sexta-feira, 16 de outubro de 2026

Inviável ?

 O progressismo é uma corrente filosófica, política e social que defende que a sociedade pode e deve ser continuamente aperfeiçoada por meio do avanço científico, tecnológico, educacional e de reformas institucionais.

Principais Origens e Evolução

 Iluminismo (Século 15): Fundamenta-se na crença de que o progresso decorre da razão humana e da ciência, e não da tradição ou da fé religiosa.

 Positivismo (Século 18): Consagra a ciência como ferramenta para organizar e melhorar a sociedade (com lemas como "Ordem e Progresso").

 Século 20 em diante: Incorpora a defesa dos direitos humanos, dos direitos sociais do trabalho, e — nas últimas décadas — de pautas identitárias, feministas, de minorias e de preservação ambiental.

Eixos do Progressismo

 Dimensão Cultural e Social: Defende a ampliação de liberdades civis, a inclusão de minorias e a igualdade de direitos.

 Dimensão Económica e Fiscal: Frequentemente associa-se à regulação do mercado pelo Estado, à justiça social e a políticas de redistribuição de renda.

 Caráter Reformista: Em contraste com o conservadorismo (que privilegia a estabilidade e a preservação das tradições), o progressismo enxerga a mudança rápida e a quebra de normas superadas como um imperativo para corrigir desigualdades.

Perfil dos conservadores e dos progressistas

brasileiros: uma abordagem baseada na

teoria dos valores humanos

Thiago Henrique Carneiro Rios LopesI

Miguel Angel Rivera CastroII,III ✉

✉,

DOI 10.1590/1678-98732331e011

IPrograma de Pós-Graduação em Economia da Universidade Federal de Sergipe, Aracaju, SE, Brasil.

IIPrograma de Pós-Graduação em Administração, Universidade Salvador, Salvador, BA, Brasil

IIIDepartamento de Ciências Sociais Aplicadas, Universidade Estadual de Feira de Santana, Feira de Santana, BA, Brasil.

Palavras-chave: teoria dos valores humanos, orientação política, conservadorismo político, cultura política, modelo multinomial.

RESUMOIntrodução: Avaliamos os fatores associados à orientação política no Brasil levando em consideração os espectros políti

cos de esquerda, centro e direita, bem como um conjunto de valores baseados na Teoria de Schwartz. Essa teoria permite entender

como os valores pessoais afetam as escolhas e comportamentos dos indivíduos em diferentes contextos, inclusive em relação à

orientação política. Materiais de métodos: Utilizamos a base de dados da sexta onda de pesquisa da World Value Survey, com 1.146

entrevistados para o Brasil no ano de 2014. A análise fatorial confirmatória permitiu validar o questionário de Schwartz e, com isso,

elaborar quatro indicadores para os seguintes valores: conservadorismo, abertura à mudança, autopromoção e autotranscendência.

Além dessas variáveis, controlamos a análise dos resultados através de um modelo multinomial por um conjunto de variáveis socio

demográficas para avaliar os determinantes do autoposicionamento político. Resultados: Os indicadores de conservadorismo e a

abertura à mudança foram significativos para explicar a diferença entre esquerda e direita. A autotranscendência, por sua vez, é um

valor que está associado mais aos cidadãos que se identificaram como de direita do que de centro. Discussão: Além da importância

dos valores para explicar a orientação política no Brasil, as identidades de grupo, isto é, as características sociodemográficas, tam

bém são relevantes. Isto é ilustrado pela significância estatística dos parâmetros das seguintes variáveis demográficas: gênero, idade,

percepção do nível de renda e nível de escolaridade.

Recebido em 3 de Outubro de 2022. Aprovado em 10 de Março de 2023. Aceito em 16de Abril de 2023.

I. Introdução1

1 Agradecemos aos

comentários e sugestões dos

pareceristas anônimos da

Revista de Sociologia e

Política.

Ao longo dotempo, vários estudos têm apontado que construções psi

cológicas como personalidade, fundamentos morais, e, principalmen

te, valores pessoais estão associados a diferentes aspectos da cognição

e comportamento político dos cidadãos. Em particular, os valores relacionados

ao conservadorismo, tais como i) tradição- que significa respeito, compro

misso e aceitação das ideias e dos costumes tradicionais da cultura ou da reli

gião; ii) conformidade- que implica na restrição de ações, atitudes e os desejos

para se aceitarem as expectativas e as normas sociais; e iii) segurança- que

está associada à preferência pela segurança, a harmonia e a estabilidade da

sociedade-, têm uma relação importante com o voto (Barnea & Schwartz,

1998; Caprara et al., 2006; Schwartz et al., 2010; Caprara et al., 2017). Esses

valores estão associados com a preferência por posições políticas de direita

(Aspelund et al., 2013; Barni et al., 2016; Piurko et al., 2011; Caprara et al.,

2017) e com as atitudes políticas favoráveis à ordem e à segurança social

(Schwartz et al., 2010; Stubager, 2008).

Os resultados desses trabalhos são consistentes com alguns estudos que

indicam que o conservadorismo político está relacionado com a resistência à

mudança, à aceitação da desigualdade econômica e à ideologia de direita (Jost

Rev. Sociol. Polit., v. 31, e011, 2023

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Revista de Sociologia e Política v. 31

et al., 2003; Thorisdottir et al., 2007; Van der Toorn et al., 2017). Essa evi

dência mostrou-se robusta em países de língua inglesa e da Europa Ocidental

(Aspelund et al., 2013; Barni et al., 2016; Piurko et al., 2011; Caprara et al.,

2017), os quais são normalmente denominados em diversos estudos psicológi

cos como países culturalmente ocidentais (Gattario et al., 2015; Gestsdottir

et al., 2015).

No entanto, os valores conservadores têm mostrado limitações para expli

car a orientação política em países não ocidentais (Caprara et al., 2017; Hada

rics, 2017). Isto é observado em trabalhos com amostras de países europeus

pós-comunistas ou da Europa Oriental (Hadarics, 2017; Barni et al., 2016;

Piurko et al., 2011; Hadarics, 2017), bem como em amostras com países

latino-americanos (Schwartz & Barnea, 1995; Solano et al., 2015). Esses

resultados seriam decorrentes das diferenças culturais, políticas e econômicas

de cada sociedade (Aspelund et al., 2013; Barni et al., 2016) uma vez que,

devido aos próprios processos históricos, cada um deles pode dar um sig

nificado diferente à dimensão política da esquerda-direita. Por essa razão, é

importante observar empiricamente esses processos no contexto específico da

realidade do Brasil.

Em resumo, o presente estudo pretende identificar se as quatro dimensões

de valores da proposta de Schwartz (1992), relacionados ao conservadorismo,

à abertura à mudança, autopromoção e autotranscendência, estão associados

com a orientação política, operacionalizada por meio de posicionamentos

políticos de esquerda/centro/direita em uma amostra representativa do Brasil.

Nesta pesquisa, foram apresentados onze itens sobre os valores propostos de

Schwartz.

2 O Big Five é um dos

modelos mais importantes

para a explicação da

personalidade humana. Ele a

define como uma rede

hierárquica de traços, cujo

segundo nível hierárquico é

constituído por cinco traços:

Extroversão, Socialização,

Conscienciosidade,

Neuroticismo e Abertura para

Experiência. Para

aprofundamento, ver Costa

(1992), Costa & McCrae

(1995), Goldberg & Digman

(1994), Hutz et al. (1998) e

Trentini et al. (2009).

Vale registrar que a Teoria dos Valores de Schwartz está, em alguma me

dida, associada com os modelos que estudam os fatores globais de personali

dade, conhecidos como Big Five2. Este último é bastante utilizado em pesquisa

psicológica e em testes de personalidade, mas não será diretamente analisado

no texto. Embora a teoria dos valores de Schwartz e o modelo Big Five sejam

abordagens diferentes, eles estão relacionados porque existem algumas sobre

posições entre os valores e as características da personalidade. Assim, as duas

ideias ajudam a compreender a personalidade humana, e oferecem importantes

insights sobre como as pessoas pensam, sentem e se comportam.

Após a criação da Escala de Valores Básicos de Schwartz (1992), a World

Values Survey (WVS) incluiu as perguntas a ela relacionadas em seus ques

tionários a partir da quinta onda de pesquisas, realizada entre 2005 e 2007. Isso

permitiu que vários estudos sobre essa temática fossem desenvolvidos, aos

quais se acrescentaram diversos refinamentos ao longo do tempo. Por exem

plo, o Inventários de Valores de Schwartz- SVS (Schwartz, 1992) foi apri

morado no Questionário de Perfis de Valores (PQV) (Schwartz et al., 2001).

Posteriormente, Schwartz et al. (2012) propuseram um refinamento da teoria

dos valores individuais básicos que analisa e discrimina 19 valores. De todo

modo, as quatro dimensões de valores da proposta de Schwartz (1992) são

verificadas em todas as variações dos questionários.

Assim, num primeiro momento, este artigo vai investigar se as perguntas

associadas à teoria dos valores básicos, no caso brasileiro, também se relacio

nam com as dimensões propostas pelo autor através de uma análise fatorial

confirmatória. Em seguida, serão realizadas as respectivas análises dessas

dimensões e suas relações com a orientação política através dos dados da sexta

rodada de questionários da World Values Survey (WVS). Assim, este artigo

está estruturado da seguinte forma: inicia com esta introdução, seguida do

Perfil dos conservadores e dos progressistas brasileiros: uma abordagem baseada na teoria dos valores humanos

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referencial teórico, onde são discutidos os conceitos da teoria dos valores

humanos e suas dimensões. Depois, é apresentada a metodologia da pesquisa e

os dados para, em seguida, apresentar e discutir os resultados. Por fim, seguem

as considerações finais.

