículo para a diferenciação social. 

 

 

 

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2.3 - O Estamento burocrático  

O estamento é uma forma de ordem social vigente. Abaixo dela é que se 

funda a estratificação e se disseminam relações de poder pela tessitura social, 

reclamando “a imposição de uma vontade sobre a conduta alheia”.19 

Os estamentos fundam-se na divisão da sociedade conforme a posição 

social que ocupam. Trata-se de comunidades “fechadas”, de maneira que 

fazem de tudo para impedir que outros indivíduos adentrem tal grupo e 

compartilhem do poder ali centralizado. Calcam-se na desigualdade social, 

reclamando para si privilégios materiais e espirituais que lhes assegurem 

posição e base de poder na sociedade.20 Enfim, o estamento é uma camada de 

indivíduos que se organiza para se apropriar do Estado, dos cargos e funções 

públicas, impondo-se um regime de uso dessas vantagens advindas do status 

ocupado para a utilização da máquina estatal em proveito próprio, como 

verdadeiros “donos do poder”.21 

No caso brasileiro, o patrimonialismo que Faoro aponta como 

fundamento edificativo das origens institucionais é apresentado com significado 

centralizador.22Desde a concessão de cargos até a condução dos assuntos 

                                                           

 

19 FAORO, Raymundo, op. cit., p. 46. 

 

20 CAMPANTE, Rubens Goyata. Patrimonialismo em Faoro e Weber. Dados - 

Revista de Ciências Sociais. Apud SILVEIRA, Daniel Barile da, op. cit. Disponível em: < 

www.conpedi.org/manaus/arquivos/Anais/Daniel > Acesso em: 28 mai. 2007. 

 

21 FAORO, Raymundo, op. cit. v.1, p.47. 

 

22 O que destoa em parte da concepção original de WEBER que concebe o 

patrimonialismo como descentralizado, ante principalmente a divisão do poder do senhor 

territorial entre seus súditos leais e consangüíneos. Nesta visão, o pensamento de FAORO não 

identificou o patrimonialismo brasileiro de forma “pura”, como WEBER inicialmente idealizou 

tal fórmula de pensamento, mas reduziu-lhe a uma forma mista, referente à centralização que se 

 

 

 

215

econômicos, tudo era empresa de incumbência do Estado. Argumentava que, 

antes da afirmação de um patronato rural dominante, de coronéis chefes de 

engenho e de líderes regionais, já havia no interior um sistema cartorial apto a 

registrar, controlar e fiscalizar as produções. Raimundo Faoro constantemente 

retrata a figura do povo brasileiro como dotada de inatividade na ordem política 

e, na esfera pública, não consegue se organizar e se contrapor aos desígnios 

autoritários da chefia política. Esse desinteresse do indivíduo brasileiro em 

relação à vida política revela o anacronismo da identidade do sujeito político 

nacional, sempre dependente da atuação estatal na vida privada e 

extremamente leniente com as matérias de ordem coletiva.23  

Numa estrutura social em que prevalece a posição de estamentos não 

poderá haver vida civil livre, nem prevalecer a justiça social e a desigualdade é 

regra de sobrevivência. Nesse contexto, esfera pública e esfera privada são 

amalgamadas em um único poder central do governante, ou dos indivíduos 

detentores do poder político.  

  

2.4 - O “clã político”  

A formação política e social brasileira, em tudo difere das matizes 

européias. Na análise do processo colonizador brasileiro, verifica-se que a 

população foi gerida pela Metrópole portuguesa – uma vontade de Estado – e 

não a partir da livre agregação do povo. A criação deveu-se à reunião de 

grupos de “moradores dispersos”, sendo que, agrupados em vilas, criavam 

                                                                                                                                                                          

vislumbra no patriarcalismo, sultanismo ou mesmo no feudalismo presentes nos tipos-ideais 

weberianos.  

 

23 FAORO, Raymundo, op. cit., v.1, cap. I Apud SILVEIRA, Daniel Barile da, op. cit. 

Disponível em: < www.conpedi.org/manaus/arquivos/Anais/Daniel > Acesso em: 28 mai. 2007. 

