sábado, 10 de outubro de 2026

Maquina politica. Corrupção .

 




O bolsonarismo é um fenômeno e movimento político brasileiro de extrema-direita centrado na figura do ex-presidente Jair Bolsonaro. Surgido de forma mais expressiva a partir de 2016, o movimento consolidou-se como uma das principais forças políticas do Brasil, caracterizando-se por uma coalizão de diferentes vertentes ideológicas, sociais e econômicas.

Características Principais

 Ideologia: Baseia-se em pilares como o anticomunismo, o antipetismo, o ultraconservadorismo, o neoliberalismo econômico e o militarismo.

 Valores: Forte apelo aos valores tradicionais, à segurança pública, à defesa do conceito tradicional de família e à associação com vertentes religiosas.

 Comunicação: Sustenta-se fortemente por uma rede de comunicação digital altamente descentralizada, que propaga narrativas alternativas e mobiliza diretamente sua base de apoio.

Diferentes Perspectivas e Análises

O movimento é interpretado de maneiras distintas por cientistas políticos, opositores e defensores:

Perspectiva Crítica / Acadêmica Perspectiva dos Defensores / Apoiadores

Autoritarismo: Cientistas sociais e críticos frequentemente associam o movimento a flertes com o neofascismo, ao populismo de extrema-direita e a investidas de contestações institucionais. Movimento Popular: Defensores enxergam o bolsonarismo como uma força legítima "de baixo para cima", que representa o sentimento patriótico e o desejo do cidadão médio de permanecer e valorizar o país.

Ameaça Democrática: É apontado por opositores como um risco aos serviços públicos, à inclusão social e à integridade das instituições democráticas. Agenda Econômica e Moral: É defendido como um projeto de desenvolvimento focado no livre mercado, no combate à corrupção e na preservação da moral e dos costumes cristãos

          A expressão "negação dos poderes da República nas eleições de 2018" contextualiza um período de forte tensionamento institucional no Brasil, caracterizado pelo questionamento da legitimidade e das funções das autoridades que compõem os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.Esse fenômeno manifestou-se de três formas principais durante o pleito de 2018:1. Crise de Legitimidade e Ataques ao JudiciárioO Poder Judiciário — especialmente o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) — foi o principal alvo de contestações.O veto à candidatura de Lula: A decisão do TSE de barrar o registro de candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva com base na Lei da Ficha Limpa foi classificada por seus apoiadores como uma interferência política indevida do Judiciário sobre o processo democrático.Discurso antissistema e urnas eletrônicas: Candidatos da ala mais conservadora e à direita, notadamente a campanha de Jair Bolsonaro, iniciaram uma retórica pública de desconfiança em relação à neutralidade da Justiça Eleitoral e à confiabilidade das urnas eletrônicas. Declarações de que o sistema poderia ser fraudado infloraram uma postura de negação à autoridade do TSE.2. Discurso "Antissistema" contra o Legislativo e ExecutivoAs eleições de 2018 foram marcadas pela rejeição à política tradicional. Abalados pelas revelações da Operação Lava Jato e pelo impeachment de 2016, os poderes Legislativo (Congresso Nacional) e Executivo enfrentaram uma profunda crise de representatividade.Discursos de campanha frequentemente retratavam o funcionamento do Congresso e os acordos partidários como inerentemente corruptos.Essa negação da política institucional gerou uma forte onda de renovação parlamentar e impulsionou candidatos que se posicionavam "fora do sistema".3. Escalada da Violência e Alerta ConstitucionalA polarização extremada e a negação mútua da legitimidade entre espectros políticos resultaram em uma escalada de violência física e verbal. Na reta final daquele outubro, o então presidente do STF, ministro Dias Toffoli, veio a público afirmar que "atacar o Poder Judiciário é atacar a democracia", reagindo ao clima de ameaças direcionadas à integridade da Corte e dos ministros.DesdobramentosHistoriadores e cientistas políticos apontam que a negação e o desgaste dos Poderes da República observados em 2018 não se encerraram no pleito. Eles funcionaram como a base retórica para os conflitos institucionais dos anos seguintes, culminando em episódios de hostilidade democrática mais severos ao longo das gestões subsequentes.

 

Brasil pós-eleições 2018:  

o neofascismo entra em cena 

Ilse Gomes Silva 

Resumo:  

Apresento as configurações do Estado brasileiro após as eleições de 2018 quando foi eleito 

para a Presidência da República Jair Bolsonaro, do partido PSL (Partido Social Liberal). A 

campanha eleitoral de Jair Bolsonaro foi marcada pela incitação à violência, apologia da 

ditadura, declarações racistas e homofóbicas. Em seu governo esses elementos se 

aprofundaram, adquiriram configurações neofascistas e se transformaram em política de 

Estado, assumindo as configurações institucionais necessárias para orientar a prática das 

instituições governamentais. 

Palavras-chave: autoritarismo, neofascismo, governo. 

Brazil after the 2018 elections: neo-fascism enters the scene 

Abstract: 

I present the configuration of the Brasilizan State after the 2018 elections, when Jair 

Bolsonaro, of the PSL party (Liberal Social Party), was elected to the Presidency of the 

Republic. Jair Bolsonaro’s electoral campaign was marked by incitement to violence and 

apology for dictatorship, racist and homophobic statements. Furthermore in his 

government these elements have deepened, taken neo-facist configurations and became 

state policy, assuming the institutional configurations necessary to guide the practice of 

government institutions. 

Keywords: authoritarianism, neo-fascism, government. 

Introdução 

A conjuntura política do Brasil apresentou profundas e rápidas mudanças 

desde junho de 2013, quando as ruas de diversas cidades, em todo o território 

nacional, foram tomadas por multidões que empunhavam palavras de ordem de 

combate à corrupção, contra o governo Dilma Rousseff, contra o Partido dos 

 Doutora em Política. Professora titular do Departamento de Sociologia e Antropologia da 

Universidade Federal do Maranhão (UFMA), São Luís-MA, Brasil. Coordenadora do Grupo de 

Estudos de Política, Lutas Sociais e Ideologias (GEPOLIS). Pesquisadora do Núcleo de Estudos de 

Ideologia e Lutas Sociais (NEILS). End. eletrônico: ilse.gomes@ufma.br  

ORCID: https://orcid.org/0000-0002-2749-806X 

171   Recebido em 12 de agosto de 2021. Aprovado em 20 de outubro de 2021.        

Trabalhadores e a favor de intervenção militar.   Estas manifestações anunciaram as 

tempestades que estavam por vir nos anos seguintes. Em 2015, logo após a reeleição 

da presidenta Dilma Rousseff, elas se intensificaram1, e a bandeira do impeachment 

alcançou o centro da cena política, alimentada pela política de incitação ao ódio 

contra os partidos políticos de esquerda e entidades dos movimentos sindical e 

popular.  “Vestidos de verde e amarelo e entoando o hino nacional, apresentaram as 

bandeiras de “chega de corrupção e intervenção militar já”, “impeachment: tira 

Dilma”. “Basta, cadeia para os corruPTos”” (Silva, 2016).  Esse processo 

representou o momento em que a direita e a extrema direita, presente nos diversos 

aparelhos de Estado, especialmente o parlamento e o judiciário, e nos aparelhos de 

comunicação, tomaram a ofensiva política e alcançaram força suficiente para 

promoverem o golpe que destituiu da presidência da república Dilma Rousseff, em 

2016.  