II. Referencial teórico

Segundo Caprara et al. (2006), nas democracias ocidentais, as escolhas

políticas dos eleitores estão mais associadas às suas preferências pessoais do

que às próprias características sociais. Todavia, nem sempre foi assim. Duran

te muito tempo o debate econômico foi central para diferenciar as escalas

ideológicas. Uma das razões que explicam a mudança de perspectiva é que os

partidos políticos- especialmente os de esquerda e de direita- ficaram cada

vez mais parecidos no debate econômico visando atrair os votos do centro

político. Assim, a diferenciação entre tais partidos mudou de foco, especial

mente num contexto em que o eleitorado passou a se preocupar mais com as

relações sociais. Conforme alertou Mitchell et al., “disagreements between

liberals and conservatives are rooted not just in different assumptions about

how to promote economic growth or in different conceptions of their self

interest but in fundamental values” (1993, p. 637).

Nesse sentido, diversos teóricos identificaram uma série de valores básicos

sob os quais os indivíduos atribuem importância enquanto princípios que

guiam suas vidas, tais como: tradição, benevolência e hedonismo. Esses

valores são a base da ideologia (Caprara et al., 2006). No campo da ciência

política, é possível identificar como os valores influenciam a orientação polí

tica. Isso acontece porque eles “são construtos importantes no conjunto dos

conceitos psicossociais considerados centrais para a predição de atitudes e

comportamentos” (Torres et al., 2016, p. 342). Ou seja, as pessoas expressam

seus valores por meio dos seus comportamentos.

Valores são representações cognitivas de desejos, objetivos transituacio

nais que servem como um guia de princípios da vida das pessoas (Schwartz,

1992). Eles podem afetar os traços, os quais são definidos como dimensões de

diferenças individuais em tendências para mostrar padrões consistentes de

pensamento, sentimento e ação (McCrae & Costa, 1990). Enquanto os traços

descrevem como as pessoas são, os valores referem-se ao que elas acham

importante. Os traços podem ser negativos ou positivos, mas os valores de um

indivíduo são fundamentais para justificar escolhas ou ações consideradas

legítimas ou valorosas.

De acordo com Rokeach, valores são crenças duradouras “that a specific

mode of conduct or end-state of existence is personally or socially preferable

to an opposite or converse mode of conduct or end-state of existence” (1973,

p. 5). Já para Schwartz (1992), valores são i) conceitos ou crenças que ii)

transcendem situações específicas; iii) referem-se a estados finais ou compor

tamentos desejáveis, iv) guiam a seleção ou avaliação dos comportamentos e

eventos, e v) são ordenadas por importância relativa. Assim, os valores

diferem das atitudes em sua generalidade (item ii) e em sua ordem hierárquica

de importância (item v). Portanto, as atitudes referem-se a avaliações de obje

tos específicos, ao passo que os valores são padrões gerais utilizados como

base para numerosas avaliações situacionais.

Segundo Allison et al. (2021), podemos dizer que os valores são crenças

fundamentais que orientam as atitudes e comportamentos das pessoas em rela

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ção ao sistema político. Eles estão relacionados às crenças mais profundas que

as pessoas têm sobre a política e a sociedade, enquanto as atitudes são mais

específicas e direcionadas a questões ou políticas específicas. Os traços tam

bém podem influenciar o comportamento político, mas são mais relacionados

às características individuais duradouras de uma pessoa.

Na literatura de cultura política, os valores são entendidos como crenças ou

princípios fundamentais que guiam as atitudes e comportamentos dos indiví

duos em relação à política e ao sistema político. Esses valores ajudam a expli

car por que as pessoas se envolvem (ou não) na política, por que elas escolhem

apoiar ou rejeitar certas políticas ou candidatos e como elas se comportam em

situações políticas. Os valores podem ser entendidos como um tipo de crença

mais profunda do que uma atitude ou opinião. Eles são mais persistentes e

mais amplamente aplicáveis do que uma opinião, e menos específicos do que

uma atitude. Os valores também têm uma relação mais direta com o sistema

político em geral, enquanto as atitudes podem ser mais direcionadas a questões

ou políticas específicas.

Existem diferentes tipos de valores políticos, incluindo valores democráti

cos, valores autoritários, valores de direitos individuais e valores de igualdade,

os quais podem estar em conflito uns com os outros, bem como variar em im

portância para diferentes pessoas. Além dos valores, os traços também podem

influenciar o comportamento político das pessoas. Traços são características

psicológicas duradouras de um indivíduo que afetam sua maneira de pensar,

sentir e agir (Muller, 2001). Algumas características de personalidade, como a

disposição para assumir riscos ou a necessidade de segurança, podem influen

ciar a maneira como as pessoas se comportam em situações políticas.

Nessa perspectiva, a Teoria dos Valores Básicos de Schwartz ocupa lugar

de destaque na literatura sobre o tema. O autor faz uma reformulação da Teoria

dos Valores Humanos Básicos desenvolvida por Rokeach (1973). A Teoria de

Schwartz apresenta dez valores básicos universais: poder, conquista (ou reali

zação), hedonismo, encorajamento, autodireção (ou pensamento independen

te), universalismo, benevolência, tradição, conformidade e segurança, confor

me ilustrado na Figura 1.

Note que o encorajamento (estimulação) e a autodireção (autocentração)

estimulam a independência de pensamento, sentimento, ação e a recepção às

mudanças. Esses valores conflitam com os valores conservadores (conser

vadorismo), tais como conformismo, tradição e segurança. Existem, ainda, os

valores de autotranscendência, que são marcados pela ênfase na aceitação dos

outros como iguais e pelo seu bem-estar [universalismo e benevolência]. Esses

últimos, por sua vez, conflitam com o que se chama autopromoção, que englo

ba os valores de poder e realização.

Diversos trabalhos sugerem que os eleitores votam em partidos que pro

metem manter ou preservar os seus valores pessoais. Em grandes linhas,

observa-se que partidos mais à direita enfatizam a defesa da economia de mer

cado e dos empresários como meio de gerar riqueza; eles também enfatizam a

segurança, os limites do tamanho do governo, a família e valores nacionais.

Em contraste, a centro-esquerda defende o mérito do estado de bem-estar

social, expressa forte preocupação com a justiça social, ao passo em que enfa

tiza o pluralismo e a igualdade (Bobbio, 1996).

Contudo, em 2012 houve uma reformulação, feita pelo próprio Schwartz,

da sua Teoria. Schwartz et al. (2012) identificaram 19 valores potenciais:

Autodireção de Pensamento e de Ação; Estimulação; Hedonismo; Realização;

Poder de Domínio e Poder sobre Recursos; Segurança Pessoal e Social; Tradi

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Figura 1- Síntese com base na Teoria dos Valores Básicos de Schwartz

Fonte: Granjo et al. (2013, p. 5).

ção; Conformidade com Regras e Conformidade Interpessoal; Benevolência

Dependência e Cuidado; Compromisso; Universalismo Natureza e Universa

lismo Tolerância; Face; e Humildade. A Figura 2 é uma representação gráfica

elaborada por Torres et al. (2016) para ilustrar essa nova reformulação.

Com base nessas ideias, Thorisdottir et al. (2007) examinaram os eleitores

de 19 países da Europa a fim de verificar as motivações das suas orientações

políticas. Os autores usaram como fonte de dados a European Social Survey

(ESS) e levaram em conta os elementos contidos na teoria de Schwartz et al.

(2001). Em linhas gerais, a ideia foi verificar se valores como tradicionalismo,

complacência com a desigualdade, necessidade de lei e ordem, segurança e

abertura a novas experiências estão ligados aos eleitores de direita. Os resulta

dos apontaram que tradicionalismo e aceitação da desigualdade predizem a

orientação política de direita nos países da Europa Ocidental, ao passo que o

tradicionalismo melhor prevê a orientação de direita nos países do leste euro

peu. A necessidade de regras é um valor mais compartilhado na Europa Oci

dental que no Leste europeu. Interessante notar que a necessidade de

segurança, bem como a abertura à novas experiências são valores da esquerda

nos países no leste europeu e de direita na Europa Ocidental.

Os resultados empíricos dos estudos que usaram a estrutura de valores de

Schwartz para conhecer a orientação política apontam para uma forte relação

entre valores conservadores e preferência por uma orientação política de di

reita. O debate sobre valores conservadores pode estar vinculado a uma orien

tação política de extrema-direita devido ao fato de que muitos deles são

compartilhados por tais grupos, como a defesa da tradição, da ordem e da

autoridade, a resistência às mudanças sociais e à diversidade cultural, além da

ênfase na segurança e na identidade nacional.

Norris & Inglehart (2019), argumentam que o populismo autoritário está

relacionado a um conjunto de valores culturais que se tornaram mais salientes

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Figura 2- O círculo motivacional dos valores de acordo com a teoria de valores básicos refinada

Fonte: Torres et al. (2016, p. 343).

nos últimos anos, em particular, a oposição às mudanças sociais e culturais, a

ênfase na segurança e na ordem, bem como numa visão do mundo em que a

sociedade é dividida entre “nós” e “eles”. Esses valores estão associados a uma

postura de extrema-direita, que muitas vezes é populista e autoritária. O popu

lismo autoritário é uma forma de política que se baseia em líderes carismáticos

que se apresentam como representantes do “povo” e que criticam as elites

políticas e econômicas. Eles frequentemente defendem a ideia de que a demo

cracia é frágil e que é necessário tomar medidas drásticas para proteger a

ordem e a segurança nacionais. O populismo autoritário é muitas vezes acom

panhado por um forte nacionalismo e uma hostilidade em relação a grupos

minoritários e estrangeiros.