 

 

 

216

microrregiões populacionais sem vínculo que os unisse, salvo o poder do 

governante. Com isso, formaram-se comunidades restritas, quase sempre 

circunscritas ao ambiente familiar, fatores que foram propícios para que se 

constituíssem como povos extremamente individualistas, isolados da vida 

coletiva.24  

A questão do patrimonialismo revela uma presença marcante do 

individualismo na sociedade brasileira, cujas conseqüências repercutiram na 

dificuldade de diferençar o público e o privado quando a ação do indivíduo é 

politicamente orientada. Para Oliveira Viana a visão privatista do mundo, 

restrita e arraigada em laços tradicionais constituía um “clã feudal” para o povo 

dominado e, um “clã parental”, composto pela elite aristocrática, dominante 

que, na dimensão pública, adotava caracteres de verdadeiros “clãs políticos”, 

isto é, pequenos grupos de indivíduos que influíam na vida política local 

segundo critérios baseados na conveniência particular. Esses clãs políticos 

transformam-se em “clãs eleitorais”, onde a busca pelo poder de Estado os 

compele à agregação para possibilitarem cooptar os votos necessários ao jogo 

político, e constituem a gênese dos partidos políticos nacionais. Enfim, 

esclarece: 

O agrupamento local que conseguia ter ao seu lado o Governador 

dominava o município todo, passando a dispor de todos os meios de 

aliciamento, que o Centro – pelo seu preposto, o Governador – dispunha: 

polícia civil; polícia militar; guarda nacional; títulos de nobreza; nomeação 

para postos de administração locais (delegados, subdelegados, comandantes, 

inspetores, fiscais, etc.). [...] eram sempre as ambições, as vaidades e as 

preocupações de prestígio de família que decidiam da formação destas 

agremiações. Todos eles tinham um objetivo único: – procurar para si o apoio 

                                                           

24 VIANNA, Oliveira. Populações Meridionais do Brasil e Instituições Políticas 

Brasileiras, Brasília, UNB, 1999. 

 

 

 

217

do Governador. Este era o centro de força na Província e, conseqüentemente, 

nas localidades [...].25   

 

O “clã político” ou “clã eleitoral” são as categorias de agregação social 

que mais revelam esse comportamento bairrista, desprovido de qualquer 

sentimento mais refinado de solidariedade ou de preservação de valores 

coletivos que, indubitavelmente, apenas se recrudescem na esfera pública. Ao 

atuar em um contexto público, em que se defrontam interesses de toda uma 

comunidade no mais amplo aspecto, esses clãs naturalmente se voltavam para 

a preservação das vantagens próprias, submetendo o trato da coisa pública ao 

regime de desígnios privado desses grupos.26 E arremata assim:  

O sistema republicano [...] não alterou o padrão básico das relações 

sociais e econômicas. A sociedade brasileira ainda era basicamente oligárquica, 

familística e autoritária. A intervenção do Estado não representava, portanto, 

uma ameaça para os "cidadãos", mas sim sua única esperança, se é que havia 

alguma, de proteção contra os oligarcas. Qualquer medida de descentralização, 

enquanto a sociedade continuasse a ser o que era, deixaria o poder cair nas 

mãos dos oligarcas, e a autoridade seria exercida mais para proteger os 

interesses privados dos oligarcas, do que para promover o bem público. [...]. O 

autoritarismo seria assim instrumental para criar as condições sociais que 

tornariam o liberalismo político viável.27  

 

Segundo a versão marxista, na origem, o Brasil fora uma sociedade 

rural, “semifeudal”, sem conseguir criar uma burguesia nacional capaz de 

desenvolver a economia do país. Na luta entre o latifúndio tradicional e a 

burguesia moderna, o latifúndio seria um aliado do imperialismo, mantendo o 

país dominado e subdesenvolvido, incapaz de ser superado por uma burguesia 

nacional que não se assumia, um proletariado incipiente e um campesinato 

                                                           

25 Idem, p.504-12. 

 

26 QUEIROZ, Paulo Edmur de Souza. Sociologia política de Oliveira Vianna. São 

Paulo: Convívio, 1975, P. 155. 