O governo Temer sofreu uma forte resistência dos movimentos sindical e 

popular, que foram às ruas com a bandeira do “Fora Temer” e contra as reformas 

neoliberais. Alguns fatos do governo Temer merecem destaque, principalmente os 

relacionados com o avanço da repressão militar contra manifestantes dos 

movimentos sindical e popular e contra a população das favelas. A repressão foi 

intensificada através do decreto de intervenção2 na Segurança Pública do Estado do 

Rio de Janeiro, assinado em 16 de fevereiro de 2018, em que o governo federal dava 

carta branca para o Exército entrar nas favelas sob o argumento de combater o 

crime organizado. A operação tomou um caráter nacional com a experiência do 

“laboratório do Rio de Janeiro”, quando foi criado o Ministério Extraordinário da 

Segurança Pública,3 em 27 de fevereiro. Essa movimentação das Forças Armadas4 

para assumir uma posição de força cada vez maior na cena política brasileira, 

aumentar sua parcela no orçamento público e blindar suas operações de qualquer 

questionamento de violação dos direitos humanos ou controle público era um 

prenúncio do que aconteceria no governo de Jair Bolsonaro.  

No governo de Temer ficou claro que a direita e a extrema direita não 

mediriam esforços para garantir sua ascensão ao Palácio do Planalto. Em 14 de 

março de 2018, a vereadora do PSOL/RJ Marielle Franco e Anderson Gomes, seu 

motorista, foram assassinatos, no Rio de Janeiro. Com uma pauta política ligada à 

defesa dos direitos humanos dos grupos marginalizados e denúncia da ação dos 

1

A 

Folha de S. Paulo divulgou 1 milhão de pessoas em 26 estados. 

http://www1.folha.uol.com.br/poder/2015/03/1603286-protestos-contra-o-governo-reune

quase-1-milhao-pelo-pais.shtml. Acedido em 24 de março de 2015. 

2 Maiores informações em https://g1.globo.com/politica/noticia/temer-assina-decreto-de

intervencao-federal-na-seguranca-do-rio-de-janeiro.ghtml.  

3

Ver 

http://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2018-02/governo-publica-mp-que-cria

ministerio-extraordinario-da-seguranca-publica 

4Consultar https://oglobo.globo.com/rio/comandante-do-exercito-fala-em-evitar-nova-comissao

da-verdade-22413404 

Silva, I. G.   172 

Brasil pós-eleições de 2018...                                             

grupos milicianos, Marielle incomodava as forças conservadoras em ascensão no 

país. Podemos destacar também a prisão do ex-presidente Lula, no dia 07 de abril de 

2018, pelas acusações de corrupção movidas pela Operação Lava Jato.  Após ser 

condenado pelo então juiz Sérgio Moro nos processos5 do Triplex do Guarujá, Sítio 

de Atibaia e Instituto Lula, o ex-presidente ficou impedido de ser candidato nas 

eleições de 2018.  Lula saiu da prisão em novembro de 2019, após 5806 dias preso 

na Superintendência da Política Federal, em Curitiba, Paraná, sendo solto somente 

após a divulgação de mensagens entre os integrantes da Lava Jato e o ex-juiz Sérgio 

Moro, nas quais ficavam claras as intenções políticas de impedir a candidatura de 

Lula e garantir a eleição de Jair Bolsonaro.  Em março de 2021, Lula recuperou seus 

direitos políticos após o ministro do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, 

anular processos movidos contra o ex-presidente na 13ª. Vara Federal de Curitiba.  

No dia 23 de junho de 2021, o Plenário7 do Supremo Tribunal Federal (STF) 

considerou o ex-juiz Sérgio Moro suspeito para julgar o ex-presidente Lula no 

processo do Triplex do Guarujá, anulando as acusações de corrupção. E, em 24 de 

junho de 2021, o ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, estendeu 

a suspeição de parcialidade do ex-juiz Sérgio Moro às condenações referentes ao 

sítio de Atibaia e do Instituto Lula.  

A suspensão dos direitos políticos de Lula, e consequentemente a 

inviabilidade de sua candidatura, garantiram a eleição, no segundo turno, de Jair 

Bolsonaro, com 55% dos votos do eleitorado brasileiro. A vitória de Jair Bolsonaro 

representou a ascensão da extrema direita ao executivo federal, sustentada por uma 

ampla aliança em que participaram os representantes da grande mídia, do 

agronegócio, da indústria e do setor financeiro, com a cumplicidade do Judiciário. 

Essa aliança levou o Brasil a alcançar os piores índices de desemprego e de pobreza, 

a atingir 620 mil mortos pela COVID-19 (2020-2021), a subir de modo assustador 

os números de desmatamentos e de assassinatos da população das periferias, em sua 

maioria, negra, das comunidades indígenas e dos grupos LGBTQI+. O que estava 

em jogo era o padrão de sociabilidade construído desde 1985, com as lutas sociais 

pela democratização, pelas políticas de respeito aos direitos humanos, sociais e 

ambientais. O horizonte projetado pelo governo Bolsonaro era a barbárie do 

neofascismo. 