Isso coaduna com o que foi observado para o caso brasileiro nas eleições

de 2018. O discurso político do presidente eleito naquele ano, Jair Bolsonaro,

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foi caracterizado por uma retórica nacionalista, conservadora e populista que

atraiu uma base de apoio significativa entre a classe média e a população rural

do Brasil. A ascensão de Bolsonaro está ligada a mudanças sociais, políticas e

econômicas que ocorreram no país nas últimas décadas, mas pode estar asso

ciada, também, aos valores conservadores já presentes em parte da população

e que ganhou espaço entre aqueles cuja orientação política estava mais ao

“centro”. Este movimento talvez tenha ganhado tração após 2014 com a onda

de protestos sociais que aconteceram no Brasil, bem como no período subse

quente marcado pela crise política e econômica que desencadeou no impeach

ment da ex-presidente Dilma Rousseff, em 2016.

Em resumo, o debate sobre valores conservadores pode estar vinculado a

uma orientação política de extrema-direita quando esses valores são utilizados

para justificar uma postura autoritária, populista e nacionalista. É importante

ressaltar que nem todos os defensores de valores conservadores são de

extrema-direita, mas a associação entre esses valores e essa orientação política

é uma tendência histórica e política relevante.

Ao comparar a primeira e a segunda versões da Teoria dos Valores Básicos

de Schwartz, é possível identificar que quatro valores estão presentes em am

bas: Autotranscendência, Abertura à Mudança, Autopromoção e Conservado

rismo. Dessa forma, o presente trabalho tentou explorar a orientação política

no Brasil com esses quatro valores principais.

O estudo sobre a relação entre os valores e a orientação política no Brasil

pode servir de subsídio para melhor compreender a ascensão da direita radical

no país a partir das eleições de 2018. Vários trabalhos (Amaral et al., 2020;

Setzler, 2021; Fuks et al., 2021) sugerem que a ideologia exerceu relevante

influência na eleição de Jair Bolsonaro naquele ano. Assim, sob essa ótica, a

crescente expansão dos valores associados à direita teria contribuído para a

vitória do ex-presidente.

É importante salientar que o estudo aqui proposto utiliza dados de 2014,

pois essa é a data mais recente em que as questões relacionadas aos valores de

Schwartz estão disponíveis na World Values Survey (WVS). Este foi um perí

odo relevante na política brasileira, marcado por eventos como: i) uma eleição

presidencial acirrada e polarizada; ii) o início da Operação Lava Jato, que

investigou esquemas de corrupção; iii) manifestações em diversas cidades bra

sileiras contra a Copa do Mundo e a classe política tradicional; iv) surgimento

de movimentos ditos apartidários que, posteriormente, se aliaram com a direita

e foram ativos na luta pelo impeachment da presidente Dilma em 2016.

Esse contexto pode ter criado um ambiente de acirramento da polarização,

ainda que assimétrica (Fuks & Marques, 2023), e talvez tenha favorecido o

surgimento de políticos radicais que conseguiram chamar atenção dos eleitores

cujos valores latentes tinham alguma sintonia com a direita democrática. Não

se deve perder de vista, no entanto, que a ascensão da direita radical brasileira

pode ter sido consequência da eleição do ex-presidente Jair Bolsonaro, tal

como sinalizam Russo et al. (2022).

II.1. Conservadorismo político, valores pessoais e orientação política

Os principais autores apontam que o conservadorismo político de direita é

caracterizado por duas dimensões: resistência à mudança e aceitação da desi

gualdade (Bobbio, 1996; Jos & Kruglanski et al., 2003; Muller, 2001). A pri

meira dimensão apela à tendência das pessoas conservadoras em preferirem o

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que é seguro e de se comportarem de acordo com as formas tradicionais (Wil

son, 1973). Nessa linha, as evidências indicam que indivíduos com esses

valores tendem a rejeitar a imigração, bem como têm atitudes positivas em

relação à moralidade tradicional e à manutenção da Lei e da Ordem (Schwartz

et al., 2010). A segunda dimensão baseia-se na noção de que os conservadores

observam a sociedade de forma hierárquica, enquanto as pessoas de orientação

política liberal idealizam o valor da igualdade (Bobbio, 1996; Jost et al.,

2003). Evidências empíricas validam essas últimas afirmações e mostram que

a avaliação da igualdade varia entre aqueles que pertencem à direita ou à es

querda política (Barnea & Schwartz, 1998; Caprara et al., 2017; Rokeach,

1973; Schwartz et al., 2010).

As dimensões do conservadorismo político foram usualmente medidas

através de duas maneiras: a) via aplicação em conjunto das escalas de Auto

ritarismo da Ala Direita (RWA) e Orientação de Domínio Social (SDO) (Jost

et al., 2003); e b) por meio dos Valores Pessoais de Schwartz (Aspelund et al.,

2013; Barni et al., 2016; Thorisdottir et al., 2007). As escalas RWA (Alte

meyer, 1998) e SDO (Sidanius & Pratto, 1999) analisam uma série de atitudes

sociais que estariam na base da ideologia conservadora: coesão social e segu

rança coletiva (no caso do RWA), e a superioridade com base na afiliação do

grupo (no caso de SDO). Por outro lado, Schwartz desenvolveu uma teoria

onde identifica 10 tipos de valores motivacionais diferentes, os quais teriam

uma estrutura quase circular com duas dimensões contrapostas as quais con

templam os 4 altos valores, como se observa na Figura 2 (Schwartz &

Boehnke, 2004):

Os valores de conservadorismo representam segurança, tradição e confor

midade, valores que enfatizam a autodisciplina, preservação das práticas tradi

cionais e estabilidade; os valores associados à abertura à mudança refletem

autodireção e estimulação, valores que enfatizam a independência pessoal e

uma posição favorável à mudança; Os valores de autotranscedência buscam

captar características como universalismo e benevolência, valores que enfati

zam a aceitação dos outros como iguais e a preocupação com o seu bem-estar;

por fim, valores de autopromoção representam poder e realização, valores que

enfatizam o sucesso pessoal e o controle sobre os outros. Vale destacar que o

hedonismo situa-se no meio dos valores de Autopromoção e de Abertura à

mudança (Schwartz & Boehnke, 2004).

Recentes estudos apontaram que os valores de conservadorismo estão rela

cionados ao RWA, enquanto os valores de Autopromoção estariam relaciona

dos ao SDO (Cohrs et al., 2007; McKee & Feather, 2008; Livi et al., 2014;

Duckitt & Sibley, 2017). Portanto, ambas as formas de medida estariam apon

tando para as mesmas dimensões do conservadorismo político (Aspelund

et al., 2013). No entanto, uma vantagem importante da proposta de valores

pessoais de Schwartz é que esse modelo teve ampla validação em diversas

amostras representativas de diferentes países e culturas (Fontaine et al., 2008;

Schwartz, 1992). Além do mais, autores têm mostrado a utilidade das diferen

tes versões da escala de valores de Schwartz e de seus itens para o estudo de

cognição e comportamento político em contextos ocidentais e não ocidentais

(Aspelund et al., 2013; Barni et al., 2016; Caprara et al., 2017; Piurko et al.,

2011; Thorisdottir et al., 2007).

Os estudos que usaram a estrutura de valores de Schwartz para se conhecer

a orientação política de forma transcultural, apontaram para uma forte relação

entre valores conservadores e uma preferência por uma orientação política de

direita (Aspelund et al., 2013; Piurko et al., 2011; Thorisdottir et al., 2007).

Esses resultados ocorreram principalmente em países da Europa Ocidental e

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países Anglofalantes, cuja literatura das ciências cognitivas e do comporta

mento foi identificada como “países ou culturas ocidentais” (Gattario et al.,

2015; Gestsdottir et al., 2015; Schwartz, 2006). Segundo Inglehart & Welzel

(2005), esses países caracterizam-se por terem economias desenvolvidas e in

dustrializadas, uma herança cultural judaico-cristã; democracias consolidadas;

e valores orientados para a autoexpressão. De acordo com os principais auto

res, esses países caracterizam-se pela própria marca da orientação cultural para

o individualismo, ao contrário de outros grupos culturais (Hofstede, 1980;

Schwartz, 2006).

Por outro lado, a relação entre valores conservadores e orientação política

não tem sido consistente em estudos realizados com amostras de culturas ou

países não ocidentais. (Caprara et al., 2017), como em nações pós-comunistas

(Aspelund et al., 2013; Barni et al., 2016; Piurko et al., 2011; Thorisdottir

et al., 2007). Nos países da América Latina, há evidências muito limitadas

sobre as relações entre valores e a orientação política. A maioria desses estu

dos foi realizada em amostras não representativas e de estudantes uni

versitários (Brussino et al., 2013; Zubieta et al., 2008); e, em alguns casos,

com resultados pouco consistentes (Schwartz & Barnea, 1995). Portanto, é

relevante se estudar se os valores relacionados à resistência à mudança (con

servadorismo) ou aceitação da desigualdade (autopromoção) permitem uma

melhor compreensão da orientação política no contexto de países latino-ame

ricanos, tal como o caso brasileiro aqui analisado. De acordo com Inglehart &

Carballo (1997), e Schwartz (2006), a América Latina é um grupo cultural

diferente do Ocidente, relativamente homogêneo e com uma herança cultural

da própria história colonial ibérica e católica. Schwartz (2006) e Hofstede

(1980) indicam que essa região se caracteriza pelos próprios valores coletivis

tas, com certas diferenças entre os países que o compõem nos níveis de indivi

dualismo (Imhoff & Brussino, 2013).

