sábado, 10 de outubro de 2026

Democracia perdendo .

 A política é a atividade humana voltada para a organização, administração e tomada de decisões em uma sociedade, com o objetivo de gerenciar recursos, resolver conflitos de forma pacífica e estabelecer as leis que regem a convivência entre as pessoas.


Origem da Palavra

 Pólis: O termo vem do grego polis, que significa "cidade" ou "cidade-estado".

 Politiké: Na Grécia Antiga, referia-se às ações e aos debates dos cidadãos para organizar a vida em comunidade. Aristóteles definiu o ser humano como um "animal político", pois a nossa natureza é viver em sociedade.


Principais Dimensões

 Esfera pública e estatal: Envolve o governo de países, estados e municípios, a disputa pelo poder, a criação de leis e a gestão de impostos em benefício da população.

 Convivência social: Manifesta-se também fora dos governos, nas relações do dia a dia, em condomínios, escolas, empresas, famílias e movimentos sociais. Resolução de conflitos: É a ferramenta usada para alinhar interesses e opiniões diferentes sem recorrer à violência.

Você pode saber mais sobre a prática e os conceitos fundamentais no portal educacional Politize! ou consultar a visão histórica detalhada 

rtigos

Desilusão Política, Crise dos Grandes Partidos

e 

Ascensão de Novas Organizações Político

partidárias na Europa Central Pós 1989

Barbosa[1], Flávio Rodrigues

Flávio Rodrigues Barbosa[1] 

f.rodriguesbarbosa@gmail.com

Universidade Federal de Juiz de Fora - UFJF, Brasil

Argumentos - Revista do Departamento de Ciências

Sociais da Unimontes

Universidade Estadual de Montes Claros, Brasil

ISSN: 1806-5627

ISSN-e: 2527-2551

Periodicidade: Semestral

vol. 14, núm. 1, 2017

revista.argumentos@unimontes.br

URL:  http://portal.amelica.org/ameli/jatsRepo/363/3631546017/

index.html

Esta obra está licenciada com Creative Commons - Atribuição

NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.

Este trabalho está sob uma Licença Creative Commons Atribuição

NãoComercial-Não Derivada 4.0 Internacional.

Resumo: O presente trabalho aborda a atual crise política

vivenciada pelos partidos políticos centro-europeus, herdeiros das

democratizações de 1989. Nosso foco específico recai sobre a

experiência da República Tcheca, país que, entre todas as outras

ex-repúblicas do bloco soviético, teve a mais bem-sucedida história

de transição política e, até 2010, possuía o sistema partidário

mais estável da região. Entre as causas que produziram a crise dos

grandes partidos, figuram a precoce relação apática entre cidadãos

e seus representantes, a incapacidade dos grandes partidos em

atender as principais demandas da população e o envolvimento

dos principais partidos políticos com o mais novo e mais extremo

fenômeno de corrupção conhecido como Captura do Estado.

Com efeito, tem se fomentado o sucesso de novos partidos

políticos, muitas vezes classificados como antiestablishment e/ou

populistas, que a cada eleição vêm ocupando significativos lugares

antes pertencentes aos grandes partidos.

Palavras-chave: 

Pós-comunismo, 

Partidos 

Democratização, Corrupção, Captura do Estado.

Políticos,

Abstract: is paper deals with the current political crisis

experienced by Central European political parties, heirs of the

democratizations of 1989. Our specific focus is on the experience

of Czech Republic, a country which among all other ex-republics

of the Soviet bloc had the most successful history of political

transition and, until 2010, had the most stable party system in

the region. Among the causes that have produced the crisis of the

main political parties are the early apathetic relationship between

citizens and their representatives, the inability of large parties to

meet the main demands of the population and the involvement

of the main political parties with the newest and most extreme

phenomenon of corruption known as State Capture. In fact, the

success of new political parties, oen classified as antistablishment

and / or populists, has been fostered, with each seat occupying

significant seats formerly belonging to the major parties.

Keywords: Post-communism, Political Parties, Democratization,

Corruption, State Capture.

Resumen: El presente trabajo aborda la actual crisis política

vivida por los partidos políticos centroeuropeos, herederos de

las democratizaciones de 1989. Nuestro enfoque específico recae

sobre la experiencia de la República Checa, país que, entre todas las

otras ex repúblicas del bloque soviético, tuvo la más exitosa historia

de transición política y, hasta 2010, poseía el sistema partidista

más estable de la región. Entre las causas que produjeron la crisis

Modelo de publicação sem fins lucrativos para preservar a natureza acadêmica e

aberta da comunicação científica

PDF gerado a partir de XML JATS4R

Argumentos - Revista do Departamento de Ciências Sociais da Unimontes, 2017, 14(1), Enero-Junio, ISSN: 1806-5627 / 2527-2551

de los grandes partidos, figuran la precoz relación apática entre

ciudadanos y sus representantes, la incapacidad de los grandes

partidos en atender las principales demandas de la población y la

implicación de los principales partidos políticos con el más nuevo

y más extremo fenómeno de corrupción conocida como Captura

del Estado. En efecto, se ha fomentado el éxito de nuevos partidos

políticos, a menudo clasificados como antiestablamiento y / o

populistas, que cada elección viene ocupando significativos lugares

antes pertenecientes a los grandes partidos.

Palabras 

clave: 

Post-comunismo, 

Partidos 

Democratización, Corrupción, Captura del Estado.

1. Problemas de Construção de um Estado Democrático

Políticos,

O caráter do Estado sob o regime autoritário era de um estado desprovido

de quase nenhuma autonomia, sendo político-ideologicamente controlado pelo

Partido Comunista. Em outras palavras, o Estado era dependente das decisões

políticas do processo-decisório monopolizado pelo maquinário do partido. Essa

característica não foi modificada durante os primeiros anos de transformação

política e transição para uma economia de mercado, pelo contrário, foi reforçada.

Por outro lado, grande parte dos políticos não possuía nenhum tipo de

experiência ou até mesmo algum plano para com esse tipo de transição. As

recomendações da primeira fase do processo de reformas seguiram, na maior

parte, as diretrizes do Consenso de Washington e ignoraram a necessidade de

construir um novo estado de direito democrático (Dvoráková, 2015).