5 Ver em: https://www.cnnbrasil.com.br/politica/2021/04/15/veja-os-processos-envolvendo-o

ex-presidente-lula 

6Consultar 

https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/politica/2019/11/09/interna_politica,805009

/depois-de-580-dias-preso-lula-sai-da-cadeia-e-dispara-contra-o-govern.shtml 

7Maiores informações em https://www.bbc.com/portuguese/brasil-57590318 

173   Lutas Sociais, São Paulo, vol.25 n.47, p.171-185, jul./dez. 2021. 

O neofascismo entra em cena 

O crescimento da presença dos partidos de direita e extrema direita na cena 

política de diversos países a partir da década de 1980, principalmente na Europa, 

chamou novamente a atenção dos intelectuais das Ciências Sociais para a 

necessidade de se revisitarem o período e as respectivas condições que deram 

origem aos regimes de exceção no século XX. Com diferentes enfoques e 

abordagens, os autores se depararam com uma questão basilar para o 

desenvolvimento da investigação científica que é a escolha da categoria mais 

apropriada para expressar o fenômeno político e orientar a análise empírica. As 

categorias mais usadas são fascismo, pós-fascismo, protofascismo, neofascismo, 

conservadorismo, populismo de direita, extrema direita e direita radical.  

Os autores se encontram, ao definir o marco temporal contemporâneo de 

crescimento e consolidação dos partidos de extrema direita nos anos 1980, embora 

haja aqueles que demarcam a década de 1970, quando deixam de ser marginais, se 

expandem e conquistam cadeiras no Parlamento.  

Nesse período, por uma parte, os partidos de extrema-direita 

começam a deixar a marginalidade eleitoral em determinados 

cenários e ocupam assentos em seus respectivos parlamentos 

como na Áustria, Bélgica, Franca, Itália, Dinamarca, Noruega e 

Suíça e, por outra parte, essa família continua expandindo-se na 

Europa Ocidental (Olascoaga, 2016, p. 09). 

Quanto à conjuntura de crise econômica, política e ideológica em que o 

mundo ingressou a partir da década de 1970 e que se agravou no século XXI, não 

há discordância significativa, principalmente quanto ao grau de importância que 

cada aspecto dessa crise assumiu no processo de crescimento, expansão e 

consolidação dos partidos de extrema direita. As transformações iniciadas na década 

de 1980 estão consolidadas hoje, como a reestruturação do processo de produção e 

a desregulamentação das relações de trabalho, a reforma nos aparelhos de Estado, 

direcionada para a redução dos serviços públicos e universais e dos direitos sociais, e 

o descontentamento com os partidos de esquerda ou da social-democracia. Desde 

então, os partidos de extrema direita passaram por diversas fases, se adaptaram à 

conjuntura, realizaram alianças para participar dos governos e ampliarem o número 

de cadeiras nos parlamentos, remodelaram o seu programa, a organização e as 

estratégias de ação (Löwy, 2015). 

Dos autores que sustentam que o crescimento dos partidos de extrema 

direita está concentrado nos aspectos da conjuntura política e na eficácia em 

estabelecer estratégias exitosas, podemos destacar os trabalhos de Antón

Mellón & Hernándes-Carr (2016) e Olascoaga (2016, 2018).  

Löwy (2019) afirma que metade do mundo se encontra governada pela 

direita e extrema direita. Embora com características próprias e de acordo 

Silva, I. G.   174 

Brasil pós-eleições de 2018...                                             

com a formação sócio-histórica de cada Estado-nação, esses partidos 

apresentam o nacionalismo, a xenofobia, o racismo, o fundamentalismo 

religioso, a misoginia e a LGBTfobia como pontos semelhantes. Apesar do 

retrocesso civilizatório presente em suas práticas, conquistam cada vez mais 

eleitores com um discurso em que reivindicam a representação do ideário de 

uma comunidade nacional homogênea nascida de um passado glorioso e com 

um futuro a recuperar esse passado de glórias. Esses partidos, na Europa, 

possuem uma articulação internacional, onde são traçadas alianças e 

estratégias de ação conjunta, e instituições que os financiam e atuam na 

formação de novas lideranças, como por exemplo, Aliança Europeia de 

Movimentos Nacionais; Movimento por uma Europa de Nações e 

Liberdades; Aliança pela Paz e a Liberdade; Aliança Europeia pela Liberdade 

(Lowy, 2015, 2019; Olascoaga, 2016). 

A seleção da categoria apropriada para caracterizar a natureza política 

dos atuais partidos de direita e extrema direita está centrada na relação desses 

partidos com os demais e a ideologia fascista no século XX e com a 

democracia parlamentar. Há os autores que caracterizam esses partidos como 

fascistas e acrescentam à palavra os prefixos neo, proto e pós-fascistas e há 

aqueles que os identificam como populistas de direita, devido ao apelo ao 

povo e ao traço carismático das lideranças e do programa.  

Para Poulantzas (1978), o fascismo não é um fenômeno limitado no 

tempo e espaço, embora se possa compreendê-lo estudando as experiências 

da Itália e da Alemanha. O fascismo é considerado um Estado de exceção, 

do mesmo modo que o bonapartismo e a ditadura militar, consequente de 

uma crise política e de uma ofensiva da burguesia contra os trabalhadores e 

situado no contexto do capitalismo imperialista. As características do Estado 

de exceção são:  

Supressão dos representantes políticos tradicionais (partidos 

políticos) das próprias frações do bloco no poder, eliminação 

do sufrágio, deslocamento do papel dominante, entre os 

aparelhos de Estado, para o aparelho repressivo (exército em 

primeiro 

plano), 

reforço 

acentuado do centralismo 

„burocrático‟ do Estado, hierarquização e recuperação dos 

centros de poder real do Estado e das cadeias de transmissão 

(Poulantzas, 1976, p. 72-73). 

A análise de Poulantzas (1978) se diferencia daquelas que identificam na crise 

econômica, na qual estavam mergulhados os países (Itália e Alemanha 

principalmente) após a Primeira Guerra Mundial, a causa principal da eclosão do 

fascismo, uma vez que outros países da Europa também estavam submetidos aos 

175   Lutas Sociais, São Paulo, vol.25 n.47, p.171-185, jul./dez. 2021. 

mesmos condicionantes econômicos. Poulantzas considera que a compreensão das 

causas que levam ao fascismo necessita de uma análise das relações entre o campo 

econômico, político e ideológico. A causa principal do surgimento do fascismo seria 

a crise política, oriunda do aguçamento das contradições da luta de classes tanto pela 

disputa de hegemonia no interior do bloco no poder quanto pela luta ofensiva da 

burguesia contra a classe trabalhadora, que nesse momento estava em situação 

defensiva. O fator econômico é importante, pela necessidade de se identificar as 

características do estágio imperialista e a forma como impactou profundamente o 

nível político e ideológico, na medida em que provocou um reforço no nível de 

intervenção do Estado capitalista e um acúmulo das contradições no interior do 

bloco no poder e das contradições da luta de classes. A crise da ideologia dominante 

presente na conjuntura do fascismo provoca uma “ruptura entre os representantes 

políticos - partidos e pessoal político da burguesia e os seus representantes 

ideológicos - os „funcionários da ideologia‟” (Poulantzas, 1978, p. 84). 