Finalmente, Barni et al. (2016) apontam que uma das limitações da maioria

dos estudos da psicologia sobre orientação política é que eles se concentraram

apenas em observar o posicionamento dos indivíduos no espectro esquerda

direita. Como esses autores mencionam, não há um consenso claro sobre os

significados das posições esquerda e direita; significados que, além disso,

podem variar ao longo do tempo e no contexto de cada país. Na pesquisa reali

zada por esses autores em 20 países da Europa Ocidental e pós-comunistas,

eles identificaram que os valores conservadores estavam positivamente asso

ciados à direita política no Ocidente; no entanto, nos países pós-comunistas,

esses valores foram positivamente associados a atitudes em relação à igual

dade econômica.

III. Dados e método

III.1. Variáveis e instrumentos

Foram analisadas as informações da Pesquisa Mundial de Valores, na sua

sexta edição (WVS-6) em que participaram 86,274 pessoas em 60 países. Des

ses, o Brasil foi selecionado como foco do estudo. A amostra completa no

Brasil foi de 1486 entrevistados em 2014, sendo a amostra válida de 1146 par

ticipantes, dos quais 53% eram mulheres e 47% homens representantes da

população de mais de 15 anos (World Values Survey, 2015). Vale a pena

ressaltar que o WVS é fonte de dados desde 1981 e que tem sido utilizada em

10/23

Revista de Sociologia e Política v. 31

trabalhos científicos nos últimos 40 anos por diversas áreas e diversos autores

(Norris & Inglehart, 2019). A aplicação da pesquisa foi realizada pela UFMG

e feita in situ. A Pesquisa WVS-6 usa um questionário que recolhe, em seus

diferentes itens, aspectos relacionados à cognição social e política dos partici

pantes. Com base na Teoria dos Valores Básicos, as estimativas a seguir bus

caram identificar os fatores associados com a orientação política dos

brasileiros no ano de 2014. A escolha deste corte temporal se justifica porque

as perguntas condizentes com a Teoria de Schwartz só aparecem naquele ano

na base de dados utilizada.

O primeiro passo foi construir a variável de orientação política. Seguindo o

trabalho de Barni et al. (2016), a medida da orientação política foi obtida

através dos itens que se referem ao auto posicionamento político de cada

entrevistado numa escala de 10 categorias em que 1 = esquerda e 10 = direita.

Itens similares têm tido um amplo uso no estudo da orientação política em

diversas culturas (Aspelund et al., 2013; Jost et al., 2003; Piurko et al., 2011;

Thorisdottir et al., 2007). Assim, a variável resposta utilizada nesse artigo é

decorrente da pergunta V95 da WVS-6: “Quando se trata de política, as pes

soas se referem a ‘esquerda’ e ‘direita’. Em geral, como você colocaria seus

pontos de vista nesta escala?”. A escala vai de 1 a 10, quanto mais próximo de

1 maior a identificação do entrevistado com a esquerda, quanto mais próximo

de 10 maior a identificação com a direita. Para aquele ano, os resultados

podem ser observados no Gráfico 1.

No Quadro 1, observa-se que a distribuição da orientação política se

concentrou no centro- mais de 40% da amostra citou as escalas centrais: 4,

5, 6 e 7. Por outro lado, os mais próximos da esquerda- escalas 1, 2 e 3

representaram quase 20% da amostra. Esse percentual foi parecido com os

que se identificam com a direita- escalas 8, 9 e 10. Com base nesses

resultados, optou-se não apenas por investigar os fatores associados com a

orientação política classicamente definida como esquerda/direita. Mas tam

bém é fundamental considerar o “centro” na análise aqui proposta.

Gráfico 1- Distribuição do auto posicionamento político

Fonte: elaboração própria (2022).

Perfil dos conservadores e dos progressistas brasileiros: uma abordagem baseada na teoria dos valores humanos

11/23

Desconsiderar esse espectro político, como muitos trabalhos fazem, não

produz respostas acuradas acerca dos fatores associados à orientação polí

tica. Em outras palavras, a variável de auto posicionamento foi definida da

seguinte forma: aqueles que responderam 1, 2 e 3 no questionamento V95,

foram classificados como de “esquerda”; os que responderam 8, 9 e 10

foram classificados como de “direita”; os demais, 4, 5, 6 e 7 receberam o

rótulo de “centro”.

Portanto, do ponto de vista metodológico, o presente trabalho con

sidera que existem três possibilidades de orientação política- esquerda,

direita e centro- e não apenas duas- esquerda e direita. Isso implica a

estimação de um modelo multinomial. A orientação política mais popular

é “esquerda-direita” ou “liberal-conservador”. Não se deve ignorar que

essa classificação é controversa. Lipset (1960), por exemplo, argumentou

que historicamente a “direita” esteve associada à aristocracia e ao conser

vadorismo. A esquerda, por sua vez, esteve associada à reforma social e

ao igualitarismo. Porém, com as mudanças políticas, a derrota do comu

nismo e a emergência de novas políticas, os significados tradicionais

sofreram alterações. Isso significa que a simples dimensão “direita-es

querda” pode ser insuficiente para representar a competição política (Piur

ko et al., 2011).

No questionário da WVS-6 (Tabela 1), foram considerados 11 itens do

modelo de valores de Schwartz. Conforme observado, cada item descreve ao

participante a forma de ser de uma pessoa, e o entrevistado deve indicar o

quanto ele se parece com cada uma delas numa escala de 1 = “muito parecida

comigo” ao 6 = “muito diferente de mim”. Para facilitar a análise, a escala foi

invertida. Esses itens têm sido utilizados em outras pesquisas, mostrando a sua

pertinência para os estudos psicológico-sociais (Morselli et al., 2012; Pande &

Jain, 2014). Com essas informações foi possível realizar uma análise fatorial

exploratória (AFE) a fim de avaliar a estrutura fatorial da escala de valores de

Schwartz e obter os indicadores de dimensionalidade, confiabilidade e vali

dade estatística das quatro escalas de medida.

A análise implementada utilizou uma matriz policórica e método de ex

tração Robust Diagonally Weighted Least Squares (RDWLS) (Asparouhov

& Muthen, 2010). A decisão sobre o número de fatores a ser retido foi rea

lizada por meio da técnica da Análise Paralela com permutação aleatória

dos dados observados (Timmerman & Lorenzo-Seva, 2011) e a rotação uti

lizada foi a Robust Promin (Lorenzo-Seva & Ferrando, 2019). Os testes de

esfericidade de Bartlett (χ2: 1743,6; gl = 55; p < 0,01) e KMO (0,71)

sugeriram interpretabilidade da matriz de correlação dos itens. A análise

paralela sugeriu quatro fatores como sendo os mais representativos para os

dados.

Num segundo momento, realizou-se uma Análise Fatorial Confirmatória

(ACF) com o objetivo de avaliar a plausibilidade de uma estrutura uni

dimensional para a escala de valores de Schwartz (Schwartz, 2012) usando

os itens sugeridos pela AFE. Com isso obtêm-se as cargas fatoriais para

construir a escala de medida de cada um dos quatro construtos. A AFC

permite corrigir ou corroborar, no caso de tê-las, as deficiências da AFE,

conduzindo a um maior contraste das hipóteses especificadas (Bollen,

1989). Os índices de ajuste utilizados apresentaram os seguintes resultados:

χ2 : 42.915; χ2/gl = 1.26 Comparative Fit Index (CFI): 0.993; Tucker-Lewis

Index (TLI): 0.989; Standardized Root Mean Residual (SRMR): 0.028 e

Root Mean Square Error of Approximation (RMSEA): 0.016. Valores de χ2

não devem ser significativos; a razão χ2/gl deve ser < que 5 ou, pre

12/23

Revista de Sociologia e Política v. 31

Quadro 1- Descritivo do auto posicionamento político

Esquerda

184

12.4%

2

3

4

5

6

7

8

9

Direita

Não sabe

Não respondeu

(N)

35

65

54

436

99

43

68

27

187

47

240

(1,486)

2.3%

4.4%

3.7%

29.3%

6.7%

2.9%

4.6%

1.8%

12.6%

3.2%

16.2%

100%

Fonte: elaboração própria (2022).

ferencialmente, < que 3; Valores de CFI e TLI devem ser > que 0,90 e,

preferencialmente acima de 0,95; Valores de RMSEA devem ser < que

0,08 ou, preferencialmente < que 0,06 (Brown, 2006). O que mostra que a

estrutura unidimensional apresentou resultados de ajuste bons para poder

usar as cargas fatoriais na construção das quatro escalas de medida3. Os

resultados dessa análise podem ser observados na Tabela 1.

III.2. Modelo econométrico

3 Os indicadores latentes

foram construídos

especificamente para gerar um

escore médio ponderado de

cada indicador, usando a carga

fatorial como peso para cada

um dos valores (McNeish &

Wolf, 2020).

Além do presente artigo ter como foco a investigação dos valores indivi

duais e das características sociodemográficas associadas com a orientação

política no Brasil, há uma diferença metodológica importante em relação à

maioria dos estudos sobre o tema. Ao contrário do que se faz amplamente,

entende-se que as categorias esquerda-direita são insuficientes para explicar a

orientação política. No caso específico do Brasil, uma parte considerável da

população se identifica como de “centro”, tal como se pode verificar nas

seções seguintes.