 

27 VIANNA, Oliveira, op. cit. P. 27-8. 

 

 

 

218

subjugado. Tudo deveria acontecer e se explicar pela luta de classes, e o 

Estado não seria mais do que o executor e defensor dos interesses das classes 

dominantes. O problema, no Brasil, é que as classes nunca se organizavam 

nem agiam como deveriam.28 

Em dois pontos, Faoro pôs em xeque essa interpretação. Como primeira 

tese, mostrou que o Brasil não teve um passado feudal ou semifeudal, com o 

predomínio do campo sobre as cidades; ao contrário, o que se destacou foi a 

força do poder central, eis que,  

Efeitos inevitáveis, decorrentes do isolamento geográfico, da extensão da 

costa, capazes de gerar núcleos de autoridade social, sem que a administração 

real permitisse a consolidação da autonomia política. Tudo está longe do 

feudalismo, da aristocracia territorial, dos monarcas latifundiários. Olhos 

vigilantes, desconfiados cuidavam para que o mundo americano não 

esquecesse o cordão umbilical, que lhe transmitia a força de trabalho e lhe 

absorvia a riqueza. O rei estava atento ao seu negócio.29  

 

A segunda tese é que o poder político não era exercido nem para 

atender aos interesses das classes agrárias ou latifundiárias, nem àqueles das 

classes burguesas, que mal se haviam constituído como tal. O poder político 

era exercido em causa própria, por um grupo social cuja característica era 

dominar a máquina política e administrativa do país, através da qual obtinha 

benefícios, prestígio e riqueza. Era, em termos de Weber, um “estamento 

burocrático”, que tinha se originado na formação do Estado português dos 

                                                                                                                                                                          

 

28 SCHWARTZMAN, Simon. Atualidade de Raymundo Faoro. Dados - Revista de 

Ciências Sociais, Rio de Janeiro, Vol. 46, n. 2, 2003, P. 207 a 213. Disponível em: < 

www.schwartzman.org.br/simon/faoro >. Acesso em: 28 jun. 2007. 

 

29 FAORO, Raymundo, op. cit. Rio de Janeiro/Porto Alegre/São Paulo, Editora 

Globo/Editora Universidade de São Paulo, 1975, vol. 1, p. 133 Apud SCHWARTZMAN, 

Simon, op. cit. Dados - Revista de Ciências Sociais, Rio de Janeiro, Vol. 46, n. 2, 2003, pp. 207 

a 213. Disponível em: < www.schwartzman.org.br/simon/faoro >. Acesso em: 28 jun. 2007. 

 

 

 

 

219

tempos dos descobrimentos, senão antes, e que se reencarnaria depois 

naquilo que ele chamaria de o “patronato político brasileiro”.30 

Ao longo dos séculos, o país transformou-se, novas tecnologias 

surgiram, o mundo mudou, mas o estamento burocrático se manteve imutável: 

"De D. João I a Getúlio Vargas, numa viagem de seis séculos, uma estrutura 

político-social resistiu a todas as transformações fundamentais, aos desafios 

mais profundos, à travessa do oceano largo". "Sobre a sociedade, acima das 

classes, o aparelhamento político - uma camada social, comunitária embora 

nem sempre articulada, amorfa muitas vezes - impera, rege e governa, em 

nome próprio, num círculo impermeável de comando”. 31 

Os problemas do Brasil de hoje não são mais os do poder absoluto do 

estamento burocrático, mas sim, em boa parte pelo menos, os decorrentes da 

incapacidade de o Estado exercer o poder que lhe é delegado, 

democraticamente, para governar em beneficio de todos. O estamento 

burocrático continua existindo, mas não é o mesmo dos tempos de D. João VI, 

D. Pedro II, Getúlio Vargas, Ernesto Geisel e José Sarney.32 

2.5 - Disparidades e Vulnerabilidades 

Questões como ignorância, pobreza, violência, corrupção, arbítrio, 

mistificação, racismo, opulência, são manifestações das desigualdades 

internas e do processo de subdesenvolvimento que caracterizam e atormentam 

                                                           

30 SCHWARTZMAN, Simon, op. cit. Dados - Revista de Ciências Sociais, Rio de 

Janeiro, Vol. 46, n. 2, 2003, pp. 207 a 213. Disponível em: < 

www.schwartzman.org.br/simon/faoro >. Acesso em: 28 jun. 2007. 

 

31 FAORO, Raymundo, op. cit. 1975, vol. II, p. 733 e 737 Apud SCHWARTZMAN, 

Simon. Op. Cit, Vol. 46, n. 2, 2003, pp. 207 a 213. Disponível em: < 

www.schwartzman.org.br/simon/faoro >. Acesso em: 28 jun. 2007. 