O fascismo constitui uma forma de Estado e uma forma de 

regime “limite” de Estado capitalista. Por caso “limite” não se 

deve entender aqui, precisamente, uma forma “patológica” do 

sistema político burguês, ou seja, uma forma que, de algum 

modo, seria estranha à “democracia parlamentar”; deve 

entender-se, antes, uma forma devida a uma conjuntura 

extremamente particular de luta de classes. Esta mesma 

particularidade não é exaustivamente determinada pelo período 

de desenvolvimento do capitalismo no qual se situa essa luta de 

classes. (...) porque é precisamente a uma crise política que 

corresponde a instauração do fascismo (Poulantzas, 1978, p. 

63/64). 

A crise política em que se origina o fascismo apresenta traços gerais, que 

resultam em Estado de exceção, e em traços específicos que caracterizam o fascismo 

e ocorre pelo aguçamento das contradições da luta de classe no interior do bloco no 

poder, com “rupturas profundas do sistema institucional, isto é, dos aparelhos de 

Estado” (Poulantzas, 1978, p. 69). Esse processo não tem desenvolvimento linear e 

tampouco é estranho às disputas próprias da democracia parlamentar burguesa. O 

fascismo, porém, atinge a sua vitória quando conquista política e ideologicamente as 

massas e constrói raízes profundas nas massas populares e operárias. 

(...) se é verdade que o fascismo não é estranho à democracia 

parlamentar, se é também verdade que o Estado burguês - e o 

sistema capitalista comporta em si mesmo os „germes‟ do 

fascismo (como comporta igualmente, e não se pode esquecê

lo, os „germes‟ da revolução), não é menos verdade que o 

fascismo 

não pode ser explicado pelo simples 

autodesenvolvimento, linear e necessário, destes „germes‟ até ao 

seu amadurecimento (exatamente como o não pode ser a 

revolução) (Poulantzas, 1978, p. 64).  

Silva, I. G.   176 

Brasil pós-eleições de 2018...                                             

O autor compreende que a implantação do fascismo passa por um processo 

de “fascização” em cujas etapas do processo de implantação ocorrem as disputas 

pela hegemonia no interior do bloco no poder, a luta contra a classe trabalhadora, a 

chegada da fração fascista ao poder de Estado e a consolidação do Estado fascista.  

O fascismo chega ao poder de Estado pelo processo eleitoral, amparado pela 

conivência das frações burguesas que afiançam sua ação política contra a luta da 

classe trabalhadora, e abençoado pelo Judiciário, que fecha os olhos à violência e 

crimes dos fascistas, enquanto condena os militantes antifascistas. 

As duas últimas décadas do século XX foram anos de muita agitação 

política e lutas sociais da classe trabalhadora contra a ofensiva da classe 

dominante em impor o neoliberalismo como alternativa à crise econômica. 

Apesar dos diversos enfrentamentos e grandes mobilizações, a classe 

trabalhadora sofreu profundas perdas em seus direitos sociais e políticos que 

resultaram no aumento da exploração, da precarização do trabalho e da 

pobreza. Os sindicatos, afetados pela diminuição da base social acarretada 

pelo desemprego em massa, perderam capacidade de mobilização e foram 

neutralizados pela nova regulamentação das relações trabalhistas. Assistiu-se 

ao crescimento dos movimentos racistas e xenófobos que, no rastro da 

ideologia neoliberal e da chamada globalização, anunciaram o nacionalismo 

como forma de proteger os parcos postos de trabalho e os recursos do 

Estado para os povos formadores da nação e de se opor à luta dos povos 

minoritários, dos direitos humanos, das mulheres, dos negros e a defesa do 

meio ambiente. 

No aspecto político, as classes dominantes responsabilizaram o Estado 

de Bem-Estar Social pela crise econômica e atacaram a sua capacidade de 

implementar políticas de proteção social universalizantes. A hegemonia dos 

representantes das classes dominantes nos aparelhos de Estado conferiu uma 

derrota às classes trabalhadoras que veem as conquistas sociais e políticas dos 

anos pós-guerra serem sabotadas pelos partidos políticos ligados aos 

interesses do capital.    

No campo ideológico se assistiu, nessas últimas décadas do século XX, 

ao 

crescimento do pensamento conservador que, ancorado pelo 

neoliberalismo e no rastro da globalização, pavimentou a estrada dos novos 

partidos e movimentos de caráter fascista. Alguns partidos que hoje 

alcançaram postos no Parlamento, ou estão à frente de governos, se 

reorganizaram nesse período.  

Quanto à confluência dos estudos, os partidos da extrema direita são 

caracterizados como nacionalistas, racistas, xenófobos e apresentam como 

177   Lutas Sociais, São Paulo, vol.25 n.47, p.171-185, jul./dez. 2021. 

inimigo comum os imigrantes e a cultura islâmica. Passaram por 

transformações na sua organização e disciplina interna, modificaram parte de 

seu programa político para se afastarem da memória negativa do fascismo do 

século XX, se adaptaram ao regime parlamentar do qual se utilizam para 

aumentar sua base de apoio. Os líderes desses partidos são carismáticos e 

lançam mão do discurso populista para manterem o apoio popular. Ao 

enaltecerem, em determinados momentos, personagens como Mussolini ou 

Hitler, ou acontecimentos históricos e símbolos ligados os nazifascismo, 

testam o apoio da opinião pública e quando questionados negam, sem 

pudores, essa conexão.   

Löwy (2019, 2020) não considera que o traço mais marcante e 

unificador da extrema direita europeia, norte-americana e brasileira seja o 

populismo. Há muitas diferenças entre estes partidos e lideranças, alguns 

com traços neofascistas e outros reacionários. Entretanto, os elementos que 

as unificam são essencialmente o autoritarismo e respectiva defesa da ordem, 

a presença de uma ideologia repressiva que pode ser visualizada pela apologia 

da violência e das armas, na defesa da pena de morte, e a intolerância a 

grupos LGBTQI+. 

Rydgren (2017) também nos oferece uma importante contribuição para 

compreender as particularidades da extrema direita atual e as inconsistências do uso 

da categoria populista.  Na sua opinião, o ponto que os unifica é o nacionalismo 

étnico a partir do qual objetivam manter a nação cultural e etnicamente homogênea, 

daí o combate aos imigrantes e refugiados. Por esse motivo não devem ser definidos 

pela ideologia populista, apesar de a prática populista ser antielitista e influenciar os 

eleitores. 