Portanto, não é razoável limitar o estudo a apenas duas respostas possíveis- direita e esquerda. Nesse sentido, este trabalho considera três possibilidades

de orientação política: esquerda, centro e direita. Do ponto de vista metodoló

gico, isso implica na estimação de um modelo multinomial. Quando esse é o

caso, é preciso considerar a probabilidade de ocorrência para as três categor

ias. Em que:

1

pi0 =

ezi1

1þezi1 þezi2

, pi1 =

ezi2

1þezi1 þezi2 

e pi2 =

1þezi1 þezi2 

são, respectivamente, a

probabilidade de ocorrência da categoria de referência que, nesse caso, é a

orientação política de esquerda; a probabilidade de ocorrência da orientação

política de centro; e a probabilidade de ocorrência da orientação política de

direita.

Perfil dos conservadores e dos progressistas brasileiros: uma abordagem baseada na teoria dos valores humanos

13/23

Tabela 1- Análise fatorial confirmatória dos 11 itens-valores referidos ao modelo teórico de Schwartz presentes na WVS-6

Itens

Carga

fatorial

Valores

Indicador latente

representado

V72. O importante para essa pessoa é viver num ambiente seguro e

evitar o que pode ser perigoso.

V79. A tradição é importante para essa pessoa; ela segue os cos

tumes da religião ou da família.

V77. Para essa pessoa é importante se comportar de maneira correta

e evitar fazer qualquer coisa que as pessoas achem errado.

V70. Ter novas ideias e ser criativo é o que conta para essa pessoa.

Ela prefere fazer as coisas do seu jeito.

V76. Ter uma vida emocionante é o importante para essa pessoa.

Aventuras e riscos são parte fundamental da vida.

V73. Para essa pessoa é importante se divertir e fazer o que gosta.

V71. Para essa pessoa, o que importa é ser rico, ter muito dinheiro e

coisas caras.

V75. Para essa pessoa, o importante é ter muito sucesso e que as

pessoas reconheçam suas conquistas.

V74. É importante para essa pessoa fazer algo para o bem da socie

dade.

V74B. Para essa pessoa, o importante é poder ajudar as pessoas que

estão próximas e se preocupar com o bem-estar delas.

V78. Se preocupar com o meio ambiente e com a natureza é impor

tante para essa pessoa.

0.549

0.375

0.503

0.379

0.652

0.363

0.493

0.631

0.693

0.672

0.635

Segurança

Tradição

Conformidade

Autodireção

Estimulação

Hedonismo

Poder

Conquista

Benevolência

Benevolência

Universalismo

Conservadorismo

Abertura à mudança

Autopromoção

Autotranscedência

Fonte: elaboração própria (2022).

Na forma completa, as expressões anteriores podem ser escritas como:

pi0 =

1

1þe(α1þβ11:X1i þβ12:X2i þ:::þβk1:Xki) þ e(α2 þβ12:X1i þβ22:X2i þ:::þβk2:Xki)

pi1 =

e(α1 þβ11:X1i þβ12:X2i þ:::þβk1:Xki)

1þe(α1þβ11:X1i þβ12:X2i þ:::þβk1:Xki) þ e(α2 þβ12:X1i þβ22:X2i þ:::þβk2:Xki)

pi2 =

e(α2 þβ12:X1i þβ22:X2i þ:::þβk2:Xki)

1þe(α1þβ11:X1i þβ12:X2i þ:::þβk1:Xki) þ e(α2 þ12:X1i þ22:X2i þ:::þβk2:Xki)

Genericamente, o modelo estimado pode ser representado por:

y=β0þβ1sexoþβ2ra¸caþβ3idadeþβ4idade2 þβ5educ

þβ5rendaþβ6consþβ7autotþβ8mudan¸caþβ9autopþε

em que y = variável dependente que diz respeito ao auto posicionamento polí

tico do entrevistado; 1 se esquerda; 2 se centro; e 3 se direita; sexo = 1 se mu

lher e 0 se homem; raça = 1 se negro e 0 se não negro; idade = idade dos

entrevistados; idade2 = idade ao quadrado; educ = nível de escolaridade do

entrevistado em três categorias: 1- até ensino fundamental completo; 2- de

ensino médio incompleto até ensino médio completo; 3- ensino superior

incompleto até ensino superior completo; renda = escala de 1 a 10 da seguinte

pergunta: “Neste cartão há uma escala de renda na qual 1 indica o grupo de

renda mais baixa e 10 o grupo de renda mais alta em seu país. Gostaríamos de

saber em que grupo se encontra o seu agregado familiar. Por favor, especifique

14/23

Revista de Sociologia e Política v. 31

o número apropriado, contando todos os salários, vencimentos, pensões e ou

tros rendimentos que entram”. O objetivo é capturar a percepção do entrevis

tado sobre o seu nível de renda relativo.

4 Vale ressaltar que a

estimação levou em conta a

correção dos pesos amostrais.

IV. Resultados e discussão

As variáveis acima descritas fazem parte de um conjunto de controles

sobre as características sociodemográficas dos entrevistados4. As variáveis

expostas a seguir, por outro lado, foram construídas a partir da análise fatorial

apresentada anteriormente, e tentam captar um conjunto de valores que poten

cialmente estão associados com a orientação política: i) conservadorismo =

indicador de conservadorismo; ii) autotranscedência = indicador da auto

transcedência; iii) abertura à mudança = indicador de abertura à mudança; iv)

autopromoção = indicador da autopromoção.

Antes de descrever os resultados do modelo econométrico, é importante

perceber que a Tabela 2 apresentada a seguir traz três modelos distintos. A di

ferença entre eles está no controle por variáveis alternativas que fazem refe

rência, de alguma forma, à renda do indivíduo. O objetivo é verificar se os

demais controles possuem alguma robustez. Por exemplo: no primeiro modelo

foi considerada a variável “Renda” já apresentada na seção III.1; no segundo

modelo ela é substituída pelas respostas da seguinte pergunta: “Qual é o seu

grau de satisfação com a situação financeira do seu agregado familiar? Se ‘1’

significa que você está completamente insatisfeito nesta escala, e ‘10’ significa

que você está completamente satisfeito, onde você colocaria sua satisfação

com a situação financeira de sua família?”; por fim, o terceiro modelo substitui

a pergunta anterior pelo seguinte questionamento: “As pessoas às vezes se

descrevem como pertencentes à classe trabalhadora, à classe média ou à classe

alta ou baixa. Você se descreveria como pertencente à: i) classe alta, ii) classe

média alta, iii) classe média baixa, iv) classe trabalhadora ou v) classe baixa?”.

Vale destacar que as variáveis “Renda” e “Classe Social” captam muito mais a

percepção do indivíduo quanto à sua posição social do que a sua posição social

de fato. Para conferir os efeitos marginais, o leitor deve consultar o Anexo 1.

Conforme pôde ser observado na Tabela 2, cujos parâmetros estão na

forma de odds-ratios, de modo geral os termos de idade e idade ao quadrado

foram significativos para a categoria “esquerda” em relação a categoria “di

reita” em todos os modelos. Isso significa que os mais jovens tendem a se con

siderar mais de esquerda. Porém, a partir de certa idade, a probabilidade de se

perceber de esquerda cai em relação a se autorreferir de direita.

A variável ‘sexo’, cuja referência é o gênero feminino, mostrou-se signifi

cativa para a orientação política de esquerda em todos os modelos. Os valores,

contudo, indicam que as mulheres têm menor probabilidade que os homens de

se declararem de esquerda quando comparado aos que se perceberam como de

direita. Quanto à raça, não houve diferenças estatísticas entre os negros e os

demais para qualquer tipo de orientação em nenhum dos três modelos.

A variável “educação” revela que quanto maior o nível de escolaridade,

maior a probabilidade dos indivíduos se declararem de esquerda e de centro

em relação a se perceberem de direita. Ela permaneceu significativa em todos

os modelos. Por fim, a escala de renda tem maior relevância não para separar

as categorias esquerda-direita, mas para diferenciar aqueles que se consideram

de centro em relação aos que se classificam como de direita. Nas estimações

alternativas- representadas na Tabela 2 como Modelo 2 e Modelo 3-, percebe

Tabela2-Determinantesdoautoposicionamentopolítico(regressãomultinominal)

Modelo1 Modelo2 Modelo3

Variáveldependente:orientação

política

Odds

ratio

Erro

padrão

Variáveldependente:orientação

política

Odds

ratio

Erro

padrão

Variáveldependente:orientação

política

Odds

ratio

Erro

padrão

Categoriadereferência:direita Categoriadereferência:direita Categoriadereferência:direita