Construir partidos políticos que desfrutassem da confiança e laços fortes

com a população era uma das considerações mais importantes no início da

transição democrática nos países centro-europeus. Na República Tcheca, por

exemplo, os partidos políticos originados com a democratização tiveram suas

construções entrelaçadas ao Estado e acabaram criando condições ideais para a

patronagem e o clientelismo (Haughton, 2008). As elites emergentes passaram

a conduzir suas ações políticas nas seguintes direções: ?a do interesse pessoal

de construir seu próprio partido, ou de prosseguir com um objetivo mais

amplo de construção do Estado? (Haughton, 2008, p. 490). O problema é que

os partidos acabaram limitando tanto as oportunidades para dedicar tempo

e energia na construção de uma extensa organização partidária, assim como

também colocaram uma pesada necessidade de aquisição de recursos financeiros

em algum lugar. Com níveis relativamente baixos de financiamento partidário à

disposição, passou a ser tentador para os partidos no poder, oferecer recompensas

em forma de favoráveis privatizações para indivíduos dispostos a doar dinheiro

[2] . Assim, testemunhavam-se os partidos governantes extraírem ganhos materiais

que dificultaram a introdução de uma supervisão e regulação de bens do Estado, ?

havendo pouco esforço para transformar o estado em uma organização mais

racional-burocrática? (Haughton, 2008, p. 491).

O ambiente institucional, nas novas democracias centro-europeias, também

mostrava as seguintes falhas: ausência de um quadro jurídico de base para

atividades econômicas particulares, ausência de princípios do Estado de Direito,

falhas de garantias na exequibilidade da lei, constitucionalismo fraco e com

PDF gerado a partir de XML JATS4R

Flávio Rodrigues Barbosa[1]. Desilusão Política, Crise dos Grandes Partidos e Ascensão de Novas Organizações Político-partidárias na Europa ...

subestimação de mecanismos de accountability horizontal. Nota-se também, a

ausência de princípios construídos para responsabilização administrativa, como

instituições de supervisão e órgãos de fiscalização. Outra ausência notada se

encontra na falta de princípios de boa governança (Dvoráková, 2015).

No início do processo de reforma política e transição econômica, havia

disponível uma grande quantidade de propriedade nacional. Isso formou uma

fonte sem precedentes para atividades de corrupção. A principal forma se

encontrava através dos meios empreendidos nos processos de desmantelamento

e reforma do estado autoritário e de privatização. Os impactos foram sentidos

quando já era possível perceber o amplo espaço de oportunidades para práticas

ilícitas, em estados que se mostravam fracos e ineficazes na luta contra desvios

institucionais e que promoviam um alto custo político e social, desembocando

em uma profunda desconfiança na direção do Estado, instituições e políticos,

dentro de suas sociedades. Dessa forma, o estado foi desmontado, ocupado e

privatizado por redes clientelísticas que, por sua vez, interconectaram política,

economia e aparelho de Estado, enfraquecendo a legitimidade da democracia. O

resultado foi a formação de um amplo espaço de oportunidade para a corrupção

[3] sob um ângulo denominado por Captura do Estado[4] e identificado

pelo Banco Mundial quando, dez anos após as primeiras reformas políticas

e econômicas empreendidas pelas novas democracias do centro-leste europeu,

decidiu investigar os tipos de corrução e crimes econômicos que estavam sendo

praticados nos países da região[5].

O processo de transição política e reforma de mercado, acabou sendo marcado

pelo considerável ganho de controle sobre o Estado por novos e poderosos atores

econômicos privados, que o utilizaram para fins de extração de vantagens próprias

e, com isso, o estado recém-edificado não se mostraria muito diferente de outrora.

A diferença, dessa vez, é que, no antigo regime, o Partido Comunista fazia da

administração do Estado o seu campo pessoal de extração de recursos, enquanto

que após 1989 o partido comunista sai de cena e cede a vez para os novos partidos

e estratos empresariais emergentes com a democratização, permanecendo a forma

como este era utilizado. Uma vez que o partido controlava a riqueza da nação,

o estado servia tanto como sua principal fonte de renda, assim como seu mais

eficaz instrumento para ganho de benefícios (Grzymala-Busse, 2007; Dvoráková,

2015).

A captura do estado ocorre, com mais frequência, em sociedades com

raízes democráticas fracas ou onde populações se encontram desiludidas com

promessas não realizadas pelos políticos e partidos tradicionais, e tem ajudado

novos tipos de organizações políticas em suas rápidas conquistas pelo poder

e apropriação de quadros institucionais de combate à corrupção (Hellmann,

2000; Omelyanchuk; 2001, Nosko, 2014). Os resultados de suas intenções e

estratégias têm se mostrado, na maioria dos casos analisados (Slinko, Jakolev e

Zurahvskaya, 2003, Barbosa, 2016), mais no intuito de ganhar o apoio popular

do que, de fato, combater a corrupção. Como efeito, pessoas desanimadas com

a política tradicional têm optado por duas saídas: se retirar da participação

política, principalmente nos períodos de eleições, ou apostar nas novas forças

emergentes. Entre as novas apostas que vêm obtendo sucesso meteórico nas duas

últimas eleições tchecas (2010-2013), destacaram-se os três mais bem-sucedidos

novos partidos políticos locais: TOP09, Assuntos Públicos ( Veci Verejne), e

PDF gerado a partir de XML JATS4R

Argumentos - Revista do Departamento de Ciências Sociais da Unimontes, 2017, 14(1), Enero-Junio, ISSN: 1806-5627 / 2527-2551

o SIM2011 ( ANO2011). Ressalta-se que, as duas últimas são organizações

partidárias construídas sob um novo modelo de partido político denominado

na literatura de Business-firm Party/Partido-empresa de Negócios, (Hopkin e

Paolucci, 1999, Paolucci, 2006, Barbosa (2016).

O modelo é muitas vezes entendido como um tipo extremo do catch-all e

apresenta como uma evidência geral no vínculo de sua imagem com a de algum

rico empresário [6] . Geralmente, uma figura de negócios que alcança grande

expressão nacional e opta por fundar um novo partido político com caráter

de empresa privada. Esse tipo de organização partidária é construído sobre

um edifício paternalista, onde questões que vão desde as fontes de finanças do

partido, assim como processos de seleção e recrutamento são dependentes de

seu líder, fundador e proprietário[7]. Sua organização interna é composta por

tecnocratas e profissionais contratados, os quais também podem ser funcionários

terceirizados cooptados entre uma de suas próprias empresas. Os funcionários do

partido trabalham, então, como analistas e consultores em uma espécie de agência

de defesa de interesses pessoais do proprietário do partido, cujo objetivo é o ganho

de poder político para o mesmo (Paolucci, 2006).