Rydgren (2017) se aproxima da opinião de Löwy quando chama a atenção 

para a importância de rotular corretamente os partidos da extrema direita, uma vez 

que essa ação provoca consequências na disputa política e na compreensão do 

mundo.  Os conceitos e rótulos utilizados pelos cientistas sociais influenciam a 

linguagem dos jornalistas e são referência para o público em geral no entendimento 

da realidade.   

Para o autor, a extrema direita rejeita o sistema político democrático, os 

valores universalistas e igualitários embora tente não parecer antidemocrática. A 

extrema direita parlamentar é hostil à Constituição enquanto a não parlamentar é 

contra a Constituição. Enxerga nos imigrantes uma ameaça à identidade 

etniconacional e à segurança social, do mesmo modo que as entidades 

supranacionais como a União Europeia, as empresas multinacionais e a globalização, 

por promoverem a universalização e a homogeneização. A extrema direita defende 

Silva, I. G.   178 

Brasil pós-eleições de 2018...                                             

políticas protecionistas, direcionadas preferencialmente à população nativa 

configurando “uma visão étnica da cidadania” (Rydgren, 2007, p. 254). 

Rydgren (2007) não nomeia os novos partidos de extrema direita como 

fascistas, no entanto, considera que estão alinhados com essa tradição, em 

virtude do ultranacionalismo, da defesa da pureza étnica, da exaltação de 

líderes e intelectuais fascistas do passado.   

O processo de fascistização do Brasil: indicações 

A busca dos marcos políticos e o referencial teórico para compreender a 

conjuntura brasileira tem merecido a atenção de muitos cientistas sociais, 

pressionados pela velocidade com que o Brasil caminhava em direção ao 

neofascismo. Para Poulantzas (1978, p. 71), o fascismo não se instala no poder 

abruptamente; há um caminho incerto e irregular a depender das contradições dos 

processos de luta de classes. Na análise sobre as experiências italiana e alemã, 

Poulantzas identificou quatro períodos assim indicados por ele: 1. O início do 

processo de subida ao poder até o ponto de “irreversibilidade; 2. O período do 

ponto de “irreversibilidade” ao período da tomada do poder; 3. “Primeiro período 

do fascismo no poder”; 4. Período da estabilização do fascismo no poder  

Uma observação, por fim, acerca do ritmo deste processo de 

fascização. Trata-se, também aqui, de um processo com um 

ritmo desigual de desenvolvimento, ritmo escondido pelas 

formas de acumulação das diversas contradições. Isto não quer 

dizer que este processo não possa ser rigorosamente dividido 

em períodos, seguindo o desenvolvimento da luta de classes e 

as modificações nos aparelhos; quer, sim, dizer que estes 

períodos apresentam um ritmo - lento, rápido - e uma duração – longa,  curta - próprios: a sua articulação é, ela mesma, 

determinada pelas formas conjunturais da crise política em 

questão (Poulantzas, 1978, p. 72). 

Desde o golpe de 2016, que destituiu a presidenta Dilma Rousseff e o vice

presidente Michel Temer foi empossado como presidente da República, que as 

medidas autoritárias implementadas pelo governo ilegítimo foram indicando que o 

Brasil caminhava para um claro Estado de exceção.  A unidade da direita e o avanço 

da extrema direita têm como base as políticas neoliberais, que alimentam as 

bandeiras neofascistas. A classe dominante brasileira em seu projeto neoliberal 

investiu principalmente em duas direções interdependentes: na hegemonia nos 

aparelhos parlamentar, executivo e judiciário e na ampliação do apoio das camadas 

populares. Nesse processo, avançou contra o regime democrático e apostou no 

Estado autoritário com o reforço do aparelho repressor, capaz de barrar a 

organização política da classe trabalhadora e em políticas conservadoras de combate 

aos ideais de igualdade e de diversidade.  

179   Lutas Sociais, São Paulo, vol.25 n.47, p.171-185, jul./dez. 2021. 

O presidente Jair Bolsonaro fez questão de afirmar, em várias entrevistas, que 

seu governo era conservador e patriótico expresso no slogan “Pátria Amada Brasil”. 

Iniciou seu governo com grande popularidade8, que foi despencando à medida que a 

economia entrava em crise, o desemprego e os índices de pobreza cresciam, os 

envolvimentos com a milícia e com a corrupção se mostravam mais evidentes e a 

posição negacionista diante da pandemia do COVID-19 elevava o número de 

mortes.  

As ações e declarações cada vez mais autoritárias e com claro caráter 

neofascista do presidente da República, provocaram vários pedidos de 

impeachment9, além de fraturas na base social e na aliança política que sustentava 

seu governo. Ex-aliados foram a público declarar seu afastamento do governo e 

fazer críticas à política de gestão da pandemia do COVID-19 e ao caráter autoritário 

das declarações do presidente nas redes sociais. Em julho de 2021, Jair Bolsonaro 

não contava mais com o apoio, por exemplo, do governador de São Paulo, João 

Doria, do PSDB, do Movimento Brasil Livre – MBL, um dos principais 

movimentos liberais de massa que mobilizou multidões em defesa do impeachment 

de Dilma Rousseff, e de parlamentares do Partido Social Liberal (PSL) do qual se 

elegeu e que se desfiliou10 em novembro de 2019.  

A presença dos militares na disputa política partidária e na administração 

pública cresceu assustadoramente, principalmente desde o golpe de 2016. O 

presidente, Jair Bolsonaro, e o vice-presidente, Hamilton Mourão, são militares, e 

nas eleições de 2020 6.755 militares disputaram as eleições, considerado o maior 

número nos últimos 16 anos. No governo Bolsonaro 6.157 militares ocuparam 

cargos civis em diferentes órgãos da administração pública. Segundo Nozaki (2021, 

p.09) “de 2018 a 2020 aumenta em cerca de 55% a presença de militares na 

administração federal, conformando uma tendência à militarização da gestão 

pública”. Os militares ocuparam 10 ministérios11 e instituições das mais diversas, 

8 

https://www.cartacapital.com.br/carta-capital/cnt-mda-aprovacao-e-popularidade-de

bolsonaro-atingem-os-piores-niveis-desde-o-inicio-do-governo/ 

9Até julho de 2021 foram protocolados 123 pedidos de impeachment contra o presidente Jair 

Bolsonaro. No chamado super pedido de impeachment estavam reunidos os argumentos dos 

pedidos anteriores e contou com 46 assinaturas entre parlamentares e representantes de 

entidades. 

https://g1.globo.com/politica/noticia/2021/06/30/veja-a-lista-de-quem-assinou-o

superpedido-de-impeachment-de-bolsonaro.ghtml  

10Maiores informações em  https://g1.globo.com/politica/noticia/2019/11/12/deputados-do-psl

dizem-que-bolsonaro-decidiu-deixar-partido-e-criar-nova-legenda.ghtml 

11 Ministérios ocupados por militares: Casa Civil, Gabinete de Segurança Institucional, Secretaria 

de Governo, Secretaria Geral da Presidência, Ciência, Tecnologia e Inovação, Defesa, 

Infraestrutura, Minas e Energia, Transparência e Saúde (Nozaki, 2021). Na Saúde, o então 

ministro, general Eduardo Pazzuelo, foi exonerado devido à sua total irresponsabilidade na gestão 

da pandemia de COVID-19 e aos escândalos de corrupção de compra de vacinas contra a COVID

19.  