Esquerda Esquerda Esquerda

Sexo 0.72* 0.14 Sexo 0.67** 0.13 Sexo 0.67** 0.13

Idade 1.08*** 0.03 Idade 1.06** 0.03 Idade 1.08*** 0.03

Idade2 0.99*** 0.00 Idade2 0.99** 0.00 Idade2 0.99*** 0.00

Renda1 SatisfaçãocomaRenda2 ClasseSocial3

2 1.39 0.54 2 0.97 0.59 2 2.57 3.83

3 1.66 0.61 3 0.51 0.23 3 2.99 4.10

4 1.04 0.37 4 1.84 1.00 4 1.99 2.73

5 1.90** 0.56 5 0.52* 0.19 5 2.63 3.63

6 1.31 0.45 6 0.63 0.26

7 2.36** 0.92 7 0.67 0.27

8 0.50 0.30 8 0.44** 0.17

9 0.46 0.43 9 0.35** 0.16

10 1.99 2.96 10 0.51* 0.18

Educação4 Educação4 Educação4

2 2.14*** 0.48 2 2.31*** 0.50 2 2.26*** 0.49

3 2.33*** 0.70 3 2.79*** 0.80 3 2.50*** 0.74

Negro 0.95 0.26 Negro 0.87 0.24 Negro 0.92 0.25

Conservação 0.82** 0.07 Conservação 0.81** 0.07 Conservação 0.82** 0.07

Autotranscendência 0.99 0.07 Autotranscendência 1.00 0.07 Autotranscendência 0.98 0.07

Aberturaàmudança 1.17** 0.09 Aberturaàmudança 1.19** 0.09 Aberturaàmudança 1.17** 0.09

Autopromoção 0.89 0.08 Autopromoção 0.87 0.07 Autopromoção 0.89 0.08

Constante 0.58 0.63 Constante 1.49 1.68 Constante 0.37 0.63

Centro Centro Centro

Sexo 0.78 0.13 Sexo 0.77 0.12 Sexo 0.75* 0.12

Idade 1.03 0.03 Idade 1.03 0.03 Idade 1.04* 0.03

(continua)

Perfildosconservadoresedosprogressistasbrasileiros:umaabordagembaseadanateoriadosvaloreshumanos 15/23

Tabela2-Continuação

Modelo1 Modelo2 Modelo3

Variáveldependente:orientação

política

Odds

ratio

Erro

padrão

Variáveldependente:orientação

política

Odds

ratio

Erro

padrão

Variáveldependente:orientação

política

Odds

ratio

Erro

padrão

Idade2 0.99** 0.00 Idade2 0.99* 0.00 Idade2 0.99** 0.00

Renda1 SatisfaçãocomaRenda2 ClasseSocial3

2 2.63*** 0.84 2 1.36 0.77 2 1.52 1.42

3 2.07** 0.68 3 1.40 0.58 3 1.83 1.39

4 2.49*** 0.76 4 3.35** 1.79 4 1.12 0.84

5 3.09*** 0.81 5 1.69 0.57 5 1.06 0.80

6 2.61*** 0.78 6 1.76 0.67

7 2.85*** 1.00 7 2.21** 0.81

8 2.16* 0.88 8 1.46 0.51

9 2.09 1.28 9 1.21 0.48

10 0.00*** 0.00 10 0.90 0.30

Educação4 Educação4 Educação4

2 1.64*** 0.31 2 1.80*** 0.33 2 1.78*** 0.33

3 2.55*** 0.66 3 2.95*** 0.74 3 2.59*** 0.65

Negro 0.83 0.20 Negro 0.79 0.19 Negro 0.86 0.21

Conservação 0.91 0.07 Conservação 0.94 0.07 Conservação 0.93 0.07

Autotranscendência 0.86** 0.05 Autotranscendência 0.86** 0.05 Autotranscendência 0.83*** 0.05

Aberturaàmudança 1.12* 0.07 Aberturaàmudança 1.13** 0.07 Aberturaàmudança 1.11* 0.07

Autopromoção 0.88* 0.06 Autopromoção 0.89 0.06 Autopromoção 0.90 0.06

Constante 4.83* 4.32 Constante 6.00** 5.54 Constante 8.82** 9.70

R2 0.06 0.05 0.06

Fonte:elaboraçãoprópria(2022).

1CategoriadeReferência:rendamaisbaixa.

2CategoriadeReferência:nívelmaisbaixodesatisfação.

3CategoriadeReferência:classebaixa.

4CategoriadeReferência:atéensinofundamentalcompleto.

(*)significativoa10%;

(**)singnificativoa5%;

(***)significativoa1%.

16/23 RevistadeSociologiaePolíticav.31

Perfil dos conservadores e dos progressistas brasileiros: uma abordagem baseada na teoria dos valores humanos

17/23

se que a variável “classe social” não foi significativa, ao passo que os maiores

níveis de “Satisfação com a Renda” se mostraram menos associados com a

orientação de esquerda em relação à direita.

A visão dos sociólogos políticos, tais como Evans (2000) e Lipset & Rok

kan (1967), indica que os eleitores tendem a escolher partidos que promovam

seus interesses de classe. Assim, foi desenvolvida a hipótese de que os tra

balhadores tendiam a votar em partidos de esquerda e a classe média em parti

dos de direita. Segundo Piurko et al. (2011), isso tornou-se uma espécie de

axioma na sociologia política. Mas, ao que parece, a relação entre os eleitores

e a estrutura social está em declínio. Existe, nesse caso, um efeito geracional

importante: eleitores jovens mostram-se mais independentes e com uma orien

tação mais instrumental e individual em relação à política (Inglehart & Car

ballo, 1997). Para o caso brasileiro, pode-se perceber que a estrutura social

ainda importa. Em certa medida, isso pode ser ilustrado pelas variáveis de

renda e educação. Contudo, a renda parece diferenciar mais os eleitores de

centro em relação aos de direita.

Em linhas gerais, o que se percebe é que no caso brasileiro as variáveis

sociodemográficas são fatores associados com a orientação política. Deve-se

ressaltar que os trabalhos de Piurko et al. (2011), Aspelund et al. (2013), Barni

et al. (2016) e Thorisdottir et al. (2007) investigaram a orientação política con

trolando pelas seguintes variáveis sociodemográficas: idade, gênero, educação,

quão religioso se é, quão adequada a renda da família é, se é/foi membro de

sindicato. Eles perceberam que em países tradicionais tanto os valores quanto

as variáveis sociodemográficas explicam a orientação, mas as últimas parecem

mais fortes.

O trabalho dos autores supracitados ainda revela que nos países liberais os

valores explicam duas vezes mais a variância na orientação política do que as

variáveis sociodemográficas. Nos países pós-comunistas o poder de explicação

dos valores é bem menor. Tal como haviam alertado, nas nações liberais avan

çadas os indivíduos estão menos enraizados culturalmente em relação à identi

dade de grupo. Porém, nos países tradicionais ambas as variáveis são rele

vantes. Dentre as características sociodemográficas, a religião foi a que mais

consistentemente associou-se às orientações políticas, mas seu poder foi mais

fraco nos países liberais. A religiosidade foi o mais consistente preditor da

orientação política de direita em 18 dos 20 países analisados. Segundo os au

tores, a religiosidade é uma característica psicológica dos indivíduos que ser

vem como um princípio orientador na vida. Talvez ela seja mais relevante que

a própria posição social.

Os resultados para o caso brasileiro mostram que a identidade de grupo

ainda é um elemento importante para compreender a orientação política, pois

as variáveis sociodemográficas mostraram-se fortemente associadas com a

orientação política no Brasil. Porém, os valores também são relevantes. Note,

por exemplo, que os indicadores de conservadorismo e a abertura à mudança

foram significativos para explicar a diferença entre esquerda e direita. Ainda

que com menor significância, a autotranscedência, abertura à mudança e

autopromoção servem para diferenciar o centro da direita (Aspelund et al.,

2013; Barni et al., 2016; Thorisdottir et al., 2007).

Vale notar que o indicador de conservadorismo foi muito significativo para

diferenciar esquerda-direita em todos os modelos. Em outras palavras, quanto

mais conservador menor a probabilidade de se autorreferir de esquerda vis-à

vis de direita. Destaca-se, porém, que dentro do indicador de conservadorismo

há um item que faz referência à religiosidade. Então, em alguma medida, este

18/23

Revista de Sociologia e Política v. 31

indicador captura essa identidade de grupo. Esse é um resultado que está de

acordo com os trabalhos de Piurko et al. (2011) e Barni et al. (2016), pois

segundo eles a orientação da direita está assentada em valores conservadores

como a tradição e a segurança. O conservadorismo, contudo, não parece servir

para diferenciar a orientação do centro em relação à direita.

Quanto maior o indicador de abertura à mudança, maior a probabilidade

dos indivíduos se perceberem como de esquerda vis-à-vis de direita. Isso tam

bém foi válido nos três modelos, e é um resultado presente em vários estudos.

Caprara et al. (2006), por exemplo, observaram que questões associadas à

amabilidade (ou amizade) e abertura para novas experiências estão associadas

com a centro-esquerda. Isso sugere que os programas de esquerda que enfati

zam a solidariedade, o bem-estar coletivo, a tolerância e a diversidade tendem

a atrair mais as pessoas “abertas” e “amigáveis”. Por outro lado, a ênfase da

centro-direita em programas que valorizam o empreendedorismo individual e

a liberdade comercial atraem pessoas mais ligadas aos traços de dominância,

energia, assertividade. Os valores ligados à tradição e a conformidade que,

como a segurança, endossam o status quo, correlacionam-se com os votos na

centro-direita. Registra-se que os valores de segurança foram os mais for

temente ligados ao voto na centro-direita. Vale destacar que esse indicador

também apresentou significância estatística quando se compara o centro com a

direita. Esse é um aspecto, portanto, que no caso brasileiro aproxima os cida

dãos de esquerda com os de centro.

Percebe-se uma associação entre o indicador de autotranscedência com a

diferença entre centro e direita. Este foi um resultado que permaneceu em

todos os modelos. Mais especificamente, quanto maior esse indicador, menor a

probabilidade do entrevistado se perceber como de centro vis-à-vis de direita.