 

32 Ibidem.  

 

 

 

220

a sociedade brasileira. Resultantes de mecanismos formais e informais de 

concentração e de conservação de poder nas dimensões econômicas, 

políticas, ideológicas e culturais, as disparidades são reconhecidas tanto pelos 

que se beneficiam delas quanto pelas vítimas: a maioria. Porém, os 

beneficiários condenam apenas na retórica, pois defendem com vigor, na 

prática, os mecanismos específicos que lhes dão origem.33  

Sempre que se apresenta qualquer proposta, ou se inicia ação por parte 

do Estado ou de movimentos sociais, contra os mecanismos de concentração 

de poder, é considerada como um atentado aos direitos privados em geral e 

uma intervenção indevida e absurda do Estado. As estruturas sociais, políticas 

e econômicas são consideradas justas e naturais. Por essa razão devem ser 

preservadas, assim como a legislação e o aparelho judicial e policial que as 

garantem; podem sofrer ligeiras adaptações, a serem feitas pelos 

representantes dos próprios beneficiários da concentração de poder.34  

A maioria da população não tem sido capaz de se mobilizar para 

promover a reversão ou redução das disparidades. A inatividade dessa massa 

é estimulada pela distração incessante, promovida pela mídia, através do culto 

ao individualismo, à violência anômica, às personalidades esportivas e do show 

business; pelos hábitos sociais introduzidos pela televisão; pela ação de seitas 

religiosas que atribuem a culpa das desditas sociais ao indivíduo pecador que 

cede ao demônio; e pelo incessante vilipendiar da política e dos políticos, 

                                                                                                                                                                          

 

33 GUIMARÃES, Samuel Pinheiro Guimarães. Os Donos do Poder: a macro

estrutura. Disponível em : < http://resistir.info/brasil/donos_poder.html >. Acesso em: 28 mai. 

2007.  

 

34 Ibidem.  

 

 

 

 

221

apresentados como corruptos, sem que se indiquem alternativas, a não ser a 

implícita submissão resignada de todos ao status quo.35  

As desigualdades de renda são proclamadas pelos institutos e agências 

nacionais e internacionais, e o Brasil, anualmente, assume as piores 

classificações no quesito concentração de renda. Num pólo, os índices 

escondem a realidade das condições de vida de enorme parcela da população 

que se encontra abaixo da linha de pobreza; na outra extremidade, o consumo 

faustoso, perdulário dos multimilionários, que se descreve com encanto e graça 

nas colunas sociais e nas revistas especializadas. São duas realidades 

terríveis que não existem uma sem a outra. Quanto às políticas, as 

desigualdades se manifestam na influência do poder econômico no processo 

eleitoral, nas atividades do Legislativo, no quotidiano do Executivo, nas 

decisões do Judiciário, na esfera penal, policial e penitenciária. No processo 

eleitoral, a influência do poder econômico das grandes empresas e do crime 

organizado se verifica no financiamento de campanhas eleitorais. 36 

No processo legislativo, historicamente, os grandes interesses 

econômicos financiam as eleições e organizam seus representantes em defesa 

de legislação que garanta seus privilégios enquanto o governo, de seu lado, 

por meio do controle da liberação de verbas e do preenchimento de cargos, 

compra sistematicamente o voto de parlamentares e deles obtém apoio. A essa 

troca recíproca de favores, parlamentares muitas vezes se sujeitam pela 

impossibilidade de fazer realizar projetos de interesse das comunidades que os 

                                                           

35 Ibidem. 

 

36 Ibidem.  

 

 

 

 

222

elegeram sem antes conquistar a boa vontade das autoridades 

governamentais. Esse é um processo de corrupção da vontade política do povo 

mais grave do que a corrupção econômica que se expressa nas percentagens, 

comissões, desvios de verbas, licitações fraudulentas.37  

Na administração pública, o orçamento autorizativo confere ao Executivo 

ampla liberdade de ação e tem sido o instrumento para convencer 

parlamentares. Os grandes grupos econômicos influenciam sobre os processos 

de privatizações, a regulamentação da atividade fiscalizadora das agências do 

Estado; sobre a elaboração das normas relativas a tributos e tarifas públicas. 

Por sua vez, no Judiciário, grandes empresas conseguem escapar da 

tributação ou protelar o pagamento de impostos através de manobras legais. 