O Forza Italia, de Silvio Berlusconi, foi um dos primeiros exemplos de partido

empresa de negócios bem-sucedidos estudados, sendo também considerado como

o mais radical tipo de Business-firm Party. O modelo de Berlusconi tem sido ?

clonado? e readaptado por muitos novos partidos das jovens democracias da

Europa Central, como a República Tcheca [8] , Polônia [9] , Romênia [10] , Bulgária

[11] , Áustria [12] e etc. A repetição de seu sucesso eleitoral meteórico, em muito

contando com a ajuda de retóricas anti-corrupção, anti-partidos, anti-políticos

tradicionais e suas elites, vem se configurando como um desafio para a democracia

liberal e seus modelos de organizações partidárias (Barbosa, 2016).

2. O Diário da Desilusão e Crise dos Partidos Tradicionais Ilustrado

Através de Décadas de Pesquisas de Opinião Pública na República Tcheca

As eleições de 1992, tiveram como grande vencedor o Partido Liberal

Democrata (ODS), com Vaclav Klaus como primeiro-ministro e, Vaclav Havel,

do Fórum Cívico, como presidente. A divergência de ideias entre ambos os

transformaria em seus principais rivais políticos e a queda de braço entre as duas

lideranças findou com a vitória final de Klaus e seu projeto de modernidade

neoliberal, onde os intelectuais dissidentes do partido comunista (desde a década

de 1960) e principais articuladores da revolução, não teriam lugar. O projeto de

Klaus já custaria logo de início a dissolução da República da Tchecoslováquia.

Um choque para a população. Os escândalos envolvendo a forma como se

exerceram os processos de privatizações e as más condutas financeiras, durante a

década de 1990[13], foram os primeiros exemplos de que as elites herdeiras de

1989 estavam menos interessadas na reconstrução democrática do estado e mais

mobilizadas por interesses pessoais e de curto prazo. Desmantelava-se o estado

autoritário, mas sua fraca e baixa autonomia fora mantida e um amplo espaço para

práticas de captura do estado foi aberto (Barbosa, 2016). Se nos tempos de regime

de força o estado era refém do partido comunista, nos novos tempos mudava-se

apenas seu sequestrador.

O primeiro ano pós regime autoritário foi marcado por uma grande

expectativa. No país que protagonizou a chamada Revolução de Veludo, a mais

PDF gerado a partir de XML JATS4R

Flávio Rodrigues Barbosa[1]. Desilusão Política, Crise dos Grandes Partidos e Ascensão de Novas Organizações Político-partidárias na Europa ...

bem-sucedida das revoluções de 1989, os ânimos com os novos tempos puderam

ser conferidos nos altos índices de participação eleitoral em sua primeira eleição,

conforme ilustra a tabela 1:

Tabela 1

Participação Eleitoral na Tchecoslováquia

International Idea

Quanto mais as capacidades dos partidos tchecos (e nesse período também

os partidos eslovacos) eram postas à prova, mais a população entendia que as

promessas dos reformistas de 1989 nunca seriam realizadas. A dissolução da

Tchecoslováquia ou o ?divórcio de veludo?, em 1993, foi o primeiro sintoma

de demonstração da incapacidade dos primeiros partidos políticos tchecos

(e eslovacos) em captar os desejos de sua população. Uma velha sombra do

autoritarismo de outrora agora se fazia presente na conduta política da nova

elite dirigente, sendo violentamente simbolizada na forma como os partidos

políticos atuaram no processo que levou a dissolução do país ao descartar

qualquer preocupação em ouvir a voz das massas (Barbosa, 2016). Originava-se

aí, o primeiro passo para a crescente desconfiança nas organizações partidárias

herdeiras da democratização, com a queda de participação política eleitoral dos

cidadãos logo nas eleições seguintes. Conforme mostra a tabela 2:

Tabela 2

Participação Eleitoral na Tchecoslováquia

International Idea

Os dados fornecidos pelos pleitos de 1990 e 1992 (tabelas 1 e 2) nos permitem

verificar o nível de entusiasmo da população tchecoslovaca e a importância que

estes viam em seu envolvimento no processo eletivo, assim como seu grau de fé

nas mudanças que as novas instituições políticas prometiam. A primeira eleição

pós 1989 contou com uma participação maciça de eleitores, registrando 96,33%

de comparecimento nas urnas. Número que cairia 8,65% nas eleições seguintes,

muito em decorrência do clima de tensão que se fazia através da atuação política

das principais lideranças dos dois territórios (Vacláv klaus, pela parte tcheca,

e Vladimir Meciar, pela parte eslovaca). As promessas de construção de um

mundo novo e democrático caminharam rumo à desconstrução da república

binacional da Tchecoslováquia. Um fim estranho para uma nova democracia

onde as novas elites dirigentes de um país, que anos antes ressaltava a soberania

de sua população, nem sequer a consultava sobre qualquer desejo de separação.

A dissolução sem consulta colocaria os partidos políticos em xeque com a

população, iniciando um período de ceticismo, onde os níveis de participação

PDF gerado a partir de XML JATS4R

Argumentos - Revista do Departamento de Ciências Sociais da Unimontes, 2017, 14(1), Enero-Junio, ISSN: 1806-5627 / 2527-2551

eleitoral nunca mais ultrapassariam pouco mais de 60% dos eleitores, conforme

mostra a tabela 3:

Tabela 3

Participação Eleitoral na República Tcheca em ordem cronológica

International IDEA

De 1992 a 1996 registra-se uma queda de 8,39%. Em 1998, em grande

parte atribuída aos escândalos de corrupção que vieram à tona envolvendo os

democratas cívicos (ODS), o número cai em 2,29%. Nas eleições de 2002,

registra-se o maior recorde de baixa participação eleitoral, com apenas 57,95% de

presença dos eleitores, muito em decorrência de ser a vez dos sociais democratas

(CSSD) terem alguns de seus principais políticos pegos em práticas corruptas.