Silva, I. G.   180 

Brasil pós-eleições de 2018...                                             

como na área da Educação, da Saúde, na FUNAI, em empresas estatais como 

Petrobras, Eletrobrás, Itaipu Binacional, Telebrás, Correios e EBSERH. 

(...) as forças armadas ocuparam áreas já tradicionalmente 

militarizadas, como o GSI e a Defesa, mas também marcam 

presença em áreas econômicas estratégicas para grandes 

projetos e investimentos (como Infraestrutura; Minas e 

Energia; Ciência, Tecnologia e Comunicações). Mais ainda, a 

presença desse núcleo se faz sentir na área jurídica, 

comandando a Secretaria de Segurança Pública do Ministério 

da Justiça e a CGU; além de estarem em secretarias de natureza 

fundamentalmente política, como nos casos da Secretaria de 

Governo e da Secretaria Geral da Presidência, onde também 

assumiram o posto de porta-voz da presidência da República. 

Além da presença na Casa Civil, pela primeira vez ocupada por 

um militar, e da presença na Saúde, área sensível ao longo da 

pandemia (Nozaki, 2021, p. 10-11). 

Os militares, além da presença massiva na administração pública, foram 

agraciados com uma série de benesses do governo que lhes conferiu vantagens 

diante dos servidores civis, principalmente no quesito da proteção trabalhista, social 

e previdenciária. Não foram, portanto, afetados negativamente pelas reformas da 

previdência e trabalhista, uma vez que têm sistemas diferenciados em relação aos 

trabalhadores civis. As Forças Armadas manifestaram total apoio ao governo e de 

certa forma endossaram as ameaças constantes que o presidente fazia contra a 

democracia e instituições como o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal 

Federal. Essa forte presença no governo federal também tem custado aos militares 

brasileiros muitos escândalos em processos de abuso de autoridade e de 

envolvimento com esquemas de corrupção, conforme ficou exposto nas 

investigações da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI da Pandemia) 12 que 

buscou identificar a responsabilidade institucional pelo avanço do número de 

infectados e de mortes pela COVID-19.  

Ameaçar de ruptura institucional constituiu uma prática do presidente as 

constantes críticas ao seu governo. Sua artilharia se voltou contra uma parte da 

imprensa por divulgar os índices de desmatamento e de desemprego, contra o 

Supremo Tribunal Superior Eleitoral ao defender o voto impresso para as eleições 

de 2022 e empreender uma campanha de desqualificação das urnas eletrônicas.  

Bolsonaro responde as críticas dos opositores ao seu governo, na maioria das vezes, 

na sua conta do Twitter. No dia 1º. de julho de 2021 declarou em vídeo: "Estou me 

12 Ver mais detalhes em: https://brasil.elpais.com/brasil/2021-07-09/militares-vao-de-vitrine-a

vidraca-ao-comandar-postos-chaves-no-ministerio-da-saude-em-meio-a-suspeitas-de-corrupcao

e-caos.ht.  

181   Lutas Sociais, São Paulo, vol.25 n.47, p.171-185, jul./dez. 2021. 

antecipando a problemas no ano que vem. Como está aí, a fraude está 

escancarada”13.  

Essas declarações tornaram o clima político no Brasil ainda mais delicado, 

principalmente porque o presidente do Senado Federal, Rodrigo Pacheco14, e o 

presidente da Câmara de Deputados, Arthur Lira, reafirmaram que repudiavam 

qualquer ataque às instituições democráticas e garantiriam a realização das eleições 

em 2022. 

Muitos são os exemplos do autoritarismo do presidente Jair Bolsonaro e das 

medidas governamentais de caráter fascista que ameaçaram os direitos políticos e 

sociais da população brasileira. A caracterização do governo Jair Bolsonaro como 

neofascista foi  defendida por alguns intelectuais, dentre eles destaco Boito Jr (2019; 

2020), Passo & Valle (2020) e Löwy (2020). Para Boito Jr. (2019, online), 

No que respeita ao Brasil de hoje temos a ideologia neofascista, 

o movimento neofascista e um governo no qual os neofascistas 

ocupam a posição dominante – lograram, após alguns meses de 

governo, deslocar o grupo militar para um plano secundário e o 

grupo militar é propenso a outro tipo de ditadura. O que não 

temos no Brasil, pelo menos até agora, é um regime político 

fascista. O regime vigente no Brasil é uma democracia burguesa 

deteriorada e em crise. 

O neofascismo no Brasil ainda não conseguiu organizar um partido político, 

embora Jair Bolsonaro tenha buscado, sem êxito, fundar o partido ALIANÇA 

PELO BRASIL. A fração fascista da classe dominante está fragmentada em alguns 

partidos e movimentos sociais. 

Por não possuir organização partidária formal, o neofascismo 

tem sua representação distribuída de maneira desigual e mais 

ou menos difusa em partidos como o PSL, o PRB, na bancada 

evangélica, na Frente Parlamentar da Agropecuária, que tem as 

vice-presidências do Senado e da Câmara Federal, e também na 

bancada da bala. Em menor medida, também é possível 

encontrar representações neofascistas no partido Novo e no 

Podemos (Passo; Valle, 2020, online). 

Löwy (2020), ao caracterizar Bolsonaro, e seu governo, como neofascistas, os 

vincula ao processo mais amplo de crescimento da extrema direita em âmbito 

internacional e os compara a líderes como Shinzo Abe, do Japão, Modi, da Índia, 

Trump, ex-presidente dos Estados Unidos da América, e Orban, da Hungria. 