Na área criminal, os crimes de colarinho branco, de corrupção, fraude e 

sonegação são levemente punidos e seus autores muitas vezes escapam à 

condenação por falhas da legislação, ou de processo ou por leniência dos 

juizes. Enquanto isso, o fisco é implacável com a maioria assalariada; o 

aparelho policial é severo com as populações pobres e extremamente brando 

com a classe média, em especial com os ricos e poderosos.38  

Em situação econômica interna sempre precária, e com o objetivo de 

garantir a arrecadação de tributos e de ampliar os lucros do monopólio 

comercial, Portugal impedia o surgimento de atividades produtivas 

concorrentes da escassa produção doméstica ou das manufaturas que 

intermediava entre centros manufatureiros europeus e o Brasil. A 

                                                           

37 Ibidem.  

 

38 Ibidem.  

 

 

 

 

223

vulnerabilidade externa comercial e financeira é típica do império colonial 

português. Para que Portugal e as potências européias da Santa Aliança 

reconhecessem a independência, teve o Brasil de assumir, por tratado, 

importante dívida de Portugal com a Grã-Bretanha. Com a Primeira República, 

a política de valorização do café, fundada em empréstimos externos, foi 

poderoso instrumento de concentração de renda e importante causa do 

endividamento externo do Estado brasileiro.39  

Como se vê, as desigualdades econômicas de hoje têm origem no 

sistema de exploração que a Metrópole portuguesa impôs à Colônia brasileira, 

fundado na escravidão, no latifúndio, no monopólio comercial parasitário e na 

proibição de simples atividades manufatureiras, todos mecanismos de 

concentração de riqueza, tanto em favor da Metrópole como das classes 

proprietárias, dos homens livres e dos comerciantes reinóis40.  

Além do aspecto econômico, as vulnerabilidades externas da sociedade 

brasileira também são políticas e militares, ideológicas e culturais. Elas 

decorrem da forma de criação e de expansão da economia capitalista 

brasileira, do modo como se estruturou através dos tempos o sistema político, 

do processo de formação da cultura brasileira e da forma de inserção no 

sistema mundial de poder. A fragilidade militar decorre do complexo de 

inferioridade político-militar, de natureza e origem colonial, que inclui o medo do 

pecado mortal que era a Colônia ter armas.41 

                                                           

39 Ibidem. 

 

40 Ibidem.  

 

41 Ibidem.  

 

 

 

 

224

O esforço de manter em perfeita ignorância sucessivas gerações de 

negros escravos, proibindo-os de aprender a ler e de construir relações de 

família, a proibição de imprensa e de cursos superiores no Brasil, o controle da 

educação pelas ordens religiosas, imbuídas do conservadorismo social e anti

científico da Contra-Reforma, se encontram entre as causas mais profundas do 

atraso e das desigualdades culturais extremas.42  

 

3. Subdesenvolvimento: vício de origem43 

Já vai para mais de século e meio que a preocupação dos políticos e 

estudiosos brasileiros é encontrar explicações para o subdesenvolvimento do 

país. Especialmente se comparado com o sucesso dos Estados Unidos, nação 

fundada mais de um século depois do Brasil.  

Ora, a origem é remota. Recuando-se aos tempos da Metrópole, 

Marquês de Pombal e vanguardistas do círculo de Eça de Queirós se 

indagavam do porquê do Império Português ser tão medíocre e acanhado, 

tendo-se em vista a prosperidade e o dinamismo dos britânicos, a quem eram 

tão ligados. Naqueles tempos, Pombal e Eça apontavam como causa de tudo o 

jesuitismo, que mantinha a população infensa aos apelos da prosperidade 

material, conformada com o sem-fim de missas, rosários e procissões. Além 

disso, havia uma insanável inércia da burocracia portuguesa, reflexo da falta de 

iniciativa da nobreza lusitana, que não assumia a liderança de uma política 

econômica que trouxesse prosperidade ao reino.  

                                                           

42 Ibidem.  

 

43 SCHILLING, Voltaire. As razões do atraso e do subdesenvolvimento. Disponível 

em: < www.terra.com.br/voltaire/2004/04/14/0003  >. Acesso em: 07 jul.2007. 

 

225

Numa sociedade dominada por fidalgos parasitários e sacerdotes 

obscurantistas, tendo seus ganhos providos pelo Tratado de Methuen, de 1703, 

e pela exploração do império marítimo, caberia ao Estado português chamar a 

si a função de agente impulsionador das coisas. O esforço pombalino de 

industrialização fracassou. O reino voltou ao ramerrão estagnante do qual 

somente fora sacudido pelas ocasionais descobertas das minas de ouro e de 

diamantes no Brasil-colônia. Os portugueses mantinham-se reunidos ao redor 

das vinhas, das quintas, entregues à rotina da lavoura, enquanto os ingleses, 

pródigos nas artes mecânicas, metiam-se em fábricas e a toda hora 

inventavam máquinas e inovadores meios de produção.  