Em 2006 a situação melhora um pouco, registrando um crescimento de 6,52%.

No pleito de 2010, ano que marcou a primeira ascensão de novos partidos no

parlamento [14] tem-se o terceiro pior registro de participação eleitoral, com o

registro caindo mais 1,87%. Finalmente, nas últimas eleições realizadas no país,

em 2013, a queda na participação registrou mais 3,12%, colocando o pleito de

2013 como o segundo pior da história política tcheca e também se notabilizando

pela entrada de mais dois novos partidos no parlamento [15] .

A baixa participação é fruto do comportamento cético do eleitorado, assim

como também é efeito da desilusão com os partidos políticos herdeiros

da democratização e suas estratégias de governança. Desde a dissolução, as

organizações partidárias tchecas se viram diante de um problema desafiador,

relacionado com a manutenção de sua relevância e suas capacidades de responder

os anseios populares. No entanto, falharam, e passou-se a assistir, quase que

diariamente, através dos principais meios de comunicação, notícias veiculando a

nova elite dirigente e seu envolvimento com diversas práticas de corrupção.

A frustração com os partidos políticos, na República Tcheca, instaurou um

clima de ceticismo. Com efeito, assistiu-se o gradativo afrouxamento dos laços

entre os partidos políticos e os eleitores até, finalmente em 2010 e 2013, a

destituição dos laços de confiabilidade manifestados nas urnas. O distanciamento

ocorre em paralelo à crescente reprovação dos principais partidos políticos

tchecos após o envolvimento destes com práticas de corrupção. Há também o

problema promovido pela parecença entre os partidos políticos. A parecença

não é algo similar apenas no programa de governo ou no discurso político nos

momentos de campanha, mas na forma de gestão da governança, incluindo o

uso da máquina pública em benefício próprio. A repetição do padrão (ruim)

de governança, reprovado anteriormente, pelo novo partido a quem o povo

depositou sua fé, causou uma nova frustração, pois, de fato, tem-se o sentimento

PDF gerado a partir de XML JATS4R

Flávio Rodrigues Barbosa[1]. Desilusão Política, Crise dos Grandes Partidos e Ascensão de Novas Organizações Político-partidárias na Europa ...

de impotência, onde ninguém será capaz de cumprir com as promessas feitas.

Com efeito, indiferença, frouxidão de laços e a praticamente extinção da filiação

partidária são as maiores heranças que a parecença pôde gerar, tal conforme

apontaremos como as características desse período na República Tcheca (mas que

também se pode verificar em toda Europa Central), no qual se instaurou uma

atmosfera de marasmo político que fomentou a ascensão antiestablishment.

A tabela 4 aborda os níveis de percepção dos eleitores tchecos sobre a

importância que estes acreditam ter para seus representantes políticos. Nota-se

que, de 2009 a 2015, as opções ?a grande maioria? e ?uma boa parte? figuram

com níveis baixíssimos de crença, exceção feita a opção ?todos?, a qual não

obteve porcentagem para figurar na tabela. Por outro lado, os índices obtidos

pelas opções ?pouco mais da minoria?, ?a grande minoria? e ?nenhum?, mostram

que para os eleitores tchecos (nesse período) a vocação política dotada do velho

espírito público é atividade encontrada apenas na minoria ou pouco mais da

minoria de seus políticos.

Tabela 4

Importância que os eleitores tchecos acreditam ter para seus representantes. 2009-2015 (%)

CVVM

Um outo dado interessante (tabela 5), pode ser encontrado em um quadro de

análise que avalia a força e fraqueza da relação eleitores e partidos políticos em

uma cronologia de nove anos (1995-2004). Para nós, um importante caminho

para o sucesso dos novos partidos já se mostra pavimentado nesse período

de tempo. A trajetória de análise, findada em 2004, deixa claro o quadro de

afrouxamento das relações entre eleitores e seus partidos preferidos. Mais da

metade dos entrevistados declararam divergir de seu partido em muitas questões

(25%), enquanto 28% não se identificam com qualquer partido e optaram por

aquele que o incomodava menos. Ceticismo e frustração, se por um lado corroem

os laços entre sociedade civil e seus representantes, produzem, por outro, a

proliferação do ?simpatizante morno?, aquele que vota no partido que menos

lhe dá motivos para rejeição sem mesmo ter uma forte identificação com suas

propostas. Na análise cronológica geral, observa-se que até 1997 a participação

morna era de 10 pontos percentuais menor. O ano de 1998 representa um

ponto significativo de mudança. Conforme as razões já expostas em linhas acima,

a participação de eleitores convictos passa a diminuir consideravelmente no

período subsequente.

PDF gerado a partir de XML JATS4R

Argumentos - Revista do Departamento de Ciências Sociais da Unimontes, 2017, 14(1), Enero-Junio, ISSN: 1806-5627 / 2527-2551

Tabela 5

Atitudes dos eleitores frente a seus partidos preferidos ? 1995-2004 (%)

CVVM

A tabela 6 ilustra a percepção da população tcheca sobre os partidos políticos

do país. Foi elaborado um quadro comparativo com as respostas obtidas entre os

anos de 2005 à 2011:

PDF gerado a partir de XML JATS4R

Flávio Rodrigues Barbosa[1]. Desilusão Política, Crise dos Grandes Partidos e Ascensão de Novas Organizações Político-partidárias na Europa ...

Tabela 6

Visão sobre os Partidos Políticos dos cidadãos Tchecos[16]

PDF gerado a partir de XML JATS4R

Argumentos - Revista do Departamento de Ciências Sociais da Unimontes, 2017, 14(1), Enero-Junio, ISSN: 1806-5627 / 2527-2551

CVVM. Último acesso 09/2015

De acordo com os dados, para mais de 80% dos entrevistados, até 2011, os

partidos políticos são percebidos como organizações auto-interessadas, as quais

só se aproximam do eleitor comum no período de campanha eleitoral e sem

grandes diferenças entre si. Entre os índices com maior elevação de negatividade

no período abordado, destaca-se a percepção de que os partidos políticos são

instituições corruptas, recebendo um aumento (constante a cada ano de pesquisa)

de 13% quando comparado com o primeiro ano de entrevistas. Observa-se

também, que ao longo do período em que a pesquisa foi realizada, menos

de 50% dos entrevistados declararam acreditar que os partidos proporcionam

participação em atividades políticas. Importante observar que em um espaço de

um ano (2010-2011) as opiniões sobre a necessidade dos partidos políticos para

a promoção de interesses de variados grupos e classes sociais caiu 11%, enquanto

a crença de que partidos são necessários para se fazer uma democracia caiu 10%.