Esse valor está associado com a benevolência e os resultados são, em alguma

medida, diferentes daqueles mais usualmente encontrados na literatura. Piurko

et al. (2011) e Schwartz & Boehnke (2004) perceberam que valores como be

nevolência e universalismo explicam a orientação de esquerda nos países tra

dicionais e liberais. No caso brasileiro, a benevolência não diferencia esquerda

e direita, mas centro e direita. Além do mais, esse é um valor menos associado

ao centro do que à direita. Essa diferença observada para os resultados no Bra

sil exige uma análise mais aprofundada em estudos posteriores. Talvez ele

possa ser mais bem compreendido à luz da religião, haja vista que cresce na

sociedade brasileira o número de evangélicos.

O indicador da autopromoção foi levemente significativo para diferenciar o

centro da direita. Porém, ele não foi robusto. Em outras palavras, quanto mais

preocupado com o dinheiro e com o sucesso, menor a probabilidade do indiví

duo se auto referir como de centro em relação à direita em apenas um dos mo

delos. Esse é um resultado que precisa ser ponderado, pois ele está no limite da

significância aceitável de 10%.

O que se observa, portanto, é que no caso brasileiro tanto os valores quanto

as variáveis sociodemográficas estão associadas com a orientação política.

Segundo Caprara et al. (2006), com a individualização da política, os valores

podem substituir as classes e outros grupos de interesse enquanto elementos

para explicar a orientação política. Isso foi observado nas eleições italianas em

2001 e 2006, pois os valores parecem ter mais relação com as votações do que

as variáveis sociodemográficas. Ademais, Evans (2000) afirmou que em países

cuja economia de serviços é forte, que possuem alta educação e urbanização,

há maior probabilidade de ter cidadãos que fazem escolhas políticas baseadas

em suas próprias compreensões. Nesses casos, eles são menos influenciados

pela sua posição social. Não parece, contudo, ter sido esse o caso do Brasil em

Perfil dos conservadores e dos progressistas brasileiros: uma abordagem baseada na teoria dos valores humanos

19/23

2014. Naquela data, foi possível perceber que tanto as variáveis sociodemo

gráficas quanto os valores estavam associados com a orientação política.

Portanto, o próximo desafio é entender se ao longo do tempo os valores

tornaram-se mais relevantes na discriminação da orientação política no Brasil.

Essa não é uma tarefa simples, pois os questionários da World Values Survey

para os anos seguintes não são compatíveis. Dessa forma, é preciso buscar

alternativas que permitam alguma aproximação dos questionários para depois

examinar as associações com a orientação política no Brasil.

V. Considerações finais

O presente trabalho teve por objetivo verificar os fatores associados com a

orientação política no Brasil no ano de 2014. Para tanto, além de variáveis

sociodemográficas, foram elaborados quatro indicadores com base na Teoria

dos Valores de Schwartz, quais sejam: conservadorismo, abertura à mudança,

autopromoção e autotranscendência. A base de dados foi obtida na homepage

da World Values Survey e contou com a resposta de 1.146 pessoas. Deve-se

ressaltar que o corte temporal está restrito à presença das questões compatíveis

com os trabalhos de Schwartz.

Parte da literatura sobre o tema sugere que os valores explicam a orienta

ção política mais fortemente que as variáveis sociodemográficas em países li

berais. Nesses, a orientação de direita está expressa em valores como tradição,

poder e segurança. Já a orientação de esquerda está assentada em valores como

universalismo, benevolência e preocupação com o bem-estar dos outros.

Ao contrário da maior parte da literatura, este artigo reconhece a necessi

dade de estudar a orientação política para além da visão tradicional esquerda

direita. Nesse sentido, o modelo empírico proposto considerou avaliar também

o espectro político de centro. Para o caso do Brasil, foi verificado que tanto as

variáveis sociodemográficas como os valores importam. Isso sugere que a

identidade de grupo ainda é um elemento importante para compreender a

orientação política do brasileiro. Levar em conta aqueles que se consideram de

“centro” é importante para se compreender as mudanças políticas que ocorre

ram no Brasil, especialmente após o ano de 2014. Conforme apresentado no

artigo, esse foi um período marcado por manifestações populares, por vezes

radicais, que talvez tenham favorecido a revelação mais contundente dos

valores conservadores de parte da sociedade. Essas expressões ganharam ainda

mais espaço após o impeachment da ex-presidente Dilma, em 2016, e culmi

nou com a eleição de Jair Bolsonaro. Porém, os conservadores radicais difi

cilmente teriam maioria sem um movimento do centro.

Em suma, observou-se que os jovens se identificam mais com a esquerda

do que com a direita. Porém, na medida que a idade avança há uma redução

nessa probabilidade. Por outro lado, as mulheres têm menor chance de se

identificar com a esquerda do que os homens em relação a orientação política

de direita. Não foi possível identificar associação estatisticamente significativa

entre raça e orientação política em nenhuma das estimativas. Quando se con

trola pela percepção quanto à própria renda, notou-se que ela tem maior rele

vância para separar aqueles que se consideram de centro em relação aos que se

classificam como de direita. Nas estimações alternativas, a variável “classe

social” não foi significativa em nenhum dos modelos, ao passo que os maiores

níveis de “Satisfação com a Renda” se mostraram menos associados com a

orientação de esquerda quando comparado com a direita. Por fim, maiores

20/23

Revista de Sociologia e Política v. 31

níveis de escolaridade aumentam a chance do indivíduo se identificar como de

esquerda em relação a se identificar como de direita.

Sob esse ponto de vista, sugere-se que a identidade de grupo ainda é um

elemento importante na compreensão do tema abordado. Contudo, os valores

também são relevantes. Os indicadores de conservadorismo e a abertura à

mudança foram significativos para explicar a diferença entre esquerda e di

reita. Mais especificamente, quanto mais conservador, menor a chance do in

divíduo se identificar com a esquerda em relação à com a direita. Contudo,

esse não é um elemento que diferencia o centro da direita. Aqui, há um impor

tante aspecto para estudos futuros: investigar se, no caso brasileiro, os indiví

duos que se identificam com o centro político são tão conservadores quanto

aqueles que se identificam com a direita. Vale notar que nas três especifica

ções, a autotranscedência- valores que enfatizam aceitação dos outros como

iguais e a preocupação com o seu bem-estar- foi um valor menos associado

com o centro do que com a direita. Por outro lado, o centro é mais próximo da

esquerda no quesito “abertura à mudança”. Em linha com a literatura inter

nacional, os programas de esquerda que enfatizam a solidariedade, o bem-estar

coletivo, a tolerância e a diversidade tendem a atrair mais as pessoas “abertas”

e “amigáveis”. Esse também parece ser o resultado observado no Brasil.

Deve-se ressaltar que, os conservadores tendem a defender um papel limi

tado do governo, o qual deve se concentrar em proteger a ordem e a segurança.

Eles também são favoráveis à redução do gasto público e dos impostos, a fim

de permitir que as pessoas e as empresas tenham mais liberdade para tomar

decisões e investir em suas próprias iniciativas. Em relação às políticas sociais,

os conservadores geralmente acreditam que o governo deve ter um papel limi

tado em garantir o bem-estar social, ao passo que devem favorecer políticas

que incentivam a responsabilidade individual e a autossuficiência. Nesse sen

tido, eles tendem a se opor aos programas sociais que consideram excessiva

mente generosos ou que incentivam a dependência do governo. Além disso, os

valores conservadores muitas vezes se refletem em posições firmes sobre

questões de identidade e moralidade, como a defesa da família tradicional, a

oposição ao aborto, o apoio à religião e a defesa da lei e da ordem. Portanto, o

crescimento desses valores, quando refletidos no processo eleitoral, trarão

implicações sobre a política, bem como a condução da economia brasileira.

Entende-se que o desafio para trabalhos futuros é tentar compatibilizar os

questionários mais recentes com aquele proposto por Schwartz a fim de criar

indicadores sobre os valores. Essa é uma tarefa desafiadora, pois as questões

aplicadas pela World Values Survey são muito diferentes em cada nova onda.

Porém, esse esforço é fundamental para avaliar a importância que os valores

têm para explicar a orientação política no Brasil do presente. Por último,

tomando em consideração a particularidade cultural do Brasil e suas diferenças

internas (Torres et al., 2016), outra linha de pesquisa futura é tratar de entender

se as variáveis culturais como o individualismo, a distância do poder, ou outras

possam dar indicativos sobre a orientação política no Brasil.

Thiago Henrique Carneiro Rios Lopes (thiagohenriquerios@gmail.com) é doutor em Economia pela Universidade Federal de

Minas Gerais e professor do Programa de Pós-Graduação em Economia, Universidade Federal de Sergipe, Aracaju, SE, Bra

sil.

Miguel Angel Rivera Castro (marcastro@uefs.br) é doutor em Economia pela Universidade de Santiago de Compostela

Espanha e professor do Programa de Pós-Graduação em Administração da Universidade Salvador, Salvador, BA, Brasil e do

Departamento de Ciências Sociais Aplicadas, Universidade Estadual de Feira de Santana, Feira de Santana, BA, Brasil.

Perfil dos conservadores e dos progressistas brasileiros: uma abordagem baseada na teoria dos valores humanos

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A profile of Brazilian conservatives and progressives: an approach based on the theory of basic human

values

Keywords: theory of basic human values, political orientation, political conservatism, political culture, multinomial model.