13Ver reportagem em:  https://www.bbc.com/portuguese/brasil-57726086 

14 Veja declaração do presidente do senado em: https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas

noticias/2021/07/09/presidentes-do-senado-e-do-tse-reagem-a-ameacas-de-bolsonaro-as

eleicoes.htm 

Silva, I. G.   182 

Brasil pós-eleições de 2018...                                             

Destaca, porém, as diferenças entre o neofascismo e as experiências que resultaram 

na Segunda Guerra Mundial. 

Enquanto que o fascismo clássico propugnava a intervenção 

massiva do Estado na economia, o neofascismo de Bolsonaro é 

totalmente identificado com o neoliberalismo, e tem por 

objetivo impor uma política socioeconômica favorável à 

oligarquia, sem nenhuma das pretensões “sociais” do fascismo 

antigo. (...) Outra característica própria ao neofascismo 

brasileiro é que, apesar de sua retórica ultranacionalista e 

patrioteira, ele é completamente subordinado ao imperialismo 

americano, do ponto de vista econômico, diplomático, político 

e militar. (...) O que Bolsonaro tem em comum com o fascismo 

clássico é o autoritarismo, a preferência por formas ditatoriais 

de governo, o culto do Chefe (“Mito”) Salvador da Pátria, o 

ódio a esquerda e ao movimento operário. Mas não consegue 

organizar um partido de massas, nem tropas de choque 

uniformizas. Tampouco tem condições, por enquanto, de 

estabelecer uma ditadura fascista, um Estado totalitário, 

fechando o Parlamento e colocando fora da lei sindicatos e 

partidos de oposição (Löwy, 2020, online). 

O que ocorreu no Brasil pós-eleições 2018 foi um processo em que a 

fração neofascista do bloco político que garantiu a vitória de Jair Bolsonaro 

assumiu a posição dominante e tem protagonizado as ações de violência 

contra os grupos marginalizados e as instituições democráticas. A estratégia 

de Bolsonaro foi controlar as principais instituições do aparelho de Estado 

com pessoas ideologicamente vinculadas ao projeto da extrema direita. 

Enquanto distraía a população com o estilo grosseiro, autoritário e 

declarações racistas, homofóbicas e misóginas avançava em projetos como, 

por exemplo, a Escola Sem Partido e o FUTURE-SE, que modificavam o 

caráter do Ensino Médio e Superior. O governo também tratou de se 

proteger de investigações, através do controle de instituições, como a Polícia 

Federal, o Ministério Público, a Advocacia Geral da União e os tribunais 

superiores.  Essa estratégia causou tensões e fraturas no bloco no poder, que 

se expressou em conflitos entre os poderes executivo, legislativo e judiciário, 

dando visibilidade às contradições internas. À medida que o caráter fascista 

se tornava mais evidente e o número de competidores com vista às 

candidaturas para 2022 aumentava, devido à disputa pelo poder, a divisão 

entre as frações da classe dominante foi se ampliando e a extrema direita foi 

se isolando.  Entretanto, no campo das reformas neoliberais que precarizam 

as relações de trabalho e destroem o restrito sistema de proteção social e o 

183   Lutas Sociais, São Paulo, vol.25 n.47, p.171-185, jul./dez. 2021. 

patrimônio nacional, a unidade de ação, de modo especial no Congresso 

Nacional, se mantinha.  

Em termos de representação de interesses de classe, Passo e Valle 

(2020) sustentam que a ala neofascista tem o apoio da grande burguesia 

interna vinculada à indústria, ao comércio de varejo e ao agronegócio, cujas 

expressões estão na Confederação Nacional da Indústria (CNI)15, na 

articulação chamada Diálogo pelo Brasil, integrada por Paulo Skaf, presidente 

da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), no movimento 

chamado Instituto Brasil 200 (IB200) e em empresas de segurança privada. 

Contudo, as divergências e disputas no interior do bloco no poder podem 

levar a uma situação-limite de ruptura com o regime democrático.  

Considerações finais 

A crítica ao governo Bolsonaro que antes estava limitada aos partidos e 

movimentos sociais da esquerda, se estendeu aos partidos do centro e da direita 

tradicional. A esquerda concentrou suas forças e esperanças no ex-presidente Lula, 

por ser considerado o único político capaz de vencer Bolsonaro na disputa eleitoral 

de 2022, e readquiriu a capacidade de mobilização de rua, paralisada durante o ano 

de 2020 por causa da pandemia. Vários atos políticos e massivos16 foram 

convocados pela Frente Povo Sem Medo, Frente Brasil Popular e Coalizão Negra 

por Direitos, além da participação do Partido dos Trabalhadores (PT), do Partido 

Comunista do Brasil (PCdoB) e o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL). Todos 

foram às ruas pelo impeachment de Bolsonaro, pela ampliação da vacinação, em 

defesa da Educação pública e do Sistema Único de Saúde, pelo auxílio emergencial 

de R$ 600 reais e contra as reformas neoliberais, em especial a Proposta de Emenda 

Constitucional – PEC 32, que trata da reforma administrativa, e o Projeto de Lei 

(PL) 490/200717, que altera os processos de demarcação de terra indígenas. Derrotar 

o fascismo enraizado na sociedade brasileira deve ser o compromisso de todos/as 

os/as que lutam por uma sociedade democrática e igualitária.  

15 A CNI, a FIESP, as articulações Diálogos pelo Brasil e Brasil 200 encamparam, dentre outras, o 

discurso nacionalista e de defesa dos interesses nacionais. Estiveram diretamente envolvidos com 

as manifestações em favor do impeachment da presidenta Dilma Rousseff e contra os governos 

do Partido dos Trabalhadores. 

16 Quadro das manifestações contra Bolsonaro em 2021 está disponível em 

https://www.brasildefato.com.br/2021/06/22/nova-manifestacao-contra-bolsonaro-e-pela

vacina-esta-confirmada-para-o-24-de-julho 

17 Maiores informações em  https://www.conjur.com.br/2021-jun-28/leandro-facchin-projeto

altera-demarcacao-terras-indigenas 

Silva, I. G.   184 

Brasil pós-eleições de 2018...                                             

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LÖWY, M. Conservadorismo e extrema-direita na Europa e no Brasil.  Serviço Social 

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185   Lutas Sociais, São Paulo, vol.25 n.47, p.171-185, jul./dez. 20. O artigo da autora Ilse Gomes Silva

O centrismo é um posicionamento político que se situa entre a esquerda e a direita no espectro político. Sua principal característica é a defesa de uma postura moderada e equilibrada, buscando conciliar ideias de diferentes ideologias para encontrar soluções práticas. 