O quadro 1 acompanha a problemática abordada sobre a crise contemporânea

da filiação partidária, nos fornecendo um gráfico comparativo entre os anos

2003-2011, onde os entrevistados foram questionados sobre a possibilidade de

filiação partidária em algum momento de suas vidas.

Quadro 1

Quadro comparativo sobre intenções de filiação partidária

CVVM. Traduzido pelo autor.

Conforme pode ser observado, a filiação partidária também é um fenômeno

de grande rejeição no território tcheco. A resposta relativa a ?não ter pensado?

obteve em oito anos de pesquisa um aumento de 8%, e conforme o gráfico nos

permite ver, trata-se de um número que nunca esteve abaixo da casa dos 80%

dos entrevistados. Da mesma forma, o número entre aqueles que responderam

sim,obteve uma queda de 6%. E em nenhum momento se mostrando pouco

maior de 10%. Não à toa que as eleições de 2010, para o parlamento tcheco,

amargaria, até então, o segundo pior registro de comparecimento às urnas de toda

a história desta jovem democracia do centro-leste europeu.

O gráfico 1, de comparação sobre a orientação política geral dos cidadãos

tchecos mostra que durante o período de 2008 a 2013 o número de

eleitores identificados com alguma corrente fundamental de opinião política

se enfraqueceu gradativamente. A corrente que mais sentiu o impacto foi a

ecológica-ambientalista, registrando ao longo dos cinco anos de pesquisa uma

perda de 16% de eleitores identificados.

PDF gerado a partir de XML JATS4R

Flávio Rodrigues Barbosa[1]. Desilusão Política, Crise dos Grandes Partidos e Ascensão de Novas Organizações Político-partidárias na Europa ...

Gráfico 1

Orientação Política dos Eleitores Tchecos. Resultado geral 2008-2013 (%)

CVVM

Os dados singulares, para cada ano de pesquisa, nos trazem uma informação

surpreendente. Foi solicitado aos eleitores que marcassem duas opções de

preferência política. Na primeira, os entrevistados assinalaram sua principal

preferência, enquanto na segunda, apontaram outra possibilidade de voto.

Destacamos na tabela 7, os números que figuram entre os eleitores que declararam

não possuir afinidades com qualquer das correntes políticas presentes na pesquisa.

Conforme é notado, 14% dos entrevistados não conseguiram apontar, entre

as indicações, alguma corrente preferencial, enquanto 46% foram incapazes de

apontar uma segunda opção. A soma sugere um total de 60 % de entrevistados

sem qualquer identificação com alguma corrente política fundamental. No

entanto, se levarmos em conta que os mesmos 14% sem uma primeira preferência

podem ter também assinalado a preferência 2, o resultado cai para um ainda

considerável número de 32% de eleitores sem uma segunda opção. Por outro

lado, é bem provável que outros que tenham assinalado ter uma primeira opção

de preferência, tenham assinalado não ter uma segunda. Mas quando somamos

as primeiras preferências entre os ?sem resposta?, aqueles que ?não sabem? e a

opção ?outros?, temos um total de 26% de entrevistados sem identificação com

qualquer das correntes políticas fundamentais que podem ser encontradas nos

principais partidos tchecos estabelecidos.

PDF gerado a partir de XML JATS4R

Argumentos - Revista do Departamento de Ciências Sociais da Unimontes, 2017, 14(1), Enero-Junio, ISSN: 1806-5627 / 2527-2551

Tabela 7

Orientações políticas 2010 (%)

CVVM.

Nota Os dados da Terceira coluna representam a porcentagem de entrevistados que se identificam com a primeira e segunda escolha.

3. Novos Partidos e Terremoto Antiestablishment: As eleições de 2010 e

2013

Os resultados das eleições legislativas de 2010 e 2013 foram chamados de ?

terremoto político? por diversos meios de comunicação da Europa Central.

O apoio para com os dois maiores partidos caiu para um mínimo histórico,

e o Partido Democrata Cristão, terceiro maior do país, deixou a câmara

baixa do parlamento pela primeira vez na história. Além disso, dois novos

partidos políticos ? Assuntos Públicos (VV- Ve?ejné veci) e TOP09 ? ganharam

representação parlamentar e entraram na coalizão governamental (ver tabela 8).

Em 2013, foi a vez do ANO2011 (SIM2011) e USVIT (Alvorecer) obterem

um meteórico sucesso eleitoral e conquistarem vagas no parlamento em suas

primeiras eleições disputadas, a qual também teria ficado marcada por mais um

fracasso recorde de comparecimento às urnas, desbancado a eleição anterior

(2010) do rankingde segundo pior resultado eleitoral da história do país (ver

tabela 9).

Tabela 8

Eleições Legislativas 2010

CZSO

PDF gerado a partir de XML JATS4R

Flávio Rodrigues Barbosa[1]. Desilusão Política, Crise dos Grandes Partidos e Ascensão de Novas Organizações Político-partidárias na Europa ...

Tabela 9

Eleições Legislativas 2013

CZSO

A eleição de 2010 foi realizada em condições específicas, as quais muitas se

repetiriam em 2013. Conforme mostram os dados apresentados, ao baixíssimo

nível de ligação entre os eleitores e partidos políticos, o período de recessão

econômica, devido à crise do euro, em 2007, e a crescente importância dos

problemas de corrupção, nos quais os partidos estabelecidos vieram a se envolver,

somava-se agora ao mais alto nível de insatisfação popular com a política (tabela

10). Trata-se de um sentimento de reação a uma crise. Os novos partidos e suas

lideranças souberam combinar as falhas dos partidos tradicionais e as angústias

dos cidadãos, criando eficazes argumentos acerca da crise de autoridade das

organizações políticas estabelecidas e sua completa falência e incapacidade de

atender as crescentes demandas da população.