ABSTRACTIntroduction: We evaluated a set of factors associated with political orientation in Brazil considering the left, center, and

right political spectrums, as well as a group of values based on Schwartz's Theory. This theory enables us to understand how perso

nal values affect individual choices and behavior across different contexts, among which political orientation. Materials and

method: Our source database was the sixth research wave of the World Values Survey, which included 1,146 respondents for Brazil

in 2014. The confirmatory factor analysis allowed us to validate the Schwartz questionnaire and, subsequently, devise four indica

tors for the following values: conservation, openness to change, self-enhancement, and self-transcendence. In addition to these vari

ables, we controlled the analysis of results using a multinomial model with a range of sociodemographic variables to assess the

determinants of political self-positioning. Results: Conservation and openness to change were significant indicators to explain the

difference between left and right. Self-transcendence, in turn, was a value more closely associated with citizens who identify as right

wing rather than center. Discussion: Political orientation in Brazil is heavily reliant on both values and group identities, i.e., socio

demographic characteristics. This is illustrated by the statistical significance of the following demographic variables: gender, age,

perceived income level, and education level.

This is an Open Access article distributed under the terms of the Creative Commons Attribution License, which permits unrestricted use,

distribution, and reproduction in any medium, provided the original work is properly cited.

Anexo1-Efeitosmarginais

Delta-method

dy/dx Std.err. z P>z [95%conf.interval]

Sexo_predict

1-0,02611 0,0259972-1 0,315 0,0770635 0,0248436

2-0,0156075 0,0301902-0,52 0,605 0,0747792 0,0435642

3 0,0417175 0,024462 1,71 0,088 0,0062271 0,0896621

idade_predict

1 0,0090258 0,0043355 2,08 0,037 0,0005283 0,0175233

2-0,0011095 0,0048922-0,23 0,821-0,010698 0,008479

3-0,0079163 0,0037861-2,09 0,037 0,0153369-0,0004957

idade2_predict

1-0,0000962 0,0000473-2,03 0,042 0,0001889-3.46e-06

2-0,0000132 0,0000527-0,25 0,803 0,0001165 0,0000902

3 0,0001094 0,0000389 2,81 0,005 0,0000332 0,0001855

1.renda (baseoutcome)

2.renda_predict

1-0,0545738 0,0588814-0,93 0,354 0,1699793 0,0608317

2 0,1907038 0,0641972 2,97 0,003 0,0648796 0,3165281

3-0,13613 0,0527-2,58 0,01 0,2394201-0,03284

3.renda_predict

1 0,0101633 0,0603235 0,17 0,866 0,1080685 0,1283952

2 0,1095718 0,0647156 1,69 0,09 0,0172684 0,236412

3-0,1197351 0,0548062-2,18 0,029 0,2271533-0,012317

4.renda_predict

1-0,0938449 0,050947-1,84 0,065 0,1936992 0,0060094

2 0,2117189 0,0588794 3,6 0 0,0963173 0,3271205

3-0,117874 0,0521642-2,26 0,024 0,2201139-0,0156341

5.renda_predict

1-0,0207054 0,0481361-0,43 0,667 0,1150505 0,0736397

2 0,1870768 0,0513238 3,65 0 0,0864839 0,2876696

3-0,1663714 0,0439635-3,78 0 0,2525382-0,0802046

6.renda_predict

1-0,0628753 0,0512238-1,23 0,22-0,163272 0,0375214

2 0,1957165 0,0578771 3,38 0,001 0,0822795 0,3091535

3-0,1328412 0,0512526-2,59 0,01 0,2332944-0,032388

7.renda_predict

1 0,0348286 0,061273 0,57 0,57 0,0852643 0,1549215

2 0,1344807 0,064715 2,08 0,038 0,0076415 0,2613198

3-0,1693093 0,0542786-3,12 0,002 0,2756934-0,0629252

8.renda_predict

1-0,1678815 0,0619682-2,71 0,007 0,2893369-0,0464261

(continua)

24/23 RevistadeSociologiaePolíticav.31

Anexo

Anexo1-Continuação

Delta-method

dy/dx Std.err. z P>z [95%conf.interval]

2 0,2420128 0,0819078 2,95 0,003 0,0814764 0,4025491

3-0,0741313 0,0734144-1,01 0,313 0,2180209 0,0697584

9.renda_predict

1-0,1733935 0,0820397-2,11 0,035 0,3341884-0,0125986

2 0,2402148 0,1211054 1,98 0,047 0,0028526 0,4775769

3-0,0668212 0,1114794-0,6 0,549 0,2853169 0,1516744

10.renda_predict

1 0,3376418 0,3168351 1,07 0,287 0,2833436 0,9586272

2-0,3767535 0,0419438-8,98 0 0,4589619-0,2945451

3 0,0391117 0,3168473 0,12 0,902 0,5818977 0,6601211

1.educ (baseoutcome)

2.educ_predict

1 0,0745789 0,0310697 2,4 0,016 0,0136834 0,1354744

2 0,0248194 0,0357186 0,69 0,487 0,0451877 0,0948265

3-0,0993983 0,0308794-3,22 0,001 0,1599208-0,0388758

3.educ_predict

1 0,0275474 0,0377303 0,73 0,465 0,0464026 0,1014974

2 0,115555 0,0442462 2,61 0,009 0,0288341 0,2022759

3-0,1431024 0,0355207-4,03 0 0,2127216-0,0734832

negro_predict

1 0,0143872 0,0388754 0,37 0,711 0,0618072 0,0905817

2-0,0363852 0,0448882-0,81 0,418 0,1243645 0,0515941

3 0,021998 0,0357877 0,61 0,539 0,0481447 0,0921406

conserv_predict

1-0,0232798 0,0112035-2,08 0,038 0,0452383-0,0013213

2 0,0034825 0,0131642 0,26 0,791 0,0223188 0,0292838

3 0,0197973 0,0113472 1,74 0,081 0,0024428 0,0420374

autotransc_predict

1 0,0163791 0,00962 1,7 0,089 0,0024758 0,0352339

2-0,0319884 0,0111906-2,86 0,004 0,0539215-0,0100553

3 0,0156093 0,0094461 1,65 0,098 0,0029047 0,0341233

abermudança_predict

1 0,0134234 0,0110576 1,21 0,225 0,0082492 0,0350959

2 0,0069265 0,0123084 0,56 0,574 0,0171975 0,0310504

3-0,0203499 0,0098423-2,07 0,039 0,0396405-0,0010592

autopromoção_predict

1-0,0036693 0,0121721-0,3 0,763 0,0275261 0,0201875

2-0,0144804 0,0134372-1,08 0,281 0,0408168 0,011856

3 0,0181497 0,0107528 1,69 0,091 0,0029253 0,0392247

Note:dy/dxforfactorlevelsisthediscretechangefromthebaselevel.

Fonte:elaboraçãoprópria(2022). O artigo dos autores Thiago Henrique Carneiro Rios LopesI e Miguel Angel Rivera CastroII, na Revista de Sociologia e Politica.

O petismo é a cultura política, a identidade partidária e o conjunto de ideias associados ao Partido dos Trabalhadores (PT), fundado no Brasil em fevereiro de 1980.

O atipetismo aparentemente, inviabiliza o progressismo no Brasil.  Confira na CNN Brsail .https://www.cnnbrasil.com.br/eleicoes/bancada-partidos-camara/ .Confira no Portal G1 da Rede Globo .https://g1.globo.com/google/amp/politica/eleicoes/2026/noticia/2026/10/04/bancada-senado-eleicoes-2026.ghtml 

O conservadorismo é uma filosofia social e política que defende a preservação das instituições, costumes, tradições e valores construídos ao longo da história de uma sociedade. Em vez de propor mudanças radicais ou utópicas, o pensamento conservador defende que a sociedade deve evoluir de forma gradual e prudente, aproveitando a experiência acumulada pelas gerações passadas.

Pilares Fundamentais

 Ceticismo político: Desconfiança em relação a teorias abstratas e planos de engenharia social que prometem sociedades perfeitas.

 Prudência: Preferência por reformas lentas, pontuais e testadas pela experiência prática, evitando rupturas revolucionárias.

 Preservação institucional: Valorização de estruturas fundamentais como a família, as comunidades locais e as organizações religiosas.

 Ordem e estabilidade: Crença de que a ordem social e a segurança jurídica são pré-requisitos para a liberdade individual e a justiça.

O conservadorismo político moderno estruturou-se no final do século XVIII, tendo o filósofo e político britânico Edmund Burke como seu principal precursor. Em sua obra clássica, Burke criticou os excessos e a destruição institucional promovidos pela Revolução Francesa, defendendo que os pactos sociais devem respeitar os mortos, os vivos e os que ainda vão nascer.

Assista a uma breve explicação sobre o surgimento do pensamento conservador e seus conceitos clássicos:

O conservadorismo não é uma ideologia rígida ou um conjunto fixo de dogmas; ele varia de acordo com o tempo e a cultura de cada país:

 Conservadorismo Tradicionalista: Foca intensamente na preservação da moralidade comum, dos costumes antigos e do papel central das religiões tradicionais na vida pública.

 Conservadorismo Liberal: Combina a preservação dos valores e instituições tradicionais nos costumes com a defesa do livre mercado, da propriedade privada e do Estado enxuto na economia.

 Neoconservadorismo: Vertente que ganhou força no cenário internacional (especialmente nos EUA), aliando o conservadorismo moral interno a uma postura assertiva e intervencionista na política externa.

O antipetismo inviabiliza  o progressismo no Brasil . E teremos um conservadorismo com enormes retrocessos .



E assim caminha a humanidade.

Imagem do Dicionário Online de Portugues .




 


 



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