No Brasil, durante o Segundo Reinado (1840-1889), cresceu a ideologia 

de que a explicação para o atraso pátrio devia-se à estrutura política 

monárquica e à existência da escravidão.  Por isso, o remédio seria abolir a 

escravidão e acelerar-se a substituição do trabalho servil pela intensificação da 

colonização européia, como por igual adotar o positivismo de Auguste Comte 

como ideologia do progresso. Politicamente, a solução era implantar o regime 

republicano, presidencialista e federativo, como a melhor expressão da 

modernidade. Caído o Império, precisou-se rebatizar o Brasil. Por ingerência do 

liberalismo de Ruy Barbosa, adotou-se a designação de República dos Estados 

Unidos do Brasil. Paralelo a tomada de consciência do atraso nacional, cresceu 

a fobia ao lusitano. As desgraças nacionais, dizia-se abertamente, advinham da 

colonização portuguesa. 

Deu-se, então, nos primórdios da República, além de uma esbaforida 

imitação do sistema norte-americano, um exagero nativista. Ao tempo que 

rejeitou-se o português enalteceu-se a etnia indígena e as coisas 

226

exclusivamente nacionais. Lima Barreto satirizou-a ao criar o personagem 

caricato: o major Policarpo Quaresma. 

Uma das mais fortes imagens autocríticas criadas por um intelectual 

brasileiro seguramente foi a de Jeca Tatu, tipo inventado por Monteiro Lobato. 

Não pairava dúvida, no entender dele, que a célula última que explicava o 

atraso estava representada pelo caipira interiorano, preguiçoso e amarelecido 

pelas doenças. Pobre espectro humano capaz de passar horas e horas 

sentado à beira de uma estrada pitando um palheiro, assistindo a vida, a 

ciência, o progresso, passar-lhe à frente sem que esboçasse qualquer reação 

ou desejo de sair daquele estado de indiferença e inanição. 

Para Caio Prado Jr. e Celso Furtado, guardadas as diferenças, a razão 

do atraso devia-se prioritariamente às causas externas, a maioria delas alheias 

à vontade dos brasileiros. Para os marxistas e para os histórico-estruturalistas, 

num universo dominado pelo capitalismo imperialista não havia espaço para o 

crescimento nacional, autônomo. O sistema internacional, dominado pelas 

potências do primeiro mundo, sugava todos os recursos, econômicos e 

materiais, fazendo com que a concentração de capital e riqueza se desse bem 

longe do Brasil.  

A explicação histórico-estrutural, alinhada com as teses do nacionalismo 

político dos anos 50, levava a conclusões políticas que apontavam como 

culpada pelo atraso a classe dominante - as elites. Colonizadora e 

irresponsável, insensível frente à miséria nacional e ao abismo das 

desigualdades, a oligarquia nacional, rica e egocêntrica, era a causadora do 

subdesenvolvimento. 

227

A responsabilidade pelo subdesenvolvimento, deduz-se da tese de 

Faoro, é do aparelhamento burocrático, trazido pela administração colonial 

portuguesa. Trata-se do domínio de uma casta de altos funcionários aliada ao 

patronato político cujos interesses comuns formam uma associação parasitária. 

Adonando-se dos principais postos e dos mais relevantes cargos da 

engrenagem administrativa e política do país, exercem um poder que lhes 

permite acumular enormes fortunas. Colocados habilmente fora do controle 

geral da sociedade ou imune a ele, multiplicam sem cessar as benesses e os 

favores que acreditam ter direito. No entender de Faoro, essa máquina político

administrativa, ocupa o lugar da antiga nobreza parasitária das cortes 

européias, vivendo ao abrigo dos reis e “acumulando fortunas devidas ao 

favor”. Daí imaginar-se que o caminho ao desenvolvimento se daria com a 

ruptura da tutela exercida pelo poder burocrático sobre a nação brasileira. 

4. A Macro-estrutura hegemônica de poder e suas estratégias  

O poder da macro-estrutura hegemônica da sociedade brasileira 

encontrou apoio no sistema jurídico, policial e penitenciário, que permitia a 

repressão violenta e implacável daqueles que se rebelavam contra a 

autoridade portuguesa e mais tarde contra suas herdeiras, as autoridades 

imperiais e republicanas, desde a República Velha até os dias atuais. 