Tabela 10

Satisfação com a situação política pré-eleições. 1996-2010 (%)

CVVM

Em 2010, no período pré-eleitoral, as pesquisas de opinião pública acerca da

situação política do país continuavam apontando o estado de enfermidade e o

calvário a ser seguido pelos partidos estabelecidos. Suborno e corrupção eram

apontados como os fatores que mais influenciavam as tomadas de decisão. Foi

solicitado aos entrevistados que avaliassem as opções selecionadas em uma escala

de 1 a 7, onde 1 é o principal fator de influência e 7 um fator sem qualquer

influência. Na tabela 11, vemos que ?suborno e corrupção? são apontados com

as avaliações mais altas nas três primeiras colocações, tendo logo em seguida a

companhia de ?grupos de interesse e lobbies?, os quais figuram no segundo lugar

PDF gerado a partir de XML JATS4R

Argumentos - Revista do Departamento de Ciências Sociais da Unimontes, 2017, 14(1), Enero-Junio, ISSN: 1806-5627 / 2527-2551

geral e segundo lugar nos três primeiros graus de avaliação de influência. O menor

impacto de influência foi atribuído aos cidadãos, com 24% no sétimo e último

grau de avaliação de critérios de importância e força de influência. Dessa forma,

conclui-se que de acordo com a percepção do eleitor tcheco, o processo decisório

nacional é exercido através de lobbies e grupos de interesse, sendo dominado

por práticas corruptas e de suborno em um ambiente onde o povo não exerce

qualquer influência.

Tabela 11

Opinião sobre o que mais influencia o processo decisório. 2010 (%)

CVVM

Associada com a descrença nos partidos políticos estabelecidos, se encontra a

baixa moralidade percebida de seus membros perante o eleitorado. De 2002 a

2015, a opinião de que os políticos devem ter suas condutas avaliadas com o maior

rigor possível nunca ficou em níveis menores que 58% (tabela 12), atingindo seus

maiores índices de avaliação nos piores anos eleitorais da história da República

Tcheca (2002, 2010 e 2013). Os eleitores também manifestaram o desejo de

ver seus representantes sendo julgados sem critérios de privilégio, o que, por si

só, ilustra o cansaço com a cultura da impunidade, e também de acordo com

os atos que cometem fora da vida pública, o que demonstra o desejo de ver no

representante político um cidadão moral de conduta exemplar (tabela 17).

PDF gerado a partir de XML JATS4R

Flávio Rodrigues Barbosa[1]. Desilusão Política, Crise dos Grandes Partidos e Ascensão de Novas Organizações Político-partidárias na Europa ...

Tabela 12

Avaliação da moralidade dos políticos tchecos. 2002-2015 (%)

CVVM. Traduzido pelo autor.

Em onze anos de pesquisa e monitoramento da opinião pública (tabela 13), a

corrupção tem sido percebida como fato presente na maioria dos agentes públicos

do país. Suborno e corrupção aparecem nas pesquisas como uma prática da

maioria dos políticos, obtendo seu maior índice de avaliação (48%) em 2014.

Desde 2010, a presença de suborno e corrupção passou a gradativamente ser

percebida como praticada por quase todos os políticos. Por sua vez, avaliações

sobre tal presença em ?menos da metade dos políticos? eram maiores e iguais à ?

quase todos? até 2010, e avaliações como ?muito poucos são corruptos? nunca

conseguiram números expressivos.

PDF gerado a partir de XML JATS4R

Argumentos - Revista do Departamento de Ciências Sociais da Unimontes, 2017, 14(1), Enero-Junio, ISSN: 1806-5627 / 2527-2551

Tabela 13

Percepção de suborno e corrupção entre agentes públicos. 2004-2015

CVVM. Traduzido pelo autor.

Em 2015, as instituições percebidas com os níveis mais altos de corrupção na

República Tcheca (tabela 14) foram [17] : os partidos políticos (44%) e o setor de

distribuição dos subsídios europeus (36%); ministérios e agências centrais (25%)

e o setor de construção civil (24%). Interessante é a percepção demonstrada

no critério seguinte, o qual desce o nível de percepção da corrupção nas

instituições tchecas para ?grande corrupção?, onde os entrevistados apontaram,

em colocações quase invertidas, as mesmas instituições presentes no mais alto

nível de avaliação presentes no critério anterior: os ministérios e agências centrais

(33%), o setor de construção civil (32%), os partidos políticos e o setor de

distribuição dos subsídios europeus (ambos com 30%).

PDF gerado a partir de XML JATS4R

Flávio Rodrigues Barbosa[1]. Desilusão Política, Crise dos Grandes Partidos e Ascensão de Novas Organizações Político-partidárias na Europa ...

Tabela 14

Nível de corrupção nas instituições da vida pública. 2015 (%)

CVVM[18]. Traduzido pelo autor.

Conclusão

Logo nos primeiros anos de nova república, as elites já teriam mostrado sua

incapacidade de ouvir as massas na condução dos negócios públicos mais

importantes do país. A dissolução de uma república binacional da ?noite para

o dia? e sem qualquer consulta popular, equivaleu a um balde de água fria

nos sonhos construídos através dos discursos reformistas de 1989, fazendo

lembrar o autoritarismo de outrora. Seu reflexo começou a ser visto no cada

vez mais agravante e decrescente número de cidadãos tchecos que participam

das eleições. O envolvimento dos principais partidos políticos em esquemas de

corrupção começa a implodir de vez a crença nas organizações partidárias pós

1989. Com a população desiludida, a maioria dos políticos são percebidos como

atores públicos corruptos com baixa moralidade. A política é vista como o lugar

por excelência das atividades de lobistas e grupos de interesses, onde desejos

políticos e sociais se realizam com práticas de suborno e corrupção. No mesmo

ambiente político nacional, os problemas mais sérios são ocultados dos cidadãos

e quando emergem em escândalos, por exemplo, nada acontece. Os cidadãos

passam a enxergar a si próprios como um elemento indiferente para as lideranças

políticas, só merecendo um lugar de importância no ano eleitoral. Com efeito,

esse mesmo cidadão politicamente fadigado se vê incapaz de optar por alguma

corrente política fundamental representada nos partidos estabelecidos. Ele se

PDF gerado a partir de XML JATS4R

Argumentos - Revista do Departamento de Ciências Sociais da Unimontes, 2017, 14(1), Enero-Junio, ISSN: 1806-5627 / 2527-2551

afasta de atividades cívicas como filiação partidária, a qual nem mais passa pela

sua cabeça. Esse afastamento da participação, por sua vez, o converte em um

eleitor descontente pronto para penalizar seu(s) partidos(s), votando em um

novo partido ou não comparecendo às urnas, abrindo também espaço para que

eleitores mornos e de opiniões efêmeras passem também a fazer diferença no

pleito.