Aqui estão os pontos fundamentais para entender o centrismo:

Conciliação de Valores: Centristas buscam equilibrar a justiça social e a igualdade (frequentemente pautas de esquerda) com a liberdade individual e o crescimento econômico pró-mercado (pautas de direita).

Pragmatismo: O foco tende a ser em resultados práticos e evidências, evitando o que consideram "extremismos" ou "pureza ideológica".

Moderação: Defende-se a manutenção da ordem democrática e a realização de reformas graduais, em oposição a mudanças revolucionárias ou reacionárias bruscas.

Variações:

Centro-esquerda: Inclina-se levemente à esquerda, com maior foco em bem-estar social e intervenção estatal moderada.

Centro-direita: Inclina-se à direita, priorizando o livre mercado e o conservadorismo liberal.

Centrismo Radical: Defende mudanças significativas no sistema, mas de forma pragmática e não ideológica. 

No contexto brasileiro, é comum a confusão entre o centrismo ideológico e o "Centrão". Enquanto o centrismo é uma filosofia de moderação, o "Centrão" refere-se a um bloco de partidos que se caracteriza mais pelo apoio ao governo vigente em troca de cargos e verbas do que por uma ideologia definida.                 Esses termos definem o espectro político com base em como diferentes grupos acreditam que a sociedade e a economia devem ser organizadas. 

Esquerda: Prioriza a igualdade social e a justiça coletiva. Geralmente defende uma maior intervenção do Estado na economia para garantir serviços públicos (como saúde e educação) e reduzir a desigualdade.

Direita: Foca na liberdade individual, no livre mercado e na preservação de valores tradicionais. Tende a defender um Estado menor, com menos impostos e menos interferência na economia, acreditando que a competição gera crescimento.

Centro: Busca um equilíbrio entre as duas visões. O centro politico ,tenta conciliar a eficiência do mercado com políticas de bem-estar social, adotando posturas moderadas e pragmáticas

Os principais casos de corrupção e investigações criminais envolvendo o Partido Liberal (PL) e o governo de Jair Bolsonaro abrangem esquemas de desvios de recursos públicos, fraudes e uso indevido de órgãos do Estado.

1. Escândalos de Corrupção no Governo Bolsonaro

Bolsolão do MEC: Investigou a atuação de um "gabinete paralelo" comandado por pastores evangélicos no Ministério da Educação. O esquema envolvia a cobrança de propinas (inclusive em barras de ouro) para a liberação de verbas do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). O ex-ministro Milton Ribeiro chegou a ser preso pela Polícia Federal.


Caso das Joias Sauditas: Apura o desvio e a tentativa de venda ilegal de presentes de alto valor recebidos de autoridades estrangeiras. A Polícia Federal indiciou o ex-presidente Jair Bolsonaro por crimes como associação criminosa e peculato.


Abin Paralela: Investigação sobre o monitoramento ilegal de opositores, jornalistas e ministros do STF pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin). O órgão teria sido aparelhado para blindar aliados e familiares, gerando desdobramentos contra o deputado federal e ex-diretor da agência Alexandre Ramagem (PL).


Superfaturamento na Pandemia (Covaxin): A CPI da Covid apontou irregularidades e indícios de corrupção na negociação da vacina indiana Covaxin pelo Ministério da Saúde, envolvendo pressões internas para acelerar pagamentos a intermediárias.


2. Casos de Corrupção Envolvendo o PL (Partido Liberal)

O PL, partido ao qual Jair Bolsonaro se filiou no final de 2021 e que abriga sua base aliada, concentra diversas lideranças e parlamentares sob a mira da Justiça:

Condenação por Desvio de "Emendas Pix": Em março de 2026, a Primeira Turma do STF condenou por unanimidade os deputados federais Josimar Maranhãozinho (PL-MA) e Pastor Gil (PL-MA), além do suplente Bosco Costa (PL-SE), por corrupção passiva e organização criminosa. Eles foram acusados de cobrar propina de R$ 1,6 milhão para destravar recursos de emendas parlamentares destinadas ao SUS no Maranhão.


Histórico da Executiva Nacional: O presidente do partido, Valdemar Costa Neto, possui condenação histórica no escândalo do Mensalão e voltou a ser alvo de investigações da Polícia Federal por suspeita de participação na trama golpista de 2022. Além dele, levantamentos apontam que cerca de um terço da bancada de deputados federais do PL responde a ações penais ou inquéritos judiciais.


3. Esquemas de "Rachadinha" e Fraudes Familiares

Gabinete de Flávio Bolsonaro: O senador Flávio Bolsonaro (PL) foi investigado pelo Ministério Público pelo esquema de "rachadinha" (desvio de salários de assessores) na época em que era deputado estadual no Rio de Janeiro (caso Fabrício Queiroz). Os recursos teriam sido lavados por meio de uma franquia de chocolates e transações imobiliárias.


Fraude nos Cartões de Vacina: Investigação que apontou a inserção de dados falsos de vacinação contra a Covid-19 no sistema do Ministério da Saúde para beneficiar Jair Bolsonaro, sua filha e assessores próximos, resultando em indiciamento por associação criminosa.

A base eleitoral é a região geográfica, o grupo social ou o segmento da população onde um candidato ou partido político centraliza suas forças e obtém a maioria dos seus votos.

O que define uma base eleitoral

Geografia: Cidades, bairros, estados ou distritos específicos onde o político possui forte influência ou histórico de atuação.


Demografia: Grupos segmentados por idade, gênero, faixa de renda, nível de escolaridade ou profissão.


Ideologia: Eleitores que se identificam diretamente com pautas específicas, como causas ambientais, religiosas, econômicas ou de segurança.


Importância estratégica

Fidelidade: Garante um volume mínimo de votos necessários para iniciar uma campanha com chances reais de eleição.


Prestação de Contas: Direciona as emendas parlamentares e projetos de lei para atender às demandas diretas dessa população.


Termômetro Político: Serve como indicador de aprovação do mandato por meio de pesquisas de opinião focadas nesses grupos.

Ao que vimos no Nexo Jornal ,o Bolsonarismo mantém e manterá sua base eleitoral . Mas ao que se vê na Folha de São Paulo . Não passa de um regime populista e corrupto  E temos um Flavio Bolsonaro com uma falsa moderação .. Confira a notícia no UOL .https://noticias.uol.com.br/colunas/fabio-serapiao/2026/10/10/flavio-dividia-conta-com-suspeito-de-lavar-dinheiro-do-inss-indicam-emails.htm

                      E assim caminha a humanidade 





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