Os aspectos jurídicos principais foram o estatuto da escravidão; o poder 

de vida e morte reconhecido pelo Estado aos grandes proprietários rurais sobre 

seus escravos, dependentes e familiares; a dificuldade de acesso à 

propriedade agrária, consagrada na Lei de Terras de 1850; a vinculação, após 

a Independência, do poder político à propriedade e à renda e nos tempos 

 

 

 

228

atuais a consagração da violência como forma aceitável de comportamento das 

autoridades do Estado em relação à população pobre, negra e mestiça, 

considerada e tratada a priori, em razão da aparência étnica e econômica, 

como criminosa. Assim, a violência se consagrou na prática como forma do 

Estado se relacionar com a enorme maioria da população.44  

As classes, grupos e categorias privilegiadas que integram a macro

estrutura de poder e as classes médias, que se sentem vítimas da revolta 

anômica e cada vez mais armada dos oprimidos, aceitam e aprovam 

socialmente a violência do Estado, através da polícia, da justiça e do sistema 

penitenciário, cujas prisões apresentam péssimas condições.  

 

 

5. Considerações Finais 

A temática do patrimonialismo, extraída de fundamento originário do 

pensamento político de Max Weber, no Brasil assumiu nuances diversas na 

visão de Raymundo Faoro, Sergio Buarque de Holanda e Oliveira Vianna. No 

quadro das explicações estruturais das razões do subdesenvolvimento 

brasileiro, a obra de Raimundo Faoro é um clássico da sociologia política 

brasileira.  

Os estudos sobre o patrimonialismo demonstram como a idéia de 

público e privado na tradição brasileira não apresenta uma separação muito 

distinta. Pela tese de Faoro, deduz-se que a responsabilidade pelo 

subdesenvolvimento é do aparato burocrático trazido para o Brasil pela 

administração colonial portuguesa, onde prevaleceu o domínio de uma casta 

                                                           

44 GUIMARÃES, Samuel Pinheiro Guimarães, op. cit. Disponível em: < 

http://resistir.info/brasil/donos_poder.html >. Acesso em: 28 mai. 2007. 

 

229

de altos funcionários, cujos interesses comuns formam uma associação que se 

apropria dos principais cargos da engrenagem administrativa e política. A isso 

denominou de estamento burocrático. 

Essa máquina político-administrativa controlada pelo estamento 

burocrático manteve a nação sob tutela. Essas pessoas entendem a coisa 

pública como extensão do próprio patrimônio e, em face do poder que 

exercem, acumulam fortunas. No entender de Faoro, ocupam o lugar da 

outrora nobreza parasitária que cercava as cortes européias, vivendo ao abrigo 

dos reis.  

Na herança legada do patrimonialismo na formação brasileira, como 

produtos de uma situação histórica adquirida das antigas estruturas coloniais, 

mostra-se evidente a burocracia ineficiente e autoritária das instituições 

públicas, bem como a equivocada forma de gestão e concepção da coisa 

comum que, na maioria das vezes, trata a coisa pública como se particular 

fosse, não distinguindo a separação entre o que é individual e o que pertence à 

coletividade. Enfim, a acomodação, o individualismo e a corrupção tornam-se 

práticas comuns, não florescendo na sociedade política valores republicanos.  

6. Referências 

FAORO, Raymundo. Os donos do poder: formação do patronato político 

brasileiro. 2 vol. 4 ed. Porto Alegre: Globo, 1977.  

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Rio de Janeiro / Porto Alegre / São Paulo, Editora Globo/ Editora da 

Universidade de São Paulo, 1975.  

_______. A aventura liberal numa ordem patrimonialista. Revista USP. São 

Paulo, n. 17, 1993, p. 14-29.  

230

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estrutura. Disponível em : < http://resistir.info/brasil/donos_poder.html >. 

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HOLANDA, Sérgio Buarque de. Raízes do Brasil. Rio de Janeiro, Companhia 

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QUEIROZ, Paulo Edmur de Souza. Sociologia política de Oliveira Vianna. 

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SCHWARTZMAN, Simon. Bases do Autoritarismo Brasileiro. Rio de Janeiro, 

Editora Campus, 1988. 

________. Atualidade de Raymundo Faoro. DADOS – Revista de Ciências 

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________. Atualidade de Raimundo Faoro. DADOS - Revista de Ciências 

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SCHILLING, Voltaire. História do Brasil: As razões do atraso e do 

subdesenvolvimento. 