Esse grupo de fatores pavimentou o caminho de sucesso para os novos partidos,

cujas características gerais podem ser enumeradas da seguinte forma: 1) Discurso

da promoção de uma Nova Política: através de exigências quanto a mudança

da forma como a política é conduzida, sendo oferecida em seu lugar uma

política ?anti-política?; 2) Personalidade: exercida na forma como lideranças

carismáticas se apresentam aos eleitores, se denominando cidadãos descontentes

ou políticos ?anti-políticos? sem passado ou experiência com a política; 3) Posição

centrista e recusa ideológica: projeção das clivagens tradicionais de esquerda/

direita como culpadas por toda ineficiência administrativa e direcionamento para

a chamada ideologia centrista e cidadanista; 4) Foco discursivo no combate à

corrupção e ao establishment, prometendo combater as práticas de corrupção

e renovar a política, projeto que só será bem-sucedido com a reprovação dos

partidos tradicionais e a retirada de seus políticos do parlamento; 5) Democracia

direta: presente nas promessas de capacitação dos cidadãos para o exercício da

democracia direta e participação popular na coautoria das políticas públicas do

partido (podendo tal realização ser prometida através de seu websitena internet);

6) Novos nomes: mais diretos e simplificados, que reforçam tanto a recusa das

clivagens tradicionais como a política dos partidos tradicionais (Barbosa, 2017).

Durante parte de 2014 e 2015, defendemos que esta tendência adotada pelos

novos partidos centro-europeus continuaria a crescer. Hoje, nota-se a presença

de partidos com estruturas, estilos e estratégias discursivas e de mobilização

semelhantes por toda a Europa, tendo no En Marche, de Emmanuel Macron, seu

último exemplo[19]. A maior parte do sucesso eleitoral desses novos partidos se

fez através da astúcia com que seus membros construíram suas retóricas de ataque

a seus rivais (ver Barbosa, 2017). Eles perceberam a desilusão e o distanciamento

entre partidos e eleitores devido ao modelo de governança por estes adotados,

ouviram as principais demandas da população e incluíram algumas em suas

plataformas de governo. Mas o principal seria a adesão, em suas estratégias

políticas, a uma construção da imagem de si em semelhança com o povo e

antagonista àquela com que seus adversários políticos se mostravam perante os

olhos da população. Contra a figura do corrupto e dos partidos corrompidos,

edificou-se uma ?nova elite pura?, dignitária do poder político e redentora da

população.

Referencias

BARBOSA, Flávio Rodrigues. O Teatro das Representações Trocadas. Corrupção,

Ascensão Antiestablishment e o Modelo de Partido-Empresa de Negócios na

Europa Central Pós 1989. Juiz de Fora, 2016. Tese (Doutorado em Ciências

Sociais) ? Universidade Federal de Juiz de Fora.

PDF gerado a partir de XML JATS4R

Flávio Rodrigues Barbosa[1]. Desilusão Política, Crise dos Grandes Partidos e Ascensão de Novas Organizações Político-partidárias na Europa ...

______. Partidos Políticos Antiestablishment na Europa Central Pós 1989: uma lógica

populista? Revista Teoria e Pesquisa: Dossiê Revisitando o(s) Populismo(s). v. 26.

p. 36-64, 2017.

CVVM. Centrum pro výzkum ve?ejného mín?ní. Disponível em www.cvvm.cz. Acesso

em: 10 dez. 2015.

DVORÁKOVÁ, Vladimira. (2015). Corruption in Post-communist States. Causes and

Impacts. In: GRADUATE COFERENCE ON CORRUPTION AND ANTI

CORRUPTION, 2015, Brighton, University of Sussex.

GRYSMALA-BUSSE, Anna. Rebuilding Leviathan: Party Competition and the

State Exploitation in Post-Communist Democracies. Cambridge: Cambridge

University Press, 2007.

HAUGTON, Tim. Parties, Patronage and the Pos-Communist State. Comparative

European Politics. n, 6. p. 486-500, 2008.

HELLMANN, Joel; JONES, Geraint; KAUFMANN, Daniel. (2000). ?Seize the State,

Seize the Day?. State Capture, Corruption and Influence in Transition. World

Bank: e World Bank Institute, 2000.

HOPKIN, Jonathan; PAOLUCCI, Caterina. (1999). e Business firm moldel of

party organization: Caes from spain and Italy. European Journal of Political

Research, n 35. p. 307-339, 1999. Netherlands: Kluwer Academic Publishers.

INTERNATIONAL IDEA. International Institute for Democracy and Electoral

Assistance. Disponível em www.idea.int. Acesso em: 10 mai. 2015.

NOSKO, Andrej. Can a ink Tank Help Expose Captured State? Voices. Open

Society Foundations, 2014.

OMELYANCHUK, Oleksiy. Explaining State Capture and State Capture Modes. e

Cases of Russia and Ukraine. Budapest: Central Europe University Press, 2001.

PAOLUCCI, Caterina. (2006). A firm masquerading as a party transforms Italy:

Berlusconi?s Forza Italia. In: EUROPEAN CONSORTIUM OF POLITICAL

RESEARCH, 2006, Cyprus. Competitors to Parties in Electoral Politics: e Rise

of Non-party Actors. Cyprus: Joint Sessions. Intercollege Nicosia, 2006, p.1-20.

SALAMANCA, Luis Jorge Garay (Org.). La Captura e la Reconfiguración del Estado

em Colombia. Bogotá: Fundação METODO, 2008.

SLINKO, Irina; YAKOLEV, Evgeny; e ZHURAVSKAJA, Ekaterina. Laws for Sale:

Evidence from Russia. American Law and Economics Review: Special Issue on

Comparative Law. Vol, 7, n. 1, p. 284-318, 2005.