Disponível 

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SILVEIRA, Daniel Barile da. Patrimonialismo e a Formação do Estado 

Brasileiro: uma releitura do pensamento de Sérgio Buarque de Holanda, 

Raymundo Faoro e Oliveira Vianna. Disponível em:  

< 

www.conpedi.org/manaus/arquivos/Anais/Daniel > Acesso em: 28 mai. 2007. 

VIANNA, Oliveira. Populações meridionais do Brasil e instituições políticas 

brasileiras. Brasília: Câmara dos Deputados, 1982. (Biblioteca do Pensamento 

Republicano, 14).  

WEBER, Max. Economia e sociedade: fundamentos de sociologia 

compreensiva. 2. v. Brasília: UnB, 1999.  

_______. Sobre a teoria das ciências sociais. Trad. Rubens Eduardo Frias. 

São Paulo: Moraes, 1991.O artigo do autor Luiz Henrique da Rocha Neto* 

A negação dos poderes da República após a eleição de Jair Bolsonaro em 2018 , foi uma questão central  política e no debate jurídico brasileiro. O fenômeno é frequentemente analisado sob a ótica do "populismo iliberal" ou do "presidencialismo de confrontação", caracterizado por uma postura de tensionamento institucional em relação ao Poder Judiciário e ao Poder Legislativo.

As principais dinâmicas que caracterizaram essa relação e a tese de negação ou enfraquecimento da harmonia entre os poderes dividem-se em três eixos principais:


1. Tensionamento com o Poder Judiciário (STF e TSE)

O embate com a cúpula do Judiciário foi uma das marcas mais visíveis do período:

 Questionamento do sistema eleitoral: Mesmo após vencer o pleito de 2018, Bolsonaro afirmou repetidas vezes, sem apresentar provas documentais à Justiça, que o processo havia sido fraudado e que ele deveria ter vencido no primeiro turno.

 Ataques a ministros: Críticas diretas e institucionais a magistrados do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), muitas vezes inflamando sua base de apoiadores contra as decisões das cortes.

 Desconsideração de decisões: Episódios em que ordens judiciais ou o papel de contrapeso do STF foram classificados pelo Executivo como interferências indevidas na governabilidade.


2. Relação de Confronto e Negociação com o Poder Legislativo

A postura em relação ao Congresso Nacional oscilou entre a negação da política tradicional e a acomodação: Discurso da "Nova Política": Inicialmente, a gestão buscou governar sem a tradicional articulação com as lideranças partidárias, referindo-se aos métodos anteriores de coalizão de forma pejorativa (o "toma lá, dá cá").

 Derrubada de vetos e independência: Como resposta ao isolamento do Executivo nos primeiros anos, o Congresso demonstrou sua força institucional derrubando diversos vetos presidenciais, como ocorreu de forma marcante na Lei de Abuso de Autoridade.

Aproximação com o Centrão: Diante do risco de isolamento total e de processos de impeachment, o Executivo alterou sua estratégia a partir de 2020, integrando partidos do chamado "Centrão" ao núcleo do governo para garantir sustentabilidade política.


3. Argumento da Soberania Popular e Crise Institucional

A retórica adotada fundamentava-se na ideia de que o poder do presidente, chancelado pelo voto popular direto, deveria se sobrepor aos freios e contrapesos estabelecidos pela Constituição de 1988:

 Apelo direto às massas: Utilização frequente de manifestações de rua e redes sociais para emparedar as demais instituições, sugerindo que o Legislativo e o Judiciário impediam o presidente de governar.

 Visão dos defensores: Por outro lado, apoiadores do ex-presidente argumentavam que as ações do Executivo visavam romper com estruturas burocráticas e oligárquicas corrompidas, defendendo que as prerrogativas do presidente eleito estavam sendo sistematicamente esvaziadas pelos outros poderes.

Essa deterioração da relação harmônica entre os Poderes da República atingiu índices críticos ao longo do mandato, moldando profundamente a polarização política que persistiu no cenário nacional nos anos seguintes.

E sempre sabemos aonde isso vai parar................ 700. 000 mortos por Covid 19 etc...

Confira a noticia no UOL                    .https://noticias.uol.com.br/eleicoes/2026/10/08/desvios-fraude-e-corrupcao-69-parlamentares-eleitos-sao-investigados.htm

E assim caminha a humanidade.

Imagem do UOL .





 


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