Notas

[1]Doutor pelo PPGCSO/UFJF, onde também foi bolsista CAPES/PDSE na Vysoka Skola

Ekonomicka v Praze (Prague University of Economics). Email: f.rodriguesbarbosa@gmail.com

[2]Dois dos partidos governistas vistos como fundamentais para o sucesso econômico da

República Tcheca durante a década de 1990, o Partido Democrata Cívico e a Aliança Cívica

Democrática, se envolveram em escândalos de financiamento partidário em 1997, quando se

tornou evidente que o dinheiro doado teria sido em troca de influência e tratamento preferencial

(Barbosa, 2016).

[3]Dvoráková, Vladimira. Corruption in Post-communist States. Causes and Impacts. Graduate

Conference on Corruption and Anti-Corruption. University of Sussex, Brighton. 12-13 January,

2015.

PDF gerado a partir de XML JATS4R

Argumentos - Revista do Departamento de Ciências Sociais da Unimontes, 2017, 14(1), Enero-Junio, ISSN: 1806-5627 / 2527-2551

[4]A Captura do Estado (Hellmann et al, 2000) é uma bem organizada atividade

institucionalizada que faz uso tanto do funcionamento já existente das instituições estatais

legítimas, mas que também se utiliza de mudanças legais para alterar o desenho institucional das

mesmas, de forma que estas passem a servir melhor os interesses de seus captores. É caracterizada

pelo considerável ganho de controle sobre o Estado por (novos e) poderosos atores econômicos

privados que utilizam de sua prática para fins de extração de vantagens próprias. Da mesma

maneira que as demais formas de corrupção, a captura do estado é um método para aumentar os

ganhos privados. De acordo com Garay Salamanca (2008), o objetivo final da captura do Estado

pelos agentes privados é promover a Reconfiguração Cooptada do Estado, em outras palavras,

a transformação da máquina pública num instrumento de defesa dos interesses dos poderosos

agentes privados que passam a dominá-la.

[5]Um tratamento mais específico pode ser conferido em: Barbosa; Flávio Rodrigues. O Teatro

das Representações Trocadas. Corrupção, Ascenção Antiestablishmente e o Partido-empresa de

Negócios na Europa Central Pós-1989. Tese de Doutorado. Programa de Pós-graduação em

Ciências Sociais. Universidade Federal de Juiz de Fora. 2016.

[6]O modelo de Partido-empresa de negócios teve seus dois primeiros protótipos desenvolvidos

na literatura política através dos estudos de caso proporcionados entre o Forza Italia, de Silvio

Berlusconi e Unión de Centro Democratico, de Adolfo Suarez, na Espanha pós-franco.

[7]A figura do empresário político não é uma novidade exclusiva do modelo de partido-empresa

de negócios. A novidade, na abordagem de Hopkin e Paolucci (1999) e Paolucci (2006), reside

no fato de que o empresário, aqui, se oferece para coordenar e liderar o grupo latente em troca

de um elemento de ?lucro? privado, entendido como o prestígio e as vantagens materiais trazidas

pela ocupação de um cargo público. De acordo com os autores, ?o partido político deixa de

ser uma organização voluntária com objetivos essencialmente sociais para se tornar uma espécie

de empresa de negócios, onde os bens públicos produzidos são incidentais para os verdadeiros

objetivos, fazendo da política, na terminologia de Olson, um subproduto (Hopkin e Paolucci,

1999, p. 311) ?.

[8]Veci Verejne, ANO2011, ÚSVIT e SPD (Svoboda a p?ímá demokracie ? Liberdade e

Democracia Direta).

[9]Twój Ruch (Seu Movimento).

[10]PP-DD (Partido do Povo ? Dan Diaconescu).

[11]Simeon II.

[12]Team Stronach (Equipe Stronach).

[13]Uma lista e abordagem dos principais escândalos de corrupção e captura do estado, na

República Tcheca pós 1989, pode ser conferido em Barbosa (2016).

[14]TOP09, e VV.

[15]ÚSVIT e ANO2011.

[16]Nota: Extrapolação de até 100% é uma resposta espontânea não sei. + É a versão da soma

das respostas "concordo totalmente" e "concordo um pouco". - é o total de variantes das respostas

"concordo inteiramente" e "discordo um pouco".

[17]Nossa seleção abordou apenas os quatro maiores níveis percentuais.

[18]A tabela de avaliação classifica 5, para alta corrupção; 4, para grande corrupção; 3, para

corruptas; 2, para quase pouca corrupção e; 1, para sem corrupção.

[19]No entanto, a partir de 2016, muitos acadêmicos abandonaram a classificação

antiestablishment, passando a se dividir entre aqueles que continuam atrelando a ascensão

política desses novos tipos de agremiações políticas como um neopopulismo e, outros que tratam

do assunto classificando-o como o fenômeno post-partisan.O artigo do autor Flávio Rodrigues Barbosa[1] 

f.rodriguesbarbosa@gmail.com

Universidade Federal de Juiz de Fora - UFJF, Brasil

Um partido político é uma organização de cidadãos que compartilham ideologias, princípios e interesses comuns, unindo-se com o objetivo de conquistar e exercer o poder político para implementar um programa de governo. A própria palavra "partido" vem da ideia de divisão, representando uma "parte" da sociedade e uma visão específica sobre como o Estado deve ser administrado.

Do ponto de vista prático e legal, suas principais características e funções incluem:

 Pessoa Jurídica de Direito Privado: Embora tenham relevância pública direta, eles operam legalmente sob regras de direito privado, possuindo autonomia interna para sua organização.

 Mediação entre Povo e Estado: Funcionam como uma ponte burocrática e ideológica, traduzindo as demandas da população em propostas legislativas e ações governamentais.

Recrutamento e Treinamento: Identificam e preparam novas lideranças, além de organizar o debate político em torno de pautas sociais, econômicas e estruturais.

Para verificar os requisitos constitucionais específicos de candidatura e as regras locais sobre filiação partidária, consulte o portal oficial da justiça eleitoral ou do órgão de governança relevante.

E assim perdem as democracias. Com falta de representatividade na politica .

Confira a reportagem no Portal G1 da Rede Globo               .https://g1.globo.com/politica/eleicoes/2026/noticia/2026/10/10/de-desilusao-com-a-politica-a-viagens-abstencao-nas-eleicoes-de-2026-e-a-maior-desde-1998.ghtml

E assim caminha a humanidade.

Imagem do Portal G1 da Rede Globo. 





 


Nenhum comentário:

Postar um comentário